0% acharam este documento útil (0 voto)
41 visualizações76 páginas

A Lições da Bruxa e a Borboletinha

1. O narrador e seus amigos costumavam incomodar e chamar de "bruxa" uma mulher idosa que vivia sozinha perto de suas casas. 2. Um dia, enquanto empurravam o corpo de um bode morto pela janela da casa da mulher, o narrador caiu e quebrou a perna. 3. Ao se aproximar furiosa, a mulher tocou a perna quebrada do menino com seu cabo de vassoura, curando-o magicamente e revelando ser uma feiticeira bondosa,

Enviado por

bru4862
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
41 visualizações76 páginas

A Lições da Bruxa e a Borboletinha

1. O narrador e seus amigos costumavam incomodar e chamar de "bruxa" uma mulher idosa que vivia sozinha perto de suas casas. 2. Um dia, enquanto empurravam o corpo de um bode morto pela janela da casa da mulher, o narrador caiu e quebrou a perna. 3. Ao se aproximar furiosa, a mulher tocou a perna quebrada do menino com seu cabo de vassoura, curando-o magicamente e revelando ser uma feiticeira bondosa,

Enviado por

bru4862
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1, 2, 3, 4.

Conto até 34.

Produção coletiva 9°A


Coordenação: Iara Martins Santos
Colaboração: Carla Lott
Apresentação

Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Lia Luft, Adélia Prado,


Moacyr Scliar, Machado de Assis, Luis Fernando Veríssimo,
Fernando Sabino, Lygia Fagundes Telles, Edgar Allan Poe,
Irmãos Grimm. Esses nomes nos acompanharam durante a
2ª e 3ª etapas de 2015, eles foram, de certa forma, nossos
professores de literatura; isso porque tivemos a
oportunidade de ler alguns de seus contos. Durante essas
leituras, além de nos envolvermos com os temas sobre os
quais narravam, pudemos, também, analisar, apreciar e
aprender um pouco do estilo de escrita de cada um.
Percebemos que, quando lemos bons textos, nossa
capacidade de escrever fica um pouco melhor. Pelo menos
é isso que nós vivenciamos no processo de escrita de cada
conto que este livro contém.
Aqui, amigo leitor, você encontrará um conto de autoria
de cada aluno que cursou o 9º ano no Colégio São Paulo
em 2015. Depois de muita leitura e especulação sobre a
escrita de contos, resolvemos passar pela experiência de
escrever esse tipo de texto. Não pensem que foi fácil!
A escrita do 1º conto foi elaborada a partir de notícias
inusitadas coletadas por nós, isto é, cada um ficcionou um
fato real para escrever o texto.
Para a 2ª escrita, resolvemos que cada um elegeria um
conto de um autor estudado por nós e o
retextualizaríamos, ou seja, alguns mudaram o final do
texto, outros, a partir de um fato presente nele,
desenvolveram novas ideias. Foi uma experiência boa,
porque para dar uma nova “cara” para o texto, tivemos
que analisar o estilo de escrita do autor escolhido, tivemos
que prestar atenção para que a história não ficasse sem
“pé nem cabeça”. Ao todo, foram cinco propostas de
produção de conto.
Surgiram diversas ideias para serem temas de escrita de
contos, desta forma, imaginamos muitas histórias. Com
esse trabalho, a aula de Português se tornava muito
esperada, ninguém se continha nos comentários tanto
positivos quanto negativos em relação aos contos escritos.
A literatura se tornava uma festa!
Como havíamos produzido muitos textos, ficamos
estimulados a publicá- los.
Assim, iniciamos um criterioso trabalho de seleção e de
reescrita dos melhores contos. Durante esse processo,
entendemos que o trabalho de um escritor é muito difícil!
Cada um de nós precisou exercitar a capacidade de ouvir
críticas sobre o que escreveu.
É duro aceitar que algumas ideias presentes nos textos não
estavam boas, também, às vezes, era difícil defender,
mesmo entendendo o ponto de vista do outro, que não
queríamos mudar nada em nossas criações.
Além de prestarmos atenção ao enredo e às
características próprias de produção de um conto, fizemos,
também, revisão de ortografia, de regência, de
concordância, de pontuação, entre outras; sabemos que
cuidar da gramática do texto é tão importante quanto
cuidar da história que se narra.
Assim, vivenciamos um processo de diálogo intenso no
qual a Iara teve papel importante.
Depois, veio o processo de montagem do livro digital,
que também foi muito trabalhoso, porque tínhamos que
escolher seu nome, criar sua capa, escolher o melhor tipo
de letra, aprender como colocar os textos nas páginas do
livro digital, enfim, aprender a usar essa ferramenta
tecnológica. Durante esse processo a Paula, estagiária de
Língua Portuguesa, nos ajudou muito! A mensagem, que
gostaríamos de passar para quem lê este livro, é a de que
o processo de leitura e escrita faz pensar, faz com que
sejamos gente de opinião e estimula a querer um mundo
melhor.

Produção Coletiva 9°A.


Índice
1ª Parte: Retextualização de contos populares

1. "Bruxas não existem" adaptado ........................ 4


2. "Margarida espertalhona" adaptado ................. 6
3. "Galinha ao molho pardo" adaptado ................. 7
4. "Galinha ao molho pardo" 2ª adaptação ........... 7
5. "Apelo" adaptado .............................................. 8
6. "Apelo" 2ª adaptação ....................................... 10

2ª Parte: Romance

1. Me leve de volta ao começo ............................ 11


2. Amor contraditório ........................................... 12
3. O término ......................................................... 14
4. 30 segundos .................................................... 15

3ª Parte: Suspense

1. Dia chuvoso ..................................................... 16


2. Não respondem! .............................................. 17
3. Velhinha inocente? .......................................... 17
4. Um caso complicado ....................................... 18
5. Um novo rosto ................................................. 19
6. O serial killer .................................................... 20
4ª Parte: Morte

