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Gestão Sustentável das Águas Urbanas

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No início do século XX houve uma grande aglomeração de populações em

centros urbanos competindo por recursos naturais e energéticos, causando a


destruição de parte da biodiversidade. Segundo Tucci, neste artigo, o ambiente
natural em coexistência com o ambiente antropológico, é um ser vivo dinâmico com
interconexões de efeitos, que se não controlados podem levar ao caos. Os principais
componentes da gestão das cidades são: 

 Planejamento e gestão do uso do solo – que é previsão de ocupação


em respeito ao PDU, e considerando as ocupações passadas e seus
efeitos e correções para o futuro; 
 Infraestrutura viária, água, energia, comunicação e transporte –
implantação da infraestrutura por meio público ou privado, mas gerido
pelo município;
 Gestão socioambiental – podendo ser de escala federal, estadual ou
municipal, com avaliação e aprovação de projetos, monitoramento e
pesquisa para que a ocupação seja social e ambientalmente
sustentável.
A população urbana tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas,
tornando imprescindível os estudos para que o meio urbano seja sustentável e com
reduzidos impactos nos biomas naturais, para a análise de desenvolvimento urbano
é apresentado os seguintes indicadores: 
 População – taxa de crescimento, migração e densidade; 
 Econômico – renda, produto bruto e perfil de produção; 
 Uso do solo - residencial, comercial e industrial, áreas públicas.
O crescimento econômico, relacionado ao deslocamento dos empregos da
agricultura para as indústrias e serviços, levou o Brasil a ser um país essencialmente
urbano com 80% de sua população nas zonas urbanas. Os polos regionais que se
tornam cidades acabam tendo uma taxa maior de crescimento. Todos os processos
inadequados da urbanização e de impacto ambiental realizados nas Regiões
Metropolitanas estão reproduzidos nas cidades de médio porte. A população em
localidade irregular ou informal chega a 50%, e as populações de favelas e pessoas
de baixa renda crescem gradativamente. Os principais problemas de infraestrutura
em países em desenvolvimento com foco na américa latina são: 
 Grande concentração populacional em pequena área – reduzindo os
recursos naturais e suas qualidades e a qualidade de vida em geral;
  Aumento da periferia – devido ao êxodo rural, ocasionando uma
população desprovida da integralidade de seus direitos básicos de
saneamento e qualidade de vida precária; 
 A conveniência de prioridade pelo status – normalmente, os planos de
urbanização contemplam a população de maior renda, deixando as
pessoas de baixa renda sujeitas a construírem moradias em locais de
risco e sem a estrutura adequada, gerando assim uma cidade formal e
uma cidade informal, onde o plano de urbanização só atende a
primeira.
Os principais problemas relacionados com infraestrutura em ambientes
urbanos são: 
 Falta de tratamento de esgoto que são lançados como escoamento
pluvial chegando aos mananciais; 
 Esgotamento sanitário com a inexistência de sistema de drenagem de
águas pluviais; 
 Ocupação de leito de inundação ribeirinha, ocasionando inundações; 
 Impermeabilização dos rios urbanos aumentando sua vazão e a
frequência transportando resíduos e contaminando águas no entorno
da urbanização; 
 Deterioração da qualidade da água por falta de tratamento dos
efluentes.
Em relação a gestão integrada do solo urbano para a presente análise
destaca-se os seguintes aspectos: 
 Falta de conhecimento tanto pela população quanto pelos
profissionais, ocasionando decisões com graves consequências, às
vezes oportunizadas pelo capitalismo predatório; 
 Uma concepção inadequada dos profissionais de engenharia para o
planejamento e controle dos sistemas, gerando soluções apenas
estruturais ocasionando ainda mais impermeabilização e
consequentemente aumento de temperatura e inundações, etc. Visão
setorizada do planejamento urbano; 
 Falta de capacidade gerencial com municípios desprovidos de
capacidade técnica de gestão de águas urbanas.

