Introdução
O eucalipto é nativo da Austrália e pertence à família da Myrtaceae, e de acordo com a
revisão taxonómica realizada por Brooker (2000) reconhece cerca de 700 espécies que
pertencem a 13 principais linhagens. O uso desses sistemas de plantios mistos aumenta
a capacidade produtiva da área degradada, além da possibilidade de utilização da
rebrota do eucalipto em futuros cortes, e ainda, têm as vantagens econômicas diretas,
com a utilização de espécies fixadoras de N consorciadas à outra espécie.
O uso do eucalipto em consórcio com culturas agrícolas como o milho, a soja e o feijão
foram estudadas por Macedo et al. (2006) onde os mesmos concluíram que a utilização
das áreas é mais eficiente com o uso do consórcio do que em monocultivo.
Projecto para Implantação de Povoamentos Agroflorestais
Projecto é instrumento básico para execução de um programa de implementação de
povoamentos florestais, que mostra uma visão global das etapas e acções a serem
desenvolvidas. A fase inicial de avaliação de factores legais, financeiros e operacionais,
que influenciarão as acções a serem executadas, é denominada de Anteprojecto, Apos a
tabulação das informações, monta-se então o projecto, caracterizando todas as etapas,
operações envolvidas, época e prazo de execução, custos e resultados esperados.
Informações gerais:
Este projecto é da autoria pessoal da estudante Madina Raima Ibraimo Camissá;
Província de Sofala, Cidade da Beira, Bairro de Cerâmica.
Objectivos
Implementação da agricultura de consorciação entre cultura de bananeira e cultura de
mandioca para o povoamento agroflorestais.
Justificativa
Importância de agricultura de consorciação para reaproveitamento dos valores e
nutrientes do solo, bem como para fins económicos.
Caracterização do meio
O Município da Cidade do Dondo, situa-se na Província de Sofala, Região Centro do
Pais, a 30 Km da Cidade da Beira. A sua posição geográfica é privilegiada sob ponto de
vista económico, uma vez que dista a 30 km do Porto da Beira sendo atravessada pelo
Corredor de Desenvolvimento da Beira e através da EN6 e, conjugado pela passagem da
linha férrea Dondo-Beira, e Dondo-Zimbabwe ou Malawi, aliado ao potencial em
termos de complexos industriais o que faz de Dondo a segunda maior cidade da
Província de Sofala e com todos suportes para crescer economicamente.
Bairro de Canhandula
A nossa área de estudo sita na província de Sofala, Distrito de Dondo, é um subúrbio
que localiza-se próximo da aldeia de Nhamainga e do bairro Cerâmica.
Fig.1.
A área de implementação do projecto fica a 200 m da estrada nacional N ͦ 06, próximo
do campus da Universidade Licungo.
Fig.2.
Cobertura Vegetal
O bairro de Canhandula apresenta condições ecológicas favoráveis, observando-se
formações vegetais caracterizadas por savana herbácea a e arbustiva na parte leste, na
região central e oeste desenvolve-se algumas florestas comunitárias desenvolvem-se
onde são criadas espécies vegetais como o eucalipto, casuarinas, chanfutas, Missassa,
Panga-panga e Mutongolo. Contudo, com a expansão da urbe, o desenvolvimento da
agricultura, exploração florestal para madeira, carvão, lenha e queimadas
descontroladas, se tem verificado grande desflorestação da flora e consequentemente o
verde natural dá lugar a edifícios e campos agrícolas.
Solo
No bairro de Canhandula ocorrem, solos aluvionares moderadamente profundos (> 70 e
<100 cm), cor cinzenta escura a preta, textura pesada, argilosa e estrutura bem
desenvolvida, podendo ocorrer uma camada bastante argilosa e cimentada.
Nesta região o solo predominante é a mistura de argila com areia, formando uma boa
base para a implementação do projecto de consorciação de culturas.
Hidrografia
O Município da Cidade de Dondo apresenta uma rede hidrográfica bastante
considerável, onde são encontrados rios de regime periódico e outros de regime
permanente. Neste Município destaca-se a Bacia do Rio Pungue, tendo o Rio do mesmo
nome regime permanente e sempre com um caudal aceitável tendo grande impacto no
desenvolvimento da pesca e agricultura em particular no Vale do Mandruze. Para além
deste Rio ainda são de regime permanente os rios Savane e Muadzidzi enquanto os rios
Chone, Chicuredi e Muzimbite são de regime periódico, sendo úteis na prática de
agricultura e pesca artesanal.
