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Papel do Assistente Social em Hospitais

O documento descreve o papel crucial do assistente social nos hospitais. Analisa como os assistentes sociais apoiam os pacientes e famílias em situações difíceis, avaliando suas necessidades sociais e articulando com serviços de apoio. Também discute a história do serviço social hospitalar e como os assistentes sociais têm sido essenciais na promoção do bem-estar holístico dos pacientes.
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Papel do Assistente Social em Hospitais

O documento descreve o papel crucial do assistente social nos hospitais. Analisa como os assistentes sociais apoiam os pacientes e famílias em situações difíceis, avaliando suas necessidades sociais e articulando com serviços de apoio. Também discute a história do serviço social hospitalar e como os assistentes sociais têm sido essenciais na promoção do bem-estar holístico dos pacientes.
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O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL NOS HOSPITAIS

LAMEGO, JANEIRO DE 2023


O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL NOS HOSPITAIS

Licenciatura em Serviço Social

Unidade Curricular de História do Serviço Social

Estudantes:

Helena Marques nº 28726

Marta Vital nº 28757

Carolina Rodrigues nº 29029

Dina Perpétuo nº 29027

Professor:

Prof. Nídia Menezes

LAMEGO, JANEIRO DE 2023


ÍNDICE

INTRODUÇÃO____________________________________________________________________5

I – O ASSISTENTE SOCIAL: UM PROFISSIONAL ESSENCIAL PARA A SAÚDE E A SOCIEDADE________7

II – O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL__________________________________________________9

II.1 – O papel do assistente social nos hospitais_______________________________________9

II.1.1 – Os assistentes sociais na linha da frente na luta contra a Covid-19_______________12

IV – HISTÓRIA DO SERVIÇO SOCIAL HOSPITALAR________________________________________13

CONCLUSÃO____________________________________________________________________18

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS______________________________________________________19
INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi realizado no âmbito da disciplina História do Serviço Social tendo como tema
“O Papel do Assistente Social nos hospitais”, sob a tutela da professora Nídia Menezes.

Os nossos objetivos gerais são fazer uma pesquisa e enriquecê-la para a contribuição significativa dos
assistentes sociais para a compreensão e evolução de um tema crucial no contexto hospitalar,
analisar qual o seu papel nos hospitais, averiguar as principais tarefas e avaliar a importância do
profissional do assistente social nesse contexto. Os nossos objetivos específicos são analisar e
aprofundar a função dos assistentes sociais em situações específicas para desenvolver uma
compreensão mais profunda; reforçar os conhecimentos teórico-metodológicos adquiridos durante o
curso para fortalecer a base teórica; adquirir a capacidade de reflexão e análise crítica ao examinar
contextos e práticas dos assistentes sociais; e identificar as etapas envolvidas no processo de
elaboração de um trabalho académico. Ao longo do trabalho vamos também abordar sobre o que é
um assistente social, qual o seu papel e responsabilidades nos hospitais e falar brevemente sobre a
história do Serviço Social Hospitalar, de modo a analisar como esta temática se vem a desenvolver ao
longo do tempo.

O trabalho e desempenho dos assistentes sociais nos hospitais é um papel crucial na promoção do
bem-estar e ligação entre as necessidades sociais dos doentes. O papel dos profissionais de Serviço
Social, atuam em diversas áreas, oferecem apoio emocional, orientação e assistência para os
indivíduos e para as suas famílias que enfrentam dificuldades relacionados à saúde, avaliam a
situação socioeconómica dos indivíduos e articulam também com a rede de serviços sociais. Neste
trabalho exploramos de maneira mais aprofundada o papel multifacetado dos assistentes sociais no
ambiente hospitalar, de maneira a ver quais são as suas responsabilidades na avaliação das
necessidades dos enfermos, como proporcionar e facilitar a comunicação entre a equipa de
profissionais e doentes, e promover continuidade dos cuidados nos hospitais.

Neste trabalho, o objeto deste estudo será o papel do assistente social nos hospitais, para tanto,
serão utilizados os seguintes termos e conceitos:

Assistente social: um profissional da área do Serviço Social, com formação em nível superior.
Saúde: condição de bem-estar físico, mental e social.
Direitos: benefícios que devem ser asseguradas a toda a comunidade, independentemente
da sua classe social, raça, religião, etnia ou qualquer outra condição.
Orientação: fornecimento de informações e esclarecimentos sobre direitos e serviços.