1. Ainda nos encontramos ....................................... 22


2. A busca ................................................................ 22

5ª Parte: Temas diversos

1. O despertar .......................................................... 24
2. Baleia "pede ajuda" .............................................. 25
3. Galinha a preço de falta de atenção .................... 26
4. O cotidiano ........................................................... 27
5. A primeira e última sessão ................................... 27
6. Era uma casa não muito engraçada .................... 28
7. Colônia de férias .................................................. 29
8. Sonho de transformação ...................................... 30
9. Gesto de bondade ................................................ 31
10. O sofrido professor .............................................. 32
11. Gentes da cidade ................................................ 33
12. Conto 1 por Julia ................................................. 34
13. Conto 2 por Thaís ............................................... 35
14. Conto 3 por Victória ............................................ 36
15. Conto 4 por Alanis .............................................. 37
1ª Parte:
Retextualizações de
contos populares
"Bruxas não existem" retextualização do conto de
Moacyr Scliar, por Clara Perim.
Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres
malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas
perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A
prova para nós era uma mulher muito velha, uma
solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços
no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós
só a chamávamos de "bruxa".
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam
palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga
no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca
tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que,
se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando
venenos num grande caldeirão.
Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia
invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e
quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras
no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela
gritando "bruxa, bruxa!".
Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A
quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo
descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa.
O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia,
naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara
aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que
era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e
pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a
janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres
ficaram presos na cortina.
Vamos logo — gritava o João Pedro —, antes que a
bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que,
finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a
porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um
cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho,
era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco
e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não
tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me
levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com
dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão,
aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe,
ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida
descarregaria em mim sua fúria.
Medo era o que me perseguia, medo pela minha perna
supostamente quebrada e medo por aquela bruxa que se
aproximava. Tive vontade de gritar por socorro, mas já não
adiantava. Então a velha se aproximou de mim cheia de
raiva e olhou nos meus olhos e eu nos dela. De perto pude
ver que ela não era tão feia e sim bem bonita, tinha olhos
claros da cor do céu, por debaixo das machas e verruga um
belo rosto com bochechas avermelhadas, seus dentes
todos certos, o nariz grande era o único defeito. Mas esse
belo rosto estava transtornado de raiva. Então ela pegou o
cabo de vassoura e levantou para mim. Pensei é agora que
eu apanho, e foi isso mesmo, bem na minha perna
quebrada ela bateu e minha dor sumiu, como um toque de
mágica. Mágica, palavra que define. Não é que aquela
bruxa era bruxa mesmo?! Mas, uma boa. Olhei-a de novo e
suas rugas haviam desaparecido, lá estava um singelo e
belo rosto e de sua boca saíram essas palavras:
— Assim acho que não te assusto certo? Que isso sirva
de lição pra você não julgar os outros pela aparência. Aqui,
lancei um feitiço na sua perna. Se voltar a tratar alguém
julgando sua aparência, ela voltará a doer. Combinado?
— Estou chocado, nunca iria imaginar. Combinado! E
você é uma fada ou bruxa?
— Sou uma feiticeira, fadas e bruxas não existem,
humanos as inventaram. Espero que você e seus amigos
sejam pessoas melhores daqui pra frente. Adeus!
— Ei! Espere!
E ela desapareceu, num toque de mágica. E eu jamais vou
esquecer a transformação daquele rosto e a lição que eu
levei. Meus amigos só acreditaram em mim, quando aquela
horrorosa casa se tornou num belo casarão e uma linda
moça passou a morar lá, isso do dia para a noite.
Que essa história sirva de lição! Pois títulos de fada e
bruxa nós mesmos inventamos! Não é a partir delas que
existe o bem e o mal, não é preciso de magia para ser bom
ou mal. Como diz uma bela história “O essencial é invisível
aos olhos”.
“Margarida espertalhona”, retextualização do conto
de Irmãos Grimm, por Sérgio Leal de F.
Margarida era uma cozinheira que gostava de beber os
vinhos da adega de seu patrão. Sempre tomava um pouco,
e junto vinha o apetite, e assim ela provava dos melhores
pratos até encher bem o estômago, dizendo: "A boa
cozinheira deve saber que gosto tem a comida”.
Certo dia, disse-lhe o amo:
— Margarida, hoje virá um hóspede para o jantar;
prepare duas galinhas do melhor jeito possível.
Matou as duas galinhas, depenou-as, limpou-as e depois
de temperará-las bem, colocou-as para assar no espeto. As
galinhas já estavam começando a dourar e a tostar, mas o
hóspede não aparecia; então Margarida foi ter com o
patrão e disse-lhe:
— Se a visita não vem, tenho de tirar as galinhas do
fogo; mas é uma pena não as comer logo, enquanto estão
no ponto.
O patrão respondeu:
— Vou correndo chamar a visita.
Durante esse tempo, Margarida desce à adega e
tomou um vinho, e com o vinho veio a fome. Quando se
deu conta, já tinha comido as galinhas.
Correu rapidamente à cozinha e preparou uma bela
lasanha, pois não havia tempo para cozinhar mais
galinhas.
Pouco tempo depois o patrão chegou sem o convidado.
— Não pude encontrá-lo, ele não estava em casa. Traga
as galinhas que eu mesmo vou comê-las.
Margarida chegou com uma lasanha, o patrão estranhou
e disse:
— Onde estão as galinhas?
— O sujeito veio aqui e furtou-lhas.
— Aquele desgraçado, se o encontro... corto-lhe as
orelhas.
“Galinha ao molho pardo”, retextualização do conto de
Fernando Sabino, por Gabriela Santos.
Em uma manhã de domingo, Manuel e seu pai
combinaram ir ao Pesque Pague.
Ao chegar, Manuel ficou encantado com o tamanho do
lago! Pegou sua vara de pescar, colocou a minhoca no
anzol e lançou-a em direção ao lago.
Seu pai foi o primeiro a pescar o peixe e pediu para que
o fritasse. O filho olhou com uma cara de espanto para o
pai e perguntou se eles iriam comer aquele peixe. O pai
explicou que, naquele lugar, as pessoas pescavam e depois
comiam o peixe.
Manuel conseguiu pescar o seu próprio peixe. Com os
olhos marejados, olhou para o pai e pediu para levá-lo
consigo. O pai deu uma risada e afirmou que não tinha
onde colocá-lo.
O menino disse que isto não seria o problema: tirou do
bolso uma sacolinha cheia de carrinhos que ele havia
levado. Então, andou em direção à beira do lago, encheu
sua sacolinha d’água e colocou seu novo amigo dentro
dela.
Em casa, Manuel foi correndo até o tanque, encheu-o
d’água. Estava ansioso para dar um novo lar ao seu peixe.
Por que ele morreu? Por quê?
"Galinha ao molho pardo" retextualização do conto de
Fernando Sabino, por Fernanda de Quintino Soares
Veloso.
Ao chegar da escola, dei com a novidade: uma galinha
ciscando no quintal.
Doutor Junqueira iria almoçar conosco, no domingo. Foi
quando percebi que a refeição seria galinha ao molho
pardo.
Dona Alzira empregada de casa, iria matar a bichinha
para satisfazer a vontade de meu pai. Já vi a velha matar
galinha outras vezes, era horrível, corria com a faca na
mão em direção a ela e quando conseguia alcançá-la,
enfiava a faca em seu peito subindo para cabeça, pegando-
a de jeito. O sangue escorria longe, e a pobre galinha entre
as mãos da empregada estrebuchando. Isso não era justo!
Sei que era um almoço importante para papai, pois se
tratava de negócios, mas também era importante salvar a
vida da galinha, então a apelidei de Fernanda. Assim que
escureceu ela encontrou um cantinho entre as árvores e
adormeceu, fui dormir na mesma hora.
Na manhã de sábado acordei cedinho para brincar com
Fernanda, aproveitei e expliquei a ela que Dona Alzira era
perigosa, pois no dia seguinte iria matá-la e fazer de seu
sangue, o molho pardo.
Foi anoitecendo e tinha que arrumar um lugar para
esconder a pobre galinha. Encontrei uma bacia, não muito
grande, mas satisfatória para Fernanda ficar lá até o dia
seguinte, dei um beijo de boa noite nela e "fui dormir com
as galinhas".
No grande dia, acordei cedinho e fui ao quintal ver como
Fernanda estava. Presenciei a pior cena de todas, Dona
Alzira estava na maior tranquilidade com as mãos no
pescoço de minha galinha, apertando o corpinho dela e
torcendo-o até matá-la.
Tinha sido o fofoqueiro do Francisco, o papagaio lá de
casa, foi ele quem dedurou o esconderijo da bichinha.
Fiquei muito triste, mamãe me chamou para tomar meu
banho e ir para a mesa. Sentei com cara fechada, papai e
doutor Junqueira conversavam sobre negócios.
Alzira serviu a pobre galinha no prato de doutor
Junqueira. Ele despercebido, abocanhou a coitadinha e
passou mal, pois tinha alergia à galinha ao molho pardo.
"Apelo", retextualização do conto de Dalton Trevisan, por
Ingrid Zuccoli.
Não adianta apelar
Um mês. Muito bom você ter lembrado. Achei que nem
isso seria capaz de fazer. É tão engraçado como em um
mês consegui aprender a viver sozinha. Aliás, vivi
praticamente sozinha nestes tantos anos que fomos
casados. Não vou negar que deixar você foi a mais dura
decisão que tomei. Ainda guardo um grande carinho por
você. Afinal, foi com você que decidi viver quase minha
vida inteira, não é? Foi uma grande pena – e dor, acima de
tudo-, não termos pensado do mesmo modo. Lembro-me
das inúmeras vezes em que coloquei o prato na mesa - que
ao contrário de você, que o fez por mero engano - e o prato
continuou limpo até o dia seguinte.
Minha imagem que diz ter visto de relance no espelho,
talvez seja o reflexo de todos esses anos de dor ao teu
lado. Afinal, foi assim que vivi por tanto tempo. E o
corredor deserto? Sempre esteve ali, e sempre sem
ninguém. A não ser pelas vezes que trazia seus amigos
para assistirem aos jogos de futebol, comigo indo de lá
para cá servindo-os. E bom que mencionou o canário, ele
não ficou mudo. Está comigo. Jura que não não percebeu
que também o levei? Talvez, para você, ele seja como eu.
Percebido só quando
quando fosse necessário, só quando o agradasse.
Você não está sendo fraco por estar bebendo com seus
amigos, para se esquecer de mim. Muito menos fazendo
isso só porque fui embora. Fazia isto todas as semanas. A
diferença é que, talvez, antes você bebia para esquecer da
vida “medíocre” que levava, ou sei lá o que se passava em
sua cabeça. Uma hora da noite eles se vão e você fica só?
Claro, todos têm suas casas, com suas mulheres. Apenas
você foi capaz de não dar valor ao que sempre teve de
mãos beijadas. Seus “amigos”, por quem sempre fui
trocada, não são suficientes? Engraçado, quando éramos
casados era o que parecia.
Você sente falta das pequenas brigas, como as causadas
pelo molho na salada, ou até mesmo o tapete dobrado no
chão do banheiro? Saiba, então, que eram detalhes assim,
tão pequenos, mas que com o tempo ficaram tão grandes e
significativos, que acabaram comigo. Tudo que eu fazia,
fazia com amor, carinho; fazia somente e apenas para
você. E o que eu recebia em troca? Resmungões e críticas.
Se este é seu jeito de dizer que quer o bem, nem imagino o
que pode ser quando disser que quer o mal.
Minhas violetas morreram? Já imaginava.
Se não foi capaz de manter uma mulher em casa, quem
dirá flores... O saca-rolhas? Também levei comigo.
Fui ao parque, sentei em frente ao lago, abri uma
garrafa de vinho, e fiquei ali. Bebi, dei risada e fiz planos
para uma nova vida, uma que me fizesse feliz. Planos que
me deram a certeza de que não sou “trouxa” o suficiente
pra voltar a seu encontro.
"Apelo", retextualização do conto de Dalton Trevisan por
Julia Oliveira Fonseca Albino
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa.
Me sinto sozinho e desorientado. Faz um mês que não
tenho notícias de você. Doeu, foi o suficiente. Eu preciso de
sua presença na casa em que já foi nossa. Liguei até pra
sua irmã pra ver se tinha notícia; mesmo não gostando
dela. Me escuta, volta logo. Meu coração e cabeça querem
te procurar, e irei fazer isso. Onde você está? Dúvida
amarga. Hei de te achar, decisão tomada hoje, dia 19.
Amanhã, sairei por aí, a tua procura.
Dia 20. Como eu irei te achar, Senhora? Acordei pela
manhã logo cedo, e fui até a casa de sua irmã, pra ver se
ela dizia alguma coisa que eu precisasse. Ela disse:
— Não a vejo faz tempo. Da última vez, ela pretendia
mudar da casa de vocês. Também avisou que não iria para
muito longe dali. Tente procurá-la na região do teu bairro.
E grosseira, bateu a porta!
E assim fui, de casa em casa, Senhora.
Finalmente achei um homem que disse tê-la visto hoje
mesmo no meu prédio. Você estaria mesmo lá? Fui de
andar em andar, de porta em porta. Não te achei.
Desisti, fui para o meu andar. Mas, restava a única
esperança, o apartamento 304. Bati a campainha e me
surpreendi. Você abriu a porta. Era minha vizinha durante
todo esse tempo, me olhou e não soltou nenhuma pala-
vra...
Eu te achei novamente, estava perto de ti, mas
completamente distante e enganado.
2ª Parte:
Romance
Me leve de volta ao começo
Havia um casal que acabara de se casar. A vida era
perfeita, café da manhã na cama todos os dias, noites de
amor, saídas para bares com os amigos...
Mas um dia, o casal teve uma briga, não havia motivo
certo. O homem, sem pensar, saiu com a roupa do corpo e
a mulher sentou-se e começou a chorar.
Depois de um tempo, a mulher pegou todos os
pertences do homem e jogou pela janela. Depois de dias,
ela tinha certeza de que existiam homens melhores que
aquele e de que nunca mais o veria. Mudou-se de casa e
não deixou nenhum objeto que conquistaram juntos. Já o
homem, sabia que aquela mulher era a mulher da sua vida
e que não conseguiria ficar longe dela, então foi atrás,
ligou, foi até a casa onde moravam, mas a mulher já tinha
se mudado, virou um grande “fantasma”.
O homem fez de tudo, mas não conseguia encontrá-la
em nenhum lugar, então, decidiu fazer uma música para
ela, e na música ele fala:
Vim para te encontrar, dizer que sinto muito
Você não sabe como é amável
Tinha que te ver, lhe dizer que preciso de você
Dizer que te escolhi
(...)
Vamos voltar para o começo
Ninguém disse que seria fácil
É uma pena nos separarmos
Mas também não disseram que seria tão difícil
Me leve de volta ao começo
(...)
Meses depois, a mulher, ao escutar rádio, ouviu uma
música nova de sua banda favorita; que linda, tão
apaixonante! Chegou em casa, foi ao computador para ler
a canção. Descobriu!! Seu ex-marido compôs a letra em
sua homenagem! Não acreditava! Ele ainda a amava?
Havia um casal que acabara de se casar. A vida era
perfeita, café da manhã na cama todos os dias, noites de
amor, saídas para bares com os amigos...

