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CAPITULO
Organizagao da Cadeia
de Suprimentos/Logistica
Projeto de organizagao
+ Opgées
+ Posicionamento
+ Compartinamente de inormagao
+ Aliangas
+ Contratos
ORGANIZAGAO
A boa estrutura organizacional nao é, por si, garantia de bom desempenho ~
dda mesma forma que wma boa Constituigdo ndo garante que tenhamos bons
presidente, leis justas, ou uma sociedade moral. A md estrutura
“organizacional, no entanto, inviabilica 0 bom desempenho, por maior que
‘seja a competéncia de todos os seus gerentes. Aperfeicoar a estrutura
‘organizacional... rd, portanto, melhorar sempre o desempenko."
— Pere F. Drucker
organizagio administrativa € a estrutura que
A= ‘condigdes para a criagdo, a implementagao
a avaliago de planos. E! 0 mecanismo formal
‘ou informal para a alocagio dos recursos humanos da
‘empresa & concretizagio de suas metas. A organiza¢é
pode parecer um organograma formal de relacionamen-
tos funcionais, um conjunto invisivel de relacionamen-
tos entendido pelos componentes da firma mas nao pro-
Jjetado em qualquer meio formal, ou em uma combina-
‘eo destes, Seja qual for a situagdo, pretender estabele-
cer relacionamentos humanos em uma maneira étima &
* Peter F Drucker, The Practice of Management (New York: Harper & Row,
1958), pig. 25,
provavelmente a mais dificil das tarefas da empresa.
Nao existem algoritmos precisos para isso. O maximo
‘que podemos esperar é a existéncia de algumas diretri-
zes que venham a ser tteis para o estabelecimento de
estruturas organizacionais accitiveis
0 foco deste capitulo é especificamente a estrutura
‘organizacional indispensével para a gestao da fungao
logistica dos negécios. A discussdo é separada em qua-
‘to partes. A primeira € a organizagdo do projeto logs
tico. A segunda € composta pelas opgdes a disposigaio
dda geréncia, Elas vao de formatos formais a informais
de organizagao, bem como a localizagao do formato o'
ganizacional dentro da estrutura da empresa, A terceira
diz respeito & geréncia da logistica ao longo de diferen-S42 PARTE VI OxcANizacko # ConTROL
de estrutura organizacional que tém o objetivo de operar
‘um canal de suprimentos, especialment
de parte ou do todo da estrutura logistica mediante
aliangas estratégicas logistica/cadeia de suprimentos,
parcerias logistica/CS, provedores terceirizados de lo-
gistica/CS, ¢ acordos de colaboragao.
ORGANIZANDO 0 ESFORCO
LOGISTICO/CS
Colocar as pessoas responsaveis pelas atividades logis
ticas da empresa em posigSes que sirvam de incentivo &
coordenago plena entre elas é a questio dominante na
organizacio logistica/CS. Sao arranjos organizacionais
{que promovem a eficiéncia no suprimento e distribuicao.
de produtos e servigos mediante a promogiio das com-
pensagées de custos freqiientemente oferecidas no pla-
nejamento e operacao do sistema logistico.
Necessidade de Estrutura Organizacional
A logistica/CS 6 uma atividade essencial que precisa ser
desenvolvida por todos os tipos de empresas ou institui-
‘g6es. Isso significa que alguma espécie de arranjo orga-
nizacional, seja ele formal ou informal, teré sido feito
para cuidar do movimento de produtos e servigos. Qual
intdo a necessidade de qualquer consideracaio especi-
fica em tomo da estrutura organizacional?
Fragmentagao Organizacional
Uma forma tradicional de organizagio adotada por mui-
tos € a centralizagio das atividades em tomo das trés
fungdes primeérias de finangas, operagdes e marketing,
como mostra a Figura 15-1. Do ponto de vista logistico,
ssa distribuigdo resultou em uma fragmentagao das ati-
vvidades logisticas entre essas trés fungdes cujos objeti-
‘vos primarios so um tanto diferentes daqueles da logts-
tica, Isto & responsabilidade pelo transporte pode ser
atribuida as operagdes, 0 estoque dividido entre as trés
anges, e 0 processamento de pedidos colocados sob a
égide tanto do marketing quanto do financeiro, Ainda
assim a principal responsabilidade do marketing pode
ser a maximizagio dos lucros, a responsabilidade maior
ddas operagdes pode ser produzir ao menor custo unité-
rio, ¢a responsabilidade do financeiro pode ser minimii-
zar os custos de capital ou maximizaro retorno sobre os
investimentos para a empresa, Esse cruzamento de pro-
p6sitos motivacional levou um executivo, anos atras, a
fazer uma sabia observacio:
Se autorizados a operar por sua conta e risco, um
vendedor e seu gerente certamente prometeriam aos
clientes uma entrega que na pratica é impossivel a
Presidente
‘Marketing
Finangas Operapies
| *Vendas
| - Pubicidade
| + Servgo ao cliente
Responsabiidades —! «Entrada de pedidos
| + Estoques de campo de
| produtos acabados
| + Canais de aistribuiga
| sGrandes estoques =e
| + Rodadas de produgéo
| pequenas, trequentes
| dos pedidos dos lentes
Motingbes—=| + Entoga rp dos
| pedaos
| + Altos niveis de | <——>
servigos
“+ Custos de manuiengio + Estoque em proceso!
dos estoaues Fabrica
‘Processamento do + Programas de produeso
Informagses + Qualidade dos produtos
+ Retorno sobre © * Compras
Investimento + Walego
+ Estoques minimos =—= + Grandes estoques.
+ Rodadas de produsso
alas, ifrequentes
| « Processamento acolerado ~~ + Procossamento de baixo custo
os pedidos dos clientes
+ Rotairizagao menos
‘ispendiosa dos pedidos
+ Servigos de nivel + Balxos niveis de servigos
compativel om os custos
* Compras em peque-=—» + Compras om grandes
ras quantidades, uantidacos
FIGURA 15-1 Organizagio de uma empresa manufatureira padrio com relagio as atividades logisticas/CS,CaPirvt0 15 + ORGANIZACKO PA CADEIA DE SvPRIMENTOS/LOGIsTICA $43,
partir de determinada fbrica ou centro de distribui-
‘do. Por outro lado, o gerente de producdo, se igual-
‘mente deixado por sua prépria conta, solicitaria que
todos os pedidos fossem acumulados por longos pe-
riodos para reduzir os custos de preparagio,
So garant maior prazo para planejar quantidades
ceconémicas de aquisigao de materiais.
Semethante contlito de prioridades pode traduzir-se
em um sistema operacional logistico subétimo — de tal
forma que a eficiéncia da empresa como um todo venha
a ser prejudicada. Por exemplo, o marketing pode pr
tender entrega mais répida a fim de dar sustentagao as,
vendas, enquanto que a produgdo, uma vez tendo a res-
ponsabilidade pelo trafego, pode pretender impor o ro-
teiro de menor custo. A menos que decisdes sejam ado-
tadas para chegar a compromissos ao longo das linhas|
funcionais, o mais vantajoso equilibrio custo-servigo lo-
gistico nfo tende a se concretizar. Alguma estrutura or
ganizacional para a coordenagio do processo decisério
de atividades logisticas separadas & necesséria,
Observagio
Um fabricante de produtos de papel viu-se no centro
do classico conflito entre vendas e produgio em fun-
‘io de questées logisticas. A empresa produzia e ven-
dia uma variedade de papéis tipo kraft utilizados em
produtos como sacolas de mercearias, embalagens co-
merciais, papel higiénico ¢ guardanapos. As vendas
cram freqiientemente geradas em grandes quantida-
des, com pedidos que chegavam a 30 cargas comple-
tas (de caminho) para um tnico cliente. Em termos
‘organizacionais, a empresa orbitava em torno das fun-
‘ees de marketing € producao,
Devido a uma auséncia de coordenagio entre
‘marketing © producio, as equipes de vendas normal-
mente prometiam aos clientes entregas no prazo por
estes solicitados, pouca importineia dando aos pro-
gramas de produgdo da empresa, Quando prazos de
grandes entregas comegaram a nao ser cumpridos, 0
departamento de vendas pressionou a produc quan-
to a0s pedidos. A filosofia era muito simples, segundo
‘esse entendimento: “Basta apertar as uvas com bas
tante forga que as sementes vo espirrar.”
Por outro lado, a produgio era muitas vezes
pressionada por pedidos recebidos até mesmo de-
pois da data prevista para a entrega ¢ por freqiientes
mudangas no programa de produgao que tinham co-
mo resultado dispendiosos arranjos no funciona~
* Kenneth Marshall, “Bruning: Another Way to Organize Physical Distba-
tion Management” Handling & Shipping (November 1966), pigs. 61-66
mento das méquinas ¢ novos atrasos para alguns dos
pedidos menos urgentes.
‘A fraca coordenagiio entre demanda e oferta esta-
va causando um crescente niimero de queixas dos
clientes, alguns dos quais chegando ao ponto de
ameagar passar a se abastecer em outras fontes.
Gerenciamento
Dotar as atividades logisticas/CS de estrutura organiza-
cional define as linhas de autoridade e responsabilidade
necessérias para garantir que os produtos sejam encami-
nhados de acordo com o planejado e que possa haver re~
planejamento sempre que necessério. Quando o equilt
brio entre servico ao cliente e os custos deste servigo €
fundamental para a operagio de determinada empresa,
alguém deve ser encarregado de supervisionar a movi-
mentagio dos produtos. Na verdade, alguém tem de ge~
renciar a logistica, Embora éreas como processamento
de pedidos, trafego e armazenagem possam ser supervi-
sionadas individualmente em busca de um bom contro-
le, um bom gerente quase sempre ¢ indispensével para
coordenar as suas operages combinadas. Apenas um
gerente tem a visdo geral indispensavel para conseguir
equilibrar essas operagses com vistas ao mais alto nivel
de eficigncia,
Importancia da Organizacdo para
a Logistica/CS
A atengdo que pode ser dada & organizagio logistica &
a0 arranjo organizacional depende da natureza da logis-
ticwCS em uma determinada empresa, Embora cada
empresa ou instituigdo realize sempre algum grau de
operagies logisticas/CS, as questées logisticas nao tem,
a mesma importncia em todas elas. Uma empresa que
gaste uma pequena fragio de seus custos operacionais
em logistica, ou em que os niveis logisticos do servigo
a0 cliente ndo sejam de grande importincia para esses
clientes, logicamente no se inctinard a dar & logistica
uma atengo organizacional especial. No entanto, para
rmuitas empresas de produtos de clientes, industrias de
alimentos e empresas de produtos quimicos em que os
custos logisticos podem chegar em média a 25% de ca-
da délar de vendas, ocorre 0 oposto.
