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Políticas de Saúde e Formação em Angola

O documento descreve um caderno sobre políticas de saúde em Angola relacionado à formação permanente de recursos humanos de saúde. O caderno foi desenvolvido no âmbito do projeto FORVIDA e tem como objetivo contribuir para a melhoria contínua da qualidade dos serviços de saúde em Angola.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Políticas de Saúde e Formação em Angola

O documento descreve um caderno sobre políticas de saúde em Angola relacionado à formação permanente de recursos humanos de saúde. O caderno foi desenvolvido no âmbito do projeto FORVIDA e tem como objetivo contribuir para a melhoria contínua da qualidade dos serviços de saúde em Angola.
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CAPSA | CADERNO SOBRE POLÍTICAS DE SAÚDE EM ANGOLA

FORMAÇÃO PERMANENTE DE RECURSOS HUMANOS DE SAÚDE


O CAPSA foi desenvolvido no âmbito do projecto «FORVIDA – Formação para a Vida»,
incluído no Programa Integrado de Saúde Materno Infantil FORVIDA, implementado em Angola.

A FEC é responsável pela coordenação e organização do CAPSA. Os respetivos


autores responsabilizam-se pelo conteúdo de cada um dos artigos por si
apresentados.
Publicação apoiada pela Direção-Geral da Saúde de Portugal.

O CAPSA foi escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.


FICHA TÉCNICA

Título:
CAPSA | Caderno sobre Políticas de Saúde em Angola
Formação Permanente de Recursos Humanos de Saúde

Coordenação:
Impressão, acabamento e execução gráfica:
Fundação Fé e Cooperação (FEC) - Nuno Macedo | Ana Isa Paiva das Neves
Vigaprintes – Imagem e Impressão Digital Lda | Loures, Portugal
Ministério da Saúde de Angola (MINSA) - Fernanda Cardoso
Edição:
Revisão científica de conteúdos:
FEC – Fundação Fé e Cooperação
Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias (ESESFM) -
Quinta do Cabeço, Porta D 1885-076 Moscavide, Portugal
Elsa Restier Gonçalves, MS, CNS, RN, BSN | João Paulo B. Nunes, MS, CNS, RN,
Telefone: +351 218 861 710 | Fax : +351 218 861 708
BSN | Sandra Maria Queiroz, PhD, MSN, CNS, RN, BSN
geral@[Link] | [Link]
Revisão linguística:
1.R edição:
Ana Isa Paiva das Neves | Elsa Restier Gonçalves | João Paulo Nunes | Nuno
janeiro de 2016
Macedo | Sandra Maria Queiroz
Tiragem:
Entidades colaboradoras:
300 exemplares
Caritas de Angola | Centro de Investigação em Saúde em Angola (CISA) |
Clínica Multiperfil | Direção Nacional de Recursos Humanos do Ministério ISBN:
da Saúde de Angola | Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das 978-989-95118-6-6
Misericórdias | Fundação Fé e Cooperação | Medicus Mundi | Ministério da
Depósito Legal:
Saúde de Angola (MINSA) | ProFORSA
406611/16
Produção gráfica:
© FEC | Fundação Fé e Cooperação, 2016
Maria Azevedo Coutinho e Emanuel Oliveira
Índice

I. NOTAS DE ABERTURA

Ministério da Saúde de Angola (MINSA) 5


Fundação Fé e Cooperação (FEC) 7

II. ENQUADRAMENTO

Política de Recursos Humanos de Saúde. António Costa | DNRH, MINSA 9


Formação Permanente em Saúde. Óscar Isalino | DNRH, MINSA 13

III. ARTIGOS

1- Formação permanente de enfermeiros, parteiras e gestores de unidades de saúde em Angola - Projeto FORVIDA. 15
Ana Isa Paiva das Neves, Ana Maria Santos, João Paulo Nunes, Nuno Macedo | Caritas de Angola, ESESFM e FEC

2- A contribuição do projecto CISA na formação permanente de técnicos de saúde no hospital geral do Bengo. 25
António Martins, Ana Oliveira, Sandra Ferreira, Miguel Brito | CISA

3- Experiência de medicusmundi no âmbito de supervisões integradas e formação em serviço nos municípios de Camacupa e 29
Catabola, província de Bié. Neus Peracula Pueyo | Medicos Mundi

4- Importância do Laboratório de Simulação na Educação em Saúde. Manuel Filipe Dias dos Santos, Helena José, Marta 37
Assunção | Multiperfil

5- Projecto de fortalecimento do sistema de saúde por meio do desenvolvimento de recursos humanos no hospital Josina 43
Machel e em outros serviços de saúde e revitalização da atenção primária de saúde em Angola. Paula Risa Tomaru | ProFORSA

3
I

Notas de abertura | Ministério da Saúde de Angola (MINSA)


serão um importante contributo. É o caso do Caderno sobre Políticas de Saúde em
Angola – Formação Permanente de Recursos Humanos de Saúde, que decorre
Em Setembro do corrente ano, sucedendo aos ODM, entramos na era da
nova agenda de Desenvolvimento 2015-2030, enquadrada pelos Objectivos
de De- senvolvimento Sustentável (ODS). Com os seus 17 objectivos e 169
metas, os ODS reclamam um maior investimento na saúde, consagrando-a
especifica- mente no objectivo 3. Assegurar uma vida saudável e
promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Até 2030, os Estados, e é importante sublinhar que todos comprometem-
se, entre outros objectivos e respectivas metas, a:
• Reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes
por
100.000 nascidos vivos;
• Acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores
de 5 anos, com todos os países objetivando reduzir a mortalidade
neonatal para pelo menos 12 por 1.000 nascidos vivos e a mortalidade
de crianças meno- res de 5 anos para pelo menos 25 por 1.000 nascidos
vivos;
• Reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não
transmis- síveis através da prevenção e tratamento, e promover a saúde
mental e o bem-estar;
• Assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e
reprodutiva, incluindo o planeamento familiar, informação e educação,
bem como a in- tegração da saúde reprodutiva em estratégias e
programas nacionais;
• Atingir a cobertura universal de saúde, incluindo a protecção do risco
finan- ceiro, o acesso a serviços de saúde essenciais de qualidade e o
acesso a me- dicamentos e vacinas essenciais seguros, eficazes, de
qualidade e a preços acessíveis para todos;
• Investir na formação dos profissionais de saúde.
Todos somos chamados a contribuir para a implementação e boa execução
dos ODS, havendo exemplos de projectos/iniciativas que, com toda a certeza,

5
reveste de crucial importância, para fazermos sempre mais e melhor, com
competência e de forma humanizada, no serviço às populações.
do Projecto FORVIDA - Formação para a Vida, que envolveu o
Fernanda Cardoso, Enfermeira e Consultora do Ministro da Saúde de Angola
MINSA, a Comis- são Episcopal da Saúde da Igreja Católica, a Escola
para a área da enfermagem
Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, a Caritas
de Angola, a Fundação Fé e Cooperação, a Direção-geral da Saúde
de Portugal, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Ca- mões –
Instituto da Cooperação e da Língua. A Formação dos recursos de
saúde é um meio, mas também um fim, para um sistema de saúde
mais eficaz, capa- citado e humanizado, capaz de responder às
necessidades dos doentes, mas também de suas famílias e
comunidades. Angola celebra este ano os 40 anos de
independência e é importante referir o longo mas tantas vezes
difícil caminho percorrido pela Saúde, até hoje: temos assistido a
uma expansão do Sistema Nacional de Saúde graças quer ao
elevado investimento em infra-estruturas de saúde públicas, quer
pela adopção de uma política de gestão descentralizada, com
atenção prioritária aos cuidados primários. Esse aumento da
cobertura e da oferta de serviços é também uma realidade no sector
privado.
A Saúde é, conforme o artigo 77.º da Constituição da República
de Angola, um direito fundamental de todos os angolanos e um
dever inalienável do Estado. A sua concretização passa por
instrumentos de políticas públicas enquadradoras, como o Plano
Nacional de Desenvolvimento Sanitário de 2012-2025, o Plano
Nacional de Formação de Quadros 2013-2020 do Executivo
angolano ou o Pla- no de Desenvolvimento dos Recursos Humanos
para a Saúde 2013-2025, todos importantes contributos para ao
alcance dos ODS por Angola.
O Caderno sobre Políticas de Saúde em Angola agora publicado é
um impor- tante instrumento para a ajudar na reflexão sobre o
trabalho que tem sido de- senvolvido na área da formação
permanente dos Recursos Humanos, área que para o MINSA se
I

7
I

Notas de abertura | Fundação Fé e Cooperação (FEC)

A saúde constitui um direito humano fundamental e um dos principais Conferencia Episcopal de Angola (CEAST), a Caritas de Angola e a
indi- cadores de desenvolvimento e da qualidade de vida das populações, Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias
tendo consequências diretas no presente e no futuro de pessoas, (ESESFM) que conduziu à implementação do Projeto FORVIDA - Formação
comunidades e países. para a Vida - numa estreita articulação e parceria com o MINSA. Este
projeto, para além de qualificar 329 enfermeiros, parteiras e gestores de 141
Os recursos humanos de saúde constituem a linha da frente na prestação unidades de saúde em várias províncias, conduziu ainda à produção do Manual
de cuidados de saúde sendo a interface direta entre os sistemas de saúde FORVIDA de Apoio à Formação Permanente em Saúde Materno-Infantil
e as pessoas. De facto, o número, a distribuição geográfica e as competências para Enfermeiros e Parteiras que, como ferramenta importante e de
dos recursos humanos de saúde são reconhecidos como fatores referência para o sector, visa apoiar profissionais de saúde da sua prática
determinantes para a qualidade e acesso à saúde das populações. quotidiana.
Recursos humanos de saú- de competentes e motivados são fundamentais
Conscientes que muitos desafios se colocam ainda hoje em Angola no âm-
para um sistema de saúde com uma performance de qualidade, integrado
bito dos cuidados de saúde mas reconhecendo também que um importan-
e resiliente, humanizado e centrado nas pessoas.
te investimento nesta área teve lugar nos últimos anos e que existem boas
Os recém-lançados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) práticas e iniciativas por vezes pouco conhecidas e partilhadas; a FEC, numa
reconhecem esta centralidade dos profissionais de saúde constituindo iniciativa conjunta com o MINSA e a Caritas Angola promoveu em Junho de
uma das metas à escala global do ODS 3 “Aumentar substancialmente 2015 a realização de um Seminário em Luanda sobre “Políticas de Saúde
o financiamento da saúde e o recrutamento, formação, e retenção do em Angola: Formação Permanente de Recursos Humanos de Saúde - par-
pessoal de saúde nos países em desenvolvimento”. Por seu lado, a tilha de experiências, boas práticas e recomendações sobre a
Organização Mundial de Saúde tem dado também prioridade a esta formação permanente de recursos humanos de saúde”. Neste seminário
temática estando atualmente em curso, o processo de elaboração da participa- ram vários atores do setor da saúde (ONG, sociedade civil,
Estratégia Global de Recursos Humanos de Saúde 2030. instituições aca- démicas e de ensino, organismos do Estado e do setor
privado), tendo sido apresentadas experiências diversificadas e promovido
Na sua intervenção em Angola, a Fundação Fé e Cooperação (FEC) elegeu,
um debate rico e par- ticipativo sobre a importância da formação
nos últimos seis anos, a saúde como um dos seus sectores prioritários,
permanente de profissionais de saúde em Angola.
tendo-a tinserido no seu Plano Estratégico de 2010-2015. Neste âmbito, a
qualificação de recursos humanos de saúde com uma atenção centrada O CAPSA - Caderno sobre Políticas de Saúde em Angola, que agora com
na melhoria da saúde materno-infantil constituiu um ponto de muita satisfação vemos publicado, nasce assim da necessidade sentida
convergência com a pelas organizações que participaram no grupo de trabalho constituído no

7
MINSA, sob coordenação da Direcção Nacional de Recursos Humanos,
a necessidade de continuar a investir ainda mais na qualificação dos
para a discussão de formação de recursos humanos em saúde, entre
profissionais de saúde e das entidades prestadoras de cuidados de saúde.
2013 e 2014; quer ainda da vontade e expetativa expressa pelos
Manifestamos a nossa vontade e disponibilidade de poder continuar a
participantes no Seminário.
contribuir para a reforço de competências dos recursos humanos de
Necessidade de partilha de conhecimento e boas práticas que têm saúde em Angola em articulação com o MINSA e reforçar parcerias
lugar no contexto do sistema de saúde em Angola. Vontade da criação com outros atores do setor. Na expetativa que, após este primeiro
de publicações angolanas dirigidas aos profissionais de saúde que número do CAPSA, possam surgir muitos mais criando um espaço
permitam melhorar o conhecimento do setor e das práticas. Expetativa de para partilhas e aprendizagens entre profissionais de saúde
um maior diálogo entre atores (públicos, sem fins lucrativos e privados) angolanos!
do setor de saúde em Angola e de mais sinergias e colaborações
entre profissionais de saúde.
Susana Réfega, Diretora Executiva da FEC
Assim este primeiro número do CAPSA apresenta por um lado o
enquadra- mento legislativo/orgânico do setor de recursos humanos de
saúde assim como as políticas e orientações estratégicas relativas aos
recursos humanos de saúde preconizados/liderados pelo MINSA/DNRH.
Por outro lado, apre- senta uma diversidade de experiências que, tendo
em comum a formação e qualificação de recursos humanos em saúde,
abrangem vários domínios nomeadamente: i) a saúde materno infantil
(retratados nos artigos que se referem ao Projeto FORVIDA e Projeto
PROFORSA; ii) a simulação médica como metodologia formativa
desenvolvida pela Clínica Multiperfil; iii) o cru- zamento entre investigação
e formação realizada pelo CISA ou ainda iv) a supervisão formativa como
abordagem à formação permanente no traba- lho de Medicusmundi.
Acreditamos que este CAPSA irá chegar aos profissionais de saúde em
Angola e cumprirá o seu propósito de partilhar conhecimento e boas
práticas. Esperamos que possa constituir também um motivo de estímulo
e motivação para os recursos humanos de saúde em Angola num sentido
de uma prestação de cuidados de saúde de qualidade e humanizada.
Enquanto FEC, encontramos no quotidiano do nosso trabalho em Angola

8
I

Enquadramento | Política de Recursos Humanos de Saúde


Humanos (DNRH),
POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS DE SAÚDE
EVOLUÇÃO, PERSPECTIVAS E DESAFIOS

Autor: António Alves da Costa1

1 - Ministério da Saúde de Angola, Director Nacional de Recursos


Humanos; Especialista em Saúde Pública

Palavras-chave: política, plano, formação, recursos humanos

A política do Executivo relativa à saúde no país, está a cargo do departamento


ministerial da saúde que a conduz, executa e controla, visando a
cobertura sanitária e o desenvolvimento social e humano.

Para a materialização da política de saúde no país foram produzidos


vários instrumentos como a Lei de Bases do Sistema Nacional de Saúde, a
Política Nacional de Saúde, o Plano Nacional de Desenvolvimento
Sanitário (PNDS); a nível dos recursos humanos da saúde foi elaborada a
Política de Recursos Humanos da Saúde e o Plano Nacional de
Desenvolvimento de Recursos Humanos (PDRH). Estes dois últimos
instrumentos cuja visão é a de que em 2025 Angola tenha uma força
de trabalho na saúde maioritariamente nacional, tecnicamente
diferenciada e diversificada, orientada por valores de ética profissional e
de serviço público; permitem orientar, organizar e estruturar as acções nas
instituições de saúde.

As acções de gestão dos recursos humanos do Serviço Nacional de Saúde,


no que respeita aos quadros, às carreiras do pessoal, à formação e ao
exercício profissional, competem à Direcção Nacional de Recursos

9
continuam a aperfeiçoar a sua formação via programas de formação
que é o serviço de execução central encarregue pela orientação permanente e de pós-graduação, permitindo
e avaliação das mesmas (art.º 22º do Dec. Presidencial nº 34/11).
Um aspecto importante e transcendental na gestão de unidades e
serviços de saúde é a formação permanente que traz vantagens
no desenvolvimento organizacional.

EVOLUÇÃO

De acordo com a Lei de Bases do Sistema Nacional de Saúde, o


Estado deve promover e garantir o acesso de todos os cidadãos
aos cuidados de saúde nos limites dos recursos humanos, técnicos
e financeiros disponíveis; a formação e o aperfeiçoamento
profissional, incluindo a formação permanente de saúde, que
constituem um objectivo fundamental a prosseguir; a formação
do pessoal que deve garantir uma qualificação técnico-científica tão
elevada quanto possível tendo em conta o ramo e o nível do
pessoal em causa, despertar nos profissionais o sentido de
responsabilidade profissional, de incutir o respeito pela vida e
pelos direitos das pessoas e dos doentes como o primeiro dever
que lhes cumpre observar (Lei nº 21-B/92, de 28 de Agosto, art.º 1º
e art.º 15º).

