Hermes Trismegisto: Sabedoria Hermética
Hermes Trismegisto: Sabedoria Hermética
Personagem mítico, cujo nome foi tomado pela filosofia hermética. No Egipto, o Deus
Thuth ou Thot. Como HERMES-THOTH-AAH é THOT, a Lua, isto é, seu símbolo é o
lado brilhante da Lua, que se supõe conter a essência da sabedoria criadora, o "eligir de
Hermes". Hermes foi o mais misterioso dos Deuses.
Como Thot egípcio ou em seu aspecto humano como Hermes grego, era o Deus da
sabedoria. Ele foi o pai da ciência oculta, o fundador da astrologia, o descobridor da
alquimia.
Entre os antigos, e, segundo Platão, "descobriu os números, a geometria, a astronomia e as letras".
Hermes é um nome genérico, como Manu ou Buddha. Designa ao mesmo tempo um homem, uma casta
e um Deus.
O homem é o primeiro, o grande iniciador do Egipto; a casta é o sacerdócio depositário das tradições
ocultas; o Deus, é o planeta Mercúrio, assimilado com a sua esfera a uma categoria de iniciadores
divinos.
Os gregos, discípulos dos egípcios, chamaram-no de « HERMES TRISMEGISTUS» ou o três vezes
grande, porque era considerado rei, legislador e sacerdote.
Ele representa uma época em que o sacerdócio, a magistratura e a realeza estavam reunidos em um só
corpo governamental.
Thot veio para ensinar a doutrina da luz interna aos sacerdotes dos templos, que formavam a poderosa
hierarquia sacerdotal do Egipto chefiada pelo Faraó. Ensinou-lhes que a «luz ilumina todo homem que
vem ao mundo». O eco destes ensinamentos está ainda no quarto evangelho cristão. Ele dizia "Eu sou
essa luz" e fazia com que os homens repetissem «Eu sou essa luz». Osíris é essa luz.
Quando um homem se identifica com Osíris (Cristo, Buddha etc.) ele se identifica com o todo do qual
era uma parte.
Dos mais preciosos legados que deixou, destacamos a "Tábua das Esmeraldas", síntese do hermetismo
de todos os tempos, conhecido nas lâminas do Tarot. As lâminas de Hermes passaram à posteridade,
envolvidas no manto do mistério, para originarem as cartas de jogar no tempo da guerra dos cem anos.
Hermes-Trismegisto foi também o nome esotérico de uma alta universidade do antigo Egipto, guardiã
encarregada de condensar e sintetizar a substância da sabedoria egípcia, cuja doutrina de Hermes ficou
resumida nas seguintes teses:
"De facto, isto é, sem falsidade, certo e verdadeiro: o que está em cima é como o que é baixo; o que é em baixo é
como o que é em cima, para fazer os milagres de uma coisa só. E como todas as coisas foram originárias do UM,
assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação.
O Sol é seu pai, a Lua a sua mãe e o vento a levou ao seu seio; a Terra nutre-a; o pai de tudo, o telesma de todo
mundo está nisto; a sua força é total se está convertida em terra.
Separados a terra do fogo, o subtil do espesso, docemente, com todo o cuidado, sobe da terra ao céu e de novo
desce do céu para à terra e recebe forças das coisas superiores e inferiores.
Terás a glória de todo o mundo, e a obscuridade se afastará de ti. E a força forte de toda força, porque ela vencerá
toda a coisa subtil e penetrará toda coisa sólida. Assim foi criado o mundo. Daqui saíram admiráveis adaptações,
cujo meio é este. Por isto fui chamado Trismegisto - possuindo as três partes da filosofia do mundo total. Está
concluído o que eu disse da operação do Sol".
(Hermes-Trismegisto no Polimândro).
Da sabedoria desse tempo, resta, mal conhecido e mal interpretado como toda religião, deuses e
símbolos egípcios, o "Livro da eterna morada" ou o "Livro dos mortos", como mais comumente é
conhecido. Esse livro, cuja origem está nos primórdios da civilização egípcia, não parece ter sido
escrito até à terceira dinastia. Seus ensinamentos se realizaram oralmente.
O "Livro dos mortos" foi obra do próprio Deus Rei-Manu-Thot, o mesmo Hermes grego. Entre outras
obras atribuídas a Hermes podemos citar: "O livro do mural" (que existia em galerias subterrâneas e que, com o
tempo transformou-se no Tarot), a "Tábua das Esmeraldas", o "Poimândro", o "Asclépios", e a "Minerva
mundi" ou "Corê cosmou", todas conhecidas pelos profanos.
FILOSOFIA HERMÉTICA
1
Podemos interpretar com outras palavras: «não atire suas grandes verdades às mentes despreparadas»
Mas, conquanto a natureza essencial do "Todo" seja incognoscível, existem certas verdades conexas
com a sua existência que a mente humana foi obrigada a aceitar. E o exame destas verdades forma um
assunto próprio para investigações, mormente quando elas concordam com o testemunho do iluminado
nos planos superiores.
1. O princípio de mentalismo;
2. O princípio de correspondência;
3. O princípio de vibração;
4. O princípio de polaridade;
5. O princípio de ritmo;
7. O princípio de género;
O PRINCÍPIO DE MENTALISMO
"O Todo é mente; o Universo é mental".
Este princípio contém a verdade de que "tudo é mente". Explica que o TODO é espírito, é
incognoscível e indefinível em si mesmo, mas pode ser considerado como uma ''mente viva", universal e
infinita2. Ensina também que todo o mundo fenomenal ou Universo, é simplesmente uma "criação
mental" do TODO, sujeita às leis das coisas criadas, e que o Universo, em suas partes ou unidades, tem
sua existência na mente do TODO, em "cuja mente vivemos, movemos e temos nossa existência".
Um velho mestre hermético escreveu, há muito tempo:
"Aquele que compreende a verdade da natureza mental do Universo está bem avançado no Caminho do Domínio".
O PRINCÍPIO DE CORRESPONDÊNCIA
"O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está embaixo é como o que está em cima".
Este princípio contém a verdade que existe uma correspondência entre as leis e os fenómenos dos
diversos planos da existência e da vida.
Diz-se que "o que está em cima é como o que está embaixo", isto é, análogo e correspondente, mas não
igual, nem semelhante.
A compreensão deste princípio dá ao homem os meios de explicar muitos paradoxos obscuros e
segredos da natureza. Existem planos fora dos nossos conhecimentos, mas quando lhes aplicamos o
princípio de correspondência chegamos a compreender muita coisa que de outro modo nos seria
impossível compreender. Os antigos hermetistas consideravam este princípio como um dos mais
2
Há quem considere o Akasha como a mente de Deus
importantes instrumentos mentais, por meio dos quais o homem pode ver além dos obstáculos que
encobrem à vista o desconhecido.
O PRINCÍPIO DE VIBRAÇÃO
"Nada está parado; tudo se move; tudo vibra".
Este princípio encerra a verdade que tudo está em movimento: tudo vibra, nada está parado. Explica
que as diferenças entre as diversas manifestações de matéria, energia, mente e espírito, resultam das
ordens variáveis de vibração.
Desde o Todo, que é "puro espírito", até à forma mais grosseira da matéria, tudo está em vibração;
quanto mais elevada for a vibração, tanto mais elevada será a posição na escala.
A vibração do espírito é de uma intensidade e rapidez tão infinitas que praticamente ele está parado,
como uma roda que se move muito rapidamente parece estar parada.
