ADRIANA BARBOSA FERNANDES
Seu trabalho será avaliado pelo CopySpider no decorrer do desenvolvimento do
A IMPORTÂNCIA
trabalho, DA ADESÃO
assim caso seja detectado, AOinvalidado
poderá ser AUTOCUIDADO NO das
em qualquer uma
TRATAMENTO
atividades. DOSoPORTADORES
Leia antes de começar trabalho o Manual doDE DIABETES
Aluno e Manual do plágio
para compreender todos itens obrigatórios e os critérios utilizados na correção
MELLITUS TIPO 2
Brasília
2017
ADRIANA BARBOSA FERNANDES
A IMPORTÂNCIA DA ADESÃO AO AUTOCUIDADO NO
TRATAMENTO DOS PORTADORES DE DIABETES
MELLITUS TIPO 2
Cidade
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
à Faculdade Anhanguera – FACITEB, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Enfermagem.
Orientador: Danielle Zoratto Burkle
Brasília
2017
ADRIANA BARBOSA FERNANDES
A IMPORTÂNCIA DA ADESÃO AO AUTOCUIDADO NO
TRATAMENTO DOS PORTADORES DE DIABETES MELLITUS TIPO
2
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
à Faculdade Anhanguera – FACITEB, como
requisito parcial para a obtenção do título de
graduado em Enfermagem.
BANCA EXAMINADORA
Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)
Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)
Prof(ª). Titulação Nome do Professor(a)
Brasília, 15 de setembro de 2017
FERNANDES, Adriana. A importância da adesão ao autocuidado no tratamento
dos portadores de diabetes mellitus tipo 2 2017. 33 folhas. Trabalho de
Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) – Anhanguera-Faciteb, Brasília,
2017.
RESUMO
O diabetes mellitus é um problema grave de saúde pública no mundo. A falta de
adesão ao tratamento medicamentoso ou terapêutico é um desafio que os
profissionais de saúde enfrentam. O objetivo desse trabalho, foi compreender os
aspectos que interferem na adesão ao tratamento pelos pacientes. Foi realizado
através de revisão bibliográfica, objetivando refletir sobre o papel do enfermeiro no
tratamento de pacientes com diabetes melitus tipo 2. Procurando buscar orientações
embasadas em fontes cientificas para direcionar um conhecimento teórico-prático
estruturado e sistematizado. Em relação ao procedimento para a coleta dos dados,
foram selecionados artigos científicos, utilizando o Google Acadêmico, artigos
publicados em revistas, livros, manuais da Sociedade Brasileira de Diabetes,
Caderno de Atenção Básica Do Ministério Da Saúde, entre outros. Os artigos foram
selecionados e lidos através de seus títulos e resumos no período entre o mês de
fevereiro a março de 2017. Foram excluídos da revisão artigos que não estavam
relacionados com o DM2 especificamente ou que, cujo os títulos, não estavam
relacionados com o objetivo da revisão. A partir do estudo foi possível compreender
os fatores que influenciam na não adesão ao tratamento.
Palavras-chave: Diabetes mellitus 2; Adesão ao tratamento; Intervenções de
enfermagem; Atenção primária; Tratamento do diabetes.
FERNANDES, Adriana Barbosa. The importance of accession to self-care in the
treatment of diabetes mellitus carriers type 2 2017. 33 sheets. Completion of
course work (Undergraduate Nursing) Anhanguera-Faciteb, Brasília, 2017.
ABSTRACT
Diabetes mellitus is a serious public health problem in the world. Lack of adherence
to drug or therapeutic treatment is a challenge that health professionals face. The
objective of this study was to understand the aspects that interfere with adherence to
treatment by patients. It was carried out through a bibliographical review, aiming to
reflect on the role of the nurse in the treatment of patients with type 2 diabetes
mellitus. Looking for orientations based on scientific sources to direct a theoretical
and practical knowledge structured and systematized. In relation to the procedure for
data collection, scientific articles were selected, using Google Scholar, articles
published in magazines, books, manuals of the Brazilian Society of Diabetes,
Notebook of Basic Attention of the Ministry of Health, among others. The articles
were selected and read through their titles and abstracts in the period between
February and March 2017. Articles that were not related to DM2 specifically or whose
titles were not related to the objective were excluded from the review review. From
the study it was possible to understand the factors that influence in the non
adherence to the treatment.
Key words: Diabetes mellitus; Adherence to treatment; Nursing interventions;
Primary attention; Treatment of diabetes.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.................................................................................................07
1. DIABETES MELITUS TIPO 2 DM2
..........................................................09
1.1 SINTOMAS DO
DM2...............................................................................10
1.2 COMPLICAÇÕES DO DIABETES MELLITUS TIPO
2................. ..........10
1.3 FATORES MODIFICÁVEIS NO DIABETES MELLITUS TIPO
2.............13
1.3.1 Atividade física.....................................................................................14
1.3.2 Dieta alimentar como forma de
tratamento..........................................14
1.3.3 Tratamento
medicamentoso................................... .............................15
2. ADESÃO AO TRATAMENTO PELO PORTADOR DE DM2....................16
3. ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM A FRENTE DO INDIVÍDUO COM DM2 22
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................27
REFERÊNCIAS....................................................................................29
7
INTRODUÇÃO
Diabetes mellitus (DM), é considerada um grande problema de saúde pública
em qualquer lugar do mundo, por ser frequente e por estar associada a
complicações que comprometem a vida do indivíduo como um todo. Além disso, é
um desafio para os sistemas de saúde mundiais.
Existem dois tipos de diabetes, o tipo 1 e o tipo 2. O DM1(diabetes mélittus
1), é uma doença crônica caracterizada pela destruição parcial ou total das células β
das ilhotas de Langherans pancreáticas, resultando na incapacidade progressiva de
produzir insulina. Esse processo pode levar meses ou anos, mas somente aparece
clinicamente após a destruição de pelo menos 80% da massa de ilhotas. Inúmeros
fatores genéticos e ambientais contribuem para a ativação imunológica que
desencadeia esse processo destrutivo. Já o DM2, ocorre ao longo de um período de
tempo variável, passando por estágios intermediários que recebem a denominação
de glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída.
Tais estágios seriam decorrentes de uma combinação de resistência à ação
insulínica e disfunção de célula beta, provocada por alimentação inadequada,
obesidade e sedentarismo sendo uma doença responsável por milhares de óbitos no
ano e que apresenta consequências humanas, sociais e econômicas devastadoras.
