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Magia e Mitos do Reino das Fadas

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Mestre Aleph Rofer Faëry

A VERDADEIRA MAGIA.
(21/06/2021)

"A definição de história de fadas, o que é


ou o que deveria ser, não depende
portanto de qualquer definição ou relato
histórico sobre elfos ou fadas, mas sim da
natureza do Faërie*, do Reino Perigoso e
do ar que sopra nessa terra... O Faërie não
pode ser capturado numa rede de
palavras, porque uma de suas qualidades
é ser indescritível, porém não
imperceptível...

... Por ora só direi isso: uma "história de


fadas" aquela que resvala ou usa o Faërie,
qualquer que seja sua finalidade principal -
sátira, aventura, moralidade, fantasia. O
próprio Faërie talvez possa ser traduzido
mais proximamente por Magia - mas uma
magia com disposição e poderes
peculiares, no polo mais afastado dos
artifícios vulgares do mágico laborioso e
científico.**"

Sobre Histórias de Fadas, J.R.R. Tolkien.

*Faërie (pronuncia-se Fair) é o Reino das Fadas que não englobam apenas as famosas
criaturinhas femininas, mas elfos, gigantes, dragões, duendes. Todos entrelaçados em
narrativas profundas que são a própria substância desses Reinos. A própria palavra Fada
deriva de Faërie.

**A Magia Cerimonial. As encenações técnicas e muito bem anotadas de Aleister Crowley,
Franz Bardon, Eliphas Levi. Parafernália "iluminista" que não serve pra muito, mas dá
bastante dinheiro para ex-jogadores de RPG.

52.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

BRIGID.
(02/02/2017)

Dia 02. Ciclo encerrado. Chama


divina que arde e esculpe a Espada
Sagrada, inspira a poesia antiga,
cozinha as raízes curadoras.

Ano 05. Elementos alinhados na


Torre do Corpo do Buda. E mais uma
vez, a mão luminosa da bela Deusa
do amanhecer estendida para mim
convoca.

Recomeço.

Ouço sua voz na natureza renascida, mas não aqui. Onde meu sangue encontra
casa e abrigo. Ali onde tuas fontes e seus nomes são poderosos e onipresentes.

Brigid. Brigit. Brigantia. Bride. Luz, poder e Vitória. Filha de Dagda, o Bom Deus.
Thuata De Dannan. Mãe zelosa de Ruadán, por quem aterrorizou seus inimigos.

Poderosa senhora. Em tua festa, a igreja acende as velas do Cristo numa de


suas festas mais antigas, relembra a Virgem da Candelária, que surgiu
carregando o Menino Deus e com uma vela esmeralda na mão. Tua cor. Tua
chama.

Faz renovar esse ano e dissipar toda escuridão.


Casa com meu Espírito para que jamais eu deixe de ser aquilo que sou.

Feliz ano 05.

Salve, Santa Deusa Brigid.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

BELTANE.
(01/05/2017)

Primeiro de Maio. Beltane. A chegada da Primavera no Hemisfério Norte. Festa


diametralmente oposta ao Samhain. Tempo do retorno dos AOS SÍ, os ancestrais deificados
dos celtas e irlandeses. O Povo do Fairy. O Povo Mágico das Fadas.

Ainda hoje, na Inglaterra, Estônia, França, Finlândia, Alemanha, Irlanda e outros países da
Europa, a festa continua marcada por fogueiras (para afastar os espíritos do inverno), a
coroação da 'Rainha de Maio' e a dança fálico/sagrada em torno do 'Maypole' como se vê
nas imagens.

Beltane é, para os irlandeses, oportunidade de fazer oferendas para AOS SÍ. Também é a
festa de Belenus, o 'luminoso' que cavalga no Sol e traz consigo o florescer da Terra. As
fogueiras e fogos de Beltane celebram esse senhor da Luz e do Fogo e calor.

Para os Romanos, era o tempo da 'Floralia' (28 de abril/ 03 de maio) onde a deusa Flora;
deusa das flores, vegetações e fertilidade era celebrada com jogos parecidos com os jogos
olímpicos. Curiosamente, prostitutas encenavam lutas nuas. As festas de Flora eram de
caráter plebeu em contraste com àqueles da religião arcaica romana.

Digno de nota, os mitos arturianos descrevem seu casamento na Primavera com Guinevere;
ela mesma uma 'Flora' ou 'Rainha de Maio' com todas as características de uma Senhora das
Fadas que, unida ao Grande Rei, fertiliza e traz esperança. Por isso, numa adaptação

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

moderna, wiccanos e neopagãos tratam essa festa como o casamento entre o Deus e a
Deusa que dão vida à Terra após o inverno. O 'Green Man' que aparece na arquitetura de
tantas igrejas européias...

Atualmente, para cristãos católicos, Maio é um mês de especial devoção à Virgem Maria.
Leia com atenção o que disse o beato cardeal John Henry Newman em seu livro póstumo
"Meditações e devoções", publicado em 1893 sobre essa questão:

"A primeira razão é porque é o tempo em que a terra faz surgir a terna folhagem e os verdes
pastos, depois do frio e da neve do inverno, da cruel atmosfera, do vento selvagem e das
chuvas da primavera".

"Porque os dias se tornam longos, o sol nasce cedo e se põe tarde. Porque semelhante
alegria e júbilo externo da natureza são os melhores acompanhantes da nossa devoção
Àquela que é a Rosa Mística e a Casa de Deus."

"Ninguém pode negar que este seja pelo menos o mês da promessa e da esperança. Ainda
que o tempo não seja favorável, é o mês que dá início e é prelúdio do verão."

"Maio é o mês, se não da consumação, pelo menos da promessa, e não é este o sentido no
qual mais propriamente recordamos a Santíssima Virgem Maria, a quem dedicamos o mês?"

O Papa Pio XII chamou à Virgem de 'Rainha de Maio' (e ela ainda é celebrada assim na
Irlanda, Inglaterra e algumas regiões dos EUA). Católicos no mundo todo celebram à Virgem
oferecendo-lhe coroas de flores e buquês...

Ainda para católicos, o primeiro de Maio segue-se à noite de Walpurga, uma misteriosa
Santa que não realizou nenhum milagre em vida, mas, após sua morte, fez jorrar óleo de sua
lápide no dia 01/05. Óleo com propriedades curativas.

Hoje, as forças da Terra se agitam e correm pelo mundo. A Grande Deusa de Mil Rostos e
Nomes é coroada pela Vida e Beleza e faz elevar a Espada do Rei das profundezas das águas
onde ele repousou por Eras.

O dia primeiro de Maio é o recomeço. Tempo de esperança. De acreditar que milagres são
possíveis e os deuses caminham entre os homens.

O tempo em que o fogo e a Luz triunfam sobre os poderes do frio e da escuridão. Abrindo
caminho para um novo tempo. Para um nova e mais perfeita Era de beleza, magia, coragem
e felicidade.

Eles estão aqui.

Ouça!

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

ÁINE.
(11/07/2017)

Deusa Celta Áine, Senhora do verão, do


calor, da prosperidade. Deusa
responsável pela agricultura, e pelo
destino dos Reis. Muitas vezes
representada na forma de uma
espetacular égua escarlate.

Em alguns mitos, Áine é descrita


casada com mortais, ora se vingando
de abusos, ora decidindo seus
destinos. Aparece também ao lado do
Deus dos mares, Manannán Mac Lir de
quem falarei no futuro.

A noite de 'Midsummer' era-lhe dedicada e nos últimos tempos tem sido reconhecida
em algumas regiões da Irlanda como Rainha das Fadas.

Irmã da Deusa Grian (literalmente Sol) divide com ela a soberania do ano, num papel
como o de Brigit e Cailleach entre os galeses. Áine, ligada aos ritos do verão,
comandava o período do Sol em sua força máxima enquanto Grian regia os dias do
Sol pálido do inverno gélido.

Seu nome (brilho, alegria, esplendor, fama, etc) é descrição de seu imenso poder
para exaltar e derrubar os homens.

334.

Namastê.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

DEIMNE.
(18/07/2017)

Seu nome de batismo era Deimne. Filho do líder dos Fianna, Cumhaill. Sua mãe, filha de um
sacerdote Druida, não teve a aprovação de seu pai para casar-se com ela. Cumhaill
sequestrou Muirne, sendo morto mais tarde em batalha. Muirne deu à luz ao menino e o
escondeu de seus inimigos. Seu nome, Deimne, significa 'certeza' ou 'firmeza'.

O menino cresceu para tornar-se um poderoso caçador, cujas lendas perduram até hoje na
Irlanda, Escócia, Ilhas de Man. Aliás, até elementos geográficos irlandeses são atribuídos a
Deimne, o que sugere ser ele um gigante.

Seus cabelos ficaram brancos prematuramente. A partir de então passou a ser chamado
Fionn. Louro ou brilhante. Daí seu nome mitológico mais conhecido : Fionn Mac Cumhaill.

Fionn foi criado longe de sua mãe por Bodhmall, a Druida, e uma guerreira, Liath Luachra
(um casal homoafetivo numa lenda irlandesa? Deixo a resposta por conta de vocês...)
levaram-no em segredo a floresta de Sliabh Bladma onde lhe ensinaram as artes do combate
e da magia.

Já adulto, Fionn entrou secretamente para o serviço de muitos reis. Entretanto, sempre que
era descoberto como 'Mac Cunhaill' (filho de Cunhaill) era mandado embora já que seus
empregadores temiam não poder combater os inimigos que o queriam morto. Falavam do
Alto Rei Conn das Cem Batalhas e de Coll Mac Morna, assassino de seu pai.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Ainda jovem, Fionn teve um outro professor, esse ainda mais significativo do que as
anteriores. O Druida Leprechaun Finn Eces, também chamado Finnegas. O Leprechaun
adquiriu onisciência ao se alimentar de avelãs de uma árvore sagrada e já buscava capturar o
Salmão Da Sabedoria há sete anos na fonte de Boyne. Quem comesse o Salmão se tornaria
dono de todo conhecimento do universo.

Finnegas finalmente capturou o Salmão e pediu que Fionn o cozinhasse para ele. Enquanto
preparava o prato, o garoto queimou o dedo e instintivamente levou a boca, recebendo a
sabedoria prometida. Quando Finnegas percebeu o que havia acontecido, ofereceu o Salmão
para que ele comesse. Desse modo, Fionn adquiriu Sabedoria perfeita e soube como
derrotar seus inimigos.

