CREIO:
PROFISSÃO DE FÉ
EXPLICADA AOS CATEQUISTAS
Coleção Catequese
• Caminho de iniciação à vida cristã: elementos fundamentais, João Panazzolo
• Catequese e liturgia: duas faces do mesmo mistério. Reflexões e sugestões
para a interação entre catequese e liturgia, Vanildo de Paiva
• Catequese junto à pessoa com deficiência mental, Ana Shirlei P. Vinhal;
Lucy Ângela C. Freitas
• Catequistas: discípulos missionários. Exercícios de leitura orante dos documentos
da Igreja para a capacitação de catequistas, José Carlos Pereira
• Creio: profissão de fé explicada aos catequistas, Humberto Robson de Carvalho;
Rafael Spagiari Giron
• Ministério da coordenação da animação bíblico-catequética, Eduardo Calandro;
Jordélio Siles Ledo
• Ministério do catequista: elementos básicos para a formação,
Humberto Robson de Carvalho
• Mistagogia em Cirilo de Jerusalém, Rosemary Fernandes da Costa
• Mistagogia hoje: o resgate da experiência mistagógica dos primeiros séculos
da Igreja para a evangelização e catequese atuais, Rosemary Fernandes da Costa
• Paróquia e iniciação cristã: a interdependência entre renovação paroquial
e mistagogia catecumenal, João Fernandes Reinert
• Planejamento na catequese, Eliane Godoy
• Processo de formação da identidade cristã (O): roteiros e reflexões para retiros
e formação de catequistas com inspiração catecumenal, [Link].
• Sentido da vida na catequese (O), Isabel Cristina A. Siqueira
Pe. HUMBERTO ROBSON DE CARVALHO
RAFAEL SPAGIARI GIRON
CREIO:
PROFISSÃO DE FÉ
EXPLICADA AOS CATEQUISTAS
Direção editorial: Claudiano Avelino dos Santos
Coordenação de revisão: Tiago José Risi Leme
Capa: Anderson Daniel de Oliveira
Ilustração da capa: Irmã Laíde Inês Sonda
Editoração, impressão e acabamento: PAULUS
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Carvalho, Humberto Robson de
Creio: profissão de fé explicada aos catequistas / Pe. Humberto Robson de Carvalho,
Rafael Spagiari Giron. — São Paulo: Paulus, 2017 — Coleção Catequese.
ISBN: 978-85-349-4562-2
1. Catecumenato 2. Catequese - Igreja Católica 3. Catequistas - Educação 4. Espiri-
tualidade 5. Fé 6. Formação religiosa 7. Vida cristã I. Giron, Rafael Spagiari. II. Título
III. Série.
17-04821 CDD-268.82
Índice para catálogo sistemático:
1. Catequistas: Formação: Missão: Preparação: Educação religiosa 268.82
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1ª edição, 2017
© PAULUS – 2017
Rua Francisco Cruz, 229 • 04117-091 – São Paulo (Brasil)
Tel.: (11) 5087-3700 • Fax: (11) 5579-3627
[Link] • editorial@[Link]
ISBN 978-85-349-4562-2
In memoriam: D. Paulo Evaristo Arns
AGRADECIMENTOS
aos nossos pais, nossos primeiros catequistas;
a todos os catequistas;
e aos amigos colaboradores:
Antonio Wardison C. da Silva
Pe. Jair Marques de Araújo, sdb
Pe. José Antenor Velho, sdb
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb
In memoriam:
D. Joaquim Justino Carreira,
D. Joel Ivo Catapan,
D. Paulo Evaristo Arns,
Pe. Gaetano Tarquizio Bonomi
e Pe. Antonio Luiz Cursino dos Santos
APRESENTAÇÃO
“Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus?”
(Jo 11,40). Quem acredita vê como uma luz que ilumina
todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo res-
suscitado, estrela da manhã que não tem ocaso.1
O Senhor nosso Deus tomou a iniciativa de revelar-se
ao seu Povo e, ao redor da chama da fé em seu Santo Nome,
congregou e formou os que elegeu e constituiu como seus
filhos amados. Ao deixar-se compreender e conhecer pelos
que o buscam, Deus nosso Pai foi iluminando o coração, a
mente, a inteligência e todo o ser daqueles que se dispuse-
ram ao diálogo com Ele.