Topografia regional
Topografia estuda todos os acidentes geográficos definindo a sua situação e localização
na Terra bem como os princípios e métodos necessários para a descrição e
representação das superfícies destes corpos, em especial para a sua cartografia. Ela visa
determinar analiticamente as medidas de área e perímetro, localização, orientação,
variações no relevo e ainda representá-las graficamente em cartas (ou plantas)
topográficas.
O Bairro de Canhandula está localizado numa região de clima tropical com uma estação
quente e chuvosa (outubro a março) e fresca e seca (Abril a Setembro) sendo este último
em transição para estepe. Este tipo de clima leva a alternância de períodos de cheias
seguidas por anos de seca.
As temperaturas médias no município de Dondo são:
Média Anual: 27 ͦC,
Amplitude Média: 7 ͦ C (cerca de 27,5 em Janeiro e 21 ͦ C em Julho/Agosto),
Média dos valores máximos anuais: Janeiro/Fevereiro (32 ͦC – 33 ͦC) com os
mínimos em Julho (26 ͦC- 27 ͦC),
Média dos valores mínimos anuais: Julho (18 ͦC- 19 ͦC), com os valores mais
altos em Janeiro - Fevereiro (22 ͦC) e os mais baixos em Julho (14 ͦ C- 15 ͦC).
Etapas do projecto
Informações preliminares
Plano integrado florestal
É um documento técnico mediante o qual se estabelece o zoneamento e as normas que
devem presidir o uso da área e a gestão dos recursos naturais, inclusive a implantação
das estruturas físicas necessárias à sua gestão. O plano integrado florestal é considerado
como uma técnica ou instrumento de organização de processos futuros que permite
optimizar as acções destinadas a alcançar objectivos propostos para a área.
Neste âmbito, o plano integrado contendo as informações ao adequado desenvolvimento
das actividades e acções necessárias para se alcançar os objectivos, constituindo um
documento pelo qual se guiara o gestor da área nos seus trabalhos de administração.
Áreas total e do projecto
O projecto será executado numa extensão de área igual a 0,336 hectare de terra.
Para implementação do projecto de povoamento florestal escolheu-se a espécie de
bananeira.
Escolha da área
Espécie e espaçamento
O eucalipto é nativo da Austrália e pertence à família da Myrtaceae, e de acordo com a
revisão taxonômica realizada por Brooker (2000) reconhece cerca de 700 espécies que
pertencem a 13 principais linhagens. Segundo Hardwood (2011) a área de plantação de
eucalipto no mundo era de cerca de 6 milhões de hectares em 1990 passando para mais
de 20 milhões em 2011. Estima-se que 95% da plantação de eucalipto no mundo se dá
com uso de 9 espécies de eucalipto (E. camaldulensis, E. dunnii, E. globulus, E. grandis,
E. nitens, E. pellita, E. saligna, E. tereticornis e E. urophylla) do subgênero
Symphyomyrtus e seus clones interespecíficos (BROOKER, 2000).
O uso desses sistemas de plantios mistos aumenta a capacidade produtiva da área
degradada, além da possibilidade de utilização da rebrota do eucalipto em futuros
cortes, e ainda, têm as vantagens econômicas diretas (OLIVEIRA et al., 2015). De
acordo com (Smethurst 2004) os solos destinados ao cultivo de plantas florestais,
geralmente têm poucas limitações físicas, baixa fertilidade, requerendo aplicação de
fertilizantes e períodos adequados para manter altos rendimentos, sendo o N, P, K
alguns dos principais nutrientes aplicados ao eucalipto.
O uso do eucalipto em consórcio com culturas agrícolas como o milho, a soja e o feijão
foram estudadas por Macedo et al. (2006) onde os mesmos concluíram que a utilização
das áreas é mais eficiente com o uso do consórcio do que em monocultivo.
Descrição geral do O feijão-caupi
O feijão-caupi é um alimento básico para a população, sendo uma excelente fonte de
proteínas, e muito cultivado por pequenos produtores familiares, gerando rendas e
também fonte de alimentos para esses produtores. Além disso, o feijão-caupi apresenta
vantagem de fixar nitrogênio por meio da simbiose com bactérias fixadoras de N
(GUALTER et al., 2011).
Diante disso, objetivou-se com esse trabalho avaliar o crescimento inicial de eucalipto
consorciado em diferentes arranjos espaciais de feijão-caupi.
