Variedades de Uvas e Vinhos
Variedades de Uvas e Vinhos
Apresentação
A globalização do vinho gerou uma série de novos consumidores da bebida ao redor do mundo.
Com isso também surgiram novos desafios e oportunidades para as empresas do setor, que foram
induzidas a inovar ou diversificar seus produtos para que se tornassem mais competitivas. Os
consumidores, por sua vez, estão cada vez mais empenhados em conhecer o vinho, suas
classificações e características principais, além de estarem mais abertos para conhecer novos
produtos e variedades de uvas.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer as principais variedades de uvas brancas e
tintas utilizadas para produção de vinhos no mundo. Além disso, vai entender a forma como os
vinhos são classificados de acordo com a legislação brasileira, assim conseguirá compreender as
características das diferentes classificações de vinhos indicadas nos rótulos.
Bons estudos.
Cada categoria apresenta um perfil diferente de produto, que pode estar relacionado com a cor do
vinho, o aroma ou as sensações em boca. Grande parte dessas classificações consta nas legislações
vinícolas dos países, o que facilita no momento de reconhecer um vinho independentemente do
local em que foi produzido.
Considere que você foi convidado para participar de um concurso de vinho. Cada participante
passou por três etapas: percepção (degustação, que consiste na prova de vinhos, sem revelar o
rótulo e qualquer informação sobre o produto), indicação da classificação e, por fim, as principais
caracterizações dos estilos desses vinhos.
Os vinhos biodinâmicos são originários de um cultivo diferenciado da uva, em que não é permitido
o uso de defensivos agrícolas sintéticos. Neles são usadas apenas as preparações naturais, que são
adicionadas no vinhedo, levando em consideração os ciclos da natureza. Muito similar à produção
orgânica, o cultivo biodinâmico utiliza-se das fases da lua para determinar ações no vinhedo, como
poda, colheita entre outras, além dos preparados biodinâmicos que substituem o uso de
agrotóxicos.
Neste Infográfico, você vai entender o que é o cultivo biodinâmico e o passo a passo do cultivo das
uvas por esse sistema.
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Conteúdo do livro
Os consumidores de vinhos estão cada vez mais interessados em aprofundar seus conhecimentos
sobre a bebida, ao passo que os produtores, dada a grande diversidade de produtos no mercado,
criam novas estratégias para se posicionar e ganhar a confiança do consumidor.
No capítulo Tipos de uvas e de vinhos, da obra Enologia, você vai conhecer as principais variedades
de uvas e suas características. Além disso, vai compreender que os vinhos se enquadram em
classificações específicas, amparadas por uma legislação ou normas de indicação geográfica, as
quais exigem determinadas características para seu enquadramento.
Boa leitura.
ENOLOGIA
Introdução
Conhecer as uvas e os estilos de vinho é essencial para poder apreciar essa
bebida. São inúmeras as variedades de uvas desenvolvidas com o passar
dos anos e adaptadas às mais diversas regiões vitícolas do mundo. Cada
uma está associada a características próprias de manejo, de produção e de
perfil de vinho. Os vinhos, por sua vez, têm diferentes estilos, normalmente
categorizados de acordo com a legislação de cada país ou com normas
de denominação de origem das regiões vitivinícolas às quais pertencem.
Neste capítulo, você vai conhecer as principais variedades de uvas
brancas e tintas utilizadas para fazer vinhos. Também poderá compreender
como os vinhos são classificados de acordo com a legislação do nosso país e
quais as características sensoriais que se pode esperar de cada classificação.
Cabernet Sauvignon
Merlot
Pinot Noir
Syrah
Malbec
Tannat
Nebbiolo
Touriga Nacional
Tempranillo
Grenache
Pinotage
Chardonnay
Sémillon
Sauvignon Blanc
Riesling Renano
Pinot Blanc
Itália, onde é chamada de Pinot Bianco. Essa uva possui uma grande versa-
tilidade, produzindo desde bases para espumantes até vinhos de sobremesa.
