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Informativo 8-STJ: Principais Decisões Jurídicas

1) O STJ determinou que a administração pública forneça informações sobre nomeações e vacâncias na polícia militar, desde que não sejam dados pessoais ou estratégicos. 2) A administração pode anular ato de anistia que viole a Constituição, mesmo após o prazo decadencial. 3) A escolha do momento da nomeação é da administração durante a validade do concurso, mas contratações temporárias precisam atender critérios.

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1) O STJ determinou que a administração pública forneça informações sobre nomeações e vacâncias na polícia militar, desde que não sejam dados pessoais ou estratégicos. 2) A administração pode anular ato de anistia que viole a Constituição, mesmo após o prazo decadencial. 3) A escolha do momento da nomeação é da administração durante a validade do concurso, mas contratações temporárias precisam atender critérios.

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402-30
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Informativo 8-STJ (RESUMIDO)
(EDIÇÃO ESPECIAL)
Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS (PUBLICIDADE)


No regime de transparência brasileiro, vige o princípio da máxima divulgação,
em que a publicidade é regra, e o sigilo, exceção

ODS 16

Quando não demonstrada, em concreto, nenhuma razão para se entender que a manutenção
do sigilo de informações dos órgãos públicos é útil à segurança da sociedade e do Estado e
imprescindível a essa finalidade, deve-se prevalecer a regra da publicidade.
No caso concreto, o impetrante buscava saber quantas nomeações e vacâncias de soldados
existiram em um dado período de tempo na Polícia Militar do Estado, sendo certo que não se
estava pretendendo saber detalhes específicos e pessoais de uma ou algumas nomeações ou
vacâncias; não se pretende saber como o efetivo existente se distribui, como deverá ser
alocado ou qual a estratégia utilizada para sua alocação; não se busca saber nada de caráter
estratégico da Polícia Militar (planos, projetos, execuções etc.). Por essa razão, o STJ
determinou o fornecimento das informações.
STJ. 1ª Turma. RMS 54.405-GO, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 9/8/2022 (Info Especial 8).

PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS (AUTOTUTELA)


É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, evidenciada a violação direta
do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial contido na Lei 9.784/99

Assunto já apreciado nos Infos 744 e 756 do STJ


ODS 8 E 9

O decurso do lapso temporal de 5 (cinco) anos não é causa impeditiva bastante para inibir a
Administração Pública de revisar os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica
relativos à Portaria 1.104, editada pelo Ministro de Estado da Aeronáutica, em 12 de outubro
de 1964.
STJ. 1ª Seção. MS 17.526-DF, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5ª
Região), julgado em 9/11/2022 (Info Especial 8).
No mesmo sentido: STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019
(Repercussão Geral – Tema 839) (Info 956); STJ. 1ª Seção. MS 20.187-DF, Rel. Min. Manoel Erhardt
(Desembargador convocado Do TRF5), julgado em 10/08/2022 (Info 744).

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CONCURSOS PÚBLICOS

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A prerrogativa da escolha do momento para a nomeação de candidato, aprovado dentro das
vagas ofertadas em concurso público, é da Administração Pública, durante o prazo de validade
do certame
ODS 16

Embora o candidato aprovado dentro das vagas ofertadas em concurso público tenha direito
público subjetivo à nomeação, a prerrogativa da escolha do momento para a prática do ato é
da Administração Pública, durante o prazo de validade do certame.
Para que a contratação temporária se configure como ato imotivado e arbitrário, a sua
celebração deve deixar de observar os parâmetros estabelecidos no RE 658.026/MG, também
julgado sob a sistemática da repercussão geral, bem como há de haver a demonstração de que
a contratação temporária não se destina ao suprimento de vacância existente em razão do
afastamento temporário do titular do cargo efetivo e de que existem cargos vagos em número
que alcance a classificação do candidato interessado.
STJ. 2ª Turma. RMS 68.657-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 27/9/2022 (Info
Especial 8).

