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INTROOUCAD ARTE: CONHECIMENTO -EEXPERIENCIA, TI * Preparando as tintas @ 0s pinceis, 11 Zonas de contato, 12 * Afinando os instrumentos, 12 * Roda de conversa, 13, Disciplina Arte - seus campos artisticos suas zonas de contato, 14 * Arte em didlogo ~ Arte e Matemitica, 14 * Arteno diva dia, 16 Arte e experiéncla, 16 Musica e imagem, 18 Fazer arte, 20 * Ensaio corrido, 21 * Roda de conversa, 21 ARTE, TEMPO, ESPACO EMOVIMENTO, 23 * Preparando as tntas @ os pincéis, 23 Capitulo 1 Miisica e espaco, 24 * Ainando os nstrumenios, 26 * Rowia de convetsa, 25 Som é vibragao, 25 * Arte em didlogo ~ Miisicae Fisica, 26 + Arte em dalogo — Musca e Lingua Portuguesa, 28 + Arte em didlogo - Misicae Biologia, 29 + Fazerate, 30 * Arteno dia adie, 31 Partituras e outras formas de representacao dos sons, 32 = Fazer arte, 33 # Ensaio comido, 33 + Roda de conversa, 33, Capitulo 2 Artes cénicas:tempoe espago, 34 * Afinando 0s insttumentos, 34 * Roda de conversa, 35 Artes da presenca: artistas e piiblico em ‘um mesmo espaco ao mesmo tempo, 36 «= Arte em dilogo — Teatro ¢ Lingua Portuguesa, 41 = Fazer arte, 43, Circo: tempo e espago, 44 ® Arte em délogo- Circo, educagdo.e cidadania, 47O corpo também tem meméria, 48 * Arteno diaa dia, 49 Espetaculo, ritual ou brincadeira?, 50 = Arte em didlogo ~ Artes cénicas e Histéia, 52 ® Arte no dia a cia, 54 * Ensaio corrido, 55 + Roda de conversa, 55 Capitulo 3 Escultura: tempo, espacoe movimento, 56 * Afinando os instrumentos, 57 = Roda de conversa, 57 ‘Movimento das esculturas e esculturas de movimento, 58 "= Fazer arte, 59 Aescultura: arte do espaco, do ‘tempo e do movimento, 60 * Fazer arte, 60 + Arte em didlogo — Artesvisuais ates cénicas 61 Escultures e espago puiblico, 62 = Arte no diaa dia, 63 + Arte em dislogo - Artes plisticas e Historia, 64 * Ensaio corrido, 65 * Roda de conversa, 65 Capitulo 4 Imagem em movimento, 66 * Afinando os instrumentos, 65 += Pods de canversa, 67 ‘Desenhando com luz, 68 ‘= Arte em didlogo — Fotografia, Fisica e Quimica, 70 Cinema e ilusdo de movimento, 71 * arte no dia adi, 73 + Fazerarte, 74 [Arte holandesa - arte da descricéo, 74 * Fazer ate, 75, + Ensau comido, 77 = Roda de conversa, 77 Capitulo Musica e movimento, 78 = Afinando os instrumentos, 78 ® Roda de conversa, 79 ‘Midsica € som em movimento, 79 * Fazer arte, 80 Osiléncio 502, 81 * Arte em dislogo ~ Musica e Fisica, 83 + Fazer arte, 84 = Arte no dia a dia, 85 Pulsacio, 86 = Fazer arte, 88 + Ensato corrido, 89 * Roda de conversa, 89 Capitulo6 _Danca, teatro e movimento, 90 + Afinando os insteumentos, 90 = Roda de conversa, 91 Artes hibridas, 92 Arte em didlogo - Opera de Pequim e Historia, 92 + Artem didlogo— Capoeira ecultura brasileira, 93 * Arte no dia a dia, 94 Teatro gestual, 95 ' Arte em dislogo ~ Artes c&nicas e deficencia fsica, 96 Danga, teatro e cinema, 97 * Fazer arte, 98 = Arte em didlogo - Artes cénicas € Lingua Portuguesa, 101 + Ensaio corrido, 101 * Roda de conversa, 101 Atividades de miltipla escolha, 102 Para saber mais, 105 @ ARTEESOCIEDADI 107 107 * Preparando as tintas © os pine: Capitulo 7 Teatro e sociedade, 108 * Afinando os instrumentos, 108 + Roda de conversa, 109 Oteatro na Grécia, 110 + Ate em didlogo - Teatro e Historia, 10 * Arte no dia adia, N2 Teatro e resisténcia politica no Brasil, 114 1 Fazer arte, 116 Teatro como expressio politica: Zona de Arte da Periferia - ZAP 18, 18 1 Ensaio corrido, 119 * oda de conversa, 119 Capitulo8 Imagem e poder, 120 ** Afinando os instrumentos, 121 * Roda de conversa, 121 Imagens reveladas — do primitivo a0 século XIX, 123 Das artes & arquitetura - produgao de imagens no Egito Antigo, 126 A Grécia Antiga ea imagem como representacao de esplendor e nobreza, 128 ‘Arte em didlogo - Artes visuals e Historia, 128 ‘Arte como subverséo na década de 1960, 130 = Arte no diaa dia, 133, + Fazer ate, 134 * Ensaio corrido, 136 * Roda de conversa, 136 Capitulo9 Dancaesociedade, 137 ' Afinando os instrumentos, 137 = Roda de conversa, 139 Quando a danga invade as ruas, 140 * [Link] dislogo~ Danca e Hip-Hop, 14 = Ane no dia a dia, 43ARTE: CONHECIMENTO E EXPERIENCIA PREPARANDO AS TINTAS E05 PINCEIS: A disciplina escolar Arte é ums érea do conhect- } mento humano, como tambem o sao as disciplinas Matemética, Geografia, Inglés etc. [550 ocorre porque aarte éuma forma espectica de conhecer o mundo, Vivencilo e einventévlo; de conhecer as diferentes formas com as quais as pessoas se relacionam, Os artistas, assim como outros profissionais, contriouem para o desenvolvimento da cultura, da identidade de um povo e de um pais. ‘Ao final desta Introdusao, espera-se que voce possat = conhecer um pouco sobre os campos ar- tisticos contemplados pela disciplina Arte e suas cunas de comtato entre si € com outres areas do conhecimento; * experimentar e fir antsticamente propostas | interartes que envolvam mais de um campo attistico, praticando uma expresso artistica | fonteitiga com outros conhecimentos. cease eee eT Cd Urs eet cect cui Lae eroelenie i nan OM Csocncuie Ce heecaneurcermseet ance Cr erroue Tucci (eo el seat state Orrinauek (eee ious sri Remon neces Tose c as Ee_ Contetidos DP = Acscipin Ante e seus campos arti fates vsuais, danca, musica e teatro) = Zonas de comtato er - coscampos antsticos, periéncia Bocas, quantas boct A cidade vai abrir Priuma alna de artista se entregar Palmas pro artista confiundir nas pro artista tropecar Foto da remontagem de O grande ico istic digida por Joo Fonseca, apresentada na fie de Janet (fi), em 2014, [m primero plano, ests ‘ator Fernando Eias, representando a administrador do circ. A obra é composta de elements da music, bal, cio, teatro, dpe e poesia. A Primera estreia aconteceu em 1983, com o balé do Teatro Guaira, em Curitiba (PR). A disciplina Arte é composta por quatro campos artisticos: artes visuais, danca, musica e teatro. Cada um deles tem, a0 mesmo tempo, sua especificidade e grandes zonas de contato, ou seja, espagos em que cada campo interage com elementos de outras expressdes artsticas 42 mrropugho ascree Essa interagao também esté presente em outras disciplinas e € uma das caractersticas da Ultima década do século XX e do inicio do século XX. No livo Os sete saberes necessdrios d educagao do futuro, de Edgar Morin (19213, 0 fldso‘o francés trata da importancia da integracao entre todas as dreas do conhecimento para a com preensao e superacao dos desafios do século XX. [A educagao do futuro deverd ser 0 ensino primeito e universal, centrado na condigéo humana. Estamos na era planetiria; uma aventura comum condhuz os seres humanos, onde quer que se encon trem. Estes devem teconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a divers. dade cultural inerente a tudo que é humano. [..] Disco decorre que, para a educasio do futuro, é necessirio promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciéncias naturais, a fim de situar a condigio humana no mundo, dos co- nhecimentos derivados das ciéncias humanas, para colocar em evidéncia a multidimensionalidade e a complexidade humanas, bem como para integrar (na educagio do futuro) a contribuigio inestimavel das humanidades, nio somente a filosofia e @ historia, mas também a literatura, a poesia, as artes... MORI, gar. Ossete saber ness @ dco do far, So Pallas, OF Crees, 2000p. 3-46 Quem vive nesta segunda década do século XX1, pode afirmar que o futuro do qual fala Morin jé chegou. Por isso, essa integracdo das diversas éteas do conhecimento na escola é tdo importante e € o que vocé its perceber ao longo do livro em relacao a disciplina de Arte, Sao Responda as questées a seguir e, depois, discuta as respostas com os colegas: 1..Com qual dos quatro campos artisticos que compen o componente curricular de Arte (artes vir suais, dance, misica e teatro) vocé tem mais contato? Justifique a sua resposta. 2.0 que é arte para vocé? Justifique sua resposta. ‘Aro: Connecinonto.e FxpeiénchDisciplina Arte - seus campos artisticos e suas zonas de contato Para evidenciar os territérios de cada campo artistico e as suas interse- ‘ses, chamadas, aqui, de zonas de contato, vamos dialogar com a teoria ma- temitica dos conjuntos, OU ETCUr Tite) Deacordo com a teoria matemitica dos conjuntos, um conjuntoé uma colegao néo ordenada de zero ou mais objetos distintos, que so chama- dos de elementos do conjunto. Para nertenrer a uum conjunto, os elemen tos tém de compartithar as caracteristicas que o definem. Por exemplo, no aso do conjunto dos nimeros pares, o ntimero 2 é um elemento perten- Cente a esse conjunto; é 0 nmero 3 no pertence 20 conjunto dos nix 'metos pares, pois é impart. Hd, também, a possibilidade de intersecio en- {Te 0s conjuntos, ou seja, em dois conjuntos A € B, pode haver uma série de elementos que pertencam, simultaneamente, a A @ aR Se pegarmos, como exemplo, o conjunto dos numeros primos, haverd intersecéo entre €€38e conjunto e 0 conjunto dos numetos impares e o dos ntimeros pares. Onumero 17 é um ntimero que pertence, 20 mesmo tempo, 20 conjun- todos ntimeros primos e ao conjunto dos numeros impares. 0 nimero 2, Por sua vez, pertence a0 conjunto dos numeros primos e 20 conjunto dos ‘nuumeros pares. Assim, podemos pensar que 0 coniunto dos niimeras pri- Mos possui duas zonas de interseco: uma com o conjunto dos niimeros ares € outra com o dos impares. Esses conjuntos (numeros pares e impa- res),no entanto, nao possuem intersecdes entre si _— ! Centos ! — 1 nimerosprimas 5 a! Austragdo - 3 esquemitic do {Cx ds \ [4 5 Conjunto dos \ count dos { ar || indmerosimpares,_ndmeros primos e 26 8 o desuasinersegies aa a comes conjuntas 0 5 Z dos niimeros pares ~ - impares. 44 INTRODUGAO Ane: Gomhocimentoe Bepeeéncia Eisai Disponivel em:
5, quais sensacdes as musicas escolhidas para cada video causaram em voce? Justifique sua resposta dando exemplos dos videos dos grupos que mais Ihe chamaram a atencao. ‘0 que vocé achou da experiéncia de assistr aos videoclipes editados com duas musicas diferen- tes? 0 impacto das imagens mudou dependendo da miisica escolhida? Dé exemplos. OAR Na Introducao foi apresentada, nas palavras de Edgar Morin, a jideia da educagao do futuro, na qual “os conhecimentos precisam ser remembrados’, ou seja, ordenados novamente de modo integrado para que ‘se possa compreender o ser humano e suas relates em todas as suas dimensbes. Partindo da teorie matemntica de conjuntos foram apresentados os campos artisticos da dscipina de Arte {ortes visuals, danga, misicae teatro) suas Zonas de contato entre sie com outras éreas de conhecimento. Conheceu-se 0 que Jorge Larrosa chama de “experiéncia': algo que acontece a alguém individualmen- tee que, algumas vezes, pode ser convertido em um “canto” que serd capaz de tocar as experiéncias indi- viduais de varias outras pessoas. A arte pode ser entendida como um canto de experiéncia capaz de res- soar de maneira diferenciada em cada um que a vivencia. DE CONVERSA EP. = Que contribuigao a arte pode trazer para a compreenséo do mundo, dos seres humanos e de suas relagoes? Justifique sua resposta com elementos do que voc® jé teve como experiénciUNIDADE ARTE, TEMPO, I ACORS MOVIMENTO , fol visto gu TecnKOS € expressiur eliaversern os Ui pos artisticos. Foram selecionados trés deles: tempo, ‘espaco e movimento, por ajudarem a conhece, fruir praticara danca,o teatro, asartes visuals e a misica Tempo é 2 duracio, ou seja, o tempo que de- corre entre um acontecimento € outro, como a duragao de uma sinfor Oeespaco € 0 lugar au o suporte de uma obra: rua para artistas cénicos, a partitura para © composi- tot Ele determina muitas caracteristicas de um | (© movimento ¢ 0 que acontece no espago € no tempo, Em um filme, por exemplo, o movimento da 3 passagem de um numero determi- nado de fotogramas ern uma duracio de temp. ssa Unidade, espere-se que voce poss: = reconhecer os elementos tempo, espaco e movimento nos campos artisticos; * conhecer alguns momentos histéricos impor Tantes ¢ a influéncia dos elementos tempo, es paco e movimento nos campos aristicos = experimentar 0 teatro, a danga, as artes vi- suais e a musica a partir dos elementos tem- po, espago e m re Cae Doe eect eeu Creme sciContetidos "= Miésca no espaco (ondas sonoras) = Altura do som: ‘raves © agudos Foto representando som que se propaga em ondas, desdesua fontesonaraatéasoehas de quem cuve.F.K. Harvey demonstra odreconamento de let asic nas nds sonora emits paid comet, aesquerd, no Bel leephne aborts Foto de 20 dun de 1950, AFINANDO OS INSTRUMENTOS Amisica & considerada por muitos estuctiosos como a arte do tempo, 20 contrario das artes visuais - como a escultura -, que so artes que existem no espaco. Isso se deve ao fato de a miisica ser uma arte que precisa do passar do tempo para acontecer. Toda mdsica apresenta uma durago que pode ser medida, desde uma cancao de trés minutos, feita para tocar no rio, até uma sinfonia de uma hora, para ser executada em uma sala de concertos. Assim, para ouvir uma misica, precisamos de todo 0 tempo de sua duragdo. Porém, além de considerar a musica como uma arte da duracdo, é possivel entendé-la também como uma arte do espaco, como seré estudado neste capitulo, ao tratar de ondas sonoras. 24 -2 espaPOSTE =< EP1. Voc’ sabe como o som é produzido e propagado? 2. Converse com os colegas e imagine como e por que a masica pode ser considerada também uma arte do espaco. e Som é vibragao Todo som vem de uma fonte sonora, que pode ser um instrumento musical, 2 voz de uma pessoa, as maquinas, os fendmenos da natureza € ‘até 0 simples toque de um objeto em outro. O som é produzido a partir de vibragoes provenientes da fonte sonora e chegam 20 cérebro humano por meio da orelha. Além disso, 0 som que, junto ao silencio, forma a *matéria~ prima’ da miisica precisa do espago para
‘Acesso em 24 mar. 2015 No ste do Proto Verbivocovisua std dsponives videos, Sudios,e Imagens das poesis, além das biogtaias dos principals concretistas brasleros. Ha Inclusive o video do poera “Opulsar’ que fol musicadoe ‘gravado por Caetano Veloso, Navegue pelo ste e descubra as potendialidades visuais dos poemas concretos Por fim, ve‘ video co poema 0 pulsar’ e compare ‘coma andlse que voce fezna seco anterior. Foto da Orquestra de erimbaus do Mora do Querosene.O grupo &formado por ceposists, misicos ‘epessoas da comunidede da Vila Prajucar,Butant na cidade de Sto Paulo. Foto de 2014 ‘As ondas sonoras se propagam pelo ar €, a0 entrar pelo pavilho auricular, so direcionadas para interior da orelha, onde chegaréo a0 timpano, fazendo-o vibrar também. Essa vibracéo do timpano aciona um ‘complexo mecanismo de transmissio de vibragdes através de trés ossos mintisculos da orelha médi primelro, o martelo; depois, a bigorna; e, por Ultimo, o estribo. Esses ossos, um a um, vao pasando adiante as vibracbes recebidas.Jé na orelha interna, as vibrag6es fazem o liquido do interior da céclea, uma estrutura ern forma de caracol, se movimentar. Esse movimento estimula as terminagdes nervosas que ali se encontram € que, por sua vez, levardo a mensagem captada até o cérebo, que ainterpretaré em forma de som. Pavilhdo uricul i iho auricular ou auto) Canal semicircular (cliado) i Gonduto autitvo externa timpnica Janelado Tuba vestfbulo Membrana auditva ane da i cécea —— Representagioesquemitica deorelha 1. ____ humana com componentesanatimicos ‘rela externa Orelhamédia—Orelha'terma Taine plas captruo1 29ras aa Nesta atividade voce iré associar movimentos corporais com diferen- _Objetivo tes alturas sonoras. Lembre-se de que, quando se trata da altura de um —* Assocar movimento sonoro som, nao se refere ao volume ou 2 intensidade, mas 3 propriedade de Movimento corpora. >) 05 50ns serem graves e agudos. g 1. Ouga a faixa 3 do CD de audio com exemplos de sons agudos e graves. Quando ouvir um som grave, 7 abaixe-se ou sente-se. Quando ouvir um som agudo, levante-se, ficando de pé. S22. Agora a atividade ficaré um pouco mais complexa, pois vocés ouvirdo sons de altura intermediéria endo somente extremos de graves e agudos. Ouga a faixa 4 do CD de dudio e se abaixe ao ouvir um som grave ou se levante ao ouvir sons agudos. Quanto mais grave for o som, mais perto do cho vocé de- ver’ ficar, podendo agachar-se,ajoelhar-se ou deitar-se no cho. Quanto mais aqudo for o som, mais para ‘alto vocé devers ficar, podendo levantar os bra¢os,ficar nas pontas dos pés ou saltar ° |AS variagoes de altura so importantes para a construggo de melodias e de arranjos de instrumentos musicais. Quando vocé toca ou canta uma sequéncia de notas, varlando as alturas, esté construindo ou interpretando uma melodia. Em outras palavias, melodia é uma sucessao de notas, de alturas iguais € diferentes, que acontece no passar do tempo. Nas canes, o cantor interpreta a melodia e os instrumientos 0 @companham em arranjos musicais que também contemplam combinacdes de diferentes alturas, Na musica instrumental, a melodia geralmente fica a cargo de um instrument solista, de um grupo de instrumentos ou mesmo de voues varileridu seit texto, sobre uma ou mals vogass €attaves da melodia que cantamosa letra de uma msica, Nas cangées romanticas, a melodia costuma ser rebuscada, buscando atingir emocionalmente ‘© ouvinte, em uma unio entre desenho sonoro e contetido literério que leve ao estado emotivo despertado pela cango. As melodias podem também ser repetitivas ou muito prdximas ao reaistro da fala coloquial, dependendo do estilo do compositor e dos objetivos da cangéo: fazer ri, despertar paixdo, protestar etc. Melodi: A melodia é um fendmeno humano universal que remonta a pré-histéria; em suas origens, serviram- -lhe de modelo a linguagem, 0 canto dos péssaros ¢ outros sons animais, bem como o choro e as brin- cadeiras infantis. [.] As concepgbes a respeito do que seja miisica melodiosa estio em constante mudanga na misica ocidental; por exemplo, quase todas as geragbes criticam a falta de melodia na miisica produzida pela geragao seguinte. [.] Na miisica vocal, desde a época dos trovadores medievais, pasando pelos compositores de cangoes do final do Renascimento ¢ os compositores operisticos do bel canto, a melodia sempre teve importincia capital, e assim permaneceu particularmente nos periodos clissico [1750-1810] ¢ roméntico [1810-1910], tanto na miisica instrumental quanto vocal. SADIE Stale (Et). Diondio gre de msc Rode ani: rg aha Er, 194, 592. Bel canto’ expresso usada para se refer a0 estilo vocal taliario dos séculos XVI a XIX, caracterzado pela busca da beleza das vozes dos cantores e pela técnica de canto apurada 30 PITULO1 Mi °°ea it @ Com um grupo de colegas ou individualmente, ouga a musica “Samba de uma nota so”, compost por Tom Jobim e Newton Mendonca, na faixa 5 do CD de audio, e acompanhe a letra. Samba de uma nota sé + Eis aqui este sambinha 2 Feito numa nota 96. 2 Outras notas vio entrar 4 Mas a base é uma s6. 5 Esta outra € consequéncia « Do que acabo de dizer. 