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Modelos de Turbulência e Viscosidade

O documento discute modelos de turbulência com média de Reynolds, apresentando as equações de transporte exatas e modeladas. Apresenta o conceito de viscosidade turbulenta e introduz o conceito de energia cinética turbulenta média no tempo.

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Modelos de Turbulência e Viscosidade

O documento discute modelos de turbulência com média de Reynolds, apresentando as equações de transporte exatas e modeladas. Apresenta o conceito de viscosidade turbulenta e introduz o conceito de energia cinética turbulenta média no tempo.

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Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 325

Apêndice A Embora ρ u i′ u ′j tenha origem na não linearidade dos termos de inércia da


Modelagem Estatística Clássica - Equacionamento
equação de Navier-Stokes, geralmente agrupa-se estes termos à tensão viscosa.
Por este motivo e, também, pelo seu papel de aumentar a difusividade da

Uma grande variedade de modelos de turbulência com média de Reynolds quantidade de movimento, os componentes do tensor de Reynolds são algumas

foi proposta ao longo do último século, desde modelos rudimentares, como os vezes chamados de tensões turbulentas.

modelos algébricos, até os mais elaborados modelos diferenciais de transporte de


tensão de Reynolds. Em complemento a discussão realizada no capítulo 2, serão
apresentados a seguir as equações de transporte exatas e as modeladas,
A.2.
mencionadas no capítulo 3. Conceito de Viscosidade Turbulenta

Os modelos de viscosidade turbulenta ou efetiva invocam a idéia de


A.1. Boussinesq (1877). Esta propõe a proporcionalidade entre as tensões turbulentas e
Equações de Navier-Stokes com Média de Reynolds
os gradientes de velocidade (Hinze, 1975).
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Deste modo, para o caso de fluido incompressível, a formulação toma a
O campo de velocidade instantâneo de um escoamento turbulento é descrito
forma (Hinze, 1975):
pelas equações de Navier-Stokes, desde que o número de Mach seja menor que
quinze. Aplicando a decomposição de Reynolds as quantidades do escoamento, ∂u ∂u j  2 ∂u  (A.3)
τ ij = − ρ ui′u ′j = µt  i + − µ  k δ ij − 2 ρ κ δ ij
presentes nas equações de governo, e realizando o procedimento de média, obtém-  ∂x j ∂xi  3 t  ∂xk 
 3
 
se, para fluido incompressível (massa específica ρ constante), com viscosidade
absoluta µ constante, sem forças de campo e de empuxo, as seguintes equações do O segundo termo da eq. (A.3) é nulo no caso de escoamento
movimento médio: incompressíveis. A equação acima introduz o conceito de energia cinética
turbulenta média no tempo (κ), definida como:
∂ ui (A.1)
∂ xi 1 (A.4)
κ= ui′ ui′
2
∂ u ∂ ui   ∂u 
ρ  i +uj  = − ∂P + ∂  µ i − ρ ui'u 'j  + ρ g i (A.2)
 ∂t ∂x j  ∂xi ∂x j  ∂x j  Fazendo uso da eq. (A.3) para as tensões de Reynolds, as equações de
   
conservação da quantidade de movimento médio são escritas como:
Estas equações são conhecidas como as equações de Reynolds (RANS) e
 ∂u ∂u      (A.5)
diferem das equações originais (continuidade e Navier-Stokes) apenas pela ρ i + u j i  = − ∂  p + 2 ( µ + µ ) ∂ u k  + 2 ρ κ  + ρ gi +
 ∂t  t   3
 ∂xj  ∂ xi 
 3  ∂x k  
presença da média do produto das flutuações de velocidade ρ u i′ u ′j , o chamado
∂   ∂ u ∂ u j 
tensor de Reynolds. Este termo representa a transferência de quantidade de (µ + µ t )  i + 
∂x j   ∂x j ∂xi 
  
movimento adicional, causada pela turbulência.
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 326 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 327

