Profª.
Drª Aline Cardoso de Paiva
Lipídios
Os lipídios são compostos de carbono,
hidrogênio e oxigênio quase insolúveis em água
e solúveis em solventes orgânicos como éter,
benzeno, clorofórmio, etc. O termo lipídio
engloba os óleos, gorduras e derivados.
Funções dos lipídios
✓ Armazenamento e fornecimento de energia;
✓ Fornece ácidos graxos essenciais;
✓ Transporta as vitaminas lipossolúveis (ADEK);
✓ Isolante térmico;
✓ Proteção de órgãos vitais;
✓ Constituinte da membrana celular
✓ Condução de sabor (palatabilidade);
✓ Reguladores da adipogênese, inflamação, ação da insulina
e função neurológica.
Lipídios
Representam a principal forma de armazenamento
de energia nos animais.
Fornecem 9 Kcal por grama
Nomenclatura: é baseada no número de átomos de
carbono e na localização da primeira dupla ligação,
que é contada a partir da ponta que contém o radical
metila e é designada pelo número ômega “” ou n.
Lipídios
Exemplo:
O Ácido linoléico possui 18 carbonos, duas duplas
ligações, sendo a primeira no sexto carbono.
C18:2 6
Classificação dos lipídios
Lipídios Simples:
1. Ácidos graxos (saturados e insaturados)
2. Gorduras neutras (mono, di e
triacilglicerol)
3. Ceras
Classificação dos lipídios
Lipídios Compostos: possuem outra substância
agregada a sua molécula
1. Fosfolipídios (esfingomielinas, lecitinas)
2. Glicolipídios
3. Lipoproteínas (HDL, LDL, VLDL)
Classificação dos lipídios
Lipídios Derivados:
1. Álcoois (glicerol)
2. Esteróis (colesterol)
3. Hidrocarbonetos (carotenóides)
1 - Ácidos Graxos
Os ácidos graxos variam em tamanho de acordo com o número de
átomos de carbono que pode variar de 4 a 30.
Podem ser classificados de acordo com o número de carbonos.
Cadeia curta: 6 ou menos carbonos
Cadeia média: 6 – 12 carbonos
Cadeia longa: 12 - 18 carbonos
Cadeia muito longa: > 18 carbonos
Ácidos Graxos
Os AG são cadeias retas de hidrocarbonetos, terminando
com um grupo carboxila numa ponta, e um grupo metila na
outra.
Podem ser classificados em saturados e insaturados,
dependendo da presença ou ausência de ligações duplas.
O
C
Dupla ligação cis: ácido oléico OH
O
C
Dupla ligação trans: ácido elaídico OH
Ácidos graxos saturados
• São aqueles que não possuem duplas ligações, ou seja,
todas as valências do seus átomos de carbono estão
ligadas a moléculas de hidrogênio.
• Tem ponto de fusão mais alto que os AG insaturados e
são encontrados em grandes quantidades em fontes
animais. Nos vegetais é encontrado em grande
proporção no óleo de coco (86%).
Ácidos graxos saturados
• Tendem a aumentar o colesterol sérico,
contribuindo para aumentar a ocorrência de
doenças cardiovasculares.
• Os mais aterogênicos são o mirístico
(C14:0) e o palmítico (C16:0).
Ácidos graxos saturados
Principais fontes: produtos animais - carnes e leite e
derivados.
8 a 18 átomos de carbono
• 8:0 Ácido Caprílico
• 10:0 Ácido Caproíco
• 12:0 Ácido Láurico
• 14:0 Ácido Mirístico
• 16:0 Ácido Palmitico
• 18:0 Ácido Esteárico
Propriedades
Fonte de energia
Componente estrutural das membranas celulares
Associados à proteínas
Podem ser sintetizados pelo corpo
Também tem papel importante na textura e paladar do
alimentos
Ácido Palmítico (Manteiga)– usado na indústria –
propriedades organoléptica
Ácido esteárico – contrário - uso limitado
Ácidos graxos Insaturados
• São aqueles que possuem uma ou mais duplas
ligações.