Na extremidade inferior da escala estão as grosseiras formas da matéria, cujas vibrações são tão
vagarosas que parecem estar paradas. Entre estes pólos existem milhões e milhões de graus diferentes
de vibração.
O conhecimento deste princípio, com as fórmulas apropriadas, permite ao estudante hermetista
conhecer as suas vibrações mentais, assim como também a dos outros.
"Aquele que compreende o princípio da vibração alcançou o cetro do poder", diz um escritor antigo.
O PRINCÍPIO DE POLARIDADE
"Tudo é duplo; tudo tem pólos; tudo tem seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os
opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as
verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados".
Este princípio encerra a verdade: "Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu oposto", que formava um velho axioma
hermético. Ele explica que em tudo há dois pólos ou aspectos opostos, e que os opostos são
simplesmente os dois extremos da mesma coisa, consistindo a diferença em variação de grau. Por
exemplo: o calor e o frio, ainda que sejam opostos, são a mesma coisa, e a diferença que há entre eles
consiste simplesmente na variação de grau dessa mesma coisa. Não há coisa de calor absoluto ou de
frio absoluto; os dois termos indicam que essa mesma coisa que se manifesta nada mais é que uma
forma, variedade e ordem de vibração.
O mesmo princípio se manifesta no caso da luz e da obscuridade, que são a mesma coisa, consistindo a
diferença simplesmente nas variações de graus entre os dois pólos do fenómeno. Onde cessa a
obscuridade e começa a luz? Qual é a diferença entre o grande e o pequeno? Entre o forte e o fraco? Entre o branco
e o preto? Entre o perspicaz e o néscio? Entre o alto e o baixo? Entre o positivo e o negativo?
O mesmo princípio opera no plano mental. Assim, permitiu-nos tomar um exemplo extremo: o do amor
e o ódio, dois estado mentais em aparência totalmente diferentes. E, apesar disso, existem graus de ódio
e graus de amor, e um ponto em que usamos dos termos «igual ou desigual», que se encobrem
mutuamente de modo tão gradual que às vezes temos dificuldade em conhecer o que nos é igual,
desigual ou nem um nem outro. E mais do que isto (coisa que os hermetistas consideram de máxima
importância), é possível mudar as vibrações de ódio em vibrações de amor, na própria mente de cada um
de nós e nas mentes dos outros. Podeis pois tornar possível a sua realização, exercitando o uso da vossa
vontade por meio de fórmulas herméticas.
Deus e o Diabo, são, pois, os pólos da mesma coisa, e o hermetista entende a arte de transmutar o
Diabo em Deus, por meio da aplicação do princípio da polaridade.
Em resumo, a «arte da polaridade» fica sendo uma fase da "alquimia mental”. O conhecimento do
princípio habilitará o discípulo a mudar sua própria polaridade, assim como a dos outros, se ele
consagrar o tempo e o estudo necessário para obter o domínio da arte.
O PRINCÍPIO DE RITMO
«Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por
oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à
esquerda; ritmo é compensação».
Este princípio contém a verdade que em tudo se manifesta um movimento para diante e para trás, um
fluxo e refluxo, um movimento de atracção e repulsão, um movimento semelhante ao pêndulo,
conforme o princípio de polaridade de que tratamos há pouco. Esta lei está manifestada na criação e
destruição dos mundos, na elevação e queda das nações, na vida de todas as coisas e, finalmente, nos
estados mentais do homem.
Os hermetistas compreenderam este princípio reconhecendo a sua aplicação universal; descobriram
também certos meios de dominar os seus efeitos no próprio ente com o emprego de fórmulas e métodos
apropriados. Eles aplicam a lei mental de neutralização. Eles não podem anular o princípio ou impedir
as suas operações, mas aprenderam como escapar dos seus efeitos na própria pessoa, até um certo grau
que depende do domínio deste princípio. Aprenderam como empregá-lo, em vez de serem empregados
por ele.
O mestre dos hermetistas polariza-se até o ponto em que desejar, e então neutraliza a oscilação rítmica
pendular que tenderia a arrastá-lo ao outro pólo.
Todos os indivíduos que atingiram qualquer grau de domínio próprio executam isto até um certo grau,
mais ou menos inconscientemente, mas o mestre o faz conscientemente e com o uso da sua vontade,
atingindo um grau de equilíbrio e firmeza mental quase impossível de ser acreditado pelas massas
populares que vão para diante e para trás como um pêndulo.
3
Eisntein gostava de dizer: «O acaso é o meio que Deus utiliza quando quer ficar no anonimato»
O acaso não existe, na medida em que aquilo que acontece é geralmente o efeito duma causa criada. Toda a existência
é condicionada por eventos que resultam, na sua maioria, daquilo que é pensado, dito ou feito, nesta ou em uma das
vidas anteriores.
O PRINCÍPIO DE GÉNERO
"O género está em tudo; tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino;
o género se manifesta em todos os planos".
Este princípio encerra a verdade que o género é manifestado em tudo; que o princípio masculino e o
princípio feminino sempre estão em acção. Isto é certo não só no plano físico, mas também, nos planos
mental e espiritual. No plano físico este princípio se manifesta como sexo; nos planos superiores toma
formas superiores, mas é sempre o mesmo princípio.
Todas as coisas e todas as pessoas contêm em si os dois elementos deste grande princípio: todas as
coisas masculinas têm também o elemento feminino; todas as coisas femininas têm o elemento
masculino. Nós vos advertimos que este princípio não tem relação alguma com as teorias e práticas
luxuriosas, perniciosas e degradantes, que têm títulos empolgantes e fantásticos, e que nada mais são do
que a prostituição do grande princípio natural de género. Tais teorias, baseadas nas antigas formas
infamantes do falicismo4, tendem a arruinar a mente, o corpo e a alma; e a filosofia hermética sempre
publicou notas severas contra estes preceitos que tendem à luxúria, depravação e perversão dos
princípios da natureza. Se desejais tais ensinamentos podeis procurá-los noutra parte, pois o
hermetismo nada contém nestas linhas que sirva para vós.
Para aquele que é puro, todas as coisas são puras, para os vis, todas as coisas são vis e baixas.
O UNIVERSO MENTAL
O TODO é espírito! Mas o que é espírito?
Esta pergunta não pode ser respondida porque a sua definição seria praticamente a do TODO, que não
pode ser explicado nem definido. Espírito é um simples nome que os homens dão às suas mais elevadas
concepções da infinita mente vivente, esta palavra significa a essência real.
Façamos agora uma consideração sobre a natureza do Universo, quer no seu todo, quer nas suas partes.
Que é Universo?5
Dissemos que nada há fora do Todo. Então o Universo é o Todo? Não; não o é; porque ele parece ser
formado de muitos outros e está constantemente mudando, ou, por outras palavras, ele não pode ser
comparado com as ideias que estabelecemos a respeito do Todo.
Então, se o Universo não é o TODO, ele é o NADA; tal é a conclusão inevitável da mente à primeira
vista. Mas esta não satisfaz a questão, porque sentimos a existência do Universo.
Ora, se o Universo não é o TODO, nem o NADA, que será então? examinemos a questão: Se
verdadeiramente o Universo existe, ou parece existir, ele procederá directamente do TODO, poderá ser
uma criação do TODO. Mas como poderá alguma coisa sair do NADA de que o TODO a teria criado?
Vários filósofos responderam a esta pergunta, dizendo que o TODO criou o Universo de si mesmo.
