ENSINO TÉCNICO EM RADIOLOGIA
BERRIEL, M.C.
2015
HISTÓRIA DA RADIOLOGIA
Maria do Carmo Berriel
Escola Técnica Evolução
24/02/2015
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I – INTRODUÇÃO
A História da Radiologia teve seu início com as primeiras descobertas sobre o
átomo, que ocorreu a partir do ano 400 a.C. e desenvolveu-se, surpreendentemente,
até 1923.
As tecnologias complementares evoluem dia a dia abrangendo a diversidade na
sua aplicação.
Todo profissional deve interar-se das descobertas e sua expansão no meio, a fim
de vivenciar e comparar seus Princípios e Normas aplicáveis na prática.
A ciência ocupa em nosso mundo moderno e tecnológico um papel tão importante
que a idéia que tendemos a formar sobre ela é de um conjunto de disciplinas
matemáticas complexas, cuja compreensão paira muito acima das cabeças do
público leigo. Mas essa não é exatamente a verdade.
Um exemplo interessante de como a ciência transforma idéias em descobertas cada
vez mais aprofundadas é a história do átomo, que deu origem a inúmeras
tecnologias hoje aplicadas ao estudo da Radiologia.
II – CAPÍTULO 1 – O ÁTOMO E SEUS COMPONENTES
Nem sempre o homem pensou no átomo como o vimos atualmente. Foi uma idéia
que evoluiu ao longo dos anos, apesar do primeiro modelo atômico ter sido originado
da antiga Grécia entre 400 a.C. e 450 a.C., só no séc. XIX foi definida com exatidão
a tese de que a matéria é feita de pequeníssimos corpúsculos e que têm energia.
Mas nossa relação com os átomos começou de um modo muito simples:
observando o comportamento da matéria e com interesse na sua característica de
poder ser dividida.
A conclusão a que chegaram é que essa seqüência de divisões não poderia ser
infinita. Em algum momento se chegaria a uma porção de matéria que não poderia
mais ser dividida.
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1 – O MODELO ATÔMICO DE DEMÓCRITO
Na antiguidade acreditava-se que dividindo a matéria em pedaços cada vez
menores, chegar-se-ia a um ponto onde as partículas, mínimas, seriam invisíveis ao
olho humano e, segundo alguns pensadores, indivisíveis. Graças a essa
propriedade, recebeu o nome de átomo, termo que significa o que não pode ser
dividido, em grego. Foi quando surgiu entre os filósofos gregos o termo atomismo.
Parmênides propôs a teoria da unidade e imutabilidade do ser, esta estava em
constante mutação através dos postulados de Heráclito. O atomismo foi a teoria
cujas intuições mais se aproximaram das modernas concepções científicas sobre o
modelo atômico. No século V a.C. (450 a.C.) Leucipo de Mileto juntamente com o
seu discípulo Demócrito de Abdera, (400 a.C.), considerado o pai do atomismo
grego, discorreram sobre a natureza da matéria de forma elegante e precisa.
Conciliaram as constantes mudanças postuladas por Heráclito com a unidade e
imutabilidade do ser propostas por Parmênides. Demócrito propôs que a realidade, o
todo, se compõe não só de átomos ou partículas indivisíveis de natureza idêntica,
conforme proposto por Parmênides. Demócrito acreditava que o vácuo era um não-
ente, e que este existe desde a eternidade em mútua interação dando origem ao
movimento.
Segundo Demócrito, os átomos por si só apresentam as propriedades de tamanho,
forma, impenetrabilidade e movimento, dando lugar, por meio de choques entre si, a
corpos visíveis. Além disso, ao contrário dos corpos macroscópicos, os átomos não
podem interpenetrar-se nem dividir-se, sendo as mudanças observadas em certos
fenômenos químicos e físicos atribuídas pelos atomistas gregos a associações e
dissociações de átomos. Nesse sentido, o sabor salgado dos alimentos era
explicado pela disposição irregular de átomos grandes e pontiagudos. Esta tese
entrou em franca contradição com as idéias de Parmênides. Heráclito postulava que
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não-ente (vácuo) e matéria (ente) desde a eternidade que interagem entre si
dando origem ao movimento. E que os átomos apresentam as propriedades de:
forma; movimento; tamanho e impenetrabilidade e, por meio de choques entre si,
dão origem a objetos visíveis. Segundo Demócrito a matéria era descontínua,
portanto, ao invés dos corpos macroscópicos, os corpos microscópicos, ou átomos
não se fundem nem se dividem, sendo as suas mudanças observadas em certos
fenômenos físicos e químicos como associações e dissociações de átomos e que
qualquer matéria é o resultado da combinação de átomos dos quatro elementos: ar;
fogo; água e terra. Aristóteles, ao contrário de Demócrito, postulou a continuidade
da matéria, ou, não constituída por partículas indivisíveis. Em 60 a.C., Lucrécio
compôs o poema “De Rerum Natura”, que discorria sobre o atomismo de Demócrito.
Os filósofos, porém, adaptaram o modelo atômico de Aristóteles, da matéria
contínua, que foi seguido pelos pensadores e cientistas até o século XVI d.C.
Portanto a palavra átomo é de origem grega que deriva de "a + thomos" que
significa "sem divisão". E a idéia de quê os átomos são pequenas partículas
indivisíveis perdura até os dias atuais.
2 – O MODELO DE DALTON
O professor da universidade inglesa New College de Manchester, químico inglês,
John Dalton foi o criador da primeira teoria atômica moderna na passagem do
século XVIII para o século XIX.
Em 1803, Dalton publicou o trabalho Absorption of Gases by Water and Other
Liquids, (Absorção de gases pela água e outros líquidos), neste delineou os
princípios de seu modelo atômico.
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Segundo Dalton:
Átomos de elementos diferentes possuem propriedades diferentes entre
si;Átomos de um mesmo elemento possuem propriedades iguais e
de peso invariável;
Átomo é a menor porção da matéria, e são esferas maciças e indivisíveis;
Nas reações químicas, os átomos permanecem inalterados;
Na formação dos compostos, os átomos entram em proporções numéricas
fixas 1:1, 1:2, 1:3, 2:3, 2:5, etc.;
O peso total de um composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos
elementos que o constituem.
Em 1808, John Dalton propôs a teoria do modelo atômico, onde o átomo é uma
minúscula esfera maciça, impenetrável, indestrutível, indivisível e sem cargas
elétricas. Todos os átomos de um mesmo elemento químico são idênticos. Seu
modelo atômico foi chamado de modelo atômico da bola de bilhar.
Em 1810 foi publicada a obra New System of Chemical Philosophy (Novo sistema
de filosofia química), nesse trabalho havia testes que provavam suas observações,
como a Lei das Pressões Parciais, chamada de Lei de Dalton, entre outras
relativas à constituição da matéria. Conforme Dalton:
Os átomos são indivisíveis e indestrutíveis;
Existe um número pequeno de elementos químicos diferentes na natureza;
Reunindo átomos iguais ou diferentes nas variadas proporções, podemos formar
todas as matérias do universo conhecidas (como os Diamantes);
Para Dalton, o átomo era um sistema contínuo. Apesar de um modelo simples,
Dalton deu um grande passo na elaboração de um modelo atômico, pois foi o que
instigou na busca por algumas respostas e proposição de futuros modelos.
A idéia grega da porção constituinte mínima e indivisível de toda a matéria como
uma bolinha microscópica maciça, formadora de tudo que é material, seguiu
quase inalterada por dois mil anos, até que John Dalton descobriu que cada
substância pura era constituída de um único tipo de átomos, que eram idênticos
entre si quanto às suas propriedades, tamanho e modo de reação química.
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Os átomos deixaram de serem identidades físico-químicas genéricas e ganharam
nomes próprios, conforme as substâncias que constituíam e às quais emprestavam
suas propriedades. Assim as características do ferro eram decorrentes de este ser
formado por átomos do ferro, que eram diferentes em suas características
fundamentais, por exemplo, dos átomos do alumínio. Descobriu também que esses
átomos de características próprias, conforme o tipo, reagem entre si de acordo com
proporções numéricas simples, deixando claro que as diferentes combinações e
transformações da matéria eram resultantes das interações entre seus átomos.
3 – O MODELO DE THOMSON
Joseph John Thomson, descobridor do elétron e da relação entre a carga e a
massa do elétron, antes do descobrimento do próton ou do nêutron. Neste
modelo, o átomo é composto de elétrons embebidos numa sopa de carga positiva,
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como as passas num pudim. Acreditava-se que os elétrons distribuíam-se
uniformemente no átomo. Em outras oportunidades, postulava-se que no lugar de
uma sopa de carga positiva seria uma nuvem de carga positiva.
O modelo atômico de Joseph John Thomson teve experimentos, por volta de 1897,
na qual foram estudadas descargas elétricas em tubos semelhantes a tubos de
lâmpadas fluorescentes, chamados de tubos de raios catódicos (do mesmo tipo
mesmo usado em monitores e televisões antigamente), dentro dos quais, havia
gases rarefeitos (em baixa pressão).
Após tal teste, Thomson sugeriu que os elétrons estariam mergulhados em uma
massa homogênea, como ameixas em um pudim (Plum Pudding). Esta proposta é
conhecida como, Modelo Atômico de Thomson - a teoria segundo a qual toda
matéria, independente de suas propriedades, contém partículas de massa muito
menores que o átomo do hidrogênio. Inicialmente denominou-as de corpúsculos,
que depois ficaram conhecidas como elétrons, e acreditava que era impossível auto-
dividir as partes sem que ocorra um serramento de fissão nuclear no átomo. A
demonstração se deu ao comprovar a existência daqueles corpúsculos nos raios
catódicos disparados na ampola de crookes (um tubo que continha vácuo),
depois da passagem de uma corrente elétrica sob altíssima tensão.
Através de suas experiências, Thomson concluiu que a matéria era formada por
um modelo atômico diferente do modelo atômico de Dalton: o átomo seria uma
esfera de carga positiva, que continha corpúsculos (elétrons) de carga negativa
distribuídos uniformemente. Tal modelo era conhecido como modelo do pudim
de passas ou Panetone, tinha como hipótese a existência de configurações
estáveis para os elétrons ao redor das quais estes oscilariam.
Contudo, segundo a teoria eletromagnética clássica, não pode existir qualquer
configuração estável num sistema de partículas carregadas se a única interação
entre elas é de caráter eletromagnético.
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Além disso, como qualquer partícula com carga elétrica em movimento acelerado
emite radiação eletromagnética, o modelo tinha como outra hipótese que os
modos normais das oscilações dos elétrons deveriam ter as mesmas freqüências
que aquelas que se observavam associadas às raias dos espectros atômicos.
Mas não foi encontrada qualquer configuração para os elétrons de qualquer átomo
cujos modos normais tivessem qualquer uma das freqüências esperadas.
De qualquer modo, o modelo de Thomson foi abandonado principalmente devido
aos resultados do experimento de Rutherford, mais ou menos na mesma época.
4 – O MODELO DE RUTHERFORD
Logo após Thomson, Nelson Ernest Rutherford, cientista, físico e químico
nascido em Spring Grove, Nova Zelândia, em 30 de agosto de 1871, neozelandês,
1° Barão de Rutherford e Nelson. Após ter concluído os estudos, ingressou no
Laboratório Cavendish, em Cambridge.
