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Impactos dos Efluentes na Água Urbana

O documento discute os diferentes tipos de efluentes produzidos por centros urbanos e seus impactos nos recursos hídricos. São descritos efluentes domésticos, industriais e pluviais, e como o lançamento destes efluentes sem tratamento pode desequilibrar ecossistemas aquáticos e reduzir os níveis de oxigênio na água.

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Impactos dos Efluentes na Água Urbana

O documento discute os diferentes tipos de efluentes produzidos por centros urbanos e seus impactos nos recursos hídricos. São descritos efluentes domésticos, industriais e pluviais, e como o lançamento destes efluentes sem tratamento pode desequilibrar ecossistemas aquáticos e reduzir os níveis de oxigênio na água.

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Efluentes

O século passado (XX) foi marcado, principalmente a partir dos anos 60, por
transformações sócio-econômicas que fomentaram o crescimento industrial e o apelo ao
consumo exacerbado, além do crescimento demográfico e das migrações, que culminaram
em um processo de urbanização muito acentuada. Os reflexos nefastos dessas transfor-
mações fizeram-se presentes no meio ambiente, principalmente nos núcleos urbanos, onde a
poluição e suas formas contaminantes tornaram-se mais evidentes. Indubitavelmente, a
poluição atingiu, direta e em maior intensidade, os recursos hídricos, seguidos pelo ar
atmosférico e ultimado pelos solos; sem entrarmos em considerações quanto aos impactos
ao meio biótico – florístico e faunístico.
O crescente aumento na demanda dos recursos hídricos, principalmente os superficiais
(rios, lagos e lençol freático) provocou, por conseqüência, a sua crescente deterioração. Essa
lógica é verdadeira se considerarmos que as águas residuárias não recebem tratamento
adequado, ou que na maioria dos centros urbanizados ele é inexistente. Nesse raciocínio,
conclui-se que quanto mais água for utilizada, maior será a quantidade de água residuária
devolvida aos mananciais de superfície, e consequentemente, maior e mais rápida sua
deterioração. Por outro lado, polui-se rio acima, as águas que sustentarão a vida do núcleo
urbano rio abaixo, que por sua vez descartará suas águas residuais poluídas no mesmo
manancial que, a jusante, alimentará um novo núcleo, perfazendo uma rota perversa que
poderá comprometer o abastecimento de todas as cidades que se abastecem daquele
manancial. Todo esse quadro poderá ser agravado ainda, pelas formas de poluição que não
serão objeto de discussão nesse trabalho, tais como, aquelas decorrentes de setores agro-
industriais rurais, dos vazamentos acidentais de industrias, oleodutos, navios, e decorrentes
da aplicação de venenos na agricultura, bem como da má alocação dos resíduos sólidos
urbanos.
Historicamente, os centros urbanos sempre foram os principais focos poluidores e conta-
minadores dos recursos hídricos. Esses mesmos recursos que possibilitam a vida nas
comunidades, transformam-se, a jusante, nos receptores de toda a espécie de descarte das
atividades humanas.
Um centro urbano produz uma grande quantidade de efluentes líquidos que, normalmente,
são subdivididos em dois tipos, quanto à sua gênese:

1. Os efluentes domésticos – provenientes das residências, hotéis, casas de diversões


(bares, etc.), clubes, comércios e centros comerciais, de serviços (salões de cabeleireiros,
consultórios, clínicas, etc.). São caracterizados por águas residuárias contaminadas,
basicamente, por fezes humanas e animais, restos de alimentos e sabões e detergentes. Os
esgotos domésticos provocam dois tipos de contaminação das águas:
·Contaminação por bactérias: principalmente por coliformes presentes nas fezes humanas,
responsáveis pela grande incidência de diarréias e infecções.
·Contaminação por substâncias orgânicas recalcitrantes, ou de difícil degradação. Como
exemplo podemos citar os detergentes sulfônicos, cuja ação tóxica não é muito acentuada,
mas os efeitos secundários são graves. Destroem as células dos microorganismos aquáticos,
impedindo a oxidação microbiológica dos materiais biodegradáveis contidos nos esgotos.
Reduzem também a taxa de absorção de oxigênio, diminuindo a velocidade de
autodepuração dos rios.
[Link] Efluentes Industriais – 0riundos dos mais diversificados processos de industrialização;
tem sido, historicamente, um importante fator de degradação ambiental. O despejo de
efluentes industriais, tanto nos corpos d’água quanto na rede de esgoto a ser tratada, sem o
devido tratamento prévio, provoca sérios problemas sanitários e ambientais. Os principais
poluentes de origem industrial são os compostos orgânicos e inorgânicos, especialmente os
metais pesados:
·Contaminação por compostos orgânicos: os compostos fenólicos representam um dos
principais poluentes das águas residuárias de origem industrial. São provenientes de
indústrias químicas e farmacêuticas e dos esgotos hospitalares que, mesmo em baixas
concentrações, alteram a potabilidade da água e o sabor dos peixes contaminados. Outro
importante resíduo contaminante são os detergentes para limpeza de equipamentos,
utilizados por várias indústrias. Esses compostos afetam principalmente a fauna dos corpos
receptores. Os vazamentos de oleodutos e tanques contendo produtos petrolíferos, ou seus
derivados, são igualmente desastrosos ao Meio Ambiente.

