NAÇÃO ANGOLA
OS BANTUS
Dos 11 milhões de corpos trazidos da África subsaariana para o trabalho
escravo no Brasil, 45 % eram provenientes do mundo bantu, de territórios
situados atualmente em Angola, Congo e Moçambique.
Os bantus, porém, não são uma língua ou etnia específica, mas um macro
grupo com características linguísticas e culturais semelhantes.
São conhecidas cerca de 450 línguas bantu e houve um processo de
dispersão desses grupos em direção à África Centro-Ocidental que remontam a
3500 a.C.
Os Estados africanos, reinos, eram altamente organizados e o sistema de
proteção de suas terras era muito bem controlado. O que não lhes salvou de
acordos internacionais com os Estados europeus.
Em 1494, por exemplo, Portugal celebrou acordos com governantes de
vários Estados da África Ocidental, os quais permitiriam aos portugueses
explorar a economia comercial bem desenvolvida na região.
Em 1571, Portugal, apoiado pelo Reino do Congo, assumiu o controle da
região sudoeste de Angola a fim de proteger seu interesse econômico ameaçado
na área. Portugal garantiu uma posição firme na região até o século XX.
O REINO DO KONGO
O reino do Kongo correspondia ao que são hoje os países Angola, Gabão,
República do Congo e República Democrática do Congo.
O rei local se chamava Mwene Kongo, expressão deturpada pelos
portugueses para manikongo.
Formado por volta de 1375 d.C., o Reino do Kongo surgiu a partir de
aliança entre Nimi a Nzima, governante de Mpemba Kasi, com Nsaku Lau,
governante do vizinho Reino Mbata.
Nzima casou - se com Luqueni Luansanze, filha de Nsaku Lau. A aliança
garantiu a cada um dos dois aliados a sucessão da linhagem nos territórios de
cada um.
Em 1483, o português Diogo Cão navegou até o rio Congo, encontrando
aldeias e tornando - se o primeiro europeu a encontrar o reino. Ele deixou vários
de seus homens no Kongo e levou nobres de lá para Portugal.
Retornou com os nobres do Kongo dois anos depois, tempo em que o rei,
Nzinga a Nkuwu, havia se convertido ao cristianismo.
Padres e soldados católicos romanos chegaram ao Kongo em 1491,
batizando Nzinga de Nkuwu e seus principais nobres.
Nzinga a Nkuwu assumiu o nome de batismo como D. João I, em
homenagem ao então rei de Portugal, D. João II.
Antes da chegada dos portugueses, o Reino do Kongo era um estado
altamente desenvolvido com uma extensa rede comercial.
Além dos recursos naturais e do marfim, o reino fabricava e comercializava
artigos de cobre, ferro, tecidos de ráfia e cerâmica.
Tempos depois, o Reino do Congo se tornou importante fonte de pessoas
para o comércio português de escravizados e de outros países europeus.
É fato que a escravização já existia no Congo bem antes da chegada dos
portugueses e as primeiras cartas de D. Afonso I Mvemba a Nzinga, filho e
sucessor de D. João I Nzinga a Nkuwu, confirma a existência de mercado de
escravizados.
A maioria dos indivíduos exportados como escravizados para os
portugueses eram prisioneiros de guerra na expansão do Kongo. Algo semelhante
que ocorrerá também no Reino Yorùbá e no Reino do Danxome.
Essa expansão e, consequente venda de prisioneiros, consolidaram o poder
de Afonso I nas regiões fronteiriças sul e leste do reino.
Os bantus chegam ao Brasil nos chamados Primeiro e Segundo Sistemas
Atlânticos iniciados no século XVI indo até o XVII.
A maioria dos escravizados exportados pelos portugueses eram
prisioneiros de guerra das campanhas de expansão do Reino do Kongo.
Dados historiográficos apontam que no final do século XIX, a expectativa
de vida dos escravizados ao nascer variava em torno de 19 anos. Ou seja, a maioria
dos bantu que aqui chegaram desde o início do tráfico transatlântico, morreu. Os
que passavam dessa idade e se tornavam idosos, anciãos, eram raros.
A EXPANSÃO DO TRÁFICO DE AFRICANOS.
