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Informativo 765-STJ: Análises Jurídicas

O documento discute três resumos de decisões judiciais sobre diversos temas: 1) Negócios jurídicos firmados por diretor de clube de futebol são válidos se geraram proveito econômico ao clube, mesmo sem poderes formais; 2) Compartilhamento de direitos econômicos de atleta por meio de cessão não é vedado; 3) Reconhecimento judicial de usucapião pode determinar individualização da área, sem pedido expresso.

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Informativo 765-STJ: Análises Jurídicas

O documento discute três resumos de decisões judiciais sobre diversos temas: 1) Negócios jurídicos firmados por diretor de clube de futebol são válidos se geraram proveito econômico ao clube, mesmo sem poderes formais; 2) Compartilhamento de direitos econômicos de atleta por meio de cessão não é vedado; 3) Reconhecimento judicial de usucapião pode determinar individualização da área, sem pedido expresso.

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402-30
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Informativo 765-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CIVIL

NEGÓCIOS JURÍDICOS
É válido o negócio jurídico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol, por aplicação da
Teoria da aparência, quando atuar em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que
lhe gerou proveito econômico, ainda que não tivesse poderes para representá-lo

Importante!!!
ODS 16

Caso adaptado: a JRC, empresa de gerenciamento de jovens jogadores de futebol, celebrou


negócio jurídico com o Cruzeiro por meio do qual a empresa vendeu os direitos econômicos
do jogador Bernardo. Esse contrato foi assinado pelo Diretor-geral do Futebol de Base do
Clube na época. O ajuste previa que , em caso de futura negociação do atleta, o Cruzeiro deveria
pagar 30% do valor líquido do negócio à JRC. Alguns anos depois o Cruzeiro vendeu os direitos
econômicos de Bernardo ao Vasco da Gama, mas não pagou a JRC alegando que o contrato
firmado pelo Diretor-Geral não possuía validade jurídica, considerando que o Estatuto
estabelece que somente o Presidente do Clube poderia representá-lo jurídica e
administrativamente.
O STJ não acolheu o argumento do Clube e afirmou que o negócio jurídico foi válido com base
na Teoria da Aparência. Isso porque o signatário, Diretor Geral, atuou em nome e no interesse
do clube, em negócio jurídico que lhe gerou proveito econômico.
Além disso, deve ser aplicado no caso a “teoria dos atos próprios”, como concreção do
princípio da boa-fé objetiva, sintetizada nos brocardos latinos “tu quoque” e “venire contra
factum proprium”, segundo a qual ninguém é lícito fazer valer um direito em contradição com
a sua conduta anterior ou posterior interpretada objetivamente, segundo a lei, os bons
costumes e a boa-fé.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.902.410-MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/2/2023
(Info 765).

CONTRATOS (LEI PELÉ – LEI 9.615/98)


O compartilhamento de direitos econômicos relativos a atleta profissional de futebol por meio
de cessão civil por entidade de prática desportiva não é vedado pelo ordenamento jurídico
ODS 16

Os direitos econômicos decorrem da obrigatoriedade de se estabelecer cláusula indenizatória


nos contratos de trabalho desportivo, podendo tal cláusula ser juridicamente enquadrada
como expectativa de direito.
Em princípio, as cláusulas indenizatória e compensatória desportivas são devidas
exclusivamente à entidade de prática desportiva ou ao atleta. Ocorre que esses direitos são
tratados como expectativa de direitos, podendo ser negociados.

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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Essa negociação econômica se dará nas hipóteses do art. 28, I, “a”, da Lei nº 9.615/98, ou seja,

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quando houver transferência do atleta durante a vigência do contrato de trabalho desportivo,
sendo denominada nesse mercado como “direitos econômicos”.
Não há vedação legal à cessão civil desses direitos econômicos.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.950.516/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 28/2/2023 (Info 765).