·Contaminação por compostos inorgânicos: Os principais compostos inorgânicos que


ameaçam a integridade dos recursos hídricos são basicamente os metais pesados,
provenientes de indústrias químicas e farmacêuticas, de usinas siderúrgicas, indústrias de
fertilizantes, além das atividades de mineração.

A AÇÃO POLUIDORA DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS NOS MANANCIAIS HÍDRICOS


O equilíbrio de um ecossistema aquático inclui todo o meio biótico presente, tanto na
massa aquática como nas suas imediações. Num perfeito equilíbrio da natureza, a teia
alimentar é complexa e completa. Os seres superiores, como peixes, alimentam-se de seres
inferiores e obtêm o oxigênio, necessário às suas funções vitais, diretamente nas águas. Os
seres inferiores, por sua vez, alimentam-se de microrganismos, os quais também consomem
oxigênio dissolvido na água. Nesse ínterim, resíduos vegetais tais como folhas e galhos de
árvores, resíduos animais e excrementos em decomposição são dissolvidos no meio aquoso
e tornam-se matéria orgânica. Esta, por sua vez, retorna à teia alimentar, fechando o ciclo,
uma vez que serve de alimento aos microrganismos. O oxigênio dissolvido na água e
consumido pelos organismos é reposto pelos próprios habitantes (fitoplâncton) e
principalmente pela aeração natural.
Nessas condições, a matéria orgânica tem participação fundamental no processo,
servindo de fonte de alimentação a microrganismos e animais inferiores. Verifica-se também,
que o suprimento de matéria orgânica se faz naturalmente, pelos descartes do meio, num
processo de reciclagem natural perfeita.
Quando os efluentes líquidos de um centro urbano são descartados num corpo aquático,
como acima descrito, introduz-se um fator de desequilíbrio ao ecossistema. Os esgotos
domésticos, bem como muitos tipos de resíduos industriais, são constituídos,
preponderantemente, de matérias orgânicas, que como acabamos de ver, alimentam peixes e
organismos menores.
O problema reside no volume exacerbado de matéria orgânica descartada, pois à medida
que a matéria orgânica aumenta, ocorrerá um desequilíbrio no consumo da mesma no corpo
aquático receptor. Os microrganismos que mais se beneficiam quando há excesso de
alimento proliferam-se de forma rápida, sendo que a macropopulação (principalmente peixes)
não aumenta em igual velocidade.
O consumo de oxigênio no ambiente passa a ser maior, em razão da proliferação das
bactérias, e a reposição através dos processos de aeração natural e fotossíntese tornam-se
insuficientes.
Em resumo, postula-se que: quando maior o volume de esgotos lançados em um corpo
aquático, maior será a concentração de matéria orgânica, maior será a proliferação de
bactérias, maior a atividade total de respiração e maior, por conseguinte, a Demanda
Bioquímica de Oxigênio (DBO).
O resultado disso é a redução das concentrações de oxigênio a um nível incompatível com as
necessidades respiratórias dos peixes que ali habitam. Em corpos aquáticos fluentes (rios), é
freqüente observarmos a presença de cardumes nos locais de lançamento dos esgotos. O
motivo desse paradoxo é que os esgotos contém grande quantidade de matéria orgânica que
servem de alimento aos peixes, e como nesse ponto inicial (zona de emissão) ainda não
houve tempo suficiente para que uma maciça população de bactérias aeróbias se desenvolva
e retire o oxigênio da água, os peixes não sofrem restrições com relação às suas
necessidades respiratórias. Somente a jusante do ponto de lançamento de esgotos (zonas
