Princípios de Pascal e Arquimedes na Hidrostática

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O documento descreve os princípios de Pascal e Arquimedes da hidrostática. O Princípio de Pascal estabelece que a pressão exercida sobre um líquido é transmitida igualmente a todos os pontos…

Enviado por

Giovanna Cerda

FRENTE MÓDULO

FÍSICA A 13
Teoremas de Pascal e Arquimedes
No módulo anterior, estudamos o Princípio Fundamental As máquinas hidráulicas, como elevadores e prensas
da Hidrostática, representado pela equação de Stevin, com a hidráulicas, funcionam com base no Princípio de Pascal.
qual podemos calcular as pressões exercidas por um líquido Uma máquina hidráulica é um dispositivo capaz de multiplicar
em equilíbrio. Neste módulo, discutiremos outros dois pilares o efeito de uma força por meio da transmissão da pressão
da Hidrostática, os Princípios de Pascal e de Arquimedes, bem exercida por essa força em um líquido. Para explicar o
como uma série de aplicações sobre esses dois fundamentos. funcionamento dessas máquinas, vamos considerar a figura 2,
que representa um elevador hidráulico, constituído de dois
cilindros dotados de êmbolos, interligados e cheios de óleo.
PRINCÍPIO DE PASCAL
O francês Blaise Pascal, que viveu no século XVI, fez
importantes descobertas na Matemática e na Física.
No campo da Mecânica dos Fluidos, a sua contribuição mais
relevante, hoje conhecida como Princípio de Pascal, pode a A
ser assim enunciada:
F
A pressão exercida sobre um líquido em equilíbrio se transmite
integralmente a todos os pontos do líquido e às paredes do f
recipiente no qual o líquido está confinado.

A figura 1 ilustra uma experiência simples para demonstrar o Óleo


Princípio de Pascal. Nela, temos um cilindro cheio de líquido, um
balão de borracha conectado ao cilindro e cinco manômetros
também conectados ao cilindro em diferentes posições. Figura 2. A pressão exercida pela pessoa é transmitida pelo óleo
Dentro do balão de borracha, há um pouco de ar aprisionado. para a outra extremidade do elevador.
Esse ar exerce uma pressão sobre a superfície do líquido.
Apertando o balão, a pressão exercida pelo ar sobre a superfície De acordo com o Princípio de Pascal, a pressão exercida
do líquido aumenta. Os cinco manômetros, que se acham pela pessoa é transmitida integralmente por meio do óleo
distribuídos em diferentes posições nas paredes do cilindro, para o outro lado do elevador. Por isso, a razão entre a força
registram o mesmo aumento de pressão. É justamente essa exercida pela pessoa e a área do êmbolo menor, f/a, deve ser
igual à razão entre a força que aparece no lado oposto e a
transmissão integral da pressão a todos os pontos do líquido
área do êmbolo maior, F/A. Explicitando a força f, obtemos:
que constitui a essência do Princípio de Pascal.
F f a
Pa = PA ⇒ = ⇒f =F
A a A

Para erguer o carro da figura 2 com velocidade constante,


a força F exercida pelo êmbolo deve ter a mesma intensidade
que o peso do carro. Nessas condições, se a massa do
carro for igual a uma tonelada, então F deve ser igual a
1 000 kgf. Considerando as áreas A = 2,0 m2 e a = 0,020 m2,
Líquido
confinado a intensidade da força f necessária para erguer o carro será:

a 0, 020 m2
f =F = 1 000 kgf = 10 kgf
A 2, 0 m2

Figura 1. O aumento de pressão exercida sobre a superfície do Note que o módulo da força f é 100 vezes menor do que
líquido é transmitido a todos os outros pontos do líquido. o de F, porque a área A é 100 vezes maior do que a área a.

Bernoulli Sistema de Ensino 3


Frente A Módulo 13 Teoremas de Pascal e Arquimedes

Na prática, uma máquina com um quociente A/a muito Uma experiência simples para comprovar o Princípio De acordo com a Equação de Stevin, a pressão exercida Caso I: O objeto afunda
grande não é viável, pois o óleo, sendo incompressível, deve de Arquimedes está ilustrada na figura 3. Na primeira pelo líquido aumenta com a profundidade. Por isso,
Para afundar, o módulo do peso do objeto deve ser maior
apresentar os mesmos deslocamentos volumétricos nos dois etapa da experiência, o peso de uma pedra é registrado nas faces laterais opostas do bloco, as pressões se cancelam. do que o módulo do empuxo, de modo que, após ser solto,
cilindros do elevador. Assim, como os cilindros apresentam por meio de um dinamômetro. Digamos que o valor Entretanto, o mesmo não acontece nas faces horizontais, a resultante das forças que atuam sobre o objeto será
áreas diferentes, os seus deslocamentos lineares são obtido seja P = 3,5 N. Na sequência, a pedra é pois a pressão exercida sobre a face inferior é maior do que a dirigida para baixo. Como o objeto está totalmente imerso no
mergulhada em um recipiente com água. Nessa condição, pressão exercida sobre a face superior, de modo que a força líquido, temos VO = VLD. Assim, para o peso ser maior do que
diferentes. Nesse exemplo, para que o carro fosse erguido
o dinamômetro registra um valor menor, por exemplo, exercida pelo líquido de baixo para cima é maior do que a o empuxo, devemos ter ρO > ρL. Esse resultado é bastante
1,0 m, o êmbolo menor deveria ser abaixado 100 metros.
PA = 3,0 N, que é o modulo do peso aparente da pedra. força de cima para baixo. Assim, há uma força resultante intuitivo, já que pode ser observado em várias situações do
É claro que um deslocamento tão grande assim é impraticável. nosso dia a dia, como o afundamento de uma pedra ou de
É claro que o peso real da pedra continua sendo igual a vertical, voltada para cima (o empuxo), atuando sobre o
Portanto, nas máquinas hidráulicas reais, o quociente A/a 3,5 N. Porém, a água exerce uma força de empuxo de bloco. Os módulos das forças exercidas pelo líquido sobre uma esfera de chumbo jogadas na água.
é limitado. Ainda que isso comprometa um pouco a vantagem
mecânica do sistema, o deslocamento do êmbolo em que f
módulo E = 0,50 N sobre a pedra, de forma que a força as faces inferior e superior do bloco são: Caso II: O objeto sobe
exercida pelo dinamômetro sobre a pedra, PA = P − E, possui
FS = (p0 + ρghS).A e FI = (p0 + ρghI).A Para o objeto subir, o módulo de seu peso deve ser menor
atua não é exageradamente grande. Em algumas máquinas módulo igual a 3,0 N. Por último, obtemos o resultado mais
do que o módulo do empuxo, pois, assim, a resultante das
hidráulicas, há uma alavanca atuando sobre o êmbolo menor. importante dessa experiência: a água coletada no recipiente forças que atuam sobre o objeto será dirigida para cima.
Nessas equações, hS e hI são as profundidades do líquido
A vantagem mecânica dessa alavanca, associada à da menor (água deslocada pela pedra) possui um peso de Isso ocorre porque ρO < ρL. Um exemplo desse caso é
nos níveis onde se situam as faces superior e inferior,
máquina hidráulica, permite a obtenção de uma vantagem 0,50 N, que é exatamente o módulo da força de empuxo, o movimento de subida de um pedaço de madeira abandonado
respectivamente. A diferença entre essas forças representa

FÍSICA
mecânica global praticável e significativa. obtido pela diferença entre as duas leituras do dinamômetro. dentro da água. Chegando à superfície, o objeto passa a
o empuxo do líquido sobre o cilindro:
flutuar. Isso significa que o módulo do empuxo diminui,
Podemos, também, usar o Princípio da Conservação da tornando-se igual ao módulo do peso do objeto, de forma que
E = FI − FS = ρgA(hI − hS)
Energia para explicar por que existe uma diferença entre a resultante de forças seja nula. O motivo dessa diminuição
do empuxo é que o objeto, ao flutuar com apenas uma parte
os deslocamentos lineares dos êmbolos em uma máquina Note que hI − hS é a altura h do bloco, de forma que o
submersa, desloca um volume de líquido menor do que aquele
hidráulica. De acordo com esse princípio, o trabalho realizado produto A.h é o volume V do bloco. Como esse é também o
que era deslocado durante o movimento de subida.
pela força no lado do êmbolo maior (F.d) deve ser igual ao volume do líquido deslocado, concluímos que ρ.V é a massa
do líquido deslocado, e que o módulo do empuxo E = ρ.V.g Uma consequência muito importante que tiramos da
trabalho realizado pela força no outro lado (f.D). Como F é
é igual ao módulo de peso do líquido deslocado, finalizando igualdade entre o empuxo (E = mLDg) e o peso de um
maior do que f, então D deve ser maior do que d. No exemplo objeto flutuante (PO = mOg) é que a massa mO do objeto
a nossa demonstração.
discutido anteriormente, como F é 100 vezes maior do é igual à massa mLD do líquido deslocado. A figura 5 mostra
que f, D deve ser 100 vezes maior do que d. A seguir, vamos discutir as condições nas quais um corpo uma experiência simples para comprovar essa igualdade.
afunda ou não em um líquido. Um bloco de madeira é colocado cuidadosamente em
um recipiente com água até o topo, que está sobre uma
balança. A água deslocada é coletada por um recipiente
PARA REFLETIR menor. Observe que a leitura da balança não se altera
PARA REFLETIR com a colocação do bloco de madeira, já que a massa de
Figura 3. O módulo do empuxo (calculado como a diferença das
Por que você, atrás de uma barragem, água que foi deslocada é exatamente igual à massa do
leituras no dinamômetro) é igual ao módulo de peso do líquido
seria capaz de reter toda a água da represa Uma peça de ferro faria um bloco de madeira objeto flutuante.
deslocado.
simplesmente tapando com o dedo um buraco flutuar mais baixo na água caso fosse presa debaixo
existente nessa construção? Arquimedes realizou experiências parecidas com a descrita
do bloco ou sobre ele?
anteriormente quando tentava descobrir uma maneira de
calcular a força de empuxo exercida sobre objetos imersos
na água. Muitos séculos depois, o Princípio de Arquimedes

PRINCÍPIO DE ARQUIMEDES foi demonstrado teoricamente a partir da Equação de Stevin.


Considere um bloco de altura h e seção transversal de área A,
Condições de flutuação
imerso em um líquido de densidade ρ, como mostra a figura 4. Imagine que você mergulha completamente um objeto
Empuxo de densidade ρO dentro de um líquido de densidade ρL.
P0 Em seguida, soltando o objeto, esse poderá afundar no
Quando você se encontra dentro de uma piscina com água,
líquido, permanecer no mesmo lugar em que foi colocado
o líquido exerce sobre seu corpo uma força denominada
ou, ainda, subir e emergir na superfície do líquido.
empuxo que age de baixo para cima sobre você. Por isso, FS
As intensidades do peso do objeto e do empuxo exercido pelo
embora seu peso continue sendo exatamente o mesmo, hS líquido definirão que tipo de evento ocorrerá com o objeto.
você se sente mais leve dentro da água do que fora dela. Para discutirmos mais detalhadamente esse problema, Figura 5. A massa de líquido deslocada é igual à massa do
hI
O grego Arquimedes, que viveu por volta do ano 400 a.C., vamos escrever o peso do objeto e o empuxo sobre ele objeto flutuante.
E = FI – FS
foi o primeiro a estudar esse fenômeno, formulando o que h usando as seguintes expressões: Podemos calcular a densidade de um objeto flutuante
hoje conhecemos como o Princípio de Arquimedes, cujo a partir da densidade do líquido e de medições simples do
enunciado é o seguinte: PO= mOg = ρOVOg ; E = mLDg = ρLVLDg
volume do objeto e do volume submerso, sendo este último
Nessas expressões, mO e mLD são as massas do objeto nada mais do que o volume de líquido deslocado. Como as
Todo corpo imerso em um fluido (líquido ou gás) sofre a ação ρ e do líquido deslocado, VO e VLD são os volumes do objeto e massas do objeto e da água deslocada são iguais, podemos
de uma força de empuxo exercida pelo fluido, cujo sentido é FI do líquido deslocado e g é a aceleração da gravidade. expressar a densidade do objeto por meio da seguinte relação:
de baixo para cima e cujo módulo é igual ao módulo do peso VLD
Figura 4. O empuxo se deve à diferença entre as forças exercidas Vamos analisar separadamente cada uma das situações mO = mLD ⇒ ρOVO = ρLVLD ⇒ ρO = ρL
do fluido deslocado pelo corpo. VO
pelo líquido na face inferior e superior do objeto. que podem ocorrer com o objeto.

4 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 5


Frente A Módulo 13 Teoremas de Pascal e Arquimedes

Esse resultado matemático pode ser expresso do seguinte


modo: a densidade de um objeto flutuante é uma fração
EXERCÍCIOS DE Figura 1 Figura 2

da densidade do líquido, o que corresponde à razão entre APRENDIZAGEM E


Bexiga
natatória E
o volume submerso e o volume total. Por exemplo, na figura 5, Submarino

se o volume do objeto for VO = 50 cm3 e o volume submerso Quando imerso, o volume de água deslocado por um submarino 01. (PUC RS) Um objeto flutua na água com metade do seu
for VLD = 30 cm3, então a densidade da madeira vale não se altera, o que torna constante o empuxo aplicado pela água.
volume imerso, conforme indica a figura.
Apesar disso, um submarino pode imergir e emergir no mar sempre
60% da densidade da água, uma vez que 30 cm3 é 60%
que for necessário, controlando a quantidade de
de 50 cm3. água nos tanques, ajustando, assim, o seu peso. P P
Nessa animação, você entenderá melhor como
Caso III: O objeto permanece parado ocorrem os processos de emersão e imersão de Peixe em equilíbrio Peixe em movimento
um submarino. Boa atividade! (E = P) ascendente
(E > P)
Quando um objeto é abandonado dentro de um líquido e
A respeito desse experimento, pode-se afirmar que
permanece no mesmo lugar, significa que a resultante de Na situação descrita, o módulo do empuxo aumenta,
forças sobre ele é nula. Por isso, concluímos, para esse caso, EXERCÍCIO RESOLVIDO A) o empuxo da água sobre o objeto tem intensidade
igual à metade do peso do objeto.
porque
A) é inversamente proporcional à variação do volume do

FÍSICA
que o módulo peso do objeto é igual ao módulo do empuxo.
B) o volume da água deslocada pelo objeto é igual ao
corpo do peixe.
Para isso ocorrer, temos ρO = ρL. Um exemplo dessa situação 01. Para impedir que um balão de gás leve escapasse da volume do objeto.
ocorre com um submarino em repouso ou em movimento mão do seu filho, um pai amarrou o cordão do balão na B) a intensidade da força peso, que age sobre o peixe,
C) a massa da água deslocada é igual à metade da massa
ponta do dedo do garoto. Uma ideia melhor seria colocar diminui significativamente.
horizontal submerso no mar. Embora o casco seja de aço, do objeto.
um pequeno objeto de lastro na ponta do cordão. Assim, C) a densidade da água na região ao redor do peixe
a densidade de um submarino é uma média ponderada D) o peso da água deslocada tem intensidade igual ao
segurando o objeto, o garoto sentiria o balão flutuando aumenta.
entre a densidade do aço, do ar, da água e de muitos outros peso do objeto.
preso em sua mão. Caso o garoto soltasse o objeto, D) depende da densidade do corpo do peixe, que também
corpos existentes na embarcação. Na verdade, o peso e a o conjunto balão / lastro cairia lentamente em direção E) o empuxo tem intensidade igual à metade do peso aumenta.
densidade de um submarino podem ser alterados por meio ao solo. Calcular a massa mínima que esse objeto deve da água deslocada.
E) o módulo da força peso da quantidade de água
da variação da massa em um tanque de lastro, que pode ter para impedir a subida do balão.
deslocada pelo corpo do peixe aumenta.
ser preenchido com uma massa maior ou menor de água. Dados: Massa do balão / gás / cordão: m = 4,0 . 10−3 kg; 02. (UECE) Considere um cubo imerso em água, conforme a

Dependendo do valor dessa massa, a embarcação pode Volume do balão: V = 5,0 L = 5,0 . 10 −3
m; 3 figura a seguir: 04. (UECE) Três sólidos, um cubo, um cilindro e uma esfera,
emergir, submergir ou manter-se em um mesmo nível dentro Densidade do ar atmosférico: ρatm = 1,2 kg/m3; têm massas iguais e distribuídas homogeneamente ao
longo de seus volumes. Os sólidos flutuam parcialmente
do mar. Observe a figura 6, que mostra um submarino em Aceleração da gravidade: g = 10 m/s2. FII FI
submersos em um mesmo líquido. A relação entre os
corte. O tanque de ar comprimido e a combinação certa de Resolução: volumes submersos de cada objeto é:
aberturas e fechamentos de válvulas permitem encher ou A figura a seguir mostra as forças atuantes sobre o
FIII A) ∆VCUB > ∆VCIL > ∆VESF C) ∆VCUB > ∆VCIL = ∆VESF
esvaziar o tanque de lastro. sistema. Para o sistema ficar em repouso, o módulo
B) ∆VCUB = ∆VCIL > ∆VESF D) ∆VCUB = ∆VCIL = ∆VESF
do empuxo exercido pelo ar atmosférico sobre o balão
deve ser igual à soma do módulo do peso do conjunto FIV
balão / gás / cordão com o módulo do peso do lastro.
05. (UFMG) Na figura, estão representadas duas esferas,
Periscópio Empuxo I e II, de mesmo raio, feitas de materiais diferentes e
Empuxo
imersas em um recipiente contendo água. As esferas são
Válvulas Ar comprimido No ponto destacado de uma das faces desse cubo, há mantidas nas posições indicadas por meio de fios que
uma força devido à pressão hidrostática exercida pela estão tensionados.
Peso do balão / gás / cordão
Tanque água. Assinale o vetor que melhor representa essa força.
de lastro A) FI B) FII C) FIII D) FIV
Tripulação
Peso do lastro
03. (Unesp) A maioria dos peixes ósseos possui uma
Peso
estrutura chamada vesícula gasosa ou bexiga natatória,
O peso do conjunto vale: que tem a função de ajudar na flutuação do peixe. I II
P = mg = 4,0 . 10−3.10 = 4,0 . 10−2 N Um desses peixes está em repouso na água, com a força

Figura 6. A variação do peso do submarino governa a dirigibilidade O empuxo da atmosfera sobre o balão vale: peso, aplicada pela Terra, e o empuxo, exercido pela água,
vertical da embarcação. E = ρatmVg = 1,2.5,0 . 10 .10 = 6,0 . 10
−3 −2
N equilibrando-se, como mostra a figura 1. Desprezando a
força exercida pelo movimento das nadadeiras, considere Com base nessas informações, é correto afirmar que o
Portanto, o peso do lastro deve ser de:
O Princípio de Arquimedes pode ser usado tanto para empuxo
que, ao aumentar o volume ocupado pelos gases na
PL = E − P = (6,0 − 4,0) . 10−2 = 2,0 . 10−2 N
corpos mergulhados em líquidos quanto para corpos imersos A) é igual à tensão no fio para as duas esferas.
bexiga natatória, sem que a massa do peixe varie
Esse peso corresponde a uma massa de 2,0 . 10−3 kg,
em um gás, como um balão que se move na atmosfera da significativamente, o volume do corpo do peixe também B) é maior na esfera de maior massa.
ou seja, uma massa de apenas 2,0 gramas. Esse valor é
Terra. O Exercício Resolvido 01, apresentado a seguir, aborda muito pequeno, de maneira que o fato de segurar o lastro aumente. Assim, o módulo do empuxo supera o da força C) é maior que o peso na esfera I.
essa situação. com a mão não gera desconforto para o garoto. peso, e o peixe sobe (Figura 2). D) é maior que o peso na esfera II.

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Frente A Módulo 13 Teoremas de Pascal e Arquimedes

06. (FGV-SP) Em lagos, onde a água é mais tranquila, os


pescadores gostam muito de utilizar em suas varas um
EXERCÍCIOS Sejam EI, EII e EIII os módulos dos empuxos sobre,
respectivamente, as caixas I, II e III. Com base nessas
06. (Unicamp-SP–2015) A figura a seguir mostra, de forma
simplificada, o sistema de freios a disco de um automóvel.
conjunto que consta de uma boia presa a um pequeno PROPOSTOS informações, é correto afirmar que: Ao se pressionar o pedal do freio, este empurra o êmbolo
pedaço de chumbo, a “chumbada”, mantida próxima ao A) EI > EII > EIII C) EI = EII = EIII de um primeiro pistão que, por sua vez, através do
anzol. Dentro da água, a boia fica em equilíbrio vertical, 01. (Unimontes-MG) Para se erguer um carro num elevador B) EI < EII = EIII D) EI > EII = EIII
óleo do circuito hidráulico, empurra um segundo pistão.
devido ao peso da chumbada. hidráulico de uma oficina autorizada, utiliza-se ar O segundo pistão pressiona uma pastilha de freio contra
comprimido para que seja exercida uma força de módulo F1 um disco metálico preso à roda, fazendo com que ela
04. (UPE–2015) Considere as afirmações a seguir que
sobre um pequeno pistão circular de raio 5,00 cm e área A1. diminua sua velocidade angular.
analisam a situação de um carro sendo erguido por um
A pressão exercida sobre esse pistão é transmitida por
macaco hidráulico. Pastilha de freio Óleo de freio
um líquido para outro pistão circular de raio 15,0 cm e
Boia área A2. A pressão que o ar comprimido exerce sobre o I. O macaco hidráulico se baseia no Princípio de
primeiro pistão é 2 atm ≅ 2 . 105 Pa. Arquimedes para levantar o carro. d2 d1
II. O macaco hidráulico se baseia no Princípio de Pascal
para levantar o carro.
Pedal de freio
III. O macaco hidráulico se baseia no Princípio de Stevin
A2 para levantar o carro.

FÍSICA
F1 A1
Chumbada
d1 IV. O princípio de funcionamento do macaco hidráulico se
d2
baseia em uma variação de pressão comunicada a um
F2 ponto de um líquido incompressível e, em equilíbrio,
Disco de freio
Anzol é transmitida integralmente para todos os demais
pontos do líquido e para as paredes do recipiente.
Usando-se um conjunto como este, supondo desprezível Considerando o diâmetro d2 do segundo pistão duas vezes
V. O princípio de funcionamento do macaco hidráulico se
a presença do anzol e admitindo que a linha seja bastante HALLIDAY, David; RESNICK, Robert; WALKER, Jearl. maior que o diâmetro d1 do primeiro, qual a razão entre
Fundamentals of Physics-Extended. 7. ed. Nova Iorque:
baseia em uma variação de pressão comunicada a um
flexível, analise: a força aplicada ao pedal de freio pelo pé do motorista
John Wiley & Sons, 2005. p. 463. ponto de um líquido incompressível e, em equilíbrio,
I. No mar, por conter água salgada, a parte emersa da e a força aplicada à pastilha de freio?
é transmitida apenas para a superfície mais baixa do
boia é maior, relativamente à água doce. Considere a aceleração da gravidade local g = 10 m/s2. recipiente que contém o líquido. A) 1/4 C) 2
II. Em um lago de águas calmas, por se manter flutuando O peso do carro, em newtons, é B) 1/2 D) 4
Estão corretas apenas
em equilíbrio estático, a boia não possui inércia. A) 2 500π. C) 1 500π.
A) I e IV.
III. A força que deve sofrer a ponta da vara, para iniciar B) 500π. D) 4 500π. 07. (UFRN) Do ponto de vista da Física, o sistema de
B) II e V. freios dos carros atuais é formado por uma alavanca
a retirada do conjunto do interior da água, é igual
ao peso do conjunto. 02. (UEL-PR) A areia monazítica, abundante no litoral do C) II e III. e por uma prensa hidráulica. Enquanto a alavanca tem
Espírito Santo até o final do século XIX, é rica em tório a capacidade de ampliação da força aplicada por um fator
É correto o contido em D) II e IV.
e foi contrabandeada para outros países durante muitos igual à razão direta de seus braços, a prensa hidráulica
A) I, apenas. D) II e III, apenas. anos sob a falsa alegação de lastrear navios. O lastro E) III e IV. amplia a força da alavanca na razão direta de suas áreas.
B) II, apenas. E) I, II e III. tem por objetivo afundá-los na água, até certo nível, Finalmente, a força resultante aciona os freios, conforme
conferindo estabilidade para a navegação. Se uma 05. (UECE) Uma boia completamente submersa em um mostrado na figura, fazendo o veículo parar.
C) I e III, apenas. tanque contendo água está presa ao fundo por uma linha
embarcação tem massa de 50 000 kg, qual deverá ser a
massa de lastro de areia monazítica, em toneladas, para inextensível e de massa desprezível. Esse tanque está Ponto de apoio
07. (PUC Rio–2017) Uma esfera de raio R flutua sobre um que esse navio lastreado desloque um volume total de sobre uma mesa horizontal e se desloca sem atrito sob l a
fluido com apenas 1/8 de seu volume submerso. Se esta 1 000 m3 de água do mar? a ação da força peso e de uma força constante também
esfera encolhesse uniformemente, mantendo sua massa
Considere a densidade da água do mar igual a 1 g/cm3. horizontal, conforme a figura a seguir:
inicial, qual seria o valor mínimo de seu raio para que L
A) 180 C) 630 E) 950
não viesse a afundar?
A
B) 500 D) 820
A) R/2 D) R/16
B) R/3 E) R/24 Força
03. (UFMG) Ana lança três caixas – I, II e III –, de mesma
C) R/8 massa, dentro de um poço com água. Elas ficam em
β = 90°
equilíbrio nas posições indicadas nesta figura: Considere que a alavanca tem braço maior, L, igual a 40 cm
08. (PUC Minas) Um bloco de madeira flutua em equilíbrio e braço menor, l, igual a 10 cm, e a prensa hidráulica
numa porção de água, com apenas uma parte de seu 45° = φ θ α apresenta êmbolos com área maior, A, oito vezes maior
I
volume mergulhada. Sejam rA a densidade da água, que a área menor, a.
r M a densidade da madeira que constitui o bloco, A aceleração horizontal do tanque tem módulo ligeiramente Levando em consideração as características descritas
VE o volume da porção do bloco que está acima do nível menor do que o módulo da aceleração da gravidade. anteriormente, tal sistema de freios é capaz de fazer
II
da água (parte emersa) e V o volume total do bloco. Assinale a opção que melhor representa o ângulo de a força exercida no pedal dos freios, pelo motorista,
A razão VE /V é: inclinação da linha que prende a boia. aumentar
III
A) rM /rA C) (rA – rM)/rM A) β C) θ A) 32 vezes. C) 24 vezes.
B) (rA – rM)/rA D) rA/rM B) α D) φ B) 12 vezes. D) 16 vezes.

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08. (PUCPR–2017) Uma pessoa em pé dentro de uma piscina 11. (FGV–2015) A indústria de produção de bens materiais Na figura a seguir, está representado, esquematicamente, 02. (Enem) Os densímetros instalados nas bombas de
se sente “mais leve” devido à redução de seu peso vive em permanentes pesquisas no intuito de usar um sistema simplificado de freio de um automóvel. combustível permitem averiguar se a quantidade de
aparente dentro da água. Uma modalidade esportiva materiais cada vez mais leves, duráveis e menos água presente no álcool hidratado está dentro das
Pivô
que se beneficia deste efeito é a hidroginástica. A força Pastilha de freio Óleo de freio
agressivos ao meio ambiente. Com esse objetivo, especificações determinadas pela Agência Nacional do
normal que o piso da piscina exerce sobre os pés de uma C1 d
é realizada a experiência descrita a seguir. Trata-se da Roda C2 Petróleo (ANP). O volume máximo permitido de água no
pessoa é reduzida produzindo baixo impacto durante o
exercício. Considere uma pessoa em pé dentro de uma determinação experimental da massa específica de um álcool é de 4,9%. A densidade da água e do álcool anidro
4d
piscina rasa com 24% do volume de seu corpo sob a água. sólido e da densidade absoluta de um líquido. Pistão são de 1,00 g/cm3 e 0,80 g/cm3, respectivamente.
Se a densidade relativa da pessoa for 0,96, qual a redução Um bloco em forma de paralelepípedo, graduado em Disponível em: <[Link]
Pistão
percentual da força normal que o piso horizontal exerce Alavanca Acesso em: 05 dez. 2011 (Adaptação).
suas paredes externas, feito do material cuja massa
sobre a pessoa dentro da água em relação ao piso fora Disco de freio
específica se deseja obter, é imerso, inicialmente em A leitura no densímetro que corresponderia à fração
da água?
água, da densidade absoluta 1,0 g/cm3, em que consegue máxima permitida de água é mais próxima de
A) –20% C) –25% E) –35%
se manter flutuando em equilíbrio, com metade de seu Pedal de freio A) 0,20 g/cm3.
B) –15% D) –30% volume imerso (Figura 1). A seguir, esse mesmo bloco é
B) 0,81 g/cm3.
imerso em outro líquido, cuja densidade se deseja medir, Nesse sistema, o pedal de freio é fixado a uma
09. (Cesesp-PE) Um macaco hidráulico consiste de dois

FÍSICA
C) 0,90 g/cm3.
passando a nele flutuar com 80% de seu volume imerso alavanca, que, por sua vez, atua sobre o pistão de um
pistões conectados por um tubo, como mostra a figura. D) 0,99 g/cm3.
(Figura 2). cilindro, C1. Esse cilindro, cheio de óleo, está conectado
O pistão maior tem 1 m de diâmetro e o menor tem
a outro cilindro, C2, por meio de um tubo. A pastilha de E) 1,80 g/cm3.
10 cm de diâmetro.
freio mantém-se fixa ao pistão desse último cilindro.
Ao se pisar no pedal de freio, o pistão comprime o 03. (Enem) Em um experimento realizado para determinar a
óleo existente em C1, o que faz com que o pistão de C2 densidade da água de um lago, foram utilizados alguns
se mova e pressione a pastilha contra o disco de freio. materiais conforme ilustrado: um dinamômetro D com

Considere que o raio do cilindro C2 é três vezes maior graduação de 0 N a 50 N e um cubo maciço e homogêneo
que o do C1 e que a distância d do pedal de freio ao pivô de 10 cm de aresta e 3 kg de massa. Inicialmente, foi
da alavanca corresponde a quatro vezes a distância do conferida a calibração do dinamômetro, constatando-se a
Figura 1 Figura 2
pistão C1 ao mesmo pivô. leitura de 30 N quando o cubo era preso ao dinamômetro
Com base nessas informações, e suspenso no ar. Ao mergulhar o cubo na água do lago,
O experimento conduz aos resultados da massa específica
do material do bloco e da densidade absoluta do líquido, 2. Determine a razão entre a força exercida sobre o até que metade do seu volume ficasse submersa, foi
Qual a força mínima, em newtons, que deve ser aplicada
em g/cm3, respectivamente, pedal de freio e a força com que a pastilha comprime registrada a leitura de 24 N no dinamômetro.
no pistão menor para que, sobre o maior, seja suspenso
o disco de freio.
um automóvel de 1 tonelada? Adote g = 10 m/s2. A) 0,500 e 0,625. D
A) 1 . 104 C) 1 . 102 E) 1 B) 0,625 e 0,500.
B) 1 . 103 D) 1 . 10 C) 0,625 e 0,750. SEÇÃO ENEM
D) 0,700 e 0,625.
10. (Unigranrio-RJ–2017) Uma pedra cujo peso vale 500 N
é mergulhada e mantida submersa dentro d’agua em E) 0,750 e 0,500. 01. (Enem) Para oferecer acessibilidade aos portadores de

equilíbrio por meio de um fio inextensível e de massa dificuldades de locomoção, é utilizado, em ônibus e
desprezível. Este fio está preso a uma barra fixa como 12. (UFMG) Um automóvel move-se em uma estrada reta e automóveis, o elevador hidráulico. Nesse dispositivo é
mostra a figura. Sabe-se que a tensão no fio vale 300 N. plana, quando, em certo instante, o motorista pisa fundo usada uma bomba elétrica, para forçar um fluido a passar
Marque a opção que indica corretamente a densidade da Considerando que a aceleração da gravidade local é de
no pedal de freio e as rodas param de girar. O automóvel, de uma tubulação estreita para outra mais larga, e dessa
pedra em kg/m3. 10 m/s2, a densidade da água do lago, em g/cm3, é
então, derrapa até parar. A velocidade inicial do automóvel forma acionar um pistão que movimenta a plataforma.
Dados: Densidade da agua = 1 g/cm3 e g = 10 m/s2. Considere um elevador hidráulico cuja área da cabeça do A) 0,6.
é de 72 km/h e os coeficientes de atrito estático e cinético
entre o pneu e o solo são, respectivamente, 1,0 e 0,8. pistão seja cinco vezes maior do que a área da tubulação B) 1,2.

Despreze a resistência do ar. que sai da bomba. Desprezando o atrito e considerando C) 1,5.
uma aceleração gravitacional de 10 m/s2, deseja-se elevar D) 2,4.
Considerando essas informações,
uma pessoa de 65 kg em uma cadeira de rodas de 15 kg
1. Calcule a distância que o automóvel percorre, desde E) 4,8.
sobre a plataforma de 20 kg.
o instante em que o freio é acionado, até parar.

Quando se pisa no pedal de freio a fim de se fazer


Qual deve ser a força exercida pelo motor da bomba 04. (Enem) Um brinquedo chamado ludião consiste em um
sobre o fluido, para que o cadeirante seja elevado com pequeno frasco de vidro, parcialmente preenchido com
parar um automóvel, vários dispositivos entram em ação e
velocidade constante? água, que é emborcado (virado com a boca para baixo)
fazem com que uma pastilha seja pressionada contra um
disco metálico preso à roda. O atrito entre essa pastilha e A) 20 N. D) 1 000 N. dentro de uma garrafa PET cheia de água e tampada.
A) 200 C) 2 000 E) 2 800 o disco faz com que a roda, depois de certo tempo, pare B) 100 N. E) 5 000 N. Nessa situação, o frasco fica na parte superior da garrafa,
B) 800 D) 2 500 de girar. C) 200 N. conforme mostra a figura 1.

10 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 11


Frente A Módulo 13

Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3

A respeito das amostras ou do densímetro, pode-se


afirmar que
A) a densidade da bola escura deve ser igual a
Figura 1
0,811 g/cm3.
Quando a garrafa é pressionada, o frasco se desloca para
B) a amostra 1 possui densidade menor do que a
baixo, como mostrado na figura 2.
permitida.
C) a bola clara tem densidade igual à densidade da bola
escura.
D) a amostra que está dentro do padrão estabelecido é
a de número 2.
E) o sistema poderia ser feito com uma única bola de
densidade entre 0,805 g/cm3 e 0,811 g/cm3.

GABARITO Meu aproveitamento

Aprendizagem Acertei ______ Errei ______

Figura 2
• 01. D • 03. E • 05. D • 07. A
Ao apertar a garrafa, o movimento de descida do frasco
• 02. A • 04. D • 06. A • 08. B
ocorre porque Propostos Acertei ______ Errei ______
A) diminui a força para baixo que a água aplica no frasco.
• 01. D
B) aumenta a pressão na parte pressionada da garrafa.
• 02. E
C) aumenta a quantidade de água que fica dentro
do frasco.
• 03. C
• 04. D
• 05. B
D) diminui a força de resistência da água sobre o frasco.
E) diminui a pressão que a água aplica na base do frasco.
• 06. A
05. (Enem) O controle de qualidade é uma exigência da • 07. A
sociedade moderna na qual os bens de consumo são • 08. C
produzidos em escala industrial. Nesse controle de • 09. C
qualidade, são determinados parâmetros que permitem
• 10. D
checar a qualidade de cada produto. O álcool combustível
é um produto de amplo consumo muito adulterado, • 11. A
pois recebe adição de outros materiais para aumentar a 12.

margem de lucro de quem o comercializa. De acordo com • 1. d = 25 m


a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o álcool combustível F
deve ter densidade entre 0,805 g/cm3 e 0,811 g/cm3. • 2. F = 361
pedal

C2
Em algumas bombas de combustível, a densidade do
álcool pode ser verificada por meio de um densímetro Seção Enem Acertei ______ Errei ______

• 01. C • 03. B • 05. D


similar ao desenhado a seguir, que consiste em duas
bolas com valores de densidade diferentes e verifica
quando o álcool está fora da faixa permitida. Na imagem, • 02. B • 04. C
são apresentadas situações distintas para três amostras
de álcool combustível. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

12 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA A 14
Leis de Kepler
Desde épocas remotas, o homem sabe que as estrelas e as
constelações, como o Cruzeiro do Sul, movem-se em trajetórias
circulares em torno da Terra, sem jamais mudarem a forma de
sua trajetória. O homem primitivo notou, também, que, além PÉGASO
do Sol e da Lua, outros cinco corpos celestes − os planetas
Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno − moviam-se 1° Jan
ALTAIR
entre as estrelas. Da Antiguidade à Idade Média, diversas 1° Dez
teorias foram propostas para explicar os movimentos dos
1° Ago 1° Nov
astros. No início do século XVII, o sistema heliocêntrico, 1° Jul
1° Set CAPRICÓRNIO
proposto por Nicolau Copérnico, foi reconhecido como o mais 1° Jun
1° Out
apropriado para a descrição desses movimentos. Logo após o
reconhecimento desse sistema, o astrônomo alemão Johannes 1° Maio
Kepler estabeleceu três relações matemáticas para descrever

Arquivo Bernoulli
as órbitas dos planetas do Sistema Solar. Essas relações, FOMALHAUT
atualmente conhecidas como Leis de Kepler, constituem
o escopo deste módulo. Figura 1. Movimento retrógado de Marte.

Iniciaremos este estudo com uma breve descrição Um dos primeiros modelos de sistema planetário
histórica das teorias sobre os movimentos dos corpos foi proposto pelo grego Eudóxio, discípulo de Platão.
celestes. Em seguida, apresentaremos as três Leis de Kepler, Nesse modelo, as estrelas, o Sol, a Lua e os planetas
que foram obtidas empiricamente a partir de medições das permanecem fixos sobre superfícies de esferas concêntricas.
posições dos planetas do Sistema Solar em suas respectivas As esferas são ligadas entre si por meio de eixos,
órbitas em torno do Sol. Veremos que essas leis aplicam-se a de forma que cada uma delas gira em relação às outras.
outras órbitas, tais como a de um cometa em torno do Sol ou A Terra é fixa e imóvel no centro comum das esferas.
a de um satélite em torno de um planeta. Na verdade, as Leis
O grego Claudius Ptolomeu propôs um modelo de sistema
de Kepler são leis universais. A universalidade dessas leis
planetário, no qual o Sol, a Lua e os planetas descrevem
foi esclarecida por Newton na ocasião em que ele elaborou
grandes órbitas circulares em torno da Terra. Além disso,
a Teoria da Gravitação Universal.
esses astros giram em pequenos círculos centrados nas
órbitas principais, como mostra a figura 2. Por meio dessa
SISTEMAS PLANETÁRIOS combinação de movimentos, o modelo geocêntrico explica
bem a trajetória irregular do planeta Marte.

Utilizando a Terra como referencial, os movimentos


observados para o Sol, para a Lua e para o conjunto de
Terra
estrelas são regulares e simples. Entretanto, os movimentos
Lua Júpiter
observados para os planetas são mais complexos.
Por exemplo, o planeta Marte, quando observado durante
vários meses, apresenta uma curiosa mudança no Mercúrio Marte
sentido de sua trajetória, conforme mostrado na figura 1.
Vênus
Nos três primeiros meses de observação, note que o planeta
Arquivo Bernoulli

se move da direita para a esquerda. Em seguida, a trajetória Saturno


é invertida, e o movimento se mantém da esquerda para Sol
a direita durante cerca de dois meses, quando, então,
a tendência inicial do movimento é restabelecida. Figura 2. Sistema planetário de Ptolomeu.

Bernoulli Sistema de Ensino 13


Frente A Módulo 14 Leis de Kepler

No início do século XVI, o astrônomo polonês Nicolau Isso é semelhante à percepção que um motorista tem ao ver o Em geral, o raio orbital médio do planeta é definido por Segunda Lei de Kepler – A Lei das
Copérnico propôs um modelo de sistema planetário simples, seu carro parado e o solo movendo-se debaixo dele. Muitas vezes, R = (p + a)/2.
capaz de explicar satisfatoriamente os movimentos dos corpos é mais conveniente usar o sistema geocêntrico de Ptolomeu.
Áreas
celestes. Primeiramente, Copérnico considerou que as estrelas Ainda hoje, os procedimentos de navegação de barcos e de Órbita elíptica
O segmento que liga o Sol ao planeta (raio orbital) “varre”
estão fixas no céu e que a Terra gira em torno de si. Por isso, aviões são baseados nesse modelo. Contudo, quando lidamos Planeta
áreas iguais em tempos iguais.
na Terra, temos a alternância do dia com a noite, além de com a análise de forças, isto é, com problemas de Dinâmica,
vermos as estrelas girando em círculos acima de nós. Além da o sistema heliocêntrico de Copérnico é o mais indicado. A consequência imediata dessa lei é que a velocidade
F1 F2
rotação terrestre, Copérnico também percebeu o movimento Periélio Afélio orbital do planeta varia ao longo da órbita. De acordo com a
de translação da Terra no espaço. Segundo seu modelo, a Terra 2ª Lei de Kepler, se as áreas A1 e A2, mostradas na figura 6,
e os outros planetas giram em torno do Sol, que é, de fato, AS TRÊS LEIS DE KEPLER Sol
são iguais, então os intervalos de tempo Δt1 e Δt2, gastos
o centro do sistema. Copérnico considerou corretamente que em suas varreduras, também são iguais. Como o raio orbital
a Lua era um satélite da Terra e que o sistema Terra-Lua gira O mapeamento dos céus P a
médio referente à área A1 é menor do que o raio orbital médio
em torno do Sol. A figura 3 mostra o sistema planetário de da área A2, então a distância percorrida pelo planeta na
Copérnico, com a presença dos planetas externos, descobertos O dinamarquês Tycho Brahe nasceu três anos após a varredura da área A1 deve ser maior do que aquela referente
Figura 4. O planeta se move em uma órbita elíptica, com o Sol
posteriormente. O sistema planetário de Copérnico também morte de Copérnico. Discordando do modelo heliocêntrico à área A2. Por isso, a velocidade média do planeta na
em um dos focos.