Coll se havia tornado líder dos Fianna desde à morte de Cumhaill. Entretanto, todos os anos,
no Samhain, um homem que cuspia fogo ( Aillen) vinha do Sidhe e embalava os Fianna com
sua flauta mágica para em seguida destruir seu acampamento. Fionn, armado com as armas
mágicas de seu pai, manteve-se acordado ferindo sua testa com sua lança sagrada. Após
destruir Aillen, foi reconhecido como líder dos Fianna e também fez um acordo de
compensação com seu inimigo Coll em virtude da morte de seu pai.

Após muitas aventuras (suas batalhas contra o 'Homem Escuro'; Fear Doirich, o Druida
maligno. O nascimento de seu filho Oísin, o maior dos Fianna e muitas esposas e amores), o
poderoso Fionn Mac Cunhaill não morreu de fato. Conta a lenda que, um dia, quando a
Irlanda estiver necessitada de seu grande defensor, ele despertará de seu sono junto de seus
guerreiros, ainda ao seu redor. Como está perto esse dia...

Junto de Vlad, Rei Arthur, Dom Sebastião, Frederico Barbarossa e outros, Fionn se apresenta
como aquele herói, o Baldur renascido depois do Ragnarok para reconstruir Yggdrasil e
conduzir os filhos dos deuses. A força divina que adormeceu mas não está morta, à espera
do grande momento em que outra vez tornará nossas vidas mágicas. Inacreditáveis.

Ele tem muitos nomes. Nós o conhecemos apenas por 'Jesus'. Mas isso por que somos
pequenos demais.

Mas ele não. E, um dia, nós com ele.

Um dia nós com ele.

52.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

SEANACHIES.
(07/08/2017)

Seanachies eram os sábios contadores de histórias mágicas entre os celtas. Não se


tratavam de histórias comuns, mas de narrativas carregadas de poderes que somente
podiam ser contadas por Bardos, Druidas, Druidisas ou os sábios acima mencionados.

As histórias sagradas exigiam do Sábio (Seanachies eram, geralmente, mulheres


idosas ) uma iniciação especial, de modo que os poderes mágicos pudessem ser
invocados. O Seanachie se valia de técnicas especiais. A entonação da voz, linguagem
corporal, conhecimentos místicos eram combinados para incutir na consciência dos
ouvintes a mensagem desejada e conduzir os mesmos ao passado ancestral ou
descortinar o Faery (Mundo das Fadas), levando o grupo à uma experiência
revitalizadora e sacralizadora.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Hoje em dia, uma onda muito 'psicologizadora' marca a magia e a mitologia. Os


deuses e armas sagradas são vistos como não mais do que realidades internas. Metas
psíquicas a ser alcançadas ou superadas.
Mas não se trata disso. Não apenas isso. O elo com o passado mágico foi perdido. A
História profana, a ciência histórica, foi apenas o que restou. Mesmo aqueles que
almejam transcender essa realidade ordinária esquecem que aquilo que encontramos
refletido em nosso espírito está ao nosso redor, nas encruzilhadas daquele Tempo
Mítico que perdemos e adoecemos por conta disso.

Que o microcosmo empunhe sua Espada Sagrada. Não apenas para vencermos
pessoalmente, mas para um dia fazer emergir macrocosmicamente o Grande Rei que
trará a Magia e a Verdade ao coração de todos os seres.

Namastê.

AIRMID.
(09/09/2017)

Airmid é uma das muitas deusas celtas


com poderes curativos. Filha de Dian
Cecht e irmã de Miach, foi essencial na
cura dos feridos entre os Tuatha De
Dannann nas muitas batalhas travadas
na conquista da Irlanda.

Dian Cecth era um curandeiro


poderoso. Quando o rei Nuada teve
seu braço decepado, foi Dian Cecth
quem o reconstruiu em prata. Um
braço funcional que, mais tarde, foi
reconstruído em carne e osso por seu
filho, Miach. Tomado por inveja, Dian
Cecth o matou.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Chorando sobre o corpo do irmão, Airmid fez brotar de suas lágrimas todo tipo de
flores e ervas curativas. Dian Cecth era poderoso e valioso, mas não desejava que seu
poder fosse contestado? É fácil fazer essa leitura. Após o nascimento das muitas
ervas e flores, ele as espalhou pelo mundo. Nenhum xamã ou curandeiro possuía
seus segredos. Exceto Airmid.

Dian Cecth produziu a cura de todos os males ao matar Miach. Mais tarde, apesar
desses atos, Airmid permaneceu trabalhando ao seu lado, tratando as feridas dos
Tuatha De Dannan. Os atos de seu pai pareciam compreensíveis para a Deusa.

Dian Cecth era capaz de curar qualquer ferida, exceto decapitações (sim, estamos
falando de Highlander) e por meio desse processo, dotou a filha de poderes curativos
infinitos. A cura de Nuada não era desejável. Um rei aleijado devia ceder seu lugar a
outro. Ao recompor o corpo de Nuada, Miach alteraria o curso dos acontecimentos e
adiaria a chegada de Lugh, grande herói divino e descendente de Dian. Não, os
deuses não sabiam. Mas a Grande Natureza que tudo conduz já havia determinado os
caminhos pelos quais a Vida haveria de seguir e se manifestar.

Airmid e seu pai foram adorados e invocados muito tempo depois da cristianização
haver começado. O processo de racionalização iniciado na ascensão do Império
Romano, entretanto, se consumaria banindo suas figuras para os mundos obscuros
da inconsciência onde eles haveriam de existir como lembranças de um sonho,
folclore, e enfim um eco. Uma lembrança não personalizada de um tempo em que
poderes antigos caminhavam em nosso mundo. Com poderes capazes daquilo que,
sozinhos, não podemos alcançar.

Hoje, Airmid emerge das brumas dessa lembrança perdida. Traz esse segredo antigo
que apenas a ela pertence. Com seu pai e irmãos, chama com voz misteriosa os
homens e os demais deuses, seus irmãos, da morte das eras.

Quem pode ouvir?

52.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

LUGH.
(14/09/2017)

Lugh, filho de Cian dos Tuatha De Dannan e Ethniu, filha do monstruoso Balor!
Guerreia por nós!

A profecia anunciava: Balor, besta terrível e líder das criaturas sobrenaturais


(Fomorianos) seria destronado por seu neto. Para evitar que assim fosse, o
gigante de um olho só aprisionou sua filha na Tór Mor na ilha de Tyr, como um
dia também Guinevere de Arthur seria feita prisioneira.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Mas Cian recebeu ajuda. A fada Birog o transporta até o alto da Torre onde ele
se deita com Ethniu e gera trigêmeos. Balor, ao saber do nascimento da
criança, ordena sua execução. Duas são afogadas. Mas uma delas é salva pela
Fada Birog. Levada aos cuidados do poderoso Deus dos Mares; Mac Mannanán.

Lugh procura, um dia, o povo de seu pai para se unir a eles na batalha contra os
Fomorianos. Barrado na porta por não possuir habilidades não equiparadas por
outros deuses entre os Thuata De Dannan; o Deus do Sol questiona: haveria
entre eles alguém que reunisse em si todos os dons? Um arqueiro, músico,
artesão, espadachim, curandeiro, etc?

Não. Exceto Lugh, o Deus Salvador e Rei!

Na Segunda Batalha de Mag Thuireadh, Lugh confronta Balor. O monstro tinha


um olho mortal, capaz de fulminar exércitos. Com uma funda e uma pedra,
Davi celta, Lugh derrota o monstro e cumpre a profecia.

Mas um dia, o nobre e imbatível guerreiro tombaria. Ódio e vingança levariam


ao derramamento de seu sangue pelas mãos dos três irmãos, últimos Reis
antes da Idade Humana. Mas essa é uma outra história..

Esse foi o fim de Lugh. Ou não?

Lugh, campeão contra os espíritos que tentam impedir as colheitas, deixou um


filho. Mas não apenas um filho. Ele mesmo renascido: Cú Chulainn. Sobre este,
também, saberemos no futuro.

Lugh, senhor da Lança Invencível! Portador de Fragarach, a Espada da Verdade!


Montado em Enbarr, que caminha sobre os ares e as águas! Acompanhado do
cão Failinis, que nunca perde sua presa e torna águas em vinho! Deus excelente
e nobre!

Lutai por nós e em nós! Dissipai em sua Luz as trevas que nos ameaçam cegar!

52.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

TOLKIEN.
(16/09/2017)

"...a coisa parece que se escreve sozinha uma vez que eu a início..." The Letters of J.R.R. Tolkien.

Tolkien era católico. Fervoroso, dizem os amigos e registram algumas de suas cartas. Amigo do
também famoso C.S. Lewis, foi aliás decisivo na conversão deste à fé cristã após uma conversa que
durou uma madrugada inteira.

Pretendo tratar a mitologia de Tolkien em vídeos e textos futuros, mas aqui irei abordar a maneira
como o próprio autor enxergava sua obra e o que ela refletia de suas convicções pessoais.

Numa carta datada de 1956, Tolkien afirma que a obra é um conto de fadas para adultos, sem
nenhum tipo de alegoria moral, política ou contemporânea. Claro que não desejo aqui refutar os
muitos estudos da obra e todas as suas nuances. Mas essa fala de Tolkien deveria ser quase definitiva
em qualquer análise posterior...

O Universo mitológico de 'O Senhor dos Anéis' é, na fala do artista na mesma carta, uma 'mitologia
monoteísta mas "subcriacional". Ele continua: 'Não há nenhuma incorporação do Único, de Deus,
que assim permanece remoto, fora do Mundo e somente diretamente acessível aos Valar ou
Governantes. Esses tomam o lugar dos 'deuses', mas são espíritos criados...'

Aqui é necessário observar rapidamente a mitologia de Tolkien e de sua Terra Média. O Deus Criador
é chamado de Eru Ilúvatar. Que no idioma élfico significa 'Único Pai de Tudo'. Embora muito
importante em Silmarillon e em Contos Inacabados, não é citado diretamente em O Senhor dos Anéis
e O Hobbit.

Ilúvatar gerou os Ainur de seus pensamentos. Esses seres angelicais (dos quais Gandalf era um, como
Tolkien esclareceu em cartas) entretiam O Único com músicas. Um dia, Ilúvatar lhes propôs uma
Música Suprema. Enquanto compunham, os Ainur tiveram visões com aqueles chamados de 'Filhos
de Ilúvatar' e desceram à Terra (Arda, gerada também de sua Música pela ação de Ilúvatar) para criar
essas criaturas conforme lhes revelava a Música. Esses Filhos são os Elfos (Primogênitos) e os
Humanos (Sucessores).

