UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
ADRIANA TOMÉ DE SOUSA
ANA LUCIA DOS SANTOS TEIXEIRA
DAIANE CECÍLIA ROSA PINHEIRO
DAYANE ANGÉLICA DE SOUZA
DENISE PAULA DA SILVA
ELAINE APARECIDA DE SOUSA FONTES
LUCIENE MARRONI
NELLY NAOMI SATO YONEMURA
A importância da afetividade docente no processo de ensino-
aprendizagem da alfabetização
Mauá - 2022
UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
A importância da afetividade docente no processo de ensino-
aprendizagem da alfabetização
Pré-projeto de pesquisa desenvolvido
como “Entrega Final” da disciplina
Trabalho de Conclusão de Curso, do
curso de Licenciatura em Pedagogia
da Universidade Virtual do Estado de
São Paulo, sob orientação da
Mediadora Glacielma de Fátima da
Silva.
Mauá - 2022
ADRIANA TOMÉ DE SOUSA
ANA LUCIA DOS SANTOS TEIXEIRA
DAIANE CECÍLIA ROSA PINHEIRO
DAYANE ANGÉLICA DE SOUZA
DENISE PAULA DA SILVA
ELAINE APARECIDA DE SOUSA FONTES
LUCIENE MARRONI
NELLY NAOMI SATO YONEMURA
A importância da afetividade docente no processo de ensino-
aprendizagem da alfabetização
Trabalho de Conclusão de Curso,
apresentado ao curso de Licenciatura á
Univesp – Universidade Virtual do
Estado de São Paulo – como requisito
parcial para obtenção do título de
Licenciatura em Pedagogia.
Aprovado em:_________________________
Conceito:_____________________________
Banca Examinadora
______________________________________________
Professora Glacielma de Fátima da Silva
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho “Unesp
Presidente
______________________________________________
Professora Yara Emília Arlindo da Silva
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho “Unesp
Membro
Agradecimentos
Em nome do grupo os agradecimentos serão reconhecidos: primeiramente ao
único Deus, por nos ajudar a alcançar nosso objetivo, além de nos dar determinação
para não desanimar e continuar perseverantes em meio à obstáculos ao longo do curso.
Aos nossos familiares e amigos que nos apoiaram e incentivaram a continuar em
momentos difíceis, principalmente nesses últimos anos atípicos causados pelo COVID-
19, na qual muitos de nós perdemos entes queridos ou até mesmo adoecemos, mas
mesmo assim perseveramos, e com isso nos damos por vitoriosas.
Não podemos deixar de nos cumprimentar com agradecimentos também, pois
vivemos intensamente durantes esses longos anos (mesmo que em momentos
semipresenciais ou virtuais), um companheirismo que nos proporcionou uma a outra,
troca de experiências com tantos momentos de descobertas e aprendizado o que nos
permitiram crescer e amadurecer juntas como pessoas e agora como formandas.
E por fim nosso agradecimentos a UNIVESP, pela nosso processo de formação
profissional, e à todos os tutores, que mediante a diversas situações nos deram
ensinamentos que nos fizeram de certa forma amadurecer e com esse amadurecimento
nos permitirá apresentar um bom desempenho no nosso processo de formação e a nossa
nova carreira profissional.
RESUMO
A presente pesquisa consiste numa análise sobre a influência da afetividade no processo
de ensino-aprendizagem da alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Sabe-se que o conceito de alfabetizar passou a sofrer transformações em virtude do
surgimento de novas teorias relacionadas à aprendizagem, no qual a criança passou a ser
o sujeito da aprendizagem, compreendendo como este sistema funciona, cabendo ao
professor a função de mediador da aprendizagem. A metodologia utilizada neste
trabalho é uma pesquisa bibliográfica de levantamento de dados de artigos e periódicos
eletrônicos, da plataforma Google Acadêmico, com período de pesquisas de 2016 até
2021, no qual foram selecionados trabalhos que procuravam promover a reflexão e
pontos de vistas variados sobre o mesmo assunto: afetividade e alfabetização. A partir
da leitura dos estudos apresentados, percebe-se que o professor deve considerar que a
criança participe de todo o processo de construção de conhecimento, em vista disso, o
professor passa a exercer o papel de colaborador, promovendo respeito mútuo e
crescimento, oportunizando à criança uma autonomia moral e intelectual
Palavras-chave: Afetividade, Alfabetização, Ensino-Aprendizagem, Docente.
ABSTRACT
The present research consists of an analysis of the influence of affectivity in the
teaching-learning process of literacy in the early years of Elementary School. It is
known that the concept of literacy began to undergo transformations due to the
emergence of new theories related to learning, in which the child became the subject of
learning, understanding how this system works, with the teacher playing the role of
mediator of learning. . The methodology used in this work is a bibliographic research to
collect data from articles and electronic journals, from the Google Scholar platform,
with a research period from 2016 to 2021, in which works were selected that sought to
promote reflection and varied points of view on the subject. same subject: affectivity
and literacy. From the reading of the studies presented, it is clear that the teacher must
consider that the child participates in the entire process of knowledge construction, in
view of this, the teacher starts to play the role of collaborator, promoting mutual respect
and growth, providing opportunities for the child a moral and intellectual autonomy
Keywords:Affectivity, Literacy, Teaching-Learning, Teacher.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................5
2. DESENVOLVIMENTO.......................................................................................................6
2.1. Objetivos..........................................................................................................................6
2.1.1. Objetivo Geral..........................................................................................................6
2.1.2. Objetivos Específicos...............................................................................................6
2.2. Delimitação do Problema.................................................................................................6
2.3. Justificativa......................................................................................................................7
2.4. Fundamentação Teórica...................................................................................................8
2.4.1. Conceituando Afetividade........................................................................................8
2.4.2. O professor como mediador do processo de alfabetização.....................................10
2.4.3. Metodologia............................................................................................................13
3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS.........................................................................14
3.1. Discussão dos Resultados..............................................................................................24
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................26
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................27
5
1. INTRODUÇÃO
A presente pesquisa busca compreender a importância da afetividade no processo
de ensino e aprendizagem das crianças do ciclo de alfabetização do Ensino fundamental
I. A afetividade entao, ocupa garnde espaço na constrtução do conhecimento e em como o
vínculo afetivo entre educador e educando pode colaborar para o processo de ensino e
aprendizagem.
