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Balística Forense e Lesões por Armas de Fogo

O documento descreve a evolução histórica das armas de fogo e sua classificação. Também aborda os tipos de lesões causadas por armas de fogo e o papel da balística forense na elucidação de crimes envolvendo armas de fogo.

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Balística Forense e Lesões por Armas de Fogo

O documento descreve a evolução histórica das armas de fogo e sua classificação. Também aborda os tipos de lesões causadas por armas de fogo e o papel da balística forense na elucidação de crimes envolvendo armas de fogo.

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Índice

1.
Introdução........................................................................................................................................1
2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS ARMAS..............................................................................2
CONCEITO.....................................................................................................................................2
3 AS ARMAS DE FOGO................................................................................................................3
3.1 O conceito de arma....................................................................................................................3
3.2 Tipos de lesões produzidas pelas armas....................................................................................3
3.3 Conceito de armas de fogo........................................................................................................4
3.4 A classificação geral das armas de fogo....................................................................................4
3.4.1 Classificação quanto à alma do cano......................................................................................4
3.4.2 Classificação quanto ao sistema de carregamento..................................................................5
3.4.3 Classificação quanto ao sistema de inflamação......................................................................5
3.4.4 Classificação quanto ao funcionamento.................................................................................6
3.4.5 Classificação quanto à mobilidade e ao uso...........................................................................6
3.4.6 Classificação quanto ao calibre..............................................................................................7
4 AS ARMAS DE USO MAIS COMUM.......................................................................................7
4.1 Revólveres.................................................................................................................................7
4.2 Pistolas semi-automáticas..........................................................................................................8
4.4 O alcance do tiro........................................................................................................................8
4.4.1 Alcance útil.............................................................................................................................8
4.4.2 Alcance máximo.....................................................................................................................9
4.4.3 Alcance com precisão.............................................................................................................9
4.5 O cartucho de munição das armas de fogo................................................................................9
4.6 O estojo O estojo.......................................................................................................................9
5 AS LESÕES PRODUZIDAS POR ARMAS DE FOGO...........................................................10
5.1 O orifício de entrada................................................................................................................10
5.2 A forma do orifício de entrada.................................................................................................11
5.3 A dimensão do orifício de entrada...........................................................................................11
5.4 As orlas e zonas de contorno...................................................................................................12
5.5 A orla de contusão...................................................................................................................12
5.6 A orla de enxugo......................................................................................................................12
5.7 A aréola equimótica.................................................................................................................12
5.8 A zona de tatuagem.................................................................................................................13
5.9 A zona de esfumaçamento.......................................................................................................13
6 A INTERLIGAÇÃO ENTRE A ARMA E O CRIME...............................................................14
6.5 A distância do tiro....................................................................................................................14
6.6 A direção do tiro......................................................................................................................14
5.10 A zona de chamuscamento ou queimadura...........................................................................15
6.7 O incidente e o acidente de tiro e o tiro acidental....................................................................15
6.8 Diferenciação entre suicídio, homicídio e acidente.................................................................15
6.9 A balística interna, externa e a dos efeitos..............................................................................16
7 A PERÍCIA COMO MEIO DE PROVA....................................................................................17
7.1 A Justiça e a Balística Forense................................................................................................18
8 CONCLUSÃO............................................................................................................................19
9 REFERÊNCIAS.........................................................................................................................20

1
1. Introdução
O presente trabalho analisará o papel da Balística Forense dentro da criminologia na elucidação
de crimes em que tenham sido utilizadas como instrumentos as armas de fogo. E, justifica-se a
escolha de tal tema em função da dúvida que pode haver na identificação do autor de um crime
cometido por meio do disparo de uma arma, sendo que a apuração da autoria de tal delito via
exame pericial baseado nos ensinamentos da Balística Forense, interessará tanto o juiz, quanto os
jurados por ocasião de um julgamento futuro. A fim de demonstrar a importância de tal
colocação é que será analisada a evolução histórica da arma de fogo até os dias atuais,
abordando-se o conceito de arma, seus tipos de lesões, o conceito de armas de fogo e sua
classificação geral quanto à alma de seu cano, sistema de carregamento, sistema de inflamação,
funcionamento, modalidade, uso e calibre. Após isso, serão focalizadas as armas de uso mais
comum, destacando-se os revólveres, as pistolas semi-automáticas e automáticas, a classificação
do alcance do tiro e seus elementos constitutivos, tais como o estojo, a espoleta, a pólvora, a
bucha e o projétil. Em seguida, serão analisadas as lesões produzidas por armas de fogo, para
depois tecer comentários acerca da interligação entre a arma e o crime. Posteriormente, com base
no trabalho pericial é que se demonstrará que a Balística Forense é um dos instrumentos legais
mais adequados à ciência criminal na elucidação da autoria de crimes em que tenha havido o
disparo de armas de fogo. Portanto, será a partir de tal panorama que será evidenciada a
relevância da Balística Forense como meio jurídico na elucidação da autoria de crimes efetuados
com disparos de armas de fogo.