O experimento será instalado no bairro de Canhandula, distrito do Dondo, Província de
Sofala, localizado na região Centro de Moçambique.
Espaçamento
No trabalho foi utilizado o clone VM-01 que é um hibrido de Eucalyptus urophylla com
E. camaldulensis. A área do experimento foi de 64 x 52,5 m, totalizando 0,336 ha,
contendo 12 linhas com 38 plantas em cada uma, com um total de 456 plantas, contudo,
foi excluída das análises a primeira e a última linha do transplantio, visto que, as
mesmas foram consideradas como bordaduras do experimento. Assim, a área útil do
experimento foi de aproximadamente 0,26 ha, sendo 54 x 48 m, e para cada tratamento
a área foi de 12 x 6 m, e cada repetição a área foi de 72 m2 . A disposição dos
tratamentos foi em faixa, possibilitando assim ter uma maior variabilidade da
declividade do terreno.
Operações técnicas
Infra-estrutura
Preparo do terreno e do solo
O preparo do solo será feito realizando uma gradagem e uma aração na área do
experimento, e posterior abertura dos sulcos. Devido à presença de formigas cortadeira,
foi feito aplicação de 5 kg de isca granular a base de fipronil na área do experimento.
Para o controle de cupim, as mudas serão imersas em solução a base de imidacloprid
com concentração de 500 g antes do transplantio.
Abertura, dimensão e adubação das covas
As adubações serão realizadas durante a condução do experimento do eucalipto são: no
transplantio com 180 kg da fórmula NPK 05-25-15, realizado em linhas simples com
espaçamento de 6 x 1,5 m; de cobertura: após 30 dias do plantio com 120 kg NPK 20-
00-20 + 0,1% B, aplicando em covetas duplas laterais e após 60 dias com 80 kg da
fórmula 20-00-20. Após 45 dias do plantio do eucalipto será realizado uma capina
manual na linha.
Plantação e replantio
O plantio deve ser feito em cova adubada com quantidades de adubos indicas por meio
de analise de solo no inicio do período chuvoso.
O replantio das mudas mortas deve ser feito de 30 a 45 dias apos o plantio, usando
mudas mais desenvolvidas, eliminando-se as folhas secas.
A cultura intercalar utilizada será o feijão-caupi (var. Fradinho), sendo semeada 15 dias
após a cultura do eucalipto, utilizando-se matracas com compartimento de sementes e
adubo, no espaçamento de 50 cm entre linhas e 20 cm entre plantas e densidade de 10
plantas por metro linear. As mesmas foram semeadas do centro das entrelinhas do
eucalipto para a bordadura; onde o tratamento de oito linhas de feijão caupi, deve-se
deixar um metro de distância para a linha do eucalipto, de modo a evitar a interferência
da adubação do feijão caupi no eucalipto.
Adubação
Será realizada uma adubação de semeadura para a cultura do feijão-caupi utilizando 320
kg da formulação NPK (05-25-15). A adubação de cobertura será realizada na linha do
feijão-caupi, quinze dias após a semeadura com 60 kg da formulação NPK 20-00-20.
Essa adubação também ocorreu para eucalipto em monocultivo.
Programa de proteção
Tratamentos agrossiviculturais
O delineamento experimental será realizado em blocos causalizando em nove repetições
de cada tratamento, com três arranjos de feijão nas entre-linhas do eucalipto e mais o
monocultivo com nove repetições. Os tratamentos utilizados serão:
T1 – eucalipto x feijão-caupi (8 linhas);
T2 - eucalipto x feijão-caupi (6 linhas);
T3 - eucalipto x feijão-caupi (4 linhas);
T4 – eucalipto em monocultivo.
Colheita
Cronograma físico de execução
Cronograma financeiro:
Investimento
Custo de implantação
Manutenção e colheita
Viabilidade económica do projecto
Contracto de aquisição de insumos agrícolas, mudas ou projecto de viveiro
florestal.
Conclusão
O eucalipto em consórcio com oito fileiras de feijão-caupi apresentou maior
crescimento inicial em altura e diâmetro de caule, sendo assim, uma alternativa viável
para o complemento da renda do pequeno produtor.
Referências bibliográficas
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lavoura-pecuária-floresta. [Link]. Brasília, DF: Embrapa, 2011. 130 p. CARVALHO, A.
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in Minas Gerais, Brazil. New Forests, Springer Netherlands, v. 29, n. 3, p.261- 272,
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