Foi galardoado com o Prêmio Nobel de Química em 1908, pelas suas
investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das substâncias
radioativas.
Em 1911 rompeu em definitivo com o modelo grego antigo de átomo, com sua
célebre experiência na qual bombardeou uma fina lâmina de ouro com partículas
em alta velocidade, constatando que a maioria das partículas atravessava o ouro
como se o metal não lhe oferecesse nenhum obstáculo ao trajeto.
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Ainda em 1911, Rutherford fez um experimento em que partículas alfa (de carga
positiva, emitidas por polônio radioativo) colidiram com uma faixa fina na lâmina de
ouro e chegaram até um filme fotográfico, manchando-o.
a) Veja a seguir o esquema do experimento de Rutherford:
b) Conclusões de Rutherford:
1° – A lâmina de ouro não seria formada por átomos maciços, pois permitiu a
passagem da maior parte das partículas alfa. Rutherford propôs que a lâmina seria
formada por minúsculos núcleos e um grande vazio;
2° – Muitas partículas alfa foram desviadas, pois passavam muito perto do núcleo e,
sendo positivas, eram repelidas por ele, que também é positivo;
3° – As partículas alfa que vinham na direção do núcleo eram totalmente repelidas e
retrocediam. Observe a ampliação das colisões das partículas alfa colidindo como a
folha de ouro:
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c) Átomo de Rutherford:
Após os resultados de seu experimento, Rutherford conclui que o átomo era um
“grande vazio”, formado pela eletrosfera, onde giravam os elétrons, e por um
minúsculo núcleo de carga positiva.
Este modelo, apesar de explicar satisfatoriamente o espalhamento de partículas
alfa por uma lâmina de ouro, era combatido na época, pois, segundo a mecânica
clássica (teoria eletromagnética clássica de Maxwell), toda partícula carregada, em
movimento, emite energia na forma de ondas eletromagnéticas. Sendo o elétron
uma partícula com carga negativa girando ao redor do núcleo, deveria perder
energia e acabaria caindo sobre o núcleo.
Através de experimentos recentes, sabemos que Rutherford estava certo ao
afirmar que o átomo é um grande vazio, pois o átomo é de 10.000 a 100.000 vezes
maior que o seu núcleo. Para se ter uma idéia do que significa isto, se um núcleo
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atômico fosse do tamanho de uma moeda de um real, o diâmetro do átomo teria 2
km.
Rutherford concluiu que o átomo deveria ser formado em sua maior parte de
espaços vazios. Desenvolveu, então, o chamado modelo atômico planetário, no
qual o átomo seria comparado a um sistema solar, com o núcleo de carga elétrica
positiva no centro e os elétrons, de carga negativa, orbitando em torno dele na
eletrosfera.
As bases para o desenvolvimento da física nuclear foram lançadas por Ernest
Rutherford ao desenvolver sua teoria sobre a estrutura atômica. O cientista estudou
por três anos o comportamento dos feixes de partículas ou raios X, além da
emissão de radioatividade pelo elemento Urânio. Uma das inúmeras experiências
realizadas foi a que demonstrava o espalhamento das partículas alfa. Esta foi base
experimental do modelo atômico do chamado átomo nucleado onde elétrons
orbitavam em torno de um núcleo. Durante suas pesquisas Rutherford observou que
para cada 10.000 partículas alfa aceleradas incidindo numa lâmina de ouro, apenas
uma refletia ou se desviava de sua trajetória. A conclusão foi que o raio de um
átomo poderia ser em torno de 10.000 vezes maior que o raio de seu núcleo.
Rutherford acompanhado pelo pesquisador Frederick Soddy, descobriram a
existência dos raios gama e estabeleceram as leis das transições radioativas das
séries do tório, do actínio e do rádio. O modelo atômico de Rutherford ficou
conhecido como modelo planetário, pela sua semelhança com a formação
do Sistema Solar - modelo de átomo com movimentos planetários. Este modelo
foi estudado e aperfeiçoado por Niels Bohr, que acabou por demonstrar a natureza
das partículas alfa como núcleos de hélio.
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5 – O MODELO DE BOHR
Em 1912, Bohr propôs um modelo atômico que aprimorava o modelo de
Rutherford, explicando a órbita dos elétrons. Baseando-se nos estudos feitos em
relação ao espectro do átomo de hidrogênio e na teoria proposta em 1900 por
Planck (teoria quântica), segundo a qual a energia não é emitida em forma contínua,
mas em blocos, denominados quantum de energia – propõe os seguintes
postulados:
1° – Os elétrons nos átomos descrevem sempre órbitas circulares ao redor do
núcleo, chamadas de camadas ou níveis de energia;
2° – Cada um desses níveis possui um valor determinado de energia (estados
estacionários);
3° – Os elétrons só podem ocupar os níveis ou camadas que tenham uma
determinada quantidade de energia.
O modelo do físico dinamarquês Niels Bohr tentava dar continuidade ao trabalho
feito por Rutherford. Para explicar os erros do modelo anterior, Bohr sugeriu que o
átomo possui energia quantizada. Cada elétron só pode ter determinada
quantidade de energia, por isso ele é quantizado. Observe nas figuras abaixo:
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É de Bohr a inclusão no modelo atômico da teoria quântica, que explicava como
os diferentes níveis de energia na eletrosfera impediam os elétrons de cair como um
meteoro no núcleo, o que fatalmente aconteceria se o átomo se comportasse
apenas como um sistema solar, como Rutherford inicialmente propôs. Derrubava a
idéia do átomo maciço e indivisível, coube ao mesmo Rutherford propor que nem
mesmo o núcleo atômico se enquadrava nesta definição, ao contrário, o núcleo seria
formado por partículas ainda menores, de carga positiva que receberam o nome de
próton, sendo que o núcleo do hidrogênio - o mais simples dos elementos - seria
composto de apenas uma destas partículas.
A teoria orbital de Rutherford encontrou uma dificuldade teórica resolvida por Niels
Bohr, intensificando assim suas pesquisas: no momento em que temos uma carga
elétrica negativa composta pelos elétrons girando ao redor de um núcleo de carga
positiva, este movimento gera uma perda de energia devido a emissão
de radiação constante. Num dado momento, os elétrons vão se aproximar do
núcleo num movimento em espiral e cair sobre si.
Niels Bohr e seu átomo:
Em 1913, Niels Bohr publicou uma tese que demonstrava o comportamento
eletrônico dos metais. Na mesma época, foi trabalhar com Ernest Rutherford
em Manchester, Inglaterra. Lá obteve os dados precisos do modelo atômico, que
iriam lhe ajudar posteriormente.
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Em 1916, Niels Bohr retornou para Copenhague para atuar como professor
de física. Continuando suas pesquisas sobre o modelo atômico de Rutherford.
Em 1920, nomeado diretor do Instituto de Física Teórica, Bohr acabou
desenvolvendo um modelo atômico que unificava a teoria atômica de Rutherford e a
teoria da mecânica quântica de Max Planck.
Sua teoria consistia que ao girar em torno de um núcleo central, os elétrons
deveriam girar em órbitas específicas com níveis energizados. Realizando estudos
nos elementos químicos com mais de dois elétrons, concluiu que se tratava de uma
organização bem definida em orbitais.
Descobriu ainda que as propriedades químicas dos elementos eram determinadas
pelo orbital mais externo.
Louis Victor Pierre Raymondi (sétimo duque de Broglie), contribui com Bohr
descobrindo que todo corpúsculo atômico pode comportar-se de duas formas,
como onda e como partícula.
Bohr propôs os seguintes postulados:
1. Um elétron num átomo move-se numa órbita circular em torno do núcleo sob a
influência da força de Coulomb entre o elétron e o núcleo;
2. Um elétron move-se em uma órbita para a qual o seu momento angular orbital, ,
é um múltiplo inteiro de h;
3. Um elétron, movendo-se numa órbita permitida, não irradia energia
eletromagnética. Assim, sua energia total E permanece constante;
4. Radiação eletromagnética é emitida se um elétron, inicialmente movendo-se em
uma órbita de energia total descontinuamente altera o seu movimento para que
ele se possa mover em uma órbita de energia total .
A freqüência da radiação emitida V é igual à quantidade:
O modelo de Bohr representa os níveis de energia. Cada elétron possui a sua
energia. As leis da física clássica não se enquadram neste modelo. Quando um
elétron salta de um nível menor para um nível mais elevado, ele absorve energia e
quando ele retorna para um nível menor, o elétron emite uma radiação em forma de
luz. Bohr organizou os elétrons em camadas ou níveis de energia.
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Cada camada possui um nome e deve ter um número máximo de elétron.
Existem sete camadas ou níveis de energia ao redor do núcleo: K, L, M, N, O, P, Q.
Observe a tabela que mostra o nome das camadas, o seu número quântico e o
número máximo de elétrons em cada uma destas camadas:
N° QUÂNTICO N ° MÁXIMO DE é
K 1 2
L 2 8
M 3 18
N 4 32
O 5 32
P 6 18
Q 7 2
O modelo de Bohr, apesar de explicar satisfatoriamente o espalhamento de
partículas alfa por uma lâmina de ouro, era combatido na época, pois, segundo a
mecânica clássica (teoria eletromagnética clássica de Maxwell), toda partícula
carregada, em movimento, emite energia na forma de ondas eletromagnéticas.
Sendo o elétron uma partícula com carga negativa girando ao redor do núcleo,
deveria perder energia e acabaria caindo sobre o núcleo.
6 – MODELO DE SOMMERFELD
O físico alemão Arnold Johannes Wilhelm Sommerfeld, em 1915, estudando os
espectros de emissão de átomos mais complexos que o hidrogênio, admitiu que em
cada camada eletrônica (n) havia 1 órbita circular e (n-1) órbitas elípticas com
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diferentes excentricidades. Essas órbitas elípticas foram então chamadas de
subníveis ou subcamadas e caracterizadas por l,onde l=0, l=1, l=2 e l=3 são
respectivamente os subníveis s, p, d e f. Por exemplo, na 4ª camada há uma órbita
circular e três elípticas.
Ele propôs este modelo através na teoria da relatividade de Einstein e da teoria
quântica, assim podendo explicar detalhes dos espectros. Como ele complementou
o que Bohr não conseguia explicar satisfatoriamente para átomos além dos
hidrogenoides, o modelo ficou conhecido como Bohr-Sommerfeld – propôs que os
elétrons se movem em algumas órbitas circulares ao redor do núcleo, sugerindo que
essas órbitas devem ser elípticas.
A energia do elétron seria determinada pela distância em que se encontrava do
núcleo e pelo tipo de órbita que descreve.
7 – MODELO DE SCHOROEDINGER
Erwin Schroedinger foi um importante físico austríaco que desenvolveu uma
importante equação para o campo da Teoria Quântica, a Equação de
Schroedinger.
O físico tentou descrever o movimento de onda em 1926, já que Louis De
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Broglie havia afirmado que a matéria se comportava como onda e como partícula
(comportamento dualístico). Chegou então à famosa equação que tomou seu
nome, vindo a ser a fórmula básica da mecânica ondulatória, e valendo-lhe a
obtenção do prêmio Nobel, juntamente com o físico inglês Paul Dirac, em 1933.