SERVIDORES PÚBLICOS
Se o servidor público federal trabalha exposto à radiação, sua jornada semanal máxima será de
24 horas; todas as horas que ultrapassarem esse limite deverão ser pagas como horas extras

ODS 16

Os servidores públicos federais expostos à radiação fazem jus à jornada de vinte e quatro
horas semanais, sendo-lhes assegurado o pagamento de horas extras em relação a todo o
período trabalhado além desse limite, sob pena de enriquecimento indevido da
Administração.
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 1.565.474-RJ, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado
do TRF da 5ª Região), julgado em 29/11/2022 (Info Especial 8).

PROCESSO ADMINISTRATIVO
No exercício de direito sancionador, a negativa da prova técnica requerida
pelo acusado pode afrontar o devido processo administrativo

ODS 16

Caso concreto: determinada empresa estava respondendo processo administrativo no CADE


por suposta infração da ordem econômica. A empresa requereu a produção de perícia de
natureza econômica, que foi indeferida.
O STJ entendeu que essa negativa afrontou o devido processo administrativo, por violação aos
arts. 2º, X, e 50, caput e inciso I, da Lei nº 9.784/99. Consequentemente, o Tribunal determinou
a anulação do julgamento do processo administrativo pelo CADE, o qual deverá ser reiniciado
a partir da produção da prova pericial de natureza econômica requerida.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.979.138-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 8/11/2022 (Info Especial 8).

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PROCESSO ADMINISTRATIVO

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Mesmo que no processo administrativo já tenha sido assegurado contraditório e ampla defesa,
se a Administração iniciar processo de revisão da punição anteriormente imposta, ela deverá
novamente garantir contraditório e ampla defesa
ODS 16

É imprescindível a instauração de processo administrativo, observados os princípios do


contraditório e da ampla defesa, para revisar pena anteriormente aplicada às infrações às
normas que regem a exploração do serviço de radiodifusão comunitária, revogando
autorização para executar este serviço, em razão de reincidência no cometimento de
infrações, ainda que a parte já tenha exercido o seu direito de defesa contra os mesmos fatos
em processos anteriores.
STJ. 1ª Seção. MS 20.194-DF, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 14/9/2022 (Info Especial 8).

AGÊNCIAS REGULADORAS
É da ANATEL a competência para legislar e regular a prestação de serviços telefônicos,
determinando quais serviços podem ser considerados emergenciais para o fim de se obter
código telefônico para ligações gratuitas
ODS 16

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo ajuizou ação contra ANATEL,
pretendendo a manutenção do número telefônico “195” como contato disponibilizado de
forma gratuita para emergências.
A autarquia considerou, em sua resolução, que os serviços de água e esgoto não teriam caráter
emergencial e, portanto, não se enquadrariam no rol próprio das atividades que contam com
a linha telefônica gratuita.
O STJ considerou que a decisão da ANATEL foi correta.
Os arts. 8º, 19, VI, 109, II, 214, I, da Lei nº 9.472/97 conferem à ANATEL a competência para
legislar e regular a prestação de serviços telefônicos, determinando quais serviços podem ser
considerados emergenciais para o fim de se obter código telefônico para ligações gratuitas.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.737.175-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 13/9/2022 (Info Especial 8).

SERVIÇOS PÚBLICOS
É possível a cobrança da tarifa de esgotamento sanitário
ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço
ODS 16

Caso concreto: João ajuizou ação contra a Companhia Estadual de Águas e Esgotos pedindo a
devolução dos valores pagos nos últimos 5 anos a título de tarifa de esgotamento sanitário,
sob o argumento de que não existe o tratamento de esgoto no bairro onde mora. A Companhia
contestou afirmando que, a despeito de não haver o serviço de tratamento de esgoto no bairro,
há a coleta de dejetos, serviço esse que é parte integrante do complexo serviço de tratamento
de água e esgoto.
O pedido de João não encontra amparo na jurisprudência.
O STJ firmou o entendimento de que a legislação permite a cobrança da tarifa de esgotamento
sanitário, ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço (REsp
1.339.313/RJ, Tema 565).
STJ. 2ª Turma. Ag 1.308.764-RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 16/8/2022 (Info Especial 8).

