Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais
PJe - Processo Judicial Eletrônico
19/06/2023
Número: 6047346-08.2015.8.13.0024
Classe: [CÍVEL] PROCEDIMENTO SUMÁRIO
Órgão julgador: 9ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte
Última distribuição : 23/06/2015
Valor da causa: R$ 34.569,00
Assuntos: Pagamento
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Advogados
HIDROELETRICA CONSTRUCOES E SERVICOSLTDA - ME
(AUTOR)
FELIPE PRATES ROZENBERG (ADVOGADO)
HERCULES GUERRA (ADVOGADO)
CLAUDIO ANTONIO MENDES (RÉU/RÉ)
ANA MARIA FERREIRA DE LARA RESENDE (ADVOGADO)
NEUZA MARIA APARECIDA MENDES (RÉU/RÉ)
ANA MARIA FERREIRA DE LARA RESENDE (ADVOGADO)
Outros participantes
DARLAN ULHOA LEITE (PERITO(A))
Documentos
Id. Data da Assinatura Documento Tipo
9833521955 15/06/2023 18:36 Sentença Sentença
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Justiça de Primeira Instância
Comarca de BELO HORIZONTE / 9ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte
PROCESSO Nº: 6047346-08.2015.8.13.0024
CLASSE: [CÍVEL] PROCEDIMENTO SUMÁRIO (22)
ASSUNTO: [Pagamento]
AUTOR: HIDROELETRICA CONSTRUCOES E SERVICOSLTDA - ME
RÉU/RÉ: CLAUDIO ANTONIO MENDES e outros
I – RELATÓRIO
HIDROELÉTRICA CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA. – ME
ajuizou a presente ação de cobrança em face de CLÁUDIO ANTÔNIO MENDES e
NEUZA MARIA APARECIDA MENDES, qualificadas.
Alega que foi contratada para prestar serviços de reforma no imóvel dos
réus pelo valor inicialmente orçado de R$43.809,00, o qual foi posteriormente reduzido
para R$41.609,00, por ter sido excluída do contrato a reforma do quarto e do banheiro de
empregada.
Afirma que, no decorrer da prestação de serviço, foram surgindo novos
defeitos no imóvel dos réus, pelo que a autora efetuou outros serviços não previstos no
contrato original, como retirada de armários embutidos e tratamento de paredes com
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 1
infiltração; demolição de paredes e instalação de marco e portas; retirada de pisos de
madeira e assentamento de porcelanato; e alteração na rede elétrica e instalação de pontos
de tomadas, TV e telefone.
Destaca que os réus foram alertados sobre o aumento do escopo do contrato
e nunca se opuseram em ajustar posteriormente o orçamento.
Assevera que houve acréscimo de R$28.960,00 ao valor do contrato, que
passou a totalizar R$70.569,00.
Aduz que os réus pagaram apenas R$36.000,00, mas se recusam a quitar o
restante de R$34.569,00.
Ao final, pede que os réus sejam condenados ao pagamento da quantia de
R$34.569,00 (trinta e quatro mil, quinhentos e sessenta e nove reais).
Os réus apresentaram a contestação de Id nº 10829753.
Preliminarmente, impugnam o valor atribuído à causa.
No mérito, alegam que o valor inicialmente orçado foi, na realidade, de
R$40.109,00, ao passo que a autora disse que, em razão de um erro, foi acrescido valor no
contato, que passou para R$43.809,00.
Argumentam que nunca houve repactuação quanto ao preço dos serviços,
mas que a autora disse que prestaria serviços em lugar de outros excluídos do escopo
inicial, sem acréscimos.
Afirmam que apenas não foi quitada a última parcela, referente a 10% do
valor do contrato, em razão de desacordos no fechamento dos trabalhos.
Destacam que foi realizado pagamento de R$3.442,10 para conta pessoal de
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 2
uma sócia da autora, que assim solicitou expressamente em e-mail.
Reiteram que está pendente de pagamento apenas o importe de 10% do total
ajustado, já que os réus quitaram R$39.442,10.
