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Juros e Correção no Direito Civil

Este informativo do STJ discute três temas principais: 1) Litisconsórcio passivo em ações sobre contratos do SUS entre hospitais privados e estados/municípios. 2) Necessidade de submissão de acordos internacionais sobre sementes de milho ao CADE caso impactem mercados brasileiros. 3) Competência do juízo da recuperação judicial para substituir atos de constrição da execução fiscal sobre bens essenciais da empresa.

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Juros e Correção no Direito Civil

Este informativo do STJ discute três temas principais: 1) Litisconsórcio passivo em ações sobre contratos do SUS entre hospitais privados e estados/municípios. 2) Necessidade de submissão de acordos internacionais sobre sementes de milho ao CADE caso impactem mercados brasileiros. 3) Competência do juízo da recuperação judicial para substituir atos de constrição da execução fiscal sobre bens essenciais da empresa.

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402-30
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Informativo 762-STJ (RESUMIDO)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO CONSTITUCIONAL

DIREITO À SAÚDE
Se um hospital privado que presta serviços para o SUS ingressar com ação pedindo a revisão dos
valores pagos, haverá litisconsórcio passivo necessário da União com o Estado ou Município que
firmou o contrato/convênio?

Tema polêmico!

Se um hospital privado que presta serviços para o SUS ingressar com ação pedindo a revisão
dos valores pagos, haverá litisconsórcio passivo necessário da União com o Estado ou
Município que firmou o contrato/convênio?
SIM. Nas demandas em que se alega desequilíbrio econômico-financeiro de contrato ou
convênio firmado com hospitais particulares para prestação de serviços de saúde em caráter
complementar, o polo passivo deve ser composto necessariamente pela União e o contratante
subnacional (Estado ou Município).
STJ. 1ª Turma. AREsp 2.067.898-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 15/12/2022 (Info 762).

NÃO. O funcionamento do SUS é de responsabilidade solidária da União, dos Estados e dos


Municípios. Dessa forma, qualquer um destes Entes tem legitimidade ad causam para figurar
no polo passivo da demanda.
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 2.145.302/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 7/12/2022.

DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMAS DIVERSOS
Ainda que celebrado no exterior, ato de cooperação para o desenvolvimento de novas sementes
de milho geneticamente modificadas impacta mercado relevante de abrangência mundial,
impondo-se sua submissão ao CADE
ODS 16

É obrigatória a submissão de acordo de cooperação para o desenvolvimento de novas


tecnologias de sementes de milho às autoridades antitruste brasileiras, ainda que firmado e
executado em território estrangeiro, quando as implicações concorrenciais possam impactar
mercados relevantes situados, no todo ou em parte, no território nacional.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.975.739-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 15/12/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1


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DIREITO CIVIL

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CONTRATO DE SEGURO
Os encargos moratórios atinentes ao crédito sub-rogado devem compor a condenação
da ação de regresso, sob pena de enriquecimento sem causa do devedor
ODS 16

Caso adaptado: a empresa Alfa celebrou contrato com a empresa Beta. A Alfa exigiu e a Beta
celebrou contrato de seguro-garantia com uma seguradora. Neste contrato de seguro-
garantia, ficou estipulado que, se a Beta não cumprisse suas obrigações para com a Alfa, a
seguradora indenizaria a Alfa até o valor fixado na apólice (R$ 5 milhões).
A Beta (tomadora) não cumpriu suas obrigações contratuais. A Alfa acionou a seguradora que,
no entanto, recusou-se a efetuar o pagamento. Diante disso, a Alfa ajuizou ação de cobrança
contra a seguradora que, ao final, foi condenada a pagar a indenização (R$ 5 milhões),
acrescida de juros e correção monetária. No total, a seguradora foi condenada a pagar R$ 7
milhões à Alfa.
Em seguida, a seguradora ajuizou ação de regresso contra a tomadora (Beta) pedindo o
ressarcimento do montante pago à Alfa. A seguradora pediu para receber R$ 7 milhões, com
incidência de correção monetária a partir da data do pagamento, além de juros de mora.
A Beta alegou que a condenação deveria ficar limitada a R$ 5 milhões (capital segurado
constante da apólice), excluindo-se os encargos moratórios.
O STJ não concordou com a Beta.
Como a seguradora pagou a indenização, é indiscutível que ela tem o direito de pleitear o
ressarcimento integral do montante indenizado, incluídos os valores relativos aos juros de
mora pagos na ação de cobrança originária.
O art. 280 do Código Civil consagra o princípio da unidade da obrigação, de forma que todos
os devedores respondem pelos juros de mora (eis que se trata de um acessório da obrigação
principal), ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.848.369-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Ministro Raul Araújo, julgado em
13/12/2022 (Info 762).