É importante destacar que a eq. (A.3) não constitui, por si só, um modelo de campo da viscosidade turbulenta é levantado ao se considerar o comprimento de
turbulência, mas uma formulação geral que fornece uma base para construção de escala característico como sendo o comprimento de mistura (l) e a velocidade
modelos de turbulência, cujo ponto de partida é a avaliação da viscosidade característica como sendo proporcional ao gradiente de velocidade média. Deste
turbulenta em termos das quantidades do escoamento médio. modo, a viscosidade turbulenta é dada por (Kays & Crawford, 1993):
A grande virtude do conceito de viscosidade turbulenta é não alterar a
∂u (A.7)
estrutura da equação, mantendo-a na forma original das equações da Navier- µt=ρl2
∂y
Stokes.
Como a tensão turbulenta é considerada análoga a tensão viscosa, a grande A distribuição do comprimento de mistura é prescrita a partir de dados
maioria dos modelos de viscosidade turbulenta utiliza a analogia com a experimentais, variando com o tipo de escoamento. A falta de generalidade dos
viscosidade molecular, para definir a viscosidade adicional µt. dados levantados é uma das principais limitações do modelo. Há uma significante

Diante deste argumento, considera-se a viscosidade turbulenta como sendo base de dados experimentais para escoamentos simples, tais como camada limite e

proporcional à massa específica (ρ), à flutuação de velocidade (VL) e ao escoamentos cisalhantes. Contudo, especificar o comprimento de mistura em

comprimento de escala característico da turbulência (L): escoamentos complexos é particularmente difícil, pois não há dados experimentais
para estimá-lo apropriadamente.
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µt∼ρVLL (A.6) Outra limitação do modelo do comprimento de mistura é a que invoca o
princípio do equilíbrio local. Por este princípio, a energia turbulenta é dissipada
Diferentes aproximações podem ser usadas para avaliar as grandezas
na mesma proporção em que é produzida. Como resultado, o modelo prevê que a
características do escoamento turbulento, dando origem a muitas teorias e
viscosidade turbulenta será nula, quando o gradiente de velocidades médias o for,
formulações, geralmente classificadas com base no número de equações
levando a resultados irreais em muitos casos.
diferenciais de transporte utilizadas para descrever estas grandezas. Assim, os
modelos freqüentemente são classificados como modelos de zero (ou algébricos),
de uma ou de duas equações (Launder & Spalding, 1972).
A.4.
Modelos de uma Equação
A.3.
Modelos de Zero Equações ou Algébricos Nesta classe de modelos de viscosidade de turbulência, uma equação
São modelos nos quais a viscosidade turbulenta é avaliada através de diferencial de transporte é resolvida, para uma quantidade turbulenta. Esta
expressões algébricas, não envolvendo equações diferenciais de transporte. O quantidade pode ser usada para determinar o comprimento de escala ou a
modelo de turbulência mais simples é aquele que considera a viscosidade velocidade de escala, usados na avaliação da viscosidade turbulenta(eq. A.6). O
turbulenta constante, estimando-a a partir do conhecimento de que a sua ordem de modelo de uma equação mais usado no passado assume a velocidade
grandeza é superior a da viscosidade molecular. Esta hipótese tem aplicação característica proporcional à raiz quadrada da energia cinética turbulenta (κ1/2 ) ,
muito limitada. dando origem a fórmula de Kolmogorov-Prandtl :
Um dos primeiros modelos de turbulência propostos é o modelo de
µt= C′µ ρ κL (A.8)
comprimento de mistura de Prandtl (1925), o qual ainda é muito empregado. O
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 328 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 329