de degradação e crítica), a distâncias variáveis, dependentes da velocidade, desnível e
turbulência das águas, é que os efeitos nocivos da poluição começam a se fazer presentes,
pois durante este trajeto ocorrerá a multiplicação desordenada de bactérias que consumirão o
oxigênio disponível.
EFLUENTES NÃO TRATADOS E LANÇADOS “IN NATURA” EM CORPOS AQUÁTICOS
Vimos, anteriormente, que qualquer centro populacional urbanizado produz dois tipos de
águas residuárias: as industriais e as domésticas. Um dos principais propósitos do presente
trabalho é chamar a atenção para a existência e a importância de um terceiro tipo de águas
residuais, às quais propomos, aqui, a denominação de efluentes pluviais. As águas
meteóricas, após passarem pelos telhados, quintais, calçadas, ruas, praças e jardins podem,
e devem, ser consideradas águas residuárias. Esse tipo de efluente, apesar de normalmente
contar com, relativamente, boa rede de captação (bocas-de-lobo, galerias, interceptores,
etc.), não passa por tratamento algum; sendo lançado integralmente na rede hidrográfica
mais próxima.
Se considerarmos que os efluentes pluviais contenham muitos restos orgânicos, tais
como: folhas, flores, frutos, galhos, insetos e pequenos animais mortos, fezes e urinas de
animais domésticos, resíduos de comidas, resíduos de materiais de limpeza, embalagens
diversas e papéis em geral, além de restos de cigarros, deveremos concluir que tais efluentes
não recebem a devida atenção que os outros (domésticos e industriais) recebem. Tal fato
configura-se numa grande falha, ocorrendo em quase a totalidade das cidades brasileiras,
que carecem de bom sistema de varrimento, coleta de lixo, e higiene por parte dos
habitantes.
Por outro lado, a água potável utilizada para higiene, limpeza doméstica e escoamento
das excreções humanas, produzem o chamado esgoto doméstico. Eles são constituídos
essencialmente de despejos domésticos, uma parcela de águas pluviais, águas de infiltração
e, eventualmente, uma parcela não significativa em vazão de despejos industriais, sendo que
tais despejos possuem características bem definidas.
Os esgotos domésticos provêem, principalmente de residências, edifícios comerciais,
instituições ou quaisquer edificações que contenham instalações de banheiro, lavanderias,
cozinhas ou qualquer dispositivo de utilização da água para fins domésticos. Compõe-se
essencialmente da água de banho, urina, fezes, restos de comida, sabão, detergentes, águas
de lavagem, etc.
Os efluentes domésticos produzidos por quase a totalidade das cidades brasileiras não
são 100% tratados. A grande maioria das populações urbanas, indistintamente ao status
financeiro e social, habitam áreas ainda não contempladas por um sistema de coleta e
tratamento de esgotos (IBGE, 2002). Essa população não servida, é obrigada a construir
fossas sépticas para destinação de seus efluentes. Sabe-se, porém, que muitas dessas
fossas, por negligencia ou falta de recursos financeiros da população, acabam extravasando
e invadindo os sistemas de coletas pluviais, que como já vimos, não são tratados e lançados
diretamente na rede hídrica mais próxima.
Por outro lado, é sabido que uma boa parcela das populações não assistidas pelas redes de
tratamento de esgotos, executam ligações clandestinas nas galerias pluviais ou lançam o
esgoto “in natura” diretamente nos córregos das cidades.

EFLUENTES COLETADOS E TRATADOS EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ES-