Os vinhos obtidos dessa variedade apresentam coloração amarelo-palha,
com reflexos esverdeados; no nariz, apresentam toques de amêndoas,
frutas cítricas e especiarias; e na boca, possuem corpo médio, cremoso e
com boa acidez, aptos para o envelhecimento em madeira (GIOVANNINI;
MANFROI, 2009).
Pinot Gris
Outra uva que surgiu da mutação da Pinot Noir, também chamada de Pinot
Grigio na Itália. Suas bagas apresentam coloração acinzentada, por isso o nome
gris ou grigio, que significa cinza em francês e italiano, respectivamente. Essa
variedade se desenvolve melhor em climas frios, apresentando aromas que
lembram flores, lima, pêssego, damasco, amêndoas, cidreira, entre outros. Pode
produzir desde vinhos leves e frescos aos mais encorpados, que amadurecem
em barrica (GIOVANNINI, 2013).
Chenin Blanc
Gewürztraminer
Vinho de mesa
É importante compreender o que é considerado vinho de mesa no Brasil.
Segundo o artigo 9 da Lei nº 10.970 (BRASIL, 2004, documento on-line), de
12 de novembro de 2004, vinho de mesa é “[...] o vinho com teor alcoólico
de 8,6 % a 14% em volume, podendo conter até uma atmosfera de pressão a
20° C”. Ou seja, pode ser considerado vinho de mesa basicamente todo vinho
produzido no país. São popularmente chamamos de vinhos de mesa no Brasil
aqueles produzidos a partir de uvas americanas (Vitis labrusca), como os
cultivares Isabel, Bordô, Concord e Niágara; entretanto, segundo a legislação
vigente, vinhos de mesa também podem ser produzidos a partir de uvas Vitis
vinifera, como as citadas anteriormente (BRASIL, 2004).
Já na Europa, são classificados como vinhos de mesa os pertencentes às
classes mais simples ou sem indicação geográfica, como é o caso do “vin de
table” na França e o “vino de tavola” na Itália. Entretanto, há também alguns
vinhos considerados de excelente qualidade enquadrados nesta classificação
mais simples, como é o caso do conhecidos “Supertoscanos” (Toscana, Itália),
produzidos a partir de uvas que não são permitidas pela indicação geográfica
da sua região, sendo, por isso, categorizados como vino de tavola (RABA-
CHINO, 2018).
Tipos de uvas e de vinhos 11
Vinho fino
O mesmo art. 9 da Lei nº 10.970 (BRASIL, 2004, documento on-line), de 12
de novembro de 2004, aborda a definição de vinho fino, que “[...] é o vinho
de teor alcoólico de 8,6% a 14% em volume, elaborado mediante processos
tecnológicos adequados que assegurem a otimização de suas características
sensoriais e exclusivamente de variedades Vitis vinifera do grupo nobres, a
serem definidas em regulamento”.
A Instrução Normativa nº 14 (BRASIL, 2018. Documento on-line), de 8 de
Fevereiro de 2018, considera como grupo nobres “[...] todas as variedades da
espécie Vitis vinifera”; no entanto, para efeito de pagamento dessas uvas ao
produtor, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) subdivide todas as
variedades de uvas produzidas no Brasil em três classes: viníferas nobres, vi-
níferas especiais e americanas/híbridas. Dentro das viníferas nobres, podemos
citar variedades como: Pinot Noir, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah,
Chardonnay, Sauvignon Blanc, Sémillon, entre outras (BRASIL, 2018; 2019).
