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Claudio Ranieri: Exemplo de Liderança Eficaz

Ranieri assumiu o comando do Leicester City em 2016 e, apesar das críticas iniciais, liderou a equipe à conquista inédita do título da Premier League na temporada 2015-2016. Sua liderança se caracterizou por definir objetivos claros, dar autonomia aos jogadores, manter o foco no próximo jogo e motivar a equipe de forma criativa e humorada. Sua experiência, visão estratégica e capacidade de adaptação foram fundamentais para o sucesso do Leicester City.
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Claudio Ranieri: Exemplo de Liderança Eficaz

Ranieri assumiu o comando do Leicester City em 2016 e, apesar das críticas iniciais, liderou a equipe à conquista inédita do título da Premier League na temporada 2015-2016. Sua liderança se caracterizou por definir objetivos claros, dar autonomia aos jogadores, manter o foco no próximo jogo e motivar a equipe de forma criativa e humorada. Sua experiência, visão estratégica e capacidade de adaptação foram fundamentais para o sucesso do Leicester City.
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Claudio Ranieri

Um Exemplo de Liderança
Data: 16/10/2020

Joã o Vigá rio 150120035 1


É o primeiro dia de trabalho de preparaçã o da época. Ranieri
cumprimenta os jogadores e senta-se no banco a observá -los. Percebe as
qualidades e o perfil de cada um e reflete sobre as decisõ es que vai ter de tomar.
Falou muito pouco, optou por ouvir e por estar atento ao que o rodeava. Para
espanto de todos, no primeiro dia, nã o quis mudar nada. Porém, era percetível
que ali se começava a visualizar e a perspetivar uma mudança e um movimento
que nunca se tinha visto antes – fazer o clube acreditar na vitó ria jogo apó s jogo
e fazer histó ria 123 anos depois. Deu o palco aos jogadores e fê-los perceber que
veio para comandar uma equipa e levá -la ao seu melhor, nã o querendo
mostrar-se um líder autocrata, muito pelo contrá rio, revelando-se amigá vel, mas
sem nunca deixar de ser sério. Demonstrou experiência, confiança e inteligência
– características de um verdadeiro líder.
Este é o inicio de uma histó ria que ainda deixa muita gente perplexa pela fusã o
extraordiná ria e empatia construída entre equipa e treinador, que nos motiva a
alcançar os feitos com que sonhamos. É a histó ria do treinador da equipa inglesa
do Leicester City, Claudio Ranieri, um italiano de 68 anos, nascido em Roma.
Ranieri, no dia em que foi apresentado, foi muito criticado pois até à data
nã o possuía grandes feitos, nenhum título grandioso conquistado e tinha saído
do comando da seleçã o da Grécia, apó s uma derrota com uma equipa
teoricamente muito menos poderosa – as Ilhas Faroé. Porém, mostrando as
características de orientador e guia da equipa, manteve a calma e focou-se no seu
objetivo, acreditando no seu potencial e no da sua equipa.
No primeiro jogo concretizou-se a primeira vitó ria, no segundo jogo a
segunda. No entanto, havia um problema que se veio a tornar mais uma
oportunidade do treinador se mostrar líder. O Leicester City sofria golos quase
todos os jogos e a 24 de outubro, num jogo contra o Crystal Palace, Ranieri
explicou aos seus jogadores o quã o importante era conseguir uma “clean sheet”
(zero golos sofridos) e, acrescentou, que se tal acontecesse haveria pizza à borla
e champagne (recompensa perante a performance). Este é um bom exemplo da
presença da teoria path goal que foi desenvolvida ao longo da época. Podemos
afirma-lo pelas constantes orientaçõ es e pelo conhecimento e esclarecimento dos
objetivos e do plano para cada jogo por parte do treinador (líder) para cada
membro da equipa, existindo espaço para receber motivaçã o (pizza), dicas e
ordens do treinador que sã o adaptadas a cada jogador – com o objetivo final da
equipa ser bem sucedida. Com o humor que o caracterizava e a sua capacidade
de unir esta equipa, parece evidente que o resultado foi uma vitó ria por 1-0 sem
qualquer golo sofrido. Deste modo, ficou concluído, de forma clara, mais um
grande feito e um passo na conquista do título, um objetivo cumprido com
eficá cia e eficiência – precisamente o que um líder deve levar a sua equipa a
fazer.