O comércio de escravizados no Atlântico atingiu o pico nas últimas duas
décadas do século XVIII, durante e após a Guerra Civil do Kongo e guerras
conduzidas por Estados em expansão, como o Reino do Danxome, Império de
Oyo e o Império Așante.
Havia várias áreas usadas pelos europeus para comprar e enviar
escravizados as Américas e certas áreas produziam muito mais recursos humanos
do que outras.
Entre 1650 e 1900, 11 milhões de africanos escravizados chegaram às
Américas das seguintes atuais regiões nas seguintes proporções:
Senegal e Gâmbia: 4,8 %
Guiné-Bissau, Guiné e Serra Leoa: 4,1 %
Libéria e Costa do Marfim: 1,8 %
Costa do Ouro (Fante, Așante): 10,4 %
Golfo do Benin (Fon, Danxome, Ewè, Mahi, Ga, Savalou e Yorùbá
do oeste do Delta do Níger): 20,2 %
Baia de Biafra (Yorùbá, Igbò, Benin do leste do Delta do Níger): 14,6
%
África Centro-Ocidental (Bantus de maneira geral): 39,4 %
Sudeste da África (Bantus): 4,7 %
Havia mais de 173 Estados e reinos nas regiões africanas afetadas pelo
comércio escravagista entre 1502 e 1853, quando o Brasil se tornou a última nação
importadora do Atlântico a proibir este comércio.
Desses 173, 68 poderiam ser considerados Estados - nação com
infraestruturas políticas e militares que lhes permitiam dominar seus vizinhos
Os diferentes grupos étnicos trazidos para as Américas correspondem
estreitamente às regiões de maior atividade no comércio de escravos.
Mais de 45 grupos étnicos distintos foram trazidos para as Américas
durante o comércio. Dos 45, os mais proeminentes foram:
O Bakongo da República Democrática do Congo e Angola
O Mandé da Alta Guiné
Os Gbe - falantes do Togo, Gana e Benin (Adja, Mina, Ewè, Fon)
Os Akan de Gana e Costa do Marfim
O Wolof do Senegal e da Gâmbia
O Yorùbá e Igbò do sudeste da Nigéria
O Mbundu de Angola (inclui Ambundu e Ovimbundu)
A Chamba dos Camarões
O Makua de Moçambique
Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo
submetidos a aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese
católica: eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam
conhecidos a partir daquele momento.
Assim como os tupis, os bantos também tentaram preservar suas tradições
religiosas no Brasil, adaptando suas crenças às condições de escravidão a que
estavam submetidos. A principal forma encontrada por eles (a semelhança do que
foi feito pelas tupis décadas antes) foi associar os santos católicos aos seus deuses,
no caso os Inquices, de acordo com as características que ambos (santos e
Inquices) possuíam em comum.
Foi a partir deste sincretismo, ocorrido no interior das senzalas a partir do
final do século XVI, que nasceu a primeira manifestação sincrética da
religiosidade banto-católica no Brasil: o Calundu. Seu nome foi originado da
palavra banto calundu, que até o século XVIII foi utilizada para designar
genericamente a manifestação de práticas africanas relacionadas a danças e
cantos coletivos, acompanhadas por instrumentos de percussão, nas quais
ocorria a invocação e incorporação de espíritos e a adivinhação e curas por meio
de rituais de magia.
Como manifestação sincrética banto-católica, o Calundu era organizado
basicamente em torno de seu chefe de culto e englobava uma grande variedade
de cerimônias que associavam elementos bantos (atabaques, transe mediúnico,
banhos de ervas, trajes rituais, sacrifícios de animais), católicos (cruzes,
crucifixos, hóstias, anjos e santos) e crenças espiritualistas europeias
(adivinhação por espelhos, espíritos que transmitem mensagens através de
objetos).
Por causa disso é possível afirmar que cada unidade de culto do Calundu
era única, diferindo dos demais por um ou mais elementos ritualísticos. O
Calundu foi uma manifestação sincrética nacional, existindo relatos dessa prática
na Bahia, em Pernambuco e em Minas Gerais, inclusive em várias cidades
coloniais da região mineradora, tais como Arraial de São Sebastião, Itapecerica,
Campanha e Mariana.
