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CURSO DE INTRODUGAO A ATIVIDADE DE INTELIGENCIA - CIAI wy ENSINOPESQUISA, PRESIDENCIA DA REPUBLICA Jair Mesias Bolsonaro MINISTERIO DA JUSTICA E SEGURANCA PUBLICA Anderson Gustavo Torres SECRETARIA DE GESTAO E ENSINO EM SEGURANCA PUBLICA ‘Ana Cristina Melo Santiago DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA Roberto Glaydson Ferreira Leite COORDENACAO GERAL DE ENSINO Juliana Antunes Barros Amorim COORDENACAO DE ENSINO A DISTANCIA Juliana Antunes Barros Amorim COORDENACAO-GERAL DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS PEDAGOGICOS E INOVACAO Carolina Barreto Siebra COORDENAGAO PEDAGOGICA Gisele Matos Gervasio COORDENAGAO DE INOVAGAO E TECNOLOGIA APLICADA Alessandra Verissimo Lima Santos CONTEUDISTA Felipe Scarpelli de Andrade Frederico de Melo Aguiar Renato Pires Moreira André Luiz de Oliveira Tempone REVISAO TECNICA Emerson Gustavo dos Santos Bezerra Dayvson Figueiredo Vieira Adriana Aparecida Vizzotto PROGRAMACAO E EDIGAO Ozandia Castilho Martins Fagner Fernandes Douetts DESIGNER Ozandia Castilho Martins Fagner Fernandes Douetts DESIGNER INSTRUCIONAL Anne Caroline Bogarin Manzolli 1| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Sumario Médulo 1 — Fundamentos Historicos... Apresentacao do Médulo.... 6 Objetivos do Médulo .. 6 Estrutura do Médul 6 Aula 1 - Introdugao ao tema.. 7 1.1 Aspectos introdutérios. soo Aula 2 ~Inteligéncia: esboco histérico 9 2.1—Os primérdios 9 2.2 —Registros ao longo da historia 9 Aula 3 — A Inteligéncia no Brasil. wove 2, 3.1-Aorigem 12 3.2-A criacao... 12 3.3 - Nos tempos do regime democratico... 14 Aula 4 — Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN)... 16 4.1 0 SISBIN: objetivo e conceito... 16 4,2 - Organizacao e funcionamento do SISBIN. 16 Aula 5 ~ Subsistema de Inteligéncia de Seguranca Publica (SISP). sssentntnnnnsentns 22 Fimalizando [Link] scsennntsennnenens 26 Modulo 2 — A Inteligéncia e a Investigagao Policia .. 28 Apresentacao do Médulo Objetivos do Médulo .. Estrutura do Médul Aula 1A Inteligéncia e a Investigacao Policial.. 1.1 A diferenciagio sob o ordenamento juridico.. 29 1.2 A diferenciagao pela finalidade 30 1.3 A diferenciagio pelo significado da verdade. 32 1.4 A diferenciacao pelos documentos Aula 2—Um exemplo de carater empirico 2.1 Um exemplo para estudo....... 2.2. Comentando o exemplo com foco nas Atividades de Inteligéncia..... 21 Pagina wy ENSINOPESQUISA, Finalizando 40 Médulo 3 — Fundamentos Doutrinarios da Atividade de Inteligéncia de 41 Seguranga Publica .. Apresenta¢do do Médulo Objetivos do Médulo . Estrutura do Médulo..... Aula 1 ~Conceito de Inteligéncia de Seguranca Publica... 1.1 Conceito de Inteligéncia... 1.2 Conceito de Inteligéncia de Seguranca Public 43 Aula 2—Finalidades, caracteristicas, principios e ramos da Inteligéncia de Seguranca Publica 45 2.1 Finalidades...... AS 2.2 Caracteristicas 46 2.3 Principios... AT 49 50 2.4 Ramos Aula 3 - Niveis de Assessoramento.. 3.1 Niveis de Assessoramento. Aula 4 — Profissionais de Inteligncia de Seguranca Publica... 4.4 Profissionais de Inteligéncia de Seguranca Publica... Aula 5 —Espécies de Inteligéncia de Seguranca Publica... 5.1 Espécies de Inteligéncia de Seguranga Publica Finalizando Modulo 4 — Inteligéncia Apresentago do Médulo ... Objetivos do Médulo .. Estrutura do Médul Aula 1 - A producdo do conhecimento de Inteligéncia na atividade poli 1.1 A produc do conhecimento de Inteligéncia na atividade policial 59 1.2 Técnicas Acessérias... 60 1.3 Dado e Conhecimento 62 1.4 Estados da mente diante da verdade. 63 15 Trabalhos Intelectuais 66 31 Pagina wy ENSINOPESQUISA, 1.6 Tempo... 69 1.7 Tipos de Conhecimento. Aula 2A Metodologia da Producao do Conhecimento ... 2.1 Metodologia da Producao do Conhecimento 74 2.2 Planejamento . sennsnnee 2.3 Reunio de Dados e/ou Conhecimentos. 80 2.4 Processamento.... 84 2.5 Formalizacao e Difus3o 92 Finalizando..... Médulo 5 — Agées e Operacées de Inteligéncia..... Apresentagio do Médulo ... Objetivos do Médulo .. Estrutura do M6dUIO...sscnssenanenenennatnnesensn Aula 1 - Agdes de Inteligéncia ..nnmsnsnnnannnnnnnes 1.2 AgBes de Coleta 1.3 AgBes de Busca Aula 2 ~ Operagées de Inteligéncia de Seguranga Publica 2.1 Exploratérias, 2.2 Sistematicas.... 2.3 Definigdes de termos 2.4 Planejamento de Operacdes 101 2.5 Agdes de Busca... 2.6 Técnicas Operacionais. Finalizando..... Modulo 6 — Contrainteligéncia ........ Apresenta¢do do Médulo Objetivos do Médulo .. Estrutura do Médul Aula 1 ~ Definiges essenciais de Contrainteligéncia........ 1.1 Conceito ... 1.2 Conceitos basicos.... Aula 2 - Segmentos de Contrainteligéncia 4| Pagina wy ENSINOPESQUISA, 2.1 Seguranga Orgénica (SEGON)... 147 2.2 Seguranca Ativa (SEGAT)... 159 2.3 Seguranca de Assuntos Internos (SAI)... 160 Finalizando 161 Referéncias Bibliograficas 5| Pagina y ENSINOPESQUISA, Médulo 1 — Fundamentos Apresentagao do Médulo O presente médulo abordara, além de um esboco histérico da Atividade de Inteligéncia, 0 funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligéncia e do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica. A compreensdo desses aspectos é um dos primeiros passos para compreender o tema que vocé ira estudar ao longo do Curso de Introducdo a Atividade de Inteligéncia Vamos la! Objetivos do Médulo Ao final do estudo deste modulo, vocé sera capaz de: * Conhecer os aspectos introdut6rio e histérico da Inteligéncia de Seguranga Publica; * Compreender o Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN); € * Reconhecer a importancia do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP). Estrutura do Médulo Aula 4 - Introdugao ao tema Aula 2 — Inteligéncia: esbogo histérico. Aula 3 - A Inteligéncia no Brasil Aula 4 - Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN). Aula 5 — Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP). 6| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Aula 4 — Introdugéo ao tema Caro Aluno, nesta aula vocé vai estudar alguns aspectos introdutérios a respeito da Atividade de Inteligéncia. 1.4 Aspectos introdutérios Hodiernamente, a Inteligéncia de Seguranga Publica (ISP) ¢ 0 exercicio permanente e sistemdtico de agées especializadas para identificar, avaliar e acompanhar ameagas reais ou potenciais na esfera de Seguranga Publica. Ela é orientada essencialmente para produgdo e salvaguarda de conhecimentos necessérios para subsidiar os tomadores de decisdo, para o planejamento e execugdo de uma politica de Seguranga Publica e das agées para prever, prevenir, neutralizar ¢ reprimir atos criminosos de qualquer natureza que atentem contra 4 ordem publica, incolumidade das pessoas e do patriménio. A Atividade de Inteligéncia faz parte do contexto da histéria das sociedades, pois a busca Figura 1: Raciocinio. \%, . < ce da informagao e do conhecimento remontam aos oe ap “ \1, — primérdios da civilizaggo na busca de sua Ssobrevivéncia, seguranga e poder. A acepeao de Inteligéncia aqui exposta extrapola aquela referente @ capacidade intelectiva de cada ser, mas compreende um conjunto de informagdes potencialmente tteis para a vida em coletividade Uma das principais caracteristicas 6 0 uso de metodologia especifica, onde 0 analista de Inteligéncia transforma dados em conhecimentos Fonte: CITADEP/Segen com a finalidade de assessorar os usuarios no proceso decisério Nao resta duvida que a Inteligéncia € vista como area de interesse para qualquer organizago no mundo dos negécios, assuntos publicos ou privados. Essa atividade € tida como elemento chave em um mundo contemporaneo onde as informagdes e a necessidade de processé-las aumentam em progressdo geométrica, ‘enquanto a capacidade de processamento nao segue na mesma proporgao. 