Levando em conta as mortes por complicações do diabetes, tem também as
consequências das complicações como a doença cardiovascular, as cirurgias para
amputações de membros, diálise por insuficiência renal crônica, cegueira e o grande
impacto econômico que ocorre notadamente nos serviços de saúde público.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2003).
A ideia de desenvolver este trabalho surgiu, através dos ensinos clínicos, no
estágio supervisionado em enfermagem onde, foi constatado inúmeros pacientes
portadores de diabetes com os níveis de glicose sanguíneos descompensados, bem
como a presença de complicações, como, por exemplo: pé diabético, amputações
entre outras alterações. Cabe aos profissionais da área de saúde estarem atentos
na identificação dos indivíduos com risco para o DM2 e avivar as práticas acionistas
para promover o seu comedimento, entre os já diagnosticados com a doença.
Como incentivar a adesão ao autocuidado no tratamento dos portadores de
DM2? Mediante o problema priorizado, objetivou-se de modo geral, realizar uma
8
revisão bibliográfica acerca da patologia e seus seguimentos. Especificamente
objetivou-se conceituar a doença, apontar as dificuldades que interferem no
autocuidado do paciente com DM2 e descrever as ações intervencionistas de
educação realizadas pelo enfermeiro na acolhida ao indivíduo portador de diabetes
mellitus.
Este trabalho foi realizado através de revisão bibliográfica, priorizando refletir
sobre o papel do enfermeiro no tratamento de pacientes com DM2. Procurando
buscar orientações embasadas em fontes cientificas para direcionar um
conhecimento teórico-prático estruturado e sistematizado sobre o autocuidado.
Em relação ao procedimento para a coleta dos dados, foram selecionados
artigos científicos, utilizando o Google Acadêmico, artigos publicados em revistas,
livros, manuais da Sociedade Brasileira de Diabetes, Caderno De Atenção Básica
Do Ministério Da Saúde, entre outros. Os artigos foram selecionados e lidos através
de seus títulos e resumos no período entre o mês de fevereiro a março de 2017.
Foram excluídos da revisão artigos que não estavam relacionados com o propósito
do trabalho especificamente ou que, cujo os títulos, não estavam relacionados com o
objetivo da revisão. Os descritores utilizados para a pesquisa dos artigos
selecionados foram: enfermagem na adesão do indivíduo ao autocuidado no
tratamento ao DM2; diabetes mellitus; tipos de diabetes.
As obras apresentadas, compreendem o período de 1992 a 2017, abordando
o conceito da patologia, a adesão ao tratamento e a atuação da equipe de
enfermagem frente à doença.
9
1 DIABETES MELITUS TIPO 2
O diabetes é uma doença crônica, considerada perigosa e silenciosa, levando
em conta distúrbios significantes provocados no metabolismo de lipídeos. O diabetes
mellitus é uma síndrome de comprometimento do metabolismo dos carboidratos, das
gorduras e das proteínas, provocada pela ausência de secreção de insulina ou por
redução da sensibilidade dos tecidos à insulina. Um fator importante característico
do DM, implica na resposta secretora defeituosa ou deficiente de insulina, que
aparece devido a utilização inadequada ou exagerada dos carboidratos (glicose),
resultando em hiperglicemia e em consequência, complicações graves. (COTRAN;
KUMAR; ROBBINS, 1994).
Considerada uma doença crônica, degenerativa que acontece em extensões
endêmicas em todo o mundo, é um dos maiores problemas de saúde pública nos
dias de hoje, tanto em proporções de indivíduos afetados, incapacitações e
mortalidade prematura, como dos altos custos comprometidos no seu tratamento e
controle das complicações. Calcula-se que no Brasil existem cinco milhões de
indivíduos com diabéticos, dos quais metade desconhece seu diagnóstico (BRASIL,
1996). Entre aqueles que têm conhecimento da doença, cerca de 20% não fazem
tratamento (OLIVEIRA, 2000).
O DM2 é mais comum em adultos após os 40 anos, principalmente se estes
portadores, estão com sobrepeso ou já desenvolveram obesidade. Mesmo sendo
uma doença que costuma se desenvolver nesta faixa de idade, crianças e
adolescentes acima do peso ou que sofrem de obesidade, também podem adquirir
este tipo de diabetes. O DM2, é mais comum do que o tipo 1 e é apresentado como
diabetes independente de insulina. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES,
2006).
De acordo com Macedo (2001) mencionado por Portero e Cattalini (2005), os
indivíduos com DM2 são frequentemente assintomáticos, à taxa glicêmica e
mencionam hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, desenvolvendo dessa
forma, complicações crônicas. Entre os motivos dessa prática nos indivíduos com
DM2, são consideráveis a falta de sintomas e distúrbios em geral bem como a
dificuldade de receber e aceitar as informações sobre o tratamento da doença que
poderiam precaver ou pelo menos atrasar o aparecimento das complicações.
10
O DM2 é provocado pela diminuição da sensibilidade dos tecidos-alvo ao
efeito da insulina. Essa sensibilidade diminuída à insulina é referida como resistência
à insulina. Para vencer a resistência à insulina e prevenir o acúmulo de glicose no
sangue, precisa haver um aumento na quantidade de insulina secretada. Apesar de
do DM2 estar relacionado a alimentação desregrada, ter uma ligação com a
obesidade, nem todas as pessoas obesas terão necessariamente DM2. (COTRAN;
KUMAR; COLLINS, 2000).
1.1 SINTOMAS DO DM2
Os primeiros sintomas do DM2 estão associados aos efeitos da concentração
sérica alta de glicose. Quando esta é superior a 160 a 180 mg/dl, a glicose passa
para a urina. Quando esta concentração que já está alta, aumenta ainda mais, os
rins excretam uma quantidade significativa de água para diluir a enorme quantidade
de glicose perdida. Como os rins fornecem uma quantidade de urina em demasia, o
portador de diabetes excreta grandes volumes de urina (poliúria), o que provoca
uma sede anormal (polidipsia). Neste processo o organismo tem uma perda
excessiva de calorias pela urina, em consequência o portador de DM perde peso.
Para equilibrar o indivíduo geralmente sente uma fome excessiva (polifagia). Entre
outros sintomas estão, visão borrada, sonolência, náusea e a diminuição da
resistência durante o exercício (OLIVEIRA; ZANETTI, 2011).
