NAUM
A soberania de Deus
HABACUQUE
A justiça de Deus
SOFONIAS
O Dia do Senhor
Lição 7
O LIVRO DE NAUM,
HABACUQUE E
SOFONIAS
Tendo exercido o ministério profético entre 625-605 a.C., Naum,
Habacuque e Sofonias profetizaram a respeito de Judá. Alguns historiadores
projetam a data 710 a.C. para Naum, mas achamos a primeira mais viável.
O assunto abordado por Naum é o julgamento e a destruição de
Nínive, a grande capital da Assíria. O objetivo foi o de transmitir a Judá
a ideia da soberania de Deus sobre os povos. A mensagem espiritual de
suas páginas salienta o caráter íntegro de Deus e comumica que, um
dia, os ímpios impenitentes (no seu caso, os gentios), que insistem em
viver segundo a vontade do Maligno, serão esmiuçados pelo justo Juiz.
Habacuque foi músico e poeta (cap. 3). Possivelmente tenha sido
um dos levitas coristas do templo. Seu estilo literário é único entre os
profetas, e o seu canto no terceiro capítulo é um belo ode lírico sobre
a teofania (aparição ou revelação da divindade; manifestação visível de
Deus) em relação à vinda do Senhor.
O Livro de Habacuque assemelha-se ao de Jonas. Ambos começam
seus escritos atormentados por um problema grande, porém concluem
obtendo uma solução divina. Quase 70% do Livro de Habacuque
ocupam-se do diálogo entre Deus e ele.
O que Habacuque procura ensinar ao povo é que o Senhor é santo,
enfatizando a justiça de Deus ao punir Jerusalém. Como Naum, Habacuque
também ressalta a soberania divina e o propósito de Deus em usar países
144
pagãos, como a Babilônia, para cumprir Seus propósitos. Este arauto de
Deus é famoso pela sua declaração: “O justo viverá pela fé”, que primeiro
abalou o coração de Paulo e, muitos séculos depois, o de Martinho Lutero.
Sofonias foi o único Profeta Menor de linhagem real. Descendia do
rei Ezequias e profetizou durante o reinado do rei Josias. Juntamente com
Joel e Zacarias, Sofonias salienta o Dia do Senhor. Apela uma última
vez ao povo para que retorne a Deus, antes que um poderoso exército
inimigo desfeche um ataque punitivo.
Naum, Habacuque e Sofonias foram os últimos profetas de Judá
antes da invasão babilônica, em 586 a.C.
Esboço da Lição
1. A Sentença de Nínive
2. A Devastação de Nínive
3. Destruição
4. A Visão
5. A Oração
6. O Dia da Ira do Senhor
7. O Dia do Júbilo do Senhor
Objetivos da Lição
Ao concluir o estudo desta Lição, você deverá ser capaz de:
1. Mencionar o tema da profecia de Naum;
2. Especificar as razões pelas quais Deus se vingou de Nínive;
3. Citar o tema do Livro de Habacuque;
4. Relatar qual é o assunto central bem conhecido em
Habacuque 2;
5. Explicar como Habacuque pôde se regozijar em meio à
tribulação da sua época;
6. Expor o tema da narração de Sofonias;
7. Dizer o que o profeta Sofonias enfatiza na conclusão do seu livro.
145
146 TEXTO 1
A SENTENÇA DE NÍNIVE (Na 1)
O pequeno Livro de Naum enfatiza uma grande verdade: Deus não Se
deixa zombar. Ele, por algum tempo, suporta a rebeldia e a soberba do homem,
Profetas Menores
mas não indefinidamente. Nínive teve sua oportunidade de arrependimento,
através da mensagem de Jonas, mas, agora, a misericórdia do Senhor para com
ela já havia se esgotado, por voltar à prática dos pecados de então.
Fundo histórico
Jonas pregara aos ninivitas e estes se arrependeram. Contudo,
aproximadamente 150 anos depois, encontravam-se atolados novamente
na iniquidade. Infelizmente, sua conversão durara pouco. Deus, agora,
chama Naum para profetizar o julgamento e a destruição da grande
cidade de Nínive. Dessa vez, não haverá oportunidade de arrependi-
mento; a queda do império assírio é inevitável.
O Livro de Naum foi escrito por volta do ano 630 a.C., e Nínive
caiu em 612 a.C. O tema sobre o qual discorre a narrativa de Naum é “O
Zelo de Deus” (1.2). Ninguém pode sobrepor-se ao Altíssimo. Sabemos
o que aconteceu a Lúcifer quando tentou posicionar-se acima do Senhor.
A Assíria, nos dias de Naum, vivia um estado de impiedade tal, que
a sua queda imediata era a única opção para a justiça de Deus. Os reis
desse país eram temidos pelos outros povos por sua brutalidade, cruel-
dade, agressividade e idolatria vil. Não só açoitavam seus prisioneiros,
como os esfolavam e usavam a pele como ornamento em seus castelos e
templos. Esta era apenas uma entre as muitas atrocidades que cometiam.
Por isso, o furor dos céus tinha de ser derramado sobre os assírios.
O nome Naum provém do vocábulo hebraico conforto ou consolo e,
enquanto pregava sobre a assolação do império assírio, o profeta procurava
confortar seu próprio povo. Um grande inimigo dos filhos de Deus desapa-
receria pela providência divina, e o profeta serve-se desse fato para animá-lo,
mostrando que o Senhor, e não o homem, reinará e dominará na terra.
A ira do Senhor (Na 1.1-14)
“O Senhor... guarda a ira contra os seus inimigos.”
“Quem persistirá diante do ardor da sua ira?...”
(1.2,6)
Naum inicia seu livro com uma lista de evidências da ira de Deus. 147
Os elementos da natureza secam, definham, derretem etc., diante do
furor do Senhor. Tudo retrata o zelo e o espírito de justa vingança do
Altíssimo contra a Assíria.
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
Observe algumas características do zelo de Deus, conforme a narra-
tiva de Naum:
1. Deus é tardio em irar-se, mas, quando age, fá-lo poderosa-
mente (1.3);
2. Não há quem possa suportar o Seu furor (1.6);
3. Em meio à Sua vingança, há um refúgio para os justos (1.7);
4. A Deus pertence o direito; Ele se revela justo ao executar
vingança (1.9,11);
5. A vingança do Senhor é total e completa (1.12,14).
A sentença divina contra Nínive ou a Assíria, conforme descrita pelo
profeta Naum, é: “... farei o teu sepulcro, porque és vil.” (1.14).
