Responsável pelo Conteúdo:
Prof Ms Alexandre Silva
Medidas de Tendência Central
e de Dispersão
Vamos abordar um assunto importante no que diz respeito a
transmissão das informações relativas à amostra ou população
estudada. A condensação dos dados facilita a compreensão
das características essenciais de uma amostra ou população,
em se tratando de dados obtidos desses. Para viabilizar essa
etapa, usamos as medidas de tendência central e de dispersão.
Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre essas medidas.
Atenção
Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar
as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma.
Contextualização
Vamos pensar na seguinte situação: Um
pesquisador investigou 7 alunos universitários para
saber quantas pessoas fazem uso do computador
em suas respectivas residências. Vejam os dados
coletados:
Fonte:
[Link]
[Link]?id=42-15490559&caller=search
Aluno Sônia Marcela Fábio Maria Joana Carlos Paulo
Quantidade de 2 0 1 1 0 0 10
pessoas que usam
computador em casa
Considerando os dados acima, é correto afirmar que a média de usuários de
computador nas residências dos alunos entrevistados é de 2 usuários por residência?
Justifique.
Resposta:
Depende. Se fizéssemos a soma de todos os usuários e dividíssemos pelo numero de alunos
entrevistados, com certeza encontraríamos que, em média, há 2 usuários de computador em
cada residência. No entanto, se fizermos uma análise estatística adequada, perceberíamos que
na casa de Paulo algo de diferente, se comparado às demais casas, acontece: lá há 10
usuários de computador!! Percebam que é um valor que foge do padrão normal dos demais
usuários. O correto seria que excluíssemos esse valor, para encontrarmos o “padrão real”, ou
seja, a caracterização real dos usuários em cada casa. Se fizéssemos essa exclusão, teríamos
uma média de 0,66 usuários, o que parece mais sensato, uma vez que há mais de uma casa
onde não há usuários de computador. Em termos estatísticos, poderíamos dizer que, ao incluir
todos, de Sônia a Paulo, teríamos uma média maior e um desvio padrão alto, e isso não
caracterizaria adequadamente a amostra. Por outro lado, excluindo o valor extremo 10,
teríamos a média menor que “2” e um desvio padrão menor, indicando o caráter homogêneo
e real da amostra.
Resumindo todo esse raciocínio: não seria correto afirmar que em cada casa há 2
usuários de computador em média.
Material Teórico
1- MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As medidas de tendência central são muito confiáveis quanto mais representativo for o
conjunto de elementos da amostra ou da população. Se o conjunto de elementos for bem
selecionado, se guardar características semelhantes da população que foi extraída e se for
suficientemente grande, melhor os dados refletirão o que poderíamos encontrar na população.
Pode-se dizer também que essas medidas – de tendência central e de dispersão- são uma
primeira caracterização dos conjuntos populacionais ou amostrais.
1.1 Média Aritmética
A média aritmética consiste na soma dos valores de um conjunto de dados, divididos
pelo número de elementos.
Veja o exemplo abaixo. Considere o seguinte conjunto de dados:
11 10 10 12 23 24 30
A média aritmética será = 11+10+10+12+23+24+30 / 7 = 17,14
Observação: Frequentemente a média aritmética vem
acompanhada de outra medida: o desvio padrão. Essa é uma
medida de dispersão e indica o quanto os valores se “afastam” ou
se “aproximam da média”.
Observação 2: A média aritmética é muito influenciada por
valores extremos, ou seja, valores muito menores ou maiores
influenciam de forma marcante o valor real da média.
Fonte: [Link]
Dividir a conta em um bar (rachar a conta!) é um bom exemplo prático de média
aritmética.
A fórmula para cálculo da média aritmética é:
Onde o X com uma barra significa média aritmética de uma amostra e n o número de
indivíduos da amostra.
Exercício resolvido:
Uma nutricionista decidiu investigar a circunferência abdominal de 10 gerentes de uma
grande empresa multinacional interessados em perder peso por meio de um programa de
reeducação alimentar. As medidas seguem abaixo:
Gerentes 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Circunferência 88 83 79 76 78 70 80 82 86 105
Devemos primeiro determinar qual o tamanho da amostra (n):
Como no caso temos 10 gerentes, então dizemos que n = 10.
Cada gerente representa um valor de x como segue:
x1 = 88
x2 = 83
x3 = 79
x4 = 76
x5 = 78
x6 = 70
x7 = 80
x8 = 82
x9 = 86
x10 = 105
Substituindo na fórmula teremos:
88+83+79+76+78+70+80+82+86+105 = 827 = 82,7
10 10
Dizemos então que: A média da circunferência abdominal dos 10 gerentes é de 82,7 cm.