7| Pagina wy ENSINOPESQUISA Portanto, a Atividade de Inteligéncia mostra-se como importante instrumento do Estado, pois 6 através dela que governos podem e devem pautar-se nas suas agées decisérias, notadamente no tocante a defesa dos interesses da sociedade e do proprio Estado, Para a consecu¢ao de seu objetivo, é importante entender o processo de produgao do conhecimento de Inteligéncia que, de certa forma, assemelha-se a um trabalho académico. Destarte, a Inteligéncia procura Figura 2: Ligagao de Ideias construir um conhecimento baseado em premissas que o sustentem. Por conseguinte, esse processo esta ligado diretamente @ metodologia cientifica, uma vez que 0 profissional de Inteligéncia procura imbuir-se de espirito cientifico aperfeigoando-se nos métodos de _investigagdo cientifica e aprimorando suas técnicas de trabalho através da busca Fonte: CITADEP/Segen da verdade. Nessa esteira, a ciéncia como forma de produgo do conhecimento é especialmente interessante para 0 profissional de Inteligéncia, j4 que busca identificar importantes atributos por meio de metodologia prépria, aos quais a Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica (DNISP) se refere. Assim, é possivel apresentar maior confiabilidade ao produto final. Essa metodologia é traduzida pela Metodologia da Produgao do Conhecimento (MPC), com suas fases determinadas e delimitadas. 8| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Aula 2 - Inteligéncia: esbogo histérico Nessa aula vooé estudaré alguns esbogos historicos referente a Atividade de Inteligéncia. 2.1-Os primérdios A necessidade de conhecimento é intrinseca ao ser humano, pois somente através dela 6 possivel sobreviver. O homem primitive deveria obrigatoriamente conhecer todos os perigos que o cercavam, como o frio, animais perigosos, a maneira como saciar a fome e como se proteger. Portanto, coletar informagées e analisd-las — que hoje definimos, a grosso modo, como inteligéncia - é uma atividade tao antiga quanto a propria humanidade. Muito embora 0 dominio da escrita tenha sido © grande meio catalisador das atividades de Inteligéncia, ndo se pode olvidar que os chamados povos sem escrita também se valiam de outros recursos para a transmissao de informagdes, desde a oralidade, tambores, sinais de fumaga, sinais de reflexos utilizando a luz solar ou lunar, feitos via ceramicas e espelhos, dentre outros recursos. Exemplos da Antiguidade classica nos retratam essa realidade: No primeiro Império Universal (medos e persas), promovido por Ciro, 0 Grande, Dario, "O Grande Rei’, sucessor do primeiro, organizou um corpo de espides: “Os olhos e 0s ouvidos do rei’ para espionar os satrapas (vice-reis das unidades politico-administrativas chamadas Satrapias). Na Roma Antiga era comum a presenga de espides atrés das cortinas para ouvir segredos. Antes do século Il esta poténcia nao possula um corpo diplomatico, Para resolver problemas, enviava ao exterior pequenas misses que agiam em nome do governo, tomando-se, posteriormente, embaixadas permanentes: muitos membros prestaram-se ao servigo de espionagem. Toda a aristocracia romana tinha sua rede permanente de agentes clandestinos e casas com compartimentos secretos para espionarem seus héspedes. Apesar desse histérico, os romanos sé institucionalizaram a atividade de Inteligéncia & espionagem no periodo do Império (REVISTA BRASILEIRA DE INTELIGENCIA, 2005, p. 89). 2.2 Registros ao longo da historia No contexto histérico, a Atividade de Inteligéncia mostra-se como um recurso muitas vezes utilizado por segmentos detentores de poder, ndo apenas para atender 0s interesses da coletividade, mas também para resguardarem seus interesses, notadamente a manutengdo e a ampliagao de suas relagdes de poder e controle. Os 9| Pagina y ENSINOPESOUISA métodos utilizados também eram muitas vezes contaminados por praticas ilegitimas, no sentido de que, para atingir os objetivos, nao importava a forma adotada (REVISTA BRASILEIRA DE INTELIGENCIA, 2005, p. 89). So varios 0s registros histéricos da utilizagao da Atividade de Inteligéncia para prover os governantes de informagées que permitissem a sua sobrevivéncia, seja no campo politico, econémico ou militar. Nos estudos estratégicos do general chinés Sun Tzu, o livro a “Arte da Guerra’, destaca os papéis dos diferentes tipos de profissionais que tinham o objetivo de conseguir conhecimento avangado sobre dificuldades do terreno, planos do inimigo, movimentagées e estado de espirito das tropas. No ano 624 de nossa era, Maomé utilizou seus agentes infiltrados em Meca (Arabia Saudita), numa tipica agao de espionagem, e estes 0 avisaram de um ataque de soldados arabes a Medina, cidade em que estava refugiado, razao por que ele mandou que fossem preparadas trincheiras e barreiras ao redor da cidade, que impediram 0 avango dos soldados (Ibidem, 2005). No decurso da Idade Média para a Idade Moderna, ocorreram diversas mudangas no mundo, o homem necessitava buscar a verdade com fundamento cientifico dos fenémenos da vida e da maneira de pensar o mundo e suas multiplas relagdes. Na Primeira e na Segunda Grande Guerra Mundial, igualmente, surgiram novos métodos de obtengao de informagées, tanto por meio do uso de novas tecnologias, quanto pela criagdo de novas taticas de ago de “espionagem’ do inimigo. Com surgimento de novos métodos de obtengao de informagées, como a fotografia, cédigo Morse, telégrafo, oficinas de impressdo, comunicagao criptografica, aumentou-se sobremaneira 0 fluxo de informagées que transitavam. Nesse sentido, 0s organismos de inteligéncia viram-se obrigados a se especializarem e trabalharem de forma mais racional e metodolégica. Estes métodos de obtengdo de informagées tornaram-se valiosos instrumentos para a expansdo do conhecimento, visando a protegao do Estado soberano frente as 10| Pagina y ENSINOPESQUISA, ‘Somente a partir do fim da guerra fria que os paises ocidentais passaram a dar especial atencdo a necessidade de se produzir conhecimentos também no ambito interno, haja vista o crescente aumento da violéncia, do narcotrafico, trafico de armas, corrupgao e outros crimes conexos. 11 | Pagina y ENSINOPESQUISA, Nessa aula vocé estudara o histérico referente a Atividade de Inteligéncia no Brasil. 3.1-A origem A origem da atividade de Figura 3: Presidente Washington Luiz Inteligéncia no Brasil situa-se no governo do Presidente Washington Luiz, em 29 de novembro de 1927, quando se criou o Conselho de Defesa Nacional (CDN), organismo que foi encarregado de coordenar a reuniao de informagées relativas a defesa do pais. Mais tarde, em 1934, foram criadas as Segdes de Defesa Nacional (SDN) nos ministérios civis, vinculadas ao CDN. Considerado, de certa forma, 0 ascendente do que é atualmente o Sistema Brasileiro de Inteligéncia. Fonte: Simpliicandohistéria [Link] Nao obstante a sua criagao sob um governo civil e democratico, a atividade de Inteligéncia nasceu nos alicerces da influéncia militar, ja que era integrada ao processo de tomada de decisées e de assessoramento composto por oficiais de informagao, estudo, concepgéio e planejamento para apoio a deciséo de um comandante militar. Com a outorga da Constituigdo de 1937, o Conselho Superior de Seguranga Nacional ficou conhecido apenas como Conselho de Seguranga Nacional (CSN), ‘© qual executava o servigo de busca de informagées para subsidiar agdes do governo apenas com foco nas questées de Estado. 