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Caracterização Geológica-Geomorfológica Da Bacia Do Rio Juara (Espírito Santo, Sudeste Do Brasil)

SDFG
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CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA-GEOMORFOLÓGICA DA BACIA DO

RIO JUARA (ESPÍRITO SANTO, SUDESTE DO BRASIL)


Luiza Leonardi Bricalli(a), Breno Scardua de Souza(b)
(a)
Centro de Ciências Humanas e Naturais/Universidade Federal do Espírito Santo, [Link]@[Link]
(b)
Centro de Ciências Humanas e Naturais / Universidade Federal do Espírito Santo, brenoscardua@[Link]

EIXO: SISTEMAS GEOMORFOLÓGICOS: ESTRUTURA, DINÂMICA E PROCESSOS

Resumo
Esta pesquisa teve como objetivo principal caracterizar a geologia e geomorfologia da bacia do Juara
(Espírito Santo, sudeste do Brasil). A base metodológica utilizada integrou a elaboração de
mapeamentos, perfil geológico-geomorfológico e análises de campo. Os mapas foram elaborados a
partir do Modelo Digital de Elevação (MDE) – TOPODATA e processados no software ArcGIS
10.1™. Em campo, foram verificadas, analisadas e validadas variáveis de litologia, de estrutura
geológica, de altimetria, de declividade de talude, de rugosidade do relevo, de feições
morfotectônicas,de falhas neotectônicas e de morfologias, registrados com máquina fotográfica com
resolução de 26 megapixels e GPS (Global Position System). Com base na análise do relevo, litologia
e estrutura em gabinete e em campo, foi possível identificar que a bacia do rio Juara está controlada
pela litoestrutura, litologia e reflete as tensões neotectônicas, atuando nas rochas do Embasamento
Pré-Cambriano e nas rochas dos Depósitos Sedimentares.

Palavras chave: neotectônica, morfotectônica, litoestrutura

1. Título da seção

O estado do Espírito Santo situa-se na região Sudeste do Brasil e apresenta uma heterogeneidade
geológica e geomorfológica que resulta em um mosaico de ambientes fisiográficos presentes em todo
território brasileiro, dividido em 2 (dois) compartimentos contrastantes: i) embasamento pré-cambriano, a
oeste do estado; e ii) depósitos sedimentares cenozoicos (Formação Barreiras e sedimentos quaternários),
a leste (BRICALLI, 2011).Tais compartimentos apresentam um forte controle litoestrutural e
neotectônico, com diferentes eventos tectônicos, documentados, especialmente, na drenagem e no relevo
do estado (BRICALLI e MELLO, 2009; RIBEIRO, 2010; BRICALLI, 2011).
Grande parte das bacias hidrográficas desse estado, estão inseridas nesse contexto (BUSATO, 2014;
BUSATO e BRICALLI, 2015; MARIN e BRICALLI, 2015; COSTA e BRICALLI, 2015) e estudos sobre
compartimentação geomorfológica tem sido utilizados para identificar o controle da litologia, das
estruturas e da tectônica na evolução da paisagem.
Estudos relacionados com a compartimentação geológica-geomorfológica tem sido realizados no mundo
e, principalmente, no Brasil (GATTO et. al, 1983; MENKE et al.,2008; MELO, 2010; COSTA E
FALCÃO, 2011; BRICALLI, 2011;TRENTIN et al., 2012; HASUI et al., 2012;SCHIRMER e

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ROBAINA, 2013; MARQUES et. al, 2015), objetivando delimitar áreas com características semelhantes
geológicas e geomorfológicas semelhantes. Esses estudos envolvem, em alguns casos, a utilização de
técnicas de geoprocessamento voltados para geomorfologia e geologia (BRICALLI, 2011; BRICALLI, et.
al, 2014; SILVA, 2014; BUSATO, 2014; COSTA e BRICALLI, 2015), integrada a análises de campo
(BRICALLI, 2011; XAVIER e NETTO, 2014; SALAMUNI et al., 2013), objetivando validação das
características geológicas e geomorfológicas, além de tornar a pesquisa de natureza geológica e
geomorfologia completa, uma vez que, seus aspectos são analisados exclusivamente com a observação
direta em campo.
Dessa forma, a presente pesquisa tem como objetivo a caracterização geológica-geomorfológica da bacia
do rio Juara, município de Serra, estado do Espírito Santo, região sudeste do Brasil.