É reconhecido pela Política Nacional de Saúde a escassez de


recursos humanos, compensada pelos profissionais recrutados
com recurso a cooperação internacional; o desequilíbrio na
distribuição dos recursos humanos em saúde no país, em
detrimento das zonas rurais; a reduzida força de trabalho
especializada; a existência de uma massa crítica de recursos
humanos. Está assegurado que os profissionais de saúde,
depois de inseridos no Sistema Nacional de Saúde (SNS),

10
I

aprimorar os saberes, as habilidades e adequar os recursos humanos 2013-2017, e do Plano Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos
às novas tecnologias de saúde. Constituem princípios e valores da
política de saúde a universalidade, a qualidade, a humanização, a
responsabilidade individual e colectiva, a liberdade de escolha, a
prestação de contas e a intersectorialidade. Reconhece-se a importância
dos recursos humanos para a execução de qualquer intervenção, cuja
qualidade dos serviços depende dos conhecimentos e das habilidades
humanas. É notório salientar que a formação permanente dos recursos
humanos em saúde deve continuar como ferramenta principal para a
adequação constante dos profissionais de saúde à evolução das ciências e
tecnologias de saúde. Uma nota de realce deve ser dada ao papel dos
agentes de desenvolvimento comunitário e do voluntariado na saúde
para a criação de um ambiente propício à saúde.

A política de recursos humanos da saúde é aplicável a todas as


instituições de saúde e técnicos de saúde prestando serviços de saúde
em instituições públicas quanto privadas e que operam no território
nacional. Esta tem por objectivo promover o desenvolvimento integral da
força de trabalho de saúde; tem como visão, no horizonte até 2025 que
Angola seja servida por uma força de trabalho maioritariamente nacional,
tecnicamente diferenciada e diversificada.

A força de trabalho de saúde deve ser motivada, imbuída de valores


éticos assentes na deontologia profissional e no espírito de bom servidor
público; deve ser técnica e cientificamente diferenciada, capaz de
prosseguir com os objectivos a que se propõe o Sistema Nacional de
Saúde.

A elaboração da política de recursos humanos teve como referências


principais as orientações estratégicas do “Angola 2025”, do Plano Nacional
de Formação de Quadros (PNFQ), do Plano Nacional de Desenvolvimento

1
(PDRH) 2013-2025 em fase de elaboração; teve como compatível com a cobertura universal na oferta de serviços de saúde e
suporte e justificação a componente de Promoção sanitários de qualidade, tendo como expressão os planos, os programas e
do Emprego, Capacitação e Valorização dos os projectos de execução.
Recursos Humanos Nacionais.
PRIORIDADES
O Plano Nacional de Formação de Quadros
aponta algumas debilidades relativas ao sector As grandes prioridades da política de recursos humanos da saúde são
saúde como “a existência de défices muito a regulação e o observatório de recursos humanos.
acentuados, em termos absolutos, em domínios
específicos da Medicina, Medicina Dentária e
farmacêutico”; e “…sem oferta formativa em Angola:
as Emergências Médicas, as Técnicas de Obstetrícia, a
Higiene Buco-oral, as Tecnologias de Diagnóstico, as
Terapias Complementares, as Técnicas de Laboratório,
a Saúde e Segurança no Trabalho, o Desenvolvimento
Comunitário e a Animação Sociocultural.”

A política de recursos humanos da saúde descreve


como pontos críticos, as debilidades no
conhecimento, nas competências técnicas e nas
qualidades humanas da força de trabalho; e a forte
dependência de técnicos expatriados,
particularmente para os quadros especializados.
Reconhece dois níveis de responsabilidade para a
sua aplicação que são nomeadamente o central e o
local. O nível central cabendo a responsabilidade
do planeamento estratégico, consubstanciado na
elaboração de instrutivos metodológicos, de
normas e procedimentos que facilitem a
administração, gestão e desenvolvimento dos
recursos humanos a todos os níveis do complexo
económico da saúde. O nível local
responsabilizado pelo planeamento operacional

12
A regulação é um dos pilares da reforma do SNS, deve normalizar a
Em termos de perspectivas, a política de recursos humanos dá realce
coordenação e o controlo das parcerias nos domínios da produção,
ao seguinte:
contratação, administração e gestão dos recursos humanos e das
economias paralelas e ilegais que minam o sector público e os valores de  Reforço das parcerias com os Serviços de Saúde das Forças Armadas e
serviço público da sua força de trabalho. do Ministério do Interior;

A criação do Observatório Nacional de Recursos Humanos para a Saúde,  Manutenção das parcerias com as ordens, associações e sindicatos
em rede com todas as províncias e com os departamentos ministeriais profissionais de saúde, bem como outras instituições da sociedade civil;
relevantes e integrado num observatório de saúde nacional, garantirá
uma gestão baseada na evidência cuja base de dados integrará o sistema  Reconhecimento do papel dos Agentes de Desenvolvimento
de informação sanitária nacional. As evidências do observatório de Comunitário e Sanitário.
recursos humanos devem ser complementadas por uma agenda científica
sobre recursos humanos a definir pelo Ministério da Saúde e executada com
DESAFIOS
a colaboração formalizada das instituições académicas e de investigação do
país. Estão presentemente criados os observatórios piloto nas províncias
A política de recursos humanos da saúde apresenta como desafios a
de Benguela e Huambo, cuja experiência permitirá desenvolver os
formulação de uma estratégia de educação e formação de quadros da
observatórios das demais províncias e das grandes unidades (centrais).
saúde; estabelecer parceria com outros departamentos ministeriais
relevantes para a definição de uma política salarial e de incentivos que
PERSPECTIVAS valorize a força de trabalho, e para a definição de uma política de
ingresso à função pública de recursos humanos da saúde, com particular
A parceria com as Ordens, Associações e Sindicatos dos profissionais de
realce para o primeiro emprego; a criação da Escola Nacional de Saúde
saúde, e outras organizações da sociedade civil deve ser privilegiada e
Pública; a promoção de um programa de formação de formadores; a
reforçada no sentido de obtenção de vantagens mútuas com relação à
promoção do uso das tecnologias de informação e comunicação para
motivação, ao desempenho dos profissionais e no respeito estrito aos
difundir o conhecimento, e a revitalização da estratégia de formação
códigos de ética e deontologia profissional.
permanente nas unidades de saúde e serviços.

Os agentes de desenvolvimento comunitário jogam um papel A estratégia de educação e formação de quadros da saúde deve contribuir
preponderante na promoção das competências familiares e na criação para a sustentabilidade e a satisfação das necessidades da rede de
de um ambiente propício e responsável entre os serviços de saúde, as unidades de saúde do SNS tendo em conta a procura desses quadros
famílias e as comunidades. pelos outros sectores do Sistema Nacional de Saúde.

11
A Escola Nacional de Saúde Pública deve contribuir com a especialização
– PDRH 2013-2025. Luanda, Junho 2014.
dos quadros da saúde, a sua capacitação e dirigir o seu programa
formativo as necessidades e aos objectivos que se propõe o SNS. Deve
MINSA, Direcção Nacional de Recursos Humanos. Workshop Nacional de
ser uma escola de governo, de nível de pós-graduação, vocacionada
Consenso da Política de Recursos Humanos da Saúde e para elaboração
fundamentalmente a especialização profissionalizante.
do Plano Nacional de Desenvolvimento dos Recursos Humanos para a
saúde – PDRH 2013-2025. Luanda, Março 2014.
As tecnologias de informação e comunicação em saúde e a telemedicina
são instrumentos de fazer chegar competências mais escassas às zonas INA, Lei nº. 21-B/92, de 28 de Agosto. Lei de Bases do Sistema Nacional
mais remotas do país. Servem para a modernização e desenvolvimento de Saúde. D.R. nº 34, I série. Luanda, Agosto de 1992.
dos RHS e de formação nas instituições de saúde (PDRH 2013-2025).
INA, Decreto Presidencial nº. 262/10, de 24 de Novembro. Aprova a Política
CONCLUSÕES Nacional de Saúde. D.R. nº 222, I série. Luanda, Novembro de 2010.

Em termos práticos podemos dizer que a chave do desenvolvimento


dos recursos humanos está na formação, na capacitação e treinamento
continuado, na partilha de conhecimentos e de boas práticas em saúde.
A introdução das tecnologias da informação e a telemedicina ajudarão
na disseminação do conhecimento ao maior número de profissionais e às
zonas longínquas. Os cadernos de boas práticas de formação permanente
será um veículo privilegiado para a partilha do conhecimento e da
informação em saúde no seio dos utentes do Sistema Nacional de Saúde.

BIBLIOGRAFIA

MINSA, Direcção Nacional de Recursos Humanos. Projecto de Relatório


das Actividades do Ano de 2014. Luanda, Dezembro de 2014.

MINSA, Direcção Nacional de Recursos Humanos. Consultoria para


elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento dos Recursos
Humanos para a saúde

12
II

Enquadramento | Formação Permanente em Saúde

FORMAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE A criação dos Núcleos tinha como objectivo o apoio aos directores (provincial,
dos hospitais e das ETPS), actuando como um subsistema de gestão de
Autor: Óscar Isalino1 recursos humanos e dos serviços prestados com vista a eficiência e eficácia.

1 – Ministério da Saúde de Angola, Chefe de Departamento de Em 2008, é disponibilizada à DNRH, uma assistência técnica, pelo
Desenvolvimento dos Recursos Humanos Programa de Apoio ao Sector da Saúde, via Fundo Europeu de
Desenvolvimento (8ºFED) que, em parceria com técnicos da Secção de FP
Palavras-chave: política, formação permanente, recursos humanos
do Departamento de Desenvolvimento dos Recursos Humanos
(DDRH/DNRH), produzem os seguintes instrumentos: Proposta de
Em 1997, a Direcção Nacional dos Recursos Humanos (DNRH), elaborou
Decreto Executivo sobre a FP, Regulamento da FP e Manual da FP, para
o seu Primeiro Plano de Desenvolvimento de Recursos Humanos da
uso nos NFP, Departamentos ou Pontos Focais municipais da FP.
Saúde- PDRH 1997-2007. O mesmo evidenciou a necessidade e a
importância de requalificação e actualização dos trabalhadores de saúde em Em Novembro de 2008, é realizado em Luanda o Encontro Nacional
serviço, seja por intermédio de cursos de promoção, seja por acções de sobre Formação Permanente, em que participam representantes das DPS,
Formação Permanente (FP). Hospitais Gerais de 16 províncias, DPS, ETPS e Hospitais gerais de Luanda,
com a ausência do representante da província do Kuando Kubango.
Foi a partir do ano 2000, que a Direcção Nacional dos Recursos Humanos
iniciou a organização do sector e da Secção de FP e através da Nota nº O encontro teve como objectivo introduzir em todas as províncias a
258/DNRH/ GD/2002, que orienta a constituição dos Núcleos de Formação nova metodologia de trabalho para reforço da organização da FP, ao nível
Permanente (NFP) nas Direcções Provinciais de Saúde (DPS), nos Hospitais provincial e municipal, hospitais e escolas de formação em saúde, assim
Provinciais e nas, então, Escolas Técnicas de Profissionais de Saúde (ETPS). como, apresentar e divulgar os documentos normativos e metodológicos
para uniformização do funcionamento do subsistema de FP em saúde no
Cada NFP funcionaria com três membros: Coordenador, Pedagogo e
País.
Administrador/secretário. Porém devido a falta de um quadro de
referência legal e normativo, a constituição e inserção institucional dos Tendo no final, os participantes ao Encontro, recomendado de entre
NFP nas DPS se deu de várias formas, de acordo a especificidade provincial, vários aspectos, a necessidade de constituição de uma equipa de
ou não chegou a ser efetivada, o mesmo acontecendo nos Hospitais. coordenação da FP em todas as DPS e hospitais gerais, a alocação de
recursos necessários para a extensão progressiva da coordenação da FP a

13
nível das Repartições Municipais de Saúde, que todas acções de
FP a serem realizadas tivessem o

14
parecer técnico do respectivo Núcleo ou Departamento, devendo os NFP
participar nos exercícios anuais de planificação e orçamentação, assim como
a integração e colaboração dos Programas de Saúde Pública, com os NFP.

Até 2014, uma equipa composta por técnicos da DDRH, orientou


metodologicamente os coordenadores dos NFP, o que permitiu constituir
16 NFP e Pontos Focais no País, assim como foi elaborado o plano de
necessidades formativas nas áreas de chefias intermédia, apoio hospitalar,
enfermagem, bloco operatório, banco de urgência, consultas externas,
vigilantes e maqueiros.

A reorganização e consolidação da FP no País, passa por:

 Criação e funcionamento do órgão de coordenação da FP, nas DPS,


Hos- pitais centrais, Gerais, EFTS e municípios;

 Aprovação, distribuição e utilização dos documentos normativos e


meto- dológicos sobre FP (regulamento e manual da FP);

 Criação nos órgãos de coordenação da FP aos vários níveis com um


Ar- quivo e um Banco de Dados da FP;

 As províncias contarem com formadores locais, formados para FP.

Podemos concluir que foi feito bastante trabalho. Porém, muito ainda
há a fazer para que possamos ter um subsistema de FP a funcionar como
tal em todo o País. Torna-se, então, necessária uma grande articulação
e coordenação entre os vários actores da FP e as múltiplas acções
formativas a serem realizadas ao nível nacional e provincial, para podermos
melhorar a eficiência e eficácia da FP.

15
III
ARTIGOS | 1 - FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORE S
DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO FORVIDA

FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E mor-


GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO FORVIDA

Autores: Ana Isa Paiva das Neves 1, Ana Maria Santos2, João Paulo Nunes3,
Nuno Macedo4

1 - Ana Isa Paiva das Neves | Mestre em Desenvolvimento, Diversidades


Locais e Desafios Mundiais; Gestora de Projecto | Fundação Fé e Cooperação

2 - Ana Maria Santos - Assistente Social; Assistente de Coordenação dos


Pro- jectos de Saúde | Caritas de Angola

3 - João Paulo Nunes – Mestre em Desenvolvimento da Criança;


Enfermeiro Director | Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das
Misericórdias

4 - Nuno Macedo – Mestre em Desenvolvimento Internacional;


Coordenador de Programa País | Fundação Fé e Cooperação

(Para além dos autores, a equipa de projeto gostaria de agradecer a


colaboração de Irene Mafalda, Helena Magalhães, Raquel Rodrigues, Padre
Pakissi, D. Alberti- na e Fortes.)

Palavras-chave: formação permanente, saúde materno-infantil, pedagogia


indutiva, competências

INTRODUÇÃO
O nascimento de um filho continua a representar um elevado risco para as
mulheres angolanas, uma vez que o país continua a apresentar taxas de

15
talidade e morbilidade maternas e infantis elevadas, apesar dos
esforços e do compromisso do Governo Angolano de reverter
estes indicadores e melhorar progressivamente as condições de
saúde dos angolanos.
No sentido de melhor compreender a causa destes indicadores,
em 2009, com o apoio de parceiros em Portugal - Alto
Comissariado da Saúde, Funda- ção Calouste Gulbenkian,
Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), Santa
Casa de Misericórdia de Lisboa e Positive Benefits – e juntamen- te
com parceiros locais de elevada fiabilidade e capacidade de
operaciona- lização como a Caritas Nacional de Angola e a ACGD
- Associação Cristã de Gestores e Dirigentes, foi realizado um
Diagnóstico e Estudo Estratégico das Infraestruturas,
Recursos Humanos (RH) e serviços de saúde existen- tes na
rede de serviços da Igreja Católica (fase I do Programa Integrado
de Saúde Materno-Infantil em Angola). O diagnóstico realizou-se
numa primeira fase nas Dioceses de Benguela, Bié, Huambo,
Luanda e Moxico, tendo sido, até 2014, finalizado em todas as
Dioceses do país.

Tendo por base este estudo, cientificamente validado, foi


constituída uma base de dados que permitiu, de forma
fundamentada, realizar o processo de decisão, estabelecimento de
prioridades e desenho de uma fase subsequen- te de acção. As
principais conclusões do Diagnóstico revelaram que os en-
fermeiros, que aparecem como os principais agentes nos
cuidados de saúde primários, têm acesso a poucas formações em
serviço e acções de reciclagem e que têm um fraco acesso a livros
e bibliografia de referência que permita uma atualização dos
conhecimentos, principalmente fora dos meios urbanos.