8 - MODELO DE BROGLIE
Na mesma época de Schroedinger, o cientista francês Louis de De Broglie estudou
a natureza das ondas dos elétrons. Para ele, a matéria é formada ora por
corpúsculos, as partículas, ora como onda. Esta é a Teoria da Dualidade. Suas
teorias foram baseadas nos estudos de Max Albert Einstein e também de Max
Planck, introduzindo o conceito da mecânica ondulatória, quando o elétron é visto
como uma partícula-onda.
9 - O PRINCÍPIO DA INCERTEZA DE HEISENBERG
No final da década de 1920, Heisenberg formulou o chamado princípio da
incerteza. Segundo Werner Heisenberg, para encontrar a posição correta de um
elétron, é necessário que ele interaja com algum instrumento de medida, como por
exemplo, uma radiação. A radiação deve ter um comprimento de onda na ordem da
incerteza com que se quer determinar esta posição – quanto menor for o
comprimento de onda, maior é a precisão do local onde está o elétron.
Quando se consegue descobrir o local provável onde está o elétron, este elétron já
não estará neste local.
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Este é o Modelo Atual de Átomo.
Segundo Heisenberg, é difícil se prever a posição correta de um elétron na sua
eletrosfera. Schrodinger em 1926 calculou a região mais provável onde o elétron
possa estar. Para essa região deu o nome de orbital.
Orbital – região do espaço que está ao redor do núcleo, onde há máxima
probabilidade de se encontrar um elétron. É importante ressaltar que não se pode
ver um átomo isolado exatamente como foi descrito nos modelos atômicos. Algumas
técnicas utilizadas por supercomputadores mostram manchas coloridas, mostrando
a localização dos átomos de um determinado material. Essas imagens são obtidas
por um microscópio de tunelamento que pode aumentar até 28 milhões de vezes.
De acordo com o modelo de Rutherford-Bohr, o átomo apresenta níveis de energia
ou camadas energéticas, onde cada nível possui um número máximo de elétrons. O
número do nível representa o número quântico principal (n).
Cada nível está dividido em subníveis de energia s, p, d, f.
Representam o número quântico secundário ou azimutal (l):
SUBNÍVEL s p d f
NÚMERO QUÂNTICO 0 1 2 3
NÚMERO MÁX DE é 2 6 10 14
O subnível indica a forma da região no espaço onde está o elétron.
As siglas s, p, d, f vem das palavras em inglês sharp, principal, diffuse e fine,
respectivamente.
Número máximo de elétrons em cada subnível:
K = 1 ; 1s²
L = 2 ; 2s² 2p6
M = 3 ; 3s² 3p6 3d10
N = 4 ; 4s² 4p6 4d10 4f14
O = 5 ; 5s² 5p6 5d10 5f14
P = 6 ; 6s² 6 p6 6d10
Q = 7 ; 7s²
O diagrama acima mostra a notação utilizada para indicar o número de elétrons
em um nível e em um subnível.
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Exemplos:
1s² - 2 é no subnível s do nível 1 (K)
2p3 - 3 é no subnível p do nível 2 (L)
5d6 – 6 é no subnível d do nível 5 (O)
Os orbitais são identificados pelo número quântico magnético (m). Indica a
orientação desse orbital no espaço. Para cada valor de “l” (subnível), m assume
valores inteiros que variam de – l, O, +l.
Assim:
s–1
p–3
d–5
f–7
Cada orbital é representado simbolicamente por um quadradinho. Então eles
podem ser assim:
-3 -2 -1 0 +1 +2 +3
Em cada orbital pode conter no máximo dois elétrons.
- Mas se os elétrons são cargas negativas, porque eles não se repelem e se
afastam?
Resposta: Se os elétrons giram no mesmo sentido ou em sentido contrário, eles
criam campo magnético que os repelem ou os atraem. Essa rotação é chamada de
SPIN, palavra em inglês derivada do verbo to spin, que significa girar.
A partir do século passado, vários cientistas realizaram diversos experimentos que
demonstraram que o átomo é por partículas ainda menores, subatômicas.
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10 – O MODELO ATÔMICO ATUAL
O átomo proposto por Rutherford é o que mais se aproxima do modelo atômico
utilizado atualmente. Somado às outras descobertas que se seguiram, por Erwin
Schrödinger, Louis Victor de Broglie, Werner Heisenberg e o colaborador Darc,
reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos, acabaram
por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova
visão, chamada de Mecânica ondulatória.
O modelo de nuvem, Modelo Atual de Átomo representa uma espécie de
história sobre onde o elétron, provavelmente, tenha estado e aonde provavelmente
irá. Pode visualizar um ponto no meio de uma esfera, em grande parte vazia, para
representar o núcleo enquanto pontos menores em torno do núcleo representam
instâncias do elétron ter estado ali. A coleção de vestígios rapidamente começa a
assemelhar-se a uma nuvem.
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Resumem:
O núcleo atômico é situado no centro do átomo e constituído por prótons que
são partículas de Carga elétrica positiva, cuja massa é aproximadamente 1.837
vezes superior a massa do elétron, e por nêutrons, partículas sem carga e com
massa ligeiramente superior a dos prótons;
O átomo é eletricamente neutro, por possuir números iguais de elétrons e
prótons;
O número de prótons no átomo se chama número atômico, este valor é
utilizado para estabelecer o lugar de um determinado elemento na tabela
periódica;
A tabela periódica é uma ordenação sistemática dos elementos químicos
conhecidos;
Cada elemento se caracteriza por possuir um número de elétrons que se
distribuem nos diferentes níveis de energia do átomo correspondente;
Os níveis energéticos ou camadas são denominados pelos símbolos K, L, M, N,
O, P e Q;
Cada camada possui uma quantidade máxima de elétrons. A camada mais
próxima do núcleo K comporta somente dois elétrons; a camada L,
imediatamente posterior, oito, M, dezoito, N, trinta e dois, O, trinta e dois, P,
dezoito e Q possui oito;
Os elétrons da última camada (mais afastados do núcleo) são responsáveis pelo
comportamento químico do elemento, por isso são denominados elétrons
de valência;
O número de massa é equivalente à soma do número de prótons e nêutrons
presentes no núcleo;
O átomo pode perder elétrons, carregando-se positivamente, é chamado
de íon positivo (cátion);
Ao receber elétrons, o átomo se torna negativo, sendo chamado íon negativo
(ânion);
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O deslocamento dos elétrons provoca uma corrente elétrica, que dá origem a
todos os fenômenos relacionados à Eletricidade e ao magnetismo;
No núcleo do átomo existem duas forças de interação a chamada interação
nuclear forte, responsável pela coesão do núcleo, e a interação nuclear fraca,
ou força forte e força fraca respectivamente;
As forças de interação nuclear são responsáveis pelo comportamento do átomo
quase em sua totalidade;
As propriedades físico-químicas de um determinado elemento são
predominantemente dadas pela sua configuração eletrônica, principalmente pela
estrutura da última camada, ou camada de valência;
As propriedades que são atribuídas aos elementos na tabela, se repetem
ciclicamente, por isso se denominou como tabela periódica dos elementos;
Os isótopos são átomos de um mesmo elemento com mesmo número de
prótons (podem ter quantidade diferente de nêutrons);
Os isótonos são átomos que possuem o mesmo número de nêutrons;
Os isóbaros são átomos que possuem o mesmo número de massa;
Através da radioatividade alguns átomos atuam como emissores de radiação
nuclear, esta constitui a base do uso da energia atômica.
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11 - CHADWICK E O NÊUTRON
Em 1932, Chadwick descobriu o nêutron, que seria a segunda partícula
constituinte do núcleo, só que não dotado de carga elétrica, como seu vizinho
positivo.
Chegamos então à concepção atual do átomo, onde um núcleo pequeno e maciço,
composto de prótons de carga elétrica positiva e nêutrons sem carga elétrica, são
envoltos por uma eletrosfera formada por elétrons de pouquíssima massa e carga
elétrica negativa.
Num resumo aproximado, poderíamos dizer que as partículas atômicas têm a
seguinte identidade:
Massa Carga Elétrica
Próton Massa 1 Carga elétrica + 1
Nêutron Massa 1 Carga elétrica 0
Elétron Massa desprezível Carga elétrica -1
24
A fonte radioativa de polônio emite partículas alfa que incidem sobre um disco de
berílio. O berílio bombardeado pelas alfas produz uma radiação neutra
desconhecida. Para descobrir a natureza dessa radiação, Chadwick captou-a em
uma câmara de ionização. Como o nome indica, a passagem da radiação pela
câmara ioniza átomos de um gás que serão, então, capturados por uma placa
metálica eletricamente carregada. Desse modo, pulso-corrente saem da placa e
produzem deflexões no ponteiro de um oscilógrafo. Chadwick observou que,
colocando a fonte de radiação bem junto do detector, já surgiam 4 deflexões por
minuto no oscilógrafo.
Essa contagem se mantinha mesmo quando uma chapa de chumbo com 2
centímetros de espessura era colocada entre o berílio e o detector, demonstrando
que a radiação desconhecida era bastante penetrante.
A seguir, observou que, colocando uma placa de parafina entre o berílio e o
detector, as contagens no oscilógrafo aumentavam para cerca de 10 por minuto.
Isso indicava claramente que a radiação desconhecida induzia a produção de
outro tipo de radiação a partir da parafina. Alguns testes simples logo mostraram que
essa nova radiação era formada de prótons. Chadwick conseguiu medir a energia
desses prótons e logo ficou claro que eles não poderiam ser produzidos por raios
gama. Uma comparação elementar utilizando a conservação da energia em um
25
choque frontal entre partículas mostrou que uma radiação gama não seria capaz de
arrancar prótons da parafina com a energia observada.
Foi então que Chadwick supôs que a radiação fosse composta de partículas
neutras com peso semelhante ao peso do próton. Levando em conta essa hipótese,
Chadwick usou a radiação neutra do berílio para bombardear vários gases
diferentes. Desse modo, medindo a energia dos átomos desses gases após serem
atingidos pela radiação, conseguiu calcular a massa das partículas neutras. Obteve
um valor um pouco maior que a massa do próton, como era de se esperar. Observe:
26
III – CAPÍTULO 2 – A RADIOATIVIDADE
Houve uma enorme busca pela radioatividade através de experiências e
pesquisas. Muitos Físicos, Químicos e Cientistas diversos contribuíram para este
feito. Àqueles que mais se destacaram serão citados, ganhadores de Prêmios Nobel
por trabalho, competência e reverência pela contribuição para humanidade.
A – A Grande Descoberta Mundial
Quase todos já ouviram falar sobre a descoberta da radioatividade, que é um
fenômeno pelo qual os núcleos atômicos sofrem transformações e emitem
radiações, podendo, nesse processo, formar novos elementos químicos. Costuma-
se dizer que esse fenômeno foi descoberto, acidentalmente, por Henri Becquerel,
em 1896. Tudo aconteceu porque Becquerel guardou, em uma gaveta, um composto
de urânio juntamente com uma chapa fotográfica, havendo depois revelado a chapa
e notado nela os sinais da radiação.