Judá deve celebrar (Na 1.15)
A ruína total de Nínive é irreversível, e Naum anuncia aos judeus
que eles devem se alegrar. Os exércitos assírios nunca mais entrarão na
terra do povo escolhido. Aquele que maquinava o mal, um conselheiro vil
(v.11), será totalmente exterminado. Alguns dizem ser este um dos reis do
império assírio, possivelmente Senaqueribe. Sendo ele ou não, o resultado
da aniquilação do seu povo continua sendo um fato da História.
Por isso, as boas notícias de paz correrão pelas montanhas. Judá será
consolado, convidado a celebrar suas festas novamente e a cumprir seus
votos ao seu grande Salvador, por ter esmiuçado aqueles que o oprimiam
e escravizavam.
Seríamos remissos se não acrescentássemos aqui a referência paralela
desse versículo de Naum, feita por Isaías: “Que formosos são, sobre os
montes, os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, do que
anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus
reina!” (Is 52.7). Um dia, estas novas de salvação serão anunciadas outra
vez, e o Messias será entronizado para sempre. Os poderes malignos nunca
mais oprimirão, e os povos aclamarão a Cristo como Senhor e Salvador.
148 EXERCÍCIOS
Assinale com “x” a alternativa correta.
7.01 Os ninivitas, salvos por instrumentalidade do profeta Jonas, conforme
já estudado neste livro-texto, voltaram a pecar, passados somente
Profetas Menores
___a) 250 anos.
___b) 150 anos.
___c) 100 anos.
___d) 50 anos.
7.02 O tema que percorre a narrativa de Naum é
___a) “A Ira de Deus”.
___b) “A Bondade de Deus”.
___c) “O Zelo de Deus”.
___d) “A Vingança de Deus”.
7.03 O nome “Naum” significa
___a) conforto.
___b) proteção.
___c) acusação.
___d) perdão.
7.04 Tendo o Senhor sentenciado o fim de Nínive, Naum chamou os
judeus a
___a) prantearem.
___b) suplicarem misericórdia.
___c) celebrarem com alegria.
___d) Nenhuma das alternativas está correta.
TEXTO 2
A DEVASTAÇÃO DE NÍNIVE (Na 2,3)
Naum continua o seu relato, descrevendo a terrível desolação da grande
capital Assíria e deixando bem claro que, desta vez, não haveria misericórdia
e graça da parte de Deus. Nínive, conforme a sua narração, cairá com um
barulho arrepiante e nunca mais se levantará nem se exaltará.
A queda da cidade-rainha (Na 2) 149
“Ah! Devastação! Destruição! Desolação!...” (2.10
– NVI)
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
A g r a n d e c a pit a l
do Império A ssírio, a
c i d a d e - r a i n h a (2 .7 ),
começava a sentir sobre
si a mão justa do Senhor.
Assim como Edom havia
desprezado e maltratado
Jud á, ta mbém Nínive
era culpada pela mesma
i n f â m i a . A g or a Deu s
restauraria a glória de
Jacó e Israel seria vingado (2.2).
Naum descreve a destruição de Nínive, unindo o real ao simbó-
lico (vv. 3-13). As tropas assírias eram valentes (v. 3) e seus carros
eram velozes (v. 4); porém, nada conseguiram fazer para se defender
da ira de Deus. A cidade entrou em pânico, em meio à confusão
total, e tentou fugir à calamidade predita. Os cidadãos corriam deses-
perados para os muros, procurando liberdade (vv. 5,8,10), mas as
saídas de escape estavam bloqueadas por seus inimigos que, de forma
alguma, estavam dispostos a recuar. O leão, símbolo da Assíria, estava
dominado (v. 11), e a espada estava devorando os seus leõezinhos.
As vozes dos seus embaixadores, ou representantes governamentais a
outros povos, estavam em silêncio, indicando que não podiam mais
apelar a outras nações por socorro (v. 13).
“Ai da cidade...” (Na 3.1-17)
Nestes versículos, o profeta ressalta as razões pelas quais Deus está
se vingando de Nínive:
1. É uma cidade sanguinária e cruel (3.1-3).
2. É uma cidade imunda, cheia de prostituição e feitiçaria
(3.4,5).
3. É uma cidade que se julgou melhor e mais forte que
outras grandes cidades como: Nô-Amom ou Tebas, no
150 Egito, que a própria Assíria conquistou em 663 a.C. e
que veio a cair (3.7-10).
Por tudo isso, a Assíria será desprezada pelo Senhor (3.6).
Ser desprezado pelo homem é suportável, mas o desprezo divino é
Profetas Menores
terrível, sem comparação! Nínive, o grande e poderoso centro militar,
político e social dos seus dias, abusou arrogantemente da sua fama e
influência; pisoteou muitos outros países menores. Agora, sua força
seria dissipada, suas fortalezas, arrasadas, e seu poderio, abatido e
deixado ao nível do chão. O fogo consumiria a Assíria e a espada a
exterminaria (3.15).
A chaga incurável (Na 3.18,19)
Naum termina a sua profecia falando do sono fatal dos líderes da
Assíria. Os pastores dormem (3.18), isto é, estão mortos; por isso, as
A IMENSA CRUELDADE DOS NINIVITAS dade de “sanguinária” (cf. 3.1) e de “mui gracio-
sa meretriz” (cf. 3.4). O peso em face de Nínive
O início do Livro de Naum, o elcosita, traz um foi confirmado em Sf 2.13.
poema (1.2-8) no qual se apresentam informa- A profecia de Naum cumpriu-se cabalmente:
ções que auxiliam o leitor da Bíblia no entendi- Nínive caiu perante os babilônios e os medos,
mento dos atributos de Deus, especialmente da vindo a ser destruída em 612 a.C. (seu rei As-
justiça relacionada à paciência e misericórdia. surbanipal morrera em 627).
Ainda que não se possam perscrutar os pensa- O Dicionário Wycliffe chama a atenção para
mentos do Senhor, o texto de Naum oferece ele- um fato curioso: depois da destruição de Níni-
mentos importantes para o esclarecimento des- ve e das outras cidades importantes da Assí-
se tema central aos Profetas Menores, e, enfim, ria, restou somente uma civilização primitiva
à Escritura como um todo, porque tudo gira em nesses lugares, até o Século I d.C., quando se
torno da relação entre a ira divina e o Seu amor. constituiu um reino vassalo dos partos. Ocorre
A justiça de Deus é aplicada ao caso “judi- que a casa real desse reino (conhecido como
cial” dos ninivitas, pelo que o Livro tem como “reino de Adiabene”) se converteu ao judaísmo
epígrafe “Peso de Nínive”, a antiquíssima ca- e contribuiu para a construção de Jerusalém.
pital da Assíria.