FÍSICA
permite explicar as trajetórias dos planetas observadas da do astrônomo polonês, Brahe propôs um modelo geocêntrico varredura da área A1 é maior do que a velocidade média na
Terra, inclusive o movimento peculiar de Marte. em que todos os planetas giravam em torno do Sol, enquanto A trajetória, na figura 4, está demasiadamente exagerada. varredura da área A2. Na verdade, o módulo da velocidade
este girava em torno da Terra. A Lua, mais próxima, também À exceção de Mercúrio, que apresenta uma órbita mais do planeta é mínimo quando ele passa pelo afélio, posição
girava em torno da Terra. Para confirmar a sua teoria, excêntrica, as trajetórias dos outros planetas são quase de afastamento máximo do Sol. À medida que o planeta se
Cinturão de asteroides Brahe inventou e fabricou grandes sextantes e compassos circulares. Para entender o significado da excentricidade de aproxima do Sol, a sua velocidade aumenta. No periélio,
Terra para medir os ângulos entre as estrelas e os planetas,
Vênus uma elipse, primeiramente, precisamos saber que a soma das posição de menor afastamento do planeta em relação ao Sol,
Marte realizando milhares de medições referentes às órbitas
Mercúrio distâncias de qualquer ponto da elipse aos focos é constante. o módulo da velocidade desse planeta atinge o valor máximo.
Júpiter Urano
planetárias ao longo de quase quarenta anos. As medições De acordo com essa propriedade, podemos traçar uma elipse
Saturno Netuno de Brahe foram feitas com tanta precisão que até hoje são
Sol utilizando um cordão preso nos focos F1 e F2 da elipse, conforme
usadas para analisar as órbitas dos planetas interiores.
Arquivo Bernoulli

mostra a figura 5. O cordão serve de guia para a ponta de um


Tendo em vista as condições limitantes de sua época, para lápis, de forma que a soma da distância de F1 ao ponto P com a ∆t1 A1 A2 ∆t2
muitos, Tycho Brahe foi o maior astrônomo de todos os tempos. distância de F2 ao ponto P é constante (igual ao comprimento do
Figura 3. Sistema planetário de Copérnico. Sol
Apesar de ter catalogado milhares de informações sobre barbante), independentemente da posição de P. A elipse traçada
O sistema heliocêntrico de Copérnico rebaixou a Terra à as distâncias planetárias, Tycho Brahe não tinha a paciência é muito excêntrica, porque os focos estão muito separados,
nem a destreza matemática necessárias para analisar aquela e os comprimentos dos dois semieixos são bem diferentes. A1 = A2 ⇒ ∆t1 = ∆t2
categoria de planeta, retirando-a do centro do Universo –
ideia defendida pela Igreja e muito enraizada entre as pessoas. avalanche de números. Relutante, ele acabou cedendo suas Para F1 e F2 praticamente sobre o centro C, a elipse tende para Figura 6. A linha que liga o Sol ao planeta descreve áreas iguais
Sabendo das críticas que sofreria, Copérnico retardou a publicação preciosas tabelas ao alemão Johannes Kepler. Hábil matemático, um círculo. Esse é o caso das trajetórias de quase todos os em tempos iguais.
de sua teoria heliocêntrica (a qual apresenta o Sol como o Kepler se debruçou sobre os dados e, após anos de árduo planetas do Sistema Solar, cujas excentricidades são pequenas.
centro do Universo) para o fim de sua vida. Após a publicação trabalho, conseguiu decifrá-los, exprimindo-os na forma do Terceira Lei de Kepler – A Lei dos
dessa teoria, assistiu-se a um crescente debate sobre o modelo que hoje conhecemos como as Leis de Kepler. O restante deste Períodos
heliocêntrico. Galileu foi julgado por defendê-lo e também por módulo é dedicado à apresentação dessas leis.
divulgar as suas próprias descobertas científicas. Para evitar O quadrado do tempo gasto pelo planeta para percorrer sua órbita
uma condenação maior, Galileu precisou negar suas convicções em torno do Sol é proporcional ao cubo do raio orbital médio.
publicamente. Outros seguidores de Copérnico e de Galileu Primeira Lei de Kepler – A Lei das
O tempo necessário para que um planeta complete uma
conseguiram, paulatinamente, implantar o novo paradigma
Órbitas volta em torno do Sol é igual ao seu período orbital T.
científico. No início do século XVII, as ideias de Copérnico e de
Galileu foram aceitas pela maioria dos pensadores. Denominando o raio orbital médio por R, podemos expressar
Cada planeta gira em torno do Sol em uma órbita elíptica, a 3ª Lei de Kepler por meio da seguinte equação:
Vamos finalizar este tópico com dois comentários com o Sol ocupando um dos focos dela. P
T2
importantes. O primeiro é que, ainda na Idade Antiga, =K
R3
embora a principal corrente de pensamento fosse baseada
A consequência imediata dessa lei é que a distância do
em teorias geocêntricas (a qual apresenta a Terra como o F1 F2 Em que K é uma constante que possui o mesmo valor para
planeta ao Sol é variável ao longo da órbita. Observe esse fato C
centro do Universo), alguns pensadores anteviram o modelo todos os planetas do Sistema Solar. A consequência dessa
na figura 4, que representa a órbita elíptica de um planeta
de Copérnico. Alguns filósofos gregos defendiam até mesmo lei é que os planetas mais distantes do Sol possuem menor
em torno do Sol. A posição em que o planeta está mais
o fato de que a Terra movia-se em torno do Sol. Semieixo velocidade orbital. Para provar isso, podemos combinar a
próximo do Sol é chamada de periélio, e a posição de máximo menor
equação anterior com a equação da velocidade orbital do

Arquivo Bernoulli
O outro comentário é que, do ponto de vista da Cinemática, afastamento em relação ao Sol é denominada de afélio. Neste Semieixo
planeta, v = 2πR/T. Fazendo isso, obtemos:
não é errado pensar que o Sol gira em torno da Terra, e que estudo, quando for preciso, denominaremos a distância do maior
esta está fixa no espaço. Para um observador na Terra, o planeta periélio ao Sol pela letra “p”, e a distância do afélio ao Sol 2π
v=
está parado, enquanto o Sol e as estrelas giram à sua volta. pela letra “a”. Essas distâncias estão indicadas na figura 4. Figura 5. Método prático para traçar uma elipse. KR

14 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 15


Frente A Módulo 14 Leis de Kepler

De acordo com essa equação, v diminui à medida que R


aumenta. Isso significa que um planeta muito distante do Sol
Esse é o período orbital do cometa. No periélio, a sua
distância ao Sol é de 0,59 UA. No afélio, a órbita do
EXERCÍCIOS DE Dentre suas importantes observações astronômicas,
Galileu descobriu que o planeta Júpiter tem satélites. Qual
leva muito tempo para completar a sua órbita, pois, além de
o módulo da velocidade do planeta ser pequeno, ele ainda
cometa se estende para além da órbita de Netuno, e o
seu afastamento em relação ao Sol não pode ser medido
APRENDIZAGEM a importância histórica dessa descoberta?
A) Existem corpos celestes que não orbitam a Terra, o
deve percorrer uma circunferência de grande perímetro para porque nós não podemos vê-lo. que implica que a Terra poderia não ser o centro do
dar uma volta em torno do Sol. É por isso que a Terra, que se A) Determinar o ano da próxima aparição do cometa 01. (UDESC) Analise as proposições a seguir sobre as Universo.
encontra relativamente próxima ao Sol, gasta apenas 1 ano Halley, sabendo que a última ocorreu em 1986. principais características dos modelos de sistemas
B) Comprovou a veracidade da Lei da Gravitação
para completar a sua órbita. No entanto, Netuno, que se astronômicos.
B) Estimar o afastamento máximo do cometa em relação Universal de Isaac Newton.
acha quase 30 vezes mais distante do Sol, gasta 165 anos I. Sistema dos gregos: a Terra, os planetas, o Sol e as
ao Sol utilizando a 3ª Lei de Kepler. C) Permitiu a Johannes Kepler formular suas leis da
para completar a sua órbita. estrelas estavam incrustados em esferas que giravam
Resolução: em torno da Lua. mecânica celeste.
Vamos, agora, calcular o valor da constante K, usando
A) A última aparição do cometa ocorreu em 1986. II. Ptolomeu supunha que a Terra encontrava-se no D) Existem corpos esféricos maiores que o Planeta Terra,
os dados da órbita terrestre. Como você pode imaginar, o que implica que a Terra não é o único corpo sólido
Somando o período de 75 anos a essa data, obtemos centro do Universo; e os planetas moviam-se em
as distâncias interplanetárias são muito grandes. do Universo.
o ano de 2061 como o da nova aparição. A figura a círculos, cujos centros giravam em torno da Terra.
Por exemplo, os raios médios das órbitas de Mercúrio,
seguir mostra a órbita do cometa Halley e algumas III. Copérnico defendia a ideia de que o Sol estava em E) Mostrou que as Leis de Newton são válidas também
da Terra e de Marte valem 58, 150 e 230 milhões de
indicações de datas. repouso no centro do sistema e que os planetas para a interação gravitacional.
quilômetros, respectivamente. Para facilitar a compreensão
dessas distâncias, é usual expressá-las em frações ou (inclusive a Terra) giravam em torno dele em órbitas

FÍSICA
circulares. 04. (FAMERP-SP–2015) Atualmente, a Lua afasta-se da
múltiplos da distância média da Terra ao Sol, valor definido Periélio Netuno
Terra a uma razão média aproximada de 4 cm/ano.
como uma unidade astronômica (1 UA) de comprimento. 1986 e 2061 Urano IV. Kepler defendia a ideia de que os planetas giravam
Considerando as Leis de Kepler, é correto concluir que o
Assim, a distância média da Terra ao Sol vale simplesmente Sol em torno do Sol, descrevendo trajetórias elípticas,
Saturno
Marte
Terra Júpiter e o Sol estava situado em um dos focos dessas elipses. período de
1 UA, a de Mercúrio ao Sol vale 0,39 UA, a de Marte
ao Sol vale 1,5 UA, e assim por diante para os outros
2060 A) rotação da Lua não se altera.
2059 Assinale a alternativa correta.
1993
planetas. Como o período orbital da Terra vale 1 ano, 2058 B) rotação da Lua está diminuindo.
2057 A) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
podemos substituir T = 1 ano e R = 1 UA na equação da 18°
2056 C) translação da Lua ao redor da Terra não se altera.
2004 B) Somente a afirmativa II é verdadeira.
3ª Lei de Kepler e obter o seguinte valor para a constante K: 2055
D) translação da Lua ao redor da Terra está aumentando.
2054 2024
Afélio
C) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
(1 ano)2 E) translação da Lua ao redor da Terra está diminuindo.
K= = 1 ano2 / UA3 D) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
(1 UA)3 E) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
05. (UFJF-MG–2015) Muitas teorias sobre o Sistema Solar
Comentário: Quando um cometa passa próximo ao
se sucederam, até que, no século XVI, o polonês Nicolau
Embora as Leis de Kepler tenham sido desenvolvidas Sol, ocorre uma forte emissão de luz (a cauda do 02. ( U E M G ) E m s e u m ov i m e n t o e m t o r n o d o S o l , Copérnico apresentou uma versão revolucionária, Para
originalmente a partir de órbitas planetárias, elas cometa) devido aos efeitos da radiação solar sobre o a Terra descreve uma trajetória elíptica, como na figura
Copérnico, o Sol, e não a Terra, era o centro do sistema,
também podem ser aplicadas a órbitas de cometas e de núcleo do cometa. a seguir:
Atualmente, o modelo aceito para o Sistema Solar
outros corpos que giram em torno do Sol. Na verdade, B) Para calcular o afastamento máximo do cometa, São feitas duas afirmações sobre esse movimento: é, basicamente, o de Copérnico, feitas as correções
as Leis de Kepler se aplicam a qualquer corpo que gira primeiramente, vamos determinar o raio orbital médio propostas pelo alemão Johannes Keppler e por cientistas
ao redor de um astro central, sendo atraído pelo campo Planeta
de sua órbita. Utilizando a 3ª Lei de Kepler, temos: subsequentes.
gravitacional deste. Nesse caso, a constante K não será
T2 1 ano2 752 Sobre a Gravitação e as Leis de Kepler, considere as
1 ano 2/UA 3, pois esse é o valor referente às órbitas = ⇒
3
= 1 ⇒ R = 752
R 3
UA 3
R3 afirmativas a seguir, verdadeiras (V) ou falsas (F).
solares. O importante é termos em mente que a razão Sol
T2/R3 possui o mesmo valor para todos os corpos que orbitam Usando uma calculadora, obtemos R = 17,8 UA. I. Adotando-se o Sol como referencial, todos os planetas
em torno de certo astro comum. Chamando as distâncias do periélio e do afélio até o movem-se descrevendo órbitas elípticas, tendo o Sol
como um dos focos da elipse.
Finalizamos aqui a teoria deste módulo. A seguir, Sol de p e a, respectivamente, o raio orbital médio
apresentamos uma questão para você refletir e um exercício pode ser aproximado por R = (p + a)/2. Substituindo II. O vetor posição do centro de massa de um planeta
R = 17,8 UA e p = 0,59 UA nessa equação, obtemos do Sistema Solar, em relação ao centro de massa do
resolvido referente à órbita do famoso cometa Halley.
o afastamento máximo do cometa em relação ao Sol. Sol, varre áreas iguais em intervalos de tempo iguais,
0, 59 + a não importando a posição do planeta em sua órbita.
17, 8 = ⇒ a = 35 UA
2 1. A velocidade da Terra permanece constante em toda III. O vetor posição do centro de massa de um planeta
PARA REFLETIR a trajetória. do Sistema Solar, em relação ao centro de massa do
Sabendo-se que a Lua gasta 28 dias para Sol, varre áreas proporcionais em intervalos de tempo
2. A mesma força que a Terra faz no Sol, o Sol faz na
completar uma volta em torno da Terra, por que iguais, não importando a posição do planeta em sua
Terra.
órbita.
os períodos orbitais dos satélites artificiais da
Leis de Kepler Sobre tais afirmações, só é correto dizer que
Terra são bem menores do que esse valor? IV. Para qualquer planeta do Sistema Solar, o quociente
A) as duas afirmações são verdadeiras. do cubo do raio médio da órbita pelo quadrado do
As leis de Kepler fornecem informações precisas sobre as
B) apenas a afirmação 1 é verdadeira. período de revolução em torno do Sol é constante.
órbitas de planetas e outros corpos celestes. Embora tenham sido

EXERCÍCIO RESOLVIDO desenvolvidas a partir de órbitas planetárias,


elas também podem ser aplicadas para órbitas
C) apenas a afirmação 2 é verdadeira.
D) as duas afirmações são falsas.
Assinale a alternativa correta.
A) Todas as afirmativas são verdadeiras.
01. O cometa Halley é assim chamado em homenagem a de satélites e de cometas. Explore a animação B) Apenas I, II e III são verdadeiras.
Edmond Halley. Analisando antigos relatos sobre as “Leis de Kepler” para ter uma visualização 03. (UNIR-RO) Em 1609, Galileu Galilei, pela primeira vez na
C) Apenas I, II e IV são verdadeiras.
passagens de uma bola de fogo pelos céus, Halley percebeu interativa das três leis que descrevem os história, apontou um telescópio para o céu. Em comemoração
que havia uma periodicidade no fenômeno e que, de fato, aos quatrocentos anos desse feito, o ano de 2009 foi D) Apenas II, III e IV são verdadeiras.
movimentos orbitais dos corpos celestes.
tratava-se de um mesmo corpo que aparecia a cada 75 anos. considerado, pela ONU, o Ano Internacional da Astronomia. E) Apenas I e II são verdadeiras.

16 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 17


Frente A Módulo 14 Leis de Kepler

Instrução: Leia o texto a seguir e responda à questão 06. EXERCÍCIOS As regiões alternadamente coloridas representam as
áreas varridas pelo raio da trajetória nesses intervalos
07. (UDESC–2015) Um satélite artificial, em uma órbita
geoestacionária em torno da Terra, tem um período de
Nas origens do estudo sobre o movimento, o filósofo
grego Aristóteles (384 / 383-322 a.C.) dizia que tudo PROPOSTOS de tempo. Na figura, em que as dimensões dos astros e
o tamanho da órbita não estão em escala, o segmento de
órbita de 24 h. Para outro satélite artificial, cujo período
de órbita em torno da Terra é de 48 h, o raio de sua órbita,
o que havia no mundo pertencia ao seu lugar natural. reta representa o raio focal do ponto H, de comprimento p.
sendo RGeo o raio da órbita geoestacionária, é igual a:
De acordo com esse modelo, a terra apresenta-se em 01. (UEM-PR) Dois satélites, A e B, estão em órbitas circulares C
seu lugar natural abaixo da água, a água abaixo do ar, B D A) [Link] D) 41/[Link]
em torno da Terra e a massa de A é maior que a massa E
e o ar, por sua vez, abaixo do fogo, e acima de tudo um de B. É correto afirmar que F B) 3 1/4
.RGeo E) [Link]
local perfeito construído pelo manto de estrelas, pela Lua, S1 G
A) os períodos de rotação dos satélites são iguais e C) [Link]
pelo Sol e pelos demais planetas. Dessa forma, o modelo independem dos raios das órbitas. A H
S
aristotélico explicava o motivo pelo qual a chama da vela B) o módulo da velocidade orbital de A é maior que o
I 08. (FGV-SP–2015) Em seu livro O pequeno príncipe, Antoine
tenta escapar do pavio, para cima, a areia cai de nossas módulo da velocidade orbital de B quando os raios J de Saint-Exupéry imaginou haver vida em certo planeta
N K
mãos ao chão, e o rio corre para o mar, que se encontra das órbitas forem iguais. M L ideal. Tal planeta teria dimensões curiosas e grandezas
acima da terra. A mecânica aristotélica também defendia C) as velocidades angulares dos dois satélites são Considerando que a única força atuante no sistema gravitacionais inimagináveis na prática. Pesquisas
que um corpo de maior quantidade de massa cai mais diferentes quando os raios das órbitas forem iguais. estrela-planeta seja a força gravitacional, são feitas as científicas, entretanto, continuam sendo realizadas e
rápido que um corpo de menor massa, conhecimento D) os módulos das velocidades orbitais dos satélites são seguintes afirmações. não se descarta a possibilidade de haver mais planetas
que foi contrariado séculos depois, principalmente pelos iguais para órbitas de mesmo raio. no sistema solar, além dos já conhecidos. Imagine um

FÍSICA
I. As áreas S1 e S2, varridas pelo raio da trajetória,
estudos realizados por Galileu, Kepler e Newton. são iguais. hipotético planeta, distante do Sol 10 vezes mais longe
E) a força centrípeta que atua sobre o satélite só depende
do raio da órbita. que a Terra se encontra desse astro, com massa 4 vezes
II. O período da órbita é proporcional a p3.
06. (UEL-PR–2015) Com base no texto e nos conhecimentos maior que a terrestre e raio superficial igual à metade
III. As velocidades tangenciais do planeta nos pontos A
02. (UEMG) Em seu movimento em torno do Sol, o nosso do raio da Terra. Considere a aceleração da gravidade na
sobre cosmogonia, é correto afirmar que a concepção e H, VA e VH, são tais que VA > VH.
planeta obedece às leis de Kepler. A tabela a seguir superfície da Terra expressa por g.
aristotélica apresenta um universo Quais estão corretas?
mostra, em ordem alfabética, os 4 planetas mais próximos Esse planeta completaria uma volta em torno do Sol em
A) acêntrico. D) heliocêntrico. do Sol: A) Apenas I. D) Apenas II e III.
um tempo, expresso em anos terrestres, mais próximo de
B) finito. E) policêntrico. B) Apenas I e II. E) I, II e III.
Distância média do A) 10. D) 28.
C) infinito. Planeta C) Apenas I e III.
planeta ao Sol (km) B) 14. E) 32.
Marte 227,8 . 106
07. (ITA-SP) Na ficção científica A Estrela, de H.G. Wells, 05. (UEFS-BA–2018) A figura representa a trajetória elíptica C) 17.
Mercúrio 57,8 . 106
de um planeta em movimento de translação ao redor do
um grande asteroide passa próximo à Terra que, em
Terra 149,5 . 106 Sol e quatro pontos sobre essa trajetória: M, P (periélio 09. (UEL-PR) Considere a distância entre o planeta Terra e o
consequência, fica com sua nova órbita mais próxima do
Vênus 108,2 . 106 da órbita), N e A (afélio da órbita). Sol como sendo igual a 1,5 . 108 km e que esse planeta
Sol e tem seu ciclo lunar alterado para 80 dias. Pode-se
dá uma volta completa em torno do Sol em 365 dias,
concluir que, após o fenômeno, o ano terrestre e a Baseando-se na tabela apresentada anteriormente, só é M
enquanto o planeta Mercúrio dá uma volta completa em
distância Terra-Lua vão tornar-se, respectivamente, correto concluir que torno do Sol em 88 dias.
A) mais curto – aproximadamente a metade do que A) Vênus leva mais tempo para dar uma volta completa Planeta
Se a distância entre o planeta Marte e o Sol é igual a
era antes. em torno do Sol do que a Terra. Sol
2,5 . 108 km, qual deve ser a distância aproximada entre
B) a ordem crescente de afastamento desses planetas P A o planeta Mercúrio e o Sol?
B) mais curto – aproximadamente duas vezes o que
em relação ao Sol é: Marte, Terra, Vênus e Mercúrio.
era antes. A) 2,8 . 107 km. D) 5,8 . 107 km.
C) Marte é o planeta que demora menos tempo para dar
C) mais curto – aproximadamente quatro vezes o N B) 3,8 . 107 km. E) 6,8 . 107 km.
uma volta completa em torno de Sol.
que era antes. C) 4,8 . 10 km.
7
D) Mercúrio leva menos de um ano para dar uma volta
D) mais longo – aproximadamente a metade do que completa em torno do Sol. O módulo da velocidade escalar desse planeta
era antes. 10. (Unicamp-SP) Em agosto de 2006, Plutão foi reclassificado
A) sempre aumenta no trecho MPN.
E) mais longo – aproximadamente um quarto do que 03. (FGV-SP) Curiosamente, no sistema solar, os planetas pela União Astronômica Internacional, passando a ser
mais afastados do Sol são os que têm maior quantidade B) sempre diminui no trecho NAM. considerado um planeta anão. A 3ª Lei de Kepler diz que
era antes.
de satélites naturais, principalmente os de maior C) tem o mesmo valor no ponto A e no ponto P. T2 = Ka3, em que T é o tempo para um planeta completar
massa, como Júpiter e Saturno, cada um com mais de D) está aumentando no ponto M e diminuindo no ponto N. uma volta em torno do Sol, e a é a média entre a maior
08. (FMJ-SP) O planeta Saturno apresenta um grande número 60 satélites naturais.
E) é mínimo no ponto P e máximo no ponto A. e a menor distância do planeta ao Sol. No caso da Terra,
de satélites naturais. Dois deles são Encélado e Titan.
Considere 2 satélites A e B de Júpiter. O satélite A dista R do essa média é aT = 1,5 . 1011 m, enquanto que, para Plutão,
Os raios de suas órbitas podem ser medidos em função centro de Júpiter e o satélite B dista 4R do mesmo centro.
06. (UEA-AM–2017) Dois planetas A e B descrevem suas aP = 60 . 1011 m. A constante K é a mesma para todos os
do raio de Saturno, RS. Dessa forma, o raio da órbita de Se A demora n dias terrestres para completar uma volta
respectivas órbitas em torno do Sol de um sistema solar. objetos em órbita em torno do Sol. A velocidade da luz
Encélado vale 4RS e o raio da órbita de Titan vale 20RS. em torno de Júpiter, o número de dias terrestres em que
O raio médio da órbita de B é o dobro do raio médio da no vácuo é igual a 3,0 . 108 m/s.
Sendo T(e) e T(t), respectivamente, os intervalos de B completa uma volta em torno do mesmo planeta é
órbita de A. Baseando-se na Terceira Lei de Kepler, o Dado: ¹10 ≅ 3,2.
tempo que Encélado e Titan levam para dar uma volta A) ¹2 . n. C) 4 . n. E) 8 . ¹2 . n. período de revolução de B é
completa ao redor de Saturno, é correto afirmar que a A) Considerando-se as distâncias médias, quanto tempo
B) 2 . n. D) 8 . n. A) o mesmo de A.
razão T(t)/T(e) é, aproximadamente, igual a leva a luz do Sol para atingir a Terra? E para atingir
B) duas vezes maior que o de A. Plutão?
A) 11,2. D) 0,8. 04. (UFRGS-RS–2015) A elipse, na figura a seguir, representa
C) 2¹2 vezes maior que o de A. B) Quantos anos terrestres Plutão leva para dar uma
a órbita de um planeta em torno de uma estrela S.
B) 8,4. E) 0,2. D) 2¹3 vezes maior que o de A. volta em torno do Sol? Expresse o resultado de forma
Os pontos ao longo da elipse representam posições sucessivas
C) 5,0. do planeta, separadas por intervalos de tempo iguais. E) 3¹2 vezes maior que o de A. aproximada como um número inteiro.

18 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 19


Frente A Módulo 14

SEÇÃO ENEM C) heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico.


D) da rotação terrestre do italiano Galileu Galilei.
E) da Gravitação Universal do inglês Isaac Newton.
01. (Enem) A característica que permite identificar um
planeta no céu é o seu movimento relativo às estrelas
03. (Enem) A tabela a seguir resume alguns dados
fixas. Se observarmos a posição de um planeta por
importantes sobre os satélites de Júpiter.
vários dias, verificaremos que sua posição em relação às
estrelas fixas se modifica regularmente. A figura destaca Distância Período
o movimento de Marte observado em intervalos de média ao orbital
10 dias, registrado da Terra. Nome Diâmetro
centro de (dias
155°150° 145° 140° 135° 130° Júpiter (km) terrestres)
Io 3 642 421 800 1,8
+20 Europa 3 138 670 900 3,6

Ganimedes 5 262 1 070 000 7,2

Marte Calisto 4 800 1 880 000 16,7

+10 Ao observar os satélites de Júpiter pela primeira vez,


Galileu Galilei fez diversas anotações e tirou importantes
PROJECTO FÍSICA. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, conclusões sobre a estrutura de nosso Universo. A figura
1980 (Adaptação). a seguir reproduz uma anotação de Galileu referente a
Júpiter e seus satélites.
Qual a causa da forma da trajetória do planeta Marte
registrada na figura? 1 2 3 4

A) A maior velocidade orbital da Terra faz com que,


em certas épocas, ela ultrapasse Marte.
B) A presença de outras estrelas faz com que sua De acordo com essa representação e com os dados da
trajetória seja desviada por meio da atração tabela, os pontos indicados por 1, 2, 3 e 4 correspondem,
gravitacional. respectivamente, a

C) A órbita de Marte, em torno do Sol, possui uma forma A) Io, Europa, Ganimedes e Calisto.
elíptica mais acentuada que a dos demais planetas. B) Ganimedes, Io, Europa e Calisto.
D) A atração gravitacional entre a Terra e Marte faz com C) Europa, Calisto, Ganimedes e Io.
que este planeta apresente uma órbita irregular em D) Calisto, Ganimedes, Io e Europa.
torno do Sol.
E) Calisto, Io, Europa e Ganimedes.
E) A proximidade de Marte com Júpiter, em algumas
épocas do ano, faz com que a atração gravitacional
de Júpiter interfira em seu movimento.
GABARITO Meu aproveitamento
02. (Enem) O texto foi extraído da peça Tróilo e Créssida, de
William Shakespeare, escrita, provavelmente, em 1601. Aprendizagem Acertei ______ Errei ______
Os próprios céus, os planetas, e este centro
reconhecem graus, prioridade, classe,
• 01. C • 03. A • 05. C • 07. B
constância, marcha, distância, estação, forma,
• 02. C • 04. D • 06. B • 08. A
função e regularidade, sempre iguais;
Propostos Acertei ______ Errei ______
eis porque o glorioso astro Sol
está em nobre eminência entronizado • 01. D • 04. C • 07. D
e centralizado no meio dos outros, • 02. D • 05. D • 08. E
e o seu olhar benfazejo corrige
• 03. D • 06. C • 09. D
os maus aspectos dos planetas malfazejos,
10.
e, qual rei que comanda, ordena
sem entraves aos bons e aos maus. • A) t = 5,0 . 10
T
2
s e tP = 2,0 . 104 s

SHAKESPEARE, W. Tróilo e Créssida. Porto: • B) 256 anos


Lello & Irmão, 1948. Ato I, cena III, Personagem Ulysses.

A descrição feita pelo dramaturgo renascentista inglês


Seção Enem Acertei ______ Errei ______
se aproxima da teoria • 01. A • 02. C • 03. B
A) geocêntrica do grego Claudius Ptolomeu.
B) da reflexão da luz do árabe Alhazen. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

20 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA A 15
Lei da Gravitação Universal
As Leis de Kepler, introduzidas no início do século XVII, Se a força atrativa exercida pelo Sol sobre a Terra fosse
representaram um passo fundamental na compreensão muito pequena, a Terra tenderia a seguir uma trajetória em
do movimento dos planetas. Contudo, sendo empíricas, linha reta. Se essa força fosse demasiadamente grande,
essas leis não constituem uma teoria. Coube a Isaac Newton a Terra se aproximaria do Sol até “cair” sobre ele. Newton
dar o gigantesco passo de elaborar a Teoria da Gravitação sabia que a órbita da Terra, além de estável, era quase
Universal. Usando essa teoria, Newton conseguiu não somente circular. Então, ele concluiu que a força de atração exercida
demonstrar as Leis de Kepler sobre o movimento dos planetas, pelo Sol sobre a Terra fazia o papel de força centrípeta,
como também pôde aplicá-las ao sistema Terra-Lua e ao necessária para o planeta se manter continuamente
movimento das marés oceânicas. Neste módulo, estudaremos em órbita. Então, aplicando a 2ª Lei do Movimento,
a Lei da Gravitação Universal e algumas de suas aplicações. Newton escreveu:
Iniciaremos o módulo apresentando o raciocínio usado F = mac
por Newton para obter a expressão matemática da
Em que m é a massa da Terra, e ac é a sua aceleração
Lei da Gravitação Universal. Em seguida, vamos utilizar essa
centrípeta. Essa aceleração é dada por ac = ω2R, expressão
lei para calcular a aceleração da gravidade em um planeta
bem conhecida na época de Newton, em que ω e R são
e a velocidade orbital de planetas e satélites. Além disso,
a velocidade angular e o raio orbital do movimento da Terra
mostraremos que, a partir da Lei da Gravitação Universal,
em torno do Sol, respectivamente. Para aparecer o período
podemos deduzir as três Leis de Kepler.
orbital T na equação anterior, Newton substituiu ω por 2π/T
e obteve:
A DEDUÇÃO DA LEI DA F = m.
4π2R
T2
GRAVITAÇÃO UNIVERSAL
Em seguida, para eliminar o período T de forma a obter
No início do século XVIII, Isaac Newton começou a refletir uma expressão de F em função apenas de m e R, Newton
sobre a natureza da força que a Terra deveria exercer na Lua usou a 3ª Lei de Kepler: T2 = KR3, em que K é a constante
para mantê-la em órbita (o que o levou, depois, a desenvolver referente às órbitas planetárias, cujo valor é igual a
1 ano2/UA3. Newton substituiu essa expressão na equação
as três Leis do Movimento). Segundo dizem, ao ver uma maçã
da força exercida pelo Sol sobre a Terra e obteve:
cair, Newton teria feito a seguinte reflexão: quem sabe a força
que a Terra exerce sobre a Lua possui a mesma natureza que m
F = KS
a força de atração gravitacional da Terra sobre a maçã? Mais R2
do que isso, Newton imaginou que uma interação atrativa
Em que KS = 4π2/K é uma constante referente ao Sol,
desse tipo poderia acontecer mesmo entre o Sol e a Terra,
pois a constante K corresponde às órbitas planetárias. Nesse
conforme ilustra a figura a seguir:
ponto, Newton voltou à pergunta inicial: qual seria a natureza
da força de atração exercida pelo Sol sobre os corpos ou, ainda,
que propriedade do Sol determinaria o valor da constante KS?
M Uma vez que a atração gravitacional ocorria com todos os
corpos, Newton imaginou que a própria matéria seria a
R propriedade dos corpos que lhes conferia a capacidade de
atraírem uns aos outros. Então, ele postulou que K S
F fosse proporcional à massa M do Sol, de forma que
KS = G.M, em que G é uma constante de proporcionalidade.
m Assim, Newton chegou à seguinte expressão para calcular a
v força de atração exercida pelo Sol sobre a Terra:

Figura 1. Newton percebeu que uma força de atração exercida Mm


F=G
pelo Sol sobre a Terra mantém a órbita desse planeta. R2

Bernoulli Sistema de Ensino 21


Frente A Módulo 15 Lei da Gravitação Universal

Newton sabia que, de acordo com a Lei da Ação


e Reação, se o Sol atrai a Terra, então esta também deve
EXERCÍCIO RESOLVIDO Finalmente, substituindo essa força na equação inicial,
obtemos a constante G:
atrair o Sol. Além disso, o mesmo deveria acontecer com
01. Em 1798, o inglês Henry Cavendish determinou o valor 6,0 . 10–8 . 0,102 Nm2
outros sistemas, como a Terra e a Lua, o Sol e Júpiter, etc. F21 F12 G= = 6,0 . 10–11
r = 1,0 m 5,0 . 2,0 kg2
da constante da gravitação universal G por meio de uma
Newton generalizou essa ideia, afirmando que qualquer par
balança de torção, como a que é representada na figura
de corpos, de massas m1 e m2, separados pela distância r,
a seguir. Nessa balança, duas pequenas massas (m) Comentário:
se atraem gravitacionalmente com uma força dada por: P1
são presas às extremidades de uma haste suspensa O resultado anterior apresenta um desvio de
P2 por um fio. Duas massas maiores (M) atraem as massas 0,67 . 10–11 Nm2/kg2 e um erro de 10% em relação
m1m2 Figura 2. A atração gravitacional entre os lutadores é desprezível, menores, causando uma torção no fio. Considere que a ao valor preciso de G, que é 6,67 . 10−11 Nm2/kg2.
F=G 2 mas a atração gravitacional da Terra sobre eles não é.
r haste dessa montagem tenha um comprimento L = 2,0 m A dificuldade em obter o valor de G com precisão
Inicialmente, vamos calcular o módulo da força e que o fio obedeça à Lei de Hooke rotacional M0 = kθ, se deve à pequena intensidade da força gravitacional
gravitacional  F12 que o lutador mais leve exerce sobre o em que M0 é o momento de força aplicado na haste entre massas ordinárias. Cavendish iniciou seus
Essa é a equação da Lei da Gravitação Universal.
lutador mais pesado. Para isso, precisamos usar a equação da e θ é o ângulo de torção do fio. A constante de torção experimentos em 1797 e levou dois anos modificando a
Em palavras, essa lei pode ser assim expressa:
Lei da Gravitação Universal. Substituindo as massas dos dois do fio é k = 2,0 . 10−8 N.m/grau. Considere ainda que balança de torção até ela produzir resultados confiáveis.

FÍSICA
homens e a distância entre eles nessa equação, e aproximando as massas sejam m = 2,0 kg e M = 5,0 kg. Uma das modificações feitas consistiu em realizar
a constante gravitacional para G ≅ 10 −10
 Nm /kg , obtemos:
2 2 a medição do ângulo de torção com o auxílio do sistema
Matéria atrai matéria na razão direta do produto de suas
óptico mostrado na figura deste exercício.
massas e na razão inversa do quadrado da distância
m1m2 100 . 200 M
F12 = G = 10−10. = 0,000002 N m
entre elas.
r2 1,02
Fonte de Luz
Essa força é tão pequena que não faz o menor sentido Espelho APLICAÇÕES DA LEI DA
A constante G, que aparece na Lei da Gravitação
Universal de Newton, é uma constante universal. Ela não
considerá-la em problemas sobre a dinâmica dos lutadores.
De acordo com a Lei da Ação e Reação, o módulo da força F21
GRAVITAÇÃO UNIVERSAL
depende do tipo de matéria dos corpos nem do local onde que o lutador mais pesado exerce sobre o lutador mais leve m
Aceleração da gravidade

Arquivo Bernoulli
eles se encontram. Por isso, G é denominada constante tem a mesma intensidade da força F12.
M Régua
da gravitação universal. Newton tinha somente uma ideia Agora, vamos calcular a força de atração gravitacional r Imagine uma pedra caindo de um ponto muito alto em
do seu valor. Apenas muito tempo depois das descobertas que a Terra exerce sobre o lutador mais pesado. Cada um direção à superfície da Terra. Considere que a altitude da
de Newton é que o valor de G foi obtido com razoável dos incontáveis pedaços de matéria da Terra, distribuídos Determinar o valor da constante da gravitação universal pedra em relação à superfície da Terra seja h, conforme
precisão (veja o Exercício Resolvido 01). No Sistema a diferentes distâncias do centro desta, atrai o homem para os seguintes dados: θ = 6,0° e r = 10 cm (separação mostra a figura 3. A massa da pedra é m, e a massa
com uma pequena força. Admitindo uma distribuição entre as massas m e M).
e o raio da Terra são M e R, respectivamente.
Internacional de Unidades, o valor dessa constante é:
esfericamente simétrica e homogênea da massa da Terra,
Resolução: Pedra (m)
é possível provar que a soma vetorial de todas essas forças
Nm2 O valor da constante da gravitação universal pode ser
G = 6,67 . 10−11 possui o mesmo módulo, a mesma direção e o mesmo
kg2 calculado por:
sentido da força que a Terra exerceria sobre o lutador caso a h P
massa da Terra estivesse concentrada em seu centro. Assim,
Fr2
Em que a unidade Nm 2 /kg 2 garante a consistência para calcular a força total que a Terra exerce sobre o lutador, G=
Mm Terra (M)
dimensional da equação da Lei da Gravitação Universal. que nada mais é do que o peso dele, devemos substituir,
Observe que, multiplicando a unidade da constante G por kg 2
na equação da Lei da Gravitação Universal, a massa da Terra
Em que F é o módulo da força de atração gravitacional
(relativo ao produto m1.m2) e dividindo o resultado por MT = 1025 kg, a massa do lutador mL = 200 kg e a distância
entre as massas M e m. Nessa equação, conhecemos
m2 (relativo à razão 1/r2), obtemos o newton (N), que é a entre o centro da Terra e o lutador, que é o raio da Terra,
os valores de M, m e r. Para calcular o valor de F, vamos
unidade de força no Sistema Internacional. R = 107 m. O resultado é:
usar a equação M0 = F.L/2 + F.L/2 = FL, que representa
Note que o valor da constante G é muito pequeno. Por isso, MmL 1025 . 200 o momento do binário de forças sobre a haste. Nessa

Arquivo Bernoulli
− 10 3
PL = G = 10 = 2,0 . 10 N
a força gravitacional assume valores apreciáveis apenas RL (107 )2 equação, sabemos o valor de L, o comprimento da haste.
quando pelo menos uma das massas é muito grande. O momento M0 que atua sobre a haste pode ser calculado
Podemos, ainda, calcular o peso do lutador por meio da
Para comprovar isso, vamos fazer dois cálculos com a por meio da Lei de Hooke M0 = kθ. Substituindo os valores
equação PL = mL.g, em que g = 10 m/s é a aceleração da 2
Figura 3. O peso da pedra diminui com o aumento da altura em
equação da Lei da Gravitação Universal, o primeiro para dados de k e θ, obtemos: relação à superfície da Terra; logo, o módulo da aceleração da
gravidade na superfície da Terra. Substituindo mL = 200 kg
calcular a força de atração entre duas pessoas próximas e o nessa equação, obtemos o mesmo resultado anterior. Nesse M0 = 2,0 . 10−8.6,0 = 12 . 10−8 N.m gravidade também diminui com o aumento da altura.
outro para calcular o peso de uma delas. Observe a figura 2, cálculo, mL é a massa inercial do lutador. No cálculo de PL,
Substituindo esse momento na expressão M0 = FL, Agora, vamos calcular a intensidade do peso da pedra
que mostra dois lutadores de sumô, um mais leve, de massa utilizando a Lei da Gravitação, mL é a massa gravitacional do de duas maneiras. A primeira consiste simplesmente
obtemos a força de atração gravitacional:
m1 = 100 kg, e o outro mais pesado, de massa m2 = 200 kg, lutador. Como os dois resultados são idênticos, concluímos em utilizar a equação P = mg, que aprendemos
separados pela distância r = 1,0 m. que a massa inercial e a massa gravitacional são iguais. 12 . 10−8 = F.2,0 ⇒ F = 6,0 . 10−8 N no estudo das Leis de Newton para o movimento.

22 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 23


Frente A Módulo 15 Lei da Gravitação Universal

A outra maneira consiste em calcular a força de atração Como GM/R2 é a aceleração da gravidade na superfície Velocidade orbital De acordo com a equação anterior, quanto mais distante do
gravitacional que a Terra exerce sobre a pedra por meio da do planeta, concluímos que a aceleração a uma altitude astro central, menor será a velocidade relativa do corpo em
equação da Lei da Gravitação Universal. Nessa equação, equivalente ao raio do planeta vale 1/4 da aceleração da A figura 5 mostra dois corpos em órbitas estáveis em torno órbita estável. Dessa forma, o módulo da velocidade orbital
m1 representa a massa M da Terra, m2 é a massa m da pedra gravidade na superfície do planeta. O gráfico da figura 4 do Sol. Um deles é a Terra, e o outro, uma nave espacial. da nave da figura 5 é maior do que o módulo da velocidade
e r é a distância entre a pedra e o centro da Terra. É fácil ilustra a diminuição da aceleração da gravidade g em função Qual deve ser o módulo da velocidade de cada um dos corpos orbital da Terra, pois a distância da nave ao Sol é menor
ver que r é igual à altitude h somada à distância do ponto de da distância r ao centro do planeta Terra. Observe que para que eles se mantenham em órbitas estáveis em torno do que a distância da Terra ao Sol. Se os motores da nave
impacto da pedra no solo até o centro da Terra, que é o raio R a aceleração da gravidade é máxima na superfície da Terra e do Sol? O módulo dessa velocidade depende apenas da forem acionados, de forma que ela seja deslocada para uma
desta. Matematicamente, P = GMm/(R + h) . Igualando as 2 que ela diminui na razão inversa de r , quando nos afastamos
2 massa do Sol e da distância entre este e o corpo orbitante. órbita mais distante do Sol do que a órbita terrestre, então
duas equações que obtivemos anteriormente para o peso da do planeta, e na razão direta de r, quando afundamos na Terra. A seguir, aplicando a Lei da Gravitação Universal, vamos o módulo da velocidade orbital da nave deverá ser menor
pedra e cancelando a massa da pedra que aparece em ambas Essa aproximação linear é válida se admitirmos uma densidade demonstrar essa afirmativa. do que o da Terra, para que a nave se mantenha em uma
as equações, obtemos a seguinte expressão para a aceleração constante para a Terra. órbita estável. Usando esse raciocínio, concluímos que os
da gravidade na Terra (ou em qualquer outro astro): planetas mais longínquos, como Urano e Netuno, são mais
g(m/s2) lentos, enquanto os planetas próximos ao Sol, como Mercúrio
GMm GM 10 e Vênus, são mais velozes.
P = mg = ⇒g=

FÍSICA
(R + h)2 (R + h)2
Podemos estender a dedução da equação anterior para
qualquer corpo que esteja orbitando em torno de outro. Para
Observe que, sendo h = 0 nessa equação, obtemos a isso, devemos considerar que M é sempre a massa do astro
equação g = GM/R2, que fornece o módulo da aceleração central. Por exemplo, para calcularmos a velocidade orbital
da gravidade na superfície da Terra. Newton utilizou o valor da Lua em torno da Terra, basta igualar M à massa da Terra
de 9,8 m/s2 para g e de 6,4 . 106 m para o raio da Terra e r à distância Terra-Lua. Júpiter possui quatro satélites
(valores bem conhecidos naquela época), conseguindo

Arquivo Bernoulli
naturais. A velocidade orbital de cada um deles também
determinar o produto GM. Em seguida, Newton estimou é dada pela equação anterior, sendo M igual à massa de
2,5
a massa da Terra, supondo uma densidade cinco vezes Júpiter e r igual à distância do satélite em questão até o
maior do que a da água e multiplicando esse valor pelo 1,1
Figura 5. As órbitas estáveis da Terra e da nave ocorrem com centro de Júpiter.
volume do planeta (V = 4πR3/3). Assim, Newton calculou, 0,40
velocidades bem definidas.
grosseiramente, o valor da constante da gravitação R 2R 3R 4R 5R 6R r
De acordo com a 1ª Lei de Kepler, as órbitas descritas
universal G. Muito tempo depois, Cavendish obteve o valor de
Figura 4. Aceleração da gravidade da Terra em função da pela Terra e pela nave são elípticas. Contudo, é razoável
G com maior precisão (veja o Exercício Resolvido 01) e pôde, PARA REFLETIR
distância ao centro do planeta.
considerar os movimentos da Terra e da nave em torno
assim, calcular com maior exatidão a massa da Terra, obtendo Apesar de estar mais distante da Terra, por que
A última conclusão importante que podemos tirar da equação do Sol como circulares e com velocidades constantes,
o valor de 6,0 . 1024 kg. Por isso, Cavendish é conhecido como é bem mais fácil determinar a massa de Júpiter
g = GM/R2 é que a aceleração da gravidade na superfície em módulo. Nesse caso, a força de atração gravitacional
aquele que primeiro conseguiu “pesar” a Terra. do que a massa da nossa Lua?
da Terra não é exatamente constante, pois a Terra não exercida pelo Sol sobre o corpo em órbita exerce o papel
Analisando a equação da aceleração da gravidade, podemos de força centrípeta. Então, podemos calcular o módulo
é uma esfera perfeita. O valor médio da aceleração da
tirar três conclusões importantes. A primeira é que g não dessa força tanto por meio da equação da força centrípeta,
gravidade na superfície da Terra é 9,81 m/s . Porém,
2

depende da massa m do corpo imerso no campo gravitacional


devido ao achatamento do planeta, o raio polar é FC = mv2/r, quanto por meio da equação da força de atração As Leis de Kepler
do planeta, pois, como vimos, essa massa é cancelada no gravitacional exercida pelo Sol sobre o corpo orbitante, cujo
um pouco menor que o raio equatorial. O resultado A partir da equação da Lei da Gravitação Universal
cálculo de g. Entretanto, a aceleração da gravidade depende valor é dado pela Lei da Gravitação Universal, F = GMm/r2.
disso é que, em geral, pontos na superfície terrestre e das leis do movimento, Newton conseguiu demonstrar as
da massa M do planeta. Na superfície, g é diretamente Nessas equações, v e m são a velocidade e a massa do corpo
próximos aos polos apresentam aceleração da gravidade três Leis de Kepler. A dedução da 3ª Lei é a mais simples
proporcional à massa do planeta e inversamente proporcional em órbita, respectivamente, enquanto M é a massa do Sol
um pouco maior do que aquela de pontos próximos das três. Na verdade, Newton chegou à Lei da Gravitação
ao quadrado do raio do planeta. Isso significa que planetas e r é a distância do corpo orbitante ao Sol. Igualando essas
ao Equador. Além disso, cidades mais elevadas tendem Universal usando, em parte, a 3ª Lei de Kepler, conforme
mais densos apresentam aceleração da gravidade maior do equações, obtemos a seguinte expressão para a velocidade v:
a ter valores de aceleração da gravidade menores. vimos no início deste módulo. De forma inversa, podemos
que planetas de menor densidade, considerando que ambos
Na verdade, o achatamento da Terra é discreto, e a altura 2 deduzir a 3ª Lei de Kepler igualando a força centrípeta
tenham o mesmo raio. mv GMm GM
das montanhas mais elevadas é pequena em comparação = ⇒v=
r r 2
r à força de atração gravitacional e utilizando v = 2pr/T
Outra conclusão que podemos tirar da equação da ao raio da Terra. Assim, a variação da aceleração da (T é o período orbital) nessa igualdade. O resultado obtido
aceleração da gravidade diz respeito ao significativo gravidade sobre a superfície terrestre é pequena. Observe que a velocidade orbital não depende da é mostrado a seguir:
decréscimo de g em função da distância à superfície do Por exemplo, em Belo Horizonte, cidade relativamente massa do corpo orbitante, que foi cancelada na dedução 2
mv2 GMm 1  2π r  GM
planeta. Por exemplo, para h = R, temos: próxima ao Equador (latitude: 20° sul) e a cerca de 800 m da equação. O módulo da velocidade de um corpo em = ⇒   = 2 ⇒
r r 2
r  T  r
acima do nível do mar, a aceleração da gravidade vale órbita estável em torno de um astro central, como o
GM 1 GM 9,78 m/s2. Esse valor difere apenas 0,31% do valor médio Sol, depende da massa do astro central e da distância 1 . 4π2r2 GM 4π2 T2
g= = = ⇒ =
(R + R)2
4 R 2
da aceleração da gravidade na superfície do planeta. entre os centros desse astro e do corpo orbitante. r T 2
r 2
GM r3

24 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 25


Frente A Módulo 15 Lei da Gravitação Universal

Essa expressão é a 3ª Lei de Kepler, e o quociente 4π2/GM


representa a constante K = 1 ano2/UA3 dessa lei. Como
A figura 7 mostra a órbita circular de um satélite terrestre
girando no plano do Trópico de Câncer da Terra. Observe
EXERCÍCIOS DE 04. (UFMG) Três satélites – I, II e III – movem-se em órbitas
circulares ao redor da Terra. O satélite I tem massa m e
esperado, K depende apenas do Sol, mais especificamente, que o centro de força (centro da Terra) e o centro da órbita
não coincidem. Por isso, essa órbita não é estável. Embora a
APRENDIZAGEM os satélites II e III têm, cada um, massa 2 m. Os satélites
I e II estão em uma mesma órbita de raio r e o raio da
da sua massa. A utilização dos valores de K e G nessa
componente radial Fx da força de atração exercida pela Terra órbita do satélite III é r/2. Nesta figura (fora de escala),
equação permitiu que o valor da massa do Sol, 2,0 . 1030 kg,
fosse calculado no fim do século XVIII. sobre o satélite exerça o papel da força centrípeta, necessária 01. (UFRN) A partir do final da década de 1950, a Terra está representada a posição de cada um desses três
deixou de ter apenas seu único satélite natural – a Lua –, satélites:
para manter o satélite em movimento circular, a componente Fy
De maneira semelhante à equação da velocidade orbital, puxa o satélite para baixo, desestabilizando sua órbita. e passou a ter também satélites artificiais, entre eles II
a equação da 3ª Lei de Kepler também pode ser estendida a Podemos propor infinitas órbitas circulares estáveis em torno os satélites usados para comunicações e observações I
outros sistemas orbitais, por exemplo, Terra e Lua ou Terra de regiões específicas da Terra. Tais satélites precisam
da Terra, mas todas devem estar em planos que contenham
permanecer sempre parados em relação a um ponto
e seus demais satélites artificiais. Nesse caso, na constante o centro da Terra, de forma que o centro de força e o centro da
fixo sobre a Terra, por isso são chamados de “satélites
4π2/GM, o termo M é a massa da Terra. órbita sejam coincidentes, como aquelas mostradas na figura 6.
geoestacionários”, isto é, giram com a mesma velocidade Terra
A figura 6 mostra dois satélites artificiais. O satélite angular da Terra.
III
geoestacionário tem a órbita contida no plano equatorial Fx Considerando tanto a Lua quanto os satélites geoestacio-
da Terra e gira no mesmo sentido da rotação do planeta. nários, pode-se afirmar que
Além disso, o período orbital desse satélite é igual a 24 h, A) as órbitas dos satélites geoestacionários obedecem às

FÍSICA
Fy F Sejam FI, FII e FIII os módulos das forças gravitacionais
ou seja, igual ao tempo que a Terra gasta para girar Leis de Kepler, mas não obedecem à Lei de Newton da Terra sobre, respectivamente, os satélites I, II e III.