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Entre os Ainur, os mais poderosos são chamados de Valar e os menos poderosos de Maiar. Na fala de
Tolkien acima, são os Valar que tem acesso ao Único. Ou seja, Deus, na mitologia de O Senhor dos
Anéis, é remoto como também ensina a Cabala. E atua por meio de seus agentes. Uma interessante
mistura entre monoteísmo (impessoal) e politeísmo (pessoal).

Essa não é uma visão muito distante do Cristianismo, como pode parecer aos críticos ou mesmo aos
cristãos modernos. A Teologia Ortodoxa Oriental conserva muitos elementos místicos e gnósticos,
motivo inclusive de acusações de heresia pela Igreja Católica Romana extremamente influenciada
pela racionalidade escolástica.

C.S. Lewis, que havia se tornado ateu aos 14 anos de idade, foi convidado por Tolkien para uma
conversa na noite de 19 de dezembro de 1931. A conversa (que contou com a presença de Hugo
Dyson, professor da Universidade de Reading) durou até as três horas da madrugada. Ali, afirmaria
Lewis, a compreensão da relação entre paganismo e cristianismo (motivo de sua negação da fé
cristã) foi resolvida e o escritor se converteu. Mas o conteúdo absorvido por Lewis naquela noite é
ainda motivo de controvérsias e até da ira de certos teólogos nos dias de hoje.

Escreveu Lewis um mês mais tarde: ' A história de Cristo é simplesmente um mito verdadeiro. Um
mito que trabalha em nós da mesma forma que outros, mas com esta diferença tremenda: que ele
aconteceu e a pessoa deve estar contente em aceita-lo da mesma forma, lembrando que é mito de
Deus onde outros são mitos de homens; isto é, as histórias pagãs são Deus se expressando por meio
das mentes dos poetas, usando tais imagens como ele as encontrou lá, enquanto o cristianismo é
Deus expressando a si mesmo por meio daquilo que chamamos de 'coisas reais'...a saber, a
encarnação real, a crucificação e a ressurreição.' (Do livro: Tolkien: Uma Celebração)

A fala acima é a interpretação de Lewis do conceito de 'mito verdadeiro' proposta por Tolkien e
outros. Essa maravilhosa compreensão tem sido refletida em meus posts sobre os Novos 52,
mitologias diversas e até mesmo nas abordagens sobre os Old Ones.

Na conversa entre Lewis, Tolkien e Dyson; o questionamento sobre a veracidade dos mitos pagãos foi
respondido pelo criador de O Senhor dos Anéis da seguinte maneira: ' O homem não é em última
instância um mentiroso. Ele pode perverter seus pensamentos em mentiras, mas vem de Deus, e é
de Deus que traz seus ideais finais...Não meramente os pensamentos abstratos do homem, mas
também suas invenções imaginativas precisam se originar em Deus e, em consequência, refletir
alguma coisa da Verdade eterna. Na criação de um mito, na prática da mitografia, e povoando o
mundo com Elfos, dragões e duendes, o autor... realmente está cumprindo o propósito de Deus e
refletindo um fragmento estraçalhado da verdadeira luz...'

Esse 'fragmento estraçalhado' é uma menção ao mito cabalístico da Quebra dos Vasos. Falei sobre
isso em meu primeiro vídeo 'A Lei de Thelema' e em meu post 'A Palavra de Pecado é Restrição '.

Voltarei ao tema (meu favorito) muitas vezes. Mas esse tem sido meu trabalho. Restaurar e reunir
essa Luz Primeva. Eis a Corrente 52!

Namastê.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

SUNNA.
(27/09/2017)

Achados arqueológicos tanto na


Alemanha como na Suécia, Irlanda e
Escandinávia atestam que esses
povos cultuaram uma Deusa solar
nos primórdios de suas civilizações.
Também no Japão, a Deusa mais
importante do panteão é uma
gloriosa Deusa Solar.

A Deusa Sól ou 'A Noiva Brilhante do


Céu' é mencionada em alguns
poemas e fontes da mitologia
nórdica. Uma Deusa menor nos
mitos que chegaram até nós, seu
papel não pode ser negligenciado
apesar disso, sobretudo por sua
importância no sombrio final dos
tempos ou Ragnarok.

A antiga fé dos povos nórdicos entendia a existência como um equilíbrio não sem
conflitos intensos de forças antagônicas. A própria existência dependia deles. A vida
emergiu de dentro do Abismo Ginungagap (ou à própria vastidão do Cosmos) quando
fertilizado por titânicas montanhas de gelo condensadas do frio e da névoa de
Nilfheim e derretidas pelo calor de Musphelhein (terra do fogo eterno e lar do
gigante de fogo Surtur) no começo dos tempos. Hoje, sabemos que nosso sistema
solar se equilibra de modo parecido com o Sol ardendo em seu centro e um cinturão
de gelo em sua borda.

Sunna, elevada a posição de Sol por Odin, é uma Deusa gloriosa, sempre cavalgando
os céus numa carruagem de ouro, empunhando um fuso dourado e puxando o disco
solar. No poema Grimnismál, Odin recebe revelações sobre a natureza da Deusa e
aprende que, se ela não carregasse sempre consigo o escudo Svalin (frio) as

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

montanhas e mares arderiam. Uma curiosa menção à nossa atmosfera e camadas


protetoras que impedem que raios nocivos do Sol nos causem dano.

O poder de Sunna vai além, entretanto. Seu calor e luz refreavam a ação dos Gigantes
de Gelo e impediam que os anões malévolos fizessem mal aos seres humanos,
petrificando-os com sua presença luminosa.

Sempre perseguida pelo Lobo Skoll, um dia Sunna seria por ele devorada. Esse dia, do
definitivo escurecimento do Sol, seria também o início do Crepúsculo dos Deuses ou
Ragnarok. Após a devastação, a filha da Deusa nascida antes do conflito, assumiria
sua função e nome reiniciando o ciclo vital.

Já observaram que as Deusas não aparecem no mito do Ragnarok. Muitas podem ser
as razões. As únicas exceções são Sunna e Hel (Senhora do Mundo dos Mortos) sendo
que essa última é apenas mencionada. Deixarei minha interpretação.

O Ragnarok já aconteceu. Considerando o papel preponderante das Deusas no


mundo dos Nórdicos e em seus mitos (Odin apendendo Magia com Freya, sempre
aconselhado por Frigga e Saga. A Sabedoria mágica das Gigantas do Gelo, a função
das Valquirias, etc) o que de fato se deu foi um obscurecimento da Sabedoria
(Sophia, Shekinah) na mente dos povos que comungavam com Ela nas muitas Deusas
e entidades que os cercavam. Como a Shakti Hindu, sem a qual não vivem os deuses,
o equilíbrio foi afetado e o poder dos Aesir e Vanir foi reduzido. A tensão que produz
vida foi revertida para um aniquilamento. Os Deuses desapareceram de nosso mundo
e mente. Teologia se tornou Mitologia. E São Bonifácio voltou o poder de Thor contra
ele mesmo...

Mas o renascimento de Sunna é a certeza de que a Noite sem Deuses não irá durar
para sempre. A semente de um Novo Sol plantada desde antes da destruição frutifica
e renova a esperança. Enquanto o luminoso e bom Baldur (riscado por interesses
sombrios da capenga mitologia do Herói Thor nos cinemas) também emerge dos
reinos de Hel. Ele mesmo a primeira Luz apagada antes do fim...

Esse foi o sinal no céu. Essa é a jornada da humanidade. Essa é a época na qual
adentramos agora. Mas não todos...

52.

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

LOBISOMEM.
(06/10/2017)

Lobisomem. Werewolf. Uma das criaturas mais temidas e famosas do imaginário místico, mitológico,
popular.

Ao lado das Bruxas, era caçado e temido na Idade Média. O mito do Homem Lobo, de caráter
europeu, ariano até, chegou ao Brasil com os Portugueses, ganhando aqui elementos próprios em
sincretismo com as culturas indígenas e o catolicismo popular. Nesse texto, deixarei de lado os
elementos populares sobre a criatura (morte por Prata, contaminação por arranhões e/ou mordidas,
etc) e irei abordar seus aspecto místico e mitológico.

O lobo é uma figura emblemática e totêmica nas mitologias. De Rômulo e Remulo, amamentados por
uma loba, à os animais tutelares de Odin e Apolo, vemos a criatura tanto como sagrada como
terrível. No Ragnarok, o Temível Lobo Fenrir irá engolir o Sol...

Berserkers são guerreiros lendários e temidos. Como seus correlatos celtas, famosos pela ferocidade
em combate e por sua misteriosa ligação com o Lobo. Segundo certas fontes, seu poder de se
metamorfosear num...

Literalmente, Berserker significa 'guerreiros com camisa de urso'. Mas, nas fontes que chegaram até
nós, eram peles de lobos que os guerreiros vestiam. Canta o poema 'Hrafnsmál':

Casacos-de-lobo eles são chamados, aqueles que portam espadas

Manchadas com sangue na batalha.

Eles avermelham lanças quando vem à matança,

Agindo juntos como um.

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Falando sobre eles, escreveu Tácito espantado:

"Eles pintam seus escudos e corpos de negro, e escolhem noites escuras para suas batalhas. A
horripilante sombra de tal exército diabólico inspira um pânico mortal, pois nenhum inimigo pode
resistir a uma visão tão estranha e demoníaca".

Como o lobisomem de nossas lendas modernas, os Berserker eram associados às trevas e à noite,
quando agiam poderes mágicos e terríveis. Quando os homens temiam que o Sol jamais retornasse.
Tais guerreiros encarnavam esses temores profundos, atávicos.

O 'Ynglingasaga' (saga dos Ingligos de Snorri Sturluson, compilador dos Eddas) fala sobre eles:

"Eles seguiram sem escudos, e eram loucos como cães ou lobos, e mordiam seus escudos, e eram
fortes como ursos ou touros; homens eles matavam, e nem fogo ou aço podia detê-los; e a isso se
chamava a fúria do berserker"

A ação dos Berserker era mais do que uma tática para aterrorizar inimigos. Uma vez vestidos com
suas peles, se comunicavam por uivos. E podiam compreender uns aos outros.

Odin era um metamorfo. Patrono dos Berserker.

Um conceito nórdico que explica essa atitude e as mutações desses guerreiros é chamada hamingja.
Não tenho espaço para explica-lo aqui, mas trata-se de um espírito ligado aos indivíduos em seu
nascimento. Uma de suas almas. Essa entidade era um 'revestimento' (hamr) e homens comuns
possuíam apenas uma. Mas, alguns homens excepcionais podiam agregar uma outra. Esse processo
(ham-heypla) era uma transformação de sua aparência externa. Os Berserker eram chamados 'eigi
einhamr', um homem perfeito que 'não era de um único hamr'.

