A partir dessas considerações iniciais, Calderón influenciou toda
uma geração futura que se dedicou ao estudo da arte rupestre na
Bahia e no Nordeste. Carlos Costa (2005) encontrou nos arquivos
do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA informações sobre
50 sítios rupestres catalogados por Valentín Calderón na Bahia,
mas as pesquisas de Calderón não tiveram continuidade e novos
trabalhos só começaram a ser desenvolvidos em sítios rupestres da
Chapada Diamantina nos anos 2000. Em outras regiões no entorno,
sobretudo no sudoeste baiano e nas áreas arqueológicas de Central
e do Baixo São Francisco, as pesquisas se desenvolveram durante
esse período (COSTA, 2005).
Em 2006, as pesquisas foram retomadas pelo grupo Bahia
Arqueológica (CNPQ/UFBA), coordenado por Carlos Etchevarne,
através de programas sistemáticos de localização, caracterização e
análise de sítios rupestres em alguns municípios da Chapada
Diamantina. Esse trabalho culminou na publicação do livro Escrito
na Pedra: Cor, Forma e Movimento nos Grafismos Rupestres da
Bahia, com autoria de Etchevarne.
A partir da identificação dos sítios e da retomada dos trabalhos
com os registros rupestres em campanhas sistemáticas, no ano de
2010 teve início o projeto Circuitos Arqueológicos da Chapada
Diamantina, com financiamento do Instituto do Patrimônio
Artístico e Cultural da Bahia (IPAC-BA), que tinha por objetivo
identificar e sinalizar sítios rupestres nos municípios de Iraquara,
Lençóis, Morro do Chapéu, Palmeiras, Seabra e Wagner, para
incluí-los nos circuitos de visitação turística. A busca pela
socialização dos espaços arqueológicos previa a preservação dos
sítios através da salvaguarda pelos próprios moradores e
consequente beneficiários da exploração turística. A pesquisa
arqueológica se beneficiava através da descoberta e registro de
20
novos sítios rupestres nos municípios trabalhados .