De acordo com Wallon (1979), a personalidade é formada por duas funções
básicas: afetividade e inteligência. Segundo ele a afetividade está vinculada às
sensibilidades internas e se orienta em direção ao mundo social e a construção da
subjetividade do indivíduo, e a inteligência ou conhecimento, está ligada ao mundo
físico, a construção do objeto. Nesse sentido, acredita-se que na afetividade é
imprescindível a abordagem dos dois aspectos conjuntamente no desenvolvimento
humano como: as emoções e a conduta relacionada entre as pessoas, pois é por meio da
afetividade que se confere o grau da motivação para o conhecimento, a aprendizagem
também ocorre de interações pessoais constantes construídas com auxílio das relações
estabelecidas com o outro, na qual, pensamentos e ações são moldadas.
Sabe-se que no processo da alfabetização, a criança necessita desenvolver sua
autonomia diante de suas habilidades e dificuldades que precisam avançar, em aspectos
cognitivo e, também, como sujeito pertencente a um contexto. Para esse propósito, a
figura do professor, necessariamente, deve ser de um adulto mediador da aprendizagem,
utilizando-se de recursos estimulantes, aliados ao afeto e amorosidade em busca dos
avanços necessários destesaspectos cognitivos e também pessoais da criança.
A metodologia utilizada neste trabalho é uma pesquisa bibliográfica, com uma
abordagem qualitativa, tendo como procedimentos de geração de dados o levantamento
de materiais bibliográficos, documentos oficiais de artigos e periódicos eletrônicos da
plataforma Google Acadêmico, que versam refletir e analisar o vínculo afetivo entre os
educadores e as crianças e a importância da afetividade docente no processo de
alfabetização.
Cabe ressaltar que o educador tem em suas mãos a responsabilidade de transformar
o indivíduo, sua interação com o aluno, suas conquistas, dedicação ao ensino e acima de
tudo o quanto importante é seu aluno e o vínculo afetivo que transmite a ele.
6
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Objetivos
2.1.1. Objetivo Geral
✓ Discutir a influência da afetividade na alfabetização nos Anos Iniciais
do EnsinoFundamental.
2.1.2. Objetivos Específicos
✓ Conceituar e discutir sobre a afetividade no processo formativo e de
ensino-aprendizagem.
✓ Promover a reflexão acerca da relação entre afetividade docente e
aalfabetização.
✓ Analisar como a afetividade entre educandos e educadores pode
estimular osmesmos ao aprendizado da leitura e da escrita.
2.2. Delimitação do Problema
Atualmente no cenário escolar, percebe-se uma quantidade significativa de
alunos que apresentam dificuldades relacionadas a aprendizagem. Diferentes contextos
em pesquisas demonstram que os aspectos emocionais assim como a afetividade,
estariam relacionados com um melhor ou pior rendimento do aluno, as pesquisas
demonstram que os problemas emocionais tem sido bastante associados com as
dificuldades de aprendizagem.
Por outro lado, não podemos entender que as dificuldades de aprendizagem
partem somente do aluno e de sua estrutura individual, porque para que exista um
aprendizado, se faz necessário a pessoa que ensina e também a que aprende, além de um
vínculo que surge entre eles; sendo assim, apesar da afetividade ser um tema bastante
significativo na área da aprendizagem na educação é pouco vivenciada dentro das
escolas.
O presente trabalho propõe a reflexão sobre a importância da afetividade para a
formação do indivíduo e como ela pode influenciar na prática pedagógica e também no
7
processo de alfabetização. Desse modo, surge o levantamento da seguinte questão
norteadora: Qual a influência da afetividade docente no processo de ensino-
aprendizagem da alfabetização?
2.3. Justificativa
Abordaremos a afetividade como tema a ser desenvolvido, pela sua importância
no processo de aprendizagem, em especial em uma fase na qual os alunos iniciam novas
descobertas ao serem inseridos no universo da alfabetização e letramento durante o
ensino fundamental.
Quando esse processo tão desafiador vem acompanhado do acolhimento e da
percepção do docente sobre a individualidade do aluno, das suas dificuldades de
aprendizado e toda complexidade que envolve o contexto familiar, social e cultural,
tudo se torna um facilitador para que o discente e o docente possam experimentar a
gratificante troca de saberes.
Certamente falar em afetividade no contexto escolar, principalmente quando o
aluno está iniciando o processo de alfabetização e letramento é muito enriquecedor e de
extrema relevância acadêmica para um Trabalho de Conclusão de Curso de Pedagogia,
pois destacamos a importância do docente como elemento essencial no processo de
aprendizagem, não somente como o disseminador de conhecimento, mas também como
um mediador, sendo o elo entre a instituição de ensino, os alunos, as famílias e o Poder
Público, assegurando aos discentes o acesso aos direitos fundamentais estabelecidos
pela Constituição Federal (BRASIL,1988,s.p.), cujo artigo 205 destaca que : “A
educação é um direito de todos, dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, contribuindo para total desenvolvimento
pessoal como cidadão e qualificação para o trabalho”.
Para que as crianças e os adolescentes tenham seus direitos assegurados outro
documento de extrema relevância foi criado em 13 de julho 1990 o ECA-Estatuto da
Criança e do Adolescente (Lei n. 8069) na qual podemos destacar: “O direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura,
à dignidade, aorespeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, garantindo a
eles maior proteção”.
Todas essas justificativas estão em fusão ao que já foi defendido pelo teórico
HenryWallon:
8
[...] a afetividade constitui um papel fundamental na formação da
inteligência, de forma a determinar os interesses e necessidades individuais
do indivíduo. Atribui-se às emoções um papel primordial na formação da
vida psíquica, um elo entre o social e o orgânico (WALLON, 2008, p. 73).
Quando a alfabetização e o letramento vêm acompanhados de uma bagagem de
conhecimento e afetividade, certamente o educador e o educando terão criado um
vínculo de confiança.
2.4. Fundamentação Teórica
2.4.1. Conceituando Afetividade
Segundo o dicionário podemos definir a afetividade como “conjunto de
fenômenos psíquicos que se revelam na forma de emoção e de sentimentos”.
(MICHAELIS, 2022, s.p). Nesse sentido, para um melhor desenvolvimento infantil,
alguns aspectos devem se articular, dentre eles, a afetividade. Esta propicia segurança às
crianças, de maneira, que possibilita uma aprendizagem mais prazerosa e significativa,
além do vínculo afetivo que a criança desenvolve com o próprio ambiente escolar e com
todos participantes dessa instituição.