Referência bibliográfica
Destacavam-se os assírios por sua imensa
crueldade para com os prisioneiros de guer- BAKER, David Weston el tal. Obadias, Jonas,
ra, cometendo repugnantes excessos – mesmo Miquéias, Naum, Habacuque e Sofonias: In-
nas guerras de conquista do mundo antigo se trodução e Comentário. Série Cultura Bíblica,
esperaria tratamento mais racional e humano. São Paulo: Vida Nova, 2001, V. 23, 410p.
Havia também imoralidade atroz. PFEIFFER, Charles; VOS, Howard F; REA, John.
Não por acaso, em sua sentença irremediá- Dicionário Wycliffe. Tradução: Degmar Ribas
vel contra Nínive, o profeta Naum chama a ci- Júnior. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, 2050p.).
ovelhas correm confusas, sem direção ou sem rumo. Os nobres também 151
estão mortos e não há quem possa pôr a casa em ordem.
Não havia nada que pudesse evitar a derrocada da grande capital,
que já uma vez tinha experimentado a misericórdia de Deus. Os babilô-
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
nios, instrumentos do Senhor para esta Sua vingança, vieram contra a
Assíria no ano 612 a.C. Nínive foi destruída e nunca mais na história
da humanidade se levantou.
Concluindo, podemos também aplicar a profecia de Naum a
outros povos ímpios que viriam, no futuro, praticando vis abomi-
nações, procurando derrubar o reino do Altíssimo e destruir o Seu
povo. Estes serão sentenciados pelo justo Rei e Juiz do universo e
condenados ao sofrimento.
EXERCÍCIOS
Associe a Coluna “A” à coluna “B”.
Coluna “A”
___7.05 “Ah! Devastação! Destruição! Desolação!...”. Referência à
queda de Nínive,
___7.06 Capital do Império Assírio que foi totalmente destruída
___7.07 Dentre as razões, Deus vingou-se de Nínive por ser
___7.08 Naum conclui a sua profecia falando do sono fatal dos
pastores e nobres da
___7.09 Os babilônios, usados pelo Senhor para a Sua vingança,
vieram contra a Assíria,
Coluna “B”
A. Assíria.
B. Nínive.
C. em 612 a.C.
D. a cidade-rainha.
E. sanguinária e cruel.
152 TEXTO 3
DESTRUIÇÃO (Hc 1)
Habacuque é o profeta mais culto dentre os profetas menores e o
último dentre os de Judá. Era filósofo, poeta e músico. Seu livro registra
Profetas Menores
experiências práticas e comoventes. Encontramos em sua narração explica-
ções sobre os seguintes pontos: por que a iniquidade não triunfa; o Senhor
é o Deus do Universo e Seu desejo é que os Seus filhos comuniquem-se
com Ele; feliz é o crente que espera pacientemente a revelação do Senhor.
O ensino central do Livro de Habacuque é: “O justo pela sua fé
viverá.” (2.4).
Fundo histórico
O nome Habacuque significa literalmente abraço. Lutero comentou
que Habacuque revela-se um encorajador, ou alguém que acolhe outro
no coração e nos braços, como alguém que consola uma criança que
chora, fazendo-a acalmar-se.
Pouco se sabe sobre Habacuque. Possivelmente, era um cantor do
templo, sacerdote da tribo de Levi. Seria, neste caso, filho nativo de
Jerusalém. Contemporâneo de Jeremias, Habacuque profetizou após as
reformas do rei Josias. Pouco tempo depois, Nínive caiu. Babilônia, ou
o reino caldeu, passou a ser a potência dominante no mundo.
No que se refere à política e à religiosidade em Judá à época de
Habacuque, as condições eram péssimas. O rei Josias tinha sido morto
pelo Faraó Neco. O rei Jeoaquim reinava, agora, sobre seu povo, mas,
infelizmente, como súdito do Egito. A decadência moral e espiritual
do povo conduzira-o a um deslize final e fatal. As profecias, avisos e
reformas de Jeremias e Isaías sobre o ciclo nocivo do pecado haviam se
cumprido várias vezes e, agora, o povo estava arrogante e formalista;
maduro, enfim, para o julgamento e o castigo decorrente disso.
O tema do Livro de Habacuque é “A Santidade de Deus”, e ele
foi provavelmente escrito por volta de 610 a.C. Ao escrever, o profeta
enfatizou a justiça de Deus sobre Jerusalém ou Judá, castigando o Seu
povo por ter ele continuamente se esquecido do seu Senhor.
Sendo santo, o Senhor abomina o pecado. Aquele que insistir em
transgredir sentirá, eventualmente, o flagelo e a tormenta da Sua justiça.
Os povos pagãos, como predito por Naum, foram e serão alvos da justa
ira de Deus. E também as ovelhas escolhidas, se não obedecerem a voz do 153
seu Pastor, terão de passar pelo tratamento amargo da disciplina divina.
O clamor do profeta (Hc 1.1-4)
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
Habacuque inicia perguntando a Deus porque demora tanto
a realizar a Sua justiça. Sua queixa é que tudo em volta é violência,
opressão e perversidade; a própria justiça é torcida. O profeta estranha a
atitude do Senhor face à situação presente e anela por uma rápida inter-
venção divina. Os problemas dos seus dias o aborrecem e ele sabe que
a única resposta é a que virá do Altíssimo, para endireitar os caminhos
contenciosos do homem. O profeta expressa o mesmo pensamento do
salmista quando declara: “Por que estás ao longe, SENHOR? Por que
te escondes nos tempos de angústia?” (Sl 10.1).
A resposta de Deus (Hc 1.5-11)
O Senhor ouve o pedido de Habacuque e responde. Ele diz ao Seu
porta-voz que o julgamento é iminente e que virá sobre Judá, como está
determinado.
Deus fala acerca do poderio caldeu (1.6) que, num futuro não muito
distante, atacará Jerusalém e causará grande horror e ruína a muitos. Sua
força será extraordinária e, seus desejos de conquista, sem igual (1.8,9).
Não terá medo de qualquer coisa ou líder que se lhe opuser; rirá até das
fortalezas dos seus adversários (1.10). Cultuará e louvará o próprio poder:
“... estes cujo poder é o seu deus” (1.11-ARA).
Tão intenso e pavoroso será esse ataque dos caldeus, que o Senhor disse
ao profeta Habacuque: “... realizarei em vossos dias uma obra que vós não
crereis, quando for contada” (1.5). E conforme Deus afirmara, o grande
império babilônico, após algumas investidas contra Judá, no ano 586 a.C.,
penetrou em Jerusalém, arrasou-a e levou como prisioneiros os seus cidadãos.
