Universidade Federal do Pará Faculdade de Geologia Instituto de Geociências
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
EDIANE BATISTA DA SILVA
CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA E PETROGRÁFICA
DOS GABROS MASSAPÊ E SUA RELAÇÃO COM AS
ROCHAS ADJACENTES, NA REGIÃO DO NW DO
CEARÁ.
BELÉM
2011
EDIANE BATISTA DA SILVA
CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA E PETROGRÁFICA
DOS GABROS MASSAPÊ E SUA RELAÇÃO COM AS
ROCHAS ADJACENTES, NA REGIÃO DO NW DO
CEARÁ.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Faculdade de Geologia do
Instituto de Geociências da Universidade
Federal do Pará – UFPA, em cumprimento
às exigências para obtenção do grau de
Bacharel em Geologia.
Orientadora: Profa. Dra. Rosemery da Silva
Nascimento.
BELÉM
2011
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
Biblioteca Geólogo Raimundo Montenegro Garcia de Montalvão
C586c Silva, Ediane Batista da
Caracterização geológica e petrográfica dos gabros
massapê e sua relação com as rochas adjacentes, na região
do NW do Ceará / Ediane Batista da Silva; Orientador:
Rosemery da Silva Nascimento – 2011
78 f. : il.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Geologia) – Faculdade de Geologia, Instituto de Geociências,
Universidade Federal do Pará, Belém, Quarto Período de
2010.
1. Petrologia. 2. Rochas gabróicas. 3. Suíte Parapuí. 4.
NW do Ceará. I. Nascimento, Rosemery da Silva, orient. II.
Universidade Federal do Pará. III. Título.
CDD 20 ed.: 552.098131
EDIANE BATISTA DA SILVA
CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA E PETROGRÁFICA
DOS GABROS MASSAPÊ E SUA RELAÇÃO COM AS
ROCHAS ADJACENTES, NA REGIÃO DO NW DO
CEARÁ.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado à Faculdade de Geologia do
Instituto de Geociências da Universidade
Federal do Pará – UFPA, em cumprimento
às exigências para obtenção do grau de
Bacharel em Geologia.
Data de aprovação: ____/____/____
Conceito: ____________
Banca examinadora:
____________________________________________
Profa. Dra. Rosemery da Silva Nascimento - Orientadora
Doutora em Geologia e Geoquímica
Universidade Federal do Pará
__________________________________________
Prof. Dr. Cláudio Nery Lamarão - Membro
Doutor em Geoquímica e petrologia
Universidade Federal do Pará
____________________________________
Hilton Túlio Costi
Doutor em Geologia e Geoquímica
Museu Paraense Emílio Goeldi
Dedico a minha família pelo apoio durante
esse longo período, em especial a minha
mãe e ao meu pai.
AGRADECIMENTOS
A Deus por me dar forças para vencer todos os obstáculos e momentos difíceis ao
longo da minha vida.
Aos meus queridos e amados pais (Rosiana e Edmilson) pela dedicação,
compreensão, amor e carinho.
Aos meus irmãos (Cristiane, Junior e Josi) pela convivência, respeito e amor.
Aos meus queridos sobrinhos (Juliana, Gabriel e Ângelo) tão amados e tão queridos.
As minhas colegas de curso (Amanda, Ana Cláudia, Marilucia, Keila e Rose) que
conviveram comigo durante essa longa caminhada.
A minha Orientadora Profa. Dra. Rosemery da Silva Nascimento pela orientação e
desenvolvimento desse trabalho.
Ao professor Dr. Paulo Gorayeb pelas discussões na construção e elaboração de
mapas e pela ajuda com a petrografia.
Ao suporte técnico da Disciplina Estágio de campo II, durante a etapa de campo.
Aos estagiários, Mauricio Jorge, Joana Queiroz, Renato Medeiros, Diego Romani,
Iara Santos e Luiz Rodrigues pela ajuda na campanha de campo.
A geóloga Márcia Valadares pela amizade e ajuda durante o Estágio de Campo II,
que foi de extrema importância para minha formação acadêmica e profissional.
A todos que direta ou indiretamente passaram pela minha vida nestes cinco anos de
curso e de certa forma acrescentaram algo valioso e relevante para o meu
crescimento pessoal, acadêmico e profissional.
RESUMO
As rochas gabróicas da Suíte Parapuí, possuem uma área aflorante de
aproximadamente 2,5 km2, localizada na porção noroeste da cidade de Massapê no
Estado do Ceará, intrusivas em rochas calcissilicáticas, gnaisses calcissilicáticos,
mármores e quartzitos pertencentes ao Grupo Martinópole. O Trabalho apresenta os
resultados de mapeamento geológico (Escalas 1:30.000 e 1:10.000) e análise
petrográfica dessas rochas gabróicas. As observações de campo e os estudos
petrográficos permitiram definir melhor os contatos entre as unidades, assim como
avançar na classificação dos tipos petrográficos das rochas gabróicas da região em
questão. O corpo intrusivo gabróico possui uma variação na granulação, sendo o
centro de granulação mais grossa e a borda de granulação média a fina, refletindo
estágios de refriamento do corpo. A petrografia das rochas gabróicas permitiu a
identificação dos seguintes tipos: hornblenda gabro, piroxênio-hornblenda gabro,
leucogabro, microgabro e microgabro granofírico. São rochas faneríticas,
mesocráticas com textura predominantemente intergranular, com variações ofítica a
sub-ófitica, compostas essencialmente de plagioclásio (An45-54), anfibólio
(hornblenda) e piroxênio (augita). O k-feldspato do tipo ortoclásio é comumente
observado em intercrescimento com quartzo, caracterizando textura gráfica,
sugerindo contaminação crustal com assimilação de rochas encaixantes ricas em
sílica. Os contatos com as rochas encaixantes são bruscos e com formação de
brechas magmáticas. As rochas gabróicas encontram-se alteradas, sendo as
principais alterações da labradorita para sericita, epidoto e carbonato, e da augita
em clorita e tremolita-actinolita.
Palavras- chave: Petrologia. NW do Ceará. Suíte Parapuí.
ABSTRACT
The gabbroic rocks of the Parapuí Suite, have an outcrop area of about 2.5 km2,
located in the northwest portion of the Massapê city in the Ceará state. The rocks
intrusive in calcissilicátic, calcissilicátic gneisses, marbles and quartzites belonging to
the Martinópole Group. This work presents the results of geological mapping (scales
1:30.000 and 1:10.000) and petrographic analysis. Field observations and
petrographic studies allowed a better definition of contacts between the units, and
further classification of the petrographic types of gabbroic rocks of the region in
question. The gabbroic intrusive body has a variation in grain, and the center of the
body is coarse grit edge while a medium to fine grained reflecting refriamento stages
of the body. The petrography of gabbroic rocks led to the following classification of
petrographic types: hornblende gabbro, pyroxene-hornblende gabbro, leucogabro,
and microgabbro microgabbro granofiric. Phaneritic are rocks, and has mesocratic
predominantly intergranular texture having a variation of textures ophitic sub-ophitic,
composed mainly of plagioclase (An45-54), amphibole (hornblende) and pyroxene
(augite). The k-feldspar orthoclase type are commonly observed intergrowth with
quartz that features graphic texture, suggesting contamination with crustal
assimilation of rocks rich in silica. The contacts with the surrounding rocks are sharp
and with the formation of magmatic breccias. Intesa rocks are altered, the main
changes to labradorite to sericite, epidote and carbonate, and augite in chlorite and
tremolita-actinolite.