Isso significava que esses guerreiros possuíam duas almas. Humana e de lobo. Por meios de técnicas
e treinamento, com a força de Odin, ele podia transitar entre elas. Mas haviam riscos. A natureza do
lobo podia fugir ao controle. Nesse caso, a pele deveria ser arrancada e queimada, como atestam
certos episódios na literatura. O vestir a pele de um lobo era o estágio final de um processo iniciatico
no qual o guerreiro assumia esse espírito e se fundia à ele.

Filhos do Sol devem aprender também o caminho da Lua. Devem incorporar a Fera Sagrada e
combater àqueles que profanam o Corpo de Nut, fortalecidos com os poderes da Lua. Respeitando
os deuses e não desafiando-os (como o rei Lycaon fez, oferecendo carne humana à Zeus para testar
sua divindade e foi amaldiçoado transformado numa fera, num lobo), adquirem o poder de vestir-se
com essa Besta Sagrada. Com sua força, sua fúria. E despedaçam seus inimigos.

Filhos do Sol refletem suas faces na Lua e montam suas feras para dizimar vampiros.

52.

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

HALLOWEEN.
(31/10/2017)

A palavra Halloween vem do termo


escocês All Hallows' Eve, que significa:
véspera do Dia de Todos os Santos. Ou
seja, trata-se de um feriado pagão
cristianizado. Não vou negar essa ligação.
Pelo contrário, vou assumi-la. Mas não
agora.

Com origem na celebração celta do


Samhain, o feriado era conhecido como o
tempo em que (lá vem o clichê) 'as
paredes entre os mundos estavam mais
frágeis' ou o véu entre eles como
preferem os neopagãos. Mitologicamente,
era o tempo em que os AO Sí ou 'Povo das
Fadas' e os espíritos dos mortos podiam
viajar entre o mundo deles e o nosso. Era
o começo do inverno no hemisfério Norte,
por isso mesmo, um período perigoso, a
'metade escura do ano' onde a
sobrevivência estava ameaçada de muitos
modos.

A famosa abóbora enfeitada e acessa é chamada de Jack O' Lantern ou 'Jack da Lanterna'.
Seja qual for a versão de seu conto que se escolha, trata-se de um homem que, na tentativa
de burlar a morte, faz um pacto com o diabo, mas acaba por conseguir ludibriar o demônio.
Por ser um homem mau, quando finalmente a morte chega, ele não pode ir ao Céu e,
proibido de descer ao inferno (conforme sua aposta com o diabo) é condenado a vagar
eternamente pela Terra. A chama acessa em sua cabeça, que também nunca se apaga, foi
extraída do próprio Hades e colocado para arder para sempre sobre ele.

Curiosamente, o Jack da Lanterna não é uma figura maligna. Trata-se de um protetor. Sua luz
reproduzida nas janelas e varandas, sobretudo nos EUA, afasta os maus espíritos e vampiros.

Antes do Jack da Lanterna, uma outra lenda completa essa figura tenebrosa: o Cavaleiro Sem
Cabeça ou 'Gan Cean'. Também chamado na Irlanda de Durahan ou Dullahan.

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Cavalgando um cavalo negro fantasmagórico, segurando a própria cabeça com um sorriso


aterrador e uma luz sobrenatural emanando dela. Estalando um chicote feito de uma coluna
vertebral humana, Durahan é a manifestação de um obscuro Deus celta (Crom Dubh) que foi
adorado antes do advento do Cristianismo com sacrifícios humanos anuais, geralmente por
decapitação. Conta a lenda que, proibido de alimentar-se das vidas que lhe deveriam ser
entregues, o próprio Deus tomou forma em busca das almas que lhe cabiam. Por isso foi
chamado de 'Far Dorocha' ou 'Homem Negro'. A própria morte personificada.

Onde ficamos então?

Comecei com Jack O' Lantern porque a chama infernal precisa estar acessa para nos guardar
contra os poderes que caminham pelo mundo nessa noite. Embora no Hemisfério Sul esses
poderes sejam menos atuantes (não existe globalização entre os deuses) podemos contar, e
não apenas hoje, com o auxílio dessa entidade para nos defender dos inimigos invisíveis que
caminham e envenenam nossa vida humana.

Dados da violência no Brasil hoje apontam o assustador número de 61 mil mortos em 2016.
Esse número apavorante mostra que algo está errado. Que o profundo desequilíbrio de
pessoas que se julgam 'trabalhadoras e solidárias' nos coloca num cenário de guerra civil. As
coisas vão mal. Mais do que medidas para combater a violência ou educação. Precisamos
reparar o abismo entre nossos e esses poderes terríveis que, negados estão devorando
nossa mente e nos levando a destruir uns aos outros.

Que a Luz sombria do Jack O'Lantern possa proteger você e sua família dos inimigos visíveis
e invisíveis.

52.

HALLOWEEN PARTE II - O SHABATH DAS BRUXAS.


(31/10/2017)

As lendas medievais falavam de mulheres que ocultas nas florestas e bosques invocavam
Satanás que surgia com aspecto de um temível Bode Preto. Após uma prova de fidelidade
das bruxas ali reunidas (por meio do 'Osculum Infame'. Jaja explico) uma orgia acontecia e
até crianças podiam ser geradas. Bem, parece um absurdo de camponeses tarados e carolas,
impossível de ser levado a sério nos dias de hoje. Mas, observando com atenção os
elementos descritos de maneira capenga, poderemos discernir alguns elementos
interessantes. Vamos a eles:

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

1) O Bode foi associado ao Diabo


lentamente. No Antigo Testamento, era
um Bode que seria banido do
acampamento dos judeus no Dia da
Expiação, carregado com os pecados da
congregação. No Novo Testamento, ao
menos uma vez, os perdidos são
chamados de bodes, como símbolo de que
eles carregam seus pecados e não Cristo
por eles. Não muito diferente de hoje, o
'Diabo' ainda carrega a culpa pelos
pecados dos cristãos.

2) Pã, o sexual Deus Grego, não coube nas


figuras dos Santos católicos. Sem
correspondente, foi inserido dentro da
mitologia cristã como Satanás. Na Idade
Média, o Diabo era pintado como Pã com
asas (ou como Raul Seixas) o que indica
que a descrição dos Shabath poderia
incluir algum culto secreto ao Deus Pã que
tinha nas bruxas às ninfas que copulavam
com a divindade para fertilizar a Terra.

3) Judeus eram comparados a Bodes. Vestiam preto, usavam barba e eram demonizados
pela Igreja. O que agora ficou estranho...

4) Como mencionei em meu post sobre a Era do Dia, podemos observar a importância que
tinha o ciclo anual do Sol, questão de sobrevivência para eles. Como tratei no post anterior,
à medida que o ano prosseguia dentro do ciclo das estações indo em direção à 'metade mais
escura', os dias ficavam mais curtos. Esse declínio acontecia justamente quando o Sol estava
sobre a constelação de Capricórnio, dando à Igreja mais um motivo (como também
pensavam os povos pagãos) para associar o animal ao Diabo. Apenas como exemplo,
podemos observar que ascensão do Sol se dava sobre o signo de Áries, daí Cristo estar
conectado ao Cordeiro.

5) O Osculum Infame. Então, esse nome bonito queria dizer que as bruxas beijavam a bunda
do Diabo. É. É isso. Bom, muita gente especulou sobre isso, outros apenas riram. Um termo
que explica bem o que poderia acontecer nesse ritual é outra frase bonita em latim: 'Diabus
et Deus inversus'. Ou seja: o Diabo é Deus inverso. Talvez, aquelas mulheres, que eram
também cristãs, estivessem ali, sem nenhuma intenção de blasfemar, descobrindo onde

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Mestre Aleph Rofer Faëry

Deus também estava. Afinal, DOIS Bodes eram oferecidos no Dia da Expiação. E,
teologicamente, um deles era Cristo. Ou talvez os dois...

Resumo: Bruxas são legais. Beijavam a bunda do Diabo que era um judeu, que era Pã, que
era o inverso de Deus, que era uma das Casas do Sol no Samhain...

DIAMETRIC.

HALLOWEEN - PARTE III.


(31/10/2017)

Túneis do período neolítico na Irlanda


alinhavam-se ao movimento do Sol de
modo que a Terra recebia em seu 'útero'
os raios fertilizantes do astro rei.
Sincronizados com o ciclo solar nos
feriados de Imbolc (começo do começo
do ano para os Filhos do Sol) e no
Samhain, precursor dos dias das bruxas ou
Halloween.

O Samhain é chamado de 'Dia das Bruxas'


por conta dos abundantes relatos na
mitologia celta e a persistência entre os
pagãos em celebra-lo mesmo após a
cristianização. Mais tarde a Igreja, no
melhor estilo do 'se não pode vencê-los,
junte-se a eles' irá associar o Dia de Todos
os Santos e a Festa dos Fiéis Defuntos (Dia
de Finados) ao festival criando uma tríade
interessante. Tema do último post dessa
série.

Bem, pensei em escrever um texto gigantesco sobre as citações do Samhain na mitologia


celta, seu papel como uma festa ambígua onde os mortos poderiam visitar seus entes
queridos e o perigo que isso representava. Mas vou deixar esse estudo para outra ocasião e
para meus blogs que estão carentes de novas postagens. Seguirei um caminho mais leve por
aqui...

Para os celtas vivendo numa sociedade agrícola, a morte era uma realidade incontestável.
Muitos animais seriam mortos para vestir e alimentar, enquanto outros apenas não

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

resistiram ao inferno rigoroso. Os poderes destrutivos da natureza eram evidentes e


deveriam não ser 'aceitos ou negados'. Eram apenas a realidade.

Vivemos num país de matriz Cultural cristã, tropical, onde o Samhain não faz sentido do seu
ponto de vista mais elementar; relação com a natureza em toda sua crueza. Mesmo na
Europa, os avanços de nossa sociedade concedem charme e segurança na estação onde a
natureza morre. Mas ainda estão mais próximos do Espírito desse Dia, tanto por herança
ancestral como pelo testemunho da terra que os cerca, da neve abundante, das árvores
despidas como se Caileach ainda caminhasse por entre eles. Não podemos tocar essa data.
Não da mesma maneira que eles.