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Articulação com a rede de serviços sociais: encaminhamento dos pacientes e familiares aos
serviços socias necessários.

Nós, como futuros profissionais de Serviço Social, compreendemos que temos um impacto de
mudança, onde podemos destacar a importância crítica do Serviço Social na construção de uma
abordagem holística para a saúde, que vai além do tratamento médico e engloba os aspetos sociais e
emocionais dos indivíduos durante períodos difíceis das suas vidas.

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I – O ASSISTENTE SOCIAL: UM PROFISSIONAL ESSENCIAL PARA A SAÚDE E A SOCIEDADE

Conforme Lameiras (s.d.) a definição de serviço social foi aprovada pela Assembleia Geral da IFSW
e da IASSW em julho de 2014, em Melborne, sendo esta a definição formal e mais recente a ser
utilizada. Assim, define-se O “Serviço social como uma profissão de intervenção e uma disciplina
académica que promove o desenvolvimento e a mudança social, a coesão social, o empowerment
e a promoção da pessoa. Os princípios de justiça social, os direitos humanos, da responsabilidade
coletiva e do respeito pela diversidade são centrais ao serviço social. Sustentado nas teorias do
serviço social, nas humanidades e nos conhecimentos indígenas, o serviço social relaciona as
pessoas com as estruturas sociais para responder aos desafios da vida e a melhoria do bem-estar
social.”

Os pressupostos fundamentais da profissão do serviço social incluem a promoção da mudança


social, o desenvolvimento social, a coesão social, o empoderamento e a liberdade, o
desenvolvimento de capacidades e a libertação humana. O serviço social é uma especialidade
científica que reconhece que a interação entre fatores históricos, culturais, espaciais, políticos,
socioeconômicos e pessoais/individuais pode ajudar ou dificultar o bem-estar e o
desenvolvimento humano. As barreiras estruturais contribuem para perpetuar a desigualdade, a
discriminação, a exploração e a opressão. Para uma prática emancipatória com o empoderamento
humano e a autonomia no seu cerne, é necessário desenvolver a consciência crítica através da
reflexão sobre as causas estruturais da opressão e/ou privilégio (com base em critérios como raça,
classe, língua, religião, género, deficiência, etc..). Ao promover estratégias de atuação face aos
obstáculos pessoais e estruturais, bem como ao comprometer-se em ajudar as pessoas em
situações mais desfavorecidas, a profissão luta contra a pobreza, trabalha pela libertação de todas
as populações em situação de opressão e vulnerabilidade social, promove a inclusão e a coesão
social (Espaço do Assistente Social, s.d.).

As intervenções do serviço social para a mudança social baseiam-se na premissa de que ocorrem a
nível individual, familiar, de grupo, comunitário ou social que são reconhecidos como importantes
para a mudança e o desenvolvimento social. É impulsionada pela necessidade de desafiar e mudar
todas as condições estruturais que contribuem para a marginalização, a exclusão e a opressão
social. As iniciativas que visam a mudança social reconhecem o papel da agência humana na
promoção dos direitos humanos e da justiça económica, ambiental e social. A profissão também
está empenhada em manter a estabilidade social, desde que não seja utilizada para marginalizar,
alienar ou oprimir grupos específicos de pessoas. O desenvolvimento social é conceptualizado
como meios e estratégias para uma intervenção sustentada em sistemas políticos e institucionais,

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no sentido de que as estratégias de intervenção são implementadas e os seus resultados
transcendem os sistemas residuais e institucionais. Baseia-se na avaliação e intervenção
biopsicossocial e espiritual holística que transcende o micro e o macro, integra a diversidade em
nível de sistema e integra relações interdisciplinares e profissionais na busca do desenvolvimento
sustentável. Isto dá prioridade ao desenvolvimento social, estrutural e económico, o que contraria
a crença comum de que o crescimento económico é um pré-requisito para o desenvolvimento
social (Espaço do Assistente Social, s.d.).