3.2-A criagao No ano de 1946, o governo brasileiro, tendo como Presidente o General Eurico Gaspar Dutra, cria o Servigo Federal de Informages e Contrainformacées (SFICI), oficialmente o primeiro “servico secreto” brasileiro, com atribuigbes e coordenagées 12| Pagina \Y ENSINOPESQUISA tipicas de “informagées’ e “contrainformagées’ institucionalizado por um que tinha como finalidade o tratamento das informagées no Brasil. Entretanto, somente em 1956, durante 0 governo do Presidente Juscelino iploma legal Kubitschek, 0 SFICI* passa a existir de fato, apesar de existir no papel desde o mandato de Eurico Gaspar Dutra. BONS nr OC ae Cnr Informagées (SNI), criado pela Lei n° 4.341, em 13 de OCR ERRORS aCe La) CeCe CCM CRMC Ta CRE io Cus Referida Instituigao permaneceu em funcionamento até meados dos anos de 1964. Neste periodo, devido ao chamado “regime militar”, o governo necessitava de um servigo de inteligéncia com prerrogativas caracteristicas de policia. Figueiredo (2006, p. 17) comenta que: [1a partir de 1967, 0 SNI ganhou tentéculos. Abriu escritérios nos ministérios civis — as chamadas Divisdes de Seguranca e Informagdes (DSI) — ¢ nas, autarquias e orgaos federais — as Assessorias de Seguranca e Informagées (asi). Também ganhou parceiros nas Forcas Armadas, com a criagéo ou reorganizacao dos servigos secretos militares — 0 Centro de Informagdes do Exército (CIE), 0 Centro de Informagées da Marinha (Cenimar) e o Centro de Informagées de Seguranga da Aerondutica (CISA). Era a chamada “comunidade de informagées”, em que o SNI entrava com a vigilancia e os servigos secretos militares com a represséo e as armas. 13 | Pagina 3.3 - Nos tempos do regime democratico Sob a escusa de sepultar eventuais violagdes praticadas pelo Servico Nacional de Informacées, o primeiro governo eleito sob 0 novo regime democratico encerrou suas atividades no dia 15 de margo de 1990. Mas ainda no govemo anterior, o entao presidente José Sarney ja havia procurado diminuir a atuagao do Servigo. Fato este que deixou o pais praticamente inerte no que se refere a matéria de Inteligéncia governamental, iniciando um periodo de paralisagao e descrédito da atividade no Bra: y ENSINOPESQUISA, Figura 4: Presidente José Fonte: Wikipedia A Medida Provisoria n° 150 (convertida na Lei 8.028 de abril de 1990), em seu inciso II do artigo 27, trazia de forma sucinta o fim das atividades do SNI, além de, no inciso VII do mesmo artigo, estabelecer o encerramento das “Divisdes ou Assessorias de Seguranga ¢ Informagées dos Ministérios Civis e os érgaos equivalentes das entidades da Administracao Federal indireta e fundacional.” Ainda, a Lei n° 8.028/90 criava a Secretaria de Assuntos Estratégicos que visava: [.] desenvolver estudos € projetos de utllizacdo de areas indispensaveis seguranca do territorio e opinar sobre o seu efetivo uso, fornecer os subsidios necessdrios as decisdes do Presidente da Repiblica, cooperar no planejamento, na execugao e no acompanhamento de ado governamental com vistas a defesa das insfituigdes nacionais, coordenar a formulagao da Politica Nacional Nuclear e supervisionar sua execugao, salvaguardar interesses do Estado, bem assim coordenar, supervisionar e controlar projetos e programas que Ihe forem atribuidos pelo Presidente da Republica, tem a ‘seguinte estrutura basica: | - Departamento de Inteligéncia [..] Entretanto, o texto legal supramencionado nao expée em nenhum momento quais seriam suas competéncias e limites, 0 que corrobora com a falta, 4 época, de uma visdo mais apurada acerca do papel e da importancia da atividade de Inteligéncia. 14| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Figura 8: Simbolo ABIN Somente no ano de 1999, com a criagdo do Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN) ¢ da Agéncia Brasileira de Inteligéncia (ABIN) por meio da Lei 9.883 ¢ que o pais retoma de fato as atividades de inteligéncia governamental Fonte: ABIN 15 | Pagina y ENSINOPESQUISA, Aula 4 - Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN) Caro aluno, estudaremos a seguir o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligéncia, bem como os orgaos que o compée. Atualmente, a atividade de Inteligéncia no Brasil funciona como um sistema com 0 escopo de fazer uma composigao cooperativa entre as diversas estruturas que atuam nessa area. O Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN), foi criado no ano de 1999, instituido pela Lei n° 9.883, de 7 de dezembro de 1999. 4.1 O SISBIN: objetivo e conceito O SISBIN tem como objetivo integrar as ages de planejamento e execugao das atividades de Inteligéncia do pais, com vistas a subsidiar o Presidente da Repiiblica nos assuntos de interesse nacional. Este Sistema atua em varias areas de interesse do Estado e da sociedade e responsvel pelo processo de obtengao e andlise de dados e informagées e pela produgao e difusdo de conhecimentos necessarios ao proceso decisério do Poder Executivo, em especial no tocante a seguranga da sociedade e do Estado, bem como pela salvaguarda de assuntos sigilosos de interesse nacional. O conceito e a dimensao da atividade de inteligéncia esto previstos no art. 2° do Decreto 4.376/2002, que dispde sobre a organizagao e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligéncia: Art. 2%. Para os efeltos deste Decreto, entende-se como teligéncia a atividade de obtencéo e andlise de dados e informagies e de produgao e difusdo de conhecimentos, dentro e fora do territério nacional, relativos a fatos e situacdes de imediata ou potencial influéncia sobre 0 proceso decisério, a ‘ago governamental, a saivaguarda e a seguranga da sociedade e do Estado. 4.2 — Organizagao e funcionamento do SISBIN A Lei n® 9.883/1999 determina que todos os drgaos e entidades da Administragao Publica Federal, com capacidade de produgao de conhecimento de interesse das atividades de Inteligéncia, deverdo constituir o SISBIN. Cria, também, a possibilidade de incorporagao, mediante convénio, das unidades da Federagao, como 6rgaios derivados. 16| Pagina wy ENSINOPESQUISA A referida lei criou a Agéncia Brasileira de Inteligéncia (ABIN), ¢ destacou-a como érgio central do SISBIN, diretamente subordinado a Presidéncia da Republica, através do Gabinete de Seguranga Institucional (GSI). Figura 6: Organizacao do SISBIN eee ei) da feria GSI Fonte: CITA/DEP/Segen Com o intuito de organizar o Sistema Brasileiro de Inteligéncia foi publicado o Decreto n® 4.376, em 13 de setembro de 2002, que dispe sobre o funcionamento e organizagao do SISBIN Figura 7: llustragao SISBIN A principal atribuigdo desse sistema ¢ integrar as, agées de planejamento e execugao da atividade de Inteligéncia do pais, tendo por finalidade ofertar subsidios ao Presidente da Republica. Fonte: CITA/DEP/Segen 17 | Pagina yy ENSINOPESQUISA No ano de 2018, a composigao do SISBIN fora ampliada por meio do Decreto n° 9.491, de 4 de setembro de 2018. O referido decreto dispde sobre a organizacao € o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligéncia, instituido pela Lei n° 9.883, de 7 de dezembro de 1999. importante! 0 Decreto n° 4.376 de 13 de setembro de 2002, em seu art. 4°, eR eee eee Oe OS Ml eee n cd er ee Se MM eee ee CR eR Rene CRC CeCe Ren CEE en eat een re eka ee cy Brasileiro de Inteligéncia”. DOE Peas tere er CuI eici) ide Inteligéncia (CONSISBIN) aprovou o ingresso de (6) seis novas| Rie Cucina Cura 1 Te RO ete eee Mare rE] Peer Resign O Ministério das Comunicagées (MCOM); Ministerio da Educagao (MEC); Oe Cn Maa Meier 0a) enn reine uc aero k(s)SUL 7A) Hy * 0 Instituto Nacional de Colonizagéo e Reforma Agraria (iacys eee ON RR Se ae] Creme CR cue 18| Pagina yy ENSINOPESQUISA, Composigao do Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN) Figura 8: Composigo do Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN) perereniery Fonte: http:/[Link]-novas-instituicoes-passam-a-integrar-o-sisbin/ Caro Aluno, Para ampliar seu conhecimento, leia na integra o art. 4° do Decreto 4.376/2002 e conhega quais so os érgaos integrantes do SISBIN. Acesse a pagina da ABIN e veja quais érgaos passaram a integrar o Sistema Brasileiro de Inteligéncia em 2021. 