Os portadores com DM2, podem continuar assintomáticos por anos ou
décadas. Quando a carência de insulina avança, os sintomas podem aparecer. No
começo, os aumentos da micção e da sede são imperceptíveis e pioram
gradualmente ao decorrer dos dias, semanas ou meses (BELTRAME, 2012).
1.2 COMPLICAÇÕES DO DIABETES MELLITUS TIPO 2
Com o passar do tempo e a falta de tratamento, a concentração sérica
elevada de glicose lesiona os vasos sanguíneos, os nervos e outras estruturas
internas. Substâncias complexas provenientes do açúcar agrupam-se nas paredes
dos pequenos vasos sanguíneos, ocasionando concentração e ruptura dos mesmos.
Ao concentrarem, esses vasos levam cada vez menos sangue, principalmente para
11
a pele e os nervos. O não controle da concentração sérica de glicose favorece o
aumento da concentração sérica de substâncias gordurosas (lipídeos), provocando
uma aterosclerose (formação de placas nos vasos sanguíneos) precipitada. A
aterosclerose é 2 a 6 vezes mais comum nos indivíduos diabéticos que nos não
diabéticos e acontece da mesma forma em homens e mulheres (GUYTON; HALL,
1997).
É sabido há muito tempo que, os portadores de DM, tanto como o DM1 e o
DM2, têm maior perspectiva de adquirirem doenças cardiovasculares e morrerem
em consequência desta complicação. A maioria dos estudos importantes
relacionados a doenças cardiovasculares têm evidenciado que os indivíduos com
DM2 adquiri significativamente maior probabilidade de apresentarem cardiopatia
coronariana, e acrescentando também doenças vasculares encefálicas e as
vasculopatias dos membros inferiores. É muito comum indivíduos portadores tanto
de DM1 como de DM2, desenvolverem doença vascular periférica e, é a causa de
quase metade das amputações por doença vascular. (ORCHARD, 1997).
Sartorelli e Franco (2003), relataram que, em consequência de o diabetes
estar associado a grandes taxas de hospitalizações, à falta de cuidados médicos, há
maior ocorrência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, insuficiência
renal, cegueira, acetosidose diabética, neuropatia diabética, disfunções sexuais,
amputações de membros inferiores e coma hiperosmolar. Com isso, a grande
maioria dos sistemas de saúde ainda se encontra com grandes dificuldades no
controle de doenças infecciosas.
A circulação deficiente, seja através dos pequenos vasos sanguíneos, seja
através dos grandes, pode prejudicar o coração, o cérebro, os membros inferiores,
os olhos, os rins, os nervos e a pele e, também, dificultar a cicatrização e
consequência, a cura das lesões. Por tudo, os indivíduos com DM2, podem
apresentar várias complicações graves a longo prazo. Os infartos do miocárdio e os
acidentes vasculares cerebrais são as mais comuns (SMELTZER; BARE, 2002).
O suprimento sanguíneo deficiente para a pele também pode ocasionar a
formação de úlceras e feridas que cicatrizam vagarosamente. As úlceras dos pés
podem torna-se tão profundas e infectadas que a cicatrização não acontece,
podendo assim, ser necessária a amputação de uma parte do membro inferior.
Comprovações atuais revelam que, as complicações do diabetes podem ser
12
evitadas ou postergadas se, houver controle da concentração sérica de glicose.
(LEHNINGER; NELSON; COX, 1995).
Gouvêa (2004) relata que a nefropatia diabética é uma síndrome clínica que
acontece em função do aparecimento de micro angiopatia, atacando tanto pacientes
com DM1 quanto os de DM2, estes com probabilidades de evoluir ao longo do
tempo, de maneira rápida e irreversível, minimizando a perspectiva de vida dos
portadores afetados. Na nefropatia diabética, o comprometimento renal em
consequência do diabetes mellitus se dá no nível do glomérulo, sendo que a
glomerulipatia diabética é um fator considerável para a morbimortalidade dos
indivíduos diabéticos.
A ocorrência no DM2 acontece em cerca de 20%. Estes indivíduos tendem
ser assintomáticos no que diz respeito às doenças renais, entretanto já apresentam
uma glomerulopatia evoluída que acometem os rins significativamente em poucos
anos. Outros indivíduos, antes de progredirem para insuficiência renal avançada,
tem possibilidade de desenvolverem proteinúrias na faixa nefrótica, possivelmente
com desenvolvimento de síndrome nefrótica. (ENGEL, 2003).
A principal causa de cegueira em pacientes diabéticos com idade entre 20 e
74 anos, está relacionada a retinopatia diabética. Esta é provocada por modificações
nos pequenos vasos sanguíneos da retina. A retina é a área do olho que aufere as
imagens e remete as informações para o cérebro. É bastante irrigada por vasos
sanguíneos de múltiplas espécies, pequenas artérias e veias, arteríolas, vênulas e
capilares. (SMELTZER; BARE, 2002).
A neuropatia diabética faz referência a um conjunto de doenças que
acometem todos os tipos de nervos, abrangendo nervos periféricos autonômicos e
espinhais. Os distúrbios mostram ser clinicamente vários e precisa da localização
das células nervosas afetada. A predominância aumenta com a idade do paciente e
permanência da doença. Os níveis sanguíneos alterados para mais de glicose
durante um período de anos implicou-se na etiologia da neuropatia. A patogenia da
neuropatia pode ser conferida a um mecanismo vascular e ou metabólico. A
concentração da membrana basal capilar e o fechamento capilar podem estar
presentes. Pode haver desmielinização dos nervos, o que está associado a
hipoglicemia. A ligação nervosa é rompida quando acontecem aberrações das
bainhas de mielina. (SMELTZER; BARE, 2002).
13
A cetoacidose diabética é provocada pelo conglomerado excessivo de corpos
cetônicos no sangue por carência de insulina aliado ao excesso de glucagon e
especialmente pela ascendência dos hormônios como epinefrina, norepinefrina,
cortisol e hormônio do crescimento, provocando desvios metabólicos como
hiperglicemia, cetonemia e cetonúria. Tais alterações metabólicas acontecem por
uma taxa de produção hepática acelerada. Com o nível alterado de ácido acetótico
os hidroxibutírico (por serem ácido forte), resultam na acidose metabólica, gerando
alto risco de morte para o indivíduo (GUYTON; HALL, 2002).
O coma hiperosmolar, é muito comum em DM2, é uma perda urinária de
água, de glicose e de eletrólitos, como cloreto, potássio e sódio diminuindo o volume
sanguíneo circulante, decorrente na liberação de hormônio que complicam a
resistência à insulina e a hiperglicemia. Deve-se fazer como terapia a recomposição
de água, do balanço de eletrólitos e redução da hiperglicemia com a insulina.