Vinho nobre
A Instrução Normativa nº 14 (BRASIL, 2018. Documento on-line), de 8 de
Fevereiro de 2018, trouxe uma nova classificação para os vinhos, sendo de-
nominados de vinho nobre “[...] aqueles elaborados no território nacional
exclusivamente a partir de uvas da espécie Vitis vinifera que apresentarem
teor alcoólico de 14,1% a 16%, em volume”. Poucos vinhos nobres são encon-
trados no mercado, visto a recente criação dessa classificação. Além disso, o
inciso 3 do artigo 34 dessa Instrução Normativa comenta que “[...] é vedada
qualquer correção do teor glucométrico no mosto destinado à elaboração do
produto” (BRASIL, 2018. Documento on-line). Dessa forma, a uva destinada
à elaboração desse vinho deve possuir uma grande concentração de açúcares
para poder originar vinhos com alto teor alcoólico, encorpados e de longo
envelhecimento. Com exceção da graduação alcoólica, os vinhos nobres devem
atender aos mesmos padrões de identidade e qualidade do vinho de mesa e
do vinho fino (BRASIL, 2018)
Vinho frisante
O inciso 1 do art. 9 da mesma lei define vinho frisante como “[...] o vinho com
teor alcoólico de 7% a 14% em volume, e uma pressão mínima de 1,1 a 2,0
atmosferas a 20° C, natural ou gaseificado” 14 (BRASIL, 2018. Documento
12 Tipos de uvas e de vinhos
on-line). Dessa forma, esse estilo de vinho se enquadra entre os vinhos tran-
quilos (sem gás) e os vinhos espumantes, podendo ser elaborado de diversas
formas. O gás presente pode ser conservado da fermentação, originado de uma
segunda fermentação, recolhido da fermentação e depois incorporado ao vinho
ou pode ser adicionado na forma de gás carbônico exógeno (FLANZY, 2003).
Esse vinho apresenta leve desprendimento de gás, sem formação de espuma.
Geralmente, é um vinho leve, refrescante, muito apreciado em climas quentes.
A Instrução Normativa nº 14 (BRASIL, 2018), de 8 de Fevereiro de 2018,
comenta que o vinho frisante cujo gás carbônico é proveniente de fermentação
pode ser designado vinho frisante natural, enquanto o vinho frisante adicionado
de gás carbônico deve ser denominado vinho frisante gaseificado.
Vinho espumante
Essa categoria engloba os vinhos efervescentes que possuem gás carbônico
natural em sua composição. De acordo com o Ministério da Agricultura
(BRASIL, 2004), os vinhos espumantes devem conter gás carbônico prove-
niente de uma segunda fermentação alcoólica do vinho em garrafas (método
tradicional) ou em tanques fechados (método Charmat), devendo possuir uma
pressão mínima de 4 atmosferas de pressão e um teor alcoólico entre 10 e 13%.
Essa mesma lei traz a definição de espumante Moscatel, que é o vinho cujo
gás carbônico é proveniente da fermentação em recipiente fechado, a partir
do mosto da uva Moscatel, com pressão mínima de 4 atmosferas de pressão
e um teor alcoólico entre 7 e 10%, com no mínimo 20 gramas de açúcar
remanescente (BRASIL, 2004).
Esse produto é caracterizado pelo desprendimento de gás carbônico, for-
mando perlage e espuma, tornando-o efervescente. Geralmente, são vinhos
leves e refrescantes, mas dependendo do seu processo de elaboração, podem
ganhar complexidade e corpo, evoluindo bem ao longo dos anos (GIOVAN-
NINI; MANFROI, 2009).
Vinho de sobremesa
Primeiramente, é importante frisar que não há uma denominação oficial para
vinhos de sobremesa no Brasil, assim como também não há em outros países.
De acordo com Puckette e Hammack (2016), os vinhos de sobremesa podem
ir de demi-sec até extra doces. Para atingir essas características, devem ser
produzidos basicamente de duas formas: uva com alta concentração de açúcar
Tipos de uvas e de vinhos 13
natural, de maneira que o vinho atinja o teor alcoólico e mesmo assim ainda
contenha açúcar residual que dê a característica de doce; ou por meio do
processo de fortificação, em que a fermentação alcoólica é interrompida com
adição de álcool vínico, cessando-a e, portanto, deixando o vinho naturalmente
doce, como é o caso do Vinho do Porto. São exemplos de processos em que
se obtêm altas concentrações de açúcar na uva: botritização, apassitamento,
colheita tardia e congelamento parcial das uvas.