A refutação de Habacuque (Hc 1.12-17)
Depois de ouvir a resposta de Deus, o profeta parece que teve uma
certa dificuldade em aceitar o que o Senhor faria com Judá. Antes, ele
reclamava da iniquidade do povo; agora, percebendo que a ira divina
seria desencadeada sobre Judá, recua um pouco em seus protestos e
procura convencer Deus de que talvez tenha agido com demasiado
rigor. Habacuque não compreende o fato de o Senhor usar uma nação
154 pagã para efetuar o Seu propósito. Como é que um Deus de absoluta
santidade pode usar da violência de uma nação pagã para punir o
próprio povo?! (1.13).
Aplicando a analogia da pesca, Habacuque compara a Babilônia a
Profetas Menores
um pescador que, com suas redes e anzóis, apanha muitos peixes (povos)
(1.15). Com estas ferramentas, a Babilônia fisgaria e capturaria Judá. Os
caldeus, de tão convencidos que eram quanto à própria força, ofereciam
sacrifícios a seus instrumentos de conquista (1.16). Alguns pensam que
tal culto às redes acontecera literalmente naquela época, entre o povo
deste império, porém não encontramos base suficientemente crível para
afirmar que aconteceu. A melhor interpretação é aquela que diz que estes
artigos de pesca simplesmente simbolizavam as verdadeiras armas bélicas
usadas para subverter e assolar as nações.
Preocupado, Habacuque pergunta ao Senhor se a matança efetuada
por esses bárbaros continuará sem piedade e por muito tempo (1.17). Ou,
como poderíamos analogicamente perguntar: “Quando é que a época
da pesca dos caldeus terminará?” Nisso observamos o coração quente e
acolhedor do profeta, que sabia que o seu povo tinha desgostado a Deus
e precisava ser disciplinado, mas não queria que sofresse tanto sob o jugo
do novo poderio do Oriente. Por isso, intercedia e buscava obter de Deus
razões mais compreensíveis referentes ao castigo vindouro a Judá.
EXERCÍCIOS
Marque “C” para certo e “E” para errado.
___7.10 Habacuque é o profeta menos culto dentre os profetas menores.
___7.11 Habacuque ensina em seu livro que a iniquidade não triunfa;
que o Senhor é o Deus do universo e o Seu desejo é que Seus
filhos se comuniquem com Ele.
___7.12 O nome Habacuque significa literalmente abraço.
___7.13 O tema do Livro de Habacuque é “A Santidade de Deus”.
___7.14 O profeta Habacuque clama pela rápida intervenção divina,
ante a violência, opressão e perversidade do povo.
___7.15 Deus responde a Habacuque que, num futuro não muito
distante, atacará Jerusalém, causando horror e ruína a muitos.
TEXTO 4 155
A VISÃO (Hc 2)
O diálogo entre Deus e Habacuque continua. O profeta, que ouvira
da parte do Senhor o que estava reservado ao Seu povo, agora aguardava
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
uma segunda resposta. Verdadeiramente, esse arauto tinha demonstrado
coragem, e até ousadia, ao questionar os meios de Deus agir. Há uma
versão que insere aqui o provável pensamento de Habacuque: “Oh! Eu sei
que tenho me precipitado em falar ousadamente desta maneira a Deus”.
Portanto, resolvido a ouvir o Senhor, o profeta espera as Suas palavras.
“... escreve a visão...” (Hc 2.1-5)
Uma das proclamações mais inspiradas e comoventes de toda a
Bíblia encontra-se nestes versículos. Realmente, há razões de grande
valor nessa resposta de Deus ao Seu porta-voz.
Antes de comentar a segunda resposta do Senhor, observe, no primeiro
versículo, a determinação de Habacuque em receber esta mensagem de Deus.
Ele se coloca numa torre de vigia ou posto de observação. Decidido, posicio-
na-se na torre esperando receber o que o seu Senhor tem a transmitir-lhe.
Notamos aí a sua fé evidenciada pela resolução de ouvir a voz de Deus.
Obviamente, é um retrato simbólico, mas, mesmo assim, mostra o preparo
do coração do profeta ante a expectativa da resposta divina.
As instruções do Senhor a Habacuque consistem em escrever sobre
tábuas de grande porte a mensagem sobre o juízo do ímpio. A mensagem
seria tão claramente manifesta, que até o apressado a leria e compreen-
deria o que estava escrito.
A visão não trata do julgamento de Judá, mas do julgamento inevi-
tável dos caldeus e de outros futuros inimigos do Senhor, como também
da preservação do povo de Deus. A visão cumprir-se-á no futuro, quando
os babilônios serão julgados e, mais adiante, quando outras nações serão
julgadas. A promessa do Senhor ao Seu profeta é que, de fato, a visão
se cumprirá. Não haverá cancelamento, nem omissão, mas apenas o
cumprimento específico e exato da profecia.
A pergunta de Habacuque, “Até quando, Senhor?”, foi plenamente
esclarecida nesta revelação dada por Deus: “Porque a visão é ainda para
o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se
tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.” (2.3). Em outras
156 palavras: “Paciência, meu profeta, Eu estou realizando todos os meus
objetivos e nada me impedirá de cumpri-los.”
O famoso e tão estudado ponto central deste oráculo, “... o justo
pela sua fé viverá” (2.4), citado três vezes em o Novo Testamento (Rm
Profetas Menores
1.17; Gl 3.11 e Hb 10.38), é o mesmo que mudou de forma estupenda a
vida de Martinho Lutero e tornou-se o pensamento-chave da Reforma
Religiosa do século XVI. Estas palavras ainda são fundamentais à vida
espiritual do crente. Sua justiça depende de sua fé e sua fé depende da
crença em Jesus como único e suficiente Salvador. É o princípio da real
consagração ao Senhor.
O soberbo confia em si mesmo, em sua própria aptidão, porém está
se enganando e sofrerá um dia as consequências da sua “fé humana”. O
justo, ao contrário, viverá pela fé em Deus e, a Seu tempo, colherá os
frutos eternos por ela produzidos.