Arquivo Bernoulli
em torno de si. Dessa forma, esse satélite permanece da Gravitação Universal.
Considerando-se essas informações, é correto afirmar que:
estacionário em relação à superfície da Terra, sendo ideal B) a órbita da Lua obedece às Leis de Kepler, mas não
A) FI = FII < FIII C) FI < FII < FIII
para receber e transmitir sinais de rádio e televisão. obedece à Lei de Newton da Gravitação Universal.
B) FI = FII > FIII D) FI < FII = FIII
Além das características citadas anteriormente, a órbita de C) suas órbitas obedecem às Leis de Kepler e à Lei de
um satélite geoestacionário deve situar-se a uma altitude Figura 7. Órbitas cujos centros não coincidam com o centro da
Newton da Gravitação Universal.
Terra não são estáveis. 05. (UFPEL-RS) Suponha que a massa da Terra aumente
igual a seis vezes o raio da Terra. Esse valor pode ser deduzido D) suas órbitas obedecem às Leis de Kepler, mas não em 9 vezes o seu valor. Baseado na Gravitação e no
diretamente da 3ª Lei de Kepler. O outro satélite na figura Para analisar a 2ª Lei de Kepler (velocidade areolar dos obedecem à Lei de Newton da Gravitação Universal. texto, a distância entre a Terra e a Lua para que a força
tem a órbita contida no plano polar da Terra. Esse satélite é planetas é constante), considere a figura 8, que mostra um de atração gravitacional entre ambas permanecesse a
uma espécie de escâner, pois, à medida que sobe e desce, planeta em duas posições. A área varrida pelo planeta (em 02. (UFMG) Um satélite é colocado em órbita e fica mesma deveria ser
a superfície da Terra passa sob ele, permitindo que toda verde) pode ser aproximada pela área de um triângulo, estacionário sobre um ponto fixo do Equador terrestre. A) 3 vezes menor. D) 9 vezes menor.
essa superfície seja fotografada. ΔA = r(v.Δt)/2, em que r e v são, respectivamente, o raio O satélite se mantém em órbita porque
B) 3 vezes maior. E) 6 vezes menor.
e o módulo da velocidade orbital do planeta, e Δt é o A) a força de atração que a Terra exerce sobre o satélite
intervalo de tempo gasto nesse deslocamento. O produto C) 9 vezes maior.
equilibra a atração exercida sobre ele pela Lua.
Rotação Órbita v.Δt é a distância percorrida pelo planeta durante o intervalo
da Terra B) a força que o satélite exerce sobre a Terra, de acordo 06. (UFOP-MG) Imagine que a massa do Sol se tornasse
polar de tempo Δt. Passando Δt para o outro lado da equação,
com a 3ª Lei de Newton, é igual à força que a Terra subitamente 4 vezes maior do que é. Para que a força
obtemos ΔA/Δt = r.v/2, que é a velocidade areolar do planeta.
exerce sobre o satélite, resultando disso o equilíbrio. de atração do Sol sobre a Terra não sofresse alteração,
A constância dessa velocidade se deve ao fato de o produto
C) o satélite é atraído por forças iguais, aplicadas em a distância entre a Terra e o Sol deveria se tornar
r.v ser constante. Ao longo da órbita, quando r aumenta,
todas as direções. A) 4 vezes maior. C) 8 vezes maior.
6R v diminui, e vice-versa. Na figura 8, observe que r aumenta
ao longo do deslocamento, pois o planeta se afasta do Sol. D) o satélite está a uma distância tão grande da Terra B) 2 vezes maior. D) 3 vezes maior.
Por outro lado, como a componente tangencial da força que a força gravitacional exercida pela Terra sobre o
de atração exercida pelo Sol, Fx, é oposta ao movimento, satélite é desprezível. 07. (UECE–2016) A força da gravidade sobre uma massa m
Arquivo Bernoulli

Órbita v diminui. Observe ainda que a componente radial, Fy, E) a força de atração da Terra é a força centrípeta acima da superfície e a uma distância d do centro da
Sinal de geoestacionária necessária para manter o satélite em órbita em torno Terra é dada por mGM/d2, em que M é a massa da
exerce o papel da força centrípeta, alterando a direção da
rádio ou TV do centro da Terra com um período de 24 horas. Terra e G é a constante de gravitação universal. Assim,
velocidade. Represente você mesmo um deslocamento em
a aceleração da gravidade sobre o corpo de massa m
Figura 6. A órbita geoestacionária é ideal para comunicações, que r diminui e veja que a componente tangencial da força pode ser corretamente escrita como:
e a polar, para o mapeamento do planeta. exercida pelo Sol, nesse caso, tem o mesmo sentido da 03. (UEG-GO) A força gravitacional desempenha um papel
fundamental na estabilidade dos organismos vivos. A) mG/d2 C) mGM/d2
velocidade; logo, o módulo desta aumenta.
As deduções da 1ª e da 2ª Lei de Kepler exigem uma Dentro de uma espaçonave em órbita os tripulantes B) GM/d 2
D) mM/d2
matemática mais avançada. Por isso, apresentaremos experimentam uma aparente perda de peso, situação
apenas uma discussão conceitual sobre a relação entre essas denominada de estado de imponderabilidade. No caso 08. (IME-RJ) No interior da Estação Espacial Internacional,
leis e a Lei da Gravitação Universal. A 1ª Lei de Kepler se de um astronauta em um ambiente onde a gravidade é que está em órbita em torno da Terra a uma altura
refere às órbitas elípticas dos planetas. Newton mostrou praticamente nula, é correto afirmar que correspondente a aproximadamente 5% do raio da Terra,
r o valor da aceleração da gravidade é
que a trajetória de qualquer corpo que se move em torno A) o cérebro será menos irrigado por correntes
de um centro de força, atraído por uma força cujo módulo é v.∆t sanguíneas. A) aproximadamente zero.
F Fy
proporcional ao inverso do quadrado da distância, deve ser B) a pressão para baixo, sobre a coluna vertical, torna-se B) aproximadamente 10% do valor na superfície da
uma elipse, uma parábola ou uma hipérbole. As duas últimas maior. Terra.
Fx C) aproximadamente 90% do valor na superfície da
trajetórias seriam de corpos que fazem uma passagem nas C) o seu coração bombeia mais facilmente sangue para
vizinhanças do Sol e nunca mais voltam. A elipse e o círculo v todas as regiões do seu corpo. Terra.
(que é um caso especial de elipse) correspondem a órbitas D) a quantidade de movimento linear do fluido sanguíneo D) duas vezes o valor na superfície da Terra.
Figura 8. A direção de v varia devido à componente F y ,
fechadas, como aquelas de planetas e satélites. e o módulo de v varia devido à componente Fx. passa a ser uma função da densidade do sangue. E) igual ao valor na superfície da Terra.

26 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 27


Frente A Módulo 15 Lei da Gravitação Universal

EXERCÍCIOS m1
P
m2 Sobre a presença dos astronautas no interior da ISS,
é correto afirmar que
Considerando que o raio médio da Terra é um milhão
de vezes o raio médio do planeta do Pequeno Príncipe,
PROPOSTOS D A) a aceleração da gravidade à qual estão sujeitos é de, assinale a opção que indica a razão entre a densidade
aproximadamente, 8,7 m/s2. do planeta do Pequeno Príncipe, ρP, e a densidade da
Sabendo que é nula a força gravitacional sobre uma B) eles estão o tempo todo flutuando, uma vez que se Terra, ρT, de modo que as acelerações da gravidade nas
01. (UFPA) O mapa a seguir mostra uma distribuição
terceira massa colocada no ponto P, a uma distância D/3 encontram em uma região de gravidade nula. superfícies dos dois planetas sejam iguais.
típica de correntes na desembocadura do rio Pará,
de m1, a razão m1/m2 entre as massas dos planetas é C) a força da gravidade somente atuaria sobre eles se ρP ρP ρP
duas horas antes da preamar, momento no qual se pode A) = 1012 C) = 1018 E) = 102
A) 1/4. D) 2/3. a ISS estivesse dentro da atmosfera da Terra. ρT ρT ρT
observar que as águas fluem para o interior do continente.
B) 1/3. E) 3/2. D) na ISS existe uma força gravitacional atuando, menor
ρP ρP
que na superfície da Terra, fazendo com que o peso B) = 106 D) = 103
C) 1/2. ρT ρT
1,9 dos astronautas se torne nulo e eles flutuem.
1,6
Oceano Atlântico 04. (FGV) A massa da Terra é de 6,0 . 1024 kg, e a de Netuno 11. (UPE–2016) Em 16 de julho de 2015, a equipe da
Ilha de 2,6 08. (EEAR–2017) Dois corpos de massas m1 e m2 estão
Marajó é de 1,0 . 1026 kg. A distância média da Terra ao Sol é NASA, responsável pela sonda New Horizons, que tirou
separados por uma distância d e interagem entre si com
de 1,5 . 10 11
m, e a de Netuno ao Sol é de 4,5 . 10
12
m. fotografias da Plutão, publicou a seguinte mensagem:
uma força gravitacional F. Se duplicarmos o valor de m1

FÍSICA
A razão entre as forças de interação Sol-Terra e Sol- e reduzirmos a distância entre os corpos pela metade, Uau! Acabamos de tirar mais de 1 200 fotos de Plutão.

3,6 -Netuno, nessa ordem, é mais próxima de: a nova força de interação gravitacional entre eles, em Vamos tentar ter mais algumas enquanto estamos na
A) 0,05. D) 50. função de F, será vizinhança. #PlutoFlyBy
NASA. 16 jul. 2015. Twitter: @NASANewHorizons.
B) 0,5. E) 500. A) F/8.
Disponível em: <[Link]>. Acesso em: 19 jul. 2015.
5,2 C) 5. B) F/4.
U m a d a s f o t o g ra f i a s m o s t rava u m a c a d e i a d e
C) 4F.
Rio Pará montanhas em sua superfície. Suponha que você é
05. (Unesp) Dois satélites giram ao redor da Terra em
D) 8F.
um participante da missão aqui na Terra e precisa
Belém órbitas circulares de raios R1 e R2, com velocidades v1 e
2,5 auxiliar a equipe no cálculo da massa de Plutão.
v2, respectivamente. Se R2 tiver o dobro do valor de R1, 09. (UECE) Considerando que o diâmetro da Lua é,
Assinale a alternativa que oferece o método de estimativa
pode-se dizer que: aproximadamente, 4 vezes menor que o da Terra,
mais preciso na obtenção de sua massa.
v e que a densidade da Lua é, aproximadamente, 2 vezes
A) v2 = 1 .
2 Para efeitos de simplificação, suponha que Plutão é
A principal causa para a ocorrência desse fenômeno de menor que a densidade da Terra e considerando que
rochoso, esférico e uniforme.
fluência das águas é: v1 2 ambas, a Terra e a Lua, sejam esféricas e com densidade
B) v2 = . A) Medir o seu raio e posicionar a sonda em órbita
A) A dilatação das águas do oceano ao serem aquecidas 2 uniforme, a aceleração da gravidade na superfície da Lua
circular, em torno de Plutão, em uma distância orbital
pelo Sol. C) v2 = v1¹2 é, aproximadamente, igual a
conhecida, medindo ainda o período de revolução
B) A atração gravitacional que a Lua e o Sol exercem D) v2 = 2v1 A) 1 da aceleração da gravidade na superfície da Terra. da sonda.
sobre as águas. 8
E) v2 = 4v1 B) Medir o seu raio e compará-lo com o raio de Júpiter,
C) A diferença entre as densidades da água no oceano B) 1 da aceleração da gravidade na superfície da Terra. relacionando, assim, suas massas.
e no rio. 32
06. (FEPECS-DF) Um certo satélite artificial se encontra em C) Observar a duração do seu ano em torno do Sol,
D) O atrito da água com os fortes ventos que sopram do
órbita circular ao redor da terra a uma distância R do C) 1 da aceleração da gravidade na superfície da Terra. estimando sua massa utilizando a Terceira Lei de
nordeste nesta região. 64 Kepler.
centro da terra e cujo período de revolução é T. Esse
E) A contração volumétrica das águas do rio Pará ao D) Medir a distância percorrida pela sonda, da Terra até
satélite é enviado a um outro planeta cuja massa é 1
perderem calor durante a noite. D) da aceleração da gravidade na superfície da Terra.
9 vezes a massa da terra e executará uma órbita circular 128 Plutão, relacionando com o tempo que a luz do Sol
leva para chegar a ambos.
de raio R’ = 4R. Se o período de revolução nesse caso for
02. (UDESC) A aceleração centrípeta de um satélite
10. (UFF-RJ) Antoine de Saint-Exupéry gostaria de ter E) Utilizar a linha imaginária que liga o centro do Sol
que gira em uma órbita circular em torno da Terra é T’, então temos T’ igual a
começado a história do Pequeno Príncipe dizendo: ao centro de Plutão, sabendo que ela percorre,
aproximadamente 10 vezes menor do que a aceleração A) 8 T. D) 1/3 T.
em tempos iguais, áreas iguais.
Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um
gravitacional na superfície da Terra. A distância B) 8/3 T. E) 3/8 T.
planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de
aproximada do satélite a superfície da Terra é C) T.
um amigo […]
12. (UFPR–2017) Em 18 de junho de 2016, foi lançado
A) 6,4 . 106 m. D) 4,5 . 107 m. o foguete Ariane 5 ECA, que transportava o satélite
B) 3,2 . 108 m. E) 4,5 . 108 m. 07. (UFU-MG) A Estação Espacial Internacional (ISS), que de comunicação EchoStar XVIII, com o objetivo de
C) 1,4 . 107 m. teve sua construção iniciada em 1988, é uma realização transferi-lo para uma órbita geoestacionária. As órbitas
humana que tem propiciado ao homem ocupar um lugar geoestacionárias são aquelas em que o período de
03. (UFRGS-RS–2017) A figura a seguir representa dois fora da Terra e desenvolver diversos tipos de estudos. revolução do satélite é de 24h, o que corresponde a
planetas, de massas m 1 e m 2, cujos centros estão Ela se encontra a, aproximadamente, 400 km da seu posicionamento sempre sobre um mesmo ponto da
separados por uma distância D, muito maior que os raios superfície de nosso planeta, que possui raio aproximado superfície terrestre no plano do Equador. Considere o raio
dos planetas. de 6 . 106 m e massa de 6 . 1024 kg. R1 da órbita desse satélite como sendo de 42 000 km.

28 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 29


Frente A Módulo 15

Em 15 de setembro de 2016, foi lançado o foguete Veja, De acordo com essa teoria, a força de atração gravitacional
transportando os satélites SkySats, denominados de 4 a 7 exercida pela Terra sobre uma maçã que cai rumo ao
(satélites de uma empresa do Google), para mapeamento chão tem
com alta precisão da Terra inteira. A altitude da órbita
A) a mesma intensidade que a força de atração
desses satélites, em relação à superfície terrestre, é de
gravitacional exercida pelo Sol sobre um planeta que
500 km. Considerando o raio da Terra como sendo de
gira ao seu redor.
aproximadamente 6 500 km e que a velocidade de um
satélite, tangencial à órbita, pode ser calculada pela raiz B) maior intensidade que a força de atração gravitacional
exercida pelo Sol sobre um planeta que gira ao
quadrada do produto da constante gravitacional G pela
seu redor.
massa M da terra dividida pelo raio da órbita do satélite,
determine: C) sentido oposto ao da força de atração gravitacional
exercida pelo Sol sobre um planeta que gira ao
Observação: Não é necessário o conhecimento dos
seu redor.
valores de G e M e todos os cálculos devem ser claramente
apresentados. Alguns dos valores estão com aproximações D) o mesmo sentido da força de atração gravitacional
por conveniência de cálculo. Não é necessário determinar exercida pelo Sol sobre um planeta que gira ao
os valores das raízes quadradas, basta deixar os valores seu redor.
numéricos, após os devidos cálculos, indicados no radical. E) a mesma origem da força de atração gravitacional
A) O valor numérico da velocidade V 2 do satélite exercida pelo Sol sobre um planeta que gira ao
EchoStar XVIII, em relação à velocidade V1 de um seu redor.
satélite SkySats.
B) O valor do período T2 dos satélites SkySats, em horas,
por aplicação da Terceira Lei de Kepler. GABARITO Meu aproveitamento

Aprendizagem Acertei ______ Errei ______


SEÇÃO ENEM • 01. C
• 02. E
01. (Enem–2015) Observações astronômicas indicam que
• 03. C
no centro de nossa galáxia, a Via Láctea, provavelmente
• 04. C
• 05. B
exista um buraco negro cuja massa é igual a milhares
de vezes a massa do Sol. Uma técnica simples para
estimar a massa desse buraco negro consiste em observar • 06. B
algum objeto que orbite ao seu redor e medir o período • 07. B
de uma rotação completa, T, bem como o raio médio, • 08. C
R, da órbita do objeto, que supostamente se desloca,
com boa aproximação, em movimento circular uniforme. Propostos Acertei ______ Errei ______
Nessa situação, considere que a força resultante, devido
• 01. B
ao movimento circular, é igual, em magnitude, à força
• 02. C
• 03. A
gravitacional que o buraco negro exerce sobre o objeto.
A partir do conhecimento do período de rotação, da
distância média e da constante gravitacional, G, a massa
• 04. D
do buraco negro é: • 05. B
• 06. B
• 07. A
2 3
C) 2π R
2 2
A) 4π R
2 5
E) π R
GT2 GT2 GT2
• 08. D
2 3
B) π R
2 3
D) 4π R • 09. A
2GT2 GT2
• 10. B
02. As Ciências Naturais consistem em um conjunto de • 11. A
conhecimentos que permite explicar os fenômenos que 12.
ocorrem na natureza. O emprego dessas ideias leva ao • A) 66
entendimento e à previsão de fenômenos naturais que
ocorrem na Terra, no Sol, em nossa galáxia e, ao que • B) 1,63 h
parece, nas partes mais longínquas do cosmos. Em outras
palavras, os princípios e leis que governam a natureza são
Seção Enem Acertei ______ Errei ______
conceitos universais. Um dos exemplos mais contundentes • 01. D • 02. E
da universalidade da ciência é a Teoria da Gravidade, que
foi formulada pelo físico inglês Isaac Newton em 1666. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

30 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA B 13
Instrumentos Ópticos
Os instrumentos ópticos permitem ao homem enxergar o
mundo imediatamente à sua volta, bem como aquilo que está
MÁQUINA FOTOGRÁFICA
muito distante ou o que é muito pequeno. Um instrumento
A câmera fotográfica tradicional é um instrumento de
óptico forma uma imagem que, geralmente, é maior do que o projeção no qual a imagem a ser registrada deve ser
objeto ou que “traz o objeto” para perto do olho do observador. projetada sobre o filme, ou sobre o sensor óptico de câmeras
Os instrumentos ópticos podem ser divididos em dois grupos: digitais, que se encontra no interior destas. Por causa disso,
os instrumentos de projeção e os de observação. No primeiro a imagem formada deve ser real e, portanto, invertida.
grupo, temos o projetor (de slides ou multimídia), a máquina Assim, a distância da imagem à lente (DI) será representada
fotográfica e o olho humano, entre outros. Do segundo por um número positivo. A distância do objeto a ser
grupo, podemos citar o binóculo, o microscópio, o telescópio fotografado à lente (DO) varia conforme ele esteja longe ou
e os óculos. Outra forma de classificar os instrumentos perto da câmera.
ópticos se baseia na maneira como eles formam as imagens. As máquinas de média ou baixa qualidade, que não permitem
Assim, temos os instrumentos refletores (que usam espelhos) ajustes em relação ao afastamento do objeto, possuem uma
e os instrumentos refratores (que usam lentes). lente de pequena distância focal, em relação à distância a
que o objeto se encontra da lente, chamada de objetiva.
A visão que temos do tamanho de um objeto, ou de sua Dessa forma, qualquer objeto estará muito distante da câmera
imagem, depende das suas dimensões e da distância a (no “infinito” em relação à lente) e, consequentemente, a sua
que ele se encontra do nosso olho. Ou seja, a impressão imagem será formada no plano focal da lente. Portanto, para
que temos do tamanho do objeto está relacionada com o que a imagem seja projetada sobre o filme, este deve estar
ângulo (α) segundo o qual o objeto é visto. Quanto maior for posicionado no plano focal da lente.
esse ângulo, maior será a sensação que temos do tamanho As câmeras profissionais permitem que objetos próximos
do objeto. Observe a figura seguinte. Ela mostra um objeto ou distantes das câmeras sejam registrados com a mesma
que é visto, diretamente, segundo o ângulo visual α0. perfeição. Nesse caso, para que a imagem seja nítida
A figura mostra também duas imagens do objeto, formadas (bem focada), a distância focal (f) da objetiva, ou a distância
de maneiras distintas. Na imagem à esquerda, a imagem do da película (onde se formará a imagem) à lente (DI),
objeto foi ampliada, mas encontra-se na mesma posição que o deve ser ajustável. Nas câmeras com objetiva de distância
objeto. Na imagem à direita, a imagem possui tamanho menor focal constante, a distância da lente ao filme deve ser
que o objeto, no entanto, está mais próxima do observador. alterada, conforme mostrado a seguir:
Veja que, nas duas situações, a imagem está sendo vista 1 1 1
Constante → = +
segundo um ângulo visual α, maior que α0. Portanto, nos dois f DO DI
casos, o observador tem a impressão de um “objeto” maior.
Veja que, para objetos distantes da câmera (DO grande),
Imagem ampliada a distância da imagem à lente (DI) deve ser pequena e,
para objetos próximos da máquina, DI deve ser grande.
Imagem aproximada
A variação da distância da lente à imagem é obtida por meio
da aproximação ou do afastamento da lente em relação ao
Objeto α α0
filme. Isso pode ser feito de forma manual, como nas antigas
Observador câmeras “lambe-lambe”, ou automática, como ocorre quando
você “mira” o objeto a ser fotografado e percebe que a lente
Essas duas situações explicam o funcionamento de muitos se desloca para a posição adequada.
instrumentos ópticos. Esses instrumentos formam imagens Algumas câmeras profissionais possuem mais de uma lente.
maiores que o objeto ou aproximam a imagem dos olhos O ajuste na focalização do objeto é feito alterando a
do observador. Em ambos os casos, o ângulo segundo o distância entre as lentes, o que provoca uma mudança na
qual a imagem é vista torna-se maior, justificando o uso distância focal do conjunto. Considere que, nessas máquinas,
do instrumento. a distância do filme ao conjunto de lentes seja constante.

Bernoulli Sistema de Ensino 31


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

Observe a seguir, portanto, que, para objetos distantes,


a distância focal deve ser grande, e, para objetos próximos,
Se a luminosidade exterior é elevada, a pupila se contrai,
de modo a minimizar a entrada de luz. Ao contrário,
Dessa forma, o cristalino apresenta uma distância focal
para cada posição do objeto. A alteração provocada pelo
DEFEITOS DE VISÃO
a distância focal deve ser menor. com baixa luminosidade no ambiente, a pupila se dilata, de músculo ciliar sobre o cristalino é chamada de acomodação
Todo órgão ou sistema do corpo humano é susceptível
forma que uma quantidade maior de luz entre no olho para visual. Observe, na tabela que se segue, as alterações que
a apresentar anomalias, e o olho não foge à regra.
1 1 1 formar a imagem. As figuras a seguir mostram um olho com ocorrem nas grandezas com a mudança da posição do objeto.
= + ← Constante positiva As causas para os defeitos de visão são várias, mas vamos
f DO DI a pupila contraída e outro com a pupila dilatada. citar apenas três. Uma delas é a deformidade do globo ocular,
O objeto em relação ao olho
que pode ser alongado ou encurtado além do que deveria.
Aproxima Afasta Outra causa é a curvatura da córnea além ou aquém do
A figura a seguir mostra a formação da imagem em uma
normal. E, por último, o elevado ou baixo índice de refração

Trevor Leyenhorst /
DO Diminui Aumenta

Creative Commons
câmera fotográfica simples.
f Diminui Aumenta das estruturas que formam o olho, particularmente da córnea
Objetiva e do cristalino. Assim, o sistema ocular é mais ou menos
V Aumenta Diminui
convergente do que o necessário. Quaisquer dessas causas
O Filme Mais convergente Menos convergente fazem com que a imagem se forme antes ou depois da
O cristalino é uma lente biconvexa convergente, maleável e Cristalino
(mais curvo) (menos curvo) retina, respectivamente. Os defeitos de visão mais comuns,
Imagem responsável pela focalização final das imagens sobre a retina.
L A borda do cristalino é envolvida pelos músculos ciliares, que podem ser minimizados com o uso de lentes esféricas,
Se o objeto está no “infinito” (muito afastado do olho), são: miopia, hipermetropia e presbiopia (“vista cansada”).
cuja função é a de comprimir o cristalino, de modo a alterar

FÍSICA
a distância focal é máxima, e o músculo ciliar está totalmente
Na parte frontal de uma câmera, existem dois a sua curvatura e, consequentemente, a sua distância focal.
relaxado (sentimos o menor esforço visual para enxergar
dispositivos – o diafragma e o obturador –, cujas funções são, Veja a seguir um cristalino sem compressão – com músculos
um objeto). Nesse caso, o foco do cristalino está sobre Miopia
respectivamente, controlar a quantidade de luz que entra na ciliares relaxados (1) – e outro com um certo esforço de
a retina. À medida que o objeto se aproxima do olho, O olho míope, por qualquer das causas citadas,
máquina e abrir e fechar a câmera para permitir a execução compressão dos músculos (2).
o esforço muscular sobre o cristalino aumenta, comprimindo-o. é mais convergente do que deveria, apresentando uma
da fotografia. Ou seja, a máquina fotográfica é uma câmara Assim, existe uma posição do objeto em relação ao olho, distância focal pequena em relação aos olhos normais.
escura que projeta na parede oposta (filme) a imagem próxima a este, na qual o músculo ciliar exerce a sua maior Assim, os raios luminosos que entram no olho convergem
formada pela luz que entra pelo orifício (diafragma). compressão. Nessa situação, o cristalino apresenta a menor muito e a imagem se forma antes da retina; logo,
(1) (2) distância focal possível e, consequentemente, a maior não apresenta nitidez suficiente. Nesse caso, a imagem deve
vergência. Se o objeto for aproximado do olho além desse ser afastada do cristalino para melhorar a sua visualização.
OLHO HUMANO A retina – película localizada na parte posterior do globo ponto, o olho perde a capacidade de focalizá-lo. Isso é conseguido, sem correção, aproximando os objetos
ocular – é formada por dois tipos básicos de células sensíveis O ponto mais distante do olho, em que este é capaz de do olho. Logo, a pessoa com miopia enxerga muito bem os
O olho é, sem dúvida, o instrumento óptico mais à luz: os cones (responsáveis pela percepção de cores) formar uma imagem nítida, é chamado de ponto remoto (PR), objetos próximos ao seu olho. Ou seja, o ponto próximo
importante para o ser humano. É um órgão complexo, e os bastonetes (que não distinguem as cores, mas são os e sua distância ao olho é conhecida como distância (PP) de um olho míope encontra-se mais perto deste do que
composto de diversas estruturas, dentre as quais algumas responsáveis pela percepção dos níveis de intensidade da luz máxima de visão perfeita. Numa pessoa de visão normal, o ponto próximo de um olho normal.
interessam a esse ramo da Física. A figura a seguir mostra que chega aos olhos do observador). Quando a imagem é o PR tende ao infinito. O ponto mais próximo ao olho, para O problema do míope está no ponto remoto (PR),
um olho humano e os elementos físicos mais relevantes projetada na retina, o nervo óptico, acoplado a ela, transmite o qual este forma uma imagem nítida, é conhecido como que é mais perto do olho deste do que deveria ser.
para o nosso estudo. a informação visual ao cérebro. ponto próximo (PP). A sua distância ao olho é chamada de Ou seja, o míope enxerga muito mal os objetos que estão
distância mínima de visão perfeita. Essa distância varia com afastados dele. Para um objeto no “infinito”, por mais que o
a idade e de uma pessoa a outra. Nos adultos, em média, cristalino do míope esteja relaxado (distância focal grande),
Cristalino
Retina
Olho humano normal o ponto próximo (PP) está a 25 cm do olho. Assim, o olho a imagem se forma antes da retina.
Córnea O olho normal é aquele capaz de formar imagens nítidas de uma pessoa de visão normal consegue formar imagens
A correção visual da miopia, por meio de óculos e para
para objetos próximos, aproximadamente a 25 cm do nítidas de objetos colocados no intervalo entre o infinito (PR)
Músculo objetos afastados, é feita com lentes divergentes, uma vez
Nervo e 25 cm do olho (PP). Esse intervalo é a zona de acomodação.
ciliar olho, ou afastados, no infinito, em relação ao observador. que o olho míope é muito convergente. A miopia é o defeito
óptico
Em ambos os casos, a imagem deve ser formada sobre Vamos determinar a vergência (V) do cristalino para visual mais comum na população. Veja a seguir:
a retina – condição necessária para uma visão perfeita. os extremos da zona de acomodação. Considere que o
Em um olho humano normal, os raios luminosos entram tamanho do globo ocular seja 2,5 cm, ou seja, 0,025 m. Lente divergente
Dessa forma, a distância (DI) da imagem ao cristalino deve
pela pupila, atravessam a córnea, o cristalino, a parte central Como a imagem se forma sobre a retina, DI = 0,025 m. Considere, Imagem
ser sempre a mesma, qualquer que seja a distância do
do olho e se encontram na retina – região fotossensível –, ainda, que o ponto próximo (PP) esteja a 25 cm ou 0,25 m
objeto ao olho. Ou seja, DI depende apenas do tamanho do
sobre a qual a imagem, para uma visão perfeita, deve ser do olho.
olho do observador. Em média, essa distância é de 2,5 cm.
formada. Ou seja, no olho, a imagem é projetada sobre a
Objeto no ponto remoto (PR): DO → ∞ e (1/DO) → 0
retina, sendo real e invertida. O funcionamento do olho é A imagem projetada sobre a retina é real (DI > 0). Miopia Miopia corrigida
semelhante ao de uma máquina fotográfica. A pálpebra, Qualquer que seja a distância do objeto ao olho, a equação V = 1/f = (1/DO) + (1/DI) = 0 + (1/0,025)
equivalente ao obturador, abre e fecha para permitir a de Gauss deve ser respeitada. Assim, a distância focal (f) V = 40 di = 40 “graus”
entrada de luz. e a vergência (V) do cristalino variam de acordo com a
Objeto no ponto próximo (PP): DO = 25 cm = 0,25 m
Hipermetropia
mudança da distância do objeto ao olho (DO). Lembre-se de
A córnea, uma película curva, transparente e localizada na V = 1/f = (1/DO) + (1/DI) = (1 / 0,25) + (1 / 0,025) O olho hipermetrope, por qualquer que seja a causa,
que a vergência (V) é inversamente proporcional à distância
parte anterior do olho, é responsável pela primeira e maior é menos convergente do que o necessário e, assim, a sua
focal (f), V = 1/f. Veja, na equação de Gauss a seguir, V = 44 di = 44 “graus”
parte da refração da luz que vem do exterior. distância focal é grande em relação à dos olhos normais.
que a distância focal do cristalino varia conforme a distância
A variação da vergência entre os valores anteriores Dessa forma, os raios luminosos que entram no olho
A função da pupila – canal existente na íris – é controlar do objeto ao olho, que também varia.
(DV = 4 di) é chamada de amplitude de acomodação. convergem pouco. Consequentemente, a imagem se
a quantidade de luz que chega ao cristalino, de modo a Assim, o olho humano normal varia a sua vergência em forma atrás (depois) da retina e não apresenta nitidez
1 1 1
permitir uma visualização adequada dos objetos. Em relação = + ← Constante positiva 4 “graus” ao mudar a focalização de um objeto que estava normal. Portanto, para melhorar a visualização do objeto,
f DO DI
a uma máquina fotográfica, ela é equivalente ao diafragma. muito longe para outro que esteja muito perto dele. é necessário aproximar a imagem do cristalino.

32 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 33


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

Se o objeto está muito afastado do hipermetrope


(DO é grande) e o cristalino deste está totalmente relaxado,
Veja a seguir as posições dos pontos remoto (PR) e
próximo (PP) e a zona de acomodação ZA (em vermelho)
MICROSCÓPIO SIMPLES O objeto a ser observado em um microscópio deve ser
colocado a uma distância da objetiva que seja maior que a
a imagem do objeto se forma atrás da retina (cristalino converge
pouco). Para resolver essa situação, o hipermetrope pode,
para os diversos tipos de pessoas, sem a correção visual. (OU LUPA) E ESPELHO DE distância focal dela, mas próximo ao foco. A objetiva forma
uma imagem real (I1), invertida e ampliada do objeto.
O ponto próximo, para um olho normal, encontra-se,
simplesmente, acomodar a sua visão (forçando os músculos
ciliares), de modo a diminuir a distância focal de seu olho e,
em média, a 25 cm do observador. AUMENTO Essa imagem está posicionada entre a ocular e o foco desta.
Assim, a ocular funciona como uma lupa e forma, a partir da
consequentemente, trazer a imagem para a retina. primeira imagem, uma segunda imagem (I2), que é virtual,
PP ZA PR A lupa e o espelho de aumento você já conhece.
Nas situações em que essa adaptação oferece desconforto maior que a primeira imagem e direta em relação a esta,
Normal ∞ A lupa é uma lente convergente utilizada para observar um
visual para o paciente, o médico pode receitar a ele óculos 25 cm mas invertida em relação ao objeto. A distância focal da
objeto colocado entre ela e seu foco. O espelho de aumento
com lentes convergentes para a visualização de objetos ocular deve ser maior que a da objetiva. A figura a seguir
PP ZA PR é um espelho côncavo utilizado para observar um objeto que
distantes. Veja a seguir: mostra a formação da imagem em um microscópio composto.
Míope ∞ deve ser posicionado entre o espelho e seu foco. Nos dois
casos, as imagens formadas são virtuais e maiores que o
Imagem Observador
PP ZA PR objeto. A imagem formada pela lente não apresenta inversão
vertical e nem lateral, o que permite ler um texto com Objetiva Ocular
Hipermetrope ∞ Objeto
letras muito pequenas ou observar, com mais detalhes, as
Lente convergente I1
PP ZA PR partes de uma flor ou de um inseto, por exemplo. A imagem
formada pelo espelho de aumento, usado em maquiagem, F1 F2 F1 F2
Hipermetropia Hipermetropia corrigida Presbita ∞ OB OB OC OC

por exemplo, é direta, mas apresenta inversão lateral.

FÍSICA
Quando você se observa num espelho de aumento, a orelha
O grande problema do hipermetrope, entretanto, está na Vale a pena destacar que a miopia, a hipermetropia e a I2
direita parece ser a orelha esquerda.
visualização de objetos próximos ao olho. Se DO é pequeno
presbiopia podem ser tratadas cirurgicamente, geralmente,
e o olho converge pouco a luz que chega a ele (distância
focal grande), a imagem do objeto se forma atrás da retina por meio de pequenas incisões radiais na córnea do paciente
por maior que seja o esforço de acomodação do músculo de modo a alterar a sua curvatura e, por conseguinte, Objeto
ciliar. Ou seja, o hipermetrope não enxerga bem objetos a distância focal do conjunto ocular. F2 O F1 A ampliação fornecida pelo microscópio é o produto das
próximos a ele, pois seu ponto próximo (PP) se encontra F V Imagem Objeto Imagem ampliações fornecidas por cada lente individualmente.
Outro defeito de visão bastante comum é o astigmatismo.
mais distante dele do que o ponto próximo de uma pessoa de Se a objetiva produz um aumento de 80 vezes, e a ocular,
Ele ocorre devido a uma curvatura irregular da córnea ou do de 20 vezes, a ampliação total do microscópio é de 1 600 vezes.
visão perfeita. Sem correção visual, o hipermetrope costuma Observador
afastar o objeto do seu olho. Assim, o hipermetrope tem cristalino, que perde a esfericidade, ficando mais ou menos Em um microscópio óptico, conseguimos ampliar um objeto
de contar com a correção de lentes convergentes para a convergente em algumas regiões das suas faces. Isso faz com Observador até 2 000 vezes, o que nos permite observar, com nitidez,
visualização de objetos próximos ao seu olho. Veja a seguir: que múltiplas imagens (do mesmo objeto) se formem sobre a a maioria das estruturas vivas da natureza. Para ampliações
retina, o que provoca a sensação de uma imagem “borrada”. maiores que essa, usamos um microscópio eletrônico,
A ampliação linear (A) desses dispositivos aumenta com
Imagem Tal defeito é corrigido com lentes cilíndricas, não discutidas a redução da distância focal. No entanto, diminuir muito a que trabalha com um feixe de elétrons, e não com feixes de luz.
em nossa Coleção. Existem outros defeitos de visão que as distância focal significa diminuir bastante os raios de curvatura O microscópio eletrônico nos permite ampliações próximas
lentes não corrigem e, por isso, não foram citados. do espelho ou das faces da lente. Isso faz com que esses de 1 milhão de vezes e com ele podemos observar a estrutura
Lente convergente instrumentos não mais obedeçam às condições de Gauss de um vírus, por exemplo. O funcionamento do microscópio
Hipermetropia Hipermetropia corrigida Veja um resumo dos defeitos de visão e suas respectivas e comecem a gerar imagens distorcidas. Por esse motivo, eletrônico foge aos objetivos de nosso estudo.
correções: não se consegue grandes ampliações com tais aparelhos.
O ponto remoto (PR) do hipermetrope, geralmente,
continua no infinito.
Defeito Problema Correção MICROSCÓPIO OU TELESCÓPIOS
Presbiopia Miopia
Imagem se forma
Lentes divergentes MICROSCÓPIO COMPOSTO Os telescópios são instrumentos utilizados para a observação
antes da retina
A presbiopia, ou “vista cansada”, na análise da de objetos muito distantes da Terra, como planetas e estrelas.
Imagem se forma Lentes O microscópio é um equipamento projetado para fornecer A imagem formada por esses instrumentos não é ampliada,
fisiologia humana, não é considerada um “defeito de Hipermetropia
atrás da retina convergentes grande ampliação para pequenos objetos. Ele é composto mas se coloca bem perto do observador. Por esse motivo,
visão”. É uma situação natural e espontânea que ocorre de duas lentes convergentes: a objetiva (que fica próxima
em consequência do envelhecimento e que atinge a Imagem se forma Lentes a imagem fornecida pelo telescópio é maior do que a imagem
Presbiopia do objeto a ser ampliado) e a ocular (que fica perto do olho
maioria das pessoas com idade acima dos quarenta anos. atrás da retina convergentes do observador). A figura a seguir mostra um microscópio do objeto que seria vista sem o instrumento. Os telescópios
No olho da pessoa com presbiopia, o músculo ciliar, responsável muito usado em laboratórios escolares. podem ser classificados em refratores ou refletores.
pela focalização das imagens sobre a retina, vai perdendo a Esfericidade
Astigmatismo irregular do Lentes cilíndricas
capacidade de comprimir o cristalino da forma necessária. Assim,
quem possui presbiopia perde, principalmente, a capacidade
globo ocular Ocular Telescópio refrator ou luneta
de enxergar objetos próximos ao olho. Nesse caso, o olho da astronômica
pessoa com presbiopia tem iguais funcionamento e correção
que o olho da pessoa com hipermetropia – lentes convergentes. A luneta astronômica foi aperfeiçoada por Galileu,
Objetiva
Em alguns casos, além de perder elasticidade, o músculo em 1609, e ele a utilizou para observar a Lua, os planetas
ciliar se deforma. Nesse caso, o cristalino fica impedido de do Sistema Solar e algumas luas de Júpiter. Por meio
Instrumentos ópticos
relaxar da mesma forma que antes e passa a não focalizar da observação dessas luas, Galileu pôde constatar que
objetos muito distantes. Para pessoas com tais características, Nesse objeto digital, você assistirá a uma representação a velocidade da luz era muito grande, mas não infinita.

tjmwatson / Creative Commons


são necessários dois pares de óculos, um para “perto” dos principais defeitos de visão, de suas correções e de como A luneta possui duas lentes: a objetiva (que recebe a luz
(com lentes convergentes) e outro para “longe” (com lentes acontece a formação de uma imagem no olho. Aproveite o vídeo do astro e é convergente) e a ocular (por onde o operador
divergentes) ou um par de óculos “bifocal ou multifocal”. para entender como as pessoas com miopia, hipermetropia e vai observar a imagem do astro). Na luneta de Galileu,
Assim, o olho com presbiopia pode não ter o ponto remoto presbiopia enxergam e qual é a aplicação dos vários tipos de a ocular é divergente e, na de Kepler, ela é convergente.
(PR) no infinito, mas seu ponto próximo (PP), seguramente, lentes corretoras de visão usadas em óculos. Em algumas lunetas, a luz refratada pela objetiva vai de encontro
está mais distante do olho do que o de um olho normal. à ocular por meio da reflexão em um pequeno espelho plano.

34 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 35


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

A ocular, que recebe a luz refletida, forma uma imagem


final virtual, invertida em relação ao astro, maior que
Atualmente, as imagens da ocular são enviadas para um
sistema computadorizado que fornece a imagem nas telas de
EXERCÍCIO RESOLVIDO EXERCÍCIOS DE
a imagem formada pela objetiva e bem próxima do um computador ou as envia para qualquer lugar do mundo. 01. Um médico oftalmologista receita, para um paciente APRENDIZAGEM
observador. O esquema simplificado de funcionamento e A figura a seguir mostra o esquema do telescópio de Newton. que possui miopia em um dos olhos e hipermetropia no
uma foto da luneta astronômica são mostrados a seguir: Veja também a fotografia de um telescópio refletor. outro, lentes com as vergências, exclusivas, de +3,0 di
(olho direito) e –2,0 di (olho esquerdo).
01. (Unimontes-MG–2015) A lupa (lente de aumento) é um
instrumento ótico utilizado para produzirmos uma imagem
A) Associar cada olho com o respectivo defeito visual.
aumentada e direta de um determinado objeto. Para que a
B) Determinar a distância do ponto remoto (PR) até o
Observador Observador paciente para o olho com miopia. lupa seja utilizada com o objetivo de ampliação do objeto,

Ocular Objetiva Ocular C) Determinar a distância do ponto próximo (PP) até o necessita-se de

Objeto paciente para o olho com hipermetropia. A) uma lente convergente e um objeto colocado no foco
no da lente.
Espelho Resolução:
Istockphoto

infinito
plano B) uma lente convergente e um objeto colocado antes
A) As pessoas com hipermetropia devem usar lentes
do foco da lente.

Istockphoto
Espelho convergentes e as pessoas com miopia devem usar
côncavo C) uma lente divergente e um objeto colocado em

FÍSICA
O binóculo e o periscópio, citados como aplicações da lentes divergentes. As distâncias focais e vergências das
reflexão total, formam imagens da mesma maneira que um lentes convergentes e divergentes são, respectivamente, qualquer posição com relação à lente.
telescópio refrator. positiva e negativa. Assim, o olho direito (+3,0 di) D) uma lente convergente e um objeto colocado entre

A luneta, como visto anteriormente, não se aplica a


PROJETORES apresenta hipermetropia, e o esquerdo (–2,0 di) o foco e a lente.
sofre de miopia.
observações de astros muito distantes, como as estrelas,
Qualquer tipo de projetor produz uma imagem, geralmente B) No olho míope, o ponto remoto fica próximo do olho e, 02. (UFU-MG) Assinale a alternativa falsa.
por exemplo. A luz emitida por elas chega com baixa
maior que o objeto, que deve ser vista em uma tela. Assim, por esse motivo, o míope não focaliza objetos distantes.
intensidade à Terra e, portanto, para formar imagens A) O cristalino do olho de uma pessoa de visão normal
a imagem formada deve ser real e invertida, tanto na vertical Dessa forma, a lente a ser usada deve ser capaz de
de boa qualidade, seria necessário que a objetiva fosse age como uma lente convergente que produz uma
quanto na horizontal. Para o seu funcionamento básico, formar, para objetos no “infinito”, imagens no ponto
muito grande. Consequentemente, uma lente desse tipo imagem real, invertida e aumentada quando a pessoa
basta uma única lente convergente, uma fonte de luz e o remoto do míope, ou seja, PR = –DI (a imagem é virtual,
seria muito espessa. Assim, essa lente não seria delgada, observa um objeto distante.
objeto a ser projetado. Para se obter uma imagem ampliada, pois a lente é divergente). Essa imagem servirá de objeto
e as condições de Gauss não se aplicariam a ela. Devido a B) Uma pessoa com visão normal, à medida que se
para o olho do paciente. Como DO → ∞, (1/DO) → 0.
essa limitação, Newton, em 1668, desenvolveu o telescópio o objeto deve estar próximo ao foco da lente, numa distância aproxima de um objeto, tem o raio de curvatura
Assim, temos:
refletor, discutido a seguir. um pouco maior que a distância focal dela. Existem vários de seu cristalino diminuído para que ela continue
Na luneta terrestre, muito comum em filmes de piratas, tipos de projetores, com características particulares e com 1 1 1 1 focalizando o objeto.
V= = + ⇒ −2 = 0+ ⇒ DI = −0, 50 m
a ocular é divergente e, normalmente, fica do lado oposto diversos acessórios que servem para melhorar a qualidade f DO DI DI C) A variação do diâmetro da pupila tem como objetivo
da objetiva. da imagem projetada. O esquema a seguir mostra, de forma controlar a entrada de luz no olho.
simplificada, o funcionamento de um projetor de slides Dessa forma, PR = –DI = 50 cm. Ou seja, o ponto remoto
D) Para a correção da hipermetropia, é necessária a
fica a 50 cm do olho esquerdo. Assim, esse olho, sem os
Telescópio refletor ou telescópio (o objeto). A fonte de luz fica no foco do espelho de modo a
óculos, não enxerga objetos mais distantes que 50 cm.
utilização de lentes convergentes.
proporcionar uma maior luminosidade no slide. Observe que
O telescópio refletor, ou simplesmente telescópio, Curiosidade: Se você é míope, procure perceber a
a imagem projetada é invertida. 03. (UEMG) Usando uma lupa (lente de aumento), uma
usa um grande espelho parabólico côncavo no lugar da lente maior distância que consegue enxergar sem óculos.
objetiva da luneta. Os telescópios do Monte Palomar (Califórnia), Com essa medida e a solução anterior, você pode pessoa projetou, numa folha de papel, a imagem vista
o Keck (Havaí) e o do LNA (Laboratório Nacional de descobrir o “grau” da sua lente. de uma janela, conforme ilustração a seguir:
Fonte
Astrofísica, Itajubá-MG) têm espelhos com diâmetros, de Luz C) No olho hipermetrope, o ponto próximo está mais
respectivamente, de 5,0 m, 10 m e 1,6 m. Quanto maior distante do olho em relação ao olho normal e, por esse
o tamanho do espelho, mais luz ele consegue coletar e, motivo, o hipermetrope não focaliza objetos próximos
consequentemente, poderá produzir imagens de objetos a ele. Dessa forma, a lente a ser usada por ele deve ser
muito distantes. O mais famoso telescópio refletor da capaz de formar, para objetos a 25 cm do olho (distância
Espelho Slide
atualidade é o Hubble (em órbita da Terra, numa altitude Lente
mínima de visão perfeita), imagens no ponto próximo do
de 589 km), que tem um espelho de 2,4 m de diâmetro. Tela
hipermetrope. Assim, DO = 25 cm = 0,25 m e PP = –DI
O funcionamento simplificado de um telescópio refletor (a imagem é virtual, pois deve ficar mais distante do
Todos os instrumentos artificiais citados anteriormente olho e, por isso, do mesmo lado que o objeto em relação
se dá da seguinte maneira: a luz emitida por uma estrela,
possuem lentes muito potentes (grande vergência) e capazes à lente). Essa imagem servirá de objeto para o olho do
por exemplo, incide no grande espelho parabólico do Nessas condições, e considerando a projeção desta
de formar imagens de grande qualidade. Nessas lentes, paciente. Assim, temos:
telescópio (que faz a função da lente objetiva no telescópio imagem, só é correto afirmar que
as aberrações esférica e cromática são pronunciadas.
refrator) e é refletida por ele. A luz refletida pelo espelho 1 1 1 1 1 A) a imagem formada é virtual.
Dessa forma, todos os instrumentos são equipados com V= = + ⇒ 3= + ⇒ DI = −1, 0 m
parabólico vai de encontro a um segundo espelho, f DO DI 0, 25 DI
um ou mais conjuntos de lentes, formados por vários B) a imagem não é formada por luz, pois foi projetada
que pode ser plano ou convexo (no telescópio de Newton,
no papel.
esse espelho é plano), e é novamente refletida, agora em tipos de lentes associadas, em vez de uma única lente. Dessa forma, PP = –DI = 1,0 m. Ou seja, o ponto próximo
direção a uma lente convergente – a ocular –, por meio da qual o Esses conjuntos e uma série de outros acessórios têm o objetivo fica a 1,0 m do olho direito. Assim, esse olho, sem os C) a imagem formada é invertida.
observador vai analisar a imagem final formada pelo aparelho. de eliminar, dentro do possível, o efeito nocivo das aberrações. óculos, não enxerga objetos mais próximos que 100 cm. D) a imagem formada é real, mas não é invertida.