Dessa maneira, pode-se dizer que há diversos estilos de vinhos de sobre-
mesa, os quais variam em relação ao método de produção e suas características,
como conteúdo de açúcar, acidez e álcool. No Brasil, alguns desses vinhos
podem ser categorizados na classificação “vinho licoroso”, que “[...] é o vinho
com teor alcoólico ou adquirido de 14% a 18% em volume, sendo permitido,
na sua elaboração, o uso de álcool etílico potável de origem agrícola, mosto
concentrado, caramelo, mistela simples, açúcar e caramelo de uva" (BRASIL,
2004, documento on-line).
Vinho orgânico
Entende-se como produto orgânico aqueles que não fazem uso de agrotóxicos
e que não fazem mal para o consumidor nem para o responsável pela produção,
regulamentados pela Lei n° 10.831, de 23 de dezembro de 2003 (BRASIL, 2003).
De acordo com o Ministério da Agricultura (BRASIL, 2003, documento
on-line):
Dessa forma, vinho orgânico é definido como o vinho cuja uva foi produ-
zida de acordo com essa definição. É importante ressaltar que, no país, todo
vinho orgânico deve conter no rótulo o selo oficial de certificação (Figura 1).
14 Tipos de uvas e de vinhos
Vinho biodinâmico
Assim como nos vinhos orgânicos, vinhos biodinâmicos são produzidos com
uvas que tenham sido cultivadas de acordo com os conceitos da agricultura
biodinâmica. Esse sistema de cultivo ficou conhecido a partir de 1924, com
Rudolf Steiner e seus conceitos de antroposofia. O cultivo é similar ao orgâ-
nico, mas com maior complexidade, uma vez que nesse processo entende-se
que o ser humano, a natureza e o cosmos devem estar em total equilíbrio
(RABACHINO, 2018).
Para se produzir uvas segundo esse sistema, além não fazer o uso de
agrotóxicos, deve-se considerar o calendário lunar para definir os manejos
que serão realizados na videira, assim como fazer o uso dos preparados bio-
dinâmicos. Essas são formulações específicas elaboradas a partir de plantas
medicinais, esterco e silício, que vão adubar a terra ou ser pulverizadas nos
vinhedos. No mundo todo, o produto biodinâmico é certificado pela Demeter,
uma associação internacional que garante que a produção esteja dentro dos
padrões para esse tipo de cultivo (FECOVINHO, 2016).
Vinho kosher
Assim como todos os produtos kosher, esse tipo de vinho deve ser produzido
obedecendo às leis do judaísmo e sob a supervisão de um rabino. Todos os
alimentos ou bebidas devem ser produzidos segundo as prescrições contidas
nos cinco primeiros livros do Antigo Testamento, chamado de Tora, para
serem denominados kosher, kasher ou casher, palavra de origem hebraica
Tipos de uvas e de vinhos 15
Vinho espumante
A principal característica desse vinho são suas borbulhas, chamadas de perlage.
Um vinho espumante deve obrigatoriamente apresentar perlage, resultado do
gás carbônico proveniente exclusivamente da fermentação alcoólica, sendo
vedada a adição artificial de gás (BRASIL, 2004). Devido à presença de gás
carbônico, a taça utilizada para apreciar essa bebida deve possuir formato
“flute”, ou seja, haste alongada e bojo comprido e estreito, para melhor avaliação
do desprendimento de gás carbônico e da qualidade da bebida. Busca-se um
perlage fino e contínuo, reflexo de um espumante bem elaborado (HENDER-
SON; REX, 2012).
No Brasil, podemos encontrar espumantes com diferentes níveis de dulçor.
A classificação doce é normalmente associada ao espumante Moscatel, que
deve apresentar um equilíbrio adequado entre o doce e a acidez para que o
espumante não se torne enjoativo. Após essa categoria, há o demi-sec, um meio
termo entre o espumante doce e seco, seguida das categorias de espumantes
secos, que englobam seco, brut, extra brut e nature (ordem decrescente de
dulçor) (BRASIL, 2004).
Os espumantes podem ser leves e delicados, como os famosos espumantes
Prosecco produzidos na Itália, assim como podem apresentar estrutura e com-
plexidade, como o Champagne produzido na França, que exige maior tempo
de preparo para que a bebida chegue no seu ápice. Normalmente, espumantes
produzidos pelo método Tradicional ou Champenoise são mais encorpados
que os produzidos por outros métodos, devido ao período de autólise (também
chamado de período de maturação sobre borras), que contribui para maior
volume na boca e notas aromáticas como nozes, torrada, manteiga e biscoito.