Nesse movimento de pessoas que buscam a Deus e do
Senhor que vem ao encontro dos que o procuram, a Igre-
ja, Povo de Deus, nascida do Coração de Cristo, procurou
guardar os tesouros da fé como pérola preciosa descoberta
no campo da vida que se abre para o Mistério de Deus reve-
lado na história humana, transformada pela presença do Se-
nhor, em história de Salvação. Ao longo do tempo, a Igreja
se debruçou sobre esse tesouro para refletir, rezar e organizar
1
PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Lumen Fidei: A luz da fé. Documentos Pon-
tifícios. Brasília: Edições CNBB, 2013, n. 1.
9
com o objetivo de demonstrar a todos os seus filhos a ver-
dade dos conteúdos de sua fé. Dessa experiência surgiram
os Símbolos da Fé ou o Creio como explicitação completa,
sistemática e viva da fé da Igreja, Povo de Deus.
Uma das características do Creio é ser um patrimônio
de fé revelado por Deus, construído e partilhado por todas
as comunidades que creem e que foram lapidando sua expe-
riência de fé à luz do Espírito Santo de Deus para amadure-
cer a sua fé e propagá-la com clareza, iluminando a vida dos
que respondem ao convite de Jesus como Marta professou:
“Sim, Senhor, eu creio firmemente...” (Jo 11,27). Dessa for-
ma, o Creio é um instrumento precioso de anúncio que dá
firmeza à fé do discípulo-missionário. Onde ele é proclama-
do, irradia com clareza e fé comum dos apóstolos de Jesus
Cristo. Congrega a Igreja em torno das verdades reveladas,
guiando-as na peregrinação e na missão a que é chamada
por Deus: anunciar a todos a salvação. Oferece, ainda, aos
discípulos-missionários, como também ao mundo, as razões
e a constituição de sua fé.
O Creio é expressão da fé viva da Igreja. Isso significa
que cada geração das comunidades da Igreja é chamada a
aproximar-se dos seus conteúdos e transformá-los em expe-
riência de vida, dando-lhes expressões significativas capazes
de testemunhar a força transformadora da fé e despertar em
todos o desejo de conhecer e de encontrar-se com Deus,
como também de participar como pedras vivas no Templo
do Senhor:
A profissão de fé, a palavra e a união criada por ela são,
portanto, parte essencial da fé; fazem parte dela também
a participação da liturgia da comunidade e, finalmente,
10
aquele existir em conjunto com os outros que chamamos
de Igreja. A fé cristã não é uma ideia, ela é vida; ela não é
um espírito que existe para si mesmo, ela é encarnação, é
espírito no corpo da história e do nós que está implícito
nela. Ela não é a mística da autoidentificação do espírito
com Deus, e sim obediência e serviço: autossuperação e
libertação do “eu” justamente porque este se vê colocado
a serviço daquilo que não foi feito nem pensado por ele;
libertação que consiste em ser posto a serviço do todo.2
Por isso, o padre Humberto Robson de Carvalho e o
diácono Rafael Spagiari Giron, ao explicarem os conteúdos
do Creio, não estão se referindo a um conjunto de verdades
abstratas que devemos professar, mas querem nos fazer en-
trar na mais profunda comunhão com a Verdade concreta, o
Deus vivo. O Papa Francisco afirma:
no Credo, o fiel é convidado a entrar no mistério que pro-
fessa e a deixar-se transformar por aquilo que confessa.
Aquele que confessa a fé sente-se implicado na verdade que
confessa; não pode pronunciar, com verdade, as palavras
do Credo, sem ser por isso mesmo transformado, sem mer-
gulhar na história de amor que o abraça, que dilata o seu
ser, tornando-o parte de uma grande comunhão, do sujeito
último que pronuncia o Credo: a Igreja.3
Todos os que lerem esta obra, mas especialmente os
catequistas, encontrarão um instrumento valioso para escla-
2
RATZINGER, J. Introdução ao cristianismo: preleções sobre o símbolo apostó-
lico com um novo ensaio introdutório. Tradução de: Alfred J. Keller. 8ª edição. São
Paulo: Loyola, 2015, p. 73.