19| Pagina wy ENSINOPESOUISA Essa diversidade de componentes visa a construir um Sistema, no qual seus membros, ainda que de atuagdo distinta, tém que agir de forma coesa, coordenada, respeitando a autonomia funcional de cada érgao. 20| Pagina \Y ENSINOPESQUISA, Curiosidade Pacheco (2012, 85) exemplifica outros sistemas que, do ponto de vista formal, integram, como subsistemas, o SISBIN. Vejamos alguns exemplos: Sistema de Inteligéncia de Defesa (SINDE) Previsto na Portaria Normativa n° 295/MD, de 3 de junho de 2002. Possui, como agéncia central, o Departamento de Inteligéncia Estratégica (DIE), subordinado & Secretaria de Politica, Estratégica e Assuntos Internacionais (SPEA), do Ministério da Defesa, que se trata de inteligéncia estratégica de defesa. O Ministério da Defesa previu, também, a Subchefia de Inteligéncia (SC-2 ou 2* Sch/EMD), subordinada ao seu Estado-Maior de Defesa (EMD), como inteligéncia militar. O Decreto 7.364/2010, entretanto, modificou essa estrutura, que estabelecendo a Subchefia de Inteligéncia Estratégica, subordinada a Chefia de Assuntos Estratégicos, e a Assessoria de Inteligéncia Operacional, subordinada a Chefia de Preparo e Emprego, ambas subordinadas ao Estado-Maior Conjunto das Forcas Armadas. - Sistema de Inteligéncia da Marinha (SIMAR) Possui, em sua estrutura, trés érgaos relevantes, sendo eles a Subchefia de Inteligéncia do Comando de Operagdes Navais (CNO-20), o Centro de Inteligéncia da Marinha (CIM) e a Divisao de Inteligéncia Estratégico-Militar (DIEM) da Subchefia de Estratégia do Estado-Maior da Armada. istema de Inteligéncia do Exército (SIEx) Possui, como agéncia central, o Centro de Inteligéncia do Exército (CIE). O Sistema de Intel da Aeronautica (SINTAER) Tem, como agi central, o Centro de Inteligéncia da Aeronautica (CIAER). 21| Pagina y ENSINOPESQUISA, Aula 5 - Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP) Agora que ja sabe o que é SISBIN, estude a respeito do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP) e seus principais aspectos. Independente da denominagao, 0 objetivo geral de qualquer sistema ou subsistema ¢ 0 trabalho articulado e integrado de forma colaborativa, tendo como consequéncia o desenvolvimento efetivo de um proceso de integragao sistémica Dessa forma, a necessidade de uma estrutura de produgao de informagao e conhecimento que atendesse a complexidade das demandas em seguranga publica motivou a criago do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica, ocorrido com 0 Decreto Executivo n° 3.695 de 21 de dezembro de 2000. Cabe destacar que, com a reestruturagao do Ministerio da Justica e Seguranga Publica, por meio do Decreto n° 9.662, de 1° de janeiro de 2019, foi criada a Secretaria de Operagées Integradas (SEOPI), que possui em sua estrutura a Diretoria de Inteligéncia (DINT). Verifica-se que a SEOPI/MJSP absorveu a competéncia de assessoramento ao Ministro nos assuntos relacionados a atividade de Inteligéncia de Seguranga Publica (ISP), bem como a promogao da integragao nesta tematica com os érgdos de inteligéncia federais, estaduais, distritais e municipais, conforme se depreende do Art. 29 do Decreto n? 9662/2019 22| Pagina \Y ENSINOPESQUISA, de Seguranga Publica (SISP) Composigao do Subsistema de Inteligénci Figura 9: Composigdo do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP) ac) cS etic) Leslee) VTS ire} cr) sero Integragao OE Nacional Central Mca Ministério CERT te mo Cer cor Soqrene fava Demais Orgaos Cia) Fonte: CITA/DEP/Segen A criagao do SISP vem ao encontro da necessidade de reformulagao de um modelo mais voltado as novas demandas sociais e que tenha por objetivo a promogao do desenvolvimento social. Isso reflete diretamente na seguranga, auxiliando também na produgao de informago e conhecimento para uma atuagao mais efetiva contra as questées afetas a seguranca publica. O conceito de atividade de Inteligéncia de Seguranga Publica corrobora esse entendimento, conforme descrito na Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica (2014, p. 15): 23| Pagina \Y ENSINOPESQUISA, J atividade do Intoligénoia de Soguranga Publica (ISP) 6 0 exercicio permanente e sistemético de agdes especializadas para identificar, avaliar e acompanhar ameacas reais ou potenciais na esfera de Seguranca Publica, basicamente orientadas para produgdo e salvaguarda de conhecimentos necessérios para subsidiar os tomadores de decisdo, para o planejamento e execugao de uma politica de Seguranga Publica © das agdes para prever, prevenir, neutralizar e reprimir atos criminosos de qualquer natureza que atentem a ordem publica, A incolumidade das pessoas e do patriménio. O SISP tem como Agéncia Central a Diretoria de Inteligéncia da Secretaria de Operagées Integradas do Ministério da Justica e Seguranga Publica (MJSP), disposto no art. 31, inciso II do Decreto 9.662 de 1° de janeiro de 2019. Figura 10: Orgao © Agéncia Central do SISP SEOPI Orgao Central DINT/SEOPI Agéncia Central Fonte: CITA/DEP/Segen Pe ee ER] Serer) Cee eR MMe eRe Peery ees 24| Pagina y ENSINOPESQUISA Agéncias Estaduais do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica (SISP) Figura 11: Agéncias Estaduais do SISP Orgao: =e) 1] EY cnler} Central Agéncia: Fonte: CITDEP/Segen 25| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Finalizando Nesse médulo, vocé estudou que A atividade de Inteligéncia faz parte do contexto da historia das sociedades, pois a busca da informagao e do conhecimento remontam aos primérdios da civilizagao na busca de sua sobrevivéncia, seguranga e poder. A ciéncia, como forma de produgao do conhecimento, 6 especialmente interessante para o profissional de Inteligéncia, ja que busca identificar importantes atributos por meio de metodologia prépria, referenciados na Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica (DNISP). Coletar informagées e analisa-las — que hoje definimos, grosso modo, como inteligéncia - é uma atividade tao antiga quanto 4 propria humanidade. A atividade de inteligéncia, no contexto histérico, mostra-se como um recurso muitas vezes utilizado por segmentos detentores de poder, ndo apenas para atender 0s interesses da coletividade, mas também para resguardarem seus interesses, notadamente a manutengao e a ampliagao de suas relagdes de poder e controle. A origem da atividade de Inteligéncia no Brasil situou-se no governo do Presidente Washington Luiz, em 29 de novembro de 1927, quando se criou o Conselho de Defesa Nacional (CDN), organismo que foi encarregado de coordenar a reunido de informagées relativas a defesa do pais. Mais tarde, em 1934, foram criadas as Segées de Defesa Nacional (SDN) nos ministérios civis, vinculadas a0 CDN. O SFICI foi absorvido pelo Servigo Nacional de Informagées (SNI), criado pela Lei n° 4.341, em 13 de junho de 1964, com o objetivo de supervisionar e coordenar as atividades de informagées e contrainformagées no Brasil e exterior. O primeiro governo eleito sob 0 novo regime democratico, sob a escusa de sepultar eventuais violagées praticadas pelo Servigo Nacional de Informagées (SNI), encerrou suas atividades no dia 15 de margo de 1990. Mas ainda no governo anterior, © entdo presidente José Samey ja havia procurado diminuir a atuagao do Servigo. ‘A Medida Proviséria n° 150, convertida na Lei 8.028 de abril de 1990, em seu inciso II do artigo 27, trazia de forma sucinta o fim das atividades do SNI, além de, no. inciso VII do mesmo artigo, estabelecer o encerramento das “Divisées ou Assessorias de Seguranga e Informagées dos Ministérios Civis e os érgaos equivalentes das entidades da Administragao Federal indireta e fundacional.” 