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"Todo santo tem um passado e todo
pecador tem um futuro.”
12, foram 12 as batalhas que travei. 64,
foram o numero de irmdos aos quais tive de
tirar as pecas do campo de batalha. 23, foi o
numero de inocentes que eu matei, criangas,
idosos, doentes, todos iguais perante a
lamina.
Eu fui criado a 17 anos atras, passei
somente um deles como um homem livre. Os
primeiros 16 foram sob os cuidados de um
s6 homem, seu nome era Grumo Ferro
Grosso, um halfling certamente peculiar.
Grumo é provavelmente um dos mais
inteligentes de toda a sua raga, um homem
da ciéncia, engenharia e principalmente, da
tatica de guerra. Durante os tempos de
guerra Grumo foi um grande estrategista,
mas seu intelecto perspicaz sempre tentou
achar uma resposta pro maior problema detodas as guerras, nado importa quanto aco
vocé tenha, vocé so podera forjar armas nao
soldados, bom, grumo foi um dos primeiros a
ir contra essa regra. Aliando-se secretamente
aos Vedalken, Grumo conseguiu o
conhecimento necessario para comegar a
construcgao de um novo tipo de golem, um
que pudesse pensar, julgar, tomar decisdes
como uma pessoa, mas que ainda fosse fiel
e leal ao seu mestre, o Unico efeito colateral
é que estes possujam sentimentos, algo
indesejavel em tempos de guerra. Grumo nao
foi o Unico a criar os chamados Warforged,
mas foi o Unico que desdobrou as nossas
mentes. Felizmente, os estudos de Grumo sé
trouxeram resultados quando a guerra ja
havia acabado, mas ele ainda tinha planos
para nos.
Eu fago parte da segunda linha de
construcgao de Grumo, chamado de RB-117,
sofri muitas alterag6es e principalmente
avarias ao longo dos anos que estive comele, mas de todos os meus irmaos da
segunda linha fui o unico restante, os outros
ou tinham seus corpos quebrados por
blindagem mal feita ou suas mentes
desfeitas se tornando meros construtos
inanimados, conforme Grumo tentava tirar
nossas personalidades, nos perdiamos as
capacidades de pensar. Como resultado final,
Grumo optou por desistir de soldados que
pudessem pensar, focou apenas em ter uma
forma facil e eficiente de controla-los, e para
isso ele precisava que eles fossem
formidaveis, o melhor metal e as melhores
armas, era o que Grumo precisava. Para
forjar esses soldados, primeiro grumo
precisava forjar escravos, assim, comecou a
marcha sanguindaria em busca de metal,
polvora e itens alquimicos.
Eu fui criado pensado para ser um soldado,
mas a maioria dos meus irmaos de linhagens
futuras nao, por isso vi muitos deles
morrerem nos primeiros anos em que fomosordenados a saquear. Grumo foi concertando
oS que assim como eu sobreviviam, mas
conforme sua busca se mostrava infrutifera
ele ficava frustrado, descontente e cada vez
mais cruel, a familia de Grumo 0 abandonou
e ele passou a ser tido como um exilado
entre os halflings, desgostoso, ele deixou de
nos concertar, por muitas vezes passou a
nos castigar por falhar em suas tarefas, ele
tinha o beneficio de poder criar pessoas para
descontar suas frustragdes.
Um dia Grumo chegou ao Vale Palancar, uma
regido protegida por um circulo druidico, mas
que possuia uma reserva enorme de
adamantina em suas terras, perto da
superficie e facil de retirar, ainda por cima, a
presenca dos druidas fez possivel o
nascimento da erva coragao, uma planta
extremamente rara utilizada em nossa
construcao de partes internas, ela cria a raiz
necessaria para formar nossos musculos e
alma, entao, Grumo so precisava tirar osdruidas de la, ele montou seu covil, nos
reprogramou para focar em quem exterminar
e nos colocou para marchar contra as
criaturas da selva. Sob o nome de Grumo eu
fui ordenado as coisas mais perversas,
mentir, dissimular, matar tudo e qualquer
coisa que aparecia em minha frente, eu tinha
so 9 anos na época, sabe, muita gente acha
que nds somos tao duros quanto 0 metal que
nos forma, mas a verdade é que na maioria
das vezes somos so criangas, em corpos
muito poderosos para nossas pequenas
mentes. Ainda que nao somos feitos de
carne, ainda temos olhos, ainda temos maos,
ainda sentimos dor, quando trabalhamos
suamos igual humanos, quando nos batem
sangramos igual humanos, quando ficamos
doentes precisamos dos mesmos remédios
que humanos. Por isso, dofa muito em
nossas almas fazer o que faziamos, doia
muito quando precisavamos usar os corpos
de nossos irmaos mortos para curar osnossos.