2. Área de estudo

2.1 Localização e acessos

A área de estudo corresponde a uma bacia hidrográfica – Bacia do rio Juara, localizada na porção central
do estado do Espírito Santo, município de Serra, estado do Espírito Santo, região sudeste do Brasil (Erro!
Fonte de referência não encontrada.).
A principal via de acesso é a rodovia BR-101 – uma das rodovias mais acessadas do Estado do Espírito
santo – que conecta o estado de norte a sul, ligando os estados da Bahia e do Rio de Janeiro. No município
de Serra essa rodovia faz ligação com o município de Fundão a norte e a cidade de Vitória, a sul – assim
como o restante do Espírito Santo.

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Figura 1 – Mapa geológico da bacia do rio Juara, mostrando os compartimentos geológicos “Depósitos
Sedimentares”, a leste e “Embasamento pré-cambriano, a oeste. Adptado de CPRM (2014).

2.2 Geologia

Geologicamente, o estado do Espírito Santo apresenta 2 (dois) compartimentos principais: i)


Embasamento pré-cambriano, a oeste, constituído por rochas metamórficas e ígneas plutônicas
proterozóicas e; ii) Depósitos sedimentares cenozoicos, a leste, representado pela Formação Barreiras e
pelos depósitos quaternários, na porção emersa da bacia do Espírito Santo (BRICALLI, 2011).A bacia
apresenta os dois compartimentos apresentados e estruturalmente encontra-se no Orógeno Araçuaí.
Segundo Bricalli (2011), o orógeno corresponde a um cinturão móvel que se estende entre os paralelos 15º
e 21º S, limitando-se a norte e a oeste pelo Cráton São Francisco e a leste pelas bacias do Espírito Santo e
Mucuri. Divide-se em três compartimentos tectônicos: Domínio Externo, Domínio Interno e Inflexão
Setentrional (HEILBRON et al., 2004).
No compartimento do embasamento pré-cambriano, a oeste da bacia, estão presentes as unidades Maciço
Mestre Álvaro e Complexo Nova Venécia.
O Maciço Mestre Álvaro, presente na porção sul-sudoeste da área estudada (Figura 1

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Figura 1), apresenta composição de granito alcalino de granulação fina a média, por vezes porfirítico, tipo I
da Era Paleozoica e do Período Cambriano (CPRM, 2014). Há presença de foliações e lineamentos bem
marcados, estando os lineamentos situados no morro Mestre Álvaro, com orientação NNW-SSE e a
foliação no Morro do Vilante, com caimento para sudeste.
O Complexo Nova Venécia se concentra, em sua totalidade, na porção extremo oeste da bacia,
apresentando composição de silimanita-granada-cordierita-biotita gnaisse bandado com intercalações de
calcissilicáticas, datados da Era Neoproterozóica e Período Ediacariano (CPRM, 2014) – figura 1

Figura 1. Apresenta lineamentos bem marcados, com orientação NNE-SSW (CPRM, 2014), na direção
contrária dos lineamentos do morro Mestre Álvaro, descritos acima.
Segundo Bricalli (2011), estão presentes nas rochas do embasamento Pré-Cambriano uma quantidade
expressiva de lineamentos, claramente associados a controles litoestruturais, nas orientações NE-SW,

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predominando na porção sul do estado, podendo ser explicado pela predominância de falhas, fraturas e
foliações de direção NE-SW, relacionadas à estruturação da Faixa Ribeira, cortadas quase que
perpendicularmente por estruturas de orientação NW-SE (MACHADO FILHO et al., 1983; PEDROSA
SOARES e WIEDEMAN-LEONARDOS, 2000); orientações NNW-SSE, no domínio Faixa Colatina, na
porção norte do estado, diretamente associado a esta feição estrutural no estado do Espírito Santo, mas,
esses lineamentos também refletem as tensões neotectônicas na área.
No compartimento dos Depósitos Cenozoicos, a leste da bacia, estão presentes as unidades Formação
Barreiras e Depósitos aluvionares.
A Formação Barreiras abrange a maior parte da bacia, presente na porção central, leste e norte (Figura 1).
Apresenta em sua composição litológica depósitos detríticos pobremente selecionados, com granulometria
cascalho, areia e argila – geralmente contendo horizontes lateríticos, datados do Mioceno (Neógeno) da
Era Cenozóica (CPRM, 2014).
Segundo Bricalli (2011), existe uma quantidade significativa de lineamentos nos depósitos cenozoicos,
especialmente na Formação Barreiras, com orientações E-W, NE-SW e NW-SE, que ocorrem de maneira
expressiva e densidade significativa, podendo ser diretamente atribuídos aos padrões de fraturamento
neotectônico na área.
Os Depósitos aluvionares estão presentes nos fundos de vales encaixados da Formação Barreiras,
associados aos depósitos aluvionares quaternários, presentes na porção central (predominantemente) e
nordeste da área (Figura 1