O mesmo se aplica a outros Recursos Humanos de Saúde (RHS),


nomeadamen- te parteiras. Os dados do Diagnóstico mostraram
também que continuam a existir constrangimentos ao nível da
gestão racional e eficiente das Unidades de Saúde (US) da Igreja
Católica nas várias componentes – administrativa, con-

16
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

tabilística-financeira, recursos humanos e sistemas de informação. Esta de Angola; Conferência Episcopal de Angola e de S. Tomé (CEAST), Direção-Geral da Saúde de Portugal; Escola Su- perior de Enfermagem S.
Francisco das Misericórdias; Fundação Calouste Gulbenkian; Fundação Fé e Cooperação; Ministério da Saúde de Angola.
situa- ção não é muito diferente da situação geral das unidades de saúde
públicas, com desafios semelhantes.

No sentido de promover uma melhoria das competências dos RHS, foi


desen- volvida a fase II do Programa Integrado de Saúde Materno-Infantil
em Angola, concretizada no Projecto FORVIDA – Formação para a
Vida1, o qual teve como objetivo contribuir para a diminuição da
mortalidade materna e infantil na população de utentes das
unidades de saúde alvo, através do reforço, ampliação e maximização
dos serviços de saúde materno-infantis, apoiando-se na rede de infra-
estruturas e de técnicos de saúde já presentes no terreno. Assim, foram
elaborados planos de formação adaptados às neces- sidades efetivas de três
públicos-alvo distintos: enfermeiros, parteiras e ges- tores/responsáveis de
unidades de saúde, através de uma opção pedagógica baseada na
pedagogia indutiva, com base na riqueza do levantamento inicial.
Ao longo de 2 anos de projecto foram formados 329 Recursos Humanos
de Saúde (136 enfermeiros, 98 parteiras e 95 gestores das US) nas
províncias de Luanda, Benguela, Huambo e Bié, provenientes de 141
US, quer do sub- sistema da Igreja Católica de Angola (56%), quer do
subsistema Público (44%). O projecto foi promovido e coordenado pela
FEC em parceria com a Caritas de Angola e a Escola Superior de
Enfermagem São Francisco das Misericór- dias (ESESFM) foi responsável
pela coordenação científica da formação. Realce para a participação do
Ministério da Saúde de Angola (MINSA) na acreditação e certificação da
formação.

METODOLOGIA

Toda a metodologia do projecto assentou em constatações resultantes


do Diagnóstico e Estudo Estratégico das infraestruturas, recursos
humanos e

1 - Implementado com o apoio dos seguintes parceiros: Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.; Caritas

17
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
tipologia de serviços de saúde existentes na rede
de serviços da Igreja Ca- tólica, realizado em 2009,
cujos dados recolhidos evidenciaram a existência de
um importante défice transversal na qualidade dos
cuidados de saúde pri- mários em Angola muitas
vezes devido a fragilidades na formação dos RHS. De
facto, os enfermeiros em serviço revelam dificuldades
e inseguranças no diagnóstico e terapêutica de
situações clínicas relacionadas com gravidez e
parto, assim como na aplicação de protocolos e
guidelines atuais do MINSA, nomeadamente no
âmbito da saúde materno-infantil, uma vez que, em
mui- tos casos, não receberam formação específica
nessas matérias. Esta ausência de formação tem um
grande impacto no serviço prestado ao utente.

Assim, como o objetivo de caracterizar o nível de competências dos grupos-


-alvo de enfermeiros, parteiras e gestores, foram
usados questionários de avaliação inicial
(levantamento da realidade dos formandos), em
matéria de conhecimentos técnico-científicos, que
serviram, igualmente para a compa- ração com os
questionários de avaliação final. Cada curso de
formação per- manente foi ministrado na Província
de Luanda, de Benguela e do Huambo (nesta última,
para US do Huambo e do Bié), em sessões formativas
específi- cas para cada um dos formandos
(enfermeiros, parteiras e gestores) e esteve dividido
em quatro Módulos, os quais decorriam num
horizonte temporal de 35 horas, cada,
perfazendo 140 horas de formação por formando.

Tabela 1: Conteúdos das formações de enfermeiros, parteiras e gestores das


US

18
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
Grupo de
Módulos
Formandos
A - Período Pré-Natal
C - Período do Parto e Período Pós-Parto
Enfermeiros
D - Saúde da Criança
E - Saúde Materno-Infantil e VIH-SIDA

19
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
visou acentuar que a centralidade do processo formativo residia nos próprios
A - Período Pré-Natal formandos, bem como responsabilizar quanto à
B – O Parto
Parteiras
D - Saúde da Criança
E - Saúde Materno-Infantil e VIH-SIDA
A - Fundamentos da Gestão
B - Mecanismos da Gestão
Gestores
C - Da Teoria à Acção na Unidade de Saúde
D - Gestão de Saúde: Construção Manual
Procedimentos

Simultaneamente foram aplicadas estratégias pedagógicas que


privilegiaram a constante participação dos formandos em função da
realidade onde desen- volvem a sua actividade de saúde (Estudos de Caso
e Resolução de Proble- mas-Tipo, numa opção de Pedagogia Indutiva).
Foi reforçada a importância da participação em acções de formação
permanente, como mecanismo que aumenta a segurança e eficácia do
profissional e da organização em que este se enquadra. Por fim, foi
realizada supervisão pedagógica, por amostragem, nas US onde os
formandos trabalhavam.

Partindo do diagnóstico efetuado, a metodologia de aplicação do proces-


so formativo, no terreno, assentou em dois pilares fundamentais: A -
A adequação da formação ao estado real dos conhecimentos e práticas
dos formandos, nas diferentes províncias. B - A Provisoriedade, ou seja,
os con- teúdos e materiais pedagógico-didáticos, bem como as práticas
pedagógicas foram sempre provisórios, ou seja, podiam ser, e foram em
alguns casos, ade- quados ao evidenciado nas diferentes avaliações (prévia
e final), bem como aos questionários de reação (realizados depois de
cada Módulo a cada um dos formandos, de forma individual e anónima,
permitindo recolher a sua opi- nião sobre várias áreas da formação –
logística, condições, conteúdos, perti- nência, entre outros). Tal opção

17
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
formação permanente, globalmente. realidade profissional dos formandos. Entendeu-se assim evitar
dissonâncias culturais que pudessem por em causa a essência da Pedagogia
No início de cada Módulo, foi aplicado um questionário formativo Indutiva.
inicial, o qual versava as temáticas a abordar nesse mesmo
Módulo. O questionário era composto por 40 questões de escolha
múltipla, e classificado numa escala de 0 a 20 valores. Em termos
de registo comparativo, a nota obtida era trans- formada em
percentagem de respostas corretas, em que cada valor corres-
pondia a 5% do total. No final do Módulo, foi aplicado um novo
questionário, desta vez com carácter de avaliação formal e final, o
qual tinha a mesma cons- tituição em termos do número de
questões. Foram realizadas, neste segun- do questionário,
algumas alterações na ordem das questões e reformuladas
outras, em função do desenvolvimento da formação nesse
Módulo. A análise da avaliação inicial e final de cada Módulo
permitiu inferir acerca da evolução das aprendizagens dos
formandos.

Em cada sessão formativa, e em termos de estratégia pedagógica, privilegiou-


-se a exposição das realidades em que os profissionais
desenvolvem as suas atividades profissionais, para, a partir dessa
consideração, dar uma perspetiva de integração de novos saberes
e novas práticas, nessas mesmas realidades. Como forma de dar
efetiva continuidade ao trabalho, cada formando teria de
apresentar, formalmente, um projecto de integração de uma
nova prática ou de alteração de uma prática habitual na sua
US. Esta condição visou acentuar a ideia de uma Pedagogia
Indutiva, por, (1) partir da realidade, (2) iluminar essa realidade
com novos conhecimentos e (3) integrar na realidade, fatores de
estímulo ao desenvolvimento, em matéria de prestação ou de orga-
nização de cuidados de saúde na área materno-infantil.

Uma questão pedagógica que cumpre destacar é a de se optar


por que os facilitadores da formação fossem profissionais
angolanos ou, pelo menos, com residência e conhecimento da

18
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

Por fim, deve destacar-se a participação das autoridades angolanas,


do número de enfermeiros médios e técnicos de saúde médios, sendo
para uma estratégia pedagógica eficaz: 1) participação dos núcleos de que ambos constituem o principal corpo clínico das US, assumindo
formação permanente do MINSA nas formações; 2) materiais e conteúdos funções de diagnóstico, terapêutica e prescrição médica. Este dado é
programá- ticos aferidos, na sua fase final, por destacados elementos da muitas vezes ne- gligenciado nos programas de capacitação e formação.
estrutura do Ministério da Saúde de Angola (MINSA), quer da Como já referido, os enfermeiros diplomados são ainda em número muito
Direcção Nacional de Recursos Humanos (DNRH) como da Direcção reduzido em Angola e os dados recolhidos apontam que poucos
Nacional de Saúde Pública (DNSP); e 3) certificação da formação pelo trabalham em unidades de cui- dados primários. Embora se verifique um
MINSA. Este fator reforçou de forma inequívoca, a adequação do que era aumento importante no número de faculdades de medicina e escolas de
proposto e trabalhado com os formandos, assim como assume para a enfermagem (públicas e privadas), serão necessários vários anos para que
concepção dos programas, uma ine- quívoca ideia de subsidiariedade. De este investimento comece a ter um real impacto no número de RH
resto, esta estratégia foi ao encontro de um dos resultados que o projecto presentes no Sistema Nacional de Saúde.
pretendia atingir: iniciar a testagem de um processo de certificação de
formação permanente em saúde, a radicar no MINSA.
Analisando, desta feita, a proveniência geográfica dos formandos, cons-
tata-se que os enfermeiros vieram maioritariamente de Luanda (36%),
de Benguela (30%), do Huambo (28%), de Kuito-Bié (6%) e de Viana (1%).
RESULTADOS Rela- tivamente às parteiras, verifica-se que participaram 37% de Luanda,
Ao longo dos dois anos do projecto FORVIDA foram formados 329 RHS 26% de Benguela, 31% do Huambo e 6% de Kuito-Bié.
(136 enfermeiros, 98 parteiras e 95 gestores) nos três polos de formação
Em média participaram 20 enfermeiros e 18 parteiras em cada seminá-
do projecto, Luanda, Benguela e Huambo-Bié. O número de US
rio ministrado, sendo que, em média, ambos os grupos apresentaram uma
abrangidas pelo projecto foi significativamente superior ao inicialmente
assiduidade de 86% nos seminários. A média de idade dos enfermeiros e
estimado, al- cançando um total de 141 US, quer do subsistema da
parteiras rondou na globalidade o intervalo entre os 35 e os 54 anos.
Igreja Católica de Angola (56%), quer do subsistema Público (44%).
Atendendo à análise da evolução da avaliação inicial/diagnóstica para
Relativamente ao grupo de formandos de enfermeiros e parteiras, na sua a avaliação final (gráficos nº1 e nº2) constata-se que em ambos os grupos,
maioria eram do sexo feminino, com 80% e 95% de mulheres e cada de enfermeiros e parteiras, se regista uma evolução positiva com uma
um dos grupos, respectivamente, tendo existido uma maior média da classificações do teste de diagnóstico (67% em ambos os
homogeneidade, relativamente ao género no grupo de gestores (56% grupos) para a média de classificação dos testes finais (78% para
formandos do sexo feminino e 44% masculino). enfermeiros e 80% para parteiras) e inclusive, de forma sucessiva, na
avaliação diagnóstica ini- cial nos diferentes Módulos. Com base nestes
Quer a maioria dos formandos enfermeiros como parteiras, ao nível das
resultados, afiguram-se bas- tante positivas as evoluções nas
habilitações literárias detinham entre o 10º e o 12º ano de
aprendizagens.
escolariza- ção. Uma característica geral transversal a todas as
províncias foi o eleva-

19
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

Gráfico 1: Análise da evolução da avaliação inicial e final


Os dados referentes à taxa de aprovação2 (gráficos nº 3 e nº4) revelam que
dos Módulos de formação de enfermeiros
88% dos enfermeiros e 90% das parteiras (média de todos os Módulos)
tiveram uma taxa de aprovação positiva e progressivamente melhor nos
Avaliação Enfermeiros dife- rentes Módulos. Considera-se que a taxa de aprovação final poderia
Luanda, Benguela e Huambo/Kuíto-Bié ser ainda mais elevada do que o constatado, mas foram contabilizados os
%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) 78,1 formandos que não realizaram a avaliação final como não aprovados.
Início (%) 73,9
Assim, caso não tivessem sido considerados estes casos, praticamente
Módulo Módulo Módulo

79,3
69,0
81,0
todos os formandos que realizaram as provas finais dos Módulos de
Enfermeiros

64,6
72,8
formação teriam uma taxa de aprovação positiva.
59,6

Gráfico 3: Análise da taxa de aprovação dos Módulos de formação de


enfermeiros

0 20 40 60 80 100 Enfermeiros
Luanda, Huambo/Kuíto-Bié e Benguela
Gráfico 2: Análise da evolução da avaliação inicial e final
Fim (%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) 88
Início (%)
dos Módulos de formação de parteiras 92

Módulo Módulo Módulo


83

Módulo ACDE
Enfermeiros
Avaliação Parteiras 95
Luanda, Benguela e Huambo/Kuíto-Bié 90
77
Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) 78,9
u
Mód

Início (%) 91
68,7
77
78,6
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
u
Mód

71,9
84,1
66,7
76,8
u
Mód

61,3
u
Mód

0 20 40 60 80 100 2 - Número de formandos que obteve uma nota positiva (igual ou superior a 50%), na avaliação final.

20
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

Gráfico 4: Análise da taxa de aprovação dos Módulos de formação de


Denotou-se um ligeiro aumento da percentagem de participantes
parteiras
com habilitações literárias mais elevadas neste grupo do que nos
grupos de enfermeiros e parteiras, apresentando, mais concretamente,
Parteiras
mais for- mandos com licenciatura e bacharelato. Através da análise da
Luanda, Huambo/Kuíto-Bié e Benguela assiduidade verificou-se que, de uma forma geral, foi ao encontro do
(%) Fim (%) Início (%) Fim (%) Início (%) Fim (%) 95 nível pretendido, rondando os 84%.
Início (%)
E

81

78 Ao longo dos dois anos de projecto, houve uma média de 17


D

participan- tes em cada sessão de formação de gestores, os quais


Parteiras

97
95
participaram, tam- bém em média em 84% das formações ministradas.
Em termos de avaliação houve um aumento do nível dos resultados
B

81

92 entre o teste de diagnóstico inicial e o teste final (aumento de 66% para


76%), sendo que 96% dos par- ticipantes obtiveram aprovação no final
A

84
do curso.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Analisando o gráfico nº5, tal como no grupo de enfermeiros e parteiras,


hou- ve sempre um aumento significativo entre os testes de diagnóstico
Ao longo do período de implementação do projecto, foram elaboradas inicial e de avaliação final e também, o aumento dos valores percentuais
342 fichas de procedimentos em 35 US (15 US do Huambo, 3 do Kuito-Bié entre os testes de diagnóstico dos Módulos A e B e os testes finais. Ou seja,
e 17 de Luanda), sobre os vários temas constantes do programa de denota-se uma melhoria de conhecimentos dos formandos, progressiva e
formação. Estas fichas de procedimentos preconizavam a organização de cumulativa, de Módulo para Módulo.
procedimen- tos clínicos a serem aplicados/melhorados nas US de
origem dos formandos Os Módulos C e D não foram sujeitos a uma avaliação em formato de
teste, uma vez que foram direcionados para a elaboração de trabalhos
Dos 95 formandos gestores que participaram nos seminários, das três de grupo e elaboração de Manuais de Procedimentos para serem
províncias, 56% eram mulheres e 44% homens, sendo que 71% tinha aplicados nas US, tendo sido analisados pelos formadores e avaliados de
uma idade compreendida entre os 35 e os 54 anos, apresentando uma forma qualitativa. Os Manuais de Procedimentos foram direcionados
média de idade semelhante ao grupo dos enfermeiros e das parteiras. É para cinco grandes áreas e respetivos procedimentos: Processo de
de salientar a forte presença de mulheres em responsabilidades de Formalização da Unidade de Saú- de; Planificação das Actividades;
gestão e de coordenação nas US. Um factor explicativo relevante é a Recursos Humanos; Recursos Financeiros; e Aprovisionamento e Logística.
presença de religio- sas como responsáveis das US do subsistema da ICA,
mas também no setor público se verifica uma taxa significativa de
envolvimento de mulheres em responsabilidades de gestão.

