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E costume dizer que
Brasil é um pais
catélico, No entanto,
co nimero de igrejas
tevangélicas na pais
tem ereseido cada
vez mais [o Censo de
2010 registra cerca
de 42 mithdes de
cevangélicos). Algumas
dessas igrejas so, na
verdade, muito antigas,
foutras mais recentes,
mas todas so protes-
tantes.
O que diferencia as
Igrejas protestantes da
Igrejacatstica?
190
Protestantesatacam Bourges, gravura do artista alemdo Franz Hogemiberg, século XV. Em
‘dezembro de 1569, topae protestantes tentaram tomar a cidade francesa de Bourges das
‘os dos [Link] particular.
A cena representada na gravura acima era um episédio comum durante
reformas religiosas no século XVI: 0s opositores do catolicismo atacaram as
igrejas em toda parte, inclusive porque uma das razbes das reformas estava
nna condenagao ao luxo do clero romano.
‘A ecloso das reformas religiosas transformou a paisagem politica e
cultural da Europa ocidental, principalmente da Franga, da Inglaterra e do
Sacro império Romano-Germanico.
Por isso, pode-se dizer que o século XVI foi um tempo de lutas sociais, em
que 0 sentimento religioso se misturava com ambicdes materiais, protestos
sociais e projetos politicos de varios tipos. Este capitulo vai contar como e por
que ocorreu esse processo,Luteroafisa suas 95 teses na catedral de utero 6 excomungade pelo paps Lede Xatravés
Wittenberg, condenando a venda deindulgéncia, | da bula Exsurge Domi
1617 1820
| >a Crise na cristandade
No inicio do século XVI, em varias partes da Europa, eram comuns procisses
de figis penitentes que, entre agoites € gemidos, suplicavam a Deus 0 perdio de
seus pecados. Essas procissdes lembravam as do século XIV, um tempo de peste €
de morte.
Essa atmosfera mérbida contrastava com o brilho do Renascimento, com a
busca de uma nova compreensio do mundo cristo. Assim, muitos europeus ini
ciaram 0 século XVI mergulhados em profunda desesperanca.
A ccistandade ocidental estava em crise. Entre 0 campesinato e as populagdes
urbanas, 0 estrago causado pela peste negra ainda era marcante. Isso inquietou 0
meio cclesidstico. Religiosos devotados & pureza da espiritualidade crista defen-
diam uma religiosidade mais sincera e intimista. Um exemplo foi Martim Lutero,
jovem monge alemao que se tornou lider da Reforma protestante.
Lutero foi porta-voz de criticas antigas contra os abusos do clero. O desvio
is condenado era 0 nicolaismo e, em segundo lugar, a prética da simonia,
A Igreja parecia indiferente a essas criticas, mergulhada na riqueza de Roma.
Os papas pareciam contentar-se em fazer valer os sacramentos, a autoridade dos
bispos nas dioceses e a dos padres nas paréquias. Esperava-se que cada fiel bati-
zasse 0s filhos, contrafsse matriménio com a béncao do paroco, fizesse a confissio
obtigat6ria na Quaresma, pagasse & Igreja o dizimo, as missas pelas almas no
Purgatorio, as indulgéncias. No inicio do século XVI, a Igreja dedicou-se, como
nunca, & venda de indulgéncias. Os vendedores asseguravam que quem pagasse
por elas teria seus pecados mortais abolidos, garantindo seu lugar ao lado de Deus.
Martim Lutero, monge agostiniano, foi o primeiro a se insurgir contra a venda
de indulgéncias, embora sua critica fosse mais profunda — expressava uma expec-
tativa de reforma geral da Igreja de Roma
OUTRA DIMENSAO WQHlRaU.y
Nicolaismo e simonia: os grandes desvios do clero
catélico
nicotaismo deriva da doutrina de um pregador chamado Nicolau
de Alexandria [Egitol, dos primeiros tempos do cristianismo. Defendia
que as relacées sexuais nao ofendiam a Deus. Assim, desde os pri-
mérdios da Igreja, muitos padres viviam casados e foram chamados de
“sequidores de Nicolau”.
AA simonia deriva de Simao, que teria vivido na Palestina. Segundo
0 relato biblico, depois de convertido ao cristianismo, ele ofereceu di-
nnheiro ao apéstolo Pedro para ter o poder de controlar o Espirito Santo.
0 termo simonia acabou associado a todo tipo de negociata ou tréfico
envolvendo assuntos e objetos sagrados.
Tanto a simonia como o nicolaismo tinham sido condenados na Ida~
mi
de Média pelo Il Concilio de Latro, em 1139. Mas essa condenaco Grayura de Mathias Gerung, de 15s
nada mudou. No inicio do século XVI, essa conduta desviante de parte
do clero era comum na cristandade europeia ocidental, sendo decisiva
para a eclosao da Reforma protestante.
Fepresentandooclero catlico em um
alder, Acrtica aos abusos do clero
tatélico se tornou tema da iconogeatia
[Link] particular.
+ D8 um exemplo tipico de simonia no contexto da Reforma luterana e justifique sua escolha.
oTLuter &banido do Sacro Império pelo Elite de Worms, utero traduz a Bila para oalemao.
‘mas € protegido pelo principe da Sax. -
192
p2 O desafio luterano
Em 1517, 0 papa Ledo X autorizou uma venda de indulgéncias. O principal ob-
jetivo era financiar a construgo da nova basilica de Séo Pedro, em Roma. Quando
chegou a Wittenberg, na atual Alemanha, o emissério do papa se viu em apuros,
pois Lutero teve a coragem de desafiar abertamente a Igreja, afixando suas 95 te-
ses na catedral da cidade. Em suas teses, ele criticava nao s6 as indulgéncias, mas
diversos abusos do clero que afastavam os fidis da Tgreja e, portanto, da salvagio
eterna. Foi 0 estopim para o inicio do movimento que acabaria conhecido como
Reforma luterana.