Para Wallon (1968), médico e filósofo que dedicou sua vida ao estudo das
emoções e da afetividade e do quanto elas são importantes se forem significativamente
positivas. Nesta perspectiva, pode-se dizer que a afetividade é como algo diretamente
ligada ao campo das emoções e também dos sentimentos que estão relacionadas a tais
emoções, especialmente, da forma como lidamos como esses sentimentos. Segundo
Wallon (2003, p. 11):
A evolução afetiva está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento cognitivo,
visto que difere sobre maneira entre uma criança e um adulto, supondo-se a
partir disto que há uma incorporação de construções de inteligência por ela,
seguindo a tendência que possui para racionalizar-se. (WALLON, 2003,
p.11).
9
Desse modo, por meio do afeto é transmitido um sentimento capaz de perceber a
nossa realidade, através do nosso psíquico; sendo a afetividade responsável pelas
emoções sentidas, como tristeza, alegria, felicidade, pois são geradas pelos sentimentos
do ser enquanto os sujeitos, são definidos ao longo do seu desenvolvimento, em seu
meio social, de acordo com as suas interações. Ainda segundo Wallon (1995), a
afetividade desempenha um papel fundamental na constituição e funcionamento da
inteligência, determinando os interesses e necessidades individuais, envolvendo
manifestações, englobando sentimentos (origem psicológica) e emoções (origem
biológica). Nesta perspectiva de forma direta o professor promove significamente um
ensino de qualidade, tendo grande influencia em despertar o interesse de cada aluno no
processo de ensino aprendizagem.
A aprendizagem é um processo que está ligado a afetividade, que ocorre no
inicio da alfabetização, por meio de interações, que criam vínculos sociais. Conforme o
autor Wallon (1995b), a afetividade possui um papel importantíssimo para o
funcionamneto da inteligência, sendo constituída de forma intensa; identificando as
necessidades e interesses individuais por meio das manifestações senimentais e
emocionais. Segundo Wallon, “É muito difícil observar a criança sem lhe emprestar
alguma coisa dos nossos sentimentos ou das nossas intenções. Um movimento não é um
movimento, mas aquilo que ele nos parece exprimir” (WALLON, 1995b, p. 36).
Em contrapartida, estes fatores mencionados conforme o autor, geram grande
impactos no que tange professor, aluno e aprendizagem, podendo contribuir para que o
aluno tenha maior desenvolvimento intelectual, emocional, psíquico e na costrução do
conhecimento. Como explicação para o psiquismo humano, o autor apresenta como
principais elementos três conjuntos funcionais: motor – responsável por todo o
movimento do corpo, equlíbrio, noção de tempo espaço; sendo assim, pelo movimento
motor é capaz de transmitir ações que geram imitações através dos movimentos, fator
essencial na aprendizagem. Afetivo – responsável pelas emoções, paixões e
sentimentos, trabalhando em diferentes níveis dentre elas; afirmando o autor Wallon
(1995b, p. 140) que “as emoções consistem essencialmente em sistemas de atitudes que
respondem a uma determinada espécie de situação”, mas, que também fornecem uma
totalidade de reações que convêm aos estágios da evolução psíquica. Cognitivo –
responsável pela conquista do conhecimento bem como sua transformação; sendo
assim, no conjunto cognitivo, encontramos as funções responsáveis pela aquisição,
transformação e manutenção do conhecimento, o que nos permite fixar e analisar o
10
presente, registrar, rever e reelaborar o passado, assim como projetar futuros possíveis e
imaginários (MAHONEY; ALMEIDA, 2005).
As teorias de Vygotsky e Wallon tem como base o caráter social da
aprendizagem, destacando o papel das relações sociais; sendo assim, Wallon (1978),
afirmou que a primeira relação do ser humano com o ambiente social, é com as pessoas
que fazem parte do seu cotidiano. Os estudos de Wallon fundamentaram todo um
contexto que aprofundaram para uma maior compreensão do termo afetividade,
rtelacionados ao desenvolvimento humano na esola, professor aluno, aluno e professor.
A afetividade em ambito educacional começa nos primeiros contatos na educação
infantil, e estendendo-se ao longo da vida dos seres humanos, atingindo toda atividade
pessoal, na percepção corporal, de dentro para fora e vice-versa, experiências, caráter,
humor entre outras, de cada indivíduo individualmente falando.
Wallon (1995) afirma que a criança é um ser dotado de afetividade que vem
desde a na gestação, quando esta faz os movimentos de pedalada ainda dentro do ventre
da mãe. Afirma também que afetividade e inteligência estão sempre uma do lado da
outra, destacando que as crianças mais novas desenvolvem marco mais profundo das
emoções.
Vygotsky (1994) defende que é por meio da interação com outros que a criança
incorpora os instrumentos culturais destacando a importância das interações sociais
e mediação, podendo ser considerados como essenciais naaprendizagem. Sendo assim,
pode dizer que a mediação pedagógica faz acontecer esta interação no ensino
aprendizagem, inserindo o aluno em um cenário de relações afetivas, tornando o
proceso de ensino-aprendizagem mais significativo e qualitativo para todos. No âmbito
educacional poder trabalhar com emoções e sentimentos como energia é um aprendizado
para o docente e o aluno, e também para os pais e familiares do educando, que são
parceiros importantes na construção desse sujeito.
2.4.2. O professor como mediador do processo de alfabetização
Nos anos iniciais do ensino fundamental a alfabetização é um processo
extremamente desafiador, tanto para o estudante, que está sendo alfabetizado, quanto
para o professor, a quem atribui-se a responsabilidade de alfabetizar. Segundo Cagliari
(2008, p.05) “a etapa de alfabetização é a aprendizagem da escrita e da leitura, ou seja,
codificação e a decodificação da escrita”. O que significa o ensino das características da
11
tecnologia da escrita (letras, números, acentuação, etc.) e a forma como ela é
estruturada.
Hoje em dia, este conceito passou a sofrer transformações em virtude do
surgimento de novas teorias relacionadas à aprendizagem. Ser alfabetizado já não
significa apenas codificar e decodificar as letras que formam as palavras, atualmente,
percebe-se que tal procedimento restringe a alfabetização a uma esfera mecânica.
Segundo Freire (1981, p.09): “o ato de ler não se esgota na decodificação pura
da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas se antecipa e se alonga na inteligência
do mundo”. Desse modo, ser alfabetizado é compreender as ações de leitura e escrita,
interpretando seu significado, no qual a criança passa a ser o sujeito da aprendizagem,
compreendendo como este sistema funciona, cabendo ao docente a função de mediador
da aprendizagem.