26 | Pagina wy ENSINOPESQUISA A atividade de Inteligéncia no Brasil funciona como um sistema com 0 escopo de fazer uma composigao cooperativa entre as diversas estruturas que atuam nessa area. O Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN) foi instituido pela Lei n° 9.883, de 7 de dezembro de 1999, com o objetivo integrar as acées de planejamento e execuco das atividades de Inteligéncia do pais, com vistas a subsidiar o Presidente da Republica nos assuntos de interesse nacional. E, ainda, possui como érgao central 0 Gabinete de Seguranga Institucional (GSI), e a Agéncia Brasileira de Inteligéncia (ABIN), como érgao central do SISBIN A Agéncia Central do Subsistema de Inteligéncia de Seguranga Publica é a Diretoria de Inteligéncia da Secretaria de Operagées Integradas do Ministério da Justiga e Seguranca Publica (MJSP). A Atividade de Inteligéncia de Seguranca Publica (ISP) é 0 exercicio permanente e sistematico de agdes especializadas para identificar, avaliar e acompanhar ameacas reais ou potenciais na esfera de Seguranga Publica, basicamente orientadas para produgdo e salvaguarda de conhecimentos necessarios para subsidiar os tomadores de decisdo, para o planejamento e execugdo de uma politica de Seguranga Publica e das ages para prever, prevenir, neutralizar ¢ reprimir atos criminosos de qualquer natureza que atentem contra 4 ordem publica, incolumidade das pessoas e do patriménio. 27 | Pagina y ENSINOPESQUISA, Médulo 2 ~ A Inteligéncia e a Investigacao Polici Apresentagao do Médulo No presente vocé estudara as diferengas basicas entre a Atividade de Inteligéncia e a Investigagao Policial. A real compreensdo dessas duas atividades especializadas 6 de suma importancia para o desempenho das fungées. Vamos Ia! Objetivos do Médulo Ao final do estudo deste médulo, vocé sera capaz de: ‘* Compreender, de acordo com a Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica, a diferenciaco entre a Atividade de Inteligéncia e a Investigagao Policial; * Conhecer o carater empirico como uma das diversas possibilidades de emprego da atividade de Inteligéncia para um adequado desenvolvimento dos trabalhos realizados pelas Agéncias de Inteligéncia de Seguranga Publica. Estrutura do Médulo Aula 1 — A Inteligéncia e a Investigagao Policial Aula 2 — Um exemplo de carater empirico. 28 | Pagina y ENSINOPESQUISA, Aula 1 — A Inteligéncia e a Investigagao Policial Nesta aula vocé vai estudar as diferengas basicas entre a Atividade de Inteligéncia ¢ a Investigacao Policial. 1.1 A diferenciagao sob o ordenamento juridico A Inteligéncia e a Investigaco apresentam diversos pontos congruentes e, por vezes, indissociaveis, como, por exemplo, os dados e conhecimentos que subsidiarao ambas as atividades. Entretanto, ha também importantes diferencas conceituais que devem ser compreendidas Dessa forma, € preciso analisar, a partir de conceitos e legislacdes notadamente aquelas dependentes de autorizaco judicial, na atividade de Inteligéncia Como exemplo, cita-se o instituto da infiltragéo. Segundo ensinamentos de Rafael Pacheco (2007, p. 109): Figura 12: Agente infitrado Ree OM Reem Cn Re eR cae Ma Ree Ree eet) re ee COSC ea ew \y Fonte: CITADEP/Segen Nesse sentido, a infiltragao de agentes policiais 6 ponderada como um artificio de meio de prova na investigagao endo na produgdo de conhecimentos para assessoramento da Inteligéncia. 29| Pagina \Y ENSINOPESQUISA A infiltragéo é abordada em nosso ordenamento juridico por meio da Lei n° 12.850/13. De acordo com a redagao do art. 10°, 6 permitida “A infitragaio de agentes de policia em tarefas de investigacao, representada pelo delegado de policia ou requerida pelo Ministério Publico, apés manifestacao técnica do delegado de policia quando solicitada no curso de inquérito policial, sera precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorizagao judicial, que estabelecera seus limites” Logo, é certo concluir que nao se pode requerer o instituto da infiltragio ao judicidrio com a finalidade de assessoramento, somente podendo fazé-lo na fase da persecuco penal, para fins de produgao de prova, Dessa forma, ha a necessidade das Agéncias de Inteligéncia se apropriarem efetivamente de técnicas e processos de trabalho da Inteligéncia, a fim de contribuir concretamente para a fundamentagao e fortalecimento da propria atividade. ADNISP acrescenta que a diferenciacdo entre a Atividade de Inteligéncia e a Investigagao Policial ¢, em regra, mais tedrica do que pratica, uma vez que ambas lidam, invariavelmente, com os mesmos objetos: crime, criminosos, criminalidade e questdes conexas. Entretanto, havendo conflito entre as atividades, prevalecera, por Sbvio, a legislagao vigente. acne ES eC) Cre R es ee Dene Rec CM MutT) fore Or Curie Cis Oince turner tue eect] SOC cu OO ie Net OR CR reer cur a DECC COM: hc Meme Ms ec ce Meee ec re) CIC Me mE CULES Cre ene ee oe 1.2 A diferenciagao pela finalidade A Atividade de Inteligéncia é constantemente confundida com a atividade de investigagao nao apenas pelos profissionais que atuam na area de seguranga publica, mas por outros setores que lidam com a Inteligéncia no pais, sendo inimeras as raz6es para a ocorréncia de tal fato. 30| Pagina wy ENSINOPESQUISA, A falta de disce ento quanto ao objetivo da Inteligéncia é uma das questdes dessa confusdo. Enquanto que na Inteligéncia, 0 produto do relatorio tem a finalidade de assessorar, e, portanto, de natureza consultiva, a investigagao objetiva a persecuco penal, ou seja, a obtengao de prova, autoria e materialidade, sendo esta, deste modo, de natureza executiva. Figura 13: Inteligéncia versus Investigaco Fonte: CITA/DEP/Segen 1.2.1 Finalidades da Inteligéncia a) Proporcionar diagnésticos e prognésticos sobre a evolugao de situagdes do interesse da Seguranga Publica, subsidiando seus usuérios no processo decisério. b) Contribuir para que o proceso interativo entre usuarios e profissionais de Inteligéncia produza efeitos cumulativos, aumentando o nivel de eficiéncia desses usuarios e de suas respectivas organizagées ©) Subsidiar 0 planejamento estratégico integrado do sistema de Seguranga Publica e a elaboragao de planos especificos para as diversas organizagées que 0 compéem. d) Assessorar, com informagdes relevantes, as operagées de prevengao e repressdo, de interesse da Seguranga Publica. €) Salvaguardar a produgao do conhecimento de ISP. 31| Pagina wy ENSINOPESQUISA, 1.3 A diferenciagao pelo significado da verdade Outro ponto importante para a diferenciacao da Inteligéncia com a investigagao, refere-se ao significado de “verdade” nestes dois tipos de atividade. Inteligéncia A “verdade” significa a conviccao do analista de inteligéncia em relagdo a determinado fato ou situagao. Portanto, a “verdade” é construida com evidéncias que levaram o analista a perceber determinado fato, ou seja, decorre de trabalho intelectual obedecendo 4 metodologia da produgéio do conhecimento e que pode ser plenamente aproveitada para amparar decisées. \Vejamos o que a DNISP nos orienta sobre a “verdade com significado”: \Verdade com Significado ~ Caracteriza a atividade de ISP como uma produtora de conhecimentos precisos, claros e imparciais, de tal modo que consiga expressar as intencdes, dbvias ou subentendidas, dos alvos envolvidos ou mesmo as possiveis ou provaveis consequéncias dos fatos relatados. Investigagéo ‘A “verdade" significa somente 0 que é possivel provar por meios admitidos no direito. Dessa forma, mesmo que o