Keywords: Petrology. NW of Ceará. Suíte Parapuí
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1- Mapa de localização da região de Massapê, destacando-se a área de
ocorrência das rochas gabróicas................................................................................14
FIGURA 2 - Mapa Geológico regional da Província Borborema apresentando os
grandes domínios estruturais.....................................................................................18
FIGURA 3 - Mapa geológico simplificado da região de Sobral e Massapê dentro do
Domínio Médio Coreaú.......................................................................................................20
FIGURA 4 - Mapa geológico da área de estudo em destaque o corpo intrusivo
gabróico......................................................................................................................27
FIGURA 5 - Rochas calcissilicáticas com vênulas de calcita dobradas paralelas à
foliação.......................................................................................................................28
FIGURA 6 - Contantos irregulares entre a brecha ígnea e o gnaisse
calcissilicático.............................................................................................................28
FIGURA 7 - Blocos de gabros da área de estudo, ocorrem fraturados e
intensamente alterados..............................................................................................30
FIGURA 8 - Modo de ocorrência das brechas magmá[Link]-se blocos de
microgabros com xenólitos de gnaisse calcissilicático e principalmente de
quatzitos.....................................................................................................................30
FIGURA 9 - Xenólitos de quatzitos em microgabro. Percebe-se bordas corroidas e
enegrecidas devido a transmissão de calor do corpo gabróico no momento da
intrusão.......................................................................................................................31
FIGURA 10 - Xenólitos de quartzitos inclusos em uma rocha essencialmente
constituida de plagioclásio e piroxênio.......................................................................31
FIGURA 11 - Em (A) amostra de hornblenda gabro, nota-se a presença de
concentrados de massas cinza- esverdeadas fibrosas de tremolita-actinolita e os
opacos com bordas corroídas. Em (B) e (C) nas fotomicrografias são evidenciados
respectivamente os opacos com aspectos esqueletal e os concentrados de tremolita-
actinolita formando pequenos cristais prismáticos, produto da uralitização das
augitas....................................................................................................................... 34
FIGURA 12- Imagem de elétrons retroespalhados e espectros composicionais da
amostra Mass-13, determinando que os minerais opacos são ilmenita.....................35
FIGURA 13- Imagem de elétrons retroespalhados e espectros composicionais da
amostra Mass-07a, mostrando o aspecto fibroso da tremolita-actnolita....................35
FIGURA 14 - Fotomicrografia da textura gráfica em hornblenda gabro, representada
pelo intercrescimento de quartzo e k-feldspato sugerindo contaminação crustal com
assimilação de rochas encaixantes ricas em sílica....................................................36
FIGURA 15 - Aspectos macroscópico e microscópico do piroxênio-hornblenda
gabro. Observam-se cristais subédricos de labradorita entre as augitas
parcialmente uralitizada, formando textura intergranular (luz natural e nicóis
cruzados)..................................................................................................................38
FIGURA 16 - Cristal reliquiar de clinopiroxênio bordejado por hornblenda, definindo a
textura coronítica........................................................................................................39
FIGURA 17 - Plagioclásios parcialmente inclusos em cristais de piroxênio, formando
tipo de texturas intergranular e subofítica em leucogabros........................................41
FIGURA 18 - Minerais opacos exsolvidos em leucogabros, provavelmente alteração
de minerais máficos..................................................................................................41
FIGURA 19 - Fotografia macroscópica dos microgabros, mostrando os pequenos
xenólitos de rochas calcissilicáticas...........................................................................43
FIGURA 20 - Fotografia macroscópica mostrado em (A) aspecto geral, em (B) as
bordas enegrecidas constituídas principalmente anfibólio e piroxênio.........................45
FIGURA 21 - Fotomicrografia mostrando a alternância de leitos com anfibólio e
piroxênio e leitos quartzo-feldspáticos e carbonato finos em gnaisse
calcissilicático............................................................................................................ .47
FIGURA 22 - Textura granoblástica poligonal definida por cristais com ponto tríplice
em quartzito puro........................................................................................................48
FIGURA 23 - Em (A) Fotografia macroscópica do aspecto geral do mármore com
vênulas preenchidas por calcita. Em (B) Fotomicrografia de cristais de calcita em
arranjo granoblástico..................................................................................................48
FIGURA 24 - Estrutura xenolítica caracterizada pelos xenólitos angulosos dos
quartzitos englobados no momento da intrusão do corpo gabróico...........................50
FIGURA 25 - Em (A) e (B) xenólitos de quartzitos em microgabro com bordas
enegrecidas. (C) Fotomicrografia do contato entre os xenólitos de quartzitos e o
microgabro formando franjas de piroxênio e anfibólio.............................................51
FIGURA 26 - Principais texturas das rochas gabróicas. (A) Intergranular. Cada
interstício da malha fechada de ripas de plagioclásio que se tocam é ocupado
apenas por um cristal de piroxênio. (B) Subofítica. Vários interstícios da malha
fechada são ocupados por um mesmo piroxênio.......................................................52
FIGURA 27 - Desenvolvimento de textura ofítica pelo crescimento simultâneo, mas a
taxas de nucleação diferentes de piroxênio e plagioclásio. Cristais de Plagioclásio
aumentam de tamanho no sentido dos piroxênios.... ................................................53
FIGURA 28 - Texturas granofírica e gráfica em microgabro granofírico. Formas
vermiculares, dendríticas, triangulares e irregulares..................................................53
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................ 13
1.1 APRESENTAÇÃO...................................................................................... 13
1.2 LOCALIZAÇÃO E ACESSO A ÁREA......................................................... 13
1.3 OBJETIVOS................................................................................................ 15
1.4 ATIVIDADES E MÉTODOS........................................................................ 15
2 CONTEXTO GEOLÓGICO......................................................................... 17
2.1 LITOESTRATIGRAFIA DO DOMÍNIO MÉDIO COREAÚ.......................... 18
2.1.1 Complexo Granja...................................................................................... 19
2.1.2 Grupo Martinópole.................................................................................... 20
2.1.3 Grupo Ubajara........................................................................................... 21
2.1.4 Grupo Jaibaras.......................................................................................... 22
2.1.5 Suíte Parapuí............................................................................................. 23
2.1.6 Granito Meruoca........................................................................................ 24
2.1.7 Formação Aprazível.................................................................................. 25
3 GEOLOGIA DOS GABROS MASSAPÊ E ROCHAS ADJACENTES....... 26
3.1 ROCHAS ENCAIXANTES.......................................................................... 26
3.2 GABROS DA REGIÃO DE MASSAPÊ....................................................... 29
4 PETROGRAFIA.......................................................................................... 32
4.1 HORNBLENDA GABRO............................................................................. 32
4.2 PIROXÊNIO-HORNBLENDA GABRO........................................................ 36
4.3 LEUCOGABRO........................................................................................... 39
4.4 MICROGABRO........................................................................................... 42
4.5 MICROGABRO GRANOFÍRICO (Brecha magmática)............................... 43
4.6 ROCHAS ENCAIXANTES......................................................................... 45
4.6.1 Gnaisse calcissilicático............................................................................ 45
4.6.2 Quartzito.................................................................................................... 47
4.6.3 Mármores................................................................................................... 48
5 ANÁLISE ESTRUTURAL E TEXTURAL................................................... 49
5.1 ESTRUTURAS DAS ROCHAS GABRÓICAS............................................. 49
5.1.1 Estrutura xenolítica................................................................................... 49
5.1.2 Bordas de resfriamento.......................................................................... 50
5.2 TEXTURAS DAS ROCHAS GABRÓICAS................................................. 51
6 DISCUSSÕES E RESULTADOS............................................................... 54
7 CONCLUSÃO............................................................................................. 56
REFERÊNCIAS.......................................................................................... 57
ANEXOS..................................................................................................... 61
ANEXO A - MAPA GEOLÓGICO DOS GABROS DE MASSAPÊ............ 62
ANEXO B - MAPA DE PONTOS................................................................ 63
ANEXO C - FICHAS PETROGRÁFICAS................................................... 64
ANEXO D – LISTA DE PONTOS COM COOORDENADAS
GEOGRÁFICAS......................................................................................... 65
13
1 INTRODUÇÃO
1.1 APRESENTAÇÃO
A presente pesquisa corresponde ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC),
disciplina ofertada pela Faculdade de Geologia do Instituto de Geociências da
Universidade Federal do Pará (UFPA), que foi desenvolvido no período de agosto de
2009 a dezembro de 2010. O trabalho contou com o suporte técnico da disciplina
Estágio de Campo II (Estágio Ipú-Ipueiras), ofertada no período de agosto de 2009.
Este estudo enfoca os gabros aflorantes na região de Massapê situados a 8
km a norte da cidade de Sobral no Estado do Ceará dentro da unidade descrita na
literatura como Suíte Parapuí (GORAYEB et al., 1988, NASCIMENTO; GORAYEB,
2004). São intrusivos em rochas calcissilicáticas, gnaisse calcissilicático, mármores
e quartzitos do Grupo Martinópole, formando brechas magmáticas com blocos
angulosos em geral de quartzitos. Estes corpos ígneos apresentam pouca
expressão topográfica e uma área de aproximadamente 2,5 km2.
Este trabalho vem apresentar dados cartográficos e petrográficos dos gabros
da região de Massapê, assim como suas relações de contato com as rochas
encaixantes que fazem parte do contexto litoestratigráfico do Domínio Noroeste do
Ceará ou Domínio Médio Coreaú. Uma vez que os dados de mapeamento das
rochas gabróicas da Suíte Parapuí são de reconhecimento regional, sem
detalhamento petrográfico.
1. 2 LOCALIZAÇÃO E ACESSO A ÁREA
A área estudada está situada na região nordeste do Brasil, especificamente
no noroeste do Estado do Ceará, às proximidades da cidade Massapê, no setor
meridional da unidade geotectônica denominada Graben de Jaibaras, borda do
granito Meruoca, ocupa porções da Folha Sobral (SA. 24-Y-D-IV) em escalas de
1:30.000 e 1:100.000 e abrange uma área de aproximadamente 2,5 km2 (Fig. 1). O
acesso à área, a partir de Belém, pode ser feito pela rodovia BR-316 até à cidade de
Teresina (Piauí) interligando-se as rodovias BR – 222 e CE – 241 que levam até
Sobral e Massapê, respectivamente.
14
Figura. 1- Mapa de localização da região de Massapê, destacando-se a área da ocorrência das
rochas gabróicas.
Fonte: modificado de Santos (2006).
15
1.3- OBJETIVOS
O objetivo principal deste trabalho é definir a cartografia e os tipos
petrográficos dos gabros aflorantes na região de Massapé, Estado do Ceará e
avançar no entendimento do magmatismo básico das rochas que constituem a
Província Borborema, especificamente no Gráben Jaibaras, como parte da Suíte
Parapuí. Muitos estudos (GORAYEB et al., 1988, NASCIMENTO; GORAYEB, 2004,
ALMEIDA; ANDRADE FILHO, 1999, NASCIMENTO et al., 1981, COSTA et al., 1979,
CORREA, 1997) já foram realizados na Suíte Parapuí e enfocaram a petrografia e a
litoquímica dos basaltos.
Assim, o estudo apresenta o detalhamento da cartografia e análise
petrográfica dos gabros da Suíte Parapuí, buscando definir as relações de contato
com as rochas adjacentes, a fim de avançar no entendimento dos processos
magmáticos que ocorreram nessa região dentro da Província Borborema, no NW do
Ceará.
1.4- ATIVIDADES E MÉTODOS
A metodologia aplicada nesse trabalho envolveu quatro etapas principais de
estudo: a primeira foi o levantamento bibliográfico em livros, textos, artigos, teses,
dissertações sobre o conhecimento da área em questão; a segunda envolveu o
levantamento cartográfico e de acervos de mapas da disciplina Estágio de Campo II;
a terceira constou de expedição de campo com mapeamento geológico e coleta
sistemática de amostras para petrografia; e a quarta, a confecção do mapa
geológico da área de estudo, análise petrográfica detalhada e elaboração do
relatório final das atividades.