3
PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Lumen Fidei: A luz da fé, n. 45.
11
recer e fortalecer a fé, alavancar a missão e a construção das
comunidades missionárias por meio da iniciação cristã no
contexto social e cultural da atualidade.
Dom Sergio de Deus Borges
Bispo auxiliar de São Paulo
Vigário Episcopal para a Região Santana
12
INTRODUÇÃO
A construção de uma vida interior marcada pela pre-
sença de Deus e o desejo dos fiéis, particularmente dos ca-
tequistas, em traduzir nas próprias atitudes e ações a graça
de Deus, sempre estiveram presentes na experiência de fé do
povo cristão.
Nesse trabalho espiritual, a formação é fundamental,
pois alicerça o processo de evangelização e de vivência do
discipulado. Por isso, este livro tem o objetivo de contribuir
para aprofundar a profissão de fé que proferimos e confessa-
mos nas celebrações litúrgicas aos domingos e nas solenida-
des da Igreja. Ela é como que a identidade do cristão cató-
lico. Podemos afirmar que é a síntese da fé que professamos
e vivemos.
A palavra Credo origina-se do latim: Credo in Deum
Patrem omnipotentem, isto é, “Creio em Deus Pai todo-po-
deroso”; é por isso que, em português, dizemos Creio. Cha-
mamos de “Credo”, “Creio”, em razão da primeira palavra
com que iniciamos a nossa profissão de fé.
O Creio é a síntese da fé cristã. É professada na primei-
ra pessoa do singular, pois se trata de uma afirmação pessoal:
sou eu quem acredita. O que é a fé? O que é acreditar? A pa-
lavra fé tem sua origem na expressão grega pistis, e no latim
13
fides. É o acolhimento e a resposta que damos à revelação de
Deus e que se manifesta por meio da confiança e da total
entrega a Ele:1
A afirmação de que eu creio não é uma afirmação cognitiva
(creio que Deus existe), mas dinâmica: eu me abandono,
me entrego, me fio. Porque, primariamente, a fé não é um
saber, mas um encontro.2
Pela própria natureza e formulação, o Creio é uma pro-
fissão de fé, e não uma oração. A oração é sempre um diálogo
dirigido a Deus, à sua Mãe ou a um santo. Na oração se louva,
agradece, suplica, pede. No Creio não se pede, não se agrade-
ce nem há súplica, mas se afirmam conteúdos de fé, objetos
da nossa crença, verdades em que cremos e professamos. Pro-
fissão de fé e oração são de naturezas completamente diversas.
De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, a Igre-
ja, desde o início, sistematizou sua própria fé em fórmulas
breves e normativas para todos os fiéis cristãos. Os resumos
de fé elaborados desde os primórdios da Igreja são fruto da
graça de Deus, obtida através dos textos da Sagrada Escritu-
ra. Estes resumos ou sínteses da fé chamam-se “profissões de
fé”, pois resumem a fé que os cristãos professam.3 A Igreja
assim o organizou e sistematizou devido aos ataques e con-
tradições à fé, surgidas ao longo dos séculos. O Credo é divi-
dido em doze grandes afirmações, chamadas artigos.
1
VAZ PINTO, A. O Credo: síntese da fé cristã. Lisboa, Portugal: Aletheia Edito-
res, 2012, p. 23.
2
GONÇALES FAUS, J. I. Confio: comentário ao credo cristão. Petrópolis: Vozes,
2015, p. 26.
3
[Link]. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, Paulinas, Ave-Maria,
Paulus; Petrópolis: Vozes, 1999, n. 185-187.
14
Levando em consideração todos esses aspectos e os de-
safios que os discípulos-missionários encontram na forma-
ção para o exercício do seu ministério e da proposta da nova
evangelização, propomos um estudo mais aprofundado de
cada artigo da profissão da fé. O livro está estruturado em
doze pequenos capítulos, de acordo com os doze artigos de
fé professados pela Igreja. A riqueza e a profundidade de
cada artigo mereceriam, sem dúvida, um tratado imenso,
porém esta obra quer suscitar em cada leitor-catequista o
desejo de aprofundar-se nas verdades da fé.