7 Como eu sou a consequéncia + Tnevitivel de voce. 9 Quanta gente existe por af 1» Que fala, fala e nfo diz nada 1 Ou quase nada. 1 Ji me utilized de toda a escala 1» Eno final niio sobrou nada, 14 Nao deu em nada. 's Evoltei pra minha nota ¥ Como eu volto pra voce 1» Vou cantar com a minha nota 1 Como eu gosto de voce 1» E quem quer todas as notas » RE, mi, fi, so, li, si, 6. x Fica sempre sem nenhuma n Fique numa nota s6. JOB, To; MENDONCA Newton, Samba deur ata st: Ocamao sans ec fo (LP), Odeon, 1360 Dipoivelem:- Acssoeme 12 pn.2016. Existe um joao de sentidos entre a letra da cangéo e as variagbes de altura da melodia, Em alguns momentos, a melodia é feita pela repeticao de uma nota da mesma altura, e, em outros, hd uma grande variacSo nas alturas para a construcdo da melodia, Repare que hd uma conexéo entre as repetigdes Ou variagdes das alturas da melodia com o sentido da letra, = Identifique as frases em que a melodia é feita de notas de alturas repetidas e as frases em que hid variagOes. Para facilitar, utilize a numeracdo das frases. Pense em uma possivel conexdo en- tre as repeticées e variagées na melodia e o sentido da letra e depois discuta os resultados ob- tidos com os demais colegas € o professor. Miisica Bapago CAPITULO “HHPartituras e outras formas de representacao dos sons E possivel registrar as diferentes alturas dos sons de diversas maneiras. A forma mais tradicional de escrita musical é por meio de uma partitura € seu pentagrama, ou pauta musical, em que se pode registrar as alturas, a duracdo e a intensidade dos sons, entre outros elementos da linguagemn musical. No entanto, a partitura ndo é a Unica forma de registro musical. Existem formas alternativas que podem variar de acordo com a musica que se quer registrar. Na mtsica popular, por exemplo, é muito comum 0 uso de ciffas, em que so representadas apenas as posigoes dos dedos que pressionam as cordas no brago do violgo, o que dé uma grande liberdade a0 instrumentista para executar, por exemplo,o ritmo da musica, Uma maneira de registrar a altura dos sons & em forma de grafico, no qual é apresentado o movimento sonoro, ou seja, se 05 sons que se deseja registrar so mais graves, mais agudos, se comegam nos graves € depois se tornam agudos e vice-versa. Essa forma de registro é apenas telativa, ou seja, s6 permite comparar (5 sons que se pretende registrar entre si e ndo de acordo com 0 niimero absoluto de Hz. Mesmo assim, esse tipo de representacao é util tanto para a escrita ‘musical quanto para o treinamento musical inicia. Observe no grafico a0 lado como 0 pedagogo musical francés Maurice Martenot (1898-1980) propos a representago grafica de pequenas frases de uma melodia através de pontos e linhas que sugerem notas de diferentes alturas. Nesse caso, a representacdo agréfica ajuda a entender o termo altura, porque os sons mais graves s8o representados embaixo, na parte inferior do gréfico, os sons agudos so representados 1a parte superior do grafico e os sons intermedisrios 80 representados distribuidos entre os mais graves € 05 mais agudos. #32 carimno 4 D6 RE Mi FR Sol Ld Si D6 Representacin grfica com exemples de notas musicals no Pentagrama. Aesitadasalturs dos son neste feat éabslua, ‘use ¢ pose epresentarexatamentea aura dosom des, 44) Representacio grfica com exemplo de cas deacordes usados, para tocar volo ou guitarra, 7 = Agudo A +46 Se Intermediio == __ oe Guia para notacio das atuas de uma melodia proposto pelo pedagogo musical frances Maurice Martenot em 1952.aiy4asaa a Agora serao feitas a escrita € a leitura de sons em diferentes alturas Objetivo pormeio de representages dos movimentos [Link] seguir * Tabahar dois representam sons graves e agudos que deverdo ser tocados ou cantados initials separadamente, com uma pause entre cada som. Execute os sons registrados a seguir, emitindo sons graves ou agudos, de acordo com a represen- tagdo. A leitura deve ser da esquerda para a direita. Lemibre-se de que os sons graves esto represen- tados por tracos na parte inferior, e 0s agudos, na parte superior, a b. = Agora, com o professor, vocés poderdo criar diversas combinagdes de sons em dois planos diferen- tes de alturas. * Representem na lousa diversas combinagées de sons, variando os planos de altura (graves e agudos. Em seguida, executem as combinagbes por meio de vozes ou instrumentos musicas. @ Neste capitulo, vocé verificou que é possivel pensara musica, a arte do tempo, também como umaarte do espaco. O som precisa do espaco para se propagar de sua fonte sonora até as orelhas e as diferentes frequéncias que formam os sons provocamn sensacoes de diferentes alturas: graves e agudas. 22 EE (Os sons podem ser clasificados de acordo com suas alturas, ou seja,em graves ou agudos. A capacidade de combinar sons de diferentes alturas faz parte da arte de fazer miisica. = Descrevaa forma como os compositores ou grupos de que vocé gosta combinam as alturas dos sons nas miisicas. raga exemplos de miisicas paraa sala de aula e troque suas impress6es com os colegas.Cc ARTES CENICAS: ee a TEMPO E ESPACO rasartescénicas Ocendrio nao deve falar a mesma linguagem que o ator. O cendrio no pode ser da mesma natureza que o ator, Ocendrio é institutdo pelo ator e, conto ele, sempre em movimento Ber aces Copa, coca de 1 Foto de um ato da companhiaJogando no Quintl durant apresentaao em Ribeiro Pret (SP. Foto de 22 dejancro de 2016 (Observe comoa platia parece estar conectada zo palhaco da mesma forma que ele ests digindoaopblic. ssa relacdo 6 posstel porque artists pb esto comparthando o mesmo espago eomesmo tempo, AFINANDO O5 INSTRUMENTOS: (teatro, o circo, @ épera, a danca e mesmo os shows ou concertos musicals, apesar de serem formas de expressio diferentes, tém sempre alguma caracteristica em comum, Para se assistira apresentagbes artisticas ‘como essas, normalmente, as pessoas saem de suas casas e dirigem-se a um determinado lugar para estar na presenca dos artistas, Da mesma forma, os artistas se preparam durante muito tempo, ensalam, pesquisam, es- tudam e praticam suas habilidades para, no dia, horétio e local estabelecidos, estarem na presenca do public. Bh CAPITULO Antes Cénicar Tempo ©‘Ao refletir sobre a relagio de tempo (duragéo) e de espaco (localizacao) nas artes cénicas (teatro, danga, citco, performance, entre outras), o que chama atencao é 0 acontecimento cénico, isto €, 0 evento No qual ar- tistas e piblico compertiham um mesmo local, durante um mesmo periodo. Essas artes, por estarem forte mente ancoradas em uma mesma coordenada temporal e espacial tem como importante caracteristica sua efemeridade, Quando vocé assiste a uma peca de teatto, a uma apresentago de circo ou a um espetéculo de danga, voc esté compartilhando um momento tinico que nao voltaré a se repetir, mesmo que haje outra apresentagio no dia seguinte ou que a apresentacSo seja gravada e reexibida em video. Nas artes cénicas, ha ‘um tempo e um espaco compartithados entre artistas e ptiblico durante a apresentagao. RODA DE CONVERSA Com 05 colegas eo professor, conversem sobre os espagos onde ocorrem apresentacdes de teatro, danga ou circo € a duragao dessas apresentacdes e respondam as perguntas a seguir. 1. Voces conhecem alguns desses espagos? Quais? 2. Quais sdo as principais caracteristicas estruturais desses locais? 3. Como as pessoas se comportam nesses espacos? 4. Em que hordrio essas apresentagdes costumam ocorrer com mais frequéncia? 5. Quais diferencas pode haver em uma mesma apresentacao de danca, teatro ou circo feita durante dia em um espaco aberto e durante a noite em um espaco fechado? Artes Cénieas: Tempo e Bspago CAPITULO 2 "|Artes da presenca: artistas e puiblico em um mesmo espago ao mesmo tempo Nas artes cénicas, podem acontecer apresentagdes ou aces artisticas sem data, hora ou local previaente acordados com 0 puiblico, em meio 20 fluxo de transeuntes de uma cidade. Osartistas que fazem essas apresentacdes ou intervengoes buscar jus- tamente o encontro com o publica. Da mesma forma, as pessoas que param ‘© que estio fazendo ou simplesmente esperam para ver ou participar dessas propostas também se abrem para esse encontro que ocorre de maneira inu- sitada e, muitas vezes, inesperada. E muito comum nessas formas de inter vengao 0 publice decidir se quer participar ou nao. ‘A proximidade entre pdiblco e artistas ¢ uma caracteristica muito pre- sente nas artes cénicas contemporaneas, sendo entendida como uma forrma de promover uma relacdo diferenciada com o publico e mexer nas estrutu- ras mais tradicionais da relagao entre tempo e espaco nessas artes. Esse tema setd abordado novamente na Unidade 3. Foto daintervencdo urbana “SE7 ABERTO, do grupo Movasse, na praca Sete de Setembro, em Belo Horizonte (WG). Foto de 2073. Aintervencao rope transformar locas pblicos em sets aberts de filmagem de videos