‘Além disso, a necessidade de um determinado tipo
de organizagao depende de como os custos logisticos
ocorrem e de onde as necessidades de servico so maio-
res. A forma organizacional pode estar centrada em ges-
tio de materiais, distribuigdo fisica ou na cadeia de su-
primentos. Avalie de que forma a necessidade de orga-
nizagdo varia entre os diferentes tipos de indiistrias.S44
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
As indkistrias extrativas caracterizam-se como em-
presas que produzem matérias-primas basicas, princi-
palmente para utilizagdo por outras indistrias.
plos dessas firmas so madeireiras, empresas de mine-
ragdo e projetos agricolas. As operagdes logisticas in-
cluem a garantia de uma variedade de bens necessérios
nas operagoes extrativas. Equipamento e suprimentos
basicos sio tipicos dessas aquisigdes. Compras ¢ trans
porte sdo as principais atividades logisticas de oferta
Produtos de safda so normalmente de diversidade limi-
tada, relativamente baixo valor ¢ embarcados em volu-
‘mes. Controlar a expedigao em termos de selegdo de
modo de transporte, roteirizagao e utilizagao de equipa-
‘mento é uina grande preocupagio. Portanto, as firmas
nesses setores necessariamente terdo departamentos de
‘gerenciamento de materiais muito ativos e influentes.
‘As indistrias de servigos t&m como maior preocu-
pagdo as atividades logfsticas da oferta. As empresas
nessa indtistria convertem suprimentos tangiveis em
ofertas de servigos. Hospitais, companhias de seguros
de transportes so bons exemplos de firmas de servigos.
‘Uma variedade de itens € comprada, muitos deles eriti-
cos, de fornecedores geograficamente dispersos. Esses
itens sao inteiramente consumidos na produgdo do ser
vvigo. Geréncia de compra e geréncia de estoques sio
atividades logisticas primérias a serem administradas,
com preocupacao ligeiramente menor em relagio a0
transporte, uma vex que grande parte dos suprimentos €
recebida sob acordos de precificagdo que incluem a en-
trega. Os custos logisticos podem ser significativos pa-
ra essas empresas, mas as atividades relacionadas ocor-
rem no suprimento da firma. A organizacio para a logis
tica & centrada em geréncia de materia, sendo normal-
‘mente escasso o reconhecimento tributado a quaisquer
atividades fisicas de distribuigao,
As inddstrias de comercializagio so caracterizadas
como empresas que compram bens especialmente para
revenda. Distribuidores ¢ varejistas sio representantes
tipicos deste setor. Empresas do ramo pouco fazem pa-
ra mudara forma do produto, As maiores preocupagdes
estio voltadas para atividades de vendas e agdes logisti-
cas. Normalmente, essas empresas compram muitos
itens de muitos fornecedores que so geograficamente
dispersos. Esses itens 20 revendidos em combinagdes
diversificadas e em pequenas quantidades, geralmente
dentro de uma frea geogrifica limitada. As operagées se
caracterizam como compra, trfego interno, controle de
estoque, armazenagem, coleta de pedidos e expedigao.
A organizagao para a geréncia logistica é significativa e
normalmente envolve tanto atividades de gestao de ma-
teriais quanto de distribuigdo fisica, mesmo que grande
énfase seja provavelmente dada a uma poderosa organi-
ago de distribuigo fisica, uma ver. que muitos dos su
primentos recebidos so precificados pelos fornecedo-
res incluindo entrega.
Inddstrias manufatureiras tém como caracteristica
principal empresas que compram uma ampla variedade
de itens de muitos fornecedores para transformé-los em
produtos de relativamente alto valor. atividade logis-
tica & consideravel nessas empresas, tanto no suprimen-
to quanto na distribuigao. O projeto da organizagio en-
volve a geréncia e a distibuigdo fisica de materiais.
Desenvolvimento Organizacional
Afilosofia sobre o que € boa administragao logtsticaCS
© 6 projeto organizacional daf resultante evoluiu acele~
radamente nos tiltimos anos. Bowersox e Daugherty
distinguiram trés diferentes estagios de desenvolvimen-
to.’ O Estagio I, que caracterizou o comego da década
de 1970, representou a aglomeragao de atividades que
«rain importantes para a concretizagao das compensa-
oes de custos inerentes a geréncia logistica. As ativida-
es de transporte eram administradas em conjunto com
as atividades de estocagem e processamento de pedidos
a fim de coneretizar metas de custo de distribuigao fisi-
cae de servigo. As compras, o transporte de entrada e os
estoques de matérias-primas eram reunidos sob uma
iinica bandeira organizacional de coordenagio, O reco-
nhecimento das atividades relevantes para a distribuicao
fisica e o abastecimento fisico e as necessidades de que
fossem cuidadosamente coordenadas jé estavam presen
tes nesse inicio dos anos 70, mas as estruturas organiza-
cionais eram ainda insuficientes para a realizagdo da-
uilo que prometiam, Muitas empresas preferiam con-
fiar em acordos informais como a persuasio e 0S coor
denadores de equipes para equilibrar os interesses entre
as diferentes reas de atividades. Como a mudanga do
projeto organizacional parece mais um processo de evo~
lucdo que de revoluglo, as primeiras tentativas de de~
scnvolver uma organizacao logistica foram se suceden
do sem mudancas radicais na estrutura organizacional
existent
A organizagio no Estigio II foi dirigida para es
truturas formais, em que um exccutivo todo-poderoso
era o responsavel por todas as atividades logisticas
relevantes, normalmente aquelas de suprimento fisico
ou distribuicdo fisica, mas nfo as duas. Isso propor-
cionava controle direto sobre a coordenagao das ativi-
dades logisticas. Foi um passo de evolugio, & medida
{que os beneficios do bom gerenciamento logistico se
tornaram mais entendidos e apreciados entre as em-
* Donald J, Bowersox and Parca J. Daugherty, “Emerging Patter of Lo
sisicl Organization”, Journal of Business Logstis, Vol. 8, 0° 1 (1987),
igs. 46-60,CaPirvt0 15 © ORGANIZACKO DA CADEIA DE SvPRIMENTOS/LOGIsTICA $45
presas. Companhias como a Kodak ¢ a Whirlpool es-
tiveram entre as primeiras a adotar este tipo de estru-
tura formalizada. No entanto, em 1985, grandes em-
presas (42%) continuavam no Estégio I* ou haviam
avangado para o Estégio III (20%).
0 Estigio III da estrutura da organizagio dizia res
peito a integracdo plena das atividades logisticas, abran-
gendo o abastecimento € a distribuigio fisicos. A inte-
sgragdo plena das atividades logisticas ¢ a estrutura onga-
nizacional de um escopo para coordené-las ganharam
preferéncia tanto dos especialistas quanto das empresas.
A integracdo plena foi incentivada pelas filosofias do
Just-in-time, resposta répida ¢ compressio dos prazos,
que exigiam coordenagao precisa entre todas as ativida-
des no conjunto das empresas. Além disso, ativos com-
partilhados — uma frota de caminhées, armazéns — que
eram usados em atividades tanto de suprimento quanto
de distribuigdo fisica, igualmente exigiam uma cuidado-
sa coordenagao para que pudessem chegar & utilizagao
plena.
Exemplo
A Mikro-Kits vendia um dos seus produtos
um kit
de conserto de hardware de PCs ~ utilizando-se de
trés canais mercadolégicos: (1) lojas, (2) catélogo €
(3) atacadistas. Comprava os componentes de forne~
cedores diversos ¢ os embarcava para uma fbrica pa-
ra a montagem. Os produtos acabados eram entéo
despachados para um centro de distribuigio a partir
do qual ocorria o atendimento dos pedidos. Ali surgiu
a proposta de um sistema JIT (just-in-time) que iria
especialmente melhorar o desempenho operacional
no canal fisico de suprimento e na produgio.
O canal de logistica e produgio foi modelado por
inteiro com a utilizagdo de simulago em computador.
Os resultados mostraram que o JIT significaria consi-
derdvel methoria em comparagdo com as operagies
centdo em vigor. Isto é, a margem de lucros teria o fan-
‘téstico aumento de 106%, o giro de estoque aumenta-
ria de 7,2 para 7,8%, € 0 prazo de entrega do canal se-
ria reduzido de 24,2 para 13,7 dias.
‘No entanto, mesmo todo esse otimismo era mo-
desto, Planejando o canal todo de maneira integrada,
quando a distribuigdo fisica e 0 abastecimento fisico
sio planejados coletivamente, haveria a possibilidade
de melhorias adicionais. As margens de lucros teriam
crescimento adicional de 6%, o giro de estoque pode-
ria ser aumentado de 7,8 para 16,3% e o prazo de en-
‘rega do canal reduido de 13,7 para 8,9 dias.
“ALT. Keamey, Emerging Top Management Focus for the 1980 (Chicago:
Kearney Manggement Consultants, 198).
este 0 tipo de beneficio decorrente do planeja-
mento integrado que esté também condzindo a estru
tura da organizagdo a abranger tanto as aividades de
suprimento fisico quanto de distribuigdo fisica.*
Agora existe um Estagio IV, chamado de gestio
da cadeia de suprimentos, ou logistica integrada.
Abrange a integracao total das atividades logisticas,
do Estégio IM, introduzindo as atividades logisticas
dentro dos processos de transformagao de produtos
(produgdo). Isto é, empresas no Estégio IV do seu de-
senvolvimento organizacional entendem a logistica
como algo abrangendo todas aquelas atividades regis.
tradas entre suas fontes de matérias-primas, ao longo
da produgZo e até chegar ao consumidor final. A dife-
renga mais significativa entre o Estigio III e o Esté-
gio IV reside em que as atividades do processo de
transformagio de produtos ~ como programagéo de
produto, geréncia do estoque de produtos em proces-
samento e coordenagio da programagio just-in-time
de entrada e safda ~ estio agora inclufdas no escopo
da logistica integrada.
44 € possivel visualizar um Estaigio V, em que as
atividades logfsticas serdo gerenciadas entre empre-
sas do canal de suprimentos que sio legalmente enti-
dades independentes. Até agora, a atenedo gerencial
tem se concentrado basicamente nas atividades logis
ticas no ambito do controle e responsabilidade ime-
diatos da empresa, Administrar essa megaorganiza-
go representaré, logicamente, novos desafios, mas,
40 mesmo tempo, oportunizard eficiéncias ainda nao
alcancadas pela doutrina ¢ estruturas organizacionais
existentes.
OPCOES ORGANIZACIONAIS
‘Uma vez estabelecida a necessidade de alguma forma
de estrutura organizacional, a empresa tem varias op-
ges disponiveis. Elas podem ser categorizadas como
dos tipos informal, semiformal ou formal, Ndo existe
um tipo dominante. A opcio organizacional para
qualquer empresa é freqiientemente o resultado das
forcas evolucionérias em aco no seu contexto, Ou
seja, a forma logistica organizacional & muitas vezes
sensivel a determinadas personalidades na empresa,
as tradigGes da organizagao e d importncia das ativi-
dades logisticas.