36 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 37


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

04. (UEMG–2016) [...] que se unem para infernizar a vida do C) hipermetrope e a correção é feita com tente
convergente.
EXERCÍCIOS A respeito dos assuntos tratados no texto anterior,
é correto afirmar que:
colega portador de alguma diferença física, humilhando-o
por ser gordo ou magro, baixo ou alto, estrábico D) hipermetrope e a correção é feita com lente PROPOSTOS A) Se, nos telescópios, fossem utilizados espelhos
ou míope. divergente. convexos ao invés de côncavos, as imagens obtidas
VENTURA, 2012, p. 53. E) normal e, nesse caso, não precisa de correção. não se alterariam.
01. (Unesp–2016) Dentre as complicações que um
portador de diabetes não controlado pode apresentar B) Espelhos esféricos côncavos não conjugam imagens
A miopia é um problema de visão. Quem tem esse
07. (ACAFE-SC–2016) Um professor resolveu fazer algumas
virtuais.
problema, enxerga melhor de perto, mas tem dificuldade está a catarata, ou seja, a perda da transparência do
afirmações sobre óptica para seus alunos. Para tanto,
de enxergar qualquer coisa que esteja distante. Três cristalino, a lente do olho. Em situações de hiperglicemia, C) Quando um objeto é colocado no centro de curvatura
contou com o auxílio de óculos com lentes bifocais (figura
alunos, todos eles totalmente contrários ao bullying, o cristalino absorve água, fica intumescido e tem seu raio de um espelho esférico côncavo, nenhuma imagem
a seguir). Esses óculos são compostos por duas lentes,
fizeram afirmações sobre o problema da miopia: de curvatura diminuído (Figura 1), o que provoca miopia nítida é conjugada.
uma superior para ver de longe e outra inferior para ver
Aluno 1: o defeito é corrigido com o uso de lentes no paciente. À medida que a taxa de açúcar no sangue D) A imagem de um objeto de 10 cm de altura,
de perto.
convergentes. retorna aos níveis normais, o cristalino perde parte do posicionado a 30 cm de um espelho esférico côncavo
Lentes para ver de longe de distância focal 20 cm, é direita e tem 20 cm
Aluno 2: a imagem de objetos distantes é formada antes excesso de água e volta ao tamanho original (Figura 2).
A repetição dessa situação altera as fibras da estrutura de altura.
da retina.

FÍSICA
do cristalino, provocando sua opacificação. E) A ampliação produzida por um espelho esférico
Aluno 3: ao observar uma estrela no céu, a imagem da
Disponível em: <[Link]> (Adaptação). côncavo de raio de curvatura de 60 cm, quando um
estrela será formada depois da retina, em função da
objeto é colocado a 10 cm dele, vale 1,5.
distância. Figura 1 Figura 2
Lentes para ver de perto
Fizeram afirmações corretas: 03. (ACAFE-SC) Um médico oftalmologista realizou uma
A) Os alunos 1 e 3. cirurgia no globo ocular de dois pacientes (paciente A
Com base no exposto anteriormente e nos conhecimentos Cristalino Cristalino
B) Os alunos 2 e 3. intumescido normal e paciente B), a fim de corrigir dois defeitos da visão.
de óptica, analise as afirmações a seguir, feitas pelo Para tanto, utiliza um método de cirurgia corretiva a laser
C) Apenas o aluno 2.
professor a seus alunos. que possui maior precisão e eficiência. No paciente A
D) Apenas o aluno 1.
I. As lentes Inferiores dos dados são aconselhadas para o procedimento corrigiu o defeito e, com isso, o ponto
una pessoa com miopia. remoto do olho foi colocado para mais longe. No paciente B
05. (Feevale-RS–2016) No processo de visão humana,
II. As lentes superiores são lentes divergentes. Fora de escala houve a correção do defeito de tal modo que o ponto
o cristalino desempenha um papel importante na
III. Pessoas com hipermetropia e presbiopia são próximo foi trazido para mais perto do olho. Nesse
formação da imagem. Marque a alternativa correta sobre
aconselhadas a usar as lentes inferiores. De acordo com o texto, a miopia causada por essa doença sentido, marque com V as afirmações verdadeiras e com
essa estrutura do olho humano. F as falsas.
IV. As lentes inferiores possibilitam que as imagens deve-se ao fato de, ao tornar-se mais intumescido,
A) Controla a quantidade de luz que entra no olho dos objetos, que se formam antes da retina, sejam o cristalino ter sua distância focal ( ) O paciente A pode ter corrigido o defeito da
humano. formadas sobre a retina. hipermetropia.
A) aumentada e tornar-se mais divergente.
B) Controla a energia dos fótons da luz incidente. V. As lentes inferiores podem convergir os raios do Sol. ( ) O paciente B utilizava uma lente convergente para
B) reduzida e tornar-se mais divergente.
C) Atua como lente divergente para acomodar a imagem. Todas as afirmações corretas estão em corrigir seu defeito visual antes da cirurgia.
D) Atua como lente convergente para acomodar C) aumentada e tornar-se mais convergente.
A) III e IV. ( ) A cirurgia no paciente A fez com que a imagem de
a imagem. D) aumentada e tornar-se mais refringente.
B) IV e V. um objeto, que se formava antes da retina, se forme
E) Define as cores dos objetos. E) reduzida e tornar-se mais convergente. exatamente sobre a retina.
C) II. III e V.
D) I, II e III. ( ) Antes da cirurgia a imagem de um objeto se formava
06. (CN-RJ–2016) A visão de um dos principais sentidos 02. (IFG-GO) Os espelhos côncavos são utilizados nos atrás da retina no olho do paciente B.
usados pelos seres humanos para perceber o mundo e a telescópios, permitindo-nos observar (ou fotografar)
08. (UTFPR–2015) Sobre o olho humano, considere as ( ) Uma das causas do defeito da visão do paciente A
figura a seguir representa de forma muito simplificada o estrelas e galáxias, mesmo aquelas que não podem ser
seguintes afirmações: poderia ser por que seu globo ocular e achatado.
olho humano, que é o veículo encarregado de levar essas vistas a olho nu. Como os corpos celestes se encontram
I. A parte do olho denominada cristalino tem A sequência correta, de cima para baixo, é:
percepções até o cérebro. muito afastados da Terra, a luz que chega até nós, emitida
comportamento semelhante ao de uma lente
A) F – V – V – V – F
Imagem convergente. por eles, é constituída de raios praticamente paralelos.
Essa luz, sendo recebida pelo espelho côncavo de um B) F – F – V – V – V
II. No olho míope, as imagens de objetos muito distantes
Retina telescópio, converge para o seu foco, formando-se aí C) F – V – F – V – V
se formam antes da retina.
Objeto III. A correção da hipermetropia é feita com lentes uma imagem real do astro que está sendo observado. D) V – V – F – F – V
Cristalino
divergentes. Embora seja muito pequena a intensidade da luz que
chega à Terra, proveniente de uma estrela, por exemplo, 04. (UFPR) Um microscópio composto é constituído, em sua
Sendo assim, com base na figura, é correto afirmar que Está correto apenas o que se afirma em
a concentração de luz provocada pelo espelho côncavo forma mais simples, por duas lentes convergentes colocadas
o olho é A) I e II. D) I e III.
torna possível observar ou fotografar sua imagem. em sequência, conforme esquematizado na figura a
A) míope e a correção e feita com lente convergente. B) II. E) I. seguir. A lente mais próxima ao objeto é chamada objetiva
MÁXIMO, Antônio; ALVARENGA, Beatriz. Física:
B) míope e a correção e feita com lente divergente. C) III. contexto & aplicações. São Paulo: Scipione, 2011. p. 199. v. 2. e a lente mais próxima ao olho humano é chamada ocular.

38 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 39


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

A imagem formada pela objetiva é real, maior e invertida, As lentes objetiva X e ocular Y que melhor se adaptam a 1 Considere a distância focal da lente de 30 cm e a distância
 1 1 
esse telescópio devem ser C= = ( –1) .  +  entre a lente e o espelho (dLE) de 35 cm.
e serve como objeto para a ocular, que forma uma imagem f  R1 R2 
virtual, direita e maior com relação à imagem formada A) ambas convergentes. dEA
e sabendo que o índice de refração da glicerina é 1,5,
pela objetiva. Suponha que a distância focal da lente B) ambas divergentes.
a lente plano-convexa obtida com a gota terá vergência C, Espelho
objetiva seja 1 cm, a distância focal da lente ocular seja C) respectivamente convergente e divergente.
em unidades do SI, de
4 cm e a distância entre as lentes seja de 6 cm. D) respectivamente divergente e convergente.
A) 200 di.
Objetiva Ocular
06. (UFU-MG) Atualmente, há diversos tipos de telescópios B) 80 di.
o dLE
no mercado. Apesar de suas especificidades, todos C) 50 di.
funcionam com base em princípios fundamentais da
F2 F1 F4 F3 D) 20 di. Lente
Óptica. No esquema a seguir, há representação da
trajetória que os raios de luz fazem em um telescópio, E) 10 di.
conhecido como newtoniano, desde o instante em que
Com base nas informações anteriores e nos conceitos de 08. (UCB-DF–2016) Certo paciente recebe uma receita do
incidem no espelho na posição A, passam pelo espelho Vidro Lanterna
Óptica, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as na posição B e chegam à ocular. oftalmologista para correção visual determinando uma
seguintes afirmativas:

FÍSICA
lente de –4,00 dioptrias para ambos os olhos. Essa
( ) Para que a imagem formada pela objetiva tenha as situação hipotética indica que as lentes apresentadas são

características especificadas no enunciado, o objeto B A) divergentes, com distância focal de –0,25 m e,


A
deve estar a uma distância maior que 2 cm dessa provavelmente, o paciente é míope.
lente. B) convergentes, com distância focal de 0,40 m e, A distância correta, em cm, entre o espelho e o anteparo
provavelmente, o paciente é hipermetrope.
( ) Supondo que o objeto esteja a uma distância de 1,5 cm (dEA) para que a imagem da seta seja 3 vezes maior que
da objetiva, a imagem formada por esta lente estará C) divergentes, com distância focal de 1,25 m e, ela é
a 3 cm dela. Ocular provavelmente, o paciente possui astigmatismo. A) 40. C) 85.
D) convergentes, com distância focal de 0,75 m e, B) 120. D) 65.
( ) A imagem final formada por este microscópio é virtual, É correto afirmar que os espelhos das posições A e B
provavelmente, o paciente é hipermetrope.
invertida e maior em relação ao objeto. empregados nesse telescópio assim como as propriedades
físicas que possuem e que foram empregadas nesse E) divergentes, com distância focal de –0,40 m e, 11. (FAMECA-SP) Lupa, também conhecida como microscópio
( ) A imagem formada pela objetiva deve estar a uma
instrumento são, respectivamente: provavelmente, o paciente é míope. simples ou lente de aumento, é um instrumento óptico de
distância maior que 4 cm da ocular.
A) O espelho da posição A é côncavo, e os raios que comprovada utilidade na vida prática. Para que uma lente
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, nele incidem refletem segundo o mesmo ângulo de 09. (UFTM-MG) Cansado, depois de um longo tempo de vergência 4,0 di funcione como uma lupa, os objetos
de cima para baixo. incidência; o espelho da posição B é convexo, e os trabalhando diante de seu computador, Sr. Juca fez uma
que terão sua imagem direita e ampliada devem estar
raios de luz que nele incidem refletem convergindo pausa, tirou seus óculos da face e percebeu que conseguia
A) V – F – F – V localizados próximos ao eixo principal e a uma distância
para seu foco. projetar uma imagem nítida da tela de seu monitor em uma
B) F – V – V – F da lente
B) O espelho da posição A é convexo, e os raios de luz parede vertical branca a 2 m das lentes de seus óculos,
C) V – V – F – F colocando uma das lentes a 50 cm da tela do monitor. A) exata de 50 cm.
que nele incidem refletem convergindo para seu foco;
o espelho da posição B é côncavo, e os raios de luz Sabendo-se que a lente com a qual Sr. Juca projetou a B) exata de 25 cm.
D) F – F – V – V
que nele incidem refletem convergindo para seu foco. imagem na parede é esférica, pode-se afirmar que ela é C) compreendida entre 25,1 cm e 49,9 cm.
E) F – V – V – V
C) O espelho da posição A é convexo, e os raios de luz utilizada por ele para corrigir D) inferior a 25 cm.
que incidem em seu vértice refletem passando pelo A) miopia, e tem vergência de módulo 0,4 di.
05. (UFRN) O telescópio refrator é um sistema óptico E) superior a 50 cm.
seu centro de curvatura; o espelho da posição B é
B) miopia, e tem vergência de módulo 2,5 di.
constituído, basicamente, de duas lentes: a objetiva, cuja plano, e os raios que nele incidem refletem segundo
função é formar uma imagem real e reduzida do objeto em C) presbiopia, e tem vergência de módulo 2,0 di. 12. (UEPB) O desenvolvimento da óptica geométrica teve
o mesmo ângulo de incidência.
como motivação, assim como algumas outras áreas
observação, I1, nas proximidades do foco, F’1, e a ocular, D) O espelho da posição A é côncavo, e os raios de luz D) hipermetropia, e tem vergência de módulo 0,4 di.
da Física, a necessidade de ampliar a potencialidade
que usa essa imagem como objeto nas proximidades de seu que nele incidem refletem convergindo para seu E) hipermetropia, e tem vergência de módulo 2,5 di.
foco; o espelho da posição B é plano, e os raios que do ser humano e suprir algumas de suas limitações.
foco, F2, para formar uma imagem virtual e ampliada, I2.
nele incidem refletem segundo o mesmo ângulo de Os binóculos, lunetas e lupas são exemplos do primeiro
Essa última é a imagem do objeto vista pelo observador. 10. (ACAFE-SC–2015) O retroprojetor é um aparelho simples
incidência. e funcional utilizado para projeção de imagens, ainda caso e os óculos, do segundo. Uns ampliaram a
A figura a seguir representa um desses telescópios,
utilizado em algumas escolas. A base do funcionamento capacidade do olho humano, outros corrigiram algumas
no qual as duas lentes se acham localizadas nas posições
07. (Unesp) É possível improvisar uma objetiva para a
do retroprojetor consiste na projeção e ampliação de de suas debilidades. [...] O olho humano é um sensor
correspondentes aos retângulos X e Y. construção de um microscópio simples pingando uma
uma imagem sobre um anteparo (tela ou parede) com poderosíssimo. Em parceria com o cérebro, capta as
Observador gota de glicerina dentro de um furo circular de 5,0 mm de
Raios luminosos utilização de uma lente convergente. imagens que desvendam o mundo exterior com todas
diâmetro, feito com um furador de papel em um pedaço de
provenientes F2 F'1 as suas formas, relevos, cores e movimentos. É capaz
Um estudante resolveu fazer uma versão caseira de

de um objeto folha de plástico. Se apoiada sobre uma lâmina de vidro,


distante F2 a gota adquire a forma de uma semiesfera. Dada a um retroprojetor utilizando uma placa de vidro, uma lente de focalizar objetos situados a vários quilômetros de
I1
X Y equação dos fabricantes de lentes para lentes imersas convergente, um espelho e uma lanterna para projetar distância ou a um palmo da nossa face. [...]
I2 no ar, a imagem de uma seta na parede (veja a figura). FÍSICA NA ESCOLA, v. 2, n. 2, 2001 (Adaptação).

40 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 41


Frente B Módulo 13 Instrumentos Ópticos

Ainda acerca do assunto tratado no texto, resolva a 15. (PUC-Campinas-SP) O esquema a seguir mostra a 02. (Enem) As lentes fotocromáticas escurecem quando expostas à luz solar por causa de reações químicas reversíveis entre
seguinte situação-problema: uma pessoa, ao perceber formação da imagem em uma luneta astronômica. uma espécie incolor e outra colorida. Diversas reações podem ser utilizadas, e a escolha do melhor reagente para esse fim se
que a maior distância em que enxerga nitidamente um Objetivo (1) Ocular (2) baseia em três principais aspectos: (i) o quanto escurece a lente; (ii) o tempo de escurecimento quando exposta à luz solar;
objeto é 40 cm, foi a um oculista que, ao constatar que

distante
e (iii) o tempo de esmaecimento em ambiente sem forte luz solar. A transmitância indica a razão entre a quantidade de luz

Objeto
a paciente tinha miopia, receitou lentes de correção para
que atravessa o meio e a quantidade de luz que incide sobre ele.
o defeito de sua visão. A convergência, em dioptrias F2 F1'
(em graus) dessa lente, capaz de corrigir esse defeito é i1 Durante um teste de controle para o desenvolvimento de novas lentes fotocromáticas, foram analisadas cinco amostras,
F1 F2'
i2 que utilizam reagentes químicos diferentes. No quadro, são apresentados os resultados.

Numa certa luneta as distâncias focais da objetiva e Tempo de escurecimento Tempo de esmaecimento Transmitância média da lente quando
Amostra
(segundo) (segundo) exposta à luz solar (%)
da ocular são de 60 cm e 30 cm, respectivamente, e a
distância entre elas é de 80 cm. Nessa luneta a imagem
1 20 50 80
final de um astro distante se formará a
A) 30 cm da objetiva. D) 60 cm da objetiva.
S= 40 cm
2 40 30 90
B) 30 cm da ocular. E) 60 cm da ocular.

FÍSICA
C) 40 cm da objetiva.
3 20 30 50

A) –1,5.
B) –3,0.
D) –2,5.
E) –2,2.
SEÇÃO ENEM 4 50 50 50

C) –2,0. 01. (Enem–2015) O avanço tecnológico da medicina propicia


5 40 20 95
o desenvolvimento de tratamento para diversas doenças,
13. (UNEB-BA–2015) “Doenças que afetam grande número como as relacionadas à visão. As correções que utilizam
de brasileiros e causam muitas mortes, a tuberculose e laser para o tratamento da miopia são consideradas
seguras até 12 dioptrias, dependendo da espessura e Considerando os três aspectos, qual é a melhor amostra de lente fotocromática para se utilizar em óculos?
a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) recebem
curvatura da córnea. Para valores de dioptria superiores a
uma atenção diferenciada do sistema público de saúde. A) 1
esse, o implante de lentes intraoculares é mais indicado.
Quando as duas doenças estão associadas, porém, Essas lentes, conhecidas como lentes fácicas (LF), são B) 2
implantadas junto à córnea, antecedendo o cristalino (C),
a situação é ainda mais preocupante, já que essa C) 3
sem que esse precise ser removido, formando a imagem
coinfecção aumenta o risco de morte”. D) 4
correta sobre a retina (R).
Uma amostra de bactéria Mycobacterium tuberculosis O comportamento de um feixe de luz incidindo no olho E) 5
é vista por um microscópio composto, constituído por que possui um implante de lentes fácicas para correção
uma lente objetiva, de distância focal igual a 6,0 mm, do problema de visão apresentado é esquematizado por
03. O olho humano é formado, basicamente, por um conjunto de lentes convergentes (córnea e cristalino), que tem a função de
e uma lente ocular, de aumento linear transversal de, A)
projetar imagens sobre a retina para que a pessoa possa enxergar nitidamente. Observe as figuras a seguir, que ilustram dois
aproximadamente, 11,4. Colocando-se a amostra a
dos problemas de visão mais comuns:
6,1 mm do centro óptico da lente objetiva, a imagem final
fornecida pelo microscópio composto terá a ampliação, LF C R A visão normal se apresenta
quando a luz é focalizada Retina
em módulo, de, aproximadamente, B) diretamente sobre a retina,
A) 870. e não à frente ou atrás dela.

B) 768.
LF C R
C) 684.
D) 550. C)
E) 532.
Problema 1 Problema 2
LF C R
14. (UECE) Uma estudante constrói uma luneta usando Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA.
uma lente convergente de 58,2 cm de distância focal D)
A) No problema 1, o olho está muito convergente, o que é chamado de hipermetropia, e esse problema é corrigido por lentes
como objetiva e uma lente convergente com 1,9 cm de
divergentes.
distância focal como ocular. Sabendo-se que a distância
entre as lentes ocular e objetiva é de 60 cm, qual é, B) No problema 2, o olho está muito convergente, o que é chamado de hipermetropia, e esse problema é corrigido por lentes
LF C R
divergentes.
aproximadamente, a distância, em centímetros, entre a
E)
imagem final de um astro observado e a ocular? C) No problema 1, o olho está muito convergente, o que é chamado de miopia, e esta é corrigida por lentes divergentes.

A) 10,0 C) 34,2 D) No problema 2, o olho está pouco convergente, o que é chamado de miopia, que é corrigida por lentes convergentes.

B) 30,6 D) 36,4 LF C R E) No problema 1, o olho está pouco convergente, o que é chamado de miopia, que é corrigida por lentes convergentes.

42 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 43


Frente B Módulo 13

GABARITO Meu aproveitamento

Aprendizagem  Acertei ______ Errei ______

• 01. D
• 02. A
• 03. C
• 04. C
• 05. D
• 06. B
• 07. C
• 08. A
Propostos  Acertei ______ Errei ______

• 01. E
• 02. E
• 03. A
• 04. B
• 05. A
• 06. D
• 07. A
• 08. A
• 09. E
• 10. C
• 11. D
• 12. D
• 13. C
• 14. C
• 15. E
Seção Enem  Acertei ______ Errei ______

• 01. B
• 02. C
• 03. C Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

44 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA B 14
Movimento Harmônico Simples (MHS)
A natureza apresenta muitos fenômenos repetitivos. Nessa posição, a deformação da mola e a força exercida
Como exemplos, podemos citar: os movimentos da Lua sobre o bloco são máximas. Ao abandonar o bloco,
em torno da Terra e desta em torno do Sol, o batimento ele inicia seu movimento dirigindo-se para a posição
cardíaco, a vibração dos átomos e moléculas nas diversas de equilíbrio. Como a força atua no mesmo sentido da
substâncias, entre outros. velocidade, o módulo desta aumenta. Quando o bloco

Se um fenômeno se repete em intervalos de tempo chega à posição de equilíbrio (0), sua velocidade é máxima

iguais, ele é chamado de periódico. Se ele apresenta e para a esquerda (Figura B). Assim, por inércia, o bloco

um movimento de vai e vem, passando sempre por uma continua o seu movimento até a posição A’. No trajeto do

posição central na ida e na volta, é chamado de oscilatório. ponto central (0) para A’, a força exercida pela mola, que

Um exemplo, com ambas as características citadas, se encontra comprimida, opõe-se ao movimento do bloco.

muito nos interessa: o Movimento Harmônico Simples Portanto, o módulo da velocidade do bloco diminui,

(MHS), que vamos discutir a seguir. até anular-se na extremidade esquerda (Figura C).

k Fel v0 = 0
A)
CARACTERÍSTICAS DO MHS A’ 0 A
x
Considere uma mola ideal, de constante elástica k,
com uma de suas extremidades presa a uma parede. v
k
A outra extremidade da mola é presa a um pequeno bloco
B)
de massa m, colocado sobre um plano horizontal sem
A’ 0 A
atrito. O bloco pode oscilar sobre o plano horizontal entre os x = 0 ⇒ Fel = 0
extremos A e A’, simétricos em relação à posição central (0).
v= 0
Um conjunto desse tipo é chamado de sistema massa-mola.
k Fel
Nesse tipo de sistema, a força resultante que atua C)
sobre o bloco é a força elástica (Fel) exercida pela mola,
A’ 0 A
cuja intensidade pode ser calculada por: x

k = constante elástica da mola v


Fel = – kx ⇒ 
x = deformação
o da mola (elongação) k
D)

Nessa equação, o sinal negativo indica que, estando A’ 0 A


deformada, a mola sempre atua no sentido de puxar / x = 0 ⇒ Fel = 0

empurrar o bloco de volta para a posição central (0). Toda força Quando o bloco chega à posição A’, ele inicia seu
com esse atributo é chamada de força restauradora. movimento de retorno e chega ao ponto central (0),
Quando a mola não está deformada (x = 0), ela com velocidade máxima para a direita (Figura D). Uma vez
não exerce força sobre o bloco. Portanto, a força que o bloco passa com grande velocidade pela posição de
resultante e a aceleração que atuam sobre ele são nulas. equilíbrio, ele continua seu movimento até atingir o ponto A,
Por esse motivo, o ponto central (0) é chamado de posição com velocidade nula. O ponto A foi a posição em que o
de equilíbrio do sistema. Analise as figuras a seguir. Imagine movimento começou e é o ponto em que ele se reinicia.
que você puxe o bloco até o ponto A (Figura A) e o abandone. Isso corresponde a uma oscilação completa do sistema.

Bernoulli Sistema de Ensino 45


Frente B Módulo 14 Movimento Harmônico Simples (MHS)

Veja a seguir os módulos das grandezas elongação (x), O movimento descrito pela partícula é oscilatório, periódico e x Quando um bloco comprime ou distende uma mola,
força exercida pela mola (Fel), aceleração (a) e velocidade (v) submetido a uma força restauradora que depende do ângulo θ, A esse sistema armazena uma energia, chamada de energia
para os três pontos citados no movimento do bloco. formado entre o fio e a vertical, a cada instante. No caso do potencial elástica (EPE). Esta será tanto maior quanto maiores
forem a constante elástica (k) da mola e a deformação (x) desta,
pêndulo simples, a força restauradora é a componente do O
T 2T conforme mostram a figura e a equação a seguir:
x Fel a v peso da esfera na direção do movimento. Essa força tende Tempo
a levar a partícula sempre para a posição de equilíbrio (0). k m
A máx máx máx 0
A'
Para pequenas oscilações, a trajetória da partícula
0 0 0 0 máx Se o atrito não é desprezível, a amplitude (A) de oscilação do kx2
do pêndulo simples pode ser considerada retilínea. 0 EPE =
bloco diminui com o tempo, levando o bloco ao repouso após A’ 2
x
A’ máx máx máx 0 Portanto, dentro dos limites dessa aproximação, determinado número de oscilações. Nesse caso, o movimento
o movimento do pêndulo simples é um MHS. Veja a seguir: é chamado de Movimento Harmônico Amortecido (MHA), e o A energia mecânica (EM) do sistema é a soma das energias
gráfico da posição (x), em função do tempo, está mostrado na
O intervalo de tempo necessário para que o bloco descreva cinética e potencial, ou seja:
figura a seguir. Veja que o período (T) não sofre alteração devido
o trajeto mostrado (A → 0 → A’ → 0 → A) é constante ao amortecimento, ou seja, ele não depende da amplitude. EM = EC + EPE
para um mesmo sistema massa-mola e é chamado de x

Tatiana Popova / Shutterstock


θ θ

FÍSICA
período (T) do movimento. O período corresponde ao L A Na natureza, existe uma classe especial de forças,
chamadas de forças conservativas. Sempre que um
intervalo de tempo de uma oscilação completa do sistema.
sistema está submetido à ação exclusiva de forças dessa
Dessa forma, o MHS é periódico e, portanto, possui m O
T 2T Tempo natureza, a energia mecânica desse sistema permanece
uma frequência de oscilação (f). A frequência mede o constante. Se o sistema perde energia cinética, ele ganha
número de oscilações efetuadas a cada unidade de tempo. 0
A' uma quantidade igual de energia potencial. Se o sistema
A relação entre o período e a frequência é a seguinte: perde energia potencial, ele ganha igual quantidade de
É possível demonstrar que o período (T) do pêndulo A mesma ideia se aplica para um pêndulo simples. Ou seja, energia cinética. Assim, a energia mecânica de um sistema,
1  T é expresso em s simples é dado por: o amortecimento na oscilação de uma pequena esfera presa sujeito exclusivamente a forças conservativas, se conserva.
f= No SI ⇒  –1 a um barbante não altera o período de oscilação do sistema.
T f é expresso em s = Hz (hertz)
Dessa forma, colocando o pêndulo a oscilar e medindo-se o
L L = comprimento do fio
O bloco, no sistema massa-mola citado, T = 2π
g
⇒ 
g = aceleração local da grravidade
tempo gasto por ele para executar um determinado número A energia do sistema massa-mola
de oscilações completas, é possível determinar o seu período.
Assim, conhecendo o comprimento do pêndulo é possível Considere um bloco oscilando entre as posições A e A’,
1. está sob a ação exclusiva de uma força resultante, que
Observe que o período não depende da massa (m) determinar o valor da gravidade local. numa superfície horizontal sem atrito, conforme mostra a
é uma força restauradora, proporcional à elongação
(FR α x); da partícula. figura a seguir:

2. apresenta um movimento que é O afastamento máximo do bloco no sistema massa-mola k Fel v0 = 0


– retilíneo; (xmáx), ou da partícula no pêndulo simples (θmáx), em relação Laboratório MHS
– oscilatório; à posição de equilíbrio (0), é chamado de amplitude de
O simulador “Laboratório MHS”, disponível A’ 0 A
– periódico. x=A
oscilação (A). Observe, nas duas equações anteriores, no Bernoulli Digital, permite observar o
que o período e, portanto, a frequência não dependem da movimento de um pêndulo simples e fazer
Toda partícula que apresenta essas quatro características No ponto A, a velocidade e a energia cinética do bloco são
amplitude de oscilação do sistema. várias simulações com parâmetros diferentes.
executa um Movimento Harmônico Simples (MHS). Perceba quais grandezas são capazes de nulas. Já a elongação da mola é máxima e igual à amplitude (A)
Ela oscila entre duas posições fixas e gasta sempre o mesmo Se o pêndulo estiver submetido a uma outra aceleração influenciar o período de oscilação do sistema. de oscilação. Portanto, no ponto A, a energia mecânica (EM)
intervalo de tempo em uma oscilação completa, chamado vertical (a), além da gravidade (g), o período de oscilação do do sistema, que oscila na horizontal, é formada, apenas,
de período (T) do movimento. pêndulo deve ser calculado em função da aceleração resultante. pela energia potencial elástica (EPE), dada por:
Por exemplo, se a partícula estiver eletrizada e o pêndulo oscilar CONCEITOS INICIAIS
Período (T) do sistema massa-mola ⇒ EM = kx
2
⇒ EM = kA
2
dentro de uma região na qual existe um campo elétrico vertical,
a aceleração, devido ao campo elétrico, deve ser considerada
SOBRE ENERGIA EM = EPE
2 2
Fazendo as operações matemáticas necessárias (não
desenvolvidas aqui), é possível demonstrar que o período (T) para se calcular o período de oscilação do pêndulo. O conceito de energia é um dos mais importantes da Física. A força elástica exercida pela mola é uma força
Assim, vamos fazer uma breve introdução ao assunto,
do sistema massa-mola é dado por: conservativa. Portanto, a energia mecânica do sistema
A amplitude (A) de oscilação de um bloco em Movimento que será discutido, com mais detalhes, em módulos posteriores.
permanece constante. Em qualquer ponto da trajetória do
Harmônico Simples é constante, uma vez que ele Todo corpo de massa m que se desloca pelo espaço tem,
m m = massa do bloco bloco, a soma das energias cinética e potencial elástica do
T = 2π ⇒  não está sujeito a atritos, ou estes são desprezíveis. associada ao seu movimento, uma energia chamada de
k k = constante elástica da mola
a sistema é constante e igual a (1/2)kA2. Dessa forma, quando
Sendo assim, o bloco oscila, indefinidamente, entre as energia cinética (EC). Ela será tanto maior quanto maiores
forem a massa e a velocidade do corpo, conforme mostram o bloco entra em movimento, a energia potencial elástica
posições A e A’, citadas anteriormente. O gráfico da posição – do sistema começa a ser convertida em energia cinética.
Período (T) do pêndulo simples elongação (x) – ocupada pelo bloco no MHS, em função do
a figura e a equação a seguir:
Posteriormente, quando o bloco começar a parar, a energia
m
O pêndulo simples consiste de uma partícula de massa m, tempo, tem a forma de uma senoide, conforme mostrado na v cinética do sistema começará a ser convertida em energia
mv2
presa a um fio ideal de comprimento L, que é posta a oscilar figura a seguir. Observe, no gráfico, que o intervalo de tempo EC = potencial e, assim, uma forma de energia vai sendo
2
numa região em que a aceleração da gravidade possui valor g. gasto em uma oscilação completa é constante (período). convertida na outra, enquanto o sistema estiver oscilando.

46 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 47


Frente B Módulo 14 Movimento Harmônico Simples (MHS)

O gráfico a seguir mostra como variam as energias cinética e


potencial do sistema enquanto ele oscila entre as posições A e A’.
Logo:
EXERCÍCIOS DE 04. (UFU-MG–2018) Considere duas situações em que
dois pêndulos (A e B) de mesmo comprimento oscilam
E
EMEC
APRENDIZAGEM livremente em um cenário isento de resistência do ar.
A esfera A tem o mesmo volume que a B, todavia, por
serem de materiais diferentes, a densidade de A é um
EC
01. (UFJF-MG) A figura mostra três massas penduradas por terço da de B. Ambas são soltas da mesma altura e do
fios presos ao teto. As massas serão postas para oscilar e repouso para iniciarem a oscilação.
Fel se movimentarão como pêndulos simples. No pêndulo 1,
x
EPE da esquerda, o comprimento do fio é L e a massa é m.
x
Posição de No pêndulo 2, do meio, o comprimento é L, mas a massa
A’ 0 A equilíbrio (0) é 2m. No pêndulo 3, da direita, o comprimento é 2L e a A B

Observe que, na posição de equilíbrio (0), a energia massa é 2m. Assinale a alternativa correta, quanto ao
cinética do sistema é máxima e igual à energia mecânica P período de cada pêndulo.
deste. Na posição de equilíbrio, o módulo da velocidade é
ΣF = 0 ⇒ Fel = P ⇒ Com base na situação descrita, são feitas algumas
máximo (vmáx) e pode ser calculado por:
kx = mg ⇒ afirmações.
k

FÍSICA
mv2máx 2 I. O período de oscilação de A é igual ao de B.
ECmáx = EM ⇒ = kA ⇒ vmáx = A 50x = 2,0 . 10 ⇒ L L
m
2 2 II. A velocidade com que B passa pelo ponto mais baixo
x = 0,40 m = 40 cm
Observe que a velocidade máxima do bloco é proporcional da trajetória é três vezes maior do que a velocidade
m 2m
à sua amplitude de oscilação. Dessa forma, se a amplitude B) O período de oscilação do sistema massa-mola pode com que A passa pelo mesmo ponto.
2L
for aumentada, a velocidade máxima do bloco aumenta na ser calculado por: III. A aceleração com que B passa pelo ponto mais baixo
mesma proporção. Por esse motivo, o período (intervalo de da trajetória é maior do que a de A nesse mesmo
m 2,0
tempo de uma oscilação completa) não depende da amplitude, T = 2π ⇒ T = 2 . 3 ⇒ ponto.
k 50
conforme citado anteriormente. Isso pode ser demonstrado, T = 1,2 s Em relação às afirmações anteriores, marque V para as
facilmente, substituindo-se o termo (k/m), obtido na equação verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa
anterior, na equação do período do sistema massa-mola. C) O bloco apresenta velocidade máxima quando 2m correta.

passa pela posição de equilíbrio (mostrada na A) I – F; II – V; III – F. C) I – F, II – V; III – V.


figura anterior), posição em que a resultante das A) Os três períodos serão distintos entre si. B) I – V; II – F; III – V. D) I – V; II – F; III – F.
PARA REFLETIR forças que atuam sobre o bloco é nula. Considere o B) Os períodos dos pêndulos 1 e 2 serão iguais,
ponto mais baixo da oscilação (B) como o nível zero e diferentes do período do pêndulo 3. 05. (CEFET-MG–2015) Um estudante utilizou uma mola de
Quais são os valores da elongação (x), de energia potencial. Nesse ponto, a deformação constante elástica k e um bloco de massa m para montar
C) Os períodos dos pêndulos 1 e 3 serão iguais,
dois experimentos conforme ilustra a figura.
em relação à amplitude (A), para os quais as da mola é x = 80 cm e a velocidade do bloco é e diferentes do período do pêndulo 2.
energias cinética e potencial elástica são iguais? nula, portanto, nesse ponto, as energias cinética e
D) Os períodos dos pêndulos 2 e 3 serão iguais,
potencial gravitacional são nulas. Como esse sistema
e diferentes do período do pêndulo 1. K
é conservativo, sua energia mecânica se conserva e,
K
EXERCÍCIO RESOLVIDO dessa forma, podemos escrever:
E) Todos os pêndulos terão o mesmo período.

EMEC = EMEC ⇒ m
01. Um pequeno bloco de massa m = 2,0 kg está preso em (0) (B) 02. (UECE–2019) Em antigos relógios de parede era comum o m θ
uma mola ideal, de constante elástica k = 50 N/m, cuja (EC + EPE + EPG) = (EPE) ⇒ uso de um pêndulo realizando um movimento harmônico
0 B

parte superior se prende ao teto. O bloco encontra-se, simples. Considere que um desses pêndulos oscila de Inicialmente, o sistema foi colocado para oscilar na
1 1 1
inicialmente, em repouso. A energia potencial gravitacional mv20 + kx20 + mgh0 = kxB2 ⇒ modo que vai de uma extremidade a outra em 0,5 s. vertical e a frequência observada foi f. Ao montar o
2 2 2 Assim, a frequência de oscilação desse pêndulo é, em Hz,
de um sistema de massa m, colocado numa região em sistema no plano inclinado e com atrito desprezível,
que a aceleração da gravidade é g, pode ser calculada por 1 2 1 2 1 2 A) 0,5. C) 2p. a frequência de oscilação observada foi:
.2,0v + .50 . 0,40 + 2,0 . 10 . 0,4 = .50 . 0, 80 ⇒
EPG = mgh, em que h é a altura até o nível de referência 2 0
2 2 A) f C) [Link] θ E) f.sen2 θ
B) 1. D) 2.
para a energia potencial. Esse bloco é puxado para
v20 + 4,0 + 8,0 = 16 ⇒ v0 = 2,0 m/s B) [Link] θ D) [Link] θ
uma posição 40 cm abaixo da posição de equilíbrio e
03. (UECE–2016) Um pêndulo de relógio antigo foi construído
abandonado. Assim, ele oscila para cima e para baixo. D) Na posição inferior (B) da oscilação, atuam no bloco
com um fio metálico muito fino e flexível. Prendeu-se a 06. (Unesp–2016) Em um parque de diversões, existe uma
Despreze os atritos, use g = 10 m/s2 e π = 3. Determinar duas forças: seu peso, para baixo, e a força elástica uma das extremidades do fio uma massa e fixou-se a atração na qual o participante tenta acertar bolas de
A) a deformação da mola na posição de equilíbrio. exercida pela mola, para cima. Portanto, a aceleração borracha na boca da figura de um palhaço que, presa a
outra extremidade ao teto. Considerando exclusivamente
B) o período de oscilação do sistema. é dada por: uma mola ideal, oscila em movimento harmônico simples
os efeitos da temperatura ambiente no comprimento do
C) a velocidade máxima do bloco. entre os pontos extremos A e E, passando por B, C e D,
FR = ma ⇒ a = FR/m fio, pode-se afirmar corretamente que, com um aumento
D) a aceleração do bloco na posição inferior da oscilação. de modo que em C, ponto médio do segmento AE, a mola
de temperatura, o período e a frequência do pêndulo
FR = Fel – P ⇒ FR = kxB – mg apresenta seu comprimento natural, sem deformação.
Resolução: A) diminui e aumenta, respectivamente.
A) As figuras a seguir mostram a mola isoladamente e
kxB − mg B) aumenta e diminui, respectivamente.
o sistema massa-mola em sua posição de equilíbrio 50 . 0,80 − 2,0 . 10
a= = ⇒
(força resultante nula). Veja que, nessa posição, a força m 2,0 C) aumenta e mantém-se constante, respectivamente.
elástica (Fel) exercida pela mola anula o peso (P) do bloco. a = 10 m/s 2
D) se mantêm constantes. A B C D E

48 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 49


Frente B Módulo 14 Movimento Harmônico Simples (MHS)

Uma pessoa, ao fazer suas tentativas, acertou a primeira 02. (CEFET-MG) Dois sistemas de massa-mola oscilam com 06. (Mackenzie-SP) Um corpo de 100 g, preso a uma mola U (J)
bola quando a boca passou por uma posição em que o as frequências fA e fB, tal que fA = 2fB. Sabendo que as ideal de constante elástica 2 . 103 N/m, descreve um MHS
módulo de sua aceleração é máximo e acertou a segunda constantes elásticas das molas são iguais, a razão entre de amplitude 20 cm, como mostra a figura. A velocidade do
bola quando a boca passou por uma posição em que o as massas, MA/MB, é: corpo, quando sua energia cinética é igual à potencial, é
1,0
módulo de sua velocidade é máxima. Dos pontos indicados 1
A) 2 D) . m
na figura, essas duas bolas podem ter acertados a boca 2
da figura do palhaço, respectivamente, nos pontos –1,0 0 1,0 x (m)
1
B) 4 E) .
A) A e C. C) C e D. E) B e C. 4
A) a energia mecânica dessa partícula é 8,0 J.
B) B e E. D) E e B.
C) ¹2 B) a velocidade da partícula, ao passar por x = 0,
A) 20 m/s. D) 10 m/s. é 4,0 m/s.
07. (EsPCEx-SP) O gráfico exposto representa a energia B) 16 m/s. E) 5 m/s. C) em x = 0, a aceleração da partícula é zero.
cinética E C de um oscilador massa-mola ideal, 03. (UFRGS-RS) Um determinado pêndulo simples oscila
C) 14 m/s. D) quando a partícula passar por x = 1,0 m, sua energia
que descreve um movimento harmônico simples em com pequena amplitude em um dado local da superfície
cinética é 3,0 J.
função da sua posição x. terrestre, e seu período de oscilação é de 8 s. Reduzindo-se
07. (UFRGS-RS) A figura a seguir representa seis pêndulos
1
Ec (J) o comprimento desse pêndulo para do comprimento simples, que estão oscilando num mesmo local. 10. (Unifor-CE–2016) Uma balança de mola é um
4 equipamento no qual a massa de um corpo a ser medida

FÍSICA
original, sem alterar sua localização, é correto afirmar (cm) P I II III IV V é mecanicamente equilibrada pela força elástica exercida
60
que sua frequência, em Hz, será de por uma mola previamente calibrada. Suponha que um
25
1 pacote ao ser suspenso em uma balança de mola que
A) 2. D) . 50 tem 10,0 cm de comprimento, oscila verticalmente com
8
75 uma frequência de 4,00 Hz. Admitindo que a escala dessa
1 100 balança mede massas de 0 kg a 10,0 kg e qual é o valor da
B) . E) 1 .
2 16 constante elástica e a massa do pacote por ela suspenso
–2,0 0 2,0 x (m)
respectivamente? Adote g = 10m/s2.
150
1 A) 1 225 N/m e 7,76 kg.
Podemos afirmar que na posição x = −1,0 m a energia C) .
4
cinética, em joules, do oscilador vale B) 1 150 N/m e 4,23 kg.
200
A) 42. C) 49. E) 55. C) 1 000 N/m e 1,58 kg.
04. (UEFS-BA–2015) O pêndulo simples é um sistema
B) 45. D) 52. idealizado consistindo em uma partícula suspensa por D) 980 N/m e 6,89 kg.
O pêndulo P executa uma oscilação completa em 2 s.
um cabo leve inextensível que, quando puxado para um Qual dos outros pêndulos executa uma oscilação completa E) 800 N/m e 10,8 kg.
08. (Unitau-SP) O gráfico mostra a posição de um ponto em dos lados de sua posição de equilíbrio e liberado, oscila em 1 s?
função do tempo. Assim, o período e a frequência são,
no plano vertical sob a influência da força gravitacional. 11. (UDESC) Na superfície de um planeta de massa M,
respectivamente, A) I um pêndulo simples de comprimento L tem período T
Considere um pêndulo simples com comprimento de
y B) II duas vezes maior que o período na superfície da Terra.
9,0 m e que executa 20 oscilações completas em 2,0 min,
A aceleração, devido à gravidade neste planeta, é
1,5 em um determinado local. C) III
A) 20,0 m/s2. D) 15,0 m/s2.
Com base nessas informações, conclui-se que o módulo D) IV
0,4 0,8 B) 5,0 m/s2. E) 40 m/s2.
da aceleração da gravidade nesse local, em m/s², é, E) V
0,6 C) 2,5 m/s2.
aproximadamente, igual a
0 0,2 1,0 t(s) A) 9,53. D) 9,98. 08. (UPF-RS–2016) Um pêndulo simples, de comprimento de 12. (UPE–2015) Um pêndulo ideal da massa m = 0,5 kg e
B) 9,61. E) 10,05. 100 cm, executa uma oscilação completa em 6 s, num comprimento L = 1,0 m é liberado do repouso a partir
determinado local. Para que esse mesmo pêndulo, no de um ângulo θ muito pequeno. Ao oscilar, ele interage
–1,5 C) 9,87.
mesmo local, execute uma oscilação completa em 3 s, com um obstáculo em forma de cubo, de aresta d, que
está fixado ao teto.
A) 0,8 s e 1,25 Hz. D) 4 s e 0,25 Hz. 05. (UEG-GO–2018) Em 1851, Léon Foucault realizou um seu comprimento deverá ser alterado para
B) 2 s e 0,5 Hz. E) 0,5 s e 2 Hz. experimento para demonstrar o movimento de rotação A) 200 cm. a
C) 1,5 s e (2/3) Hz. da Terra. Esse experimento ficou conhecido como o B) 150 cm. d θ
pêndulo de Foucault, que consistia em uma esfera de L
C) 75 cm.
28 kg, pendurada na cúpula do Pantheon de Paris, por
EXERCÍCIOS um fio inextensível de comprimento L . Se o período do D) 50 cm.
m
PROPOSTOS pêndulo medido por Foucault foi de 16 s, e adotando-o
como um pêndulo simples, o comprimento aproximado
E) 25 cm.

01. (UECE–2018) Considere um sistema massa-mola do fio, em metros, era de 09. (PUC Minas) Uma partícula de massa 0,50 kg move-se sob Sabendo que o período de oscilação do pêndulo é igual
que oscila verticalmente sob a ação da gravidade, g, a ação apenas de uma força, à qual está associada uma a T = 1,5 s e que a aceleração da gravidade no local do
Adote: p = 3
e tem a mola de constante elástica k e distensão x. experimento tem módulo a = π2m/s2, determine o valor
energia potencial U(x), cujo gráfico em função de x está
Sendo a massa m, é correto afirmar que a energia g = 10 m/s2 d em metros.
representado na figura exposta. Esse gráfico consiste em
potencial do sistema é função de A) 71. D) 44. A) 0,25 m. D) 1,00 m.
uma parábola passando pela origem. A partícula inicia o
A) k e x2 apenas. C) m e g apenas. B) 20. E) 85. movimento a partir do repouso, em x = –2,0 m. Sobre B) 0,50 m. E) 1,50 m.
B) m, g, x e k. D) m, g e x apenas. C) 64. essa situação, é falso afirmar que C) 0,75 m.