Apresentamos uma classificagao de generos cléssica, proposta por Aristételes no século IV aC. € inte- ressante observar como essa classificagao nos é ttl até hoje para compreendermos os diferentes géneros literérios, No entanto, na literatura atual, urn mesmo texto pode ter caracteristicas de diferentes géneros. Da mesma forma, no teatro contemporaneo, como serd visto na Unidade 5, é comum que haja uma mistura entre 0 ator e o personagem, entre a ficcdo e a realidade, Também é comum que ndo se trate de contar uma histéria por meio das acdes dos personagens, e sim de possibiltarvivenclas aos espectadores, utilzando-se tanto dos géneros narrativos e poéticos como do dramitico, Por isso essa classficagio no deve ser tomada como regra, e sim como uma forma diditica de compreender as diferencas entre os g&- nneros, bem como suas misturas na contemporaneidade, Como j foi comentado anteriormente, nas artes cénicas, as formas de se apresentar, a elacao dos artistas com platela, os espacos de encenagdoe ‘0 tempo de duragao das apresentagdes podem variar bastante, Outro exern- plo interessante € 0 das aptesentayOes da Cla Las Brus de weatto, um grupo de teatto de Porto Alegre que contempla audiodescri¢do e Libras em suas apresentagbes teatais primeiro trabaho da companhia foi um espetaculo para criancas cha- mado Fl6 de Bolo ~ A menina do cabelo vermelho, que aborda © tema das dife- rengas socioculturais. Buscando uma ‘arte para todo mundo’, como descrevem seu trabalho no blag da Companhia, as artistas comegaram a investigara audio~ descrigo ea linguagem de sinais como formas de atingir um puiblico compos- to também por pessoas que nao enxergam ou que néo ouvem. Essa prética, tio importante para aumentar 0 acesso de pessoas com deficiéncia as produgdes ~artisticas dispontveis, amplia os tempos e os espagos do teatro, fazendo-o che- {gar a um publico cada vez maior e mais diverso. Observe a foto a sequir ¢ iden- tifique em que tipos de copago acontece a apresentagio do grupo Las Bryjas. 42 CAPITULO? Anes Audiodescrigho: narrago integra- dda ao espeticulo teatral conten do desctigdes de sons e elemen tos visuais que sejam importantes melhor compreensdo do espeté culo por pessoas com deficiéncia visual ME NGssas Disponivel em:
. ‘[Link] nov. 2015 (Objog da Gia Las Brjas de teatio possuidiversas informagbes sobreas ‘montagens tata da ‘companhia,com foros videus Ue gine tay. Foro de cena d espticuo Fé de Bobo = Amen do cabeo vemelto, da a Las Brujasde teatro, queestreou em Porto Alegre (RS) em junho de 2013. Observe na foto, quea pera éencenada em loca abero,enolto por srvores. Aatrizutiiza um microfonesem fo aa amplifcar sua voz deforma que oss ser ouvida em cferentes espagos abertos, como pitas de escola, praca, entreoutosFAZER ARTE = Formem grupos de, no maximo, quatro estudantes, Objetivo * Procurem um espaco que considerem especial na escola, sto * Experiment encom iferentes espacos da escola eperceber oque coda espaco simples que sejam. Pode ser um corredor estreito, uma drvore, __provoca na cenae vice-versa ‘um banco, uma planta etc. * Pensem em uma acdo, gesto ou movimento de curta duragao que possa ser executado por todos integrantes do grupo e que valorize esse elemento que chamou atenc3o no espaco. Por exemplo, se 0 local tem uma érvore, vocés podem fazer uma roda em tomo dela, A ago escolhida pode ser repetida diversas vezes. Vocés também podem cantar uma misica, dizer uma palavra, deciamar um texto e até vestir uma roupa especifica para essa ago, ou seja, um figurino. * Depois desse tempo de preparacao e memorizago da acdo pelo grupo no espaco escolhido, todos ‘95 grupos deveréo retornar a sala de aula e a turma toda deverd elaborar um percurso passando pe- los espacos selecionados por todos 0s grupos. * Decidam qual seré 0 percurso do primeiro ao tiltimo espago. Se necessério, desenhem um mapa ou escrevam um roteiro com todos 0s pontos por onde a turma vai passa. * Iniclem 0 percurso e, em cada espaco, o grupo que o escolheu deve realizar a sua ago para o restan- te da turma, Depois, a turma seque até 0 lugar escolhido pelo préximo grupo e faz o mesmo, e assim or diante, + Depuis Uesse experidntia, coriversem e lesporidarn as seguintes perguntas: &, que tenha elementos que interessam a0 grupo, por mais, 1. Oque cada espaco trouxe de diferente a cada uma das ages? Descreva pelo menos uma diferen- ca de cada lugar visitado. 2. Depois de assistir as apresentacdes dos outros grupos, escreva em uma folha de papel avulsa tum texto sobre uma das agdes feitas que modificaram a forma de vocé perceber cada espaco escolhido. sco CAPHTULCirco: tempo e espacgo ‘Occitco 6 umas das tredigbes mais antigas das artes cénicas tanto no Brasil quanto em diversos paises do mundo. espago de apresentagées, em geral, é semicircular, em uma arena chamada picadeira, rodeada por grandes arquibancadas debaixo de uma lona Opalhaso Diregao: Seton Mello, Globo Filmes: Bras Ano: 201 Duragéo: 90 min | EEG FSi i i Oflme contaahistora déeum pai eum flho que trabalham como pahagos numa rupeKinerante de cco na década de 1970 Tudovalbem até que o filho entra em crse porque sente que nfo consegue fener as pessoas rem. fime abordaatradicso crcenseinerane basta econguistouacitca eo palblico em sua este, : — Fota de pessoas astndo a acobaiasem tea no coda Culture na riversidade de aso Fundo (UPR, queteveapresentases de mista, dancaeco Foto de 2 deagst de 201, Passo Fundo (8). O tempo no circo também é um elemento muito importante, pois essa arte se basela fortemente na tra- digSo dos nimeros circenses, breves apresentages da habilidarles fisicas, envolvenda equilibrio, elasticidade. saltos etc; ntimeros de magica; gags (rotinas cémicas) de palhaco e outros. Os numeros circenses tradicionais. so passados de geracao para geracao, tendo uma origem distante no tempo que se faz presente no espago do picadeiro a cada nova apresenta Sobre a histéria do circo, é muito dificil precisar a data e origem dos espetaculos. No livio O citco no Brast, de Anténio Torres (1940-), encontram-se algumas hipoteses para esse surgimento: Hi registros de que o citco tem suas raizes nos hipédromos da Grécia antiga ¢ no grande Império egipcio, onde ji havia a doma de animais. [.] Diversos niimeros circenses faziam parte das Olimpiadas ~ diza pesquisadora Alice Viveiros de Castro, para quem a arte circense é uma arte de superagio, com uma Os chineses tém outra versio, que complica tudo: foi na Chin relagio muito forte com 0 esporte. {que tudo comesou. E com a arte acrobatica, tio antiga quanto a sua miisica, a sua danga ¢ 0 seu teatro, TORRES, inti, Cosburade ic Vie de Csta eM Cari, Coton ast Rio dane FUNARTE Si Paulo Aa, 1988. 13-15Sobre a chegada do circo no Brasil, Torres realiza uma entrevista com Omar Eliott, diretora da Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro, na mes- j ma época da escrita do lvro (1996). Leia a resposta de Omar Eliot: No Brasil, a fase de ouro foi no século XIX, quando os grandes cis= os estrangeiros vinham para efi de acordo com os ciclos econémicos como o do café, o da borracha, da cana-de-asticar etc. [..] Sabe-se também que no iltimo quarto do século XVII jé existiam grupos cir censes indo de cidade em cidade, em lombo de burros, fazendo de tudo ‘um pouco em pequenos espeticulos em dia de festa. TORRES, nia Cobban Alc Vets data eM Catt cio est Rade ei FUNARTE; St al Ro, 198 19-20, Hoje o circo & uma arte que se relaciona fortemente com a tradigio, 'mas também introduz nas apresentacties tanta inavagies tecnolégicas quanto ‘elementos do teatto, da danca e da miisica atual. Também é muito comum verar- tistas Grcenses se apresentando em outros meios de comunicagao como a TV, 0 Cinema etc. Sobre essa relacao temporal do circo desde sua origem até a atualide- de, leiaa seguir 0 depoimento do bufad italiano Leo Bassi (19522) ‘Quando meus pais € antepassados atuavam nos circos, 0 espeti- culo circense era 0 divertimento popular por exceléncia e a magia do icadeiro significava para as pessoas humildes um dos prazeres mais importantes da vida, Como lugar de divertimento e lazer o circo iio tinha rival, ¢ debaixo da lona, convergiam valores profundos como a coragem, a perseveranga ou a fé na capacidade humana. Com o cinema ainda mais com v invento da televisto, este protagonismo da arte cir= cense na sociedade foi se diluindo e transformou-se em um entreteni- ‘mento menor, carregado de nostalgia, voltado para as criangas. Pertengo a tiltima geragao que pode conhecer a forga do circo como ‘mito utdpico. [..] Mas além da necessidade de sobreviver, minha luta constante ¢ para dar vor 40 buffio nos dias de hoje e manter seu humor irreverente, uma homenagem a uma antiga tradigao, rica em signifi- cado, que foi a esséncia da minha familia durante quase dois séculos. Dsponel em:
, Aceso em: 24 nv, 01. Tad das autores especimene pata esa cra) Bufdo:Personagem cémico e provocador exstente na tradiclo do cco edo teatro popular desde suas origens greco-womanas. Mito utGpico:no texto de Leo Bassi pode ser entendido como uma naratva lendra, um lugar (que no existe) onde as pessoas sBoiguals€ vivem em harmon. Para Bassi ocitco poderia ocupar este lugar lendario e utp ico devide & sua forca etradigao, 2 CAPITULO 45Ainda que 0 crco esteja passando por grandes modificagSes,e 0 citco tra- dicional no Brasil também conviva com difculdades para sua sobrevivéncia ~ em cidades pequenas do pais, 05 POUCOS espetcuos cénicos que chegam até 0 piblico s20 08 dos citcos que ciculam pelas estradas do interior dos estados, Exemplo disso 6 0 Circo Teatro Artetude, de Brasilia, que em seu pequeno cami- nhio percorre o interior de Goiés, Pernambuco, Cearé, Paraiba, entre Outros esta- dos, mantendo viva a magia do circo e levando arte aos lugares mais reconditos, y tists do ico Teatro Artetude no espetécalo Brincadits decor em elementos como cngées populares, jogos acobsticos, mgs, brineadeias de rod equitrsmo, malabarsm e outros nimeroscirenses Foto de 24 de junho de 2012, Bras Giana Cispontvel em:
, Acesso em: 28 out. 201. [Acesse a reportagem sobre a trupe realizada em janeiro de 2014, ntitulada *Palhacos rodam o interior do Bras corn 0 Circo Teatro Artetude’, © conheea um pouco mais do trabalho do Circo Teatro Artetude, De acordo ‘com um dos integrantes, “no fundo, cada um de nés esta buscando seu luger no mundo, Como se 0 mundo fosse um grande cico e cada Lm de nes precisssse saber onde pode contnbutr no espetéculo™ \ |Notrechoa seguir oartista cicense e professor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fabio Dal Gallo, fala sobre 0 cico social. Surgido no Brasil. ocirco social esta presente também em outros paises e-contribui para @ educacdo de criangas ejovens por meio das artes circenses, promovendo um reconhecimen- to das possiblidades e capacidades dos estudantes no desenvolvimento da cultura e da cidadania: Atualmente, apés ma lugar de destaque nfo apenas no que se refere & atividade artista circense, mas também em relagZo A utilizasio da arte em Ambito da educagao nao formal. [4] © Circo Social, que como termo e como experiéncia sistematizada surgiu no Brasil, est presente hoje no mundo todo, despertando de maneira erescente 0 interesse de diferentes instituigdes que de- jis de duas décadas de existéncia ¢ experiéncias, 0 Circo Social ocupa um senvolvem o fazer pedagégico através da arte. Na pritica, o Circo Social atua por meio de cursos de técnicas circenses articulados com um conjunto de atividades complementares que envolvem cursos de outras dreas artisticas e profissées da rca cultural, como figurinista, téenico de som, além de um acompanhamento pedagégico dos alunos que visa & permanéncia no sistema formal de ensino e a0 au- ‘mento do tendimento do educando; existe, como elemento de destaque de sua pritica pedagégica, a criagdo de espeticulos e montagens diditicas, que, em muitos casos, sio inseridas no mereado cultural. GALLO Ft a. aan ro exec dic Soca Resta d sino de ea. n5,noreto (204) Belo Horizonte: Escola de Bes Aes da UG, 204 p72 In tampa Foto de ovem andando em um monocilo no Cico-EscolaBenjamim de Oliveira, no bairro Venda Velha, em Sa0 Joao de Merit (8). Crco- Escola Benjamim de Oliveira representou o Brasil na 2 edicao do Circomonde, festival internacional de Circo Social, em 2015, na Italia. Foto de 18 de unho de 2015. ‘Apés aleitura do boxe, responda: -&2* Como 0 circo social pode ajudar no desenvolvimento da cidadania e da educagao de jovens e criangas? . - _ aniO corpo também tem memoria Na danga, sensacdes como paixdo, dor, felicidade, medo, entre ou tras, podem ser expressas por meio de movimentos. O espetdculo A vida comeca pela meméria, da Cla. de intérpretes Independentes, de Manau leva para a cena dois personagens e um cendrio composto por uma rede de pesca e fotos do passado. A medida que as coreografias se desenvol- vem no palco, essa rede de pesca que compée o cenério vai se transfor- mando em uma “rede de memérias’, um lugar onde as sensagdes e as memérias que esto quardadas nos corpos dos intérpretes tomam forma a pattir de movimentos coreografados. Nas artes cénicas, ¢ até mesmo no Cotidiano, essas sensacées corporais que nos remetem a fatos que jé pas saram, quando colocadas em movimento, formam o que se chama mes méria corporal, que é a0 mesmo tempo particular, dos intérpretes da obra, ¢ iniversal, incluinda n piilien qua assicte a el las. Ador de uma des. pedida ou o vivenciar um grande amor, por exemplo, so expressas pe- los intérpretes da companhia no palco, resgatando memérias que podem ser compartilhadas por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Foto de apresentacao do espetdculo de dancaA vida comera pela mera, da Cia. de Interprets Independentes, de Manaus (AM), Foto de ivulgagdo paras apresentages de 2021 de margade 2075, naFundacio Curr Velho ena Teatro Waldemar Henrique, em Belém (PA. Observe arede de pesca que compée ocensria ea relago que os artistas estabelecem com esse elemento por meio do movimento coreografado. FAs 02 ANNa imagem da pagina anterior, é possivel identificar a rede de pesca utilizada pelos intérpretes Ricardo Risuenho e Anna Raphaella Costa, sim- bolizando uma ‘tede de memérias’. Ao longo da apresentagio, os intér- pretes se aproximam das memérias de um passado distante, que é apre- sentado a0 puiblico com os movimentos de seus corpos e também com os elementos cénicos utilizados pela companhia, O cenétio é composto por uma imagem ao fundo que remete a uma fotografia antiga. © figurino uti- lizado pelos intérpretes também faz referéncia ao passado, levando ao pi- blico a ideia de que @ cena, apesar de ser realizada no momento em que todos a estdo assistindo, aconteceu muito antes. ‘Também é interessante notar que, no ambiente criado pela compankio, tudo estimula as lembrangas, Em uma das cenas, por exemplo, a0 observar ak duns brinquedos, um dos personagens parece flutuar sentado em um banco. Essa cena folinspirada em um relato real de uma pessoa que tinha a sensacéo de levitar ao vistar a casa dos pais e reencontiar 0 saco de brinquedos da infancia, No espeticulo de danca A vida comeca pela meméria € nos varios exemplos das artes cénicas citados neste capitulo, 6 importante notar que ‘tempo dessas artes € diferente do tempo da vida, Nesse espetdculo, arts- tas da danca, imersos nos seus processos de criagao e inspirados por suas vivéncias pessoas, transformam fatos e memérias que podem ter durado dias ou até anos em coreografias e espeticulos que podem ter apenas al- guns minutos de duracao. ARTE NODIA RADIA Em casa, procure nos lbuns de fotografia, em um computador, aparelho de celular ou até mesmo nas redes socias trés imagens de momentos que vocé considera importantes na sua vida. A ideia € que essas {fotos do passado Ihe inspircm lembrangas marcantes. Separe essas imagens ou tire uma cépia para mas. tré-las aos colegas da turma. ‘A partir das fotografias selecionadas, associe uma emogio ou sensagio a cada uma das imagens, por ‘exemplo, alegra, tristeza, raiva, dor, medo, tensdo, civida etc. Lembre-se do conceito de memoria corporal que ¢ explorado no espetdculo A vida comeca pela meméria, Busque resgatar as emogbes € as sensacdes cor- porais associadas a cada um desses momentos e tansformé-las em movimentos com o seu corpo. ‘Sem mencionar para seus colegas qual emo¢ao ou sensa¢ao voce escolheu para cada imagem, ex- presse-as fazendo apenas movimentos corporais, Para finalizar, organize os trés movimentos em uma sequéncia e repita-os até que vocé a memorize, ‘como em uma coreografia. Combinem uma ordem de apresentago e, quando for a sua vez, faca a sua sequéncia para os cole- 25, pedindo a eles que relacionem cada movimento a uma das imagens apresentadas. Assim, vocé po- der compartihar com seus colegas memérias de sua vida por meio de imagens e da expresséo corporal Artes Ctnicas:TempoeEspage CAPHTULOZ 49Espetaculo, ritual ou brincadeira? Na zona da mata de Pernambuco, cercada por usinas, engenhos, plantacdes de cana-de-acticar, cavalo-marinho ¢ uma expressdo cultural que mistura danga, muisica e teatro, realizada por trabalhado- Fes rurais em forma de um ritual definido por eles como brincadeira ou brinquedo e quem esté envolvido ela, brincante. Participar da brincadeira, brincar 0 cavalo-marinho ou ser brincante significa, entdo, estar envolvido com uma tradicao popular que acontece em forma de ritual, com suas caracteristicas proprias, e que constitui a histéria e a meméria de um povo. Observe a imagem abaixo: Foto de apresentago de cavalo-marino na zona da mata (norte de Pernambuco sul da Paraba), que acontecenoperodo entre julho e ane, «com destaque para os das de Nata, ano-novo dia de Res, Foto de 2014. 0 cavalo-marinhoe otras manifestagdes, como o maracatu eo fre, 0 considerados patriménios clturaisimateriis do Bras Tradicionalmente praticado por homens, 0 cavalo-marinho acontece no periodo natalino ou no ciclo na- talino (que comeca no inicio de dezemb1o € termina em 6 de janeiro, no dia de Reis) e retrata o cotidiano dos trabalhadores nos engenhos de cana-de-acticar. Os movimentos que acontecem durante a apresentac3o se assemelham 8s ages fisicas realizadas durante o trabalho nos engenhos de cana-de-acticar. Leia a seguir 0 trecho de uma entrevista do mestre do cavalo-marinho Inécio Lucindo, na qual foram mantidas as caracteris- ticas de sua forma de falar. +50 APHTULO? Au 7‘A fisica do coipo do trabalhacl éa mesma fisca do coipo do brincad6. Cia, a fsica do coipo da brincadeira 6 essa aqui que eu disse a voeés, o cabra que ti cortano cana, 0 coipo dele vai aqui, cle corta aqui, arreia aqui, arreia ali, num instante ele vem palqui, pai esse lado, ele corta pi todo lado, o coipo dele é molinho, é um coi- po doce, é um coipo mole, um coipo recaido. E a mesma coisa quando um cabra ti brincando com o outro, & gente brinca. a fisica do coipo. A fisica do coipo do trabalhador é a fisica do brincador, © trabalhador tem a fisica do coipo pa todo canto.. quando ele vem com a enxada cobrindo a cana, 6ia, ele jé vem com o coipo ‘no manejo, cobrindo aqui, cobrindo ali. Oia, pro cara que brinea, esse é 0 tombo. Fa mesma coisa de samba. ‘WA 2002 pod AMARAL A. PARDO Em buco de corpora pao atobalrinn apart da dan tradicional do cao maith In: OLVERA,, (0g) dia ecntempaanedade na ena do cava Salvador: UFBAIPPGA, 2012p. 11-13. CO cavalo-marinho nao conta sempre a mesma histéria, mas se renova a cada vez que acontece, mantendo Viva a energia alimentada pelo ritmo da musica, que ajuda a compor as aces e a improvisagao feitas pelos par ticipantes. As trocas de personagens, a variago dos seus passos e do