Acontece uma mortalidade maior nessa síndrome associada à cetoacidose
diabética. (SMELTZER; BARE, 2002).
1.3 FATORES MODIFICÁVEIS NO DIABETES MELLITUS TIPO 2
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes de (2006), pesquisas
evidenciam que a alteração do modo de vida é aproximadamente duas vezes mais
eficaz que o tratamento com fármacos específicos. Também, as políticas de
prevenção da doença que evidenciam modificações no modo de vida, especialmente
perda de peso e atividade física constante, demonstram benefícios adicionais
significativos para a saúde, essencialmente no que diz respeito à redução do risco
cardiovascular. Estas alterações precisam levar em conta objetivos que permitam
ser adicionadas no dia a dia dos indivíduos com DM2 de forma mais acessível. O
crescimento dos casos de sobrepeso e obesidade relacionados às modificações do
estilo de vida e ao envelhecimento da população, são os principais motivos que
revelam o aumento da prevalência do DM2.
O consumo alimentar desregrado da população brasileira, o pouco consumo
de alimentos ricos em fibras, aumento da quantidade de carboidratos na dieta
alimentar, inserido a um modo de vida sedentário, faz parte de um dos principais
fatores desencadeadores da obesidade, DM2 e outras doenças crônicas. A
14
prevenção do DM2, são desenvolvidas através de políticas públicas em vários
países, cujos resultados comprovam um embate positivo no que diz respeito a
qualidade de vida da população. (SARTORELLI; FRANCO, 2003).
Costa e Almeida Neto (1992), evidenciaram que, o DM2 é uma doença em
que a responsabilidade e a cooperação do indivíduo acometido do diabetes no
processo de comedimento da sua patologia é essencial. Geralmente, os
medicamentos são utilizados em segundo plano na intervenção terapêutica para o
DM2, não havendo a possibilidade de controlar os níveis glicêmicos através da
prática de dieta e atividade físicos (se possível).
1.3.1 Atividade física
A atividade física é considerada um adendo a terapia do DM2, e não como
único objetivo terapêutico. Precisará ser desenvolvida sob indicação de profissional
preparado, pertinente as expectativas e as limitações do indivíduo, de maneira
frequente e progressiva. A fim de prevenir picos de hipoglicemia nos indivíduos com
Dm2, estes deverão antes do exercício físico, alimentar-se de carboidratos de rápida
absorção. (BRASIL, 1993).
De acordo com Engel (2003), a atividade física frequente é primordial para os
DM2 por ajudar na reparação da obesidade e da hipertensão arterial, além de
diminuir a probabilidade de desenvolver doença cardiovascular.
O exercício físico é prescrito aos DM2 por auxiliar no tratamento, sendo
capaz de controlar a glicemia de maneira positiva, pois, o exercício faz com que o
organismo a utilize grandes quantidades de glicose, beneficiando assim a relação
glicose – insulina – tecidos, pelo do aumento da sensibilidade dos tecidos à insulina,
minimizando, a obrigação de insulina no carregamento de glicose para dentro do
tecido. (RAMOS, 1999). Esta prática regular de atividade física pode resultar na
redução do uso de insulina. (OLIVEIRA, 1995).
1.3.2 Dieta alimentar como forma de tratamento
Sartorelli e Franco (2003), relataram que à obesidade é um predominante
fator de risco para o DM2. Estudos mostram que entre 80 e 90% dos portadores de
15
DM2 são obesos e o risco está ligado aumento do índice de massa corporal.
No que se refere ao plano alimentar, a requisição de uma dieta balanceada
tem por intenção sustentar as situações energéticas indispensáveis ao organismo
para estabelecer o peso certo, propiciar saúde e bem-estar, diminuindo assim as
complicações do diabetes. O auxílio nutricional precisa ser realizado por profissional
competente da área. (FIGUEIREDO, 2005).
1.3.3 Tratamento medicamentoso
A terapia inicial para o DM2, poderá ou não ser medicamentoso. Esta terapia
evidencia-se pelo uso de hipoglicemiantes orais, vez que a dieta não seja satisfatória
no controle da doença. A insulina só é indicada caso o DM2 não possa ser
controlado (FIGUEIREDO, 2005).
A terapia prossegue desde a educação até a introdução de critérios para o
modo de vida saudável, que engloba o indivíduo parar de fumar, exercício físico
regular, adquirir hábitos alimentares saudáveis e, o uso de medicamentos caso seja
prescrito pelo médico. O indivíduo com DM2 onde não foi prescrito pelo profissional
de saúde que o acompanha e, não obteve níveis satisfatórios da glicemia, precisa
fazer uso de medicamento oral. A escolha do tratamento medicamentoso precisa
levar em conta o nível de e hemoglobina glicosilada e glicemia do indivíduo, o efeito
anti-hiperglicemiante do medicamento, levando em consideração a idade, o peso,
doenças, possíveis interações medicamentosas, efeitos colaterais e
contraindicações. (VIGGIANO, 2003).
16
2 ADESÃO AO TRATAMENTO PELO PORTADOR DE DM2
A adesão a terapia para o DM2, implica no grau em que o indivíduo é capaz
de assimilar a terapia e introduzir no dia a dia, voluntariamente, as orientações dos
profissionais de saúde, envolvidos no seu tratamento, praticando assim o
autocuidado. A adesão consiste em como o paciente aceita o aconselhamento dado
pelo profissional de saúde, onde contempla três estágios (TORRES, 2011).
Concordância: Quando o paciente, inicialmente, concorda com a
terapia, seguindo as recomendações dadas pelos profissionais da
saúde. Existe, frequentemente, uma boa supervisão, assim como uma
elevada eficiência na terapia;
Adesão: fase de transição entre os cuidados prestados pelos
profissionais de saúde e o autocuidado, no qual, com uma vigilância
limitada, o doente continua com o seu tratamento, o que implica uma
grande participação e controle da sua parte; e
Manutenção: quando, já sem vigilância (ou vigilância limitada), o
doente incorpora o tratamento no seu estilo de vida, possuindo um
determinado nível de autocontrole sobre os novos comportamentos.
Porém, a falta de adesão do paciente em seguir as orientações dadas pelos
profissionais de saúde, é um problema sempre presente na prática clínica
identificado pela equipe multidisciplinar. (FARIA; HELOISA, 2008).