Um dos relatos escritos mais antigos sobre o Calundu é o Compêndio
narrativo do peregrino da América, obra de Nuno Marques Pereira publicada em
1728, no qual esse viajante português ao indagar o dono da fazenda onde
encontrava- se hospedado o que seriam calundus, obteve a seguinte resposta:
“São uns folguedos ou adivinhações que dizem estes pretos que costumam fazer
nas suas terras, e quando se acham juntos também usam deles cá, para saberem
várias cousas, como as doenças de que sofrem, e para adivinharem algumas
cousas perdidas, e também para terem ventura em suas caçadas e lavouras, e para
outras cousas.”
Pelo texto dos parágrafos acima, chama atenção a aparente tolerância ao
Calundu manifestada pelos proprietários de escravo. Muito provavelmente essa
atitude devia-se a crença deles de que com essa prática os africanos manteriam
vivas, dentro da senzala, as rivalidades tribais existentes na África, o que
dificultaria a formação de rebeliões ou fugas. É importante ressaltar que, apesar
dessa tolerância, os aspectos ritualísticos do Calundu ligados à magia e à
incorporação de espíritos eram frequentemente combatidos por serem
consideradas coisas malignas, surgindo daí a expressão magia negra para
designar a magia voltada para o mal, que na mentalidade da época era “coisa de
negro”.
INICIAÇÃO NA ÁFRICA BANTU
Para alguns povos da África Bantu, a iniciação sacerdotal, era coletiva e
dava - se em locais especiais para tal fim que, dentre outros, tinham o nome de "
inzo ia Nzambi (casa do Deus).
Uma das finalidades principais da vida reclusa, é mudar a personalidade
do noviço.
Durante o período de reclusão, não reconhece os seus parentes, fala uma
outra língua e recebe um novo nome. Nunca mais poderá ser chamado pelo nome
antigo. Reaprenderá todos os seus costumes quando sair da clausura.
O tempo de reclusão pode variar de 3 a 9 meses. A vida diária nas " casas
de recolhimento " é muito pouco conhecida em razão do rigoroso segredo
guardado.
Sabe - se, entretanto, que só bebem em uma vasilha de barro, raspam-lhes
o cabelo e, embora estejam convivendo jovens de ambos os sexos, os contatos
sexuais são absolutamente proibidos, sob as mais severas penas que,
antigamente, podiam variar da morte à escravidão.
O motivo de receberem um novo nome, é porque ao recolherem - se "
morreriam " para o mundo profano, para " nascerem " já iniciados.
Todos os dias recebem lições sobre o comportamento que devem adotar
daí por diante, a maneira de comer, beber, vestir, etc. Aprendem, também, cantos
e danças em honra à divindade, bem assim as fórmulas mágicas de bênçãos.
Fabricam, utilizando fibras vegetais, objetos religiosos, colares e pulseiras
de contas, etc.
Se prestarmos atenção ao texto acima, veremos que são muitos os pontos
coincidentes entre os rituais de iniciação na África e os praticados no Candomblé,
aqui no Brasil. São as heranças negro - africanas.
RASPAGEM, BATISMO E INICIAÇÃO – NO CANDOMBLÉ
O ritual de iniciação no Candomblé Angola, a feitura do Santo, representa
um renascimento, tudo será novo na vida do Mona Nkisi (filho-a), ele receberá
uma dijna, nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade do
Candomblé.
É marcado um toque no barracão que chamamos de abolonã, são feitas
algumas cantigas para os Nkisis no Nzó, e somente nas cantigas de kidembo o
filho passa a entra em transe com seu Santo e onde caí no chão como se houvesse
uma necessidade da feitura na qual se inicia os caminhos entre o filho e seu Nkisi.
A feitura tem por início: recolhimento, que são de 21 (vinte e um) dias de
reclusão, e neste prazo é realizado banhos, kibane mutuê, disciplina, oferendas,
ebós e todo o aprendizado, rezas, danças, as cantigas, e outros…
Dando iniciação, a raspagem no mutuê (cabeça) o muzenza recebe o canal
de comunicação com seu Nkisi, entre o ritual que vai se aprimorando, o principal
entra com seu nascimento que chamamos de orô maior, se recebe o kelê, o
mocrãn, os idés, os monjilós, umbigueira, contra eguns.