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
O juiz não pode reduzir o percentual de 1% da taxa de ocupação prevista no art. 37-A da Lei
9.514/97 alegando que, na prática mercadológica, o aluguel dos imóveis corresponde
normalmente a 0,5% do valor do bem

Importante!!!
ODS 16

Em operações de financiamento imobiliário garantidas por alienação fiduciária, não é possível


a flexibilização do percentual da taxa de ocupação de imóvel estabelecido no art. 37-A da Lei
nº 9.514/97 a critério do julgador.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.999.485-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, julgado em 6/12/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2


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RESPONSABILIDADE CIVIL
Condenação da Rede Globo por exibição de suspeitos no programa Linha Direta

Importante!!!
ODS 16

A liberdade de imprensa deve ser exercida com responsabilidade social e individual, dentro
de limites éticos e legais, de modo que eventuais excessos devem ser coibidos e caracterizam
responsabilidade civil passível de indenização.
A irresponsabilidade da imprensa ao exibir, em rede nacional, programa que veicule matéria
ofensiva à honra e à dignidade de cidadão enseja dano moral indenizável.
A indenização decorrente de exibição de matéria ofensiva à honra e à dignidade de cidadão
deve não só considerar a reparação pelo dano moral causado mas também ser suficiente para
a sanção da conduta praticada, de forma a coibir novos abusos.
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.770.391/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Rel. para acórdão Min.
João Otávio de Noronha, julgado em 22/11/2022 (Info 762).

DIREITO EMPRESARIAL
RECUPERAÇÃO JUDICIAL
O Juízo da Recuperação Judicial não pode anular ou simplesmente desconsiderar ou suspender
os atos de constrição determinados pelo Juízo da Execução Fiscal
ODS 16

O Juízo da Recuperação Judicial não pode anular ou simplesmente desconsiderar ou


suspender os atos de constrição determinados pelo Juízo da Execução Fiscal, porque o novo
regramento da questão exige dele postura proativa, cooperativa, que também contemple os
interesses da Fazenda Pública, somente se opondo aos atos constritivos de forma
fundamentada e razoável.
1) Compete ao Juízo da Execução Fiscal, determinar os atos de constrição judicial sobre bens
e direitos de sociedade empresária em recuperação judicial, sem proceder à alienação ou
levantamento de quantia penhorada, comunicando aquela medida ao juízo da recuperação,
como dever de cooperação; e
2) Compete ao Juízo da Recuperação Judicial, tomando ciência daquela constrição, exercer
juízo de controle e deliberar sobre a substituição do ato constritivo que recaia sobre bens de
capital essenciais à manutenção da atividade empresarial até o encerramento do
procedimento de soerguimento, podendo formular proposta alternativa de satisfação do
crédito, em procedimento de cooperação recíproca.
STJ. 2ª Seção. CC 187.255-GO, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 14/12/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3


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RECUPERAÇÃO JUDICIAL

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Compete ao Juízo da Recuperação manifestar-se acerca da natureza do crédito, definindo se
está ou não submetido aos efeitos da recuperação judicial; se ele devolver o crédito para o juízo
de origem, caberá a este efetuar o pagamento devido
ODS 16

Havendo manifestação do Juízo da recuperação judicial no sentido de que determinado


crédito não integra o patrimônio da recuperanda ou não está submetido aos efeitos da
recuperação judicial, cabe ao Juízo a que vinculada a conta judicial em que depositado este
crédito ultimar os atos de pagamento.
STJ. 2ª Seção. CC 185.966-AM, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/12/2022 (Info 762).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
É possível a convolação da recuperação judicial em falência após o transcurso do prazo bienal de
supervisão judicial, enquanto não houver decisão judicial de encerramento da recuperação
ODS 16

A finalização exitosa da recuperação pressupõe a prolação de sentença judicial. Assim, o


encerramento da recuperação judicial não se opera automaticamente com o implemento do
prazo de 2 anos da concessão e homologação do plano de soerguimento (art. 61 da Lei nº
11.101/2005).
O estado de supervisão judicial da recuperação perdura enquanto não for proferida a
respectiva decisão jurisdicional de finalização do estado recuperacional, nos termos do art. 63
da Lei nº 11.101/2005.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.707.468-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/10/2022 (Info 762).