O desafio para os profissionais de saúde que cuidam de pacientes portadores
de doenças crônicas é a manutenção contínua e obediência fidedigna às condutas
prescritas. Isto se denomina adesão ao tratamento, que não é muito diferente em
países desenvolvidos ou subdesenvolvidos e não parece estar associado a fatores,
tais como conhecimento do paciente sobre a patologia ou aquisição de medicações
gratuitamente (PIERIN, 2000).
Vários estudiosos concordam que a melhor palavra que representa o
seguimento de tratamento proposto seja “adesão”, que se refere à situação na qual
o paciente atende e aceita às orientações do médico e ao regime medicamentoso
proposto. Reconhecendo que a adesão envolve outros aspectos além dos médicos,
17
tais como programas de prevenção e mudanças de estilo de vida, exigindo dos
profissionais uma abordagem mais abrangente (PIERIN, 2001).
Segundo Pierin (2001), o assunto adesão e diabetes, deu início na década de
1990, quando passou a ser abordado com mais frequência, principalmente no que
diz respeito aos aspectos educacionais, em que os termos “paciente, adesão e
complicações” passaram a ser usados para definir a relação do paciente com os
profissionais de saúde visando o autocuidado e a manutenção do tratamento
proposto.
De acordo com Rodrigues (2003), o tratamento é algo mais complexo do que
apenas seguir protocolos. É algo que inclui vários fatores que influenciam
simultaneamente esse processo, e não seria viável entrar em contato com esses
componentes que permeiam o viver humano sem passar pela subjetividade de cada
pessoa. Este mesmo autor, porém, considera que as mudanças de hábitos não são
imediatas, principalmente quando o diagnóstico da doença é recente, pois ocorre
todo um processo, que pode ser vivenciado pela pessoa em diferentes etapas,
iniciando com o entendimento doença e como proceder com essa nova situação, até
as mudanças de alguns hábitos e a manutenção das ações almejadas. As
mudanças, para serem efetivas, devem partir de uma compreensão pessoal, de uma
noção da necessidade e de uma tomada de decisão por parte da pessoa. Portanto,
só o recebimento de informações sobre o que deve e o que não deve fazer, sobre o
que é nocivo ou não, não é suficiente para produzir no paciente as ações
importantes para o sucesso do processo de adesão ao tratamento.
Apesar de ser uma patologia com processo diagnóstico especificados o DM,
exige um controle complexo, vez que, seu tratamento além de medicamentoso
abraça uma sucessão de mudanças saudáveis no modo de vida (ASSUNÇÃO;
SANTOS; COSTA, 2002).
Segundo a Organização Mundial De Saúde (OMS), a adesão ao tratamento é
determinante para o êxito na terapia (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003). No
que diz respeito a adesão ao tratamento do DM2, este vem se modificando no
decorrer dos anos. Para Leite e Vasconcellos (2003), adesão ao tratamento está
relacionado, ao emprego dos medicamentos receitados, obedecendo dose, horário e
tempo de tratamento. A falta de motivação e a não adesão a terapia para o
18
tratamento do DM2 estabelecem certamente, as mais importantes causas de
abortamento do tratamento aumentando a morbimortalidade nesses indivíduos.
A OMS identifica adesão como o estágio que o indivíduo segue as
orientações das equipes multidisciplinares de saúde, conforme mudança no modo
de comportamento, entendida como, tomar a medicação, seguir a dieta e/ou mudar
o estilo de vida (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003). Autores de bibliografias
corroboram, ao revelar que o indivíduo não mais apenas segue um protocolo de
cuidados para si e sim, começou a ser corresponsável pelo processo de cuidado
com a saúde, favorecendo a vinculação entre a equipe multidisciplinar de saúde e o
paciente. Beneficiando assim a determinante das estratégias de manuseio da
doença (KAREN et al., 1999).
Segundo pesquisa elaborada pela Organização Mundial de Saúde, a
estimativa de indivíduos com doenças crônicas, que aderem ao tratamento é de 50%
nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento este problema dispõe
relevância e impacto significativo, levando em conta a falta de recursos e a pouca ou
nenhuma disponibilidade de acesso aos serviços de saúde. A não ou a baixa adesão
tem resultados negativos diretos, tanto para o indivíduo como para o sistema de
saúde. Para os pacientes com DM2, a baixa ou nenhuma adesão a terapia implica
em sofrimento para os indivíduos com DM2 e custos financeiros elevados para o
sistema de saúde. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003).
O entendimento por parte dos pacientes de que o tratamento cursará no
decorrer de suas vidas e que este não quer dizer cura, implica ao surgimento de
vários sentimentos negativos aos indivíduos com DM2. Ferreira et al. (2013)
relataram em suas bibliografias a dificuldade que os indivíduos com DM2 encaram
com relação a confirmação do diagnóstico de DM e com o percurso terapêutico, bem
como as habilidades utilizadas para conviver com a doença. (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2003)
Timm, Rodrigues e Machado (2013) evidenciam, que o diabetes é um
problema plurifacetado, vez que, abrange características psicossociais, de
autocuidado, entendimento a respeito dos cuidados essências, a angústia
relacionada com a doença. Também, é importante para o meio de adesão ao
tratamento, fatores como a compreensão do indivíduo sobre a doença, a condição
socioeconômica, a exigência alimentar vinculada a dieta, a qualidade dos suportes
19
oferecidos em instituições de saúde, entre outros. Outro fator essencial para o
sucesso da adesão ao tratamento do DM, o envolvimento e a colaboração da família
na administração do cuidado com o paciente (TIMM; RODRIGUES; MACHADO,
2013).
Segundo a OMS há comprovação da intervenção de alguns fatores sobre a
adesão, tais como, cultura, analfabetismo, posição socioeconômico, desemprego,
baixo nível de escolarização, falta de redes de apoio social, centros de tratamento
distantes da população, alto custo da medicação, falta de apoio dentro da família,
entre outros. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003).
São vários os resultados negativos decorrentes da não adesão a terapia ao
DM2. Entre eles vale citar a redução da expectativa de vida em 5 a 7 anos para o
DM2, prevalência de 2 a 4 vezes maior de desenvolver doenças cardiovasculares e
acidentes vasculares cerebrais. É também a explicação para amputação de
membros e pode levar a partos prematuros. Podemos relatar também as
complicações crônicas do diabetes como a nefropatia diabética e a retinopatia
(BRASIL, 2006).