Como 'cristãos culturais' (desculpe por isso, mas é a mais pura verdade) somos paranóicos
com a morte. Tememos morrer, que nossas coisas e relações morram. Desejamos emoldurar
a vida num quadro eterno. Não compreendemos os ciclos porque a escatologia cristã é isso
mesmo; um 'scaton' ou grande desfecho. A história parece seguir uma linha reta onde todo
final de ano é um apocalipse e esperamos para o próximo toda sorte e felicidade. Não
parecemos perceber que o inverno voltará, a natureza se recolherá, a morte se aproximará.
Pagãos celtas e nórdicos acreditavam que o homem renascia como a Terra. Ressurgia entre
seus familiares. Os egípcios, cercados de deserto e areia, viam esse renascimento não da
Terra mas do Sol. Era o Faraó que possuiria vida eterna, alguns mais abastados para garantir
a mumificação, talvez. De qualquer modo, recriar o corpo num 'corpo de luz' era crucial.
Ressuscitar. No Brasil tropical e de vasta flora (na maior parte do território nacional) herdar
a fé do deserto dos hebreus/cristãos nos fez e faz muito mal.

Por isso, e pela maneira que recebemos a Festa do Halloween, não temos medo. Chegando
ao Brasil por meio de escolas de inglês, o Samhain sempre foi para nós não mais do que uma
brincadeira. Uma oportunidade de fantasiar-se e fingir ser outro alguém, um zumbi,
demônio ou vampiro. Sabem os deuses que meu coração não aguenta tanta mulher linda
nessa época!

Acredito que aqui resida, justamente, onde podemos fazer do Halloween, do Samhain, uma
data mística. Podemos, como os túneis mencionados no início do post, restabelecer nossa
conexão com a natureza justamente por não ter medo dessa data.

Cristãos são maniqueístas. Ponto. Nada pode ser dito em defesa deles nesse quesito. Mas no
Halloween, o mal não parece tão mal assim. A morte e seus símbolos, a necessária escuridão
e frio, não parecem ameaçadores. Ao contrário: são benéficos e divertidos. Como falei
agora, meninas e mulheres se tornam lindas vampiras e sensuais demônios. E tudo bem.

Para nós, latino-americanos sem cheiro e nem sabor (como brincava Raul) os espíritos
libertados nesse dia podem ensinar, divertir, curar. Podemos nessa data enxergar 'além do
véu' e penetrar sem medo o reverso da natureza onde há morte e putrefação e sorrir
sabendo que se trata apenas do movimento natural da existência; seu pulsar e respirar. Do

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Mestre Aleph Rofer Faëry

qual não estamos separados mesmo com a cara colada em IPhones, Smartphones e
atualizando o status do Facebook.

Essa noite, irei me reunir com meus ancestrais e celebrar a vida comum à todos nós. Aqui
em São Paulo, um dia nublado e frio não deixa esquecer quem são nossos visitantes. Que
eles nos ensinem então.

52.

HALLOWEEN - PARTE IV.


(31/10/2017)

A Festa de Todos os Santos (Festum


Omnium Sanctorum) celebrada no 1 de
novembro tem uma estreita conexão com
o Samhain. Na verdade, a palavra
'Halloween' é uma contração da expressão
escocesa All Hallows Eve, como mencionei
no primeiro post. 'Hallows' significa Santo.

Desde o século dois, os cristãos já


comemoravam seus mártires e pediam
sua intercessão como atestam catacumbas
romanas dessa data. A Enciclopédia
Católica define a data como um dia para
honrar todos os Santos, conhecidos e
desconhecidos. Ao contrário dos
evangélicos que vêem o diabo até na
própria sombra, Luteranos também
celebram seu mortos nessa data. O DIA
tem o mesmo significado para Ortodoxos.

Em 13 de maio de 609 (ou 610) a comemoração teve início com a dedicação do Panteão
(templo romano dedicado à todos os deuses) pelo Papa Bonifácio IV à 'Maria e todos os
santos'. Embora a intenção aqui seja catequética, não devemos pensar em apropriação.
Estavam os deuses voluntariamente se unindo e adequando às energias daquela Nova
(agora velha) Era. Muitos Santos da Igreja são apenas deuses em nova roupagem e estou
escrevendo um livro sobre esse processo. Aguardem!

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

Por ordem do Papa Gregorio III, a Festa foi transferida para o dia 1 de novembro, justamente
para fazer frente ao Samhain. Em 835, o Papa Gregorio IV finalmente a declarou festividade
universal da Cristandade.

Já o Dia de Finados era celebrado desde o século V mas se tornou oficial apenas no Século
XIII. Nesse dia, a Igreja oferece orações às almas no Purgatório para que as tais alcancem a
Bem-aventurança. Tanto na Europa como no Brasil, muitas práticas pagãs do Samhain se
uniram à festividade de maneira irreparável.

Falei sobre uma 'tríade' de dias santos em posts passados. Pois bem: o Samhain (celebração
e encontro com os mortos pagãos), o Dia de Todos os Santos (festa em honra aos que estão
unidos à Deus nos céus) e o Dia de Finados (os 'habitantes' do Purgatório que estão entre
pagãos e santos).

Nesses dias, não estamos diante de festas religiosas ou diversão apenas. Uma forte energia
nos trespassa e envolve. Não apenasos mistérios da Morte e do Renascimento. Mas os
Mistérios do Tempo. Nesses três dias, as portas se abrem para todos os Aeons, e podemos
nos comunicar, comungar, antever.

Espero que você aproveite esses dias como muito mais do que descanso e feriado. Espero
que cada um dos meus leitores possa transitar entre as portas da Vida e da Morte e
descobrir que 'Diabus et Deus inversus' como também morrer é reverso de viver. E
chegamos sempre no mesmo lugar. Na mesma Fonte de onde tudo emanou e para onde
tudo retorna.

Ah, antes que me esqueça: quando tiver tempo releia essas postagens, começando por
'Entrando na Era do Dia'. Mas leia com atenção. Acredito que achará pelo menos curioso o
que perceberá.

Ótimo 'Feriado da Tríade' para todos!

E um trevoso e divertido Halloween!

52.

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Mestre Aleph Rofer Faëry

CÍRCULO DA LUA.
(20/12/2017)

O Caminho Justo e Perfeito entre as Colunas exige que homens e mulheres percebam
os Mistérios que carregam em seus corpos, em seu sangue.

A mulher empunha a Espada, o homem aspira o Graal. Os mistérios do Homem são


aqueles do Sol e dos planetas. Os da Mulher são os da Lua e dos ciclos da Terra.

O Caminho da Theosis se estende por Três Vias em direção ao Centro. O Círculo da


Lua é um deles.

O Círculo da Lua é uma espiral de oito giros. Em cada um deles, por meio do desvelar
dos mistérios da Terra, das estações, da Vida e da morte, mulheres decididas a fazer
de seus corpos Templos Santos cuja extensão será o Infinito descobrem seus
poderes, transcendem seus limites, entendem que tudo que nelas parece fora de
lugar são apenas Cascas da Deusa que mora em seu interior e inspira sua Vontade.

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Mestre Aleph Rofer Faëry

A mulher experimenta o Infinito na horizontalidade. Ela abraça a Grande Deusa e


gera o Grande Rei. Em tudo isso estão impressos arcanos de infinita sabedoria. Seu
Corpo unifica as múltiplas forças e dualidades num sistema perfeito e equilibrado
como a Natureza que nos cerca.

O Sagrado Feminino é o Mistério das Bruxas. A Mulher possui sempre em si a fagulha


sagrada dos poderes ancestrais, pagãos. Ela comunga com os deuses dos bosques e
da Vida. Atravessar os Círculos Mágicos que a própria Natureza construiu é sua tarefa
sublime. Seu destino.

Na Entrada do Grande Templo do Corpo de Gaia, existem quatro Grandes Portões. As


quatro estações e os quatro movimentos da Lua escondem as chaves que podem
curar os corpos, revelar segredos. O Caminho da Theosis não pertence apenas
aquelas mulheres que decidiram fazer de suas vidas uma odisséia Santa, que
escolheram adentrar a Ordem de Maria Madalena e tornar-se o Santo Cálice.
Pertence à humanidade. Por isso, abre as portas da comunhão universal para que
toda mulher, em toda parte do mundo, possa celebrar seu mistério e comungar de si
mesma. Nisso consiste o verdadeiro empoderamento e libertação do Feminino das
algemas colocadas hoje até mesmo por outras mulheres.

Ao lado deste, a Ordem do Dragão atua como escola dos Guerreiros da Grande
Fraternidade Dourada. Sob o Pilar da Misericórdia, homens de Boa Vontade se
assentam em torno da Torah e juram dedicar-se ao Culto Santo por meio de Suas
Letras.

Assim, o Caminho da Theosis completa os Três Pilares da Existência. E se faz apto à


unir os planos enquanto convida à todos, homens e mulheres, para voltar à Si e
permitir-se enxertar na Grande Árvore das Vidas.

Venham!

Namastê.

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Mestre Aleph Rofer Faëry

IMBOLC, BRIGID E OS FILHOS DO SOL.


(02/02/2018)

Desde o início de meu trabalho como Mestre e também escritor, dediquei minha
devoção a uma Deusa de modo especial: Brigid, Filha de Dagda, o Bom Deus, minha
tutora pessoal. Essa Deusa, senhora da chama sagrada da poesia, da forja e das
poções curadoras é ainda celebrada entre os cristãos como Santa Brígida da Irlanda
no dia 01 de fevereiro. Nas reuniões coletivas, celebrávamos sua força numa
cerimônia eucarística onde consumíamos as ‘maças do Outro Mundo’ de modo a
receber sua inspiração, saúde, força espiritual e forjar nossos espíritos.

Para os cristãos, o dia de hoje tem também um significado muito especial. Dois de
fevereiro é a ‘Festa da Purificação da Virgem Maria’ ou ‘Candlemas’. A ‘festa das
velas’ é das mais antigas da História da Igreja e corresponde à celebração de Imbolc,
diretamente conectada à Deusa Brigid. Por isso mesmo, considerada por nós como
início do ciclo de mudança que se irá consumar em 11 de fevereiro. Mas é hoje que

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五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

‘todas as velas devem ser feitas e consagradas’ de modo a iluminar nossas mentes
durante todo o ano que se inicia.

Imbolc é a vitória da Luz sobre a Escuridão. Na Irlanda, aldeões pediam que a Deusa
entrasse em suas casas e até mesmo lhe preparavam um leito e uma ceia.
Atualmente, com o Reconstrucionismo Celta, o antigo costume de visitar poços e
lançar moedas pedindo sorte e fertilidade volta a ser praticado na Irlanda.