Até o início do século XX, as preocupações em relação a urbanização se


resumiram a erradicação de doenças ocasionadas pela ausência de saneamento
básico, principalmente de tratamento de esgoto. Após a segunda guerra mundial
com o boom da população urbanizada, os problemas de saúde relacionados a
doenças infecciosas cresceram. Por 1970 aconteceu a fase de correção das águas
urbanas, onde se evitava obras de drenagem que aumentavam o escoamento pela
verificação de sua insustentabilidade, optando por obras de.
No Brasil, o saneamento básico se encontra na fase higienista, onde se capta
a água para consumo em determinados alimentos próximo a zona urbana. Os
serviços de abastecimento de água ainda possuem problemas crônicos como a
degradação dos alimentos urbanos, perdas de água na distribuição e falta de
racionalização doméstica e industrial. Com o tempo, cresce a necessidade de
tratamento de água para abastecimento devido à maior poluição, os alimentos
podem estar comprometidos se os ciclos de contaminação no forem interrompidos.
No Brasil, a taxa de cobertura de abastecimento de água é alta, mas a
cobertura de coleta e tratamento de esgoto é baixa, criando um ciclo de
contaminação que ocorre em função de despejos sem tratamento de esgoto
sanitário nos rios. O esgoto pluvial transporta grande quantidade de resíduos sólidos
para os efluentes, contaminação de águas subterrâneas, depósitos indevidos de
resíduos sólidos e ocupação de solo indevida.
As inundações frequentes nas zonas urbanas estão associadas a dois
fatores: as inundações de áreas ribeirinhas, que ocorrem onde a zona urbana invade
a área do leito maior do rio, em razão dos recursos após decreto de calamidade
pública, os gestores não se preocupam em sanar esses problemas. A urbanização
aumenta a suas vazões, aumentando a vazões máximas, aumentando os
sedimentos juntamente com resíduos sólidos e infraestrutura obstruem a infiltração e
o curso natural da água.
Os sólidos totais são a soma dos sedimentos e os resíduos sólidos gerados e
descartados de forma que atingem o sistema pluvial urbano, esses sólidos são
analisados segundo fases de avanço de urbanização que são:
  O estágio de pré-desenvolvimento, que possui os sólidos naturais do
ciclo hidrológico;
  O estágio inicial de desenvolvimento urbano, onde a cobertura vegetal
é retirada, aumentando a quantidade dos sedimentos; 
 Estágio intermediário, onde existe muita movimentação de terra, e a
população já estabelecida gerando resíduos sólidos que se incorporam
aos sedimentos; 
 Estágio de área desenvolvida, onde a maior parte da área está
ocupada e impermeabilizada, com pico de geração de resíduos
sólidos.

As vazões de água pluvial possuem uma carga de poluição alta,


principalmente nos primeiros 25 mm de escoamento superficial. A análise de
parâmetros orgânicos e metais é a forma de quantificar essa poluição. A rede de
esgotamento sendo despejada na rede de drenagem pluvial permite a utilização da
rede pluvial para transportar o esgoto no tratado, como um soluço não viável.
A gestão de recursos hídricos de um centro urbano depende da relação de
dependência da água daquela região, mas há uma tendência válida de ser
organizada por subdivisões de região de bacia hidrográfica. Na gestão de bacias
hidrográfica, as medidas nem sempre são adotadas em todas as cidades da bacia,
mas se deve ter condicionantes externos a cidade que controle e mantenha a
qualidade da agua e dos alimentos.
O Brasil evoluiu com os planos de gesto de recursos hídricos com a
implantação da Lei de Recursos Hídricos, instrumentos como outorga, cobrança e
enquadramentos dos rios, com condições de contorno da cidade para parâmetros de
qualidade de alimentais. Concluiu em 2006 pelo MMA, o Plano Nacional de
Recursos Hídricos, com a Agência Nacional de aguas, e o início de criação de
agências estaduais de conselhos e comitês de bacias.
Tucci (2008) apresentou a necessidade de investimento na gestão de águas
pluviais, controlando os impactos de drenagem e inundações das cidades. Para
resolução de problemas de saneamento, estima-se a necessidade de 0,8% do PIB.
Os principais obstáculos para estes planos são aspectos institucionais de gesto das
companhias, mudanças na legislação, e uma integração efetiva das microrregiões
nas metas de gestão de recursos hídricos conjunta ao saneamento básico.
TUCCI, C. E. M. Águas urbanas. Estudos Avançados, 22(63), 97-112, 2008.

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