21
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

Gráfico 5: Análise das avaliações dos Módulos de gestores das US


Dado o exposto, todas as atividades de formação do projecto FORVIDA
tiveram uma taxa média de assiduidade de 85,33%3 e uma taxa média
de aprovação de 91,33%4 . A média ponderada de melhoria de conhe-
cimentos entre o teste de diagnóstico inicial e teste final foi de 16.42%,
entre todos os grupos de formandos, em todas as províncias (aumento
percentual, em média, de 67% para 78%).
Um elemento a destacar no âmbito da sustentabilidade e efeitos
multiplica- dores do projecto é o desenvolvimento e a publicação do
FORVIDA: Manual de Formação Permanente em Saúde Materno-Infantil
para Enfermeiros e Parteiras. Este Manual, desenvolvido a partir dos meios
de ensino usados no curso de formação permanente de enfermeiros e
parteiras, validados pelo MINSA, procura ser um meio de aprofundamento
de conhecimentos e práti- cas no domínio da saúde materno-infantil e fazer
A mesma evolução positiva foi verificada nas taxas de aprovação dos eco de boas práticas inter- nacionais, assim como de protocolos nacionais
forman- dos, como se pode constatar no gráfico seguinte. em vigor, promovendo o rigor necessário e respeitando o contexto social,
económico e sanitário.
Gráfico 6: Análise da taxa de aprovação dos seminários de formação de ges-
tores CONCLUSÕES

A análise dos dados recolhidos permitem retirar algumas lições e


recomenda- ções, que poderão servir para futuras intervenções neste
domínio em Angola. Neste sentido, e para facilitar a leitura e
sistematização, são apresentados os pontos fortes e pontos a melhorar em
intervenções futuras semelhantes.

Pontos fortes:

- Materiais formativos produzidos pelo MINSA e OMS em utilização em


Angola identificados, recolhidos e utilizados na construção dos materiais do
projecto;

- Necessidades específicas de formação analisadas;

- Atualização e adaptação dos programas de formação e elaboração dos su-

22
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
3 - Taxa média de assiduidade de todos os grupos de formandos: enfermeiros: 86%; parteiras: 86%; gestores das US: 84%
4 - Taxa média de aprovação de todos os grupos de formandos: enfermeiros: 88%; parteiras: 90%; gestores das US: 96%

23
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

portes teóricos da formação coordenados pela ESESFM e com a


- Apresentação de projectos de integração de uma nova prática/procedi-
colaboração da DNRH (Direcção Nacional de Recursos Humanos do
mento ou de alteração de uma habitual na sua US e supervisão da sua
MINSA) e da DNSP (Direcção Nacional de Saúde Pública);
im- plementação;
- Bom trabalho de organização e logística dos seminários por parte das
- Práticas da formação permanente associada à prática de supervisão utiliza-
dio- ceses;
da como método de aprendizagem e não de fiscalização;
- Boa taxa de aprovação e melhoria da avaliação de conhecimentos
- Elaboração e publicação do FORVIDA: Manual de Formação Permanente
adqui- ridos;
em Saúde Materno-Infantil para Enfermeiros e Parteiras.
- Taxas de assiduidade elevadas;
Pontos a melhorar em intervenções futuras:
- Satisfação dos formandos face aos conteúdos e metodologias utilizadas
nas formações; - Demasiada concentração das formações nos meses de abril e maio, no
1º ano, com repercussões na adesão dos formandos às formações e com
- Adequação dos formadores em termos científicos e pedagógicos; al- guns atrasos nas atividades subsequentes, nomeadamente de
supervisão;
- Articulação e envolvimento dos Núcleos de Formação Permanente nas
ac- ções de formação dos vários atores; - Partilha dos materiais de apoio à formação não só em formato digital, mas
também em papel, antes das formações;
- Formação integrada que envolve diversas áreas funcionais das US (presta-
ção de cuidados de saúde e gestão) e diversos RHS; - Realizadas poucas visitas de supervisão devido à morosidade do
processo, custo e atraso no calendário das formações realizadas.
- Estratégias pedagógicas que privilegiam a constante participação dos
formandos em função da realidade onde desenvolvem a sua actividade
de saúde (Estudos de Caso e Resolução de Problemas-Tipo, numa opção RECOMENDAÇÕES
de Pe- dagogia Indutiva);
- Obrigatoriedade de diagnóstico de situação com visitas ao terreno para
- Conteúdos, práticas e materiais pedagógico-didáticos em adaptação conhecer a realidade antes de elaboração de conteúdos formativos;
con- tínua, ou seja, adequados ao evidenciado nas diferentes avaliações
(inicial e final), bem como aos questionários de reação; - Definir objetivos e metas concretas a atingir no que respeita à
formação permanente e envolver os vários formandos alvo na sua
- Produção de materiais didáticos de suporte aos Módulos em formato definição;
digi- tal facilmente utilizável e multiplicável, devidamente validados pelas
auto- ridades sanitárias; - Necessidade de certificar as organizações que dão formação de RHS (per-
manente ou inicial) por parte do MINSA;

24
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
- Validar os conteúdos programáticos pelo departamento de formação do
MINSA;

25
FORMAÇÃO PERMANENTE DE ENFERMEIROS, PARTEIRAS E GESTORES DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO

- Criar uma bolsa nacional de formadores especializados e certificados pelas Management


autoridades sanitárias (integráveis em formações dinamizadas por serviços
públicos ou privados);

- Estabelecer parcerias com centros de investigação e instituições de


ensino superior especializados;

- Apostar na formação permanente por áreas transversais e funcionais


(mais do que por programas verticais) visando melhorias qualitativas
sustentáveis;

- Maior investimento de recursos humanos e recursos financeiros na


formação permanente e na supervisão integrada;

- Elaborar e normalizar os procedimentos e rotinas promovendo o trabalho


coeso da equipa e a revisão destes materiais devido à constante mudança
dentro da área de saúde;
- Investir na formação de profissionais que atuam nas áreas de apoio, adminis-
trativa e gestão para favorecer a integração dos serviços;

- Participação ativa de membros de todos os níveis de governabilidade,


per- mitindo que aspectos organizacionais, administrativos e técnicos sejam
leva- dos em consideração para a implementação das acções e
acompanhamento de cada etapa;

- Potenciar o impacto do Manual FORVIDA através da sua reedição e


difusão nos canais e dinâmicas de formação permanente oficiais de
enfermeiros e parteiras.

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Ministério da Saúde – Direcção Nacional de Saúde Pública (2008), Regula-


mento da Formação Permanente em Saúde, Luanda: MINSA – DNSP.
Ministério da Saúde de Angola (2008), Revitalização dos Serviços
Municipais de Saúde, Uma estratégia chave para atingir os objetivos do
sector para o quadriénio, Luanda: MINSA.

Ministério da Saúde de Angola – Direcção Nacional de Saúde Pública


(2004), Plano Estratégico para Acelerar a Redução da Mortalidade Materna e
Infantil 2004-2008, Luanda: MINSA – DNSP.

Ministério da Saúde de Angola – Direcção Nacional de Saúde Pública


(2008), Plano Estratégico Nacional de Saúde Sexual e Reprodutiva 2008 -
2015, Lu- anda: MINSA – DNSP.

Organização Mundial de Saúde, OMS (2010), Análise dos recursos


humanos da saúde (RHS) nos países africanos de língua oficial
portuguesa (PALOP), Genebra: OMS.

Organização Mundial de Saúde, OMS (2009), Estratégia de Cooperação da


Organização Mundial da Saúde com os Países, 2009-2013, Angola: OMS
Es- critório Regional Africano.

28
III
ARTIGOS | 2 - A CONTRIBUIÇÃO DO PROJECTO CISA NA FORMAÇÃO PERMANENTE D E
TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO BENGO

A CONTRIBUIÇÃO DO PROJECTO CISA NA FORMAÇÃO PERMANENTE DE tropicais negligenciadas e, também, doenças não transmissíveis. É, ainda,
TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO BENGO objectivo do Projecto CISA, potenciar

Autores: António Martins1, Ana Oliveira2, Sandra Ferreira3 Miguel

Brito4 1 - Director Provincial de Saúde de Bengo


2 - Investigadora do Projecto
CISA 3 - Backoffice do Projecto
CISA
4 -Investigador coordenador do Projecto CISA

Palavras-chave: investigação, cooperação, formação, ciência

INTRODUÇÃO
A importância da investigação na área da saúde e da formação especializada
para o desenvolvimento do país levou ao estabelecimento, em finais de 2007,
de uma parceria entre o Ministério da Saúde de Angola, o Governo
Provincial do Bengo, a Cooperação Portuguesa e a Fundação Calouste
Gulbenkian, para criar um Centro de Investigação em Saúde em Angola
(CISA).
O Projecto CISA está sediado no Caxito, município do Dande, na província
do Bengo e tem vindo a criar um conjunto de sinergias, de forma a criar um
Centro de Investigação que contribua para a resolução dos principais
problemas de saúde que afectam o país e esta região de África. Essa
contribuição é reflectida através de investigação epidemiológica e
clínica nas doenças mais prevalentes ou relevantes para a saúde
pública em Angola, como sejam a malária, tuberculose, doenças

25
a participação de Angola a nível internacional na área da
investigação em saúde, investindo na formação de quadros
angolanos, designadamente de nível médio, viabilizando
doutoramentos ou outra formação pós-graduada e melhorando as
condições de saúde DE
FORMAÇÃO PERMANENTE da ENFERMEIROS,
população PARTEIRAS
do município, através
E GESTORES do
DE UNIDADES DE SAÚDE EM ANGOLA - PROJECTO
fortalecimento assistencial dos seus serviços de saúde.
O Projecto CISA assenta numa abordagem transversal e
interativa entre quatro vertentes: formação técnica e científica;
investigação em saúde; apoio assistencial e desenvolvimento
comunitário; e, também o fortalecimento de redes e de parcerias
locais, nacionais e internacionais. O projecto tem vindo a potenciar
o desenvolvimento da investigação na área da saúde e das
ciências biomédicas em Angola, a apoiar a formação de
investigadores, médicos e técnicos de saúde e de áreas
correlacionadas - nomeadamente estatística, ciências sociais,
geografia e biologia – e, deste modo, a contribuir para a
melhoria do estado de saúde da população.
O objectivo deste artigo é apresentar, de forma sucinta, as
actividades formativas desenvolvidas pelo Projecto CISA nos
últimos seis anos, em prol da melhoria da prestação de cuidados
de saúde, e avaliar o seu potencial impacto.

DESENVOLVIMENTO

O fomento da atividade científica pelo Projecto CISA implica o apoio


ao forta- lecimento dos serviços de saúde que passa pelo reforço
das competências e formação dos profissionais de saúde e pelo
apoio às estruturas locais parceiras. As acções de formação do
Projecto CISA estão estruturadas da seguinte for- ma:
i) formação contínua no âmbito das atividades de apoio aos
serviços de saú- de;

26
ii) formação técnico-científica integrada nos estudos científicos em desen- con-
volvimento e nas áreas de trabalho do CISA;
iii) apoio à viabilização de doutoramentos e de mestrados em ciências
da saúde.

É, ainda, de salientar a colaboração directa com instituições de ensino


de Angola, nomeadamente a Escola de Formação de Técnicos de
Saúde do Bengo e as Faculdades de Medicina e de Ciências, na promoção
e realização de acções de formação em domínios da competência do
CISA, como a epi- demiologia, a estatística e o diagnóstico laboratorial.
Desde meados de 2008, o Projecto CISA tem vindo a colaborar com a
Direc- ção Provincial de Saúde no sentido de melhorar a qualidade da
prestação de serviços do município, concretamente ao nível do Hospital
Geral do Bengo (HGB). Esse apoio traduz-se na integração de uma
assessoria técnica espe- cializada nos serviços, com vista a apoiar os
responsáveis nos procedimen- tos necessários à melhoria organizativa e
assistencial dos serviços prestados. No que respeita à capacitação e
reciclagem em áreas específicas, à formação permanente e à formação em
serviço, constituem-se como componentes indispensáveis dos processos
de melhoria das capacidades e do serviço prestado. Desta forma,
priorizou-se o apoio às áreas afectas à enfermagem e laboratório, pelo seu
impacto previsível na melhoria da prestação dos cui- dados de saúde no
HGB.
No que se refere à formação contínua no quadro das actividades de
apoio aos serviços de saúde e após uma avaliação conjunta das
necessidades, salientam-se as seguintes acções realizadas no HGB:
1. Reforço do sistema de informação clínica, através do incremento ao
su- cessivo aperfeiçoamento dos registos; apoio este que tem sido
efectuado através do acompanhamento dos técnicos no preenchimento,
em todos os serviços do Hospital, dos novos impressos de registo clínico
por meio da formação em ambiente de trabalho.
2. Colaboração com a direcção de enfermagem na reorganização das

27
A CONTRIBUIÇÃO DO PROJECTO CISA NA FORMAÇÃO PERMANENTE DE TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO
sultas externas, no regulamento do serviço de período de seis meses que desenvolveu acções de for- mação em
urgência, na implementação de impressos de registo diferentes áreas: i) funções do enfermeiro na unidade de cuida- dos pós-
vários (ao nível da gestão de recursos humanos e de anestésicos; ii) funções do enfermeiro circundante; iii) funções do
materiais); na elaboração de um documento enfermeiro de anestesia; iv) procedimentos no âmbito da esterilização.
orientador de actividades de gestão de
5. Apoio na estruturação de uma comissão de controlo da infecção
responsabilidades dos enfermeiros-chefe e do
hospi- talar, para criação e monitorização de normas e procedimentos,
manual de proce- dimentos de enfermagem;
elaboração do manual de boas práticas e apoio ao estabelecimento de
implementação da triagem de enfermagem na
protocolo sobre incineração de lixo contaminado.
urgência pediátrica; melhoria dos processos clínicos e
apoio na actualização dos técnicos, através de
formação em serviço, teórica e prática, dos enfer-
meiros de vários serviços do hospital; elaboração
de regulamento relacio- nado com os óbitos.
[Link]ção de sessões de formação que envolveram
uma média, em cada, de cerca de 50 formandos,
nomeadamente: i) sessões teórico-práticas sobre
“gestão por objectivos” para chefes de serviço e
enfermeiros; ii) cuidados de enfermagem a doentes
poli-traumatizados; iii) cuidados de enfermagem ao
doente hospitalizado - intervenções do enfermeiro;
iv) cuidados de en- fermagem à pessoa com
diabetes mellitus; v) cuidados de enfermagem em
pessoas com úlceras de pressão; vi) cuidados de
enfermagem na colocação de cateterismos vesicais;
vii) procedimentos de biossegurança; viii) aplica- ção
da farmacologia nos cuidados de enfermagem; ix)
cuidados de enfer- magem na pessoa com febre
tifóide e salmonelas; x) cuidados de enferma- gem na
pessoa com diabetes e insulinoterapia; xi) apoio na
reciclagem das enfermeiras da maternidade e
Centro Materno Infantil das Mabubas ao nível dos
cuidados obstétricos, pré e pós natal.
4. Apoio na reorganização do Bloco Operatório,
através da alocação de um especialista por um

28
A CONTRIBUIÇÃO DO PROJECTO CISA NA FORMAÇÃO PERMANENTE DE TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO BENGO