Mas, na mesma data, na França, o casal Marie e Pierre Curie participou,
acrescentou e concluiu diversas pesquisas envolvendo radioatividade.
A descoberta dos raios-x revolucionou a medicina de ontem até os dias atuais,
acompanhada pela tecnologia dos equipamentos e outros experimentos.
1 – ANTOINE HENRI BECQUEREL
Físico francês, Antoine-Henri Becquerel, nasceu em Paris, a 15 de dezembro de
1852, e faleceu em Croisic, em França, a 25 de agosto de 1908, prematuramente,
aos 56 anos.
Filho de uma família notável de acadêmicos e cientistas, de onde os mais célebres
são o seu avô, Antoine César Becquerel, sócio da Royal Society e inventor de um
método eletrolítico para extração de metais provenientes das minas, e o seu pai,
Alexandre Edmond Becquerel, professor de Física Aplicada que realizou pesquisas
na radiação solar e na fosforescência.
Becquerel fez os seus estudos no liceu Louis-le-Grand e teve como professor o
grande matemático Gastón Darboux.
Em 1872, entrou para a escola politécnica saindo em 1874 para se juntar ao corpo
27
do departamento governamental de Ponts e Chaussées, onde se tornou engenheiro
em 1877 e engenheiro chefe em 1894. Em 1888, adquiriu o grau de doutor em
Ciências.
Em 1878 foi nomeado para assistente no Museu de História Natural, ficando a seu
cargo a cadeira de Física Aplicada, deixada pelo seu pai. Catorze anos mais tarde,
em 1892, foi nomeado professor de Física Aplicada no Departamento de História
Natural no Museu de Paris e em 1895 tornou-se professor na Escola Politécnica.
Becquerel casou com Lucie Jamin, filha do seu professor de Física da escola
politécnica e teve um filho, nascido em 1898, que foi também físico (a quarta
geração de cientistas na família Becquerel).
Os primeiros trabalhos de Becquerel estavam associados com o plano de
polarização da luz, com o fenômeno da fosforescência e com a absorção da luz por
cristais, este último o tema da sua tese de doutoramento. Trabalhou também sobre o
tema do magnetismo terrestre.
Em 1896, os seus primeiros trabalhos foram ofuscados pela sua descoberta do
fenômeno da radioatividade natural. Becquerel investigou se haveria alguma ligação
entre os raios X e a ocorrência natural da fosforescência.
Sucedeu a seu pai no estudo das experiências relativas aos sais de urânio
expostos à luz.
Mais tarde, Becquerel mostrou que os raios emitidos pelo urânio libertavam gases
para ionização e que estes diferiam dos raios X na deflexão por campos elétricos e
28
magnéticos.
Pela descoberta da radioatividade espontânea, Becquerel partilhou o Prêmio
Nobel da Física em 1903, com os físicos Pierre e Marie Curie pelo estudo da
radiação de Becquerel.
Becquerel publicou os seus trabalhos em diversos artigos, principalmente nos
Anais de Física e de Química e para a Academia das Ciências de França. Foi eleito
membro deste último organismo em 1889 e sucedeu a Berthelot como secretário.
Foi também membro da Academia dei Lincei e da Royal Academy of Berlim.
Em 1896, Becquerel, acidentalmente descobre a radioatividade, conforme seu
próprio relato:
"Tendo envolvido uma folha de papel sensível ordinário (papel fotográfico)
com diversas camadas de papel agulha negro ou vermelho, coloquei acima
dela duas moedas e recobri uma das metades (da folha) com uma placa de
vidro com pó fosforescente (sulfeto de cálcio). Depois de quatro ou cinco
horas de exposição ao Sol, a metade do papel sensível que havia recebido
diretamente as radiações solares havia permanecido intacta e não apresentava
nenhum sinal da moeda colocada acima dela, indicando assim que o papel
negro ou vermelho não havia sido atravessado pela luz. A metade que só
recebia os raios solares através da placa fosforescente estava completamente
enegrecida, exceto pela porção correspondente a uma das moedas, da qual foi
produzida uma silhueta branca sobre (um fundo) negro. Colocando apenas
uma camada de papel vermelho fino, permitindo a passagem dos raios solares,
constatei que a porção do papel sensível que só recebia as radiações solares
após sua passagem pela camada fosforescente enegrecia muito mais
rapidamente do que a outra".
As observações de Niewenglowski e as de Charles Henry confirmaram: os
materiais fosforescentes pareciam emitir raios X, quando iluminados. Ainda mais:
Niewenglowski estuda o efeito da fosforescência do sulfeto de cálcio colocado em
um local escuro, depois de ter recebido a luz do Sol, concluindo que também nesse
caso o material continuava a emitir radiações capazes de atravessar o papel negro:
"Pude também observar que a luz emitida pelo pó fosforescente, previamente
iluminado pelo Sol, na obscuridade, era capaz de atravessar várias camadas
29
de papel vermelho e obscurecer um papel sensível que dele estava separado
por essas camadas de papel".
Observe a descoberta dos Raios-x: não foi uma experiência, e sim, o acaso.
Becquerel envolveu duas moedas uma em folha de papel fotográfico com restos de
sulfeto de cálcio. Este pequeno embrulho foi exposto durante quatro ou cinco horas
ao sol. O papel de cima do pacote estava intacto, mas o de baixo estava
completamente enegrecido exceto no local das moedas, onde foram reproduzidas as
silhuetas das moedas – a radiografia das moedas de Becquerel!
Observe a foto da imagem original de Becquerel:
Em 1903, Becquerel divide o Prêmio Nobel de Física com o casal Marie e Pierre
Curie.
Prossegue com suas pesquisas e experiências, justificadas por muitos outros
cientistas.
É notável a sua contribuição na Ciência, Química e Física, pois forneceu outras
tantas informações, base de pesquisas e descobertas. Observe as imagens:
30
31
32
Era neto de Antoine César Becquerel, um dos fundadores da Eletroquí[Link]
de Alexandre Becquerel, que estudou a Luz e a Fostoroscopia e inventou a
Fosforoscopia. Seu nome se tornou a Unidade de Medida de Radiatividade, cujo
símbolo é Bq.
2 – PIERRE E MARIE CURIE
Casal de cientistas, ela Química e ele Físico, ela polonesa e ele francês, que
deixaram esse legado valiosíssimo para a humanidade, principalmente para a
Medicina.
O casal Curie formou uma notável parceria e fez grandes descobertas, como o
polônio, elemento químico assim denominado em homenagem à terra natal de
Marie, e o rádio, ambos de importância fundamental no grande avanço que seus
estudos imprimiram ao conhecimento da estrutura da matéria. O rádio foi assim
chamado depois que o casal Curie constatou nesse elemento o fenômeno físico
descrito por Henri Becquerel em 1896 e que ele chamou radioatividade.
Os trabalhos de pesquisa de Pierre e Marie Curie tornaram possível o
aproveitamento das propriedades radioativas dos elementos químicos e a criação de
tecnologias relacionadas ao uso dos raios X e da energia nuclear.
Pierre Curie nasceu em 15 de maio de 1859 em Paris, França. O pai, um médico
apaixonado pela matemática, desempenhou papel fundamental em sua formação
científica, incentivando-o nos estudos de geometria espacial, disciplina para a qual
33
demonstrava grande aptidão. Aos 18 anos Pierre formou-se em ciências e ocupou o
cargo de pesquisador de laboratório na Sorbonne. Ali conheceu Marie, com quem se
casou em 1895, mesmo ano em que obteve o grau de doutor defendendo uma tese
sobre eletromagnetismo.
Maria Sklodowska nasceu em 7 de novembro de 1867 em Varsóvia, Polônia.
Filha de um professor de matemática custeou os estudos de medicina da irmã
Bronia antes de transferir-se para Paris, em 1891. Dois anos mais tarde formou-se
em física e, em 1894, em matemática. Durante esse período, trabalhou no
laboratório de pesquisas de Gabriel Lippmann.
Nas pesquisas dos Curie, Pierre dedicava-se ao estudo da radioatividade e Marie
se ocupava dos tratamentos químicos, particularmente no da pechblenda ou
uraninita, mineral no qual havia sido detectada uma radioatividade superior à do
urânio puro.
Suas grandes descobertas proporcionaram a Pierre e Marie o Prêmio Nobel de
Física em 1903, juntamente com Becquerel. Os trabalhos sobre elementos
radioativos continuaram sendo desenvolvidos em conjunto, até o falecimento de
Pierre Curie num acidente de trânsito, em 19 de abril de 1906. Marie Curie substituiu
então o marido na cátedra de física da Sorbonne e foi a primeira mulher a ocupar tal
cargo na França.
Em 1898, Pierre e Marie Curie, identificaram o Polônio (Po) e o Radio (Ra) e
denominaram de Radioatividade a propriedade de emissão de radiação por
diversas substâncias.
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Em 1911 Marie ganhou um segundo Prêmio Nobel, desta vez de química, por
conseguir isolar o rádio metálico puro. Em honra ao casal Curie, o elemento químico
de número atômico 96 foi batizado com o nome de cúrio e a Unidade de Medida da
Radioatividade chamou-se Curie (Ci).
Durante a primeira guerra mundial, com a ajuda da filha Irène, Marie devotou-se
ao desenvolvimento das técnicas da radiografia.
Foi também ela quem primeiro percebeu a necessidade de acumular fontes de
radioatividade intensa para o tratamento de doenças e para realizar pesquisas de
física nuclear. A formação de reservas por ela incentivada foi decisiva até o
aparecimento dos aceleradores de partículas, depois de 1930.
A partir de 1918, Irène, que mais tarde se casaria com o físico Frédéric Joliot,
começou a colaborar na cátedra da mãe e, posteriormente, junto com o marido,
descobriu a radioatividade artificial. Isso valeu ao casal Joliot-Curie o Prêmio Nobel
de química em 1935. Marie Curie morreu em 4 de julho de 1934, perto de
Sallanches, França, de leucemia provocada por anos de exposição à
radioatividade sem nenhuma proteção.
Observe as imagens:
35
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37
3 – ERNEST RUTHERFORD
Ernest Rutherford, 1º Barão de Rutherford, nasceu em Nova Zelândia em 30 de
agosto de 1871 e faleceu na cidade de Cambridge em 19 de outubro de 1937.
Foi um físico e químico neozelandês que se tornou conhecido como o Pai
da Física Nuclear.
Num trabalho no início da carreira, descobriu o conceito de meia-vida radioativa,
provou que a radioatividade causa a transmutação de um elemento químico em
outro, e também distinguiu e nomeou as radiações alfa e beta. Foi premiado com o
Nobel de Química em 1903 por suas investigações sobre a desintegração dos
elementos e a química das substâncias radioativas.
Rutherford realizou sua obra mais famosa após ter recebido o Prêmio Nobel.
Em 1911, ele defendeu que os átomos têm sua carga positiva concentrada em um
pequeno núcleo e, desse modo, criou o modelo atômico de Rutherford, ou
modelo planetário do átomo.
Através de sua descoberta e interpretação da dispersão de Rutherford em
seu experimento da folha de ouro. A ele é amplamente creditada a primeira divisão
do átomo, em 1917, liderando a primeira experiência de "dividir o núcleo" de uma
forma controlada por dois alunos sob sua direção, John Cockcroft e Ernest
Walton em 1932.