* Robert Sloan, “Totegrated Tools for Managing the Toa Pipeline”
Conference Proceedings Volume I (St. Louis: Council of Logistics Mane
gement, 1989), pigs. 93-108546
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
‘A Organizacio Informal
principal objetivo da organizagao logistica/CS ¢ es-
tabelecer a coordenacdo entre as atividades logisticas
para o seu planejamento e controle. Havendo um clima
favordvel na empresa, esta coordenago pode ser con-
cretizada mediante um variado ntimero de meios infor-
‘mais. Sdo os que ndo exigem qualquer mudanga na es-
trutura organizacional existente, mas dependem da
coergio ou persuasio para conseguir a coordenagao
entre atividades e da cooperagdo entre os responsaveis
por el
Nas empresas que designaram dreas separadas de
responsabilidade para atividades da importincia dos
transportes, controle de estoques e processamento de
pedidos, um sistema de incentivos pode ser as veres
criado para coordené-las. Embora 0 orgamento, que
representa um grande instrumento de controle para
uitas empresas, seja em geral um desincentivo &
coordenagao, pode ser as vezes transformado em um
‘mecanismo de efetiva coordenagao. O orgamento pode
ser um desincentivo porque um gerente de transportes,
por exemplo, consideraria irracional incorrer em cus-
tos de transporte maiores do que os necessérios a fim
de possibilitar uma redugdo dos custos do estoque. Os
custos do estoque nao se ineluem no Ambito de respon-
sabilidade do gerente de transportes com relagao a0
orgamento, O desempenho do gerente de transportes é
avaliado pela maneira com que 0s custos do transporte
se adequam ao orgamento,
Um possivel sistema de incentivo & cooperagao de
interatividades ¢ o estabelecimento de um determinado
inimero de taxas cruzadas ou custos transferidos entre
as varias atividades logisticas. Pense em como uma de~
cisto de escolha de transporte poderia ser feita quando
afetasse indiretamente os niveis de estoque, mas 0 res-
ponsével pela decisio sobre transportes nao tives
{ra motivacio a nio ser a de concretizar os menores cus
tos possiveis na sua drea de ago,
Exemplo
‘Suponha que 0 gerente de estoque de uma empresa
deva autorizar niveis de armazenamento acima dos
desejados para possibilitar a utilizagdo de um modal
de transporte menos dispendioso, porém mais demo-
rado, o que acarretaria embarques em grandes quanti-
dades. Até 0 ponto em que os custos de estoque au-
mentarem acima dos desejados niveis de estocagem,
como determinado em objetivos estritamente de ar-
‘mazenagem, o resultante aumento dos custos sera de
responsabilidade da geréncia de transportes. O geren-
te de transportes pode avaliar em termos realistas 0
impacto de sua op¢do por modal de transporte sobre
os custos de estoque, fazendo uma opgio que equili-
bre os custos em toda a empresa simplesmente se-
‘guindo seus objetivos em matéria de orgamento,
Outra forma de incentivo seria estabelecer alguma
‘modalidade de acordo em matéria de economia e com-
partilhamento de custos. Todos os gerentes das diversas,
atividades logfsticas que apresentam padres conflitan-
tes de custos poderiam juntar suas economias de custos
A partir dat, estabeleceriam um esquema formal para
dividir as economias e repassé-las, para redistribuicao,
aos salérios. E sem diivida um incentivo & cooperacao,
porque a maior economia potencial é alcangada quando
a cooperagdo conduz a um equilfbrio nas atividades que
ostentam padres de custo conflitantes. Esses chamados
planos de participagdo nos resultados tém apresentado
sucesso limitado entre as empresas, mas jé existem al-
‘gumas que proclamam grande sucesso em sua utiliza-
‘ao (por exemplo, a Lincoln Electric).
A ctiagao e atividades dos comités de coordenagao
constituem outra abordagem informal da organizagao
logistica. Os comités s20 formados por membros de ca-
<éa uma das dreas log{sticas mais importantes. Ao pro-
porcionar um meio vidvel para que a comunicagio ocor-
ra, 0 resultado maior pode ser a coordenagao. Em em-
presas nas quais ¢ tradicional a existencia de comités de
coordenagao, a forma dos comités pode ser amplamen-
te satisfatria. A Dupont & um exemplo de companhia
renomada por seu gerenciamento eficiente por comité
Embora os comités paregam constituir uma solugao
simples e diteta para o problema da coordenagao, sua
maior deficigncia esté no fato de que, de maneira geral,
sfio escassos 0s poderes de que dispéem para imple-
mentar suas préprias recomendagGes,
A revisfio das decistes e operagdes logfsticas por
um diretor executivo pode constituir maneira particular-
‘mente eficiente de incentivar a coordenagio. A cépula
administrativa dispde da posigZo indispensdvel na estru-
tura organizacional para observare avaliar os pontos em
que ocorrem decisdes subdtimas. Como os gerentes su-
bordinados nas éreas de atividade log{stica sao respon-
saveis perante a cipula, 0 incentivo e apoio manifesta-
dos por esta & coordenagao e cooperagaio entre essas ati-
vidades interfuncionais representam boa parte do cami-
rho andado rumo & meta de atingir os objetivos organi-
zacionais sem uma estrutura organizacional formal.
A Organizagio Semiformal
A modalidade de organizagio semiformal reconhece
{que o planejamento e operagdo logisticos normalmente
encurtam o caminho entre as varias fungBes da estrutu-
ra organizacional da empresa, O profissional de logtsti-CaPirvt0 15 » ORGANIZACKO PA CADEIA DE SvPRIMENTOS/LOGIstICA $47
ca, ou coordenador de cadeia de suprimentos, passa a
coordenar projetos que envolvem a cadeia de suprimen-
tos ¢ que abrangem diversas éreas funcionais. Trata-se
daestrutura conhecida como organizago matricial, que
vem obtendo grande sucesso em uma érea de tamanha
importancia como a da indtstria aetoespacial. O concei-
to foi adaptado a gestdo dos sistemas logisticos, como
mostra a Figura 15-2,
Numa organizagao matriz, 0 gerente de logist
cuCS € responsével pelo conjunto do sistema logisti-
co, mas nio tem autoridade direta sobre as atividades
componentes. A estrutura organizacional tradicional
dda empresa permanece intacta, mas o gerente de logis
tica/CS compartilha a autoridade ¢ responsabilidade
pela decisio com o gerente da drea da atividade envol-
vida. Cada um dos departamentos funcionais precisa
justificar as despesas para as atividades, juntamente
com o respectivo programa logistico, que constituem @
base para a cooperagiio e coordenagao, O coordenador
de logistca/CS pode até mesmo assessorar na coorde
nagao das atividades logisticas entre as empresas par-
ticipantes do canal de suprimentos ultrapassando 0s i
mites de sua propria empresa.
Embora a organizagio matricial tenha condigdes de
ser uma forma organizacional titil, € preciso reconhecer
que as linhas de autoridade e responsabilidade nessa
modalidade ficam um tanto indistintas, Isso acaba pro-
vocando eventuais conflitos de dificil resolugo, No en-
tanto, para algumas empresas esta opgdo acaba sendo a
melhor adaptagao entre o modelo informal e aquele al-
tamente estruturado.
Exemplo
A United Fixtures fabrica material hidréulico pesado,
‘com vendas na casa dos 80 milhdes de délares anuais
Essa empresa criou recentemente um departanmento
de distribuigdo especificamente para resolver proble-
mas logisticos. O novo gerente é subordinado ao vice-
presidente de vendas e marketing. A meta definida pa-
2.0 novo departamento consiste em definir padres
de servigo aos clientes e entio coordenar esses pa-
dies com os programas de entrega e de produgio.
(O departamento de vendas vinha estabelecendo
roteiros de produgdo a partir da fabrica, tendo em
vista sempre dar preferéncia aos maiores clientes, €
© pessoal do controle de produgdo no conseguia
manter-se a par das metas. O novo departamento
rapidamente conseguiu identificar 0 gargalo exis-
tente ¢ instituiu um sistema com melhor coordena-
‘so da entrada dos pedidos, programas de produ
‘¢do, armazenagem de campo e transporte a fim de
satisfazer as necessidades de todos os tipos de
clientes.
‘Ao mesmo tempo, 0 pessoal de vendas desenvol-
‘yeu novos métodos de sabotar os programas, uma vez
mais em beneficio das exigéncias dos clientes mais
favorecidos. O pessoal das compras confundiu ainda
mais a situagdo ao passar a se queixar fartamente
‘quanto as necessidades materiais amplamente dife-
rentes em virtude dos novos programas de producao,
‘Apesar do impacto favordvel sobre os custos dos
transportes ¢ da melhoria registrada nos prazos de
are | F] Satagnce | +] Sozemate | | 8
‘Servigo ao Contabilidade e| Garantade | | 3
Pres Scat
vendas ‘matenias
(Goordenador de logisticwO5|
‘Autordade do projeto
FIGURA 15-2 Uma organizagio logistica/CS matricial,S48 PARTE VI* OxcANIZAcko # ConTROL
cntrega, intimeros problemas permaneceram insoli-
veis. Muitas fungGes que se sobrepunham quanto &
participagdo no sistema de movimentagao de mat
riais sentiram que o departamento de distribuicdo es
tava interessado somente em melhorar um método
que beneficiasse a distribuigo dos produtos acaba-
dos. O gerente da distribuigo sentiu-se deslocado
a0 no conseguir o controle dos estoques de produ-
tos acabados. O vice-presidente de producao era 0
“responsdvel pelo controle dos estoques da empre-
sa’ ni tinha predisposigao alguma a liberar 0 con-
trole dos produtos acabados.
‘A-empresa viu-se persuadida a implementar uma.
forma de organizagao matricial. Registrou-se consi-
derdvel sucesso, mas algumas dificuldades passaram
ser sentidas com 0 obstéculo da autoridade compar-
tilhada. Nomeou-se entZo um vice-presidente execu-
tivo encarregado dos materiais. Nesse cargo, ele nao
tinha sob sua diregao uma grande equipe nem qual-
quer dos departamentos a ele se reportava. Devendo
uito disso ao seu pomposo titulo ¢ também & abor-
dagem conciliatéria empregada, ele e dois assessores
conseguiram, apesar de tudo, estabelecer 0 tipo de
controle geral que outras organizagées funcionais nao
haviam atingido até entio.*
Daniel W. DeHlayes rand Robes L, Talo, “Making “Logistics Work na
Firm", Business Horizon (Jane 1972), pgs. 38645. Copyeight © 1972 da
Foundation forthe School of Busines at Indiana Univesity. Reprodurida
com permissio,
A Organizagio Formal
A organizagio formal estabelece linhas transparentes €
dfinidas de autoridade e responsabilidade para a logis-
tica/CS. Isso normalmente requer instalar um gerente
em posigio de comando das atividades logisticas e si
tuar a autoridade desse gerente em um nivel da estratu-
ra geral da organizagio que Ihe permita trabalhar efeti-
‘vamente com as outras grandes éreas funcionais da em-
presa (finangas, operagdes e marketing). Isso elevae es-
trutura o pessoal logistico de forma a propiciar uma
coordenagio de atividades. As empresas se voltam para
‘© modelo da organizagio formal quando arranjos menos
formais nao tém sucesso ou quando é preciso dar maior
alengio as atividades logisticas.