Latero nao desejava chegar ao extremo de romper com a Igreja. Contentava-se
com uma reforma interna, que fosse capaz de aproximar os fiéis da Igreja e dou-
triné-los em proveito da salvacao espiritual. Mas o alto clero reagiu, exigindo uma
retratacao de Lutero, que nao apenas desobedeceu & ordem como confirmou suas
posigdes criticas em relacao a Igreja.
‘A intolerancia da Igreja fez Lutero radicalizar suas posigdes. Em 1520, escreveu
textos decisivos, como O Papado de Roma (contra o papa) € 0 Cativeiro babil6-
nico da Igreja (contra a hierarquia eclesidstica), e abriu caminho para a ruptura,
© papado respondeu no mesmo ano com a bula Exsurge Domine, ameacando
Lutero de excomunhio. Este queimou a bul, precipitando a ruptura.
Em 1521, Lutero foi excomun-
gado pelo papa Leio X. Logo 0
imperador Carlos V convocou a
Dieta de Worms, assembleia encar-
regada de ouvir Lutero na expec-
tativa de que ele se retratasse, Mas
Lutero afirmou que manteria suas
conviegdes, a menos que alguém
provasse, com base nas Escrituras,
que estava errado.
Esta gravura do século XX
representa Lutero fixando as 95
teses na catedral de Wittombera,
na Alemanha, Colecée particular
A doutrina luterana
© pensamento reformista de Lutero pode ser resumido em trés doutrinas: a
justificagao ou salvagio pela fé, 0 sacerdécio universal e a infalibilidade da Biblia.
A primeira doutrina estabelecia que 0 bom cristo deveria, antes de tudo, ter f€
‘em Deus. Pouco importavam as boas obras que ele pudesse fazer na vida terrena para
salvar sua alma apés a morte. Segundo Lutero, a graca provinha da fé interior, no de
_gestos exteriores ou da compra de indulgéncias que enriqueciam clérigos corruptos.
‘A segunda doutrina estabelecia que todo bom cristo poderia ser pastor de seu
rebanho, desde que estudasse as Escrituras. Nao deveria haver separagao radical
entre 0 clero e a massa de cristaos.Lutero condena a revoltacampones pot Thomas Muntzere os “profetas
Henrique Vil rei da Inglaterra, solic
de Zwinkau”, movimento popular de Reforma religiosa canhecido come anabatism
| snulaeso de seu casamento com
AA terceira doutrina contrariava frontalmente o poder de Roma, porque, no
lugar da infalibilidade do papa, Lutero pregava a infalibilidade da Biblia, Dai a
necessidade de traduzi-la do latim para as linguas faladas pelos povos.
A doutrina luterana punha em xeque 0s sactamentos, exceto o batismo ¢ a
eucaristia celebrada na missa, pois os demais nao constavam da Biblia, Ela de-
safiava a hierarquia eclesidstica ao defender 0 sacerdécio universal, incluindo a
possibilidade de os pastores se casarem, pois Lutero considerava 0 celibato clerical
uuma hipocrisia. Contestava ainda o poder do papa, em favor da difusio da Biblia.
Lutero foi o primeiro a traduzir a Biblia para uma lingua vulgar (falada pelo povo)
—no caso, 0 alemio.
UTRA DIMENSAO WQHURLLTY
A Biblia de Lutero
A primeira traducao da Biblia foi para a lingua alema, o que possibilitou
a difuso da doutrina crist8 na sociedade, rompendo o monopilio da Biblia
em latim. Apés a Biblia de Lutero, vieram outras em diversas linguas, favo-
recendo a alfabetizacao na Europa protestante.
Fotha de rosto da terceir edicdo do Now
Testamento em aleméo, treduzido por
Merino Lutero, de 1525 Localizada no
Museu de Belas Artes da Basilea, na Suga
* Observe que a pagina de rosto da traducao alema do Novo Testamento
decorada com santos, provavelmente Sao Paulo e So Pedro. Discuta, em
grupo, se essa decora¢ao do Novo Testamento contradiz, de algum modo,
a proposta de reforma religiosa feita por Lutero.
Reforma consolidada
© sucesso da Reforma pode ser explicado, antes de tudo, pela obstinagio de
Lutero em defender seus princfpios. A invencio da imprensa no século anterior tam-
bém ajudou muito, ao permitir a répida difusio de ideias.
© apoio de diversos senhores feudais do Sacro Império Romano-Germanico
também foi essencial para o movimento. Eles queriam se livrar do poder ecle-
sidstico € também apoderar-se do vasto patriménio territorial da Igreja. Lutero
percebeu que a alianga com a grande nobreza Ihe seria valiosa e publicou, ainda
em 1520, um manifesto chamado Apelo a nobreza crista de nacao alema. Recebeu
grande acolhida e protecio, sobretudo do principe da Saxénia — Frederico III —
¢, mais tarde, de outros nobres.
Aliado 4 grande nobreza, Lutero rejeitou o radicalismo da pequena nobreza
que, empobrecida, se levantou contra os grandes principes do Sacro Império, em
1522. Pouco depois, em 1525, Lutero repudiou com mais veeméncia a revolta
camponesa que se alastrou pelo Sacro Império e condenou o campesinato, que via
na Reforma religiosa uma possibilidade de mudanca social no mundo terreno, nao
apenas depois da morte.
‘A Reforma se desdobrou em alas, sendo uma das mais radicais a dos chamados
anabatistas, que s6 admitiam 0 sacramento do batismo em idade adulta, por livre
escolha dos individuos.