Os princípios globais do serviço social baseiam-se no respeito pelo verdadeiro valor e dignidade
de todas as pessoas, no respeito pela não-violência e na diversidade, e na defesa dos direitos
humanos e da justiça social. Defender os direitos humanos e a justiça do bem-estar social é uma
das motivações e fundamentos do bem-estar social. O Serviço Social reconhece que os direitos
humanos devem coexistir com a responsabilidade coletiva. O conceito de responsabilidade
coletiva baseia-se na crença de que os direitos humanos individuais só podem ser realizados se os
indivíduos assumirem responsabilidade por si próprios e pelo seu ambiente, e na importância de
promover inter-relações na sociedade. Neste sentido, um dos principais focos dos assistentes
sociais é proteger os direitos humanos a todos os níveis, promover a concretização do objetivo de
responsabilizar as pessoas pelo bem-estar dos outros e compreender e respeitar a
interdependência entre as pessoas e o seu ambiente (Espaço do Assistente Social, s.d.).

Os profissionais cobram os direitos de primeira, segunda e terceira gerações. Os direitos de


primeira geração referem-se a direitos civis e políticos, como a liberdade de expressão, a
liberdade de consciência e a liberdade contra tortura e detenção arbitrária. Por sua vez, os
direitos de segunda geração abrangem os direitos socioeconómicos e culturais, incluindo os
direitos à educação, à saúde, à habitação e às línguas minoritárias, por fim os direitos de terceira
geração centram-se no mundo natural, nos direitos à biodiversidade das espécies e na igualdade.
Estes direitos abrangem direitos individuais e de grupo e reforçam-se mutuamente sendo
interdependentes. Em certas situações, “não causar danos” e “respeitar a diversidade” podem
entrar em conflito representando assim valores diferentes. Por exemplo, há casos em que os
direitos, incluindo o direito à vida, de minorias como as mulheres e os homossexuais são violados
em nome dos direitos culturais. Esta abordagem pode promover o confronto e a mudança
construtiva quando certas crenças, valores e tradições culturais violam os direitos humanos.
Como a cultura é construída social e dinamicamente, ela pode ser desmantelada e alterada. Esta
confrontação, desconstrução e mudança construtiva podem ser promovidas através de um
diálogo crítico e ponderado com representantes de grupos culturais sobre a mudança e a

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compreensão de valores, crenças e tradições culturais específicas, e questões mais amplas de
direitos humanos (Espaço do Assistente Social, s.d.).

II – O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL

II.1 – O papel do assistente social nos hospitais

Nos últimos anos, o conceito de saúde foi reestruturado, passando a ser conhecido como um
esforço coletivo e próprio para aumentar o máximo de saúde a que podemos necessitar.
Internacionalmente é assumido que a saúde mais do que um estado “é um direito fundamental
de todo o ser humano, sem distinção de raça, religião, credo político e condição económica ou
social” (OMS, 2011). Esta situação no contexto de saúde tem em conta um conjunto de
comportamentos, tais como económicos, políticos, sociais, individuais, culturais e de género.

Neste contexto a intervenção do Serviço Social, tem em conta, uma forma sistemática, todas as
dimensões do ser humano em relação com o contexto em que se insere. No modelo holístico as
pessoas e o ambiente constituem uma unidade. Nesta perspetiva, Reis caracteriza o modelo
holístico como integrado, destacando que “a doença afeta toda a unidade e não apenas um
aspeto particular do seu corpo (…), a pessoas e o ambiente constituem uma tonalidade, a pessoa
doente participa ativamente na promoção do seu estado de saúde, é um dos agentes, a
experiência e as significações de ser doente pode ser utilizada criativamente e que o paciente e o
profissional são no processo terapêutico” (Reis, 1998).

Deste modo, o ofício do Serviço Social em contexto hospitalar deverá demonstrar-se inclusa
funcionalmente com todos os profissionais de saúde, com o mesmo nível de dignidade e
integração e autonomia, ou seja, o assistente social faz parte de uma equipa terapêutica, em vez
de só completar uma equipa. Por este motivo, todas as intervenções diárias dos assistentes
sociais nas visitas médicas e nas reuniões clínicas, onde são faladas e discutidas todas as situações
dos pacientes internados nas várias áreas do hospital, cria-se ali um momento de troca de
informação entre todos os profissionais que constituem a equipa terapêutica e onde ressalva a
importância fulcral da intervenção social no acompanhamento do doente/família e no
planeamento da alta. Por este motivo assume-se uma importante relevância em continuar a
acompanhar o paciente na questão da fragilidade emocional, na evolução da doença, e na
questão das alterações psicológicas que podem ocorrer durante o tratamento da doença.