(Os profissionais ndo cansam de destacar que no
existe 0 que se possa considerar como organizago tipica
da logistica. A estrutura organizacional é padronizada de
acordo com as cireunstancias individuais em cada empre-
sa, No entanto, € possivel desenvolver uma organizaga0
formal genérica que faca sentido em termos de prinefpios
de gestio logistica e aparega, pelo menos de forma par-
cial, em um niimero suficiente de empresas para poder
servir como modelo. Essa estrutura organizacional é de-
talhada na Figura 15-3 e serve como valiosa orientagao.
Esse projeto formal acaba concretizando diversos
importantes objetivos. Em primeiro lugar, a logisti-
calCS € guindada na organizagao a uma posigao em que
€ dirigida com a mesma autoridade que as outras fun-
«es principais. Isto ajuda a garantir que as atividades
logisticas recebam a mesma atengdo que 0 marketing,
Presidente
(CEO)
—,_"———_
[Vice-presidente| | Vice-presiaente] | Vice pesidente|
finangas ‘operagies logistica
Vie: presiaonre|
‘markoung
Gerente
armazenagem &
manuseio de
materials
Gerente
aquisigdes
Gerente
processamento
‘de podidos &
servigo 20 lente
Gerente
vansporte ©
embalagem
Gorente
estaques
eronograma
be produgao
FIGURA 15.3 Uma organizagao eentalizada, formal, pra logisticalCS.CAPirvt0 15 * ORGANIZACKO PA CADEIA DE SuPRIMENTOS/LOGIsTICA $49
operagées e finangas. Igualmente estabelece 0 cenério
para que o gerente de logistica passe a ter vor ativa na
resolugao de contflitos econémicos. Situar a logistica no
mesmo plano que outras dreas funcionais eria um equi
Iibrio de poder que colabora para manter a sate econ6-
mica da empresa como um todo.
Em segundo lugar, um niimero limitado de subéreas
6 criado sob a dirego do executivo de logistica/CS. As
cinco categorias mostradas na Figura 15-3 slo estabele-
cidas com um gerente para cada uma delas e gerencia-
das como entidades independentes. Coletivamente, elas
representam as principais atividades pelas quais os ge-
rentes so normalmente responséveis.’ E por que exata-
mente cinco éreas? Sao criadas apenas tantas reas
quantas as respectivas competéncias técnicas conside-
ram indispensiveis. Pode parecer desejével combinar,
digamos, atividades de transporte ¢ estocagem em uma
frea tinica porque seus custos esto naturalmente em
conflito ¢, com essa unificagdo, haveria melhor coorde:
naga, No entanto, as habilidades téenicas necessérias
em cada uma dessas Areas so substancialmente dife-
rentes, e por isso mesmo encontrar gerentes para essas
reas combinadas que tenham ambos os tipos de habili-
dades € algo realmente problemético. Torna-se quase
sempre mais viavel manter essas atividades sob um ge-
rente separado e depender do gerente de logistica para
estabelecer a coordenagio através dos tipos organiza-
cionais formal ou semiformal anteriormeente discuti-
dos. Argumentos similares podem ser apresentados em
(0 outras dreas de atividades. Por isso mesmo, a
estrutura de organizago formal é um equilfbrio entre
minimizar o mimero de grupos de atividades a fim de
incentivar a coordenago e ao mesmo tempo manté-las,
separadas para ganhar em eficiéncia na geréncia dos
seus aspects téenicos.
‘A estrutura organizacional da Figura 15-3 & a mais
formal e centralizadora existente atualmente na indiis
tria. Trata-se de uma estrutura que integra tanto a dire-
fo de materiais quando a distribuigfo fisica sob uma
Uinica bandeira. Relativamente poucas empresas tém, na
verdade, atingido este grau de integragio (20% em
1985),* mas as tendéncias em custos ¢ servigos ao clien-
te contribuirio para aumentar a preferéncia pelo mode-
Jo, No entanto, o modelo basico € stil, quer em empre-
sas que organizam suas operagdes log{sticas em tomo
de atividades de suprimento, como ocorre nos casos de
iniimeras empresas de servicos, quer em tomo de ativ
dades de distribuigdo fisica, como ocorre nos casos de
iniimeras empresas de manufatura,
‘Berard 1. Lalonde and Lanry W. Emmelaing, “Where Bo You Fit In?"
Disriution, No.8, 11 (November 1989), pi 34,
"ALT: Kearney, Emerging Top Management Focus forthe 19803.
Exemplo
Varios anos atrés, um produtor de detivados de mi-
Iho ¢ soja reorganizou suas atividades de distribui-
‘so. Em funcao dos elevados volumes de suas re-
messas, as atividades de tréfego recebiam uma aten-
‘so inusitadamente concentradora, com um vice-
presidente de trafego como membro da junta de di-
relores. O desempenho da divisio de tréfego era me-
dida pelo peso em délares da conta dos fretes. Em
parte devido a isso, 0 sistema de distribuigao foi
crescendo até chegar a contar com mais de 350 pon-
tos de estocagem.
Em virtude de um estudo feito por uma consulto-
ria externa e do apoio dado pela cpula administrati-
va, as fungdes do servigo de produtos acabados foram
agrupadas sob um direfor tnico, Esta fungao integra-
dda é mostrada na Figura 15-4, tendo sido criada a par-
tir dos fragmentos organizacionais encontrados no
cconjunto das atividades da empresa. Um integrante do
grupo de marketing foi escolhido como o novo chefe
da distribuicio fisica. A nova organizago no apenas
‘deu como resultado um maior controle sobre o produ-
to acabado, como também conseguiu reduzir o mime:
ro dos atrasos nos embarques em 88%, enquanto au-
mentava a disponibilidade de estoques no mercado.
‘Tudo isso foi conseguido a um custo total relativa-
mente baixo,
0s resultados da organizagao da distribuigao fo-
‘am t20 impactantes que as atividades de suprimentos
passaram, em conjunto, a ser administradas por um
executive com o titulo de gerente de materiais. Obser-
ve como esse projeto organizacional estava evoluindo
c mostrado na Figura 15-3.
ORIENTACAO ORGANIZACIONAL
Conforme um estudo da Michigan State University so-
bre as “500 Maiores” empresas selecionadas pela revis-
1a Fortune, descobriu-se que o tipo de estrutura organi-
zacional a ser escolhido dependia de uma estratégia e
pecial qualquer que a empresa estivesse pondo em pri
tica” O projeto organizacional parece seguir trés estra-
tégias corporativas: processo, mercado e informa
Estratégia de Processo
Uma estratégia de proceso € aquela que tem por objeti-
vo atingr eficiéneia maxima na transformagio de maté-
* Bowersox and Daugheny, “Emerging Paters of Logistical Organization550
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
Disor
amboio
tise
Gerere erento Geren
servigo de controle de_ instalagdes de Goreme
[pedidos de venda estoques: distribuigao ‘transports
tats Produtos de iy Taras ©
oeessaen neuen geais peace
Plantas de ‘Operagses
roduos | | Jomoaagem ae} | | rodowar.
wuts rreaucece |) eters,
wiontes
Armazéas do soda
Commoaities distribuigao empresa
Armazéns
dopance
de Sacos
FIGURA 15-4 Projeto de divisio organizacional de distribuigio para um produtor
de derivados de milho e soja
rias-primas em produtos acabados, passando pelo est
zzio de produtos em processo. O projeto de organizagao
tende a focar-se nas atividades que criam aumentos de
custos. Isto ¢,atividades como compra, programagao da
producao, estocagem, transporte ¢ processamento de
pedidos sero concentradas e gerenciadas coletivamen-
te, A forma atual da organizagio ser mais provavel-
‘mente dos tipos anteriormente discutidos
Estratégia de Mercado
Empresas orientadas por estratégia de mercado tém
uma forte orientago para o servio ao cliente. Buscam
principalmente tanto vendas quanto coordenago logis.
tica. A organizagio logistica nfo deve em principio in
tegrar as atividades logisticas que so inerentes & estra-
‘tégia de processo, Em ver disso, tais atividades direta-
‘mente relacionadas aos servigos aos clientes em vendas
¢ logistica so coligadas e quase sempre se reportam a0
mesmo executivo. A estrutura organizacional tende a
cexpandir-se ao longo de unidades de negécios com vis-
tas a um alto nfvel de servigo ao cliente. Obviamente, os
custos logisticos nao serio facilmente mantidos no seu
‘menor nivel.
Estratégia de Informagio
Empresas que perseguem uma estratégia de informagao
siio provavelmente aquelas dotadas de uma significativa
rede de representantes c organizagées de distribuigio a
frente na cadeia com substanciais estoques. A coordena-
‘do das atividades logisticas ao longo desta rede disper-
sa é um dos objetivos principais, constituindo a infor
magao 0 ingrediente fundamental da consecugao de um
‘bom gerenciamento, A fim de garantir esta informacao,
aestrutura organizacional é apta a expandir fungées, di-
visdes e unidades de negécios. Quando as atividades lo-
isticas ultrapassam os limites legais dos integrantes do
canal, como ocorre quando mercadorias so colocadas
em consignago em pontos de varejo ou bens devolvi-
dos sto manipulados pelas empresas compradoras, éin-
dispensdvel obter informagio ao longo desses limites
organizacionais. Assim, a estrutura otganizacional pre-
cisa expandir-se além das fronteiras legais tradicionais
a propria empresa
Deverfamos reconhecer que nenhuma empresa €
propensa a demonstrar um projeto tnico de onganiza-
‘40, Como estratégias mistas costumam existir na mes
ma empresa, uma Variedade de projetos poderé aparecerPOSICIONAME)
CaPirvto 15 © OxGANIZACKO DA CADHIA DE SuPRIMENTOS/Loaistica S81
para empresas essencialmente similares. Além disso,
empresas similares podem estar em diferentes estigios
do desenvolvimento organizacional, Isso tende a difi-
cultar a explicagio da racionalidade de qualquer deter
minada estrutura a partir unicamente do seu projeto.
NTO ORGANIZACIONAL
A opsiio e orientago organizacionais sfo as primeiras
consideragées em matéria de estrutura organizacional.