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Não é possível convolar a recuperação judicial em falência com base em confissão da empresa
recuperanda de impossibilidade de continuar adimplindo o plano aprovado e homologado, sem
que efetivamente tenha ocorrido o descumprimento deste
ODS 16

As hipóteses de convolação da recuperação judicial em falência arroladas no art. 73 da Lei nº


11.101/2005 são taxativas, em virtude da consequência gravosa que dela decorre,
equivalendo-se a uma penalidade legalmente imposta ao devedor em soerguimento, sendo
suscetível, por isso, de interpretação restritiva.
Não cabe ao Juízo da recuperação antecipar-se no decreto falimentar, antevendo uma possível
(mas incerta) inexecução das obrigações constantes do plano sem que efetivamente tenha
ocorrido o descumprimento. Se o magistrado faz isso, ele estará ampliando indevidamente o
alcance da norma, conferindo interpretação extensiva a dispositivo legal que só comporta
interpretação restritiva.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.707.468-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/10/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4


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ECA

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GUARDA COMPARTILHADA
É possível a modificação do lar de referência de criança sob guarda compartilhada para o
exterior, distinto daquele em que reside um dos genitores

Importante!!!
ODS 16

A guarda compartilhada não se confunde com a guarda alternada, tampouco com o regime de
visitas ou de convivência, na medida em que a guarda compartilhada impõe o
compartilhamento de responsabilidades, não se confundido com a simples custódia física
conjunta da prole ou com a divisão igualitária de tempo de convivência dos filhos com os pais.
Diferentemente do que ocorre na guarda alternada, em que há a fixação de dupla residência
na qual a prole residirá com cada um dos genitores em determinado período, na guarda
compartilhada é possível e desejável que se defina uma residência principal para os filhos,
garantindo-lhes uma referência de lar para suas relações da vida.
A guarda compartilhada não exige custódia física conjunta, tampouco implica,
necessariamente, em tempo de convívio igualitário, pois, diante de sua flexibilidade, essa
modalidade de guarda comporta as fórmulas mais diversas para sua implementação,
notadamente para o regime de convivência ou de visitas, a serem fixadas pelo juiz ou por
acordo entre as partes em atenção às circunstâncias fáticas de cada família individualmente
considerada.
É admissível a fixação da guarda compartilhada na hipótese em que os genitores residem em
cidades, estados ou, até mesmo, em países diferentes, especialmente porque, com o avanço
tecnológico, é plenamente possível que, à distância, os pais compartilhem a responsabilidade
sobre a prole, participando ativamente das decisões acerca da vida dos filhos.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.038.760/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/12/2022 (Info 762).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

CUSTAS PROCESSUAIS
Não cabe a cobrança de custas processuais complementares após homologação de pedido de
desistência, formulado antes da citação da parte adversa, por ocasião de sua intimação para
complementar as custas iniciais
ODS 16

Caso concreto: o autor da ação chegou a recolher as custas iniciais, as quais foram, de plano e
de ofício, consideradas insuficientes pelo Juízo, em razão da reconhecida incompatibilidade
entre o valor atribuído à causa e o conteúdo econômico da pretensão expedida. Por tal razão,
o juízo intimou o demandante para emendar a inicial para redimensionar o valor da causa e
promover o complemento do pagamento das custas iniciais. No prazo que lhe foi ofertado, o
autor da ação requereu a desistência da ação, em momento, portanto, anterior à citação.
Neste caso, deve-se indeferir a petição inicial extinguindo-se o processo sem resolução do
mérito e sem a necessidade de o autor complementar as custas iniciais.
O não recolhimento das custas iniciais em sua integralidade, após a intimação do autor a esse
propósito, enseja o imediato indeferimento da petição inicial, com fulcro no art. 330, IV, c/c
485, I, do CPC, tendo o diploma processual estabelecido, para esta específica hipótese, o
cancelamento do registro de distribuição, circunstância que tem o condão de obstar a

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5


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produção de todo e qualquer efeito, tanto para o autor, como para a pessoa/ente indicada na

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inicial para figurar no polo passivo da ação.
Não há possibilidade de se determinar o recolhimento de custas iniciais complementares,
quando há a homologação do pedido de desistência do processo, antes da citação da parte
contrária.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.016.021-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 8/11/2022 (Info 762).

NULIDADES
A realização do julgamento na modalidade virtual, ainda que haja expressa
e tempestiva oposição de parte no processo, não acarreta a sua nulidade

Importante!!!
ODS 16

A realização do julgamento na modalidade virtual não acarreta a sua nulidade, porquanto se


trata de providência que está de acordo com os princípios da colegialidade, da adequada
duração do processo e do devido processo legal.
Não há, no ordenamento jurídico vigente, o direito de exigir que o julgamento ocorra por meio
de sessão presencial. Portanto, o fato de o julgamento ter sido realizado de forma virtual,
mesmo com a oposição expressa e tempestiva da parte, não é, por si só, causa de nulidade.
A realização do julgamento por meio virtual, mesmo com a oposição pela parte, não gera, em
regra, prejuízo nas hipóteses em que não há previsão legal ou regimental de sustentação oral,
sendo imprescindível, para a decretação de eventual nulidade, a comprovação de efetivo
prejuízo na situação concreta.
Além disso, mesmo quando há o direito de sustentação oral, se o seu exercício for garantido e
viabilizado na modalidade de julgamento virtual, não haverá qualquer prejuízo ou nulidade,
ainda que a parte se oponha a essa forma de julgamento, porquanto o direito de sustentar
oralmente as suas razões não significa o de, necessariamente, o fazer de forma presencial.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.995.565-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/11/2022 (Info 762).