Gabriela Mendes Cardoso


Conto baseado na música “The Scientist” da banda
Coldplay.
Amor contraditório
Nunca entendi o amor, mas até pouco tempo isso nunca
me incomodou. Sou o que pode ser chamado de perigo
para sociedade, sou imprevisível, inabalável, sociopata. Por
isso fui jogada em um hospício, manicômio, chame do que
quiser. Mas, uma semana depois que cheguei, algo
aconteceu.
Escutei gritos de tristeza, e por não ter nada para fazer,
além de ficar presa no quarto, fui à janela ver o que estava
acontecendo: uma garota, devia ter 20 anos no máximo,
acabava de chegar. Ela foi praticamente empurrada do
carro, chorava e gritava, enquanto olhava para os lados
com esperança de alguém chegar. Pouco tempo depois, vi
um carro chegando em alta velocidade, dele desceu um
homem, tinha aproximadamente a idade dela, ele correu
em direção à garota, não parecia muito forte, era bastante
magro, mas sua pouca força, potencializada pelo calor do
momento, foi suficiente para chegar até ela, eles se
abraçaram, mesmo com os seguranças com armas de
choque, não pareciam se importar.
Nessa hora, eles começaram a dar passos largos para
trás, enquanto tentavam explicar, ele abriu os braços e se
se colocou de barreira para proteger a moça, que ficou
atrás dele. Ela gritou tão alto que pude ouvir: “Eu o amo,
isso é bem maior do que qualquer um de vocês imaginam”.
O segurança não esperou que ela acabasse de falar e
disse: “Você sabe o que fez, e não vai sair livre disso. Se
quisesse um futuro com ele, devia ter pensado antes de
quase matar a ex do seu namoradinho!”.
O casal se entreolhou, nessa hora o segurança foi para
cima do homem e conseguiu agarrar o braço da garota. Ela
olhou nos olhos do segurança e gritou: “Ela também o
amava, por isso ela foi para minha casa, ela queria acabar
com esse triângulo, só que o seu jeito era acabar comigo.
Era para ser ela aqui, não eu. Eu só me defendi, não era
minha intenção machucá-la.”.
Naquele momento fechei a janela e me sentei no chão.
O que seria o amor? Aquilo pela primeira vez me intrigou. O
que seria aquele sentimento que fez o rapaz proteger sua
namorada com seu próprio corpo? O que fez a outra mulher
tentar acabar com uma vida?
Sentimento contraditório esse. Não sei se foi o horror,
mas algo me tocou. E... me tocar era impossível.
Supostamente, cientificamente, nada podia me tocar.
Intrigada, pensei: ou meus diagnósticos estavam errados
ou essa coisa de amor é muito mais poderosa do que
parece ser.
Martha Helena Chaves
O término
Adriano e Luiza passeavam no parque, parecia tudo
normal, os dois andavam, trocavam olhares, sorrisos,
porém, os dois estavam calados, um sem saber o que
dizer, e o outro com uma ideia em sua mente. Adriano
perguntou:
—Tem algo errado, Lu?
Luiza sem jeito:
— Pra falar a verdade, tem sim.
Preocupado, pergunta:
— O que houve?
Ela:
— Nós dois...
Ele, entendendo o que ia ser dito, pergunta assustado:
— O que tem? Eu fiz algo?
Luiza secamente:
— Sim, devemos terminar, Adriano.
— Mas por que, Lu? Nós somos tão felizes juntos
— Eu não sou feliz com você, Adriano.
Disse já cansada.
— Mas Lu, sem você não sou ninguém.
Luiza, sem querer render assunto, disse:
— Não faça drama, você arranjará alguém muito melhor
que eu. Tenho que ir.
Como pôde ser abandonado sem nenhum motivo? Adriano,
então, passou a andar triste, não comer direito, não queria
fazer mais nada a não ser chorar por não estar mais junto a
sua amada. Resolveu descontar sua raiva e tristeza num
bar.
Ao chegar nesse bar, Adriano avistou uma garota muito
bêbada, sensibilizado, resolveu ajudá-la. Conversaram
muito. Os dois descobriram que estavam na mesma
situação.
Em pouco tempo, os dois se tornaram muito próximos,
começaram a namorar. Ironia do amor? Modernidade? Nem
se lembravam mais de seus amores antigos...