Vale salientar também alterações agudas como cetoacidose diabética,
síndrome hiperosmolar não-cetótica e hipoglicemia, que são complicações
associadas à infecção, a falta do uso da insulina, erros na quantidade das doses da
insulina, de alimentação inadequada, entre outras. Geralmente essas complicações
podem ser fatais para o indivíduo, pois a cetoacidose e a síndrome hiperosmolar
não-cetótica, são complicações responsáveis por índices de mortalidade entre 5 a
15% (BRASIL, 2007).
Segundo publicação da Organização Pan-americana de Saúde (2004), a
OMS salientou vários fatores que interferem na adesão do autocuidado pelos
indivíduos com diabetes e podem ser expressados reunidos em cinco proporções
relacionadas a:
1- Pessoa: Envolve aspectos associados ao entendimento sobre a doença,
atitudes, crenças, percepções, expectativas. Determinação para adquirir o
autocuidado, possibilidade de se incluir em comportamentos de adesão. Pode-se
sobrelevar a convivência com pessoas próximas. Neste caso, o auxílio e estímulo
das pessoas próximas são essenciais;
20
2- Doença: Diz respeito aos fatores relacionados à magnitude dos sinais e
sintomas da doença, ou mesmo a inexistência deles (pacientes assintomáticos), à
rapidez com que a doença avança, à disponibilidade de tratamentos efetivos, à
compreensão dos riscos da doença, a importância e à prioridade do tratamento;
3- Tratamento: fatores relacionados à dificuldade do tratamento, o tempo do
tratamento que, no caso, é para toda vida, ao fracasso de tratamentos anteriores, às
alterações sucessivas de tratamento, aos efeitos colaterais dos medicamentos, e à
disponibilidade dos profissionais para elucidação de dúvidas;
4- Sistemas e/ou equipe de saúde: Estes estão associados à relação com a
equipe de saúde. Alguns fatores podem atuar de forma negativa como, sistema falho
de disposição de medicamentos, falta de profissionais treinados para atendimento
no controle de doenças crônicas, sobrecarga da equipe de saúde, consultas curtas,
falta de valorização dos profissionais de saúde relacionado a adesão e carência de
serviços de educação em saúde;
5- Suporte social/econômico: Este fator está ligado à baixa renda,
analfabetismo, desemprego, falta de rede de apoio familiar e social efetivos,
condições de vida instáveis e disponibilidade da medicação.
Segundo a Organização Mundial De Saúde (2003), vários fatores podem
contribuir para a adesão ao tratamento, achados mostram fatores como
escolaridade, renda, apoio social e idade. É incerto dizer que alguns desses
achados exerçam sozinhos a favor da adesão, sendo comum a relação de mais de
um fator, que resultam em distintos níveis de adesão a terapia.
Vale sobrelevar, ainda, que o diagnóstico da doença provoca na maioria das
vezes um transtorno de estresse agudo para o indivíduo, que não está pronto para
lidar com as imposições decorrentes da doença. Assim, o estado do indivíduo
doente, muitas vezes, acaba implicando na vida familiar e social como um todo,
abalando seu universo de relações. O fato de ter que alterar hábitos de vida que já
estão consistentes e abraçar um cotidiano que compreende um condicionamento
rigoroso da elaboração alimentar, da introdução, ou melhora da atividade física, e o
uso constante de medicamentos muitas vezes por toda vida, determina a
importância de conectar-se com sentimentos, desejos, crenças e atitudes. A
mudança do modo de vida não se insere de uma hora para outra, demanda um
21
percurso lento e paciente que envolve refletir o projeto de vida e reavaliar suas
expectativas de futuro. (ZANETTI et al., 2006).
As alterações necessárias no modo de vida dos portadores de DM2, é um
processo lento e difícil. Sobretudo no que se refere à alimentação. Os hábitos
alimentares estão associados pelo menos a três condições: culturais, que são
passados de geração a geração ou pela sociedade que o envolve; econômicos,
relacionado ao custo e à disponibilidade de alimentos e, aos sociais, associados à
aceitação ou rejeição de padrões alimentares delimitados. Outros fatores também
contribuem negativamente o indivíduo a seguir muitas vezes padrões inapropriados
de conduta, tais como repulsa a certos alimentos, crenças associadas a supostas
atitudes prejudicais e receios ou proibições ao uso e consumo de determinados
produtos. (SANTANA, 1998)
No que diz respeito ao seguimento do tratamento medicamentoso, os
principais impedimentos da adesão, se associam ao número de medicamentos
utilizados pelos indivíduos diabéticos, que normalmente manifestam comorbidades,
aos efeitos colaterais, ao custo elevado, aos mitos e crenças construídos, ao grau de
instrução dos pacientes, que delimita o acesso a informações e ao entendimento e o
fato da doença muitas vezes ser assintomática, que faz com que os indivíduos
portadores de DM2, na maioria das vezes, não identifiquem a importância do
tratamento medicamentoso. (SANTOS et al., 2005)
Neste contexto, vale ressaltar que o viver com uma condição crônica de
saúde como o DM2, pede percepção sobre a natureza da doença, tanto quanto
capacidades específicas para o autocuidado. Assim, se faz essencial colher
estratégias para educação efetiva dos pacientes e familiares, bem como para os
próprios profissionais de saúde, vez que as ocorrências de descompensação aguda
ou crônica estão frequentemente associados à falta de adesão para a administração
do diabetes, a ausência de compreensão e autocuidado relacionada à doença
(FARIA, 2014).
22
3 ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM A FRENTE DO INDIVÍDUO COM DM2
A oferta da educação em saúde materializa-se como estratégia de
modificação nos padrões assistenciais, contribuindo para que os indivíduos possam
tem uma melhor compreensão no que diz respeito a saúde-doença, sinalizando a
composição de outras viabilidades e a estruturação de novos entendimentos,
aperfeiçoando a qualidade de saúde populacional. Sendo assim, os profissionais da
saúde sendo importantes nesse processo de incremento de instrução do indivíduo
irão colaborar com mecanismos para que os mesmos se tornem também
responsáveis no processo e assim diminuir os agravos relacionados ao diabetes
mellitus (SILVA, et al., 2009).
Vasconcelos e outros (2000) relatam que o profissional de enfermagem
precisa ser decisivo e atuante, exercendo sua posição juntamente com os outros
membros da equipe de saúde para prover ao cliente o que precisa, seja a respeito
da recuperação, orientações, bem como orientar no controle de complicações.