193| Metanchonredigea ConfiséodeAugsburgo, | Anobrezaalema favordel 8 Relorma organza a Lig de Satkalds eval [Link]
Uscumentofundsdordalerejprotestante | [Link] orei Henrique Vil como het supreme dale anglican
1590
Um reformador radical
Thomas Muntzer nasceu na Sax6nia e foi ordenado padre catélico
em 1513. Aderiu @ Reforma protestante, mas em 1521 afastou-se de Lu-
tero por discordar do batismo das criancas & moda da lgreja, fundando
uma dissidéncia, conhecida por anabalista. Abandonou o celibato e em
1823 casou-se com uma ex-freira, Em 1525, liderou os camponeses na
revolta contra a nobreza feudal, reivindicando, entre outras coisas, 0
fim da servidao camponesa.
Comandando um exército de camponeses de cerca de 8 mil homens,
Muntzer foi derrotado na Batalha de Frankenhausen. Capturado por
1801
Em 1525, em nome da Reforma, Thomas Muntzer, seguidor de Lutero, liderou
uma importante revolta camponesa. Por meio dos Doze Artigos, exigiu livre elei-
Gio dos pastores, aboligao dos dizimos e da propria servidao. Lutero condenou 0
movimento anabatista, citando Cristo: “Quem usa a espada, morrera pela espa-
da”, ¢ os camponeses foram massacrados pela grande nobreza.
principes catélicos, renunciou ao luteranismo sob tortura, para no ser _Thomes Muntzer, gravuracolorizada
quelmado vivo. Foi decapitado em 27 de maio de 1525. do sbevlo XV, Coes
De acordo com 0 pensador alemao Friedrich Engels, Muntzer era um revolucionério que utilizava a
particular
linguagem bibtica para promover uma revolugao socialista em pleno século XVI.
194,
possivel afirmar que a Reforma luterana apoiou os senhores feudais ¢ foi apoiada por eles? Justiique
A paz de Augsburgo
Em 1529, os nobres alemaes que haviam abragado a Reforma luterana con-
firmaram sua op¢io na Dieta de Spira, convocada pelo imperador no intuito de
conveneé-los a recuar, submetendo-se a autoridade apostélica do papa. Por se ne-
garem a atender a esse apelo, foram chamados de “protestantes” por seus adversé-
rios catélicos — sendo essa a origem do termo para se referir aos movimentos de
Reforma religiosa do século XVI.
A radicalizacao das posigdes levou 4 guerra entre os nobres fiéis a Roma ¢ os
seguidores de Lutero, que, em 1531, fundaram a Liga de Smalkalde e desafiaram
0s rivais em campo aberto. O jovem Carlos V de Habsburgo, imperador do Sacro
Império Romano-Germanico, apoiou a causa de Roma e preferiu deixar de lado a
tradicional rivalidade do Império com 0 papado, para evitar a ruptura provocada
pela Reforma,
Lutero morreu em 1546, a0s 62 anos, sem ver o final dessa guerra. Ela termi-
nou somente em 1555, com a Paz de Augsburgo, ¢ consagrou o principio de Cujus
regio, ejus religio, isto é, a religiio do povo deveria ser a mesma seguida pelo
principe do lugar, fosse ele catdlico ou protestante. Philipp Schwartzerdt, mais co-
nhecido como Melanchton, foi quem redigiu, em 1530, a Confissao de Augsburgo,
documento que deu origem & primeira Igreja protestante: a Igreja Reformada da
Confissio de Augsburgo — nome oficial da Tgreja luterana.Calvin publica sua Istiuide Crist, langando as bases (papa Paulo atoriza@ Companhia de Jesus pela bula
de uma segunda reforms, Regiminis Mita Ecclesie.
[ps 0
>3 Sem medo da riqueza: Calvino
A Reforma luterana ainda estava no inicio quando surgiu o segundo grande lider
da Reforma protestante: Jodo Calvino. Nascido em 1509, na cidade francesa de
Noyon, Calvino estudou Teologia e Direito em Paris e Orléans, manteve contato
com humanistas ¢ luteranos ¢ tornou-se excelente latinista. Por volta de 1533 come-
cou a aderir 4 Reforma, colaborando no discurso do novo reitor da Universidade
de Paris, introduzindo nele ideias protestantes. Perseguido, o reitor se refugiou em
Basileia, na Suiga, O ambiente desfavorsvel a Calvino o levou também a buscar
abrigo na Suica, onde se dedicou aos escritos que originariam a segunda versio da
Reforma protestante,
(0 primeiro desses escritos foi a Instituigao Crista, publicada em latim, em 1535,
¢ ampliada vrias vezes pelo autor, além de traduzida para o francés. Nela, Calvi
no ndo apenas fez a defesa dos protestantes
perseguidos pelo rei francés Francisco I, mas
também expés sua doutrina reformista.
Calvino radicalizou a ideia de Lutero de
que a Igreja devia ser essencialmente invisi-
vel ¢ 0 pastor ndo devia ser mais que o de-
legado dos fiéis, compartilhando com eles 0
sacerdécio universal. A reforma de Calvino
se espalhou inicialmente na Sujca ¢ no sul da
Franca, ao estimular a organizagio de con-
gregacdes religiosas locais, independentes de
Roma. Mais tarde alcangou os Paises Baixos,
prevalecendo nas provincias do norte, ¢ a In-
laterra, onde permaneceu minoritéria,
Adoutrina de Calvino weet,
‘A doutrina original de Calvino era a de que todos os cristiios j4 nasciam pe-
cadores, cabendo somente a Deus decidir de antemao quais deveriam ser salvos ¢
uais deveriam penar eternamente no inferno. Desse modo, para Calvino de nada
valiam as “boas obras”, muito menos os sacraments. Nada que 0 cristo fizesse
em vida poderia salvar sua alma, que ja era predestinada pelo desfgnio divino a
salvar-se ou a perder-se. Assim como Lutero, Calvino negou a existéncia do purga-
trio, estagio intermediério para as almas pecadoras aliviarem suas culpas. Paraiso
ou inferno eram considerados os tinicos destinos possiveis.