Quanto mais tentavamos expurgar os druidas
mais eles se adaptavam e venciam de nos, e
mais Grumo nos punia, com o tempo, ele teve
de tomar outros rumos, Grumo passou a
aprender necromancia com 0 intuito de secar
a vida das plantas, mas essa decisao nao
passou despercebida. Com a utilizagao de
mortos vivos para lutar ao nosso lado
realmente tivemos mais éxito, mas isso
chamou a atengao de clérigos de distantes
regides, os druidas mandaram cartas e
explicaram a situagao, uma igreja distante
mandou um emissario para ajudar o local.
Me lembro bem do dia em que 0 emissario
apareceu a porta de Grumo, chegou no covil
sem armas, andando e falando com muita
calma, Grumo riu, ao ver que o emissario era
um de nés, um golem, mas ele era diferente
de qualquer golem que ja vi, era livre.
O emissario ordenou que Grumo desistisse
do caminho que trilhava, que o mesmotentasse se redimir, Grumo nao gostou de ser
contrariado, ainda mais por um homem igual
seus escravos, que agia com imponéncia na
frente dos seus escravos, ele nos ordenou
que o matassemos, a esta altura eu era
General de Grumo, mas me recusei a agir
contra aquele homem. Grumo jurou me
despedagar pela minha traig¢ao, meus irmaos
e eu, um aum lutamos contra os mortos
vivos de Grumo, uma ardua batalha, que
resultou na fuga de Grumo, que nao levou
nada consigo. Meus irmaos, mortos, todos
eles, eu fiquei quase a beira da morte, teria
sido esmagado sem 0 emissario, com um
simples toque ele recobrou parte de minha
consciéncia, me deu pegcas e me fez inteiro
novamente.
Eu perguntei a ele o que fazer, para onde ir,
nao tinha mais proposito, quis seguir
caminho com ele, mas ele disse que era hora
de eu ser meu proprio mestre, ele disse:‘Esta é a primeira de muitas tempestades
pelas quais vocé ira passar meu jovem.
Novamente seu corpo estd sobre a bigorna, é
hora de testar seu aco."
Nao sabia o que isso significava, para onde
eu iria? Nao sabia nada sobre ser um homem
livre, afinal nado tinha nem ao menos um
nome, ele entao me nomeou naquele dia:
"Vocé se chamara Atlas garoto, vocé
aguentara sozinho o peso e a culpa de todos
os seus irmaos, quando brandir sua espada,
lembre-se das pecas que constituem seu
corpo, e do mal que um dia ja foi obrigado a
causar. Supere sua natureza, e um dia tera a
paz e a plenitude de um homem livre."
Ele entao foi embora, sem me pedir nada em
troca, sem dizer onde iria, nem me dizer ao
menos seu nome. Uma divida eterna que
terei de pagar comigo mesmo.Vagueio por Eldorath como um homem livre
des desse dia, as pessoas me veem como
um objeto na maioria das vezes, mas nao
esqueco do que passei como escravo, prefiro
a morte a ser acorrentado novamente, tenho
tentado aprender algumas coisas sobre 0
mundo fora dos muros do meu cativeiro, nado
tem sido facil, mas um dia, sonho em poder
ter um povo livre, como eu, sei que estou vivo
e que meus irmaos de metal espalhados pelo
mundo também esto, vamos ser ouvidos,
custe o que custar.