2
2 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS ARMAS
Inicialmente, para uma melhor compreensão da importância da Balística Forense na elucidação
do crimes em que são utilizadas as arma de fogo, cumpre analisar sua evolução histórica até os
dias atuais. Durante os milhões de anos em que ocorreu a evolução humana, o homem viveu com
suas armas naturais, ou seja, somente com suas defesas próprias, tais como garras e dentes, assim
como os animais, sendo que foi durante o período neolítico que surgiram as primeiras armas
humanas. (CROCE; CROCE JÚNIOR, 1998)

Tais armas consistiam na pedra lascada que era utilizada por pequenos grupos para se
defenderem dos predadores, de outros grupos e também para a caça. Foi dessa forma que houve a
criação de ferramentas capazes de causar ferimentos, matando-se os membros do próprio grupo,
assim como os do alheio que fosse inimigos, bem como a si mesmos, desenvolvendo-se a partir
daí a preocupação da defesa dos pertences (objetos). Com a evolução desses grupos o temor
aumentava, pois quanto mais um grupo se desenvolvia, mais se acumulavam os conhecimentos e
posses, sendo maior a possibilidade de sofrer ataques de grupos rivais que tinham por objetivo
tomarem para si tudo aquilo que possuíam, tais como alimentos, fêmeas para procriarem, a
melhor caverna, a melhor localização em relação à caça e água etc.

E assim foi que surgiram as necessidades do aperfeiçoamento dos meios de defesa pessoal, bem
como do grupo social. Foi a partir daí que a necessidade de proteção e a tendência a agressões
próprias do homem orientaram seus esforços para o desenvolvimento e fabricação de armas. A
origem e a sequência dos primeiros meios mecânicos usados nas armas podem apenas ser
imaginados na Pré-História, a partir, provavelmente, do uso de um galho como prolongamentos
das mãos (o que equivaleria a garras), braços (para lutar) e dentes (para rasgar). (CROCE;
CROCE JÚNIOR, 1998)

CONCEITO
Balística é a ciência que se preocupa em estudar o movimento de corpos lançados ao ar livre, o
que geralmente está relacionado ao disparo de projéteis por uma arma de fogo. Ao se estudar um
projétil disparado por uma arma de fogo, pode-se separar seu movimento em três partes distintas:
a balística interior, balística exterior e a balística terminal. A balística interior fica encarregada de
estudar o que ocorre desde o momento do disparo até o instante em que o projétil abandona a
3
arma. Este estudo fica baseado então na temperatura, volume e pressão dos gases no interior da
arma durante a explosão do material combustível, assim como também se baseia no formato da
arma e do projétil. Dependendo da quantidade utilizada de pólvora, deve-se ser estudado qual o
material utilizado para a construção da arma e do projétil para evitar explosões desagradáveis.

3 AS ARMAS DE FOGO
Nesse momento do presente trabalho, abordar-se-á o conceito de arma, apontando-se,
brevemente, seus tipos de lesões conceito de armas de fogo, sua classificação geral quanto à
alma de seu cano, sistema de carregamento, sistema de inflamação, funcionamento, modalidade,
uso e calibre. Logo, será a partir de tais esclarecimentos que se demonstrará o quanto uma arma
de fogo pode ser diferenciada de outra.

3.1 O conceito de arma


Por “arma” compreenda-se todo objeto que pode aumentar a capacidade de ataque ou defesa do
homem. (TOCCHETO,2009) Certos objetos são concebidos e feitos pelo homem com o fim
específico de serem usados como armas, as quais passam a ser denominados de “armas
próprias”. (TOCCHETO,2009).