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Os profissionais da área da assistência social, trabalham em parceria com a equipa
multidisciplinar, família, alcançando todas as frentes necessárias para permitir a alta hospitalar de
uma maneira mais adequada e segura. Com isto, eles conseguem compreender as necessidades
amplas dos pacientes, desde o início do atendimento até a sua alta, pois acompanham o paciente
a todos os níveis.

Atua em aspetos psicossociais associados à doença, que possam dificultar o seu processo de cura,
reabilitação e reintegração social no pó alto hospitalar, de forma a promover a mudança social e
resolução de problemas nas relações humanas para a promoção do bem-estar.

Um dos principais objetivos do profissional da assistência social é garantir direitos e vencer a


desigualdade. Em hospitais, tudo isso funciona através das políticas públicas de saúde. É o que
explica André França, assistente social e professor da Unit-PE: “É importante destacar alguns
conceitos que são fundamentais para a ação dos assistentes sociais na saúde como a conceção de
saúde, a integralidade, a participação social e a interdisciplinaridade”

(Branco, Joaquim, Matias, Oliveira, & Miranda, 2006) dizem algumas das principais funções do
assistente social nos hospitais, que incluem:

Avaliação social: O assistente social realiza uma avaliação das necessidades sociais dos
pacientes e suas famílias, levando em consideração fatores como condições de vida,
apoio familiar, recursos financeiros, entre outros. Essa avaliação ajuda a identificar
problemas e necessidades específicas que podem afetar a saúde e o bem-estar dos
pacientes.
Apoio emocional: O assistente social oferece apoio emocional aos enfermos e às suas
famílias durante os momentos mais difíceis, como doenças graves, internações
prolongadas ou procedimentos médicos complexos. Eles fornecem orientação e dão
conselhos para ajudar as pessoas a lidarem com o stresse e as preocupações emocionais
associadas à hospitalização.
Informação e encaminhamento: O assistente social fornece informações sobre direitos e
recursos disponíveis para os doentes, incluindo programas de assistência social,
benefícios governamentais, serviços comunitários e organizações de apoio. Eles também
podem fazer encaminhamentos para serviços especializados, como apoio psicológico,
cuidados paliativos ou reabilitação.
Trabalho em equipa: o assistente social colabora com a equipa multidisciplinar do
hospital, incluindo médicos, enfermeiros, terapeutas e outros profissionais, a fim de
garantir uma abordagem integrada e holística no cuidado aos pacientes.

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Planejamento de alta hospitalar: O assistente social desempenha um papel fundamental
no planejamento da alta hospitalar, garantindo que os pacientes tenham um ambiente
adequado para retornar após a alta e que tenham acesso a cuidados contínuos, se
necessário. Eles ajudam a coordenar os serviços de transição, como assistência domiciliar,
serviços de enfermagem ou reabilitação.
Advocacia e defesa de direitos: O assistente social atua como um defensor dos direitos
dos pacientes, ajudando a garantir que eles recebam os cuidados e os serviços próprios.
Eles podem auxiliar na resolução de questões relacionadas a benefícios sociais, cuidados
de saúde, discriminação ou negligência.

Os desafios que os profissionais de Serviço Social tiveram de enfrentar no seu dia a dia durante a
situação pandémica foi a reafirmação, as suas competências e atribuições profissionais, uma vez
que, a cada dia tiveram de lidar com exigências nas suas funções que não competiam à sua
categoria profissional.

De facto, é importante reforçar que, mesmo diante de um cenário de uma crise sanitária, o objeto
de intervenção profissional continua sendo as expressões da questão social em suas mais variadas
refrações, expressa por “desigualdades econômicas, políticas e culturais das classes sociais”
(IAMAMOTO, 2014), tendo o Serviço Social a missão de atuar de acordo com as legislações.

Em um hospital, os profissionais de Serviço Social lidam com questões que necessitam de


respostas imediatas, o que não significa respostas superficiais e infundadas. Para isso, é
necessário trabalhar articulando as dimensões teórico-metodológicas, ético-políticas e técnico
operativas que a profissão requisita, para que os assistentes sociais não se tornem profissionais
burocráticos e rotineiros a ponto de se naturalizar os pedidos apresentados pelos indivíduos.