Mas isto não pode ser, porque o TODO não pode ser dividido ou diminuído, como já vimos, e se isto
fosse verdade, cada partícula do Universo não poderia deixar de conhecer o seu ente - o TODO. Com
efeito alguns homens, julgando que o TODO é exactamente TUDO, e reconhecendo também que eles,
os homens, existem, aventuraram-se a concluir que eles eram idênticos ao TODO e atroaram aos ares
com os seus clamores de "Eu sou Deus!" para divertimento da multidão e sorriso dos sábios. O clamor
do corpúsculo que dissesse: "Eu sou homem!" seria mais modesto em comparação.
Mas, o que é o Universo senão o TODO separando a si mesmo em fragmentos? O velho axioma
hermético: "o que está em cima é como o que está embaixo", pode ser empregado com êxito neste
ponto.
4
Culto do falo ― representação do membro viril do homem como símbolo da fecundidade.
5
Universo ― o inverso do Uno, a diversidade, a multiplicidade.
Vejamos pois, no seu próprio plano de existência, como o homem cria:
1. ele pode criar fazendo alguma coisa de materiais exteriores. Mas assim não pode ser, porque
não há materiais exteriores ao TODO, com os quais ele possa criar;
2. o homem procria ou reproduz a sua espécie pelo processo da geração, que é a própria
multiplicação por meio da transformação de uma parte da sua substância na da sua prole. Mas,
assim também não pode ser, porque o TODO não pode transferir ou subtrair uma parte de si
mesmo. Assim, como reproduzir ou multiplicar a si mesmo.
No primeiro caso haveria uma revogação da Lei e, no segundo, uma multiplicação ou adição do
TODO, idéias totalmente absurdas.
Não há nenhum outro meio pelo qual o homem cria?
Sim, há; ele cria "mentalmente"! E deste modo, não emprega materiais exteriores, não reproduz a si
mesmo, e, apesar disto, o seu espírito penetra a criação mental.
Conforme o princípio de correspondência, temos razão de considerar que o TODO cria mentalmente o
Universo de um modo semelhante ao processo pelo qual o homem cria as "imagens mentais". Este é o
testemunho da razão que concorda perfeitamente com o testemunho do iluminado, como ele o
manifesta pelos seus ensinos e escritos.
Assim são os ensinamentos do sábio. Tal era a doutrina de Hermes.
Ensinamentos Herméticos
Escritos Herméticos
Uma das definições da palavra “alquimia” é o poder de transmutar, ou o acto (ou processo) de
transformar algo comum em algo precioso. A transmutação ou mudança, em todos os planos de
existência, visível ou invisível, e em todos os aspectos da vida, é a idéia básica apresentada nos
ensinamentos derivados do sábio Hermes Trismegisto, que são englobados sob o nome de “Filosofia
Hermética”. Seja qual for a denominação usada, existiram, em todas as eras, homens cuja imaginação
foi inflamada por essas idéias. Chegou-se ao raciocínio de que, assim como o homem foi criado à
imagem de Deus, o homem pode criar, do mesmo modo que Deus. “Assim como é em cima é
embaixo”, eis o axioma do alquimista. Não poderia haver um conjunto de leis para o Cósmico e outro
para o homem; portanto, um mesmo conjunto de leis tudo rege. São as leis cósmicas, leis que seriam as
mesmas, não importando onde e como fossem aplicadas.
A Criação teve início quando a Mente Cósmica, pelo poder da vontade, deu impulso à consciência, o
que produziu a manifestação. O alquimista, seguindo este raciocínio, concebeu a idéia da “prima
matéria” ou “primeira matéria”, uma substância básica da qual toda a matéria é formada. A prima
matéria é aquilo que os Rosacruzes denominam “energia-espírito”, pois quando o movimento ou
vibração era imprimido na energia-espírito pela mente, pela vontade e pela consciência, essa energia-
espírito se dividia em todas as formas de matéria.
Os alquimistas desconheciam a terminologia dos modernos físicos; entretanto, conceberam e
compreenderam o conceito teórico de que seria possível alterar a matéria tornando-a prima matéria e,
então, criar com esta tudo que desejassem, pois, na realidade, toda a matéria era uma só coisa, havendo
apenas uma diferença vibratória em suas várias formações. Aceitando-se esta premissa como
verdadeira, a estrutura do raciocínio do alquimista e o desenvolvimento de suas idéias eram lógicos.
Ele acreditava que todos os metais comuns e grosseiros podiam ser transmutados em sua mais elevada
forma, o ouro, e que seria possível criar uma “tintura” capaz de efectuar essa transformação. Ele
sonhava transmutar o corpo humano em algo perfeito, com um remédio universal capaz de curar todas
as doenças. Acreditava, ainda, na possibilidade de transmutar tudo que fosse grosseiro e comum na
essência da personalidade do homem em um ser transcendental, na personalidade de um Mestre. Tudo
isto era algo mais que simples sonhos, pois existiam evidências transmitidas por sábios do passado que
já haviam trilhado o mesmo caminho.
O propósito do Alquimista, portanto, é a transmutação de algo comum em algo precioso. Esse objectivo
é alcançado através de uma real compreensão da Lei das Correspondências ou lei Cósmica que actua
em todos os níveis.
O processo da transmutação, entretanto, é de crescimento, além de mudança. Por tradição, o “como” do
processo sempre foi um segredo cuidadosamente preservado. O alquimista medieval houve por bem
descrever os passos da transmutação em termos os mais obscuros e cautelosos; alguns alquimistas
falavam de quatro passos; outros citavam doze ou mais. Paracelso, que viveu a maior parte da
existência no século dezesseis, descreve sete passos: calcinação (1), sublimação (2), solução (3),
putrefacção (4), destilação (5), coagulação (6) e tintura (7). Estes parecem ser processos químicos, mas
poderiam também descrever processos em níveis mais elevados.
Os escritos herméticos, ou Hermética, são trabalhos atribuídos a Hermes Trismegisto, um personagem
que a maioria dos historiadores considera alegórico ou mítico. O Dr. H. Spencer Lewis, entretanto,
referia-se a Hermes como uma pessoa real. Os tratados contidos na Hermética estão na forma de
conversações que introduzem os mistérios, com o místico-interlocutor recebendo os primeiros indícios
de consciência Cósmica, retendo-os em sua mente consciente. «... eu... fui libertado; cheio de poder,
Ele fluiu para o meu interior, e pleno daquilo que Ele me havia ensinado sobre a natureza do Tod o . . . » .
A Hermética, junto com a Tábua de Esmeralda (que foi a base da Alquimia), são dois trabalhos
estritamente herméticos sobre os quais se fundam a ciência e a filosofia alquímicas.
A Tábua de Esmeralda, será comparada com os escritos herméticos em dois discursos da presente série.
Este discurso consiste do resumo de quatro escritos herméticos. Visto serem sumários, foram omitidos
os números dos parágrafos e deixam de ser apontadas omissões e condensações.
O que agora se segue é um resumo do Livro I, Poemandro, que é um diálogo entre a Mente e
Poemandro ou Hermes, narrado por Hermes. Os comentários acrescentados a este sumário estão entre
parênteses.
O autor começa dizendo que estava meditando e fornece dois elementos de sua meditação: elevação
dos pensamentos ou consciência, e a repressão dos sentidos objectivos. Surge diante dele um vasto Ser.
Hermes pergunta a Poemandro quem ele é, e Poemandro responde que ele é Mente, em grego Nous.
