Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
PJe - Processo Judicial Eletrônico
10/07/2023
Número: 0816247-10.2022.8.19.0208
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 5ª Vara de Família da Regional do Méier
Última distribuição : 17/01/2023
Valor da causa: R$ 50.532,00
Assuntos: Reconhecimento / Dissolução
Segredo de justiça? SIM
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
RENATA LUIZ DOS SANTOS (AUTOR) PAMELA DOS SANTOS DA SILVA (ADVOGADO)
ANTONIO FERREIRA DE SOUZA (RÉU) MARCOS EDUARDO DA SILVA (ADVOGADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
65328 05/07/2023 09:58 Despacho Despacho
390
Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro
Comarca da Capital - Regional do Méier
5ª Vara de Família da Regional do Méier
, 53, 3º ANDAR, RIO DE JANEIRO - RJ - CEP: 20775-090
DESPACHO
Processo: 0816247-10.2022.8.19.0208
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7)
AUTOR: RENATA LUIZ DOS SANTOS
RÉU: ANTONIO FERREIRA DE SOUZA
RENATA LUIZ DOS SANTOS DE SOUZA ajuíza a presente demanda em face de
ANTONIO FERREIRA DE SOUZA em que requer:
I) A decretação do divórcio com o retorno do uso do nome de solteira;
II) A partilha dos seguintes bens:
a) Renault Sendeiro EX1016V do ano de 2013, Placa KPJ 7291. Álcool/gasolina,
que atribui ao valor de R$ 30.532,00(trinta mil quinhentos e trinta e dois reais) –
id 58254383;
b) Benfeitorias realizadas na residência do réu, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil
reais).
O pedido de divórcio vem amparado no fato de que, embora as partes tenham contraído
casamento em 05 de fevereiro de 2009 pelo regime da comunhão parcial de bens(id 26645124),
estão separadas de fato desde 2019.
A inicial de id 26645123 vem instruída com documentos de id 26645124/ 26645765 e
completados no id 49962295.
Decisão de declínio da competência no id 26820782.
O réu oferta contestação com juntada de documentos no id 58254371/ 58254384 em que: a) não
se opõe a decretação do divórcio, requerendo retomar o uso do nome de solteiro, mas ressalva
que não há bens a partilhar, esclarecendo que o veículo descrito na exordial foi adquirido pelo
mesmo antes da celebração do matrimônio; b) impugna a alegação da autora o de benfeitoria
realizada no seu imóvel na constância do casamento; c) impugna a gratuidade de justiça à
autora, com a justificativa de que não foram coligidos nos autos comprovantes de rendimentos
daquela; d) requer a condenação da autora à litigância de má-fé; d) faz pedido reconvencional
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com tutela de urgência de condenação à autora à prestar alimentos ao mesmo no valor de 20%
(vinte por cento) sob o salário da requerente pelo prazo de 02 (dois) anos. O pleito de tutela vem
escorado no fato de que a autora solicitou o divórcio no dia seguinte em que o réu foi demitido
após 33 anos de trabalho na mesma empresa, na qual a autora também exerce o seu labor.
Em réplica, a autora se reporta a inicial e requer que sejam expedidos ofícios aos bancos para
levantamento de bens tanto da Autora como do réu e que seja feita a divisão em 50% para
valores adquiridos durante o casamento conforme a lei e ainda que seja reconhecida a litigância
de má fé do réu (id 61130375).
É o relatório.
I) Rejeito a impugnação à gratuidade de justiça à autora, uma vez que esta
comprovou sua qualidade de hipossuficiente, conforme documentos acostados nos ids
49962295 e 61130378.
II) Rejeito ainda à condenação das partes à litigância de má-fé, na medida em que
não vislumbrei conduta desleal de nenhuma delas.
III) Do Julgamento Antecipado Parcial do Mérito (Art. 356, II do CPC)
Do pedido de Divórcio
Por meio da Emenda Constitucional 66 de 13 de julho de 2010, que emprestou nova redação ao §
6º do artigo 226 da CRFB/88, verifica-se que o requisito único a ser exigido para o divórcio é o
desafeto, a falta de vontade de permanecer casado.
Assim, ante a concordância da parte ré/reconvinte e tratando-se de direito potestativo da parte
autora/revonvinda, DECRETO O DIVÓRCIO DAS PARTES e RESOLVO O MÉRITO DO
PROCESSO com relação a este objeto, na forma do art.487, I do CPC, retomando ambos os
cônjuges com seus nomes de solteiros.
IV) A obrigação alimentar entre ex-cônjuges é proveniente do dever de solidariedade (art. 1.694
do Código Civil) e de mútua assistência (art. 1.566, III, do CPC).
Ainda assim, como sabido, para ser cabível pedido de alimentos é imperioso seja plenamente
comprovado que o postulante necessite dos alimentos.
No caso concreto, o ré/reconvinte não esclarece no que consistiria a sua necessidade e, da
mesma forma, a possibilidade da autora.
Conforme o próprio afirma, foi demitido após anos de trabalho em uma mesma empresa, do que
se extrai como consequência lógica a percepção de verba indenizatória de monta.
Ora, o réu tem capacidade laborativa e não demonstrou a urgência requerida, conforme o
disposto no §1º do art 300 do CPC, pelo que indefiro o pleito de tutela.
Digam as partes sobre provas a produzir, justificadamente, sob pena de indeferimento. Sem
prejuízo, anexem aos autos: 1) TRCT; 2) documento do veículo, CRLV e nota fiscal; 3) notas
fiscais que demonstrem os gastos com as alegadas benfeitorias, esclarecendo
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pormenorizadamente a sua natureza.
Intimem-se.
RIO DE JANEIRO, 29 de junho de 2023.
CLAUDIA RENATA ALBERICO OAZEN
Juiz Titular
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