Todos os dias, assistentes sociais atendem pessoas em situação de vulnerabilidade e riscos sociais,
tais como: mulheres vítimas de violência doméstica, pessoas em situação de rua, idosos sem
referência familiar, pessoas sem identificação com a situação de saúde agravada. Assim, é
necessário trabalhar em articulação com a rede socio assistencial para a viabilização dos direitos
desses pacientes. Diante do cenário de pandemia o qual vivemos, essas problemáticas tornaram-
se ainda mais desafiadoras, tendo em vista que diversos órgãos que tiveram de se reajustar e a
atuar a partir de novas normativas, o que dificultou a realização de alguns encaminhamentos.

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II.1.1 – Os assistentes sociais na linha da frente na luta contra a Covid-19

A Covid-19 é assumida como uma doença de fácil propagação, o que tem feito com que tenhamos
vivido em medidas de isolamento social. Desde que o vírus foi confirmado, várias restrições foram
postas, a exemplo da suspensão de visitas hospitalares, de mais rigidez quanto ao
acompanhamento do paciente. Por outro lado, o indivíduo quando internado e com sintomas de
doença, não pode ficar acompanhado, emergindo dificuldades para o próprio paciente, familiares,
assim como profissionais.

No que se referia ao Serviço Social, estava a ser constantemente requisitado para que obtivessem
tanto o boletim clínico tanto a comunicação de óbito dos pacientes para os familiares. Essa tarefa
foi imposta pelos familiares, que desconheciam as atribuições da profissão, mas
consequentemente pelos órgãos institucionais, o que levou os conselhos regionais da profissão a
se posicionarem, reiterando aquilo que, de facto, compete à profissão, a exemplo da Orientação
Normativa n. 3/2020 do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS).

O papel e desempenho do assistente social nos hospitais durante a pandemia da Covid-19 foi
muito importante, a sua contribuição foi essencial para assegurar o bem-estar social e emocional
não apenas dos doentes, mas também das suas famílias e toda a equipa hospitalar. Dentre as
responsabilidades específicas, destacam-se que devido à Covid-19 o assistente social oferece
apoio emocional aos enfermos hospitalizados e às suas famílias, isso envolve ajudar a lidar com o
medo, a ansiedade, a solidão e outras emoções desencadeadas pela doença e pelo isolamento,
fornecem informações atualizadas sobre a Covid-19, medidas de prevenção, direitos e benefícios
sociais relacionados à doença, orientam sobre como a cessar recursos e serviços disponíveis. O
assistente social auxilia os pacientes e as suas famílias na tomada de decisões relacionadas ao
tratamento durante a pandemia, podendo envolver discussões sobre opções de cuidados,
cuidados paliativos ou questões éticas, como também coopera do planejamento de alta hospitalar
para doentes infetados, garantindo que eles recebam os cuidados e cuidados adequados ao
voltarem para casa. Isso pode incluir a conexão com serviços de reabilitação, assistência
domiciliar e suporte psicossocial.

O assistente social desempenhou um papel essencial nos hospitais durante a pandemia da Covid-
19, oferecendo apoio emocional, informação, orientação e coordenação de recursos para
pacientes, famílias e também para a equipa hospitalar.

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IV – HISTÓRIA DO SERVIÇO SOCIAL HOSPITALAR

A história do Serviço Social passou por diversos contextos e épocas, está sempre em evolução ao
longo de mudanças sociais, económicas, políticas e ideológicas. Durante a fase de emergência
(1923-1935), em 1925 nasceram as primeiras tentativas para a criação de Escolas de Serviço
Social, segundo Branco (2015), cit. por Menezes, o diretor Faria de Vasconcelos, no Instituto de
Orientação Profissional, ficou responsável por preparar o pessoal pedagógico dos
estabelecimentos de educação da assistência pública, e os serviços jurisdicionais e tutelares de
menores aproveitam o IOP para dar formação ao pessoal.

Os primeiros ensaios em 1929-1930, com duração de seis meses, criam-se as visitadoras


sanitárias, enfermeiras visitadoras (visitas ao domicílio; ensinavam os doentes em questões de
higiene e medicamentos), que a sua formação ficava por conta da Direção Geral de Saúde, que
incluía disciplinas de higiene e profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis e de
puericultura (trata-se do acompanhamento e do cuidado do individuo desde o seu nascimento até
a adolescência). Havia um Plano de Estudos que consistia em noções de moral especial, noções
gerais de educação, higiene e enfermagem, elementos de higiene sanitária e formação técnica e
prática. O Serviço Social a partir do desenvolvimento das visitas domiciliárias, começou a ganhar
visibilidade na área da saúde (Jesus, 2017).