O Mona Nkisi terá que passar por uns rituais no decorrer dos 21 dias. Seu
corpo será katulado que é o fechamento de corpo com navalha passado a pemba
e o atim, pois o filho ficará livre de males que possam lhe prejudicar em seus
caminhos.
O batismo é fundamental do Mona Nkisi pois estará recebendo toda a
energia ocular entre a sua vida espiritual junto com o nascimento de seu Nkisi. O
batismo realizado no Candomblé Angola, e que utilizamos nada mais que a água
energia de Nzambi Mpungu para seu nascimento, águas de Lembá e Nzazi,
tiradas no Nzó do Zelador, que será lavada a cabeça do iniciante, com rezas e
fundamentos.
As pinturas com a pemba ralada tem que ser feita conforme a sua
hierarquia, com suas devidas cores, denominado efun. Ele deverá passar por
quatro saídas a primeira no alá branco a segunda na pintura branca, a terceira
com as cores dos Nkisis conforme a hierarquia e a última a saída do seu Nkisi com
suas roupas e paramentas.
Mona Nkisi terá agora o assentamento do seu Nkisi para ofertar-lhe com
sacrifícios de animais de acordo com as características de cada um. A festa
ritualística que marca o término deste período é denominada saída do Santo,
neste momento ele será apresentado à comunidade. Ele será acompanhado por
uma autoridade à frente de todos para que lhe sejam rendidas homenagens.
Deitado sobre uma esteira, ele saudará com adobále e paó, que são palmas
compassadas que serão dadas a cada reverência feita pelo Mona Nkisi e
acompanhadas por todos presentes, como demonstração de que a partir daquele
momento ele nunca mais estará sozinho na sua caminhada.
Primeiramente saudará o Mundo, neste momento a localização da esteira
é na porta principal da casa, no seu interior, ele saudará a Intoto o Nksi da terra,
e por último de frente as Ngomas que representam as autoridades presentes.
O momento mais aguardado do cerimonial é o dia do nome, neste
momento o Nkisi dirá o nome de iniciação de seu filho perante todos e também
neste momento que se abre a sua idade cronológica dentro de sua vida no Santo.
A celebração do Nkisi é sempre ao sábado, dando continuidade no
domingo com a quitanda de wunje, na segunda-feira celebramos a flor do velho
que simboliza a mesa farta.
Após a saída do recolhimento o Mona Nkisi permanecerá de resguardo até
a queda do kelê fora do barracão por um período de 3 (três) meses, neste período
ele será orientado de tudo que não pode fazer, o preceito do Kelê é de extrema
responsabilidade pois se falhar pode perder a sua relação entre a sua caminhada
com seu Nkisi, deve continuar a sentar-se no chão sobre a esteira durante um ano,
está proibido de utilizar outra cor de roupa somente o branco da cabeça aos pés,
nem tão pouco sair à noite.
Até que o Mona Nkisi complete a maior idade de Santo, terá que continuar
dia a dia o seu aprendizado e reforçar os seus votos por meio das obrigações. O
transe é imprescindível para que uma pessoa seja iniciada com o batismo, pois, a
manifestação faz parte da liturgia dos Nkisis e ele está em cada um de seus filhos.
Isso é muito importante, porque só os batizados podem assumir determinadas
funções sacerdotais, como os cargos de Tata (Zelador) ou Mam´eto (Zeladora).
O QUE SÃO OS NKISI? (LÊ- SE ENQUICI OU INQUICE)
A denominação nkisi significa: fetiche, encanto, magia e objeto de poder,
estado adquirido por feitiço ou magia.
Denominam também, as divindades que regem as forças elementares da
natureza, sendo nkisi a forma mais usada para se nomear as divindades bantu no
Brasil.
Minkisi (Plural de Nkisi - Origem Kongo) e Jinkisi (Plural de Mukixi -
Origem Angola)
São divindades oriundas das tribos bantus e que chegaram no Brasil na
época da escravidão os minkisi são divindades encantadas pois nunca passaram
pela terra e estão ligados diretamente com as forças da natureza como o vento,
ar, terra, fauna. Flora, rios, pedreiras, deserto, fogo, raios, montanhas, agua,
oceano e vulcões etc. e assim por diante.