(Nós usamos nous para descrever a força universal, cósmica, criativa, a energia que pode ser
considerada como Mente ou energia psíquica, cósmica. Os escritos dizem que a Mente está
sempre com o homem. Em outras palavras, o homem tem em seu interior a Mente Cósmica; ele
nunca está separado dela.)
Hermes, o autor, deseja conhecer as coisas que existem, compreender sua natureza e conhecer Deus.
Ele é advertido a manter tais desejos na mente e a Mente, Poemandro, lhe ensinará. Ele deverá
concentrar-se e meditar nessas coisas.
O aspecto de Poemandro se modifica, e todas as coisas se abrem para Hermes. Tudo se torna luz. Então
vem a escuridão expelindo fumaça e dando um grito inarticulado como um lamento. Da luz vem a
Palavra que desce sobre a natureza úmida. (Isto é criação, que pode ser diagramada da seguinte forma:
Mente
Trevas Luz
Natureza úmida A Palavra
Fogo
Ar
Água
Terra
Entretanto, Luz é Mente, o primeiro Deus, e o Logos, a Palavra, é, assim, o filho de Deus. Isto
corresponde ao homem em quem a mente é o pai e a fala, o filho.
(Nous, Mente, é o Pai e corresponde a Ptah. Logos, Palavra, é o Filho e corresponde a Tot.)
Os dois estão unidos, pois a vida é a união de logos e nous, palavra e mente.
Concentrando-se na luz, o autor descobre que ela consiste de inúmeros Poderes, e que se tomou um
cosmo ordenado e ilimitado, e que aquilo que acabara de ver era a idéia-arquétipo da criação, o modelo
cósmico. Os elementos da natureza vêm à existência pela vontade de Deus, pela Palavra e pela cópia
ou imitação do cosmo-arquétipo. Deste modo, o cosmo-material é uma cópia do cosmo-arquétipo.
A primeira Mente é Vida e Luz. É bissexual ou bipolar, contendo em si mesma ambos os factores
necessários à criação. Assim, ela produz outra Mente, o Artífice das coisas (o arquitecto do universo
como alguns autores mais recentes o denominaram, ou o artesão da Alquimia que, tal como a natureza,
é auxiliado pelo artesão humano. É possível que aqui Jacob Boehme tenha encontrado seu conceito de
duas Mentes e duas Vontades.
A segunda Mente era o fogo e o espírito do ar. Ela criou sete Administradores que abrangem o
mundo sensível ou cosmo-material. (Estes administradores correspondem ao que Fludd chama de
inteligências, anjos ou governantes dos planetas. ) Sua administração, segundo os escritos herméticos, é
chamada Destino (poderíamos usar o termo Carma).
Foi nos dito que a Palavra veio da Luz; e que fogo, ar, água e terra foram separados e manti dos em
movimento pela Palavra. Agora aprendemos que a Palavra salta dos elementos nascidos embaixo para a
natureza pura, unindo-se ao Artífice, a segunda Mente, pois a Palavra tem a mesma natureza da
segunda Mente. Sem a Palavra, os elementos são matéria pura. A Mente Artífice é o Demiúrgo, o
Criador. Junto com a Palavra, ele abrange as esferas dos planetas e das estrelas, e as faz girar para que
comecem onde terminam.
Dos elementos, a Natureza, como segunda Mente, deseja e produz criaturas sem o Logos, coisas aladas
no ar, coisas que nadam nas águas, etc. Mas a Mente, que é Vida e Luz, é que dá nascimento ao
Homem, isto é, ao Homem Cósmico que, como Homem, é a imagem de seu Pai. Deus ama Sua
imagem e dá ao Homem tudo que Ele (Deus) fez.
O homem também sente o desejo de criar e recebe a permissão do Pai. Cada um dos sete
Administradores dá ao homem uma parcela de seu trabalho. (Em outras palavras, é esta
parcela que faz do homem um participante na obra cósmica, e em parte, é isso que ele devolve em sua ascensão,
através das esferas, para Deus. ) O homem compreende a essência dos Administradores, partilha de sua
natureza e deseja transpor o limite de suas esferas.
A natureza é a forma (phormon) de Deus. O homem tem a actividade dos sete Administradores. (O
mito do amor entre a natureza e o homem simboliza sua atracção, harmonia e união. Ambos são a
imagem de Deus: são o macrocosmo e o microcosmo. O Homem, entretanto, possui o logos, a razão,
enquanto a natureza é destituída de raciocínio.)
Além disso, o Homem é dual. Ele é mortal por causa de seu corpo e imortal por causa do Homem
essencial (ou daquela parte dele que vem da Mente ou Nous). Ele tem todas as coisas sob seu poder,
contudo está sujeito ao Destino. Ele está acima da Harmonia ou fora do cosmo, entretanto, é seu servo.
Assim como Deus é bissexual, assim o é o homem. A parte imortal do Homem nunca dorme, tal como
Deus nunca dorme, mas em sua parte mortal ele é subjugado pelo sono.
Da união entre o Homem e a Natureza surgem sete homens que também são bissexuais. (Temos, então, o
Homem cósmico ou arquétipo, sete Administradores, sete homens-arquétipos e Deus, todos bissexuais ou
bipolares, capazes de criar a partir de suas próprias naturezas ou elementos. ) Os sete homens recebem o
espírito vital do éter; do fogo recebem sua maturação, da terra a polaridade negativa e da água a
polaridade positiva. Neles a Vida se torna alma, e a Luz se torna Mente.
Todas as criaturas viventes foram separadas em machos e fêmeas, e todas as criaturas se multiplicam
de acordo com sua espécie.
Aquele que se dedica a conhecer a si mesmo, entretanto, adentrará o Bem que está acima de todo ser.
Aquele que se deixa desviar por eros, ou amor, dissipa seu amor no corpo, vaga pelas trevas do mundo
dos sentidos e padece a morte. (“O homem que conhece a si mesmo” refere-se ao conhecimento de todo o Eu
em oposição àquele que se perde no mundo dos sentidos objectivos. )
A ignorância, portanto, consiste do amor ao que é material, fonte de trevas. Aquele que conhece a si
mesmo participa do Bem porque o Pai de tudo consiste de Vida e Luz. A parte imortal do homem
provém da Vida e da Luz. O homem que sabe disso retorna à Vida.
A Mente está presente nos homens bons e santos. A Mente, como Guardiã, impedirá as actividades
maléficas.
Quando o corpo material morre, fica sujeito a mudanças e sua forma ideal (eidos) se torna invisível. O
homem então ascende às esferas pela Harmonia. A cada uma das sete zonas ele entrega um atributo.
Ascende, então, à oitava esfera vestido com seu próprio poder. Em outras palavras, ele terá deixado
com as sete esferas as características delas derivadas. Então, aqueles que alcançam a oitava esfera,
sobem ao Pai. Tornando-se poderes imanentes, eles estão em Deus, que é a consecução plena daqueles
que alcançaram a gnose, ou conhecimento de Deus. Tendo dado graças a Deus, o autor começa a pregar
aos homens a beleza da piedade e da gnose. Ele semeia entre eles o logos da sabedoria e eles recebem
para beber a água da vida imortal.
O remanescente do Livro I é um hino e uma prece.
“Santo é Deus o Pai de tudo, que era antes do primeiro princípio;
Santo é Deus, cujo propósito é realizado por seus diversos Poderes;
Etc.