O ccristdo deveria conduzir-se com retidao, ir a0 culto, obedecer As regras da co-
munidade, trabalhar honestamente, constituir familia, cuidar bem dos filhos, viver
conforme os ensinamentos da Biblia — comportamentos que sinalizariam a graca
divina, a prova de que Deus o havia escolhido para a salvagao. Os que agissem
‘mal, criminosos, vagabundos, ébrios, luxuriosos dariam provas por sua conduta
de que jé estavam condenados.
Quanto aos sacramentos, Calvino aceitou inteiramente apenas o batismo ¢,
em certa medida, a eucaristia. Ainda assim, nao a definiu nos termos do mistério
eucaristico (a transubstanciagao), segundo o qual o corpo de Cristo estava real-
mente presente na héstia e seu sangue, no vinho da missa. Ele considerava que
195(pape Paull criaa Congregarlo dalnquisicdoparacombatera | 0 papa Paull convoca o Concilo de Trento,
heresia protestant. ‘marco da Contrarreforma,
1542 1505
pio e vinho eram somente pao e vinho. Desse modo, o segundo “sacramento” do
calvinismo era a santa ceia, entendida como simbolo do sacrificio de Jesus e em
‘meméria dos beneficios que o seu martirio trouxe & humanidade.
Morto em 24 de maio de 1564, Calvino deixou um imenso legado e uma dou-
trina que se espalhou em varias partes da Europa. Por isso foi chamado de “segun-
do patriarca da Reforma”.
INVESTIGANDO 0 DOCUMENTO
Asalvacao da alma nas doutrinas protestantes
Os textos a seguir expdem a
atengio.
Texto1
jela de salvacdo da alma no lutera
mo € no calvinismo. Leia-os com
‘Aquele que ndo tem fé no pode tirar proveito de nenhuma boa obra para se justficar e assegurar sua salva-
‘60. Em contrapartide, ndo é nenhuma de suas obras més que o tornam mau nem o condenam, mas sua falta de
{6 que torna a pessoa e a drvore mé e que faz obras més e malditas. Por isso, para se tornar justo ou mau, nao
‘se comeca pelas obras, mas pela fé.
LUTERO, Martinho. A iberdade do cristo [1520], S80 Paulo: Escala, 2007. p, 38-39
Texto 2
Chamamos de predestinacdo ao eterno decreto de Deus com que determinou o que deseja fazer a cada um
dos homens: porque Ele nao cria a todos em uma mesma condicdo e estado; mas ordena a uns avida eterna e a
outros a perpétua condenacdo. Portanto, segundo o fim a que o homem é criado, dizemos que est predestinado
4 vida ou & morte.
CALVINO, Jodo, nstivicdo erst [1828], Séo Paulo: UNESP. 20082. p 380
‘+ Com base nos seus conhecimentos sobre as reformas religiosas, identifique qual ideia combina, embora
de formas diferentes, as doutrinas de Lutero e Calvino expostas nos trechos acima. Justifique.
pa Protestantismo e politica
A difusdo da Reforma protestante foi extraordinaria, produzindo varias cor-
rentes com diversos nomes — quase todas derivadas, em maior ou menor grau, das
verses luterana e calvinista.
‘A versio inglesa do calvinismo ficou conhecida como puritanismo. Na Franca,
6s calvinistas eram chamados de huguenotes — palavra que, para uns, refere-se a
Besancon Hugues, lider da revolta calvinista em Genebra (Suica) e, para outros,
deriva do termo alemao Eidgenossen ou confederados. Nos Paises Baixos, a maio-
ria dos protestantes eram calvinistas — embora houvesse faccdes rivais no seio
do que eles chamavam de “verdadeira religio crista”. Na Escécia, os reformados
foram chamados de presbiterianos.
fato é que a Reforma protestante rompeu o monopélio da Igreja de Roma no
Ocidente europeu, favoreceu a pulverizacio de igrejas cristis e provocou conflitos
sangrentos. Em toda parte, os seguidores de Roma acusavam os protestantes de
hereges, enquanto estes os tachavam de papistas ou idélatras.
istoria
no seu lugar
196Morte de Luter. Paz de Augsburgo efundagi0 da grea reformada 6a confisséo de
Augsburgo,
1346 885
Este mapa representa a expanso das
reformas protestantes.A Reforma luterana
{oi aque mais se expandiu,alastrando-se
pelos principados alemaes no norte do Sacro
Iimpério Remano-Germanico, aleancando a
Prissia, a Suécia @Transitvania [na atual
Roménia eaté mesmo a parte ocidental da
Rassia. 0 calinismo se refugiou em nicleos
|| como 0s Paises Baixos, Genebra
Ina atual Suga] e outros lugares indicados
‘no mapa como sendo de minarias religiosas,
‘a exemple dos huguenctes franceses.
icanismo predominoy na Inglaterra,
igrejacatdlics, por sua vez, manteve suas
posiedes, estendendo-se da peninsula
Ibérica a Kiev [Uerénial.
Fonte: KINDER, Hermann; ILGEMANN, Werner.
‘las Niatrco manda: de os rigenes,
Revolve Frances Made Edctones etna,
1970.9. 6
Reforma anglicana, uma decisdo do rei
No caso da Inglaterra, a Reforma partiu de cima. O rei Henrique VIII chegou a
condenar Lutero pelo estrago que provocara na Igreja. Em 1527, fez uma peticio
a0 papado para anular seu casamento com Catarina de Aragdo, de quem s6 teve
uma filha, a futura rainha Maria I da Inglaterra (quatro meninos morreram no
parto). A Igreja negou seu pedido, mas o rei teimou em se casar outra vez, com sua
amante Ana Bolena, repudiando Catarina e rompendo com Roma.