50 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 51


Frente B Módulo 14

13. (UDESC–2017) Um antigo relógio de pêndulo (considere-o 02. (Enem) Christiaan Huygens, em 1656, criou o relógio de
como um pêndulo simples) é constituído de uma barra pêndulo. Nesse dispositivo, a pontualidade baseia-se na
metálica delgada. Este relógio é construído e calibrado regularidade das pequenas oscilações do pêndulo. Para
para a região Norte do Brasil. Considere uma situação manter a precisão desse relógio, diversos problemas
na qual ele é enviado da região Norte para a região Sul foram contornados. Por exemplo, a haste passou por
ajustes até que, no início do século XX, houve uma
do Brasil, experimentando uma variação de temperatura
inovação, que foi sua fabricação usando uma liga metálica
média Δt. Em virtude desta mudança de temperatura
que se comporta regularmente em um largo intervalo de
o comprimento da barra é alterado, ocasionando uma
temperaturas.
mudança em seu período de oscilação. Sejam:
YODER, J. G. Unrolling Time: Christiaan Huygens and the
LN o comprimento do pêndulo quando na região Norte, mathematization of nature. Cambridge: Cambridge University
na temperatura média tN; Press, 2004 (Adaptação).
LS o comprimento do pêndulo quando na região Sul, na
Desprezando a presença de forças dissipativas e
temperatura média tS; considerando a aceleração da gravidade constante, para
α o coeficiente de dilatação linear da barra metálica que que esse tipo de relógio realize corretamente a contagem
forma o pêndulo; do tempo, é necessário que o(a)
TN o período das oscilações do pêndulo quando na região A) comprimento da haste seja mantido constante.
Norte; B) massa do corpo suspenso pela haste seja pequena.
TS o período das oscilações do pêndulo quando na região C) material da haste possua alta condutividade térmica.
Sul; D) amplitude da oscilação seja constante a qualquer
g a aceleração da gravidade (considere o mesmo valor temperatura.
nas duas regiões). E) energia potencial gravitacional do corpo suspenso se
Com base nestas informações, é correto afirmar que o mantenha constante.
coeficiente de dilatação linear da barra metálica vale:
03. (Enem) Um enfeite para berço é constituído de um aro
(TN /TS )2 – 1 (TN /TS )2 + 1 metálico com um ursinho pendurado, que gira com
A) D)
∆t ∆t velocidade angular constante. O aro permanece orientado
na horizontal, de forma que o movimento do ursinho seja
2
(TN /TS ) – 1
B) (TS /TN) + 1 E) projetado na parede pela sua sombra.
∆t ∆t
Enquanto o ursinho gira, sua sombra descreve um
(TS /TN)2 – 1 movimento
C)
∆t A) circular uniforme.
B) retilíneo uniforme.
C) retilíneo harmônico simples.
SEÇÃO ENEM D) circular uniformemente variado.
E) retilíneo uniformemente variado.
01. (Enem–2018) O sonorizador é um dispositivo físico
implantado sobre a superfície de uma rodovia de
modo que provoque uma trepidação e ruído quando
da passagem de um veículo sobre ele, alertando para
GABARITO Meu aproveitamento
uma situação atípica à frente, como obras, pedágios ou
travessia de pedestres. Ao passar sobre os sonorizadores, Aprendizagem Acertei ______ Errei ______
a suspensão do veículo sofre vibrações que produzem
ondas sonoras, resultando em um barulho peculiar. • 01. B • 03. B • 05. A • 07. B
Considere um veículo que passe com velocidade constante • 02. B • 04. D • 06. A • 08. A
igual a 108 km/h sobre um sonorizador cujas faixas são
separadas por uma distância de 8 cm. Propostos Acertei ______ Errei ______
Disponível em: <[Link]>.
Acesso em: 02 set. 2015 (Adaptação). • 01. B • 05. A • 09. A • 13. C
A frequência de vibração do automóvel percebida pelo
• 02. E • 06. A • 10. C
condutor durante a passagem nesse sonorizador é mais • 03. C • 07. E • 11. C
próxima de • 04. C • 08. E • 12. C
A) 8,6 hertz.
B) 13,5 hertz. Seção Enem Acertei ______ Errei ______
C) 375 hertz.
• 01. C • 02. A • 03. C
D) 1 350 hertz.
E) 4860 hertz. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

52 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA B 15
Introdução à Ondulatória
Quando jogamos uma pedra em uma lagoa, observamos um
“círculo” que se expande, mantendo o seu centro fixo no
TIPOS DE ONDAS
ponto em que a pedra caiu. O movimento desse círculo,
Uma onda pode ser classificada com base em diversos
que chamaremos de pulso, corresponde à propagação de
uma onda na água. Um objeto flutuante, atingido pelo pulso critérios, a saber:
(uma rolha, por exemplo), apenas sobe e desce enquanto
o pulso passa por ele, não se deslocando no sentido do
Quanto à natureza da onda
movimento do pulso. Isso evidencia que essa vibração não 1. Onda mecânica – É um fenômeno ondulatório que
carrega matéria consigo, a despeito de a energia ter sido exige e depende de um meio material para se
transmitida ao objeto flutuante e de ela propagar-se através propagar. Isso significa que nenhuma onda mecânica
da água. Outro tipo de propagação semelhante é o som. se propaga no vácuo. Na propagação de uma onda
Considere duas pessoas conversando. Quando uma delas desse tipo, através de um meio, as partículas do meio
fala, o ar entre as pessoas vibra em torno de uma posição vibram em torno de suas respectivas posições de
de equilíbrio e transmite a energia até o ouvinte. No entanto, equilíbrio e transmitem energia às partículas vizinhas,
o ar não se desloca de uma pessoa a outra. Apenas a energia de maneira que a energia se propaga através do meio
é transmitida, através do ar, entre as duas pessoas. sem que haja transporte de partículas de um ponto
Assim, dizemos que uma onda é qualquer processo a outro. Ondas em cordas ou molas, ondas sonoras,
periódico de transmissão de energia através de um meio ondas na água, entre outras, são exemplos típicos
de propagação sem que exista transporte de matéria de ondas mecânicas.
entre pontos desse meio. Veja a seguir as fotos de ondas 2. Onda eletromagnética (OEM) – É formada por campos
se propagando na água e em uma corda. elétricos e magnéticos que oscilam ortogonalmente
entre si e, também, à direção de propagação
da onda. Detalhes de como as OEMs são produzidas
serão vistos, posteriormente, nos módulos sobre
Física Moderna. O espectro dessas ondas é formado
por ondas de rádio e TV, de radar e micro-
-ondas, infravermelho (“calor radiante”), luz visível
Roger McLassus / Creative Commons

(do vermelho ao violeta), ultravioleta, raios X


e raios gama. Cada uma dessas ondas difere
entre si na frequência de oscilação dos campos.
A frequência de oscilação dessas ondas cresce na
mesma ordem em que estas foram apresentadas.
As OEMs não necessitam de um meio material
para se propagar, por isso, são as únicas ondas
que podem se propagar no vácuo. Nesse meio,
todas elas se propagam com velocidade de,
aproximadamente, 3,0 . 108 m/s, independentemente
de sua frequência. As ondas eletromagnéticas
também podem se propagar em meios materiais
que sejam “transparentes” a elas, como o ar, mas
sempre com velocidades menores que 3,0 . 108 m/s.
Na propagação de uma onda eletromagnética através
do ar, as moléculas de ar não vibram com a passagem
dessa onda (como na propagação de som); são os
campos elétricos e magnéticos da onda que oscilam.
A forma como a onda eletromagnética se propaga
Istockphoto

através de um material é complexa e foge do escopo


deste material.

Bernoulli Sistema de Ensino 53


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

Quanto à direção de vibração do meio Nas figuras, as moléculas de ar e os anéis da mola


vibram para a direita e para a esquerda, enquanto
Se a pessoa oscila a mão sucessivamente na vertical, com uma
frequência f, ela produz um conjunto de pulsos – uma onda (ou
Velocidade de propagação da onda (v)
1. Onda transversal – É o fenômeno ondulatório no qual as a onda caminha para a direita, ou seja, as partículas trem de ondas) – que se propaga através da corda. Veja a seguir: A velocidade (v) de propagação da onda caracteriza a rapidez
partículas do meio (ou os campos elétrico e magnético) do meio oscilam na mesma direção de propagação vonda com que a energia transmitida pela onda se propaga através
oscilam (vibram) perpendicularmente à direção de da onda. Observe as regiões C e R nas figuras. Elas λ do meio. A velocidade de propagação de uma determinada
representam regiões onde existe uma maior densidade onda depende apenas do tipo dessa onda e do meio em que
propagação da onda. Uma onda se propagando na água, C C C
de ar ou de anéis (compressão) e uma menor densidade ela se propaga (exceto para as OEMs em meios dispersivos).
ou em uma corda, e todas as ondas eletromagnéticas são de ar ou de anéis (rarefações), respectivamente.
exemplos de ondas transversais. Veja a figura a seguir, f Considere, por exemplo, uma corda de nylon transparente
A B Posição de na qual se propaguem ondas de tipos diferentes: a luz,
que representa uma onda se propagando em uma corda. equilíbrio
V V o ultrassom e a onda transversal na corda (produzida
vonda pela oscilação desta). O meio de propagação é o mesmo
λ
(a corda de nylon), porém as velocidades de propagação das
Linha central Ondas longitudinais λ ondas são diferentes, pois se tratam de ondas diferentes.
de equilíbrio As regiões da onda mais afastadas da posição de equilíbrio,
Em ondas longitudinais, a vibração ocorre na Quando nos referimos ao meio de propagação, não estamos
Vibração dos pontos do meio mesma direção do movimento. Com o simulador acima e abaixo desta, são chamadas de cristas (C) e de vales (V) falando, necessariamente, da substância que o compõe. Vamos
“Propagação de ondas longitudinais”, você pode da onda, respectivamente. Se a mão tivesse oscilado na analisar algumas situações a respeito dessa ideia. Considere,
Considere que a onda se propague para a direita. visualizar o movimento desse tipo de onda. Veja horizontal, teríamos as cristas em um dos lados da posição por exemplo, o ar como meio de propagação do som. Se
A velocidade de propagação define o sentido de movimento as ondas em forma de oscilações e de pulsações, horizontal de equilíbrio e os vales do lado oposto. a densidade ou a pressão do ar variar, teremos meios de

FÍSICA
da onda e mede a rapidez com a qual a energia se desloca perceba que há o transporte de energia sem que propagação diferentes, e o som vai se deslocar, nesses meios,
As principais grandezas que caracterizam uma onda são
haja transporte de matéria. Boa atividade! com diferentes velocidades. Imaginemos, agora, todas as
através do meio. Observe que cada ponto da corda (círculos o período (T), a frequência (f), o comprimento de onda (λ),
brancos) se desloca para cima e para baixo, em torno da a velocidade de propagação da onda (v) e a amplitude (A). cordas de um violão feitas do mesmo material. Se elas estão
linha central de equilíbrio, enquanto a onda se desloca Quanto ao número de dimensões estiradas com a mesma força de tração, mas têm espessuras
através da corda para a direita.
do espaço Período (T) e frequência (f) diferentes, cada corda é um meio diferente, e a velocidade com
que as ondas se propagam através de cada uma delas será
O período (T) de oscilação de uma onda é o intervalo de diferente. Considere duas cordas de violão do mesmo material
1. Onda unidimensional – É a onda que se propaga e com a mesma espessura. Se as cordas estão esticadas
tempo gasto em uma oscilação completa do sistema, ou seja,
apenas em uma dimensão do espaço, ou seja, com diferentes trações, as velocidades das ondas nessas
a energia transmitida pela onda caminha em uma única é o menor intervalo de tempo gasto entre dois instantes, nos
quais cada ponto do meio apresenta as mesmas condições de cordas serão diferentes, pois se tratam de meios diferentes
Ondas transversais direção e em uma única linha. A onda transversal,
posição, de velocidade e de aceleração. A frequência (f) da (cordas tracionadas de formas distintas). A velocidade de uma
que se propaga em uma corda, e a onda longitudinal, onda que se propaga na água depende, entre outras coisas,
Em ondas transversais, a vibração ocorre
em uma mola, são dois exemplos clássicos desse onda, uma de suas grandezas mais importantes, caracteriza o
da profundidade do líquido. À medida que a profundidade
perpendicularmente ao movimento. Acesse o tipo de onda. número de oscilações completas do sistema numa determinada
aumenta, a velocidade da onda na água também aumenta.
simulador “Propagação de ondas transversais” 2. Onda bidimensional – É a onda que se propaga em unidade de tempo. A relação entre o período e a frequência, no
movimento ondulatório, é a mesma vista no MHS. O período e a
para visualizar o movimento desse tipo de
onda. Você poderá ver as ondas em forma de
duas dimensões do espaço. Isso significa que a
energia se propaga através de uma superfície plana, frequência da onda são impostos exclusivamente1 pelo oscilador – Amplitude (A)
geralmente em diversas direções, a partir da fonte. fonte que deu origem à onda. Portanto, tais grandezas são A amplitude (A) é a distância que vai da linha de equilíbrio
oscilações e de pulsações, e também o transporte de energia
O exemplo mais conhecido de ondas bidimensionais é determinadas na geração da onda. Assim, podemos escrever: até o ponto máximo de uma crista ou até o ponto mínimo de
sem que haja transporte de matéria. Boa atividade! um vale. A amplitude corresponde ao afastamento máximo
o de uma onda que se propaga na água, quando uma
Tonda = Toscilador e fonda = foscilador de cada ponto do meio em relação à posição de equilíbrio.
pedra, por exemplo, é jogada em sua superfície.
2. Onda longitudinal – É o tipo de onda em que as Essa grandeza está relacionada com a energia transmitida
3. Onda tridimensional – É a onda que se propaga
O fato de a frequência e o período de uma onda serem pela onda. Assim, quanto maior a energia (E) transportada
partículas do meio vibram na mesma direção de pelo espaço, nas suas três dimensões. Dessa forma,
determinados durante a geração desta nos garante que pela onda, maior é a amplitude (A) de oscilação da onda.
propagação da onda, ou seja, oscilam paralelamente à a energia da onda se difunde por todo o espaço
a frequência da onda não é alterada quando esta sofre, Observe a figura a seguir. A onda PQ, de maior amplitude,
direção de transmissão da energia. As ondas sonoras, tridimensional em torno da fonte. O som de um sino, transmite mais energia que a onda MN, de menor amplitude.
a luz de uma lâmpada ou as ondas de rádio que por exemplo, reflexão ou refração.
a transmissão de calor em um corpo sólido e algumas
emergem de uma antena transmissora são exemplos
ondas em molas são exemplos de ondas longitudinais.
Esse tipo de onda caracteriza-se por compressões
típicos de ondas tridimensionais. Comprimento de onda (λ) A
O comprimento de onda (λ) corresponde à distância A
(regiões de maior densidade) e rarefações (locais de
menor densidade) de partículas do meio de propagação.
Veja a seguir a representação da propagação do som
GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS percorrida pela onda em um período (T). O comprimento
de onda pode ser medido pela distância entre os pontos A e
M
A
N P Q

A
através do ar (Figura A) e de uma onda longitudinal DAS ONDAS B mostrados nas duas figuras anteriores. Veja também, na
figura anterior, que o comprimento de onda é a distância entre
propagando-se em uma mola (Figura B).
duas cristas ou entre dois vales consecutivos de uma onda.
vonda Vamos apresentar as características básicas de uma onda, Quando uma onda se propaga através de um meio material
A) Em uma onda longitudinal, o comprimento de onda é a
C R C R C utilizando, como exemplo, uma onda transversal que se propaga que absorve energia, a amplitude de oscilação da onda
distância entre os centros de duas rarefações ou de duas
em uma corda elástica. Considere uma pessoa segurando uma diminui gradativamente, como mostra a figura a seguir:
compressões consecutivas, por exemplo. Veja a seguir:
corda elástica ideal. Se a pessoa oscila a mão para baixo e para
cima e retorna sua mão à posição central, ela produz um pulso f λ λ vonda
transversal que se propaga através da corda. A figura a seguir
Vibração horizontal dos pontos do meio mostra um pulso completo, que, nesse caso, é uma onda (AB).
vonda
B) C R C R C
A B vonda
Apesar de a amplitude da onda estar diminuindo,
1
Alguns poucos fenômenos, como o efeito Compton, podem a velocidade de propagação, que depende do meio,
alterar a frequência de uma onda depois que ela foi gerada. a frequência e o período, impostos pelo oscilador,
Vibração horizontal dos pontos do meio λ Porém, esses fenômenos fogem à finalidade deste livro. e o comprimento de onda não sofrem variações.

54 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 55


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

EQUAÇÃO GERAL DAS ONDAS C) A figura a seguir mostra os pontos de máxima e


mínima velocidade de vibração da corda. Os pontos de
A) Encontrar a velocidade de propagação da onda.
B) Caso a lâmina impusesse uma frequência de 50 Hz,
Dois ou mais pontos de uma onda estão em oposição de fase
se estiverem separados por uma distância que seja múltipla
crista (1) e vale (2) correspondem, respectivamente, determinar qual seria o novo comprimento de onda. ímpar de meio comprimento de onda (λ/2, 3λ/2, etc.).
A velocidade de propagação de uma onda depende do às posições A e B do oscilador. Nesses pontos, Assim, alguns pontos em oposição de fase, destacados na
meio em que a onda se propaga. Logo, determinada onda se Resolução:
a velocidade do bloco e a velocidade de vibração (vV) da figura, são: 2 e 4 com 1, 3 e 5 ou A e C com B e D. Outros
propagando em certo meio terá uma velocidade (v) constante. corda são nulas. Os pontos 3 e 4 (na linha de equilíbrio) A) A figura mostra 3 ondas completas. Assim,
pontos em oposição de fase são: os pontos cinza com os
Dessa forma, a distância (d) percorrida pela onda é proporcional correspondem, respectivamente, ao bloco descendo e λ = 20 cm = 0,20 m. Com esse valor, obtemos a
pretos ou os brancos com os alaranjados. Observe que esses
velocidade da onda:
ao tempo (t) gasto no deslocamento. Assim, podemos escrever: subindo com a máxima velocidade. Assim, as velocidades pontos são simétricos em relação à posição de equilíbrio.
de vibração dos pontos da corda que estão sobre a v = λf = 0,20 . 10 = 2,0 m/s
d = vt linha de equilíbrio são máximas. Observe o sentido da B) A velocidade de uma onda mecânica é função das Quando duas ondas diferentes se propagam na mesma
velocidade de vibração de cada um desses pontos. características do meio, e não da frequência da onda. região do espaço e ao mesmo tempo, elas podem estar em
Para o tempo de um período, temos:
No caso de ondas em cordas, essas características são fase ou em oposição de fase. Considere as ondas (a) e (b)
d = λ e t = T ⇒ λ = vT vonda a tensão e a densidade linear da corda. Como não mostradas a seguir. Observe que os pontos F e G vão descer
Como T = 1/f: A 1 1 1 houve alteração nessas características, a velocidade com a máxima velocidade de vibração (vem chegando um
vV vV continua sendo v = 2,0 m/s. Assim, o comprimento vale de cada onda). Assim, dizemos que as duas ondas estão
λ = v/f de onda da nova onda será: em fase (ou em concordância de fase).
3 3 3
O λ = v/f = 200 / 50 = 4,0 cm

FÍSICA
OBSERVAÇÃO 4 4
vV vV vV A figura a seguir resume esse problema. F M
A equação anterior pode ser escrita como v = λf. Veja (a) (c)
B 2,0 m/s 2,0 m/s
que essa relação parece sugerir que a velocidade de 2 2 V
V
propagação de uma determinada onda é proporcional à
OBSERVAÇÃO G C N
frequência desta. Isso, entretanto, não é verdade, pois a
(b) (d)
velocidade de propagação de uma onda depende do tipo Veja os pontos 3 e 4 na figura anterior. A onda caminha
20 cm 4 cm V
de onda e de seu meio de propagação. Para o caso da luz, para a direita. Observe que, antes de cada ponto 3,
vem um vale e a corda deve descer (assim, a velocidade de
conforme visto anteriormente, a velocidade da radiação,
vibração é para baixo). Em cada ponto 4, está chegando uma
FASE DE UMA ONDA A onda (c), ao atingir o ponto M, faz com que ele desça
com a máxima velocidade (está chegando um vale).
em meios dispersivos, será menor para maiores frequências
(v ∝ 1/f). Para as ondas mecânicas, a velocidade de propagação crista e a corda deve subir (logo, a velocidade de vibração A onda (d), por outro lado, faz com que o ponto N suba
Considere um sistema massa-mola ideal executando um
é para cima). MHS na vertical entre os pontos M e N. Uma corda elástica com a maior velocidade (está chegando uma crista).
é independente da frequência.
ideal está presa ao bloco e, como consequência, uma onda Nesse caso, dizemos que as ondas (c) e (d), mostradas
02. A velocidade de propagação de uma onda em uma corda
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS elástica é dada por:
se propaga através dela, para a direita, com velocidade vonda.
A figura a seguir mostra a vibração de alguns pontos da
anteriormente, estão em oposição de fase.
A mesma definição pode ser usada para ondas bi ou
01. Um bloco de massa m = 1,0 kg está preso a uma mola corda durante a passagem da onda. A linha azul pontilhada tridimensionais. Duas (ou mais) ondas estão em fase quando
F F = Mód ul o da força que traciona a corda
ideal de constante elástica k = 3 600 N/m. Uma corda v= mostra a onda em um instante posterior. Observe que alguns cada ponto do meio é atingido, simultaneamente, por ondas
µ
⇒ µ = Densidade linear de massa = m/L
elástica está presa ao bloco (considere que ela não  (massa/comprimento) pontos da corda devem descer e outros subir (velocidade de com as mesmas características de aceleração, velocidade e
altere o período de oscilação do sistema massa-mola).
vibração para baixo e para cima, respectivamente). elongação. Se os pontos do meio recebem, ao mesmo tempo,
U m c a b o d e a ç o, q u e s u s t e n t a u m a n d a i m e , comandos simétricos, as ondas estão em oposição de fase.
O sistema é posto a oscilar, na vertical, entre os pontos A e B. v onda
tem um comprimento L = 20 m e massa m = 10 kg.
Assim, uma onda se propaga através da corda, Para determinar a força que traciona o cabo, A C
com comprimento de onda igual a 20 cm. Considere p = 3,0. um engenheiro golpeia uma das suas extremidades,
M
FRENTE E RAIO
verificando que o tempo de propagação do pulso, até o
Determinar
seu retorno ao ponto do golpe, vale 2,0 s. Determinar a DE UMA ONDA
A) a frequência de oscilação do sistema massa-mola (MHS); O
força-tração a que o cabo está submetido. 1 2 3 4 5 Chamamos de frente de onda a todos os pontos da onda
B) a velocidade de propagação da onda na corda (vonda); que atingem, simultaneamente, as partículas do meio pela
Resolução:
C) os pontos da corda que apresentam, em módulo, primeira vez. Ou seja, a frente de onda é a região da onda
Com os dados fornecidos, temos: N que foi gerada no primeiro instante. Se a onda é bidimensional
as velocidades máximas e mínimas de vibração. B D
µ = m/L = 10 / 20 = 0, 50 kg/m e se essa região for uma crista, a frente de onda é formada
Resolução: 
v = d/t = 2L/t = 2 . 20 / 2,0 = 20 m/s Quando uma onda se propaga por uma corda, por por todos os pontos que fazem parte dessa primeira crista.
A) O período de oscilação pode ser calculado por: exemplo, cada ponto do meio apresenta características de Se a onda é unidimensional, a frente de onda se resume ao
F F posição, velocidade de vibração e aceleração. Dois ou mais ponto que foi gerado inicialmente. Nas figuras anteriores,
m 1,0 v= ⇒ 20 = ⇒ F = 2,0 . 102 N
T = 2π ⇒ T =2.3 ⇒ T = 6 / 60 = 0,10 s µ 0, 50 pontos de uma onda estão em fase (ou em concordância os pontos F, G, M e N, correspondentes à posição de equilíbrio
K 3 600
de fase) quando apresentam valores iguais para essas três da onda, são as frentes de onda de cada uma das ondas
Como f = 1/T ⇒ f = 1 / 0,10 ⇒ f = 10 Hz
03. Uma corda elástica está presa a um vibrador que lhe características. Tais pontos devem estar separados por uma mostradas. O raio de onda é um segmento imaginário,
B) A frequência de oscilação da onda na corda é imposta impõe uma onda de frequência 10 Hz. O comprimento da distância múltipla inteira de um comprimento de onda (λ). semelhante ao raio luminoso, que determina a direção de
pelo MHS do bloco, portanto, a frequência da onda corda é igual a 60 cm, conforme indica a figura a seguir: A figura anterior mostra diversos pontos em fase. Entre deslocamento da onda e que está no mesmo sentido da
60 cm eles, podemos citar: 1, 3 e 5 ou 2 e 4 ou A e C ou B e D. velocidade de propagação desta. Dessa forma, o raio de onda,
na corda vale 10 Hz. Logo, a velocidade da onda na
A figura mostra, ainda, outros quatro pares de pontos em para ondas bi e tridimensionais, é sempre perpendicular à
corda é dada por: Vibrador fase. Esses pares estão destacados com as mesmas cores frente de onda em cada ponto. Considere dois tipos de ondas
v = λf = 20 . 10 ⇒ v = 200 cm/s (cinza, branco, preto ou alaranjado). que foram estabelecidos nas águas de um lago, por exemplo.

56 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 57


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

Veja as fotografias a seguir. A primeira, (a), é formada por Como a amplitude depende da energia, a amplitude da onda Observe que os triângulos destacados são congruentes. (a) (b)
ondas circulares que se propagam a partir do ponto onde refletida pode ser menor que a da onda incidente, desde que Logo, OB = OA e BP = AP  ⇒  sen θI = sen θR  ⇒  θI = θR. v1 v1 N
N
RI
um pequeno objeto toca, sucessivamente, a superfície haja transferência de energia para o suporte, por exemplo. Assim, a 2ª Lei da Reflexão, embora tenha sido demonstrada
da água. A outra, (b), é formada por ondas retas que se para uma onda reta, vale para qualquer tipo de onda.
A fase da onda refletida, em relação à da onda incidente, θI RI
propagam a partir da posição em que uma pessoa atinge, θI λ1
depende da conexão existente entre a corda e o suporte. A figura a seguir mostra uma onda que incide e é
continuamente, a água com uma régua, por exemplo. λ1
A figura a seguir mostra uma onda que se reflete numa refletida em um obstáculo. Uma eventual inversão de fase,
Meio 1 Meio 1
extremidade fixa (ponto P de uma parede). A onda, que pode ocorrer nesse caso, não foi contemplada nesta figura.
Meio 2 Meio 2
ao atingir o ponto P, tenta empurrá-lo para cima. Como a RR
θR
corda está fixa e o ponto P não pode deslocar-se para cima, θR
ele reage e empurra a corda para baixo. Como consequência, RR
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temos uma onda refletida com inversão de fase em relação


à onda incidente, ou seja, o pulso refletido apresenta λ2 λ2
v2
um vale (V). v2
Os pulsos incidentes e refletido são simétricos tanto na
horizontal quanto na vertical. f = f f = f
(a) (b)  2 1
 2 1

C v2 > v1 ⇒ λ2 > λ1 v2 < v1 ⇒ λ2 < λ1

FÍSICA
As figuras a seguir mostram, numa visão do alto, vonda  
algumas das cristas (C) das ondas que se formam na água. θR > θI θR < θI
Considere, nas figuras, que a frente de onda seja uma crista. P
Veja em destaque, a seguir, a parte da crista que parece
A figura a seguir mostra uma frente de onda,
estar “quebrada” na figura anterior. Se o anteparo não
Frente P que nesse caso é uma crista, no instante em que ela atinge
(b) estivesse na posição mostrada, a crista da onda ocuparia
(a) de onda vonda V a semirreta A’OB. O segmento da onda que já refletiu, AO, a superfície de separação entre dois meios (PQ) e, depois,
é uma “imagem simétrica” da parte A’O em relação ao no momento em que ela acaba de penetrar no segundo
C C C C anteparo, como se este fosse um espelho plano. meio (RS). Observe que os raios de onda e as suas cristas
Considere, agora, que a extremidade da corda está
presa a um anel (A), de massa desprezível, que pode se estão no plano do papel. Logo, percebemos a 1ª Lei da
A B
C deslocar livremente, para cima e para baixo, em torno de Refração, vista no estudo de Óptica: a normal e os raios
λ
C C λ uma haste. Dessa forma, a extremidade da corda é móvel. incidente e refratado são coplanares. As velocidades da
C
Quando o pulso atinge o anel, este sobe e desce junto com O onda nos meios 1 e 2 são v1 e v2, e os ângulos dos raios
aquele, e a onda é refletida sem inversão de fase, ou seja, de onda com a normal (N) são θ1 e θ2, respectivamente.
Raios de onda Frente de onda o pulso refletido também apresenta uma crista. Nesse caso Anteparo refletor Enquanto a frente de onda vai de uma posição a outra,
a simetria é apenas na horizontal. Veja a seguir: os pontos P e Q se deslocam, simultânea e respectivamente,
Frentes e raios de onda para uma onda circular e outra plana até os pontos R e S.
que se propagam na água. A’
C vonda
Na figura (a), as ondas foram geradas no centro dos círculos A Q
v1
e se propagam em todas as direções, conforme mostram
os raios de onda. Na figura (b), elas foram produzidas à C
REFRAÇÃO DE ONDAS
vonda θ1
esquerda e se propagam para a direita – numa única direção.
A A refração de qualquer onda obedece às mesmas leis θ1
Veja que os raios de onda são paralelos entre si. Nas figuras, P S Meio 1
vistas no estudo da Óptica. Sabemos que a velocidade (v) θ2
a distância entre duas cristas consecutivas corresponde ao Meio 2
e a frequência (f) de uma determinada onda dependem do
comprimento de onda (λ) das ondas.
Considere, agora, uma onda reta que se propaga meio de propagação e do oscilador que produziu a onda,
na água de um reservatório. Essa onda encontra, θ2
Alguns autores consideram que, se a frente de onda respectivamente. Assim, quando a onda sofre refração, a sua R
durante o seu deslocamento, um anteparo que impede a sua v2
é uma crista, todas as outras cristas são, também, frequência não altera, mas a velocidade deve, necessariamente, N
frentes de onda. Nesta coleção, usaremos o termo frentes continuação e, dessa forma, obriga a onda a sofrer uma aumentar ou diminuir. O comprimento de onda (λ) pode ser
de onda secundárias. De uma forma geral, todos os pontos reflexão. As figuras a seguir mostram uma frente de onda calculado por λ = v/f. Como a frequência permanece constante, Como a onda propaga, em cada meio, com velocidade
que estejam em concordância de fase com os pontos da (AOB) antes e depois de atingir, obliquamente, o obstáculo. o comprimento de onda será proporcional à velocidade (λ ∝ v). constante, as distâncias percorridas, por cada ponto da
frente de onda são frentes de onda secundárias. Considere que O seja o ponto médio da frente de onda, RI e Sabemos, também, que os ângulos de incidência e refração, extremidade da onda, são:
RR os raios de onda, incidente e refletido, respectivamente, formados pelo raio de onda e pela normal, são proporcionais às
e que BP e AP estão sobre a normal no ponto de incidência. velocidades da onda. O quadro e as figuras a seguir mostram QS = v1Δt e PR = v2Δt
REFLEXÃO DE ONDAS Nas figuras, percebemos a 1ª Lei da Reflexão: os raios as grandezas de uma onda que sofre refração.
incidente e refletido (e as frentes de onda) estão no mesmo Nos triângulos destacados (PQS e SRP), temos:
Considere uma corda elástica ideal com uma das suas plano (aqui, o plano da folha de papel). Figura a Figura b sen θ1 = QS/PS e sen θ2 = PR/PS
extremidades presa a um suporte. Uma pessoa vibra a extremidade Se a velocidade (v) Aumenta Diminui
livre da corda para cima e para baixo, apenas uma vez, produzindo B A (1) sen θ1 = v1Δt/PS e (2) sen θ2 = v2Δt/PS
RI RR Frequência (f) Não altera Não altera
um pulso transversal na vertical (que contém uma crista). O O
Esse pulso se desloca para a direita através da corda e, dessa forma, Comprimento de onda (λ) Aumenta Diminui
Dividindo as equações (1) e (2), membro a membro,
cada ponto da corda sobe e desce enquanto o pulso passa por A θI θR B encontramos a 2ª Lei da Refração, que pode ser escrita como:
Ângulo de refração (θR)
ele. Quando o pulso atinge o suporte, a onda sofre uma reflexão, Aumenta Diminui
(em relação ao de incidência)
e o pulso retorna pela corda, deslocando-se para a esquerda. sen θ1 v1 λ1
A velocidade, a frequência e o comprimento de onda do pulso não O raio de onda = =
Afasta Aproxima sen θ2 v2 λ2
(em relação à normal)
se alteram. Na reflexão, a amplitude da onda pode ser alterada. P P

58 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 59


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

REFLEXÃO E REFRAÇÃO EM EXERCÍCIOS DE A característica comum a todas essas fontes de energia é Suponha que a figura faça referência a uma onda periódica,
propagando-se da esquerda para a direita. Considerando
A) o meio de propagação, somente no vácuo, e a forma
CORDAS ELÁSTICAS APRENDIZAGEM de propagação, através de ondas.
que no eixo das abscissas esteja representado o tempo
(em segundos), que no eixo das ordenadas esteja
B) o meio de propagação e a forma de propagação, por representada a amplitude da onda (em metros), que o
Considere duas cordas elásticas, de densidades lineares (μ) condução. comprimento de onda seja de 8 m e que cada quadradinho
01. (EEAR–2019) Analise as seguintes afirmações:
diferentes, sendo μ1 < μ2. As duas cordas estão ligadas e, da escala da figura tenha uma área numericamente igual
I. Ondas mecânicas se propagam no vácuo, portanto não C) a velocidade de propagação e a forma de propagação,
assim, a força de tração (F) nelas é a mesma. Sabemos que a a 1, a sua velocidade de propagação (em metros por
necessitam de um meio material para se propagarem. por convecção.
velocidade da onda que se estabelece em cada corda é dada segundo) será de:
II. Ondas longitudinais são aquelas cujas vibrações D) a velocidade de propagação e a forma de propagação,
por v = F / µ . Logo, a onda na corda de menor densidade A) 0,25. C) 8.
coincidem com a direção de propagação. através de ondas.
linear (μ) terá maior velocidade, ou seja, v1 > v2. B) 1. D) 16.
III. Ondas eletromagnéticas não precisam de um meio
Um pulso, que contém uma crista, foi estabelecido 06. (UFRGS-RS–2015) Na figura a seguir, estão representadas
material para se propagarem.
na corda de baixa densidade (1), conforme ilustrado na
IV. As ondas sonoras são transversais e não se propagam
duas ondas transversais P e Q, em um dado instante de
tempo. Considere que as velocidades de propagação das
EXERCÍCIOS
figura a seguir. Quando esse pulso atinge a corda de
maior densidade linear (2), parte dele sofre reflexão no
no vácuo. ondas são iguais. PROPOSTOS
Assinale a alternativa que contém todas as afirmações
ponto de junção das cordas, enquanto a outra parte sofre

FÍSICA
verdadeiras. P
refração. A parte refletida volta com inversão de fase, pois 01. (Unifor-CE) O osciloscópio é um instrumento de
é difícil a corda leve fazer oscilar a de maior densidade, A) I e II C) II e III medida eletrônico que cria um gráfico bidimensional.
semelhante ao fenômeno de reflexão numa extremidade B) I e III D) II e IV O eixo horizontal do monitor normalmente representa o
tempo, tornando o instrumento útil para mostrar sinais
fixa. A parte refratada conserva a mesma fase e a mesma
periódicos. O eixo vertical comumente mostra uma
frequência da onda incidente. Veja a seguir: 02. (UECE–2016) Os parâmetros que caracterizam tanto grandeza física que varia com o tempo. O filho de um
ondas eletromagnéticas quanto ondas sonoras são técnico de televisão observa o pai, que está utilizando um
v1
osciloscópio, e percebe que uma onda ali gerada avança e
(1) (2) A) frequência, velocidade de propagação e comprimento
passa por um ponto por ele observado. Considerando que
de onda.
v2 o intervalo de tempo entre a passagem de duas cristas
B) velocidade de propagação, comprimento de onda e Q
(1) (2) sucessivas é de 0,2 s, é correto afirmar que
cor.
v1
C) comprimento de onda, cor e intensidade. Sobre essa representação das ondas P e Q, são feitas as
D) comprimento de onda, frequência e energia dos seguintes afirmações:
Observe que as velocidades dos pulsos incidente e refletido
são iguais (mesma corda). A velocidade do pulso refratado é fótons. I. A onda P tem o dobro da amplitude da onda Q.
menor que a do pulso refletido (v2 < v1), conforme já explicado. II. A onda P tem o dobro do comprimento de onda da
Assim, o comprimento de onda é menor na corda 2 (λ = v/f). 03. (UECE–2015) Uma onda sonora produzida por uma fonte onda Q.
A) o comprimento de onda é 5,0 m.
Observe também que os pulsos, após incidirem na junção, pontual dá origem a frentes de onda III. A onda P tem o dobro de frequência da onda Q. B) a frequência é 5,0 Hz.
seguiram com amplitudes menores que a do pulso incidente, A) esféricas. Quais estão corretas? C) a velocidade de propagação é de 5,0 m/s.
pois nesse caso ocorreu uma divisão de energia da B) planas. A) Apenas I. D) Apenas I e II. D) o comprimento da onda é 0,2 m.
onda incidente.
C) cilíndricas. B) Apenas II. E) I, II e III. E) não se tem informações para justificar qualquer das
Agora, o pulso foi estabelecido na corda de maior afirmações anteriores.
D) transversais. C) Apenas III.
densidade linear (2). Quando ele atinge a corda de menor
densidade linear (1), uma parte da onda é refletida e 02. (UFC-CE) A figura mostra duas fotografias de um
04. (UFMG) A figura representa uma corda na qual se propaga 07. (UEG-GO–2017) As ondas em um oceano possuem
outra parte é refratada, assim como no primeiro caso, mesmo pulso que se propaga em uma corda de 15 m
uma onda transversal de frequência f. A velocidade de 6,0 metros de distância entre cristas sucessivas. Se
de comprimento e densidade uniforme, tensionada ao
exceto quanto à fase do pulso refletido e quanto à as cristas se deslocam 12 m a cada 4,0 s, qual seria a
propagação da onda na corda é dada por: longo da direção x. As fotografias foram tiradas em dois
velocidade de propagação do pulso refratado. Como é frequência, em Hz, de uma boia colocada nesse oceano? instantes de tempo separados de 1,5 segundo. Durante
fácil para uma corda pesada oscilar a corda de menor y A) 1,80 C) 1,00 E) 0,50 esse intervalo de tempo, o pulso sofreu uma reflexão na
densidade, semelhante ao fenômeno de reflexão numa extremidade da corda que está fixa na parede P.
B) 1,50 D) 1,20
extremidade livre, o pulso é refletido sem inversão de fase. x v
P
Como a densidade linear da corda (1) é menor, o pulso refratado 08. (EEAR–2019) Um garoto mexendo nos pertences de seu
se propaga com velocidade maior que o pulso incidente. x (m)
pai, que é um professor de física, encontra um papel 0 3 6 9 12 15
A) f.x C) x E) x
Logo, o comprimento de onda do pulso refratado é maior f y quadriculado como a figura a seguir.
que o do pulso incidente. Veja a seguir: x (m)
0 3 6 9 12 15
y v
B) f.y D)
v2 f
(2) (1)
Observando as fotografias, verificamos que a velocidade
v2 v1 05. (UECE–2015) Dentre as fontes de energia eletromagnéticas de propagação do pulso na corda, suposta constante, é
mais comumente observadas no dia a dia estão o Sol, A) 4 m/s. C) 8 m/s. E) 12 m/s.
(2) (1)
os celulares e as antenas de emissoras de rádio e TV. B) 6 m/s. D) 10 m/s.

60 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 61


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

03. (PUC Rio–2018) 06. (UEL-PR) Uma das cordas de um violoncelo é afinada em Dentre as alternativas, a que pode corresponder à Então, sua frequência cardíaca em batimentos por minuto
lá (v = 440 Hz) quando não pressionada com o dedo, ou velocidade de propagação dessa onda é (bpm) no momento da medida está melhor representada
3 seja, quando estiver com seu comprimento máximo que na faixa entre
A) 0,14 m/s.
2 é de 60 cm, desde o cavalete até a pestana.
B) 0,25 m/s. A) 15 e 50 bpm. D) 90 e 100 bpm.
Qual deve ser o comprimento da corda para produzir uma
1 C) 0,33 m/s. B) 55 e 65 bpm. E) 105 e 155 bpm.
nota de frequência v = 660 Hz?
Y(mm)

0 C) 70 e 85 bpm.
A) 10 cm. C) 30 cm. E) 50 cm. D) 1,00 m/s.
–1
B) 20 cm. D) 40 cm. E) 2,00 m/s.
–2
11. (UEL-PR–2016) Leia o texto a seguir:

–3 07. (UFMG) Bernardo produz uma onda em uma corda, 09. (UEL-PR) Suponha que as ondas geradas pelo satélite Em março de 2011, um terremoto no fundo do oceano,
cuja forma, em certo instante, está mostrada na Figura I. geoestacionário possuam uma frequência constante de na costa nordeste do Japão, gerou um tremor de
0 25 50 75 100
Na Figura II, está representado o deslocamento vertical 1,0 . 108 Hz e demorem 1,1 . 10–1 s para percorrer a magnitude 8,9 na escala Richter que foi o maior do país
X(mm) de um ponto dessa corda em função do tempo. e o 7º maior registrado na história. Esse fenômeno gerou
distância de 3,3 . 10 m entre o emissor e uma antena
7

receptora. uma onda gigante conhecida como tsunami, que alcançou


y (cm)
A figura mostra a oscilação em uma corda em um dado áreas da cidade japonesa de Sendai, na ilha de Honshu,
Com relação às ondas emitidas, considere as afirmativas

FÍSICA
instante de tempo. A velocidade de propagação da onda a principal do arquipélago japonês.
20 a seguir:
é 0,400 m/s. Disponível em: <[Link]
I. Sua velocidade é de 3,0 . 108 m/s. tremor-no-japao-foi-o-7-pior-da-historia-mundial-diz-centro-
10
O período dessa onda, em milissegundos (ms), é [Link]>. Acesso em: 10 jul. 2015 (Adaptação).
II. Sua velocidade é diretamente proporcional ao seu
A) 30,0. C) 12,5. E) 31,3. O comprimento de onda.
25 50 75 100 x (cm) Suponha que o tsunami se desloca com velocidade de
B) 62,5. D) 25,0. III. Sua velocidade é inversamente proporcional à sua 250 m/s e com período de oscilação de 10 min. Sabendo
–10
frequência. que na região do arquipélago a profundidade das águas
04. (FGV-PR–2016) O som proveniente de um instrumento –20
IV. Seu comprimento de onda é de 3,0 . 10 –3
m. é grande e que a amplitude da onda é de 1 m, de
foi analisado por um aparelho que exibe, em sua tela, o I maneira que um navio parado nessa região praticamente
Assinale a alternativa correta.
gráfico da variação de pressão ∆p, em função do tempo t, não perceberia sua passagem, assinale a alternativa
y (cm) A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
que a onda sonora provoca em um microfone, conforme que apresenta, corretamente, o comprimento de onda
B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. associado a esse tsunami.
a figura a seguir. 20
C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. A) 250 m. D) 1 500 km.
∆p 10
unidades D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. B) 1 500 m. E) 2 500 km.
E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. C) 150 km.
O 0,25 0,50 0,75 t (s)
–10
10. (UPE–2016) Um relógio inteligente utiliza 12. (FIEB-SP–2016) A figura representa o sinal elétrico
–20 fotopletismografia para medir a frequência cardíaca de resultante da conversão do som emitido por uma
II seu usuário. Essa tecnologia consiste na emissão de das cordas de uma guitarra observado na tela de um
1 2 3 4 t (ms) luz de coloração esverdeada no braço do portador e na osciloscópio, instrumento de medição que nos permite
Considerando-se essas informações, é correto afirmar conseguinte medição, por fotossensores, da intensidade visualizar graficamente sinais elétricos por meio de sua
A frequência do som analisado é aproximadamente igual a que a velocidade de propagação da onda produzida por da luz refletida por sua pele. Quando o coração bate, o
tela quadriculada em pequenas divisões (div).
A) 1 670 Hz. C) 833 Hz. E) 526 Hz. Bernardo, na corda, é de sangue flui, e a absorção da luz verde através da pele é
A) 0,20 m/s. C) 1,0 m/s. maior. Entre batidas, a absorção é menor. Piscando a luz
B) 312 Hz. D) 100 Hz.
B) 0,50 m/s. D) 2,0 m/s. centenas de vezes em um segundo, é possível calcular a
frequência cardíaca.
05. (Unicamp-SP) A tecnologia de telefonia celular 4G
08. (FUVEST-SP–2017) A figura representa uma onda Suponha que, monitorando os resultados obtidos pelo 1 div
passou a ser utilizada no Brasil em 2013, como parte
harmônica transversal, que se propaga no sentido positivo relógio, um usuário tenha se deparado com o seguinte
da iniciativa de melhoria geral dos serviços no Brasil, 1 div
do eixo x, em dois instantes de tempo: t = 3 s (linha
gráfico de absorção da luz em função do tempo:
em preparação para a Copa do Mundo de 2014. cheia) e t = 7 s (linha tracejada).
Na figura, o eixo vertical representa a amplitude do sinal e
Algumas operadoras inauguraram serviços com ondas Amplitude da onda
o eixo horizontal o tempo. Sendo a frequência desse som
eletromagnéticas de 40 MHz. Sendo a velocidade da luz
Absorção igual a 220 Hz, é correto afirmar que a base de tempo do
no vácuo c = 3,0.108 m/s, o comprimento de onda dessas
osciloscópio está calibrada para a leitura mais próxima de
ondas eletromagnéticas é
A) 1,5 ms/div.
A) 1,2 m. –3 –2 –1 0 1 2 3
B) 2,0 ms/div.
B) 7,5 m. x(m) C) 3,0 ms/div.
C) 5,0 m. 22,00 24,00 26,00 28,00 30,00 32,00 34,00 D) 4,5 ms/div.
D) 12,0 m. Tempo(s) E) 6,0 ms/div.

62 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 63


Frente B Módulo 15 Introdução à Ondulatória

13. (UFV-MG) Uma onda transversal propagando-se pelo


C1 C2 SEÇÃO ENEM 0,5
espaço é representada a seguir pelos gráficos y–x e y–t,
nos quais y representa a amplitude, x, a posição e t,

(unidades arbitrárias)
0,4
o tempo. 1 2 3 4 5 01. (Enem–2015) Para obter a posição de um telefone
Filtro solar I

Absorbância
0,3
y (m) celular, a polícia baseia-se em informações do tempo de
30 x (m)
resposta do aparelho em relação às torres de celular da Filtro solar II
0,2
Durante uma aula, estudantes afirmaram que as ondas Filtro solar III
região de onde se onginou a ligação. Em uma região, Filtro solar IV
nas cordas C1 e C2 têm: 0,1
x (m) um aparelho está na área de cobertura de cinco torres, Filtro solar V
I. A mesma velocidade de propagação.
conforme o esquema. 0,0
II. O mesmo comprimento de onda.
240 290 340 390 440
y (m) III. A mesma frequência.
5,0 Comprimento de onda (nm)
Dado: A velocidade de propagação de uma onda
T Dados: velocidade da luz = 3,0 . 108 m/s
transversal em uma corda é igual a , sendo T a tração

FÍSICA
t (s) µ e 1nm = 1,0 . 10–9 m.
na corda e µ, a densidade linear da corda.
O filtro solar que a pessoa deve selecionar é o
Está correto apenas o que se afirma em
Após a análise dos gráficos, pode-se afirmar que o A) V.
comprimento de onda, o período, a frequência e a velocidade A) I. C) III. E) II e III.
B) IV.
de propagação dessa onda são, respectivamente, B) II. D) I e II.
C) III.
A) 20 m, 10 s, 0,1 Hz e 2,0 m/s.
16. (Unimontes-MG) Num treinamento, para resgatar uma D) II.
B) 30 m, 5,0 s, 0,2 Hz e 6,0 m/s.
pessoa do fundo de um poço, um grupo de soldados E) I.
C) 30 m, 5,0 s, 0,5 Hz e 10 m/s. precisou emendar duas cordas de comprimentos L1 e L2
D) 20 m, 10 s, 0,5 Hz e 10 m/s. e densidades lineares de massa λ1 e λ2, respectivamente 03. (Enem) Uma manifestação comum das torcidas em
E) 20 m, 5,0 s, 0,1 Hz e 2,0 m/s. (veja a figura). Após amarrar a corda na cintura, a estádios de futebol é a ola mexicana. Os espectadores
pessoa sinaliza para que a puxem através de um puxão Considerando que as torres e o celular são puntiformes
de uma linha, sem sair do lugar e sem se deslocarem
14. (Mackenzie-SP–2015) na corda, gerando um pulso de onda que será sentido, e que estão sobre um mesmo plano, qual o número
lateralmente, ficam de pé e se sentam, sincronizados
na outra extremidade, pelos soldados. Durante a mínimo de torres necessárias para se localizar a posição
y (cm) com os da linha adjacente. O efeito coletivo se propaga
subida, o processo é interrompido para que os soldados
do telefone celular que originou a ligação? pelos espectadores do estádio, formando uma onda
descansem e para que a pessoa busque uma posição mais
confortável. Para retomar a subida, a pessoa sinaliza da A) Uma. progressiva, conforme ilustração.
mesma forma, dando um puxão na corda.
B) Duas.
Considerando L2 = 4L1, λ2 = 4λ1 e que a massa da corda
2,4 cm 0 C) Três.
1,0 2,0 3,0 4,0 x (cm) é desprezível em relação à massa da pessoa, a razão
entre as velocidades, V1/V2, com as quais os pulsos D) Quatro.
viajam pelas seções de comprimento L1 e L2 da corda,
respectivamente, é igual a: E) Cinco.