Pedro Lucas Tolentino Souza


30 segundos
Eu sentava na segunda carteira da fila da mesa do
professor que, por sorte, era ao lado da mesa de Luiza, a
garota mais bonita do nono ano. Porém, eu tinha um
grande defeito, tinha uma imensa vergonha de chamá-la
para conversar.
Era aula de História e eu me concentrava na matéria,
quando, de repente, recebo um sussurro de Luiza:
— Oi, você pode ir na minha festa de 15? Dia 11 de
setembro. Quero te ver lá...
— Claro, seria ótimo!
Já que eu era um garoto tímido, isso foi uma grande
conquista. Foi assim que começou minha paixão por Luiza,
que antes era somente uma bela garota que sentava ao
meu lado. A partir desse dia, deixei de ser tímido e passei a
conversar todo dia com ela, fosse pessoalmente ou por
mensagem.
O dia tão esperado por mim e por Luiza chegou, dia 11
de setembro. Poderia ser o dia em que eu conquistaria a
garota mais linda do ano.
Durante a festa, não a vi muito, porque, como nas
tradicionais festas de 15 anos, a aniversariante fica tirando
foto até onze e meia, para meia noite valsar.
Deu meia noite no relógio. Luiza apareceu com seu
vestido lindo, foi aí que meu coração começou a
disparar, tinha certeza de que estava apaixonado.
Após a valsa, tomei iniciativa e comecei a conversar com
Luiza, até que finalmente ganhei seu beijo. Foi a melhor
sensação de minha vida. Foram 30 segundos de beijo, os
melhores segundos de minha vida, até o momento em que
um homem alto e forte puxou Luiza dos meus braços. Era
seu pai.
Gustavo Coimbra
3ª Parte:
Suspense
Dia chuvoso
Dia chuvoso, asfalto escorregadio, motorista tenta
frear, o carro desliza, e atropela o menino desatento.
Motorista em pânico, leva o garoto ao hospital.
Ao ser intimado para efetuar o pagamento necessário
para atendimento, disse que, naquele momento, não tinha
dinheiro que pudesse oferecer como garantia, mas poderia
efetuar o depósito assim que conseguisse recursos.
O atendente vai até o menino que está inconsciente
para ver se tinha documento ou endereço. Não encontra
nada. Ela, então, consulta o médico de plantão que, por
sua vez, decide aguardar as garantias do depósito para
iniciar o tratamento.
O plantonista resolve, por sua conta, cuidar do garoto,
que já está aguardando há bom tempo. O médico pede a
uma enfermeira que o ajude a cuidar do pequeno
indigente.
A enfermeira chega ao ambulatório e vê o menino, entra
em pânico, chamam o diretor imediatamente, que muito a
contragosto atende ao chamado.
O menino inconsciente, estendido à sua frente não era o
indigente, era seu neto.
Marina Dolabela
Não respondem!
Em uma cidade no interior de Minas Gerais, vivia um
casal muito feliz, tinham filhos saudáveis, entretanto,
Eduardo, filho mais velho, envolveu-se com drogas,
envergonhado acabou fugindo para capital, deixando a
família desolada.
Em Belo Horizonte, conheceu uma mulher que o ajudou
na cura do vício. Casaram-se e tiveram dois filhos.
Um dia, sua esposa perguntou sobre seus sogros,
Eduardo ficou irritado e explicou para sua mulher que seus
pais não o amavam e não teriam interesse em conhecer
seus netinhos.
Seus filhos começavam a perguntar sobre seus avós e
foi assim que Eduardo resolveu contar a verdade para a
mulher. Tentaram, então, se reaproximar dos pais de
Eduardo, escreveram cartas nas quais Eduardo explicava
seu arrependimento, falava de saudade e da existência dos
netos. Não obtiveram resposta.
Matheus Batista Mourão
Velhinha inocente?
Indo de carro para uma pousada bem distante no interior
de MG, tentava distanciar da cidade.
Após várias horas de viajem, enquanto estava em uma
estradinha deserta o carro parou de funcionar, tentei
procurar ajuda, mas por ali não passava carro, daí comecei
a procurar alguma casa. Após certo tempo, encontrei uma
bem distante da estrada, cercada de grama alta e com um
celeiro grande que estava trancado por cadeado, chegando
lá bati na porta e uma inocente senhora atendeu.
Contei toda minha história e ela me acolheu.
Durante a noite, escutei barulhos estranhos do lado de
fora da casa, me levantei e fui até a janela conferir, havia
dois homens carregando sacos grandes para o seleiro, a
senhora parecia estar atrás deles passando o comando, de
repente, as luzes se apagam e os homens do celeiro vêm
andando em direção a casa, achei estranho o jeito deles,
fiquei com medo, então decidi não observar mais nada,
rápida e furtivamente deitei-me e voltei a dormir.
Na manhã seguinte, acordei, a senhora estava sentada
na minha frente me vendo dormir, fiquei assustado, sem
jeito, mas não disse nada. Ela disse “seu carro já está
consertado, tome café e vá embora”. Ela disse isso e saiu,
achei estranha a fala dela. O medo deu lugar à curiosidade.
Sem ela perceber, segui até o celeiro, me espantei, lá
havia centenas de caveiras, a senhora me
surpreendeu, apareceu atrás de mim falando “agora é a
sua vez menininho desobediente!” Comecei a correr, mas
os dois homens que ajudavam a velha me pegaram, meu
destino foi certo: saco preto, uma nova casa, mais um
esqueleto no celeiro.
Igor Tameirão
Um caso complicado
Estavam parados, Joel e Pedro, fumavam um cigarro,
enquanto admiravam a vista do local. O Rio de Janeiro
nunca esteve tão bonito, mas eles não tinham tempo nem
sossego para ficar admirando a vista.
Joel e Pedro estavam atordoados com o caso! O marido
da irmã, Maria, matou a sogra. Raul, homem rico, não será
preso facilmente, difícil resolver esse caso. “Manda pra
cadeia logo! Esse desgraçado merece isso após matar
nossa mãe!”.
No dia seguinte, depois de saírem do posto policial,
completamente agoniados, foram caminhando até o
restaurante onde almoçariam. Joel sente que alguém está
seguindo-os, faz um sinal a Pedro para que ele ficasse
esperto. Os dois escutam o barulho do gatilho da arma e,
num movimento rápido, viraram pra trás com as armas nas
mãos. Um tiroteio começa, barulhos de balas de um lado
para outro. Uma dessas balas atinge Pedro, que cai no
chão. As balas do bandido acabam e ele sai correndo,
deixando a arma cair no chão. Joel pega a arma com sua
luva e vai socorrer o irmão. Ambulância, hospital, Pedro
morreu.
Raul passou a ser processado por mais um homicídio e
agora não teria escapatória, suas digitais estavam na
arma, era uma prova evidente.
Joel lamenta muito a morte de Pedro, mas ao mesmo
ao mesmo tempo fica feliz de ter vingado a morte do irmão
e da mãe.
Anna Vitória V. S. Duarte
Um novo rosto
Eu e meu pai amávamos viajar, e naquelas férias iríamos
para um parque em uma cidade distante de onde
morávamos. Seria uma longa viagem, por isso, partimos ao
anoitecer para chegarmos ao nosso destino logo cedo e
aproveitarmos mais os dias de diversão.
Após algumas horas com a estrada deserta, começamos
a ouvir um barulho muito forte vindo do motor, o carro
parou de repente. Meu pai desceu para tentar entender o
que aconteceu, mas independente do que fosse, já
sabíamos que não funcionaria tão cedo, pelo menos não
naquela noite.
Fomos buscar algum lugar para nos hospedarmos e
encontramos uma casinha simples perto dali. Batemos na
porta várias vezes, ninguém atendia. A casa estava com
algumas janelas quebradas, através delas vimos móveis
empoeirados do lado de dentro. Parecia abandonada, mas,
mesmo assim, decidimos ficar ali durante a noite, afinal o
que poderia acontecer?
Meu pai arrombou a porta e entramos na casa.