Colabora com o diabético a ganhar melhor qualidade de vida é um desafio para a
equipe de saúde.
Os trabalhos que norteiam a educação oferecem orientações, entendimento,
noção crítica a respeito do estado de saúde, mediante a compreensão da doença e
assim os portadores de DM2 estarão aptos a fazerem suas próprias escolhas e
usarem para benefício próprio. (GIMENES; ZANETTI, HAAS 2009).
Pereira et al. (2012) relatam que os profissionais, devem traçar um plano de
cuidados observando as particularidades de cada indivíduo, buscando obter
informações pessoais através da consulta e de uma apreciação criteriosa. Para que
as atitudes de autocuidado possam ser compreendidas e colocada em prática pelos
pacientes a fim de assegurar uma manutenção eficaz do tratamento.
Os trabalhos voltados para a educação relacionado ao autocuidado no
diabetes mellitus, quando orientadas por profissionais de saúde preparados, com
suas aptidões estabelecidas no processo de conhecimento ajudam para o melhor
controle do paciente para com sua doença, vez que são de sua responsabilidade
assegurar as situações propícias ao processo de aquisição de conhecimentos sobre
a doença, que possam levar a mudanças nos hábitos de vida e tratamento da
doença (SANTOS, 2012).
23
No que compete aos profissionais de saúde relacionado no processo
educativo pode ser entendida como a prática que o profissional tem de
desempenhar intervenções, além de saber exercer com compromisso seus
conhecimentos (VILAS BOAS; FOSS-FREITAS, 2014).
Este conhecimento pode verter ainda como “ter iniciativa” e “assumir
responsabilidade”, por parte da pessoa, nas inúmeras ocorrências profissionais,
diferenciando-se como um entendimento a prática das condições, sustentando em
noções assimiladas na jornada profissional, sujeitas às mudanças de acordo com as
eventuais mudanças (MATSUMOTO, 2013).
Também pode ser considerada como destreza de reunir outros profissionais
de saúde para atuarem no mesmo contexto, compartilhando a responsabilidades e
repercussões de suas ações. Neste sentido transcorrer de três fatores: o saber,
conhecimento, o saber-fazer e o saber-se (MACHADO, 2013).
De acordo com Vanzin e Nery (1996), o enfermeiro deve assimilar ao
conhecimento, a flexibilidade e habilidade no tratamento de problemas com o cliente
no núcleo familiar e no contexto social.
Para Damasceno (1997), há um rico referencial escrito por diferentes classes
de profissionais que acercam desde aspectos fisiológicos, epidemiológicos e
técnicos, até aqueles associados com o ensino do autocuidado.
Segundo Malaman (2006), os desempenhos na educação em saúde têm um
importante papel na terapia das doenças crônicas. Mais do que difundir orientações
sobre uma doença com a qual a pessoa precisará lidar por toda a sua vida cabe à
equipe auxiliar o paciente na adaptação do seu cotidiano, acionando a família
também, a diferentes hábitos de vida, imprescindível para o sucesso do controle da
doença.
A enfermagem trabalha no processo educativo que engloba mudanças
saudáveis na alimentar, exercício físico, terapia medicamentoso, cuidados com o pé
diabético e também como incentivador no processo de relação social.
(NASCIMENTO; SILVA, 2005).
A educação em saúde aos portadores de Diabetes ajuda a prevenção das
complicações da doença. A realização de estratégia em educação em saúde pede
da equipe multidisciplinar de saúde, destrezas, conhecimentos e entrega na intenção
de implementar estratégias para o controle do processo doença a qual determina o
24
envolvimento da equipe de saúde especializada, do portador de diabetes e da
família a adquirirem a qualidade de vida desejada (CALLIARE, 2012).
A relação terapêutica entre enfermeiro e paciente acontece de várias
maneiras: por intermédio do incentivo; de uma conversa eficiente, ou seja, de uma
entrevista franca e aberta; de demonstrações de carinho pelo ato de tocar o
paciente; através da disponibilidade em receber este indivíduo e sanar suas dúvidas
e questionamentos; pelo afago; sorriso, entre outras. (NASCIMENTO; SILVA, 2007).
O trabalho do enfermeiro no confronto de possíveis complicações
convergindo-se para a educação em saúde retratou peça essencial para que tais
complicações sejam uma intimidação cada vez mais longe na população estudada
por Nascimento e Silva (2007). Também, podem ser ainda mais eficazes se a
construção dos profissionais responsáveis pela administração dessas atividades
abrange as técnicas de tratamento em grupo desde a sua graduação, com
abordagens das diferentes técnicas e dinâmicas de condução de grupos.
Segundo Groff, Simões e Fagundes (2011), o enfermeiro precisa reconhecer
através de uma entrevista minuciosa as carências do indivíduo com DM2, intervir
nos pontos em que necessitam progredir estratégias de educação em saúde para
cuidados com a prevenção, intervenção, terapia, controle da doença através
diagnóstico precoce, e reabilitação do paciente.
A atenção constante é o relacionamento com o indivíduo que se amplia, vez
que, o objetivo é de evitar as complicações do diabetes. O profissional de
enfermagem precisa reconhecer os fatores que desanimam os indivíduos a dar
prosseguimento ao tratamento. Os fatores que podem interferir na continuação do
cuidado podem ser a idade o estado socioeconômico ou complicações existentes
que complicam o estado do portador de DM2 (SMELTZER, 2009).
Pace e outros (2006) relatam que a ausência de discernimento é uma
condição que impede a melhora e propicia o crescimento da doença. As atuações de
prevenção são capazes de contribuir na averiguação para identificar no indivíduo a
melhor maneira de implantar a educação em saúde.
É de suma relevância à intervenção do profissional de enfermagem nas
consultas do mesmo, amplificando uma educação em saúde, propagando
conhecimento indispensável ao indivíduo com diabetes e sendo atenuante na
prevenção das complicações do diabetes (VASCONCELOS; LUCYANA, 2000).
25
O manejo da doença pode ser por meio da transmissão do entendimento da
patologia do indivíduo relacionando seu estado de saúde, do autocuidado, das
mudanças no modo de vida e a prática de atividade física regular se for possível. A
enfermagem precisa estar capacitada, dispor de práticas e ser perito da
fisiopatologia do DM2 para que assim possa atuar na prevenção da doença e
presumindo complicações do diabetes (SILVA, 2009).