6. Apoio ao nível dos estágios clínicos dos estudantes de enfermagem administração de oxigénio, nos cuidados de enfermagem na administração de
da Escola de Formação de Técnicos de Saúde do Bengo e no HGB, através sangue, na avaliação nutricional, nos procedimentos de enfermagem em
da elaboração de um plano de estágios adequado às necessidades da
Instituição de formação e adaptado ao real funcionamento dos Serviços,
para além da estruturação de uma grelha de avaliação do desempenho
dos estudantes.
7. Criação de melhores condições de diagnóstico laboratorial nas unidades
de saúde do município. Neste âmbito, contou-se, igualmente, com uma asses-
soria técnica para apoio à operacionalização do laboratório de análises clini-
cas do HGB ao nível da reorganização, metodologias e formação de todos
os técnicos, em particular nos seguintes domínios: i) segurança no
laboratório;
ii) controlo de qualidade em análises clínicas; iii) diagnóstico e análises labo-
ratoriais em parasitologia; iv) diagnóstico laboratorial de parasitas intestinais;
v) diagnóstico laboratorial de malária; vi) análise de urina tipo II.
Apesar da dificuldade em avaliar o impacto direto das formações e da
inter- venção no HGB, devido, por um lado, à sua lata abrangência e, por
outro, à falta de um diagnóstico prévio quantificado, constatou-se, em finais
de 2013, melhorias significativas ao nível da prestação dos cuidados de
enfermagem, nomeadamente, melhorias do sistema de informação
(actualmente todos os serviços utilizam o impresso de terapêutica; o
preenchimento dos registos de observação dos doentes é mais frequente e
com melhor qualidade es- sencialmente nos cuidados intensivos,
maternidade, pediatria e ortopedia) e melhorias ao nível assistencial e
organizativo no HGB, em particular ao nível do funcionamento da
maternidade que conta agora com dois enfermeiros es- pecialistas.
Sublinha-se, também, que todos os registos se efectuam de uma forma
satisfatória e há uma crescente atenção relativamente à questão da
assepsia em todo hospital, apesar de serem reconhecidas muitas
dificulda- des no fornecimento de antissépticos e desinfectantes.
Após seis anos de formação, são evidentes as melhorias em vários
procedimentos, nomeadamente, na técnica de execução de pensos, na

29
relação à determinação da glicemia capilar (no quadro da domínios da intervenção em schistosomíase, da malnutrição crónica, da
Diabetes Mellitus)
A CONTRIBUIÇÃO e na aplicação
DO PROJECTO da farmacologia
CISA NA FORMAÇÃO nos DE
PERMANENTE cuidados etiologia
TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL dasDOanemias e das he- moglobinopatias.
GERAL
de enfermagem (determinação de dosagens a administrar).
São, também, visíveis melhorias ao nível da gestão de recursos
humanos, em especial ao nível da implementação de modelos
para escalas de horários tipo para os serviços, escalas para
“rondas”, planos de férias e criação de processos com fichas
individuais de enfermeiros.
A formação no âmbito de projectos de investigação tem sido
feita a vários níveis. No laboratório de biologia molecular do
Hospital Pediátrico David Ber- nardino, foi dado apoio à
operacionalização de técnicas específicas, nomea- damente na
laboração do equipamento de PCR em tempo real, utilizado no
estudo de “Avaliação do impacto da formação dos técnicos de saúde
na quali- dade do diagnóstico laboratorial da malária, em crianças
com menos de 5 anos em Angola” e na análise genética do “estudo
dos agentes causais de diarreias” e “estudo de intervenção no
controlo da schistossomíase”. Foi ainda realizado o curso prático de
genética e bioquímica envolvendo biólogos, técnicos, médi- cos de
vários hospitais do país. Com estas formações foi possível a
capacita- ção de técnicos superiores especializados que
continuaram a sua actividade, inseridos em projectos de
investigação do CISA ou nas instituições de ensino superior de
onde eram oriundos.
Ainda no que respeita à formação integrada em projectos de
investigação, tem sido possível a realização de estágios por
estudantes finalistas de cur- sos superiores, nomeadamente
biologia, sistemas de informação geográfica, análises clínicas,
entre outros, integrando-os nos trabalhos de campo ou de
laboratório dos projectos. Refira-se, ainda, que um dos grandes
investimentos do CISA tem sido o apoio à realização de
doutoramentos através de projec- tos de investigação,
integrando as suas teses em projectos de investigação a
decorrer. Até à data o CISA integrou já quatro estudantes
angolanos de doutoramento em projetos de investigação nos

30
A CONTRIBUIÇÃO DO PROJECTO CISA NA FORMAÇÃO PERMANENTE DE TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO

Por último, com o objetivo de se perceber o impacto da formação na  A importância da existência de quadros em formação de nível superior
me- lhoria da prestação dos cuidados de saúde, o CISA desenvolveu em - mestrados e doutoramentos - uma vez que esta, por si só, promove a
2013 o estudo ”Avaliação do impacto da formação dos técnicos de saúde na
qualida- de do diagnóstico laboratorial da malária, em crianças com menos
de 5 anos em Angola”. Este estudo envolveu os técnicos de diagnóstico e
terapêutica de três hospitais de Angola, nomeadamente Benguela,
Luanda e Bengo. O estudo teve como objectivo avaliar o impacto de um
curso de reciclagem de três dias sobre os conhecimentos dos técnicos, a
qualidade da preparação de esfregaços de sangue e a precisão do
diagnóstico de malária. Observou-
-se um aumento significativo na prova escrita, aumentando a
classificação média de 52,5% para 65,0%, após a formação.
Considerando todos os labo- ratórios analisados, observou-se um
aumento significativo na qualidade das preparações, não se tendo no
entanto, observado aumento significativo na sensibilidade e
especificidade.

CONCLUSÕES
Apesar das dificuldades em avaliar o impacto da intervenção e das
acções de formação, quer pela falta de diagnóstico prévio mensurado,
quer pela lata abrangência das acções realizadas, julga-se poder realçar o
seguinte:
 A pertinência de uma assessoria técnica integrada nos serviços e que
colabora com a direcção do hospital, no sentido de apoiar a
reorgani- zação dos serviços e de capacitar os técnicos. Esta
assessoria técnica actua como agente facilitador que estimula a
identificação conjunta de procedimentos e de medidas a desenvolver
no âmbito do processo de reorganização;

 A relevância de uma abordagem horizontal da formação,


envolvendo, sempre que existam meios para tal, todos os serviços do
hospital;

28
melhoria das qualificações e das competências e instituições de en- sino superior, nomeadamente com universidades;
dos formadores e per- mite, num futuro próximo
melhorias internas na qualidade da formação e  Considerar, quando possível, o apoio ao nível da capacitação dos servi-
capacitação; por outro lado, a interacção entre ços através de assessorias técnicas especializadas.
diferentes graus de qualificação de técnicos
de saúde permite trazer para o ambiente hos-
pitalar clínico, desenvolvimento técnico e
científico, outras exigências cognitivas e
instrumentais e, ainda novas competências
complementa- res para outras áreas das
ciências da saúde que não são prestadores de
cuidados;
 A importância de envolver
estudantes/estagiários em projectos de in-
vestigação, que é, sem dúvida, uma
oportunidade única de formação em “ambiente
real”.

RECOMENDAÇÕES

Tendo por base a experiência adquirida pelo


Projecto CISA, na formação permanente e na
assessoria de técnicos de saúde, considera-se que as
reco- mendações passam por:
 Aumentar e sistematizar as horas de formação
continua ao nível hospi- talar e laboratorial;
 Definir objetivos e metas concretas a atingir no
que respeita à formação permanente e envolver
os vários formandos alvo na sua definição;

 Promover a qualificação académica dos


formadores, apoiando a realiza- ção da formação
ao nível de mestrados e doutoramentos;
 Estabelecer parcerias com centros de investigação

29
III

A CONTRIBUIÇÃOARTIGOS 3 - EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E


| NA FORMAÇÃO PERMANENTE DE TÉCNICOS DE SAÚDE NO HOSPITAL GERAL DO
DO PROJECTO CISA
FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE BIÉ.

EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTE-


fortalecendo a sua capacidade analítica e estimulando a procura conjunta de
GRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA
soluções para os problemas detectados. Também deve ser um instrumento
E CATABOLA, PROVÍNCIA DE BIÉ.
de formação contínua que permita comprovar as mudanças na qualidade
Autor: Neus Peracula Pueyo1 da prestação do serviço após o período de formação e que permita apoiar
na melhoraria do desempenho dos técnicos das Unidades Sanitárias (US).
1 - Representante da medicusmundi em Angola Angola está a impulsionar um processo de descentralização político-admi-
nistrativa que de forma progressiva transfere mais competências e
Palavras-chave: formação permanente, formação em serviço, supervisão in-
recursos aos níveis administrativos mais próximos da população. Neste
tegrada, guião de supervisão
contexto, as administrações locais assumem uma função capital para
melhorar os serviços de saúde a nível municipal. No âmbito da saúde, o
INTRODUÇÃO Ministério de Saúde de Angola (MINSA) tem dado passos no sentido de
definir estratégias, metodolo- gias, ferramentas e outras normas, para
A formação permanente é um processo educativo continuado que deve ser operacionalizar o processo confirma- do como modelo de referência na
disponibilizado a todo o profissional de saúde ao longo da sua vida municipalização do documento “Sistema Nacional de Saúde a Nível
profissio- nal. Tem como objetivo actualizar e melhorar os conhecimentos, Municipal”.
atitudes e práticas, permitindo a sua constante adaptação à realidade
Neste contexto, a medicusmundi está a executar, desde Janeiro de 2011, o
existente. A for- mação permanente do pessoal sanitário pode ser
Convénio de cooperação “Fortalecimento dos serviços públicos de Saúde
realizada de diversas ma- neiras, através de cursos, seminários, sessões
nas zonas de intervenção da cooperação espanhola. Angola e Moçambi-
clínicas ou formação em serviço, ou seja, formação realizada de forma
que”, com uma duração de quatro anos e financiado pela Agência Espanhola
individualizada, no local de trabalho e que acompanha a prática clinica.
de Cooperação para o Desenvolvimento (AECID). A intervenção tem como
A supervisão é uma actividade do sistema de saúde orientada para um dos seus objetivos específicos contribuir para o desenvolvimento de
resolver problemas na execução da função. É uma actividade re- cursos humanos suficientes e motivados através de acções que
desenvolvida para ob- servar as actividades de um sistema, assim como para contribuam para a sua formação, seja como formação inicial ou formação
monitorizar as mudan- ças no seu funcionamento. Promove o permanente, através da melhoria dos mecanismos de acompanhamento e
aperfeiçoamento contínuo dos servi- ços e o desempenho profissional dos avaliação da prestação de cuidados.
trabalhadores da saúde. Para além dis- so, é um instrumento de
O Sistema Nacional de Saúde (SNS) de Angola apresenta algumas
participação e de envolvimento dos trabalhadores,

30
fragilidades como a falta de técnicos e a fraca formação dos
mesmos, o que se traduz

31
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

numa baixa qualidade na prestação dos serviços de atenção sanitária. Es- objectivos:
tas fraquezas constituem uma importante barreira para a expansão dos  Servir como instrumento de base para planificação de actividades
avanços em saúde.
O presente artigo apresenta a experiência da medicusmundi no âmbito da
formação permanente no nível municipal, concretamente no que se refere à
metodologia de supervisão integrada e formação em serviço nas
Unidades Sanitárias periféricas nos municípios de Camacupa e Catabola, na
província de Bié durante 2012 e 2013.

DESENVOLVIMENTO

A formação permanente constitui parte integrante da política de gestão


e desenvolvimento dos Recursos Humanos do MINSA. A lei de bases do
Siste- ma Nacional de Saúde� de 1992, considera no artigo nº 15, que a
formação permanente dos recursos humanos do SNS é um objectivo
fundamental para o fortalecimento do sistema. Da mesma maneira o
Regulamento Geral das Unidades Sanitárias do Serviço Nacional de Saúde
(REGUSAP) estabele- ce que os Centros de Saúde de Referência ou
Hospitais Municipais devem garantir a supervisão das unidades mais
periféricas, acompanhamento da formação contínua e a actualização dos
trabalhadores.
Alinhada com estas prioridades do MINSA a intervenção da
medicusmundi no âmbito de reforço das capacidades dos técnicos de
saúde a nível muni- cipal tem implementado uma metodologia de
supervisão integrada e for- mação em serviço baseada principalmente
em aspectos: os conhecimen- tos, as atitudes e as práticas (CAP) que são os
elementos que determinam a qualidade do desempenho e do serviço
prestado.
A supervisão pode ser definida como a metodologia para a
monitorização da prestação de serviços deve contemplar os seguintes

30
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
baseando-se na observação e avaliação das necessidades. utilizada, especialmente nos aspectos a ser avaliados. Com o objectivo
 Melhorar o fluxo de informação e a de melhorar o processo de supervisão e os resultados obtidos, foi
comunicação entre os distintos níveis dos elaborado em colaboração com a Direcção Provincial de Saúde (DPS) de
serviços sanitários e utilizar a informação para a Bié e as Di- recções Municipais de Saúde (DMS) de Camacupa e Catabola
tomada de decisões. um guião de supervisão para abranger todos os aspectos do processo
de prestação de serviços de saúde. O guião de supervisão é uma
 Envolver e comprometer aos trabalhadores na
tomada de decisões e na melhoria da ferramenta que permite avaliar de forma qualitativa diferentes critérios
qualidade dos serviços, identificando os de qualidade na prestação
problemas e propondo soluções conjuntamente.
 Monitorizar os serviços através de
indicadores recolhidos no terreno durante a
observação das actividades.
 Conhecer a realidade do desempenho dos serviços das distintas
US.
 Comprovar “in situ” o grau de adequação dos
recursos e actividades dos distintos serviços
comparando-os com standards e normas pre-
definidos como critérios básicos de
qualidade.
 Comprovar as mudanças implementadas nos
serviços desde a últi- ma supervisão.
 Melhorar a qualidade da execução das
tarefas dos distintos servi- ços, corrigindo as
práticas não adequadas.

Em muitas ocasiões, as visitas de supervisão às


diferentes US do município são realizadas sem a
prévia elaboração de um plano de visitas nem com
objectivos claramente definidos. Além disto, na
execução da própria super- visão foram identificadas
algumas fraquezas no que refere à metodologia

31
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

de serviços, quantificar o grau de cumprimento de desempenho dos


5. Participação Comunitária. 9 critérios.
profis- sionais da Unidade Sanitária e identificar problemas concretos para
a poste- rior planificação de actividades de formação em serviço 6. Nutrição. 7 critérios.
personalizadas para cada situação. 7. Saúde ambiental. 9 critérios.
Gráfico 1. Esquema da supervisão 8. Grandes Endemias. 25 critérios.

A supervisão deve ser entendida não apenas como uma actividade


ACTIVIDADES FORMAÇÃO PERMANENTE: INPUTS
Formação em serviço personalizada. Supervisor e supervisada. Programas de supervisão. pontual, mas sim como um elemento chave dentro do processo de
Seminários. Sessões clínicas. Guias.
Normas e protocolos. formação perma- nente do pessoal sanitário. Numa primeira fase são
realizadas visitas de super- visão para avaliar o ponto de situação de cada
US e determinar as necessida- des formativas concretas. Posteriormente é
RETROALIMENTAÇÃO desenhado um plano de visitas de formação em serviço para reforçar aquelas
áreas identificadas como fraquezas em cada uma das US e outras actividades
OUTPUTS: PROCESSO DE SUPERVISÃO:
de formação permanente como ses- sões clínicas ou seminários.
Constatações. Preparação. Realização. Avaliação. Finalmente é realizada outra visita de supervisão integrada para avaliar o
Discussão constatações. Relatório supervisão.
grau de cumprimento das recomendações deixadas na supervisão anterior
e o impacto das actividades de formação em serviço e até que ponto as
mesmas tem contribuído para a melhoria da prestação de serviços em
Fonte: Elaboração cada US.
própria
RESULTADOS
O guião de supervisão apresenta um total de 113 critérios relacionados
A medicusmundi trabalha em Angola, no apoio ao fortalecimento dos recur-
com diferentes aspectos do processo de prestação de serviços para ser
sos humanos mediante a formação contínua em serviço e no
avaliados, foi dividido em diferentes áreas para os principais programas de
desenvolvimen- to da Atenção Primária em Saúde, com o apoio da AECID,
saúde pú- blica. Para cada uma das áreas foram estabelecidos uns critérios
desde 1991. Tem portanto ampla experiência no desenvolvimento e no
de avaliação determinados:
funcionamento do sector da saúde. Neste contexto, foram elaboradas,
1. Operacionalidade da Unidade Sanitária. 26 critérios. testadas e estão a ser utili- zadas desde há dois anos nos municípios de
2. Programa Alargado de Vacinação (PAV). 12 critérios Camacupa e Catabola na província de Bié, ferramentas para a supervisão
integrada, concretamente o guião de supervisão assim como materiais
3. Saúde Sexual e Reprodutiva. 16 critérios.
para a formação “em serviço” dos técnicos de saúde. Este trabalho é
4. Atenção Integrada as Doenças Infantis (AIDI+). 9 critérios. realizado periodicamente por equipas integradas por técnicos da

32
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
medicusmundi e do SNS.