Cada pessoa tem um nkisi que o acompanha desde o dia do nascimento
sendo iniciado ou não; a iniciação ocorre para reforçar essa ligação individual
com a divindade sendo representada por objetos materiais que mais se aproxima
do habitat do nkisi na natureza.
ELEMENTOS REPRESENTATIVOS DOS NKISI:
Os minkixi são representados pela entalhação na madeira em forma que
os bantus os viam (estatueta) ou também moldados em argila, nos dias de hoje
dentro dos candomblés de nação angola/congo o mais comum e ver
assentamentos em forma de ''ibas'‘ isso se deu pela unificação na representação
das divindades africanas no Brasil.
Elementos que compõem os assentamentos dos nkisi são: ritari (pedra),
zimbo (búzio) e símbolos de metais ou ferro e tambem elementos liturgicos ...etc.
Os assentamentos como é chamado essa representação ficam acomodados
e instalados no umbakisi (quarto sagrado das divindades) do izó (barracão/casa
de candomblé). Em determinados dias limpa-se o umbakisi (quarto das
divindades), troca-se às águas (maza) dos (buzangue) quartinhas e renovam as
makúdia (comidas) dos pratos, e cada divindade tem a sua própria kúria (comida)
especial, e a esse trabalho dá-se o nome de sukula Nkisi.
ALGUNS DOS NKISI CULTUADO NO CANDOMBLÉ DE
NAÇÃO ANGOLA
Vale lembrar que: Nkisi não possuí qualidades pois cada nkisi é único.
Qualidades não fazem parte de nossa cultura raiz que é bantu.
Dentro do candomblé angola foram agrupados por semelhança e colocados
em grupos que se assemelham ao habitat que os representa. Existe
'nomenclaturas' a cada pessoa que se inicia e dando um suna (nome) a divindade,
mas no intuito de ser único e não inventar qualidades.
Esse assunto muitas vezes não é aceito por muitos do candomblé angola
por estarem seguindo um seguimento as sombras das divindades nagô.
Para ficar mais claro a nós esta e uma lista de alguns dos nkisi cultuado no
candomblé angola:
MPambu Njila: O senhor dos caminhos estradas e encruzilhadas.
Mavile: guardião interno do izó.
Mavangu: controla o portão de entrada do Inzo pelo lado de fora.
Maviletango: nkisi da ordem e guardião.
Oluvaia: nkisi do barro vermelho.
Mpemba: a representação do ar e da pureza. (Uma da energia divina de
Nzambi)
NKosi: e tido como um grande guerreiro temido por todos.
Mukumbe: tido como agricultor.
NGuzu: engloba as energias dos caçadores de animais.
Kabila: pastor. O que cuida dos rebanhos e das manadas.
Mutalambo: nkisi aquático/caçador e tido como um jacaré pela mitologia
esposo de kaiangu caçador, vive em florestas e montanhas; deus de comida
abundante.
NGongobira: caçador jovem e pescador.
Mutakalambo: o mesmo que mutalambo.
Terekompensu: mkisi das aguas e da pesca.
Katende: Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas
medicinais tido como um pequeno lagarto.
Nzazi: nkisi do raio e do fogo.
NZazeLoango: o mesmo nkisi nZaze apenas um título nkisi do magma da
terra.
Nwunji: nkisi da justiça. Representa a felicidade de juventude tambem
ligado aos partos.
Kavungo: nkisi da terra e do barro.
Kafungê, nkisi da terra protege contra as doenças.
Kingongo: que levam as pestes e doença embora.
Nsumbu: Senhor da terra.
Hongolo: nkisi serpente representado por um arco íris.
Angorô-mea: nkisi que ficou conhecida no Brasil como a forma feminina
de Hongolo.
NZingalubondo: representa o ar atmosférico.
Kitembo: nkisi dos ventos e das estações do ano. Kitembo tem como sua
representação o bambu e uma bandeira branca na ponta o símbolo das
casas de candomblé angoleiro.
Mutanjinji: divindade feminina que superintende a esfera dos animais.
(Pouco conhecida no Brasil)
Kaiangu: nkisi da fauna terrestre protetora dos animais.
Matamba: nkisi de muita energia. Matamba rege o elemento fogo.