Em seguida, situa-se 0 posicionamento das atividades
logisticas com vistas a um gerenciamento mais eficien-
te. O posicionamento diz respeito a em que ponto loca:
lizar essas atividades na estrutura organizacional, Isto &
determinado por questGes como descentralizagio versus
centralizagao; assessoria versus linha, e (ope por) em:
presa grande versus pequena.
Descentralizagao versus Centralizagio
‘Uma das controvérsias persistentes em matéria de or-
ganizagdo é sobre se as atividades deveriam ser agru-
ppadas perto da cipula administrativa ou dispersadas a0
longo das divisdes das empresas maiores. Por exem-
plo, uma grande empresa de eletricidade tem um nti-
vel de divisdes de produtos, como equipa-
mento elétrico industrial, energia nuclear, dispositivos
menores, dispositivos maiores e limpadas. Uma orga-
nizagdo centralizada agrupa as atividades logisticas no
nivel corporativo para servir a todos os grupos de pro-
dutos, como na Figura 15-5. Por outro lado, a organi-
zagio logistica descentralizada atribui a responsabili-
dade pela logistica a0 nivel de grupo ou divisio de
produtos, como na Figura 15-6. Uma organizagao de
logistica descentralizada separada ¢ criada para servir
acada divisao.
Existem algumas vantagens dbvias em cada um
desses tipos, e no sto poucas as empresas que criam
formas organizacionais que mesclam ambos os tipos a
fim de extrair a melhor combinagio das respectivas van-
tagens. A principal razao para a forma centralizada ¢ a
manutengdo de um rigido controle sobre as atividades
logisticas e para tirar proveito das eficiéncias relaciona-
das com a escala de atividades que pode ocorrer me-
diante a concentragao de todas as atividades logisticas
da corporagao sob o comando de um tinico diretor. Con-
sidere a atividade de trifego como um exemplo, Muitas
empresas tm frotas préprias de caminhdes. A utiliza
G0 do equipamento é a chave para a eficiéncia, Tendo 0
controle centralizado de todas as atividades de trafego,
‘empresa consegue constatar que o transporte de ida
Geréncia gor
Conaunorae | |
ranges DyisioA Tesi Dwi
Triad 0
Vongas Ventas
Antico mavsoing | [-]Pgeessanewe |] matoang
Contabilidade | |} Operagies Geréncia de. Operagies:
cstqueee
pregranaiso
LE engermara | | | Se broatio | LY engonana
Transportes
pniigae
Gertnda do
someones
oman
FIGURA 15-5 Um exemplo genético de uma estrututura organizacional centralizada
ée logistical.552
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
Se pedidos
ernte ger
Consstorae
Fnangas || Dvisdo.a pwsaos || Pessusae |) aqusigsos
ansise |] Yordase || Logisicaos |] operacsos
7 t
Combis i Tanspores |}
: Ewes]
procascamento| |
Gorénciade |__|
estoque e
programagao
da produgao
Geréncia de
armazeramento|
‘emateriaie
FIGURA 15-6 Exemplo genético de estrutura organizacional descentralizada de logistica/CS.
dos produtos de uma divisio pode ser o transporte de
volta para os de outra. Esses movimentos podem ser en-
‘Go equilibrados, enquanto que sob uma organizagio
descentralizada essa possibilidade nao seria notada. Efi-
cigncias similares podem ser obtidas mediante o arma-
zenamento compartilhado, as compras compartilhadas &
‘6 compartilhamento do processamento de dados.
‘A descentralizagao da organizagio permite as vezes
uma reagao logistica mais répida e mais padronizada as
necessidades dos clientes do que a da organizagio cen-
tralizada, mais remota. A descentralizagio faz. grande
sentido quando as linhas de produtos slo claramente di-
ferentes em suas caracteristicas de marketing, logistica
«© manufatura, ¢ quando so escassas as possibilidades
de concretizar economias de escala,
E muito raro que se possa esperar encontrar um
projeto ou puramente centralizado ou puramente des-
centralizado, Por exemplo, embora exista o interesse
xgerencial por autonomia divisional e mesmo regional
entre as unidades operacionais de uma empresa, pro-
_tessos técnicos como 0 processamento de dados in-
formatizado tornaram mais eficiente 0 fato de se dis-
por de um controle centralizado de processamento de
pedidos e dos estoques. Tendéncias conflitantes como
cessas ajudam a explicar a diversidade das formas orga-
nizacionais na prética
Assessoria versus Linha
‘tio muitas as empresas que nao criam organizagdes do-
jas de responsabilidade de linha, ou direta, sobre mo-
vimentagao e estocagem de produtos. Essas empresas
consideram mais satisfatério, nas respectivas circuns-
tancias, estabelecer uma organizagio de assessoria, ou
consultoria, em matéria de logistica. O profissional de
logistica 6, no caso, instalado em um papel de consulto-
ria para as outras fungdes de linha, como marketing &
operagées. Uma organizagio de consultoria é uma boaCaPirvL0 15 © ORGANIZACKO PA CADEIA DE SuPRIMENTOS/LOGIsTICA $53.
alternativa quando uma organizactio de linha poderia
causar conflitos indesejaveis entre as equipes existen-
tes; as atividades logisticas so menos fundamentais do
que as atividades de vendas e producio, entre outras; 0
planejamento 6 relativamente mais importante que a ad
ministraglo; ¢ a logistica é tratada como um servigo
compartilhado pelas divisdes de produtos.
A organizagao do tipo de consultoria pode ser agre-
gada a qualquer das reas funcionais em nivel centrali-
zado ou descentralizado. E freqliente, porém, que a con:
sultoria logistica seja instalada junto & cépula adminis-
trativa em localizago geogréfica e no organograma da
organizagio, Como a consultoria logistica esté no papel
de assessoria, autoridade mais indireta pode ser atribut
da. logistica por meio deste tipo de posicionamento or-
ganizacional, Na verdade, algumas consultorias logis
cas de nivel corporative detém mais autoridade que
‘uitas organizagbes de linha em nivel de divisao.
Grande versus Pequena
‘A maior parte das atengdes foi dedicada, até aqui, as
grandes empresas, multidivisionais. E 0 que dizer das
Pequenas empresas? Deverfamos pelo menos reconhe-
cer que a pequena empresa tem quase tantos problemas
logisticos quanto a grande corporagao. De alguma for-
ima, as atividades logisticas chegam a ser mais impor-
tantes porque a pequena empresa nao tira proveito das
compras e remessas em grandes volumes, ao contrério
das grandes empresas. Organizacionalmente, a pequena
empresa tem alguma forma de organizagdo centralizada
porque, por motivos préticos, ndo existem divisdes de
produtos. Além disso, as atividades logisticas nio ten-
dem a ser tdo claramente definidas e estruturadas quan-
to nas grandes empresas.
GERENCIAMENTO INTERFUNCIONAL,
Boa parte da discussfo anterior girou em torno da orga-
nizagdo da log{stica como uma fungao isolada, integra-
da para reduvir conflitos entre as atividaddes logisticas.
Emibora seja em geral redurido o conflito entre taisati-
vidades, o acréscimo de uma érea funcional aumenta 0
nivel de conflito entre a logistica e as outras éreas fun-
cionais no Ambito da organizagio. Uma vez que todas
as atividades de uma empresa so economicamente in-
ter-elacionadas, departamentaliz4-las com base em li-
nnhas funcionais para criar uma razogvel extensdo de
controle para o gerenciamento é algo que acaba promo-
vendo conflitos. A autonomia da responsabilidade, au-
toridade ¢ recompensa nao sio incentivos a compensa-
Ges entre atividades interfuncionais, e podem conduzir
‘um desempenho substimo da empresa como um todo.
Por isso, 0 profissional de logistica, da mesma forma
que seus superiores, precisa estar preparado para en-
frentar as peculiaridades do problema do gerenciamen-
to interfuncional.
Viirias sdo as atividades na interface da logistica
com outras éreas da empresa, criando assim a responsa-
bilidade compartilhada. Entre elas podem figurar 0 ser
vigo ao cliente, entrada e processamento de pedidos,
embalagem e localizagao de varejo para a interface lo-
gistica-marketing; ¢localizagao de fabrica, aquisigdes €
programacdo da produgdo para a interface logistica-
operagies. Recorde que atividades de interface, ou inte
racio, so aquelas que requerem alguma forma de ge-
renciamento cooperativo entre as freas funcionais em-
penhadas em evitar que decisdes subétimas venham a
ser adotadas.
(Os beneficios do gerenciamento interfuncional en-
trea logfstica e 0 marketing podem ser vistos quando
prestamos atengio, por exemplo, & area da embala-
gem. A embalagem € uma preocupagio do marketing
devido ao impacto que & capaz de exercer sobre as
vendas. As caracteristicas de protegio, estocagem ©
manuseio da embalagem recebem em geral escassa
ateng20 do marketing, a menos que a recompensa do
marketing seja de alguma forma determinada pelo pro-
jeto da embalagem. A atividade logistica da empresa é
que acaba sofrendo, na maioria dos
qiiéncias de um projeto deficiente de embalagem, na
forma de manuseio e estocagem problematicos. Por
outro lado, o desempenho da logistica ndo € normal-
mente medido pelas qualidades promocionais de uma
embalagem. Ainda assim, a embalagem constitui uma
entidade tinica. Nao € possivel divorciar as caracte
ticas de protegio das caracteristicas promocionais. Al-
guma colaboragao acaba sendo necesséria para que se
consiga um projeto de embalagem capaz. de gerar 0
melhor equilibrio entre receitas de marketing ¢ custos
logisticos. Operando isoladamente, nenhuma dessas
fungées conseguiré desenvolver um projeto de emba-
Jagem que ofereca os mesmos proveitos econdmicos
que outro criado pelo trabalho conjunto.
A cooperagio entre operagdes e logistica na de-
Lerminagiio de programas de produgo é um segundo
exemplo. O estoque é 0 elemento comum entre as
duas fungées. A fungao de operagées busca progra-
‘mas de produtos para compensar 0s custos de estoca-
gem em relagdo aos custos de manufatura, Por outro
lado, a logistica trata de compensar os custos de esto-
cagem com os custos do transporte quando da defini
¢40 sobre programas de produgio. Sem essa coopera-
62, ndo existe garantia de que um equilfbrio étimo
vena a ser atingido entre os custos de transporte, es-
tocagem e manufatura,554 PARTE VI OxcANIZACko # ConTROLE
existe também para as restantes atividades de interface.