Figura 1). Encontram-se margeando o maciço granítico Mestre Álvaro, a sul da bacia e a oeste da área nos
rios do Complexo Nova Venécia (Figura 1

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Figura 1). São compostos por sedimentos fluviais recentes, depósitos de areia, argila e cascalho da planície
aluvionar do rio Doce, datados da época do Holoceno,do período Neógeno (CPRM, 2014).

2.2 Geomorfologia

O estado do Espírito Santo, região Sudeste do Brasil, segundo Ab’ Saber (1998) insere-se no
Compartimento Megageomorfológico Paleo-Abóboda do Escudo Brasileiro Transformada em Montanhas
de Blocos Falhados, onde ocorrem os terrenos cristalinos de maior e mais persistente deformação em
abóbada do Escudo Brasileiro. Trata-se de um mega domínio cristalino, de presença muito antiga, sujeito
a diferentes fases de reativação, a par com complicações paleo-hidrográficas, devido às interferências da
tectônica quebrável, a partir dos meados do Terciário. O mega domínio do Brasil de Sudeste teve
continuada atuação, a diferentes níveis tectônicos, desde o Carbonífero superior até nossos dias (AB’
SABER, 1998).
A bacia estudada apresenta 3 (três) unidades geomorfológica: i) Colinas e Maciços Costeiros; ii)
Tabuleiros Costeiros e; iii) Planícies Costeiras (GATTO et al., 1983)Erro! Fonte de referência não
encontrada..
A unidade Colinas e Maciços Costeiros é caracterizada por colinas côncavo-convexas e um conjunto
morfológico mais elevado, integrado pelas serras e maciços litorâneos, com diferentes tipos de modelados
de dissecação (BRICALLI, 2011). Essa unidade está presente na porção oeste da bacia, correspondendo os
maciços aos maciços graníticos Mestre Álvaro, Morro do Vilante e Morro da Cavada e as colinas, às
colinas metamórficas do Complexo Nova Venécia.

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Os Tabuleiros Costeiros desenvolvem-se sobre os sedimentos da Formação Barreiras, correspondendo a
colinas altas e baixas com topos alongados e tabulares, com altitudes variadas, de 30 a 200 m (GATTO et
al., 1983). As vertentes são geralmente abruptas e, no litoral, terminam sob a forma de extensos tabuleiros
ou falésias de vários metros de altura (BRICALLI, 2011). Este compartimento apresenta vales bem
encaixados e as diferenças altimétricas podem estar relacionadas ao controle neotectônico (RIBEIRO,
2010). Essa unidade corresponde a maior parte da bacia.
A Planície Costeira encontra-se separada por maciços, colinas e tabuleiros, apresentando uma série de
ambientes diversificados e complexos, afetados por oscilações eustáticas e climáticas e pelo controle de
tectonismo regional (GATTO et al.,1983). A proximidade com o litoral é marcada pela influência marinha
na formação de mangues.

3. Materiais e métodos

3.1 Análises hipsométricas


Foi elaborado um mapa hipsométrico a partir de um Modelo Digital de Elevação (MDE) – TOPODATA
(VALERIANO, 2002), classificado em 5 (cinco) classes de altitude distintas: <8, 8-45, 45-100,100-
300,300-850 metros de altitude, com uso do software ArcGIS 10.1™ (ESRI, 2012), escala 1:50.000.
3.2 Análise da rugosidade do relevo (ICR)

Foi gerado um mapa de rugosidade do relevo a partir do Modelo Digital de Elevação (MDE) –
TOPODATA (VALERIANO, 2002), utilizando o software ArcGIS 10.1™ (ESRI, 2012),confeccionado a
partir da realização de um mapa de declividade e em seguida a matriz de declividade foi convertida para
um arquivo de pontos, onde cada ponto possui um diferente valor matricial atribuído. Posteriormente,
avaliou-se estatisticamente a dispersão ou concentração do dado e, em seguida, foi definido o número de
classes, a partir da reclassificação das classes de rugosidades geradas, para uma melhor representação do
relevo da área.