O campo de energia cinética turbulenta é determinado ao se resolver a calcular a dissipação e a viscosidade turbulenta, tem dificultado o seu uso. Esta
correspondente equação diferencial de transporte. Esta é obtida a partir das dificuldade levou a tendência geral de levantar o comprimento de escala, através
equações de Navier-Stokes. Faz-se o produto escalar da equação da quantidade de da equação de transporte de uma quantidade turbulenta, e a partir do seu valor
movimento com o vetor velocidade ui , tomando-se a média temporal do resultado. determinar a viscosidade turbulenta e a taxa dissipação (ε). Desta forma tiveram
Ao se subtrair desta equação a equação da energia mecânica instantânea, obtém-se origem os modelos de duas equações.
então a equação desejada da energia cinética turbulenta (κ), conforme mostrado
por Hinze (1975):
A.5.
∂κ ∂
( u j κ ) =υ ∂ κ2 − ∂  '  p' 
2
(A.9) Modelos de Duas Equações
+ u j  ρ + κ  +
'
∂t ∂ x j ∂xj ∂xj   

(− u u )∂∂ xu
'
i
'
j
i  ∂ u i'   ∂ u i' 
− υ  



Os modelos de viscosidade turbulenta anteriormente considerados tem
j  ∂ x j  ∂ x j  necessidade de especificar algebricamente um comprimento de escala, o que
restringiu bastante a generalização do modelo.
onde υ=µ/ρ é a viscosidade cinemática. O primeiro e segundo termos do lado
Os modelos de duas equações geralmente estão vinculados à determinação
direito estão associados com a difusão da energia cinética turbulenta, enquanto o
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da energia cinética de turbulência (κ) e a um comprimento de escala (L), através
terceiro termo representa a produção da energia cinética turbulenta. Já o último
termo é a parte homogênea da taxa de dissipação da energia cinética turbulenta de equações diferenciais de transporte. A energia cinética turbulenta é
determinada da equação de transporte deduzida na seção anterior (eq. A.10). Já o
(Hinze, 1975), a qual é representada por ε .
comprimento de escala L geralmente não é tomado propriamente como variável
A eq. (A.9) ainda não pode ser utilizada, pois há termos de natureza
dependente. Em vez disso, utiliza-se uma combinação de κ e L da forma:
complexa (quantidades flutuantes) que necessitam ser determinados em função de
quantidades conhecidas ou que possam ser calculadas.
Z∝κmLn (A.13)
Após terem sido introduzidas hipótese adicionais, a forma modelada da
equação da energia cinética turbulenta (eq. A.9) passa a ser: com m e n constantes, como variável dependente (Launder & Spalding, 1972).
Para obter a equação de Z, procede-se em princípio do mesmo modo da derivação
∂κ ∂  υ t  ∂κ  (A.10)
+ ( u j κ )= ∂ υ +   + Pκ − ε
da equação de κ, isto é, faz-se a manipulação das equações de Navier-Stokes.
∂t ∂ x j ∂xj  σ κ  ∂ x j  Então, as várias correlações das flutuações devem ser representadas em termos
das propriedades calculáveis do escoamento, tais como κ, Z e gradientes da
∂ ui (A.11)
Pκ = − ui' u 'j velocidade média.
∂ xj
Eliminando-se então o comprimento de escala na formulação da viscosidade

κ 3/2 turbulenta e da dissipação, tem-se o modelo dado pelas duas equações de


ε =C D (A.12)
L transporte de κ e Z.
A primeira tentativa bem sucedida de escrever uma equação de transporte
Embora o modelo de uma equação melhore significativamente a qualidade
para Z foi realizada em 1942 por Kolmogorov (Launder & Spalding, 1972), que
do cálculo das grandezas turbulentas, em relação aos modelos de comprimento de
propôs a relação:
mistura, a exigência de especificar empiricamente o comprimento de escala, para
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 330 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 331

Z=κ1/2 L (A.14)  ∂ u i′ 
2 (A.18)
ε =υ  

Esta relação pode ser interpretada como uma freqüência de turbulência. ∂ xj 

Da formulação para a taxa de dissipação de energia turbulenta, eq. (A.12), A dedução da equação da taxa de dissipação da energia cinética turbulenta é

pode-se retirar a forma mais utilizada para Z : feita em cinco etapas:


Inicialmente, obtém-se a equação de transporte das flutuações de
ε = C D κ3/2L-1 (A.15) velocidade, a partir das equações de Navier-Stokes;
Faz-se a diferenciação da equação de transporte das flutuações de
Logo: Z=ε ; m=3/2 e n=-1. Esta forma é conhecida como modelo κ-ε.
velocidade com respeito a xl , onde l é um índice livre em relação a equação; a
Existem outros modelos de duas equações, por exemplo, κ-ω e κ-κL, onde
equação resultante é multiplicada por 2υ. É então feito o produto duplo da
Z=ω=κL-2 e Z=κL respectivamente. Entretanto o modelo κ-ε é correntemente o
equação pelo gradiente das flutuações
mais popular dos modelos de duas equações.

∂ ui′ (A.19)
∂ xl
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A.6.
Modelos κ−ε Para Altos Números de Reynolds onde i e l são índices livres da equação;
Por último, faz-se a média no tempo. Este procedimento é descrito em
O modelo de duas equações mais utilizado é o modelo κ-ε (energia cinética Warsi (1993), sendo a equação final dada por:
turbulenta - taxa de dissipação de energia cinética turbulenta). Neste modelo, o
∂ε ∂ε (A.20)
comprimento de escala característico L é eliminado, ao se combinar a eq. (A.8), + uk = Pε1 + Pε2 + Pε3 + Pε4 + Pε5
∂t ∂ xk
para a viscosidade turbulenta, com a eq. (A.12), para a taxa de dissipação
turbulenta, resultando: onde:

ρ Cµ κ 2
µt = (A.16) ∂ u ′j∂2 uj (A.21)
ε Pε1 = − 2υ u k′
∂ xl ∂ xk ∂ xl
onde Cµ é uma constante empírica.
Seguindo a formulação geral para modelos de duas equações, apresentada
 ∂ u ′ ∂ u ′j ∂ u k′ ∂ u k′  (A.22)
no item anterior, a taxa de dissipação assumiria a função da variável dependente Z Pε2 = − 2υ  i S ij + S ij 

 kx ∂ x k ∂ x i ∂ x j 
(eq. A.13) (Launder & Spalding, 1972 ):

Z=ε= C D κ 3 2 L-1 (A.17)  ∂ u ′j ∂ u ′j ∂ u ′ ∂ 2 u ′j ∂ 2 u ′j  (A.23)


Pε3 = − 2υ  k
+ν 
 ∂ x k ∂ xl ∂ xl ∂ xl ∂ xl ∂ xl ∂ xl 
Torna-se então necessário desenvolver, a partir da manipulação das  
equações de Navier-Stokes, uma equação diferencial de transporte para ε, como
definido anteriormente e rescrito abaixo:
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 332 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 333

∂  ∂ u ′j ∂ u ′j 1  ∂ P′ ∂ u k′  
(A.24) ∂ε ∂ε ∂  υt  ∂ε  ε (A.30)
Pε4 = − 2υ u k′ +   +uk = υ +   + [C1 Pκ − C 2 ε ]
∂ xk  ∂ xl ∂ xl ρ  ∂ xm ∂ xm   ∂t ∂ xk ∂ xk  σ ε  ∂ x k  κ
 

∂  ∂ε  ∂ ui  ∂ ui ∂ u j  ∂ ui
Pε5 = υ  (A.25)
Pκ = − u i′ u ′ j =υ t  +  (A.31)
∂ xk  ∂ x k  ∂ xj ∂ xi  ∂ x j
∂ xj