O levantamento bibliográfico foi realizado principalmente na biblioteca do
Instituto de Geociências da UFPA (Biblioteca Raimundo Montalvão), com referências
no âmbito da geologia regional da área em questão, assim como livros didáticos que
tratam da origem e evolução de rochas gabróicas.
O levantamento cartográfico foi realizado no acervo de mapas do Laboratório
de Cartografia Geológica (GEOCART-IG-FAGEO), onde foi realizada uma triagem
dos relatórios de Estagio de Campo II, que enfatizavam a problemática cartográfica
e geológica da área estudada.
16
O mapeamento geológico foi realizado a noroeste da cidade de Massapé com o
suporte técnico do estágio de Campo II realizado no período de 01 a 20 de agosto
de 2009 dentro do projeto Ipueiras-Ceará. Durante esse trabalho foram utilizados
equipamentos básicos como GPS, bússola, marreta e martelo. Foi adotada técnica
de mapeamento sistemática em três linhas principais de caminhamento da parte
central para borda do corpo, delimitando os seus contatos principais, onde foram
estudados 18 pontos de afloramento, sendo a distância entre um ponto e outro
variando de 5 a 6 m. Essa etapa de trabalho envolveu a descrição dos afloramentos,
além da coleta sistemática de amostras para estudos petrográficos, incluindo coleta
de dados estruturais do corpo gabróico e das rochas encaixantes.
A elaboração do mapa geológico da área de estudo contou com a utilização de
imagem de satélite, mapas do acervo do Laboratório de Cartografia Geológica
(GEOCART-IG-FAGEO) e carta planialtimétrica da área de estudo. Foi utilizado o
softwares Arc Gis 9.3 e CorelDRAW X3 para confecção dos mapas.
A análise petrográfica foi realizada em quinze amostras de mão e lâminas
delgadas, sendo cinco dessas lâminas são polidas para identificação dos minerais
opacos em microscópio de luz refletida e para realização de microscopia eletrônica
de varredura (MEV). A classificação dos tipos petrográficos seguiu os princípios e
metodologia utilizados por Streckeisen (1975), Mackenzie et al. (1982), Deer et al.
(1992) no estudo das rochas ígneas plutônicas.
O estudo de MEV foi realizado no laboratório de microscopia eletrônica de
varredura-LABMEV da UFPA. Foram utilizadas duas lâminas polidas, metalizadas
previamente com platina. As analises químicas semiquantitativas foram realizadas
através de EDS (Energy Dispersive Spetrometry). As condições de analise foram:
voltagem de aceleração= 20 kv, distancia de trabalho= 15 mm, tempo de análise=
30s.
17
2 CONTEXTO GEOLÓGICO
A Província Borborema corresponde à parte leste da região nordeste da
plataforma Sul Americana. É caracterizada como uma complexa região do ponto de
vista geológico, onde ocorreram importantes eventos tectônicos, termais e
magmáticos, de idade neoproterozóica, relacionadas ao Ciclo Brasiliano (ALMEIDA et
al., 1977). A Província Borborema cobre uma área de mais de 450.000 km2,
estendendo-se por baixo da Bacia do Parnaíba e com extensões africanas situadas
ao norte do Cráton São Francisco – Congo (TROMPETTE, 1994). Com base em
estudos geofísicos, geológicos e geocronológicos, foi possível estabelecer cinco
domínios tectônicos contíguos que constituem a Província Borborema: Domínio
médio Coreaú (MCO), Domínio Ceará Central (CC), Domínio Rio Grande do Norte
(RGND), Domínio Central ou Domínio de Zona Transversal (TZ) e Domínio Sul (DS),
(Fig.2). Importantes evidências mostram que esses domínios crustais obtiveram a
configuração atual antes do final do Cambriano, seguindo uma significante fase de
deslocamento transcorrente no fim do Brasiliano (BRITO NEVES et al., 2001).
O Domínio Médio Coreaú, onde esta inserida a área de estudo, localiza-se na
porção noroeste do Estado do Ceará e na porção nordeste do estado do Piauí, entre
a margem retrabalhada do Cráton São Luís-Oeste Africano e o Lineamento
Transbrasiliano/Kandi. O embasamento do Domínio Médio Coreaú consiste de
rochas de alto grau metamórfico juvenis com idade de 2.35Ga (Pré -
Transamazônico) e segmentos capturados de cinturões vulcano-sedimentares
Neoproterozóicos (Grupo Martinópole) e pelitos-carbonáticos (Grupo Ubajara) que
podem ser partes separadas do cinturão móvel principal Trans-Sahariano. Ao longo
do Lineamento Transbrasiliano, há ocorrência de uma série de bacias
transtensionais e plútons pós-orogênicos que ocupam espaços separados, onde
existe cobertura de rochas sedimentares Fanerozóicas da Bacia do Parnaíba
(BRITO NEVES, op cit).
18
Figura. 2- Mapa Geológico regional da Província Borborema apresentando os grandes domínios
estruturais: Domínio Médio Coreaú (DMCO), Domínio Ceará Central (DCC), Domínio de Zona
Transversal (DZT), Domínio Sul (DS). Os principais Lineamentos: Lineamento Transbrasiliano
(Sobral-Pedro II), LSP-Lineamento Senador Pompeu, LPa-Lineamento Patos, LPe-Lineamento
Pernambuco. A BP-Bacia do Parnaíba e o CSF-Cráton do São Francisco.
Fonte: Modificado de Brito Neves et al., (2001).
2.1 LITOESTRATIGRAFIA DO DOMÍNIO MÉDIO COREAÚ
O Domínio Médio Coreaú compreende principalmente as rochas do Complexo
Granja e Grupo Martinópole-Ubajara, constituintes de fatias crustais, limitadas por
zonas de cisalhamento transcorrente-transpressivas de direção NE-SW onde está
inserido o Gráben Jaibaras (OLIVEIRA, 2001) e as principias unidades
19
litoestratigráficas: Formação Jaibaras, Suíte Parapuí, Granito Meruoca e Formação
Aprazível (Fig.3).
2.1.1 Complexo Granja
O Complexo Granja considerado a unidade mais antiga da Faixa Martinópole–
Ubajara é constituído por um complexo de ortognaisses, gnaisses kinzigíticos,
granulíticos, migmatitos e, subordinadamente, quartzitos e anfibolitos. A maior parte
das rochas dessa seqüência é classificada como biotita gnaisses e anfibólio
gnaisses, com coloração cinza claro a cinza escuro. A deformação nessas rochas
nem sempre é intensa, apresentando em alguns locais uma foliação bem incipiente.
Corpos anfibolíticos ocorrem intercalados concordantemente ao pacote gnaíssico.
De forma geral, nos gnaisses a foliação (bandamento gnaíssico) é dada
principalmente pela alternância de minerais como biotita e anfibólio com quartzo e
feldspato (SANTOS et al., 2001).
Os migmatitos bandados e estromáticos distribuídos neste embasamento, que
apresentam leucossoma de composição granítica, com relativa quantidade de
anfibólio, indicando ter ocorrido grande percolação de fluídos e alta temperatura
durante o cisalhamento (SANTOS, 1993).
Os muscovita-quartztos que ocorrem nesta unidade são fortemente
milonitizados e cataclasados, correspondem a uma litologia que se destaca por sua
associação com as zonas de alta deformação. Esta feição leva à interpretação
dessa rocha como sendo resultante de gnaisses, cujo processo de milonitização é
responsável pela transformação dos feldspatos em muscovita e concentração de
fluidos silicosos nas zonas de maior deformação. A seqüência granulítica é formada
por granulitos máficos, gnaisses enderbíticos, e silimanita-granada gnaisses
(kinzigitos/kondalitos). (SANTOS et al., 2004).
Santos (1999) com base em idades U-Pb, Sm-Nd e Pb-Pb, consideraram as
rochas metaplutônicas como representativas de uma crosta juvenil gerada em
ambiente de arco magmático durante o Sideriano (2,30 a 2,50 Ga), retrabalhada nos
eventos Transamazônico e Brasiliano. Determinações U-Pb em titanita nos
migmatitos e isócrona mista Sm-Nd nos granulitos forneceram valores variando entre
553 e 557 Ma, o que permite supor que a granulitização e a migmatização do
20
Complexo Granja ocorreram no Neoproterozóico (BIZZI et al., 2003). Gaudette et al.
(1993) pelos métodos Rb-Sr, Pb-Pb e U-Pb em zircão, relacionaram a evolução do
Complexo Granja ao Paleoproterozóico.
Figura. 3 – Mapa geológico simplificado da região de Sobral e Massapê dentro do Domínio Médio
Coreaú.
Fonte: Modificado de Santos (2003).
2.1.2 Grupo Martinópole
Segundo Neves (1975), o Grupo Martinópole representa uma sequência
metassedimentar incluindo xistos, quartzitos puros ou sillimaníticos/cianíticos,
paragnaisses, mármores e rochas calciossilicáticas. A idade do Grupo Martinópole
não está definida, no entanto a maioria dos autores o situa no Proterozóico Médio a
superior.
Fetter et al. (2003) sugeriram que o Grupo Martinópole pode representar uma
bacia frente arco que se formou durante o crescimento no Neoproterozoico Inferior
do complexo continental do Arco de Santa Quitéria, situado ao sudeste no domínio
Ceará Central.
Segundo BIZZI et al. (2003) O Grupo Martinópole é dividido em três
formações: São Joaquim, Covão e Santa Terezinha.