Entre todas as profissões ou símbolos da fé, pois exis-
tem vários, dois ocupam um lugar muito especial na vida
da Igreja: o primeiro é o símbolo dos apóstolos. Ele é con-
siderado o resumo fiel da fé dos apóstolos. É o antigo sím-
bolo batismal da Igreja de Roma. Atribui-se aos cristãos de
Roma, por volta do século II, a sua primeira formulação
no Ocidente: “Eu creio em Deus, o Pai, o todo-poderoso;
e em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, nosso Senhor; e no
Espírito Santo, na Santa Igreja, na ressurreição da carne”. Os
Concílios, ao longo dos séculos, acrescentaram vários artigos
como conhecemos e professamos atualmente.4
O segundo é o símbolo denominado niceno-constan-
tinopolitano. É fruto dos dois primeiros Concílios ecumê-
nicos realizados nas cidades de Niceia (ano 325) e Cons-
tantinopla (ano 381). O uso desse símbolo é comum entre
as Igrejas do Oriente e do Ocidente.5 Esse Credo responde
4
SANTO TOMÁS DE AQUINO. O Credo. Tradução, prefácio, introdução e notas
de Armindo Trevisan. 4ª edição. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 14.
5
Ibid., p. 194-196.
15
mais categoricamente às heresias existentes naquela época.6
É também ecumênico: católicos, ortodoxos e protestantes
utilizam-no:7
O Credo apostólico (o breve) começa com o verbo no sin-
gular: “Creio...”. Por outro lado, o símbolo niceno-cons-
tantinopolitano começa no plural: “Cremos”. Do ponto de
vista histórico, é muito provável que isso se deva ao fato de
que o Credo niceno é a proclamação de uma assembleia,
ao passo que o Credo breve é uma fórmula que brotou da
prática batismal, onde o convertido devia expressar pesso-
almente sua fé para ser batizado (quem sabe respondendo
primeiro a perguntas e, mais tarde, mediante uma fórmula
aceita nas diversas igrejas).8
O apóstolo Paulo afirma que “é crendo no coração que se
alcança a justiça e é confessando com a boca que se consegue
a salvação” (Rm 10,10). O coração crê naquilo que amamos e
para amar precisamos conhecer nossa fé; só assim nossa boca
poderá pronunciar aquilo de que o coração está cheio: a fé.
A fé é um ato enorme e decisivamente pessoal: é a nossa
decisão mais pessoal. Porém, isso de modo algum a torna
menos comunitária; muito pelo contrário, pois, no campo
da fé, quanto mais cresce o pessoal, tanto mais cresce o
comunitário.9
6
Entre as heresias, destacamos o arianismo. Ário era um sacerdote de Alexan-
dria no início do século IV. Ele defendia a ideia de que Jesus não era eterno como
o Pai e não era consubstancial ao Pai. Para ele, o Filho é gerado e criado simulta-
neamente, é Deus não por natureza, mas por participação, como nós humanos. Ele
negava a divindade de Jesus. Segundo Ário, Jesus não tem a mesma essência do
Pai, sendo uma divindade de segunda categoria.
7
VAZ PINTO, A. O Credo: síntese da fé cristã, p. 17.
8
GONÇALES FAUS, J. I. Confio: comentário ao credo cristão, p. 29.
9
Idem.
16
O aprofundamento do estudo do Creio incentive
e motive cada um de nós, educadores da fé na missão de
discípulos-missionários, a fim de viver como Povo de Deus
e Igreja de Jesus Cristo no tempo presente; a olhar para o fu-
turo com maior clareza e discernimento, com a consciência
de que devemos construir aqui e agora “o novo céu e a nova
terra” (cf. Ap 21,1.7,15-17), “em que Deus será tudo em
todos” (cf. 1Cor 15,28) e, sobretudo, dar razões da própria
fé (1Pd 3,15).
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