Exemplo
Um processador de ago corta ¢ formata rolos, folhas €
placas compradas de produtores maiores para revenda
a clientes que precisam do ago moldado de acordo
com suas proprias estamparias e formatos. A maior
parte das transagdes € feita contra pedido, sendo os
estoques de matéria-prima e 0 processamento pelas
‘maiquinas os principais custos componentes do prego
final. Os clientes costumam fazer seus pedidos sem
aviso antecipado, o que, logicamente, acaba causando
problemas no planejamento do distribuidor. So pou-
as as oportunidades de reduzir os custos mediante a
programagio do processamento de outros pedidos ou
de economias em compras e estocagem de matéria-
prima, Se os clientes puderem ser incentivados a in-
formar 0 processador sobre quando emitirao seus pe-
didos © do que estes constardo, a eficiéncia operacio-
nal também serd possivel. Trabalhando com a érea de
vvendas, o departamento operacional tem condigdes de
estimar 0 beneficio dos compromissos antecipados de
compras, enquanto a érea de vendas utiliza essa infor
‘magio para determinar um desconto de pregos a0
cliente que iré variar de acordo com a extensao da an-
tecipagio das proporgdes do pedido, Alinhando-se os
descontos de pregos com os beneficios operacionais,
€ possivel melhorar os Iucros gerais do canal, a0
‘mesmo tempo proporcionar beneficios maiores aos
clientes e ao processador do ago. As dreas de vendas €
‘operagdes terdo assim cooperado em carter interfun-
cional para o beneficio geral da empresa.”
GERENCIAMENTO.
INTERORGANIZACIONAL
Até aqui, analisamos os problemas organizacionais re-
acionados com o realinhamento das atividades de uma
empresa tendo como objetivo a concretizago de com-
pensages econémicas significativas, bem como os pro
blemas relativos ao gerenciamento das atividades em
interfaces de Areas funcionais. Esses dois problemas ge-
renciais so internos. Como as politicas de suprimento
¢ distribuigfo de qualquer empresa no canal de distr
buigio podem afetar o desempenho de outras firmas
™ Stephen M, Gilber and Ronald H, Ballou, “Supply Chin Benefits from Ad
‘ance Customer Commitments", Joural of Operations Management Vo
18 1999), pags. 61-73.
presentes nesse mesmo ambiente, irrompe a divida so-
bre se haveria, ou nfo, alguma vantagem em considerar
© canal como uma entidade tinica, ou “superorganiza-
do", e gerencié-lo de modo a beneficiar igualitaria-
‘mente a todos os respectivos integrantes, Nao se trata de
qualquer proposiga0 com carter de supernovidade,
apesar de ser inteira verdade o fato de que os processos
nela envolvidos ainda no contam com um entendimen-
to satisfat6rio. Como observaram, j4 hd bom tempo,
Stern e Heskett:
© gerenciamento de organizagdes complexas tem
sido alvo de considerdvel escrutinio pelos estudio-
sos dos processos administrativos. Mas a literatura
dedicada ao gerenciamento de sistemas interorga-
nizacionais ainda é escassa, mesmo em se tratando
de entidades cujos objetivos transcendem aqueles
das organizagées independentes definidas por fron.
teiras legais,
Havendo a possibilidade de desenvolver processos
organizacionais efetivos para encaminhar as questes
logisticas externas & empresa, a firma esté predestinada
a lucrar de uma forma impensével sob qualquer outra
modalidade. Esse € um dos fundamentos da geréncia da
cadeia de suprimentos e que somente nos itimos tem-
pos passou a ser ativamente buscado pelos pesquisado-
res ¢ profissionais.
A Superorganizagio
A superorganizagao é um grupo de empresas aparen-
tadas em fungao dos seus processos de negécios e ob-
jetivos miituos (satisfazer os clientes e maximizar os
Tucros), mas legalmente independentes. Comparti-
tham um interesse comum pelas decisdes individuais
que cada uma delas adota, pois as decisbes das outras
empresas podem afetar seu desempenho, e vice-
versa. Por exemplo, a decisio de uma transportadora
sobre os precos tera influéncia sobre a decisio dos
clientes a respeito da quantidade de servicos que iro
comprar. A decisao do cliente sobre compras, por sua
vez, influencia a decisio da transportadora quanto
aos pregos. Normalmente, cada empresa toma suas
decisdes de acordo com os objetivos estabelecidos
Sendo esse objetivo a maximizagio dos lucros, adotar
as decisdes sobre compra e precificacdo isoladamen-
te ndo apenas conduz a lucros subtimos para as em-
presas coletivamente, como também pode gerar Iu
"Louis W. Stern and JL, Hesket, “Conflict Management in Interongsni
‘ation Relations: A Conceptual Framework", em Distnbution Channels
Behavioral Dimensions, ed. Louis W. teen, (Boston: Houghton Mifflin,
1969), pig. 288CAPirvL0 15 + ORGANIZACKO DA CADEIA DE SuPRIMENTOS/LOGIsTICA $55
cros subétimos para essas mesmas empresas no plano
individual. O gerenciamento da superorganizacao 6
tum empreendimento relativamente facil quando os
esforgos cooperativos proporcionam retornos propor-
cionalmente maiores, e com distribuigéo eqilitativa,
para cada um de seus componentes. A situagao € au-
tomotivadora para os membros, sendo 0 nico requi-
sito ter plena consciéncia das possibilidades e benefi-
cios gerados pela cooperagdo, No entanto, se os bene-
ficios da cooperagio “se concentram” (favorecem
desproporcionalmente) em um ou alguns dos int
grantes do canal, surge a necessidade de distribuir
eqilitativamente os beneficios e dispersar entre eles
informacao sobre os efeitos da cooperacao.
Exemplo”
Os conflitos e oportunidades inerentes & superorgani-
zago podem ser ilustrados por meio de um exemplo
hipotético muito simples. Suponha um canal de supri-
mentos consistente de um comprador e um vendedor,
O vendedor fixa.o prego de um item para o comprador
0 comprador decide a quantidade a ser comprada. A
demanda sobre o comprador € relativamente previst
vel e estével; o comprador determina a quantidade
ccomprada a partir da férmula da quantidade econdmi-
cea de pedido a fim de minimizar os custos de aquisi-
{¢i0 © manuseio de estoque. O contlito potencial no
canal surge quando a quantidade do pedido para 0
comprador no € a quantidade de pedido preferencial
para 0 vendedor.
© comprador 6 um fabricante de equipamentos
originais produzindo D = 10,000 unidades de um
determinado modelo a uma taxa constante. A em
presa compra um componente para esse modelo de
tum fornecedor situado a montante da cadeia, Cada
[Link] 0 comprador coloca um pedido, incorre em
‘um custo de pedido relacionado com os detalhes ad-
ministrativos, de transportes, etc, Este custo de pe-
dido € S, = $100. O comprador também arca com
custo de manutengio de estoque de I = 20% ao ano
para o componente avaliado em C= $50 por unida-
de, Obviamente, 0 comprador tentaré determinar
uma quantidade de pedido (Q,) que equilibre os
custos do pedido com os custos de manuseio do es-
toque. A partir da férmula EOC (recorde a Equagio
9-7), a quantidade étima de pedido para o compra
dor vem a ser
* Citado de Ronald H. Ballou, Stephen M. Gilbert and Ashok Mokheree
"New Managerial Challenges form Supply Chain Opportunities" Industrial
[Marketing Management, VO. 29, n° (2000), pgs. 7-18, om permis da
Elsevier Science.
(2S... |200000}100) 447 anidades
Te \ (0.2(50)
Qa
0 fornecedor produz contra pedido cada ver que
© comprador o confirma. Cada vez que o vendedor se
prepara para produzir um lote de componentes, incor-
re em um custo de preparagio da produgio de S, =
$300, © 0 custo anual total da organizagao (C,) depen-
de da quantidade do pedido do comprador: C,
$300D/Q,. Quanto maior a freqiiéncia dos pedidos do
comprador, maiores os custos de organizagao impos-
tos ao vendedor.
‘A quantidade 6tima de pedido do comprador (Q,)
no é a mesma que a quantidade étima de pedido da
cadeia de suprimentos inteira (Q.). Essas duas quanti-
dades de pedidos so rotuladas Q, ¢ Q., respectiva-
mente, na Figura 15-7. Se a cadeia de suprimentos
fosse propriedade e operagio de uma empresa isola
da, o custo total do pedido e da preparagao da produ
‘do de um lote de componentes seria de S, =, +5,..0
custo total de manutengio do estoque seria o custo de
manutengdo a cargo do comprador, IC. A quantidade
6tima de pedido para o canal seria
'3(10.000)(100 + 300)
(0.2)(50)
= 894 unidades
Infelizmente, quando 0 comprador e 0 vendedor
sio entidades legais separadas, o comprador nao tem
motivagio para desviar-se da quantidade étima de pe-
dido de 447 unidades, ainda que os custos totais para
acadeia de suprimentos viessem a ser mais baixos se
cele admitisse esse desvio, Na verdade, os custos totais
da organizagao da produgo e manutengo dos esto-
‘ques incorridos pela cadeia de suprimentos s40 25%
mais altos, porque a decisio de interesse proprio do
cliente o leva a pedir em quantidades que sio cerca da
metade da quantidade 6tima para a cadeia de supri-
mentos. A situagao econémica é resumida na Tabela
15-1 e mostrada graficamente na Figura 15-7.
Fica claro que os custos da cadeia de suprimentos
podem ser reduzidos mediante a troca para quantida-
des de pedido baseadas nos custos do conjunto da CS,
‘em ver de permitir que comprador determine o ta-
manho do pedido. Se fosse verdade que a troca para a
‘quantidade 6tima de pedido da CS resultasse na efeti
vaciio de custos menores tanto para o vendedor quan-
to para o comprador, o canal seria economicamente
cstvel, ou seja, nenhum dos membros se aventuraria
a alterar a quantidade de pedido pois os custos dessa
troca seriam muito elevados. Como visto na Tabela556
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
custo, $
4.000 -}
CCusto de comprador
1.500
‘Quantidade peda, unidades
FIGURA 15-7 Curvas de custo para o comprador, vendedor e eadeia de
suprimentos.
15-1, se fosse feita uma troca para a quantidade 6tima
de pedido da CS, o vendedor poderia tirar proveito as
custas do comprador, cujos custos teriam um aumen-
to de 25%. Como é, porém, © comprador que contro-
a as quantidades, ndo iré pedir a quantidade 6tima da
CS, a menos que sejam redistribuidos beneficios para
recompensé-lo por essa decisao. Os beneficios vio se
acumulando com um membro do canal que nao € 0
responsdvel por sua criagdo. E preciso encontrar os
‘meios para a solugdo deste conflit.
Gerenciando o Conflito
A meta de gerenciamento da superorganizagao ¢ 0 esta-
belecimento das condigdes para que cada membro dessa
coalizo possa tirar proveito de sua cooperagio com 0
beneficio do todo, Gerenciar a superorganizagao nao éa
‘mesma coisa que gerenciar dentro dos limites da empre-
sa. A confianga reside mais nas barganhas ¢ acordos ti-
citos que em relacionamentos estruturais formalizados.