Figura 1 – panorama da
liga dia 24 de outubro,
Leicester City a 3 pontos do
primeiro lugar

Joã o Vigá rio 150120035 2


Desde o início da construçã o da equipa no primeiro dia até ao ú ltimo de
Ranieri foi-se desenvolvendo uma liderança pautada pela estratégia, com
objetivos bem definidos (quer seja nã o sofrer golos, desenvolver jogadas rá pidas
de contra ataque, jogar com pouco espaço entre defesas e médio num bloco
coeso), deixando vincada como a marca do Leicester City a organizaçã o, a
seriedade e o pragmatismo.
O treinador Italiano conquistou os jogadores, a imprensa e os adeptos.
Uns dizem que pelo seu humor, outros por ter tido alguma sorte, porém todos
sabemos que sem a sua aptidã o para liderar nã o seria capaz de tais feitos.
Inspirou os jogadores, pois fê-los acreditar que era possível ganhar um título da
primeira divisã o Inglesa apó s os 123 anos de histó ria do clube, mas ao mesmo
tempo manteve um certo grau de realismo sem os entusiasmar demasiado,
usando a sua carismá tica expressã o “Not There Yet” (vezes e vezes sem conta), e
quando confrontado com a proximidade ao título – “It's great, but we're not there
yet". Conseguir esta transformaçã o ou uma deste calibre num clube, numa
empresa (em qualquer instituiçã o) demora tempo, exige muito esforço e muito
cuidado. Um líder gere emoçõ es, orienta pessoas, inspira-as, monitoriza-as e dá o
exemplo. Ranieri continuou a sua caminhada de sucesso, sem ser vitorioso em
todos os jogos, mas mantendo a consistência necessá ria para no dia 2 de maio,
para encanto dos seus adeptos e da sua equipa, a duas jornadas do fim, levar o
Leicester City à garantia do primeiro lugar na English Premier League, dito por
muitos como a liga mais competitiva do mundo.
Foi o primeiro grande titulo apó s 1000 jogos de Ranieri – o que nos faz
incluir mais uma característica num líder – a experiência (30 anos enquanto
treinador). Foi alguém que processou uma mudança (desde o primeiro dia),
quebrou a linha de qualquer treinador, sendo este tipo de liderança por um lado
transformacional e, por outro lado, carismá tica, pois nunca deixou os seus
colaboradores (jogadores) para trá s e soube gerir a equipa avistando um futuro,
enfrentando um calendá rio complicado onde é necessá rio entender o cansaço,
celebrar a motivaçã o e reconhecer a resistência e o potencial de cada um. Mudou
de “Eu” para “Nó s”, um pormenor importante e foi autêntico e criativo na forma
de motivar a sua equipa.
Em suma, Ranieri revelou: visã o e capacidade de decisã o – ao traçar um
plano (path goal), reconhecendo que a sua equipa deveria jogar em contra
ataque para combater os milhõ es das outras equipas (equipa do Leicester era
avaliada em 55 milhõ es, enquanto que as equipas rivais Tottenham, Arsenal e
Man. City em 161, 252 e 420 milhõ es, respetivamente) através da determinaçã o
e do empenho, constituindo uma tá tica adaptada aos jogadores; impacto –
chegou e soube dar aos jogadores e apoiantes aquilo que eles precisavam,
mudando o paradigma e renovando a sua mentalidade (dos adeptos) para
vencedora; humor – pelas suas icó nicas conferências de imprensa, transmitindo
um ó timo ambiente para fora do relvado e, por ú ltimo, foi consistente nos
resultados que obteve. Todas as suas capacidades, sem nunca esquecer a sorte
que também esteve presente, criaram, em mim, uma certa admiraçã o e, a meu
ver, um exemplo de liderança. O seu feito inesquecível e todos os valores que
Claudio Ranieri representa tornaram esta escolha mais evidente e inequívoca.

Joã o Vigá rio 150120035 3

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