O processo de alfabetização é um período bastante complexo e a afetividade
docente para com o aluno torna-se um fator complementador e de alta importância, visto
que abrange olado emocional dos indivíduos. Uma criança que encontra um ambiente de
aprendizagem favorável aprende melhor e com mais facilidade.
Para Freire (1996, p.170),
a afetividade é o território dos sentimentos, das paixões, das emoções, por
onde transita os medos, sofrimentos, interesses, alegrias” , nessa perspectiva
ensinar de forma afetuosa, é algo eficaz e predominante na vida escolar da
criança, esta, se sentindo acolhida no ambiente escolar, despertará desde a
primeira infância a vontade de aprender e explorar o conhecimento (FREIRE,
1996,p.170)
Vygotsky (1994) defende que é por meio da interação com outros que a criança
incorpora os instrumentos culturais. A construção do conhecimento ocorre a partir de
um intenso processo de interação entre as pessoas; sendo assim, a ideia apresentada
conforme autor, é de que existe grande importancia entre professor e aluno na
construção do conhecimento. O professor precisa estimular e incentivar os alunos a
realização de desafios que competem o conhecimento por meio de atividades que
desperte o desejo do aperndizado, e assim ser de eficaz neste processo.
Vygotsky (1996) reitera que o professor deve agir como mediador do
conhecimento, efetivando a aprendizagem da criança, organizando suas aulas de modo
que o conhecimento da criança seja considerado pelo professor, logo, proporcionando
autonomia e provocando os estudantes a buscarem o conhecimento, bem como instigar a
12
curiosidade.
O papel do professor passa por uma transformação, na qual educação é destinada
a promoção do homem, e o discente é o principal responsável pela troca que ocorre
dentro da sala de aula. Segundo Junckes (2013), a atuação dos professores vem se
remodelando, pois é necessário que as demandas da criança sejam atendidas, não só
transmitindo conhecimento, mas buscando a interação e instigando os estudantes ao
desenvolvimento de habilidades e consequentemente atingirem os seus obetivos.
Para Vygotsky (1989, p76) “o afeto interfere na cognição, e vice-versa, e a
motivação para aprender está associada a uma base afetiva”. Dessa forma, pode-se dizer
que um aprendizado efetivo é aquele que envolve o raciocínio lógico, com as análises e
a imaginação da criança juntamente ao afeto e as emoções oferecidas aos participantes
desse processo de alfabetização.
Nessa perspectiva, a afetividade busca ser um meio facilitador no processo
pedagógico, fortalecendo o desenvolvimento cognitivo, pois quando se usa o afeto para
instruir, a criança sente-se segura, valorizada, sendo muito importante para seu convívio
escolar. A boa relação estabelecida entre docente e discentes no processo de
alfabetização perpassa por uma afinidade recoberta de valores, que vão sendo
construídos dia após dia, mediante as atribuições de um trabalho pedagógico eficaz e
qualitativo.
Segundo Saltini (2008, p.98), “o educador sensível é aquele que questiona suas
ações pautado na abordagem que faz a criança a realidade, verbalizado uma realidade
vista a seu modo, com as suas capacidades, estruturais, funcionais e afetivas”.
Conforme autor a relação do que acontece dentro da sala de aula, quando o
professor mediador ensina com afetividade, interfere de maneirfa positiva no
aprendizado do aluno. Para Freire (1996, p.47):
[...] saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro
em uma sala de aula de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, a
curiosidade, as perguntas dos alunos, as suas inibições: um ser crítico e
inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar não de
transferir conhecimento (FREIRE, 1996, p 47).
Dessa maneira, permite-se que os estudantes se apropriem do saber e tornem-se
sujeitos críticos, construindo suas próprias visões de mundo, usufruindo de uma
convivência progressista e harmoniosa dentro do ambiente escolar.
13
Portanto, nos anos iniciais do ensino fundamental no qual a alfabetização é um
processo desafiador para alunos e professores, o docente se configura como um
mediador do processo de aprendizagem e desenvolvimento, uma figura essencial para
êxito na formação, principalmente na construção da subjetividade para a cidadania dos
seus alunos, como ser humano pertencente a um contexto sociocultural. Assim, Tébar
afirma que “o professor deve ter atitudes de empatia e acolhimento, de permanente
interação, de críticas positivas da cultura e vivência dos valores que pretende transmitir”
(TÉBAR, 2011, p.115).
2.4.3. Metodologia
A abordagem desta pesquisa é qualitativa, pois visa compreender e explicar
contextos sobre a pesquisa bibliográfica e pretende apresentar sua contribuição para a
formação do indivíduo e para o processo de ensino aprendizagem entre educador e
educando.
A metodologia utilizada neste trabalho é uma pesquisa bibliográfica de
levantamento de dados, ou seja, analisar trabalhos já organizados e buscar pontos de
vistas variados sobreo mesmo assunto: afetividade e alfabetização.
Para o levantamento da pesquisa foi utilizada a base de dados, de artigos e
periódicos eletrônicos, da plataforma Google Acadêmico. As palavras-chaves
inicialmente utilizadas paraa busca foram: “afetividade” e “alfabetização”, com as quais
obteve-se um total de 46.100 resultados.
Com o intuito de refinar os resultados, optamos por acrescentar mais alguns
descritores, além dos já citados anteriormente foram adicionadas as palavras: “professor”,
“aluno” e “ensino fundamental”, além disso selecionou-se o filtro: “pesquisar páginas em
português”, que fez comque o resultado fosse para 33.900 trabalhos acadêmicos.
Para restringir ainda mais os resultados, delimitou-se a pesquisa adicionando a
palavra: “aprendizagem”, o filtro: artigos de revisão e o filtro de data de publicação
incluindo os últimos dez anos. Optou-se também por filtrar artigos de revisão a fim de
selecionar trabalhos que já tenham revisados outros trabalhos anteriores, pois sem este
filtro resultaria em mais de nove mil trabalhos. Dessa forma, obteve-se 230 resultados,
posteriormente, decidiu-se delimitar ainda mais o período de pesquisas, diminuindo para
cinco anos, ou seja, somente no período de2016 até 2021.