Argumentam que o restante não foi pago em razão de alguns serviços terem
sido rejeitados.
Aduzem que os funcionários da autora quebraram tudo, mesmo aquilo que
não estava abrangido pelo projeto, o que onerou os réus.
Alegam que nunca foram comunicados sobre os supostos defeitos existentes
no imóvel, mas informam que tomaram ciência apenas da existência de mofo atrás do
armário de um dos quartos.
Impugnam cada uma das cobranças individualizadas pela autora.
Alegam que notificaram a autora quanto à necessidade de alguns serviços
serem novamente executados, mas foram ignorados.
Reconhecem como devido o pagamento de apenas R$880,00.
Destacam que adquiriram vários materiais que deveriam ter sido comprados
pela autora, que, inclusive, danificou-os.
Sustentam que a autora não supervisionou adequadamente as obras.
Argumentam que é devida a recusa quanto ao pagamento pleiteado, como
consequência da exceção do contrato não cumprido.
Ao final, pugnam pela improcedência do pedido e pela condenação da
autora ao pagamento de multa por litigância de má-fé.
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 3
Os réus apresentaram também a reconvenção de Id nº 10830574, pela qual
pedem a condenação da autora à restituição das quantias de R$8.000,00 (oito mil reais),
referente a aluguéis pagos em razão de atraso na entrega da obra; R$12.422,14 (doze mil,
quatrocentos e vinte e dois reais e quatorze centavos) por materiais comprados pelos réus,
mas de responsabilidade da autora; R$110,00 (cento e dez reais) pelos serviços de faxina;
R$1.400,00, relativa a problemas de vazamento de água na área de serviço e no hall de
escada e recomposição e pintura da parede danificada pelo vazamento; R$13.076,00 (treze
mil e setenta e seis reais), referente a mão-de-obra para reexecução dos serviços mal
executados e não realizados pela autora; R$3.708,66 (três mil, setecentos e oito reais e
sessenta e seis centavos), referente a 84m2 de revestimento de parede da cozinha e da área
de serviço assentados com imperfeição; R$2.190,45 (dois mil, cento e noventa reais e
quarenta e cinco centavos), a título de multa contratual; e a compensação da quantia de
R$880,00 (oitocentos e oitenta reais).
Réplicas em Id nº 25611279 e 32846020.
Decisão de saneamento em Id nº
52957640.
Laudo pericial em Id nº 6518818074 e esclarecimentos em Id nº
8315088025.
Ata de audiência em Id nº 9805727096.
Memoriais em Id nº 9825772970 e 9826185341.
II – FUNDAMENTAÇÃO
II.I – IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA
Sem razão os réus em sua impugnação ao valor da causa.
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 4
Com efeito, o valor atribuído à causa pela autora corresponde exatamente ao
montante pretendido a título de condenação dos réus, pelo que foi observada a regra do art.
292, inciso I, do CPC.
No mais, os fundamentos apresentados pelos réus demostram apenas a
discordância do total cobrado pela autora e nada se relacionam exatamente com as regras
de fixação do valor da causa.
Destarte, rejeito a preliminar.
[Link] – MÉRITO
Presentes os pressupostos processuais, a legitimidade das partes e o interesse
de agir. O processo encontra-se regular e não há nulidades a serem sanadas. Ausentes
preliminares pendentes, passa-se ao exame do mérito.
Trata-se de ação de cobrança, por meio da qual a autora pede que os réus
sejam condenados ao pagamento da quantia de R$34.569,00 (trinta e quatro mil,
quinhentos e sessenta e nove reais).
A existência de relação jurídica entre as partes é incontroversa, relativa a um
contrato de empreitada global, pelo qual a autora se comprometeu a efetuar reformas no
imóvel dos réus.
Também é incontroverso que os réus realizaram pagamentos, ao passo que
também já admitiram desde logo na defesa ser devido o pagamento de R$880,00 que
compõe os pedidos iniciais.