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TEMAS DIVERSOS

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É cabível a cobrança de taxa de ocupação de imóvel público (art. 24 da Lei 4.545/64),
ainda que não haja prévia formalização de ato ou negócio jurídico administrativo
ODS 16

De acordo com o art. 24 da Lei nº 4.545/64, a utilização de imóveis públicos pertencentes ao


governo do Distrito Federal será feita em caráter precário, a juízo exclusivo da Administração
Pública, e enseja o pagamento de taxa de ocupação.
Por força desse dispositivo, o detentor irregular de imóvel público deverá pagar taxa de
ocupação, modalidade de ressarcimento mínimo do poder público.
Essa taxa de ocupação é devida mesmo que não tenha havido prévia formalização de ato ou
negócio jurídico administrativo. O ocupante irregular de bem público não pode se beneficiar
da sua própria ilegalidade para deixar de cumprir obrigação a todos imposta: o pagamento da
taxa de ocupação.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.986.143-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 6/12/2022 (Info Especial 8).

DIREITO AMBIENTAL

RESPONSABILIDADE CIVIL
O cumprimento da obrigação de reparar integralmente o dano ambiental (in natura ou
pecuniariamente) não afasta a obrigação de indenizar os danos ambientais interinos
ODS 16

Os danos ambientais interinos (também chamados de intercorrentes, transitórios,


temporários, provisórios ou intermediários) não se confundem com os danos ambientais
definitivos (residuais, perenes ou permanentes).
Os danos definitivos somente se verificam, e são indenizáveis em pecúnia, se a reparação
integral da área degradada não for possível em tempo razoável, após o cumprimento das
obrigações de fazer. Seu marco inicial, portanto, é o término das ações de restauração do meio
ambiente.
O marco inicial do dano intercorrente, por sua vez, é a própria lesão ambiental. Seu marco
final é o da reparação da área, seja por restauração in natura, seja por compensação
indenizatória do dano residual, se a restauração não for viável.
O dano residual compensa a natureza pela impossibilidade de retorná-la ao estado anterior à
lesão.
O dano intercorrente compensa a natureza pelos prejuízos causados entre o ato degradante e
sua reparação.
O poluidor deve não só devolver a natureza a seu estado anterior, mas reparar os prejuízos
experimentados no interregno, pela indisponibilidade dos serviços e recursos ambientais
nesse período.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.845.200-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 16/8/2022 (Info Especial 8).

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DIREITO NOTARIAL

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E REGISTRAL

REGIME JURÍDICO
Tribunal de Justiça possui competência para fixar data limite para a obtenção dos títulos
ODS 16

Considerando o silêncio do CNJ quanto ao prazo para aquisição de títulos pelos candidatos em
concursos públicos para a outorga das Delegações de Notas e de Registro, deve prevalecer a
competência subsidiária concedida aos respectivos Tribunais de Justiça para fixarem as
regras dos concursos de ingresso nos serviços notarial e de registro, na forma prevista no art.
15, caput, § 1º, da Lei n. 8.935/1994.
STJ. 1ª Turma. RMS 67.654-PB, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 13/9/2022 (Info Especial 8).

DIREITO CIVIL

RESPONSABILIDADE CIVIL
A divulgação científica não autorizada de imagem de paciente viola direitos de intimidade e a
ética médica, gerando responsabilização solidária entre os médicos autores do artigo e a editora
ODS 16

A divulgação científica não autorizada de imagem de paciente viola direitos de intimidade e a


ética médica (privacidade e confidencialidade).
Embora a revista e seus editores tenham dever de mitigar os riscos e danos da divulgação
indevida dos pacientes, os médicos responsáveis pelo tratamento e os médicos autores do
artigo são igualmente responsáveis pelas violações de princípios de bioética.
Trata-se, portanto, de hipótese de responsabilização solidária entre os coautores e a editora.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.978.532/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 16/8/2022 (Info Especial 8).

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

CONDIÇÕES DA AÇÃO
Não constitui condição da ação o prévio requerimento administrativo para ajuizar ação
requerendo anulação de débito fiscal fundamentada na ocorrência de erro material no
preenchimento da Declaração de Crédito Tributário Federal - DCTF

Assunto já apreciado no Info 759-STJ


ODS 16

Caso concreto: a autora ajuizou ação pedindo a anulação de débito fiscal, fundamentando seu
pleito na ocorrência de erro, por ela perpetrado, no preenchimento da Declaração de Crédito
Tributário Federal (DCTF). A Corte de origem entendeu que não havia interesse de agir porque
a pretensão poderia ter sido dirimida na via administrativa.
O STJ não concordou com o Tribunal de origem.
Existe interesse de agir para proposição de ação ordinária objetivando a anulação de débito
fiscal, com fundamento na ocorrência de erro, perpetrado pelo contribuinte, no
preenchimento da DCTF, ainda que inexistente prévio requerimento administrativo.