Foi observado que, com esse refinamento, resultou em 180 publicações. Uma
14
análise inicial foi realizada com base nos títulos e nos resumos de todos os estudos
encontrados. Após essa análise, foram selecionados seis trabalhos dos quais possuem
relação com este trabalho e os demais que não foram selecionados, apesar de
aparecerem na busca estão relacionados a outros assuntos como: inclusão, educação
infantil, mídias digitais, matemática e outros assuntos que não estão de acordo com o
tema afetividade e alfabetização. Após releitura destes seis trabalhos, apenas três foram
considerados elegíveis por atenderem a todos os critérios. Na Tabela 1, são apresentadas
informações gerais sobre os três estudos incluídos nesta pesquisa.
TABELA 1: Estudos da pesquisa
Autor Ano de publicação Título
PIRES, Janquieli; 2021 Emoções no processo de
REGOSO,Zera Lucia aprendizagem escolar na
perspectiva dos alunos do
ensino fundamental: uma
revisão da literatura
científica”
MACHADO, Ana Paula de 2018 “A importância da
Aquino afetividade na escola:
revisão sistemática”
DE SOUZA, Maria 2020 “Relação professor-aluno e
Anunciada Leão; afetividade: uma revisão
COUTINHO, Diógenes integrativa”
José Gusmão.
3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Nesse tópico serão apresentadas as análises dos trabalhos selecionados a partir
da literatura científica acerca do papel da afetividade no ambiente escolar e suas
discussões.
A primeira pesquisa analisada foi o Trabalho de Conclusão de Curso das autoras
Pires e Regoso (2021) sob o título: “Emoções no processo de aprendizagem escolar na
perspectiva dos alunos do ensino fundamental: uma revisão da literatura científica”, as
autoras citaram incialmente que este assunto era pouco estudado e debatido, pois em
15
suas primeiras pesquisas não encontraram quase nenhum estudo que fizesse esse
mapeamento na literatura.
Em sua produção Pires e Regoso (2021) procuraram investigar na literatura
científica trabalhos que abordam as emoções no processo de aprendizagem escolar além
de identificar o papel da emoção na educação escolar sob a luz da teoria histórico-
cultural.
As autoras colocaram que em seu trabalho, utilizariam a emoção e afetividade
como sinônimas, pois Vygotsky utilizou deferentes terminologias para se referir à
emoção. A emoção é, também, função psicológica elementar, mas, que se transforma em
função psicológica superior quando se torna mediada, consciente, intencional.
Pires e Regoso (2021) afirmam que na escola as emoções são muito importantes, pois
são um meio dos alunos demonstram seu processo de aprendizagem e seu
desenvolvimento escolar. Algo apresentado por Pires e Regoso (2021), que merece
destaque, sendo de grande relevância para o nosso estudo é que, a pesquisa mostrou que
o fato de vivermos em uma sociedade com muitos avanços tecnológicos existe uma
grande procura desses meios para o processo educacional, mas isso acaba fazendo com
que não sejam desenvolvidas as partes emocional e social do indivíduo. Isso ocorre pelo
fato da tecnologia nos trazerem muita facilidade, principalmente, em relação às
informações e acaba ocasionando um cenário em que o seu uso está cada vez mais
indispensável no dia a dia. Porém a interação e o desenvolvimento das emoções acabam
por vezs não ganhando a relevância necessária dessa forma podemos perceber que as
emoções são muito importantes no processo de aprendizagem e desenvolvimento.
Na pesquisa, Pires e Regoso (2021) destacam que, assim como a Educação
Infantil, o Ensino Fundamental I é de enorme importância para o desenvolvimento da
criança, por se tratar da etapa da alfabetização do aluno logo no primeiro ano,
desempenham ações mais abrangentes na leitura e escrita, pois começam a ter acesso
direto às disciplinas de forma mais explícita e conceitual, além de embasar os valores
sociais, direitos, deveres, a noção de respeito e convivência com os demais, também
auxilia no desenvolvimento da autonomia e nas relações interpessoais. Nessa etapa as
crianças passam por transições em vários âmbitos sejam eles em aspectos afetivos,
físicos, cognitivos, emocionais ou sociais. Nesse sentido, há a importância em trabalhar
o desenvolvimento emocional dos alunos durante toda essa etapa, pois, o espaço escolar
deve proporcionar oportunidades para instigar e desafiar ainda mais esse
desenvolvimento, possibilitar a interação com as diferentes formas de expor o mix de
16
sentimentos, no qual, o aluno é capaz de sentir durante os processos de trocas com os
indivíduos que compõem seu espaço de aprendizagem. Para Vygotsky (1998) só haverá
desenvolvimento, se antes ocorrer o processo de aprendizagem, sendo que esse processo
é muito válido no desenvolvimento psicológico/mental, em que o ser humano necessita
de convivência social para o desenvolvê-lo, ou seja, o indivíduo não vai se desenvolver
sozinho, ele precisa participar de atividades que permitam a interação com outras
pessoas e assim aconteça o processo de aprendizagem.
Após o mapeamento da literatura e a análise do material disponível, foram
construídas três categorias de análise de dados sendo que um deles é o que interessa
neste artigo: relação interpessoal professor-aluno. As autoras analisaram que os alunos
retratam mais emoções dos aspectos positivos, ou seja, ações como dedicação do
professor, boa comunicação que transmite confiança, tranquilidade, afeto e carinho. Já os
aspectos negativos como mudanças rotineiras de professores geram insegurança e
frustração portanto é importante saber quais são esses aspectos positivos e negativos
para tornar a escola um espaço melhor de convivência e utilizar essas emoções com
aliadas no processo de aprendizagem. No que se refere as emoções de aspectos negativo
torna-se importante um olhar atento dos educadores para as suas práticas educativas, um
exemplo é a letra cursiva e a grande qualidade de lições que é algo corriqueiro e acaba
sendo naturalizado nos planejamentos didáticos, mas acaba causando frustração e
cansaço nos alunos, se tornando um obstáculo para aprendizagem, segundo Pires e
Regoso (2021).
Por fim, as autoras novamente citaram que observaram uma lacuna e deficiência
de trabalhos no que se refere a estudos das emoções de alunos do ensino fundamental.
Aspecto esse, que não foi identificado nas pesquisas mapeadas e reconhecem a
importância desses conhecimentos para tornar a educação um espaço de inclusão.
Avaliaram também que após os resultados de suas análises, a Teoria Histórico-cultural
poderia auxiliar a entender que a escola tem papel fundamental em promover o
desenvolvimento emocional dos estudantes. Considerando que a emoção e cognição são
aspectos dialéticos no processo de aprendizagem (MARTINS, 2011), as autoras
avaliaram que a escola necessita levar isso em conta no seu Projeto Político Pedagógico.
