Modelos de Turbulência e Viscosidade
Modelos de Turbulência e Viscosidade
Uma grande variedade de modelos de turbulência com média de Reynolds quantidade de movimento, os componentes do tensor de Reynolds são algumas
foi proposta ao longo do último século, desde modelos rudimentares, como os vezes chamados de tensões turbulentas.
É importante destacar que a eq. (A.3) não constitui, por si só, um modelo de campo da viscosidade turbulenta é levantado ao se considerar o comprimento de
turbulência, mas uma formulação geral que fornece uma base para construção de escala característico como sendo o comprimento de mistura (l) e a velocidade
modelos de turbulência, cujo ponto de partida é a avaliação da viscosidade característica como sendo proporcional ao gradiente de velocidade média. Deste
turbulenta em termos das quantidades do escoamento médio. modo, a viscosidade turbulenta é dada por (Kays & Crawford, 1993):
A grande virtude do conceito de viscosidade turbulenta é não alterar a
∂u (A.7)
estrutura da equação, mantendo-a na forma original das equações da Navier- µt=ρl2
∂y
Stokes.
Como a tensão turbulenta é considerada análoga a tensão viscosa, a grande A distribuição do comprimento de mistura é prescrita a partir de dados
maioria dos modelos de viscosidade turbulenta utiliza a analogia com a experimentais, variando com o tipo de escoamento. A falta de generalidade dos
viscosidade molecular, para definir a viscosidade adicional µt. dados levantados é uma das principais limitações do modelo. Há uma significante
Diante deste argumento, considera-se a viscosidade turbulenta como sendo base de dados experimentais para escoamentos simples, tais como camada limite e
proporcional à massa específica (ρ), à flutuação de velocidade (VL) e ao escoamentos cisalhantes. Contudo, especificar o comprimento de mistura em
comprimento de escala característico da turbulência (L): escoamentos complexos é particularmente difícil, pois não há dados experimentais
para estimá-lo apropriadamente.
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O campo de energia cinética turbulenta é determinado ao se resolver a calcular a dissipação e a viscosidade turbulenta, tem dificultado o seu uso. Esta
correspondente equação diferencial de transporte. Esta é obtida a partir das dificuldade levou a tendência geral de levantar o comprimento de escala, através
equações de Navier-Stokes. Faz-se o produto escalar da equação da quantidade de da equação de transporte de uma quantidade turbulenta, e a partir do seu valor
movimento com o vetor velocidade ui , tomando-se a média temporal do resultado. determinar a viscosidade turbulenta e a taxa dissipação (ε). Desta forma tiveram
Ao se subtrair desta equação a equação da energia mecânica instantânea, obtém-se origem os modelos de duas equações.
então a equação desejada da energia cinética turbulenta (κ), conforme mostrado
por Hinze (1975):
A.5.
∂κ ∂
( u j κ ) =υ ∂ κ2 − ∂ ' p'
2
(A.9) Modelos de Duas Equações
+ u j ρ + κ +
'
∂t ∂ x j ∂xj ∂xj
(− u u )∂∂ xu
'
i
'
j
i ∂ u i' ∂ u i'
− υ
Os modelos de viscosidade turbulenta anteriormente considerados tem
j ∂ x j ∂ x j necessidade de especificar algebricamente um comprimento de escala, o que
restringiu bastante a generalização do modelo.
onde υ=µ/ρ é a viscosidade cinemática. O primeiro e segundo termos do lado
Os modelos de duas equações geralmente estão vinculados à determinação
direito estão associados com a difusão da energia cinética turbulenta, enquanto o
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Z=κ1/2 L (A.14) ∂ u i′
2 (A.18)
ε =υ
Esta relação pode ser interpretada como uma freqüência de turbulência. ∂ xj
Da formulação para a taxa de dissipação de energia turbulenta, eq. (A.12), A dedução da equação da taxa de dissipação da energia cinética turbulenta é
∂ ui′ (A.19)
∂ xl
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ρ Cµ κ 2
µt = (A.16) ∂ u ′j∂2 uj (A.21)
ε Pε1 = − 2υ u k′
∂ xl ∂ xk ∂ xl
onde Cµ é uma constante empírica.
Seguindo a formulação geral para modelos de duas equações, apresentada
∂ u ′ ∂ u ′j ∂ u k′ ∂ u k′ (A.22)
no item anterior, a taxa de dissipação assumiria a função da variável dependente Z Pε2 = − 2υ i S ij + S ij
∂
kx ∂ x k ∂ x i ∂ x j
(eq. A.13) (Launder & Spalding, 1972 ):
∂ ∂ u ′j ∂ u ′j 1 ∂ P′ ∂ u k′
(A.24) ∂ε ∂ε ∂ υt ∂ε ε (A.30)
Pε4 = − 2υ u k′ + +uk = υ + + [C1 Pκ − C 2 ε ]
∂ xk ∂ xl ∂ xl ρ ∂ xm ∂ xm ∂t ∂ xk ∂ xk σ ε ∂ x k κ
∂ ∂ε ∂ ui ∂ ui ∂ u j ∂ ui
Pε5 = υ (A.25)
Pκ = − u i′ u ′ j =υ t + (A.31)
∂ xk ∂ x k ∂ xj ∂ xi ∂ x j
∂ xj
1 ∂ ui ∂ uj (A.26) ρ Cµ κ 2
S ij = + µt = (A.32)
2 ∂ x j ∂ xi ε
O modelo κ-ε é sem dúvida o mais utilizado e um enorme esforço tem sido
Como no caso da equação de transporte da energia cinética turbulenta, são
desprendido, para melhorar o seu desempenho. Porém, em algumas situações
necessárias hipóteses adicionais para o fechamento da equação da taxa de
comuns de escoamento, o modelo apresenta significativas deficiências.
dissipação (eq. A.20). A modelagem dos diversos termos é vastamente
documentada na literatura, como por exemplo, Mansour et at (1989) e Warsi Algumas propostas de modificações do modelo κ-ε têm sido apresentadas
(1993), e não será detalhada aqui. na literatura, visando resolver deficiências do modelo original. Os modelos κ-ε
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onde:
∂ ui ∂ ui ∂ u j ∂ ui (A.28) A.7.
