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Formatação de Roteiro para Cinema

O documento fornece uma introdução básica sobre a formatação de roteiros de cinema, explicando as quatro partes principais: cabeçalho de cena, ação, diálogos e transições. Ele também dá exemplos de como escrever cada parte corretamente usando um trecho curto de roteiro como exemplo.
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O documento fornece uma introdução básica sobre a formatação de roteiros de cinema, explicando as quatro partes principais: cabeçalho de cena, ação, diálogos e transições. Ele também dá exemplos de como escrever cada parte corretamente usando um trecho curto de roteiro como exemplo.
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Formatação Básica de Roteiro para Cinema


Por Sandro Massarani

A melhor maneira de aprender a escrever um roteiro na formatação correta


sempre é ler a maior quantidade possível de roteiros prontos. Só assim o
escritor conseguirá obter um conhecimento avançado do processo de
construção da obra no formato Master Scenes. Aqui apresentarei apenas o
básico.

Em termos gerais, o roteiro de cinema pode ser basicamente dividido em


quatro partes: Cabeçalho de Cena, Ação, Diálogos e Transições. Vamos
começar a analisá-las através de um exemplo (sempre a melhor forma de
aprender):

INT. QUARTO DE HOTEL DE CHARLOTTE - NOITE Cabeçalho de Cena

De costas, Charlotte olha a grande janela. Ação

John chega e lhe dá um beijo. Mais Ação

CHARLOTTE Personagem que faz o diálogo


Como foi hoje? Diálogo

JOHN
Bom...Eu estou cansado.

Ele a abraça por um momento, inclinando-se.

JOHN (CONT)
Eu tenho que encontrar Kelly para
um drinque lá embaixo. Ela quer
conversar sobre algo de foto.

CHARLOTTE
Ok. Talvez eu desça com você.

JOHN
Você quer vir?

CHARLOTTE
Claro.

JOHN
(não quer que ela
vá)Parenthetical
Ok.
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CUT TO:Transição

Importante: a escrita do roteiro só deve ser iniciada após o autor ter estabelecido
toda a estrutura de sua história e de ter preparado uma descrição resumida de
cada cena e personagem. A escrita do roteiro é o penúltimo passo para a
elaboração de uma obra, sendo a revisão do roteiro o último passo. Nada de se
apressar e iniciar a escrita do script sem planejamento.

1. Cabeçalho de Cena

Serve para introduzir uma nova cena. Na grande maioria das vezes teremos uma
nova cena quando ocorrer uma mudança no espaço e/ou tempo no roteiro.
Escrito sempre em maiúsculas, o cabeçalho é composto por três elementos:

* Tipo de Localidade: INT. (Interior) ou EXT. (Exterior). Serve para a equipe de


produção determinar a logística e os locais de filmagem. Se a câmera percorrer o
ambiente, podemos ter algo como INT./EXT., mas esse tipo de escrita não é
recomendado, deixando a escolha para o diretor.

* A localidade: O nome do local. Por exemplo: CASA DE VERANEIO. Em alguns


casos devemos especificar um local dentro de outro: CASA DE VERANEIO -
COZINHA.

* O tempo: Aqui o autor irá usar na grande maioria dos casos ou DIA ou NOITE,
mesmo se o tipo de localidade for interior. Em raras ocasiões veremos termos
como ENTARDECER ou AMANHECER. Só se for necessário para o andamento da
história. Se a cena precisar do uso do relógio, poderemos usar o tempo exato:
1:15, MEIA-NOITE, 1984.

Muitos escritores numeram as suas cenas. A numeração aparece antes e depois


do cabeçalho:

1 EXT. ESTÁDIO - DIA 1

2. Ação

É o que basicamente ocorre na cena. O autor pode introduzir a ação com uma
pequena descrição, caso seja a primeira vez que o local apareça no roteiro. Seja
sutil na escrita, e não exagere nas descrições. Um roteiro de cinema não é
escrito da mesma forma que um romance literário! Devemos descrever
apenas o necessário para o andamento e entendimento da história.
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Deve-se evitar ao máximo dar ordens diretas para o diretor sobre


posicionamento de câmera e ângulos de filmagem. Devemos notar que muitos
autores não respeitam muito essa recomendação e acabam às vezes querendo
agir como diretores.

