Nervos são fibras nervosas agrupadas em feixes que se localizam fora do
encéfalo ou da medula espinha pertencendo assim nos sistema nervoso periférico.
As fibras nervosas nada mais são do que axônios (prolongamento dos neurônios,
que atuam garantindo a passagem do impulso nervoso) e suas bainhas envoltórias.
Os nervos são revestidos por uma camada fibrosa mais externa, formada de tecido
conjuntivo denso, o chamado epineuro. Além de envolver o nervo, o epineuro
também preenche os espaços existentes entre as fibras nervosas. Cada feixe é
revestido por várias células achatadas, as quais constituem o perineuro. Essas
células estão bem próximas umas das outras e estão unidas por junções oclusivas,
formando uma barreira importante contra agentes nocivos. Dentro da bainha
perineural, estão localizados os axônios, cada qual envolvido pelas células de
Schwann e um envoltório conjuntivo constituído por fibras produzidas pelas próprias
células de Schwann. Esse envoltório é chamado de endoneuro.
Fig. 1. Estrutura dos nervos
A depender do tipo de fibra que apresentam, os nervos podem ser classificados em
sensoriais, motores e mistos. Os nervos recebem a denominação de cranianos ou
espinhais a depender da região de onde se projetam. Os nervos que se projetam
da medula espinhal são chamados de nervos espinhais, enquanto os nervos que
partem do encéfalo são chamados de nervos cranianos. Lesões nos nervos podem
ser responsáveis por perda de movimentos e alterações na sensibilidade.
1.1. FUNÇÃO DOS NERVOS
Os nervos são responsáveis por promover a comunicação entre os centros
nervosos (encéfalo e medula espinhal) e os órgãos efetores, como glândulas e
músculos, e de sensibilidade. Os nervos, portanto, ao fazerem essa conexão,
garantem que nosso corpo seja capaz, por exemplo, de se movimentar e de
responder a diferentes sensações. Como o papel dos nervos é levar
informações, quando eles são lesionados, essas informações deixam de serem
passadas para os centros nervosos e outras partes do corpo.
2. NERVOS CRANIANOS
Os nervos cranianos são aqueles que fazem conexão com o encéfalo. Existem 12
pares desses nervos, cada um possui nomenclatura própria e são numerados em
algarismos romanos. Os nervos cranianos são:
Olfatório (I);
Óptico (II);
Oculomotor (III);
Troclear (IV);
Trigêmeo (V);
Abducente (VI);
Facial (VII);
Vestibular (VIII);
Glossofaríngeo (IX);
Vago (X);
Acessório (XI);
Hipoglosso (XII).
2.1. CLASSIFICAÇÕES E SUAS FUNÇÕES
Os pares cranianos fazem, de maneira geral, o suprimento sensitivo e motor da
cabeça e do pescoço.
Eles podem ser classificados em:
Eferentes/motores, quando a informação sai do sistema nervoso central;
Aferentes/sensitivos, quando a informação entra no sistema nervoso central;
Mistos.
As informações transmitidas pelos nervos cranianos podem ser:
Especiais: são os responsáveis pela visão, olfato, paladar, tato audição;
Somáticas: quando vão em direção ou são originadas pela pele e músculos
esqueléticos
Viscerais: quando são originadas ou vão para os órgãos internos
Gerais: quando se originam de exteroceptores e proprioceptores
2.2. ANATOMIA DOS NERVOS CRANIANOS
Os nervos cranianos emergem de forames e fissuras cranianas, e são originados de
núcleos no cérebro, conectados ao córtex cerebral pelas fibras corticonucleares.
Esses núcleos estão situados em colunas verticais no tronco encefálico,
correspondendo à substância cinzenta da medula espinhal.
A origem real desses pares cranianos é onde o seu núcleo está localizado. Já
a origem aparente é onde suas fibras aparecem no sistema nervoso, e a origem
óssea corresponde aos forames por onde esses nervos passam.
2.3. REPRESENTAÇÃO DA ANATOMIA DOS NERVOS CRANIANOS
Fig.02 Representação dos nervos cranianos
2.3.1. Nervo olfatório (I)
É um nervo exclusivamente sensitivo, contém fibras aferentes viscerais especiais.
Sua emergência craniana se localiza na lâmina crivosa do osso etmoide e a
encefálica, no bulbo olfatório, na porção inferior do lobo frontal; o seu núcleo é o
olfatório anterior, logo, é responsável pela inervação da mucosa olfatória.
Está distribuído no epitélio olfatório da cavidade nasal, formado por neurônios
bipolares que são as células receptoras olfatórias. Seus axônios se dividem em:
estria medial e lateral. A lateral envia estímulos para o hipocampo e para a
amigdala, já a medial, envia para o tálamo e depois para o córtex orbitofrontal,
responsável pela percepção do cheiro.