Foi só em 1934 em Portugal, que o Serviço Social foi criado como uma profissão organizada e
formalizada. É importante destacar que o Serviço Social, nos seus primórdios, tinha uma
orientação assistencialista e de controlo social. A função do controlo social representa a enfâse
inicial na gestão de dificuldades sociais (como por exemplo a pobreza, saúde mental,
desemprego) vistas como problemáticas para a sua estabilidade social.

Em 1934, Alfredo Tovar de Lemos, diretor do Dispensário de Higiene Social, designou o curso de
Serviço Social como sendo “o primeiro curso de Assistentes Sociais” que representou uma
evolução crucial na profissionalização do Serviço Social em Portugal. Essa iniciativa foi um
momento significativo, de maneira a criar as bases para a formação especializada das visitadoras
sanitárias, que não se limita às funções de enfermagem. Segundo ele, os assistentes sociais
devem orientar uma entrevista com os doentes, com o intuito de saber se esses deviam ser ou
não tratados naqueles serviços, e ter conhecimentos técnicos de venereologia e sífilis (no qual
Tovar de Lemos era contra) (Martins, 2018).

Na fase da institucionalização do Serviço Social em Portugal, cria-se em 1935 o Instituto de


Serviço Social em Lisboa, em 1937, a Escola Normal Social em Coimbra e mais tarde em 1956

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criou-se o Instituto de Serviço Social do Porto (Santos & Martins, 2016). De acordo com o mesmo
autor e Branco (2015), cit. por Menezes, há um plano de estudos (3 anos) que se dividia em
dimensões médico-sanitárias que tem a ver com a anatomia, higiene geral e alimentar,
puericultura, doenças infeciosas, microbiologia, fisiologia e legislação sanitária; jurídica: direito
civil, direito constitucional, direito e legislação do trabalho e previdência e filosofia; e Serviço
Social que organizava-se em aulas e estágios sobre a formação técnica, ação social e
corporativismo, e organização social agrícola.

Conforme Guadalupe (2015) o Serviço Social Hospitalar teve uma evolução mais tardia, só em
1941-1942, os profissionais de Serviço Social foram incorporados aos Hospitais Universitários de
Coimbra e Lisboa. Foi nesse período que o Serviço Social Hospitalar foi formalmente estabelecido,
de maneira a se tornar uma parte integrante dessas instituições de saúde. O mesmo autor afirma
que a entrada de Maria Gabriela Moreira Sales, como primeira assistente social no Hospital
Psiquiátrico Júlio de Matos em Lisboa representa um marco significativo. A presença da assistente
social não apenas fortaleceu a conexão entre os hospitais e a população, mas também uma
mudança, tornando a abordagem social e preventiva na assistência psiquiátrica.

Martins (2018) acrescenta que em 1948, inseriram assistentes sociais no Instituto Português de
Oncologia, e mais tarde, noutras instituições de saúde. No ambiente hospitalar, a entrada de
profissionais de Serviço Social, foi impulsionada pelo reconhecimento social dessa profissão e
pelas várias necessidades associadas ao desenvolvimento continuo na área da saúde ao longo do
tempo. Os assistentes sociais tinham as funções de ação orientadora e educativa, vigilância dos
doentes, concretização de inquéritos socias e reintegração do doente, assim ocupavam um papel
crucial.

Em 1950, testemunhamos a criação do Sindicato de Assistentes Sociais, educadoras familiares e


mais profissionais de Serviço Social. Os membros do Sindicato eram competidos de proteger os
interesses e necessidades da população. Além disso, em 1956, a criação da Escola de Serviço
Social no Porto, que serviu como resposta aos desafios sociais consequentes da industrialização. A
partir desse ano, as escolas de Serviço Social passaram a formar três tipos de profissionais, como
as assistentes sociais, assistentes familiares e monitoras (Carvalho & Pinto, 2015).