investigador tenha plena convicgao que uma determinada pessoa é criminosa, no podera imputar-Ihe qualquer crime caso nao tenha provas suficientes para tanto. E possivel, entretanto, produzir um Relatério de Inteligéncia sobre tal o assunto. Inte disso, extrai-se que a busca da verdade, por intermédio de um processo judicial, especificamente no que tange ao Processo Penal, nao ¢ ilimitada. Deste modo, 0 Estado néo pode se sobrepor a lei com 0 objetivo de alcangar a justiga. Impede ressaltar que a norma constitucional produz relevantes reflexos na busca da verdade, j4 que estabelece parametros rigidos de licitude aos procedimentos investigatérios que visam desvendé-la 32 | Pagina wy ENSINOPESQUISA, 1.4 A diferenciagao pelos documentos Uma questo que pode gerar confusao entre os profissionais de Inteligéncia na area de seguranga publica, refere-se terminologia adotada nos documentos produzidos. Conforme menciona a Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica, 0 documento externo, padronizado, no qual o profissional de Inteligéncia transmite conhecimentos para usuarios ou outras Agéncias de Inteligéncia, dentro ou fora do sistema de Inteligéncia de Seguranga Publica, é denominado Relatério de Inteligéncia (RELINT). O tipo de conhecimento transmitido devera estar explicito na forma da redagao - Informes, Informagées, Apreciagées e Estimativas. Ou seja, um Unico documento (RELINT) transmite 04 (quatro) conhecimentos de inteligéncia. Figura 14: Tipos de Relatorio de Inteligéncia Relatorio de Inteligéncia RELINT Teta Informagées MME Apreciacées [I Estimativas Fonte: CITA/DEP/Segen Para a confeceao de Relatérios de Inteligéncia deve-se obedecer 4 metodologia especifica, traduzida por meio da Metodologia da Producao do Conhecimento (MPC). © que nao ocorre, de maneira geral, com os documentos elaborados no ambito investigativo policial. Essa similaridade de nomenciaturas acaba, por vezes, confundindo tanto os profissionais da area de Inteligéncia quanto os que atuam em investigagées. Na medida em que 0 conceito da Atividade de Inteligéncia é um tema amplo, seu controle também nao esta esclarecido para diversos setores do pais. E nao somente entre os profissionais da area. 33| Pagina wy ENSINOPESOUISA Relatérios de Inteligéncia, justamente por serem destinados ao assessoramento do processo decisério e néo ao processo penal, por sua imprescindibilidade 4 seguranga da sociedade e do Estado, e ainda por suas caracteristicas de confecgao, sao invariavelmente de natureza sigilosa, regidos pela Lei n° 12.527/2011 e pelo Decreto n° 7.724/2012 e Decreto n° 7.845/2012 © 6rgao de controle externo da atividade de inteligéncia é exercido pela Comissao de Controle das Atividades de Inteligéncia (CCA), composto por 12 (doze) integrantes, sendo 06 (seis) deputados federais e 06 (seis) senadores, além do Presidente da Comissao de Relagées Exteriores e Defesa Nacional da Camara dos Deputados e do Senado Federal, conforme o disposto no paragrafo 1° art. 6° da Lei 9,883: Art. 6° © controle e fiscalizagdo externos da atividade de inteligéncia serao exercidos pelo Poder Legislativo na forma a ser estabelecida em ato do Congresso Nacional § 1° Integrarao 0 érgéo de controle externo da atividade de inteligéncia os lideres da maioria e da minoria na Camara dos Deputados e no Senado Federal, assim como os Presidentes das Comissées de Relacdes Exteriores e Defesa Nacional da Camara dos Deputados e do Senado Federal § 2° O ato a que se refere o caput deste artigo definira o funcionamento do érga0 de controle e a forma de desenvolvimento dos seus trabalhos com vistas ao controle fiscalizagao dos atos decorrentes da execugdo da Politica Nacional de Inteligéncia, No que tange ao controle extemno da atividade investigativa, a Constituigo da Reptblica Federativa do Brasil de 1988, em seu artigo 129, inciso Vil, instituiu como fungao institucional do Ministério Publico 0 controle externo da atividade policial, 0 qual seria regulado na forma de legislago complementar da Unido e dos Estados Esse dispositivo enumera taxativamente as atribuigdes do Ministério Publico, e de acordo com seu inciso VII, o MP teria o dever/poder de realizar o controle externo no inquérito policial: Art, 129. Sao fungdes institucionais do Ministério Publico: Ll Vil- exercer 0 controle extemo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; 34| Pagina yy ENSINOPESOUISA Nao ha duvida que o controle externo exercido pelo Ministério Publico € uma atividade de fiscalizagao, prevengdo, apuragao e investigacao dos fatos criminosos. Infere-se, pois, que o controle é relativo a investigagao. Considerando que os documentos de Inteligéncia so confeccionados com a finalidade de assessoramento ao proceso decisério e nao ao processo penal, a realizagao do controle da atividade de inteligéncia ¢ feita de acordo com o art. 6° da Lei 9.883/99, acima transcrito. Portanto, como nao se trata de questées afetas atividade de persecugao criminal, porque a Atividade de Inteligéncia vai além das atividades de policia judicidria, o seu controle nao cabe ao MP. O Poder Legislativo, através da Comissao de Controle das Atividades de Inteligéncia, é quem devera executar esse controle externo. Sc ea ed (ioe Me eRe eM cael Oke Men ene Ree Oa Inteligéncia para a produgdo de provas, de forma excepcional. eS eet OM ML Inteligéncia de Policia Judiciaria, tipica das Policias Civis e atipicamente| PENSE Mic laure yCueroRs enn eetetectRe CM ietest mulls © produto da metodologia é adequado as regras processuais| Cenc MCR lre Mel CM CM SCCM Cogito T-) eRe Sele oe oe EDN oe eRe RC) Everest ery importante! Para tanto, o contetido referido deverd ser extraido e compor uma omae te eer een ett nek Rs eR on) ee Meo ee EC Cee OME eet ae) eRe en ec eee nee Meco} y ENSINOPESQUISA, Aula 2 - Um exemplo de caréter emp Caro Aluno, Figura 15: llustragao ligagao de dados Sao de suma importancia os dados e informagées obtidos na fase de investigacao para a andlise em uma produgao de conhecimento de Inteligéncia, Ambas as atividades tém diversos pontos congruentes, mas faz- se necessério entender o objetivo, a finalidade de cada uma delas e compreender, sobretudo, que elas se complementam. Fonte: CITA/DEP/Segen Nesta aula, vocé vai estudar o carater empirico dessas atividades. Boa aula! 2.4 Um exemplo para estudo © exemplo, a seguir, visa ressaltar, através de um caso de carater empirico, uma das diversas possibilidades de emprego da Atividade de Inteligéncia para um adequado desenvolvimento dos trabalhos realizados pelas Agéncias de Inteligéncia de seguranca publica. Exemplo Suponhamos que diversas quadrilhas intemacionais especializadas em biopirataria estejam atuando na regio amazénica. Depois de um ano de investigagées, foram presos cinco investigados dessa quadrilha, acusados de tréfico de animais no pais. Constatou-se, durante a fase investigatéria, que os pesquisadores estrangeiros presos teriam forte ligagdo com laboratérios de vacinas para doengas tropicals da Europa. Estes pesquisadores também possuiriam vinculos com pesquisadores brasileiros. 36| Pagina y ENSINOPESOUISA A biopirataria pode ser conceituada como a exploragdo, manipulagao, exportagao de recursos biolégicos, com fins comerciais, em contrariedade as normas da convengao sobre Diversidade Biolégica, de 1992, promulgada pelo Decreto n° 2.519, de margo de 1998. Nesse sentido, digamos que em um periodo de trés anos houve outras operagées relacionadas com o mesmo tema, a biopirataria. Em meédia, essas operagées duraram seis meses de investigagéo e consumiram uma quantia consideravel de recursos. Todas essas operagdes deflagradas obtiveram éxito, tendo em vista que foram esclarecidas autorias e materialidade. Entretanto, todos os conhecimentos produzidos por essas investigagdes esvairam-se com o fim delas, ou seja, findada a operagao, os dados foram perdidos ou arquivados. 