1  ∂ ui ∂ uj  (A.26) ρ Cµ κ 2
S ij =  +  µt = (A.32)
2  ∂ x j ∂ xi  ε

O modelo κ-ε é sem dúvida o mais utilizado e um enorme esforço tem sido
Como no caso da equação de transporte da energia cinética turbulenta, são
desprendido, para melhorar o seu desempenho. Porém, em algumas situações
necessárias hipóteses adicionais para o fechamento da equação da taxa de
comuns de escoamento, o modelo apresenta significativas deficiências.
dissipação (eq. A.20). A modelagem dos diversos termos é vastamente
documentada na literatura, como por exemplo, Mansour et at (1989) e Warsi Algumas propostas de modificações do modelo κ-ε têm sido apresentadas

(1993), e não será detalhada aqui. na literatura, visando resolver deficiências do modelo original. Os modelos κ-ε
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A equação da taxa de dissipação modelada é finalmente escrita como: não linear, o κ-ε renormalizado e o κ-ε para baixo número de Reynolds são frutos
desse esforço. Por interessar diretamente ao trabalho desenvolvido nesta tese,
∂ε ∂ε ∂  υt  ∂ε  ε (A.27)
 + [ C1 Pκ − C 2 ε ]
estas variantes dos modelos de duas equações foram tratadas especificamente no
+uk = υ + 
∂t ∂ x k ∂ x k  σ ε  ∂ x k  κ capítulo 3.

onde:

∂ ui  ∂ ui ∂ u j  ∂ ui (A.28) A.7.
Pκ = − u i′ u ′ j =υ t  +  Modelos de Transporte de Tensão
∂ xj  ∂ x j ∂ xi  ∂ x j

É importante destacar que a equação da taxa de dissipação, assim como a Nesta classe de modelos, o conceito de viscosidade de turbulência é abolido.

equação da energia cinética turbulenta, representa um balanço entre o transporte Em vez deste conceito, equações de transporte para as tensões de Reynolds

convectivo e o difusivo e a produção e transferência de energia, sendo individuais são resolvidas. Estas equações de transporte são obtidas das equações

empregadas no seu fechamento hipóteses empíricas. de Navier-Stokes, conforme mostrado por Rodi (1984) e Warsi (1993). A forma

Obtém-se finalmente o fechamento do problema da turbulência, com a final das equações de transporte, para as tensões turbulentas, é:

formulação do seguinte sistema de equações : ∂ ∂ ∂ 2 (u i′ u ′j )


∂t
(u i′ u ′j )= u k
∂ xk
= Gij + Qij + Fij + ε ij +υ
∂ xk ∂ xk
(A.33)

∂κ ∂  υ  ∂κ 
( u j κ )= ∂
(A.29)
+  υ + t   + Pκ − ρ ε
∂t ∂ x j ∂xj  σκ  ∂ x j  onde: Gij é o termo de Produção ou geração de tensões de Reynolds; Qij é o termo

de Redistribuição (pressão-tensão ); Fij é o termo Transporte Difusivo e εij é
termo de Dissipação, dados por:
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 334 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 335

 ∂uj Consequentemente todas as propriedades relevantes do escoamento podem ser


∂ ui 
Gij =  ui′u k′ + u k′ u ′j  (A.34)
 ∂ x k ∂ xk  obtidas da lei trivial que descreve tais camadas.
A lei da parede é utilizada por duas grandes razões: primeiro, a função de

P′  ∂ ui′ ∂ u ′j  (A.35) parede dá uma grande economia computacional ; a segunda razão é que tanto os
Qij = + 
ρ  ∂ x j ∂ xi 

modelos κ-ε como o de transporte de tensão são definidos para altos números de
Reynolds, não sendo válidos na região próxima a parede.
∂  
Fij = − ui′ u ′j u k′ −
∂xk 
P′
ρ
( )
δik u ′j + δ jk ui′  (A.36) A forma padrão de duas camadas da lei de parede utiliza, para a região
 próximo ao contorno sólido, o perfil universal de velocidades da seguinte forma
(Kays & Crawford, 1993):
∂ u i′ ∂ u ′j (A.37)
ε ij = − 2υ
∂ xk ∂ xk u+=n+ se n+<11,6 (A.38)