33
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

Foram realizadas desde o início do processo um total de 103 visitas às


Em cada SI foi realizada o seu correspondente relatório indicando
US, 64 visitas de Supervisão Integrada (SI) que abrangeram o 100% das consta- tações e recomendações concretas. Posteriormente foram
US de ambos os municípios (10 em Camacupa e 11 em Catabola) e 39 discutidas em reuniões da equipa de supervisores para eleição das US
visitas de Formação em Serviço (FS) que priorizaram o 50% das US, onde onde realizar as visitas de FS e a identificação dos temas a tratar
foram de- tectadas mais necessidades. segundo as constatações realizadas. As US que não foram priorizadas para
Tabela 1. Visitas de supervisão integrada realizadas as visitas de FS, igualmen- te se beneficiaram de outras actividades
formativas nos municípios como seminários sobre PAV, gestão de
medicamentos e técnicas de comunicação, assim como de sessões clínicas
CAMACUPA CATABOLA bimensais onde participaram a totalidade de Unidades Sanitárias Periféricas.
UNIDADE SI SI FS UNIDADE SI SI FS
SANITARIA 2012 2013 2013 SANITARIA 2012 2013 2013 Tabela 2. Formações realizadas
H. H.
1 2 1 2 TEMAS DE FORMAÇÃO EM SERVIÇO Nº
MUNICIPAL MUNICIPAL
H. Diagnóstico diferencial da febre 6
CS. UMPULU 1 1 3 1 2
CHISSAMBA
CS. Gestão da farmácia 10
CS. 2 2 3 1 2 3
RINGOMA CAIUERA Realização de palestras 4
CS. MUINHA 2 2 3 CS. SANADE 1 2 Realização de consulta e exploração física 7
CS. KWANZA 1 2 4 CS. CHIUCA 2 1 3
CPN 3
CS.
PS. AIFENA II 2 2 1 2 2 3 Diagnóstico diferencial IRA 3
MUQUINDA
PS CHINGUI 1 1 3 CS. CHIPETA 1 2 PAV 6
PS. PS Desnutrição/Puericultura 7
1 2 1 1 2
CANJUNGO CANJUNGO
PS. PS.
1 2 3 1 2 2
CAMICUNDO CHISSENDE Vigilância Epidemiológica 10
Biossegurança 7
PS CHISSAPA 1 1 1 PS. UYUE 1 2 3 TOTAL FORMAÇÕES REALIZADAS 63
PS
SACHISSICA
1 2 Fonte: Relatórios das formações em serviço dos municípios
3
TOTAL VISITAS
13 17 22
TOTAL VISITAS
13 21 17
O facto de poder contar em algumas visitas com mais de um supervisor,
facilitou poder trabalhar em diferentes áreas em cada US personalizando as

34
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
Fonte: Relatórios das supervisões integradas e formativas dos municípios vistas de formação em serviço a cada técnico e podendo fazer mais de uma

35
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

formação por visita. O registo de dados foi tratado como um tema transversal
A utilização do guião de supervisão também permitiu avaliar os programas
em todas as visitas realizadas, fazendo revisão dos diferentes livros e
de saúde pública e conhecer a nível global o funcionamento de cada um
orientan- do em cada caso o seu correcto preenchimento.
dos programas no município.
Uma análise da evolução geral de cada US, tendo como referência a primeira
supervisão realizada em 2012 e a última realizada em 2013, indica (tabela 3) Catabola melhorou em geral o seu desempenho em todas as áreas com
que das 21 US, 15 delas melhoraram o seu desempenho, 4 mostraram uma espe- cial ênfase na melhoria do programa de AIDI+, participação comunitária
diminuição do desempenho e em 2 US não foi possível realizar a última e Nu- trição. No entanto, a área de saúde ambiental não apresentou uma
volta de SI. evolução positiva. No município de Camacupa se evidenciou uma evolução
positiva em todas as áreas, com especial destaque no AIDI+, nutrição e saúde
Tabela 3. Evolução do desempenho nas Unidades Sanitárias (US) dos mu-
ambiental.
nicípios de intervenção
Tabela 4. Evolução das diferentes áreas/programas em cada município

CAMACUPA CATABOLA ÁREA OU PROGRAMA CAMACUPA CATABOLA


Nº AVALIADO
Nº NOME US 2012 2013 NOME US 2012 2013 2012 2013 2012 2013
HOSPITAL MUNICIPAL HOSPITAL Operacionalidade da
84% 81% 61% 75% 67% 74%
1 80% MUNICIPAL 1 Unidade Sanitária
2 CS UMPULO 39% 34% [Link] 58% 55% 2 Programa Alargado de Vacinação 59% 67% 56% 63%
3 CS RINGOMA 45% 57% CS. CAIUERA N/A 69% 3 Saúde Reprodutiva 72% 83% 73% 76%
4 CS MUINHA 74% 77% CS. SANADE 38% 79%
Atenção Integrada das Doenças
5 CS KWANZA 62% 72% CS. CHIUCA 59% 72% 4 Infantis 39% 74% 37% 51%

6 PS AIFENA II 56% 61% CS. MUQUINDA 51% 67% 5 Participação Comunitária 51% 56% 28% 56%
7 PS CHINGI 32% N/A CS. CHIPETA 57% 74% 6 Nutrição 55% 70% 42% 56%
8 PS CANJUNGO 49,49% 64,65% PS CANJUNGO 60% 48% 7 Saúde Ambiental 47% 73% 65% 63%
8 Grandes Endemias 28% 56% 44% 49%
CS
CAMICUNDO 47% 63% PS. CHISSENDE N/A 59%
9 Fonte: Relatórios das supervisões integradas dos municípios
10 PS CHISSAPA 54% N/A PS. UYUE 49% 63%

36
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
11 PS SACHISSICA 46% 34%

Fonte: Relatórios das supervisões integradas dos municípios

37
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

CONCLUSÕES A sua realização, depende da


O guião utilizado para as visitas de supervisão e formação em serviço
tem permitido melhorar os aspectos relacionados com: (1) a planificação
das su- pervisões, (2) o estabelecimento de objectivos e metas de
acordo com os achados do SIS para cada US, (3) a monitorização das
recomendações feitas em anteriores supervisões evitando que as visitas
sejam actividades feitas de forma rotineira e sem um seguimento
sistemático.
Não obstante, o próprio desenho da ferramenta de acompanhamento
pode ter tido um efeito nos resultados obtidos. O facto de dividir o
guião em di- ferentes áreas tem dado um peso assimétrico aos diferentes
sectores avalia- dos, sendo que a operacionalidade da US representou
23% dos critérios de avaliação. Isto tem direccionando grande parte das
recomendações para a aquisição de equipamentos em detrimento das
recomendações que foram direccionadas para a própria prestação de
serviços, sendo que estas reco- mendações não podem ser solucionadas
pela US por ser da responsabilida- de das Administrações Municipais.
Também foi constatado que os critérios de avaliação não podiam ser
aplicados de forma uniforme aos centros e postos de saúde dadas as
diferenças existentes no que se refere à oferta de serviços prestados.
Podemos considerar que esta intervenção teve uma alta eficácia, sendo que
houve um aumento significativo do grau de cumprimento das visitas
plani- ficadas passando de 61% em 2012 até 92% em 2013, o que nos
indica que as visitas de supervisão têm-se consolidado como uma rotina
de trabalho nos municípios.
Analisando a eficiência temos de considerar que os factores ligados à
pla- nificação e orçamentação anual das actividades assim como as
dinâmicas e rotinas de trabalho dos municípios influem no
desenvolvimento das activi- dades de supervisão e formação em serviço.

38
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
disponibilidade de recursos materiais e humanos e a sua metodologia como rotina para a monitorização da qualidade de
da prioridade que mu- nicípio lhes outorga, mas prestação de serviços e o desempenho dos profissionais de saúde nos
constata-se que o custo-benefício deste tipo de municípios.
actividades formativas é muito menor que os custos
derivados da realização de seminários, e facilita RECOMENDAÇÕES
também o acompanhamento da aplicação prática A supervisão, como elemento importante da gestão do processo de oferta
dos conhecimentos adquiridos. de serviços de saúde com qualidade, deve formar fazer das prioridades
Numa análise preliminar do impacto podemos políticas sanitárias assim como da vontade politica e institucional e a
constatar também uma me- lhoria no desempenho
da maioria das US em quase todas as áreas
avaliadas, mas esta deve ser acompanhada também
de uma melhoria dos indicadores sanitários de
serviços prestados e cobertura. A evolução destes
indicado- res é influenciada por outros factores
como a disponibilidade de recursos humanos ou o
acesso da população aos serviços de saúde. O pouco
tempo desde que esta metodologia de trabalho se
implementou (18 meses) não oferece ainda um
horizonte temporal suficientemente amplo para
fazer uma análise profunda.
Finalmente analisando a sustentabilidade, a medida
em que as Direcções Municipais de Saúde poderão
manter vigentes as mudanças atingidas pelas visitas
de supervisão e formação em serviço dependerá do
impacto positivo obtido no fim da intervenção,
justificando assim a alocação dos recursos ne-
cessários para a continuação desta actividade na
planificação e orçamento das Direcções Municipais
de Saúde. Assim que for atingido um maior grau de
apropriação do guião de supervisão, assegurar-se-á
também a conso- lidação das vistas de supervisão e

39
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE

sua execução deve ser contínua, periódica, estabelecendo o número de periodicamente e deve ser uma
su- pervisões segundo as necessidades e as prioridades estabelecidas e
garan- tindo o orçamento e os recursos humanos e materiais necessários
para a sua realização.
O objectivo principal das visitas de supervisão é detectar lacunas na
quali- dade da prestação de serviços assim como as suas causas. Porém,
também permite realizar outro tipo de constatações relacionadas com a
situação de recursos humanos, os equipamentos existentes nas US ou os
indicadores sa- nitários, pelo que a informação obtida deve ser a base
para a tomada de decisões no processo de gestão e planificação
municipal e possibilitar a tomada de decisões baseada na evidência. Para
tornar isto possível, é fun- damental sistematizar os achados das visitas e
discuti-los de forma periódica na equipa de direcção municipal possibilitando,
desta maneira a melhoria na gestão dos cuidados primários de saúde.

Embora na exposição realizada se tenha diferenciado claramente entre visitas


de supervisão e visitas de formação em serviço, as primeiras também devem
ter um carácter formativo e não apenas fiscalizador, orientadas para a
me- lhoria do desempenho da equipa local e técnicos de atenção para
garantir o cumprimento das suas competências e funções específicas. A
elaboração de perfis de trabalho e o estabelecimento de rotinas nas
US são elementos fundamentais para poder avaliar as competências
dos profissionais.

O guião de supervisão tem oferecido uma metodologia uniforme para per-


mitir avaliar de forma qualitativa e quantitativa a prestação de serviços. Não
obstante e tratando-se de uma experiência piloto foram feitas algumas modi-
ficações ao guião tendo em conta os resultados da primeira fase de utilização:
 Os critérios relacionados com a operacionalidade da US foram
eliminados do guião. A capacidade instalada das US forma parte do
mapa sanitário do município, que deve ser actualizado

40
EXPERIÊNCIA DE MEDICUSMUNDI NO ÂMBITO DE SUPERVISÕES INTEGRADAS E FORMAÇÃO EM SERVIÇO NOS MUNICÍPIOS DE CAMACUPA E CATABOLA, PROVÍNCIA DE
informação conhecida e analisada na fase de preparação da das Uni- dades Sanitárias do Serviço Nacional de Saúde.
supervisão. Desta maneira facilitar-se-á o direccionamento Guião de Supervisão. Medicusmundi, Draft Maio 2012.
das recomendações à prestação de serviços.

 A nova versão do guião oferece um enfoque mais integral


por áreas funcionais e não por programas. Embora o
Sistema Nacional de Saúde esteja organizado de forma
vertical em programas de saúde, nas Unida- des Sanitárias
Periféricas a prestação de serviços é feita de forma integral
sendo que existem aspectos como biossegurança ou o registo
de dados que devem ser tratados de forma transversal.

 As unidades mais periféricas precisam de um sistema eficaz de


referên- cia e contra referência que permita melhorar o
fluxo de informação e a comunicação entre os distintos
níveis dos serviços sanitários e utilizar a informação para a
tomada de decisões. Para tal efeito, propõe-se a
realização de um guião de supervisão que permita o
decalcamento para se obter uma cópia, assim, uma vez
realizado o relatório da visi- ta “in situ”, quer os
supervisores como os supervisionados ficam com a mesma
informação, facilitando também o posterior seguimento
das recomendações.

BIBLIOGRAFIA
Sistema Nacional de saúde a Nível Municipal. MINSA,
Outubro 2009. Lei nº 21-B/92 de 28 de Agosto. Lei de Bases
do SNS.
Decreto presidencial nº 34711 de 14 de Fevereiro. Estatuto orgânico
do Minis- tério da Saúde (MINSA).
Decreto n.º54/03, de 5 de Agosto. I Série n.º 61 Regulamento Geral

41
III
ARTIGOS | 4 - IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM SAÚD E

IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM crítica ou aguda, aprimora a prática de procedimentos invasivos e possibilita uma
SAÚDE aprendizagem sólida das competências passíveis de desenvolver através do

Autores: Manuel Filipe Dias dos Santos1, Helena José2, Marta Assunção3
1 -Presidente do Conselho de Administração da Clínica Multiperfil

2 - Coordenadora do Centro de Formação


Multiperfil 3 - Professora no Centro de Formação
Multiperfil

Palavras-chave: simulação, saúde, aprendizagem, competências,


laboratório

INTRODUÇÃO

As técnicas de simulação na aprendizagem em saúde surgiram com base


no treino militar e simuladores de voo. A metodologia expandiu-se
rapidamente em todo mundo e hoje, equipamentos de última geração
reproduzem perfeitamente os mais diversos cenários e
comportamentos do corpo humano, que podem simular situações de
emergência, entre outras.
A necessidade da utilização de modelos e equipamentos, para o ensino na
área de saúde, é incontestavelmente reconhecida, assumindo a comunidade
científica internacional que o ensino por simulação facilita o desenvolvimento
de competências e atitudes, frente à pessoa em situação de doença

37
treino simulado.

A simulação, na área da saúde, permite a replicação da realidade


possibilitando a exploração de possíveis alterações,
experimentando situações que, caso contrário, não seria possível,
facto que tem levado a Clínica Multiperfil, através do seu Centro
de Formação, a desenvolver o ensino com base em práticas
simuladas.

PRÁTICA SIMULADA E DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS

A simulação é o “acto ou efeito de imitar”; significa imitação do


funcionamento de um processo ou sistema do mundo real ao
longo do tempo e envolve a criação e observação de uma história
artificial do sistema, de forma a poder- se concluir sobre as
características do sistema real representado (Banks, 1998). No caso
concreto da Saúde a simulação tem incidência nas áreas clínica,
operacional, da gestão e da educação:
• Simulação Clínica: Simulação é principalmente usada para
estudar, analisar e replicar o comportamento de certas
doenças, incluindo processos biológicos no corpo humano.
• Simulação Operacional: Simulação é usada principalmente para
a captura, análise e estudo de intervenções no âmbito da
prestação de serviços, programação, negócio de saúde,
processos e fluxo de pacientes.

• Simulação em Gestão: Simulação é principalmente usada


como uma ferramenta para fins de gestão e administração,
tomada de decisão, a implementação de políticas e
planeamento estratégico.

38
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM

• Simulação Educacional: Simulação é usada para a formação e para


adequada dos profissionais de saúde tem impacto direto sobre a
fins educacionais, onde ambientes virtuais e físicos, bem como e
qualidade do serviço (redução de erros/melhores práticas); capacitação
objetos virtuais, são amplamente utilizados para aumentar e
essa que se pode conseguir através da simulação já que esta pode
enriquecer a experiência. aumentar e melhorar a experiência dos profissionais de saúde, familiarizá-
los com novos procedi- mentos e processos, bem como evitar erros causados
pela falta de formação e experiência prática (Barjis, 2011).