Em 1963, a Lei nº2120, datada a 19 de julho, segundo Governo de Portugal (s.d.), estabeleceu as
bases da política de saúde e assistência em Portugal. Essa legislação concedeu ao Estado a
responsabilidade pela organização e manutenção de serviços que, devido ao interesse nacional
que representam ou à sua complexidade, não poderiam ser orientados pela iniciativa privada.
Além disso, cumpriu o Estado de promover a criação de instituições particulares alinhadas com os

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princípios legais, desde que oferecessem condições morais, técnicas e financeiras de maneira a
atingir os objetivos. Posteriormente, em 1968, houve uma uniformização e regulamentação dos
hospitais e dos profissionais de saúde. O Decreto-Lei n.º 48357, a 27 de abril de 1968, criou o
Estatuto Hospitalar, enquanto o Decreto-Lei n.º 48358, na mesma data, instituiu o Regulamento
Geral dos Hospitais. Essas regulamentações visavam estabelecer normas e diretrizes para os
hospitais, bem como para as carreiras dos profissionais de saúde, como enfermeiros, médicos,
farmácia e administração. Esta iniciativa promoveu uma gestão mais eficiente no setor hospitalar,
de maneira a refletir um esforço do Estado para organizar o sistema de saúde de forma mais
abrangente (Governo de Portugal, s.d.).

No ano de 1973, foi autorizado o documento “Regulamento do Serviço Social” que contém 17
artigos sobre as funções dos profissionais de Serviço Social nos hospitais que se trata da
reabilitação dos indivíduos e reconhecer quais os fatores psicossociais que possam ser uma
dificuldade na recuperação. Com a aprovação da nova Constituição, o artigo 64º estabelece que
todas as pessoas têm direito à proteção da saúde e a responsabilidade de protegê-la e promovê-
la. Esse direito é concretizado por meio da criação de um serviço nacional de saúde que seja
universal, abrangente e gratuito, para garantir o direito à proteção da saúde, que cabe ao Estado
assegurar que toda a população, independentemente da sua situação económica tenha acesso
aos cuidados da medicina. Mais tarde em 1979, um grupo de assistentes sociais da área da saúde,
desenvolveu um trabalho sobre “O Serviço Social no Sector da Saúde”, que organiza os objetivos,
conceitos, estrutura funcional e as devidas funções do Serviço Social, de modo a garantir uma
divulgação na parte profissional (SNS, 2023).

Guadalupe (2015) acrescenta que António Arnaut estava a dispor a Lei de Bases que daria
realização à organização constitucional. Só em 1990 é que foi aprovada a Lei de Bases, que pela
primeira vez, a Constituição aborda a proteção da saúde como um direito e uma responsabilidade
compartilhada entre os indivíduos, a sociedade e o Estado, onde todos os envolvidos têm um
papel ativo, assim a promover a ideia de que a saúde é livre de procura e de prestação de
cuidados (SNS, 2023) (Governo de Portugal, s.d.).

A Lei de Bases tem como princípios gerais:

“1 - O direito à proteção da saúde é o direito de todas as pessoas gozarem do melhor estado de


saúde físico, mental e social, pressupondo a criação e o desenvolvimento de condições
económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam níveis suficientes e saudáveis de vida,
de trabalho e de lazer.

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2 - O direito à proteção da saúde constitui uma responsabilidade conjunta das pessoas, da
sociedade e do Estado e compreende o acesso, ao longo da vida, à promoção, prevenção,
tratamento e reabilitação da saúde, a cuidados continuados e a cuidados paliativos.

3 - A sociedade tem o dever de contribuir para a proteção da saúde em todas as políticas e


setores de atividade.

4 - O Estado promove e garante o direito à proteção da saúde através do Serviço Nacional de


Saúde (SNS), dos Serviços Regionais de Saúde e de outras instituições públicas, centrais, regionais
e locais.” (Diário da República, 2019)

Em 1999, há um novo regime de criação, organização e funcionamentos dos centros de saúde. Em


2002, aprovaram o novo regime de gestão hospitalar e fazem mudanças na Lei de Bases.
Estabelece-se um novo modelo de administração hospitalar, há uma reestruturação, aplicável aos
hospitais que fazem parte da rede de prestação de cuidados de saúde, e formaliza-se a
implementação de modelos de gestão com características empresariais, conhecidos como
Entidades Públicas Empresariais (EPE) (SNS, 2023).

O período abrangido por estas etapas cronológicas remonta a diversos momentos históricos ao
longo do tempo em Portugal. Em termos gerais, no ambiente hospitalar podemos afirmar que do
século XV até o início do século XX, houve poucas mudanças na prestação de cuidados de saúde,
com ajustes decorrentes do avanço gradual. A solidariedade baseada em princípios ético-
religiosos motivava a organização para defender os indivíduos. Contudo, não existia uma
obrigação formal por parte daqueles que prestavam assistência, nem direitos para aqueles que
recebiam cuidados. A assistência era guiada por princípios filantrópicos e paternalistas, sem
obrigações ou direitos formalmente estabelecidos, uma dinâmica que durou até uma fase mais
recente do século XX.