Esse processo também é responsável pela longevidade do espumante, sendo
que, quanto maior o período de maturação, mais longeva será a bebida. Quanto
à coloração, os espumantes podem ser brancos, rosés e até mesmo tintos. Se
jovens, qualquer que seja a coloração, apresentam aroma frutado e são mais
leves e refrescantes (LAROUSSE, 2007).
Vinhos brancos
Os vinhos brancos devem apresentar como principal característica sensorial
uma boa acidez, já que este será o principal atributo responsável por sua lon-
gevidade (mesmo que pequena). Dentro dessa categoria, podemos subdividir
os vinhos brancos da seguinte forma:
Tipos de uvas e de vinhos 17
Gewürztraminer Alvarinho
Savagnin Sémillon
Viognier Vermentino
Vinhos tintos
Os vinhos tintos são conhecidos pela forte presença no paladar, com corpo e
estrutura. Essa característica é dada devido à presença de uma substância cha-
mada tanino, extraída durante o processo de elaboração do vinho. Entretanto,
de acordo com as características da uva e do método de elaboração aplicado,
é possível obter vinhos tintos de diferentes perfis sensoriais.
Tinto leve
Assim como no vinho branco, nessa categoria temos vinhos tintos menos
alcoólicos, de acordo com a legislação (BRASIL, 2018). É importante frisar
que o teor alcoólico de um vinho tem relação direta com a sua estrutura. O
teor alcoólico é consequência da presença de açúcar na uva, ou seja, quanto
mais doce a uva, maior será o teor alcoólico do vinho. Uma uva com boa
Tipos de uvas e de vinhos 19
Tinto frutado
São considerados vinhos tintos frutados aqueles com notas aromáticas carac-
terizadas pela uva, ou seja, com aromas primários, como framboesa, maçã
vermelha e cereja (ZAHAR, 2010). Normalmente, esses vinhos não tem pas-
sagem por carvalho, apresentando menos taninos e preservando os aromas
provenientes da variedade de uva.
A maioria dos vinhos tintos do mundo encontra-se nesse grupo, sendo facil-
mente encontrados no mercado. São vinhos produzidos com uvas mais ricas em
compostos fenólicos, mas a ponto de suportarem longos períodos de passagem
por carvalho, como Cabernet Franc, Merlot, Pinotage, Sangiovese, Syrah e
Tempranillo (GIOVANNINI, 2013). Há de se considerar que, dependendo da
safra e da região, essas variedades podem originar vinhos mais voluptuosos.
Vinhos de médio corpo possuem aromas frutados e toques de especiarias,
baunilha e chocolate, devido à passagem por carvalho. Na boca, percebe-se
a presença de taninos e média acidez, podendo ser harmonizados com algum
alimento ou sozinhos (ZAHAR, 2010).
Esses vinhos são produzidos a partir de uvas com excelentes níveis de ma-
turação, normalmente com produção controlada em termos de quantidade
e qualidade. São vinhos que preenchem o paladar, repletos de taninos, com
tonalidade bem escura, densos e aveludados. Esse tipo de vinho exige tempo
para chegar a seu apogeu. Depois da passagem por carvalho, devem envelhe-
cer na garrafa antes de serem consumidos, etapa em que ocorre importante
processo de evolução. No Velho Mundo, por exemplo, esse tipo de vinho
normalmente é produzido dentro dos níveis mais elevados de qualidade das
20 Tipos de uvas e de vinhos
Vinho de sobremesa
Os vinhos dessa categoria podem apresentar diferentes versões, podendo ser
ácidos, secos, doces, claros ou bem escuros. Seja como for, o inegável nos
vinhos de sobremesa é a sua intensidade em praticamente todos os atributos
sensoriais (ZAHAR, 2010).