Em 1911, o neozelandês Ernest Rutherford realizou uma importante
experiência:
Ele pegou um pedaço do metal polônio (Po) que emite partículas alfa (α) e
colocou em uma caixa de chumbo com um pequeno orifício. As partículas alfa
atravessavam outras placas de chumbo através de orifícios no seu centro.
Depois atravessavam um lâmina muito fina (10-4mm) de ouro (Au).
Rutherford adaptou um anteparo móvel com sulfeto de zinco (fluorescente)
para registrar o caminho percorrido pelas partículas.
O físico observou que a maioria das partículas alfa atravessava a lâmina de
ouro e apenas algumas desviavam até mesmo retrocediam.
A partir destes resultados, concluiu que o átomo não era uma esfera positiva
com elétrons mergulhados nesta esfera.
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- Concluiu que:
- o átomo é um enorme vazio;
- o átomo tem um núcleo muito pequeno;
- o átomo tem núcleo positivo (+), já que partículas alfa desviavam algumas vezes;
- os elétrons estão ao redor do núcleo (na eletrosfera) para equilibrar as cargas
positivas.
O modelo atômico de Rutherford sugeriu então, um átomo com órbitas circulares
dos elétrons em volta do núcleo. Comparou o átomo com o Sistema Solar, onde os
elétrons seriam os planetas e o núcleo seria o Sol.
Hoje, sabe-se que o átomo é 10.000 a 100.000 vezes maior que seu núcleo. Numa
escala macroscópica, pode-se comparar um átomo com um estádio de futebol. Se o
átomo fosse o estádio do Maracanã, o seu núcleo seria uma formiga no centro do
campo. Então o átomo é enorme em relação ao seu núcleo.
Porém, o átomo de Rutherford tem algumas falhas. Se o núcleo atômico é formado
por partículas positivas, por que essas partículas não se repelem e o núcleo não
desmorona? Se as partículas são de cargas opostas, por que elas não se atraem?
Os elétrons iriam perder energia gradualmente percorrendo uma espiral em direção
ao núcleo, e à medida que isso acontecesse, emitiriam energia na forma de luz.
Estas questões foram respondidas em 1932 por James Chadwick. Ele observou
que o núcleo do berílio (Be) radioativo emitia partículas sem carga elétrica e com
39
massa igual à dos prótons (+). Chamou esta partícula de nêutrons. Surgia então, a
terceira partícula subatômica.
Então se estabeleceu esta relação:
PARTÍCULA MASSA CARGA ELÉTRICA
p 1 +1
n 1 0
é 1/1836 -1
Na tabela acima, pode-se verificar que o elétron é 1.836 vezes menor que a massa
de um próton.
Pelas suas investigações sobre a desintegração dos elementos e a química das
substâncias radioativas, obteve em 1903 o Prêmio Nobel da Química. Foi também
Presidente da Royal Society (1925-1930), e homenageado em 1931 com o título
de Primeiro Barão de Rutherford de Nelson e Cambridge.
A Academia de Rutherford:
40
A experiência que gerou grandes descobertas:
O Prêmio Nobel:
41
Uma das homenagens a Rutherford:
Rutherford (1903): - “O processo radioativo resulta de uma alteração do caráter
subatômico do átomo, tendo lugar em seu núcleo. O processo radioativo se dá pela
passagem de um núcleo em um estado de energia mais alto para outro estado de
mais baixa energia, com a conseqüente emissão de radiação”.
4 – WILHELM CONRAD ROENTGEN
No fim da tarde de 8 de novembro de 1895, quando todos haviam encerrado a
jornada de trabalho, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923)
continuava no seu pequeno laboratório, sob os olhares atentos do seu servente.
Enquanto Roentgen, naquela sala escura, se ocupava com a observação da
condução de eletricidade através de um tubo de Crookes, o servente, em alto
estado de excitação, chamou-lhe a atenção: "Professor, olhe a tela!".
Primeira imagem radiográfica - a mão da esposa de Roentgen:
42
Nas proximidades do tubo de vácuo havia uma tela coberta com platinocianeto de
bário, sobre a qual se projetava uma inesperada luminosidade, resultante da
fluorescência do material. Roentgen girou a tela, de modo que a face sem o material
fluorescente ficasse de frente para o tubo de Crookes; ainda assim ele observou a
fluorescência. Foi então que resolveu colocar sua mão na frente do tubo, vendo seus
ossos projetados na tela. Roentgen observava, pela primeira vez, aquilo que passou
a ser denominados raios X (X por serem desconhecidos).
O parágrafo acima pode ser uma dramatização do que de fato ocorreu naquele
dia, mas o fato que a história registra é que esta fantástica descoberta teve
estrondosa repercussão, não apenas na comunidade científica, como também nos
meios de comunicação de massa. Por exemplo, em 1896, menos de um ano após a
descoberta, aproximadamente 49 livros e panfletos e 1.000 artigos já haviam sido
publicados sobre o assunto. Um levantamento feito por Jauncey no jornal norte-
americano St. Louis Post-Dispatch, mostra que, entre 7 de janeiro e 16 de março
de 1896, quatorze notas foram publicadas sobre a descoberta e outros estudos
relacionados.
Todavia, as mais conhecidas referências a essa descoberta tendem a minimizar o
mérito do seu autor, enfatizando o aspecto fortuito da observação. Essa visão
distorcida que se tem do trabalho de Roentgen só é eliminada quando se toma
conhecimento dos seus relatos. Com 50 anos de idade na época da descoberta dos
raios X, e menos de 50 trabalhos publicados, Roentgen tinha como temas prediletos
as propriedades físicas dos cristais e a física aplicada (em 1878 apresentou um
alarme para telefone, e em 1879, um barômetro aneróide). Sobre os raios X publicou
43
apenas três trabalhos, e ao final da sua vida não chegou a ultrapassar a marca dos
60. Para um detentor do Prêmio Nobel de Física, esta é uma quantidade
relativamente inexpressiva. Essa "pequena" produção talvez seja conseqüência do
seu rigoroso critério de avaliação dos resultados obtidos. Pelo que se sabe, ele era
tão cuidadoso, que jamais teve de revisar os resultados publicados. Lendo seus dois
primeiros artigos sobre os raios X, percebe-se a acuidade do seu trabalho.
Além da inegável importância na medicina, na tecnologia e na pesquisa
científica atual, a descoberta dos raios X tem uma história repleta de fatos curiosos
e interessantes, e que demonstram a enorme perspicácia de Roentgen. Por
exemplo, Crookes chegou a queixar-se da fábrica de insumos fotográficos, Ilford,
por lhe enviar papéis "velados". Esses papéis, protegidos contra a luz, eram
geralmente colocados próximos aos seus tubos de raios catódicos, e os raios X ali
produzidos (ainda não descobertos) os velavam. Outros físicos observaram esse
"fenômeno" dos papéis velados, mas jamais o relacionaram com o fato de
estarem próximos aos tubos de raios catódicos! Mais curioso e intrigante é o fato
de que Lenard "tropeçou" nos raios X antes de Roentgen, mas não percebeu.
Assim, parece que não foi apenas o acaso que favoreceu Roentgen; a descoberta
dos raios X estava "caindo de madura", mas precisava de alguém suficientemente
sutil para identificar seu aspecto iconoclástico. Para entender o porquê, é necessário
acompanhar a história dos raios catódicos.
Na última década do século passado, as pesquisas sobre os raios catódicos
constituíam o tema mais efervescente em toda a Europa, de modo que parece
natural o desejo de Roentgen, então diretor do Instituto de Física da Universidade de
Würzburg, de repetir algumas das experiências divulgadas. De acordo com Fuchs e
Romer, os experimentos de Roentgen tiveram início em 1894, mas quase toda a
literatura histórica dá conta de que esses trabalhos iniciaram em 1895. Mais
adiante discutiremos esse pequeno mistério. Apresentaremos aqui o que se sabe
dos fatos ocorridos a partir daquela sexta-feira, 8 de novembro de 1895.
Numa carta enviada em fevereiro de 1896 ao seu grande amigo Ludwig Zehnder,
Roentgen diz que, durante os experimentos, não falou a ninguém sobre o seu
trabalho, exceto à sua esposa. Assim, o parágrafo que inicia o presente artigo,
extraído de um relato de Manes, pode ser falso; ele foi usado aqui como força de
expressão dramática. O que se sabe é que em 28 de dezembro de 1895 Roentgen
encaminhou ao presidente da Sociedade de Física e Medicina de Würzburg (SFMW)
44
um manuscrito, intitulado "Sobre um novo tipo de raios" ("On a new kind of rays",
ou, em alemão, "Ueber eine neue art von strahlen"), que ele considera como uma
"comunicação preliminar". Pela profundidade e concisão com que os resultados são
apresentados, não surpreende que este tenha sido o mais importante dos três
trabalhos publicados por Roentgen.
Em 9 de março de 1896 ele envia, à mesma sociedade, sua segunda
comunicação, com o mesmo título da primeira. Em seu artigo, Watson transcreve
essas duas comunicações; as versões originais, em alemão, e as traduções, em
inglês. Segundo Jauncey, o terceiro artigo é datado de 10 de março de 1897. Na
edição de 23 de janeiro de 1896, Nature publica uma versão inglesa da primeira
comunicação, sendo imediatamente reproduzida em Science, Scientific American
Supplement, Journal of the Franklin Institute e na revista popular Review of
Reviews (semelhante a Reader’s Digest). A revista alemã Annalen der Physik, em
sua edição de 1o de janeiro de 1898, reproduz os três artigos. Cópias do primeiro
trabalho, com a radiografia de uma mão, foram enviadas, entre o final de dezembro
e o início de janeiro, aos principais cientistas da Europa, que assim tomaram
conhecimento da grande descoberta, uma vez que os anais da SFMW tinham
circulação bastante limitada, praticamente local.
Roentgen recebeu inúmeros convites para conferências, mas parece que declinou
de todas, exceto uma, apresentada na SFMW, em 23 de janeiro de 1896, na qual
obteve enorme sucesso, apesar da sua reconhecida timidez. Nessa conferência, ele
tirou várias radiografias, inclusive uma que ficou famosa, da mão do grande
anatomista, professor da Universidade de Würzburg, A. Von Kölliker. A cada
radiografia que ele conseguia, a audiência reagia com entusiasmo e estrondoso
aplauso.