Cinco aflições dos caldeus (Hc 2.6-20)
Nestes quinze versículos, encontramos cinco “ais” sobre os babilô-
nios. A lista dos ais é composta pelas nações (“todos estes” – v. 6) que
HABACUQUE E A JUSTIÇA PELA FÉ do conforme as promessas do Senhor. No cerne
de tudo está a fé em Deus, pela qual o justo vive-
O Livro de Habacuque estrutura-se sobre o rá (cf. 2.3,4; vejam-se, ainda, Rm 2.17 e Hb 10.38).
questionamento do profeta acerca do juízo do Conquanto tenha servido a Deus como instru-
povo judeu a partir da invasão perpetrada por mento de juízo, a nação caldeia não foi, por isso,
um povo ímpio. Ele deseja entender como se ope- justificada, dado que a sua participação nos
ra a justiça divina numa situação dessa estirpe. destinos dos judeus estava sob total controle
A questão central do Livro de Habacuque do Deus Todo-Poderoso, o Único que sobera-
é conhecida, na teologia e na filosofia, pelo namente governa as nações. Todas as práticas
nome de “teodiceia” (do grego theos, Deus, arbitrárias e excessivas dos babilônios seriam
e díke, justiça). Um dos modos de formular a cabalmente castigadas pelo Senhor, que não
pergunta central da teodiceia seria o seguinte: tem compromisso com o pecado. Como preco-
Se Deus é bom e justo, por que o mal existe? niza uma lição do direito, até mesmo quem age
Esse tema, com diversos aspectos e implica- em legítima defesa pode ser responsabilizado
ções, acha-se espraiado em outras partes da se incorrer em “excesso doloso”.
Bíblia, como em Jó, Salmos, Eclesiastes, Mala- No que concerne ao povo escolhido, as pro-
quias e Lucas (vejam-se, por exemplo, os Sal- messas do Senhor constituem a garantia de
mos 10 e 73, além de Lc 13.1-5). restauração e bênçãos, motivadas, não pela
A resposta de Deus envolve duas abordagens: justiça própria, mas, sim, pela graça de Deus,
(a) os caldeus (babilônios) serão castigados no que, como Paulo explicaria séculos mais tarde,
tempo oportuno; (b) o povo judeu será abençoa- se aplica ao pecador por meio da fé.
haviam sido subjugadas pelos caldeus. Elas levantam suas vozes em 157
protesto contra a infâmia do seu opressor:
1. Ai do avarento (2.6-8);
2. Ai do cobiçador (2.9-11);
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
3. Ai do que pratica a crueldade (2.12-14);
4. Ai do corrupto (2.15-18);
5. Ai do idólatra (2.19,20).
Em meio a estas declarações acusadoras e julgadoras, notamos duas
frases de encorajamento e esperança:
a) “Porque a terra se encherá do conhecimento da glória
do Senhor,...” (2.14),
b) “Mas o Senhor está no seu santo templo...” (2.20).
Isto indica que, um dia, a impiedade que infesta o mundo será
dissipada e o aroma refrescante da glória divina encherá a terra. Também
salienta a onipresença do Senhor no Seu santuário. Ele ainda domina e
dominará. O contraste entre este Deus e os deuses de madeira, ouro ou
prata, mostra que somente Ele é o Senhor. O mundo, entretanto, deve
aguardar silenciosamente o Seu juízo e a manifestação da Sua santidade.
Ele, e não os deuses falsos, é digno de reverência e temor.
EXERCÍCIOS
Assinale com “x” a alternativa correta.
7.16 Habacuque, no aguardo da resposta de Deus, colocou-se atento
___a) em uma torre de vigia.
___b) em um canto do templo.
___c) sobre um monte.
___d) Nenhuma das alternativas está correta.
7.17 O Senhor instrui Habacuque a escrever a mensagem acerca do
juízo do ímpio
___a) sobre pedras lavradas.
___b) sobre tábuas de grande porte.
___c) em muro, bem visível.
___d) Nenhuma das alternativas está correta.
158 7.18 A visão que Deus ordenou ao profeta Habacuque que escrevesse
trata do julgamento
___a) de Judá. ___b) dos assírios.
___c) dos caldeus. ___d) dos amorreus.
Profetas Menores
7.19 O Novo Testamento menciona três vezes a mesma palavra do
Senhor registrada em Habacuque 2.4:
___a) “... o justo pela sua fé viverá.”.
___b) “... o justo não morrerá.”.
___c) “... o justo já está salvo.”.
___d) Todas as alternativas estão corretas.
TEXTO 5
A ORAÇÃO (Hc 3)
Um belo salmo encerra o Livro de Habacuque. Nele notamos
petições, declarações de fé e louvor. Mesmo reconhecendo que Judá será
julgado e subvertido, o profeta termina o seu relato com exclamações de
vitória e alegria, pois tem aprendido a ter fé em Deus em todas as situações.
O principal desejo de Habacuque (Hc 3.1,2)
O poema começa dizendo que as palavras ouvidas pelo profeta
o assustaram, mas, mesmo assim, Habacuque não deseja impedir o
trabalho de Deus. Ele crê que a ira divina é, de vez em quando, mister
no mundo; contudo, apela para que o Senhor Se lembre de que é miseri-
cordioso. Seu principal desejo em meio às suas frustrações é que Deus
avive a Sua obra, que é o Seu rebanho. O profeta anela a continuação da
operação divina em meio ao Seu povo e que, no decorrer dos anos, Deus
possa restaurar Israel ao seu devido lugar; que não seja severo demais
ao castigá-lo e, novamente, faça-o conhecido e digno entre as nações,
trazendo honra ao Seu bendito nome.
A glória do Santo (Hc 3.3-16)
A expressão “Deus veio de Temã, e do monte de Parã o Santo...”
(3.3) quer dizer simplesmente que a manifestação do Senhor e Sua justiça
e glória viriam direto desses locais. Representam meramente o “ponto de
partida” da vinda de Deus contra os caldeus. Temã era um distrito ao 159
Sul de Edom, enquanto Parã é uma área montanhosa na região do Sinai.
Esta analogia é paralela àquela usada por Moisés em Deuteronômio 33.2,
que diz que o Senhor veio do Sinai e de Seir, e também menciona o
monte Parã. A linguagem poética de Habacuque narra uma vinda real do
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
Altíssimo, uma teofania, isto é, a aparição de Deus em forma humana.
Nessa oração, o profeta salienta dois aspectos da justiça divina:
1. Seu direito de julgar;
2. Seu propósito em julgar.
Sobre estes aspectos o profeta descreve o impressionante poder
de Deus (a terra treme (v. 6); o sol e a lua param (v. 11); a cabeça dos
guerreiros é traspassada (v. 14); e vários outros exemplos, deixando o arauto
sem forças: lábios trêmulos, podridão nos ossos e joelhos vacilantes (3.16).