Realmente era bem simples. Os móveis estavam sendo
corroídos pelo tempo e a escada rangia, enquanto eu e
meu pai subíamos para o segundo andar, para procurar um
quarto.
Ao subir a escada, percebemos que, apesar de bem
grande, o possuía apenas um longo corredor que levava
ao único quarto que havia ali. Reparei na parede repleta de
retratos de pessoas, deveriam ser as antigas moradoras da
casa. Estranho pensar que aquela casa tão em ruínas, já
pertencera a tanta gente. Continuamos andando e
entramos no quarto, exaustos, nos deitando nas camas,
teríamos um longo dia pela frente.
Ao amanhecer, fui acordado pelo sol que já brilhava
forte. Virei-me para a cama ao lado para ver se meu pai já
havia acordado. Não estava na cama. Desci as escadas
procurando por ele, que devia estar consertando o carro,
mas não estava.
Voltei para dentro da casa chamando seu nome e
nenhuma resposta... Subi as escadas correndo e percebi
uma diferença na parede com a galeria de retratos, havia
um novo rosto.
Thaís Mantesso de Abreu
O serial killer
Foram encontrados quatro corpos mortos na cidade de
Sanby, a maior preocupação era que os corpos estavam da
mesma maneira, enfaixados e com um círculo verde em
volta, tudo isso indicava que havia um serial killer na
cidade.
Uma preocupação enorme foi gerada em todos, pois a
cidade não era grande, então qualquer um podia ser a
próxima vítima. Ninguém se atrevia a sair de casa à noite,
deixar suas casas destrancadas e muito menos cair na
conversa de estranhos.
Num dia, um morador da cidade não aguentou e ligou
para o melhor detetive dos tempos, Detetive Shaqiri,
nenhum caso que ele havia pegado tinha ficado sem
solução, mas seu preço era caro, os moradores da cidade,
juntos, combinaram um valor, nada que não podiam fazer.
Shaqiri rapidamente ao visitar as cenas do crime
percebeu que, nos círculos que havia nas vítimas, tinham
iniciais escritas. O que significavam? Pensava Shaqiri.
Descobriu que as inicias representavam os nomes das ruas
em que ele matava as vítimas.
Pensou qual podia ser a conexão entre as vítimas ou
entre as ruas. Não encontrou nada que relaciona
uma vítima com outra, mas não demorou pra Shaqiri
descobrir quais ligações tinham as ruas.
O serial killer atacava sua vítima na rua que era dois
quarteirões abaixo da última, Shaqiri não pensou duas
vezes e foi até a próxima rua, onde provavelmente
aconteceria o próximo crime. Chegou tarde demais...
O detetive não se perdoava, assim que pôde, juntou
suas coisas e, para não perder mais tempo, foi ao local em
que o próximo crime aconteceria. Chegou, então, o
detetive, não havia ninguém no local.
De repente, surge uma pessoa sem uma orelha e diz:
— Detetive! Chegou bem a tempo de minha última
vítima! Minha obra de arte!
O assassino sacou uma arma e disse:
— Últimas palavras?
Pedro Lucas Tolentino Souza
4ª Parte:
Morte
Ainda nos encontramos
Uma mulher, cerca de 40 anos, chamada Isabela, tinha
duas filhas Julia e Gabriela, mas uma delas sofria de câncer
o que fazia com que essa família fosse um tanto triste e
complicada.
Um dia, estava Isabela dormindo em seu quarto,
enquanto as suas filhas estavam em seus. De repente, Julia
começou a tossir muito, quando percebeu, estava cuspindo
sangue. Gritou pela mãe que, em desespero, foi ver o que
era, quando viu o ocorrido foi direto para o hospital com
sua filha, deixando a outra dormindo para não dobrar o
trabalho e preocupação.
Chegando ao hospital, Julia foi encaminhada para a
emergência, foi examinada e diagnosticada; a menina
estava com uma doença grave que poderia levá-la à morte,
a mãe, sem saber o que fazer, acabou desmaiando e sendo
internada junto com a filha.
Horas depois, a Mulher acordou, “a outra filha havia
ficado dormindo, meu Deus!”. Deixou Julia no hospital,
onde estaria segura, foi buscar Gabriela.
Em casa, Isabela tentou acordar sua filha, não obteve
êxito, não queria acreditar, “a filha não costumava ter sono
pesado!”. Sacudiu, jogou água em seu rosto, gritou, nada!
Desmaiou, acordaram... as três estavam num lugar tão
diferente.
Daniel Caetano
A busca
— Eu vim te buscar.
Foi com essa frase que eu cheguei aqui. Como? Não sei.
Não me lembro.
O quarto no qual eu acordei era branco, sem janelas,
uma porta e apenas a cama em que eu estava deitado.
Levantei-me, fui até a porta, estava trancada; voltei para a
cama, onde me sentei.
Quem me disse aquela frase? Bem, nesse instante, me
lembrei de um livro, o qual informava que aquela era uma
frase Dela. Seria Ela? Não pode ser, está muito cedo. Esse,
então, seria o fim? Ou uma nova chance?
A porta se abriu, entrou um homem de preto, sentou-se
na cama e me disse:
— Está na hora de ir para um lugar melhor.
— Espera! Estou morto?
— Depende da tua definição de morte. Arruma-te, estás
atrasado.
Saí do quarto, seguindo o homem, cheguei a um salão
de festas vazio, onde me coloquei a conversar com um
homem que parecia o anfitrião.
— Senhor, desculpe-me, mas o que é a morte?
— A morte?! Bem, a morte é uma passagem da vida
física para a vida espiritual. E para você o que é a morte?
— Não sei. É o que quero descobrir...
Peguei um pedaço de papel e comecei a escrever uma
reflexão sobre o que era a morte:
“A morte pode ser interpretada de várias maneiras. Para
mim, a morte é mais um estado de espírito do que um
acontecimento natural, a morte é a ignorância, a inocência,
a ausência de paz, uma perturbação espiritual.”
Voltei ao quarto, e, chegando lá, vi um livro em cima da
minha cama, peguei-o, abri e li:
“A morte não é nada para nós, pois, quando existimos,
não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos
mais.”
Após um momento de reflexão, finalmente percebi onde
eu estava... Deitei-me na cama, e, após ter obtido a
resposta que desejava, pude descansar em paz, caí no
sono com um sorriso no rosto.
Quem era aquela pessoa que me disse que veio me
buscar? Quem eram aquelas pessoas que encontrei
naquele lugar? Existem várias respostas a essas perguntas,
todas elas são certas, mas também todas são erradas.
Caio Fernandes Lott Primola
5ª Parte:
Temas Diversos
O despertar
Grávida de um menino! Mãe e pai foram radiantes até a
sala de parto, os nove meses de espera finalmente haviam
acabado e uma família começaria a se formar. Mas nem
tudo ocorreu como o esperado, complicações fizeram com
que a mãe tivesse uma hemorragia e morresse.
O menino foi crescendo e o pai, desde o nascimento,
nunca mais fora o mesmo, antes sorridente, alegre,
companheiro... Agora um homem amargo que não tinha
tempo para nada a não ser trabalho.
O menino vivia cercado de empregadas e babás, que só
o tratavam bem para receber aumento em seus salário.
O menino ganhava muitos presentes para suprir a
ausência dos pais, os brinquedos eram os mais modernos,
caros e legais.
O menino não recebia os amigos em casa, pois, nos
eventos da escola, sua família nunca se fez presente,
ninguém sabia sobre a sua trágica história.
O menino decidiu chamar atenção do pai, quebrar
aquele coração de gelo e saber o que de tão absurdo ele
havia feito para merecer 20 anos de total solidão.
O menino bolara um plano, iria incendiar a Ferrari
modelo novo, que ele havia ganhado no último aniversário.
Assim foi feito.
O acontecimento foi notícia em vários jornais, isso não o
interessou; mas o principal ele havia conseguido.