• Os ac. Graxos insaturados tem ponto de fusão mais
baixo que os ac. Graxos saturados. São líquidos a
temperatura ambiente. Ex: óleo vegetais.
Ácidos graxos Insaturados
1 - Ácidos graxos monoinsaturados (MUFA)
• Possuem apenas uma dupla ligação.
• Não elevam o nível de colesterol sanguíneo. A substituição
dos SFA pelos MUFA reduz o LDL-c e o HDL permanece
inalterado.
• O oléico é o ácido graxo monoinsaturado mais comum
constituindo cerca de 70% do óleo de oliva. São encontrados
nos óleos vegetais (soja, canola, girassol, peixes, amêndoas,
etc.
Ácidos graxos essenciais: ômega 3
• Os ácidos graxos 3 estimulam a produção de
prostaglandinas e tromboxanos que previnem a
formação de coágulos, causam vasodilatação,
reduzem colesterol e triglicerídeos plasmáticos.
Tem ação anti-inflamatória.
• O excesso de AG ômega 3 pode aumentar o tempo
de sangramento, infecções e peroxidação lipídica.
Exemplos de Ácidos graxos essenciais: ômega 3
Linolênico C18:3 -3
Presente nos vegetais de folhas verdes, brócolis, espinafre,
leguminosas, linhaça, etc.
Ácido eicosapentaenóico (EPA) C20:5 -3
Presente em óleos de peixe (salmão, arenque,
bacalhau, atum)
ácido docosahexaenóico (DHA) C22: 6 -3
Presente em óleos de peixe (salmão, arenque,
bacalhau, atum)
Ácidos graxos essenciais: ômega 6
• Favorecem a formação de prostaglandinas e
tromboxanos que causam agregação plaquetária,
formação de coágulo e vasoconstrição. Tem ação
proinflamatória. É componente da MC. Reduz LDL e
CT, mas em excesso reduz HDL.
• A deficiência do ac. Linoléico causa dermatite e
desenvolvimento precário em bebês.
Ácidos graxos essenciais: ômega 6
Ácido linoléico é encontrado em óleos de girassol,
milho, canola, soja e açafrão, sementes oleaginosas
(nozes e amendoas), leguminosas, etc.
Tabela 1 – Distribuição percentual de ácidos graxos
em algumas gorduras
Lipídios Distribuição percentual de ácidos graxos (%)
saturada monoinsaturada poliinsaturada
Manteiga 63 31 3
Toucinho 42 48 10
Óleo de coco 92 6 2
Cacau 61 34 3
Palma 50 40 10
Algodão 25 20 55
Oliva 17 72 11
Soja 15 24 61
Milho 13 28 59
girassol 12 19 69
Açafrão 9 13 78
Distribuição de AG nas principais fontes de
lipídios
Fonte: MACHADO, 2008
Ácidos graxos Trans
Os ácidos graxos trans apresentam os
hidrogênios do lado contrário numa dupla
ligação.
Ácidos graxos Trans
• Durante o processo de hidrogenação onde os fabricantes adicionam
hidrogênios a óleos para torná-los sólidos ou pastosos são formados os
AG trans.
• As principais fontes de AG trans na dieta são a margarina, banha
hidrogenada e os produtos produzidos com a utilização destes (pães,
bolos, salgados, etc.)
• Existem evidencias que mostram que os ácidos graxos trans aumentam
o colesterol sérico (Vergroesen, 1972).
• E também reduzem o HDL-c (Mensink e Katan, 1990)
Alta ingestão de AG trans:
Diminuição de HDL
Aumento de LDL
Aumento do TG plasmático
Bloqueia o metabolismo do AG essenciais*
Produção de eicosanóides sem atividade biológica*.