1.2 Mediana
A mediana é outra medida que indica a caracterização do conjunto de valores. Essa
indica o valor que divide ao meio o conjunto de valores, isto é, indica o valor que ocupa a
posição central do conjunto de valores, não sofrendo qualquer interferência dos
valores extremos. O seu cálculo depende da ordenação dos dados, o que corresponde em
colocá-los em ordem crescente ou decrescente.
Continuando com exemplo usado no calculo da média:
11 10 10 12 23 24 30
A mediana seria assim calculada: Essa é a mediana, pois é o valor central de um
10 10 11 12 23 24 30 conjunto de dados. Quando o número de
valores for ímpar (como no caso acima), a
mediana será sempre o valor do meio.
Segue um exemplo com n par:
11 10 10 12 23 24
Como o n é par soma-se os dois valores
10+12= 22
centrais e divide-se por “2”.
22 ÷ 2= 11
Portanto, neste exemplo, 11 é a mediana da distribuição apresentada.
1.3 Moda
Fonte: [Link]
Moda é o valor que ocorre com maior frequência. Essa medida, juntamente com a
média e a mediana, ajudam a compreender o padrão homogêneo dos dados. Quando essas
três medidas estão próximas, podemos dizer que o conjunto de dados é homogêneo, ou seja,
não há valores extremos, mas sim uma tendência de que boa parte dos números localizam-se
próximos a essas três medidas.
Se um conjunto de dados possui um único valor que se repete com maior frequência,
diz-se que o conjunto e unimodal; quando dois números aparecem com maior frequência, é
bimodal; se três ou mais números aparecem com maior frequência, é multimodal. A
ausência de moda caracteriza-se um conjunto amodal.
Veja o exemplo abaixo. Considere o seguinte conjunto de dados:
0 1 1 2 3 4 4 4 5
Analisando os dados, observa-se que o número “4” é o número que se repete com
maior frequência (3 vezes). Dessa forma dizemos que o conjunto é unimodal.
Vamos analisar outro conjunto de dados:
0 1 1 1 3 4 4 4 5
Analisando os dados, observa-se que os números “1” e “4” se repetem com maior
frequência (3 vezes cada um). Dessa forma dizemos que o conjunto é biimodal.
2. MEDIDAS DE DISPERSÃO
As medidas de tendência central, vistas anteriormente, ajudam a explicar a tendência
central dos dados, ou seja, o quanto esse conjunto é homogêneo. Essas medidas precisam
estar acompanhadas de outras informações que indique a VARIABILIDADE dos dados, isto
é, o quanto os valores divergem em relação aos valores de caracterizarão geral da população
ou amostra.
Considere a situação apresentada no livro Introdução à bioestatística, da autora Sônia
Vieira (2008):
“Considerando 2 domicílios, sendo que em um deles moram 7 pessoas, todas
com 22 anos de idade. A média de idade será de 22 anos. No outro domicilio,
poderíamos ter a mesma média de idade, no entanto, nesse segundo domicilio,
moram uma garota de 17 anos, um garoto com 23 anos, duas crianças de 2 e
3 anos, respectivamente, além de uma mulher de 38 anos, outra criança de 8
anos e uma senhora de 65 anos. “
Nesse exemplo acima, temos dois conjuntos de valores, cuja
variabilidade é diferente, embora a média seja a mesma. No primeiro
conjunto de valores, a variabilidade é bem menor, condição contraria a
que ocorre no segundo grupo, no qual a variabilidade é maior, pois as
idades variam do 2 até os 65 anos.
2.1 Quartis e Percentis
Já aprendemos que a mediana é o valor que divide ao meio o conjunto de valores.
Poderíamos dizer também que a mediana indica que, abaixo daquele valor temos 50% das
observações, dos valores. Mas, há situações em que podemos dividir o conjunto de
valores em partes menores. Quartis, Decis e Percentis indicam essa possbilidade.
Sendo assim, o primeiro quartil indica que 25% dos valores estão abaixo desse valor; o
segundo quartil indica que 50% da amostra está abaixo desse valor. E assim por diante. Veja
o modelo abaixo:
1o 2o 3o
quartil quartil quartil
25% 25% 25% 25%
50% dos valores
75% dos valores
Já os percentis consideram as posições dividindo o conjunto de valores em 100 partes.
Da mesma forma que o quartil, o percentil 70, por exemplo, indica que 70% dos valores de
um conjunto encontram-se abaixo desse valor.
Observação: Percebam, no modelo esquemático abaixo, que uma posição (ou valor)
pode ser indicada de mais uma forma.
25% 25% 25% 25%
50%
Percentil 50 2o. quartil
2.2 Amplitude, Mínimo e Máximo
A amplitude explica a variabilidade de valores, e por isso é considerada uma medida
de dispersão. É definida como a diferença entre o maior e o menor valor de um determinado
conjunto de valores.
Menor, também chamado de mínimo, é o menor valor de um determinado conjunto de
valores.
Maior, também chamado de máximo, é o maior valor de um determinado conjunto de
valores.