Ana Luiza Oliveira Mendonça


Baleia "pede ajuda”
Era um lindo dia para Michael Rigio e Ivan Iskenderian,
pescadores de um pequeno lugarejo. Após uma manhã
árdua de trabalho resolveram passear de barco, quando
avistaram uma baleia franca-austral. A Baleia tinha uns 18
metros de comprimento, o que assustou os pescadores que
passeavam em um humilde barco de pesca. Perceberam
que, na cabeça da baleia, estavam emaranhados materiais
plásticos e linhas de pesca.
A baleia se aproximou com delicadeza da embarcação
diversas vezes, sempre colocando acima do nível da água
seus olhos, como se estivesse pedindo ajuda. Michael e
Ivan entenderam que a baleia queria que eles tirassem o
lixo dela, com muito trabalho, foi o que fizeram. A baleia
pareceu agradecer o ato, segundos depois continuou ao
redor deles batendo suas nadadeiras com alegria e leveza
na superfície da água, fato inesperado e único para um
animal selvagem, principalmente devido ao seu tamanho.
Os pescadores voltaram para casa. Mal sabiam o que
iria acontecer. No dia seguinte, quando voltaram ao mar
para pescar, encontraram novamente a baleia que os
acompanhou um bom tempo durante a pesca. Mas isso não
foi a única coisa. No fim da tarde, um pouco depois da
baleia tê-los deixado sozinhos no mar, ela reapareceu, e,
com ela, uma tartaruga marinha enorme, que, como a
baleia, se aproximou do barco com um pedido de socorro,
também estava enrolada em entulhos. Percebendo
tamanha coincidência, os pecadores ajudaram a tartaruga
e voltaram para casa.
Os dias se passaram, a cada dia os pescadores salvavam
algum animal que aparecia em apuros em função de
estarem emaranhados em lixo.
Foram tantos animais que eles começaram a pensar que
tinham poder de comunicação com os bichos. Na vila, não
se falava em outra coisa; as pessoas não acreditavam nos
pescadores, que começaram a ser alvo de chacotas.
Irritados com a situação, resolveram ir mais longe para
pescar em local mais sossegado, não queriam salvar mais
nenhum bicho, não queriam mais ser mais alvo de tolas
brincadeiras.
Acontece que, depois daquele dia, os pescadores não
foram mais vistos, a única coisa de que se tem certeza é a
de que, na praia daquele lugarejo, de ano em ano, na
mesma data do desaparecimento dos pescadores, aparece
uma pequena embarcação completamente carregada com
emaranhados de lixo.
Bruna Araújo
Galinha a preço de falta de atenção
Concurso de galinhas, a que botasse mais ovos era a
vencedora. Um fazendeiro comprou a galinha premiada,
gorda, com penas brancas, um longo bico e um altíssimo
preço!
Com um sorriso no rosto, a galinha em baixo do braço e
a carteira vazia, o fazendeiro chegou em sua fazenda e
colocou-a em um espaço longe das demais galinhas. No dia
seguinte, ansioso para comer um dos ovos premiados,
correu para onde a galinha estava e apenas encontrou-a
em cima de um toco de árvore, encarando-o fixamente.
Emburrado, ele voltou para casa onde tomou um pobre
café da manhã baseado em café e pão com manteiga.
No dia seguinte, correu para o galinheiro especial e viu a
mesma cena, ficou indignado e saiu xingando:
— Mas há "treis" dias atrás ela botava ovo que era uma
beleza, sô!
Os dias se passavam e a cena era sempre a mesma,
enquanto isso, o fazendeiro que queria apenas aqueles
ovos premiados e nenhum outro, cansava-se do repetido
café da manhã, prometeu que se ela não lhe desse os ovos
que tanto desejava para comer de manhã, iria servi-la no
almoço.
O dia se passou e o que já tinha se tornado rotina acon-
teceu, furioso o fazendeiro pegou a galinha e matou.
Entregou o animal decapitado para a mulher, e mandou
prepará-la para o almoço. O homem comeu a galinha
enquanto resmungava sobre o prejuízo que ela havia lhe
dado.
Após o almoço, debruçou na janela e observou o
galinheiro que hospedava o pobre animal, ao forçar a vista
viu um monte de pedras entulhadas bem abaixo de onde a
galinha o fitava durante aqueles dias, pedras
branquinhas... estranho... curioso, aproximou-se e viu
dezenas de ovos, belos ovos!!!

Felipe Campolina
O cotidiano
Relógio, despertador. Cama, cobertor, travesseiro,
lençol, edredom, pijama, chinelo. Banheiro, toalha, banho,
sabonete, xampu, condicionador. Quarto, blusa, cueca,
calça, meia, tênis, desodorante, pente, relógio. Sala, mesa,
cadeira, xícara, café, leite, biscoito, fruta, guardanapo,
talheres, manteiga, pão. Banheiro, escova de dente, pasta
de dente, fio dental, água, toalha. Mochila, cadernos, livros,
estojo, agenda, lanche, carteira, chaves, telefone. Escadas,
portão, carro, rua, escola. Aula, lanche, banheiro, água,
aula. Casa, banho, toalha, sabonete, chinelo. Quarto, blusa,
cueca, calça, meia, tênis. Sala, mesa, cadeira, prato, talher,
copo, água, almoço. Cozinha, prato, talher. Banheiro,
escova de dente, pasta de dente, fio dental, água, toalha.
Mochila, cadernos, livros, estojo, agenda. Cursinho, aula,
lanche, banheiro, aula. Carro, rua, clube, treino. Casa,
banheiro, toalha, banho, sabonete, xampu, condicionador,
chinelo. Mesa, cadeira, prato, talher, copo, água, jantar.
Descanso. Dever de casa. Banheiro, escova de dente, pasta
de dente, fio dental, água, toalha. Cama, cobertor,
travesseiro, lençol, edredom, pijama.

Renan Silveira de Sousa Mendonça


A primeira e última sessão

Na semana passada, as irmãs Sara e Luísa foram à


psicóloga, seria a primeira sessão, a primeira da vida das
duas. A psicóloga era a senhora Helena, ela ajudava os
pacientes a encontrar uma solução para todos problemas.
Elas eram diferentes das demais irmãs, uma hora
podiam ser melhores amigas, na outra podiam estar
brigadas por causa de qualquer coisa. Qualquer. Elas
brigavam por pequenas coisas, podiam ser grandes
também. Não era normal olharem uma pra cara da outra e
começarem a brigar e discutir, e logo depois, fazerem as
pazes, sem mais nem menos. Ninguém compreendia o que
se passava, mas a senhora Helena poderia relatar o que
via.
Chegou a hora da sessão, as meninas já haviam brigado
e se desculpado nesse dia. Era algo estranho e não
compreensível. Chegando lá, as duas ficaram quietas e
silenciosas. Mas quando a psicóloga chegou, a briga foi
recomeçada, e, como era de se esperar, fizeram as pazes
logo logo.
— Boa tarde, eu sou Helena psicóloga de vocês. – Falou
com um tom normal de voz.
— Boa tarde, eu sou Sara e essa é minha irmã Luísa.
— Boa tarde.— Disse Luísa depois da irmã.
— Vejo que vocês são unidas, mas brigam por uma coisa
pequena e se enchem de raiva, depois, fazem as pazes
como se nada tivesse acontecido, como é isso?
— Discordo do que você falou! — Disse Luísa
agressivamente.
— Luísa! Desculpe, ela discorda de tudo o que as
pessoas falam, é muito chato isso. — Disse Sara
— Não tem problema. Como vocês são? Eu digo, qual é o
jeito de vocês?
— Eu sou mais aberta, conversadeira, vaidosa, não como
nada, e sou raivosa; a Luísa é tão calma, fechada, tímida,
não conversa, é desleixada e gulosa.
— Ah entendi! Já sei o que se passa com vocês! Vocês
têm diferença de personalidade, e por isso brigam muito! É
muito comum! Se quiserem já podem ir, este problema
passa com o tempo!