Para Ziv, Wolpe, Small e Glick (2003) o treino, baseado em simulação, tem
sido institucionalizado em profissões de alto risco sobretudo porque
elimi- na questões éticas de manipulação do paciente.
Para os mesmos autores, o laboratório permite aos estudantes
experimen- tar, testar, repetir, errar e corrigir, ao configurar-se como um
cenário estraté- gico e valioso no desenvolvimento das práticas de ensino
em cenários de prática de cuidados de enfermagem e médicos. Na
realidade, assume-se ser necessário que o processo ensino-aprendizagem
crie as oportunidades que permitam vivenciar as situações que levem
estudantes e profissionais a ad- quirir as necessárias competências para o
exercício da profissão.
A simulação surge, ainda, como o caminho para evitar a exposição
desne- cessária do paciente a erros iatrogénicos, melhorando o
aproveitamento do tempo de contacto entre o paciente e o estudante, e
Os “simuladores humanos” podem caracterizar-se pelo grau de fidelidade: deixando para o campo clínico a aprendizagem das habilidades impossíveis
baixa fidelidade - manequins estáticos; média - permitem alguma de ser trabalhadas com modelos, tais como detetar reações fisiológicas
proximidade com a realidade; e alta fidelidade - representam o corpo complexas, estabelecer co- municação terapêutica e recolher dados acerca
humano, com semelhanças na aparência, sentimentos e respostas aos da história de saúde-doença.
cuidados, inclusive ao oxigénio e às medicações, contribuindo para
O ensino baseado em simulação é, na realidade, uma importante
estimular o pensamento clínico. Estes últimos são ferramentas
vertente na Educação em Saúde, permitindo a qualificação dos profissionais
altamente fiáveis, de ajuda à tomada de decisão e que permitem
e situan- do-se entre as mais eficazes formas de melhoria do
implementar políticas de aprendizagem efetiva e de poupança.
atendimento assisten- cial. Efetivamente, o laboratório de simulação
A capacitação de profissionais de saúde é dispendiosa, consome tempo, realista constitui-se como um meio facilitador para o ensino-aprendizagem,
e implica compromisso e dedicação, no entanto é indubitável que a ao nível dos cuidados de saú- de em geral, e dos cuidados de enfermagem
formação em particular, apresentando-se como um importante recurso pedagógico

39
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM
e didático.
A Unesco, em 1991, considerou que a aprendizagem assenta em quatro
pila-

40
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM

res fundamentais: Aprender a aprender; aprender a fazer; aprender a viver juntos ambulatório ou domicílio. O problema apresentado
e aprender a ser. Neste sentido, em laboratório de prática simulada pode,
tam- bém, treinar-se cada um destes pilares, o que culmina numa
aprendizagem consistente e refletida. A reflexão sobre as práticas, o
permitir-se errar e corri- gir, sem o ónus do malefício que ocorreria no
paciente, ou seja, sem o dilema ético que daí resultaria, elimina grande parte
do stresse inerente ao treino de uma técnica ou procedimento, facilitando,
por si só, a aprendizagem.

Neste sentido podemos, de facto, afirmar que a simulação oferece uma


apren- dizagem segura e ética, sem danos para o cliente; possibilita treino
direciona- do à situação-problema colocada academicamente; permite a
repetição de procedimentos, tornando possível ter uma segunda opinião e
diminuindo o custo do atendimento, quer do ponto de vista económico
quer, daquele que, efetivamente, não tem preço: o sofrimento do paciente
por má prática. Para Jeffries (2007), a experiência de simulação promove o
pensamento crítico dos estudantes, contemplando cinco fatores: objetivos,
fidelidade, solução do pro- blema, apoio e feedback. Os objetivos indicam as
orientações para a aprendiza- gem. A fidelidade representa o grau de
aproximação à realidade, cujo ambien- te apresenta características
singulares do cenário em causa: clínica, quarto de hospital, enfermaria,

39
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM
academicamente deve ser passível de resolução, os modelos
representam e apresentam-se como se fossem humanos, devendo
estar programados para perguntar e responder a questões
concretas, o que permite ao estudante apoiar-se nisso e tomar
decisões. O feedback deve ser dado logo no final da situação para
que possam existir as devidas correções (Rothgeb, 2008; Beck- man
& Lee, 2009).
Conscientes do atrás exposto, no Centro de Formação de Saúde
Multiperfil (CFS), dá-se primazia à pedagogia inovadora,
ambicionando constantemente a excelência na formação dos
estudantes. Por tal facto, e concretizando no caso do laboratório
de prática simulada, deste Centro de Formação, afirma-se que este
permite aos profissionais da Clínica Multiperfil e aos estudantes dos
Cursos de Especialização – para Técnicos de Enfermagem e para
Licenciados em Enfermagem e em Medicina - o treino adequado
ao desenvolvimento das competências específicas de cada área de
atuação, já que se encontra dotado com modelos; material de
consumo clínico, mapas, modelos anatómicos e equipamento de
alta tecnologia, como por exemplo: monitor/desfibrilhador; carro de
urgência, entre outros.

40
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM

As aulas práticas e a prestação de cuidados aos pacientes são “com o estudante fazendo”. Constata-se
experiências que, geralmente, geram grandes níveis de ansiedade nos
estudantes, por inexperiência, por confronto com a falta de perícia, por
medo de errar e/ou de ser avaliado.

A simulação é uma estratégia bastante utilizada nas unidades


curriculares dos cursos ministrados no CFS, para o ensino-aprendizagem
de técnicas e procedimentos necessários à prestação de cuidados. As
estratégias, que co- locamos ao dispor dos estudantes, passam pela
multiplicação da disponibi- lização de meios informáticos que permitem,
quer a pesquisa em bases de dados internacionais, quer o treino dos
registos informatizados, bem como passa pela prática em manequins,
em cenários o mais reais possível e que permitem reproduzir a grande
maioria das situações com que os estudantes lidam em contexto
clínico.

Preocupados com a segurança do paciente, a Direcção da Clínica Multiperfil


e o corpo docente do CFS, têm-se empenhado fortemente no apetrecha-
mento e utilização do laboratório de práticas, fazendo com que este
seja um espaço para treino e simulação, para o desenvolvimento de
habilidades e competências, sobretudo da prática de procedimentos
invasivos, o que capacita para a realização de acções passíveis de causar
sofrimento, com o menor dano possível.

CONCLUSÕES

A literatura internacional e a experiências das instituições académicas mais


avançadas, em todo o mundo, têm dado realce à relevância da
simulação, no processo ensino-aprendizagem na área da saúde. A Clínica
Multiperfil e o seu Centro de Formação, tudo fazem para acompanhar
esta orientação mundial e por isso, no decurso da formação que tem
sido ministrada no CFS, dão preferência à prática simulada como
estratégia de ensino e que inclui a demonstração de técnicas,
apresentação de material e equipamen- tos e o desenvolvimento da prática

41
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM
que a simulação possibilitou que a aprendizagem
dos estudantes melho- rasse fortemente,
possibilitou que estes adquirissem mais segurança,
mais confiança, mais habilidade e destreza motora,
conseguindo melhor relação teoria/prática “pela
visualização da situação” em cenário muito próximo
do real. Considera-se que este método pode
contribuir para um ensino bem sucedido, com
grande repercussão na qualidade dos cuidados
prestados e consequentes ganhos em saúde.

BIBLIOGRAFIA

Bancks, J. (1998). Handbook of simulation: principles,


methodology, advances, applications and practice.
Atlanta: John Wiley & Sons, Inc.

Banks, J. (2000). Introduction to simulation, in


Proceedings of 2000 Winter Si- mulation Conference,
Joines, J.A.; Barton, R. R.; Kang, K.; & Fishwick, P. A.
(eds).

Barjis, J. (2011). Healthcare simulation and its potential


areas and future trends. SCS M&S Magazine, 1, 1-6.

Beckman, T.J & Lee, M. (2009). Proposal for a


collaborative approach to clini- cal teaching. Mayo
Clinic Proceedings, 84(4)339-344.

42
IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE SIMULAÇÃO NA EDUCAÇÃO EM

Ingalls, R.G. (2001). Introduction to simulation, in Proceedings of 2001 Winter


Simu- lation Conference, Peters, B.A.; Smith, J.S.; Medeiros, D.J.; & Rohrer, M.
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Jeffries, P. (2007). Clinical simulations in nursing education: valuing and


adop- ting an experiential clinical model. Create Future, 4 (7) 2-3,
Disponível em:
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V4_7.pdf>. Acedido a 10 Abril de 2014.

Pazin Filho, A. & Sandro Scarpelini, S. (2007). Simulação: definição. Medicina,


Ribeirão Preto, Simpósio: Didática II – Simulação, 40 (2) 162-166.

Rothgeb, M.K. (2008). Creating a nursing simulation laboratory: a


literature review. Journal of Nursing Education, 47(11) 489-494.

Sousa J.F.R.A.; Assaf P.L.; Antunes T.P.; & Melo M.C.B. (s.d.) (2014). Laboratório
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Teixeira, I.N.D.O. & Félix, J.V.C. (2011.) Simulation as a teaching strategy in


nursing education: interface - comunicação, saúde, educação. 15 (39)1173-1183.
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le=ehost&scope=site&authtype=crawler&jrnl=14143283&AN=71721698&h=
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DcfmHh3e4OFMM2fvAzAhBgn9Phfg%3d%3d&crl=f

Ziv, A.; Wolpe P.R.; Small S.D. & Glick S.(2003). Simulation-based medical
edu- cation: an ethical imperative. Academic Medicine, 78(8)783-788.

43
III
ARTIGOS | 5 - PROFORSA - PROJECTO DE FORTALECIMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE POR MEIO
DO DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS NO HOSPITAL JOSINA MACHEL E EM OUTROS
SERVIÇOS DE SAÚDE E REVITALIZAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE SAÚDE EM ANGOLA

PROFORSA - PROJECTO DE FORTALECIMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE


manda de Angola em fortalecer o Sistema de Saúde e melhorar a
POR MEIO DO DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS NO qualidade dos cuidados prestados aos utentes de acordo com normas e
HOSPITAL JO- SINA MACHEL E EM OUTROS SERVIÇOS DE SAÚDE E directrizes esta- belecidas pelo Ministério da Saúde.
REVITALIZAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE SAÚDE EM ANGOLA
Angola, oficialmente denominada República de Angola, ex-colónia
portugue- sa, alcançou a independência após longa luta em 1975 e depois
Autor: Paula Risa Tomaru1
viveu uma vasta luta interna que perdurou até 2002, tornando essencial a
1 - Projecto de Cooperação Triangular (ProFORSA), Representante da Agência reconstrução do país.
de Cooperação Internacional do Japão (JICA)
O país possui uma população estimada em 20 milhões e 820 mil habitantes
Palavras-chave: cooperação triangular em Angola, revitalização dos cuida- (Banco Mundial, 2012), sendo 49% concentrada em grandes centros
dos em saúde, gestão em saúde urbanos especialmente em Luanda, capital administrativa do país, e conta
com 18 pro- víncias administrativas.
Entidades Dentro deste contexto, a Agência de Cooperação Internacional do Japão
Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) (denominada JICA) iniciou sua actuação em um projecto realizado de 2002 a
Agência de Cooperação Brasileira (ABC) e Ministério da Saúde de 2005, como resultado de solicitação por parte do Governo de Angola para
Angola (MINSA) a restruturação do Hospital Maria Pia/Josina Machel, referência a nível
Entidades formadoras nacional, e da Maternidade Lucrécia Paim.
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) Após esta fase foi verificada a necessidade de investir em treinamento e capa-
Universidade Estadual de Campinas e Hospital Estadual de Sumaré
citação técnica dos profissionais inclusos no Sistema de Saúde e, para que
(HES) Peritos vindos do Japão e Brasil em áreas específicas
a efectividade fosse alcançada, iniciou-se uma parceria com a Agência
Brasileira de Cooperação no sentido de facilitar a troca de informações e,
INTRODUÇÃO conscientes da facilidade pela partilha da Língua Portuguesa, seria possível
alcançar mais facilmente, os técnicos de saúde, pelo que se iniciou a
O “Projecto para o Fortalecimento do Sistema de Saúde através do
Cooperação Triangular entre Angola, Brasil e Japão. Como resultado deste
Desenvolvi- mento de Recursos Humanos no Hospital Josina Machel e Outras
acordo foram conceptu- alizados, organizados e realizados cursos,
Unidades de Saúde e Revitalização da Atenção Primária de Saúde em Angola”
permitindo que 750 profissionais pudessem usufruir de formações nas áreas
nasceu da de-

43
de Administração Hospitalar, Ima-

44
PROFORSA - PROJECTO DE FORTALECIMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE POR MEIO DO DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS NO HOSPITAL JOSINA MACHEL E EM
OUTROS
giologia, Enfermagem, Laboratório Clínico e outros. Nova e Cassequel) e dos hos- pitais centrais (Maternidade Lucrécia Paim e Hospital Josina
Machel), a fim
Após esta fase inicial, a avaliação final sugeriu a necessidade de dar
con- tinuidade às formações e capacitações, sendo proposto e assinado
novo projecto de Cooperação Triangular com ênfase no fortalecimento
dos re- cursos humanos e tendo como foco a formação, capacitação e
qualificação dos recursos humanos em atenção terciária e a revitalização
dos cuidados primários denominado ProFORSA.
O citado projecto com duração de três anos de execução foi iniciado em
2012 e conta com coordenação local no apoio a todas as acções
realizadas internamente ou externamente e a condução das acções
juntamente com Comité de Coordenação Conjunta, de Implementação
Conjunta e com os pontos focais indicados pelo Ministério da Saúde de
Angola.

DESENVOLVIMENTO

As linhas de desenvolvimento do Plano de Acção do projecto foram


basea- das no fortalecimento dos recursos humanos por meio de
formações e qua- lificação em áreas denominadas prioritárias de acordo
com as necessidades levantadas no diagnóstico de necessidades, levando
em consideração o ac- tual contexto, e envolveram profissionais do Sistema
de Saúde em parceria com o Ministério da Saúde, através de cooperação
dos recursos humanos qualificados e recursos financeiros de Angola, Brasil
e Japão.
Com o intuito de alcançar o objectivo esperado, ou seja, impacto na
qua- lidade da assistência, iniciou-se o levantamento de dados e
informações a respeito do Sistema de Saúde de Angola, bem como da
situação das unida- des e dos recursos humanos nomeadamente de
quatro centros de saúde de referência de Luanda (Ilha, Samba, Terra

45
PROFORSA - PROJECTO DE FORTALECIMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE POR MEIO DO DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS NO HOSPITAL JOSINA MACHEL E EM
OUTROS SERVIÇOS DE SAÚDE E REVITALIZAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA DE SAÚDE EM ANGOLA
de que as instituições responsáveis pelas formações, devidamente registados ou padronizados. Outro ponto obser- vado é a
capacitações e desen- volvimento de competências escassez de técnicos em saúde, seja em número ou em qualifica- ção,
pudessem obter uma visão mais concreta da gerando a desmotivação dos mesmos devido a maior carga de traba- lho
situação. ou divisão diferenciada das responsabilidades. O trabalho é organizado
por sistema de turnos, sendo que há muitos profissionais faltosos ou com
Entre as constatações foi verificado que, na atenção
redução da carga horária (licença saúde, reforma por tempo de serviço e
terciária, há necessida- de de rever a base
estudantes) e o sistema de contratação de recursos humanos é através
organizacional de funcionamento das unidades visto
de concurso público o que dificulta a reposição dos mesmos na
que os processos referentes a normas e
velocidade ne- cessária para repor o quadro.
procedimentos não estão claramente
implementados, que existe falta de uniformização da
informação e padroni- zação de saberes de uma
mesma unidade, ocasionando visões e condutas
diferentes entre os sectores que integram essa
unidade, com riscos acresci- dos da ocorrência de
eventos adversos e erros durante a condução do
trata- mento do utente com consequências
evidentes e directas na qualidade da assistência
prestada. E por outro lado, em outros serviços que
utilizam este manual de funcionamento para
uniformização dos procedimentos foram detectadas
carências de actualizações e integração dos
mesmos na rotina diária, promovendo o aumento
de custo e desperdício de recursos humanos e
financeiro.
Com relação aos recursos humanos foi encontrado
uma grande variedade de profissionais, clínicos e
administrativos, com diferentes níveis de qualifi-
cação, sendo na sua maioria de nível médio ou básico,
de diferentes nacio- nalidades e, consequentemente,
diferentes tipos de condutas profissionais que não são