3.3 Perfil geológico-geomorfológico

Para elaboração dos perfis geológicos-geomorfológicos foi traçado linha de corte, na direção onde se
deseja representar as seções dos perfis, através da criação dos planos de informações de linhas. Em
seguida, adicionou-se o modelo topográfico Triangular Irregular Network (TIN) no ArcGIS 10.1™ (ESRI,
2012). A personalização do gráfico foi feita de forma manual, através da interpolação e traçado de
polígonos, a partir das litologias presentes no mapa geológico do CPRM (2014).

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3.4 Análises de campo

Em campo foram realizadas análisadas, identificadas e validadas as variáveis litologia, estrutura


geológica, altimetria, declividade de talude e rugosidade do relevo, feições morfotectônicas, morfologias
e a relação entre todas essas variáveis. A identificação desses aspectos foi feita sobre bases cartográficas:
cartas topográficas de Serra e Nova Almeida, com curvas de nível com equidistância de 20m (IBGE,
1978a; IBGE, 1978b), escala 1:50.000; Ortofotos digitais (IEMA, 2008), escala 1:50.000, resolução de
30m; Mapa Geológico (CPRM, 2014), escala 1:100.000; Mapa Geomorfológico (GATTO et. al, 1983),
escala 1:1.000.000; além da utilização dos mapas hipsométrico e de rugosidade elaborados, na escala de
1:50.000. O registro dessas variáveis foi feito com a utilização de máquina fotográfica digital (resolução
24 megapixels) e GPS (Global Position System).

3.5 Análises neotectônicas

Os dados de neotectônica foram utilizados do trabalho de Bricalli (2011), presente em um afloramento na


Formação Barreiras na bacia.

4. Resultados e Discussões

A bacia apresenta-se claramente associada a controles litoestrutural, litológico e neotectônico.

4.1 Compartimento do Embasamento Pré-Cambriano

A presença de lineamentos na direção NNW-SSE no Maciço Mestre Álvaro (Figura 1) pode estar
relacionado a Faixa Colatina, com orientações predominantes NNW-SSE, região caracterizada pelas
maiores densidades de lineamentos no estado do Espírito Santo (BRICALLI, 2011).Os lineamentos na
direção NE-SW das rochas do Complexo Nova Venécia podem estar refletindo às orientações das falhas,
fraturas e foliações de direção NE-SW, relacionadas à estruturação da Faixa Ribeira (MACHADO FILHO
et al., 1983; PEDROSA SOARES e WIEDEMAN-LEONARDOS, 2000).

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O controle litológico mostra-se evidente nas intrusões graníticas (Maciço Mestre Álvaro, Morro da
Cavada e Morro do Vilante) que apresentam as altitudes mais elevadas (Figura 2) da bacia com relação às
rochas metamórficas, uma vez que aquelas são rochas mais resistentes ao intemperismo e erosão (rochas
ígneas) do que as rochas metamórficas (silimanita-granada-cordierita-biotita gnaisse bandado com
intercalações de anfibolito e rochas calcissilicáticas).

Figura 2 – Mapa hipsométrico mostrando as diferentes classes altimétricas presentes na bacia do rio Juara.

O Mapa de Índice de Concentração da Rugosidade (ICR) mostrou que as rugosidades mais baixas
correspondem às rochas metamórficas e que as áreas com maior rugosidade correspondem, de uma
maneira geral, às litologias mais resistentes ao intemperismo e, portanto, menos dissecadas (intrusões
graníticas)- figura 3.

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Figura 3 – Mapa de Índice de Concentração da Rugosidade (ICR) mostrando as áreas com alta, média e baixa
declividade na bacia do Juara.

4.2 Compartimento dos Depósitos Cenozoicos

O compartimento dos Depósitos Cenozoicos, por sua vez, pode ser atribuído a padrões de fraturamento
neotectônico descritos em trabalhos anteriores (RIBEIRO, 2010; BRICALLI, 2011) e a controle
litoestrutural (BRICALLI, 2011).A orientação NW-SE e NNW-SEE do rio e da Lagoa do Juara (Figura
1) pode ser associada a estruturas geradas no evento de transcorrência dextral E-W (Pleistoceno-
Holoceno), relacionando-se, respectivamente, a falhas dextrais WNW-ESE a E-W e falhas normais NW-
SE (BRICALLI, 2011).
A orientação NE-SW da Lagoa Jacuném (Figuras 1, 2 e 3) nessa mesma orientação, pode ser associada a
padrões de fraturamento caracterizados por falhas normais NE-SW, relacionados a um regime tectônico
distensivo de orientação NW-SE, atribuído a uma idade holocênica. As rochas sedimentares da Formação
Barreiras apresentam altitudes diferentes, mesmo apresentando mesma origem e litologia. Esse fato pode
estar relacionada a controle neotectônico na Formação Barreiras, uma vez que foram verificadas feições
morfotectônicas e uma falha neotectônica na bacia. Além disso, a Formação Barreiras apresenta altitudes
mais elevadas que as rochas metamórficas, fato esse que pode estar relacionado ao controle
morfoestrutural (erosão diferencial) ou morfotectônico, uma vez que o relevo da Formação Barreiras
pode ter sido soerguido por neotectônica, já que o mesmo encontra-se falhado (BRICALLI, 2011).