Ao alistar esses atributos divinos, e ao ouvir o som da marcha do exército
do Altíssimo, Habacuque comove-se em seu íntimo, reconhecendo que
somente o Senhor tem autoridade absoluta para julgar os povos. E, os
propósitos em julgar, como temos notado também noutras profecias, são
para destruir os Seus adversários e para salvar o Seu povo (3.13).
Após estabelecer esses fatos no coração, o profeta decide, como Deus
lhe falara (2.3), esperar em silêncio o dia da angústia. Alguns interpretam
esse dia como sendo aquele em que Judá será invadido e devastado pelos
babilônios; outros acreditam que é o dia do julgamento do Senhor sobre
os babilônios. Porém é consenso geral que esse dia de calamidade é o que
sobrevirá aos inimigos dos judeus. Então o profeta será recompensado da
sua espera tranquila e poderá descansar confortavelmente, pois o Senhor
terá tratado com justiça aqueles que oprimiam o Seu povo.
A exultação de Habacuque (Hc 3.17-19)
A conclusão da mensagem desse porta-voz de Deus é singular. É
uma exclamação de fé e ânimo ante as circunstâncias escuras de Judá.
Ainda que essa terra nada esteja produzindo e os animais da lavoura
tenham sido levados, ou mesmo destruídos, todavia ele se regozija no
Deus da sua salvação (3.17,18).
Pelos olhos da fé, o profeta viu além da carência de víveres do seus
dias; avistou um futuro resplandecente, quando o Santo de Israel faria
rejuvenescer a lavoura, os animais, a terra e o povo. Seu coração, ao
160 meditar neste fato, palpitava alegremente. Habacuque entoava louvores
ao seu Salvador. Com isso, sentia-se seguro e protegido na fortaleza do
seu Capitão, onde recobrava forças, corria e andava, dando glórias ao
seu Senhor (3.19).
Profetas Menores
Como é que Habacuque pôde se conduzir de tal forma? Porque
ele não somente pregou sobre o viver retamente pela fé, como também
aplicou este princípio espiritual à própria vida. Sua fé alicerçava-se no
Senhor dos céus e da terra; assim ele podia, confiadamente, exultar no
Deus a quem servia. Estava ciente de que as promessas de seu Pai se
cumpririam e a sua esperança tornar-se-ia gloriosa realidade.
EXERCÍCIOS
Associe a coluna “A” à coluna “B”.
Coluna “A”
___7.20 Presente na conclusão do Livro de Habacuque.
___7.21 Desejo do profeta revelado em Habacuque 3.2.
___7.22 Habacuque almeja que Deus, no decorrer dos anos, restaure
ao seu devido lugar.
___7.23 Locais de onde viriam a manifestação do Senhor e Sua justiça
e glória.
___7.24 Aspectos da justiça divina presentes na oração do profeta
Habacuque.
___7.25 Exclamação de fé e ânimo ante as circunstâncias escuras de Judá.
Coluna “B”
A. Seu povo, Israel.
B. Conclusão da mensagem de Habacuque.
C. “aviva tua obra, ó Senhor”.
D. Temã e monte de Parã.
E. Um salmo com petições, declarações de fé e louvor.
F. O direito de julgar e o propósito em julgar.
TEXTO 6 161
O DIA DA IRA DO SENHOR (Sf 1.1–3.7)
Sofonias significa o Senhor esconde ou o Senhor protege (2.3).
O profeta é o único dentre os Profetas Menores que tinha parentesco
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
com a linhagem real. Sua genealogia se encontra no primeiro versí-
culo do livro que leva seu nome. Observamos que foi tetraneto do
rei Ezequias. Possivelmente, era de Jerusalém e influiu nas reformas
religiosas do tempo do rei Josias.
O relato de Sofonias, juntamente com os de Naum e Habacuque,
procurou alertar o povo a voltar a Deus antes que o ataque militar e
arrasador dos caldeus os atingisse e fosse tarde demais.
Fundo histórico
Escrito cerca do ano 620 a.C., o tema do Livro de Sofonias é “O
Dia do Senhor”, principalmente os Seus efeitos sobre Judá, que sofrera
50 anos de crueldade e opróbrio sob os reinados de Manassés e Amom.
O paganismo e a corrupção alcançaram o auge em Judá durante
esse tempo. No ano 640 a.C., Josias foi coroado rei, no Reino do
Sul; doze anos depois, iniciou uma grande reforma religiosa, porém
o povo não cooperou e, por isso, ele teve pouco êxito. Nínive ainda
não tinha sido arrasada (2.13) e a Babilônia, vassala da Assíria, já
estava em ascendência. Anos depois, a própria Babilônia conquistaria
a Assíria e, posteriormente, Judá. Jerusalém se encontrava em estado
lastimável; seus profetas e sacerdotes tinham aderido à imoralidade,
idolatria e insensatez. A cidade continuava palmilhando a estrada de
trevas, mesmo após várias medidas disciplinares de Deus, visando a
mudança de sua conduta rebelde.
Destruição futura (Sf 1.1-6)
Depois de se apresentar, Sofonias começa bruscamente sua profecia,
dizendo que o Senhor vai consumir todas as coisas sobre a face da terra
(1.2,3). Não é uma oração simbólica; é uma proclamação da futura
destruição da terra. O profeta inicia predizendo o fim de tudo e, depois,
recua aos poucos, salientando o julgamento de Deus sobre nações especí-
ficas e sobre o seu povo. Contudo, sua declaração introdutória procura
despertar Judá e trazê-lo de volta ao caminho reto, pois será incluído
nesse grande holocausto, se não se arrepender.
162 Aquele dia (Sf 1.7-18)
Este trecho é um dos mais pavorosos dentre todos os relatos dos
Profetas Menores. Nele encontramos uma narração espantosa sobre o
terrível Dia do Senhor. Observe as frases sinônimas que Sofonias usa
Profetas Menores
para descrevê-lo:
a) “... dia de indignação...” (v. 15);
b) “... dia de tribulação e de angústia...” (v. 15);
c) “... dia de alvoroço e de assolação...” (v. 15);
d) “... dia de trevas e de escuridão...” (v. 15);
e) “... dia de nuvens e de densas trevas.” (v. 15);
f) “... dia de trombeta e de alarido contra as cidades
fortificadas e contra as torres altas (v. 16).