Há, no lado direito das equações de transporte, termos com tríplice


1
u+= ln(n+)+5 se n+ ≥11,6 (A.39)
correlação de velocidade, correlações velocidade-pressão e correlações tensão- kv
pressão que não são conhecidas. Naturalmente, equações de transporte adicionais
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sendo:
podem ser obtidas para estas quantidades, mas verifica-se que estas novas

u+ =
equações de transporte geram mais incógnitas. Em resumo, não tem sido possível u (A.40)

fechar o sistema de equações, usando esta abordagem. Consequentemente,
hipóteses de fechamento são feitas, a fim de permitir a modelagem destas
ρ n uτ
correlações adicionais, em termos das quantidades conhecidas. n+ = (A.41)
µ
Duas estratégias distintas tem sido adotadas na modelagem dos termos das
equações de transporte das tensões de Reynolds. A primeira consiste em uτ = τ / ρ (A.42)
simplificá-las, tornando-as equações algébricas. A segunda é estabelecer modelos
onde u τ é a velocidade de atrito, τ é a tensão de cisalhamento na parede , n é a
para os termos mais complexos e resolver por completo o sistema de equações de
distância à parede e kv é a constante de Von Kármán (kv=0,41).
transporte diferenciais para os componentes do tensor de Reynolds. Ambas as
Da hipótese de equilíbrio entre a produção (Pk ) e a dissipação de energia
abordagens são mostrada por Rodi (1984).
cinética turbulenta (ε) na eq. (A.10) e considerando a tensão cisalhante
aproximadamente constante tem-se (Kays & Crawford, 1993):

A.8. Pκ =ρ ε (A.43)
Lei da Parede
mas:

Funções de parede são usadas sobre os pontos de malha próximo a parede, ∂u 2
∂u
Pκ =µ t   e τ =µ t  
(A.44)
para estimar o efeito da parede sobre o escoamento. As funções de parede ∂n ∂n
baseiam-se na hipótese que existe um equilíbrio na camada limite turbulenta. logo:
Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 336 Modelagem Estatística Clássica – Equacionamento 337

∂ u  τ 2 (A.45) τ =ρ C µ1 2κ (A.53)
Pk = τ  =
∂n µt
Assim:
então :
∂u (A.54)
τ 2 /µ t =ρ ε (A.46) ε = C 1µ 2κ
∂n

Para o modelo κ-ε: Da definição de n+ e u+, tem-se que:

ρ C µκ 2 (A.47) ∂ u τ ∂ u+ (A.55)
µt = =
ε ∂ n µ ∂ n+

Assim Do perfil logarítmico tem-se :

τ2 ρ C µκ 2 (A.48) ∂ u+ 1 (A.56)
=µt ε = ε =
ρ ε ∂ n+ k v n +
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Portanto: Das eq. (A.55), (A.56) e (A.57) vem que:

τ =ρC µ κ 12
(A.49) τ 1
ε = Cµ 1 2κ (A.57)
µ kv n +
Como τ é constante na região em estudo:
mas:
∂τ ∂κ (A.50)
=0 ⇒ =0
∂n ∂n ρ n τ /ρ (A.58)
n+ =
µ
então, a difusão de κ nas regiões próximas a parede é nula (Kays & Crawford,
1993). logo:
A taxa de dissipação de energia cinética turbulenta (ε) na região próxima a
τ /ρ (A.59)
parede é obtida da manipulação das equações acima: ε = Cµ 1 2κ
kv n +

∂ u  (A.51)
Pk=ρε onde Pκ = τ   Da eq. (A.49), então, tem-se a forma final de ε :
∂ n 

logo: Cµ 3/4 κ 3/2 (A.60)


ε=
kv n+
∂ u  (A.52)
τ =ρε
∂n

mas:

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