O Livro V da Hermética abrange os ensinamentos de Hermes a seu filho Tat, outra forma da palavra
Tot. O livro se refere a Deus, ao manifesto e ao imanifesto. Nesta explanação aprendemos a natureza de
Deus ou o Cósmico.
O argumento básico é o de que Deus em Si mesmo é imanifesto. Se fosse manifesto não existiria, pois
o que é manifesto está sujeito à modificação, a vir-a-ser. Deus não está sujeito a mudanças; portanto é
imanifesto. Ele sempre é, mas torna manifestas todas as outras coisas.
Ele não vem a ser fazendo-se visível, pois isto seria manifestação. Deus está além da visibilidade.
(Este conceito é semelhante às ideias orientais sobre o mundo como aparência ou maya.) Ao fazer todas as
coisas surgirem, Deus aparece em tudo e por tudo.
Ora àquele que é Único, pois só o pensamento pode “ver” o oculto ou imanifesto. Se desejas ver Deus,
contempla o Sol, as estrelas. Toda ordem deve ser criada; aquilo que não tem ordem não foi criado.
Tudo que foi criado possui ordem, consistindo de lugar, número e medida.
Quem produziu tudo que é a não ser o Deus oculto, que fez todas as coisas segundo a Sua vontade? Ele
é maior que todos os nomes. Ele é o Único, e seu trabalho é ser Pai. Seu próprio ser é conceber e criar
todas as coisas. Por isto, Ele não existe se não estiver continuamente criando tudo que está no céu, no
ar, na terra e nas profundezas do mar. Ele tanto está nas coisas que são como nas que não são. As que
existem Ele tornou manifestas, e as que não existem Ele contém em Si Mesmo.
Ele está além de qualquer denominação e só pode ser apreendido pelo pensamento; contudo, podemos
vê-Lo com nossos olhos, naquilo que é manifesto. Ele é incorpóreo; entretanto, tem muitos corpos ou
está materializado em todos os corpos. Todas as coisas que existem são Ele; todos os nomes, pois, são
Dele. Por esta razão Ele não tem nome, porque é o Pai de todos.
Ele não tem modo, nem lugar, nem coisa alguma do que é manifesto. Todavia, a totalidade das coisas
está Nele e partem Dele. Ele tudo dá e nada tira.
Como diz Hermes, “Tu és aquilo que eu sou; Tu és aquilo que eu faço; Tu és aquilo que eu digo.”
(No Livro VIII Hermes também ensina seu filho, desta vez sobre a destruição e a morte. Disto
aprendemos a natureza de Deus, do cosmo e do homem.)
A morte é uma palavra destituída de factos, pois morte é destruição e nada no cosmo é destruído. O
cosmo é um segundo Deus, um ser imortal e nenhuma parte dele pode morrer.
Primeiro há Deus, eterno, sem princípio, o Criador do todo.
Em segundo há o cosmo, feito por Deus à Sua imagem, mantido em estado de ser por Deus, um ser
eternamente vivo.
O Pai é eterno por Si mesmo, mas o cosmo é eternizado pelo Pai.
Em terceiro há o homem, feito à imagem do cosmo. Sua mente está acima de todas as criaturas da
Terra. Ele se sente parte do cosmo e pode apreender Deus pelo pensamento. Ele apreende o cosmo
como corpo, mas compreende Deus como incorpóreo, como a Mente do Bem.
A matéria retém alguma desordem, eis a razão do crescimento e da decadência.
O cosmo é feito por Deus e está em Deus. O homem é feito pelo cosmo e está no cosmo. O início, fim e
união de tudo é Deus.
O Livro XI, como o primeiro, é um diálogo entre a Mente e Hermes, onde este último deseja conhecer
a natureza e a relação entre o cosmo e Deus. Os modos de manifestação de Deus estão em ordem
descendente, para usarmos uma metáfora: Deus, éon ou eternidade, Cosmo, Tempo, o Vir-a-Ser...
Seu Pai é o Sol, sua Mãe é a Lua, o Vento o carrega em seu ventre, sua ama é a Terra .11 . Este é o
Pai da Perfeição em todo este mundo.( Telesmã ― a imanência). Seu poder é perfeito quando
transformado em Terra; (Seu potencial atinge a perfeição quando se transmuta em Terra) por isto, deves
separar a terra do fogo, (uma vez transmutado em Terra, ele separa a Terra do Fogo ), o subtil do rude e
grosseiro, mas com amor, com grande compreensão e discernimento. 12
Ela sobe da Terra para o Céu, vem novamente à Terra e de novo recebe o poder do Em Cima e do
Embaixo. Deste modo, terás o esplendor de todo mundo. Toda a falta de compreensão e de
capacidade te abandonará. Este é o maior de todos os poderes, pois pode sobrepujar ( ultrapassar;
superar) toda a subtileza (todas as energias) e pode penetrar tudo que é sólido 13. (porque triunfa sobre
todas as coisas subtis e penetra tudo o que é sólido). Assim foi criado o mundo14.
Por isto sou chamado de Trismegisto, pois possuo as três partes de sabedoria 15 do mundo. Tudo o
que eu disse a respeito do trabalho do Sol está cumprido.»
« A TÁBUA DE ESMERALDA »
As mais antigas referências à Tábua de Esmeralda, que se conhece, são árabes, e remontam ao século
nove, provavelmente através de versões sírias. As referências atribuem sua origem a autores gregos
mas diferem em relação à autoria. Dizem as lendas que a Tábua foi encontrada com Hermes, em seu
túmulo, ou com Alexandre, também no túmulo. Foi supostamente escrita em caracteres fenícios numa
tabuleta de esmeralda.
A Tábua expressa o axioma hermético “Como é em cima é embaixo”, mas não é ela a única fonte deste
conceito. Ele se encontra, sob outras terminologias, em muitos escritos religiosos e filosóficos.
A Tábua é única por se expressar em termos alquímicos e por ser uma base filosófica ou metafísica da
Alquimia. A Astrologia e a Magia também se baseiam nesse conceito, ou na idéia do macrocosmo e
microcosmo ( o binómio matemático).
A Tábua de Esmeralda está escrita em termos alquímicos e apresenta a teoria alquímica. Os Escritos
Herméticos estão grafados em termos de filosofia mística. Entretanto, as idéias contidas em ambos
podem ser aplicadas à Alquimia. Os conceitos são, portanto, paralelos; um corresponde ( Lei da
6
A verdade dos três mundos.
7
Lei da polaridade, da imantação.
8
Lei da Correspondência
9
Lei do Triângulo ou do Ternário.
10
Lei da Unidade.
11
Os quatro elementos: O Fogo (Sol); Água (Lua); Ar (Vento); Terra.
12
Separação do espírito e da matéria.
13
Lei do Amor
14
Lei da realização
15
Conhecimento dos três planos: Divino, Astral e Físico
correspondência) ao outro.
Para compreendermos a tábua de Esmeralda, indicaremos, primeiro, alguns dos seus principais
conceitos, para depois lermos o próprio texto, seguindo-se a explicação adicional de alguns conceitos.
Finalmente, serão discutidos os paralelos entre a Tábua e os Escritos Herméticos.
Uma chave para a compreensão da Tábua de Esmeralda e a interpretação de “única coisa”, é a frase
“para cumprir as maravilhas dessa única coisa”.