Outras espécies de armas, tais como o martelo, machado de lenhador, foice etc., por exemplo,
são utilizados com fins diversos que não incluem, necessariamente, o objetivo de matar ou ferir
outrem. Daí tais objetos não serem concebidos e nem feitos pelo homem visando aumentar seu
potencial de ataque ou defesa, sendo, por isso, denominados como “armas impróprias”.
(TOCCHETO,2009)

3.2 Tipos de lesões produzidas pelas armas


As armas podem também ser divididas de acordo com o tipo de lesões que produzem, daí sua
classificação em: perfurantes, contundentes, cortantes e cortocontundentes. Para a Balística
Forense interessam apenas as armas classificadas como perfurocontundentes, as quais são as que
produzem lesões que causam, ao mesmo tempo, perfuração e ruptura de tecidos, com ou sem
laceração e esmagamento deles (lesões perfurocontusas). Enquadram-se neste tipo de lesões as
produzidas pelos projéteis expelidos de armas de fogo. (TOCCHETO,2009) Dessa forma, o

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projétil de arma de fogo é um agente mecânico perfucontundente e que determina uma lesão de
natureza pefurocontusa.

3.3 Conceito de armas de fogo


As armas de fogo são aquelas espécies de armamentos em que é possível o arremesso de
projéteis por meio da força expansiva dos gases resultantes da combustão da pólvora.
(TOCCHETTO,2009) Daí ser possível conceituar as armas de fogo como aquelas armas,
exclusivamente, de arremesso, complexas e que utilizam a força expansiva resultante dos gases
de pólvora ou propelente, para expelirem seus projéteis. (CARVALHO, 2006). Seu
funcionamento, em princípio, não depende do vigor, ou seja, da força física do homem, sendo
que as arnas de fogo são, na realidade, máquinas térmicas, fundadas nos princípios da
termodinâmica. É é por esse motivo que a maioria delas são projetadas e construídas por
engenheiros mecânicos e metalúrgicos. (TOCCHETTO,2009).

3.4 A classificação geral das armas de fogo


A classificação geral das armas de fogo está baseada em cinco critérios específicos,
diferenciadores e independentes uns dos outros, conforme se verificará nos itens a seguir.

3.4.1 Classificação quanto à alma do cano


O cano das armas de fogo é confeccionado a partir de uma peça cilíndrica e oca na região
central, sendo perfurado, longitudinalmente, em sua região mediana, por uma broca. Acaso a
arma permaneça com esta perfuração, a qual poderá ser calibrada e, posteriormente, sofrer um
polimento, estar-se-á diante de um cano de alma lisa. Assim, as armas que usam este tipo de cano
são classificadas como armas de alma lisa. Há canos nos quais, em uma etapa posterior, mediante
o uso de uma broca, de uma bilha ou martelo, são produzidos sulcos paralelos e helicoidais,
sendo denominados de canos de alma raiada, e as armas de fogo confeccionadas com estes canos
são chamadas de armas de fogo de cano de alma raiada. Informe-se que existem as armas com
raiamento poligonal, que não possuem sulco e sim seção transversal poligonal, por exemplo, as
pistolas Glock ou HK. Cada fabricante possui uma concepção sobre o que constitui o melhor
raiamento dos canos das armas de fogo, adotando para suas armas características e dimensões
próprias relacionadas com as raias, em especial quanto ao número, orientação (dextrogira ou
sinistrogia), largura, profundidade e ângulo de inclinação. Os números de raias mais usados são
5
de 06 (seis) ou 05 (cinco), existindo canos com 04 (quatro), 07 (sete), 08 (oito), 09 (nove), 10
(dez) e 12 (doze) raias. A orientação predominante das raias, tanto em armas curtas como em
armas longas é dextrogira, isto é, no sentido horário.

3.4.2 Classificação quanto ao sistema de carregamento


Usa-se o termo carregamento no sentido de por carga, isto é, de colocar a munição ou os
cartuchos em posição tal que, com o acionamento do gatilho, consiga-se produzir,
imediatamente, o tiro. Nesta situação, pode-se afirmar que a arma está carregada e, quando for
colocada munição nas câmaras do tambor de um revólver ou no carregador de uma pistola, diz-se
que a arma está municiada. Registre-se que nem sempre uma arma municiada estará, ao mesmo
tempo, carregada. O carregamento pode ser antecarga que é aquele feito pela boca da arma
(extremidade anterior do cano) ou retrocarga. No carregamento por retrocarga, a munição é
colocada no carregador, vulgarmente, chamado "pente", no tambor ou na parte posterior do cano.