21
A Formação de São Joaquim é constituída por quartzitos, com intercalações
menores de xistos, rochas calssicilicáticas e de rochas metavulcânicas (metariolito).
Os minerais metamórficos nesta formação incluem a cianita, sillimanita, muscovita e
a estaurolita, indicando o metamorfismo intermediário de fácies anfibolito de baixa
pressão. Metariolitos são intercalados com quartzitos dando forma de budinagen. Os
metariolitos são fortemente deformados e mostram texturas ultramiloníticas e
miloníticas.
A Formação Covão é uma seqüência compreendida por muscovita-xisto, em
parte com cianita e feldspato, muscovita-albita-clorita-xisto e de camadas menores
do quartzito. A paragênese mineral (clorita-quartzo- mica branca) e as características
microtectônicas do quartzo (lamelas e faixas de deformação, limite de subgrão) nos
quartzitos sugerem condições de fácies xisto-verde.
A Formação Santa Terezinha consiste de xistos ricos em quartzo,
metapelitos, carbonatos (dolomitas e calcários) com associações de grauvacas,
ritimitos, quartzitos e metariolitos intercalados contendo fenocristais de quartzo.
2.1.3 Grupo Ubajara
O termo Ubajara foi proposto por Nascimento e Gava (1979) para englobar os
metassedimentos que ocorrem na região de Frecheirinha-Aprazível em substituição
a denominação de Grupo Bambuí. Segundo Hackspacher et al. (1988) o Grupo
Ubajara é a unidade basal do sistema deposicional Ubajara-Jaibaras, dividido, da
base para o topo, em três formações: Formação Trapiá, Formação Caiçaras e
Formação Frecheirinha. Sendo toda a seqüência interpretada como de ambiente
flúvio-marinho.
A Formação Trapiá é constituída por uma intercalação de metassiltitos,
metarenitos e mais raramente lentes e metaconglomerado. Os metarenitos são
dominantes, possuem composição subarcoseana, coloração cinza a marrom
arroxeado, com tonalidades esverdeadas, creme a castanho podendo chegar até
verde escuro. Geralmente, sua granulometria é fina, mas estão presentes como
camadas métricas de arenitos grosseiros e arenitos microconglomeráticos. As
principais estruturas sedimentares são as estratificações cruzadas de pequeno porte
22
e plano-paralela. Estas estruturas encontram-se dobradas e em certos locais é
possível visualizar uma incipiente foliação nos arenitos.
A Formação Caiçaras é composta por ardósias intercaladas a níveis de
metarenitos, em contato gradacional com as rochas da Formação Trapiá. As
ardosias são de coloração vermelho arroxeado, apresentam uma foliação bem
desenvolvida cortada geralmente por veios de quartzo ora concordantes ora
discordantes.
A Formação Frecheirinha é formada dominantemente por metacalcários com
termos conglomeráticos e termos impuros (margosos) intercalados. Seu contato
inferior com a Formação Caiçaras é gradacional e é evidenciado pela presença na
base de intercalações de bancos carbonáticos com níveis impuros. Os metacalcários
têm cor cinza azulada a cinza escuro, granulação fina e estão bastante compactados
e recristalizados. Possuem estratificação plano-paralela, com alternância de
camadas carbonáticas puras e camadas carbonáticas ricas em argilo-minerais.
2.1.4 Grupo Jaibaras
O Grupo Jaibaras está dividido nas formações Massapê e Pacujá,
consideradas cronoequivalentes e formadas essencialmente por conglomerados
polimíticos, arenitos arcoseanos e siltitos. A Formação Massapê é composta por
brechas e metaconglomerados polimíticos intercalados a arenitos arcoseanos finos.
Sobreposta a esta, em contato transicional, jaz a Formação Pacujá, está por sua vez
é constituída de rochas psamiticas: metarenitos arcoseanos, grauvacas, metasiltitos
(com lentes conglomeráticas) de cores avermelhadas e esverdeadas, ocorrendo
esporadicamente folhelhos micáceos e, mais raramente, rochas carbonáticas. Os
sedimentos estão estratificados predominantemente em bancos finos e médios,
plano-paralelos (Gorayeb et al., 1988).
O ambiente deposicional do Grupo Jaibaras compreende um sistema de
cones aluviais, com canais e planícies fluviais associados e sua deposição se deu
em um clima seco. A sua área de ocorrência está intimamente relacionado com o
lineamento Transbrasiliano em um contexto de bacia “pull apart” (Gorayeb et al., op
cit). Várias propostas tem sido apresentada para o empilhamento estratigráfico das
unidades que compõe o chamado Gráben Jaibaras, como os encontrados em
23
Hackspacher et al. (1988), Gorayeb et al. (1988), Torquato; Nogueira Neto (1996),
Oliveira (2001). Recentemente a Formação Aprazível foi colocada no Grupo
Jaibaras em trabalhos de Torquato e Nogueira Neto (1996) e Oliveira (2001).
2.1.5 Suíte Parapuí
A Suíte Parapuí constitui uma unidade vulcânica, provavelmente do final do
Neoproterozóico/inicio do Paleozóico, que se encontra inserida no Gráben Jaibaras,
situada no noroeste do Estado do Ceará; representa uma importante atividade
vulcânica basáltica, predominantemente, da porção noroeste da Província
Borborema. Esta Suíte compreende quatro grupos de rochas, incluindo basaltos
(labradorita/andesina basaltos, traquibasaltos e magnetita-ilmenita basaltos), gabros
(hornblenda gabro, piroxênio-hornblenda gabro, leucogabros e microgabros)
intrusivos nas rochas do Grupo Martinópole (citados nesse trabalho), riolitos e rochas
vulcanoclásticas que ocorrem intercaladas a arenitos arcosianos do Grupo Jaibaras.
Os basaltos e traquibasaltos, tipos mais abundantes da Suíte Parapuí, ocorrem em
sucessões de extensos derrames de lavas maciças e amigdaloidais, com
características holocristalinas, hipovítreas e raramente holovítreas, e texturas
porfiríticas, seriadas ou afíricas e fluidais. Os minerais principais compreendem
labradorita com variações para andesina, titanoaugita e, subordinadamente, olivina,
albita, sanidina, magnetita/ilmenita, pirita, titanita e apatita (NASCIMENTO;
GORAYEB, 2004).
Esta suíte magmática instalou-se sob um regime vulcânico intenso durante a
tectônica extensional que originou a Bacia do Jaibaras (Gráben) em seu estado de
rífte; ou seja, consistiu em um magmatismo intracontinental explosivo e efusivo
sobreposto a um substrato paleoproterozóico (NASCIMENTO; GORAYEB, op cit).
As rochas plutônicas objeto deste estudo está inserida na Suíte Parapuí e
aparecem com destaque na secção mediana da bacia, de Aprazível para sul, na
forma de possantes sills e diques de gabros ofíticos, geralmente uralitizados. A
oeste de Ararius, estas intrusivas adquirem formas grosseiramente elípticas,
sugerindo uma estrutura do tipo lopólito. Merecem destaque ainda, os plutões gabro-
dioríticos que ocorrem a sul de Massapê e se estendem até o cemitério dos
Andrades, em afloramentos rasteiros e descontínuos (ALMEIDA; ANDRADE FILHO,
1999).
24
Gorayeb et al. (1988) descreveram relações intrusivas entre o Granito
Meruoca e rochas do Grupo Jaibaras e observaram a presença de xenólitos de
vulcânicas, parcialmente assimilados pelo granito Meruoca, o que levou a posicionar
estratigraficamente a Suíte Parapuí e o Grupo Jaibaras abaixo da Suíte Meruoca,
concluindo que a idade dessas unidades deve ser Proterozóica Superior ou no
mínimo Cambriana.
2.1.6 Granito Meruoca
O Granito Meruoca é um batólito com uma forma quadrada, que ocupa uma
área de aproximadamente 400 km2. Seus contatos são dados principalmente por
zonas fraturadas e falhadas. Apresenta xenólitos de dimensões variadas de
metaconglomerados e metarenitos parcialmente assimilados. O granito Meruoca
apresenta três fácies petrográficas: faialita-ortoclásio granito; biotita-hornblenda-
ortoclásio granito e microgranitos (GORAYEB, et al., op cit).
A fácies faialita-ortoclásio granito é constituída por uma rocha de coloração
cinza com tons esverdeados, leucocrática, de granulação grossa, composta
essencialmente de ortoclásio pertítico, quartzo e teores reduzidos de faialita e
plagioclásio.
A fácies biotita-hornblenda-ortoclásio granito distingue-se da primeira pela cor
marrom típica, pela presença de biotita e hornblenda, sendo esta a fácies
predominante no corpo.
A fácies microgranitos corresponde fácies de borda de resfriamento e corpos
tardios (diques, pequenos corpos), que seccionam as outras fácies deste corpo
intrusivo. É constituída por rochas de cor branca a cinza claro, por vezes, levemente
rosadas, leucocráticas, de granulação média, localmente porfiríticas.
2.1.7 Formação Aprazível
A Formação Aprazível guarda grandes similaridades em relação à Formação
Massapê, sobretudo em termos de ambientes sedimentares e controle tectônico. É
constituída de ortoconglomerados polimiticos de aspecto brechóide, compostos por
seixos de tamanhos variados, angulosos e levemente imbricados. Os seixos são
25
principalmente de fragmentos líticos, incluindo metarenitos, metacalcários, filitos,
quartzitos, xistos, vulcânicas e granitos. Estão envoltos em matriz arenosa, mal
selecionada, granulação variando de média a grossa, constituída de quartzo,
feldspato e fragmentos líticos. Em adição, pedaços oriundos dos plutons e da Suíte
Parapuí, autorizam a inclusão dessa unidade como estratigraficamente a mais nova
na coluna do Gráben Jaibaras (Gorayeb et al., 1988, Oliveira, 2001).