A primeira sentença da Tábua diz que em Cima e Embaixo, superior e inferior, macrocosmo e
microcosmo, são iguais por causa de sua correspondência e pelo propósito de cumprir ou realizar a
única coisa. Superior e inferior se referem aos reinos do em cima e do embaixo, e nos tempos antigos
isto geralmente se referia ao reino acima da Lua e ao reino abaixo da Lua.
Pela lei das correspondências, “única coisa” se refere ao próprio Divino ou Cósmico, ao Cósmico no
universo e no homem. Isto pode ser simbolizado em termos alquímicos pela pedra filosofal, ou união
da dualidade, ou o casamento alquimico.
Mas a “única coisa” é tanto o Cósmico quanto o resultado da transmutação, que é um retorno ao
Cósmico, ao estado de ser cósmico primal. A “única coisa” realizada é a transmutação, seja física ou
transcendental.
A segunda sentença nos diz que todas as coisas são criadas a partir de uma, pela vontade e comando do
Único (ou Unido) — eines einigen ― ou pela meditação do único que a criou. Aquilo de que todas a s
coisas são criadas é a prima matéria, a primeira matéria, das quais se originam todos os elementos. Os
elementos evoluem desta matéria à perfeição, os metais evoluem das mais grosseiras formas à
perfeição ou ouro. O desenvolvimento se faz a partir da “única” criada pela vontade do Único (ou
Unido), ou Deus, até a coisa que é realizada.
A “única coisa” que é realizada, e a que é criada por Deus, e o Único (ou Unido) ou o próprio Deus,
estão todos relacionados e poderiam ser considerados, essencialmente, como uma só ou a mesma coisa.
A primeira matéria é o início da criação emanada de Deus, a “única coisa” é o retorno à perfeição, o
Cosmo, ou Deus.
A única coisa que é criada por Deus também pode ser o Cosmo, que nos escritos herméticos é uma
imagem de Deus, ou pode ser o homem, que é uma imagem do Cósmico e de Deus. Neste caso, o
“Único ou Unido” é Deus, que cria o “um” que é o cosmo ou homem ou a primeira matéria, da qual a
“única coisa” é realizada ou transmutada.
A passagem também diz que todas as coisas são criadas de uma, pela vontade e comando ou pela
meditação do Único, da mesma forma que todas as coisas nascem daquela única coisa. Assim como
Deus cria, o cosmo e o homem criam.
Poderíamos reformular a primeira parte da Tábua da seguinte forma: O macrocosmo e o microcosmo se
correspondem na realização da única coisa (transmutação). Assim como todas as coisas são criadas a
partir de uma (primeira matéria) pela vontade e comando do Único (Deus), assim todas as coisas se
originam dessa coisa (primeira matéria) por prescrição e união (no trabalho do homem).
Esta é a Mente Divina que se cria por si mesma e restaura-se a si mesma. Também é o Divino no
homem, o artífice, que cria imitando o Criador Cósmico. Estes conceitos básicos em diferentes formas
são comuns tanto à Tábua como aos escritos herméticos.
O comando é análogo à Palavra ou Logos da Hermetica. Criação e transmutação são realizados por
meio da vontade e do comando ou logos, ou, como dizem algumas versões da Tábua, pela meditação.
Além disto, esta é uma criação ou restauração, que implica uma renovação cíclica, um processo
contínuo.
O criador é o agente ou artífice Cósmico que utiliza a vontade e o comando. O cosmo e o homem são o
agente e artífice que usa a prescrição e união, ou adaptação.
A terceira sentença começa assim, “Seu pai é o Sol, sua mãe a Lua”. O Sol e a Lua simboli zam a
dualidade da qual a “única coisa” é a união. Mas também representam o em Cima e o Embaixo, os
reinos superior e inferior.
Desta forma, a “única” nasce de uma dualidade. O Sol é o doador de luz, é o activo, o enxofre, o rei, o
ouro. A Lua é a receptora da luz, a refletora da luz, passiva, é o mercúrio (ou sal), a rainha, a prata. O
Sol é imaterial, sutil, volátil, psíquico; em relação ao Sol, a Lua é material, grosseira, fixa, as
frequências vibratórias mais baixas.
«... e o vento a carrega em seu ventre»;
se refere ao pneuma, ao spiritus, ao sopro e à Força Vital, o elemento imaterial (o prana) aspirado junto
com o ar. O ventre se refere ao útero e ao nascimento. A “única” é formada e levada a nascer pelo
vento ou Força Vital.
TEOFRASTO PARACELSO
O LIVRO DA REVELAÇÃO DE HERMES, INTERPRETADO POR TEOFRASTO PARACELSO, REFERENTE AO
SUPREMO SEGREDO DO MUNDO.
“Hermes, Platão, Aristóteles e os outros filósofos... que introduziram as Artes, e, mais especialmente,
exploraram os segredos da Criação inferior, buscaram, ansiosamente, um meio pelo qual o corpo
humano pudesse ser preservado da decadência e dotado de imortalidade. A eles foi respondido que
nada existe que possa livrar o corpo físico da morte; existe Uma Coisa que pode adiar a decadência,
renovar a juventude e prolongar a curta vida humana... Portanto, os filósofos citados e muitos outros,
ao procurar esta “Uma Coisa” com grande afinco, descobriram que ela defende o corpo da corrupção e
prolonga a vida, que se conduz com respeito quanto aos outros elementos, como se fosse com os Céus,
de onde deduziram que os Céus são uma substância superior aos Quatro Elementos. E assim como os
Céus, com respeito aos outros elementos, são considerados a quinta substância... também esta “Uma
Coisa” (comparada com as forças de nosso corpo) é uma essência indestrutível, que seca todas as
superflui- dades de nosso corpo, e tem sido chamada filosoficamente pelo nome acima mencionado.
Não é quente e seca como o fogo, nem fria e úmida como a água; nem quente e úmida como o ar, nem
seca e fria como a terra. Mas é uma habilidosa e perfeita equação de todos os Elementos, uma correta
mistura de forças naturais, uma particular união de virtudes espirituais, uma indissolúvel união de
corpo e espírito. É a mais pura e nobre substância de um corpo indestrutível, produzida pela Arte que
não pode ser destruída nem prejudicada pelos Elementos... Esta essência espiritual, ou Uma Coisa, foi
revelada a Adão do Alto, e foi grandemente desejada pelos Santos Pais, e chamada por Hermes e
Aristóteles de Verdade sem Mentiras, a mais certa das coisas certas, o Segredo de todos os Segredos. É
a Última e Mais Elevada Coisa a ser procurada sob os Céus, um maravilhoso fecho e acabamento do
trabalho filosófico... O que a boca do homem não pode pronunciar pode ser encontrado por inteiro
neste espírito.
“Este é o Espírito da Verdade, que o mundo não pode compreender sem a interferência do Espírito
Santo, ou sem a instrução daqueles que o conhecem. Esta Uma Coisa é de misteriosa natureza,
maravilhosa força, ilimitado poder. Avi- cena chamou a este Espírito a Alma do Mundo. Pois assim
como a Alma imprime movimento a todos os membros do Corpo, assim este Espírito se move em todos
os corpos... É procurado por muitos e encontrado por poucos. È visto de longe e encontrado perto, pois
existe em tudo, em todo lugar e em todo o tempo. Tem os poderes de todas as criaturas; sua ação está
em todos os elementos, e nele estão as qualidades de todas as coisas, mesmo em sua mais elevada
perfeição...