Este tipo de gerenciamento ainda € algo de dificil enten-
dimento, constituindo, por isso mesmo, tema constante
de grandes estudos ¢ pesquisas. No entanto, o rumo que
Teva a0 gerenciamento bem-sucedido da superorganiz
«20 parece claro. Em primeiro lugar, & preciso estabele-
cer medidas para identificar as oportunidades de expan
so crescente e para qualificar e quantificar o desempe-
tho derivado da cooperacio. Fm segundo lugar, preci-
so descobrir as maneiras pelas quais os membros da su-
perorganizagao compartilham informagées relevantes
Em terceiro lugar, tem de haver uma estratégia para are
solugdo de conflitos. Em quarto lugar, é fundamental ha~
vver algum tipo de método no compartilhamento dos lu-
‘tos derivados da cooperagio e para que se possa manter
a sociedade entre os componentes da superorganizag’
Necessidade de Mensuracao
Revelar oportunidades que sejam ao mesmo tempo fato-
res de redugio de custos e de melhoria dos servigos na
cadeia de suprimentos a partir de uma gestao capaz de
‘anspor os limites entre as empresas e quantificar tais
oportunidades exige um sistema de contabilidade ao al-
cance de poucas empresas. A contabilidade de empreen-
dimentos miltiplos precisaria relatar custos tais como
‘manutengdo de estoques, transporte, preparacdo de pe~
didos ou produgio, estocagem e manuseio de produtos
— todas as informagdes de custos, demanda e servigo re-
lacionadas com os fluxos dos produtos entre as empre~
sas. Os membros do canal precisam dispor de condigdes
para avaliaro efeito de seu processo decisério sobre seu
desempenho ¢ também sobre o dos demais sécios. Pre~
cisam saber onde, no canal, os beneficios se
tram” e quantificar as mudangas no desempenho logfs-
tico. Medidas especificas voltadas para questdes de ex-
pansio de limites, como custo/lucro total do canal, tem-
po total de ciclo dos pedidos € produtividade do canal
deveriam constituir uma parte dos relatérios globais do
canal. Muitas das medidas que as empresas usam inter-
namente para suas metas gerenciais precisam ser esten-
didas aos seus parceiros na cadeia de suprimentos. Seja
qual for 0 formato adotado pelas medidas, deveria in-
centivar a identificagao e mensuragao das oportunida-
des da superorganizacao,CaPirvL0 15 + ORGANIZACKO DA CADEIA DE SvPRIMENTOS/LOGIstICA $57
TABELA 151 Custos anus para comprador, vendedor e cadsi de suprimentos sob virias quamtdades de pedido, om
unidades
timo do comprador, Gtimo da cadeia de suprimentos, Mudanga de custo a partir do
Q)= 447 unidades Q.= 894 unidades ‘timo do comprador, 0
Vendedor* $6711 $3.56 50%
Comprador* aan 5.589 25%
Cadeia de suprimentos* T88 Sous 20%
“76, = 800,
°1e,= 5010+ 100.
“TC. =(5, + 5)D10, + ICQ.
Informacao Compartithada
A superorganizagao precisa de uma adequada base de
informago por ~ no mfnimo ~ duas razbes. A primeira
est em que, a fim de que cada empresa possa ajustar
suas variaveis controlaveis de maneira a atingir lucros
6timos de canal, precisa conhecer as entradas dos fato-
res econdmicos nos problemas de decisao enfrentados,
pelos outros membros, bem como uma informago con-
{bil sobre o nivel dos Iucros cabiveis a cada um dos
membros. Em segundo lugar, um sistema de inform
adequado também reduz. as incertezas entre 0s diversos,
membros ¢ contribui para a continuidade de sua cope:
racdo voluntria. A criagdo de um sistema de informa-
0 intermembros ¢ uma possibilidade, embora garantir
um fluxo adequado e preciso de inform:
tegrantes da sociedade seja mais dificil devido as linhas
nada sélidas de responsabilizagio. No entanto, 0 com-
partilhamento de informagdes relativas do esforgo coo-
perativo é algo fundamental, pois ajuda a solidifcar a
confianga entre seus membros, um elemento indispen-
sdvel para fomentar e manter a cooperagdo.
Distribuigao dos Lucros
A redistribuigdo eqtltativa dos lucros obtidos com ba-
se na cooperacio ¢ fator de grande importncia. Recor~
de a Tabela 15-1, especialmente a coluna 3. Sob a
quantidade de pedido revista, os custos do canal ficam,
no seu menor nivel, mas a mudanga nos custos (ver a
coluna 4) ndo € distribuida equitativamente entre os
membros. Isto é tanto 0 vendedor quando o canal ten-
dem a ganhar com a mudanga da quantidade de pedido
pelo comprador. Mesmo assim, © comprador parece
destinado a ter prejuizo a medida que os custos aumen-
tam. O comprador fica, entdo, sem incentivo para coo-
perar, uma vez que sente que pode ganhar mais agindo
isoladamente, como se pode detectar dos dados de cus-
to de Q, na Tabela 15-1. O comprador tenderia a aban-
donar a sociedade, Se fosse estabelecido um método
para a redistribuigdo dos custos, possivelmente propor-
ional aos niveis de custos previsiveis sob a situagdo
em que ambos os membros trabalham sozinhos, cada
uum deles poderia ter as suas necessidades satisfeitas. O
comprador recupera o nivel de custos que teria ao agir
sozinho, e ainda compartilha dos custos-beneficios
concretizados por meio da cooperagio. Ambos os
membros tendem entéo a permanecer na sociedade,
uma vez que essa cooperacao significa beneficios para
as duas partes. No entanto, o estabelecimento de um
método para a transferéncia dos beneficios entre os
membros do canal de maneira a manté-los agindo em
concerto pode serilus6rio.
Estratégias de Resolugdo de Conflitos"”
Quando a cooperacio tem como resultado uma distri
buigdo equitativa de beneficios entre os membros do ca-
nal, nao ha necessidade de qualquer agao formal para a
redistribuigio desses beneficios. Todos os membros es-
{Go em situagdo melhor do que antes e se mostram satis-
feitos com os resultados. No entanto, se os membros
acreditarem que ganham, mas néo hi igualdade, ou que
0s beneficios se “concentram” com alguns dos mem-
bros em prejutzo dos demais, esté na hora de utilizar um
mecanismo de transferéncia formal ou informal
‘Mecanismo formal de transferéncia € aquele em
que um fluxo varisvel de produtos, sob 0 controle de
uum membro do canal, pade ser alterado de maneira a
ter influéncia sobre a ago de outro membro para que
4 otimizagao dos resultados do conjunto do sistema
venha a ser aleangada, Um exemplo na ilustragao ante-
rior seria ajustar os pregos no canal que fica sob 0 con-
trole do vendedor. Na Tabela 15-1, os custos do com
prador aumentam em $1.117 por ano se ele concordar
com uma quantidade de pedido de 894 unidades, en-
quanto que os custos do vendedor sio reduzidos em
$3.355 para essa mesma quantidade. Se o vendedor
transfere alguns de seus beneficios na forma de um
idem,558
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
desconto de prego capaz de reduzir custos anuais do
comprador em no minimo $1.117, um comprador eco-
nomicamente racional aceitaré esse incentivo e faré 0
pedido de acordo com a quantidade étima da cadeia de
suprimentos, Embora o prego seja uma varidvel que se
‘manipula para atingir a redistribuigdo dos beneficios,
‘outros mecanismos formais de transferéncia podem in-
cluir pedidos minimos, redistribui¢ao dos pedidos en-
tre os membros do canal para premiar a cooperacio,
incentivos para pedidos futuros, dependendo da confi-
_guragao do canal e de em qual setor do canal os bene-
ficios tendem a dar frutos.
Garantir a cooperagdo numa cadeia de suprimentos,
‘quando nao hé, ou nio esté em uso, um mecanismo for-
‘mal de transferéncia, requer outros mecanismos menos
diretos e dbvios, ou seja,informais. Os mecanismos in
formais de cooperagio surgem fora do tradicional en-
tendimento econémico do interembio, uma vez. que, 20
contréirio da teoria econdmica da pura e perfeita concor-
réncia, no existe o desenvolvimento de uma teoria da
pura e perfeita cooperagio.
Pelo menos dois grandes ¢ distintos mecanismos in-
formais, o poder e a confianca, sao utilizaveis com afi
nalidade de gerar a cooperagao em uma cadeia de supri-
‘mentos. Esses mecanismos so normalmente considera~
dos como alternativas miituas. O poder é um conceito
central, pois se considera que sua simples existéncia
condiciona os demais. O poder ¢ igualmente visto como
um principio central na consecugdo da cooperagio. Em
contraste, teoriza-se como sendo fundamental para 0
‘marketing de relacionamento a presenca da confianga,
no do poder, e de sua capacidade de condicionar outros
mecanismos.
Considere-se a fungio do poder como um mecanis-
‘mo destinado a concretizar a cooperacdo. O exercicio
do poder por um dos membros do canal pode ser usado
especialmente contra aquele que estiver em piores con-
digées em decorréncia da cooperagio. Um dos mem-
bros pode vir a ser de tal forma dominante que outros
acabem sentindo-se forgados a agir para coneretizar os
beneficios do conjunto do sistema. No exemplo, se 0
vendedor tem o status de tinico fornecedor, esta em
condigées de coagir 0 comprador a aceitar a ampliago
das quantidades que adquire desse fornecedor isolado.
(0 comprador pode ver-se obrigado a aceitar os custos
adicionais como um pseudo aumento de prego, ainda
que o vendedor nao tenha alterado sua politica de pre-
cificagao com as correspondentes obrigagdes legais ne~
{a implicitas
‘ormas adicionais de poder incluem o poder da re~
compensa, o poder especialista e 0 poder referente. Um
exemplo do poder de recompensa é estabelecer 0 com:
prador como o cliente preferencial, incluindo nisso tran-
sages mais rpidas e faclitadas ou garantia de servigos.
em relagao a quantidades dispontveis e prazos de entre~
ga. O beneficio para o comprador € a redugo da incer-
teza. Da mesma forma, um membro da CS pode usar 0
poder especialista, Neste caso, 0 vendedor pode forne-
cer treinamento, informagdo ou assisténcia na resolugao
de problemas como um incentivo & cooperagio. Outra
forma seria 0 uso do poder da referéncia. Aqui, a mar-
cca ou imagem do comprador podem ser fortes a ponto
cde 0 comprador sempre sair ganhando com a mera auto-
rizagio de usé-los em sua publicidade e para beneficio
proprio (p. ex. Intel Inside). Trata-se de um benetfcio
indireto para o comprador, tendente a levé-lo a concor-
dar em cooperar com a cadeia de suprimentos. Se 0 va
lor desses incentivos for maior do que o aumento de
custo de $1.117 sentido pelo comprador, o comprador
racional aceitara a condigao de fazer pedidos sempre
‘nas maiotes quantidades possiveis.