3.4.3 Classificação quanto ao sistema de inflamação


Na classificação das armas de fogo quanto ao sistema de inflamação da carga está presente toda a
evolução histórica das armas. Nas primeiras armas, o sistema de inflamação era por mecha,
sendo tal sistema abandonado por não ser prático e, às vezes, era até perigoso para o atirador. Daí
surgiu então o sistema de inflamação por atrito, usando-se o fecho de roda ou o fecho de
miquelete, sendo ambos obsoletos. As armas de percussão extrínseca são exclusivamente as
armas portáteis de antecarga, sendo que também existem as de retrocarga com câmara de
antecarga, nas quais a cápsula de espoletamento é uma peça isolada, colocada externamente
sobre um pequeno tubo saliente, denominado por alguns de chaminé ou ouvido que se comunica
por um canal com carga de projeção (pólvora) contida no interior do cano. A detonação ocorre
pela ação de um percussor, com sua extremidade superior adaptada para comprimir a cápsula de
espoletamento contra o tubo saliente. O uso de percussão extrínseca está, atualmente, bastante
restrito. Informe-se que as armas de inflamação intrínsecas são as mais usadas e as mais
fabricadas, na atualidade, pois, são armas de percussão e de retrocarga, cuja munição é
constituída por cartuchos, nos quais está embutida a cápsula de espoletamento ou espoleta.
Assim, conforme o cartucho utilizado, as armas de percussão intrínseca podem ser de percussão
central (cartuchos que possuem a espoleta ou cápsula de espoletamento embutida no centro de

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seu culote ou base metálica), já os cartuchos de percussão radial, anelar ou periférica, não
possuem espoleta e a mistura iniciadora (carga de inflamação) esta disposta em anel, no interior
da orla oca, saliente, do próprio culote do estojo.

3.4.4 Classificação quanto ao funcionamento


As armas de fogo, quanto ao funcionamento, são divididas em armas de tiro unitário e armas de
repetição. As armas de tiro unitário são subdivididas em armas de tiro unitário simples e armas
de tiro unitário múltiplas. São armas de tiro unitário simples aquelas que comportam carga para
um único tiro e que tem seu carregamento manual, sendo que para a produção de um segundo
tiro, a arma deve ser recarregada, após a extração do estojo oriundo do primeiro tiro. Armas de
tiro unitário múltiplas são aquelas que possuem dois ou mais canos, com as respectivas câmaras,
servidas, cada uma, por um mecanismo de disparo independente, inclusive quando forem do tipo
monogatilho. Armas de repetição não automáticas são aquelas cujos mecanismos de repetição e
de disparo dependem exclusivamente da força muscular do atirador, podendo se dividir as armas
de repetição em não automáticas, semi automáticas e automáticas. As armas de repetição não
automáticas são aquelas cujos mecanismos de repetição e de disparo dependem exclusivamente
da força muscular do atirador.

3.4.5 Classificação quanto à mobilidade e ao uso


Quanto à mobilidade e ao uso, a evolução das armas de fogo se processou a partir das armas
coletivas para as individuais, praticamente do canhão para a pistola. As armas de fogo, quanto ao
uso, são classificadas em coletivas ou individuais, sendo que uma arma de fogo será coletiva
quando seu funcionamento regular exigir o concurso de duas ou mais pessoas. Será individual a
arma de fogo, quando for usada por uma só pessoa. Na classificação quanto a mobilidade, as
armas de fogo são classificadas em quatro grupos: fixas, móveis, semiportáteis e portáteis. A
arma será fixa quando montada num determinado suporte, tendo apenas possibilidade de
deslocamento no plano vertical e giro no plano horizontal. Será móvel quando a arma poder ser
deslocada de sua posição para outra, mediante tração animal, motora ou automotriz. A arma será
semiportátil quando dividida em arma e suporte (morteiro de infantaria, e metralhadora pesada,
por exemplo).