As duas primeiras comunicações de Roentgen, que ele considerava como uma
única, são belos exemplos de objetividade e concisão, sem deixar de lado a
profundidade que o tema requer. Impressiona a quantidade de dados obtidos em tão
pouco tempo, mas frustra a expectativa do leitor interessado na heurística da
investigação e na montagem do equipamento; não há qualquer informação
detalhada nesse sentido. Ele informa que usou uma grande bobina de Ruhmkorff,
mas não especifica que tipo de tubo de vácuo usou; mais adiante discutiremos essa
questão. Observe as imagens:
45
Os resultados são apresentados em 21 tópicos, muitos dos quais contendo um
único parágrafo, ao longo dos quais Roentgen discute praticamente todas as
propriedades fundamentais dos raios X. Na ordem em que aparecem nas
comunicações, são as seguintes essas propriedades. Em primeiro lugar, os raios
podem ser detectados através de cintilações numa tela fosforescente, ou de
impressões numa chapa fotográfica. Diferentemente dos raios catódicos, os raios X
podem ser observados mesmo quando a tela é colocada a uma distância de
aproximadamente dois metros do tubo de vácuo (os raios catódicos não ultrapassam
mais do que oito centímetros no ar). Roentgen testa a transparência de uma
quantidade enorme de matérias, verificando que duas propriedades são importantes:
a densidade do material e a espessura; quanto mais denso e mais espesso, menos
transparente. Depois de testar a transparência, Roentgen investiga efeitos de
refração e de reflexão. Não observa nem um nem outro, embora tenha ficado em
46
dúvida quanto à reflexão. Tenta defletir os raios X com o auxílio de um campo
magnético, mas não consegue, e aqui estabelece uma das fundamentais
diferenças, do ponto de vista experimental, entre os raios X e os raios catódicos,
pois estes são facilmente defletidos por um campo magnético.
No tópico 12 ele discute uma das questões mais fundamentais para a
identificação dos raios X. Ele conclui que esses raios são produzidos pelos raios
catódicos na parede de vidro do tubo de descarga! Na seqüência ele informa que
observou raios X produzidos pelo choque de raios catódicos numa chapa de
alumínio, e promete testar outros materiais. Um ano depois, em 17 de dezembro de
1896, o físico inglês Sir George Stokes demonstrou que os raios X são produzidos
pela desaceleração de partículas carregadas, um fenômeno que ocorre quando,
por exemplo, elétrons com alta energia penetram num material pesado! Ou, na
linguagem da época, quando os raios catódicos penetram num material pesado!
No tópico 17, que encerra a primeira comunicação, ele discute a natureza dos
raios X. Obviamente descarta a identidade com os raios catódicos. Sugere que
poderia ser algo como a luz ultravioleta, devido aos efeitos fluorescentes e à
impressão de chapas fotográficas, mas no cotejamento de outras propriedades
chega à conclusão de que os raios X não podem ser da mesma natureza da luz
ultravioleta usual. Finaliza o artigo sugerindo que os raios X poderiam ser vibrações
longitudinais no éter. Como se sabe, essa hipótese era usada pelos alemães
(Goldstein, Hertz, Lenard, e outros) para explicar os raios catódicos.
No início da segunda comunicação, tópico 18, Roentgen examina a questão do
efeito dos raios X sobre os corpos eletrizados, fazendo referência aos resultados
publicados por Lenard. De imediato sugere que os efeitos atribuídos por Lenard aos
raios catódicos, eram, de fato, devidos aos raios X produzidos na janela de alumínio
do seu tubo de vácuo. (Lenard estava com os raios X ali, na sua frente, e não
sabia!).
Nos tópicos finais, 19, 20 e 21, discute questões de ordem prática: operação da
bobina de indução, manutenção do vácuo e diferença entre alumínio e platina,
no que concerne à intensidade do feixe produzido.
Veja as fotos da relíquia, 1ª radiografia, e do seu laboratório:
47
Puro acidente ou não, o fato é que a repercussão da descoberta foi de tal ordem
que, com muita justiça, o primeiro Prêmio Nobel de Física (1901) foi concedido a
[Link] as fotos abaixo:
48
Röntgen ou Roentgen (símbolo R) é uma unidade de medida de radiação
ionizante (como os raios X e raios gama), assim nomeada por Wilhelm Conrad
Röntgen e adotada em 1928 - 1R é a quantidade de radiação necessária para
libertar cargas positivas e negativas de 1 unidade eletrostática de carga (esu) de
1cm³ de ar seco à temperatura e pressão normais (STP). Tal corresponde à geração
de aproximadamente 2.08×109 pares de iões.
Até 2006, o Röntgen era aceite para uso com o Sistema Internacional (SI) e
neste caso o seu valor era expresso em termos de unidades SI de carga dividida
pela massa em (C/kg – Unidade Coulomb, atual) e não através da definição
original. Embora o uso seja aceite no SI, não é em si mesma uma unidade SI e o
seu uso foi "fortemente desencorajado" pelo National Institute of Standards and
Technology.
5 – OUTROS GRANDES CONTRIBUIDORES
Quando, em 1905, Einstein propôs a idéia do fóton de energia, um conceito que
admitia um caráter corpuscular para a luz, foi possível calcular o comprimento de
onda associado aos raios X, mas evidências experimentais do caráter corpuscular
só surgiram com os trabalhos de Bragg, depois de 1908. Por volta de 1912 mais
confusões vieram à tona. Naquele ano, Laue e seus estudantes W. Friedrich e P.
Knipping descobriram a difração dos raios X em cristais de sulfeto de zinco
(ZnS), uma experiência definitiva para o estabelecimento do caráter ondulatório dos
raios X. A confusão causada por essa dualidade só foi resolvida com os trabalhos
de Broglie, a partir de 1923. Portanto, a visão que se tem hoje dos raios X, é que
eles pertencem ao espectro eletromagnético, e como tal apresentam a dualidade
partícula-onda: dependendo das circunstâncias, evidenciam propriedades
corpusculares ou ondulatórias. Ao espectro eletromagnético pertencem a luz visível,
as ondas de rádio, o ultravioleta, o infravermelho e as radiações gama.
Fundamentalmente, o que diferencia uma radiação de outra é o comprimento de
onda. Para se ter uma idéia, o comprimento de onda da luz visível é mil vezes maior
do que o dos raios X.
Observe:
49
Além desse enorme interesse despertado na comunidade científica, é interessante
avaliar o interesse despertado na comunidade leiga, que muito contribuiu para a
criação de um folclore em torno do fenômeno. A título de ilustração, vejamos
algumas das mais pitorescas notícias publicadas pelo jornal norte-americano St.
Louis Post-Dispatch. No dia 11 de fevereiro de 1896, saiu uma nota dando conta de
uma invenção de um professor de Perugia (Itália), que permitia ao olho humano
ver os raios X. No dia 13 de fevereiro, o jornal informava que Roentgen havia
iluminado seu cérebro e visto sua pulsação. No dia seguinte, uma matéria relatava a
opinião defendida por alguns cientistas, segunda a qual a descoberta de Roentgen
poderia estabelecer novas teorias sobre a criação do mundo.
Outras notícias extravagantes são relatadas no artigo de Jaucey. Em um jornal
não identificado, uma matéria alertava para a vulnerabilidade a que todos estavam
50
sujeitos depois da descoberta dos raios X. Qualquer um armado com um tubo de
vácuo, dizia o jornal, podia ter uma visão completa do interior de uma residência.
Outras notícias sugeriam aplicações fantásticas para os raios X, como a de
ressucitar pessoas eletrocutadas. Um famoso engenheiro eletricista, defendendo a
hipótese de que os raios X ou os raios catódicos eram ondas de som, afirmava ter
ouvido a emissão desses raios. Outro engenheiro eletricista fez tentativas para
fotografar o cérebro humano, mas não obteve sucesso.
O caráter sensacionalista que o assunto estava despertando, motivou o New York
Times a alertar, em 15 de março de 1896: "Sempre que algo extraordinário é
descoberto, uma multidão de escritores apodera-se do tema e, não
conhecendo os princípios científicos envolvidos, mas levados pelas
tendências sensacionalistas, fazem conjecturas que não apenas ultrapassam o
entendimento que se tem do fenômeno, como também em muitos casos
transcendem os limites das possibilidades. Este tem sido o destino dos raios X
de Roentgen".
Essa enorme curiosidade levou muita gente a correr sérios riscos de saúde ao
realizar suas tentativas de novas aplicações dos raios X. No dia 29 de março de
1896, o jornal St. Louis Globe-Democrat fazia o primeiro alerta público sobre o
perigo dos raios X para os olhos. A propósito, há uma história, aparentemente
folclórica, segunda a qual uma sapataria de Nova York tinha como grande apelo
mercadológico o fato de que os sapatos sob encomenda eram testados com o
auxílio dos raios X!
No que se refere à utilização do vácuo, a primeira experiência que se tem notícia
foi realizada pelo italiano Gasparo Berti, por volta de 1640. A partir desses
experimentos, passando pelo barômetro de Torriceli (1644) e pela primeira bomba
de vácuo construída por Guericke (1650), chegamos às diversas bombas
disponíveis no final do século passado, entre as quais se destacam: a bomba de
pistão-duplo de Hauksbee (1709), as bombas de mercúrio de Geissler (1855),
de Toepler (1862) e de Sprengel (1873), e a bomba de óleo de Fluess (1892).
Na carta enviada a Zehnder, Roentgen informa que usou uma bomba Raps, cuja
descrição não se encontra na literatura pertinente.
A elaboração de tubos de vácuo para observação de descarga elétrica teve início
com os trabalhos de William Morgan, por volta de 1785, e consistência
51
experimental com os resultados obtidos por Faraday, por volta de 1833. Todavia, foi
somente depois dos desenvolvimentos das bombas de vácuo, ocorridos depois de
1850, que as pesquisas sobre descargas elétricas em gases rarefeitos tiveram
considerável impulso. Em conseqüência, os tubos de vácuo mais conhecidos levam
os nomes dos pesquisadores dessa época. Destacam-se os tubos de: Geissler,
Pluecker, Hittorf, Crookes e Lenard. Bobina de Crookes e seu laboratório:
A título de recuperação histórica, apresentaremos breves descrições dos possíveis
equipamentos utilizados por Roentgen.
A bobina de Ruhmkorff, funcionando segundo o princípio do transformador de
corrente, é capaz de produzir altas voltagens. Ela contém duas bobinas enroladas
em um núcleo de ferro, e isoladas entre si. A bobina interna (primária) é feita com
um fio relativamente curto (de 30 a 50 metros), enquanto a externa (secundária) é
feita com um fio muito longo (centenas de quilômetros). Para o funcionamento do
equipamento, usa-se uma bateria de corrente contínua (p. ex. bateria de Volta) para
fornecer uma determinada voltagem à bobina primária. Quando a corrente é
subitamente interrompida, uma voltagem maior é induzida na bobina secundária. O
fator de transformação da voltagem é proporcional à razão dos comprimentos dos
fios. Veja as fotos da bobina:
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As bobinas utilizadas no final do século passado produziam tensões de milhares
de volts. A interrupção da corrente pode ser realizada, por exemplo, com o auxílio de
um interruptor usado nas transmissões telegráficas de código Morse. As potências
dessas bobinas, medidas pelo comprimento da centelha que elas produziam,
serviam para classificar os laboratórios da época. Para se ter uma idéia da ordem de
grandeza, a Royal Institution of London preserva uma grande bobina de
Ruhmkorff com 280 milhas de fio na bobina secundária, e capaz de produzir
centelhas com 42 polegadas de comprimento.
Parece certo que o primeiro tubo de vácuo utilizado por Roentgen foi um tubo de
Lenard, mas, aparentemente, ele comprou outros tubos de raios catódicos
convencionais. A diferença essencial entre um e outro tipo de tubo, é que o de
Lenard possui uma janela de alumínio, projetado para permitir o estudo dos raios
catódicos no seu exterior. Confeccionados em vidro, esses tubos possuíam apenas
dois eletrodos no seu interior. Com o uso cada vez mais freqüente dos raios X,
outros tubos passaram a ser construídos.