2.2. Comentando o exemplo com foco nas Atividades de Inteligéncia © modo de operar das quadrilhas, 0 interesse dos criminosos por determinado tipo especifico da fauna ou da flora brasileira e a questo do financiamento da corganizacao criminosa foram, de certa forma, perdidas. Isto ocorre por uma simples razio: nao ha uma sistematizagao do processamento das informagées do que foi obtido durante a investigagao, para a atividade de Inteligéncia. O distanciamento institucional da Inteligéncia em relago a investigagdo pode tomar o enfrentamento a questées de seguranca publica ineficaz. Esse cenario se traduz em agées policiais de cardter paliativo, pois nao se combate o problema em sua estrutura. Considerando a situagao da biopirataria supracitada, poder-se-ia produzir um conhecimento de Inteligéncia, por exemplo, em nivel estratégico, informando sobre a fragil fiscalizagdo, focada na prevengao e repressdo da biopirataria na regio amazénica. Ainda, informar do possivel interesse e envolvimento de laboratérios intemacionais na fauna e flora brasileira, j4 que o avango da biotecnologia e a facilidade de se registrar marcas e patentes em Ambito internacional poderiam aumentar as possibilidades de tal exploraco. 37 | Pagina \Y ENSINOPESQUISA, De posse dessas i formagées, gestores teriam subsi ios significativos para aluar nos campos operacional, tatico, estratégico ou, até mesmo, politico, se este fosse 0 caso. Ainda, o relatério produzido poderia subsidiar um estudo técnico sobre a legislagao pertinente (hoje nao existe um tipo penal que defina a biopirataria, sendo este enquadrado no crime de trafico de animais), a fim de incluir a modalidade *biopirataria” como crime no Cédigo Penal. Nao obstante, o gestor poderia, ainda, considerar oportuno tomar medidas no sentido de aumentar o rigor no controle e na fiscalizagao no que se refere a entrada de pesquisadores estrangeiros no pais. A tomada de deciséo cabera sempre ao gestor, pois o papel da Inteligéncia é assessorar o poder decisério, com a finalidade de fornecer elementos que subsidiem a sua decisao. No entanto, nao ha duvidas quanto a importancia da Inteligéncia neste processo de construgéo do conhecimento para o assessoramento. Para que 0 processo decisério tenha bases sdlidas, demanda-se que a Inteligéncia seja organizada através de um processo metodolégico, que sera provida na forma de: Figura 16: Processos metodolégicos para toriada de deciséo Ss ree Risco ede Inteligéncia Oportunidades Du Te CPE Fonte: Revista Brasileira de Inteligéncia, 2009, p.9; adaptada por CITA/DEP/Segen 38| Pagina \Y ENSINOPESQUISA, Neste caso, 6 possivel depreender que a Inteligéncia poderi informagées decorrentes da fase investigativa com vistas a um entendimento mais abrangente da realidade presente. Ainda, de posse desses conhecimentos, a integrar Inteligéncia poderia, também, prospectar 0 fato, agindo metodologicamente sobre elementos passados e presentes para inferirem sobre o futuro provavel, possibilitando uma antecipagao adequada diante de possiveis ocorréncias vindouras. Ja a investigacao surge, em geral, apés 0 fato, agindo sobre elementos que se referem ao passado. Neste sentido, percebe-se que tanto a Inteligéncia quanto a investigacdo s4o importantes para a seguranca publica e devem trabalhar juntas, de forma ordenada, sistematica e coesa. ere eran CO CM cs mT] Ricie nau acne Race cee eT) Cn OM CO OT RT complexidade, procurando identificar, entender e revelar os| Eee CSR CC OMe Mee] One CC Cm CMe TOMI SON Re Dn RR Secret Cena OCMC OM Ue co Setieneae 39| Pagina wy ENSINOPESQUISA, Finalizando Nesse médulo, vocé estudou que: A Inteligéncia e a investigagao apresentam diversos pontos congruentes e, por vezes, indissociaveis, como, por exemplo, os dados e conhecimentos que subsidiarao ambas as atividades. Ha a necessidade das Agéncias de Inteligéncia se apropriarem efetivamente de técnicas e processos de trabalho da Inteligéncia, a fim de contribuir efetivamente para a fundamentagdo e fortalecimento da propria atividade. Um dos aspectos diferenciadores e relevantes é que enquanto a Investigagao Policial esta orientada pelo modelo de persecugao penal previsto ¢ regulamentado na norma processual prépria - tendo como objetivo a produgdo de provas (autoria e materialidade delitiva) - a Inteligéncia Policial Judiciaria esta orientada para a produgao de conhecimento e apenas, excepcionalmente, 4 producao de provas. Relatérios de Inteligéncia, justamente por serem destinados ao assessoramento do processo decisério e néo ao processo penal, por sua imprescindibilidade 4 seguranga da sociedade e do Estado, e ainda por suas caracteristicas de confecgao, sao invariavelmente de natureza sigilosa, regidos pela Lei n° 12.527/2011 e pelo Decreto n° 7.724/2012 e Decreto n° 7.845/2012 O distanciamento institucional da Inteligéncia em relagdo a investigagdo pode tomar o enfrentamento a questées de seguranga publica ineficaz. Esse cenario se traduz em agées policiais de cardter paliativo, pois nao se combate o problema em sua estrutura. A Atividade de Inteligéncia, no campo da seguranga publica, é importante ferramenta de resposta e apoio ao combate ao crime em geral, sobretudo aqueles de alta complexidade, procurando identificar, entender e revelar os aspectos ocultos da atuagao criminosa que seriam de dificil constatagdo pelos meios classicos de investigagao policial, servindo, concomitantemente, no assessoramento das autoridades governamentais e na elaboragao de Planos e Politicas de Seguranca Publica, 40 | Pagina y ENSINOPESQUISA, Médulo 3 — Fundamentos Doutrinérios da At Seguranga Publica lade de Inteligéncia de Apresentagao do Médulo Caro Aluno, Dando continuidade aos nossos estudos, 0 presente médulo abordara os fundamentos doutrinarios da Atividade de Inteligéncia de Seguranga Publica. Vamos la! Objetivos do Médulo Ao final do estudo deste modulo, vocé sera capaz de’ * Compreender o conceito, finalidades, caracteristicas, principios e ramos da Inteligéncia de Seguranga Publica; * Analisar os niveis de assessoramento da Inteligéncia de Seguranga Publica; * Entender as fungdes dos profissionais de Inteligéncia de Seguranga Publica; * Compreender as espécies de Inteligéncia de Seguranga Publica Estrutura do Médulo Aula 1 - Conceito de Inteligéncia de Seguranga Publica. Aula 2 - Finalidades, caracteristicas, principios e ramos da Inteligéncia de Seguranga Publica. Aula 3 — Niveis de Assessoramento, Aula 4 — Profissionais de Inteligéncia de Seguranga Publica Aula 5 — Espécies de Inteligéncia de Seguranga Publica 41| Pagina y ENSINOPESQUISA, Aula 1 - Conceito de Inteligéncia de Seguranga Publica Nesta aula vocé vai estudar 0 conceito de Inteligéncia de Seguranca Publica, com base nos ensinamentos da Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranca Publica, Ainda, serdo apresentados outros conceitos de Inteligéncia, para que possa contribuir com os estudos dessa atividade. Figura 17: llustragao Fonte: CITA/DEP/Segen Vamos aos estudos! 1.1 Conceito de Inteligéncia Nos médulos 1 e 2 vocé leu varias vezes a expresso “Atividade de Inteligéncia’, mas o que vem a serINTELIGENCIA? Terminologicamente, Cepik (2003, p. 27-29) afirma que: “Inteligéncia, em uma definicéo ampla, 6 toda informacao coletada, organizada ou analisada para atender as demandas de um tomador de decisao qualquer.” 