Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia
Bioquímica de Microrganismos
Prova da Urease - PRÁTICA 5
Maisa Moraes Gonçalves Ferreira
Valdielly Cristine Santos da Silva
Ponta Grossa
2023/2
1. INTRODUÇÃO
● A urease:
A vida depende da realização de inúmeras reações químicas que ocorrem no
interior das células e também fora delas (em cavidades de órgãos, por exemplo). Por
outro lado, todas essas reações dependem, para sua efetivação, da existência de uma
determinada enzima. As enzimas são substâncias do grupo das proteínas e atuam
como catalisadores de reações químicas.
A urease é uma enzima que catalisa a hidrólise da ureia, um composto orgânico
formado por dois átomos de nitrogênio ligados a um átomo de carbono por meio de
ligações duplas. A hidrólise da uréia pela urease resulta na formação de amônia e
dióxido de carbono.
CO(NH2)2 + 2 H2O → CO2 + NH3
● Contextualização:
A prova da urease é uma técnica bioquímica fundamental na caracterização de
microrganismos, destacando-se como uma ferramenta valiosa para a compreensão de
suas capacidades metabólicas. No contexto específico da Salmonella, uma bactéria
gram-negativa com relevância clínica e zoonótica, a análise da urease desempenha um
papel crucial na identificação e na compreensão de suas propriedades bioquímicas.
A Salmonella é conhecida por ser um agente patogênico de grande importância
em seres humanos e animais, causando doenças gastrointestinais significativas. Sua
habilidade em converter ureia em amônia por meio da enzima urease não apenas
influencia seu metabolismo, mas também pode desempenhar um papel na adaptação a
diferentes ambientes, incluindo o trato gastrointestinal.
A urease, uma amidase, catalisa a hidrólise da ureia, gerando amônia e dióxido
de carbono. A relevância desse processo na Salmonella vai além da obtenção de
fontes de nitrogênio para o crescimento bacteriano. A atividade da urease também
pode influenciar a virulência da Salmonella, pois a liberação de amônia pode modular o
ambiente local, afetando a sobrevivência e a colonização bacteriana.
No âmbito da Bioquímica de Microrganismos, a prova da urease desempenha
um papel crucial na caracterização fenotípica de bactérias, permitindo a diferenciação
entre cepas com base em suas atividades enzimáticas específicas. A presença ou
ausência de urease fornece informações valiosas sobre a adaptação metabólica da
Salmonella a diferentes nichos ecológicos, influenciando diretamente sua
patogenicidade.
Além disso, a análise da urease é de importância prática em laboratórios clínicos
e de pesquisa, onde a identificação precisa de cepas bacterianas é essencial. Ao
compreender as características bioquímicas, como a atividade da urease, os
profissionais podem melhorar a precisão no diagnóstico e na epidemiologia da
Salmonella, contribuindo para estratégias mais eficazes de controle e tratamento.
Em resumo, a prova da urease emerge como uma ferramenta indispensável na
caracterização bioquímica da Salmonella, proporcionando insights valiosos sobre sua
adaptação metabólica e contribuindo para a compreensão de sua patogenicidade. Este
estudo não apenas aprofunda nosso conhecimento sobre os mecanismos moleculares
da bactéria, mas também tem implicações práticas significativas na saúde humana e
animal.
Imagem 01 - Modelo 3D da urease. Disponível em: Urease – Wikipédia, a enciclopédia livre ([Link])
2. OBJETIVOS
Os objetivos da prática são:
● Determinar se um microrganismo é capaz de produzir a enzima urease:
Este objetivo envolve a realização de um teste de urease para identificar se a
bactéria em questão possui a capacidade de produzir a enzima urease, que catalisa a
hidrólise da uréia em amônia e dióxido de carbono.
Além dos objetivos principais mencionados anteriormente, podem existir
objetivos secundários na prática descrita:
● Avaliar a habilidade microbiana em converter ureia em amônia:
Esse objetivo complementa o teste da urease, destacando a capacidade do
microrganismo em utilizar a ureia como substrato para produzir amônia. A alteração do
pH do meio de cultura é um indicativo dessa atividade.
● Entender a utilidade prática dos testes para diagnóstico microbiológico:
Além da caracterização bioquímica, a prática pode ter como objetivo fornecer
aos alunos uma compreensão prática da utilidade desses testes em contextos como
diagnóstico microbiológico, distinguindo microrganismos com base em suas atividades
enzimáticas.
Esses testes são fundamentais para avaliar a capacidade metabólica dos
microrganismos em relação à ureia e à gelatina, fornecendo informações sobre as
enzimas específicas que podem estar presentes em determinadas linhagens
bacterianas.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
● Materiais utilizados na prática:
→ Bico de bunsen
→ Alça de inoculação estéril
- Meios de cultura empregados no teste:
a. para o preparo do inóculo: TSI, TSA ou NA;
b. Para a prova da urease, tubos com Ágar Uréia de Christensen inclinado em
rampa longa.