Em 1531, o clero de Canterbury, sede de um dos principais arcebispados da
Inglaterra, proclamou o rei como “tinico protetor, tinico senhor e chefe supremo
da Igreja ¢ do clero na Inglaterra”. No ano seguinte, 0 rei proibiu que as rendas
eclesidsticas do reino fossem enviadas a Roma.
‘A reagio da Igreja foi implacavel: em 1533, excomungou o rei e a nova rainha
da Inglaterra, mas foi uma reacio tardia e imétil. © Ato de Supremacia, publicado
pelo Parlamento, tornava Henrique VIII o chefe da Igreja na Inglaterra, a partir de
entio conhecida como anglicana, com ritual e hierarquia eclesistica semelhantes
A catélica, porém subordinada ao rei.
Henrique VIII também expropriou os bens da Igreja, que foram colocados em
leildio, dando base econémica para a nascente gentry — nobreza de segundo es-
caldo cada vez mais enriquecida. Nos anos seguintes, muitos conflitos religiosos
abalariam o pafs, ¢ a Igreja anglicana passaria a perseguir os puritanos e demais,
dissidentes da religiao oficial. Apesar da crise, a Coroa ainda saiu fortalecida.
197Sinodo dalgrja francesa, em Paris, el Confissio de La Rochelle, | Fim do Concli de Trento,
Ge inspiracaocalinista,
1589
SiRGHB »reuniso de
adeptos de uma religio,
Sobreaslutespoliticasereigio
sas na Franga, ver capitulo 14
198
‘ea
Huguenotes na Franca
Na Franca, os conflitos entre catélicos e protestantes foram mais draméticos
€ se misturaram completamente com as lutas politicas que assolaram o pais no
século XVI. Ao contrario da Inglaterra, a Reforma francesa partiu da sociedade
seguiu a linha de expansao do calvinismo, irradiando-se pelo sul. Mas se espalhou
também pela Normandia, a0 norte, e teve em Paris um de seus principais niicleos.
Os conflitos foram contidos até certo ponto enquanto durou o reinado de Francis-
co I. Monarca da dinastia de Valois, em 1516 ele obreve pela Concordata de Bolonha
as liberdades galicanas — o galicanismo — que conferiam ao rei certo poder sobre a
Igreja na Franca, sem romper com Roma, Porém, nos reinados seguintes, EIGHB pro-
testantes foram realizados em varias cidades, e os huguenotes se fortaleceram.
© apoio social dos huguenotes era bastante amplo: grupos populares, parte da
burguesia mercantile da nobreza, a exemplo dos Bourbon. Mas, do lado catdlico,
(os mesmos grupos sociais se faziam presentes. A Casa dos Guise, da nobreza ultra-
catélica, divulgava o lema “Une foi, une loi, un roi” (“Uma fé, uma lei, um rei”).
Em 1560, com a menoridade do rei Carlos IX, ento com 10 anos, a regéncia pas-
sou a Catarina de Médici, sobrinha do papa Clemente V, que tentou conciliar 0s a
mos e publicou o Edito de Tolerancia, em 1562. Outorgava aos protestantes o direito
de seguir seu culto, desde que a organizacio das igrejas recebesse autoriza¢io real.
De nada adiantou o esforco da regente Catarina, e a crise desembocou na guer-
ra.A cidade de La Rochelle, de maioria huguenote, chegou a ficar sob cerco. Nas
ruas de varias cidades, protestantes debochavam dos santos catélicos, destruiam
imagens sagradas e invadiam igrejas, enquanto os catélicos também reagiam. O
epis6dio mais dramatico ocorreu em 23 de agosto de 1572: a Noite de Sao Bar-
tolomeu, na qual, em varias cidades francesas, milhares de protestantes foram
mortos em uma trégica vinganca catélica.
A crise se alastrou pela corte. Em 1574, Carlos IX morren envenenado, e seu
irmAo e sucessor, Henrique III, foi assassinado em 1589. Assumiu entio Henrique
TV, rei de Navarra (norte da Espanha), casado com Margarida de Valois e ligado
aos protestantes da Casa de Bourbon. O papado tentou invalidar seu direito a
sucesso, mas nao teve éxito. Cauteloso, Henrique IV repudiou o protestantismo,
em 1593, e pediu perdao ao papa. Porém, em 1598 promulgou o Edito de Nantes,
proclamando a liberdade de culto na Franca.
Em resumo, no caso da Franga, a tenaz resisténcia dos catélicos nao impediu a
firme expansio do calvinismo. Na pritica, a Franca ficou dividida entre religides
rivais, cujas guerras travadas entre elas, misturadas com a politica, retardaram 0
processo de centralizagéo da monarquia.
Calvinismo e independéncia nos Paises Baixos
Politica e religiao também se misturaram no caso dos Paises Baixos, organiza-
dos em 17 provincias que correspondiam aos atuais paises da Bélgica, Holanda e
parte de Luxemburgo. Em sua maioria, eram provincias pertencentes a casa dos
Habsburgos, catdlica, que reinava no Sacro Império e na Espanha. calvinismo
se expandiu em vérias dessas provincias, sobretudo na Holanda, base de uma vi-
gorosa burguesia mercantil. O quadro se agravou com a ascensao de Felipe II ao
trono espanhol, em 1556, que herdou os Paises Baixos de seu pai, Carlos V. Sua
dura politica fiscal e intolerancia com os calvinistas acirraram as
catélicos e protestantes, levando-os a entrar em guerra.
A repressao espanhola, comandada pelo Duque de Alba, foi sangrenta: saques,
violéncia, mortandade. Os calvinistas reagiram, organizaram um forte exército ¢| Morte de Calvino. ‘Massacre dos huguenctes franceses na Noite de So Bartolomeu.