Porém, as partes controvertem quanto à exigibilidade dos valores restantes
ora cobrados pela autora e quanto à aparente situação de descumprimento contratual
também pela autora, tanto no que se refere à execução de serviços não acordados, como no
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 5
relativo a serviços prestados com defeito.
Inicialmente, a fim de esclarecer as questões fáticas relativas ao contrato e
aos serviços, foi produzida prova oral em audiência.
Primeiramente, prestou depoimento a testemunha Adriana Pego. Disse que
intermediou a contratação da autora para prestar serviços no imóvel dos réus; que Miguel
era um dos sócios da ré; que foi celebrado contrato verbal; que não houve contrato escrito;
que não sabe o valor combinado pelas partes; que houve aditivo verbal quanto aos valores
inicialmente combinados; que as partes combinaram valores a mais para além do
inicialmente combinado; que não sabe o montante do acréscimo; que o réu CLÁUDIO
disse que tudo seria acertado ao final com a autora; que confirma que os valores
combinados seriam acrescidos ao inicialmente ajustado; que os valores posteriormente
combinados se referiam a acréscimos de serviços; que se lembra de que foram acrescidos a
instalação de ar-condicionado, azulejos, cerâmicas; que os lustres não estavam incluídos
no escopo inicial do contrato e seriam suportados pelo réu; que os materiais elétricos
ficaram por conta da autora; que porcelanatos, azulejos e pastilhas também teriam que ser
comprados pelo réu CLÁUDIO; que não lembra se os ralos estavam incluídos no escopo
do contrato; que os revestimentos comprados não foram adequados, mas sim empenados,
pelo que Miguel solicitou que fossem trocados, mas os réus manifestaram discordância;
que os materiais foram comprados pela ré NEUZA, mediante acompanhamento de Miguel;
que Miguel alertou os autores sobre a qualidade ruim dos materiais; que os materiais não
foram trocados; que a instalação de uma porta no quarto ficou bem feita, em que pese a
diferença de materiais da porta e do marco; que não foram pagos todos os valores
acertados; que não sabe se Miguel foi ressarcido pelos materiais comprados; que a retirada
de armários embutidos não estava incluída no orçamento inicial; que a retirada dos
armários foi solicitada posteriormente; que não sabe se foi acertada a retirada dos móveis
antes das obras; que não sabe se foi solicitada a demolição de paredes; que, pelo projeto,
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 6
haveriam de ser retirados pisos de madeira e de porcelanato; que a reforma da rede
elétrica, com instalação de novos pontos de tomada, TV e telefone, estava no projeto; que
não sabe se a troca de tubulações de PVC e de cobre estava prevista no contrato; que,
todavia, houve a substituição de encanamentos após a quebra das paredes; que havia
projeto luminotécnico e rebaixamento no apartamento inteiro; que o projeto luminotécnico
estava previsto no escopo inicial; que não sabe se houve excesso de entulho para além do
previsto; que foi solicitado corte de gesso nos armários dos quartos; que foi solicitada a
troca de toda a fiação do apartamento; que foram solicitados alvenaria, reboco,
recomposição de azulejos externos e desmontagem de jardineira; que foi solicitada a
instalação de soleiras e bancadas; que Miguel não relatou a necessidade de refazer serviços
na cozinha por causa de danos causados por marceneiro contratado pelo réu; que foi
realizada a compra de pedras de mármore carrara; que o mármore foi instalado; que todos
os serviços prestados foram relatados por Miguel; que houve várias alterações da obra no
decorrer da execução; que as alterações eram reportadas à depoente e aos réus; que os réus
alugaram apartamento no mesmo prédio durante a execução da obra; que, todavia, ainda
havia móveis e roupas no imóvel quando do início das obras; que tomou conhecimento de
que tudo foi executado pela autora; que não presenciou os ajustes referente aos acréscimos,
mas tomou conhecimento deles por meio de relatos do Miguel; que não foi comunicada
pela autora sobre impedimento na execução do projeto; que não constatou erros quanto à
execução do projeto; que houve um erro na colocação da sanca do quarto, mas a autora
refez o serviço.