O Serviço Social é uma disciplina que se molda e responde dinamicamente às necessidades e


contribui para a saúde da população em geral de maneira a orientar e intervir nas necessidades
dos indivíduos, tendo em conta os impactos na saúde e bem-estar. Martins (2018) afirma que
desde o início do século XX até a atualidade o Serviço Social na área da saúde tem evoluído. O
profissional dessa área atua de forma ativa junto dos indivíduos, famílias e população. Essa
atuação complementa os cuidados de saúde, de maneira a colaborar para a melhoria da
prestação desses cuidados.

Os assistentes sociais executam avaliações sociais para compreender as necessidades e


circunstâncias dos doentes. Com base nisso, desenvolvem intervenções que visam melhorar o

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bem-estar social e emocional. Dão apoio emocional aos doentes e às suas famílias, ajudando-os a
enfrentar os desafios sociais relacionados à doença, internamento e tratamento. Esses também,
contribuem com a equipa de profissionais na coordenação dos cuidados, assegurando uma
comunicação mais eficaz entre profissionais de saúde, doentes e familiares. Os profissionais de
Serviço Social comunicam ativamente no planejamento da alta hospitalar, de modo a garantir que
os indivíduos tenham um apoio adequado e acesso a recursos após a alta. Atuam também como
defensores dos direitos dos pacientes, e observam as diferenças culturais dos doentes, ajustando
as suas práticas para permitir cuidados sensíveis e culturalmente competentes. Os assistentes
sociais, contribuem com os serviços sociais da comunidade, organizações sem fins lucrativos e
trabalhos governamentais, para garantir apoio contínuo após a alta hospitalar. E também
desenvolvem programas educativos e iniciativas de prevenção para os todos os indivíduos, assim
a proporcionar a saúde e prevenir situações que possam levar à hospitalização (Carvalho & Pinto,
2015) (Guadalupe, 2015).

O Serviço Social em hospitais, na atualidade, assume um papel dinâmico e essencial, focalizado na


melhoria da qualidade de vida dos pacientes, na prestação de cuidados holísticos, abordando as
necessidades médicas e também os fatores sociais que impactam a saúde, e na promoção de
ambientes de cuidado mais inclusivos.

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CONCLUSÃO

Os profissionais de Serviço Social nos hospitais têm um papel crucial, aplicam uma abordagem
holística no cuidado dos indivíduos, de maneira a considerar nas necessidades médicas, nas
questões sociais, emocionais, psicológicas e económicas que podem prejudicar a vida dos
doentes, como na saúde e bem-estar. No contexto hospitalar, os assistentes sociais
desempenham várias funções que ajudam na melhoria da qualidade de vida e para o bom
funcionamento nessas instituições de saúde.

Além disso, os assistentes sociais contribuem significativamente para equipas multidisciplinares,


de forma a ajudar a abordar questões sociais, emocionais e práticas que impactam a saúde e o
processo de recuperação dos pacientes. Mediante a complexidade das necessidades hospitalares,
o papel profissional de Serviço Social é de importância para garantir que os pacientes recebam o
apoio necessário durante momentos críticos de suas vidas.

Desempenha várias funções essenciais. Isso inclui fornecer apoio emocional e prático aos doentes
e famílias, facilitar o acesso a recursos e serviços externos, ajudar na resolução de questão sociais
complexas que afetam a saúde dos pacientes, e colaborar com a equipa médica para garantir um
atendimento mais abrangente e holístico. Os assistentes sociais atuam como defensores dos
direitos dos indivíduos e oferecem orientação e aconselhamento sobre questões legais,
financeiras e de habitação. A sua presença contribui para a humanização do atendimento
hospitalar e para a promoção de uma abordagem mais integral e holística da saúde.

Para concluir, os assistentes sociais nos hospitais cumprem uma função enriquecedora e
multifacetada. Ao abordarem as necessidades dos indivíduos, os profissionais tornam-se bases
indispensáveis na construção da complexidade dos seres humanos e proporciona a participação
ativa dos doentes no seu próprio cuidado. A intervenção dos profissionais de Serviço Social, neste
contexto, visa compreender e resolver os impactos sociais no processo de recuperação, e assim,
priorizam o bem-estar integral dos indivíduos.

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