Dentre os vinhos de sobremesa existentes, podemos citar os fortifica-
dos. A maioria dos representantes dessa categoria apresenta elevado teor de
açúcar, presente naturalmente, devido ao processo de fortificação no início
da fermentação alcoólica, interrompendo-a e consequentemente deixando o
vinho doce. Com esse sistema, elabora-se o vinho fortificado mais famoso
do mundo, o Vinho do Porto, produzido na região do Douro, em Portugal
(RABACHINO, 2018).
O Vinho do Porto pode apresentar diferentes tonalidades, incluindo branco
(pálido, palha e dourado), rosé e tinto (tinto escuro ao tinto alourado). Quanto
ao aspecto desse tipo de vinho, é possível verificar uma lágrima (marca dis-
tintiva deixada no copo) mais pronunciada que nos demais vinhos, devido à
presença de alto teor alcoólico (PUCKETTE; HAMMACK, 2016). Os aromas
dominantes nesse vinho são de amora madura, calda de frutas vermelhas e
especiarias (canela, anis). Naqueles com longa passagem por barrica de car-
valho, é possível detectar aromas como avelã, nozes, café, cacau, caramelo,
incenso, entre outros. Na boca, é perceptível um elevado teor alcoólico, média
acidez (equilibrada por conta do açúcar) e dulçor. Vinhos com longos períodos
de passagem por barrica também apresentam elevado teor de tanino e corpo.
Já os exemplares secos e com mais acidez normalmente são fortificados
ao final do processo de fermentação, como é o caso do vinho Xerez (também
chamado de Sherry), produzido na região de Jerez, na Espanha. Normalmente,
apresentam tonalidade mais claras que o Vinho do Porto, com predomínio
de aromas minerais, frutados e toques de nozes e amêndoas. Existem muitas
categorias de vinhos Xerez, mas os secos são os mais famosos (Fino, Oloroso,
Manzanilla e Palo Cortado), nos quais percebe-se na boca um nível de acidez
de médio para alto, como também elevada percepção de álcool. Os Xerez de
categoria doce, fortificados no início da fermentação, possuem características
aromáticas similares ao Vinho do Porto (PUCKETTE; HAMMACK, 2016).
Tipos de uvas e de vinhos 21
Além dos vinhos fortificados, há os vinhos produzidos com uvas que contêm
altas concentrações de açúcar, como uvas botritizadas (Sauternes e Tokaji),
congeladas (Icewine), sobrematuradas (colheita tardia) ou desidratadas natural
ou artificialmente (Passito). Os vinhos Sauternes (França) e Tokaji (Hungria)
são os exemplos clássicos de vinhos feitos com uvas atacadas pelo fungo
Botrytis cinerea (botritizada). Esses vinhos são produzidos com uva branca
e exibem coloração amarelo-dourado, aromas que remetem a frutas cítricas
como limão, maracujá e abacaxi, podendo ter notas que lembram mel, nozes e
fruta seca. Na boca, apresentam um excelente equilíbrio entre doçura e acidez,
e mesmo com altas concentrações de açúcar o vinho não se torna enjoativo. A
descrição sensorial do Sauternes e Tokaji é semelhante à dos vinhos produzidos
a partir de uvas congeladas (Icewine) e uvas sobrematuradas (colheita tardia)
(HENDERSON; REX, 2012; PUCKETTE; HAMMACK, 2016).
Os vinhos ao estilo Passito podem apresentar descrições bem distantes dos
demais citados, uma vez que nesse processo o exemplo mais clássico é o vinho
Amarone Della Valpolicella, produzido no norte da Itália. Esse vinho possui
teor alcoólico elevado, é tinto e, apesar de conter concentrações de açúcar mais
elevadas, passa a sensação de seco à boca. No caso do Amarone, o processo de
apassitamento consiste em deixar as uvas tintas desidratarem em esteiras por um
período em torno de 45 dias, fazendo com que concentre açúcar e também compos-
tos fenólicos, como taninos e antocianina. O vinho originário possui muito corpo
e estrutura, e normalmente é consumido durante as refeições, acompanhando
pratos bastante encorpados e gordurosos, como carnes vermelhas e de caça.