DIREITOS REAIS (USUCAPIÃO)


Não configura decisão extra petita a sentença que, reconhecendo a usucapião, determina a
liquidação para individualizar a área usucapida, ainda que não haja pedido expresso na inicial
ODS 16

É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem com condenar a parte
em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
No entanto, não há julgamento extra petita quando o julgador reconhece os pedidos implícitos
formulados na petição inicial. Assim, o magistrado não se encontra restrito ao que está
expresso no capítulo referente aos pedidos, sendo-lhe permitido extrair, mediante
interpretação lógico-sistemática da petição inicial, aquilo que a parte pretende obter,
aplicando o princípio da equidade.
Não é extra petita o julgado que decide questão que é reflexo de pedido deduzido na inicial,
superando a ideia da absoluta congruência entre o pedido e a sentença para outorgar ao
demandante a tutela jurisdicional adequada e efetiva.
A sentença judicial que, ao reconhecer a usucapião, individualiza, de forma clara e precisa, a
área usucapida, pode ser objeto de registro no cartório de registro de imóveis, sem a
necessidade de pedido expresso na inicial a respeito da medida extrajudicial.
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.802.192-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
12/12/2022 (Info 765).

DIREITO DO CONSUMIDOR

PLANO DE SAÚDE
O tratamento por home care deve abranger todos os insumos
que o paciente teria caso estivesse internado no hospital

Importante!!!
ODS 3 E 10

A cobertura de internação domiciliar, em substituição à internação hospitalar, deve abranger


os insumos necessários para garantir a efetiva assistência médica ao beneficiário - insumos a
que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da
finalidade do atendimento em domicílio, de comprometimento de seus benefícios e da sua
subutilização enquanto tratamento de saúde substitutivo à permanência em hospital.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.017.759-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/2/2023 (Info 765).

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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PLANO DE SAÚDE

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Se não houver, no Município, nenhum hospital credenciado que possa oferecer o tratamento
necessário para o usuário do plano de saúde, a operadora deverá custear o serviço em um
hospital não credenciado

Importante!!!
ODS 16

Plano de saúde tem o dever de reembolsar as despesas médico-hospitalares realizadas por


beneficiário fora da rede credenciada na hipótese em que descumpre o dever de garantir o
atendimento no mesmo município, ainda que por prestador não integrante da rede
assistencial.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.842.475/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. para acórdão Min. Marco Buzzi,
julgado em 27/9/2022 (Info 765).

PRÁTICAS COMERCIAIS
É lícita a peça publicitária em que o fabricante ou o prestador de serviço se autoavalia
como o melhor naquilo que faz, prática caracterizada como puffing
ODS 16

Caso concreto: STJ considerou lícita a propaganda veiculada pela Heinz, que afirmava: “Heinz,
melhor em tudo o que faz”.
A expressão utilizada impugnada, utilizada pela empresa como claim, caracteriza-se como
puffing, ou seja, é recurso que utiliza o exagero publicitário como método de convencimento
dos consumidores.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.759.745-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 28/2/2023 (Info 765).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

CUSTAS PROCESSUAIS
Se o autor recolheu as custas iniciais em valor insuficiente, o juiz deverá determinar a sua
intimação pessoal para complementação; se o autor não fez recolhimento algum das custas
iniciais, será suficiente a intimação do advogado para realizar o pagamento

Compare com o Info 762-STJ

• Em caso de ausência total de recolhimento das custas, o autor deve ser intimado, por meio
do seu advogado, para realizar o pagamento, no prazo de 15 dias, sob pena de cancelamento
da distribuição. Aplica-se o art. 290 do CPC;
• Na hipótese de pagamento parcial das custas, deverá haver a intimação pessoal do autor (não
basta a intimação por advogado) para complementar o valor, no prazo de 5 dias, sob pena disso
caracterizar abandono da causa (art. 485, III e § 1º, do CPC). Não se aplica o art. 290 do CPC.
A intimação pessoal do autor da ação é obrigatória para a complementação das custas iniciais,
restringindo-se à aplicação do cancelamento de distribuição estabelecida no art. 290 do CPC
às hipóteses em que não é feito recolhimento algum de custas processuais.
STJ. 2ª Turma. AREsp 2.020.222-RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28/3/2023 (Info 765).