NBulusema: nkisi das chuvas e dos ventos.
Kisimbi: a grande mãe; deusa de lagos e rios e tida como uma sereia de
aguas doces.
Ndandalunda: nkisi dos rios de lunda de qual herdou parte de seu nome
considerada o leito do rio nDandalunda e considerada uma princesa por
ser de extrema beleza tendo parentesco com as kiandas (sereias).
Kaiala ou Mikaia: divindade do mar e oceanos tidos como útero materno
pois todo ser vivo teve início nas águas de kaiala.
Kaitumbá: divindade do mar
Kokueto ou kakuetu: divindades do oceano é metade mulher e metade
peixe.
Kianda: toda mama dia maza (mãe d’agua) na cultura bantu são tidas
como uma kianda (sereia) cada uma em seu domínio particular. Com
exceção a hangolo-mea que tambem e considerada das aguas/ar e
representada por uma serpente.
Samba kalunga: divindade do oceano
NZumbarandá: nkisi da terra molhada.
Lembádile ou Lembá: foi o primeiro Nkisi criado por Zambi
Jafurama: nkisi do ar e tambem tido como uns dos nkisi da criação.
Kassuté: esse nkisi é um dos mais velhos guerreiro, mas sua representação
e como um jovem.
Lembaringanga: nkisi velho e antigo
Essa é uma pequena lista tendo em vista os inúmeros minkisi existente.
✰ALGUNS DOS NOMES DOS RITOS NO CANDOMBLÉ
ANGOLA ✰
Muanguna Uá Kisaba – Rito de separar folhas
Kudibala Koxi Kisaba – Rito de caída sob as folhas
Kudia mutue – Comida a cabeça
Mutue Kudia Mahinga – Cabeça come sangue
Kuenda Maianga – Ir para o banho ritual
Kuendenkua Uá Maianga – Reza para maianga
Sakulupemba – Sacudir com folhas
Kuhandeka – Rito de iniciação
Kitanda – Ir ao mercado
Kadianga Mivu – Primeiro aniversário
Katatu Mivu – Terceiro aniversário
Kuia – Sétimo aniversário
Kakuinhi Iéia Mivu – Décimo quarto aniversário
Kamakuinhi Kadianga Mivu – Vigésimo primeiro aniversário
Leri – Segredo dos antigos
Ndanka kua Nkosi – Jura de nkosi
Pangu Ni Nvumbi – Rito para alma do morto
Pangu Ni Makulu – Rito para os antepassados
Kifundamenu – Rito para proteger a casa de culto e dar de comer ao
guardião
Kituminu Pangu dia Mulange – Obrigação e rito ao guardião
Kituminu Ngamba – Obrigação do Guardião
Mambu-Lulombo Ngoloxi – Rezas do entardecer para Lemba
Kutunda lemba – Saída de Lemba
Dilonga lemba – As bacias
Maza dia Lemba – Águas de Lemba
Dibilu Lemba – A volta de Lemba na procissão
Kituminu Ngunza ia Muhatu – Obrigação das divindades femininas
Kituminu ia Nkosi – Obrigação de Nkosi
Kituminu Kizomba ia Kitembu – Obrigação e festa de Tembu
Kuunda Kubanga Muvu – Purificação do ano
Kituminu Uanda – Obrigação (Nsumbu)
Kukuana ou Kuuana – Divisão das Comidas de Nsumbu
Kutambula Ntanda – Obrigação que autoriza os ensinamentos dos
oráculos
Kutambula Nfita – Juramento
Kuvumbu Kuala Nkita – Obrigação da Nkita na mata
Ntambi/Mukondu/Sirrun – Cerimônia fúnebre
Kufunda – Cerimônia fúnebre no cemitério
Luvanu Unvumbi – Carrego do morto
Kukomba Ditókua – Cerimônia de limpeza da casa
Maku ia Nvumbi – Obrigação Tirar a mão do morto
Dibangulangu dia Nzazi – Caruru de Nzazi
Kivúdia dia Nvunji – Caruru de Nvunji
DIZÚNGU NLÚNGU (ORDEM DE BARCO)
MUZÉNZA UÁ DIANGA (iniciado o primeiro)
MUZÉNZA UÁ KAIÁDI (iniciado o segundo)
MUZÉNZA UÁ KATATU (iniciado o terceiro)
MUZÉNZA UÁ KAUANA (iniciado o quarto)
MUZÉNZA UÁ KATANU (iniciado o quinto)
MUZÁNZA UÁ KASAMANU (iniciado o sexto)
MUZÉNZA UÁ KASAMBUADI (iniciado o sétimo)
MUZÉNZA UÁ KANAKE (iniciado oitavo)
MUZÉNZA UÁ KAVUA (iniciado o nono)
MUZÉNZA UÁ KAKUIINI (iniciado o décimo)
TÍTULOS HIERÁRQUICOS BANTU, ANGOLA, CONGO
Tata Nkisi - Zelador.