Pκ = − u i′ u ′ j =υ t + Modelos de Transporte de Tensão
∂ xj ∂ x j ∂ xi ∂ x j
É importante destacar que a equação da taxa de dissipação, assim como a Nesta classe de modelos, o conceito de viscosidade de turbulência é abolido.
equação da energia cinética turbulenta, representa um balanço entre o transporte Em vez deste conceito, equações de transporte para as tensões de Reynolds
convectivo e o difusivo e a produção e transferência de energia, sendo individuais são resolvidas. Estas equações de transporte são obtidas das equações
empregadas no seu fechamento hipóteses empíricas. de Navier-Stokes, conforme mostrado por Rodi (1984) e Warsi (1993). A forma
Obtém-se finalmente o fechamento do problema da turbulência, com a final das equações de transporte, para as tensões turbulentas, é:
∂κ ∂ υ ∂κ
( u j κ )= ∂
(A.29)
+ υ + t + Pκ − ρ ε
∂t ∂ x j ∂xj σκ ∂ x j onde: Gij é o termo de Produção ou geração de tensões de Reynolds; Qij é o termo
de Redistribuição (pressão-tensão ); Fij é o termo Transporte Difusivo e εij é
termo de Dissipação, dados por:
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 334 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 335
P′ ∂ ui′ ∂ u ′j (A.35) parede dá uma grande economia computacional ; a segunda razão é que tanto os
Qij = +
ρ ∂ x j ∂ xi
modelos κ-ε como o de transporte de tensão são definidos para altos números de
Reynolds, não sendo válidos na região próxima a parede.
∂
Fij = − ui′ u ′j u k′ −
∂xk
P′
ρ
( )
δik u ′j + δ jk ui′ (A.36) A forma padrão de duas camadas da lei de parede utiliza, para a região
próximo ao contorno sólido, o perfil universal de velocidades da seguinte forma
(Kays & Crawford, 1993):
∂ u i′ ∂ u ′j (A.37)
ε ij = − 2υ
∂ xk ∂ xk u+=n+ se n+<11,6 (A.38)
u+ =
equações de transporte geram mais incógnitas. Em resumo, não tem sido possível u (A.40)
uτ
fechar o sistema de equações, usando esta abordagem. Consequentemente,
hipóteses de fechamento são feitas, a fim de permitir a modelagem destas
ρ n uτ
correlações adicionais, em termos das quantidades conhecidas. n+ = (A.41)
µ
Duas estratégias distintas tem sido adotadas na modelagem dos termos das
equações de transporte das tensões de Reynolds. A primeira consiste em uτ = τ / ρ (A.42)
simplificá-las, tornando-as equações algébricas. A segunda é estabelecer modelos
onde u τ é a velocidade de atrito, τ é a tensão de cisalhamento na parede , n é a
para os termos mais complexos e resolver por completo o sistema de equações de
distância à parede e kv é a constante de Von Kármán (kv=0,41).
transporte diferenciais para os componentes do tensor de Reynolds. Ambas as
Da hipótese de equilíbrio entre a produção (Pk ) e a dissipação de energia
abordagens são mostrada por Rodi (1984).
cinética turbulenta (ε) na eq. (A.10) e considerando a tensão cisalhante
aproximadamente constante tem-se (Kays & Crawford, 1993):
A.8. Pκ =ρ ε (A.43)
Lei da Parede
mas:
Funções de parede são usadas sobre os pontos de malha próximo a parede, ∂u 2
∂u
Pκ =µ t e τ =µ t
(A.44)
para estimar o efeito da parede sobre o escoamento. As funções de parede ∂n ∂n
baseiam-se na hipótese que existe um equilíbrio na camada limite turbulenta. logo:
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 336 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 337
∂ u τ 2 (A.45) τ =ρ C µ1 2κ (A.53)
Pk = τ =
∂n µt
Assim:
então :
∂u (A.54)
τ 2 /µ t =ρ ε (A.46) ε = C 1µ 2κ
∂n
ρ C µκ 2 (A.47) ∂ u τ ∂ u+ (A.55)
µt = =
ε ∂ n µ ∂ n+
τ2 ρ C µκ 2 (A.48) ∂ u+ 1 (A.56)
=µt ε = ε =
ρ ε ∂ n+ k v n +
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τ =ρC µ κ 12
(A.49) τ 1
ε = Cµ 1 2κ (A.57)
µ kv n +
Como τ é constante na região em estudo:
mas:
∂τ ∂κ (A.50)
=0 ⇒ =0
∂n ∂n ρ n τ /ρ (A.58)
n+ =
µ
então, a difusão de κ nas regiões próximas a parede é nula (Kays & Crawford,
1993). logo:
A taxa de dissipação de energia cinética turbulenta (ε) na região próxima a
τ /ρ (A.59)
parede é obtida da manipulação das equações acima: ε = Cµ 1 2κ
kv n +
∂ u (A.51)
Pk=ρε onde Pκ = τ Da eq. (A.49), então, tem-se a forma final de ε :
∂ n
mas: