Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
As Bases de Socialização do Meio Rural em Moçambique: Aldeias
Comunais.
Líria Gussul Obra–708207369
Nome do Docente: Felizardo Camões
Curso: História
Cadeira: História das Sociedades IV
Ano de Frequência: 4o Ano
Turma: Santa Mónica
Quelimane, Abril, 2023
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organizacionais Discussão 0.5
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Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
Metodologia
adequada ao objecto 2.0
do trabalho
Articulação e
domínio do discurso
académico
2.0
Conteúdo (expressão escrita
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e Revisão
discussão bibliográfica
nacional e
2.
internacionais
relevantes na área
de estudo
Exploração dos
2.0
dados
Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA 6ª Rigor e coerência
Referências edição em das
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Bibliográficas citações e citações/referências
bibliografia bibliográficas
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Folha para recomendações de melhoria:
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Índice
1. Introdução......................................................................................................................................4
2. Objectivos:.....................................................................................................................................5
2.1. Geral:...........................................................................................................................................5
2.2. Específicos:.................................................................................................................................5
3. Metodologia...................................................................................................................................5
4. As Bases de Socialização do Meio Rural em Moçambique: Aldeias Comunais.............................5
4.1. Conceito de Socialização nas Zonas Rurais.................................................................................5
5. Contextualização e Efeitos da Socialização....................................................................................6
6. A Implantação das Aldeias Comunais em Moçambique.................................................................7
7. Causa da Implantação das Aldeias Comunais.................................................................................8
8. Objectivo da Adopção da Política de Aldeias Comunais................................................................8
9. O Processo de Aldeias Comunais no Período pós-Independência..................................................9
10. A Educação nas Aldeias comunais.............................................................................................12
11. O Fracasso das Aldeias Comunais..............................................................................................12
12. Conclusão...................................................................................................................................13
13. Bibliografia.................................................................................................................................14
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1. Introdução
O Presente trabalho, tem como tema : As Bases de Socialização do Meio Rural em
Moçambique: Aldeias Comunais. A Socialização do meio rural é a forma de convivência no
meio rural através da colectivização da produção agrícola, solidariedade social e económica,
em alguns casos, prosperidade colectiva de meio de produção, num espírito de inter e entre
ajuda. Este processo de socialização não se realiza num período determinado do homem.
O projecto moçambicano das aldeias comunais não era novo, nem original. Experiências
análogas foram realizadas anteriormente em diferentes regiões do globo, sobretudo em países
subdesenvolvidos, onde os recursos agrícolas e a população rural constituíam o facto básico
do seu desenvolvimento. Em África as práticas de transferências e concentração de
populações rurais num habitat concentrado, considerada como estratégia nacional de
desenvolvimento e de transformação social tiveram a sua mais ampla expressão na década 70,
primeiro na Argélia (aldeias socialistas) e depois na Tanzânia (aldeias Ujamau).
2. Objectivos:
2.1. Geral:
Analisar as Bases de Socialização do Meio Rural em Moçambique: Aldeias Comunais.
2.2. Específicos:
Definir a Socialização do Meio Rural;
Descrever o contexto da Implantação das Aldeias Comunais em Moçambique;
Explicar fracasso das Aldeias Comunais.
3. Metodologia
Para a realização do presente trabalho, foi graças a alguns artigos, teses e como de algumas
fontes bibliográficas, que consistiu na análise e a retirada dos pressupostos básicos que fazem
menção ao trabalho em destaque.
5
4. As Bases de Socialização do Meio Rural em Moçambique: Aldeias Comunais
4.1. Conceito de Socialização nas Zonas Rurais
Para Berger (1994), a socialização é ser considerada um processo de iniciação por meio do
qual a criança pode desenvolver-se e expandir-se a fim de ingressar num mundo que está ao
seu alcance. Sob este ponto de vista a socialização constitui parte essencial do processo de
humanização integral e plena realização do potencial do indivíduo.
Na visao de Baulene (s/d), a Socialização do meio rural é a forma de convivência no meio
rural através da colectivização da produção agrícola, solidariedade social e económica, em
alguns casos, prosperidade colectiva de meio de produção, num espírito de inter e entre ajuda.
Este processo de socialização não se realiza num período determinado do homem. É um
processo que começa na infância até a morte, sempre a aprendeu novos padrões de
comportamento e permanentemente envolvido na socialização. É um processo vitalício em
que o comportamento humano é representado de uma forma contínua por intervenções sociais
ao longo do tempo e em gerações diferentes, isto é, um processo dinâmico permanente.
Assim sendo, socialização constitui um processo pelo qual o indivíduo aprende e interioriza
os valores, as normas e os códigos simbólicos do seu meio social, integrandoos na sua
personalidade. Sendo por natureza um processo contínuo e sempre em transformação, ela é
transmitida por todas as instituições que o indivíduo encontra ao longo da sua trajectória
social. Por isso, a socialização constitui um processo contínuo de aculturação, onde o
indivíduo adquire e interioriza certas formas de actuar, de pensar, de agir mediante ao grupo
ou a sociedade a que pertence.
5. Contextualização e Efeitos da Socialização
Para Mazula (1989) a aldeia comunal, foi uma política de socialização do campo e de
organização do espaço produtivo pós-colonial trazida da experiência da guerra colonial (1964-
1974). A política pretendia agrupar a população moçambicana rural dispersa em aldeias para
organizar a produção coletiva, organizar a autossuficiência da coletividade, melhorar a
nutrição e acumular socialmente os excedentes comercializáveis, baseado em: cooperativas;
mecanização do campo, gradualmente, de acordo com o estágio local de desenvolvimento;
conservação dos recursos naturais; e garantia do crescimento de excedente de produção.
6
A gestão da sociedade através de “aldeias comunais” desmantelou as redes de sociabilidade.
Este processo implicou o rompimento dos laços sociais e com a terra, desde sempre fonte
estruturante da coesão comunitária e recurso base da sua reprodução material e cultural e da
sua sobrevivência. Ele afetou gravemente as relações políticas e familiares cuja lógica sempre
assentara no território; criou problemas de acesso aos recursos, sobretudo de terra e água;
estabeleceu terreno fértil para a irrupção de surtos de violência33. As decisões sobre a vida e a
morte se tornavam inteiramente arbitrárias e tudo era possível34. É nesse sentido que se pode
falar da “aldeia comunal” como um dos elementos da "potencialidade da violência".
6. A Implantação das Aldeias Comunais em Moçambique
O projecto moçambicano das aldeias comunais não era novo, nem original. Experiências
análogas foram realizadas anteriormente em diferentes regiões do globo, sobretudo em países
subdesenvolvidos, onde os recursos agrícolas e a população rural constituíam o facto básico
do seu desenvolvimento como, por exemplo, na URSS, Israel, bem como nos países da
América latina. Em África as práticas de transferências e concentração de populações rurais
num habitat concentrado, considerada como estratégia nacional de desenvolvimento e de
transformação social tiveram a sua mais ampla expressão na década 70, primeiro na Argélia
(aldeias socialistas) e depois na Tanzânia (aldeias Ujamau).
Durante a luta de libertação nacional em moçambique, a FRELIMO, sentiu a necessidade de
criar uma nova forma de organização territorial da população que respondesse as
necessidades da produção e de guerra. Esta organização assentava uma produção coletiva e
na concentração da população em aldeias, face das ações básicas do exército colonial e que a
prevenção e o agrupamento de indivíduos tendo os mesmos interesses a defender. (Mazula:
1989).
Com a Independência Nacional, em 25 de Junho de 1975, uma das primeiras medidas
tomadas pelo Partido Frelimo e pelo Governo da República Popular de Moçambique foi a
nacionalização da terra, como uma forma de acabar com os desequilíbrios existentes no
campo, e para permitir uma planificação de acordo com os objectivos do
desenvolvimento económico do país. Com esta medida a terra passou a pertencer ao
Povo trabalhador, não podendo ser alienada ou vendida; possui a terra aquele que a
trabalha e enquanto a trabalhar.
7
O artigo 8 da Constituição da República Popular de Moçambique define que "A terra e
os recursos naturais no solo e no subsolo, nas águas territoriais e na plataforma
continental de Moçambique, são propriedade do Estado. O Estado determina as condições
do seu aproveitamento e do seu uso". Assim, são criadas as condições básicas para que o
Estado possa planificar a utilização da terra de acordo com os objectivos do desenvolvimento
sócio-económico nacional. No artigo 11 da mesma Constituição está expresso que "O Estado
encoraja os camponeses e trabalhadores individuais a organizarem-se em formas colectivas
de produção, cujo desenvolvimento apoia e orienta".
Ficaram assim criadas as bases que vão orientar a socialização do campo através da
criação de unidades agro-pecuárias estatais e de unidades cooperativas. Mas para uma
eficiente socialização do campo torna-se necessário alterar toda a distribuição territorial da
população rural, criando condições para o surgimento dum povoamento concentrado.
Surgem assim as Aldeias Comunais, não apenas como uma forma de concentração de
população, mas antes como uma forma de organização da actividade económica rural. As
unidades cooperativas de produção, particularmente agrícola, estão intimamente ligadas às
Aldeias Comunais, dando-lhes origem, ou sendo sua consequência.
7. Causa da Implantação das Aldeias Comunais
Mazula (1989), considera que Moçambique encontrava-se numa grelha de países que devia
resolver o problema do seu desenvolvimento básico a partir da agricultura, tentando gerir
neste sector excedente que lhe permitisse a necessária acumulação para percorrer novas
etapas.
Foi nesta perspectiva que o governo moçambicano definiu no período a seguir independência,
as linhas globais da política de desenvolvimento nacional, isto é, “tomar a agricultura como
base e a indústria como factor dinamizador”. Neste período o desenvolvimento rural insere-se
num plano de transformação, tendo como metas o socialismo. As transformações
empreendidas deviam se concretizar em duas directivas:
A dinamização da população agrícola sob a forma de empresas estatais e cooperativas;
Concentração espacial da população rural dispersa em aldeias comunais. Com a implantação
dos movimentos das aldeias comunais, pretendia-se vencer o subdesenvolvimento e
transformar as relações sociais numa perspectiva socialista. Este modelo de desenvolvimento
8
e socialização foi apresentado como alternativa possível para ultrapassar o atraso do país e as
desigualdades sociais entre o campo e as cidades.
8. Objectivo da Adopção da Política de Aldeias Comunais
A aldeia comunal nasce e constrói na base de uma realidade social anterior. Segundo a
concepção oficial do desenvolvimento da socialização, a concentração das populações rurais
deveria ser uma condição para alcançar o projecto desenhado pelo governo para o futuro, com
base nos objectivos sócio-ideológicos, económicos e políticos seguintes:
Inculcar os novos valores nacionais e socialistas através de canais de instituições
estatais tais como escolas, administração, posto de rádio, as organizações de massas, e
outros;
Anular a qualquer custo o sistema de valores tradicionais considerados oficialmente
como obscurantistas, incompatível com o ideal de um Homem Novo e da sociedade
socialista;
Libertar a população rural da produção familiar para produção estatal e cooperativas.
Criar condições estruturais para que as populações possam, por si próprio, assegurar e
melhorar o seu consumo e abastecimento básico, ao mesmo tempo que os recursos
nacionais disponíveis são dirigidos livremente para sectores de produção e de
consumo considerados prioritários, dentro da óptica de desenvolvimento nacional e da
opção política;
Organizar os recursos naturais e humanos nas zonas rurais, promovendo uma maior
rentabilidade na produção, particularmente na produção de exportação, com o fim de
criar uma taxa mais elevada descendente e aumentar o fundo de acumulação.
Com a saída da maioria dos médicos portugueses depois da independência, a
FRELIMO realçou a medicina social e preventiva através da campanha nacional de
vacinação contra a varíola, sarampo e tétano, usando pessoal médico expatriado.
Através das aldeias comunais, as populações rurais teriam acesso aos serviços
modernos instrução escolar, saúde, segurança, comunicação, etc. Que numa situação
de dispersão lhes estariam vedados;
9. O Processo de Aldeias Comunais no Período pós-Independência
De acordo com Baulene (s/d), a organização da população durante a Luta Armada de
Libertação Nacional podia obedecer a uma distribuição territorial planificada devido à
9
situação de guerra que se vivia. Assim, por vezes, as aldeias surgiam afastadas dos
principais eixos de comunicação, dos terrenos mais férteis e de outros centros
populacionais.
Logo após a Independência realizou-se o seminário de Marrupa, na província do Niassa,
onde foi lançada uma ampla campanha política para organizar a população rural em
Aldeias Comunais.
A partir daí surgem novos aglomerados populacionais rurais por todo o país. Este
movimento de população é muito mais rápido que o crescimento da capacidade de
planificação e orientação deste novo tipo de organização rural, tanto a nível populacional
como económico. Esta situação faz com que surjam concentrações populacionais
excessivamente grandes, sem uma organização sócio-económica prévia ou paralela e, por
vezes, sem atentar à localização geográfica mais adequada. Isto vem agravar a situação já
existente, muito particularmente no que respeita ao abastecimento de água, à conservação dos
solos e à comercialização.
É nesta fase que, nas províncias de Cabo Delgado e da Gaza, surgem aldeias com uma
população por vezes superior a 10 000 habitantes, as quais se estendem, numa planta linear, ao
longo de vias de comunicação. Nestes casos revela-se imediatamente um grave desequilíbrio
entre a população e os recursos naturais, o que leva a que mais tarde se tenham que estabelecer
algumas normas tendentes a definir o tamanho demográfico médio duma aldeia, calculado
em 4 ou 5 mil habitantes, de acordo com os recursos naturais disponíveis.
Durante esta primeira fase, que decorre desde a Independência até 1978, a distribuição
territorial das aldeias não era acompanhada por uma planificação prévia da sua localização
geográfica, resultando antes da vontade da população camponesa e dos seus conhecimentos
empíricps no que concerne à fertilidade dos solos e à existência de outros recursos naturais.
Mas, a partir de 1979, inicia-se um processo de distribuição territorial mais Planificado, assim
como são aconselhadas as dimensões populacionais e de extensão média das aldeias em termos
do espaço habitacional e do espaço agrícola, de forma a estabelecer-se um equilíbrio harmonioso
entre a população e recursos naturais. Contudo, este processo ainda não atingiu todos os seus
objectivos, pois torna-se necessário corrigir os desequilíbrios surgidos durante a primeira fase
de expansão das Aldeias Comunais e planificar cientificamente o crescimento futuro.
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Quanto ao processo de formação das Aldeias Comunais, podem distinguir-se diversas
situações, agrupadas em 4 tipos:
9.1. Tipo 1: Aldeias formadas a partir da produção colectiva
Incluem-se neste tipo todas as aldeias que se formaram nas zonas libertadas, e outras
surgidas após a Independência, como consequência da organização dos camponeses em formas
colectivas de produção as cooperativas agrícolas. O maior número de aldeias encontra-se nas
províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula.
Geralmente as Aldeias Comunais deste tipo distinguem-se das outras por possuírem
melhores infra-estruturas económie4s e sociais. É o caso concreto da Aldeia Comunal de
Manjanga, na provínciw• d4 Gaza, com uma população de cerca de 5000 habitantes, surgida
da cooperativa agrícola Heróis Moçambicanos, com uma produção comercializada
considerável (mais de 50% da produção é colocada nos circuitos comerciais).
9.2. Tipo 2: Aldeias Comunais como consequência de calamidades naturais
Após a Independência, os camponeses ocuparam as terras férteis dos vales dos rios, as
quais haviam sido abandonadas pelos colonos. Ali instalaram as suas "machambas" e as suas
casas, mantendo a forma de povoamento tradicional disperso e irregular.
Nos anos de 1976 a 1978, devido a grandes quedas pluviométricas registadas muito
particularmente no centro e sul do país, verificaram-se inundações catastróficas que
provocaram enormes prejuízos materiais e humanos. O Partido Frelimo e o Governo levaram
a efeito uma campanha junto da população afectada para que se concentrasse em Aldeias
Comunais nas zonas altas, ao abrigo de cheias futuras. Desta situação resultou o surgimento de
um grande número de Aldeias Comunais nas terras altas ao longo dos vales dos rios Limpopo,
Incomáti, Búzi, Pungué e Zambeze.
Neste tipo, ao contrário do tipo 1, observa-se primeiro a concentração de população, e só
posteriormente se inicia a produção colectiva. Por este motivo, estas aldeias ainda estão
muito ligadas às antigas áreas produtivas familiares por vezes situadas a grandes distâncias dá
área residencial.
9.3. Tipo 3: Aldeias Comunais resultantes de antigos "Aldeamentos"
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A colonização portuguesa construiu diversos "Aldeamentos" que serviram, uns para
controlar a população rural moçambicana, tentando afastá-la da acção da Frelimo, constituindo
para isso autênticos campos de concentração a que chamavam aldeamentos; outros foram
construídos especificamente para albergar colonos agricultores, e que se designavam pelo nome
de colonatos. Com a derrota do colonialismo português estes "Aldeamentos" foram
recuperados e transformados, muitos deles, em aldeias comunais onde se instalaram
agricultores moçambicanos ou operários agrícolas a trabalhar nos complexos agro-industriais
ou nas unidades agícolas estatais. Foi o que sucedeu, por exemplo, com as actuais aldeias
comunais de. Chilembene, 1.° de Maio, Malhazine e Lionde, todas na província de Gaza.