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No caso, a autora não pretende a mera retificação da declaração. O contribuinte não corrigiu

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a declaração no momento oportuno, o tributo foi lançado e passou a ser exigido, de modo que
a pretensão não era de retificar o documento, mas sim para anular o crédito tributário.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.753.006-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/9/2022 (Info Especial 8).

ASTREINTES
Não cabe multa diária para forçar o cumprimento de uma obrigação de pagar quantia

Importante!!!
ODS 16

A fixação da multa diária só tem espaço no plano das obrigações de fazer e não fazer, sendo
vedada sua utilização no campo das obrigações de pagar.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.747.877-GO, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 20/9/2022 (Info Especial 8).

SENTENÇA
Não configura julgamento ultra petita o acolhimento dos cálculos elaborados
por contador judicial em valor superior ao apresentado pelo exequente
ODS 16

O acolhimento dos cálculos elaborados por Contador Judicial em valor superior ao


apresentado pelo exequente não configura julgamento ultra petita, uma vez que, ao adequar
os cálculos aos parâmetros da sentença exequenda, garante a perfeita execução do julgado.
Não configura julgamento extra ou ultra petita a homologação de cálculos do contador judicial,
quando estão em conformidade com o título judicial em execução, ainda que reflitam valores
diversos dos apontados pelas partes.
Ex: credor ingressou com cumprimento de sentença cobrando R$ 100 mil segundo cálculos
que ele elaborou a partir dos parâmetros da sentença; devedor apresentou impugnação
afirmando que os cálculos estavam errados e que a quantia devida seria R$ 80 mil; contador
judicial constatou que exequente e executado aplicaram equivocadamente os parâmetros da
sentença e que o valor devido era R$ 120 mil. Se o juiz acolher os cálculos do contador judicial
não haverá julgamento ultra petita porque simplesmente refletem os parâmetros do título
executivo judicial.
STJ. 1ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp 1.553.860/SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/2/2022.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.934.881-SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 27/9/2022 (Info
Especial 8).

RECURSO ESPECIAL
A tempestividade do recurso especial e do respectivo agravo em recurso especial deve ser
aferida de acordo com os prazos em curso na Corte de origem
ODS 16

O prazo dos recursos interpostos perante a Corte de origem, ainda que estejam endereçados
ao STJ, obedece ao calendário de funcionamento do Tribunal de origem, sendo irrelevante,
para a verificação da tempestividade do recurso, a existência de recesso forense no STJ.
STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 2.118.653-SP, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 28/11/2022
(Info Especial 8).

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RECURSO ESPECIAL

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É, em regra, irrecorrível decisão de Ministro do STJ determina retorno dos autos ao TJ/TRF para
que ali fique aguardando a tese a ser fixada pelo STF em repercussão geral
ODS 16

A decisão de retorno dos autos ao tribunal de origem, a fim de que lá seja exercido o juízo de
conformidade (arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015) é irrecorrível, salvo se demonstrado por
meio de requerimento, efetivamente, erro ou equívoco patente.
STJ. 1ª Turma. RCD nos EDcl no AgInt no REsp 1.963.580-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 6/10/2022 (Info Especial 8).

AGRAVO INTERNO
Em regra, descabe a imposição da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC em razão do não provimento
do agravo interno em votação unânime, pois é necessária a configuração da manifesta
inadmissibilidade ou improcedência
ODS 16

O mero não provimento de agravo interno por votação unânime não basta para fundamentar
a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, sendo necessária a configuração
da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso.
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 2.085.942/MG, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 15/8/2022
(Info Especial 8).