Ágar Uréia de Christensen
Composição do caldo Quantidade
Peptona 1,0 g
Glicose 1,0 g
Cloreto de Sódio 5,0 g
Fosfato monopotásico (KH2PO4) 2,0 g
Vermelho de Fenol (Solução 0,2%) 6 mL
Ágar bacteriológico 20,0 g
Água destilada 1000 mL
FONTE: DA SILVA et. al. (2010) // Corrigir pH 6,8 - 121°C/15min
Solução Vermelho de Fenol a 0,2%
Composição Quantidade
Vermelho de Fenol 0,1 g
NaOH 0,1N 4,0 mL
Água destilada Completar para 50 mL
FONTE: DA SILVA et. al. (2010)
● Procedimentos indispensáveis
→ Higienizar bem as mãos com água e sabão
→ Limpar as bancadas com álcool 70% antes e depois do experimento
→ Uso de guarda-pó limpo, abotoado e de mangas longas
→ Cabelos longos devem estar presos
→ Retirar possíveis adornos
● Preparação:
→ Solução de Vermelho de Fenol:
- Dissolver 0,1g de vermelho de fenol em 4,0mL de NaOH 0,1N.
- Completar o volume para 50mL com água destilada.
→ Ágar Uréia de Christensen (base):
- Preparar o meio base do Ágar Uréia de Christensen, excluindo a ureia.
- Preparar uma solução aquosa de uréia a 40% e esterilizar por filtração.
- Estabilizar o ágar base, esterilizar e, após resfriamento a 45-50°C, adicionar
50 mL da solução de ureia estéril por litro.
- Distribuir em tubos estéreis, inclinando em rampa longa.
● Execução da Técnica:
→ Preparação do Inóculo:
- Utilizar a linhagem a ser analisada e reativar 24 horas antes em meio de
cultura apropriado (KIA, TSI, NA, TSA).
- A reativação ocorre a 35-37°C, a menos que condições específicas para o
microrganismo exijam diferentes.
→ Prova da Urease:
- Tomar um inóculo moderado da linhagem e inocular os tubos com Ágar Uréia
de Christensen inclinado, estriando a rampa.
- Preparar um tubo controle com meio de cultivo, sem o microrganismo.
- Incubar os tubos a 35-37°C por 24-48 horas.
- Comparar o tubo inoculado com o tubo controle.
● Etapas Finais:
→ Desinfecção e Limpeza:
- Realizar a desinfecção da bancada de trabalho utilizando álcool 70% ao
término da aula.
- Lavar as mãos ao final do trabalho.
● Interpretação dos Resultados:
Prova da Urease:
- Teste Positivo (rosa-escuro): Indica presença da enzima urease. Hidrólise da
uréia em amônia alcaliniza o meio, mudando o pH de amarelo (pH 6,8) para
rosa escuro (pH 8,0).
- Teste Negativo: Meio permanece amarelo, indicando ausência de urease. O
crescimento bacteriano ocorre devido à utilização da peptona presente no
meio.
Imagem 02 - Interpretação dos resultados da prova da urease. Disponível em: Guia ident.
enterobacterias ([Link])
4. RESULTADOS
Na análise da urease, optou-se pela utilização da bactéria Salmonella. Após a
inoculação, avaliamos se a bactéria apresenta a enzima urease, responsável pela hidrólise
da uréia em amônia. Um resultado positivo seria indicado pela mudança de cor, passando
de amarelo para rosa escuro. A comparação entre a imagem 3 de controle e a da prova é
apresentada a seguir.
Conforme evidenciado na imagem 4, após a inoculação e incubação, a bactéria
não manifestou a reação desejada, indicando a ausência da enzima urease. Este resultado
confirma que a uréia não foi hidrolisada em amônia, como mencionado anteriormente. Para
obter um resultado positivo, o meio deveria ter mudado de cor, passando do amarelo para
o rosa, alcalinizando o meio e alterando o indicador de pH de fenol para vermelho.
5. DISCUSSÃO
De maneira geral, conforme evidenciado nos resultados, observou-se que o
microrganismo em questão não apresenta a capacidade de produzir a enzima urease. Essa
conclusão foi baseada na ausência de coloração rosa-escuro no meio, indicativo de um
resultado positivo. Outro ponto a se avaliar é a falta dessa coloração que sugere a
inexistência da enzima urease, responsável pela hidrólise da uréia em amônia, alcalinizando
o meio e alterando a coloração do indicador de pH para vermelho de fenol.
6. REFERÊNCIAS
LEMOS, Marcela. TUASAÚDE. Teste da urease: o que é, como é feito e resultado positivo.
Disponível em: Teste da urease: o que é, como é feito e resultado positivo - Tua Saúde
([Link]). Acesso em: 27 de nov. 2023.
UREASE. Disponível em: Urease – Wikipédia, a enciclopédia livre ([Link]). Acesso:
27 de nov. 2023.
TESTE DE UREASE. Uniprocto & gastro. Teste de UREASE | Uniprocto & Gastro
([Link]). Acesso em: 27 de nov. 2023.
Kasvi. Instrução de Uso AGAR URÉIA BASE (CHRISTENSEN). Disponível em:
[Link] ([Link]). Acesso em: 27 de nov. 2023.
SANTOS, Eduarda. ARTHUR. Mayara. RIBEIRO. Karla. Guia prático: provas de
identificação de enterobactérias. Disponível em: Guia ident. enterobacterias
([Link]). Acesso em: 27 de nov. 2023.