Chegando ao fim do percurso de pesquisa, sugeriram que a emoção dos alunos seja
abordada em processos formativos de professores para que possa ser reconhecida e
potencializada como aspecto importante na sua aprendizagem escolar.
O segundo trabalho analisado foi o artigo com o título “Relação Professor–
17
Aluno e Afetividade: Uma Revisão Integrativa, os autores De Souza e Coutinho (2020),
descrevem que existem diferentes tipos de docentes, alguns sabem o valor de sua
presença, outros procuram realizar apenas suas atividades pedagógica sem ter a
preocupação de observar o aluno de uma forma mais profunda e afetuosa.
Os autores ainda enfatizam que em uma relação interpessoal é importante, o
‘perceber o outro’ ao invés de só olhar. A afetividade é um fator determinante na
construção do sujeito que o acompanha em todas as fases de seu desenvolvimento
cognitivo comportamental, bem como, nas vivências que cada um passa na sua própria
existência como ser humano. É algo individual que não pode ser repassado e sim
vivenciado. A postura do professor mediante o aluno conduz essa relação podendo
colaborar ou não na construção dessa relação afetiva e consequentemente no processo
de ensino e aprendizagem.
Na pesquisa de De Souza e Coutinho (2020) procurou-se inicialmente investigar
nas bibliotecas digitais o quantitativo de trabalhos publicados referentes ao tema relação
professor aluno com ênfase em afetividade como critério descritor, de 2015 a 2019
objetivando entendero papel da afetividade e sua importância na relação professor-aluno
no processo ensino- aprendizagem.
Nessa pesquisa os autores chegaram a números onde perceberam que os termos
relação professor-aluno e afetividade não vem recebendo destaques nos núcleos
acadêmicos. percebeu- se que em cada ano a quantidade de produções cientificas foram
diminuindo.
Dando seguimento nas pesquisas, agora com análise qualitativa, De Souza e
Coutinho (2020) procuraram analisar nos trabalhos se a afetividade representava um
fator de relevância na relação professor aluno, para todos os autores dos trabalhos
selecionados, a afetividade
assume um papel de suma importância e conseguintemente corrobora no
processo de ensino- aprendizagem. É importante salientar que a diversidade dos temas
abordados enfatiza a importância da afetividade na relação professor-aluno, os autores
analisaram 13 temas.
Dentre os trabalhos analisados a maior parte foi na fase do Ensino Médio (8 de
13), que se justifica, pois enquanto o ensino fundamental (2 de 13) é uma etapa de
construção o ensino médio é onde os conflitos pessoais, emocionais e físicos se fazem
presentes no discente mereça uma atenção nessa etapa de construção. Nessa fase a
relação professor aluno ser mais intensa devido ao aumento de disciplinas, acréscimo de
18
carga horária que torna a relação mais complexas. O discente se depara com uma nova
formatação educacional bem diferente do ensino fundamental, bem como, se depara
com seus conflitos pessoais que estão aflorando devido a chegada da adolescência.
Aos autores afirmam que a afetividade tem um papel de grande importância no
processo de desenvolvimento do ser humano, bem como na relação para com o outro,
pois é através dela que se forma as construções do sujeito. Portanto, a afetividade pode
ser considerada como um fator essencial no processo ensino aprendizagem, pois ambos
estão envolvidos nessa construção do desenvolvimento cognitivo comportamental
podendo trazer vivencias positivas e corroborarcomo a aprendizagem do sujeito.
Em sua produção De Souza e Coutinho (2020) concluíram que é preciso rever
certos conceitos e retornar à construção dos saberes tão falada por Freire, é perceber os
alunos, é sair de traz de um birô e construir um caminho com troca de conhecimento,
generosidade e respeito. É ser técnico, mas não deixar de ser humano percebendo as
dificuldades e fraquezas, ao mesmo tempo sendo forte e seguro. Os autores enfatizam
que é importante entender que o professor não é o culpado das respostas negativas ou
positivas dos alunos, pois o fracasso e o sucesso dependem de seus esforços. No
entanto, a forma como o docente guia sua disciplina pode viabilizar novas caminhos a
serem percorridos por seus alunos.
Para os autores relações humanas existentes nas escolas precisam ser
fortalecidas. A afetividade torna-se uma parceira na construção do conhecimento que
aos poucos vai favorecendo a implicação de novos saberes e atitudes que possibilitem
ao discente integrar no processo de ensino aprendizagem não apenas os conteúdos, mas
também nos aspectos cognitivo, afetivo e na formações de ações que viabilizem o
fortalecimento do caráter e construção dos saberes. Entende-se que a afetividade está
inserida em vários contextos sociais e não seria diferente na sala de aula, onde o docente
assume um papel norteador no processo ensino aprendizagem, pois a relação professor
aluno depende da forma que o docente conduz sua aula.
Precisa-se corrigir os erros e buscar caminhos que venha a abrir novos
horizontes para os novos acadêmicos para que estes não sejam reprodutores de uma
determinada situação, mais sim, facilitadores de um crescimento contínuo e fortalecido
na afetividade e respeito entre professores e alunos.
O terceiro trabalho analisado foi o artigo escrito por Machado (2018) sobre o
tema: “A importância da afetividade na escola: revisão sistemática”, a autora descreve
que o afeto é um dos instrumentos que dentro da sala de aula flui para que o ensino-
19
aprendizagem seja efetivado, favorecendo o aluno e o professor neste contexto. A
afetividade é o combustível que move a a inteligência para assim trabalhar com
excelência.. Assim sendo, acredita-se que, a ambiência com afeto, favorece a
aprendizagem de que os sujeitos precisam.
Neste trabalho, Machado (2018) traz a temática de Vygotsky, Henri Wallon e
Paulo Freire e suas contribuições sobre o tema afetividade.
A importância da afetividade dentro da sala de aula, segunda a autora, no
pensamento Vygotskyano faz-se necessária a presença da afetividade dentro da escola,
pois a partir da interação entre o professor e as crianças, possibilita-se almejar a
estimulação dos mesmos. A sensibilidade do olhar do professor permitirá que os
estudantes se sintam seguros e com isso, promovendo a construção do conhecimento.
Em sua produção, Machado (2018) traz a temática de Wallon na formação da
criança que passa por etapas no seu processo cognitivo até chegar a uma definição de si.