enredo da histéria, a beleza dos figurinos ea surpresa que esses elementos podem causar no piiblico e nos brincantes fazem 0 cavalo-merinho durar até ‘uma noite inteira. Vale lambrar que essa manifestagao cultural 6 transmitida de geracao em geracéo e 0 traba- thador do engenho realmente vive, naquela noite de festa, momentos que constroem suas historias como atores da tradicao popular brasileira. Sao personagens que retratam fatos do cotidiano, mas também, assim como os in- térpretes das artes cénicas se propdem fazer, os trabalhadores rurais assumem papéis diferentes dos queis estéo acostumados no cotidiano. Também por esse motivo, quem participa de manifestacdes culturals como essa diz que esté“brincando © cavalo-marinho’, ou seja, associa o ritual a uma brincadeita,a un momento de transforma- 302 diversi. Accim, a tempo de duracao @ 0 novo espaco criado por uma ‘brincadeira natalina’transformam simbolicamente trabalhadores rurais também em patrSes, donos de engenhos e usinas. Fato de apresentacaodecavalo-marnho Estrela de Ouro, do Mestre Agunald, de Pernambuco. Aguinaldo Roberto (1966+, no centro daimagem, atsta popular, dancrin etocaday, rina de cavalo-marihoe maractu rural desde 0 12 anos de ida. (gi(Observe, na imagem anterior, 0 colorido das fitas e do fiqurino utiizado, que nem sempre leva a pensar na rotina dura e nas mos calejadas dos cortadores de ‘cana da zona da mata pernambucana, Na roda do cavalo-marinho, & possive as- sista uma festa que pode ser cimica e muito alegre, mas que,ao mesmo tempo, 6 um ritual etransmite oralmente e corporalmente © choque entre o coticiano vi- venciado pelos partcipantes. Mais uma vez, a memeéria que faz a festa unir pas- sado e presente, fim de unir os diferentes contextos as classes soca presentes 7o Brasil, fazendo com que movimentos do passado construarn histérlas atvats Trabalhadores ruras se transformam nos atores principals da festa. E importante salientar que 0 cavalo-marinho, além de ser reconhecido como patriménio cultural imaterial do pafs, inspira a criagdo de espetdiculos de danga e de teatro pelo mundo todo, em um constante movimento entre RUStuaEINGNSa a afirmacao, a manutengao e a transformagao de uma tradicao. eee Voce acaboou de observar como a meméra dos fatos vividos no cotidiano _descubraminascom. brfCulture/Pagina, sspxtcod_pgi=I750> Fatos que levaram meses e anos para acontecer podem ser representados em —_Acesso em: 28 out. 2015, ‘apenas alguns minutos por meio do corpo dos intérpretes. Ao mesmo tempo, Aoacessaresse site, esses movimento, quando vstos pelo pbc, podem fcr gravados em suas mde cntecer um co da hstéra da rmemérias por toda a vide. A danga nem sempre & um espeticulo, ou seja,nem fer voct entender o sempre éfeita para se apresentar a um publico especifico, ener sernpre precisa que ela representa para cidade de Ouro Preto, paras participants ta, muitas vezes, sem se preacupar com um tempo de apresentagio, as pessoas das guardas de congado “ . ras sequic ue também, |. [Link] brincan” por horas sequidas,com movimentos que também surgem dasexpe- SPavacomunidade riéncias do seu cotidiano, Apesar de também terem a fungo de apresentaco Gerais, que tem nessa festa [para os membros da comunidade onde essas dangas acontecer, elas tém princ-_umsitual de manutenglo da ;, F tuadigbo e de muita devosio. ppalmente a fungao de um ritual ou de uma brincadeira para quem participa delas. Pade ingpiar a criagin de coreografias, performances @ expaticulos de danca, jacontecer em um curto espago de tempo. Nas dangas da cultura popular brasiei- Muitas s20 as express6es da cultura popular que acontecem em forma de ritual, E comum a associagao da palavra ritual as ceriménias religiosas, mas sdo varias as definigGes dessa palavra. vemos pequenos rituals ‘nas préticas dita ao repetirmos certas formas de agit. E, quando se fala da cultura popular, é necessério lem- brar que muitas das dancas que conhecemos nasceram das relacdes do ser humano com os seus afazeres dis- fos e, por isso, quando se associa uma danga a um ritual, é preciso lembrar que os movimentos, o tempo de duracio, e 0s simbolos utlizados no palco pelos intérpretes sintetizam as etapas do ritual com 0 qual aquela danga esta assoclada. Também é importante lemibrar que, na contemporaneidade,rituais tradicionais servern de inspiracao para a ctiagdo de movimentos, coreografas € espetéculos de grupos artisticos que levam ao ppalco suas versGes condensadas, mas que ainda acontecem, em forma de ritual, nas diversas partes do pais. > 52 CAPITULO? Ax‘Agora, observe a imagem a sequir. Feo querepresemaa festa do Rosina do espero Bal iugy, do yiup okt Awan de Beotorzonte (MG) Toto demaio de 2015 Nessa imagem, o Grupo Aruanda, de Belo Horizonte, leva 20 palco as manifestacdes populares bra~ sileiras em forma de espetculo, Nessa cena, so apresentados alguns dos principais elementos da Festa de Nossa Senhora do Rosario, celebracao religiosa que acontece em diversas cidades de Minas Gerais com dancas e cantos em louvagao a Nossa Senhora do Rosétio. ‘As louvagées a Nossa Senhora do Rosério acontecem desde o inicio da colonizacao brasileira, quan- do 0s colonizadores definiram que os negros, alforriados ou nao, devertam rezar organtzados em confia- rias, ou izmandades, definidas como grupos socials protegidos por um determinado santo. A Igreja Catdlica definiu que a devogao deveria ser a Nossa Senhora do Rosario. Em Minas Gerais, foi fundada a itmandade de Nossa Senhora do Rosario dos Homens Pretos, no inicio do século XVII, na cidade de Ouro Preto. Hoje, pessoas que dancam em louvor a Nossa Senhora do Rosério so agrupadas nas denomina- das “quardas de congado’ e, com suas dangas e rituals, mantém uma tradicdo que nos remete ao tem- po da colonizacao. Quando a festa é levada ao palco e interpretada pelo movimento dos integrantes de grupos de pro- jegdo folclerica, os passos do congado, que represer que isso aconteca, momentos e movimentos especificos da festa original s0 escolhidos em uma pesqui- sa feita pelos grupos que fazem do palco dos teatros mais um espaco para manutencao, transformacao & transmissdo de tradic6es, unindo passado e presente, fazendo com que seus corpos também escrevam a historia pelo espaco, por meio de uma coreografia am a festa, duram uma média de dez minutos. Parabet Agora que vocé conheceu um pouco do cavalo-marinho pernambucano e da festa de Nossa Senhora do Rosério, pesquise na internet, em jomais, revistas, centros culturais, museus, bibliotecas ou com ami- 90s e familiares as manifestaées da culture popular brasileira presentes na sua regio. Depois, responda as questdes a seguir. 1. Qual a principal expressao da cultura popular da sua regio? 2. Em que época do ano essa manifesta¢éo popular acontece e qual o tempo de duracao? 3. Pesquise grupos de danca que tenham criado coreoarafias e/ou espetaculos inspirados nessa ex- presséo da cultura popular. 4. Quais elementos cénicos, que representam simbolos de afirmago da identidade de um povo, de uma comunidade ou de um grupo social (miisica, danga, figurino, etc), caracterizam essa expres- so da cultura popula? I-56 CAPITULO2 Antes Cénicas: Tempo e EspagaFalar de tempo e espaco nas artes cénicas, em geral, significa reconhecer as possibilidades da arte em rectiar e transformar as vivéncias do passado e do presente e lembrar que essas representacdes podem acon- tecer em qualquer tempo e em qualquer lugar. O tempo de uma experiéncia artistica varia de acordo com a intengdo de quem a cria, Das brincadeiras do cavalo-marinho da zona da mata penambucana e dos cortejos em Minas Gerais aos palcos e ruas das grandes metropoles do mundo, as varias formas de expressao artistica e cultural recriam experigncias e transformam os lugares. POT) Neste capitulo, foi possivel conhecer, experimentar € refletir sobre diversas formas de relacao das ar- tes cénicas com o tempe ¢ com o espago. Foi possivel observar como o espaco é fundamental para o teatro e para a danca, e como cada espaco determina ou influencia tanto © processo criativo dos artistas, ‘quanto a fruigao do piblico, Também se observou como 0 tempo nas artes cénicas é diferente do tempo de vida cotidiana, bem como do tempo ritualistico. As mesmas express6es da cultura popular que duram noites inteiras nas comunidades onde so realizadas podem ser condensadas em minutos de apresenta~ \yoes realizadas nos paleo. *& RODA DE CONVERSA ‘Agora que vocés jé experimentaram, conheceram e pensaram sobre as relagdes entre espaco & tempo nas artes cénicas, voces vao refletir sobre as diferencas entre o teatro, a danca, 0 circo, a televi- s80, 0 cinema ea internet. Converse com os colegas @ 0 professor e responda: = Quais sao as diferengas entre assistir a um espetaculo de teatro ao vivo e assistir a dramaturgias 1no cinema, na televisdo ou na internet?Coa) ESCULTURA: ee = Escultura —narrativas TEMPO, ESPACO — EMOVIMENTO © material mental especfico do escultor cansiste em ideias cinestéscas, as quais ele dd expressda transformando-as com as nuios em material concreto. A projegdo visual dessa representagio, quando feita, propor~ ciona ao espectador uma ideia unificada da forma do objeto. Aleangar esse fim 0 verdadeiro problema do exultor. 