RECURSOS (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO)


Se a parte que opôs os embargos de declaração desistiu desse recurso, significa dizer que os
embargos não interromperam o prazo para a interposição de outros recursos
ODS 16

Extintos os embargos de declaração em virtude de desistência posteriormente manifestada,


não é possível sustentar a interrupção do prazo recursal para a mesma parte que desistiu,
tampouco a reabertura desse prazo a contar da intimação do ato homologatório.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.833.120-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/10/2022 (Info 762).

EXECUÇÃO (PENHORA)
Inexiste obrigação legal de que a remuneração do depositário
seja determinada com base na Tabela de Custas da Corte Estadual
ODS 16

Caso hipotético: Ricardo ingressou com execução contra Antônio. O juiz determinou a penhora
de um veículo do devedor. O carro foi removido para um depósito particular até o leilão.
Esse depósito particular deverá ser remunerado por isso.

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6


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O particular que aceita exercer o múnus público de depositário judicial tem direito à

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remuneração como contrapartida pela prestação de seus serviços e ao ressarcimento das
despesas que precisou efetuar para a guarda e conservação dos bens, tal como o depositário
público.
O CPC determina, em seu art. 160, que, por seu trabalho, o depositário ou o administrador
perceberá remuneração que o juiz fixará levando em conta a situação dos bens, ao tempo do
serviço e às dificuldades de sua execução.
Não existe obrigação legal de que a remuneração do depositário seja determinada com base
na Tabela de Custas da Corte Estadual.
STJ. 3ª Turma. REsp 2.026.289/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 6/12/2022 (Info 762).

AÇÃO RESCISÓRIA
A apresentação de nova prova é um vício rescisório quando, apesar de preexistente ao julgado,
não foi juntada ao processo originário pelo interessado por desconhecimento ou por
impossibilidade
ODS 16

O documento novo apto a aparelhar a ação rescisória, fundada no art. 966, VII, do CPC/2015,
é aquele que, já existente à época da decisão rescindenda, era ignorado pelo autor ou do qual
não pôde fazer uso, capaz de assegurar, por si só, a procedência do pedido.
STJ. 1ª Seção. AR 5.196-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14/12/2022 (Info 762).

DIREITO PROCESSUAL PENAL

COMPETÊNCIA (FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO)


A superveniente aposentadoria da autoridade detentora do foro por prerrogativa de função
cessa a competência do STJ para o processamento e julgamento do feito

Importante!!!
ODS 16

Caso concreto: um Desembargador do Tribunal de Justiça, estava sendo investigado em um


inquérito policial supervisionado pelo STJ, nos termos do art. 105, I, “a”, da CF/88.
Durante o curso do inquérito, este Desembargador completou 75 anos e, portanto, foi
aposentado compulsoriamente em razão do implemento da idade máxima.
A superveniente aposentadoria fez cessar a prerrogativa de foro que a autoridade gozava
enquanto ocupava o cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça.
Nesse cenário, a competência do STJ para o processo e julgamento do inquérito, prevista no
art. 105, I, “a”, da CF/88, não mais subsiste, impondo o deslocamento do feito para a Justiça
Estadual, em 1ª instância.
STJ. Corte Especial. Inq 1.420/DF, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 7/12/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7


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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

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PROCESSO JUDICIAL PREVIDENCIÁRIO
A sentença trabalhista meramente homologatória de acordo serve
como início de prova material, na forma do art. 55, § 3º, da Lei 8.213/91?

Importante!!!
ODS 16

A sentença trabalhista homologatória de acordo somente será considerada início válido de


prova material, para os fins do art. 55, § 3º, da Lei nº 8.213/91, quando fundada em elementos
probatórios contemporâneos dos fatos alegados, aptos a evidenciar o exercício da atividade
laboral, o trabalho desempenhado e o respectivo período que se pretende ter reconhecido, em
ação previdenciária.
STJ. 1ª Seção. PUIL 293-PR, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Assusete Magalhães,
julgado em 14/12/2022 (Info 762).

Informativo 762-STJ (07/02/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8

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