“Quando os filósofos descobriram essa “Uma Coisa”, com grande diligência e labor, eles
imediatamente a ocultaram em uma estranha linguagem e em parábolas, para que não se tornasse
conhecida dos indignos, para que não fossem jogadas pérolas aos porcos.
“Em seu primeiro estado, aparece como um espírito terreno impuro, cheio de imperfeições... Em sua
segunda natureza, ela aparece como um corpo aquoso... porque... sua Virtude é maior. Está mais
próxima da Verdade sendo mais eficaz em obras...
“Mas em sua terceira natureza ela aparece como um corpo aéreo de natureza oleosa, quase liberta de
suas imperfeições...
“Em sua quarta natureza, aparece em forma ígnea, não totalmente livre de imperfeições, ...com muitas
virtudes...
“Em sua quinta e última natureza, ela aparece em uma forma glorificada e iluminada, sem defeitos,
brilhando como ouro e prata, possuindo todos os poderes e virtudes precedentes, em grau mais elevado
e maravilhoso.
“Pois ela cura todos os corpos vivos e mortos sem medicações...
“Esta essência também revela todos os tesouros da terra e do mar, converte todos os corpos metálicos
em ouro, e nada se lhe compara sob o firmamento.
“Embora estes escritos possam ser considerados falsos pelo leitor, são, para o iniciado, verdadeiros e
possíveis, quando o sentido oculto é apropriadamente compreendido. Pois Deus é maravilhoso em Suas
obras, e Sua sabedoria não tem fim.
“Esta obra de Deus é demasiado profunda para podermos compreendê-la, pois é o último, maior e mais
elevado segredo da Natureza. É o Espirito de Deus, qu^e no Princípio encheu a terra e pairou sobre as
águas, que o mundo não pode apreender sem a intercessão do Espírito Santo e da instrução daqueles
que sabem.. .
“É a melhor de todas as coisas, pois nada se lhe pode comparar, e só nela está a verdade... Por tudo isto,
é chamada de Pedra e Espírito da Verdade...
“Ó insondável abismo da Sabedoria de Deus, que, assim, uniu e incluiu na virtude e no poder desse
Único Espírito, as qualidades de todos os corpos que existem...
“Portanto, disse Morien, ‘Aquele que o tem, também possui todas as coisas’.
“Este espírito é um gênio, Divino, maravilhoso e nobre poder. Pois ele abrange todo o mundo, e
sobrepuja os Elementos e a quinta Substância.”
Literatura avulsa tirada da internet
O MITO E A REALIDADE
Filho de Zeus e de Maia, a mais jovem das Plêiades da mitologia grega, Hermes nasceu num dia quatro (número que
lhe era consagrado), numa caverna do monte Cilene, ao sul da Arcádia.
Divindade complexa, com múltiplos atributos e funções, Hermes foi no início um deus agrário, protetor dos
pastores e dos rebanhos. Um escrito de Pausânias deixa bem claro esta atribuição do filho de Maia: “Não existe
outro deus que demonstre tanta solicitude para com os rebanhos e para com o seu crescimento”. Mais tarde, os
escritores e os poetas ampliaram o mito, como por exemplo, Homero, nos seus poemas épicos Ilíada e Odisséia. Na
Odisséia, por exemplo, o deus intervém como mago e como condutor de almas (nas Rapsódias X e XXIV).
Protetor dos viajantes, Hermes é também o deus das estradas. Nas encruzilhadas, para servir de orientação, os
transeuntes amontoavam pedras e colocavam no topo do monte a imagem da cabeça do deus. A pedra lançada
sobre um monte de outras pedras, simbolizava a união do crente com o deus ao qual elas estavam consagradas.
Considerava-se que nas pedras do monte estavam a força e a presença do divino.
Para os gregos, Hermes regia as estradas porque andava com incrível velocidade, por usar as sandálias providas
de asas. Deste modo, tornou-se o mensageiro dos deuses, principalmente de seu pai, Zeus. Conhecedor dos
caminhos, não se perdendo nas trevas e podendo circular livremente nos três níveis (Hades ou infernos, Terra ou
telúrico e Paraíso ou Olimpo), Hermes tornou-se um deus condutor de almas.
A astúcia, a inventividade, o poder de tornar-se invisível e de viajar por toda a parte, aliados ao caduceu com o qual
conduzia as almas na luz e nas trevas, são os atributos que exaltam a sabedoria de Hermes, principalmente no
domínio das ciências ocultas, que se tornarão, na época helenística, as principais qualidades do deus.
A partir deste ponto, Hermes se converteu no patrono das ciências ocultas e esotéricas. É ele quem sabe e quem
transmite toda a ciência secreta. O feiticeiro Lúcio Apuléio declara em seu livro de bruxaria (De Magia) que invocava
Mercúrio – o Hermes dos romanos – como sendo aquele que possuía os segredos da magia e do ocultismo.
Hermes Trismegistos é o nome grego dado ao deus egípcio Thoth, considerado o inventor da escrita e de todas as
ciências a ela ligadas, inclusive a medicina, a astronomia e a magia. Segundo o historiador Heródoto, já no séc. V
a.C. Thoth era identificado e assimilado a Hermes Trismegisto, i.e., ao Três Vezes Poderoso Hermes.
A pedra de Roseta, gravada no ano 196 a.C também identifica Hermes como Thoth. A tradução dos hieróglifos das
câmaras mortuárias do Vale dos Reis permitiu dividir os escritos atribuídos a Hermes-Thoth em dois tipos
principais: o Hermetismo “popular” que trata da astrologia e das ciências ocultas, e o Hermetismo para os “cultos”,
que trata de Teologia e de Filosofia.
Do renascimento até ao final do século XIX pouca atenção foi dispensada aos Escritos Herméticos populares.
Estudos recentes mostraram, no entanto, que a literatura popular hermética é anterior ao Hermetismo dito culto, e
reflete as idéias e convicções dominantes no império romano.
Os Escritos Herméticos sobre Teologia e Esoterismo constam de dezessete tratados, que compõem o Corpus
Hermeticum. Este conjunto de Escritos reúne as compilações feitas por Stobaeus e por Apuleius. A compilação de
Apuleius for traduzida para o Latim por Asclepius. Estes escritos são datados dos três primeiros séculos da era
cristã e foram escritos em língua grega, embora os conceitos neles contidos sejam de origem egípcia.
O Corpus Hermeticum reúne a Hermética e a Tábua de Esmeralda. Estas duas obras são trabalhos estritamente
herméticos sobre os quais se fundam a ciência e a filosofia alquímicas. A Hermética consta de uma série de livros,
dos quais o mais importante é Livro I, Pimandro, que é um diálogo de Hermes consigo mesmo.
O Hermetismo foi estudado durante séculos pelos árabes, e por seu intermédio chegou ao Ocidente, onde
influenciou homens como Albertus Magnus. Em toda a literatura Medieval e do Renascimento são freqüentes as
referências a Hermes Trismegistos e aos Escritos Herméticos, estudados e aprofundados, principalmente, pelos
Alquimistas e pelos Rosacruzes. Para os Rozacruzes, Hermes Trismegistos foi um sábio. O Dr. H. Spencer Lewis,
escritor e Grande Mestre da Ordem Rosacruz, se referia a Hermes como uma pessoa real.
No mundo greco-latino, sobretudo em Roma, com os gnósticos e neoplatônicos, Hermes Trismegisto se converteu
num deus cujo poder varou os séculos. Na realidade, Hermes Trismegisto resultou de um sincretismo com o
Mercúrio latino e com o deus egípcio Thoth, o escrivão no julgamento dos mortos no Paraíso de Osíris, e patrono
de todas as ciências na Grécia Antiga.