2 Asti | | | | | Formas inicas da continuidade no espa, escultura em bronze, de Umberto Bocconi, 1913, Dimensbes: 1175 em x 87,6 em x 36cm. ‘obra éconsderad um simbolo ds dais futuistas. Observe como as ciferentesdobrassimulam velaidadee movimento ao redor da figura,aN D PES © artista Umberto Boccioni (1882-1916) foi considerado um importante tedrico do movimento futurista. O objetivo desse movimento artistico foi incorporar a agitacao das cidades modernas com seus ruidos, suas multidées e a velocidade dos automéveis. Consideravam 0 espaco dos museus de arte muito intelectual izado € distante da agitac3o da vida cotidiana. Porém, como oferecer a sensacao de movimento em uma escultura ‘que esta fixada no chao por uma base? Na escultura da pagina anterior, Boccioni tenta demonstrar a resistén- cia do corpo a0 se destocar pelo espaco em uma caminhada. O escultor utiliza diversos materais, como ara, marmore, pedra e madeira com o objetivo de criar, em trés dimensdes, formas que Ihe interessar. No periodo: compreendido entre o século VC. até 0 século XIV, as esculturas estavam inseridas nas fachadas ou nos alta- tes dentro das igrejas. Nesse sentido, a interpretagdo da escultura estava associada a da arquitetura. ‘Aescultura rnodema, do final do século XIX a primeira metade do século XX, no exclu as representagdes an ‘etiores, mas amplia © repertério de formas e expresses. Ao observar novamente a escultura de Boccioni no inicio deste capitulo, é possivel perceber a manutengao ~ segundo a concepcao tradicional - dos muisculos tensionados, ‘que indicam a presenca de uma forcafisca capaz de colocar © corpo em movimento, e, ainda, de uma base, que fixaa figura sobre um espaco determinado. Entretanto, 05 musculos néo estéo tensionados pela simples forga cor ‘poral, mas pelo proprio contato do corpo com o espago, como se estivessem vencendo aresisténcia do at. A forma ddo corpo humano é entéo desconstruida e reconstruida em partes, em fragmentos, O corpo detsa de ter uma exis téncia objetiva e palpével e cabe ao observadar entrar no jogo da interpretacao. Outta questo interessante para se observaré que, mesmo que a figura esteja fxa a uma base, essa néo é continua. A base observad na imagem est dividida em duas, fazendo com que o equilibrio da figura esteja localizado no espago entre as pernas da escultura, Por tiltimo, devemos levantar urna outra questo: onde estdo os bracos dessa figura? A. escultura moderna, na qual Boccioni se insere, possui o objetivo de oferecer a sensacio de movimento, de dindmica e de expresso. RODA DE CONVERSA Descreva alguma escultura ou monumento que esteja em algum local ptiblico ou museu. O que ‘mais chamou sua atencdo nessa obra? io deste capitulo: 0 que chama atenc3o na sua .gina para essa escultura? £3. Observe novamente a escultura de Boccioni, noi visualidade? Que hist6ria vocMovimento das esculturas e esculturas de movimento (Os monumentos hist6ricos e os bustos podem representar um evento his {6rico ou uma personalidade politica ou piiblica, Neste caso, geralmente so re- presentados estaticos e ocupam espacos de grande circulacéo como parques ou pracas publicas. Muitos artistas, entretanto, visaram representar uma aco em ‘movimento. Fisicamente a escultura continua imével, mas 0 observador é convi- dado a reconstruir mentalmente os movimentos considerando a sequéncia logi- ‘ade equiliorio corporal. Os movimentos materalzados pelas esculturas podem. ser muito expressivos. Além das obras histéricas,é possivel encontrar inimeras ‘esculturas que tiveram como tema a mitologia grega. 0 artista italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), por exemplo, representou, entre 1622 e 1625, 0 mito de Apolo e Dafne. Observe, nas imagens a0 lado, que os dois personagens dao a impressao de comrer e quase voat proximos.a um casco de arvore. Os movi "Mentos dos corpos se aproximam aos de uma danga. Da mesma forma, pode-se imaginar como cada gesto dessa ‘danca” sugerida pela escultura poderia estar articulado a um som musical. Os compos e os cabelos se movimentam como so vento exercesse muita forca sobre os personagens. Observe que quase todos 05 ‘elernentos da escultura sugerem movimento; tudo é acéo e inquietacdo. ‘Na possiblidade de visuaizar a propria escultura, o visitante de um mu- seu também convidado, de certa forma, a agir, movimentando-se ao redor da obra para contemplar 0 todo e perceber a delicadeza de cada detalhe Que a constréi No mito grego que inspirou a criagio de escultura, Dafne, a0 ser tocada pelo deus Apolo, transforma-se em drvore, Nas fotografia ao lado, observa-se a mesma escultura sob angulos ferentes, Perccba a diferenca que essa mudlanya tia pusivav Ue ObSeTVaG3O revela, Na fotografia acima é possivel notar mais claramente a aco de Apolo, ue envolve sua amada pelo brago. As mos de Dafne se transformam em agalhos, € as pernas, em troncos. O observador da escultura pode completar mentalmente o movimento implicito no objeto tridimensional, imaginando CO restante da transformagéo da personagem, Dessa forma, somos solicitados ‘@maginar que Dafne continuara sua transformacSo em arvore. No inicio deste capitulo, foram ratadas algumas caracteristicas respansaveis pela definigdo da escuitura. A escultura cléssica, anterior 8 modems, tenta repre- sentar 0 mais fielmente possiel as caracteristicas do corpo humano, de modo a tomé-la compreensive para o observador. Nesse sentido, o escultor seria um grande especialista da din’mica dos movimentos do corpo. E 0 simples ato de mover 0 dedo, que coloca em aco um numero enorme de estruturas do cor- Po, seria representado, pelo escultor da forma mais préxima da reaidade possivel, 58 capirun $ Escultura: Temp, Empago e Movimento Fotosdedospotos devia evens Ueesclture Apolo Dae etade mime, de Gin lorenco Beri 16221625, Dimensao: 283 cm altura.No século XIX, com 0 io da arte moder na, alguns escultores ampliaram o universo de imagens representadas pela escultura. Alexander Calder (1898-1976), por exemplo, construite insta~ lou mébiles no espaco das galerias de arte que, in- teragindo diretamente com o local, movem-se pela ago do vento presente no ambiente, Como se ob- serva na figura 20 lado, essas esculturas lembram ‘0s mobiles utilizados nos bercos, que so aciona~ dos mecanicamente pelas criangas ou por adultos que cuidam delas. Mais que representar a ado em suas escuk turas, como visto nos exemplos anteriores, Calder permite que 0 movimento aconteca quando seus mobiles so colocados em determinado espaco. (Os mobiles de Calder permitem observar a relagao de forcas naturais, como o vento, com as estrutu- ras criadas por ele para ocupar os ambientes, assim, cobra e observador compartiham de um mestmo 5 pasiymys nas ees, chpasdemet pinta hastes demetal pagu (ocelizayau) ern um mesmo tempo (durago). — efas deAeronder Cadet, 1956, Dimas: 1057em x SiNSrm x 2749em, FAZER ARTE ‘Ne aguiforam vstos alguns exempls da forma iimensiona f+ — Oy tiyos tos pordiversos artistas. Agora é hora de produzirescultures.O prime commeenderospocesosde ro passo 6 reunir 0s materials para a atividade. Para sso, procure em —-montagem de uma escultra «asa objetos, como garrafas plsticas, papeis recortados, caikas de sa- a Pat de materi vaados, pato, barbante, et. € Fundamental que os materials escohidos no * many shaememeenone representem nenhum perigo, como mateias cortantes (cacos de vi 10) ou quimicos (baterias, pas et). Com os materials erm mos, pense em cada um dees: qual éa sua funcdo nica? De quals materi sSo compostos? Imagine possveis combinagdes para esses objetos, explorando as texturas, cores, resisténcia e suas fungdes anteriores, Combine as formas, os tamanhos e as cores. Use a imaginacao e, se necessério, desenhe antes © que vocé desea fazer. Sua escultura ndo precisa ter um objetivo especfico ou uso préticoe devers ser ctiada de acordo com seu interesse (Os meios para a fixacdo dos materiais reunidos dependerao de sua constituigao. Por exemplo, para os papéis, ¢ possvel uni-tos com colas variadas ou fitas adesivas, Caso exista a necessidade de usar fis de arame para afixagao de garratas plésticas, por exemplo, pega o auxllo do professor. 10 CAPITULO “iHA escultura: arte do espaco, do tempo e do movimento Para compreender os movimentos sugeridos de forma dire- {a Ou indireta em uma escultura, observe ao lado uma obra de Auguste Rodin, artista francés que viveu entre 1849 ¢ 1917, Em um primeiro olhar,a partir da posigao da figura, pode-se ter uma ideia de que ela esté estatica e imével. Porém, com um olhar mais atento, é possivel notar que todos os musculos esto contraidos. Na perna direita flexionada e apoiada sobre uma pe- dra, € possivel ver a tensio do pé, 0 estiramento dos misculos da coxae da panturitha, O mesmo se repete na perma esquerda, esten- dida. O corpo quase por completo esté tensionado, Uma energia vital que passa pelo pescoco, peito, abdémen, antebraco e dedos AA forsa concentrada esté prestes a explodir em um movimento que nao se sabe qual poderia ser, esse aspecto deiva a escultura ainda mais interessante. A resposta sobre qual seria o movimento subsequente esté apenas na imaginacao do observador, ‘dao escltura de bronze, de Auguste Rodin, 1925. Dimensées: 1978. x 74,9 cm 749m, yd FAZER ARTE - Fique de pé, com os dois pés apoiados no chéo, deixando o peso Objetivo do corpo bem distribuidy eriue as petnias, acoluna eretae os bragos —* Falils vurmpreensao ddo movimento proposto estendidos ao longo do corpo. pela escuitura dao por Perceba como seu corpo est no espagoe como esté 0 peso melo da reproduc de cada parte do corpo. fe su Poneprementy ‘Agora, reproduza a mesma posigéo da escultura de Rodin e ob- “OO PUPIOONPO serve 0 que mudou. ‘Ao tentar reproduzir a posigao da escultura, perceba que essa posicao no é muito confortével e ue 0 peso do corpo no consegue ser dividido igualmente entre as duas peras, pois, mesmo que @ perna esquerda esteja totalmente estendida e apoiada no chao, ela nao produz um possivel relaxa~ mento para a perna direita. 