Ao invés de escrever um largo bloco de texto, divida a ação em pequenas partes


com uma linha de espaço. Dessa forma, até ângulos de filmagem podem ser
sutilmente sugeridos ao diretor, sempre com cuidado.

INT. QUARTO DE NEO - DIA

Neo acorda de um sono profundo, se sentindo melhor. Ele começa


a se auto-examinar. Há um cabo futurista conectado em seu
antebraço. Ele o retira, observando a tomada enxertada em sua
pele.

Ele passa a mão sobre a cabeça, sentindo um curto cabelo que


agora a cobre. Seus dedos acham e exploram uma larga tomada na
base do seu crânio.

Logo que ele começa a se descolar, Morpheus abre a porta.

É aconselhável o escritor escrever sempre no tempo presente.

Os personagens são primeiramente introduzidos na ação, e toda vez que um


novo personagem for introduzido ele deve aparecer em LETRAS MAIÚSCULAS. A
maioria dos personagens também devem ser descritos de forma resumida
quando aparecem pela primeira vez. Essa descrição deve ser basicamente uma
descrição física:

No ringue temos dois pesos pesados. Um branco e o outro negro.


O lutador branco é ROCKY BALBOA. Ele tem trinta anos. Sua face
tem cicatrizes e é rígida em torno do nariz. Seu cabelo preto
brilha e pende sobre seus olhos.

Além da introdução de personagens, as letras maiúsculas na Ação algumas vezes


são utilizadas ao se referirem a um som (um GRITO, um ASSOBIO) , a objetos
utilizados (um REVOLVER, um MARTELO), e qualquer outra coisa que o escritor
queira chamar a atenção. Fica a critério do autor, mas é bom não exagerar.

Quando uma cena é interrompida devido ao fim de uma página, alguns


escritores utilizam o termo (CONTINUA), com alinhamento justificado na direita,
onde era para ser a transição. Na página seguinte escrevem CONTINUA, com
alinhamento justificado para a esquerda, no lugar do cabeçalho de cena.
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3. Diálogos

O bloco de diálogo é composto de dois componentes obrigatórios, Personagem e


Diálogo, e um opcional, o Parenthetical.

Os blocos de diálogos mais comuns usam apenas o nome do personagem e o


que ele diz:

ALVY
Oh, você é uma atriz.

ANNIE HALL
Bem, eu faço comerciais, algo
assim...

O Parenthetical deve ser utilizado somente para indicar algo que não tem como
escrevermos de outra forma no script. O Parenthetical deve indicar uma ação ou
emoção de um personagem, ou a direção de sua fala:

ANNIE
(sorrindo)
Bem, eu...
(uma pausa)
Você é o que vovó Hall chamaria
de verdadeiro judeu.

ALVY
(Limpando sua garganta)
Oh, obrigado.

Evite dizer para o ator como ele deve fazer o seu trabalho. Por isso tenha muito
cuidado com os Parentheticals. Nenhum ator gosta de receber ordens do escritor.
A escrita do roteiro deve ser boa o suficiente para o ator entender a expressão
facial que ele deverá utilizar sem precisar toda hora ler um Parenthetical.

Se uma ação é colocada entre os diálogos de um mesmo personagem, devemos


indicar que o diálogo continua, escrevendo (CONT) após o nome do personagem.

Se um diálogo é interrompido pelo final da página, escrevemos (MAIS) embaixo


do diálogo com a mesma margem do nome do personagem. Na página seguinte
escrevemos (CONT) ao lado do nome do personagem.

Quando o escritor precisa do diálogo de um narrador, ele deve usar o termo V.O.,
de Voice Over ao lado do nome do personagem:
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LESTER (V.O.)
Meu nome é Lester Burnham. Este é
meu bairro. Esta é minha rua. Esta
é...minha vida. Tenho quarenta e
dois anos. Em menos de um ano eu
estarei morto.

Quando um personagem está falando em uma cena mas não aparece na tela,
usamos o termo O.S. de Off Screen ao lado do seu nome:

CLOSE em um rádio de madeira, tocando uma música quieta. A


visão é a de um quarto escuro, com cortinas impedindo a luz do
sol.

MICHAEL (O.S.)
Teremos uma quieta cerimônia civil
no salão da cidade, sem agitação,
sem família, apenas alguns amigos
como testemunhas.