Brigid porta o Sopro Inspirador que recebeu de seu pai: o Awen. Podemos pensar
nessa força iluminadora como o combustível para a iluminação. Por isso, os mitos não
mostram a Deusa atuando como uma ferreira, mas inspirando à obra destes e até
mesmo como mãe de um. O Deus Ruada.

O festival anterior ou “Samhain” o famoso ‘Dia das Bruxas’, era regido pela Deusa
feiticeira Cailleach, Senhora do Inverno, aterrorizante e gigantesca. Na Grã-Bretanha,
a crença difundida é de que a propria Bruxa viaja para Avalon em 31 de janeiro e se
alimenta da ‘árvore da vida’, rejuvenescendo para trazer a ressurreição da natureza
na Primavera. Outros mitos falam de Brigid aprisionada por Cailleach até o Imbolc,
onde seria libertada. Outras versões ainda falavam da ação do Deus da Poesia, Angus
Mac Og, senhor da harpa dourada, libertando a Deusa das terras invernais.

Seja como for, esse dia é marcado pelo renascimento. Aquilo que esteve morto no
inverno (no hemisfério norte) está ressucitando na Primavera. A força antes
destruidora se transforma e força vital ou esta se liberta daquela.

Receber a Deusa Brigid, acender as velas de nossa consciência na chama de sua


virtude, é ver renascer aquelas coisas que para sempre julgavamos mortas.

Experimente!

AWEN.

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TUATHA DE DANNAN E A ORIGEM DAS FADAS


(03/02/2018)

Em Romeu e Julieta, o monumental poeta Willian Shakespeare chamou a Rainha das


Fadas de ‘Mab’, fazendo desse o nome definitivo na literatura posterior dessa
enigmática figura da mitologia irlandesa. No Norte da Inglaterra e na Escócia, ela era
a temida Rainha Elphane e seu nome foi invocado no julgamento de muitas bruxas.

Quando uso o termo ‘mitologia’ não pretendo utilizar o mesmo de modo depreciativo
como fizeram os apologistas e catequistas cristãos, como em oposição a Teologia. Ao
contrário, penso que essas criaturas, objeto de crença e experiências místicas até os
dias de hoje, devem ser objeto de estudo e seus adoradores precisam se esforçar
para esclarecer seus mitos e atuações com as mesmas uteis ferramentas da corrente
teológica oficial. O mito, embora ‘meta-história’ não deve ser lido como ‘estória’, mas

ヴァリスの目の前で
五十二
Mestre Aleph Rofer Faëry

reconhecido como modo de apreender a verdade num outro nível de consciência


além da linearidade de nossas percepções do tempo/espaço.

Muitas teorias da origem das Fadas ou do ‘Povo Pequeno’ foram propostas por
cristãos, todas elas pejorativas. Embora todos os mitos descrevam essas criaturas
mágicas como ‘perigosas’ no sentido de imprevisíveis, não devemos pensar nestas
como malignas de modo algum. Estamos olhando para entidades que habitam outros
planos e dimensões onde nossos valores morais podem simplesmente inexistir.

Os Tuatha De Dannan são a mais provável origem para essas misteriosas criaturas.
Segundo textos antigos (como o Lebor Gábala Érenn, a História das Invasões da
Irlanda), eles chegaram em nuvens escuras, oriundos de quatro terras longínquas
(Falias, Gorias, Murias e Finias) de onde trouxeram artefatos de poder sobrenatural e
aprenderam as artes da magia antiga. Uma vez nas terras irlandesas, entraram em
conflito com os Fomorianos, detentores dos poderes destrutivos da natureza em
oposição aos De Dannan.

Após muitos combates e aventuras, os Tuatha De Dannan finalmente são superados


pelos Milesianos e fazem um acordo: irão se retirar para o ‘Outro Mundo’ (Tir Na No
Og, Terra da Eterna Juventude) e irão se tornar os ‘ancestrais míticos e místicos’ dos
seres humanos. A partir de então, as colinas e ‘anéis de fada’ (círculos de cogumelos
formados naturalmente) serão sua habitação e portais para seus mundos que devem
ser respeitados. A prosperidade dos seres humanos será garantida por sua devoção a
esses habitantes de outros planos.

Ao longo dos muitos registros mitológicos irlandeses, muitos heróis e até mesmo
santos penetram nessas terras escondidas. Nesse plano longínquo estão lugares
como a Ilha de Avalon e a ainda mais misteriosa Hy Brasil, conectada recentemente
ao fenômeno dos OVNIS numa interessante história que narrarei aqui em breve.

As paredes entre os mundos estão se tornando menos espessas. As Fadas, sua Rainha
e os Tuatha De Dannan chamam desde épocas imemoriais, de onde o tempo não
existe e a magia é real. Oferecem segredos da vida e da morte por meio da pena e da
voz de poetas e Druidas que ainda escutam seus versos em seus corações.

AWEN.

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Mestre Aleph Rofer Faëry

A MULHER NA TORRE.
(04/02/2018)

O Arcano 16 do Tarô é chamado por muitos de ‘A Casa de Deus’. Outros o conhecem


apenas como ‘A Torre’. Um raio descendo do céu quebra o alto de uma torre e duas
pessoas despencam dali. Sua iconografia destaca o orgulho e remonta a Torre de
Babel, erigida pelo orgulho dos homens e fulminada por Deus.

Evidente que os símbolos têm muitas camadas de compreensão e revelação ou


sentido. Uma das formas de compreender o Tarô é a revelação da Deusa aprisionada.

A Torre de Babel é também a ‘confusão das línguas’ e subsequente separação dos


povos, análoga ao Exílio dos Israelitas depois da destruição do Templo onde a Face
Feminina de Deus, a Shekinah, habitava. A Torre fulminada por uma chama de muitas
cores (muitas línguas) no Tarô de Marselha lembra a descida do Espírito. A Grande

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Mestre Aleph Rofer Faëry

Deusa que era uma foi ‘dividida’ e espalhada entre os povos, escondida em muitas
línguas e cultos.

Levaria muito mais do que um post breve para tratar das muitas Deusas ou princesas
exiladas ou presas em torres. Significativo também é o fato da hoje famosa Maria
Madalena receber seu título de ‘Migdol’ ou Torre. Maria da Torre. Além desse, outros
três exemplos poderão ilustrar minha intenção nessa postagem.

O primeiro deles é Guinevere, esposa do famoso Rei Arthur da Távola Redonda. A


primeira menção a Rainha é feita em ‘Historia Regum Britanniae’ escrita por volta de
1136. Interessante notar que Arthur foi Rei na Grã-Bretanha que recebeu esse título
da Deusa Brigantia, uma outra face da Deusa Brigid.

Guinevere foi sequestrada pelo rei Maleagant (Melwas em outras fontes), senhor do
‘Outro Mundo’ e ‘Rei do Verão’. Aprisionada em uma torre, Arthur procurou por ela
por um ano inteiro. Interessante que o nome ‘Guinevere’ significa muito
provavelmente ‘Fantasma Branco’ o que a relaciona com Cailleach. Em antigas lendas
escocesas, a Bruxa do Inverno convida cavaleiros a se deitarem com ela enquanto em
sua aparência aterradora, metamorfoseando-se numa linda mulher (para alguns, na
Deusa Dana) apenas para os que a aceitam.

O mito de Cailleach mantendo Brigid prisioneira durante o inverno é aqui revertido,


sinalizando que, embora rigoroso na Europa, a estação da neve e da morte deveria
ser mantido em equilíbrio. Essas forças cooperavam para que as estações se
sucedessem perfeitamente. Quanto do abandono das antigas crenças pode ser
culpado pelo desequilíbrio climático dos dias atuais? As histórias de seu adultério
com Lancelot devem ser descartadas, afinal, o próprio cavaleiro perfeito pode ser
visto como um outro aspecto do Rei Arthur. Digno de nota ainda é o mito de seu
sequestro por Mordred, filho/sobrinho do Rei Arthur. Em algumas versões, Guinevere
se refugiou na Torre de Londres para escapar as investidas do vilão. Arthur o enfrenta
e mata, mas mortalmente ferido, é levado para Avalon de onde irá voltar um dia. Na
obra galesa ‘Trioedd Ynys Prydein’ Guinevere é descrita como três mulheres ou irmãs.
Brigid também é uma Deusa Triplíce.

Na mitologia irlandesa, temos o gigante Balor ‘do olho venenoso’ ou destrutivo que,
após uma profecia, tranca sua filha única (Ethniu) no alto de uma torre na ilha de
Tory de modo a evitar o nascimento de seu neto. Por conta de um ardil orquestrado

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pela Druidesa Bírog e o Deus marinho Mannánn, Cian, inimigo de Balor, consegue
acesso a Torre e faz sexo com a jovem gerando três crianças. Balor afoga dois deles,
mas um é salvo da morte por Mannánn. Esse é o talentoso Deus Lugh que mais tarde,
como Davi matando Golias, irá furar o olho de Balor com uma funda e se tornar rei
dos Tuatha De Dannan. Lugh é retratado como Deus de três rostos em artes antigas
encontradas na Irlanda.

Por fim, temos Danae, por quem Zeus se apaixonou, isolada numa torre de bronze
por seu pai Acrisius que também temia uma profecia de que seu neto o mataria. A
torre aberta no alto não deteve Zeus que, na forma de uma chuva dourada, banhou
Danae e a impregnou. Nasceria Perseu, um dos mais renomados heróis da mitologia
grega, assassino da Gorgona, marido de Andrômeda, protetor de sua mãe, Rei
honrado de Argos.

Podemos ver que o padrão se repete: uma profecia ou um rei destinado (no caso de
Arthur), uma mulher aprisionada por um pai ou rei, intervenção sobrenatural,
nascimento de um herói ou vitória deste sobre as forças do caos.

Na lenda de Arthur, seu confronto com Melwas aconteceu em Glastonbury;


Inglaterra. Ali, sua rainha foi feita prisioneira e hoje podemos ver uma torre quase em
ruínas: a igreja de São Miguel ou a ‘Tor de Glastonbury’. Na Abadia construída na
mesma região, contam outras lendas, José de Arimatéia levou o Santo Graal, sessenta
e cinco anos após a morte de Jesus. O mesmo Graal que, nos Ciclos Arturianos,
conserva a vida e juventude do Rei até seu retorno.

A Torre foi partida enquanto uma outra está sendo reconstruída. A Mulher na Torre,
a Deusa portadora do Graal e da Semente Sagrada, espera ali seu Rei e Deus para dar
à luz uma nova Era de Deuses, Cavaleiros e Heróis.