BRASIL. Lei no. 7.678, de 8 de novembro de 1988. Dispõe sobre a produção, circulação
e comercialização do vinho e derivados da uva e do vinho, e dá outras providências.
Diário Oficial da União, 9 nov. 1988. Disponível em: [Link]
LEIS/1980-1988/[Link]. Acesso em: 15 jan. 2020.
BRASIL. Lei no. 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Dispõe sobre a agricultura orgânica
e dá outras providências. Diário Oficial da União, 24 dez. 2003. Disponível em: http://
[Link]/ccivil_03/leis/2003/[Link]. Acesso em: 15 jan. 2020.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento. Companhia Nacional
de Abastecimento. Comunicado no. 24, de 13 de dezembro de 2019. Diário Oficial da
União, 16 dez. 2019. Disponível em: [Link]
-n-24-de-13-de-dezembro-de-2019-233505132. Acesso em: 15 jan. 2020.
22 Tipos de uvas e de vinhos
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Dica do professor
Há uma grande diversidade de vinhos frisantes no mercado, os quais possuem diversas
características, por exemplo, vão desde secos até doces, variam sua coloração de tinto até branco.
No entanto, o grande diferencial desse produto está na sua leve efervescência, tornando-o fresco,
leve e fácil de beber. Esse estilo de vinho vem sendo cada vez mais apreciado por um público
jovem, podendo seu consumo estar associado a diversos momentos, como festas, brunches, happy
hours ou comemorações.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer as principais particularidades dos vinhos frisantes,
estilo que vem apresentando alta aceitação no Brasil.
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Exercícios
1) A Cabernet Sauvignon é uma das cultivares com maior prestígio no mundo, a qual possui
uma boa capacidade de ser cultivada em diferentes regiões, mantendo suas características
varietais e a qualidade dos vinhos.
A) ele pode conter aromas marcados por notas de defumado, especiarias e couro.
B) ele pode apresentar notas florais, como rosas, violetas, rosmaninho e lavanda.
E) ele tem aromas frutados, lembrando cereja preta, ameixa, compotas de frutas vermelhas.
2) A espécie Vitis vinífera L. surgiu há aproximadamente 300 mil anos. Hoje existem mais de 5
mil variedades de uvas viníferas, cada uma apresentando características particulares,
gerando vinhos únicos. Dentre as variedades de uva a seguir, qual tem um intenso aroma,
marcado por especiarias que deu origem ao seu nome?
A) Sauvignon Blanc.
B) Gewürztraminer.
C) Riesling Renano.
D) Chenin Blanc.
E) Pinot Gris.
A) vinho espumante.
B) vinho nobre.
C) vinho licoroso.
D) vinho fino.
4) Com a ampla gama de vinhos encontrados no mercado, eles devem ser subdivididos em
diferentes categorias, as quais facilitaram a compreensão das características sensoriais de
cada estilo. Em relação aos vinhos brancos, é correto afirmar que:
A) os vinhos brancos classificados como secos podem conter um teor alcoólico entre 7% a 8,5%.
D) os vinhos brancos encorpados são vinhos com alto conteúdo de açúcar, deixando-os
agradáveis em boca.
E) a passagem do vinho branco em barricas de carvalho e por Sur lie pode contribuir para o
aumento do corpo e da complexidade dos vinhos.
A) o vinho do Porto é o mais famoso produzido pelo método apassitamento das uvas.
C) o vinho Sauternes e Tokaji são clássicos exemplos de vinhos de sobremesa, produzidos com
uvas botritizadas.
D) o vinho de colheita tardia deve ser fortificado para que seja naturalmente doce.
Uma das técnicas que pode ser empregada nesse processo é a de colheita tardia, também
conhecida como late harvest, em que as uvas permanecem mais tempo no vinhedo para que possam
desidratar e, com isso, concentrar um maior conteúdo de açúcar na polpa. No entanto, para a
técnica ser bem conduzida, é importante que a região onde a uva está sendo produzida seja quente,
sem riscos de chuva e com menor incidência de ataques fúngicos.
Acompanhe no Na Prática um exemplo da Vinícola Vinhas & Vinhos, que produz dois exemplares
de vinho de colheita tardia.
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