1868 1572
as
resistiram aos espanhéis. Em 1579, deu-se a negociacZo: dez provincias permane-
ceram catélicas, constituindo a Unido de Arras, enquanto as sete provincias calv:
istas proclamaram sua prépria federa¢ao com a Unido de Utrecht.
calvinismo triunfou em provincias mercantis, em especial a Holanda, que
no tardaria a se expandir pelos mares. A Igreja de Roma perderia mais um impor-
tante territ6rio. A Espanha catdlica ganhou um inimigo poderoso.
SE ely
0 sentido da Reforma protestante
‘A Reforma protestante nasceu e se expandiu
em uma época de profundas transformacées eco-
némicas — expansio dos paises europeus pelos
mares, crescimento da economia, dissolucao da
servidao e fortalecimento do trabalho assalaria-
do. Por isso, no século XIX, 0 filésofo alemao Karl
Marx, que concebeu o materialismo histérico, con-
siderou a Reforma como "
No inicio do século XX, o soci Max
Weber destacou que a ética de certas correntes
protestantes, a exemplo do calvinismo, era porta-
dora do “espirito do capitalismo”, uma vez que ndo
rejeitava 0 comércio e a usura, além de enaltecer
‘© trabalho, a poupanga e a riqueza material como
sinais da graga divina,
Outra questao interessante diz respeito a re-
lacdo entre Reforma e absolutismo. Afinal, a0
romper o monopétio do papado na Europa ociden-
tal, a Reforma teria aberto caminho para o forts
lecimento de reis e principes. Mas essa relacao
86 é mais nitida no caso inglés, pois Henrique Vill
sua principal herdeira, Elizabeth |, fortateceram
de fato a monarquia apés fundarem a Igreja an-
glicana.
Na Franca, a0 contrério, a expansao do calvi-
nismo merguthou o pais em guerras religiosas
enfraqueceu a monarquia. Nos Paises Baixos, a
Reforma favoreceu a independéncia das provin-
cias rebeldes, mas nao o absolutismo. As princi-
pais monarquias do século XVI, a portuguesa e a
espanhola, nao sé eram catélicas, como foram ba-
luartes da Igreja de Roma.
A conclusao ¢ a de que a Reforma influenciou
as transformacdes econémicas e politicas defla-
gradas no século XVI. Por vezes, reforcou 0 ab-
solutismo e favoreceu a formacao do capitalismo,
como na Inglaterra. Em outros casos, retardou
ambos. Além disso, a adesao ao protestantismo
1o foi opcdo de nenhum grupo social em particu-
lar, que nobres, burgueses, camponeses e arte-
80s aderiram & Reforma em certos paises, mas
permaneceram catélicos em outros.
+ Contraponha a seguinte frase do historiador Lucien Febvre a respeito da Reforma protestante — "Ha que
buscar causas religiosas para uma revolu¢ao religiosa” — as interpretacdes de carSter saciolégico expos-
tas no texto desta seco.
Ds Areacado dogmatica: a Contrarreforma
catélica
AA Igreja custou a acordar do golpe que Ihe foi desferido em quase toda parte,
embora tenha lutado para conter Lutero desde o inicio. Porém, quando o papado
se levantou, foi com vigor. Em 1542, 0 papa Paulo Ill criou a Sagrada Congrega-
‘do da Inquisicéo Universal, reestruturando uma institui¢ao de origem medieval
de combate as heresias, com 0 objetivo de livrar 0 mundo catdlico do movimento
protestante. A Inquisicio processou muitos hereges e mandou queimar alguns de-
les. Reforcou suas aliancas com as poderosas monarquias catdlicas de Portugal e
da Espanha e, em 1545, convocou 0 Coneilio de Trento — o mais longo concilio
da Igreja catdlica, s6 concluido em 1563.
199Provincias calvinistas dos Palses Baiostriunfam contra Henrique V promulgaoEtite de Nantes, reconhecendo a liberdade
‘2 Espanha eformam a Unigode Utrecht se cutona Franca
1879 1598
OUTRA DIMENSAO eURIU-TN
Intolerancia religiosa e caca as bruxas
Um dos maiores combates travados pelas Igrejas — catélica e protestante — foi contra o deménio.
Desde 0 século Xll, 0s tedlagas viam demdnios em toda parte e redigiam varios manuais de caca 8s bru-
xa, Com isso, igrejas e reinos se langaram a um combate sem tréguas contra o deménio, envolvendo
tanto os catélicos como os protestantes. 0 apogeu da caca 4s bruxas ocorreu nos séculos XVI e XVII
Nessa época se aprofundou um tipo de conhecimento especial para o combate a bruxaria conhec
do como demonologia. Religiosos e juristas, conhecidos como demonélogos, publicaram obras que des-
creviam com detalhes as formas como 0 deménio se
manifestava para se apossar da alma dos individuos
# estabelecer pactos diabélicos. Detathavam também
como era a missa negra ou sabé das bruxas.
Essas ceriménias nao existiram da maneira como
foram descritas pelos demondlogos. Em muitos ca-
505, eram apenas ceriménias populares para garan-
tir boas colheitas. Em outros, eram curandeiros que
faziam pocées para tratar de doentes ou para faciltar
encontros amorosos.
‘A caca as bruxas foi intensa no século XVI, sobre-
tudo na Franca. Na Lorena, entre 1576 e 1591, 900
pessoas foram condenadas & morte por bruxaria, em
geral queimadas ou enforcadas.
Nesta imagem de Francisco Goya, um dos expoen-
tes da pintura espanhola na século XVlll, 0 diabo, na
figura de um bode, € alvo de grande veneracio.