*em cobaias
(MARTINS et al., 2004)
Ácido Linoléico Conjugado (CLA)
Isômeros do geométrico e posicional do ácido linoléico com
duplas trans/cis conjugadas.
9 isômeros reportados na literatura, mas apenas 2 são
biologicamente ativos: cis-9,trans-11, trans-10,cis-12:
trans-10,cis-12 – reduz a deposição de gordura no adipócito
cis-9,trans-11 – inibição de carcinogênese
Limitados estudos mostram que ambos inibem a aterogênese
Naturalmente presente em produtos lácteos e carne de ruminantes –
biohidrogenação no rumem (Butyrivibrio fibrisolvens).
cis-9,trans-11 CLA – biohidrogenação do Ácido Linoléico (w-6)
trans-10,cis-12 CLA – biohidrogenação do ácido linoléico.
Triglicerídeos
Principal reserva de gordura animal.
O glicerol é um composto simples que contém 3
grupamentos hidroxila. Quando os 3 grupamentos álcool
formarem ligações ésteres com ácidos graxos forma o
Triacilglicerol.
Não são componentes da membrana plasmática, mas
são armazenados no tecido adiposo.
Triglicerídeos
Fosfolipídeos
São componentes essências da bile, componente da
membrana celular.
Possui natureza anfipática – hidrofílicos (serina,
colina, etanolamina) e hidrofóbicos.
Ex: fosfatidiletanolamina (cefalina), fosfatidilserina
(lecitina), fosfotidilinositol, fosfotidilglicerol, etc.
Esteróis
Produzidos em animais e vegetais.
Fitoesteróis são produzidos pelos vegetais – reduz
nível de colesterol.
O colesterol é o esterol mais conhecido. Pode ser
sintetizado por todas as células do organismo,
particularmente no fígado e no intestino.
O colesterol é componente da membrana celular,
precursor de ácidos biliares, hormônios esteróis e
vitamina D.
Digestão e absorção de gorduras
Transporte dos Lipídios
Os lipídios são transportados pelas lipoproteínas.
QUILOMÍCRONS: São lipoproteínas grandes contendo
colesterol (CH), fosfolipídio (PL)e principalmente TG.
Produzidos no intestino delgado.
Composição: 86% de TG, 8.5% PL, 3% CH e 2%
apoproteína.
• As lipoPTN possuem um núcleo de
lipídios circundado por uma camada
de apoPTN anfipáticas, fosfolipídios e
colesterol livre;
•A porção polar fica exposta na
superfície das lipoPTN tornado-as
hidrossolúveis;
Champe, et al. 2006 Champe, et al. 2006
Quilomícrons
Transportado pelo sistema Linfático
Entra na circulação no ducto toráxico
Sensível à enzima lipoproteína lipase
Libera TG tecido adiposo
VLDL: a lipoproteína de densidade muito baixa é
sintetizada no fígado.
É composta de 50%TG, 18% PL, 21% CH,10%
apoproteína (B100, C I, II e III, E).
IDL: a lipoproteína de densidade intermediária é
formada a partir das VLDL sob ação da LLP e
continuam a liberação dos AGL para os tecidos.
É composta de 22% TG, 22% PL, 38% CH, 18%
apoproteína (B100, C III e E).
LDL: a lipoproteína de baixa densidade é formada a
partir das VLDL e IDL.
É composta de 8% TG, 25% PL, 42% CH, 25%
apoproteína (B100). Transportam o colesterol para os
tecidos.
É conhecida como colesterol “ruim” por estar envolvida
na formação da placa aterosclerótica.
HDL: a lipoproteína de alta densidade é no
intestino (apo A) e fígado (apo E).
• É composta de 4% TG, 28% PL, 20% CH, 48%
apoproteína.
• Em 1975 foi observado pela primeira vez o seu efeito
reverso no transporte do colesterol, transportando
o colesterol para o fígado.
• É conhecida como colesterol “bom” por proteger o
organismo contra a deposição do colesterol na
placa aterosclerótica.