A atenção à saúde do paciente com DM2 que precisa de assistência é
empreendida geralmente quando o diabetes está na fase inicial (primária) ou quando
já está em sentido (secundária) piorando a saúde e a qualidade de vida do indivíduo
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2009, p. 10): “Prevenção efetiva
também significa mais atenção à saúde de forma eficaz. Isso pode ocorrer mediante
prevenção do início de DM (prevenção primária) ou de suas complicações agudas
ou crônicas (prevenção secundária) ”.
Segundo Smeltzer (2009), o cuidado de enfermagem é crescido conforme o
diagnóstico do Diabetes Mellitus primário ou secundário. Por meio de uma
anamnese da condição de saúde do paciente, o profissional de enfermagem precisa
planejar os cuidados de acordo no tratamento e em educação para que o indivíduo
adquira os conhecimentos e capacidades indispensáveis na terapia e assim
prevenindo complicações do Diabetes Mellitus.
Ainda para os autores, o profissional de enfermagem analisa o entendimento
da família e do paciente sobre o Diabete Mellitus. Nesta etapa, o paciente na
situação de ser diabético percorre por sentimento de rejeição, então o enfermeiro
sistematiza e executa uma educação. Também, na atenção primária, o profissional
de enfermagem precisa reconhecer no paciente os fatores de risco para desenvolver
o DM2 e planejar uma sistematização com a perspectiva de interceder
antecipadamente e encorajá-lo a transformar esse estado de perigo. Estes fatores
são suscetíveis de alterações, com a expectativa de adquirir hábitos de vida
saudáveis.
No Brasil, as políticas públicas de ajuda ao enfrentamento do Diabetes
Mellitus são desenvolvidas e executada pelo Programa de Saúde da Família (PSF)
com o intuito de prevenir e controlar a ascensão da doença prevenindo que o
paciente desencadeie complicações crônicas pela sua vulnerabilidade. Os
26
portadores de DM2 são assistidos nas consultas ambulatoriais e domiciliares
efetuadas por profissionais qualificados. (SANTOS et al., 2008).
Segundo os autores, mesmo com dos medicamentos disponíveis para o
controle da glicemia sanguínea, a adesão do indivíduo ainda não atende as
orientações para o controle da doença e para prevenção das complicações que
geralmente surgem. Neste entendimento, o profissional de enfermagem deve estar
capacitado para a assistência deste paciente (SANTOS et al., 2008).
É extremamente importante o controle do Diabetes Mellitus por meio do
incentivo às práticas de atividades físicas, uma alimentação equilibrada e o apoio da
família neste contexto para estimular a prevenção, o controle e um tratamento mais
eficaz. As práticas de exercícios físicos devem começar desde cedo mesmo a
pessoa não seja diabética (BRASIL, 2006).
Para Ferreira (2009), a saúde pública prioriza a prevenção dos pacientes com
DM que estão em risco a fim de preservar contra a doença e suas complicações. O
tratamento é realizado basicamente por meio da assistência e acompanhamento do
indivíduo, dando-lhes informações em saúde para encorajar o autocuidado.
Para Silva e outros (2009), é essencial que a terapia seja voltada para as
atividades educativas, sendo estas desenvolvidas por profissionais habilitados,
assegurando o progresso na saúde do portador de DM2. A equipe multidisciplinar de
saúde precisa ter um vínculo de qualidade, buscando aproximação entre o paciente
diabético e a equipe multidisciplinar, para exercerem juntos no controle do Diabetes
Mellitus.
27
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com a pesquisa e dados obtidos com o presente estudo, foi
possível saber que o DM2 é uma doença adquirida por hábitos alimentares
desregrados e obesidade. É uma doença crônica e que mesmo sem cura tem
tratamento. Podendo o portador de DM2, levar uma vida saudável para o resto da
vida, caso o indivíduo leve o tratamento a sério aderindo a terapia. O indivíduo deve
levar em consideração a necessidade da mudança de hábitos para o resto vida
tendo consciência sobre o autocuidado, que incluem alimentação adequada,
atividade física regular e tratamento medicamentoso para o controle dos níveis
glicêmicos a fim de retardar ou até mesmo evitar complicações e diminuir a
quantidade de internações relacionadas ao diabetes.
No entanto, ficou claro que, alterar hábitos já consolidados não é tarefa fácil.
Requer esforço, paciência e disciplina. A situação socioeconômica, a falta de
conhecimento da doença, o grau de escolaridade, desemprego, falta de apoio
familiar, idade, crenças e mitos, são alguns fatores que interferem na adesão ao
tratamento. O paciente com DM2 passa por alterações emocionais negativas, vez
que, é uma doença adquirida já com hábitos de vida difíceis de serem modificados,
onde os profissionais de saúde, devem ter uma atenção maior. É muito relevante o
apoio da família, quando a família se envolve com o problema e toma para si,
naquele momento de fragilidade do indivíduo, as chances de obter resultados
positivos são bem maiores.
Neste contexto, foi possível identificar que a participação da família, dos
amigos e dos profissionais de saúde, orientando, esclarecendo, motivando e
oferecendo suporte psicológico é indispensável para a efetivação do tratamento. O
trabalho da equipe multidisciplinar deve ser incansável, oferecendo um acolhimento
mais humanizado, com práticas que englobam a integração da saúde com o
indivíduo para um sucesso terapêutico, nesta equipe de multiprofissionais de saúde
está o enfermeiro, envolvido com ações educativas, através de palestras,
promovendo a saúde, levando conhecimento, mostrando a importância da adesão
ao tratamento.
Para ajudar no tratamento do paciente com DM2, a equipe multidisciplinar
deve oferecer uma abordagem de qualidade com o objetivo de desempenhar um
28
papel fundamental na relação com o paciente. A partir disto, faz-se necessário que a
equipe preste informações de fácil entendimento ao indivíduo, tanto em relação à
percepção dos sintomas provocados pela doença, quanto pela identificação dos
benefícios em aderir ao tratamento a fim de conscientiza-lo que complicações
decorrentes da sua alteração metabólica, sejam evitadas. Para que ocorra eficácia
na introdução aos tratamentos disponíveis, o profissional de saúde deve conhecer
as necessidades de cada indivíduo e buscar, juntamente com eles, elaborar meios
acessíveis de prevenção e cuidado. Finalmente, cabe ressaltar que apesar do
enfermeiro ter um papel fundamental nessa jornada, este deve conscientizar que o
indivíduo com DM2, administre seu próprio cuidado, sendo ele o maior responsável
da sua condição de saúde-doença.
29
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