T
Dado: v = ; T é a tensão na corda. 02. (Enem–2015) A radiação ultravioleta (UV) é dividida, de
O gráfico anterior representa uma onda que se propaga λ
Calcula-se que a velocidade de propagação dessa
com velocidade constante de 200 m/s. acordo com três faixas de frequência, em UV-A, UV-B e
“onda humana” é 45 km/h, e que cada período de
A amplitude (A), o comprimento de onda (λ) e a UV-C, conforme a figura.
oscilação contém 16 pessoas, que se levantam e sentam
frequência (f) da onda são, respectivamente,
L2 λ2 organizadamente e distanciadas entre si por 80 cm.
A) 2,4 cm; 1,0 cm; 40 kHz. Frequência (s–1)
Disponível em: <[Link]>. Acesso em: 07 dez. 2012
B) 2,4 cm; 4,0 cm; 20 kHz. (Adaptação).
L1 λ1 7,47 . 10 14
9,34 . 10
14
1,03 . 10
15
2,99 . 10
15
C) 1,2 cm; 2,0 cm; 40 kHz.
Nessa ola mexicana, a frequência da onda, em hertz,
D) 1,2 cm; 2,0 cm; 10 kHz. UV-A UV-B UV-C é um valor mais próximo de
E) 1,2 cm; 4,0 cm; 10 kHz.
A) 0,3.
Nó Para selecionar um filtro solar que apresente absorção B) 0,5.
15. (FUVEST-SP) A figura a seguir representa imagens
máxima na faixa UV-B, uma pessoa analisou os C) 1,0.
instantâneas de duas cordas flexíveis idênticas, C1 e C2,
tracionadas por forças diferentes, nas quais se propagam A) 5. C) 4. espectros de absorção da radiação UV de cinco filtros D) 1,9.
ondas. B) 3. D) 2. solares: E) 3,7.

64 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 65


Frente B Módulo 15

04. (Enem) Em um dia de chuva muito forte, constatou-se


GABARITO Meu aproveitamento
uma goteira sobre o centro de uma piscina coberta,
formando um padrão de ondas circulares. Nessa situação, Aprendizagem Acertei ______ Errei ______
observou-se que caíam duas gotas a cada segundo.
A distância entre duas cristas consecutivas era de 25 cm
• 01. C
e cada uma delas se aproximava da borda da piscina com • 02. A
velocidade de 1,0 m/s. • 03. A
Após algum tempo, a chuva diminuiu e a goteira passou
• 04. A
a cair uma vez por segundo.
• 05. D
• 06. B
Com a diminuição da chuva, a distância entre as cristas
e a velocidade de propagação da onda se tornaram,
respectivamente, • 07. E
A) maior que 25 cm e maior 1,0 m/s. • 08. B
B) maior que 25 cm e igual a 1,0 m/s.
Propostos Acertei ______ Errei ______
C) menor que 25 cm e menor que 1,0 m/s.

D) menor que 25 cm e igual a 1,0 m/s.


• 01. B
E) igual a 25 cm e igual a 1,0 m/s.
• 02. E
• 03. B
05. (Enem) A ultrassonografia, também chamada de ecografia,
• 04. B
• 05. B
é uma técnica de geração de imagens muito utilizada em
medicina. Ela se baseia na reflexão que ocorre quando
um pulso de ultrassom, emitido pelo aparelho colocado • 06. D
em contato com a pele, atravessa a superfície que separa • 07. C
um órgão do outro, produzindo ecos que podem ser
• 08. B
• 09. A
captados de volta pelo aparelho. Para a observação de
detalhes no interior do corpo, os pulsos sonoros emitidos
têm frequências altíssimas, de até 30 MHz, ou seja, • 10. E
30 milhões de oscilações a cada segundo. • 11. C
A determinação de distâncias entre órgãos do corpo • 12. A
humano feita com esse aparelho fundamenta-se em duas
• 13. A
variáveis imprescindíveis:
• 14. D
A) A intensidade do som produzido pelo aparelho e a
frequência desses sons.
• 15. B
B) A quantidade de luz usada para gerar as imagens no
• 16. D
aparelho e a velocidade do som nos tecidos.
Seção Enem Acertei ______ Errei ______
C) A quantidade de pulsos emitidos pelo aparelho a
cada segundo e a frequência dos sons emitidos pelo • 01. C
aparelho. • 02. B
D) A velocidade do som no interior dos tecidos e o tempo • 03. C
entre os ecos produzidos pela superfícies dos órgãos.
• 04. B
E) O tempo entre os ecos produzidos pelos órgãos e a
• 05. D
quantidade de pulsos emitidos a cada segundo pelo
aparelho. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

66 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA C 13
Cargas em Movimento em Campo Magnético
Anteriormente, estudamos o campo magnético, Você deve orientar o polegar no sentido da velocidade da
que caracteriza as propriedades do espaço em torno de carga, e os demais dedos devem ficar estendidos no sentido do
um ímã ou de um fio percorrido por uma corrente elétrica, campo magnético. Feito isso, a palma da mão fica virada para
por exemplo. Vimos, ainda, que um ímã atrai um pedaço cima, como mostrado. O sentido da força magnética atuante
de ferro porque este fica magnetizado. Sabemos, assim, na carga é obtido por meio de um tapa dado pela palma da
que ímãs exercem forças uns sobre os outros através da mão, se a carga for positiva. Para as cargas negativas,
interação dos seus campos magnéticos. o tapa deverá ser dado com as costas da mão.
Conhecemos o fato de que uma carga elétrica em O módulo da força magnética é calculado pela equação:
movimento cria um campo magnético no espaço ao seu
redor. Assim, uma carga elétrica em movimento, em uma F = [Link] q
região onde há um campo magnético, pode sofrer ação de
uma força magnética devido a esse campo. É o que vamos Na expressão, B é o módulo do campo magnético,
discutir agora. q e v são os valores da carga e da velocidade da partícula e
θ é o ângulo formado entre o vetor velocidade e o vetor campo

FORÇA SOBRE UMA CARGA magnético. Veja os gráficos de como varia o módulo da força
magnética (F), mantendo as demais variáveis constantes,
ELÉTRICA EM MOVIMENTO em função do campo (B), da carga (q), da velocidade (v)

EM UM CAMPO MAGNÉTICO e do ângulo (θ).

A figura seguinte mostra uma carga elétrica positiva (q) F F


penetrando em uma região na qual existe um campo
magnético. Observe que o campo magnético (B) e a
velocidade da carga (v) formam um ângulo (θ) entre si e
estão no mesmo plano (α). A carga, ao penetrar na região
em que há o campo, sofre a ação de uma força magnética
0 B ou v ou q 0 90 180 θ (°)
que a obriga a descrever uma curva.

Fm A seguir, apresentamos três aspectos importantes sobre


a força magnética.
Fm
1. Pela equação, percebemos que a força magnética
B B pode ser nula em quatro situações.
q+
θ
F=0
α v
v

A experiência nos mostra que:


• B = 0 (não existe força magnética sem campo

    ⇒ Fm ⊥ α magnético);
Fm ⊥ B e Fm ⊥ v
• q = 0 (campo magnético não interage com partículas
Dessa forma, a direção da força magnética está que não estejam eletrizadas);
determinada (perpendicular ao plano α). O sentido
• v = 0 (campo magnético não interage com partículas
dessa força pode ser encontrado a partir de uma regra
em repouso);
prática, conhecida por regra do tapa. Na figura anterior,
posicionamos a mão direita para determinar o sentido • θ = 0° ou θ = 180° (campo magnético não interage
da força magnética sobre a carga naquela situação. com partículas que se movem paralelamente a ele).

Bernoulli Sistema de Ensino 67


Frente C Módulo 13 Cargas em Movimento em Campo Magnético

2. Se a velocidade da carga é perpendicular às linhas de Veja que a palma da mão fica voltada para a parte inferior Indicamos o sentido da força magnética sobre a partícula em Você sabe, da Química, que o cloro tem dois isótopos principais –
indução magnética, temos θ = 90°, e o valor do seno da folha de papel. Esse é o sentido da força magnética (F) alguns pontos da sua trajetória circular (regra do tapa com 35Cl e 37Cl –, e que uma amostra de cloro tem massa
será máximo e igual a 1 (veja os gráficos anteriores). que atua sobre a carga positiva naquela posição. De acordo as costas da mão). Para θ = 90°, o movimento da partícula atômica média, aproximada, de 35,5 u. Mas como os
Assim, a força magnética será máxima e de com a 3ª Lei de Newton, a força sobre o fio aponta para será circular e uniforme, uma vez que a força magnética químicos descobriram isso? Usando um aparelho chamado
a parte superior da folha. que atua sobre ela exerce o papel de força centrípeta e não espectrômetro de massa, cujo funcionamento é muito simples.
módulo F = Bqv.
altera o módulo da velocidade.
3. De acordo com a regra do tapa, a força magnética F Considere uma amostra de cloro com partículas ionizadas
é perpendicular ao plano a (formado pelos vetores x x x x x positivamente, com a mesma carga (q). Ao serem lançadas,
I v B
B perpendicularmente, com a mesma velocidade (v0), em uma
v e B). A força magnética, sendo perpendicular B
q + x x v0 x x x região na qual atua um campo magnético uniforme (B),
ao movimento da carga, não altera o módulo da
v elas descrevem trajetórias circulares conforme mostrado
velocidade nem a energia cinética da partícula.
F x x x x x a seguir:
A força magnética altera apenas a direção e o sentido F –
v0 Fm
do vetor velocidade da partícula. x x x x x
B
R

INTERAÇÃO ENTRE CARGA Uma vez que a força magnética sobre a carga aponta
para baixo, a tendência dessa carga é deslocar-se nesse
x

x x x

x

FÍSICA
Fm Fm
E CORRENTE ELÉTRICA sentido, afastando-se do fio (veja a trajetória pontilhada
na figura anterior). v0 v0
R37
R35
O fato de uma corrente elétrica criar linhas de indução
magnética no espaço ao seu redor e o de uma carga elétrica O raio da trajetória pode ser determinado igualando-se a
em movimento poder sofrer a ação de uma força exercida MOVIMENTO DE UMA CARGA equação da força magnética com a expressão que fornece
o módulo da força centrípeta: Fm = FC.
pelo campo magnético nos leva a uma aplicação importante. F Chapa sensível
Vamos usar a regra da mão direita e, depois, a regra do tapa
EM UM CAMPO MAGNÉTICO A força magnética que atua sobre todas as partículas
mv0
para investigar a interação entre carga elétrica em UNIFORME [Link] 90° =
mv20 ⇒ R=
Bq
é a mesma (F = Bqv0). O raio da trajetória de cada um
dos isótopos, porém, é diferente (R ∝ m). Os isótopos são
movimento e corrente elétrica. R
Em todas as situações a seguir, vamos desprezar o peso da detectados em uma chapa sensível à colisão de cada um
Veja, a seguir, um exemplo. Um fio longo, colocado A partícula só pode descrever uma trajetória circular
partícula. Dependendo da velocidade inicial da carga (v0) e do deles. Revelando a chapa e medindo a densidade de colisões
completa se ela for lançada do interior da região em que há o
no plano da folha de papel, é percorrido por uma em cada ponto, é possível detectar a quantidade de cada
ângulo (q) entre a velocidade e as linhas do campo magnético, campo magnético. A figura a seguir mostra um elétron e um
corrente elétrica (I). Uma carga puntiforme (q) positiva, um dos isótopos. Assim, fazendo uma média ponderada
o movimento da partícula no campo pode ser de quatro tipos. próton lançados do interior de uma região onde há um campo
por exemplo, é lançada com velocidade (v) paralelamente ao fio. das massas dos isótopos, conclui-se que a massa atômica
magnético uniforme, com velocidades de mesmo módulo.
Vamos determinar a força que existe entre os dois – carga e fio. aproximada do cloro é 35,5 u.
Partícula colocada em repouso
Veja o mapa comparativo entre os movimentos de uma
I em uma região onde há um campo B carga positiva em campos elétrico e magnético uniformes.
magnético (v0 = 0)
Movimento de uma
q + A força é dada por F = [Link] θ. Se v0 = 0 ⇒ F = 0. Logo, carga positiva em um
v a partícula permanece em repouso na posição em que foi campo uniforme
colocada no campo magnético.
Primeiramente, vamos determinar o campo magnético Fm Fm
produzido pela corrente, na região em que a carga se
Partícula lançada paralelamente à v0 v0
Elétrico Magnético
movimenta. Usando a regra da mão direita (dedão no sentido +
da corrente e girando a mão em torno do fio), descobrimos linha de campo magnético (v0 // B) –

que o campo na parte de baixo do fio sai da folha de papel.


A força é F = [Link] θ. Para θ = 0° ou θ = 180°, a força Observe que, embora as forças magnéticas que atuam sobre M.R.U.A. no v0 = 0
Veja a figura seguinte: Repouso
magnética vale zero (sen 0° = sen 180° = 0). Por isso, eles tenham o mesmo módulo, as trajetórias têm raios diferentes sentido do campo
uma partícula lançada paralelamente às linhas de indução por causa da diferença entre as massas (R ∝ m). O período
magnética descreve, de acordo com a 1ª Lei de Newton, um do movimento (T) de cada um deles pode ser calculado por: v0 ≠ 0
I movimento retilíneo uniforme no sentido do movimento inicial. M.R.U.A. M.R.U.
e
2π R 2π m no sentido de v0 θ = 0° no sentido de v0
RBq = mv0 ⇒ RBq = m ⇒T= .
I T B q
Partícula lançada v0 ≠ 0
+
B q
v B perpendicularmente à linha de Observe que o período não depende do raio da trajetória M.R.U.R. e M.R.U.
e nem da velocidade da partícula. Ele vai depender, apenas, no sentido de v0 no sentido de v0
campo magnético (v0 ⊥ B) da razão massa/carga dessa partícula.
θ = 180°
Agora, vamos usar a regra do tapa sobre a carga.
Aponte os quatro dedos no sentido do campo magnético Movimento v0 ≠ 0
A figura a seguir representa uma partícula, carregada As trajetórias circulares descritas por partículas lançadas
parabólico e M.C.U.
(sentido dos seus olhos) e o dedão no sentido da velocidade negativamente, penetrando em uma região na qual em uma região na qual há um campo magnético uniforme
acelerado θ = 90°
da carga (para a direita). o campo magnético é perpendicular à sua velocidade. apresentam uma aplicação prática muito interessante.

68 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 69


Frente C Módulo 13 Cargas em Movimento em Campo Magnético

EXERCÍCIO RESOLVIDO Vamos decompor a velocidade em duas componentes, uma


paralela às linhas de indução do campo magnético (vX) e a
Os raios cósmicos vindos do espaço são mais frequentes
quando o Sol tem a sua atividade mais acentuada.
M N
E
outra perpendicular a essas linhas (vY). Em determinadas épocas do ano, as manchas solares (regiões
01. Prótons (p), nêutrons (n) e elétrons (e), todos com a
onde ocorrem explosões muito intensas, gerando uma
mesma velocidade, são lançados perpendicularmente a
v enorme quantidade de energia e de partículas eletrizadas)
um campo magnético uniforme e descrevem as trajetórias vy B
estão mais impetuosas. Nesse período, a quantidade de
mostradas a seguir. Identificar cada partícula com as raios cósmicos que vêm em direção à Terra é muito grande. A
trajetórias I, II e III. Eles podem interferir no funcionamento de diversos
vx
q
aparelhos eletrônicos. Dessa forma, o campo magnético
I
B terrestre serve de escudo contra tais partículas, aprisionando
E
ou expulsando a maioria delas e protegendo o nosso planeta. v
p vo B F
n II
e
Conforme discutido anteriormente, a componente vx gera
O CÍCLOTRON E SUAS A partícula eletrizada é abandonada no ponto A da figura anterior
(parte central do cíclotron). Ela é acelerada pelo campo elétrico
um movimento retilíneo uniforme, enquanto a componente vY APLICAÇÕES

FÍSICA
III (de N para M) e, a seguir, entra no “D” esquerdo com certa velocidade.
proporciona um movimento circular uniforme. A combinação O campo magnético deflete a partícula num semicírculo de raio pequeno.
O cíclotron é um aparelho usado para acelerar cargas elétricas Ela é novamente acelerada pelo campo elétrico e penetra no “D”,
desses dois movimentos corresponde a um movimento
Resolução: de modo a obter partículas eletrizadas com altas velocidades e, da direita, com velocidade de maior módulo. O campo elétrico é ajustado
helicoidal uniforme. Esse é exatamente o tipo de movimento
portanto, com energias elevadas. O aparelho foi desenvolvido de forma que a partícula sempre o encontre no sentido de sua velocidade
O nêutron não tem carga elétrica (q = 0). Ele não sofre descrito por um ponto na hélice de um avião que se move em 1932, na Universidade da Califórnia. Ele é formado por duas (assim, o módulo da velocidade estará sempre aumentando ao passar
ação da força magnética e, portanto, não se desvia. em linha reta e com velocidade constante. câmaras metálicas ocas, dentro das quais é feito um vácuo de um “D” para o outro). Dessa forma, o raio da trajetória aumenta.
Logo, o nêutron segue a trajetória II. parcial. Essas regiões têm o formato de dois “D” invertidos um A trajetória total da partícula está representada pela linha pontilhada
Dois dos fenômenos atmosféricos mais bonitos,
Uma vez que o sentido do campo é conhecido (saindo da em relação ao outro. A figura a seguir mostra um cíclotron de vermelha. Depois de várias “voltas” (muitas vezes, centenas delas)
página), podemos usar a regra do tapa (com os dedos que ocorrem próximos aos polos da Terra, são as auroras forma simplificada. dentro dos “dês”, a partícula sai, com enorme energia, pela fresta
no sentido do campo magnético e o dedão no sentido da boreal e austral (polos norte e sul, respectivamente). (F) e atinge alvos específicos e devidamente escolhidos (núcleos a
velocidade). Feito isso, percebemos que sobre o próton Elas acontecem porque partículas carregadas, vindas do B serem “bombardeados” pelas partículas).
atua uma força magnética para baixo (trajetória III) espaço (principalmente do Sol), atingem a Terra em altas
O cíclotron foi muito usado na pesquisa de Física das Partículas,
e sobre o elétron atua uma força magnética para cima – velocidades, obliquamente ao campo magnético terrestre. uma vez que ele permitia obter íons com velocidades muito
tapa com as costas da mão (trajetória I). Dessa forma, elas ficam “aprisionadas” dentro desse campo, elevadas. Tais íons colidindo contra núcleos de átomos produziam
Mesmo sem conhecer o sentido do campo, podemos saber descrevendo trajetórias helicoidais, como mostrado na figura as partículas mais elementares da natureza, o que permitiu um
qual é a trajetória do próton e qual é a trajetória do elétron anterior. Uma vez que o campo da Terra é mais intenso grande desenvolvimento da Física e da tecnologia.
F
pelo raio da curva descrita por cada um. Sabemos que o raio próximo aos polos, tais partículas (chamadas de raios O principal fator que determina a energia (velocidade) da
da trajetória circular é dado por R = mv/(Bq). Como ele é
cósmicos) são deslocadas para os polos, segundo a trajetória +
v partícula ao sair do cíclotron é o tamanho deste e, portanto,
proporcional à massa (R ∝ m), o próton descreve a trajetória
helicoidal. Lá, por diversos motivos que não são relevantes, o custo dos eletroímãs que têm de existir em todo o seu raio.
III (maior raio) e o elétron, a trajetória I (menor raio),
elas colidem com átomos presentes na alta atmosfera, Além desses fatores, à medida que a velocidade da partícula
porque a massa do próton é, aproximadamente, 1 840 vezes O seu funcionamento está baseado em três consequências aumenta e atinge um valor relevante comparado à velocidade
maior que a massa do elétron. fazendo com que eles emitam luzes coloridas que “dançam”
do movimento de cargas elétricas em regiões onde há campos da luz, conceitos ligados à Teoria da Relatividade mostram
nos céus, como se fossem fantasmas multicoloridos e bem
Temos, ainda, outra solução para a nossa dúvida anterior. elétrico e magnético, a saber: que a massa inercial do íon aumenta e, por consequência,
Você sabe, da Mecânica, que a aceleração é inversamente
animados. Os povos da Antiguidade creditavam essas “luzes cresce o tempo que ele gasta em cada volta. Assim, o cíclotron
1. Uma carga elétrica sofre ação de uma força elétrica
proporcional à massa. A força magnética é a mesma para do céu” a manifestações divinas. perde o sincronismo e, acima de determinado valor de
exercida por um campo elétrico na mesma direção desse
as duas partículas, e o valor da velocidade é constante. campo. velocidade, não consegue mais acelerar a partícula. Por esses
A aceleração que atua no elétron é a aceleração centrípeta motivos, o cíclotron deixou de ser usado em pesquisa avançada
2. Uma carga elétrica em movimento perpendicular às
(ac = v2/R). Como a aceleração do elétron é maior (menor de Física e foi substituído por seus sucessores, entre eles,
linhas de indução de um campo magnético descreve uma
massa), ele deve descrever a trajetória de menor raio – o síncrotron.
trajetória circular no interior da região desse campo.
trajetória I. O cíclotron, hoje, é muito utilizado para produzir isótopos
3. O período do movimento citado (tempo de cada volta)
radioativos usados na detecção e no tratamento de diversas
não depende do raio da trajetória nem da velocidade da
Partícula lançada obliquamente às partícula, conforme já explicado. Ele vai depender apenas
doenças. Infelizmente, o número de aparelhos usados com
esse objetivo no Brasil é limitado. O cíclotron está sendo
linhas de campo
Samuel Blanc / Creative Commons

da razão massa/carga dessa partícula.


usado, recentemente, no Hospital das Clínicas da USP,
O campo magnético está restrito à região central dos para a produção de prótons de altas energias, que são lançados
Para 0° < θ < 90° ou 90° < θ < 180°, a trajetória da partícula
“dês” e é perpendicular à sua superfície. O campo elétrico diretamente contra tecidos com diversos tipos de câncer.
será uma hélice cilíndrica. Podemos entender o porquê dessa
existe apenas entre as partes planas dos “dês” (entre M e N, O país está se preparando para uma nova área de pesquisa
trajetória se lembrarmos que a velocidade da partícula, nesses
mostradas a seguir). Tais campos são uniformes. médica, ou seja, a Medicina ressuscitou o cíclotron.
casos, é oblíqua em relação às linhas do campo magnético.

70 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 71


Frente C Módulo 13 Cargas em Movimento em Campo Magnético

EXERCÍCIOS DE 03. (UFMG) O tubo de imagem de um televisor está


representado, esquematicamente, na figura I. Elétrons
05. (Mackenzie-SP–2016) Duas espiras circulares de mesmo raio
e percorridas por corrente elétrica i1 e i2 são dispostas em
Está correto apenas o que se afirmar em
A) I e II. C) III e IV. E) II e IV.
APRENDIZAGEM são acelerados da parte de trás desse tubo em direção planos perpendiculares, como mostra a figura anterior. Uma
B) II e III. D) I e III.
ao centro da tela. Quatro bobinas – K, L, M e N – carga elétrica puntiforme Q é colocada em repouso no centro
01. (UFMG) Reações nucleares que ocorrem no Sol produzem produzem campos magnéticos variáveis, que modificam das duas espiras, ficando
 sujeita a um campo de indução 08. (FUVEST-SP) Em cada uma das regiões I, II, III da
partículas – algumas eletricamente carregadas –, a direção dos elétrons, fazendo com que estes atinjam magnética resultante BR gerado pelas correntes elétricas.
que são lançadas no espaço. Muitas dessas partículas a tela em diferentes posições, formando uma imagem, figura seguinte existe ou um campo elétrico constante
vêm em direção à Terra – e podem interagir com o y ± Ex na direção x, ou um campo elétrico constante
como ilustrado na figura II. As bobinas K e L produzem um
campo magnético desse planeta. Nesta figura, as linhas
campo magnético na direção vertical e as bobinas M e N, ± Ey na direção y, ou um campo magnético constante
indicam, aproximadamente, a direção e o sentido do i1
na horizontal. Em um certo instante, um defeito no ± Bz na direção z (perpendicular ao plano do papel).
campo magnético em torno da Terra:
televisor interrompe a corrente elétrica nas bobinas K e L Quando uma carga positiva q é abandonada no ponto P
K i2
e apenas as bobinas M e N continuam funcionando. da região I, ela é acelerada uniformemente, mantendo
x
K uma trajetória retilínea, até atingir a região II.
L Ao penetrar na região II, a carga passa a descrever uma
M 2 trajetória circular de raio R e o módulo da sua velocidade
Terra
N permanece constante. Finalmente, ao penetrar na região III,

FÍSICA
A força magnética resultante que age nacarga
 elétrica Q percorre uma trajetória parabólica até sair dessa região.
A) tem a mesma direção e sentido de BR . y
L 
B) tem a mesma direção de BR mas o sentido depende
do sinal da carga Q. P II
Nessa figura, K e L representam duas partículas 
C) tem direção perpendicular ao BR e sentido saindo de q
eletricamente carregadas e as setas indicam suas I R
velocidades em certo instante. Com base nessas seu plano.
Figura I Figura II  Z x
informações, Alice e Clara chegam a estas conclusões: D) tem direção perpendicular ao BR e sentido entrando
Parabólica
• Alice – “Independentemente do sinal da sua carga, Assinale a alternativa em que melhor se representa a no seu plano.
III
a partícula L terá a direção de sua velocidade alterada imagem que esse televisor passa a produzir nessa situação. E) é nula.
pelo campo magnético da Terra.”
A)
• Clara – “Se a partícula K tiver carga elétrica negativa, 06. (UFC-CE) Analise as afirmações a seguir em relação à
sua velocidade será reduzida pelo campo magnético força magnética sobre uma partícula carregada em um
da Terra e poderá não atingi-la.” campo magnético.
B)
I. Pode desempenhar o papel de força centrípeta. A tabela a seguir indica algumas configurações possíveis
Considerando-se a situação descrita, é correto
afirmar que II. É sempre perpendicular à direção de movimento. dos campos nas três regiões. A única configuração dos

A) apenas a conclusão de Alice está certa. III. Nunca pode ser nula, desde que a partícula esteja em campos, compatível com a trajetória da carga, é aquela
C) movimento. descrita em:
B) apenas a conclusão de Clara está certa.
IV. Pode acelerar a partícula, aumentando o módulo de
C) ambas as conclusões estão certas. Configuração
sua velocidade. A B C D E
D) nenhuma das duas conclusões está certa. D) de campo
Assinale a alternativa correta.
A) Somente II é verdadeira. Região I Ex Ex Bz Ex Ex
02. (UFMG) A figura representa um longo fio conduzindo
corrente elétrica I. Em um dado instante, duas cargas, B) Somente IV é verdadeira. Região II Bz Ey Ey Ey Bz
uma positiva e outra negativa, estão com velocidade v, 04. (Fatec-SP) Duas placas planas, paralelas, horizontais e C) Somente I e II são verdadeiras. Região III Ey Bz Ex –Ex –Ex
uma de cada lado do fio. D) Somente II e III são verdadeiras.
carregadas com sinais opostos, são dispostas formando
v entre si um campo elétrico uniforme, e, nas suas laterais, E) Somente I e IV são verdadeiras.
+ A) A C) C E) E
encontram-se dois polos de um ímã formando um campo
B) B D) D
I magnético uniforme, como na figura apresentada. 07. (UPF-RS–2016) Considere uma região do espaço onde
existe um campo magnético uniforme cujas linhas de
B
EXERCÍCIOS
– indução são verticais, com sentido para cima. Suponha
A C
v + + + + + + que uma partícula carregada negativamente se
D movimente horizontalmente da direita para a esquerda,
PROPOSTOS
N S
A configuração que melhor representa as forças do fio –
e com velocidade constante, e penetre na região do
sobre cada uma das cargas é E
campo. Sobre o comportamento da partícula, analise as
A) C) – – – – – – afirmações que seguem. 01. (FGV-SP–2016) Uma partícula dotada de massa e
+ + I. O campo magnético interage com a partícula, eletrizada negativamente é lançada, com velocidade
Abandonando-se um elétron (e) no ponto médio dos dois diminuindo o módulo da velocidade. inicial vo, para o interior de uma região A onde impera um
– –
campos e desprezando-se as velocidades relativísticas II. O campo magnético interage com a partícula, mas campo elétrico uniforme. A partícula segue a trajetória
e o campo gravitacional, pode-se afirmar que a posição não influencia no módulo da sua velocidade. retilínea paralela ao plano da folha, mostrada na figura.
mais provável que esse elétron atingirá será uma região
III. O campo magnético interage com a partícula e Logo após atravessar a região A, a partícula ingressa
B) D)
+ +
nas proximidades do ponto modifica a direção original do deslocamento dessa na região B, com velocidade v > vo, onde há um campo
– A) A. C) C. E) E. partícula. magnético uniforme, orientado perpendicularmente

B) B. D) D. IV. O módulo da força magnética sobre a partícula é zero. ao plano da folha, apontando para fora dela.

72 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 73


Frente C Módulo 13 Cargas em Movimento em Campo Magnético

II III 06. (EEAR-SP–2016) Um corpúsculo de 10 g está eletrizado 09. (FPS-PE–2017) Sabe-se que algumas regiões do
y Q a com carga de 20 µC e penetra perpendicularmente em cérebro humano podem gerar campos magnéticos
B
P um campo magnético uniforme e extenso de 400 T a uma com módulo da ordem de picotesla (pT), em que
I IV velocidade de 500 m/s, descrevendo uma trajetória circular. 1 pT = 10–12 T. Se um próton de carga 1,6 . 10–19 C e
a
R R massa 1,6 . 10–27 kg ingressar numa região de campo
A força centrípeta (Fcp), em N, e o raio da trajetória (rt),
v B em m, são magnético uniforme, com este módulo e direção
O x
perpendicular à da sua velocidade de módulo v,
A) Fcp = 1; rt = 78. C) Fcp = 3; rt = 213.
v0 ele descreverá uma circunferência de raio R. Nesta
A B) Fcp = 2; rt = 156. D) Fcp = 4; rt = 625.
situação, a razão v/R será igual a:
2a
É correto afirmar que a orientação do campo elétrico em A) 1,0 . 104 s–1 D) 2,6 . 10–4 s–1
A é paralela ao plano da folha no As coordenadas do ponto, em que a partícula deixa a 07. (UFRN) As partículas Ι e ΙΙ, de cargas e massas
desconhecidas, penetram, com mesma velocidade, em B) 2,6 . 10  s4 –1
E) 1,0 . 10–4 s–1
A) mesmo sentido de vo; em B, a partícula segue a região que delimita o campo magnético, são:
uma região em que há um campo magnético constante e C) 0,4 . 100 s–1
trajetória circular I de raio R. A) (0, 0)
B) sentido oposto ao de vo; em B, a partícula segue a uniforme, de acordo com a figura a seguir. A trajetória da
B) (a, –a) 10. (UEG-GO–2018) A figura a seguir descreve uma região
trajetória circular I de raio R. partícula Ι passa pelo ponto B e segue até A. A trajetória
C) (2a, 0) do espaço que contém um vetor campo elétrico E e um
C) sentido oposto ao de vo; em B, a partícula segue a da partícula ΙΙ passa em A e vai até C. Sabendo-se que

FÍSICA
vetor campo magnético B.
trajetória circular IV de raio R. D) (2a, –a) o campo magnético está entrando perpendicularmente
+ + + + + + +
D) sentido oposto ao de vo; em B, a partícula segue a ao plano do papel, pode-se afirmar que
trajetória parabólica II. 04. (IFGO–2016) Em um laboratório de espectroscopia, E B
um dispositivo emite cátions que se deslocam a uma
E) mesmo sentido de vo; em B, a partícula segue a x x x x x x
trajetória parabólica III. velocidade v muito elevada. Nesse dispositivo é possível v
(II)
regular a intensidade do campo elétrico (E) e do campo x x x x x x
02. (UFV-MG) Considere uma região onde há um campo magnético (B) de modo que esses cátions possam ter a x x x x x x
magnético uniforme B penetrando perpendicularmente trajetória retilínea mostrada na figura a seguir:
x x x x x x
ao plano da página, conforme mostra a figura a seguir. (I) – – – – – – –
x x x x x x x x x x
Um elétron (e–) é então lançado para dentro dessa
região, com velocidade inicial paralela ao plano da página. x x x x x x x x x x x Mediante um ajuste, percebe-se que, quando os campos
Das curvas mostradas na figura ao lado, aquela que v
elétricos e magnéticos assumem valores de 1,0 . 103 T
representa corretamente a trajetória desse elétron é x x x x x A B C
Fonte e 2,0 . 10–2 T, respectivamente, um íon positivo, de
R1 2R1
de x x x x x massa desprezível, atravessa os campos em linha reta.
íons
M A velocidade desse íon, em m/s, foi de:
x x x x x A) a razão entre os módulos das cargas das partículas
B |QI/QII| é igual ao dobro da razão de suas massas mI/mII. A) 5,0 . 104 D) 3,0 . 103
x x x E B
B) 1,0 . 10 5
E) 1,0 . 104
e B) o trabalho realizado sobre a partícula ΙΙ pela força
– Q Na situação descrita, temos que o campo magnético e magnética é o dobro do realizado sobre a partícula Ι. C) 2,0 . 103
x
x x uniforme tem intensidade de 4,0 . 10–2 T e a velocidade dos
C) a energia cinética da partícula ΙΙ é o dobro da energia
P cátions emitidos é de 5,0 . 106 m/s. Então, a intensidade
cinética da partícula Ι. 11. (UNIFICADO-RJ)
N
do campo elétrico uniforme que deve ser imposto na região
D) as partículas possuem cargas iguais (mas de sinais
por onde passará os cátions deverá ser de
opostos) e massas idênticas.
A) 1,25 . 108 V/m. D) 2,0 . 105 V/m.
A)
Q C)
P E) as acelerações das partículas são iguais.
B) 2,0 . 10–9 V/m. E) 1,25 . 104 V/m.
B)
N D)
M
C) 2,0 . 10–4 V/m. 08. (PUC Rio) Cientistas creem ter encontrado o tão
esperado “bóson de Higgs” em experimentos de
03. (AFA-SP) Uma partícula de carga positiva, com
velocidade dirigida ao longo do eixo x, penetra através
05. (UDESC) Uma partícula de massa m e carga q é acelerada colisão próton-próton com energia inédita de 4 TeV
a partir do repouso, por um campo elétrico uniforme (tera elétron-Volts) no grande colisor de hádrons, Um próton penetra perpendicularmente em um campo
de um orifício em O, de coordenadas (0, 0), numa caixa
onde há um campo magnético uniforme de módulo de intensidade E. Após percorrer uma distância d, a LHC. Os prótons, de massa 1,7 . 10–27 kg e carga elétrica magnético uniforme, como ilustra a figura anterior,
B, perpendicular ao plano do papel e dirigido “para partícula deixa a região de atuação do campo elétrico 1,6 . 10–19 C, estão praticamente à velocidade da luz e descreve, em seu interior, uma trajetória semicircular.
dentro” da folha. Sua trajetória é alterada pelo campo, com uma velocidade v, e penetra em uma região de (3 . 108 m/s) e se mantêm em uma trajetória circular A intensidade do campo magnético é 10–2 T e a velocidade
e a partícula sai da caixa passando por outro orifício, P, campo magnético uniforme de intensidade B, cuja direção graças ao campo magnético de 8 Tesla, perpendicular à do próton é constante e igual a 5.105 m/s. Sabendo-se
de coordenadas (a, a), com velocidade paralela ao é perpendicular a sua velocidade. O raio da trajetória trajetória dos prótons. que a massa e a carga do próton valem, respectivamente,
eixo y. Percorre depois de sair da caixa, o trecho circular que a partícula descreve dentro do campo Com esses dados, a força de deflexão magnética sofrida 1,6.10–27 kg e 1,6.10–19 C e considerando-se π = 3,
PQ, paralelo ao eixo y, livre de qualquer outra força. magnético é igual a: pelos prótons no LHC é em Newton: o perímetro, em centímetros, desse percurso é
Em Q sofre uma colisão perfeitamente elástica, na qual
A) (2mEd/Bq) 1/2
D) mE/Bq A) 3,8 . 10–10
D) 5,1 . 10 –19
A) 300. D) 100.
sua velocidade é simplesmente invertida e volta pelo
mesmo caminho, entrando de novo na caixa pelo orifício P. B) (2mEd/B2q)1/2 E) (mE/Bq)1/2 B) 1,3 . 10–18 E) 1,9 . 10–10 B) 200. E) 50.
A ação da gravidade nesse problema é desprezível. C) mEd/Bq C) 4,1 . 10–18
C) 150.

74 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 75


Frente C Módulo 13

SEÇÃO ENEM As partículas carregadas emanadas do Sol e que atingem


a magnetosfera são desviadas pelo campo magnético.
01. (Enem) A figura mostra o tubo de imagens dos aparelhos Havendo uma redução drástica na intensidade do campo
de televisão usado para produzir as imagens sobre a tela. magnético terrestre,
Os elétrons do feixe emitido pelo canhão eletrônico são A) a força magnética sobre tais partículas aumenta,
acelerados por uma tensão de milhares de volts e passam o que provoca maior aceleração, fazendo com
por um espaço entre bobinas em que são defletidos por que um número maior delas consiga chegar à
campos magnéticos variáveis, de forma a fazerem a camada atmosférica.
varredura da tela.
B) a velocidade das partículas aumenta e, dessa forma,
Bobinas para um maior número delas colide com a superfície
a deflexão
vertical terrestre, uma vez que o campo, mais fraco,
Canhão
eletrônico não consegue desacelerar as partículas.

C) o ângulo entre a velocidade das partículas e o campo


magnético terrestre aumenta e tende a 90º, e, assim,
numa incidência perpendicular, fica mais fácil de as
Bobinas para partículas penetrarem na magnetosfera.
a deflexão Elétrons Tela
horizontal D) a força magnética sobre tais partículas diminui,
ficando menor o desvio magnético sofrido por
Nos manuais que acompanham os televisores, é comum elas, e, dessa forma, um número maior de partículas
encontrar, entre outras, as seguintes recomendações: consegue chegar à superfície da Terra.
I. Nunca abra o gabinete ou toque as peças no interior E) a velocidade das partículas diminui e, dessa forma,
do televisor. mais partículas atingem a superfície, principalmente
II. Não coloque seu televisor próximo de aparelhos na região do Equador, um vez que o campo não mais
domésticos com motores elétricos ou ímãs. consegue desviá-las para os polos norte e sul.

Essas recomendações estão associadas, respectivamente,


aos aspectos de
A) riscos pessoais por alta tensão / perturbação ou GABARITO Meu aproveitamento
deformação de imagem por campos externos.
B) proteção dos circuitos contra manipulação indevida / Aprendizagem Acertei ______ Errei ______
perturbação ou deformação de imagem por campos
externos. • 01. A • 04. D • 07. B
C) riscos pessoais por alta tensão / sobrecarga dos
circuitos internos por ações externas. • 02. B • 05. E • 08. E
D) proteção dos circuitos contra a manipulação indevida /
sobrecarga da rede por fuga de corrente.
• 03. B • 06. C
E) proteção dos circuitos contra manipulação indevida /
sobrecarga dos circuitos internos por ação externa.
Propostos Acertei ______ Errei ______

02. A magnetosfera protege a superfície da Terra das


• 01. B • 05. B • 09. E
partículas carregadas do vento solar. É comprimida no • 02. B • 06. D • 10. A
lado diurno (Sol), devido à força das partículas que
chegam, e estendido no lado noturno. • 03. C • 07. A • 11. C
• 04. D • 08. A
Seção Enem Acertei ______ Errei ______

• 01. A
• 02. D
NASA

Disponível em: <[Link]


magnético_terrestre>. Acesso em: 13 mar. 2018. [Fragmento] Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

76 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA C 14
Força Magnética sobre Fios
Imagine a felicidade de uma criança brincando com L
seu carrinho elétrico. Sabemos que, dentro dele, existem
pilhas ou baterias, e que elas podem acender uma B
lâmpada. Mas como essas pilhas produzem movimento Q = n.e
v I
no carrinho desse garoto felizardo? Você já deve ter visto – – – – – – – –
as torres de transmissão de eletricidade. Por que os fios, fi fi fi fi fi fi fi fi
nessas torres, ficam tão longe uns dos outros? Não seria
mais econômico aproximá-los para que a estrutura da torre
F = [Link]
ocupasse menos espaço e se gastasse menos material na sua
construção? Neste módulo, você descobrirá as respostas para
Observe que, em um comprimento L do fio, existem
tais questionamentos. n cargas elementares (e) em movimento e, dessa forma,
Já sabemos que uma carga elétrica, deslocando-se em a carga total contida naquele trecho é Q = n.e. A velocidade
uma região onde há um campo magnético, pode sofrer a média de cada carga, ao percorrer o comprimento L,
ação de uma força que desvia sua trajetória. Uma corrente será v = L/Δt. Sabemos que a força, em cada uma das
cargas, é fi = B.e.v, e que a corrente no fio é I = Q/Δt.
elétrica é um movimento ordenado de cargas elétricas.
Assim, a força resultante que atua no fio, de comprimento
Assim, nada mais sensato do que esperar que as cargas que
L, terá módulo igual a:
constituem a corrente elétrica também sofram, em condições
particulares, a ação de forças de origem magnética, F = [Link] = n.B.e.v = B.n.e.L/Δt = B(Q/Δt)L = B.I.L
o que, de fato, acontece.

Uma das aplicações mais importantes desse fenômeno F = B.I.L


é o funcionamento dos motores elétricos, presentes em
aparelhos que apresentam rotação, tais como ventilador,
geladeira, liquidificador e muitos outros. Na equação anterior, B é o módulo do campo magnético,
I é o valor da corrente elétrica, e L é o comprimento do
condutor mergulhado no campo magnético.

FORÇA EM CONDUTOR Sabemos que a força magnética é perpendicular ao


vetor campo magnético e ao vetor velocidade da carga.
MERGULHADO EM UM Como a corrente (I) está na direção do movimento das
cargas (v), a força sobre o fio será:
CAMPO MAGNÉTICO
Vamos considerar uma região na qual exista um campo F⊥B e F⊥I
magnético uniforme e, também, um condutor colocado
nessa região, perpendicularmente às linhas de indução.
O sentido da força magnética é dado pela regra do tapa,
Nesse condutor, as cargas livres estão se movendo colocando-se o dedão no sentido da corrente elétrica (I) e
aleatoriamente. Isso faz com que a força magnética que os quatro dedos no sentido do vetor campo magnético (B).
atua sobre cada uma dessas cargas aponte em direções O sentido da força magnética sobre o condutor é indicado
também aleatórias. Assim, a força resultante que atua sobre pela palma da mão direita. Veja a figura seguinte:
o conjunto de cargas é nula. Quando uma corrente elétrica
(I) passa pelo condutor, cada carga em movimento ordenado, y
dentro do fio, ficará sujeita a uma força magnética individual
B
(fi), com direção e sentido bem definidos. Na figura a seguir, B
essa força tenta desviar as cargas para baixo (regra do tapa). x
Entretanto, como essas cargas estão confinadas ao fio, I I
o efeito resultante das forças magnéticas atuando sobre F
z F
cada uma das cargas será uma força magnética resultante
(F) atuando sobre o condutor, que o empurra, também, + –
para baixo.

Bernoulli Sistema de Ensino 77


Frente C Módulo 14 Força Magnética sobre Fios

Lembre-se de que o sentido da corrente elétrica FIB Resolução: O que acontece entre eles quando as correntes têm o
(convencional) corresponde ao sentido do movimento mesmo sentido? A figura seguinte mostra o campo magnético
O sentido da força magnética, no fio, é dado pela regra
das cargas positivas. Por isso, o “tapa” que determina o BI gerado por cada corrente na região onde se encontra o
do tapa com a palma da mão. A figura a seguir mostra
sentido da força magnética foi dado com a palma da mão. I outro fio. Os sentidos dos campos magnéticos B1 e B2 foram
a visão frontal do sistema (olhando de Q para P).
Imagine a figura anterior vista “de cima” (eixo y). O campo determinados usando a regra da mão direita. Utilize essa
A corrente sai pelo ponto Q, e o campo do ímã aponta
aponta para os seus olhos e a corrente elétrica, para a direita. BI regra, você também, para comprovar o resultado.
para a esquerda. O sentido da força magnética atuante
Assim, os dedos da mão devem apontar para fora da página
FIC no fio PQ é para baixo, conforme mostrado. I2
(para o seu rosto) e o dedão, para a direita. Faça você mesmo
e confira na figura a seguir. Veja que a força magnética, 4. Considere um condutor de 20 m de comprimento, B
nessa situação, aponta para a parte de baixo da folha de papel. submetido a uma força magnética de 600 N.
Assim, cada metro desse condutor sofrerá uma força
de módulo igual 30 N. É muito comum, principalmente I B2 B2
B I em linhas de transmissão e de distribuição de energia,
I F I1
B informar o valor da força que atua em cada unidade I2
de comprimento do fio. Na situação desse exemplo, I1 L
esse valor seria de 30 N/m. B I
F F S N
5. A equação da força magnética foi obtida para um fio
+ – colocado perpendicularmente às linhas de indução Q

FÍSICA
(θ = 90°). Se o fio formar um ângulo θ ≠ 90° com o vetor B1 B1
campo magnético, a componente vx da velocidade
F
das cargas será paralela ao campo e, devido a ela,
não haverá força magnética sobre o fio. Apenas a
Considerações importantes sobre componente da velocidade perpendicular ao campo (vy) d

a força magnética que atua em fios contribuirá para que uma força magnética atue sobre
o fio. Veja a seguir: Conhecidos os campos B1 e B2 e os sentidos das correntes
1. A força magnética que atua no condutor da figura I1 e I2, vamos determinar a força magnética entre os fios
vy v Observe que a corrente é perpendicular ao campo.
anterior foi obtida tomando como base a corrente (regra do tapa). Note que as forças entre fios percorridos por
Assim, o valor dessa força é igual a: correntes de mesmo sentido são de atração. Utilize a regra
convencional (movimento de cargas positivas).
Qual seria a força magnética que atuaria sobre o fio se F = B.I.L = 1,0 . 10–2 . 2,0 . 0,20 = 4,0 . 10–3 N do tapa e confira esse fato na figura seguinte:
B
fosse tomada como base a corrente real (movimento de θ I1 I2
elétrons)? Na figura anterior, a corrente (convencional)
+
q vx Atenção: B2
é da esquerda para a direita. Logo, a corrente de
elétrons é da direita para a esquerda, conforme a Veja que, na resolução, optamos por trabalhar com a
figura seguinte. A diferença é que o “tapa”, agora, é visualização da figura em duas dimensões. Na maioria F21 I1 I2
F21 F12 F12
dado com as costas da mão. Teríamos, assim, a mesma das vezes, essa técnica facilita a resolução do exercício,
B1
força magnética resultante. Veja a figura a seguir: pois muitas pessoas têm dificuldade de visualizar figuras
θ
em três dimensões. Seria interessante você se acostumar
B I
IR com esse tipo de visualização. B2 B1
B
IR Essa componente é vy = [Link] θ. Dessa forma,
d
F F
a equação anterior deverá ser escrita como:
F = [Link] θ = [Link] θ.L/Δt ⇒ FORÇA MAGNÉTICA ENTRE
F = B.(Q/Δt).[Link] θ Você se lembra de que começamos o módulo dizendo que os
+ – CONDUTORES PERCORRIDOS fios, principalmente nas torres de transmissão e de distribuição
F = [Link] θ de energia, encontram-se distantes uns dos outros? Isso é
POR CORRENTES ELÉTRICAS necessário, entre outras coisas, porque eles podem ser
2. Sabemos que um corpo condutor “impede” que percorridos por correntes de mesmo sentido. Assim, haverá
um campo elétrico externo atue em seu interior.
Porém, isso não acontece com o campo magnético, ou
EXERCÍCIO RESOLVIDO Sabemos que uma corrente elétrica gera um campo atração entre eles, o que pode levar a um eventual contato
e, por consequência, a um curto-circuito na rede elétrica.
magnético no espaço à sua volta. Vimos, anteriormente,
seja, não existe blindagem magnética. Assim, o campo 01. Na figura a seguir, a corrente elétrica vale I = 2,0 A, Ninguém gosta quando isso acontece, não é verdade?
que um fio percorrido por corrente elétrica e mergulhado em
magnético da figura anterior, o qual chamaremos o módulo do campo magnético entre os polos do ímã é
B = 1,0 . 10–2 T, o comprimento do fio PQ e a largura do
uma região onde existem linhas de indução sofre ação de Se as correntes elétricas que percorrem os fios paralelos
de campo externo (B), atua dentro do condutor. uma força exercida pelo campo magnético. Nada mais lógico
ímã valem L = 20 cm. Determinar o sentido e o módulo tiverem sentidos opostos, a força entre esses fios será
É por isso, e só por isso, que esse campo aplica do que esperar que dois ou mais fios, nos quais circulam
da força magnética sobre o fio PQ. de repulsão. Deixamos, como exercício para você,
força sobre as cargas ordenadas que constituem a correntes elétricas, devam exercer forças entre si. E é o que, a demonstração de tal fato.
corrente elétrica. de fato, acontece. Vamos analisar dois casos.
Resumindo:
3. Use a regra do tapa (figura seguinte) com o campo
magnético gerado pela própria corrente (B I ).
Se ele aplicasse força sobre o fio, haveria duas
I P Condutores paralelos Fios percorridos por correntes de

forças. Uma para baixo, FIC (exercida pelo campo S N Considere dois fios de comprimento L, longos e finos, • mesmo sentido se atraem.
que está na parte de cima do fio), e outra para cima, paralelos um ao outro, separados pela distância d e • sentidos opostos se repelem.
Q
FIB (exercida pelo campo que está na parte de baixo do percorridos por correntes elétricas I1 e I2. Cada uma das
condutor). Logo, a resultante dessas forças seria nula. correntes gera, em torno do fio percorrido por ela, um campo As forças magnéticas determinadas na figura anterior
Dessa forma, somente os campos magnéticos magnético, que vamos chamar de B1 e B2, respectivamente. sempre terão o mesmo módulo, independentemente dos
externos devem ser usados para determinar a força Observe que cada fio se encontra imerso no campo valores das correntes, uma vez que formam um par de
magnética que atua sobre o fio. magnético criado pela corrente do outro fio. ação e reação.