Após, foi inquirida a testemunha Júnia Alcântara. Disse que foi sócia da
testemunha Adriana; que participou da elaboração do projeto no imóvel dos réus; que foi
tudo colocado em um papel, mas não sabe se foi um contrato; que não sabe se o
documento foi assinado; que não se lembra se tudo foi cumprido e não compareceu ao
local quando do fim das obras para verificar; que houve acréscimos durante a execução
dos serviços, para além do escopo inicial; que não sabe se os réus concordaram em pagar
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 7
pelos acréscimos; que a autora repassava os acréscimos necessários e os respectivos
valores aos réus; que Miguel respondia pela autora; que não sabe o valor inicialmente
combinado; que não sabe se foram realizados todos os acertos quanto aos pagamentos; que
não sabe quem comprou lustres, luminárias e spots; que não sabe se foi pactuada a retirada
de móveis antes do início das obras; que não acompanhava a obra diariamente, mas apenas
um pouco; que não lembra se foi solicitada a retirada de armários embutidos; que não
lembra se houve tratamento das paredes que apresentavam infiltração; que não lembra se
houve demolição de alguma parede; que houve a retirada de pisos de madeira; que não
lembra se houve instalação de portas; que houve alterações na rede elétrica, mas não sabe
exatamente se toda ou parcialmente; que não lembra se foram instalados pontos de tomada
para além do previsto inicialmente; que que não lembra se foi trocada a tubulação do
banheiro; que foi solicitado rebaixamento de teto, mas não sabe se na suíte; que lembra
que foi entregue projeto luminotécnico encadernado antes da obra; que o ar-condicionado
não estava no projeto, mas se deparou com um técnico quando fez visita ao local das
obras; que houve pintura, colocação de porcelanato nas paredes; que houve troca de
azulejos no banheiro; que houve compra de mármore carrara, mas não sabe quem
comprou; que houve troca de soleira; que passou especificações de projeto para Miguel e o
viu em visitas realizadas ao imóvel; que não lembra se Miguel relatou impedimentos na
execução das obras; que não sabe se algum serviço não foi executado pela autora; que a
depoente não alterou o projeto inicial durante a execução das obras; que não lembra se
houve execução errada de projeto pela autora.
Por fim, prestou depoimento a testemunha Tobias Vaz da Costa. Disse que
não trabalha e nem trabalhou para a autora; que não participou das obras no imóvel dos
réus; que não tem conhecimento de contrato celebrado pelas partes; que não sabe se a
autora prestou serviços aos réus; que alugou imóvel para os réus durante cerca de seis
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 8
meses; que o aluguel se estendeu por mais quatro ou seis meses; que o valor mensal era de
R$3.000,00 ou de R$3.500,00; que não se recorda da data de início da locação, mas
acredita que foi em 2016.
Com base nos depoimentos prestados, especialmente aquele da testemunha
comum Adriana, extraem-se elementos conducentes à conclusão de que as partes ajustaram
sim acréscimos ao escopo do projeto inicial, tendo os réus se comprometido a realizar os
pagamentos à autora ao final das obras.
Depreende-se também que o fornecimento de materiais elétricos ficou por
conta da autora, ao passo que os réus se comprometeram a providenciar os demais
materiais, como porcelanato, azulejos e lustres.
Não obstante essa conclusão preliminar, faz-se necessário avaliar as
ponderações apresentadas no laudo pericial de 6518818074.