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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AÇÃO RESCISÓRIA

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Não possui legitimidade para a propositura da ação rescisória de título judicial condenatório o
terceiro, pessoa jurídica distinta daquela que sucedeu a parte ré no processo originário,
indevidamente incluído no polo passivo na fase de cumprimento de sentença
ODS 16

Situação adaptada: João ajuizou ação de indenização contra o Banco do Estado do Ceará (BEC).
O juiz julgou os pedidos procedentes. Houve o trânsito em julgado. João iniciou o cumprimento
de sentença contra o Banco Bradesco, tendo em vista que o Banco do Estado do Ceará foi
extinto e João afirmou, na petição da execução, que o seu sucessor foi o Bradesco.
O Banco Bradesco ajuizou ação rescisória perante o TJ, objetivando a desconstituição da
condenação dos honorários. Ao ser citado na ação rescisória, João suscitou a ilegitimidade ativa
do Banco Bradesco para propor a ação. Afirmou que o documento emitido pelo Banco Central
indica que houve incorporação do Banco do Estado do Ceará por Alvorada Cartões, Crédito,
Financiamento e Investimento S/A. Afirmou, ainda, que, embora de forma equivocada, agiu de
boa-fé ao direcionar a execução contra o Bradesco porque “foi induzido a erro por uma notícia
divulgada na internet no sentido de que o Bradesco seria o sucessor do BEC”.
O STJ reconheceu a ilegitimidade ativa do Bradesco e extinguiu a ação rescisória.
A legitimidade para a propositura da ação rescisória não pode ser definida a partir da
constatação de quem está respondendo, ainda que indevidamente, ao pedido de cumprimento
de sentença, senão pela averiguação de quem é diretamente alcançado pelos efeitos da coisa
julgada.
No caso, o fato de ter sido apresentado pedido de cumprimento de sentença contra Banco
Bradesco S.A. não serve ao propósito de lhe conferir legitimidade para a propositura da ação
rescisória, nem sequer sob a condição de terceiro interessado, tendo em vista que o interesse
capaz de conferir legitimidade ativa ao terceiro é apenas o jurídico, e não o meramente
econômico.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.844.690-CE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/2/2023 (Info 765).

RECURSOS
Dia do servidor público, segunda-feira de carnaval, quarta-feira de cinzas, quarta e quinta da
Paixão e Corpus Christi são considerados feriados locais, para fins de interposição de recurso,
devendo ser comprovados por documento idôneo

Importante!!!
ODS 16

O dia do servidor público (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de


Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paixão e, também, o dia de Corpus Christi não são
feriados nacionais, em razão de não haver previsão em lei federal, de modo que deve a parte
comprovar a suspensão do expediente forense quando da interposição do recurso, por
documento idôneo.
Os recursos interpostos na instância de origem, mesmo que endereçados a esta Corte
Superior, observam o calendário de funcionamento do tribunal local, não podendo se utilizar,
para todos os casos, dos feriados e das suspensões previstas em Portaria e no Regimento
Interno do Superior Tribunal de Justiça, que muitas vezes não coincidem com os da Justiça
estadual.
STJ. 3ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp 2.006.859-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/2/2023
(Info 765).

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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EXECUÇÃO
A suspensão do cumprimento de sentença, em virtude da ausência de bens passíveis de
excussão, por longo período de tempo, sem diligência por parte do credor, não configura
supressio, de modo que não obsta a fluência dos juros e da correção monetária
ODS 16

A supressio consubstancia-se na impossibilidade de se exercer um direito por parte de seu


titular em razão de seu não exercício por certo período variável de tempo e que, em razão
desta omissão, gera da parte contrária uma expectativa legítima de que não seria mais
exigível. Não se confunde com a prescrição e com a decadência, institutos pelos quais se opera
a extinção da pretensão ou do direito potestativo pela simples passagem do tempo.
A suspensão da execução ou do cumprimento de sentença, em virtude da ausência de bens
passíveis de excussão, por longo período de tempo, sem nenhuma diligência por parte do
credor, não pode dar ensejo à suspensão da fluência dos juros e da correção monetária pela
configuração da supressio, porquanto a pendência da ação que busca a concretização do título
judicial impede que se gere no devedor a expectativa de inexigibilidade do débito.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.717.144-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 14/2/2023 (Info 765).

DIREITO PENAL

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL > ESTUPRO DE VULNERÁVEL


De quem é a competência para julgar o crime de estupro praticado contra
criança e adolescente no contexto de violência doméstica e familiar?