78 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 79


Frente C Módulo 14 Força Magnética sobre Fios

O valor de cada campo pode ser determinado por:


EXERCÍCIO RESOLVIDO Os outros fios, BC e AD, acham-se paralelos às linhas do
campo e, por isso, não sofrem ações de forças magnéticas.
Quando se quer inverter o sentido de rotação do motor,
basta trocar a polaridade da bateria. Dessa forma, o carrinho
I1
B1 = µ0. 02. Considere um solenoide formado por fios flexíveis e finos,
FAB
elétrico do nosso felizardo garotinho pode andar para frente
2πd S ou para trás.
de modo que se possa alterar, com facilidade, as suas Eixo I
dimensões. Ele é apoiado sobre uma mesa sem atrito C
I2 Naturalmente, para se obter torques mais elevados,
B2 = µ0. e existe ar dentro dele. Ao ser ligado a uma bateria, B D
2πd os motores elétricos são dotados de uma grande quantidade
uma corrente percorre os anéis do solenoide. Discutir as
A de espiras enroladas em torno do rotor – parte mecânica
A força sobre cada fio pode ser calculada por: alterações que vão ocorrer nas dimensões do solenoide N I Eixo
FCD que dá sustentação aos fios – em forma de bobinas.
devido à passagem da corrente elétrica.
Ch Isso faz com que cada fio sofra ação de uma força magnética,
F21 = B2.I1.L e F12 = B1.I2.L
+ o que produz um torque resultante elevado no motor.

Substituindo os valores dos campos, temos: Veja, a seguir, um corte lateral em um motor com algumas
Devido às forças FAB e FCD, a espira sofre um torque espiras enroladas em torno do rotor. Considere que o campo
I2 µ0 I1. I2 magnético esteja orientado conforme mostrado na figura.
F21 = µ0. I1.L = . L (binário de forças) no sentido horário e começa a girar
2πd 2π d + – em torno do eixo nesse sentido. Esse é o princípio básico A corrente entra no motor pelos fios à esquerda e sai pelos
de funcionamento dos motores elétricos e dos medidores fios à direita. Os fios superior e inferior não contribuem para
I1 µ I .I Resolução:
F12 = µ 0. I .L = 0 . 1 2 L (galvanômetro) de quadro móvel, descritos a seguir. o torque (as forças apontam na direção do eixo de rotação
2πd 2 2π d do motor) e, por isso, as correntes não foram desenhadas.
Observe, a seguir, que cada anel é percorrido, tanto na
Motor de corrente contínua

FÍSICA
Observe que as duas equações anteriores são, exatamente, parte superior (onde estão indicadas as setas) quanto
as mesmas. Dessa forma, as duas forças (de atração na parte inferior (que está em contato com a mesa), F Eixo de
Assim que a espira da figura anterior completar meia volta,
ou de repulsão) entre os fios têm, de fato, o mesmo por correntes de mesmo sentido. Dessa forma, haverá rotação
os fios AB e CD trocarão de posições. A partir desse ponto,
módulo. Não há necessidade de se decorar tais equações. uma atração entre os anéis, e, assim, o comprimento do F
desde que a corrente, em cada fio, continue no mesmo
Quando precisar usá-las, você poderá fazer a dedução, solenoide ficará menor, ou seja, os anéis irão se aproximar. sentido, o torque se inverterá, passando a ser no sentido
conforme realizado anteriormente. Basta saber que as forças
anti-horário e retardando a rotação da espira.
magnéticas entre condutores são proporcionais ao produto F F B I F F I
das correntes e inversamente proporcionais à distância entre Para evitar isso, a cada meia volta da espira, a polaridade
os fios, ou seja: da fonte de tensão deve ser invertida. Nos motores
alimentados por corrente alternada, essa inversão de
polaridade da fonte se faz de forma natural. Nesse caso, F
I1.I2
F∝ para se obter torque sempre de mesmo sentido, basta haver
d I uma sincronização entre as frequências de rotação do motor F
e de alternância da corrente.
Condutores perpendiculares Agora, veja o que acontece com o raio de cada anel. Nos motores de corrente contínua, para se obter torque Nessa figura, foram indicadas apenas algumas forças
sempre favorável ao movimento, existem duas peças para não poluí-la. Nos motores comerciais, o campo
Considere dois fios de comprimento L, longos e finos, A figura a seguir mostra um dos anéis visto de frente.
muito importantes: as escovas (J e K) e o comutador (AB). magnético é radial ao eixo do motor (o ímã tem forma curva
perpendiculares um ao outro, isolados eletricamente e Note que a corrente, em pontos simétricos do anel,
O comutador é um pequeno cilindro condutor cortado ao acompanhando o rotor). Assim, cada espira fica submetida
percorridos por correntes elétricas I1 e I2. Sabemos que a possui sentidos contrários.
corrente, em cada fio, cria um campo magnético na região longo de seu comprimento e preenchido por um isolante. a forças perpendiculares aos fios, o que aumenta o torque.
onde está o outro, e que os fios exercem forças entre si. F F A figura seguinte mostra um modelo simplificado de um motor
No caso anterior, tais forças produziram atração ou repulsão alimentado por uma fonte de corrente contínua, com destaque Galvanômetro de quadro móvel
entre os fios. Veja, agora, o que vai acontecer. I I para as escovas e para o comutador. Veja que a corrente
Vários galvanômetros analógicos (de ponteiros) têm o
elétrica sempre entra pela escova J e sai pela escova K.
Na figura a seguir, já estão desenhados os campos funcionamento baseado no torque magnético. Nesse caso,
A espira PQNM tem suas extremidades soldadas às partes
magnéticos (obtidos pela regra da mão direita) e as forças o binário de forças nas espiras é usado para girar o ponteiro
I I condutoras do comutador (AB), que gira junto do motor.
magnéticas (desenhadas conforme a regra do tapa). desses aparelhos – que ficam presos ao rotor. As figuras a
Utilize as regras da mão direita e do tapa para conferir as seguir mostram um galvanômetro em corte, em que são vistos
S
direções e os sentidos dos campos e das forças. F F três espiras (que formam a bobina), o ponteiro, o ímã e uma
N
I J K mola espiral. Na figura (a), não há corrente passando pelo
B2 F21 M
Assim, haverá uma repulsão entre todas as partes do A B aparelho, o ponteiro está no meio da escala – trata-se de um
Q
anel, o que provoca um aumento no seu raio. Portanto, I I I galvanômetro de zero central –, e a mola não está deformada.
F12 J
o solenoide ficará mais curto e mais largo. A N
B1 I1
B K P F
+ –
I2 B1
O TORQUE MAGNÉTICO I V
I
F12
E SUAS APLICAÇÕES Quando a fonte é ligada, a corrente entra no motor pelo
S N S
I
N
F21 fio MN (através da parte A do comutador) e sai pelo fio QP.
B2
A figura a seguir mostra uma espira retangular ligada a Use a regra do tapa (o campo magnético aponta do norte
Observe que as forças F21 tendem a girar o fio vertical uma fonte de tensão. A espira é colocada em repouso no para o sul) e veja que o fio MN sofre ação de uma força –F
no sentido horário, e as forças F12 tendem a girar o fio interior de um campo magnético que aponta de norte para sul magnética para cima, e que o fio QP sofre ação de uma (a) (b)
horizontal no sentido anti-horário, provocando um alinhamento do ímã. Fechando-se a chave Ch, o circuito é percorrido por força para baixo. Após meia volta da espira, os fios terão
entre eles. As forças magnéticas atuam de forma a dispor os uma corrente elétrica, de forma que ela atravessa o fio CD de trocado de lugar. Assim, a corrente entra no motor pelo fio Na figura (b), uma corrente entra no aparelho pelos
fios, paralelamente, entre si e a fazer com que eles sejam D para C e o fio AB de B para A. Aplicando a regra do tapa, PQ (através do lado B do comutador) e sai pelo fio NM, o que fios da esquerda. O torque aplicado pela força magnética
percorridos por correntes de mesmo sentido. Se os fios puderem verificamos que o fio AB sofre uma força FAB voltada para cima, mantém o torque no mesmo sentido anterior. Dessa forma, gira o ponteiro no sentido horário. Agora, a mola está
girar livremente, é o que vai acontecer com eles. enquanto o fio CD sofre uma força FCD voltada para baixo. a rotação do motor é mantida sempre no sentido horário. deformada e exerce um torque em sentido oposto.

80 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 81


Frente C Módulo 14 Força Magnética sobre Fios

No momento em que os torques se equilibram, o ponteiro se


estabiliza e a leitura pode ser feita na escala do instrumento, – – D – – D
EXERCÍCIOS DE 03. (UFSM-RS) A figura representa uma espira ligada a uma
C C bateria por meio de uma chave S e imersa numa região
conforme a figura a seguir:
+ + – –
APRENDIZAGEM de campo magnético. Ao se ligar a chave S, a espira
tende a
– – + +
– – 01. (UECE) Considere o circuito formado pela associação
0 E V E V
-10 +10 + + em paralelo de dois resistores idênticos conectados a S
+ + – – Chave S
I I uma bateria. Suponha que a disposição dos fios e dos Z
– – + + componentes no circuito seja como a indicada na figura X

s seguir, com os fios no mesmo plano.


B + + A B + + A Y
I II – +
N
O que acontece com as cargas da figura anterior se um Bateria
campo magnético for aplicado perpendicularmente à placa?
Lembre-se de que o campo magnético não atua em cargas A) girar ao redor do eixo X, no sentido Y → Z.

Se o sentido da corrente for invertido, o torque magnético em repouso. Assim, apenas os prótons, na primeira figura, B) girar ao redor do eixo X, no sentido Z → Y.

FÍSICA
será oposto ao mostrado anteriormente. Assim, o ponteiro ou os elétrons, na segunda, sofreriam a ação de uma força C) se deslocar, sem girar, na direção do eixo Z.
gira para a esquerda. Esse tipo de galvanômetro, além de exercida pelo campo magnético. Sabemos que a força magnética D) escapar da região de campo ao longo do eixo X.
III
medir o valor da corrente, determina o sentido desta no desvia as cargas lateralmente. Considere as linhas de indução
E) escapar da região de campo ao longo do eixo Y.
circuito. entrando na folha de papel (para não poluir a figura, mostramos Se o circuito for colocado na presença de um campo
apenas uma linha do campo magnético). Veja, nas figuras a seguir, magnético com direção perpendicular ao plano da figura, 04. (UFSCar-SP) Quatro fios, submetidos a correntes
A CORRENTE ELÉTRICA o resultado desse deslocamento lateral. sobre os módulos das forças magnéticas FI, FII e FIII nos
contínuas de mesma intensidade e sentidos indicados
fios I, II e III, respectivamente, é correto afirmar-se que
NOS SÓLIDOS E
C – –D
E
C – –D
A) FI = FII > FIII. C) FI = FII = FIII.
na figura, são mantidos separados por meio de suportes
isolantes em forma de X, conforme figura.
F + – x F – + x
B) FI > FII > FIII. D) FI > FII = FIII.
Fizemos, em estudos anteriores, a convenção de que a corrente B
F + – B F – +
elétrica, em um condutor qualquer, era formada pelo movimento – –
+ – +
V
+
V 02. Um fio longo, percorrido por uma corrente convencional (I),
de cargas positivas – corrente convencional. Hoje, sabemos que, F F – +
I I está colocado num plano perpendicular à folha, 1
2
nos condutores sólidos, ela é formada pelo deslocamento de F + – – +
F saindo dela. Dois campos, um elétrico (sentido oeste-
elétrons. Quem descobriu isso, em 1879, foi o cientista E. H. Hall, 4 3
B + + A B + + A -leste) e outro magnético (sentido sul-norte), atuam na
no mesmo ano da experiência com raios catódicos (elétrons) região onde se encontra o fio. Os campos são uniformes,
feita por J. J. Thomson. A direção e o sentido da força magnética que atua em cada perpendiculares, e suas direções estão no plano da
uma das cargas em movimento foram obtidos com a regra do folha. O fio pode se deslocar para qualquer direção.
Vimos que o sentido da força magnética que atua em um
tapa (com a palma da mão para as cargas positivas e com as A respeito das forças que os campos exercem sobre o fio,
condutor, percorrido por corrente elétrica, independe de quem Observe as regiões indicadas.
costas da mão para as cargas negativas). dois estudantes assim se expressaram:
sejam os portadores de carga, ou seja, a força magnética
Primeiramente, observe que a força magnética resultante que B
externa que atua sobre o condutor é a mesma, seja a corrente I A J
atua na placa aponta para a esquerda (independentemente de 1 2
formada por cargas elétricas positivas ou negativas. N E
quais cargas estejam em movimento).
I E
Vamos agora descobrir, juntos, quem, na verdade, Depois, veja que, na primeira figura, o lado BC apresenta O L
se movimenta dentro de um condutor sólido (prótons ou excesso de cargas positivas e, na segunda, é o lado AD que D H F B
elétrons). Considere, a seguir, uma placa metálica ABCD ligada apresenta excesso de cargas positivas. Isso acontece porque S
G
a uma bateria. Observe que o lado AB está em um potencial as cargas em movimento sofrem a ação de forças magnéticas
que as desviam lateralmente. Dessa forma, existe uma 4 3
elétrico maior (polo positivo da pilha) e o lado CD, em um
Lalá: A resultante entre elas, na situação mostrada, M C L
diferença de potencial entre as laterais da placa. Hall mediu
menor potencial (polo negativo da pilha). Assim, um campo aponta na direção nordeste, pois a corrente
a diferença de potencial entre as laterais e concluiu que os
elétrico surge, dentro da placa, no sentido AB → CD. As cargas é a convencional. Entre dois suportes, os fios 1, 2, 3 e 4 tendem a se
portadores de carga da corrente elétrica nos sólidos são,
elétricas da placa se movimentam devido a esse campo, ou seja, Lulu: O fio tende a se deslocar para a esquerda, pois o movimentar, respectivamente, para as seguintes regiões
na verdade, elétrons. Dessa forma, a segunda figura apresenta
uma corrente elétrica flui através dela conforme indicado a seguir. campo magnético é maior do que o campo elétrico. do espaço
o que ocorre na realidade.
Na primeira figura, temos uma corrente convencional (movimento Fez (fizeram) afirmações corretas e pertinentes A) A; A; C; C.
Perceba, por último, que só é importante você usar a corrente
de cargas “positivas”) e, na segunda, uma corrente real ou B) A; B; C; E.
eletrônica se for necessário descobrir qual lateral ficará positiva A) Lalá, apenas.
eletrônica (movimento de elétrons). As setas brancas indicam o e qual estará negativa, ou se o exercício pedir a força magnética B) Lulu, apenas. C) E; E; G; G.
sentido do movimento das cargas (positivas, na primeira figura, sobre os elétrons. Para os outros casos, continue a usar a
C) os dois. D) I; J; L; M.
e negativas, na segunda). corrente convencional.
D) nenhum dos dois. E) D; B; B; D.

82 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 83


Frente C Módulo 14 Força Magnética sobre Fios

05. (UFRGS-RS–2016) No esquema da figura a seguir, o fio F, IV. O fio, na figura 2, se encurva para a direita, porque a Dessa maneira, a espira é capaz de girar em torno do eixo y. 03. (UDESC) A força entre dois fios condutores paralelos,
horizontalmente suspenso e fixo nos pontos de suporte P, corrente, i, flui para baixo e o campo B está orientado Entre as afirmativas a seguir, assinale a correta. perpendiculares ao plano da página, ambos com
passa entre os polos de um ímã, em que o campo para dentro do plano da página. c 10,0 m de comprimento e separados por 5,0 cm,
magnético é suposto horizontal e uniforme. O ímã, por sua V. O fio, na figura 2, se encurva para a direita, porque a N b d S y é de repulsão. A corrente elétrica em ambos é de 20,0 A.
vez, repousa sobre uma balança B, que registra seu peso. corrente, i, flui para baixo e o campo está orientado A alternativa que melhor representa a força é:
x
para a direita. TA
P F S P i i Dado: µo = 4π . 10−7
m
N
07. (UPE) Um condutor retilíneo de comprimento l,
A) A força magnética resultante na espira é zero, porém
percorrido por uma corrente elétrica i, é imerso em um F F
o torque resultante é diferente de zero. A) |F| = 8,00 . 10–4 N
campo magnético uniforme B. Na figura a seguir estão
B) A força magnética nos lados b e d da espira é nula. i i
B disponibilizadas as seguintes situações I, II, III, IV e V:
C) O campo magnético na região da espira está no F
I.  IV. B sentido negativo de x. B) |F| = 8,00 . 10–4 N i i
+ –
C  D) A força magnética nos lados a e c da espira é diferente F
V i B em módulo.
i F F
C) |F| = 16,00 . 10–3 N
Assinale a alternativa que preenche corretamente i i

FÍSICA
as lacunas do enunciado a seguir, na ordem em que EXERCÍCIOS F
aparecem. II. V.
Em dado instante, a chave C é fechada, e uma corrente

B i
PROPOSTOS D) |F| = 16,00 . 10–3 N i i
 F
elétrica circula pelo fio. O fio sofre uma força vertical,
01. (UFAL) Numa certa região, o campo magnético gerado
F F
_______, e o registro na balança _______. i
pela Terra possui uma componente B x paralela à E) |F| = 16,00 . 10–5 N
A) para baixo – não se altera B superfície terrestre, com intensidade de 2 . 10–5 T, i i

B) para baixo – aumenta e uma componente Bz perpendicular à superfície terrestre,


III. 
com intensidade de 5 . 10–5 T. Nessa região, uma linha 04. (Mackenzie-SP) Dois fios condutores (1) e (2), muito
C) para baixo – diminui de transmissão paralela à componente Bx é percorrida longos e paralelos são percorridos por correntes elétricas
D) para cima – aumenta i B por uma corrente elétrica de 5 000 A. A força magnética i1 e i2, respectivamente, e sentidos opostos e situados
por unidade de comprimento que o campo magnético no plano horizontal. A figura a seguir mostra a secção
E) para cima – diminui
terrestre exerce sobre essa linha de transmissão possui transversal desses condutores, em que a corrente elétrica
Nessas condições, o conjunto que melhor representa o intensidade igual a i1 está saindo da página e a corrente elétrica i2 está
06. (UFPB) Em um laboratório de Física, o professor,
sentido da força magnética que atua sobre o condutor entrando na página.
A) 0,10 N/m. D) 2,5 N/m.
depois de expor aos seus alunos a teoria dos efeitos de nos itens I, II, III, IV e V, respectivamente, é: B) 0,25 N/m. E) 10 N/m. (1) (2)
campos magnéticos sobre fios condutores, realiza dois
experimentos e pede para que os alunos, embasados na A) I II III IV V C) 1,0 N/m.
i1 i2
teoria exposta, expliquem os resultados. Um fio vertical,
flexível e com as extremidades fixas, por onde pode, 02. (FPS-PE–2015) Um fio condutor retilíneo tem comprimento A melhor representação vetorial da força magnética (Fm)
L = 16 metros e transporta uma corrente elétrica contínua, e do campo de indução magnética (B) agentes sobre o
ou não, estar passando uma corrente elétrica, i,
igual a I = 0,5 A, em um local onde existe um campo fio condutor (1) é:
é colocado na presença de um campo magnético B. B) I II III IV V
magnético perpendicular e uniforme, cujo módulo vale
No experimento representado na figura 1, o fio não se A) B D) F
B = 0,25 Tesla, conforme indica a figura a seguir. m
encurva; enquanto que, no experimento representado na O módulo da força magnética exercida pelo campo
figura 2, o fio se encurva para a direita. magnético sobre o fio será:
Fm B
C) I II III IV V
I
B) B E) F B
m

Fm

B D) I II III IV V
B C) Fm
Figura 1 Figura 2

L B
Com base no que foi exposto, os estudantes forneceram B
cinco explicações. Identifique as que são compatíveis E) I II III IV V
com os experimentos. 05. (EEAR-SP–2017) Dois condutores paralelos extensos
I. O fio, na figura 1, não se encurva, porque não passa são percorridos por correntes de intensidades i1 = 3 A e
i2 = 7 A. Sabendo-se que a distância entre os centros
corrente elétrica por ele.
dos dois condutores é de 15 cm, qual a intensidade da
II. O fio, na figura 1, não se encurva, porque a orientação força magnética por unidade de comprimento entre eles,
08. (Unimontes-MG–2015) Na figura a seguir, temos um I
de B é paralela à orientação da corrente. em µ.N/m?
modelo muito simplificado de um motor de corrente
III. O fio, na figura 2, se encurva para a direita, porque a contínua, como os motores de arranque dos automóveis. T. m
Adote: µ0 = 4π .10−7
corrente, i, flui para cima e o campo B está orientado Uma espira retangular, que está sendo percorrida por uma A) 0,2 N. C) 200 N. E) 2 N. A
para fora do plano da página. corrente i, foi colocada numa região de campo magnético. B) 20 N. D) 10 N. A) 56 B) 42 C) 28 D) 14

84 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 85


Frente C Módulo 14 Força Magnética sobre Fios

06. (UFSC) A figura a seguir mostra quatro fios, 1, 2, 3 e 4, Polo X Considerando a imensidade da aceleração da gravidade A intensidade do campo magnético, para que o dispositivo
p e r c o r r i d o s p o r c o r r e n t e s d e m e s m o m ó d u l o, g = 10 m/s2, a intensidade da força de tração em cada funcione corretamente, é de
colocados nos vértices de um quadrado, perpendicularmente corda é de A) 5 . 10-1 T. C) 5 . 101 T. E) 2 . 100 T.
ao plano da página. Os fios 1, 2 e 3 têm correntes saindo Dados: cos 60° = 0,50 B) 5 . 10 T.
-2
D) 2 . 10 T.
-2
da página e o fio 4 tem uma corrente entrando na página.
Terminais 1 sen 60° = 0,87
2 3 Noroeste Norte Nordeste da bateria 2 A) 0,01 N. D) 0,04 N. 02.
B) 0,02 N. E) 0,05 N. Princípios básicos sobre as railguns
Oeste Leste
C) 0,03 N. (Canhões “elétricos”)

Sudoeste Sudeste Polo Y Railguns são canhões elétricos que disparam projéteis a
Sul
1 4 11. (EsPCEx-SP–2016) A figura a seguir representa um fio altas velocidades. Basicamente, uma railgun é um circuito
Para que a espira gire no sentido anti-horário, o terminal 1
condutor homogêneo rígido, de comprimento L e massa M, elétrico constituído por uma fonte de energia, um par
Com base na figura, assinale a(s) proposição(ões) da bateria, o polo X do ímã e o sentido do campo
que está em um local onde a aceleração da gravidade g. de trilhos condutores e uma armação móvel, também
correta(s). magnético criado pelo ímã devem ser, respectivamente,
O fio é sustentado por duas molas ideais, isolantes e, cada condutora, que é capaz de correr sobre os trilhos. Quando
01. O campo magnético resultante que atua no fio 4 A) positivo, sul e do polo Y para o polo X. uma, de constante elástica k. O fio condutor está imerso a fonte de energia é acionada, a armação é acelerada na
aponta para o leste. B) positivo, norte e do polo X para o polo Y. em um campo magnético uniforme de intensidade B, direção oposta da fonte de alimentação.
02. A força magnética resultante sobre o fio 4 aponta perpendicular ao plano da página e saindo dela, que age
C) negativo, sul e do polo X para o polo Y.

FÍSICA
para o sudeste. sobre o condutor, mas não sobre as molas. Railguns – Partes principais
D) negativo, norte e do polo Y para o polo X. Fonte de
04. Os fios 1 e 3 repelem-se mutuamente. Uma corrente elétrica i passa pelo condutor e, após
alimentação
08. A força magnética que o fio 2 exerce no fio 3 é maior o equilíbrio do sistema, cada mola apresentará uma Gerador
09. (CEFET-MG) Duas barras idênticas, retilíneas e rígidas, deformação de:
pulsada
do que a força magnética que o fio 1 exerce no fio 3. de força
de comprimentos L1 = L2 = 1,0 m e massas
16. O campo magnético resultante que atua no fio 2 m1 = m2 = 2,0 . 10–2 g, estão suspensas por fios de
aponta para o sudoeste. seda inextensíveis. Ao serem percorridas por correntes g
k k
32. O campo magnético resultante no centro do quadrado elétricas de intensidades I1 = I2 = 1,0 A, de sentidos Projétil
aponta para o leste. contrários, elas repelem-se, mantendo uma separação de B Fio condutor Armação
1,0 mm entre si. Considere m0 = 4p . 10–7 N/A2. i
Soma ( )
L2
07. (PUC RS–2015) A figura a seguir mostra a posição inicial
L1 L
de uma espira retangular acoplada a um eixo de rotação, Vista Trilhos
sob a ação de um campo magnético originado por imãs lateral Mg + 2k k 2k + BiL condutores
permanentes, e percorrida por uma corrente elétrica. 1,00 m A) C) E)
BiL 2(Mg + BiL) Mg
A circulação dessa corrente determina o aparecimento de Vista A figura a seguir apresenta o esquema básico da railgun.
um par de forças na espira, que tende a movimentá-la. frontal BiL Mg + BiL Nele, a haste MN, condutora, está em contato com os
L1 L2 B) D)
Mg + 2k 2k trilhos horizontais. Quando a fonte de alimentação é ligada
1,00 mm aos pontos A e B, a haste é disparada levando o projétil
N S consigo. Isso acontece porque a corrente elétrica que
Frente Frente
O ângulo entre os fios de seda que sustentam as barras
é igual a
SEÇÃO ENEM circula pelos trilhos (AM e BN) cria um campo magnético
que interage com a corrente que circula na haste.
i i A) 15°. C) 45°. E) 90°. 01. (Enem) Desenvolve-se um dispositivo para abrir M
Projétil
B) 30°. D) 60°. automaticamente uma porta no qual um botão,
A
quando acionado, faz com que uma corrente elétrica
Em relação aos fenômenos físicos observados pela B
i = 6 A percorra uma barra condutora de comprimento
interação dos campos magnéticos originados pelos imãs 10. (EsPCEx-SP–2015) Em uma espira condutora triangular
L = 5 cm, cujo ponto médio está preso a uma mola
e pela corrente elétrica, é correto afirmar que equilátera, rígida e homogênea, com lado medindo 18 cm N
de constante elástica k = 5 . 10–2 N/cm. O sistema
A) o vetor indução magnética sobre a espira está e massa igual a 4,0 g, circula uma corrente i de 6,0 A, Para que o projétil seja disparado para a direita, na figura
mola-condutor está imerso em um campo magnético
orientado do polo S para o polo N. no sentido anti-horário. A espira está presa ao teto por anterior, a fonte de alimentação ligada aos pontos A e B
uniforme perpendicular ao plano. Quando acionado
B) o vetor indução magnética muda o sentido da duas cordas isolantes, ideais e de comprimento iguais, de A) deve ser, necessariamente, contínua, e o campo
o botão, a barra sairá da posição de equilíbrio a uma
orientação enquanto a espira se move. modo que todo o conjunto fique em equilíbrio, num plano magnético criado pela corrente que circula nos trilhos
velocidade média de 5 m/s e atingirá a catraca em
vertical. Na mesma região, existe um campo magnético deve ser perpendicular ao plano da railgun.
C) a espira, percorrida pela corrente i, tende a mover-se 6 milisegundos, abrindo a porta.
uniforme de intensidade B = 0,05 T que atravessa B) deve ser, necessariamente, contínua, e o campo
no sentido horário quando vista de frente.
perpendicularmente o plano da espira, conforme indicado Catraca x B magnético criado pela corrente que circula nos trilhos
D) a força magnética que atua no lado da espira próximo no desenho a seguir. Fio deve ser paralelo ao plano da railgun.
ao polo N tem orientação vertical para baixo.
Cordas isolantes C) deve ser, necessariamente, alternada, e o campo
E) a força magnética que atua no lado da espira próximo x
Teto x x magnético criado pela corrente que circula nos trilhos
ao polo S tem orientação vertical para cima. i
x x x x x K deve ser perpendicular ao plano da railgun.

08. (CMMG) A figura a seguir mostra o esquema básico de v L D) pode ser contínua ou alternada, e o campo magnético
6 cm 6 cm 6 cm
um motor de corrente contínua, que converte a corrente x x i x x x Mola criado pela corrente que circula nos trilhos deve ser
60° i 60° perpendicular ao plano da railgun.
elétrica da bateria em trabalho de girar uma espira que g x x x x x
está inserida em um campo magnético gerado pelo ímã. i 60° i Isolante E) pode ser contínua ou alternada, e o campo magnético
As setas representam o sentido das forças magnéticas, criado pela corrente que circula nos trilhos deve ser
x (cm) C 0
que atuam na espira para fazê-la girar. paralelo ao plano da railgun.

86 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 87


Frente C Módulo 14

03. Um motor elétrico bem simples pode ser construído em


GABARITO Meu aproveitamento
casa usando uma pilha de 1,5 V, um ímã, um suporte de
madeira, fio esmaltado para a bobina, arames e pregos.
Esse motor foi inventado em 1833 pelo inglês W. Ritchie.
Aprendizagem Acertei ______ Errei ______
A figura a seguir mostra a montagem descrita.
• 01. D
• 02. D
• 03. A
• 04. A
• 05. D
• 06. I, II, III e IV
• 07. D
• 08. A
O fio esmaltado deve ser enrolado na forma de uma Propostos Acertei ______ Errei ______
bobina e as suas extremidades devem ficar em contato
com o arame que estará ligado aos polos da bateria. • 01. B
Para que o motor possa funcionar, as extremidades do
fio da bobina devem ser raspadas de modo a retirar • 02. E
o esmalte. Entretanto, para que o motor funcione de
forma efetiva e possa girar em alta rotação, uma das • 03. C
extremidades do fio deve ser raspada apenas de um
dos lados, mantendo o esmalte no outro. Para colocar o
• 04. B
motor em funcionamento, basta dar uma rotação inicial,
e a força magnética nos fios da bobina produz o torque
• 05. C
necessário para o movimento. Raspar apenas uma das • 06. Soma = 26
metades de um dos fios é necessário porque isso

A) reduz o consumo de energia à metade, uma vez que • 07. C


a corrente elétrica não circula pelo motor quando a
metade isolada do fio está em contato com o arame.
• 08. B
B) faz com que a força magnética que atua em cada fio • 09. E
da bobina tenha seu valor dobrado em relação ao fio
todo descascado. • 10. B
C) permite que o torque da força magnética sobre a
bobina seja sempre no mesmo sentido de rotação,
• 11. D
o que não aconteceria com o fio todo descascado.

D) aumenta a resistência da bobina e reduz o valor


Seção Enem Acertei ______ Errei ______
da corrente elétrica. Com isso, a força magnética
aumenta de valor e aumenta a frequência de rotação • 01. A
• 02. D
do motor.

E) transforma a corrente elétrica fornecida pela pilha em


alternada, e isso permite que o torque exercido pela • 03. C
força magnética seja sempre no mesmo sentido de
rotação. Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

88 Coleção 6V
FRENTE MÓDULO

FÍSICA C 15
Indução Eletromagnética e Transformadores
Em 1820, Oersted descobriu que uma corrente Analisando a figura, percebemos que o número de linhas
elétrica gera um campo magnético. Em 1831, o cientista de indução magnética que atravessam a bobina se altera
Michael Faraday observou que o fenômeno contrário também quando o ímã se movimenta em relação a ela. Quando o ímã
é possível. Ele percebeu que, em determinadas condições, é aproximado da bobina, o número de linhas que a penetram
um campo magnético é capaz de produzir corrente elétrica. aumenta. Quando ele é afastado, o número de linhas que
Essa descoberta é conhecida como a Lei da Indução
a “furam” diminui. Com o ímã parado diante da bobina,
Eletromagnética, um dos legados da Física que mais auxiliou
o número de linhas que a atravessam não é alterado.
o homem na busca de novas tecnologias.
Assim, Faraday chegou à seguinte conclusão:
O presente módulo está dividido em duas partes.
Na primeira delas, vamos apresentar os fundamentos da Lei
Um campo magnético produz corrente elétrica em uma
da Indução Eletromagnética. Na segunda, vamos abordar
bobina, por exemplo, desde que o número de linhas de
duas aplicações importantes dessa lei: o gerador de corrente indução magnética que atravessam o circuito esteja variando
elétrica alternada e o transformador elétrico. Também vamos com o tempo.
discutir a geração e a transmissão de energia elétrica nas
grandes usinas de eletricidade. Você vai aprender que
todas essas usinas (hidroelétricas, como Itaipu e Furnas, O fluxo magnético (ϕ)
ou termoelétricas, como Igarapé e Angra I e II) funcionam
com base no fenômeno da indução eletromagnética. Para entender a Lei da Indução Eletromagnética,
é necessário definir uma grandeza chamada fluxo magnético (ϕ).
O fluxo magnético é proporcional ao número de linhas de
A INDUÇÃO indução que atravessam uma determinada superfície
a cada instante (em geral, a superfície de uma espira).
ELETROMAGNÉTICA
Para que possamos entender o conceito de fluxo magnético
A figura seguinte ilustra uma das experiências realizadas com mais facilidade, vamos, antes, entender o significado de
por Faraday durante suas pesquisas. Nesse caso, ele um fluxo de gotas de água. Imagine que você precisa coletar
construiu um circuito que tinha uma bobina com algumas água da chuva em um recipiente. Vamos juntos responder à
voltas de fio. O amperímetro de zero central servia para seguinte pergunta: quais são as grandezas que determinam
detectar a presença de corrente elétrica no circuito. o número de gotas de chuva que atravessam a “boca”
Quando ele aproximava o ímã, rapidamente, da bobina,
do recipiente a cada instante? Fácil, concorda? Primeiro,
verificava desvio no ponteiro do aparelho, indicando
a intensidade da chuva. Chuva mais forte tem maior número
passagem de corrente elétrica pelo circuito. Quando o ímã
de gotas por metro quadrado. Segundo, a área da “boca”
era, rapidamente, afastado, o ponteiro se desviava para
da vasilha. Um recipiente de bocal mais largo coleta maior
o outro lado, indicando uma corrente elétrica em sentido
quantidade de gotas a cada instante. E, por último, o ângulo
oposto ao anterior. Mantendo o ímã parado diante da bobina,
nenhuma corrente era observada. da “boca” do recipiente em relação à chuva. Se o bocal
é colocado perpendicularmente ao movimento da chuva,
I o número de gotas recolhidas é grande. Ao contrário, se
0
Ímã se aproxima girarmos o recipiente, de modo que a “boca” fique paralela
–10 +10
das espiras à chuva, nenhuma gota é recolhida pela vasilha.

N S O mesmo acontece com o fluxo magnético. A intensidade


do campo magnético externo (chamado campo indutor)
interfere no valor do fluxo, pois um campo magnético mais
I
intenso corresponde a linhas de indução mais concentradas.

Bernoulli Sistema de Ensino 89


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

Por isso, na figura a seguir, a primeira espira, que se encontra O ângulo θ é o ângulo formado entre o vetor campo Variação do ângulo (∆θ)
em um campo magnético mais intenso (|B 1| > |B 2|), magnético e um vetor imaginário normal à superfície da
está sujeita a um fluxo magnético maior. O número de linhas espira (figura a seguir). Para θ = 0°, a espira apresenta B Considere uma espira colocada de frente para um ímã e
que atravessam a espira da esquerda (20) é maior do que a sua face perpendicular às linhas do campo. Nesse caso, três eixos de rotação possíveis (x, y e z), conforme mostrado
o número de linhas que atravessam a espira da direita (6). o fluxo magnético é máximo e igual a B.A, pois cos 0° = 1. a seguir. Os eixos x e y estão no plano da folha, e o eixo z é
S N perpendicular a ela e para fora desta. Observe que o campo
Para θ = 90°, a face da espira é paralela às linhas de indução
B1 B2 magnético atravessa a espira perpendicularmente ao plano
e o fluxo magnético é nulo, pois cos 90° = 0.
Vetor normal formado por ela, e, por isso, o fluxo magnético é máximo.
Se girarmos a espira em torno do eixo x, ela continuará
perpendicular ao campo, e o fluxo continuará máximo, sem
Campo sofrer alteração. Mas, se a rotação for em torno dos eixos y
magnético
Se o ímã e a espira se aproximam, seja pelo movimento ou z, após um quarto de volta, a espira estará paralela ao
dele, dela ou de ambos, o campo magnético que “fura” a campo, e o fluxo magnético através dela será nulo. Veja,
θ
Assim como a intensidade do campo, a área (A) da espira espira é mais intenso, e, assim, o fluxo magnético aumenta. portanto, que a rotação em torno de y ou z faz variar o fluxo
também influencia o valor do fluxo magnético. A figura Se, ao contrário, eles se afastam, o campo magnético é magnético na espira.
seguinte mostra duas espiras dentro de um mesmo campo menos intenso, e o fluxo magnético diminui. Observe que
A unidade de fluxo magnético no SI é o weber (Wb), y
magnético uniforme, no qual elas apresentam suas faces o número de linhas de indução que atravessam a espira

FÍSICA
em homenagem ao cientista alemão Wilhelm Weber. Um fluxo
perpendiculares às linhas de indução do campo magnético. diminui à medida que esta é afastada do ímã. O mesmo efeito
magnético de 1,0 Wb corresponde a determinado número de
Naturalmente, a primeira espira, de área maior, apresenta seria obtido mantendo-se a espira sempre dentro do campo
linhas de indução através de um circuito. Se o fluxo passar
o maior valor de fluxo magnético, pois ela é “perfurada” do ímã, se o ímã fosse deslocado, paralelamente à espira,
para 2,0 Wb, por exemplo, o número de linhas de indução B x
por um maior número de linhas de indução (20) do que a para cima, para baixo, para a direita ou para a esquerda.
que atravessam a área daquele circuito terá dobrado. S N
espira menor (6). A variação de fluxo também poderia ser obtida deslocando-se
Vimos, anteriormente, que a unidade de medida a espira da mesma forma.
B
do campo magnético era U(B) = N/A.m = T (tesla).
z
Usando a definição de fluxo, podemos obter outra unidade Variação da área da espira (∆A)
para o campo magnético no SI. Veja a seguir:
Podemos variar a área da espira de duas formas.
ϕ = [Link] θ ⇒ B = ϕ/([Link] θ) ⇒ U(B) = Wb/m2 = T Primeiramente, alternando literalmente o tamanho da espira, A LEI DA INDUÇÃO
Assim, as duas unidades são idênticas, ou seja,
conforme mostrado na figura a seguir. Veja que, puxando
a extremidade livre do fio, a área da espira fica menor,
DE FARADAY
Wb/m2 = N/A.m = T. Podemos usar qualquer uma delas para
e o fluxo através dela diminui. Conhecendo o conceito de fluxo magnético e suas
medir o campo magnético.
A figura a seguir representa uma espira quadrada sendo possíveis variações, podemos expressar a Lei da Indução
girada dentro de um campo magnético. Na figura à esquerda
(espira paralela ao campo), o fluxo magnético vale zero,
A variação do fluxo magnético (∆ϕ) B B
Eletromagnética de Faraday da seguinte forma:

pois nenhuma linha de indução “fura” a superfície da espira. Vimos, na experiência de Faraday, que o medidor indicava Toda vez que o fluxo magnético externo que atravessa um
Na figura do centro, existe um pequeno fluxo magnético, a passagem de corrente pelas espiras quando havia uma circuito fechado VARIAR com o passar do tempo, surgirá,
mas é na figura à direita (espira perpendicular ao campo variação do fluxo magnético. Uma vez que a definição no circuito, uma força eletromotriz induzida e, portanto,
magnético) que o fluxo é máximo, pois, nesse caso, de fluxo envolve três grandezas (campo, área e ângulo), uma corrente elétrica induzida.
a superfície da espira é “perfurada” pelo maior número de a variação do fluxo pode ser conseguida por meio da
linhas de indução magnética possível. variação de qualquer uma dessas grandezas. Vamos analisar Segundo, alterando a área da espira sujeita ao campo. O valor médio da força eletromotriz induzida (também
alguns casos. Na figura seguinte, uma espira de área definida se desloca chamada de eletromotância induzida) é dado por:
B B B
entrando e saindo de uma região na qual existe um campo
Variação do campo magnético (∆B) magnético. A parte cinza mostra a área da espira sujeita  ∆ϕ 
ao campo. Veja que, quando a espira entra no campo, εI = N  
Considere um fio reto, uma espira ou um solenoide  ∆t 
percorrido por corrente elétrica. Em cada ponto próximo o fluxo magnético aumenta; quando ela se movimenta,
a eles, existe um campo magnético. Se a corrente elétrica estando totalmente dentro do campo, o fluxo é constante;
quando a espira deixa a região onde há o campo magnético, Na equação anterior, N é o número de espiras, ∆ϕ é a variação
aumentar ou diminuir, o valor do campo magnético será mais
o fluxo diminui. sofrida pelo fluxo magnético e ∆t é o intervalo de tempo
ou menos intenso naquele ponto. Assim, podemos variar
Assim, o fluxo magnético em uma espira colocada em decorrido nessa variação.
o fluxo magnético, alterando o valor da corrente elétrica.
um campo magnético depende da intensidade do campo,
Isso produzirá uma variação do fluxo magnético através de Sabemos que a corrente elétrica pode ser calculada por
da área da espira e da inclinação desta em relação às linhas
uma espira colocada nessa região. I = ε/REQ. Dessa forma, a corrente induzida que surge num
de indução. Operacionalmente, o fluxo magnético é definido B circuito fechado de resistência constante vai depender do
pela seguinte expressão: Sabemos que um ímã apresenta um valor de campo
valor da f.e.m. induzida.
magnético bem definido em cada ponto próximo a ele.
ϕ = [Link] θ Assim, uma forma de variar o fluxo magnético em uma Veja, na equação anterior, que a f.e.m. induzida será tanto
espira, por exemplo, é alterar a distância entre ela e o ímã, maior quanto maiores forem dois fatores básicos:
Sendo B e A os valores do campo magnético e da conforme mostrado na figura seguinte. Nessa representação,
1. o número de espiras (voltas de fio) do circuito;
área da espira, respectivamente. O ângulo θ mede a usaremos apenas algumas linhas de indução magnética para
inclinação da espira em relação ao vetor campo magnético. não poluir muito a figura. 2. a taxa de variação temporal de fluxo (Δϕ/Δt).