Maior - menor
A M P L I T U D E
Observação: assim como a média, a amplitude é muito influenciada por
valores extremos, isto é, um valor muito baixo ou muito alto altera facilmente
essa medida e pode, em determinados casos, não representar a real
variabilidade do conjunto de valores, pois houve o comprometimento em razão
desse(s) valor(es) extremo(s).
2.3 Variância e Desvio Padrão
Essas duas medidas indicam a variabilidade, distância dos valores em torno do valor
médio encontrado para um determinado conjunto de dados (valores). Se menores- a
variância e o desvio padrão-, indicam pouca variabilidade dos valores, caracterizando um
conjunto de valores mais homogêneo, ou seja, a de variabilidade pequena.
Considere as informações abaixo:
Fonte: Curso de Bioestatística Profa. Dra. Ângela Paes, 2006
Percebam que tanto a variância quanto o desvio padrão partem do cálculo da
distância de um valor em relação à media ( ). Faz-se a somatória dessas
distâncias e, por “necessidades” matemáticas, eleva-se ao quadrado (para eliminar os valores
negativos das distâncias), ou extraímos a raiz quadrada (pois queremos eliminar a elevação ao
quadrado de uma determinada medida.
Definiremos como Variância a soma dos quadrados dos
desvios de cada observação em relação à media, dividida
por “(n-1)”
Exercício Resolvido: E Desvio Padrão como a raiz quadrada da variância.
Vamos considerar o seguinte
conjunto de notas de um determinado
aluno:
5,0 6,0 5,0 9,0
Calcule a Variância e o Desvio Padrão.
Variância é representada por s, pela fórmula dada, precisamos subtrair cada valor de x
da média da amostra, somar todos estes valores, elevar o resultado ao quadrado e depois
dividir por n-1.
Vamos fazer passo a passo:
Abaixo a fórmula do desvio padrão.
S=
Vamos calcular em primeiro lugar a média:
= (5+6+5+9)÷4
= 25÷4
= 6,25
Vamos subtrair cada valor de x da média amostral.
Notas dos alunos Média calculada X menos a média
x x
5 - 6,25 -1,25
6 - 6,25 -0,25
5 - 6,25 -1,25
9 - 6,25 +2,75
Agora, vamos elevar os valores obtidos ao quadrado
x x
5 - 6,25 -1,25 1,56
6 - 6,25 -0,25 0,0625
5 - 6,25 -1,25 1,5625
9 - 6,25 +2,75 7,5625
Precisamos então somar os quadrados obtidos:
x x
5 - 6,25 -1,25 1,56
6 - 6,25 -0,25 0,0625 +
5 - 6,25 -1,25 1,5625
9 - 6,25 +2,75 7,5625
=10,75
A fórmula pede que este valor (10,75), seja dividido por n-1.
No nosso exemplo n = 4 (quatro notas), então 4-1 = 3
Então:
10,75 ÷ 3 = 3,58
Portanto:
s (variância) é igual a 3,58.
O desvio padrão é representado por s2.
s2 é igual a raiz quadrada de s (variância), então:
s2 =
s2 =
s2 = 1,89 ou seja, o desvio padrão das notas deste aluno é 1,89, sendo que a média
foi 6,25
2.4 Coeficiente de Variação
Esse medida indica a dispersão dos valores em relação à média. Para se calcular o
coeficiente de variação, usamos o desvio padrão e a média.
CV= desvio padrão / média x 100
Percebam que o CV não possuirá unidade de medida (é adimensional). Dessa forma,
podemos comparar a dispersão de valores para dados quantitativos que utilizaram medidas
diferentes, como metros e quilogramas. O uso de coeficientes não é tão frequente quanto o
uso das outras medidas discutidas nesse capitulo. Os coeficientes são importantes na
elaboração de indicadores de saúde.
CONCLUSÃO
As medidas de tendência central e de dispersão são úteis na compreensão e
caracterização dos dados populacionais ou amostrais. A apresentação dessas medidas ajuda a
entender o caráter homogêneo ou não dos dados, bem como a forma de dispersão dos
mesmos em relação a um determinado valor médio.
Material Complementar
ELA MERCEDES MEDRANO DE TOSCANO (Minas Gerais). Estatística usando Excell:
Belo Horizonte: 2001. 43 p. Disponível em:
<[Link]/~mercedes/est%20usando%[Link]>. Acesso em: 07 set. 2009.
Referências
Arango, H.G. Bioestatística- Teórica e Computacional. [Link]. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2005. (acompanha CD demonstrativo).
Vieira, S. Princípios de Estatística. [Link]. São Paulo: Pioneira Thomsoom Learning, 2003.
Vieira, S. Introdução à Bioestatística. 4ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
Triola, M.F. Introdução à Estatística. Rio de Janeiro: LTC, 2005
Anotações
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