O sabé das fiiceiras lc. 1797-1798), de Francisco Goya
Museu do Prado, Madri, Espanta,
* Em grupos, analisem a imagem e respondam
al Como caracterizar 0 piblico devotad 20 diabo?
b) Qual é o papel da crianea que uma das devotas segura em suas maos? Pesquise.
A Companhia de Jesus
A expansio do catolicismo foi, de todo modo, extraordinéria nas regides ocu-
padas pelos ibéricos e se reforgaria muito nos paises figis ao papa. Nessa cruzada
espiritual, a Companhia de Jesus se destacou, acima de todas, autorizada pelo
mesmo papa Paulo Il em 1540.
Fundada por Inacio de Loyola, que acabou sendo canonizado, a Companhia de
Jesus seria a ordem-modelo da Contrarreforma. Diferentemente da maioria das or
dens mondsticas medievais, os jesuitas ou inacianos nao se contentavam em abrigar
‘monges ansiosos em salvar a propria alma, mas buscavam salvar as almas alheias,
com disciplina, método e fidelidade total 20 papa. Nao por acaso, 0 futuro santo
Inacio definia seus seguidores como “soldados de Cristo”, cujo lema era claro, es-
crito em latim: “Ad majorem Dei gloriam”, isto Para a maior gloria de Deus”
200OUTRA DIMENSAO Waser ra)
O lider dos jesuitas
| Indcio nasceu em 1491 na cidade de Loyola, Espanha, sendo batizado como Ifigo Lopez. Eraocacula de
uma familia com treze filhos. Em sua juventude, serviu a um nobre castelhano, como secretario, e depois
‘a0 vice-rei de Navarra. Pegou em armas na guerra de Navarra, auxiliada pela Franca, contra as preten-
ses anexionistas do reino de Aragao, que governava a Espanha ao lado de Castela.
Feridona batatha de Pamplona, em 1621, dedicou meses a leitura de obras religiosas. Foi entdo que se
decidiu por seguir carreira religiosa. Estudou latim, fez peregrinagao a Jerusalém, em 1523. Estudou na
Universidade de Alcalé e lecionou em outras universidades até fundar o Colégio Santa Barbara, em Paris,
destinado & educacao de nobres espanhéis e portugueses.
‘Aatuacao de Indcio de Loyola chegou a atrair suspeitas da Inquisic0, na época muito atenta as possiveis
heresias, por causa da Reforma luterana. Nada se provou contra ele, que fundou a ordem retigiosa mais
importante da Contrarreforma: a Companhia de Jesus, em 1534, Uma ordem combativa das reformas pro-
| testantes, defensora da autoridade do papa e, desde entao, empenhada na catequese nas dreas dominadas.
pelos monarcas ibéricos em todo o mundo. Concitava os companheiros jesuitas a expandirem 0 catolicismo
pelo mundo como “soldados de Cristo”. Indcio morreu em 1556, aos 55 anos, e foi canonizado em 1622.
+ Amilitarizacdo da Igreje acentuou-se desde as Cruzadas, na baixa Idade Média, quando diversas ordens
militares foram criadas para combater os muculmanos no Oriente. Foi o caso da ordem dos Cavaleiros
Templérios, fundada no século XIl, Discuta em grupo as semethancas e diferencas entre os “soldados de
Cristo” medievais e os jesuitas.
IMAGENS CONTAM A HISTORIA
Odio religioso na Franca: o massacre de Sao Bartolomeu
Observe a imagem a seguir.
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Fick \ Sa ie
‘ANoite de Sao Bartolomeu, pintura de Francois Dubois 11529-1584), Museu Cantonal de Belas Artes, Lausanne, Sug.
1. Analise a pintura, datada do século XVI, descreva-a e discuta em grupo qual seria a escolha religiosa do
pintor,
2, 0 massacre dos protestantes na Noite de Sao Bartolomeu pode ser definido como “genocidio religioso"?
Justifique sua resposta.
201Roteiro de Estudo
» Para organizar
1. As trs principais doutrinas de Lutero eram a justi-
ficagao ou salvacao pela fé, o sacerdécio universal e
a infalibilidade da Biblia, Como essas doutrinas con-
80. Comente essa doutrina comparando com o que
a Igreja catélica defendia le defende] em relacio &
salvacao das almas.
trariavam as crencas do catolicismo romano? ‘ A a ;
6. Discuta as possiveis relagdes entre a expansio do
protestantismo na Europa e o surgimento das mo-
narquias absolutistas.
3. Por que a doutrina defendida por Thomas Muntzer 7, Indique o fato histérico que marca o inicio oficial
ficou conhecida come anabatismo? da reacéo catélica & expansio do protestantismo &
identifique pelo menos dois aspectos dessa reacao.
2. Qual grupo social deu suporte politico & Reforma lu-
terana e por qué?
4, Relacione a Reforma luterana aos conflitos sociais
oul erise Deemrarich no sicolo 8. Como a Igreja combateu o que considerava “exces-
A principal caracteristica do calvinismo, sob o ponto 0s” da religiosidade popular no tempo das Refor-
de vista teolégico, residia na doutrina da predestina- mas?
Intolerncia religiosa
‘As Reformas protestantes e as reacdes catélicas explicitaram o problema da intolerancia religiosa
latente na cristandade europeia ocidental desde o final da Idade Média. Mas a intolerncia religiosa atra-
vvessou os séculos e continua a se manifestar em todo o mundo.
1. Em junho de 2015, uma menina candomblecista de 11 anos foi apedrejade por dois cristéos. Ela estava
vestida de branco e havia acabado de sair do culto. Por esse motivo, foi agredida e insultada, Sua avé
prestou queixa na policia do Rio de Janeiro.
Discuta com os colegas 0 episédio relatado acima considerando @ questo da intolerancia religiose e
proponha solucdes para evitar que atos como esse voltem a ocorrer.
2, Identfique algum processo no mundo contemporaneo que demonstre a persisténcia de atitudes de
intolerancia no campo religioso.
p> vamos testar?