O DIA DO SENHOR Em termos didáticos, pode-se afirmar que o Dia
do Senhor consiste numa série de eventos que se
O “dia do Senhor” ou o “dia da ira do Senhor” compreenderão entre o Arrebatamento da Igreja
é uma expressão bíblica muito importante e o estabelecimento de Novos Céus e Nova Terra.
que, encontrada nos Profetas Menores, prediz Independentemente de o “dia do Senhor” se
tanto um conjunto de eventos escatológicos referir, em determinada passagem, a um julga-
de julgamento e salvação como a restauração mento escatológico, à salvação futura ou a um
futura anunciada por Deus quanto a Israel (cf. julgamento histórico (de Israel, de Judá ou de
Jl 1.15; 2.1,2, 11, 31; 3.14; Am 5.18, 20; Ob 15; Sf 1.7- outras nações), o fato é que o significado en-
18; 2.1-3; Zc 14.1; Ml 4.5). volve uma intervenção poderosa e decisiva do
Ocorrem também, nessa coleção profética, Senhor sobre a história humana, para resolver
as expressões similares “no dia”, “naquele dia” o problema do pecado.
e “aquele dia” (cf. Os 1.5; 2.16, 18, 21; Jl 3.18; Sf Não se deve admitir a possibilidade de mais
3.8, 11, 16; Ag 2.23; Zc 12.4, 6, 8, 11, 13.1; 14.4, 6, 8, de um significado para um mesmo texto – algo
13, 20; Ml 3.17; 4.1). Joel exibe, ainda, a expres- defendido por alegoristas e pós-modernistas
são “naqueles dias e naquele tempo” (cf. 3.1), –, mas, sim, de um só e mesmo significado que,
Sofonias emprega “naquele tempo” (cf. 3.19, no entanto, pode abranger diferentes etapas
20) e Habacuque fala de um “tempo determi- de cumprimento.
nado” em que a visão se há de cumprir (cf. 2.3).
Temos outras referências ao dia do Senhor Referência bibliográfica:
ou “grande Dia” em Isaías (cf. 2.12; 13.6) e no STAMPS, Donald (Editor-Geral). Bíblia de Estu-
Novo Testamento (cf. At 2.20; 2 Co 1.14; 1 Ts 5.2; do Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995,
Jd 6; Ap 6.17). E a ênfase dada por Joel ao tema 2.030p.
do juízo do Senhor é corroborada no Apocalip-
se (cf. 14.18-20; 16.12-16; 19.19-21; 20.7-9).
Acrescentando a estas expressões outras igualmente assustadoras, o 163
profeta deixa bem claro que o tal tempo será tão extraordinário, que fará
do valente um covarde e do corajoso um ser apavorado.
A primeira parte dessa passagem (vv. 7-13) diz respeito a Judá. A
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
segunda divisão (vv. 14-18) inclui toda a terra. O versículo 18 indica que
tentar subornar Deus com ouro e prata é inútil. O fogo do Seu zelo alcançará
todos e a consumição será total. Nada poderá salvar o homem naquela hora.
Vemos que o castigo divino, principalmente sobre Israel, atinge
três grupos de pessoas: os oficiais e filhos de reis (1.8); os homens cruéis
e violentos (1.9) e os que são indiferentes às coisas de Deus (1.12). A ira
destruidora do alto inundará Jerusalém, Judá, as nações vizinhas e até
os confins da terra, vindicando o Senhor. Fechadas estarão as portas da
graça, da compaixão e da misericórdia, e não haverá mais piedade.
As Sentenças das Nações (Sf 2)
Antes de predizer o castigo que
assolará os povos ao redor de Judá,
Sofonias convida o povo a congregar-se
e buscar Deus, antes que venha o dia da
Sua ira (vv. 1-3). “Buscai ao Senhor... a
justiça... a mansidão...”, diz o profeta. Se
assim fizer, o povo encontrará refúgio;
escondido do furor que vem do alto,
escapará do julgamento que se aproxima.
A lista de cidades e países em seu
relato representa todas as nações em volta
de Israel. Note as suas posições geográficas:
1. Assíria (Nínive) – Norte.
2. Etiópia – Sul.
3. Moabe e Amom – Leste.
4. Filístia (Gaza, Asdode, Aquelom e Ecrom) – Oeste.
A Filístia será destruída, não restando um só morador. Seu litoral
será pastagens para ovelhas e refúgios para pastores (referência às
cavernas nas rochas da borda do mar). Os judeus dominarão a terra e
nela apascentarão seus rebanhos (2.6,7). Moabe e Amom serão como
Sodoma e Gomorra: campos de urtigas e poços de sal. Também serão
164 possuídos pelo povo de Deus (2.9). Etiópia será morta pela espada do
Senhor (2.12). Nínive (Assíria) será como um deserto e rebanhos descan-
sarão nela; animais selvagens ali habitarão. Será uma espécie de zoológico
oriental. Onde antes havia obras-primas de cedro e mármore, restarão
somente ruínas e montes de lixo (2.13,14).
Profetas Menores
A Sentença de Jerusalém (Sf 3.1-7)
Israel também não ficará isento do juízo do Senhor. Jerusalém
é verbalmente lacerada pelo profeta: “Ai da rebelde e contaminada,
da cidade opressora!” (3.1). Não atende ninguém, por sua presunção.
Não aceita disciplina, por isso, seus moradores são indisciplinados.
Não confia no Senhor por se julgar autossuficiente. Não se aproxima
do seu Deus, o que demonstra soberba e rebeldia (3.2). Seus príncipes
são iguais a leões que devoram, em lugar de proteger os súditos. Seus
juízos são como lobos que cruelmente exploram o povo, ao invés de
administrar-lhe justiça. Seus profetas são levianos, frívolos e bajuladores
de si próprios; são falsos e sem mensagem divina para comunicar. Até
seus sacerdotes praticam abominações no templo e violam a lei sagrada
– não observam os preceitos de Deus e nem ensinam o povo a andar
conforme Seus estatutos (3.3,4).
O arauto divino procura fazer Judá lembrar-se de que serve a um
Senhor justo, que não peca e nem erra (3.5). Suas ovelhas, portanto,
devem seguir o exemplo do seu Senhor e não o dos outros rebanhos, que
vivem corrupta e impiamente. Essas nações serão exterminadas pela ira
de Deus (3.6) e, se Israel persistir em se conduzir da mesma maneira que
elas, terá destino semelhante.
A queixa sentida do amável Pai soa nos ares, conforme o versículo
sete. Ele disciplina Seus filhos, castigando-os para o seu próprio bem.
Após várias tentativas de trazê-los a Si, o Senhor vê que não querem
aceitar nem cumprir Suas instruções. Logo ao acordar, já pensam em
ultrajar Sua justiça com atos depravados.
EXERCÍCIOS
Assinale com “x” a alternativa correta.