26
3 GEOLOGIA DOS GABROS MASSAPÊ E ROCHAS ADJACENTES
As rochas gabróicas intrusivas da área estudada que compõem a Suíte
Parapuí ocorrem em uma região com relevo atual aplainado, intensa alteração e
presença de falhas e fraturas que obliteraram suas formas e estruturas originais.
Entretanto é possivel observar uma aparente forma grosseiramente eliptica, com
uma área de aproximadamente 2,5 km2.
Neste item serão discutidas as relações e feições de campo das rochas
gabróicas da Suite Parapuí e suas encaixantes (Fig.4), destacando o corpo que
ocorre a noroeste da cidade de Massapê, nas proximidades do cemitério dos
Andrades, afim de definir na área os limites do corpo intrusivo.
3.1 ROCHAS ENCAIXANTES
As rochas encaixantes fazem parte do Grupo Martinópole, mais
especificamente da Formação Covão. São rochas calcissilicáticas que ocorrem em
geral como blocos muitas vezes com dobras em chevron de dimensões
centimétricas a métricas, apresentam coloração cinza esverdeada de granulação
fina a média, com alternância de leitos milimétricos de coloração esverdeada, ricos
em minerais máficos (piroxênio e anfibólio) e leitos de coloração esbranquiçada
formada por carbonato e quartzo (Fig. 5). Gnaisses calcissilicáticos bandados com
lentes de quartzo concordantes com dobras recumbente de dimensões métricas são
fortemente crenuladas ocorrem com contatos irregulares entre as brechas
magmáticas (Fig. 6). Mármores de coloração negra, granulação fina, com veios de
calcita são restritos às proximidades do cemitério dos Andrades sob a forma de
lajedos e blocos; não aparecem em contatos diretos com o corpo gabróico. Quartzito
de coloração branca, por vezes com aspecto leitoso, é o principal litotipo
constituintes das brechas magmáticas sob forma de xenólitos angulosos, intrudindos
por microgabros, apresentando bordas de corrosão (Figs. 8, 9 e 10).
27
28
Figura. 5 - Rochas calcissilicáticas com vênulas de calcita dobradas paralelas a
foliação.
Gnaisses calcissilicático
Brecha magmática
Figura.6 – Contantos irregulares entre a brecha ígnea e o gnaisse calcissilicático.
29
3.2 GABROS DA REGIÃO DE MASSAPÊ
As rochas gabroícas da Suite Parapuí tem sua área de ocorrencia principal a
noroeste da cidade de Massapê, próximo ao cemitério dos Andrades (anexo A),
constituem um corpo intrusivo alongado de direção NE-SW que acompanha as
principais direções de estruturas regionais como foliações, falhas e fraturas. Este
corpo de rochas gabróicas está a 2 km a SW do Granito Meruoca e ocupa uma área
de aproximadamente 2,5 km2 na forma grosseiramente elíptica, cortando diversas
litologias do Grupo Martinópole como gnaisses calcissilicático,rochas
calcissilicáticas, mármores e quartzitos. Em geral os grabros formam afloramentos
com pouca expressão topográfica atingindo no máximo 100m de altitude (Fig.7).
São rochas faneríticas, mesocráticas, equigranulares de granulação grossa,
apresentando cor marrom esverdeada. A rocha é maciça composta essencialmente
de plagioclásio, anfibólio e piroxênio, muitas vezes observa-se a presença de
epidoto e clorita. A sua relação de contato é intrusiva com rochas do grupo
Martinópole com a formação de brechas magmáticas, com xenolitos de rochas
calcissilicáticas, gnaisse calcissilicáticos e principalmente de quartzitos (Fig. 8).
Há uma variação na granulação dessas rochas. A parte central do corpo
gabróico possui uma granulação mais grossa e a medida que se afasta do centro
para a borda a granulação cada vez mais fina até chegar nas brechas magmáticas
que são compostas de xenólitos angulosos de rochas calcissilicaticas e
principalmente quartzitos, sendo que as bordas desses xenólitos encontram-se
enegrecidas (Fig. 9). Esses xenólitos encontram-se em uma matriz dominantemente
ígnea composta essencialmente de plagioclásio e piroxênio, formando brechas
magmáticas. Muitos desses xenólitos chegam a medir 10 cm de comprimento por 6
cm de largura (Fig. 10).
30
Figura. 7 – Blocos de gabros da área de estudo, ocorrem fraturados e
intensamente alterados
Figura.8 – Modo de ocorrência das brechas magmá[Link]-se blocos de
microgabros com xenólitos de gnaisse calcissilicático e principalmente de
quatzitos.
31
Figura.9- Xenólitos de quatzitos em microgabro. Percebe-se bordas corroidas
e enegrecidas devido a transmissão de calor do corpo gabróico no momento
da intrusão.
Figura.10– Xenólitos de quartzitos inclusos em uma matriz essencialmente
constituida de plagiocásio e piroxênio.
32
4 PETROGRAFIA
O estudo petrográfico foi realizado no laboratório de petrografia do Instituto de
Geociência da UFPA em quinze amostras de rochas gabróicas, brechas magmáticas
e as rochas encaixantes (gnaisse calcissilicático, mármore e quartzito) e também
contou com auxilio do microscópio eletrônico de varredura (MEV) e microscópio de
luz refletida para identificação dos minerais opacos. As amostras de gabros
correspondem aos pontos 2009/Mass-05, 2009/Mass-13, 2009/Mass-14 e
2009/Mass-16b. Os microgabros são 2009/Mass-07a, 2009/Mass-07b, 2009/ Mass-
15a, 2009/Mass-07c e 2009/Mass-16ª. Os gnaisses calcissilicáticos 2009/Mass-01,
2009/Mass-11, 2009/Mass-06 e 2009/Mass-17. Mármores 2009/Mass-18a e
quartzito 2009/Mass-12. Todos localizados no mapa de pontos (anexo B).
4.1 HORNBLENDA GABRO
Macroscopicamente são rochas faneríticas, holocristalinas, melanocráticas a
mesocráticas, equigranulares, de granulação grossa, apresentando coloração cinza
esverdeada. A rocha possui massas fibrosas cinza-esverdeadas de tremolita-
actinolita separando os plagioclásios e hornblenda (Fig. 11).
Microscopicamente são representadas dominantemente por plagioclásio e
hornblenda e em menor proporção de minerais opacos, apatita, piroxênio, biotita, k-
feldspato e quartzo. Os plagioclásios, aproximadamente 55% na rocha, ocorrem
como ripas entrelaçadas com os cristais de anfibólios e podem atingir dimensões de
até 8 mm de comprimento. A hornblenda é subédrica, tem cor esverdeada a luz
natural, ocupando aproximadamente 35% e suas dimensões variam entre 5 a 7 mm.
Os minerais opacos apresentam bordas corroídas ocorrem em menor proporção,
aproximadamente 8%, são subédricos e a maioria dos cristais alcança 5 mm.
Apresentam dominantemente textura intergranular com ripas de plagioclásio
( 55%) com maclamento albita e albita-carlsbad e cristais intersticiais tardios de k-
feldspato do tipo ortoclásio (2v – 70°), além de quartzo, que exibem localmente
intercrescimento gráfico com o k- feldspato (Fig.14) .O plagioclásio (labradorita An54)
foi parcialmente substituído pelo processos de saussuritização e argilização.
Os ferromagnesianos, que constituem cerca de 45% de volume da rocha são
representados por hornblenda ( 35%), que define cristais entrelaçados com o
33
plagioclásio, e o clinopiroxênio. Geralmente suas formas são subédricas com
pleocroísmo moderado, cujas absorções maior, intermediária e menor são,
respectivamente, verde azulado (Z), verde amarelado (Y) e marrom amarelado
pálido (X). O clinopiroxênio (augita) é substituído parcialmente por tremolita-actinolita
verde azulada devido ao intenso processo de uralitização. A tremolita-actnolita forma
entrelaçados de cristais fibrosos (Fig.13).
A biotita possui cor marrom, ocorre com hábito lamelar com pleocroísmo
moderado que varia de marrom esverdeado (Y=Z), por vezes com tons
avermelhados a creme pálido (X). A clorita é o mineral de freqüente alteração das
biotitas.
A apatita ocorre como cristais aciculares com divisibilidade basal
característica; encontra-se em geral inclusa nos plagioclásios.
Os minerais opacos ( 8%) ocorrem com aspecto esqueletal, muitas vezes
exsolvidos (Fig. 11-b) e foram analisados no microscópico óptico de luz refletida foi
identificado com as seguintes características: possui cor cinza claro, refletância
baixa= 21%, bi-reflectância fraca, anisotropia ausente, raios internos ausentes, com
maclas cinza rosada, pelas suas características ópticas é classificados como
ilmenita. No microscópio eletrônico de varredura (MEV) foi também reconhecida a
ilmenita como mineral opaco principal dessas rochas (Fig.12).
34
B C Plagioclásio
Tremolita-actinolita
Plagioclásio
Opaco
Opaco
Plagioclásio
Figura. 11- Em (A) amostra de hornblenda gabro nota-se a presença de concentrados de
massas cinza- esverdeadas fibrosas de tremolita-actinolita e os opacos com bordas corroídas.
Em (B) e (C) nas fotomicrografias são evidenciados respectivamente os opacos com aspectos
esqueletal e os concentrados de tremolita- actinolita formando pequenos cristais prismáticos
produto da uralitização das augitas.
35
Figura 12- Imagem de elétrons retroespalhados e espectros composicionais da amostra
Mass-13, determinando que os minerais opacos são ilmenita.