Constata-se da leitura do laudo pericial que, dos itens objeto do pedido
inicial, o Perito indicou os seguintes como carentes de amparo tanto em documentos, como
no que se refere à constatação concreta de sua prestação:
a) troca de registros e parte das instalações de PVC e cobre, no valor
de R$1.400,00;
b) remoção de excesso de entulho, no valor de R$910,00;
c) retirada e regularização de reboco, impermeabilização de paredes,
chapisco e novo reboco, no valor de R$2.810,00;
d) troca de toda a rede elétrica do apartamento, no valor de
R$8.800,00;
e) execução da alvenaria e reboco abaixo da janela da sacada, com
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 9
recomposição de azulejos externos, desmontagem de jardineira e
outros serviços correlatos, no valor de R$910,00;
f) retoques de massa e pintura no teto da cozinha, no valor de
R$170,00;
Pontua-se que, em que pese o Perito tenha indicado ausência de
documentação relativa à troca da rede elétrica, a prova oral produzida em audiência
esclareceu que esse serviço estava previsto no projeto inicial e que, posteriormente, foi
ampliado.
Da mesma forma, a testemunha Adriana confirmou que foram trocados os
encanamentos de cobre e de PVC.
No total, desconsiderando os valores de R$1.400,00 e de R$8.800,00 com
base no apontamento acima, os serviços que carecem de amparo documental, técnico e de
constatação concreta totalizam R$4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais).
Destaca-se que, em que pese o Perito tenha apresentado orçamento diverso
quanto a vários dos itens executados pela autora, não se mostra adequada a redução do
valor devido, pois, como apontado pela testemunha Adriana em seu depoimento, os réus
concordaram com os valores e se comprometeram a quitá-los ao final das obras.
Já sobre o fornecimento de materiais, reitera-se que os elétricos ficaram por
conta da autora, ao passo que os réus se comprometeram a providenciar os demais
materiais, como porcelanato, azulejos e lustres.
De toda forma, estabelece o art. 610, §1º, do Código Civil que “a obrigação
de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”.
Destarte, ausentes provas de que a autora teria assumido a obrigação de
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 10
fornecer outros materiais para além dos elétricos, conclui-se que os réus arcariam com os
respectivos custos, destacando-se aqui os gastos comprovados em Id nº 1554384 com
compra de mármore carrara para instalação nos banheiros, que devem ser ressarcidos à
autora.
Com base nesses apontamentos, do total de R$34.569,00 pleiteado pela
autora, devem ser descontados R$4.800,00 referentes a serviços que carecem de lastro,
bem como o importe de R$3.442,10, cujo pagamento foi comprovado pelos réus em Id nº
10830326.
Assim, à autora é devido o pagamento de R$26.326,90 (vinte e seis mil,
trezentos e vinte e seis reais e noventa centavos).
Consigna-se não se aplicável ao presente caso a hipótese de exceção do
contrato não cumprido para isentar os réus quanto aos pagamentos, pois se extrai dos autos
que a autora cumpriu sim as próprias obrigações, mas, mesmo assim, os réus quedaram-se
inadimplentes.
Também não auxilia os réus a alegação de vícios na prestação dos serviços,
pois, conforme esclarecido pela testemunha Adriana, os revestimentos comprados não
foram adequados, mas sim empenados, pelo que Miguel alertou os réus e solicitou que
fossem trocados, mas os réus manifestaram discordância.
Fato é que, como os próprios réus anuíram com a qualidade ruim dos
materiais, ao passo que lhes cabia esse fornecimento, e não ao réu, não podem pretender
agora se esquivar de responsabilidade com base exatamente na qualidade precária dos
materiais.
Reforça-se a inocorrência de vícios na instalação nos revestimentos com
base no que foi destacado pelo Perito em seus esclarecimentos de Id nº 8315088025.
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 11
Em arremate, também sem razão os réus em argumentarem que a autora
obrigatoriamente deveria ter apresentado orçamento quanto aos valores.
Não obstante o art. 40 do CDC determine aos fornecedores a entrega de
orçamento, e o art. 619 do Código Civil que acréscimos no projeto se deem por escrito,
não se pode perder de perspectiva que, neste caso, todas as negociações ocorreram
informalmente.
Em que pese desejado que as partes fossem organizadas e deixassem tudo
formalizado para evitar discussões posteriores como a presente, fato é que os réus
autorizaram os serviços, inclusive os adicionais, e concordaram em realizar os pagamentos
dos acréscimos ao final das obras, pelo que agora, com base no princípio da boa-fé, não se
mostra lícito que busquem se esquivar dessa obrigação com base em um detalhe legal.