Casos semelhantes se encontram nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Tete.
Estas aldeias já encontraram uma área residencial bem definida e construída, assim como
também uma área agrícola já iniciada; teve apenas que se fazer um trabalho de adaptação à
nova situação de produção colectiva.
9.4. Tipo 4: Aldeias de "regressados"
Com a Independência, milhares de moçambicanos, refugiados nos países vizinhos, muito
particulamente na Tanzânia e Zâmbia, regressaram ao seu país, tendo-se instalado em Aldeias
Comunais que eles próprios construíram e nas quais iniciaram desde logo uma produção
colectiva. Este tipo de aldeias encontra-se quase exclusivamente nas províncias de Cabo
Delgado, Niassa e Tete.
10. A Educação nas Aldeias comunais
Segundo NEWITT (1997:382) citado por Baulene (s/d), a educação é basicamente a maneira
de uma sociedade preparar as gerações mais novas para o desempenho de uma função útil a
sociedade ou a maneira de uma comunidade perpetuar a sua mitologia e, através dela, o seu
sistema de valores e controlo social.
É nesta ordem que o estado vai implantar os serviços da escolarização e alfabetização nas
aldeias comunais, como forma de atrair a massa popular e ao mesmo tempo, servir de elo de
comunicação entre as populações já agrupadas, tendo assim definido a língua portuguesa
como a oficial.
11. O Fracasso das Aldeias Comunais
A fuga dos colonos.
12
A incapacidade de imaginar estratégias económicas eficazes e adaptadas a estrutura
social do pais.
As ações de desestabilização levadas a cabo pela Rodeia do Sul e Africa do Sul.
A sucessão de períodos de graves inundações e secas sobretudo entre os anos 1978 e
anos 1980.
A degradação dos termos de troca no comercio Norte‐Sul.
A dependência em relação aos apoios externos para financiar o projeto de
desenvolvimento.
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12. Conclusão
A gestão da sociedade através de “aldeias comunais” desmantelou as redes de sociabilidade.
Este processo implicou o rompimento dos laços sociais e com a terra, desde sempre fonte
estruturante da coesão comunitária e recurso base da sua reprodução material e cultural e da
sua sobrevivência. Ele afetou gravemente as relações políticas e familiares cuja lógica sempre
assentara no território; criou problemas de acesso aos recursos, sobretudo de terra e água;
estabeleceu terreno fértil para a irrupção de surtos de violência33. As decisões sobre a vida e a
morte se tornavam inteiramente arbitrárias e tudo era possível34. É nesse sentido que se pode
falar da “aldeia comunal” como um dos elementos da "potencialidade da violência".
Organização da população durante a Luta Armada de Libertação Nacional podia obedecer
a uma distribuição territorial planificada devido à situação de guerra que se vivia. Assim,
por vezes, as aldeias surgiam afastadas dos principais eixos de comunicação, dos terrenos
mais férteis e de outros centros populacionais.
Mas, a partir de 1979, inicia-se um processo de distribuição territorial mais Planificado,
assim como são aconselhadas as dimensões populacionais e de extensão média das aldeias em
termos do espaço habitacional e do espaço agrícola, de forma a estabelecer-se um equilíbrio
harmonioso entre a população e recursos naturais. Contudo, este processo ainda não atingiu
todos os seus objectivos, pois torna-se necessário corrigir os desequilíbrios surgidos durante a
primeira fase de expansão das Aldeias Comunais e planificar cientificamente o crescimento
futuro.
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13. Bibliografia
Baulene, M. R. (s/d). História das Sociedades IV: Os fenómenos Sociais e seus Reflexos nas
Formas de Interpretação, O Colonialismo e a Estruturação social em África. Universidade
Católica de Moçambique - Centro de Ensino à Distância. Beira.
Berger, P. (1994). Socialização: como ser um membro da sociedade. In: FORACCHI,
Marialice M.; MARTINS, José de S. Sociologia e sociedade – leituras de introdução à
Sociologia. Rio de Janeiro: LTC.
Giddens, A. (2005). Sociologia. Tradução de Sandra Regina Netz. Porto Alegre: Artmed.
Mazula, B. (1989). Moçambique, Eleições, Democracia e Desenvolvimento.
Newitt, M. (1997). História de Moçambique. Lisboa: Publicações Europa-Americana.
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