Mametu Nkisi - Zeladora.
Tata Ndenge - Pai pequeno.
Mametu Ndenge - Mãe pequena.
Tata NGanga Lumbido - Guardião das chaves da casa.
Kambondo - Tocadores de ngoma (atabaque)
Kota ou Makota, Maganga - Mulheres que não vira de santo que cuida e
dança com santo,
Kambondo Kisaba ou Tata Kisaba - kambondo responsável pelas folhas.
Tata Kivanda - kambomdo responsável pelas matanças, pelos sacrifícios
animais.
Tata Muloji - kambondo preparador dos encantamentos com as folhas e
cabaças.
Tata Mavambu - kambamdo ou jimona (filhos) de santo que cuida da casa
de mavambu.
Mametu Mukamba - Cozinheira da casa.
Mametu Ndemburo - Mãe criadeira da casa (ndemburo = bakesi quarto de
santo).
Tata Nganga Muzambù - pessoa preparada para jogar búzios.
Kutala - Herdeiro da casa.
Mona Nkisi - Filho de santo.
Mona Muhatu Wá Nkisi - Filha de santo (mulher).
Mona Diala Wá Nkisi - Filho de santo (homem).
Tata Numbi - Não rodante que trata da casa vumbi (ancestre) Sacerdotes
na África.
NOMES DOS RITUAIS E TRADIÇÕES
Kitumínu= Obrigação ao nkísi.
Sanzumuna/kusaká/karêgu= sacudimento (ebó).
Mukáta= sacudimento com folhas.
Mujinga= Sacudimento com debúrú (Pipoca).
Teléku Ngonléla= Oferenda/Carrego.
Ebá= Despacho.
Kufumála= Defumação.
Nkitá= Obrigação na mata.
Kizua Dizenhi= Dia da caída. (Bolonã)
Kudibala Koxí= Ritual onde o iniciante cai sobre as folhas.
Kujinga= Dia dos cortes.
Ntámbi/kamukándu= Ritual fúnebre.
Kutambula Ntanda= Diplomação.
Ukalakele Nkisí= feitura de santo.
Kibane Mutue= Oferta a cabeça.
Dimba Nkisí= obrigação dada a divindade.
Dizúngu Kilume= Saída de santo.
Kizuá Dijina = Dia do nome.
Mukanda= ritual de circuncisão (ato de cortar o prepúcio).
Kiménga= Dia das oferendas.
OBS: Em algumas dessas obrigações acima citadas é obrigatório o uso do
Mikáxi Hixáxi (cordão feito de palha que circunda o braço do iniciado) e a
Nkúmba Hixáxi (cordão feito de palha que circunda a cintura do iniciado).
A língua portuguesa utiliza diversas palavras de origem Bantu. Abaixo
algumas delas.
1. Dengo
2. Cafuné
3. Caçula
4. Moleque
5. Quitanda
6. Fubá
7. Dendê
8. Cachaça
9. Axé
10. Candomblé
11. Macumba
12. Muvuca
13. Cuíca
14. Abadá
15. Cachimbo
NZAMBÍ BEKA KUSANGANA NIKUTULUKA KUA MUXÍMA KIOSO MAIALA.
(DEUS TRAGA FELICIDADE E PAZ)
ANZAMBÍ BEKA KUSANGANA NIKUTULUKA KUA MUXÍMA KIOSO
MAIALA. (DEUS TRAGA FELICIDADE E PAZ AOS CORAÇÕES DE TODOS OS
HOMENS)