42| Pagina y ENSINOPESQUISA, Platt (1974, p. 25) discorre que “Informagées (intelligence) 6 um termo especifico e significativo, derivado da informacdo, informe, fato ou dado que fol selecionado, avaliado, interpretado e, finalmente, expresso de forma tal que evidencie sua importancia para determinado problema de politica nacional corrente”. O conceito de inteligéncia segundo a legislagao brasileira apresenta-se na Lei n° 9,883, de 7 de dezembro de 1999, que, conforme ja aprendemos, criou a Agéncia Brasileira de Inteligéncia (ABIN) ¢ instituiu 0 Sistema Brasileiro de Inteligéncia (SISBIN). De acordo com o § 2° do art. 1 da referida lei, entende-se por inteligéncia (BRASIL, 1999) é: A atividade que objetiva a obtencao, andlise e disseminacao de ‘conhecimentos, dentro e fora do territério nacional, sobre fatos & situagdes de imediata ou potencial influéncia sobre 0 proceso decisério e a agdo governamental e sobre a salvaguarda e a ‘seguranga da sociedade e do Estado. 1.2 Conceito de Inteligéncia de Seguranga Publica Conforme consta na Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica (DNISP), a atividade de Inteligéncia de Seguranga Publica (ISP) &: © exercicio permanente e sistemdtico de agdes especializadas ara identiicar, avaliar e acompanhar ameagas reais ou potenciais na esfera de Seguranca Publica, basicamente orientadas para produgdo e salvaguarda de conhecimentos necessérios para subsidiar os tomadores de deciséio, para o planejamento e execucdo de uma politica de Seguranga Publica e das agdes para prever, prevenir, neutralizar e reprimir atos criminosos de qualquer natureza que atentem & ordem publica, incolumidade das pessoas e do patrimé Curiosidade! Joanisval Brito Goncalves, em sua obra Atividade de Inteligéncia e Legislago Correlata, datada em 2013 em sua terceira edigao, faz um estudo generalizado sobre a Atividade de Inteligéncia. Por sinal, referido autor menciona que, a partir de distintas 43 | Pagina wy ENSINOPESQUISA conceituagao, pode-se depreender que o conceito de inteligéncia repousa nos seguintes aspectos, ou elementos essenciais: 1) Aideia de conhecimento processado, ou seja, “a partir de fontes (abertas ou no), chega-se a um produto de uma analise com base nos principios e métodos da doutrina de inteligéncia. 2) O manuseio de informagGes sigilosas (dado negado). Esse manuseio seria referente a ameacas e oportunidades, sejam elas reais e/ou potenciais, “relacionadas a assuntos de interesse do tomador de decisao. A inteligéncia lida, necessariamente, com assuntos sigilosos". 3) O objetivo central seria o assessoramento do processo decisério, que, “no caso da inteligéncia de Estado, seria salvaguardar os interesses nacionais”. 44| Pagina y ENSINOPESQUISA, Aula 2 — alidades, caracteristicas, pri 3 € ramos da Inteligéncia de Seguranga Publica Nesta aula vocé vai estudar as finalidades, caracteristicas, principios e ramos da Inteligéncia de Seguranga Publica, com base nos ensinamentos da Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica. Vamos aos estudos! Com a finalidade de cumprir suas atribuigdes, a DINT, por meio da Doutrina Nacional de Inteligéncia de Seguranga Publica, define suas finalidades, volladas, na sua esséncia, para o mister de assessorar 0 processo decisério. Veja: 2.4.4 Proporcionar Diagnésticos e prognésticos sobre a evolugao de situagdes do interesse da Seguranga Publica, subsidiando seus usuarios no processo decisério. 2.1.2 Colaborar Para que 0 proceso interativo entre usuarios e profissionais de Inteligéncia produza efeitos cumulativos, aumentando o nivel de eficiéncia desses usuarios e de suas respectivas organizagées. 2.1.3 Subsidiar O planejamento estratégico integrado do sistema de Seguranca Publica e a elaboracao de planos especificos para as diversas organizacdes que o compéem. 2.1.4 Assessorar Com informagées relevantes, as operagdes de prevengao e repressao, de interesse da Seguranga Publica. 2.4.5 Salvaguardar A produgao do conhecimento de ISP. 45| Pagina wy ENSINOPESQUISA, 2.2 Caracteristicas Vejamos agora quais sao as principais caracteristicas da Inteligéncia de Seguranga Publica, seus aspectos distintivos e particularidades: 2.2.1 Produgao de Conhecimento Aatividade de ISP, por meio de metodologia especifica, transforma dados em conhecimentos, com a finalidade de assessorar os usuarios no proceso decisério. 2.2.2 Assessoria Subsidia 0 processo decisério em todos os niveis, através da produgao de conhecimento. 2.2.3 Verdade com Significado Caracteriza a atividade de ISP como uma produtora de conhecimentos precisos, claros e imparciais, de tal modo que consiga expressar as intengdes, 6bvias ‘ou subentendidas, dos alvos envolvidos ou mesmo as possiveis ou provaveis consequéncias dos fatos relatados. 2.2.4 Busca de Dados Capacidade de obter dados protegidos e/ou negados, em um universo antagénico, uma vez que os dados relevantes deste ambiente encontram-se, invariavelmente, protegidos. 46 | Pagina y ENSINOPESQUISA, 2.2.5 Agées Especializadas Em face da metodologia, procedimentos e terminologia proprios e padronizados, a atividade de ISP exige integrantes com formagao especifica, especializagao, treinamento continuado e experiéncia 2.2.6 Economia de Meios Permite otimizar a utilizagéo dos recursos disponiveis, pela produgéo de conhecimentos objetivos, precisos e oportunos. 2.2.7 Iniciativa Induz a produco constante de conhecimentos, sem demanda especifica 2.2.8 Abrangéncia Em razaio dos métodos e sistematizagao peculiares, permite 0 emprego da ISP ‘em qualquer campo do conhecimento de interesse da Seguranga Publica. 2.2.9 Dinamica Possibilita @ ISP evoluir, adaptando-se as novas tecnologias, métodos, técnicas, conceitos e processos. 2.2.10 Seguranca Visa garantir a existéncia da atividade de ISP, salvaguardando a produgdio do conhecimento e seus principais ativos. 2.3 Principios A Inteligéncia de Seguranga Publica (ISP) segue determinados principios, que constituem a sintese de pontos fundamentais e guia das caracteristicas da atividade. Os principios da ISP sao as proposigées diretoras — as bases, os fundamentos, 0s alicerces, os pilares — que orientam e definem os caminhos da atividade. A aplicagaio de um deles deve ser harménica aos demais. Sao eles: 47| Pagina y ENSINOPESQUISA 2.3.1) Amplitude — Consiste em alcangar os mais completos resultados nos trabalhos desenvolvidos. 2.3.2) Interagao — Implica estabelecer, estreitar e manter relagées sistémicas de cooperacao, visando otimizar esforgos para a consecucao dos objetivos da atividade de ISP. 2.3.3) Objetividade — Consiste em cumprir suas fungdes de forma organizada, direta e completa, planejando e executando acdes, de acordo com objetivos previamente definidos. 2.3.4) Oportunidade — Orienta a produgdo de conhecimentos, a qual deve realizar-se em prazo que permita seu melhor aproveitamento. 2.3.5) Permanéncia - Visa proporcionar um fluxo constante de dados e de conhecimentos. 2.3.6) Preciséo — Orienta a produgéo do conhecimento com a veracidade avaliada, tornando-o significativo, completo e util. 2.3.7) Simplicidade — Norteia a atividade de forma clara e concisa, planejando executando agdes com o minimo de custos e riscos. 2.3.8) Imparcialidade — Conduz a atividade para ser isenta de ideias preconcebidas, tendenciosas, subjetivas e distorcidas; 2.39) Compartimentagao — Direciona a atividade com propésito de permitir acesso somente para os que tenham a necessidade de conhecé-la. 2.3.10) Controle — Determina a superviséo e 0 acompanhamento sistematico de todas as agdes da atividade de ISP, de forma a assegurar a ndo interferéncia de varidveis adversas no trabalho desenvolvido. 2.3.11) Sigilo — Visa preservar o érgao, a atividade, seus integrantes e suas agées. 48| Pagina

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