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O mapa de rugosidade mostra que existe alta e muito alta índice de rugosidade na Formação Barreiras,
demonstrando ser uma área pouco dissecada, contrastando com as rochas metamórficas do Complexo
Nova Venécia, na porção noroeste da bacia. Essa rugosidade alta, precisa ser melhor investigada na área e
relacionada a outros fatores, tais como momentos diferentes de deposição das rochas da Formação
Barreiras, a despeito das outras partes na bacia ou comportamentos diferentes da incisão da drenagem
nessa área.
As rochas sedimentares da Formação Barreiras apresentam altitudes diferentes, bem contrastantes, sendo
que apresentam a mesma origem e litologia. Essa diferença altimétrica pode ser observada especialmente
no perfil topográfico (Figura 4) e esse fato pode estar relacionada a controle neotectônico na Formação
Barreiras, uma vez que foram verificadas feições morfotectônicas e uma falha neotectônica na bacia. Essa
diferença altimétrica na Formação Barreiras também foi documentada no nordeste do Brasil (BEZERRA
et al., 2001).

Figura 4 – Perfil Geológico-Geomorfológico (B-B’) na orientação NNE-SSW, abrangendo e destacando todas


unidades geológicas e geomorfológicas da bacia.

5. Considerações Finais

As análises dos mapas elaborados e os trabalhos de campo sugerem que a bacia do rio Juara está
controlada pela litoestrutura, litologia e reflete as tensões neotectônicas, atuando diferentemente nas
rochas do Embasamento Pré-Cambriano e nas rochas dos Depósitos Sedimentares.
Parece existir um condicionamento exercido por estruturas neotectônicas no relevo e na rede de drenagem
da área investigada. O importante controle estrutural exercido pelo fraturamento de orientação NW-SE,
por exemplo, na orientação do rio e na lagoa do Juara pode ser observado de modo particular em diversas
bacias hidrográficas, como as bacias dos rios Barra Seca, São José, Piraquê-Açu, onde a orientação deste

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rio e de seus afluentes e o caráter assimétrico estão fortemente condicionados segundo esta direção
(BRICALLI e MELLO, 2009; FORNACIARI, 2009; BUSATO, 2014; BUSATO e BRICALLI, 2015).
A análise da altitude (hipsometria e perfil topográfico) revela blocos altos e baixos em função da litologia
e controle neotectônico. O relevo é marcado, nas intrusões graníticas, por front de escarpas, sugestivos de
controles tectônico na área, a qual é caracterizada por evidências de movimentos crustais, com marcas de
falhas, deslocamentos de blocos e falhamentos transversos, mostrando o controle estrutural sobre a
morfologia, evidenciados no mapa geológico, hipsométrico. Na Formação Barreiras, esse fato parece
estar relacionado a erosão diferencial nas diferentes litologias mas, também, possivelmente, a blocos
rebaixados e soerguidos por tectônica , uma vez que grande parte da bacia é composta pela Formação
Barreiras e esta apresenta-se controlada neotectônicamente (BRICALLI, 2011).
Durante os trabalhos de campo foram observadas feições típicas de origem tectônica nos dois
compartimentos da bacia, tais como facetas triangulares, no Compartimento do Embasamento Pré-
cambriano; Alvéolos de sedimentação, vales estrangulados, lagos retilíneos, no Compartimento dos
Depósitos Sedimentares, sugerindo controle neotectônico na bacia.
Dessa forma, é válido ressaltar, a importância de uma investigação de lineamentos e falhas neotectônicas
em afloramentos na área, para que assim,se possa identificar o possível ou possíveis eventos neotectônicos
responsáveis pelo controle morfotectônico e na rede de drenagem, indicados ao longo da pesquisa e
verificados por outros autores (RIBEIRO, 2010; BRICALLI, 2011).

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