GOTOS (ETES)
Uma rede urbana para captação de efluentes pode ser dividida em três porções básicas
quanto ao sistema de esgotamento, a saber:
·Sistema unitário: é aquele no qual as águas residuárias, as de infiltração e as pluviais
escoam misturadas numa única tubulação;
·Sistema separador parcial: é aquele no qual as águas residuárias, as de infiltração e parte
das águas pluviais (apenas as que escoam em partes interiores impermeabilizadas das
residências, telhados, calçadas, etc.) escoam por uma tubulação e, o restante das águas
pluviais escoam por outra tubulação separada;
·Sistema separador absoluto: no qual as águas residuárias e as de infiltração escoam por
uma tubulação independente da tubulação de águas pluviais (sistema de drenagem urbana).
Na maior parte do Brasil, devido à grande impermeabilização do solo gerada pela
urbanização, o sistema mais utilizado e quase que exclusivo é o separador absoluto.
Os efluentes que chegam às estações de tratamento (ETEs) passam por rede de tubulações,
cuja seqüência, desde a saída do esgoto das residências até a entrada nas ETEs é a
seguinte:
[Link]ção primária: aquela que recebe as águas residuárias residenciais;
[Link]ção secundária: aquela que recebe contribuições das tubulações primárias e de
outras águas residuárias das residências;
[Link] tronco: é aquele que além de receber as águas dos coletores secundários, pode
receber eventualmente alguma contribuição isolada residencial, sendo esta medida não
aconselhável;
4..interceptor: é aquele que conduz o esgoto até a ETE e não pode receber nenhuma
contribuição individual no caminho.
Em cada uma das Estações de Tratamento o esgoto segue por uma sucessão de etapas e
processos de “limpeza” e despoluição, conforme as necessidades e possibilidades, sob ponto de
vista técnico-econômico mais condizentes com suas características – físicas, químicas,
bacteriológicas, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO)
e vazões.
Além do esgoto, oriundo do Sistema de Captação, as Unidades de Tratamento de Esgotos
costumam receber os esgotos provenientes das Fossas Sépticas. Os serviços de esgotamento
de fossas, por mecanismo de sucção, são efetuados por veículos “limpa-fossas”, especializados
em serviços de desentupimentos e esgotamentos.
Esse tipo de prestação de serviços, geralmente, não pertence aos quadros das Companhias
de Saneamento contratadas, ou detentoras do monopólio dos serviços, nem das Prefeituras
Municipais, sendo de inteira responsabilidade das populações, que pagam pelo atendimento
diretamente às empresas do ramo.
Além das fossas sépticas residenciais, essas empresas coletam efluentes líquidos de Caixas
de Gorduras, Caixas de Óleo e Lama, Tanques de Resíduos Industriais, etc.
Informações verbais obtidas junto a empresas do setor, permitem concluir que é prática
corriqueira, por parte de algumas empresas, o lançamento desses tipos de efluentes líquidos
diretamente em perambeiras e córregos das periferias urbanas, sem nenhum processo de
tratamento.
EFLUENTES INDUSTRIAIS
Os esgotos industriais, extremamente diversos, provém de qualquer utilização da água para
fins não domésticos e adquirem características próprias em função do processo industrial
empregado. Assim sendo, cada indústria deverá ser considerada isoladamente. O lançamento
indiscriminado dos esgotos em corpo d’água, sem tratamento prévio, pode causar vários
inconvenientes, conforme relacionamos abaixo:
De acordo com Eckenfelder (1970), pode-se classificar os resíduos industriais em dois grupos:
a) Resíduos Industriais Orgânicos;
b) Resíduos Industriais Inorgânicos.
a) Resíduos Industriais Orgânicos: os grupos de substâncias orgânicas presentes nesses
efluentes são constituídos principalmente por:
·compostos de proteínas (40 a 60%);
·carboidratos (25 a 50%);
·gorduras e óleos (10%);
·uréia, surfatons, fenóis, pesticidas (em menor quantidade), etc.;
·óleos minerais e outros derivados de petróleo.
b) Resíduos Industriais Inorgânicos: são constituídos por materiais sólidos como areia, fibras
de algodão e estopa e substâncias químicas pertencentes ao grupo dos metais pesados.
Em função dos poluentes contidos no esgoto bem como os fenômenos atuantes em sua
formação, pode-se classificar os processos de pré-tratamento em:
1º) Processos Físicos: basicamente têm por finalidade separar as substâncias em suspensão no
esgoto. Neste caso incluem-se:
·remoção dos sólidos grosseiros;
· remoção dos sólidos decantáveis;
· remoção dos sólidos flutuantes.
2º) Processos Químicos: são os processos em que há utilização de produtos químicos e são
raramente adotados isoladamente. Os processos químicos comumente adotados são:
· floculação;
· precipitação química;
· elutriação;
· oxidação química;
· cloração;
· neutralização ou correção do pH.
3º) Processos Biológicos: são os processos de tratamento que procuram reproduzir, em dis-
positivos racionalmente projetados, os fenômenos biológicos observados na natureza,
condicionando-os em área e tempo economicamente justificáveis. Os principais processos
biológicos de tratamento são:
·oxidação biológica (lodos ativados, filtros biológicos, valas de oxidação e lagoas de estabi-
lização);
·digestão de lodo (aeróbia e anaeróbia, fossas sépticas).

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