Até 1913, o mais usado era o tubo de focalização, mas logo depois passou a ter
larga aceitação o tubo de Coolidge, um modelo ainda usado nos dias atuais.
Do que se sabe, podemos imaginar o seguinte procedimento adotado por
Roentgen: os terminais da bobina de Ruhmkorff foram ligados aos eletrodos do
tubo de vácuo; com a manipulação de um interruptor do tipo telégrafo alta voltagem
era produzida entre os terminais; o choque do feixe de raios catódicos (elétrons)
com o anodo (eletrodo positivo) produzia os raios X. Na essência, o procedimento
utilizado atualmente é o mesmo. Costuma-se distinguir dois tipos de raios X
produzidos nesse processo (veja detalhes no texto sobre os conceitos elementares
de raios X). Um deles constitui o espectro contínuo, bremsstrahlung em alemão, e
resulta da desaceleração do elétron durante a penetração no anodo. O outro tipo é o
raios-X característico do material do anodo. Assim, cada espectro de raios X é a
superposição de um espectro contínuo e de uma série de linhas espectrais
características do anodo.
Por volta de 1913, Moseley mediu as freqüências das linhas espectrais dos raios-
X característicos de cerca de 40 elementos. A partir do gráfico da raiz quadrada da
freqüência versus o número atômico Z do elemento, ele obteve uma relação que
passou a ser conhecida como lei de Moseley (veja detalhes no texto sobre
os conceitos elementares de raios X). A repercussão imediata deste resultado foi a
53
alteração da tabela periódica. Esse trabalho de Moseley teve papel importantíssimo
na consolidação e aceitação internacional do modelo de Bohr. Na verdade, foi o
primeiro dos trabalhos experimentais a confirmar as predições de Bohr. Em carta
escrita a Bohr no dia 16 de novembro de 1913, Moseley observa que a sua fórmula
poderia ser escrita numa forma idêntica àquela obtida com o modelo de Bohr.
A lei de Moseley apresentava resultados bastante diferentes daqueles do
paradigma científico vigente. Através dela Moseley deduziu que entre o hidrogênio
e o urânio, deveria haver exatamente 92 tipos de átomos, cujas propriedades
químicas eram governadas por Z, e não pelo peso atômico. Isto significava dizer
que a tabela periódica devia seguir a ordem crescente do número atômico e não a
do peso atômico. Obedecida essa seqüência, alguns lugares daquela tabela ficaram
vagos, os correspondentes a Z = 43, 61, 75, 85 e 87. Por essa época, havia uma
grande polêmica entre os químicos a respeito do número exato de terras raras;
discutia-se se estas iam de Z=58 a Z=71 ou a Z=72.
Com relação aos elementos previstos por Moseley, é oportuno salientar que o
elemento 75, o rénio, foi descoberto em 1925, pelo casal Noddack. O elemento
87, descoberto em 1939, por Marguerite Perey, recebeu o nome de frâncio e
pertence a uma família radioativa natural. Os demais elementos (43, 61 e 85) foram
obtidos artificialmente. Sendo suas vidas-médias muito curtas, esses elementos não
podiam ser naturalmente produzidos, ou pelo menos observados.
B – Os Raios-x no Brasil
No Brasil, as experiências com os raios de Roentgen começaram a ser feitas no
Gabinete de Física da faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com recursos
precários. De acordo com a recém-lançada revista “A Radiologia no Rio”, o
presidente do Foto-Clube Brasileiro, Francisco Pereira das Neves, fez em fevereiro
de 1896 o esboço da mão de uma criança de 5 anos.
Novos recursos e equipamentos de pesquisa foram enviados da Cidade de
Munique, Alemanha, o que ajudou a superar as dificuldades iniciais. Os cientistas
fizeram experiências com fragmentos de vidro, cadáveres humanos, ratos e
pássaros.
No dia 22 de dezembro de 1896, foi feita a primeira radiografia com fins
médicos, tornando o novo método de diagnóstico oficial no Rio.
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O primeiro trabalho brasileiro sobre os Raios-x foi escrito pelo pesquisador
Adolpho Lindemberg, que elaborou a tese “Os Raios-x no ponto de vista Médico-
Cirúrgico. O estudo foi apresentado no dia 5 de novembro de 1897 na Faculdade
Nacional de Medicina. Já o primeiro Consultório de Radiologia do Rio de Janeiro
foi instalado em 10 de novembro de 1897 na Rua Gonçalves Dias, n° 79.
Fotos de Adolpho Lindemberg e do nosso 1º Equipamento de Raios-x (1897):
Aparelho Difratômetro: Equipamento dos anos 70:
55
IV – CAPÍTULO 3 – A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DOS EQUIPAMENTOS
3.a – A HISTÓRIA DOS EQUIPAMENTOS
Os primeiros equipamentos empregados para a realização de radiografia e
fluoroscopia eram semelhantes aos utilizados por Röentgen: produziam raios-x
através de um tubo de raios catódicos que não tinha sido projetado para este fim.
Por isso, não tinham estabilidade nem reprodutibilidade, muito menos qualquer tipo
de proteção ou direcionamento dos raios-x que eram produzidos (glasser,
rosenbusch; oudkerk; ammann). Assim, para a consolidação do radiodiagnóstico na
medicina, era necessário o desenvolvimento de equipamentos e técnicas que
possibilitassem a padronização e reprodução dos exames, conhecendo e
controlando parâmetros como tensão do tubo, corrente aplicada, tempo de
exposição e distância tubo-paciente.
As Unidades de Grandeza Radiológicas, já então criadas pelos seus
descobridores, muito auxiliaram nos cálculos dos parâmetros em busca de
qualidade, aperfeiçoamento e controle de radiodiagnóstico.
Vários equipamentos foram surgindo de maneira surpreendentemente rápida,
atendendo às necessidades de diagnosticar ou tratar qualquer doença, seja para
prevenção ou contenção de epidemias.
Em 1904, a Siemens-Reiniger produziu o primeiro aparelho de raios-X com um
gerador monofásico e retificação de onda completa (rosenbusch; oudkerk; ammann).
Esse tipo de gerador possibilitou a produção de maior quantidade de raios-x e a
conseqüente redução dos tempos de exames. Quanto menor o tempo do exame,
melhor a qualidade da radiografia, pois diminui a possibilidade de movimentos
voluntários ou involuntários, do paciente, que provocam manchas nas imagens.
Contudo, foram necessários mais sete anos para que o engenheiro PHD Coolidge
idealizasse o tubo de alto vácuo com focalização de feixe, semelhante aos tubos
modernos, possibilitando um grande avanço na qualidade e reprodutibilidade dos
feixes de raios-x (ammann; kutshera, rosenbusch; oudkerk; ammann).
Também voltados para a qualidade da imagem, em 1904, foram desenvolvidos os
primeiros phantoms, que são simuladores de partes do corpo humano utilizados
para testar a qualidade da imagem, evitando as exposições humanas.
56
Para melhor visualizar as imagens radiográficas, foram produzidos
comercialmente, em 1907, os primeiros negatoscópios - com persianas que
ajustavam a área luminosa do negatoscópio ao tamanho do filme radiográfico a ser
avaliado. Sem o sistema, caso o filme avaliado seja menor que o tamanho do
negatoscópio, a área não coberta pelo filme emite luz diretamente nos olhos do
observador e dificulta a visualização de baixo contraste nos filmes (mould,
rosenbusch; oudkerk; ammann).
Em 1907, Kienböck publicou o primeiro estudo propondo uma classificação
qualitativa dos raios-x, com relação à sua penetrabilidade no tecido humano, ou
seja, com relação à qualidade do feixe de raios-x (ammann; kutschera).
Entre 1903 e 1908, foram desenvolvidos os colimadores (cônicos, cilíndricos e
reguláveis) e a luz de campo, respectivamente. O colimador regulável com a luz de
campo possibilita a visualização e limitação da área que será irradiada, em
quaisquer distâncias. O sistema de colimação regulável passou a ter a luz de campo
acoplada em 1938.
A qualidade do feixe de raios-x é de fundamental importância para o contraste
radiográfico, principal item da visualização da imagem. Quanto mais denso ou mais
espesso é o local a ser radiografado, maior deverá ser a qualidade do feixe a ser
utilizado em 1912, pelo físico e médico Suíço Th.
Christén elaborou o conceito de Camada Semi Redutora (csr) 7, Camada Semi
Redutora (mould), que possibilitou especificar, de forma quantitativa, a qualidade
de um feixe e, conseqüentemente, relacionar à qualidade do feixe adequada para
cada tipo de exame.
Outros dois importantes componentes no processo de formação da imagem são
os colimadores e a grade antidifusora.
A colimação do feixe de raios-X possibilita a identificação e limitação da radiação
na área de interesse radiográfico, reduzindo a área irradiada e a radiação
espalhada, enquanto a grade antidifusora reduz a radiação espalhada que chega ao
receptor de imagem. Quanto menor for a radiação espalhada, melhor será a
qualidade da imagem.
57
A grade antidifusora, desenvolvida pelo radiologista Gustav Bucky, em 1912,
passou a ser comercializada em 1921, pela General Eletric – G.E. (ammann;
kutshera, rosenbusch; oudkerk; ammann).
Todas essas tecnologias foram desenvolvidas, principalmente, visando à melhoria
da qualidade da imagem e a realização de novos exames. O uso de colimadores e
grade antidifusora é um bom exemplo, pois eram utilizados visando à redução da
radiação espalhada no paciente e a melhoria da qualidade da imagem, em
equipamentos sem nenhuma proteção da ampola, que emitia radiação em todas as
direções. Em continuidade aos avanços nos equipamentos de raios-x (componentes
e acessórios) e utilizando a tecnologia do tubo de alto vácuo, proposta por Coolidge,
em 1915, a G.E. desenvolveu o primeiro tubo de anodo rotatório e a Siemens-
Reiniger, o primeiro gerador de raios-x trifásico.
No ano seguinte, a Siemens-Reiniger desenvolveu o primeiro circuito que
possibilitou o controle de tensão do tubo (kV), tempo de exposição, corrente do tubo
(mA) e inseriu um novo conceito nas técnicas radiográficas, que foi o produto dose x
tempo (mAs). Assim, a técnica radiográfica passou a ser especificada pelo kV e
mAs, devendo-se buscar o maior mA e o menor tempo possível de exposição
(ammann; kutshera, rosenbusch; oudkerk; ammann).
Na primeira metade da década de 30, a Siemens-Reiniger introduziu uma grande
inovação no tocante aos equipamentos móveis, ao produzir um equipamento em que
a ampola e o gerador estavam juntos, dentro de uma esfera metálica de 22 cm de
diâmetro, cheia de óleo. Este equipamento, chamado de esfera de Röentgen kugel,
tinha potência de até 4KW e era facilmente transportado. Foi uma inovação tão
relevante que o equipamento, com pequenas modificações, foi produzido durante 40
anos (rosenbusch; oudkerk; ammann).
No início da década de 1940, os serviços de radiodiagnóstico dispunham,
comercialmente, de praticamente todos os componentes presentes num serviço
convencional atual, exceto o sistema automático de exposição e de informatização.