Por tudo isso, e ausentes provas que amparem a defesa quanto ao
inadimplemento, os réus devem ser condenados ao pagamento de R$26.326,90 (vinte e
seis mil, trezentos e vinte e seis reais e noventa centavos).
Ausentes termos precisos para quando deveria ter sido realizado o
pagamento, em especial considerando que se tratou de negociação verbal, a correção
monetária deve ser contada do ajuizamento da ação e os juros de mora devem ser
computados da citação dos réus.
Passando-se à reconvenção, os réus pedem a condenação da autora à
restituição das quantias de R$8.000,00 (oito mil reais), referente a aluguéis pagos em razão
de atraso na entrega da obra; R$12.422,14 (doze mil, quatrocentos e vinte e dois reais e
quatorze centavos) por materiais comprados pelos réus, mas de responsabilidade da autora;
R$110,00 (cento e dez reais) pelos serviços de faxina; R$1.400,00, relativa a problemas de
vazamento de água na área de serviço e no hall de escada e recomposição e pintura da
parede danificada pelo vazamento; R$13.076,00 (treze mil e setenta e seis reais), referente
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 12
a mão-de-obra para reexecução dos serviços mal executados e não realizados pela autora;
R$3.708,66 (três mil, setecentos e oito reais e sessenta e seis centavos), referente a 84m2
de revestimento de parede da cozinha e da área de serviço assentados com imperfeição;
R$2.190,45 (dois mil, cento e noventa reais e quarenta e cinco centavos), a título de multa
contratual; e a compensação da quantia de R$880,00 (oitocentos e oitenta reais).
Sobre o pedido de condenação ao pagamento de R$8.000,00 (oito mil reais),
referente a aluguéis pagos em razão de atraso na entrega da obra, em que pesem os
documentos desordenadamente apresentados em Id nº 10831185, depreende-se que
realmente foi realizado esse gasto.
Corroboram-se os pagamentos também pelo depoimento prestado pela
testemunha Tobias, que alugou o imóvel aos réus.
Não obstante esse gasto tenha sido comprovado e a autora tenha confirmado
o comprometimento do prazo inicialmente previsto para a conclusão das obras, fato é que,
durante a execução dos serviços, o escopo inicial do contrato foi ampliado.
Por óbvio, fazendo-se necessários novos serviços para além dos inicialmente
contratados, tempo adicional também seria demandado para sua conclusão.
Nesse contexto, não se pode considerar que o tempo adicional necessário
para a execução das obras é atribuível à autora a título de serviço falho.
Mostra-se temerária a condenação da autora ao ressarcimento dos aluguéis
desembolsados, pois implicaria, na prática, atribuir à prestadora de serviço um custo
adicional referente a acréscimos na obra que foram livremente estipulados pelas partes, em
indevido enriquecimento ilícito dos réus.
Pedem os réus também indenização de R$12.422,14 (doze mil, quatrocentos
e vinte e dois reais e quatorze centavos) por materiais comprados, mas de responsabilidade
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 13
da autora.
Já ficou assente que, à exceção dos materiais elétricos, esses no importe de
R$5.071,65, cujo gasto foi demonstrado em Id nº 10831534, os demais deveriam ser
fornecidos pelos próprios réus.
Isso posto, aos réus é devido o ressarcimento de apenas R$5.071,65 (cinco
mil e setenta e um reais e sessenta e cinco centavos), cabendo-lhes arcar com o restante,
pois assim se comprometeram e é previsto pelo art. 610, §1º, do Código Civil.
Improcede o pedido de condenação da autora ao pagamento de R$110,00
(cento e dez reais) pelos serviços de faxina.
Além de a minuta contratual de Id nº 1554257 não reger a relação existente
entre as partes, já que nunca foi firmado instrumento escrito, é cediço que não está
abrangido no objeto próprio do contrato de empreitada o serviço de limpeza inerente a uma
faxina no imóvel, cujo custo, evidentemente, há de ser suportado pelos proprietários.