AWEN.

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A GRANDE DEUSA.
(05/02/2018)

A maioria dos estudiosos da antiga mitologia celta não acredita na existência de uma muito
popular (entre neopagãos) Deusa. Afirmam que ela não aparece em nenhum mito ou fonte
antiga e pensam que ela seja uma
deidade moderna nascida de alguns equívocos além das próprias fontes. Falo sobre Dana ou
Danann.

Alguns pensam que a confusão tenha emergido a partir da interpretação do título dos
primeiros habitantes da Irlanda; os Tuatha De Dannan. A interpretação do título ‘De Dannan’
como sendo ‘De Danu’ ou Dana pode ter gerado a ‘confusão’.

Por outro lado, afirma-se que, os monges que compilaram os mitos galeses passaram
chamavam esses deuses de ‘Tuatha Dé’ em seus primeiros escritos, mudando mais tarde a
grafia para não confundir os tais com os israelitas (Dé- Deus, deuses). Mas as sugestões não
param por aí. Diversos estudiosos alegam ainda que o nome Dana (Dannan) seria uma
confusão com a palavra ‘dán’ (habilidade) como o nome de uma outra Deusa: Anann ou Anu.
Ainda outros fazem paralelos com o proto-celta Don (terra) ou mesmo com a Deusa hindu
homônima; Danu.

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O Bispo, Santo e guerreiro Cormac Mac Cuilennáin, falando sobre a Deusa Anu a chamou de
‘mãe dos Deuses’, alegando que ela ‘os alimentou’.
Tudo sobre o que discorri acima é a opinião dos antropólogos e estudiosos e se encaixa no
que chamo de ‘teologia politeísta’. Trata-se da investigação científica das formas de culto e
da reconstrução da mesma, de modo que as perguntas sobre determinada deidade possam
ser respondidas de modo adequado. Claro, nenhuma teologia, no entanto, estará completa
sem a mística, a ritualística e a experiência. Falarei desse ponto a partir daqui.

Eu cultuo a Deusa Danna ou Anann. Ensino sobre ela e seus ‘mitos’ ainda que eles não sejam
explícitos nas fontes deixadas pelos escribas.

Ela é a ‘bela mulher’ em quem Cailleach se transforma ao ser beijada por um herói capaz de
enxergar além das aparências. Ela é Brigid das três faces e também Morrigan no campo de
batalha.

Ela é Mãe dos Deuses e também o seio onde eles se ocultam dos olhos humanos.

Ela é a Beleza perfeita, a Maternidade sublime, a fertilidade e também o Terror.

Ela é a Educadora dos Deuses e o poder de sua magia. Ela é ‘dán’, sua habilidade, ela
também é ‘Don’, terra que todos a alimenta, pune, acolhe.

Dannan é a Mãe Divina Anann. Ela é a Divindade de todas as Deusas e de todos os Deuses.
Ela é a própria Terra em seu aspecto mais sagrado e sublime. Seus pensamentos e
expressões são cada Deus, nocivo ou benéfico. Louvar a Grande Deusa Dana é reverenciar a
própria essência da divindade, o poder mágico da natureza que flui dos Deuses para cada um
de nós.

Em resumo: não estão errados os estudiosos. Não existem lendas ou mitos sobre a Deusa
Dana. Os mitos SÃO a própria Deusa. São a linguagem da Terra, comunicando sonhos e
mistérios ao coração dos homens. As arvores e rochas são seus ossos, os rios são seu
sangue, grutas e cavernas seu útero.

Estamos imersos completamente nela, sonhamos seus sonhos e na morte retornamos


completamente para ela.
De fato, não existe uma Deusa Dana. Tudo aquilo que merece ser chamado Deus ou divino é
que deve a ela seu ser e dignidade.

AWEN.

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OS QUATRO TESOUROS DOS TUATHA DE DANNAN.


(06/02/2018)

Toda mudança realizada por intenção é


um ato magico. Ou seja, quando
dizemos que um determinado lugar,
rito ou objeto é magico estamos
abordando seu poder de libertar e
direcionar nossa vontade de realização
e transformação.

Segundo a mitologia celta, os Tuatha


De Dannan chegaram à Irlanda
trazendo Quatro Tesouros Mágicos
desde quatro terras ao Norte da
Europa. Falarei brevemente sobre a
origem e propriedade de cada um
deles.

Lia Fàil ou Pedra do Destino:

Construída pelo Druida Fessus na cidade de Falias, essa pedra gritava ou gemia
quando o verdadeiro Rei da Irlanda estava sobre ela. Minha postagem anterior sobre
a Grande Deusa dará alguma ideia do simbolismo por detrás dessa rocha.

Espada de Nuada:

Obra do Druida Uscias na cidade de Findias. Tirada da bainha, a espada era sempre
certeira e mortal. O espírito do Iniciado que precisa ser sempre certeiro e infalível,
Vontade Verdadeira manifestada.

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Lança de Lugh:

Criada pelo Druida Esras na cidade de Gorias. A Lança do poderoso Deus Lugh era
garantia de vitória mesmo sem ser empunhada. Durante as batalhas, gritava (como a
Pedra) para ser solta e nunca cessava de matar seus oponentes. Como a Espada de
Nuada, era sempre certeira. Outro aspecto da Vontade, aqui o místico/sexual.

Caldeirão do Dagda:

Feito pelo druida Semias em Murias, o Caldeirão de Dagda tinha o poder de produzir
alimentos infinitos para os realmente dignos, bem como podia ressuscitar os mortos.
É o famoso ‘caldeirão das bruxas’ onde mistérios são fervidos e protótipo (ou parte)
do Santo Graal.

Tanto no Círculo da Lua como na Ordem do Dragão, as viagens astrais emulam a


jornada dos heróis celta (Immram) em busca desses tesouros e do poder que
possuem. Internalizar essas forças e experimentar sua realidade é o segredo para
alcançar o verdadeiro poder e sabedoria.

Alguns me perguntam se acredito na existência literal dos Tesouros. Essa é uma


pergunta complexa. Se por literal as pessoas que perguntam querem dizer ‘real’,
preciso responder SIM. As realidades espirituais são mais intensas e definidoras do
que as ‘literalidades’ do nosso dia a dia. Mas, geralmente, as pessoas que perguntam
querem saber se acredito que os tais possam ser tocados, se existem em nosso
mundo.

De certo ponto de vista, esses Tesouros existem entre esse e o ‘Outro Mundo’ onde
penetra o Iniciado a fim de adquirir Poder e, um dia, revigorar a própria Realidade
injetando nela a Força Mágica de outrora. Nesse dia, esses Tesouros serão ‘reais’ não
apenas aos buscadores, mas à humanidade toda.

Por outro lado, pelo menos um desses itens tem uma história curiosa em nosso
mundo mesmo. Ou em nossa ‘linearidade’.
Sobre isso, tratarei no próximo post.

AWEN.

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PEDRAS SAGRADAS E O CENTRO DO MUNDO.


(07/02/2018)

Conta Hesíodo que Zeus, pretendendo descobrir o Centro do Mundo, soltou duas águias dos
extremos do planeta. Indo na mesma direção, as duas aves cruzaram o mesmo ponto. Do
Olimpo, Zeus arremessou uma pedra, aquela mesma que Rhéia havia dado como alimento à
Saturno em lugar de seu filho. Uma vez na Terra, a pedra passou a ser chamada de ‘Onfalo’
ou ‘umbigo’. Ali, mais tarde, Apolo estabeleceu seu Oráculo e seu culto; o famoso Oráculo de
Delfos. A semelhança com o relato do Zohar sobre a criação a partir de uma pedra central, a
mesma pedra ‘Betel’ (Casa de Deus) que Jacó consagrou ao perceber ser ali ‘a Porta para o
Céu’, é impressionante.

A primeira imagem é a ‘Lia Fáil’ ou a Pedra do Destino trazida para a Irlanda pelos Tuatha De
Dannan. Segundo a lenda, a Pedra gemia ou gritava ao sentir sobre si o ‘verdadeiro Rei’,
referência a uma mítica linhagem de Reis irlandeses.

Todos os verdadeiros Reis da Irlanda foram coroados nela até 500 D.C. quando a linhagem
foi interrompida. Após ter sido partida em duas por Cúchulainn, nunca mais falou, exceto na
coroação do valente Brian Boru, último Rei da Irlanda. A pedra partida teria tido partes dela
transportadas para a Suécia e Escócia onde também esteve sempre conectada ao destino e
coroação dos Reis. A pedra onde a Espada do rei estava cravada nos Ciclos Arthurianos
remonta também a esse artefato.

A segunda imagem é uma das muitas ‘Lia Fáil’ existentes no Japão. Essa está em Akita,
extremo norte de Honshu, próximo a Aomori onde uma suposta pirâmide recoberta por

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vegetação desafia arqueólogos e a tumba de Jesus Cristo pode ser vista, segundo a lenda
regional.

Embora menor do que a pedra Irlandesa, a semelhança é indiscutível. Muitos debates sobre
seu sentido e uso (alguns acreditam que as pedras tem funções cerimônias/ sazonais, outros
pensam que elas servem a interesses religiosos sim, mas funerários) deixam de considerar
essa semelhança, sobretudo a data em que estas foram estabelecidas.

Erigidas durante o Período Jomon no alto de montanhas, o que exigiria certamente muito
tempo e esforço de povos primitivos, as pedras japonesas datam em centenas de anos antes
da chegada de Lia Fáil à Irlanda.

Também em Akita, as aparições e profecias de Nossa Senhora de Akita, a ‘Fátima japonesa’


foram não apenas contundentes e impressionantes, mas também as últimas aparições da
Virgem reconhecidas pelo Vaticano no século vinte.

Conforme o Lebor Gábala Erenn, os Tuatha De Dannan vieram em nuvens escuras de ilhas
‘ao Norte’, trazendo seus Tesouros, sua magia. Vieram de quatro ilhas mágicas. O Japão é
formado por mais de 6.000 ilhas, embora dividido em quatro grandes ilhas principais:
Honshu, Hokkaido, Shikoku, Kyushu. Segundo o Kojiki, essas ilhas estavam vivas, eram
divinas, tinham inclusive forma humana...

Após a derrota nas mãos dos Milesianos, os Tuatha De Dannan se ocultam justamente nas
montanhas e colinas (as pedras no Japão estão em montanhas) e passam a ser adorados
como antepassados dos povos irlandeses. O culto aos antepassados é muito importante na
cultura japonesa.