A afetividade e a sua relação com o ensino-aprendizagem: as vivências em sala de aula
vai muito além do currículo, elas são permeadas por acontecimentos de base afetiva e
toda a relação do sujeito com o objeto. Neste sentido os alunos estão inseridosn nas
relações interpessoais e intrapessoais onde desenvolve a autonomia, criando sua própria
identidade.
Para a autora-pedagoga, o afeto é concebido como o conhecimento construído
acerca da cultura, através da vivência dos indivíduos. Ele não se restringe apenas ao
contato físico, mas, sim nas manifestações que a interação social favorece e estabelece
entre os atores envolvidos na escola. Nesse cenário escolar concluímos que a dimensão
afetiva deverá estar inserida na aprendizagem dos escolares e nos seus
relacionamentos. Isso se deve ao fato de que os professores e os alunos participam
ativamente das relações favorecidas pela escola, afetando- se no cotidiano escolar.
Nesses espaços escolares, percebe-se a afetividade como instrumento para saúde,
pois com uma relação saudável e harmoniosa, os discentes serão favorecidos para uma
construção de autonomia em suas próprias vidas.
Diante das questões apresentadas o estudo traz maior compreensão de
afetividade como um todo, e sua interação sociocultural, sendo de grande importância para
as referências.
Na pesquisa Machado (2018) traz uma discussão acerca da importância da
afetividade na educação. Por meio dessa análise, pretendeu-se problematizar as principais
ideias envolvidas na caracterização e nas formulações explicativas para a temática
20
analisada.
O trabalho analisou dois textos: “A mediação da educação através da
afetividade” e “A afetividade no processo Ensino-Aprendizagem e na relação com o
outro”. Onde percebeu a necessidade de que se tem, o professor estar preparado para
relacionar o conteúdo de sua prática pedagógica com as emoções dos alunos, porque,
somente assim serão garantidos que os mesmos foram aprendidos e assimilados os
seus efeitos desejados.
Além disso, para a autora, a interação do educador com o aluno é crucial para o
desenvolvimento da cognição, suas relações estão permeadas pela afetividade, por isso,
a importância do vínculo do educador e educando pelo afeto na educação é tão evidente.
O afeto é de extrema importancia desta relação, quando relacionado o progresso do
ensino e aprendizagem pelos estudantes. E conforme mencionado cabe ao educador
pensar e planejar a sua prática pedagógica para o melhor desenvolvimento integral dos
alunos, ensejando a presença da afetividade na educação, pois apresenta aspectos
determinantes e condicionantes para uma saudável relação social, dando lugar a uma
educação significativa e de qualidade, que os alunos precisam para alcançar o progresso,
no processo de ensino - aprendizagem.
Já no texto 2, a autora entendeu que a afetividade possui um papel fundamental
para a educação, dando ao educador condições de estabelecer uma relação de
sociabilidade dentro da sala de aula. Para efetivar essa relação, o professor deverá adotar
a postura de um pesquisador, um estudioso das mais complexas questões, buscando
compreensão para os questionamentos e entendendo cada um dos seus alunos de acordo
com suas peculiaridades, na medida em que forem propostos os novos desafios. Assim
sendo, ele deverá refletir e compreender o comportamento dos alunos diante de novos
conhecimentos.
Nesse cenário afetivo existente na educação, educador e educando, ensejam o
fomento, por isso, os professores deverão estar sempre abertos às mudanças necessárias
em suas práticas pedagógicas.
A autora destaca que esse afeto também alcança a relação aluno-aluno, portanto,
para que se estabeleça uma relação afetiva equilibrada, deve-se dosar o excesso de
ansiedade que surgem durante as tarefas e buscar trabalhar com afetividade e
sensibilidade, tranquilizando, encorajando e fortalecendo os alunos na prática das
atividades, provas e testes, entre outros, favorecendo esses sujeitos.
Diante de todo elencado acima, Machado (2018) conclui que as experiências na
21
escola,são permeadas por vivencias afetivas positivas e trocas, que atuam sobre o objeto
de conhecimento, também promove a autonomia dos estudantes, possibilitando que
todos que estejam envolvidos na educação notem quem é o outro, com quem eles se
relacionam, desse modo, enriquecendo o ambiente educacional.
Continuando, a pedagogia afetiva é uma linha que deverá ser seguida e
trabalhada por meio da demonstração do afeto, sensibilidade, respeito, responsabilidade,
dedicação, empatia ecompromisso com a educação.
Segundo Machado (2018), a afetividade na educação é um fator importante, que
uma vez que, o educador e alunos, os discentes entre si mesmo, no grupo, em pares,
entre outras formas, para que se estabeleçam cooperação na discussão dos assuntos
propostos. A temática sobre a afetividade nos permite a reflexão sobre o que posso
melhorar, para que cause boas ações pelas minhas condutas a outras pessoas na
sociedade. Nesse espaço de relação e saúde que é a escola, vão-se trabalhando com a
afetividade na educação, sendo ela capaz de transformar a nós mesmos e aos outros.
Qual é o impacto que causa no outro, as emoções e afeto? Um sentimento verdadeiro,
visto como uma afetividade transformadora, porque possui a capacidade de impulsionar
ao aluno a sempre querer aprender, cada vez mais, por causa, da didática que o professor
utiliza em sala de aula, favorecendo harmonia afetuosa no ambiente escolar. Ao
relacionarmos a educação com a afetividade, vimos que ela é capaz de proporcionar o
amor e o contato entre os estudantes na escola, facilitar o ensino-aprendizagem e
colaborar com a prática pedagógica.
Nesta perspectiva, o que podemos vislumbrar na educação são fatos que versam
sobre a importância da afetividade no processo de ensino-aprendizagem, o
reconhecimento da relação de poder que a escola exerce com público alvo, capaz de
persuadir e transformar a mentalidade dos alunos, favorecendo o conhecimento de
maneira articulada, desenvolvendo habilidades e criando vínculos entre os atores da
escola, também, contribuindo para formação destes sujeitos, tornando-os autônomos e
conscientes. O que o educador transformador, pode motivar e incentivar os alunos, para
que alcancem aprendizagem, na educação com afeto? Um desejo de aprender e o
entendimento consciente sobre o que foi ensinado em sala de aula. Uma participação
efetiva de uma educação cidadã. Um progresso da educação com afetividade. Podemos
desejar a eficácia da educação e garantir assim aos alunos uma aprendizagem eficaz e
qualitativa, contribuindo para um futubro melhor .