4. Transições

Assim que a primeira imagem aparecer na tela temos que escrever FADE IN no
roteiro, dar duas linhas de espaço e começar a primeira cena. Na esmagadora
maioria das obras, FADE IN é a primeira coisa que o autor escreve. Quando a
imagem desaparece da tela, como no fim de um filme, escrevemos FADE OUT.
Após a última transição do filme, dar três linhas de espaço e escrever com
alinhamento centralizado THE END.

A transição mais comum é CUT TO (CORTAR PARA), que significa cortar para uma
outra cena. Muitos escritores não utilizam mais o CUT TO entre as cenas, pois
presume-se que a própria introdução de um novo cabeçalho de cena já seja
suficiente para indicar a mudança. Além disso, para muitos é papel do diretor
fazer a passagem de uma cena para a outra, e não do roteirista.

5. Formatando

Não há uma regra obrigratória para a formatação. O roteirista não pode é variar
de forma radical o modelo sugerido chamado de Master Scenes, cujas
características básicas estamos aqui analisando. Existem pequenas variações
entre os roteiros. Seguindo a formatação Master Scenes, cada página de roteiro
tem em média um minuto.

Para uma melhor construção de roteiros, existem alguns programas de


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computador que já formatam o script automaticamente. O melhor deles na


minha opinião é o Final Draft, que é também o mais caro. Existe o Celtx que tem
algumas funcionalidades de graça, existe em português e faz um razoável
trabalho. Recentemente, tenho também usado o Scrivener, tanto para MAC
quanto para Windows. Para quem sabe mexer em um processador de texto, é
também possível a configuração dos espaçamentos no Microsoft Word. Há
diversos outros programas de boa qualidade, inclusive para tablets e
smartphones.

Nem todos os roteiristas escrevem da mesma maneira. Inclusive existem roteiros


que mudam ligeiramente a formatação mais comum. Saiba analisá-los e
diferenciá-los e vá criando o seu estilo.

Evite escrever em itálico, negrito, ou sublinhado.

O tipo de papel utilizado é o carta (letter) de 21,59cm x 27,94cm.

A capa não é numerada e nem conta como uma folha no script. Ela deve conter o
nome da obra e do autor centralizados na página. Na última linha deve conter o
copyright e o contato.

A fonte do roteiro tem que ser sempre Courier New tamanho 12.

A numeração da página deve ser feita na parte superior direita.

5.1 Margens

- Margens superior e inferior - 2,5cm


- Margem da esquerda - 3,8cm
- Margem da direita - 2,5cm
- Cabeçalhos de Cena - 3,8cm
- Ação - esquerda 3,8cm
- Personagem - 9,4cm
- Parenthetical - esquerda 7,8cm, direita 7,4cm
- Diálogo - esquerda 6,5cm - direita 6,5cm (justificado para a esquerda)
- Transição - Alinhamento justificado para a direita (exceto FADE IN, que tem
margem de 3,8cm na esquerda, a mesma da ação).

5.2 Espaçamento

Espaçamento Simples (Nenhuma linha de espaço, apertar uma vez a tecla Enter):
- Entre o Personagem e o Parenthetical
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- Entre o Personagem e o Diálogo


- Entre o Parenthetical e o Diálogo

Espaçamento Duplo (Uma linha de espaço, apertar duas vezes a tecla Enter):
- Cabeçalho de Cena para a Ação
- Ação para Ação
- Ação para nome do Personagem
- Diálogo para Ação
- Diálogo para nome de outro Personagem
- Diálogo para Cabeçalho de Cena
- Ação para Cabeçalho de Cena
- Ação para Transição
- Diálogo para Transição
- Transição para Cabeçalho de Cena

Podemos ver que temos espaçamento simples apenas no bloco de diálogos,


sendo o restante do roteiro escrito na sua maioria com espaçamento de uma
linha (duplo Enter).

6. Conclusão: LEIA ROTEIROS

Segue uma lista de sites para download de roteiros. Para analisar somente a
formatação, prefira os roteiros em .PDF, que geralmente são os originais. De
resto, pegue todos e leia a maior quantidade possível, pois agora que possuímos
o básico, absorver as variações mais avançadas fica mais simples. A maioria dos
sites contém apenas roteiros em inglês.

Daily Script - [Link]


Roteiro de Cinema - [Link]
Awesome Scripts - [Link]fi[Link]
The Weekly Script - [Link]

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