EXECUÇÃO FISCAL
O simples fechamento de filial de pessoa jurídica não basta para fundamentar
a inclusão de sócio no polo passivo de execução fiscal
ODS 16

A filial de uma empresa, apesar de possuir CNPJ próprio, não configura nova pessoa jurídica,
razão pela qual as dívidas oriundas de relações jurídicas decorrentes de fatos geradores
atribuídos a determinado estabelecimento constituem, em verdade, obrigação tributária da
sociedade empresária como um todo. Assim, os bens em nome das filiais estão sujeitos à
penhora por dívidas tributárias da matriz e vice-versa
Desse modo, a obrigação tributária é da sociedade empresária como um todo, composta por
suas matrizes e filiais. Logo, se apenas a filial fechou, mas a matriz continua funcionando
regularmente, não se pode dizer que houve dissolução irregular da sociedade empresária.
Não tendo havido dissolução irregular pelo simples fechamento de um de seus
estabelecimentos, não se afigura possível incluir o sócio no polo passivo da execução fiscal.
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.925.113-AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 28/11/2022
(Info Especial 8).

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DIREITO PENAL

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CRIMES CONTRA A HONRA (CALÚNIA)
A denúncia por calúnia foi rejeitada em razão de não ter sido demonstrado o dolo especial de
ofender a honra de outrem e em virtude de não ter havido imputação falsa a outrem de fato
determinado, específico e realmente descrito como crime
ODS 16

Críticas políticas a atuação de membro do Ministério Público, sem que haja imputação de um
fato determinado, com a indicação da conduta praticada, de quando fora praticada, em que
local ou em que circunstâncias supostamente delitivas, não bastam para a configuração do
crime de calúnia.
STJ. Corte Especial. APn 990/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 21/9/2022 (Info Especial 8).

DIREITO TRIBUTÁRIO

CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Fisco não pode aproveitar lançamento que tenha utilizado critério de base de cálculo
inconstitucional, mesmo que corrija o critério com uma base de cálculo válida, sendo necessário
um novo lançamento
ODS 16

Se houve o pagamento do crédito tributário, mas, posteriormente, há declaração de nulidade


do lançamento em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo utilizada pelo fisco, o
contribuinte tem direito à restituição do que pagou indevidamente; e o fisco, se não decaído o
direito de lançar e houver norma legal embasadora, deve constituir novo crédito tributário,
por meio de outro lançamento, não se podendo aproveitar o anterior, uma vez que não se
admite a correção do critério jurídico anterior.
STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 2.001.298-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 29/8/2022
(Info Especial 8).

CONTRIBUIÇÕES
O produtor rural pessoa física paga salário-educação?
ODS 16

O produtor rural, pessoa física inscrito no CNPJ é devedor da contribuição ao salário-educação.


Por outro lado, o produtor rural, pessoa física não inscrito no CNPJ não é contribuinte do
salário-educação, salvo se for um produtor que desenvolva atividade empresarial.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.812.828-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16/8/2022 (Info
Especial 8).

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DIREITO ADUANEIRO

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Não cabe aplicação cumulativa de multa de lançamento de ofício com a de consumo de
mercadoria importada de forma fraudulenta
ODS 16

Caso concreto: determinada empresa subfaturou operações de importação de mercadorias


(tecidos, tapetes, persianas e cortinas).
Discutiu-se se era possível a aplicação concomitante das multas previstas no art. 44, I e § 1º,
da Lei nº 9.430/96 (150% sobre o valor do tributo que deixou de ser pago em virtude da
apuração, no lançamento de ofício, de que houve fraude consistente no subfaturamento do
preço das mercadorias importadas) e no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 (multa igual ao valor da
mercadoria entregue ao consumo, ou consumida).
O STJ entendeu que não.
A importação de mercadorias com subfaturamento enseja aplicação da multa de 50% ou
100%, preceituada no art. 108, caput e parágrafo único, do Decreto-Lei nº 37/1966.
A sanção prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64, por sua vez, incide apenas nas hipóteses em
que a mercadoria estiver sujeita à decretação da pena de perdimento, não sendo o caso tendo
em vista que o subfaturamento, por si, não constitui situação apta a ensejar o decreto de
perdimento. O consumo da mercadoria importada com subfaturamento constitui
exaurimento da aludida infração.
STJ. 2ª Turma. AgInt nos EDcl no REsp 1.825.186-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
4/8/2022 (Info Especial 8).

Informativo 8-STJ Edição Especial (17/01/2023) – Márcio André Lopes Cavalcante | 9

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