90 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 91


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

EXERCÍCIO RESOLVIDO A LEI DE LENZ Vejamos, agora, um dos aspectos mais importantes das
leis de Faraday e de Lenz. Quando uma corrente passa
Na segunda figura, o campo externo está diminuindo, e foi
desenhado um campo induzido (BI) para cima – mesmo
01. Considere uma espira de resistência constante, por um resistor, existe conversão de energia elétrica sentido de BE.
sendo atravessada por um fluxo magnético hipotético que É muito comum encontrarmos a equação que determina em energia térmica (efeito Joule). Uma vez que surge
tem o seu valor, em função do tempo, dado pelo gráfico a a f.e.m. induzida escrita conforme a expressão a seguir: a corrente induzida e, consequentemente, a energia elétrica,
seguir. Nele, as curvas entre os instantes 2 e 4 são funções S
algum elemento presente no processo tem de realizar BE
quadráticas (2° grau). Analisar a variação temporal do  ∆ϕ  trabalho sobre o sistema (e “gastar” sua própria energia), BI
fluxo magnético e construir um gráfico qualitativo da εI = −N   P
intensidade da corrente elétrica induzida (II) que aparece  ∆t  de modo a conservar a energia total dos objetos envolvidos.
na espira em função do tempo. Procure, nas situações apresentadas de agora em diante, I Q
Observe o sinal negativo na expressão para a f.e.m. analisar todas as transformações de energia envolvidas – N 0
ϕ (Wb) induzida. Esse sinal existe para indicar que a variação de “quem gasta” qual forma de energia, e “quem ganha” qual
90 fluxo estabelece, em um circuito fechado, uma corrente tipo de energia.
elétrica induzida contrária à sua causa. Quem melhor
Veja a seguir a forma correta de se usar a Lei de Lenz.
60 interpretou esse aspecto da Lei de Faraday foi o físico
Um estudante aproxima e afasta um ímã de uma espira. S
russo Heinrich Lenz. Por isso, chamamos de Lei de Lenz
30 Nas situações 1 e 2, o polo norte do ímã está voltado para BE
a regra para determinar o sentido da corrente induzida, BI
a espira. Nas figuras 3 e 4, o polo sul está mais próximo P
que, em palavras, pode ser assim escrita:
da espira. Vamos determinar os sentidos da corrente
induzida na espira, vista por cima do ímã, nas quatro I Q

FÍSICA
0 1 2 3 4 Em um circuito fechado (espira ou bobina), a corrente elétrica N
t (s) situações apresentadas. 0
induzida apresenta um sentido que CONTRARIA a sua causa
Resolução: (que é a variação do fluxo magnético no circuito). Observe, nas duas primeiras figuras, que o campo externo
(do ímã) está apontado para baixo, e, nas outras duas,
A intensidade da corrente induzida na espira pode ser
calculada por II = εI/R = (N/R).(∆ϕ/∆t). Na situação A Lei de Lenz estabelece uma relação de sentidos entre dirigido para cima.
Usando a regra da mão direita, com o dedão no sentido
desse exercício, temos somente uma espira (N = 1) de os dois campos magnéticos presentes no fenômeno da Nas figuras 1 e 3, o ímã é aproximado da espira (o fluxo do campo induzido, percebemos que a corrente circula,
resistência elétrica constante. Assim, a corrente induzida indução eletromagnética: o campo magnético externo magnético através dela aumenta). Assim, desenhamos o na espira, de P para Q, na primeira situação, e de Q para P,
(II) é proporcional apenas à variação temporal do fluxo (criado, por exemplo, pelo ímã) e o campo magnético campo induzido (BI) em sentido oposto a BE. Use a regra na segunda. Observe que as correntes têm sentidos
(II  ∝  ∆ϕ/∆t). Em um gráfico de ϕ . t, a inclinação da da mão direita, com o dedão no sentido do campo induzido,
induzido (criado pela própria corrente induzida). Daqui para opostos, o que pode ser verificado na indicação do
curva é uma medida da variação de fluxo magnético. gire os quatro dedos em torno da espira e confira, nas figuras
frente, chamaremos o campo magnético externo de BE galvanômetro. Confira as figuras anteriores.
Dessa forma, a corrente induzida está relacionada com
e o campo magnético gerado pela corrente induzida de BI. 1 e 3 a seguir, os sentidos das correntes induzidas.
a inclinação da curva do gráfico. Para facilitar, lembre-se
de que, na Cinemática, o gráfico v . t era obtido a partir Para que a corrente induzida contrarie a sua causa, 1. 2. 3. 4.
da inclinação da curva do gráfico s . t.
Entre 0 e 1 s, o gráfico é uma reta. Logo, a inclinação
o seu sentido deve ser tal que:
v
S
v
S
v
N
v
N
ELETROMOTÂNCIA (F.E.M.)
1. Se o fluxo magnético aumenta, a corrente elétrica N N S S
do gráfico é constante, e a corrente induzida é também
constante.
induzida cria um campo BI contrário ao campo
externo BE, para tentar conter o aumento do fluxo e BE BE BE BE
INDUZIDA EM UM FIO
Entre 1 s e 2 s, o gráfico é uma reta de inclinação nula conservar a energia do sistema. BI BI
(não existe variação de fluxo). Dessa forma, a corrente BI BI
Podemos conseguir uma f.e.m. induzida sem que exista,
induzida é igual a zero. 2. Se o fluxo magnético diminui, a corrente elétrica necessariamente, um fluxo magnético variável no tempo.
I I I I
De 2 s a 3 s, a inclinação aumenta e, claro, a corrente induzida produz um campo BI no mesmo sentido do Considere um fio condutor (ou uma barra de metal) em
campo externo BE, na tentativa de conter a redução Observe agora que, nas situações 2 e 4, o ímã é afastado
induzida também aumenta. movimento uniforme, por exemplo, onde há um campo
do fluxo e conservar a energia do sistema. da espira (o fluxo magnético que a atravessa diminui).
Entre 3 s e 4 s, a inclinação diminui (tendendo a zero). magnético considerado uniforme. O material, sendo
Logo, vamos desenhar um campo induzido (BI) no mesmo
Assim, a corrente induzida também diminui, e tende A fim de encontrar, de forma mais fácil, o sentido da condutor, possui elétrons livres. Com o movimento do fio,
sentido de BE. Novamente com a regra da mão direita (dedão
a zero. corrente induzida em qualquer processo, vamos usar tais elétrons também estão em movimento em relação ao
no sentido de BI), determinamos os sentidos das correntes
II a seguinte ordenação de eventos (embora estes não induzidas, mostradas nas situações 2 e 4. campo. Assim, eles sofrem ação de uma força magnética
aconteçam nesta sequência): que os desloca, momentaneamente, dentro do condutor.
Assim, observaremos correntes induzidas no sentido
De acordo com a regra do tapa, os elétrons se deslocam
horário nas situações 2 e 3 e no sentido anti-horário nas
BE → ∆ϕ → BI → II situações 1 e 4. para cima. Veja na primeira figura a seguir:

0 1 2 3 4 t (s) Primeiramente, devemos descobrir o sentido do campo EXERCÍCIO RESOLVIDO Fm


magnético externo (chamado de campo indutor). A seguir, M Fm M
Observe a reta tangente à curva, no instante t = 3 s, precisamos observar a variação do fluxo (se ele está – –
02. Uma espira circular de extremidades PQ é colocada –
mostrada no gráfico de ϕ x t. Podemos perceber que ela aumentando ou diminuindo). Feito isso, devemos desenhar perpendicularmente aos polos de um solenoide (para –
é mais inclinada do que a reta que representa o valor o sentido do campo induzido (conforme a regra a seguir). Fe B
simplificar a figura, as espiras do solenoide não foram
do fluxo entre 0 e 1 s. Consequentemente, a corrente
Agora, basta colocar o dedão no sentido do campo induzido desenhadas). O campo do solenoide aponta para cima e
é maior naquele instante do que no primeiro intervalo.
Veja, ainda, que a variação de fluxo magnético foi a
e, usando a regra da mão direita, os quatro dedos indicarão o seu módulo pode ser variado. Determinar o sentido da
v Fm v E
mesma em todos os intervalos apresentados (30 Wb/s), o sentido da corrente induzida. corrente induzida na espira quando o campo do solenoide – B
à exceção do intervalo de 1 a 2 s, em que a variação do aumenta e, depois, diminui.
Resumindo:
fluxo foi nula. Isso quer dizer que a f.e.m. média induzida e,
Resolução: Fm
portanto, a corrente média induzida são as mesmas nos Se o fluxo magnético:
intervalos de 0 a 1 s, de 2 a 3 s e de 3 a 4 s. Porém, entre As figuras mostram a situação apresentada. Conhecemos
2 e 3 s e entre 3 e 4 s, a corrente deve ter valor máximo Aumenta → desenhar BI em sentido contrário a BE; o sentido do campo externo (para cima). Na primeira – +

maior que a média. Fica de dever de casa você explicar Diminui → desenhar BI no mesmo sentido de BE. figura, o campo está aumentando e, por isso, o campo + +

isso usando esse argumento. induzido (B I) aponta para baixo – contrário a B E. N N

92 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 93


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

Com o deslocamento dos elétrons livres, as extremidades


do fio ficam com cargas positivas localizadas em N, Q +
+
+ M GERADOR DE CORRENTE Por isso, o sentido da corrente induzida deve determinar
o surgimento de um campo magnético no mesmo sentido
e negativas em M. Isso faz com que um campo elétrico
(E), praticamente uniforme, aponte de baixo para cima
I v ALTERNADA do campo do ímã. Em relação a você, a corrente induzida
no circuito externo apresentará o sentido anti-horário,
(dentro do fio), conforme mostrado na figura anterior, à direita. sendo, portanto, invertida em relação à primeira análise
O deslocamento dos elétrons termina quando tais elétrons
FM FE Princípio de funcionamento que fizemos.
atingirem uma situação de equilíbrio, instante em que as εI A figura a seguir mostra o esquema de um gerador Você notou que a inversão da corrente elétrica, na bobina
forças elétrica e magnética se anulam. BE de corrente alternada simples. Esse dispositivo é uma do gerador da figura anterior, ocorre exatamente quando a
– – bobina que gira em um campo magnético uniforme. bobina passa por uma posição na qual o fluxo magnético
O fio com extremidades positiva e negativa equivale P – N Para simplificar a figura, representamos a bobina
a uma f.e.m. (ε) que aponta de M para N. Veja a seguir. é máximo? Isso significa que a corrente possui valor nulo
com apenas uma espira, embora, na prática, ela seja
Aplique a regra do tapa nas cargas livres da barra MN quando o fluxo é máximo. Não há nenhuma inconsistência
Considere a distância MN igual a L. Assim, a f.e.m. que constituída por centenas, ou até milhares, de voltas.
(que se deslocam para a direita com velocidade v, devido nesse fato, pois a corrente elétrica induzida depende da taxa
A bobina é acoplada a um eixo (não mostrado na figura).
aparece nas extremidades do fio pode ser calculada por: ao movimento da barra) e confirme que as extremidades de variação do fluxo magnético e não do fluxo propriamente
Esse eixo é acionado por uma fonte de energia mecânica,
FR = 0 (Fe = Fm) e ε = E.L (V = E.d) M e N ficam submetidas a uma f.e.m. induzida (eI), dito. Assim, quando o plano da bobina passa pelas posições
que pode ser uma turbina hidráulica, uma manivela
conforme indicado – positivo em M e negativo em N. Assim, manual ou outro dispositivo qualquer capaz de impor verticais, apesar de o fluxo magnético ser máximo,
E.q = B.q.v ⇒ E = B.v ⇒ ε/L = B.v ⇒
surge, como consequência da f.e.m. induzida, uma corrente rotação ao sistema. O circuito elétrico externo é constituído a taxa de variação desse fluxo é, nesse momento, nula.
ε = B.L.v elétrica induzida (I) na espira MNPQ, no sentido anti-horário.

FÍSICA
por uma carga, aqui representada pela resistência R.
M – – M
Use agora a regra do tapa na corrente que percorre a
barra e você verá que a força magnética é oposta à força
Os terminais da bobina são conectados ao circuito externo, TRANSFORMADOR
– por meio de anéis metálicos que giram junto da bobina.
do agente externo. Assim, o agente deve realizar trabalho
Esses anéis fazem um contato móvel e abrasivo com escovas
para deslocar a barra, “gastando” parte da sua energia no
de grafita fixadas no circuito externo.
Princípio de funcionamento
movimento. Tal energia “aparece”, na espira, na forma
de energia elétrica (que vai aquecer a espira), ou seja, Um transformador elétrico é um dispositivo usado para
houve transformação de energia mecânica (do agente Campo magnético modificar o valor de uma tensão alternada, aumentando-a ou
B
externo) em energia elétrica (na espira). diminuindo-a conforme a necessidade. Essa transformação
v
L Outra maneira de determinar o sentido da corrente é possível, porque a variação do campo magnético gerado
ε Escovas de grafita
induzida no circuito é observar a variação do fluxo por por uma corrente alternada é capaz de induzir uma f.e.m.
N em um circuito vizinho. O princípio de funcionamento
meio da espira. Veja que a barra está se deslocando para
Corrente CA de um transformador, portanto, é baseado na Lei da
a direita. Assim, o fluxo magnético aumenta com o tempo S
(a área da espira MNPQ, sujeita ao campo, aumenta). Indução Eletromagnética.
Assim, basta desenhar um campo induzido (BI) oposto
+ A figura a seguir mostra um transformador padrão.
ao campo externo (BE). Veja a seguir:
N + +
N Bobina O equipamento é constituído por duas bobinas independentes,
Q M R enroladas em torno de um núcleo de ferro (na forma da letra O).
Se uma lâmpada for, convenientemente, conectada entre Anéis coletores Uma das bobinas é alimentada por uma fonte de tensão
os pontos M e N, ela será percorrida por uma corrente elétrica I v
alternada e é denominada bobina ou enrolamento do circuito
como se o fio MN (ou a barra) fosse uma genuína bateria. primário. A outra é a bobina ou enrolamento do circuito
BI FE secundário. As bobinas dos circuitos primário e secundário
Quando uma corrente elétrica é produzida por uma pilha Enquanto a bobina gira, o fluxo magnético em seu interior
ou por uma bateria, a energia química se transforma em varia. Segundo a Lei de Faraday, uma força eletromotriz é possuem N1 e N2 espiras, respectivamente. Para facilitar o
energia elétrica. No caso da geração de corrente elétrica induzida entre os terminais da bobina, e uma corrente elétrica entendimento da figura seguinte, representamos as bobinas
BE
flui através do circuito. Essa corrente é alternada, isto é, ora com poucas espiras, embora, na prática, os transformadores
induzida, utilizando as leis de Faraday e de Lenz, ela surge
P N ela percorre o circuito em um sentido, ora em sentido oposto. sejam fabricados com centenas e até milhares delas.
como consequência da transformação de energia mecânica
em energia elétrica. A seguir, vamos apresentar um exemplo Por isso, o gerador de CA também é conhecido como
Se você apontar o dedão da mão direita no sentido do alternador. Para entender isso, considere o instante mostrado
que nos permitirá compreender melhor tal transformação
campo induzido (aponte para os seus olhos) e girar a mão na figura e observe que o plano da bobina se acha em posição
de energia. em torno dele, os quatro dedos da mão indicarão o sentido horizontal. Nessa condição, o fluxo magnético vale zero, pois
da corrente induzida, conforme mostrado. O restante da não há nenhuma linha de campo magnético passando através
discussão é idêntico ao da primeira solução e será omitido.
EXERCÍCIO RESOLVIDO Observação: Despreze quaisquer tipos de atrito na
da área da bobina. À medida que a bobina gira e o seu
plano começa a se inclinar, a área da bobina é perfurada por
análise a seguir. O que aconteceria com a barra do algumas linhas de campo magnético, e o fluxo magnético,
03. Seja uma barra metálica (MN) apoiada sobre suportes exemplo anterior se o agente externo deixasse de em seu interior, começa a aumentar. Nesse caso, de acordo
condutores. Ela é puxada para a direita por um agente fazer força ou se a barra tivesse sido lançada sobre com a Lei de Lenz, a corrente induzida tem um sentido que
externo, por meio de uma força FE, e se desloca com os suportes condutores? Veja, no Exercício Resolvido, determina o surgimento de um campo magnético de sentido Enrolamento do
velocidade constante, numa região onde o campo o sentido da força magnética que atua na barra – em oposto ao do campo indutor (campo do ímã). Aplique você Enrolamento do secundário
magnético externo (BE) é perpendicular ao sistema. sentido oposto ao movimento dela. Dessa forma, a mesmo a regra da mão direita e veja que essa corrente tem o primário
Determinar os sentidos da corrente induzida e da força barra tende ao repouso, ou seja, a força magnética sentido horário em relação a você, percorrendo a resistência
magnética que atuam na barra e as transformações de que surge como consequência da corrente induzida é R no sentido indicado na figura anterior. S1
S2
energia envolvidas nessa situação. sempre oposta ao movimento que gerou essa corrente.
Assim, dizemos que essa força tende a neutralizar a ação Agora, considere que a bobina da figura anterior tenha Fonte
Resolução: acabado de completar 1/4 de volta em relação à posição V1 V2 R
que gera a corrente induzida – outra forma de expor a de CA
O sentido da corrente induzida pode ser determinado de Lei de Lenz. A esse fenômeno, damos o nome de Frenagem mostrada na figura. Nesse novo instante, o plano da bobina está
duas maneiras. Primeiro, determinando-se a f.e.m. induzida Eletromagnética. Ele é o responsável, por exemplo, passando pela posição vertical, e o fluxo magnético é máximo.
na barra, como foi feito no tópico anterior. Veja a seguir: pela redução de velocidade dos famosos trens-balas. À medida que a espira continua a girar, o fluxo diminui.

94 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 95


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

Quando uma tensão alternada V1 é aplicada no circuito Alimentado por uma tensão V1 = 120 V de uma tomada, Agora, vamos considerar que o rendimento desse mesmo A figura seguinte mostra o corte de uma usina
primário, uma tensão V2, também alternada, é induzida esse transformador abaixa a tensão para V 2 = 12 V. transformador seja η = 0,80 (rendimento de 80%). hidroelétrica. Nesse tipo de usina, a energia potencial
no circuito secundário. Para N2 > N1, a variação de fluxo Nesse caso, se o número de espiras no primário for N1 = 500, A tensão V2 continuará sendo 12 V, e a corrente na resistência gravitacional da água armazenada na represa é convertida
magnético no circuito secundário é grande, e a tensão de então o número de espiras no secundário deverá ser N2 = 50, também continuará sendo 1,2 A (por quê?), mas a corrente
pois a relação V2/V1 é igual a 1/10. em energia cinética de rotação do eixo da turbina
saída V2 é maior que a tensão de entrada V1. Para N2 < N1, no circuito primário mudará de valor.
ocorre o inverso, isto é, a tensão V2 é menor que V1. hidráulica. No gerador elétrico, a energia cinética é
Na figura anterior, em que representamos um transformador,
V2.I2 12.1, 2 transformada em energia elétrica, que é distribuída para
o que acontecerá se a chave S2 for fechada? A resposta é η= ⇒ 0, 80 = ⇒ I = 0,15 A
Cálculo da tensão de saída que haverá uma corrente alternada I2 = V2/R no circuito V1.I1 120.I1 1 os centros de consumo por meio da corrente alternada.
secundário (R é a resistência de carga do secundário). Essa corrente é transportada a longas distâncias por meio
Agora, vamos deduzir uma equação simples para calcular Observe que a corrente no primário do transformador real
Essa corrente cria um fluxo magnético extra no núcleo do de linhas de transmissão.
a tensão de saída em um transformador, em função da foi maior do que a corrente no primário do transformador ideal.
transformador. Apesar disso, a taxa de variação do fluxo
tensão de entrada e do número de espiras existentes nos Quanto menor for o rendimento de um transformador de
magnético não é alterada. Mesmo com a presença de uma Observe o transformador mostrado na parte direita da
dois enrolamentos. Quando o circuito primário é alimentado baixa, maior será a corrente no primário e maior será a
carga no secundário, a taxa de variação do fluxo continua figura. Esse equipamento é um transformador de alta,
por uma tensão elétrica, uma corrente elétrica passa por sendo determinada pela tensão de entrada V1. O mesmo dissipação de calor por efeito joule no enrolamento do
seu enrolamento. Como consequência, um campo magnético ocorre com a tensão de saída. A explicação para isso é que cuja função é elevar o valor da tensão gerada na usina.
circuito primário.
aparece não apenas no enrolamento primário, como também o valor da corrente I1, no primário, aumenta quando a carga Em geral, a tensão alternada de saída, gerada nas grandes
no enrolamento secundário, pois o núcleo de ferro, além de é introduzida no secundário. O crescimento dessa corrente No caso de um transformador de alta ideal, a corrente usinas, é cerca de 10 mil volts. O transformador da usina
intensificar o campo, permite que as suas linhas de indução gera maior variação de fluxo, que compensa a variação de de saída é menor do que a de entrada, a fim de que a aumenta essa tensão para valores como 100 mil volts,
se estendam até o enrolamento do secundário.

FÍSICA
fluxo oposta causada pelo aparecimento da corrente I2. potência do primário seja igual à potência do secundário.
ou muito mais, quando a distância que separa a usina do
Na figura anterior, considere que o enrolamento do Uma experiência simples que comprova o aumento de I1 consiste No caso real, o rendimento do transformador é menor que
em ligar uma lâmpada em série com a bobina do primário. local de consumo é muito grande. Por exemplo, o Sistema
circuito primário é alimentado por uma fonte de tensão 100%, e, consequentemente, a corrente de entrada do
Com a chave S2 aberta, essa lâmpada brilha pouco, mas, transformador real é um pouco maior que a corrente que de Transmissão de Itaipu, cujas linhas de transmissão
alternada V1. Uma variação de fluxo magnético ocorre nos
com a chave fechada, a lâmpada brilha muito mais. entra no transformador ideal. cruzam 900 km, desde o estado do Paraná até São Paulo,
dois enrolamentos. Assim, de acordo com a Lei de Faraday,
A conclusão mais importante que tiramos dessa discussão, possui linhas de corrente alternada de 750 kV. Uma
aparece uma tensão induzida V2 entre os terminais do No próximo e último tópico deste módulo, que é
e que você deve reter, é que a tensão de saída V2 pode
enrolamento do secundário. O valor da tensão induzida V2 das linhas de transmissão da usina de Três Gargantas,
ser calculada pela equação anterior, existindo ou não uma dedicado ao estudo do transporte da energia elétrica das
é dado por: na China, opera com a tensão de 500 kV e possui uma
carga no secundário. usinas até os locais de consumo, veremos por que os
V2 = N2.∆ϕ/∆t transformadores são peças fundamentais nesse processo. extensão de quase 200 km.

Da mesma forma, a variação do fluxo induz uma diferença de Potência e rendimento de um


potencial entre os terminais do enrolamento do circuito primário.
Vamos chamar essa d.d.p. de U 1 (e não de V 1, pois
transformador TRANSPORTE DA
reservamos essa denominação para a tensão de entrada
que alimenta o primário). De acordo com a Lei de Faraday,
Agora, vamos discutir as transformações de energia
em um transformador. No núcleo de um transformador,
ENERGIA ELÉTRICA Reservatório
Casa de força
o valor da d.d.p. induzida U1 é igual a: circulam correntes parasitas, induzidas pela variação do
fluxo magnético. Esse é um dos motivos que explicam
Transmissão em alta tensão Transformador
U1 = N1.∆ϕ/∆t Canal Gerador
por que um transformador fica quente durante o seu Anteriormente, estudamos a produção da corrente
No circuito primário, se a resistência do enrolamento for funcionamento. As correntes parasitas que circulam alternada por meio dos geradores elétricos. Quase toda
desprezível (essa hipótese é razoável), a d.d.p. U1 deve ser pelo transformador ocasionam perdas de energia por energia elétrica utilizada no mundo é obtida em usinas,
igual à tensão de alimentação V1. Matematicamente, temos: efeito Joule, devido às próprias resistências das bobinas. onde a energia mecânica de rotação do eixo de uma Duto
Para minimizar os efeitos das correntes parasitas, os núcleos turbina é convertida em energia elétrica por meio de
V1 = U1 = N1.∆ϕ/∆t Turbina Rio
dos transformadores são formados por lâminas de ferro um gerador de CA. No Brasil, quase 80% da energia
Como o núcleo de ferro confina as linhas de indução em seu montadas lado a lado, separadas por um esmalte isolante. elétrica utilizada provêm de usinas hidroelétricas,
interior (a fuga de fluxo magnético é desprezível), o campo Veja, novamente, o transformador mostrado na figura como pode ser constatado no diagrama mostrado na
e o fluxo magnético são os mesmos nos dois enrolamentos. anterior e observe o seu núcleo laminado. figura a seguir. O grande potencial hídrico do nosso
Por isso, a taxa de variação do fluxo também é a mesma país é um bem precioso, uma vez que a energia elétrica
Para um transformador sem perdas (equipamento que,
nos dois enrolamentos. Então, combinando as equações gerada a partir dessa fonte é mais barata, além de causar
na prática, não existe), a potência elétrica aplicada ao primário
que fornecem V1 e V2 e cancelando as taxas de variação do menores impactos ambientais.
é igual à potência elétrica de saída. Matematicamente, O transporte de energia elétrica em altas tensões permite
fluxo, obtemos a equação desejada:
isso se traduz pela seguinte equação: reduzir muito as perdas de energia em uma linha de
Oferta interna de energia elétrica
N2 P1 = P2 ⇒ V1.I1 = V2.I2 por fonte no Brasil (2012) transmissão. A potência fornecida pelo gerador de uma usina é
V2 = V1 dada por P = ε.I, sendo ε a f.e.m. (tensão) induzida no gerador
N1 No caso real, definimos o rendimento, ou a eficiência, de um Eólica
Biomassa3
transformador pela seguinte relação: 6,8%
0,9% Gás natural e I a corrente elétrica correspondente. De acordo com o Princípio
7,9%
Derivados de da Conservação da Energia, a potência P deve ser conservada.
Essa expressão pode ser usada para obter a relação petróleo Assim, quando a tensão é elevada no transformador da usina,
entre os valores instantâneos, ou entre os valores P2 V2.I2 3,3%
médios, das tensões no circuito primário e no secundário. η = = Nuclear o valor da corrente diminui. Como resultado, as perdas de energia
P1 V1.I1 2,7%
Analisando a equação, vemos que a tensão de saída é na linha de transmissão sofrem uma redução proporcional
diretamente proporcional ao quociente N2/N1. Por exemplo, Carvão e ao quadrado da redução de I, pois essas perdas valem r.I2,
se o número de espiras da bobina do secundário for Por exemplo, se um transformador ideal (η = 100%) com derivados1
sendo r a resistência elétrica dos fios. O transporte da
Hidráulica2 1,6%
o dobro do número de espiras da bobina do primário, N1/N2 = 10 for alimentado com uma tensão alternada 76,9% energia elétrica é realizado, portanto, em alta tensão
então, teremos V2 = 2V1. Um transformador desse tipo é V 1  = 120 V, e o secundário for conectado a uma
Notas: e baixa corrente. O motivo principal da escolha da
chamado de transformador de alta, pois serve para elevar resistência R = 10 Ω, teremos uma tensão alternada 1
Inclui gás de coqueria
a tensão. No caso contrário, o aparelho é chamado de de saída V 2 = 12 V. Além disso, as correntes na 2
Inclui importação de eletricidade transmissão por corrente alternada é a facilidade que esta
3
Inclui lenha, bagaço de cana, lixívia e outras recuperações proporciona para alterarmos o valor da tensão por meio de
transformador de baixa. Alguns carregadores de baterias resistência e no primário serão I2 = 1,2 A e I1 = 0,12 A,
automotivas possuem um transformador de baixa. respectivamente (faça os cálculos para obter esses valores). EPE, 2013. Balanço Energético Nacional 2012. transformadores elétricos.

96 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 97


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

EXERCÍCIOS DE Considerando a figura e as tabelas, marque a alternativa


que apresenta uma associação correta entre as
Nessas condições, é correto afirmar que, na espira,
EXERCÍCIOS
A) não aparecerá corrente elétrica induzida nem quando
APRENDIZAGEM informações A, B e C, sobre a corrente elétrica induzida
na espira, e as situações I, II e III, evidenciadas na figura.
o ímã se aproxima e nem quando se afasta da espira. PROPOSTOS
B) tem-se uma corrente elétrica induzida, no sentido de
A) IC, IIB, IIIA. C) IC, IIA, IIIB.
01. (UEPG-PR) Sempre que um fluxo magnético, através de A para B, apenas quando o ímã se aproxima da espira.
B) IA, IIB, IIIC. D) IB, IIA, IIIC. 01. (UFRGS-RS–2018) A figura a seguir representa um
um circuito, for variável, surge neste circuito uma f.e.m. C) tem-se uma corrente elétrica induzida, no sentido
e uma corrente induzida. Esse fenômeno é conhecido experimento em que um ímã está sendo aproximado com
de A para B, tanto quando o ímã se aproxima como
como indução eletromagnética. Sobre esse fenômeno, 04. (UFSM-RS) As usinas geradoras de energia elétrica
quando se afasta da espira. velocidade V de uma bobina em repouso, ligada em série
assinale o que for correto. produzem ___________ que permite, através de um
D) tem-se uma corrente elétrica induzida, no sentido com um galvanômetro G.
01. A voltagem induzida em uma bobina é proporcional transformador, elevar a ___________ e, assim, diminuir a
_____________________, de modo a diminuir as perdas de B para A, tanto quando o ímã se aproxima como
ao produto do número de espiras pela taxa com a G
de energia por efeito Joule nas linhas de transmissão. quando se afasta da espira.
qual o fluxo magnético varia no interior das espiras. V
Assinale a alternativa que preenche corretamente as E) tem-se uma corrente elétrica induzida, no sentido de
02. Quando existe um movimento relativo entre um ímã
A para B, apenas quando o ímã se afasta de espira. S N
e uma espira, surge na espira uma corrente induzida. lacunas.

04. O sentido da corrente induzida, através de uma espira, A) tensão – corrente elétrica – tensão
07. (FUVEST-SP) Aproxima-se um ímã de um anel metálico

FÍSICA
é tal que ela origina um fluxo magnético induzido, B) corrente contínua – corrente elétrica – tensão fixo em um suporte isolante, como mostra a figura. A seguir, três variantes do mesmo experimento estão
que se opõe à variação do fluxo magnético indutor.
C) corrente alternada – tensão – corrente elétrica O movimento do ímã, em direção ao anel, representadas nas figuras I, II e III.
08. A variação temporal do fluxo magnético através de um
D) corrente contínua – tensão – corrente elétrica
circuito fornece, em cada instante, o valor da f.e.m. I.
induzida, com o sinal invertido. E) corrente alternada – corrente elétrica – tensão
Ímã Anel metálico
G
16. A f.e.m. induzida e a corrente induzida têm o mesmo
sentido.
05. (UFMG) Um anel metálico (A) e um disco metálico (D), V
de mesmo tamanho e mesma massa, presos a um fio N S

Soma ( ) S N
de seda são postos a oscilar na forma de um pêndulo,
Suporte isolante
conforme a figura. Eles passam por uma pequena região
02. (UERJ–2015) O princípio físico do funcionamento de onde existe um campo magnético, perpendicular ao
alternadores e transformadores, comprovável de modo II.
seus planos de oscilação. Os atritos são desprezíveis.
A) não causa efeitos no anel.
experimental, refere-se à produção de corrente elétrica A respeito de seus movimentos, é correto afirmar que
por meio da variação de um campo magnético aplicado B) produz corrente alternada no anel. G
V
a um circuito elétrico. C) faz com que o polo sul do ímã vire polo norte e
Esse princípio se fundamenta na denominada Lei de vice-versa. N S
A) Newton. A D
D) produz corrente elétrica no anel, causando uma força
B) Ampère. de atração entre anel e ímã.
III.
C) Faraday. E) produz corrente elétrica no anel, causando uma força
X X X X
D) Coulomb. de repulsão entre anel e ímã. G
X X B X X B V
03. (Unimontes-MG) Uma espira retangular condutora, 08. (UCS-RS–2016) A Costa Rica, em 2015, chegou muito
próximo de gerar 100% de sua energia elétrica a partir N S
deslocando-se em movimento retilíneo uniforme, A) o disco diminui sua oscilação e o anel oscila
da esquerda para a direita, encontra uma região de campo de fontes de energias renováveis, como hídrica, eólica e
indefinidamente.
magnético uniforme, perpendicular ao plano do papel, geotérmica. A lei da Física que permite a construção de
penetrando-o (veja a figura). B) o anel diminui sua oscilação e o disco oscila geradores que transformam outras formas de energia em Assinale a alternativa que indica corretamente as
indefinidamente.
energia elétrica é a Lei de Faraday, que pode ser melhor variantes que possuem corrente elétrica induzida igual
C) os dois diminuem suas oscilações e param ao mesmo definida pela seguinte declaração:
B àquela produzida no experimento original.
tempo.
A) Toda carga elétrica produz um campo elétrico com
A) Apenas I.
D) os dois diminuem suas oscilações e o disco para direção radial, cujo sentido independe do sinal dessa
primeiro. carga. B) Apenas II.

Situação I Situação III B) Toda corrente elétrica, em um fio condutor, produz C) Apenas III.
06. (UEL-PR) Um ímã, em forma de barra, atravessa
Situação II um campo magnético com direção radial ao fio. D) Apenas I e II.
uma espira condutora retangular ABCD, disposta
verticalmente, conforme a figura a seguir. C) Uma carga elétrica, em repouso, imersa em um campo E) I, II e III.
magnético sofre uma força centrípeta.
Corrente induzida D
I Situação I A D) A força eletromotriz induzida em uma espira é
nula 02. (Fatec-SP) Observando a figura a seguir, vê-se um ímã
A proporcional à taxa de variação do fluxo magnético em
Corrente induzida no em forma de barra que possui um eixo pelo qual pode
II Situação II B S N relação ao tempo gasto para realizar essa variação.
sentido horário girar. Próximo a ele, encontra-se uma espira retangular
C E) Toda onda eletromagnética se torna onda mecânica
Corrente induzida no quando passa de um meio mais denso para um menos de metal, no plano (x, z). O ímã está alinhado com
III Situação III C
sentido anti-horário B
denso. o centro da espira na direção do eixo y.

98 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 99


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

x Tubo de acrílico Tubo de cobre 06. (UFRGS-RS) Observe a figura a seguir: 09. (UERJ–2016) Em uma loja, a potência média máxima
absorvida pelo enrolamento primário de um transformador
z A B
Fmag ideal é igual a 100 W O enrolamento secundário desse
transformador, cuja tensão eficaz é igual a 5,0 V, fornece
v energia a um conjunto de aparelhos eletrônicos ligados
N N
em paralelo. Nesse conjunto, a corrente em cada aparelho
S S corresponde a 0,1 A.
P P V
G O número máximo de aparelhos que podem ser
y alimentados nessas condições é de:
Esta figura representa dois circuitos, cada um contendo
Figura 1 Figura 2 A) 50.
uma espira de resistência elétrica não nula. O circuito A
Considerando a polaridade do ímã, as linhas de está em repouso e é alimentado por uma fonte de tensão B) 100.
Com a finalidade de induzir uma corrente elétrica na
indução magnética criadas por ele e o sentido da constante V. O circuito B aproximasse com velocidade C) 200.
espira, um aluno faz as seguintes experiências: constante de módulo v, mantendo-se paralelos os
corrente elétrica induzida no tubo condutor de cobre D) 400.
I. Movimenta o ímã e a espira na mesma direção e planos das espiras. Durante a aproximação, uma força
abaixo do ímã, quando este desce por dentro do tubo.
sentido e com velocidades iguais. eletromotriz (f.e.m.) induzida aparece na espira do
A alternativa que mostra uma situação coerente com o
II. Gira o ímã em torno de seu eixo paralelo ao eixo z circuito B, gerando uma corrente elétrica que é medida 10. (UFCG-PB) Cientistas do grupo de Tsuvoshi Sekitani, da
aparecimento de uma força magnética vertical para cima
pelo galvanômetro G. Universidade de Tóquio, produziram por nanotecnologia,

FÍSICA
e mantém a espira em repouso em relação ao plano no ímã é a indicada pela letra
um material condutor elástico. Em certo ensaio
(x,z). Sobre essa situação, são feitas as seguintes afirmações.
A) C) E) conseguiram estirar uma amostra do material até o
III. Desloca a espira numa direção paralela ao eixo y e I. A intensidade da f.e.m. induzida depende de v. dobro de suas dimensões iniciais. Suponha que a amostra
mantém o ímã em repouso em relação ao plano (x,z). II. A corrente elétrica induzida em B também gera campo seja retangular com dimensões de 0,20 cm e 0,50 cm
Para conseguir a corrente induzida, o aluno conclui que N magnético. e que apenas seu comprimento passe pelas alterações
N N
o correto é proceder como indicado em III. O valor da corrente elétrica induzida em B independe relatadas pelos pesquisadores. Caso o fenômeno ocorra
S S S
da resistência elétrica deste circuito. na presença de um campo magnético estático de módulo
A) I, apenas. D) II e III, apenas.
0,50 T e perpendicular à amostra e que seu comprimento
B) II, apenas. E) I, II e III. Quais estão corretas?
varie à taxa de 0,10 cm/s, pode-se afirmar que a força
C) I e III, apenas. A) Apenas I. D) Apenas I e II.
eletromotriz induzida na amostra vale
B) Apenas II. E) I, II e III.
A) 0,0 μV.
03. (EFOMM-RJ–2016) Uma espira condutora retangular
B) D) C) Apenas III.
B) 1,0 μV.
rígida move-se, com velocidade vetorial v constante,
C) 2,5 μV.
totalmente imersa numa região na qual existe um campo 07. (UFV-MG) Uma bobina composta de 10 espiras circulares,
de indução magnética B uniforme, constante no tempo, de área A cada uma, é colocada entre os polos de um D) 3,0 μV.
e perpendicular ao plano que contém tanto a espira como N N grande eletroímã onde o campo magnético é uniforme E) 7,5 V.
seu vetor velocidade. Observa-se que a corrente induzida S S e forma um ângulo de 30° com o eixo da bobina (como
na espira é nula. mostra a figura a seguir). Reduzindo-se o campo
11. (UPE–2015) Uma barra metálica de massa m = 250 g
Podemos afirmar que tal fenômeno ocorre em razão de o magnético com uma taxa igual a 0,5 T/s, o módulo da
desliza ao longo de dois trilhos condutores, paralelos e
força eletromotriz induzida na bobina, durante a variação
A) fluxo de B ser nulo através da espira. horizontais, com uma velocidade de módulo v = 2,0 m/s.
do campo magnético, é:
A distância entre os trilhos é igual a L = 50 cm, estando
B) vetor B ser uniforme e constante no tempo.
eles interligados por um sistema com dois capacitores
C) vetor B ser perpendicular ao plano da espira. 05. (IMED-RS–2015) A lei da indução de Faraday é 30° B ligados em série, de capacitância C1 = C2 = 6,0 µF,
D) vetor B ser perpendicular a v. fundamental, por exemplo, para explicarmos o conforme ilustra a figura a seguir:
funcionamento de um dispositivo usado em usinas de
E) vetor v ser constante. energia elétrica: o dínamo. Trata-se de um equipamento B
eletromecânico que transforma energia mecânica nas
04. (Unesp) O freio eletromagnético é um dispositivo y
usinas de energia em energia elétrica. Em relação a esse
no qual interações eletromagnéticas provocam uma dispositivo, assinale a alternativa incorreta. C2 v
redução de velocidade num corpo em movimento, A) 5A C) 5 3A C1 L
A) Segundo a Lei de Faraday, a quantidade de energia
sem a necessidade da atuação de forças de atrito. elétrica produzida por um dínamo pode ser superior 2 20
A experiência descrita a seguir ilustra o funcionamento x=0 x
à quantidade de energia mecânica que ele consome.
de um freio eletromagnético. B) 5 3A D) 5A
B) A Lei de Faraday é importante para explicar o
Na figura 1, um ímã cilíndrico desce em movimento 2 20 O conjunto está no vácuo, imerso em um campo de
funcionamento dos transformadores de tensão que
acelerado por dentro de um tubo cilíndrico de acrílico, usamos em nossas residências. indução magnética uniforme, de módulo B = 8,0 T,
vertical, sujeito apenas à ação da força peso. 08. (UPE) Uma bobina, formada por 5 espiras que possui perpendicular ao plano dos trilhos.
C) É impossível construir um dínamo cujo único efeito um raio igual a 3,0 cm é atravessada por um campo
Na figura 2, o mesmo ímã desce em movimento seja produzir 200 J de energia elétrica consumindo Desprezando os efeitos do atrito, calcule a energia elétrica
magnético perpendicular ao plano da bobina.
uniforme por dentro de um tubo cilíndrico, vertical, de somente 100 J de energia mecânica. armazenada no capacitor C1 em micro joules.
Se o campo magnético tem seu módulo variado de 1,0 T
cobre, sujeito à ação da força peso e da força magnética, D) A Lei de Faraday relaciona o fluxo de um campo A) 384
até 3,5 T em 9,0 ms, é correto afirmar que a força
vertical e para cima, que surge devido à corrente elétrica magnético, variando ao longo do tempo, a uma força
eletromotriz induzida foi, em média, igual a B) 192
induzida que circula pelo tubo de cobre, causada pelo eletromotriz induzida por essa variação.
movimento do ímã por dentro dele. A) 25 mV. D) 1,25 V. C) 96
E) O dínamo é percorrido por uma corrente elétrica
Nas duas situações, podem ser desconsiderados o induzida quando rotaciona na presença de um campo B) 75 mV. E) 3,75 V. D) 48
atrito entre o ímã e os tubos, e a resistência do ar. magnético externo. C) 0,25 V. E) 24

100 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 101


Frente C Módulo 15 Indução Eletromagnética e Transformadores

12. (ACAFE-SC–2015) A principal aplicação da Indução Considere que os valores das tensões sejam eficazes e A etiqueta funciona em pilhas porque o campo C) apresenta uma magnetização desprezível sob a ação
Magnética, ou Eletromagnética, e a sua utilização na que o transformador seja ideal. A) elétrico da onda de rádio agita os elétrons da bobina do ímã permanente.
obtenção de energia. Podem-se produzir pequenas A) Determine a relação entre o número de espiras no B) elétrico da onda de rádio cria uma tensão na bobina. D) induz correntes elétricas na bobina mais intensas que
f.e.m. com um experimento bem simples. Considere uma enrolamento primário e no secundário 2. a capacidade do captador.
C) magnético da onda de rádio induz uma corrente na
espira quadrada com 0,4 m de lado que está totalmente E) oscila com uma frequência menor do que a que pode
B) Sabendo que a potência no enrolamento primário é bobina
imersa num campo magnético uniforme (intensidade ser percebida pelo captador.
de 81 000 W e que a corrente no secundário 2 é de D) magnético da onda de rádio aquece os fios da bobina.
B = 5,0 wb/m2) e perpendicular as linhas de indução.
150 A, calcule a corrente elétrica no enrolamento
Girando a espira até que ela fique paralela as linhas E) magnético da onda de rádio diminui a ressonância no 04. (Enem) Há vários tipos de tratamentos de doenças
secundário 1. interior da bobina.
de campo. cerebrais que requerem a estimulação de partes do
cérebro por correntes elétricas. Os eletrodos são
Posição inicial Posição final 15. (UEG-GO) O transformador é um aparelho muito 02. (Enem) O funcionamento dos geradores de usinas elétricas introduzidos no cérebro para gerar pequenas correntes
(espira (espira simples. Ele é constituído por uma peça de ferro (núcleo baseia-se no fenômeno da indução eletromagnética, em áreas específicas. Para se eliminar a necessidade de
perpendicular paralela do transformador) em torno do qual são enroladas descoberto por Michael Faraday no século XIX. introduzir eletrodos no cérebro, uma alternativa é usar
às linhas às linhas
B B de indução) por duas bobinas (uma primária e outra secundária), Pode-se observar esse fenômeno ao se movimentar um bobinas que, colocadas fora da cabeça, sejam capazes
de indução)
da maneira mostrada na figura a seguir: ímã e uma espira em sentidos opostos com módulo da de induzir correntes elétricas no tecido cerebral.
Sabendo-se que a espira anterior levou 0,2 segundos velocidade igual a v, induzindo uma corrente elétrica de
Para que o tratamento de patologias cerebrais com
para ir da posição inicial para a final, a alternativa correta intensidade i, como ilustrado na figura:
Bobina Primária Bobina Secundária bobinas seja realizado satisfatoriamente, é necessário que

FÍSICA
que apresenta o valor em módulo da f.e.m. induzida na
800 espiras 400 espiras v A) haja um grande número de espiras nas bobinas, o que
espira, em volts, é: v diminui a voltagem induzida.
A) 1,6. C) 4.
B B) o campo magnético criado pelas bobinas seja
B) 8. D) 0,16. S N constante, de forma a haver indução eletromagnética.
Tensão
primária Tensão C) se observe que a intensidade das correntes induzidas
13. (EPCAR-SP) A figura a seguir mostra um ímã oscilando Vp secundária depende da intensidade da corrente nas bobinas.
próximo a uma espira circular, constituída de material Vs
A D) a corrente nas bobinas seja contínua, para que o
condutor, ligada a uma lâmpada.
campo magnético possa ser de grande intensidade.
i
S Núcleo do E) o campo magnético dirija a corrente elétrica das
Transformado
r bobinas para dentro do cérebro do paciente.
A fim de se obter uma corrente com o mesmo sentido da
N
apresentada na figura, utilizando os mesmos materiais, 05. (Enem) Os dínamos são geradores de energia elétrica
Com base no exposto e na figura anterior, responda ao outra possibilidade é mover a espira para a utilizados em bicicletas para acender uma pequena
que se pede: A) esquerda e o ímã para a direita com polaridade lâmpada. Para isso, é necessário que a parte móvel
A) Explique o funcionamento de um transformador. invertida. esteja em contato com o pneu da bicicleta e, quando
B) Suponha que uma bateria de 12 V seja conectada B) direita e o ímã para a esquerda com polaridade ela entra em movimento, é gerada energia elétrica para
aos extremos da bobina primária. Nessas condições, invertida. acender a lâmpada. Dentro desse gerador, encontra-se
um ímã e uma bobina.
qual é a voltagem na bobina secundária? Justifique C) esquerda e o ímã para a esquerda com mesma
sua resposta. polaridade.
C) Agora uma voltagem alternada de 120 V é conectada D) direita e manter o ímã em repouso com polaridade
no enrolamento primário. Que voltagem será obtida invertida.
A resistência elétrica do conjunto espira, fios de ligação e no secundário? E) esquerda e manter o ímã em repouso com mesma
lâmpada é igual a R e o ímã oscila em MHS com período polaridade.
igual a T. Nessas condições, o número de elétrons
que atravessa o filamento da lâmpada, durante cada
aproximação do ímã
SEÇÃO ENEM 03. (Enem) O manual de funcionamento de um captador de
guitarra elétrica apresenta o seguinte texto:
A) é diretamente proporcional a T. Esse captador comum consiste de uma bobina, fios
01. (Enem–2018) A tecnologia de comunicação da etiqueta
B) é diretamente proporcional a T2. condutores enrolados em torno de um ímã permanente.
RFID (chamada de etiqueta inteligente) é usada há anos Disponível em: <[Link]
O campo magnético do ímã induz o ordenamento
C) é inversamente proporcional a T. para rastrear gado, vagões de trem, bagagens aéreas
dos polos magnéticos na corda da guitarra, que está Acesso em: 01 maio 2010.
D) não depende de T. e carros nos pedágios. Um modelo mais barato dessas próxima a ele. Assim, quando a corda é tocada, as
O princípio de funcionamento desse equipamento é
etiquetas pode funcionar sem baterias e é constituído oscilações produzem variações, com o mesmo padrão,
explicado pelo fato de que a
14. (UERJ) Um supermercado dispõe de um transformador por três componentes: um microprocessador de silício, no fluxo magnético que atravessa a bobina. Isso induz
de energia elétrica que opera com tensão de 8 800 V uma bobina de metal, feita de cobre ou de alumínio, que uma corrente elétrica na bobina, que é transmitida até A) corrente elétrica no circuito fechado gera um campo
no enrolamento primário e tensões de 120 V e 220 V, é enrolada em um padrão circular, e um encapsulador, o amplificador e, daí, para o alto-falante. magnético nessa região.
respectivamente, nos enrolamentos secundários 1 e 2. que é um material de vidro ou polímero envolvendo Um guitarrista trocou as cordas originais de sua guitarra, B) bobina imersa no campo magnético em circuito
o microprocessador e a bobina. Na presença de um que eram feitas de aço, por outras feitas de náilon. Com o fechado gera uma corrente elétrica.
campo de radiofrequência gerado pelo leitor, a etiqueta uso dessas cordas, o amplificador ligado ao instrumento C) bobina em atrito com o campo magnético no circuito
Secundário 2 transmite sinais. A distância de leitura é determinada não emitia mais som, porque a corda de náilon fechado gera uma corrente elétrica.
Primário 220 V pelo tamanho da bobina e pela potência da onda de A) isola a passagem de corrente elétrica da bobina para D) corrente elétrica é gerada pelo circuito fechado por
8 800 V rádio emitida pelo leitor. o alto-falante. causa da presença do campo magnético.
Secundário 1
120 V Disponível em: <[Link] B) varia seu comprimento mais intensamente do que E) corrente elétrica é gerada em circuito fechado quando
Acesso em: 27 fev. 2012 (Adaptação). ocorre com o aço. há variação do campo magnético.

102 Coleção 6V Bernoulli Sistema de Ensino 103


Frente C Módulo 15

06. (Enem) As energias I e II, representadas no esquema anterior,


podem ser identificadas, respectivamente, como

Mochila geradora de energia A) cinética e elétrica.


B) térmica e cinética.

A mochila tem uma estrutura rígida C) térmica e elétrica.

semelhante à usada por alpinista. D) sonora e térmica.


E) radiante e elétrica.
O compartimento de carga é suspenso
por molas colocadas na vertical. 07. (Enem) Em usinas hidrelétricas, a queda-d’água move
turbinas que acionam geradores. Em usinas eólicas,
Durante a caminhada, os quadris sobem os geradores são acionados por hélices movidas pelo
e descem em média cinco centímetros. vento. Na conversão direta solar-elétrica são células
A energia produzida pelo vai e vem do fotovoltaicas que produzem tensão elétrica. Além de
compartimento de peso faz girar um todos produzirem eletricidade, esses processos têm em
comum o fato de
motor conectado ao gerador de
eletricidade. A) não provocarem impacto ambiental.
B) independerem de condições climáticas.
O sobe e desce dos quadris C) a energia gerada poder ser armazenada.
faz a mochila gerar eletricidade D) utilizarem fontes de energia renováveis.
E) dependerem das reservas de combustíveis fósseis.
Gerador

GABARITO Meu aproveitamento

Aprendizagem Acertei ______ Errei ______


• 01. Soma = 31 • 05. D
• 02. C • 06. E
• 03. C • 07. E
Molas • 04. C • 08. D
Propostos Acertei ______ Errei ______
• 01. D • 05. A • 09. C • 13. D
• 02. D • 06. D • 10. B
• 03. B • 07. B • 11. D
Compartimento
de carga
• 04. A • 08. E • 12. C
14.

ISTOÉ, n. 1 864, p. 69, set. 2005 (Adaptação). • A) NP


NS
= 40 • B) 400 A
Com o projeto de mochila ilustrado anteriormente, 15.
pretende-se aproveitar, na geração de energia elétrica
para acionar dispositivos eletrônicos portáteis, • A) Ona funcionamento de um transformador se baseia
criação de uma corrente induzida devido à
parte da energia desperdiçada no ato de caminhar. variação do fluxo magnético.
As transformações de energia envolvidas na produção
de eletricidade enquanto uma pessoa caminha com essa • B) A voltagem na bobina secundária é nula, pois, como a
bateria é uma fonte de tensão contínua de 12 V, não
mochila podem ser assim esquematizadas: há variação de fluxo magnético na bobina primária.

Movimento da Mochila • C) Ometade


número de espiras da bobina secundária é
do número de espiras da bobina primária.
Por isso, para uma voltagem alternada de 120 V
na bobina primária, a voltagem induzida na bobina
Energia secundária é metade desse valor, ou seja, 60 V.
Energia I
potencial
Seção Enem Acertei ______ Errei ______
• 01. C • 03. C • 05. E • 07. D
Energia II • 02. A • 04. C • 06. A
Total dos meus acertos: _____ de _____ . ______ %

104 Coleção 6V

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