Maria Teresa Pinto Coelho Amaral


Era uma casa não muito engraçada...
Moro em uma casa muito desorganizada, meu pai, por
exemplo, fica encarregado de fazer diversas tarefas,
embora raramente as faça, manda os outros fazerem.
Meu irmão mais velho e meu pai sempre ficam brigando
para ver quem fica com as tarefas mais fáceis, mas não
importa o resultado, elas sempre sobram para mim e para
minha mãe.
Quando fica dinheiro à vista, ele some, meu pai ou meu
irmão sempre colocam a culpa na faxineira, como se eu
não soubesse que foram eles, e não a coitada!
Um dia, quando foi o meu dinheiro que sumiu, duvidei de
que a faxineira que tinha pegado, eles ficaram visivelmente
preocupados, daí começaram a colocar a culpa um no
outro. Vendo que isto geraria um conflito familiar, deixei de
lado.
Pensando bem, os dois são assim mesmo, mentirosos,
eles só querem saber de se dar bem; já chegaram a me
oferecer dinheiro para que fizesse a suas tarefas.
Eu espero não me tornar como eles; tenho de sair desta
casa logo, antes que eles me modifiquem.
E para agravar ainda mais nossa “crise familiar”, meu
pai foi rebaixado na empresa em que trabalha. Então,
estamos vivendo também uma crise financeira.
Acho que meu irmão, e futuramente eu, devemos buscar
emprego.
Tenho medo do que o futuro nos reserva...

Bruno Araújo de Almeida Silva Venuto


Colônia de férias
Nas férias de julho, meu pai sempre me mandava para
acampar na Colônia de Férias do clube da empresa onde
trabalhava. Em um desses acampamentos, percebemos
algo de estranho acontecendo com os monitores durante a
tarde, mas pensei: eles devem estar com muito trabalho,
por isso o motivo da correria.
Durante a noite, estava combinado que faríamos uma
trilha pela mata, porém, algumas crianças não levaram
lanterna, mesmo assim, não desistimos e lá fomos nós.
Adentramos a mata, algumas árvores estavam sinalizadas,
para caso alguém do grupo se perdesse. Após dez minutos
de caminhada, escutamos gritos vindos de vários lugares,
que nos deixaram desnorteados.
Apavorados com a escuridão, nos unimos uns aos outros,
quando procuramos pelo nosso guia, ele havia
desaparecido. Desesperados, pensamos em correr, mas
seria pior, então, resolvemos caminhar em fila, o pior
estava por vir. Os gritos aumentavam e ecoavam entre as
árvores. Nesse momento, começamos a gritar por
socorro. De repente, surgem detrás das árvores vários
zumbis, o que causou pânico em todos, cada criança correu
para uma direção diferente e os zumbis nos
acompanhavam.
Corri mais depressa, sem olhar para trás. Eu tremia e
suava frio. Estava com o coração acelerado. Aqueles
zumbis não paravam de nos perseguir. Virei depressa. Não
havia nada além de sombras. O medo só aumentava, eu
estava enlouquecendo ou estava sendo seguido por algo
sobrenatural?
Consegui chegar ao acampamento e pedir ajuda para
buscar meus colegas. Muitos deles saíam da mata aos
prantos e xingando!
A organização do acampamento achava que aquilo seria
divertido! Era tudo uma armação. Tivemos que fazer
buscas durante muito tempo para reunir todo o grupo.
Provavelmente, nossos pais nem imaginavam o terror que
passamos nessa noite.
Depois do ocorrido, prometemos que não voltaríamos
mais para o próximo acampamento.
No ano seguinte, lá estávamos, todos reunidos para uma
nova aventura...
André Lucas Alves Leandro
Sonho de transformação
O mundo passa por apuros. Todos se rebelam contra
todos, falta comida para as pessoas, é a maior miséria. A
Terra está destruída é maltratada por seus habitantes. Ela
chora, escurece. O medo é vivido em todas as regiões. É o
fim dos tempos da espécie humana e de todas as outras
que aqui residem.
Nem que seja pela televisão, vemos queimadas em
grande escala, animais mortos de fome e contaminação,
guerras que matam milhões ,grande quantidade de lixo.
O consumismo exagerado faz com que tenhamos vários
produtos de inúmeras marcas, mas que nem chegamos a
realmente utilizá-los. Pare para pensar. Isso não é justo
com o planeta, temos que reorganizar’’.
Sonho.
As pessoas reorganizaram a vida, começaram a não
consumir desenfreadamente, cuidaram dos animais e de
tudo que havia sobrado no planeta.
Com o tempo, a Terra se reconstruiu, se tornou forte
novamente, com a paz reinando em todos os cantos,
florestas exuberantes e mares limpos.

Antônio Scarpelli
Aguiar
Gesto de bondade
Passando pela rua, avistei uma Senhora deitada no chão,
ao seu lado, havia um cartaz escrito: Estou com AIDS, fui
expulsa de casa, não quiseram cuidar de mim, estou com
fome.
Vendo aquele cartaz, comecei a chorar em meio a
lembranças. Senti pena daquela Senhora, comprei comida
e água e dei a ela. A partir daí, começamos a conversar.
Perguntei da sua história. A cada relato, eu chorava mais e
mais.
Decidi levá-la a uma clínica de idosos, chamei uma
ambulância que a levou. A clínica começou a tratar sua
doença e a Senhora ficou por lá quase dois meses.
No dia em que ela recebeu alta, fui buscá-la. Ela
moraria comigo. A Senhora me deu o melhor abraço que eu
já havia recebido e falou:
— Eu não tenho palavras para te agradecer, há dois
meses você me viu na rua, teve piedade de mim e me
trouxe para ser curada, o seu gesto foi maravilhoso, você é
como uma filha para mim!
Mais uma vez ela me fez chorar.
— Eu apenas fiz o que era necessário, te ver naquela
situação foi doloroso. Com fome, foi pior ainda.
Mal ela sabia que toda minha comoção ao vê-la foi
porque eu já havia passado por tudo aquilo que ela
estava passando.
Viviane Cheib Mesquita
O sofrido professor
Em uma pequena escola, no interior de São Paulo, só
havia uma sala para cada ano, com apenas dez alunos e
um professor que dava aula de todas as matérias.
Na sala do 5º ano, o professor responsável era José, com
a personalidade muito forte, era muito respeitado, devido à
sua braveza. Andava sempre com um pequeno caderno
preto em suas mãos. Isso despertava muita curiosidade
nos alunos.
Julia, Gabriel e Gustavo não gostavam muito do
professor e queriam descobrir o que, de tão importante,
havia naquele caderno de anotações, aquele professor
simples e solitário tinha um olhar de profunda tristeza. O
que será que ele tanto escrevia ali? Os três queriam muito
descobrir.
Um dia, logo depois do sinal tocar, eles percebem que,
pela primeira vez, o professor havia esquecido o caderno
em cima da [Link] para ler e levaram um baita
susto!
Aquele caderno era o diário do professor. Abriram a
primeira página do caderno e leram: “Acordei hoje cedo,
tomei café da manhã, fui para a escola em que dou aula.
Estou triste, muito triste. Lembrei-me de quando fui
expulso de casa, apenas pelo motivo de eu ter escolhido a
profissão de lecionar e não a sonhada carreira de médico
ou advogado que meus pais queriam.”.