De acordo com Machado (2018), percebemos que, com a afetividade
22
desenvolvemos a empatia pelo outro e relativizamos com alteridade, pelo fato de
refletimos sobre quem é esse outro que toca, afeta e também é afetado por mim. Ainda
que, a relevância e o valor que se outorgam nas metodologias usadas pelos educadores,
tanto auxiliam na construção de conhecimento, quanto na produção de uma
aprendizagem significativa pelos alunos.
Dessa maneira Machado (2018) conclui que as diversas propostas e estratégias
de ensino-aprendizagem que foram trabalhadas com afetividade, na utilização pelos
educadores possuem características peculiares, tanto no que ao referirem as situações que
envolvam apenas um sujeito, quanto as que envolvam todo um grupo de estudante, nos
complexos processos deensino e na construção dos saberes. Assim, entendem-se a
necessidade da valorização da afetividade em todos os processos de ensino-
aprendizagem que acontecem na educação, bem como as formas, significativa das mais
diversas práticas docentes, oportunizadas aos estudantes.
3.1. Discussão dos Resultados
De acordo com a leitura e a análise dos estudos apresentados percebeu-se que
tanto nas pesquisas bibliográficas quanto nas observações feitas pelos autores, a
importância do papel da afetividade no processo de ensino-aprendizagem, interferindo
diretamente na relação professor- aluno. Observamos que todas as pesquisas analisadas
encontraram-se ancoradas teoricamente em autores renomados como Paulo Freire,
Henri Wallon, e Vygotsky, que defendem a necessidade de uma prática com valor
afetivo para o desenvolvimento mais significativo para as crianças, enquanto indivíduo
pertencente a um cenário social repleto de valores variados.
Nos estudos das pesquisas também observamos que em todos os trabalhos foi
mencionado que a afetividade é algo essencial na vida dos indivíduos, por meio dela
criam-se relações com os demais sujeitos da sociedade, deste modo, entendemos que o
processo de afetividade torna-se imprescindível para todos. Por ser o processo de
alfabetização complexo, a afetividade do professor para com o aluno torna-se um fator
complementador e de alta importância, visto que abrange o lado emocional dos
indivíduos. Dessa maneira, a educação é construída conjuntamente entre professores e
alunos, de modo que ambos construam uma relação de afeto, que busca o
desenvolvimento integral da criança, visando levá-la a um desenvolvimento e a uma
educação de qualidade.
23
De acordo com os artigos de revisão e levando em consideração a complexidade
que é o processo de alfabetização juntamente ao termo afetividade, percebemos que em
todos os trabalhos são citados que a participação da família é fundamental como forma
de motivação e que a relação criança e professor seja construída de forma leve e
afetuosa resultando no aprendizado desejado. Crianças motivadas gostam de aprender.
Os artigos também citam a necessidade de mais formações continuadas para que os
professores conheçam e deem novos significados às práticas pedagógicas na
alfabetização.
Observamos também nos trabalhos analisados que foi abordado o papel do
professor como mediador do aprendizado, mostrando a necessidade da mediação do
docente para uma aprendizagem mais satisfatória da criança.
Concordamos com esses trabalhos quanto à necessidade de reconhecer e
valorizar a importância de uma boa relação entre professor e aluno no processo ensino e
aprendizagem. Na arte de educar, por meio de uma relação social afetuosa, permite que,
os alunos aprendam, desenvolvam habilidades e sejam estimulados a viverem novas
experiências, produções, criações e a solucionarem seus próprios conflitos, além da
compreensão de que um ambiente afetivo favorável promove um acolhimento e uma
relação de confiança e aprendizagem.
Portanto, acreditamos que o objetivo geral de discutir a influência da afetividade
na alfabetização nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, assim como os específicos
foram cumpridos já que conceituou-se e discutiu-se sobre a afetividade no processo
formativo e de ensino-aprendizagem, além de promover a reflexão acerca da relação
entre afetividade docentee a alfabetização.
24
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O tema abordado por esta pesquisa, teve como propósito discutir a influência da
afetividade na alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de
promover a reflexão acerca da relação entre afetividade docente e a alfabetização.
Com a análise dos resultados dos estudos pesquisados, observou-se que estes
sugerem, que a afetividade é imprescindível para o desempenho educacional e na
relação professor-aluno visto que a alfabetização é um processo complexo, desse forma,
se há afetividade, todo o processo torna-se mais prazeroso para a criança, facilitando,
assim, sua aprendizagem e contribuiano também para o professor, que se configura
como um mediador neste processo de desenvolvimento, sendo uma figura essencial para
êxito na formação e para uma aprendizagem mais efetiva.
Em uma breve descrição no trabalho, abordou-se sobre as dificuldades que os
alunos e professores encontram neste processo que é dado pelos aspectos emocionais e
afetivos interferindo em um melhor ou pior rendimento do aluno, pois, demonstram que
os problemas emocionais tem sido bastante associados com as dificuldades de
aprendizagem. Podemos dizer que as dificuldades de aprendizagem do aluno fazem
parte e de sua estrutura individual; sendo que para haver sucesso e eficácia, seja uma via
de mão dupla entre alunos e professores.
Nesse sentido, tende-se que apesar da afetividade o tema é bastante significativo
na área da aprendizagem, e percebe-se que no cenário da educação isso é pouco
vivenciado no dia-a-dia dentro das escolas.
A relação afetiva entre aluno e professor no processo de ensinar e aprender, o
diálogo, respeito, empatia contribui para um um melhor aprendizado. Segundo
Ranghetti (2002, p.89), a afetividade:
“[...] dá o brilho à relação pedagógica, desencadeando o convívio da razão
com a emoção num movimento com a vida, do interiorpara o exterior do ser e
vice-versa”. Dessa maneira, não há quem somente ensina ou quem somente
aprende, é ação conjunta que proporciona cada vez mais interesse em
aprender.
Em contrapartida para que o ensino aprendizagem seja eficaz , é necessário que a
afetividade seja um meio facilitador no processo pedagógico, fortalecendo o
desenvolvimento cognitivo, pois quando se usa o afeto para instruir, a criança sente-se
25
segura, valorizada, sendo muito importante para seu convívio escolar.
A boa relação estabelecida entre docente e discentes no processo de alfabetização
perpassa por uma afinida de recoberta de valores, que vão sendo construídos dia após
dia.
26
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