Em 1942, já era possível encontrar equipamentos de raios-x trifásico, de 100 kV,
com tempo de feixe em torno de 30ms, ampolas de anodo rotatório, imersas em óleo
e revestidas de chumbo, com colimadores reguláveis e luz de campo; mesa
radiográfica com grade antidifusora; chassis com écrans; filmes radiográficos
apropriados para esses écrans; processadoras automáticas com secagem de filmes
58
e negatoscópios com persianas para limitar o campo luminoso (Ammann; kutshera,
rosenbusch; oudkerk; ammann).
Na década de 50, os radiologistas já tinham percebido que as diferenças entre
crianças e adultos eram de fundamental importância, tanto nas questões
relacionadas à radioproteção, quanto nas referentes à qualidade da imagem. As
crianças necessitam de equipamentos com proteções, filtrações e tempos de
exposições especiais. Esses dispositivos começaram a ser comercializados em 1950
e no início dos anos 1970, foi produzido o primeiro equipamento de radiografia e
fluoroscopia dedicado à pediatria, o infantoskop (ammann et al.).
A fluoroscopia, exame que provocava maior exposição de trabalhadores e
pacientes devido aos longos tempos dos feixes, com a observação realizada
diretamente numa tela próxima ao paciente, passou por uma verdadeira revolução
quanto à radioproteção.
No final da década de 1950, surgiram os primeiros sistemas óticos de
visualização da imagem, evitando a exposição direta dos feixes de raios-x.
Vinte anos depois (1970), os equipamentos de fluoroscopia já dispunham de
sistemas comandados à distância, com monitores, que também foram incorporados
aos equipamentos portáteis utilizados em cirurgias, conhecidos como Arco-C, Arco
Cirúrgico, (ammann et al.).
Apesar dos exames de radiodiagnóstico de mama serem realizados desde 1913, é
no final da década de 60 que passam a ter o formato que se conhece hoje.
Em 1966, o físico francês Charles Gros desenvolveu o primeiro equipamento
dedicado à mamografia, o senograph (imagem da mama, em francês).
Nos anos 70, o radiologista Robert Egan foi o primeiro a usar o termo
mamografia e a propor a realização de exames mamográficos de monitoração,
screening, para detecção precoce do câncer de mama.
No final daquela década (1970), os mamógrafos produzidos comercialmente já
possuíam sistema automático de exposição (Automatic Exposure Control − aec), de
compressão da mama e grade antidifusora (Thomas; banerjee; busch). Esse sistema
mede a quantidade de radiação que chega ao receptor de imagem, possibilitando
sua formação com a quantidade de radiação necessária e suficiente para produzir as
59
informações diagnósticas de interesse, reduzindo a repetição de exames, as doses
nos pacientes e melhorando a qualidade da imagem.
O equipamento de tomografia computadorizada (ct), desenvolvido por Godfrey
Hounsfield e Alan Cormack, no início dos anos 70, foi tão importante para a
medicina que lhes proporcionou o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1979.
Primeiros tomógrafos:
Depois – quatro gerações de Tomógrafos (1ª, 2ª, 3ª e 4ª Geração):
60
A realização de cortes transversais do corpo, Tomografia Computadorizada,
possibilitou melhor visualização de órgãos e tecidos, ampliando o conhecimento e as
possibilidades diagnósticas (Thomas; banerjee; busch).
No final dos anos 70, já eram produzidos equipamentos fixos e portáteis, com
geradores de alta freqüência ou trifásicos de 12 pulsos. Os fixos, com potência
superior a 100 kW, possibilitavam corrente de tubo de até 2.000 mA e tempo de
exposição de 1 ms.
Nesse período, foram incorporados aos equipamentos colimadores que
limitavam, automaticamente, o tamanho do campo ao tamanho do filme radiográfico
utilizado e uma das mais importantes tecnologias do radiodiagnóstico: o controle
automático de exposição – aec (ammann et al.).
As mesas radiográficas e portas-chassi verticais, além de utilizarem materiais
de baixa absorção, passaram a ter acoplado portas-chassi com grade antidifusora
móvel, possibilitando a redução da radiação espalhada e conseqüente melhoria da
qualidade da imagem. Os chassis de plástico e os écrans de terras-raras
possibilitaram uma redução, entre 1897 e 1970, de 100 vezes na radiação
necessária para formar uma boa imagem. As processadoras automáticas de filmes
ficaram acessíveis, possibilitando realizar o processo de revelação e secagem de
forma mais rápida e controlada (ammann et al.).
Na década de 1980, os equipamentos de raios-x, mamografia, tomografia,
fluoroscopia, negatoscópios e processadoras alcançaram níveis elevados de
qualidade e segurança, possibilitando exames cada vez mais rápidos e melhor
qualidade da imagem, com conforto e segurança para pacientes e equipe técnica.
61
O final do século XX foi marcado por uma revolução tecnológica, ainda em
andamento, que teve início com a introdução dos equipamentos digitais e foi
fortalecida com o advento dos tomógrafos multicortes Multislice, levando o
radiodiagnóstico ao desconhecido mundo dos exames virtuais e da comunicação e
integração entre as tecnologias, com o “Picture Archiving and Communication
Systems − PACS” (Thomas; banerjee; bush), maravilhas modernas que não são
objeto deste estudo por representarem uma realidade bem distante da imensa
maioria dos serviços de radiodiagnóstico do Brasil e da Bahia.
Hoje, século XXI, há inúmeros equipamentos: Raios-x Digitais, Tomógrafos de
última geração, aparelhos de Ressonância Magnética Nuclear, Mamógrafos
possantes, Equipamentos de Radioterapia e Quimioterapia, etc., mas o homem
retrocede cada vez mais na sua interiorização desmedida. Por esse intento, novas
patologias decorrentes da poluição excessiva e das radiações constantes do meio-
ambiente vêm se alastrando. Equipamentos atuais:
Arco Cirúrgico e Angiografia:
Raios-x Convencional:
62
Tomógrafos Multi-slice (Quarta Geração – atual):
Sistema PAC’S:
63
Aparelhos de Radioterapia:
A Quimioterapia:
64
Aparelhos de Ressonância magnética Nuclear:
A prevenção existe, mas não ao alcance de todos. E a população cresce,
assustadoramente, sem espaço urbano, aglomerados uns sobre os outros, voltando,
dia a dia, ao início de tudo.
3.b – O DESENVOLVIMENTO DA AMPOLA E ACESSÓRIOS DE RAIOS-X
A ampola, inicialmente denominada bobina, desde o início da história, com a
utilização do catodo, antes com o Urânio e, após a descoberta do elemento Polônio
em 1911 por Marie Curie, França, esse passou a ser o elemento “fonte”.
Inicialmente, as experiências aconteceram com a Bobina de Crookes, o
descobridor do Nêutron, o Tubo de Coolidge, e em seguida, a Bobina de
Ruhmkorff, que foi aperfeiçoada até a Ampola dos dias atuais. Observe as imagens
abaixo, em idade cronológica, até os dias de hoje:
65
66
Os Chassis:
67
Em algumas substâncias como composto de Cálcio e Platinocianeto de Bário os
Raios-x geram luminescência. Esta Radiação ioniza os gases por onde passa. O
exemplo da Luz visível, não é desviado pela ação de campos Elétricos ou
Magnéticos e deslocam-se em linha reta e revelam filmes fotográficos:
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Os chassis são, externamente, de alumínio leve, e no seu interior, onde são
colocados os filmes radiográficos e/ou fotográficos são compostos por película
chamada de base, revestida por uma substância chamada de emulsão e por uma
camada protetora (revestimento aplicado em ambos os lados ou apenas em uma
face, no caso dos filmes utilizados em mamografia).
A emulsão é uma camada de gelatina uniforme composta por haletos de prata
(brometo e hiodeto) – quando a luz incide sobre os haletos ocorre uma transferência
de energia do fóton para eles, provocando uma mudança nas suas características
químicas. Nesse momento, o filme apresenta a imagem latente, pois essas
impressões no filme não são visíveis a olho nu, somente após o processo de
revelação.
Os Filmes radiográficos e/ou chassis são padronizados por tamanho (têm os
mesmos tamanhos):
Chassis de alumínio leve................10 x 10 cm (pouco usado)
“.....................................15 x 40 cm (também pouco utilizado)
“.....................................13 X 18 cm
“......................................18 x 24 cm
“......................................24 x 30 cm
“......................................30 x 40 cm
“......................................35 x 35 cm
“......................................35 x 43 cm
“......................................35 x 91 cm (em desuso)
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V – CONCLUSÃO
A História da Radiologia teve cerca de um século de grandes e contínuas
descobertas – de 1850 a 1960. As descobertas anteriores foram lentas e muito se
distanciaram umas das outras – a partir do ano 400 a.C., acredito motivadas pelo
nível de outras informações e recursos científicos tão escassos na época.
Indiscutivelmente, esse importante legado deixado por esses pesquisadores
custou-lhes um alto preço: todos, sem nenhuma exceção, morreram
prematuramente! As contínuas exposições a Radiações Ionizantes, ainda sem
consciência da necessidade de radioproteção, resultaram em patologias clínicas
graves ou acidentes radioativos, como: leucemia, câncer de pele e os outros,
alterações no DNA, queimaduras graves, etc. - efeitos estocásticos e
determinísticos constantes! Tudo aconteceu com uma variedade de descobertas
seqüenciais!
Se hoje conseguimos tratar qualquer tipo de câncer ou diagnosticar qualquer
patologia em fase inicial, agradecemos a esses valiosos suicidas, amantes das
ciências da natureza.
A evolução tecnológica se incumbiu do resto: em um curto espaço de tempo, os
equipamentos foram evoluindo e prosseguem nessa marcha – o Raios-X
Convencional, o Tomógrafo, o Mamógrafo, a descoberta da Ressonância
Magnética Nuclear, dos Aparelhos de Radioterapia, a Quimioterapia (os
Radiofármacos e Radionuclídeos), enfim, a evolução é indefinida e constante!
Mas o mesmo homem que gera o progresso destrói o seu meio ambiental – a
natureza. E essa evolução sem preço passou a ser responsável direta por tantas
outras degradações e pelo extermínio do “homo sapiens” e outras espécies.
Resta-nos hoje, com todos os recursos tecnológicos e científicos, modificarmos o
quê deixamos esquecido – o espírito, a alma humana. Que precisa se conscientizar
das obrigações com o ambiente e seus semelhantes de toda e qualquer espécie,
gerando alternativas de contenção dessa destruição contínua, de controle de
resíduos, de reciclagens e de manutenção do ar e volume d’água do planeta.
Sejamos todos bem vindos ao tempo das descobertas por segundo e da
consciência imediata!
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VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
NAVARRO, MVT. Risco, Radiodiagnóstico e Vigilância Sanitária [online].
Salvador: EDUFBA, 2009, 166 p. ISBN 978-85-232-0620-8. Available from Scielo
Books.
DOS SANTOS, C. A. Raios-x: descoberta casual ou criterioso experimento?
Ciência Hoje, 19 (114), 26-35 (1995).
UFRGS (Brasil). Publicação eletrônica. Física Moderna. A Descoberta dos Raios X.
Disponível em: <[Link] Acesso
em: 18 de fev. 2015.
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