Importante!!!

Assunto já apreciado no Info 755-STJ


ODS 16

A partir da entrada em vigor da Lei nº 13.431/2017, nas comarcas em que não houver vara
especializada em crimes contra a criança e o adolescente, compete à vara especializada em
violência doméstica julgar as ações penais que apurem crimes envolvendo violência contra
crianças e adolescentes, independentemente de considerações acerca do sexo da vítima ou da
motivação da violência, ressalvada a modulação de efeitos realizada no julgamento do EAREsp
2.099.532/RJ.
Após o advento do art. 23 da Lei nº 13.431/2017, nas comarcas em que não houver vara
especializada em crimes contra a criança e o adolescente, compete à vara especializada em
violência doméstica, onde houver, processar e julgar os casos envolvendo estupro de
vulnerável cometido pelo pai (bem como pelo padrasto, companheiro, namorado ou similar)
contra a filha (ou criança ou adolescente) no ambiente doméstico ou familiar.
De quem é a competência para julgar o crime de estupro praticado contra criança e
adolescente no contexto de violência doméstica e familiar?
1ª opção: juizado ou vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente (caput do
art. 23 da Lei nº 13.431/2017);
2ª opção: caso não exista a vara especializada em crimes contra a criança e o adolescente, esse
crime será julgado no juizado ou vara especializada em violência doméstica,
independentemente de considerações acerca da idade, do sexo da vítima ou da motivação da
violência (parágrafo único do art. 23 da Lei nº 13.431/2017);

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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3ª opção: nas comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra crianças

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e adolescentes ou juizados/varas de violência doméstica, a competência para julgar será da
vara criminal comum.
STJ. 6ª Turma. REsp 2.005.974/RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/2/2023 (Info 765).

DESCAMINHO
A majorante prevista no art. 334, § 3º, do CP deve ser aplicada
mesmo que o transporte seja feito em um voo regular

Importante!!!

Assunto já apreciado no Info 1030-STF


ODS 16

Incide a causa especial de aumento de pena prevista no § 3º do art. 334 do Código Penal
quando se tratar de descaminho praticado em transporte aéreo, não sendo relevante o fato de
o voo ser regular ou clandestino.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.197.959-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
28/2/2023 (Info 765).

DIREITO PROCESSUAL PENAL

PRISÃO
A utilização do próprio filho para a prática de crimes, por se tratar de
situação de risco ao menor, obsta a concessão de prisão domiciliar
ODS 16

É possível o indeferimento da prisão domiciliar da mãe de primeira infância, desde que


fundamentada em reais peculiaridades que indiquem maior necessidade de acautelamento da
ordem pública ou melhor cumprimento da teleologia da norma, na espécie, a integral proteção
do menor.
O fato de a mulher utilizar o próprio filho para a prática de tráfico de drogas justifica o
indeferimento da prisão domiciliar, diante da situação de risco aos menores.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 798.551-PR, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do
TJDFT), julgado em 28/2/2023 (Info 765).

SENTENÇA
É possível que o julgador condene criminalmente o réu mesmo quando o
Ministério Público pede expressamente a sua absolvição em alegações finais

Importante!!!
ODS 16

O art. 385 do Código de Processo Penal é compatível com o sistema acusatório e não foi
tacitamente derrogado pelo advento da Lei nº 13.964/2019, responsável por introduzir o art.
3º-A no Código de Processo Penal.
Art. 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória, ainda que
o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como reconhecer agravantes,
embora nenhuma tenha sido alegada.

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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STJ. 6ª Turma. REsp 2.022.413-PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio

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Schietti Cruz, julgado em 14/2/2023 (Info 765).