Mariana de Castro Isoni


Gentes de cidade...
Um casal, morador de um grande centro urbano,
resolveu fugir do estres da cidade e alugou um quarto em
um hotel de um distante e sossegado lugarejo.
O Hotel era antiguíssimo e muito bonito, tinha uma
arquitetura clássica, o chão era de madeira e suspenso
para evitar a umidade.
No decorrer da noite, o casal começou a ouvir barulhos
vindos janela, das paredes e até no chão! Dava a
impressão de que alguém queria entrar no quarto.
Celulares e internet não funcionavam naquela região e o
telefone do quarto estava quebrado! Sem opções de como
pedir ajuda a alguém, o casal tentava reforçar as janelas e
a porta colocando peso, para ninguém entrar. Os barulhos
não cessavam. O medo foi crescendo, a mulher começou a
gritar, o homem, entre nervoso e desesperado, começou a
gritar também!
A situação piorou, além das pancadas nas janelas que
não cessavam, ouviram passos arrastados aproximarem-se
do quarto.
A porta abriu, entrou um vulto. O velho dono do hotel,
irritado, resmungou “gentes de cidade...”. Abriu a janela e
mostrou para os dois paspalhos os galhos da centenária e
frondosa árvore que batiam nas janelas por causa do
vento, e gatos caminhavam ao redor da casa.
Ufa!
Maria Teresa Pinto Coelho Amaral
Luísa e Guilherme iriam viajar na próxima semana para
Amsterdam. A semana voara e o dia esperado chegou.
Guilherme afirmou que havia arrumado tudo, mas mentiu e
se atrasaram.
— Sempre assim. Não tem jeito contigo, Gui. Tinha te
avisado isso dois dias antes!!!
— Perdão. Logo acabo e podemos ir.
— Vou chamar o táxi!
Passou meia hora até que o táxi chegasse, finalmente
prontos. Desceram e entraram no carro.
— Bom dia, qual o destino? — disse o taxista.
— Confins, por favor.
— Espera! — Gritou Guilherme — Esqueci os
documentos e as passagens! Luisa me espera, por favor,
logo volto.
— Jesus, Guilherme! Moço, o senhor poderia esperar um
pouco?
— Depende Senhora. Só se for um pouco mesmo...
E deram 30, 40 minutos. Onde estava ele? O taxista
nervoso reagiu à demora, quando chegou Guilherme.
— O senhor demorou quase uma hora! Saia do carro,
homem! Ou te esgano!
— Não saio. Precisamos ir para o aeroporto! — Terminou
de dizer e levou um tabefe forte na cara.
— Te processo por isso! – e levou outro tabefe. Saíram
do carro. Pegaram outro. Atrasados, perderam o voo. Agora
só no dia seguinte.
— Bem, temos de esperar até amanhã. Mas sinto falta
de alguma coisa. Onde estão nossas malas? — Disse Luisa
— Parece que esquecemos no último táxi...
Repetia-se a história. Esqueceu-se.

Julia Oliveira Fonseca Albino


Todas as noites, o homem ia à varanda de sua casa
observar o céu. Morava longe da cidade, em uma região
montanhosa ao sul da China e percorria longa distância
para receber o pouco dinheiro com o qual se sustentava
como cuidador de animais em cativeiro de seu país.
Sentado, reparava cada detalhe daquele céu
maravilhoso, quando um barulho nas folhas próximas a sua
casa chamou sua atenção. Algum animal parecia observá-
lo de longe, com medo de ser atacado, o homem levantou-
se e foi dormir.
Na noite seguinte, ao voltar do trabalho, o homem
sentou-se à varanda, como sempre fazia e assim como no
dia anterior, percebeu um olhar animal em sua direção,
novamente foi para cama com medo.
Os dias foram se passando e todas as noites, ao sentar-se
à varanda, encontrava com aquele olhar que o fazia
desistir das estrelas e ir dormir. Até que certa vez, não o
fez, apenas parou e encarou de volta aqueles olhos que
agora nem davam tanto medo mais. O homem estava
curioso para conhecer aquele que o observava. Encorajou,
então, o animal a sair do meio das folhas.
Foi o que aconteceu. Era uma panda, muito dócil, muito
pequena, com a qual o homem firmou uma grande
amizade. Ela morava nas proximidades e era muito sozi-
nha, não tinha família, mas com o passar do tempo, o
homem, percebendo sua necessidade de companhia e
cuidados, levou-a para uma visita no lugar onde
trabalhava, cuidando de pandas em cativeiro e foi lá que a
panda acabou permanecendo.
Ela crescia feliz, tinha tudo o que precisava para viver:
comida, saúde, companhia. Sua amizade com o homem
estava mais forte do que nunca. Mas depois de crescida, a
panda queria mais. Não via solução para seu problema,
apenas uma gravidez lhe daria os privilégios tão desejados
por ela. Então, por que não forjar essa gravidez? Foi isso
que a panda fez. Tentava demonstrar todos os sintomas de
gestante: Perda de apetite, aumento do útero, tentou até
mesmo manipular a produção de seus hormônios.
Centenas de pessoas vinham de todos os cantos para
vê-la, a panda ganhou privilégios tão almejados por ter
conseguido convencer seus tratadores que ela esperava
um filhote. Mas um dos tratadores ainda resistia à ideia, o
tratador que era seu amigo, aquele que a conhecia desde
pequena e que conhecia seu coração, o homem sabia que
ela não estava grávida e se entristecia com a mentira que
ela estava vivendo pelo luxo e fama.
Mesmo com os privilégios, a panda não aguentava mais
ver seu amigo decepcionado e quis admitir a falsa
gravidez, mas ela não sabia como convencer os humanos e
agora, era tarde demais.
Thaís Mantesso de Abreu
Uma mulher divorciada, 30 anos. Filho? Tinha! Família
moderna...
Um problema, o garoto era paraplégico.
A mãe pergunta ao filho:
— O que você sonha para sua vida?
— Quero ser nadador.
— Mas nadador?! Como?!
— Darei meu jeito, quero ser nadador!
A mãe encerrou o assunto. O garoto, não.
As águas vieram...
No clube, o treinador dava aula para algumas crianças, o
garoto ficou com os olhos brilhando ao ver os corpos
nadando rapidamente de ponta a ponta da piscina, queria
entrar imediatamente na água.
Faria aula! Três vezes na semana.
Aos 18, o garoto nadava como um raio!
Mês seguinte, as paraolimpíadas. Ele? Lá.
O nervosismo subia à cabeça, o juiz mandou que se
preparassem, todos alinhados e JÁ! Nadando, sonhando,
nadando, sonhando.
Acordou.
— Mãe, serei campeão!
Victória Irio Giannini
Pegou mais um copo, odiava aquela sensação no
estômago e a ansiedade que tomava o seu corpo. Não
estava lá por diversão, não estava lá porque um amigo o
tinha arrastado ou algo assim, estava lá por necessidade,
pois precisava sentir alguma coisa.
Sua vida não fazia sentido, ele já não tinha sentimentos,
mas essa não era sua vida, esse não era o motivo pelo qual
acordava de manhã, mas era definitivamente o que queria
viver agora.
Alguns minutos depois do seu sexto copo, começou uma
comoção na festa, parou de beber e foi ver o que estava
acontecendo, algumas pessoas queriam participar de um
racha, estavam escolhendo outro participante para
competir com um homem que aguardava ansioso.
─ Eu quero ir! ─ Ele gritou enquanto levantava as mãos,
não sabia muito bem o que estava fazendo, mas estava
muito bêbado pra notar.
As pessoas gritaram em uníssono e saíram da casa, ele
apenas seguiu a multidão.
Ao sair da casa notou que estava frio, os outros também
pareciam perceber, embriagados, tentavam se abraçar
enquanto caminhavam.
Chegaram ao local, estacionaram os dois carros, o outro
entrou no carro da direita, o que deixou restando o da
esquerda.
Assim que entrou no carro sentiu de novo a ansiedade e
quase vomitou, quase.
Ligou a ignição do carro e ouviu o outro participante ligar
o seu. Uma menina que parecia entediada se posicionou
entre os carros e depois de alguns minutos, balançou uma
bandeira, acelerou assim como o outro participante, os
carros estavam praticamente lado a lado.
Até que apareceu uma curva no caminho, ele apenas a
encarou, e naquela curva enxergou o seu fim. Respirou
fundo e deixou o carro ir enfrente, não virou o volante e
forçou ainda mais o acelerador.
Alanis Salcedo
Fim...

Você também pode gostar