1. (FOV/SP-2014)
Leia o texto a seguir.
Adepto de Wycliff, o tcheco Jan Hus [1369-1415] atacou,
‘em 1402, 0 lero catdlico, denunciando-o como um conjun-
John Wycif (1320-1384) propunha 0 retorno @ uma 10 de ‘principes no espirituais, verdadeires potentados
lareja pura, pobre, defensora de ums economia coletiva 0. terrestres. ..] Considerado herético, foi condenado 8 mor-
inglés Wyclff era contra as propriedades da lgreja, 0 que ‘€ 2 fogueira (1415),
também desagradava 8 burguesia nascente, defensora
‘exatamente da propriedade. Suas idelas reformistas ali-
‘mentaram as insurrei¢ées Camponesas de 1361, das quais _Diferentemente de John Wylie Jan Hus, Martinho Lutero
participou pessoalmente. Foi excomungado em 1382. As 80 eve o mesmo destino trégico, ainda que fzesse criticas
critices de Wyclif deixaram marcas em seus discipulos, préximas aos heréticos das séculos anteriores, Essa condi-
sobretudo porque ele era contra as indulgéncias [..). Mas S80 de Lutero deveu-ce:
ele era também contra os sacramentos, contra os santos e al & proteclo que recebeu de uma parte dos principes ale-
propunha ainda uma reforma dos costumes politicos... mes, que queriam os bens da lgreja, e das condicdes pa
202
OTA, Carlos Guilherme.
Historia moderna e cantemporénes, 1987ticulares da Alemanha ainda no unificada, onde os cam-
pponeses questionavam os tributes e as obrigacSes servis.
18 radical ligacdo com os setores marginalizados da so-
ciedade alems, como os camponeses e os trabalhadores.
das cidades, desvinculados das corporardes de oficio &
independentes dos senhores urbanos.
cl Asuacapacidadeemconciliararigidezdosdogmas docris-
tianismo medieval comum mundoem eterna mutagao, a:
sociando teacentrismo aos modelos de ciéncia moderna,
| d.a0 reconhecimento que fez dos hereges medievais, como
criticos ingénuos e ineficazes na questio do poder politi-
co do alta clera romano, em especial, o papa.
1 8 sua aceitacdo pela nobreza alema, devido & proposta de
separacdo entre as coisas do Estado e as coisas da religido,
ue interessava especialmente a essa camada socal.
2. (Enem-2003)
Jean de Léry vveu na Franga na segunda metade do século
XVI época em que as chamadas guerras de religido opuse-
ram catdicos e protestantes. No texto abaico, ele relata 0
cerco da cidade de Sancerre por tropas catdlicas:
-] desde que os canhées comecaram a atirar sobre
'n6s com maior frequéncia, tornou-se necessério que todos
dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim
um leito feito de um lencol atado pelas suas duas pontas
€@ assim fiquei suspenso no ar, maneira dos selvagens
americanos (entre os quais eu estive durante dez meses)
‘0 que foi imediatamente imitado por todos os nossos sol-
‘dados, de tal maneira que a caserna logo ficou cheia deles.
‘Aqueles que dormiram assim puderam confirmar 0 quan-
to esta maneira é apropriada tanto para evitar os vermes
‘quanto para manter as roupas limpas I.)
Neste texto, Jean de Léry:
a} despreza a cultura e rejeita o patriménio dos indigenas
americanos.
bl revela-se constrangido por ter de recorrer a um invento
de “selvagens”
cl reconhece @ superioridade das sociedades indigenas
americanas com relago aos europeus,
dl valoriza 0 patriménio cultural dos indigenas americanos,
adaptando-o s suas necessidades.
cl valoriza os costumes dos indigenas americanos porque
eles também eram perseguidos pelas catélicos,
3. (Objetivo-2009)
0 calvinismo afirma que, sendo um bom cristéo, seguindo
rigorosamente os preceitos biblicos e trabathando muito, 0
fiel prova a si mesmo que foi um dos escolhidos por Deus.
Sendo assim, o sucesso no trabalho e a consequente acu:
mulacdo de riqueza poderao ser um indicio de que ele esta
predestinado salvacdo eterna,
Assinale a alternativa incorreta 2 respeito do calvinismo,
al Expandiu-se por varios paises da Europa, encontrando
grande aceitaco dentro da burguesia.
| Rejeitava a prética da usura e obtencao do lucro, conside-
rando-as corruptoras da alma,
] 0 comportamento do fiel ndo depende de sou live-arbi-
trio, mas da determinacao divina
dl Os padrées éticos do calvinisma representam uma ade-
quacdo da doutrina cristé as praticas capitalistas,
¢] Impunha aos figis uma rigida disciplina moral, valorizan-
do otrabatho, a poupanca e a temperanca
Histéria e Lingua Portuguesa
A primeira Biblia em portugués
Algreja catélica proibia a publicacao da Biblia em linguas vernaculas, ou seja, na lingua nativa de cada
pais ou regio, sendo esta impressa apenas em latim e privativa aos sacerdotes.
Durante a Reforma religiosa, esse fato foi questionado por Martim Lutero, que acreditava na impor-
tancia da quebra da barreira ling)
istica para a compreensao dos textos biblicos. Por essa razao, Lutero
traduziu a Biblia para o alemao. A partir de entdo, versdes em outros idiomas comecaram a surgir.
De maneira geral, nos paises que adotaram o protestantismo (ou nos quais teve lugar algum ramo pro-
testantel, a leitura da Biblia representou fator essencial para a alfabetizacao das classes populares. Nos
paises predominantemente catélicos, aalfabetizacao da populacao acabou sendo um processo mais lento,
* Quando foi publicada a primeira traducao da Biblia em lingua portuguesa? Pesquise.
203