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OUTROS
A situação é muito parecida com a encontrada nas unidades básicas de suas funções, proporcionando uma maior ocorrência de eventos adversos,
saúde (como as trabalhadas dentro do projecto) que atuam com algumas
e reflectindo-se na qualidade e eficácia do tratamento prestado, assim
fragilida- des, concretamente:
como, na regulação do próprio sistema.
- Ocupam locais com infra-estruturas físicas não adequadas para o funciona-
Dentro do contexto nacional diversas unidades foram inauguradas,
mento de uma unidade de saúde com a acessibilidade respeitada, devido
contudo, a formação, o número de técnicos em saúde e a contratação dos
ao tipo de utentes que recebe;
mesmos, ainda é insuficiente para acompanhar este ritmo ocasionando a
- Grande fluxo de pessoas somente no período da manhã; contratação de profissionais pouco qualificados e/ou com pouca
experiência para assu- mir a gestão de determinadas áreas com
- Consultas e acompanhamentos ao utente com informações anotadas no
especificações técnicas elevadas e níveis de intervenção muito elevados,
Livro de Registo por dia de funcionamento do sector, sem levar em
colocando em risco o utente e, conse- quentemente aumentando o índice
considera- ção o processo clínico do utente;
de mortalidade e morbidade dentro dos serviços de saúde.
- Não há processo de acompanhamento da saúde de cada utente;
Considerando esta realidade de contexto, a Universidade Estadual de Campi-
- Distribuição aleatória sem obedecer a critérios de relevância dos nas, responsável pela atenção terciária dentro do projecto, direccionou as
serviços com grande confusão no fluxo de utentes e informação; for- mações a fim de capacitar os gestores a elaborar, aprovar, treinar e
monitorar a descrição e implementação das normas e rotinas estabelecidas
- Carência de manutenção adequada dos equipamentos ocasionando
dentro de cada área do serviço hospitalar e, mais importante, proporcionar a
roturas de funcionamento, stock de consumíveis/insumos sem a definição de
integração dos diferentes sectores internos no sentido de promover a
planea- mento anual ou mesmo de conhecimento geral da unidade;
fluidez das infor- mações e do tratamento de cada utente. Todas as
Apesar do investimento contínuo, por parte do executivo, e das informações e documentos gerados servirão de base para a elaboração do
formações em cada entidade, foram detectados diversos aspectos que Manual de funcionamento do serviço, constituindo um meio fácil e
reduzem o im- pacto real, como: dificuldade em cumprir ou elaborar o actualizado de acesso as informações aos profissionais actuantes e a
Planeamento Estraté- gico obedecendo aos indicadores e metas integração dos mesmos em suas unidades.
estabelecidas, falta de Manual de cada serviço, falhas na monitorização Para que o planeamento fosse estabelecido e cumprido, foram nomeadas
contínua, avaliação das acções e acções correctivas de processo, descrição comissões responsáveis pela gestão deste processo, juntamente com o
escrita, divulgada e treinada das rotinas e procedimentos internos dos Cor- po Director de cada entidade. Dependendo do perfil de cada
serviços e o encaminhamento do feedback de todas as informações das entidade (seja paciente crítico-Hospital Josina Machel ou gestante-
unidades por parte das instituições superiores. Den- tro deste contexto, o Maternidade Lucrécia Paim) foram elaboradas formações com o intuito de
profissional de cada serviço não possui uma definição clara das suas direccionar e promover a integração dos diferentes sectores que
funções, obrigações, direitos e deveres no cumprimento das necessitam do funcionamento pleno e coordenado para prover o suporte

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necessário dentro da linha de cuidado

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OUTROS
com o utente. As formações foram realizadas dentro das unidades com o foram acompanhadas por re-
levantamento dos processos, análises internas, avaliação do fluxo de infor-
mações e utentes, levantamento de dados disponíveis, visitas e
discussões com responsáveis e técnicos de área, discussões em sala de aula,
dinâmicas em grupo, actividades práticas, reuniões técnicas,
videoconferência e emis- são de relatórios.
Com a evolução das formações foi possível promover a integração de
gesto- res de unidades de nível primário ou secundário com o intuito de
multiplicar estas acções favorecendo a troca de informações e a integração
entre as di- ferentes unidades para promover o fortalecimento do sistema
de referência e contra referência.
Durante as formações iniciadas em Setembro de 2012, foram
seleccionados os gestores dos serviços responsáveis por eleger uma
comissão e, posterior- mente aprovar um modelo padrão para as normas
e rotinas de procedimen- tos, seja clínico ou administrativo, detalhando
cada procedimento conside- rado essencial no funcionamento a de cada
sector. Em cada encontro foram apresentadas e discutidas diversas
situações e os documentos aprovados foram apresentados ao Corpo
Director, representantes da cooperação e do Ministério da Saúde. As
formações foram intercaladas com períodos de dis- persão com o intuito de
colocar em prática os assuntos abordados e orientar aos outros membros
como elaborar as rotinas para a padronização e melhor entendimento
dos outros sectores envolvidos neste fluxo.
No total foram planeados sete encontros presenciais intercalados entre
os dois hospitais com actividade presencial junto com formadores da
institui- ção parceira (Universidade Estadual de Campinas/Hospital
Estadual de Su- maré) com duração de duas a três semanas intercaladas
com actividades acompanhadas pela coordenação do projecto e o
Colegial Gestor de cada serviço. Todas as actividades desenvolvidas

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presentantes do Ministério da Saúde e outros dulos, especialmente voltados para cuidado materno infantil, como:
reflectindo a participação e interacção dos
 Modelo de Processo Clínico: com as directrizes estabelecidas pelo Minis-
diferentes níveis de governabilidade com o intuito
tério da Saúde de Angola no decreto executivo 02/11 de 28 do 06,
de dar continuidade às actividades e integração dos
ela- borou-se um documento adaptado às necessidades das unidades
serviços.
bási- cas de saúde, discutido e organizado com as autoridades e
Para as unidades pertencentes a atenção primária foi dirigentes mas que levou em consideração a sua aplicabilidade nas
desenvolvido um tra- balho com os gestores das unidades com a participação dos técnicos inseridos neste processo de
unidades para o diagnóstico da situação, territo- elaboração final;
rização da área de abrangência de cada unidade,
discussões para a elabora- ção conjunta do  Arquivo e recepção: na implementação das recomendações houve a ne-
Planeamento Estratégico e os passos para a
implementa- ção em todos os níveis de
governabilidade.
Foram no total 10 módulos intercalados entre
formações e monitoramentos que acompanharam a
reabilitação e reestruturação das unidades e
denomi- nado Curso de Especialização de Gestão
em Unidades Básicas desenvolvido por docentes da
Fundação Oswaldo Cruz.
No total participaram 32 alunos fixos com
acréscimo em módulos temáticos de mais 20
técnicos, especialmente das unidades
seleccionadas, Direcção Provincial de Saúde de
Luanda, Escola Técnica de Saúde de Luanda, Comis-
são Administrativa da Cidade de Luanda e outras
unidades.

Através desta formação foi possível seleccionar alguns


itens prioritários que foram apresentados e
implementados durante o desenvolvimento dos mó-

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cessidade de reorganizar as recepções, arquivo e os recursos humanos  Apoio do Ministério da Saúde no sentido de orientar as acções e
a fim de armazenar os documentos relativos ao acompanhamento de resulta- dos concretos dentro de todas as unidades;
cada tratamento e cuidado dispensado ao utente;
 Engajamento de todos os membros e formação de uma comissão de
 Organização dos serviços em cada unidade de saúde: com o estudo do alu- nos e representantes de todos os níveis, tanto para a atenção
fluxo de informações e utentes foi elaborado um modelo a ser terciária quanto para a primária, que serão responsáveis pela
introduzi- do nas unidades no sentido de facilitar o acesso aos serviços finalização do pro- cesso e difusão do modelo implementado.
e optimizar recursos, seja humano ou financeiro ou tempo;
Com a participação de todos os membros foi possível dar seguimento às
 Melhoria dos instrumentos de acompanhamento da saúde materno re- comendações e conclusões das formações, sendo que no actual
infan- til: através de uma avaliação feita por peritos do Japão, foi momento as unidades estão sendo reabilitadas para o favorecimento de
possível realizar a colecta de dados, discussão e adaptação de um novo todas as re- comendações e o apoio em outras unidades a fim de
modelo de Cader- no de Saúde Materno Infantil que vai acompanhar a aumentar as unidades modelos e propagar para outras localidades.
gestante e a criança até a idade de cinco anos com as novas políticas
designadas pelo Execu- tivo, metas do Plano Nacional de Quanto aos outros níveis, este trabalho propiciou a melhoria da
Desenvolvimento Sanitário e Programas Nacionais de Saúde Pública. comunicação e cumprimento das directrizes e normativas estabelecidas,
Foi feito a partir da integração do modelo de Caderno de Pré Natal e o com a participa- ção dos membros do cuidado assistencial tornando as
Cartão de Saúde Infantil, sendo responsável pela identificação de sugestões e recomen- dações viáveis.
áreas que deveriam passar por actualizações e re- forços em suas Dentro das formações executadas, foram desenvolvidas palestras e workshop
formações para habilitar os formadores nos treinamentos da
por peritos vindos do Japão e Brasil em temas considerados relevantes
implementação em unidades piloto testando a aceitação e adequação
para a melhora das acções, bem como formações oferecidas pelo Japão e
do mesmo e depois expandir a outras províncias auxiliando na melhora
Brasil no exterior.
do controlo da mortalidade e morbidade materno infantil. Outro detalhe
importante foi o trabalho conjunto feito com vários parceiros envolvidos
em saúde do Ministério da Saúde formando uma comissão, responsável ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO
pela revisão, elaboração monitorização e avaliação dos materiais; No sentido de dar maior evidência às actividades desenvolvidas em
Luanda, foram realizados módulos presenciais aproximadamente de duas
 Actuação das principais autoridades no sentido de planear e efectivar a três se- manas intercalados com períodos de actividades de dispersão
junto com o assistencial as recomendações feitas em cada formação relacionadas com as recomendações do módulo anterior e,
no sentido de melhorar as unidades e investir na melhora das unidades posteriormente, no sentido de promover um maior estreitamento entre as
en- volvidas no projecto; equipas, foram feitas reuniões,

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discussões e integração entre as autoridades e representantes de diferentes manização de Parto, Programa de Melhoria da Vida para a Comunidade e
níveis para apoiar a sustentabilidade e auxiliar no processo de implementa- Autoridades Locais, Emergência em Grandes Catástrofes e Manutenção
ção das recomendações finais. Outra estratégia utilizada foi o trabalho com de Equipamentos Hospitalares.
comissões de representantes/alunos de cada nível de atenção, responsáveis
pela divulgação, discussão e apresentação dos resultados colhidos nas Outra oportunidade foi a formação no exterior, tanto para o Japão
for- mações. Através deste tipo de intervenções foi possível construir quanto para o Brasil em áreas como: Planeamento de Política em Saúde,
uma via de comunicação entre os responsáveis pela elaboração dos Gestão de Cuidados Materno Infantil, Gestão de Enfermagem, Saúde Pública,
programas de saúde e os técnicos de diferentes níveis de atenção à saúde. Controle de Infecções, Tuberculose, Promoção da Saúde e Municípios
Saudáveis, Ma- nutenção de Equipamentos, Atenção Humanizada, e outros.
Durante as formações locais houve a preocupação de integrar os pontos
fo- cais e alunos no processo de construção do Planeamento Estratégico Outra oportunidade efectivada foi o encaminhamento de gestores de
e na implementação do mesmo, o que poderá ser replicado em cada servi- ços, seja em atenção terciária e primária, ao Brasil com o objectivo
uma das áreas que envolvem o centro de saúde de referência e os hospitais de acom- panhar e visualizar o modus operante das áreas trabalhadas em
centrais. Com este processo foram agregados representantes de outros Angola e poder auxiliar no processo de implementação das
serviços, seja no nível primário quanto terciário de acordo com a recomendações e con-
relevância do tema de- senvolvido. clusões de cada unidade.
Todo este processo foi discutido junto a uma Comissão de Coordenação
e outra de Implementação que foi nomeada e formada com o intuito de RECOMENDAÇÕES
faci- litar as acções sugeridas. No âmbito da atenção terciária foram feitas as seguintes recomendações:
Com a participação de profissionais qualificados do Brasil e Japão foi possí-  Elaboração do Manual de funcionamento de acordo com os termos
vel desenvolver formações e trocas de experiências nos diferentes es- tabelecidos juntamente aos alunos e Corpo Director dos serviços,
grupos de representantes da área de saúde e dar continuidade ao priori- zando a organização das áreas participantes e não
suporte político das acções a serem desenvolvidas durante a execução participantes com o favorecimento da organização e a qualidade do
do projecto. Outro ponto trabalhado foi o fortalecimento da serviço prestado;
comunicação interna e de dife- rentes serviços a fim de normatizar as
acções e promover a divulgação das acções.  Elaboração e Normatização dos procedimentos e rotinas promovendo
o trabalho coeso da equipa e a revisão destes materiais por causa da
Durante a formação foram identificadas outros temas desenvolvidos por constante mudança dentro da área de saúde;
meio de formações em Luanda com peritos seleccionados de acordo com
a temática solicitada, vindos especialmente do Japão e Brasil, como:  Integração entre os serviços no sentido de elaborar os fluxos em
Hu- comum das áreas e da responsabilização de cada membro da equipe

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em cada etapa do processo para a conclusão e
melhora do atendimento;

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 Distribuição dos utentes nas áreas de acordo com a complexidade  Implementação e organização do arquivo clínico actualizado com
de cada caso, a fim de evitar constrangimentos devido ao fluxo
todos os processos de cada utente atendido;
elevado de utentes que recorrem aos serviços de grande complexidade
sem necessi- dade e vice-versa;  Implementação de Planeamento Estratégico e determinação de metas
 Fortalecimento das unidades com a integração dos serviços e com o e indicadores de processo;
au- mento da rede sanitária concretizará o fortalecimento do Sistema de
 Melhoria do acompanhamento da gestante e da criança menor de
Re- ferência e Contra Referência da Saúde;
cinco anos com a implementação e utilização do Caderno de Saúde
 Investir na formação de profissionais que atuam na área de apoio, Materno Infantil em todas as unidades sanitárias, com as actualizações
admi- nistrativa para favorecer a integração dos serviços; referentes a novos testes, vacinas, avaliação do desenvolvimento neuro
pisco motor e
 Realizar acções correctivas do processo de acordo com o andamento
detecção precoce de anormalidades;
do processo de implementação.
 Melhoria da comunicação entre os diferentes níveis de governabilidade
Com relação aos cuidados primários, no sentido geral: no sentido de facilitar a discussão entre as políticas propostas e o melhor
 Organização das unidades para melhorar o fluxo de informações e modo de implementação por parte do assistencial e seus gestores;
uten- tes dentro dos serviços através da sectorização dos serviços
internos de acordo com a relevância;  Actualização permanente das mudanças implementadas, seja em relação
aos serviços, recursos humanos, aspectos administrativos, aspectos orga-
 Melhoria e actualização da comunicação visual interna e externa para nizacionais e de infra-estrutura para todos os técnicos e utentes.
a optimização do tempo gasto dentro das unidades facilitando o
encami- nhamento dos utentes e a localização das unidades dentro das
CONCLUSÕES
cidades;
Durante o tempo em que se procedeu à colecta de dados, análise e
 Promover a acessibilidade de cada unidade garantindo o acesso elabora- ção das formações, discussão do desenvolvimento do processo e
universal e o respeito pelas pessoas portadoras de deficiências ou com conclusões alcançadas em conjunto, acções correctivas e ajustes entre as
dificuldade de mobilidade; equipes, consi- derou-se que o mais importante aspecto a valorizar foi a
 Implementação do processo clínico padrão com integração de todos os participação activa de membros de todos os níveis de governabilidade,
detalhes do acompanhamento do utente em cada visita e tratamento re- permitindo que aspectos organizacionais, administrativos e técnicos
alizado pelo mesmo (História Clínica); fossem levados em consideração para a implementação das acções e
acompanhamento de cada etapa.

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OUTROS
Por isso é importante ressaltar o papel fundamental da comunicação para

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que os processos sejam discutidos, aprovados, divulgados, treinados e
dis- ponibilizados ao conhecimento geral, e assim participar de modo
activo e contínuo na regulação dos serviços. Outro aspecto relevante é a
actualiza- ção dos processos, uma vez que a área da saúde é dinâmica e
o acesso aos dados permite que possamos acompanhar todas as
actualizações processu- ais e o utente aproveitar dos resultados positivos.
Concluiu-se também, que tanto a atenção primária quanto a terciária neces-
sita de uma base organizacional bem estruturada uma vez que os
recursos humanos e financeiros são limitados e o Sistema de Saúde
encontra-se em constante mudança, por isso, as contribuições realizadas no
âmbito das ac- ções do Projecto ProFORSA permitiram que este aspecto
fosse levado em consideração em todas as formações e os serviços que
hoje participam já estão levando adiante as recomendações sugeridas
em forma de trabalho conjunto e seguindo um planeamento em
determinadas áreas tidas como estratégicas.

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© FEC | Fundação Fé e Cooperação 2016
Quinta do Cabeço, Porta D | 1885-076 Moscavide
Tel. 21 886 17 10 | Fax. 21 886 17 08 | geral@[Link]
[Link]
Publicação apoiada pela DGS, no âmbito do Projeto FORVIDA – Formação para a Vida, uma parceria:

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