Outro mecanismo informal, o da confianca, & deti-
nido como a expectativa geral de um membro do canal
de que a palavra de outro € algo em que se pode confiar.
Isto 6, uma parte acredita na confiabilidade e integrida-
de da outra. Uma ver estabelecida a confianga, as partes
aprendem que esforgos conjuntos, coordenados, condu-
em a resultados que superam aqueles que a empresa
pode atingir agindo isoladamente em seu préprio bene-
ficio, 0 que € exatamente o fendmeno ilustrado no
exemplo. Em situagdes de barganha comprador-forne~
jor, a confianga se toma ponto central do processo
de atingir uma maneira cooperativa de resolugao de pro-
blemas e entendimento constrativo.
A confianga pode levar diretamente & cooperagao,
‘ou indiretamente pelo desenvolvimento de compromis-
0, 0 que entdo leva & cooperago, Um sécio compro-
‘metido com a relacio certamente cooperaré com o outro
em vista do seu desejo de fazer com que essa relagao
prospere e tenha resultados, No relacionamento inte~
rempresarial, o comprometimento e a confianga sao fa-
tores que tm positivos relacionamentos com a coopera~
«ao, Os conceitos de confianga e comprometimento so
usados como mecanismos para aperfeigoar o marketing
de relacionamento, que conduz a parcerias inéditas de
valor agregado pelas quais o comprador se incline a pa-
gar um determinado prego.
Dado que a confianga e o comprometimento levam
a0 resultado desejado da cooperagao na cadeia de su-
primentos, quais so os precursores desses mesmos
dois fatores em uma CS? Um grande precursor da con-
fianga € a comunicagao, que representa, em termos
amplos, 0 compartilhamento formal e informal de in-
formagao significativa e atualizada entre membros do
canal. O compartilhamento da informago é uma das
cinco pedras fundamentais que caracterizam relagdesCAPirv10 15» ORGANIZACAO DA CADEIA DE SvPRIMENTOS/LOGisTICA $59
realmente sélidas na cadeia de suprimentos, de acordo
com LaLonde."* A comunicagdo atualizada e instant&-
nea fortalece a conlianga mediante a assessoria que
presta na solugdo de disputas e no alinhamento de per
cepgdes ¢ expectativas a respeito dos beneficios da
cooperagio. Esta acumulacio de confianga, por sua
vez, conduz a uma melhor comunicagio. Assim, a in-
formagao relevante, atualizada e confidvel tem como
resultado o aumento da confianga, Novas maneiras de
compartilhamento de informagao, da mesma forma
que o compartilhamento de informagao entre as partes
normalmente concretizada em privado, podem ser fun-
damentais para que se aleance a cooperagao na cadeia
de suprimentos.
‘Outro precursor da confianga ¢ compartilhamen
to de valores. Isso se refere as erengas comuns que os
s6cios tém em relagao a maneiras de agit, objetivos &
politicas mais ou menos importantes, apropriados ou
inadequados, certos ou errados. Maneiras de agir, ou
comportamentos, so 0 resultado de partihar,identifi-
car-se com ou internalizar os valores de uma organiza
G40, ou da avaliagio cognitiva dos instrumentos dignos,
de relago continuada com uma organizagio. Assim, 0
compartilhamento de valores conduz.& confianga © a0
comprometimento e, em fungio disso, & cooperagio.
Em um canal de suprimentos, os respectivos membros,
tendem a compartilhar objetivos econémicos comuns.
‘Nenhum desses métodos pode garantir a resolu-
¢40 de conflitos ou forgar um determinado membro
do canal a atuar de maneira tal que va beneficiar 0 ca-
nal como um todo. No entanto, eles proporcionam all
gumas diretrizes para a concretizago das oportunida-
des latentes do gerenciamento do canal logistico en:
tre as empresas.
ALIANCAS E TERCEIRIZACAO
Hi empresas que, em vez de serem proprietirias da ca-
pacidade logfstica total ou de uma estrutura organiza-
cional logistica de grande porte, ou, ainda, em ver. de fa-
zerem acordos com outras empresas sem qualquer outro
critério além daquele da exigéncia ocasional, preferem
compartithar suas capacidades logisticas com outras
companhias, ou contratar atividades logisticas de em-
presas especializadas no provimento de tais servigos, as
chamadas terceirizadas, Muitas vém reconhecendo a
existéncia de vantagens estratégicas e operacionais nes-
sa terceirizagio da logistica. Entre esses beneficios po-
demos citar:
* Bemand J Lalonde, “Building «Supply Chain Relationship", Supply Chain
‘Management Review, Nol. 2,2°2 (all 1998), pgs. 78
* custos reduzidos € menores investimentos de ca
pital
+ acesso a tecnologias novas ¢ a habilidades geren-
ciais
+ vaniagens competitivas como a erescente pene
trago no mercado
+ acesso incrementado A informaggo uit para 0
planejamento
+ reducio dos riscos ¢ incertezas
De todas essas vantagens, a redugdo potencial dos
custos de transporte/distribuigao e a liberagio do ni-
vel de investimentos em éreas nao centrais do neg6-
cio so as principais, vindo a seguir uma correspon-
dente reduedo de pessoal. O risco maior para a em-
presa é a perda de controle sobre atividades logisticas
com prejuizos capazes de anular as vantagens ante-
riormente relacionadas.
A verdade & que, até certo ponto, as empresas vém.
hha muitos anos terceirizando parte de suas atividades lo-
gisticas. Cada vez que uma empresa recorre a uma UPS
ou outro transportador no exclusivo, ou cada vez. que
usa um armazém pablico para estocar seus produtos, ©
que ela esti fazendo 6 uma parceria com uma empresa
externa para desenvolver uma parte das atividades da
cadeia de suprimentos, A extensio desse relacionamen-
to empresa/parceiros externos & apenas uma questio de
grau. O relacionamento pode basear-se desde eventos
isolados até contratos de longo prazo para sistemas
compartilhados de uma alianga estratégica, Este conti-
rnuo da relagdio terveirizada é ilustrado na Figura 15-8,
Exemplos
A terceirizagio e os acordos com outras empresas em
matéria de atividades logisticas slo priticas relativa
mente comuns. Analise algumas das oportunidades
para a reducio dos custos logisticos em diversas si-
tuagdes:
* © MetroHealth, hospital comunitério de mil
leitos, mantém uma frota de vans e os corres-
pondentes motoristas para o transporte de pa-
cientes de e para o seu complexo hospitalar pa-
ra consultas marcadas, realizagio de exames
tratamentos. A utilizagio dos vefculos e dos
motoristas € baixa, raramente superando 50%
do tempo disponivel em um dia de trabalho.
Levando em consideragio as pressées dos cus-
tos do sistema de satide, estabelecer parcerias
com outras éreas hospitalares para a utilizago
desta capacidade de transporte, mantendo 20
mesmo tempo o necessario nivel de servigo de560
PARTE VI # ORGANIZACKO E CONTROLE
ALIANGA ESTRITEGICA
‘TRANSAGOES LOGISTICAS.
‘Aumento da complexidade, rodugde da ocorréncia
FIGURA 15-8 0 continuo da relagio terceirizada,
transporte na regio determinada, é uma medi-
da de bom senso econémico, uma vez que 0s
territ6rios dos servigos hospitalares normal-
‘mente se superpdem. A duplicagio dos siste-
mas de transporte pode ser assim evitada,
‘© Uma empresa de produtos farmacéuticos es-
tava construindo um novo armazém destinado
a suprir suas necessidades de espago ao longo
de um considerdvel intervalo de tempo no fu-
turo. O armazém foi calculado para suprir 08
futuros picos de capacidade, e 0 temor de per-
der controle sobre os estoques impedia a em-
presa de buscar espago alternativo durante os
‘anos daquele interregno, Encontrar parcerias
para compartilhar o espago pelo tempo neces.
sdrio até a empresa chegar realmente ao est
gio de retomar aquele espago agora sobrando
significaria poupar as despesas relativas aque-
Ja capacidade excedente. Os parceiros, por
seu lado, poderiam contratar o espago por ta-
rifas de aluguel, bem menores do que as ofe-
recidas por armazenagem piiblica ou alterna-
tivas disponiveis,
‘© A Abbott Laboratories ¢ a 3M consolidaram
suas fungdes de recebimento de pedidos e dis.
tribuigdo visando & obtengdo de aperfeigoa:
‘mentos em matéria de aquisigdes, manuseio de
materiais e controle de estoques. As duas em
presas formaram uma alianca destinada a per.
mmitir que os hospitais recebessem suprimentos
de ambas as empresas por meio de uma entre
{ga Gnica, A alianca funciona adequadamente
porque elas ndo si concorrentes em tempo in-
tegral. O relacionamento também Ihes propor.
Allanga Estratégica
‘A relagao planejada em que cada uma das,
partes tom necessidades que a oura pode
Supriz © om que ambas as empresas,
Ccompartiham valores, malas eestalégias
‘orporativas de beneticios mituos.
Contratos Logisticos
Uma relagto especticamente detinida
orientada por conrato © dependerte do
{umorimanto, pelo fornecedor, das metas
{e desempenno defnidas pelo embarcador.
Transagées Logisticas
Um relacionamente decorrente de um evento
isolado, ou de uma série de eventos isolaces.
cionou economias métuas em custos de marke-
fing ¢ distribuigao. A IBM Information Net-
work passou a fazer parte dessa alianga para
capitalizar a crescente demanda de servigos de
istribuigo on-line, A melhoria do gerencia-
mento da cadeia de suprimentos e a melhoria
nos servigos para fornecedores menores so al-
guns dos beneticios proporcionados por essa
alianga.”™
Decidir se ¢ melhor realizar a fungio logistica inter-
namente ou buscar outras modalidades depende de um
cequilfbrio entre dois fatores: qual é a importancia da lo-
{stica para o sucesso da firma e quo competente & es-
sa empresa no gerenciamento da fungao logistica. Co-
‘mo mostra a Figura 15-9, a estratégia a ser seguida de-
pende da posigo em que a prépria empresa se situa.
‘A empresa caracterizada por altos padrées de servi-
0 a0 cliente, custos logisticos representando uma pro-
porgao significativa dos custos totais e uma operagao lo-
_istica eficiente, administrada por pessoal competente,
no terd beneficio algum se vier a delegar ou terceirizar
suas atividades logisticas. As atividades logisticas so
‘mais bem executadas na propria empresa. A Wal-Mart &
‘uma empresa que, em razao de seu canal de suprimen-
tos de qualidade superior, possui essas caracteristicas
Por outro lado, para a empresa em que a logistica no
cchega a fazer parte central da estratégia
porte & consecugdo de um alto grau de eficiéncia logis-
tica em seus préprios dominios, a terceirizagio das ati-
e que no da su-
° EJ. Malle, “The Coming ofthe Corporate Alianes", Distribution, Vol. 87,
8 (August 1988), pgs. 82-84,