Em Roma, a partir dos primeiros séculos da era cristã, surgiram muitos tratados e documentos de caráter religioso
e esotérico que se diziam inspirar-se na religião egípcia, no neoplatonismo e no neopitagorismo. Esse vasto
conjunto de escritos que se acham reunidos sob o nome de Corpus Hermeticum, coleção relativa a Hermes
Trismegisto, é uma fusão de filosofia, religião, alquimia, magia e astrologia, e tem muito pouco de egípcio.
Desse Corpus Hermeticum muito se aproveitou a Gnose (conhecimento esotérico da divindade, transmitido através
dos ritos de iniciação). Os gnósticos, com seu sincretismo religioso greco-egípcio-judaico-cristão surgido também
nos primeiros séculos da nossa era, procuraram conciliar todas as tendências religiosas e explicar-lhes os seus
fundamentos através da Gnose.
As sandálias de Hermes eram dotadas de asas, separavam a terra do corpo pesado e vivente, e daí vem a
importância simbólica das sandálias depostas, rito maçônico que evoca a atitude de Moisés no monte Sinai,
pisando descalço a terra santa. Descalçar a sandália e entregá-la ao parceiro era, entre os judeus, a garantia de
cumprimento de um contrato.
Para os antigos taoístas, as sandálias eram o substituto do corpo dos imortais, e seu meio de deslocamento no
espaço. Em Hermes e Perseu, as sandálias aladas são o símbolo da elevação mística.
O caduceu significa em grego bastão de arauto. Símbolo dos mais antigos, sua imagem já se acha gravada, desde o
ano 2.600 a.C., na taça do rei Gudea de Lagash. São várias as formas e múltiplas as interpretações do caduceu.
Insígnia principal de Hermes, é um bastão em torno do qual se enrolam, em sentidos inversos, duas serpentes.
Enrolando-se em torno do caduceu, elas
simbolizam o equilíbrio das tendências contrárias em torno do eixo do mundo, o que leva a interpretar o bastão do
deus de Cilene como um símbolo de paz. A serpente é um símbolo encontrado na Mitologia de todos os povos.
Todas as grandes idéias surgidas no início da Civilização foram representadas pela serpente: o Sol, o Universo,
Deus, a Eternidade. Enroscada no Tau, a serpente é o símbolo do Grau 25 do REAA.
Também se pode interpretar o caduceu como sendo o símbolo do falo ereto, com duas serpentes acopladas. Esta
interpretação do caduceu é uma das mais antigas representações indo-européias, sendo encontrado na Índia antiga
e moderna, associado a numerosos ritos, bem como na Grécia, onde se tornou a insígnia de Hermes.
Espiritualizado, esse falo de Hermes penetra no mundo desconhecido em busca de uma mensagem espiritual de
libertação e de cura. Hoje em dia o caduceu é o símbolo universal da Medicina.
O esoterismo maçônico, com a sua tradução em rituais, símbolos e ensinamentos, é criação de grandes
pesquisadores, colecionadores de livros e de manuscritos raros, e grandes estudiosos das culturas da antiguidade.
Elias Ashmole, Desaguilliers e Francis Bacon foram alguns destes homens, Rosacruzes e grandes conhecedores
do hermetismo e da transmutação alquímica dos metais, através da Pedra Filosofal. Eles introduziram na Maçonaria
os mesmos conceitos filosóficos, utilizando agora os instrumentos da arte de construir, como símbolos da
regeneração e do aperfeiçoamento moral e espiritual do Homem.
Hermes Trismegisto foi, na Mitologia Grega, o deus que reuniu os atributos que todos os grandes pensadores e
iniciados desejaram transmitir às futuras gerações. Ele foi um deus tão importante que na cidade de Listra, a
multidão, ao ver o milagre realizado pelo apóstolo Paulo, tomou-o por Hermes e gritou entusiasmada, pensando
estar diante de um deus sob forma humana.
Obras consultadas
Hermes Trismegisto - Ensinamentos Herméticos AMORC Grande Loja do Brasil
Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia – Nicola Aslan
La Franc-Maçonnerie Rendue Intelligible à Ses Adeptes – Oswald Wirth
Encyclopaedia Britannica – Volume XI
O Vale dos Reis – O Mistério das Tumbas Reais do Antigo Egito – John Romer
A Doutrina Secreta – Volume V – [Link]
Odisséia – Homero
[Link]
Hermes Trismegisto, o Três Vezes Grande, era considerado pelos Egípcios o Mensageiro dos
Deuses, por ter transmitido os ensinamentos a este grande povo da antigüidade e ter implantado
a tradição sagrada, os rituais sagrados, e os ensinamentos das artes e ciências em suas Escolas
da Sabedoria. A medicina, a astronomia, a astrologia, a botânica, a agricultura, a geologia, a
matemática, a música, a arquitetura, a ciência política, tudo isso era ensinado nessas Escolas e
em seus livros, que segundo os gregos somavam 42. Entre eles se encontra O Livro dos Mortos
que é também chamado de O Livro da Saída da Luz. A Ciência Hermética é baseada em seus
ensinamentos e comprova com seus preceitos, que o Grande Hermes veio transmitir para a
humanidade uma Sabedoria Divina, até hoje mal compreendida apesar de amplamente
comprovada.
A Filosofia Hermética se baseia nos Princípios Herméticos incluídos no livro O Caibalion, (Três
Iniciados – Livraria Pensamento) e parece destinada a plantar uma semente de Verdade no
coração dos sábios, que perpetuam e transmitem os seus ensinamentos. Em todas as civilizações
sempre existiram ouvidos atentos a estes preceitos. Como diz o próprio Caibalion:
O Caibalion nos foi transmitido pela Tradição Hermética e reúne os ensinamentos básicos da Lei
que rege todas as coisas manifestadas. A palavra Caibalion, na língua hebraica significa tradição
ou preceito manifestado por um ente de cima. Esta palavra tem a mesma raiz da palavra Qabala
(Cabala), ou Qibul, ou Qibal, que em hebraico, significa tradição.
A maior das Lojas dos Místicos (Templos de Iniciação) foi estabelecida no antigo Egito e foi por
suas portas que entraram os Neófitos que, mais tarde, como Hierofantes, Adeptos e Mestres, se
espalharam por todas as partes da terra, levando consigo o precioso conhecimento que
possuíam, afim de ensiná-lo àqueles que estivessem preparados para compreendê-lo. È dessa
mesma fonte que os Essênios beberam, e portanto Jesus também.
Em nossos dias o termo ‘hermético’ significa secreto, fechado de tal maneira que nada escapa,
significando que os discípulos de Hermes sempre observavam o princípio do segredo nos seus
preceitos. Os antigos instrutores pediam este segredo, mas nunca desejaram que os
ensinamentos não fossem transmitidos. Não instituíram uma religião, de forma que estes
princípios pudessem ser aproveitados por todos mas não pertencessem a nenhum credo. De fato,
os ‘Princípios Herméticos’ são baseados nas Leis da Natureza, e como tais pertencem somente à
Ordem Divina.
I – O princípio de Mentalismo
II – O princípio de Correspondência
III – O princípio de Vibração
IV – O princípio de Polaridade
V – O princípio de Ritmo
VI – O princípio de Causa e Efeito
VII – O princípio de Gênero