DIREITO PENAL E
PROCESSUAL PENAL MILITAR

ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO
No processo penal militar, o assistente de acusação possui legitimidade para recorrer da
sentença absolutória, ainda que a absolvição tenha sido requerida pelo órgão ministerial
ODS 16

O STJ, analisando o papel do assistente de acusação no processo penal comum, aplica


interpretação sistemática ao art. 271 do CPP, não se restringindo à literalidade do dispositivo.
Em razão disso, é firme a jurisprudência no sentido de que o assistente de acusação possui
legitimidade para interpor recurso de apelação, em caráter supletivo, nos termos do art. 598
do CPP, ainda que o Ministério Público tenha requerido a absolvição do réu.
O mesmo raciocínio deve ser aplicado à legislação processual penal militar, uma vez que não
se pode privar a vítima, que efetivamente sofreu, como sujeito passivo do crime, o gravame
causado pelo ato típico e antijurídico, de qualquer tutela jurisdicional, sob pena de ofensa às
garantias constitucionais do acesso à justiça e do duplo grau de jurisdição.
Não há motivo razoável para distinguir o assistente de acusação que atua no processo penal
comum daquele que atua na justiça castrense.
STJ. 5ª Turma. HC 730.100/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/02/2023 (Ino 765).

DIREITO TRIBUTÁRIO

IMPOSTO DE RENDA
A multa por rescisão de um contrato de afretamento deve se submeter à alíquota
de 15% para fins de Imposto de Renda, nos termos do art. 70 da Lei 9.430/96
ODS 16

Caso concreto: GOLAR SPIRIT UK LTD é uma sociedade estrangeira cuja principal atividade é
o transporte marítimo. A Petrobrás celebrou contrato de afretamento de navio com a GOLAR
SPIRIT para transporte de Gás Natural, pelo período de 10 anos. A estatal optou por rescindir
o contrato de afretamento antes de seu vencimento. Por conta disso, a Petrobrás teve que
pagar à GOLAR SPIRIT multa, denominada contratualmente de “taxa de compensação” pelo
encerramento antecipado.
A Petrobrás teve que remeter esses recursos ao exterior. Antes de enviar os valores, a
Petrobrás efetuou a retenção do Imposto de Renda, com base na alíquota de 15%, nos termos
do art. 70 da Lei nº 9.430/96: “Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada
por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica,
inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitam-se à incidência do imposto de
renda na fonte à alíquota de quinze por cento.”
A GOLAR SPIRIT defendia que não teria que pagar nada (alíquota zero), com base no art. 1º, I,
da Lei nº 9.481/97: “Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os
rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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zero, nas seguintes hipóteses: I - receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos

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de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves
estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades
competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros
relativos ao uso de serviços de instalações portuárias;”
O STJ decidiu que deve incidir a alíquota de 15%, nos termos do art. 70 da Lei nº 9.430/96.
O art. 70 da Lei nº 9.430/96 é regra antielisiva específica.
Além disso, nem toda receita prevista no contrato de afretamento necessariamente se
caracteriza como “receita de afretamento”. A multa percebida em razão da rescisão
antecipada, embora decorrente de um contrato de afretamento, não é paga por uma prestação
positiva na exploração e produção de petróleo e gás, mas sim pela frustração parcial dessa
prestação.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.940.975-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 28/2/2023 (Info 765).

ITBI
Incide ITBI sobre as operações de aquisição de imóveis para o patrimônio de
Fundo de Investimento Imobiliário com emissão de novas quotas
ODS 16

A aquisição de imóvel para a composição do patrimônio do Fundo de Investimento


Imobiliário, efetivada diretamente pela administradora do fundo e paga por meio de emissão
de novas quotas do fundo aos alienantes, configura transferência a título oneroso de
propriedade de imóvel para fins de incidência do ITBI, na forma do art. 35 do Código
Tributário Nacional e 156, II, da Constituição Federal, ocorrendo o fato gerador no momento
da averbação da propriedade fiduciária em nome da administradora no cartório de registro
imobiliário.
STJ. 1ª Turma. AREsp 1.492.971-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/2/2023 (Info 765).

CONTRIBUIÇÕES
É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA
devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC 33/2001
ODS 16

O STF, ao julgar o Tema 495, decidiu que:


É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA
devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC nº 33/2001.
STF. Plenário. RE 630898/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/4/2021 (Repercussão Geral – Tema
495) (Info 1012).

O STJ que, anteriormente, tinha entendimento em sentido diverso, teve que se alinhar à
posição do STF e também passou a decidir que:
É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA
devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC nº 33/2001.
STJ. 2ª Turma. REsp 737.364-PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 28/3/2023 (Info 765).

Informativo 765-STJ (07/03/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8

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