Figura 13- Imagem de elétrons retroespalhados e espectros composicionais da amostra
Mass-07a, mostrando o aspecto fibroso da tremolita-actinolita.
36
Figura. 14 – Fotomicrografia da textura gráfica e granofírica em
hornblenda gabro, representada pelo intercrescimento do quartzo no k-
feldspato sugerindo contaminação crustal com assimilação de rochas
encaixantes ricas em sílica.
4.2 PIROXÊNIO-HORNBLENDA GABRO
Macroscopicamente são rochas faneríticas, holocristalinas, melanocráticas a
mesocráticas, equigranulares de granulação grossa, cor cinza-esverdeada
constituída essencialmente por plagioclásio, hornblenda e piroxênio. O plagioclásio
constitui aproximadamente 50% do volume da rocha, os minerais máficos (piroxênio
e hornblenda) constituem cerca de 45% do volume da rocha e em menor proporção
estão opacos, biotita, apatita, titanita, zircão e quartzo.
O plagioclásio tem cor cinza-esverdeada, ocorre com hábito ripiforme e pode
atingir dimensões de até 7 mm. A hornblenda tem cor esverdeada, é subédrica e
suas dimensões variam entre 5 mm a 5,5 mm. O piroxênio possui coloração marrom-
esverdeada, forma subédrica de dimensões e 4 à 6,5 mm. Os minerais opacos
ocorrem em proporção aproximadamente 5%, são subédricos e a maioria alcança
aproximadamente 5 mm e ocorrem muitas vezes com bordas corroídas são
freqüentes esses minerais.
37
Em geral apresenta texturas intergranular e granular hipidiomórfica formada
por cristais subédricos de labradorita (An54) argilisados e sericitizados geminados
com típico maclamento albita e albita-carlsbad. As ripas de labradorita têm seus
interstícios ocupados por cristais de clinopiroxênio (augita) rômbicos ou
monoclínicos parcialmente uralitizados (Fig. 15). Apresenta suas bordas
transformadas para hornblenda, destacando a textura do tipo coronítica. (Fig. 16).
A hornblenda ocorre subédrica com a seção basal com duas direções de
clivagem com ângulo de extinção (C^Z=15°) com pleocroísmo moderado, cujas
absorções maior, intermediária e menor são, respectivamente, verde azulado (Z),
verde amarelado (Y) e marrom amarelado pálido (X). Está parcialmente alterada
para clorita
A apatita ocorre com cristais aciculares com divisibilidade basal característica,
encontra-se inclusa nos plagioclásios.
Os minerais opacos ( 5%) ocorrem com aspecto esqueletal, muitas vezes
exsolvidos e foram analisados no microscópico óptico de luz refletida foi identificado
com as seguintes características: possui cor cinza claro, refletância baixa= 21%, bi-
reflectância fraca, anisotropia ausente, raios internos ausentes, com maclas cinza
rosada, pelas suas características ópticas é classificados como ilmenita.
38
Figura. 15 – Aspecto macroscópico e microscópico do piroxênio-hornblenda gabro.
Observam-se cristais subédricos de labradorita entre as augitas parcialmente uralitizada,
formando textura intergranular (luz natural e nicóis cruzados).
39
Cpx
Cpx Hbl
Figura. 16- Cristal reliquiar de clinopiroxênio bordejado por hornblenda,
definindo a textura coronítica.
4.3 LEUCOGABRO
Macroscopicamente exibem aspecto maciço e homogêneo, granulação
grossa, cores cinza escuro a cinza esverdeado. São rochas melanocráticas a
mesocráticas, holocristalinas, faneríticas e equigranulares. Seu conteúdo
mineralógico é dominantemente formado por plagioclásio, clinopiroxênio e anfibólio.
A análise petrográfica revela que essas rochas apresentam texturas
intergranular e subofítica marcada pela presença de ripas de plagioclásio totalmente
ou parcialmente inclusas em cristais de piroxênio (Fig.17).
O plagioclásio ( 62%), identificado como labradorita (An54) ocorre incluso nos
cristais de piroxênio ou intersticial entre eles. Apresenta hábito tabular ou em ripas
menores, exibindo com freqüência geminação polissintética do tipo albita, e
geminação Carlsbad; por vezes apresenta evidências de intensos processos de
alteração, tais como, sericitização e, freqüentemente, saussuritização com
desenvolvimento de epidoto, sericita e carbonato. Nos cristais de plagioclásio
geralmente observam-se inclusões de apatita.
40
O clinopiroxênio ( 20%) classificado como augita possui relevo alto, (2V -60°)
e ocorre como cristais anédricos a subédricos, e incluem lamelas minúsculas de
ortopiroxênio. Em geral os cristais de augita apresentam-se parcialmente ou
totalmente alterados para tremolita-actinolita fibrosa num freqüente processo de
uralitização; e, ao longo de suas bordas, para hornblenda e menos freqüentemente
por biotita.
Foram reconhecidos dois anfibólios: hornblenda e tremolita-actnolita. O
primeiro é o mais abundante ( 10%) geralmente suas formas são subédricas com
pleocroísmo moderado, cujas absorções maior, intermediária e menor são,
respectivamente, verde azulado (Z), verde amarelado (Y) e marrom amarelado
pálido (X). O outro grupo de anfibólio, representado pela tremolita-actinolita, ocorre
na forma de cristais fibrosos disseminados, sendo freqüentemente produtos de
alteração da augita.
Dois tipos de biotita ( 5%) foram identificados: um de natureza primária,
resultante da diferenciação magmática e ocorrendo como material intercúmulus; o
outro é resultado da alteração do piroxênio e/ou do anfibólio. Apresentam-se na
forma de lamelas anedrais e possuem pleocroísmo que varia de marrom claro a
marrom avermelhado.
Os opacos ( 3%) ocorrem como minerais exsolvidos podendo representar
produtos de alteração dos minerais máficos ou fases de cristalização primária, como
cristais cúbicos, também em grãos anédricos disseminados por toda rocha. Ocorrem
também como inclusões nos piroxênios (Fig. 18).
O k-feldspato do tipo ortoclásio (2v – 70°) é comumente observados com
intercrescimento de quartzo que caracteriza textura gráfica e /ou granofírica,
sugerindo contaminação crustal com assimilação de rochas encaixantes ricas em
sílica.
A apatita corresponde a uma fase primária acessória, ocorrendo em
pequenos cristais aciculares inclusos principalmente no plagioclásio e piroxênio.
41
Figura. 17- Plagioclásios parcialmente inclusos em cristais de piroxênio,
formando tipo de texturas intergranular e subofítica em leucogabros
Figura. 18 - Minerais opacos exsolvidos em leucogabros provavelmente
alteração dos minerais máficos.
42
4.4 MICROGABRO
Macroscopicamente são rochas faneríticas, holocristalinas, melanocráticas a
mesocráticas, equigranulares, de granulação fina a média, apresentado coloração
cinza esverdeada, constituídas essencialmente por plagioclásio e hornblenda e em
menor proporção por opacos, K-feldspato, titanita e quartzo. Essas rochas possuem
pequenos xenólitos de rochas calcissilicáticas e gnaisse calcissilicáticos que variam
de dimensões de 1,0 a 5,0 mm (Fig. 19).
O plagioclásio tem cor cinza claro, ocorre com hábito ripiforme e pode atingir
dimensões de até 1,0 mm. A hornblenda (25%) tem cor esverdeada, são subédrica e
suas dimensões variam entre 1,0 mm a 3,0 mm. Os minerais opacos ocorrem em
menor proporção aproximadamente 5%, são subédricos, corroídos, e a maioria de
seus cristais alcança 2,0 mm.
A análise microscópica revela que essa rocha é constituída por plagioclásio (
65%) como cristais ripiforme de tamanhos que variam de 1,0 a 3,5 mm, possuem
maclamentos albita e albita-carlsbad e uma variação de composição de andesina
(An45) à labradorita (An54) desenvolvem textura ofítica com contatos semi-retos com
hornblenda, por vezes irregulares, e estão parcialmente sericitizados e argilizados.
A hornblenda ( 25%) tem coloração verde geralmente suas formas são
subédricas com pleocroísmo moderado cujas absorções maior, intermediária e
menor são, respectivamente, verde azulado (Z), verde, amarelado (Y) e marrom
amarelado pálido (X), possui 2V- 70° e observa-se relictos de piroxênio.
Os minerais opacos ( 5%) ocorrem como cristais cúbicos, também anédricos
disseminados por toda rocha. Foram analisados no microscópico óptico de luz
refletida e identificados com as seguintes características: possui cor cinza
amarelado, reflectância baixa= 21%, bi-reflectância fraca, anisotropia ausente, raios
internos ausentes, não possuindo maclamento. Pelas suas características ópticas
são classificados como magnetita.
O k-feldspato constitui aproximadamente 5% do volume da rocha. Apresenta-
se como cristais anédricos, com dimensões em torno de 1,5 mm. Ocorre como
cristais intergranulares, preenchendo os interstícios entre cristais de plagioclásio e
hornblenda. Os cristais intersticiais tardios de K-feldspato do tipo ortoclásio (2v –
70°), exibem localmente intercrescimento gráfico com o quartzo que correspondem a
43
aproximadamente a 5% da rocha e aparece nos interstícios entre o plagioclásio e a
hornblenda.
A titanita aparece como mineral acessório da rocha ocorre em cristais
euédricos de cor castanha, levemente pleocróicos, e cor de interferência anômala.
Figura 19. Fotografia macroscópica dos microgabros, mostrando os
pequenos xenólitos de rochas calcissilicáticas.