0 movimento do ombro, dos bracos, das maos esquerda ¢ direita fatente para 0 posicionamento de cada um dos dedos das mos) e da cabeca também exige um posiciona- mento que tampouco confortével. A observa¢o dessa escultura permite imaginar o desdobramento de varias cenas em aco, em que o olhar aguarda pelo préximo instante de articulagéo do personagem, 60 cartron ura Tempo, Bspago e Movimen:Como demonstrado na pagina anterior, pode-se entender que a figura ctiada pelo artista forma um conjunto de gestos que permitem uma visua- Jizac3o completa de sua configuraséo final no espago. Assim, apesar de es- sencialmente espacial, a escultura também contém em si a duragao do mo- vvimento implicito na imagem. a Elec Cestudo do movimento implicito na estatusria cléssica grega fol fun- damental para que o ator Etienne Decrourx (1896-1991) criasse uma técnica corporal de tieinamento e de criacio do ator, chamada mimica corporal dramética, na década de 1940. Essa técnica é muito utlizada até hoje por artistas da danga e também do chamado teatro do gesto, que seré estudado posteriormente no capitulo 10. Os exercicios propostos com a escultura Ado foram inspirados na ‘técnica criada por Decroux. Esse é urn bom exemplo de como as artes, em suas diferentes linguagens, podem ser compreendidas de maneira integrada e complementar. Foto do ator emimico Etienne Decrouxleanando na Universidade de Baylor, no Texas (EUA). Foto de 1 de maio de 1958, Observe apostura corporal dos artistas indicando moviment. situta Tony, Bspagoe Movimento CAPETULO @Esculturas e espaco publico Talvez voeé jé tenha observado que as esculturas ndo estio apenas nos ‘Museus. E possivel encontré-las em diversos espagos das mais variadas cidades, ‘Muitos lugares possuem monumentos comemorativos que, por meio de suas for- ‘mas, narram uma histéria ou homenageiam uma pessoa, um grupo ou local. ‘Como na obra intitulada Monumento @ Goidnia, a escultura realizada em bronze e granito por Neusa Moraes (1932+, em 1968, tem como objetivo re- Gistrar a mistura entre as etnias indigena, branca e negra, que representam a base da origem do povo brasileiro. As trés figuras erquem uma coluna de Granito, onde é possivel observar o brasio da cidade de Goiénia, Também ha monumentos que urtlizam uma linquagem mais abstrata ou ‘Que nao tém intengdo de representar necessariamente um personagem consa- grado pela Histéria ou politica, como a obra da artista Tomie Ohtake (1913-2015). 62 APITULO? Escultua Foto de MonumentooGotdnia, escutura de bronze granito, de Neusa Moraes, 1968, Dimenséo:7m (altura). Esa obra estélocalizada no centro da Prac Gives Doutor Pedro Ludovico Teixeira em Golan (60), Foto de maio de 2014 ‘Sem ul, escultara em aco, de Tomie Ohtake, 2001. Dimensio: 10m altura), Essa obra compe a fachada de um hotel em Brasilia (DF). Foto de 2013Observe na foto abaixo un monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (19072012) em Belém do Paré. Ao observé-o, térn-se a impresséo de que a passagem da enorme rampa foi interrompida, 0 que pode provocar liversas interpretacoes. O monumento foi construido em homenagem a um dos principais movimentos sociais brasleros: a Cabanagem. Assim como no ‘monumento, o movimento em diregSo & vit6ria na Cabanagem foi interrom- pido e abafado pela violencia do governo na época, que conteve as agoes da populagdo e empregou medidas violentas de represséo. i 3 : : i I Foto do Memorial da Cabanagem, bra de Oscar Niemeyer construida «embomenagem ao Movimento da Cabanagem, em Belém (PA). Foto de rmarcode2010, Durante o estudo, fo ressaltada a importancia da relacdo estabelecida entre obra e observador. O mo- -vimento do observador em torno da escultura é fundamental para a visualizacao ample da obra. Faca uma pesquisa de campo no entomo da escola, seguindo o rotelro abaixo. 1. Escolha uma escultura localizada em espacos puiblicos, como pracas e parques. Em uma folha de papel avulsa, escreva o titulo da escultura, 0 autor, a data eo local. 2. Selecione um ponto de vista, observe a obra, fotografe-a e anote suas impressoes. 3. Agora, modifique seu ponto de vista, alterando sua posicéo em relago 8 obra. Observea ¢ foto- grafe-a novamente e, por fim, anote suas impress6es. Dicas «= Esteja atento as diferencas na percep¢do da obra conforme a mudanga de ponto de vista. = Lembre-se de considerar a instalacao da obra em seu respectivo espaco, ou seja, a relagdo entre a obra eo seu entorno.Cabanagem foi uma revolta popular que ocor- eu na provincia do Grao-Pard (atual estado do Para), entre os anos de 1835 e 1840, 0 movimento de opo- sigd0 a0 governo do regente D. Pedro I reivindica- va melhorias nas condigbes de vida das camadas ‘mals pobres da populagso e fol violentamente con- tido pelo governo. Segundo historiadores, estima-se ue mais de 30 000 pessoas foram mortas durante 05 confltos; entre elas, estavam os cabanos (indios © mestigos) e também comerciantes ¢ fazendel- 105 locais. Esses dois grupos, apesar de diferencia- dos, estavam igualmente insatsfeitos com 0 gover- No regencial. Os cabanos buscavam melhorias nas Condigdes de alimentagao, moradia e trabalho, j 0 segundo grupo, composto por elementos da consi- derada “elite local’, objetivava uma maior participa- Go nas decis6es polticas e administrativas referen- tes 2 situagio da provincia do Grio Paré. Arevolta teve inicio com uma intensa e violenta Querra em 1835. Apesar de os cabanos terem con- quistado a cidade de Belém — capital da entao pro- vincia -, a colocagao do fazendeiro Félix Malcher No posto de presidente da provincia representou a ‘uptura da antiga alana, uma vez que Malcher fez acordos com 0 governo regencial, O fazendeiro foi orto pelos cabanos, sendo substituide pelo lavra- dor Francisco Pedro Vinagre, Entretanto, 0 governo Central brasileiro possuia apoio extemno, conseguin- do reprimira revolta apés cinco anos de combate. O resultado do evento foi um grande nimero de mor tos em combate, ¢ 0s cabanos ndo conseguiram ter seus objetivos aleancados. 6% CAPITULO? Escultna: Tomo, Eapag CABANAS As aldeiaseram organizadas em casas simple, cuja estrutura era feita em barra eotetorecoberto por palha,Essas construcées receberam onome de cabanas, €podiam abrigar ‘ou nao integrantes de ‘uma mesma familia, Seus habitantesrecebiam 0 nome | decabanos.(SuSTENTO TRABALHO ‘A popula cabana vivia da retirada de elements dos ‘economia da provincia do Grao-Pardestava estruturada Fis eda mata criava aves (pets, galnhase patos) na extragio de madeira na pesca e na exploracdo de e trabalhava na lavoura, inclusive a maior parte do plantas meicinas,pimenta,baunilha ecastanha eos armamentovilizado na Cabanagem estavaassocadoa ‘abanos trabalhavam em condigo de semiescravidio. tals prétcas, como facasefices. ‘MULHERES: Elas participaram indiretamente do Conflito, fornecendo alimentos & Pinfoxapes anscabanos, sade, ccupavam-se de tarefas asscads 20 cai a0 preparo de aliments, Neste capitulo, foram abordadas escultures que lidam com a representacao do movimento de formas humanas ou da natureza por meio da tridimensionalidade. A escultura nao se relaciona somente a uma tematica, podendo surgir em contextos religiosos, dentro de igrejas e templos; em contextos histéricos, como registro de um evento importante; e ocupando espacos publicos ou museus. RODA DE CONVERSA Agora que vocé j4 estudou alguns aspectos das esculturas, converse com os colegas e 0 professor sobre os diferentes lugares onde elas podem ser encontradas. £« Quaisas relacdes estabelecidas entre observador eescultura quando se esté em um [Link]- plo (como uma praca ou um parque) ou em uma sala fechada (como um museul? Tempo, Bepago Movimento, CAPITULO3Eoovic) IMAGEM EM Sere MOVIMENTO Inicio do cinema As fotografias de Marey, como os produtos de seu método grfico, foram desenvolvides para capturar aspec~ tos da realidade que nao podem ser percebides com os othas nus. Como signos do invistvelinscrito nelas mesmas, elas marcam, no século XX, 0 comezo da ineursio dentro do invisével. ne Jules Mare, naan, em 1682. posvel obserar na oto vrs fases do movment do pecano, PEE Este capitulo exploraré 0 universo das imagens em movimento e a forma como a fotografia possibilitou 0 surgimento do cinema. Antes da invencao das cimeras filmadoras, pesquisadores das mais diferentes dreas bbuscaram concretizar a ideia de movimento a partir da sequéncia de imagens. O fisiologista Etienne-Jules Marey (1830-1904) inventou um mecanismo ~ 0 fuzil cronofotogréfico ~ capaz de captar varios movimentos em uma Unica imagem, como a figura acima, que representa seis estagios do voo de um pelicano, captada pela técnica desenvolvida por Marey. Aorigem do cinema sé foi possivel devido a inven¢ao da fotografia por volta de 1843, A fotografia permitiu a captacio de imagens, como se congelasse aquilo que estava em frente &s lentes. Para chegar ao cinema, contudo, houve a transformagao de uma captura de movimento estatica (fotografia) para o registio de um movimento con- tinuo (cinema). A seguir, seré possivel compreender como a fotografia foi gradualmente dando origem ao cinema. 66 © CAPLTULOA Imagem em Movimento
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