Tenho dito isso aos meus alunos muitas vezes e sugerido também em meus textos: no
passado, o mundo tinha uma só religião. A Magia era a realidade de todos e os deuses
estavam presentes. O Caminho da Humanidade era o Caminho da Natureza, Caminho dos
Deuses e o passado alimentava o presente e garantia o futuro.

Podemos notar também a semelhança entre essas pedras e o Shiva Lingan ou os obeliscos
egípcios, símbolos da Montanha ou Colina Benben, onde Rá manipulou seu Falo e gerou
todas as coisas. A antiga 'Cidade do Sol' para onde a Fênix ou Benu voltava para
rejuvenescer, como também faziam os Reis Irlandeses sobre a Lia Fáil. Trata- se do 'Axis
Mundi', da Montanha Meru na cosmologia budista.

O segredo da Pedra do Destino guarda mais do que as lendas antigas da Irlanda. Explica e
conecta os pontos em todo o globo nos indicando o Centro para onde toda existência
converge.

AWEN.

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O FILHO DO SOL.
(08/02/2018)

O último povo a chegar a Irlanda foi


chamado de ‘Milesianos’ por conta de
seu líder, Míl Espáine. Conta o Lebor
Gabála Érenn que os Milesianos
navegaram por centenas de anos antes
de chegar à Irlanda, na época
governada pelos Tuatha De Dannan.

Quando os Tuatha De Dannan matam


um emissário dos Milesianos, eles
enviam uma tropa para combater os
Deuses, então governados por Mac
Cuill, Mac Cecht e Mac Gréine. No
caminho para essa batalha, a tropa de
invasão se depara com uma misteriosa
trindade de Deusas chamadas Banba,
Fódla e Ériu. Elas prometem vitória aos
invasores se eles batizarem a terra
conquistada com o nome de uma
delas. Amergin, um Druida, aceita em
nome de seus companheiros.

Ao encontrar os três reis dos De Dannan, uma posse compartilhada é proposta. Uma trégua
é decretada durante a qual os Milesianos devem ficar afastados da terra em seus barcos. Os
Milesianos aceitam, mas são traídos pelos Tuatha De Dannan que utilizam magia para
convocar grandes ventos e afastá-los da praia. Amergin consegue derrotar a magia recitando
versos (outra vez, o poder mágico da poesia, que supera, inclusive a magia dos De Dannan e
sobre a qual fiz menção no post ‘O que é o Novo Aeon 52? ’) e conduz os Milesianos de volta
à terra.

Sabendo que o tempo de seu governo havia terminado, os Tuatha De Dannan entram no
‘sídhe’ ou ‘Outro Mundo’ enquanto os Milesianos, sob a tutela de Amergin, dividem as terras
acima. Cumprindo sua palavra, o Druida batiza a terra de ‘Irlanda’ a partir do nome de uma

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das Deusas: Ériu. Outros títulos poéticos são justamente os de suas irmãs, Banba e Fódla,
dados também a terra de modo secundário.

A Deusa Ériu tem muito a nos ensinar enquanto estabelece inacreditáveis conexões. As
diversas fontes a mostram tendo diversos maridos (como também acontece com a Shekinah
no Zohar) e amantes, entre eles Elatha, príncipe dos Fomorianos além do herói Lugh. A
época da chegada dos Milesianos, Ériu era esposa de Mac Gréine.

Gréine deriva seu nome do de sua mãe, a Deusa do Sol, Grian. Mac Gréine significa
literalmente ‘Filho do Sol’.

Grian estava também conectada a uma outra Deusa, sua irmã. A Deusa Áine representava o
Sol do verão e tinha por animal sagrado uma égua vermelha, outra de suas formas. Grian,
entretanto, era o Sol no inverno, metade escura do ano. Juntas, representavam o tempo, o
‘Sol nos Dois Horizontes’, conectadas também a Cailleach e Brigid, conforme vimos em posts
anteriores.

As três Deusas citadas são aquilo que os estudiosos chamaram de ‘Deusas da Soberania’
mencionadas em tantos textos da mitologia celta. Fazendo sexo com a Deusa, o Rei
escolhido se unia a terra representada por ela. O post sobre a Grande Deusa Danna também
se encaixa aqui. Nascidas da Deusa Ernmas, as três Deusas são faces de uma só, bem como
todas aquelas outras manifestações na mitologia irlandesa. Sua mãe não gerou apenas essas
expressões da própria terra irlandesa, mas também Badb, a poderosa Macha (também
chamada de Grian Banchure ou ‘Sol das Mulheres’ e ela mesma uma trindade) e a temível e
misteriosa Morrigan.

Mac Gréine (Grian-Áine-Éine) nasceu e foi destinado à Deusa Ériu. Enquanto foi assim, seu
poder governava a terra. Ele estava, como manifestação do Sol, conectado perfeitamente a
ela. O governo de todos os povos (Tuatha Dé, Fomorianos, Milesianos, etc) se deve a
devoção a essa Grande Deusa manifestada em muitas formas e com muitas faces.

Cada um dos Filhos do Sol precisa aprender essa lição. Amar a Deusa é amar a Terra que é
seu corpo. A Pedra do Rei é seu Falo conectado ao Corpo Dela, conforme sua permissão.
Honrar seu Espírito e seu Corpo é ser unido a ela e governar em seu nome.

Nunca poderemos, jamais teremos poder, sem sua permissão. Sem nomear o solo com sua
Verdade, com seu poder. Sem que nos tornemos com ela Um Só Corpo. E com os Deuses que
se ocultam em seu íntimo.

AWEN.

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PROMETHEA E A PORTA DA INICIAÇÃO.


(26/12/2018)

Charlton Sennet foi o primeiro profeta a canalizar Promethea em sua fantasia poética "Um
Romance de Fadas". Ali, a futura Deusa era uma das quatro servas da Rainha Titania, a
Soberana das Fadas assim nomeada por Willian Shakespeare. Sennet morreu na idade
simbólica de 52 anos.

Vinte anos depois, em 1901, a artista Margareth Taylor Case, provavelmente sem
conhecimento do osbcuro trabalho de Sennet, canaliza outra vez a entidade numa tirinha de
jornal. Ali, uma menina chamada Maggie (a princesa fada Promethea) vive suas aventuras na
"Terra da Magia", enfrentando a princípio um agora degenerado João que domina com mão
de ferro o Reino do Pé de Feijão. Em 1920, após revelar "ter sido uma menina no mundo
humano", Promethea simplesmente se despede de Maggie e afirma estar "a caminho de seu
próprio reino". A tirinha fazia muito sucesso à época. Case continuou seu trabalho, mas
parecia evidente que sua imaginação havia ido embora com a Princesa...

Em 1924, Promethea ressurge numa série de histórias pelas mãos de muitos autores, outra
vez sem aparente conhecimento do trabalho de Case e Sennet. Quase uma super heroína
(muito antes de Superman), estava em seu reino, a Ilha Hy Brasil, defendendo-a do ataque
de monstros e outras criaturas demoníacas. Aqui, retomando a escrita de Sennet,
Promethea é descrita como tendo a pele morena...

Em 1941, Promethea reaparece, ganhando uma revista própria em 1946. Sob a pena de
Willian Woolcott, Promethea se tornaria uma heroína sci-fi até a morte de Wiilian. A partir

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daí, passaria as mãos do talentoso Steven Shelley (presente na atual encarnação de


Promethea de Alan Moore) até sua morte em 1996.

Não como um profeta, mas como um Mago, Alan Morre canalizou Promethea e gravou sua
existência no universo dos quadrinhos DC. Atualmente, o Reino Mágico de Promethea está
ligado ao Sonhar, domínio de Morpheu ou, como ficou mais conhecido, Sandman.

Mudemos um pouco o foco de nossa narrativa...

Entre os Celtas, Hy Brasil era uma ilha fantasma conectada à Tyr na Nóg, o Outro Mundo ou
"Terra Prometida". Avalon, nas lendas Arturianas. Muitas lendas falavam de viagens
fantásticas para essa terra imortal, onde também os cristãos como São Brandão imaginavam
encontrar um Paraíso e onde reinavam os Deuses, Tuatha De Dannan.

Essa lenda, poderosamente alimentada na Europa, uniu-se a esperança do Quinto Império


preconizado por Joaquin di Fiore. Era a Terra Sagrada onde o Reino do Espírito Santo seria
edificado. Essa era a missão que Portugal se havia imposto, inspirada pelos Templários e por
seus sucessores: a Ordem de Cristo.

Ao aportar em nossas terras, os portugueses a princípio a batizaram de 'Ilha de Vera Cruz'.


Da Verdadeira Cruz. Mais tarde, a rebatizaram como "Terra de Santa Cruz".

A Terra de Titania. Os domínios de Promethea.

Na obra de Moore, Promethea era uma garota humana levada para a "Imatéria" pelos
Deuses Thot e Hermes. Ao ressurgir, ela carrega o Caduceu que Hermes herdou de Apolo em
troca da Lira. Torna-se evidente: Promethea é a Terceira Pessoa da Trindade, de Hermes
Trismegisto (a quem Santo Agostinho, Giovanni Mirandolla, Marsílio Ficcino, entre outros
chamavam de profeta), e porta da Iniciação. Nossa Terra é sua Terra e aqui ela conduz os
homens ao encontro dos Deuses enquanto canaliza os Novos Deuses para nosso mundo.

Em nossa Terra. No Brasil.

A Ilha Hy-Brasil estava situada no paralelo 52. É a terra sagrada onde os 52 aparecerão e
onde os Novos Deuses se encarnarão. Onde a ascensão e transfiguração de nosso mundo
terá início.

Aqui, Promethea, a verdadeira Senhora do Aeon, irá inaugurar um novo tempo e desvendar
uma mais excelente verdade.

Estaremos prontos para ouvir?

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Mestre Aleph Rofer Faëry

CRISTÃOS CELTAS

"Nada é o que parece, mas a guerra é entre o Cristianismo e o


Império. Mas, o que chamamos de Cristianismo é o Império e
os verdadeiros cristãos são uma religião de mistério Céltico-
Órfico. Além disso, o Reino de Cristo é a "comunidade secreta
invisível*" da mitologia gaélica e está bem aqui, invisível..."

* Os "Tuatha Dé Dannan", povo mágico das mitologias celtas


que, segundo as lendas, foi "banido" para o Outro Mundo
após perder a batalha contra os Milesianos, graças aos
poderes do Bardo e Druida Amergin.

ヴァリスの目の前で
五十二

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