4.5 MICROGABRO GRANOFÍRICO (Brecha magmática)
Rocha de coloração cinza clara, maciça e localmente com xenólitos de rochas
encaixantes, inequigranular, holocristalina, mesocrática, de granulação média,
constituídas por plagioclásio, piroxênio e anfibólio. Ocorre formando brecha
magmática com fragmentos de rochas calcissilicáticas e gnaisses cálciossilicáticos e
principalmente, quartzitos.
44
Os xenólitos angulosos de quartzitos variam de 1,0 a 6,5 cm e estão inclusos
na matriz constituída essencialmente de plagioclásio, piroxênio e anfibólio, possuem
bordas de corrosão (enegrecidas) (Fig. 20). Microscopicamente essas bordas
formam franjas de anfibólios e piroxênios em um contato gradacional com os
fragmentos de quartzo que entram por essas franjas e se misturam com o k-
feldspato intersticial, formando texturas gráfica e granofírica.
Microscopicamente a rocha é constituída por labradorita (An55), hornblenda,
piroxênio e opacos. Ocorre com uma textura tipicamente ofítica à subofítica.
A labradorita corresponde a 50% dos constituintes da rocha, varia de 1,0 a 3,0
mm, desenvolve textura ofítica a subofítica com os minerais ferromagnesianos, com
contatos semi-retos com anfibólio, por vezes irregulares, localmente observa-se
disposição radial dos cristais, que estão parcialmente sericitizados e argilizados.
A hornblenda ( 25%) tem coloração verde, é anédrica a subédrica, varia de
1,0 a 1,5 mm, alterado para clorita. Localmente observa-se relictos de piroxênio na
hornblenda com pleocroísmo moderado, cujas absorções maior, intermediária e
menor são, respectivamente, verde azulado (Z), verde amarelado (Y) e marrom
amarelado pálido (X) possui 2V- 70°.
O clinopiroxênio ( 15%), classificado como augita, possui relevo alto (2V -
60°), ocorre como cristais anédricos a subédricos e incluem lamelas minúsculas de
ortopiroxênio. Em geral os cristais de augita apresentam-se parcialmente ou
totalmente alterados para tremolita-actinolita.
Os minerais opacos constituem aproximadamente 8% da rocha ocorrem como
cristais cúbicos, também em grãos anédricos disseminados por toda rocha. Também
ocorrem com aspecto esqueletal, muitas vezes exsolvidos, com dimensões entre 1,0
a 2,0 mm.
45
Figura 20. Fotografia macroscópica mostrado em (A) o aspecto geral. Em (B) as
bordas enegrecidas constituídas principalmente anfibólio e piroxênio.
4.6 ROCHAS ENCAIXANTES
4.6.1 Gnaisse calcissilicático
São rochas que apresentam coloração cinza esverdeada e granulação fina a
média, foliação milonitica e bandamento composicional constituída pela alternância
de leitos milimétricos de coloração esverdeada, ricos em minerais máficos e leitos de
coloração esbranquiçada constituída por carbonato e feldspato (Fig.21). São
46
compostas essencialmente por anfibólio, quartzo, plagioclásio, carbonato e
piroxênio.
Ao microscópio observa-se a segregação de bandas de minerais máficos e
quartzo- feldspáticas. As bandas quartzo-feldspáticas são onduladas com grãos de
quartzo menores de 0,1 mm sob forma de agregados e também estirados com
extinção ondulante e cristais de plagioclásio em contatos irregulares com quartzo e
anfibólio, além da presença de carbonato, titanita e epidoto. As bandas de minerais
máficos são compostas por tremolita e raro diopsídio, os grãos variam de 0,1 mm a
0,4 mm, por vezes alongados (ribbons), com contatos irregulares e orientados
segundo a direção da foliação.
O anfibólio (tremolita) ocorre como cristais de coloração creme esbranquiçado,
de tamanho médio, anedral e subedral, fortemente fraturado e com contatos
irregulares
O quartzo é anedral, com cristais pouco fraturados, finos, com moderada
extinção ondulante e contatos irregulares. Há também ocorrência de subgrãos com
contatos irregulares.
O plagioclásio, de composição albita An39, ocorre como cristais subedrais e
anedrais, finos, moderadamente fraturados, com contatos irregulares e curvos.
Possui alguns cristais com moderada extinção ondulante e ausência de maclas,
enquanto que outros minerais apresentam maclamentos polissintéticos do tipo albita.
Apresenta inclusões de quartzo, apatita e anfibólio. Freqüentemente altera para
sericita.
Os carbonatos estão associados ao preenchimento de fraturas de diversos
minerais e na forma de cristais incolores, anedrais, finos, com contatos irregulares.
O diopsídio encontra-se como cristais subedrais e anedrais, de tamanho
médio, fortemente fraturados, com contatos irregulares.
O k-feldspato ocorre como cristais subedrais e anedrais, finos, pouco
fraturados, com contatos irregulares com os demais minerais. Apresentam moderada
extinção ondulante, feições pertíticas e maclamento do tipo xadrez (microclina).
A titanita ocorre como cristais subédricos e anédricos, finos, com ausência de
pleocroísmo, alta birrefringência e exibindo relação de contato irregular.
O epidoto encontra-se disperso na rocha e a sericita como produto de
alteração do plagioclásio. A apatita encontra-se dispersa na rocha na forma de
cristais euédricos e finos.
47
Figura 21- Fotomicrografia mostrando a alternância de leitos com anfibólio e
piroxênio e leitos quartzo-feldspáticos e carbonato finos em gnaisse
calcissilicático
4.6.2 Quartzito
São rochas de coloração branca acinzentada, maciças, composta por quartzo.
Em geral essas rochas apresentam textura granoblástica poligonal caracterizada por
ponto tríplice (Fig. 22). O quartzo (0,05 a 2,7mm) ocorre como cristais incolores,
anédricos, com extinção ondulante moderada a forte, pouco fraturados,
apresentando-se isolados ou em conjuntos granoblásticos de subgrãos
recristalizados, com contatos tríplices com ângulos de 120º.
48
Figura. 22 - Textura granoblástica poligonal definida por
cristais com ponto tríplice em quartzito puro.
4.6.3 Mármores
São rochas de coloração cinza escuro, granulação fina. Ao microscópio
petrográfico observa-se a textura granoblástica poligonal em que a calcita é o
mineral predominante formando cristais que mostram contatos irregulares a
semiretos entre si. Além da calcita, ocorrem raramente diopsídio e flogopita, além de
quartzo e opacos. Este último se concentra em faixas milimétricas e irregulares com
cristais anédricos a subédricos (Fig. 23).
A B
Figura 23- Em (A) Fotografia macroscópica do aspecto geral do mármore com vênulas
preenchidas por calcita. Em (B) Fotomicrografia de cristais de calcita em arranjo
granoblástico.
49
5 ANÁLISE ESTRUTURAL E TEXTURAL
Alguns aspectos são de extrema importância para analisar de que forma os
minerais se dispõe na rocha e como eles foram formados e muitas vezes destruídos.
A relação de contato, a forma e sua disposição em relação aos minerais podem
revelar condições de saturação ou supersaturação de processos posteriores a sua
formação, assim como contar a sua evolução. Para isso foram observados alguns
aspectos que serão descritos a seguir.
5.1 ESTRUTURAS DAS ROCHAS GABRÓICAS
As estruturas são preciosos indicadores das condições físicas e dinâmicas da
consolidação magmática. Elas retratam condições específicas que caracterizam a
consolidação de lavas e magmas, tais como a sua mobilidade, o escape de voláteis,
a velocidade de resfriamento, processos de diferenciação magmática e etc. Dentre
as principais estruturas encontradas nas rochas gabróicas pode-se destacar as
seguintes:
5.1.1 Estrutura xenolítica
Esse tipo de estrutura está ligada à movimentação de lavas e magmas.
Magmas durante sua movimentação são capazes de arrancar fragmentos das
rochas encaixantes, incorporando-os. Os fragmentos têm dimensões variadas, de
milímetros a centenas de metros e apresentam formas irregulares, poligonais,
ovaladas ou fusiformes. Seus contatos são ora nítidos, ora difusos quando
parcialmente digeridos pelo magma. Quando o magma por pressão hidrostática
fragmenta porções marginais das rochas encaixantes e invade ao longo das fraturas
geradas, origina brechas de contato ou brechas magmáticas (WERNICK, 2004).
Há ocorrencia de brechas magmáticas eveidenciadas nesse corpo intrusivo
gabróicos.São fragmentos de rochas encaixantes que foram incorporados pelo
magma no momento da intrusão, são xenólitos angulosos de rochas calcissilicaticas
e principalmente quartzitos que foram parcialmente digeridos pelo magma, restando
fragmentos que chegam a medir 10cm de comprimento por 6cm de largura (Fig.24).
50
Figura. 24- Estrutura xenolítica caracterizada pelos xenólitos angulosos dos quartzitos
englobados no momento da intrusão do corpo gabróico.
5.1.2 Bordas de resfriamento
Esse tipo de estrutura corresponde às porções marginais de corpos efusivos
ou intrusivos rasos. As bordas de contato apresentam granulação média a fina e
destacam-se da porção central do corpo rochoso, de granulação grossa. A
espessura da zona de contato é muito variável e depende de numerosos fatores, tais
como a espessura do corpo ígneo, temperatura do magma que lhe deu origem, a
diferença térmica entre o magma e as rochas encaixantes (WERNICK, 2004).
A assimilação de fragmentos de rochas encaixantes pelo magma no momento
da intrusão gerou bordas, sendo evidenciadas pelos contatos irregulares muitas
vezes sinuosos entre quartzitos e microgabros gerando franjas constituídas de
piroxênios e a anfibólios (Fig.25).