Improcede, pois, essa pretensão dos réus.
Improcedem também os pedidos referentes aos ressarcimento de
R$1.400,00, relativa a problemas de vazamento de água na área de serviço e no hall de
escada e recomposição e pintura da parede danificada pelo vazamento; R$13.076,00 (treze
mil e setenta e seis reais), referente a mão-de-obra para reexecução dos serviços mal
executados e não realizados pela autora; e R$3.708,66 (três mil, setecentos e oito reais e
sessenta e seis centavos), referente a 84m2 de revestimento de parede da cozinha e da área
de serviço assentados com imperfeição.
Conforme destacado pelo Perito, em que pese a existência de elementos
demonstrativos dos gastos incorridos pelos réus, não há provas de que foram realizados
como consequência de eventual vício na prestação dos serviços pela autora.
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 14
E especificamente quanto às cerâmicas, reitera-se que foram adquiridas
defeituosas pelos próprios réus, que não se dispuseram a substitui-las, mesmo após
alertados pela autora.
Os réus pedem também o recebimento de R$2.190,45 (dois mil, cento e
noventa reais e quarenta e cinco centavos), a título de multa contratual.
Como já exposto e reiterado, não existiu contrato escrito, pelo que a minuta
contratual de Id nº 1554257 não reflete exatamente o que ficou ajustado pelas partes.
Destarte, inexistentes provas de que, na negociação verbal, realmente foi
ajustada penalidade para o caso de eventual descumprimento contratual, o pedido
condenatório deve ser julgado improcedente.
Em suma, aos réus é devida a restituição de apenas R$5.071,65 (cinco mil e
setenta e um reais e sessenta e cinco centavos), referentes a materiais elétricos cujos custos
haveriam de ter sido suportados pela autora, mas foram desembolsados pelos réus.
Por fim, a autora não deve ser condenada ao pagamento de multa por
litigância de má-fé, pois não ficou caracterizada nenhuma das hipóteses do art. 80 do CPC.
III – DISPOSITIVO
Ante o exposto, com fulcro no art. 487, inciso I, do CPC, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido inicial.
Condeno os réus ao pagamento da quantia de R$26.326,90 (vinte e seis mil,
trezentos e vinte e seis reais e noventa centavos), devidamente atualizada com base nos
índices da tabela da CGJ-MG, desde a data da distribuição, e acrescida de juros de mora de
1% ao mês, a contar da citação.
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 15
Considerando a sucumbência recíproca, condeno a autora ao pagamento de
25% e os réus ao pagamento de 75% das custas processuais e dos honorários periciais (Id
nº 111855511), bem como de honorários advocatícios, na mesma proporção, arbitrados em
10% sobre o valor da condenação (art. 85, §2º, do CPC).
No mais, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a reconvenção.
Condeno a reconvinda ao pagamento da quantia de R$5.071,65 (cinco mil e
setenta e um reais e sessenta e cinco centavos), devidamente atualizada com base nos
índices da tabela da CGJ-MG, desde o desembolso, e acrescida de juros de mora de 1% ao
mês, a contar da citação, autorizada a compensação com a quantia devida pelos
reconvintes.
Considerando a sucumbência recíproca, condeno os reconvintes ao
pagamento de 85% e a reconvinda ao pagamento de 15% das custas processuais da
reconvenção, bem como de honorários advocatícios, na mesma proporção, arbitrados em
10% sobre o valor da condenação (art. 85, §2º, do CPC).
P. R. I.
MOEMA MIRANDA GONÇALVES
Juíza de Direito da 9ª Vara Cível
Avenida Raja Gabaglia, 1753, Luxemburgo, BELO HORIZONTE - MG - CEP:
30380-900
Número do documento: 23061518361117500009829610774
[Link]
Assinado eletronicamente por: MOEMA MIRANDA GONCALVES - 15/06/2023 18:36:11 Num. 9833521955 - Pág. 16