7.26 O nome Sofonias significa
___a) o Senhor livra. ___b) o Senhor esconde.
___c) o Senhor salva. ___d) o Senhor vê.
7.27 A genealogia de Sofonias indica que ele foi tetraneto do rei 165
___a) Zacarias.
___b) Ezequias.
___c) Azarias.
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
___d) Malaquias.
7.28 O tema do Livro de Sofonias é
___a) “O Dia do Senhor”.
___b) “O Dia de Judá”.
___c) “Eis que Cedo Venho”.
___d) “Ele Tem Falado”.
7.29 Sofonias começa bruscamente sua profecia, baseado nas palavras
do Senhor:
___a) “sararei as suas feridas”.
___b) “... consumirei todas as coisas...”.
___c) “terei compaixão do meu povo”.
___d) “estou cansado desse povo”.
TEXTO 7
O DIA DO JÚBILO DO SENHOR (Sf 3.8-20)
Sofonias encerra o seu livro relatando o lado alegre do Dia
do Senhor. Salienta a salvação do remanescente de Israel em meio à
destruição das nações. Suas profecias falam da época messiânica,
mormente quando Cristo voltará para restaurar Jerusalém e habitar entre
o Seu povo, como Seu único e verdadeiro Rei.
Sofonias começa admoestando os judeus que permaneceram fiéis
a Deus a esperarem Nele, não somente no sentido de aguardar o dia do
despojo, mas, principalmente, de ter esperança e confiança na salvação
do Senhor, que não tardará (3.8).
O dia da ira do Senhor virá e as nações, assim como Jerusalém,
serão julgadas e consumidas pelo fogo do seu zelo. Portanto, este
holocausto servirá para purificar os fiéis que, unidos em espírito, servirão
a Deus (3.9). Os dispersos de Israel voltarão a Jerusalém e à sua terra.
166 Do ponto mais longínquo do seu cativeiro, “dalém dos rios da Etiópia...”
(v.10), retornarão, trazendo sacrifícios de louvor e gratidão ao Senhor. Os
que restarem de Israel, o povo modesto e humilde deixado em Jerusalém,
ou melhor, os que forem piedosos, Deus os guardará do fogo do furor, e
Profetas Menores
continuarão confiantes no seu Salvador. Serão como ovelhas dóceis que
descansarão na presença do seu bom Pastor, sem medo ou ameaças de
invasores vorazes.
Canta, Ó Israel (Sf 3.14-18)
Nesse trecho, o profeta convida o povo a entoar um hino de louvor
ao Senhor. Animado, pede que Israel cante e se regozije, e, de todo o
coração, exulte (3.14). É ocasião de festa porque Deus está no meio do
Seu povo (3.15,17). O Senhor, sabendo que, agora, os filhos de Israel Lhe
pertencem inteiramente, lança fora as sentenças e os inimigos que eram
contra eles. O Seu maior desejo diante dessas boas-novas é congregar os
Seus remidos e deleitar-se neles com alegria, renová-los com Seu amor,
regozijar-se neles com júbilo (3.17).
Eis, portanto, um dos grandes mistérios divinos: o poderoso
Senhor e Salvador, sendo Deus justo e zeloso, é também um Deus
que expressa real gozo em poder ter comunhão com pecadores
arrependidos. O canto de júbilo, então, não é somente para o Israel
da História, mas para todos os que fazem parte do Israel da eterni-
dade – a Sião universal.
Um nome e um louvor (Sf 3.19,20)
A conclusão de Sofonias trata da volta de Israel à sua terra, o seu lar.
Seu ponto de vista histórico enfatiza o retorno dos judeus da dispersão:
o dia glorioso do seu retorno a Jerusalém. Os que atormentam o povo
de Deus defrontar-se-ão com Ele e serão destroçados. O Pastor busca
as ovelhas que tanto sofreram e que estavam tão longe do aprisco. Sua
ignomínia será transformada em glória e estarão unidos sob o seu Rei – o
povo de um nome e um louvor.
Do ponto de vista espiritual, o profeta está predizendo a restau-
ração final e completa da família universal de Deus. O Messias a todos
acolherá; o reino será estabelecido e, para sempre, serviremos e louva-
remos, unidos ao Rei, nosso Senhor e Salvador.
EXERCÍCIOS 167
Marque “C” para certo e “E” para errado.
___7.30 Sofonias encerra o seu livro relatando o lado alegre do Dia
do Senhor.
Lição 7 - Os Livros de Naum, Habacuque e Sofonias
___7.31 No Dia do Senhor, Jerusalém será julgada e consumida pelo fogo
do zelo do Senhor. Os dispersos de Israel voltarão à sua terra.
___7.32 Em Sofonias 3.14, o profeta convida o povo a entoar um hino
de louvor ao Senhor, pois Deus está no meio dele.
___7.33 O canto de júbilo é não apenas para o Israel da História, mas
para todos os que fazem parte do Israel da eternidade.
REVISÃO DA LIÇÃO
Assinale com “x” a alternativa correta.
7.34 O pequeno Livro de Naum enfatiza uma grande verdade:
___a) Deus não Se deixa zombar.
___b) Deus é vingativo.
___c) Fiel é Deus.
___d) Deus é Deus dos grandes e pequenos.
7.35 Em Naum 2 encontra-se o relato descrevendo a terrível desolação
da capital Assíria:
___a) Samaria.
___b) Nínive.
___c) Judá.
___d) Belém.
7.36 Após ouvir a resposta de Deus sobre o ataque dos caldeus,
Habacuque teve dificuldade em aceitar o que o Senhor faria com
___a) Moabe.
___b) Judá.
___c) Nínive.
___d) Edom.
168 7.37 No capítulo 2 do Livro de Habacuque, referindo-se aos babilô-
nios, o Senhor pronuncia-se:
___a) Ai do avarento, do cobiçador.
___b) Ai do que pratica a crueldade.
Profetas Menores
___c) Ai do corrupto e do idólatra.
___d) Todas as alternativas estão corretas.
7.38 Em Habacuque 3.17-19, o profeta mostra-se exultante, mesmo
diante das circunstâncias escuras de Judá. Ele regozija-se
___a) no Deus da sua salvação.
___b) pelos seus próprios feitos.
___c) porque será poupado.
___d) Todas as alternativas estão corretas.
7.39 Sofonias 2 diz que o castigo que assolará os povos ao redor de
Israel, além da Filístia (Gaza, Asdode, Asquelom e Ecrom) ao
oeste, inclui:
___a) Moabe e Amom, ao leste.
___b) Etiópia, ao sul.
___c) Assíria (Nínive), ao norte.
___d) Todas as alternativas estão corretas.