51
A B
Figura. 25- Em (A) e (B) xenólitos de quartzitos em microgabro com bordas
enegrecidas. (C) Fotomicrografia entre o contato entre os xenólitos de quartzitos e o
microgabro formando franjas de piroxênio e anfibólio.
5.2 TEXTURAS DAS ROCHAS GABRÓICAS
Pelo do arranjo entre os cristais das rochas analisadas em escala
microscópica foi possível identificar variações de granulação (fina, média e grossa
respectivamente) e texturais de litotipos (com texturas intergranular, ofítica à
subofítica). A principal textura desenvolvida nas rochas de granulação grossa
(gabro) é a Intergranular definida por minerais com quase todas as faces cristalinas
bem desenvolvidas e outras definidas por planos irregulares ou sem faces cristalinas
externas. Sendo assim, podem representar as porções mais internas dos corpos
52
intrusivos, onde o intervalo de tempo do resfriamento e cristalização foi maior.
(Fig.26).
Duas importantes hipóteses para a ordem de cristalização mineralógica foi
proposta por Vernon (2004). A primeira baseia-se no fato de que a inclusão parcial
ou total de um determinado mineral representa apenas a relação entre comprimento
e largura dos cristais, podendo o mineral hospedeiro ter sido nucleado antes ou
depois do mineral hospedado. A segunda propõe que os minerais inclusos ou
incluídos podem ser cristalizados juntos na curva dos sólidos apresentando assim, o
mesmo ponto eutético. Logo, os cristais de plagioclásio das rochas em estudo,
podem ter sido cristalizados antes ou a mesmo tempo que os cristais de
clinopiroxênio (Fig.27).
Em quase todos os litotipos foi possível observar a textura de
intercrescimento gráfico a granofírico (Fig.28) entre os cristais de quartzo e feldspato
alcalino; esta característica é indicadora de resfriamento rápido de rochas máficas.
Este tipo de textura ocorre em decorrência das taxas de crescimento e difusão dos
minerais de quartzo e feldspato alcalino em conseqüência da existência de outras
formas intercrescidas em cristalizações simultâneas, ou seja, a lenta difusão de
alumínio durante o crescimento de feldspatos proporciona o acréscimo de Si,
saturando o magma em quartzo gerando posteriormente um esgotamento de Si e a
saturação do feldspato gerando uma precipitação rítmica de ambos os minerais
(VERNON, 2004).
Figura. 26- Principais texturas das rochas gabróicas. (A) Intergranular. Cada
interstício da malha fachada de ripas de plagioclásio que se tocam é ocupado
apenas um cristal de piroxênio. (B) Subofítica. Vários interstícios da malha
fechada são ocupados por um mesmo piroxênio.
Fonte: Modificado de Wernick (2004).
53
Figura. 27- Desenvolvimento de textura ofítica pelo crescimento simultâneo, mas a taxas de
nucleação diferentes de piroxênio e plagioclásio. Cristais de Plagioclásio aumentam de
tamanho no sentido dos piroxênios.
Fonte: Modificado de Wernick (2004).
Figura. 28-Texturas granofírica e gráfica em microgabro granofírico. Formas
vermiculares, dendríticas, triangulares e irregulares.
54
6 DISCUSSÕES DOS RESULTADOS
Os gabros possuem uma variação na granulação, onde se percebe que varia
de grossa a fina, refletindo estágios de refriamento do corpo, sendo que o centro do
corpo uma granulação mais grossa enquanto que a borda uma granulação média a
fina. Outro fato importante de se ressaltar são as brechas magmáticas constituidas
de xenólitos centimétricos, angulosos de quartzitos, oriundos do Grupo Martinópole,
inclusos em uma rocha de granulação fina a média constituida basicamente por
plagioclásio e piroxênio. A maioria desses xenólitos apresenta bordas corroídas e
enegrecidas, devido a transmissão de calor do corpo gabróico, de temperatura
maior, para as rochas encaixantes, de temperaturas mais baixas. Em lâmina
delgada fica visivél que as bordas dos xenólitos aparecem corroídas nos minerais
mais susceptíveis à alteração.
A alteração de piroxênio para anfibólios fibrosos (tremolita-actinolita) é
designada de uralitização. A formação dessess anfibólios secundários é geralmente
atribuida a ação de soluções hidrotermais, que podem estar associadas às fases
tardias da cristalização das rochas ígneas , ou podem ser um pocesso posterior a
consolidação, não relacionado com a atividade ígnea a partir da qual, neste ultimo
caso, a uralitização pode estar associada com metamorfismo regional ou
metassomático (ZUSSMAN, 1981).
A presença dessas brechas é devido provavelmente a três estágios de
formação do corpo gabróico: O primero está relacionado com o 1° pulso magmático
que é representada pela fragmentação do corpo de rochas encaixantes através da
pressão do magma e dos voláteis incluídos no topo da camara magmática, ou seja,
o primeiro estágio pode ser caracterizado por um mecanismo essencialmente
fisíco,com quebra com ação da pressão do magma, incluído o efeito da diferença
térmica entre o corpo gabróico e as rochas encaixantes. O segundo estágio de
formação seria a penetração desses voláteis pelos intestícios entre os blocos
fragmentados e a reação entre as bordas dos blocos e os gases, ocorrendo corroção
na borda dos minerais mais susceptíveis a alteração. A percolação de gases pelos
espaços produzidos pela quebra (break-up) das rochas encaixantes no momento
anterior pode ser definido como um processo hidrotermal. O terceiro estágio de
formação refere-se a própria intrusão do magma nos espaços entre os blocos
fragmentados.
55
Em eventos posteriores de pulsos magmáticos, os processos se repetem, só
que o primeiro estágio de brechação, descrita anteriormente, as bordas do corpo
gabróico e as próprias brechas formadas no pulso anterior também se fragmentam,
gerando blocos de rochas gabróicas e até das próprias brechas em toda a extensão
da área.
56
7 CONCLUSÃO
A partir dos estudos envolvendo rochas plutônicas da Suite Parapuí, assim
como rochas do Grupo Martinópole, foi possivel verificar os contatos intrusivos com
a formação de brechas magmáticas e assimilação das rochas encaixantes
(calcissilicáticas, gnasses calcissilicáiticos e, principalmente, quartzitos).
A partir de observações de campo e análises de imagem de satélite e
cartográfica de mapas confeccionados durante os Estágios de Campo II da área em
estudo foi possivel confeccionar mapas geológicos da área estudada, assim como
estabelecer a relação de contato entre o corpo intrusivo gabróico e as rochas
encaixantes.
Essas rochas apresentam uma variação de granulação vindo de fina a grossa
possivelmente devido o grau de resfriamento do corpo gabróico. As rochas de
granulação grossa (gabros), representam as porções mais internas dos corpo
intrusivo, onde o intervalo de tempo do resfriamento e cristalização foi maior.
Já as rochas de granulação fina a média (microgabros) representariam os
estágios de resfriamento e cristalização rápida, evidenciando uma proximidade
maior da região de contato com as rochas encaixantes. Portanto, estas rochas
representam as porções mais superficiais do corpo ígneo intrusivo.
São rochas faneríticas, mesocráticas, equigranulares e possui textura
predominantemente intergranular possuindo uma variação de texturas ofítica a sub-
ófitica. São compostas essencialmente de plagioclásio, piroxenio e anfibólio muitas
vezes observa-se a presença de epidoto e clorita, sendo classificadas como:
Hornblenda gabro,Piroxênio-hornblenda gabro, Leucogabro (granulação grossa) e
Microgabro, Microgabro granofírico (granulação variando de fina a média).
A relação dessas rochas demonstram a íntima relação entre o magmatismo
ocorrido durante a abertura do Gráben Jaibaras, com a formação de rochas
intrusivas plutônicas, subvulcânicas e vulcânicas em um contexto onde
predominavam rochas metamórficas.
57
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ANEXOS
62
ANEXO A- Mapa geológico dos
gabros de Massapê
63
ANEXO B- Mapa de pontos
64
ANEXO C- Fichas Petrográficas
65
ANEXO D- Lista dos pontos com as
coordenadas geográficas
66
Banco de dados das amostras
Siglas Coordenadas UTM Litotipos
2009/Mass-01 348791 E/ 9611662 N Gnaisse calcissilicático
2009/Mass-02 348789 E/ 9611666 N Microgabro
2009/Mass-03 348778 E/ 9611677 N Contato entre o Microgabro e o Gabro normal
2009/Mass-04 348772 E/ 9611688 N Leucogabro
2009/Mass-05 348772 E/ 9611696 N Piroxenio-hornblenda gabro
2009/Mass-06 348803 E/ 9611611 N Gnaisse calcissilicático
Contato entre o gnaisse calcissilicático e o
2009/Mass-07 348768 E/ 9611581 N
Microgabro
2009/Mass-09 348746 E/ 9611572 N Brecha, zona de contato da rocha encaixante
Microgabro granofírico (Brecha magmática) e o
2009/Mass-10 348784 E/ 9611578 N
gnaisse calcissilicático
2009/Mass-11 349179 E/ 9611680 N Calcissilicáticas
2009/Mass-12 349240 E/ 9611656 N Calcissilicáticas e quartzitos
2009/Mass-13 349240 E/ 9611656 N Hornblenda-gabro
2009/Mass-14 348651 E/ 9611506 N Piroxênio- hornblenda gabro
2009/Mass-15 348640 E/ 9611534 N Microgabro
2009/Mass-16 348698 E/ 9611554 N Hornblenda-gabro
2009/Mass-17 348753 E/ 9611572 N Gnaisse calcissilicático
2009/Mass-18 348867 E/ 9611468 N Mármore
2009/Mass-19 349296 E/ 9611190 N Cemitério Morte lenta