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3.4.6 Classificação quanto ao calibre
Toda munição apresentada em unidade de cartucho é referida a um calibre determinado, calibre
este, em cada caso, enunciado de maneira a indicar o tipo particular de arma a que se destina.
Trata-se de uma referência necessária, porquanto não é incomum cartuchos com, praticamente, a
mesma aparência exterior, possuírem distintas propriedades balísticas e se destinarem,
respectivamente, a armas diferentes. Há que se distinguir entre calibre real e calibre nominal,
sendo que aquele corresponde a uma grandeza concreta, medida diretamente na boca do cano da
arma, ao passo que o calibre nominal é designificativo, em princípio, de um tipo particular de
munição. Assim, para um mesmo calibre real, poderão existir, e realmente existem, no que se
refere a alguns tipos de arma , diferentes calibres nominais, ou seja, o calibre real corresponde ao
diâmetro interno da alma do cano, é medido entre cheios, isto é, medido diretamente na boca do
cano desconsiderando-se a profundidade do raiamento. Informe-se também que o calibre real é
expresso em milímetros ou fração de milímetros nos países que adotam o sistema métrico francês
e em fração de polegadas.

4 AS ARMAS DE USO MAIS COMUM


Neste momento da monografia em tela, far-se-á um estudo das armas mais comuns, destacando-
se os revólveres, as pistolas semi-automáticas e automáticas, a classificação do alcance do tiro e
seus elementos constitutivos, tais como o estojo, a espoleta, a pólvora, a bucha e o projétil.

4.1 Revólveres
Conceitualmente, revólver é uma arma de fogo curta, portátil, de repetição, não automática, com
um só cano e várias câmaras de combustão que integram um cilindro denominado tambor. As
partes de um revólver podem se dividir em armação, tambor, cano e mecanismo, sendo que os
revólveres podem conter de 4 (quatro) até mesmo 10 (dez) cartuchos para municiamento no seu
tambor que pode ser móvel, fixo ou deslocável. Informe-se que cada revólver possui peso e
calibre diferente, existindo várias marcas no mercado, porém o mais comuns.
(TOCCHETTO,2009)

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4.2 Pistolas semi-automáticas
As pistolas semi-automáticas são armas de fogo curtas, na quais o mecanismo de disparo é
acionado mecanicamente e o sistema de recarregamento ou realimentação é feito com
aproveitamento exclusivo dos gases da deflagração da carga de projeção, o que o torna
automático. (CARVALHO,2006) 4.3 Pistolas automáticas As pistolas automáticas são armas que
possuem o cabo da coronha cavado, local onde se introduz a munição através de carregadores
que é uma espécie de caixa retangular que se acomoda no interior do cabo da coronha. Os
carregadores podem acomodar 8 (oito) a 10 (dez) cartuchos, dependendo do [Link]
cartuchos são acondicionados no carregador de maneira que ficam sobrepostos. Na pistola
automática, o atirador apenas puxa o gatilho até que o carregador que contém os cartuchos se
esvazie, ou seja, a força de recuo é empregada para produzir automaticamente todos os variados
movimentos que o atirador executa com a mão, isto é a retirada do cartucho e o carregamento da
arma. (CROCE, 1998)

4.4 O alcance do tiro


Muitos atiradores não se preocupam com o alcance do tiro produzido por sua arma. Outros,
apesar de se preocuparem, desconhecem como se estabelece o alcance do tiro de determinada
arma, utilizando a munição adequada para ela. Assim, com o objetivo de fornecer alguns dados e
esclarecer possíveis dúvidas, sem ter a pretensão de esgotar o assunto, serão apresentados
conceitos e dados relativos ao alcance do tiro. Esclareça-se, primeiramente, que o alcance do tiro
depende do ângulo do mesmo (ângulo que a linha de tiro faz com a horizontal), das condições
atmosféricas, da arma e da munição empregada, tendo em vista a variedade de projéteis e de
cargas para cartuchos de um mesmo calibre.

4.4.1 Alcance útil


Pode-se definir o alcance útil como sendo a distância da boca do cano da arma até aquela em que
o projétil tem energia suficiente para ferir um oponente, pelo efeito do choque, mesmo não o
atingindo em um ponto vital. Esta distância é calculada em função de velocidades médias em
testes diversos, retardação do projétil e de sua massa, sendo que o referido grupamento é obtido,
para fins de avaliação do armamento, através de disparo por provete a uma distância de 25 (vinte
e cinco) metros do alvo.
9
4.4.2 Alcance máximo
Alcance máximo ou alcance real é a distância compreendida entre a boca do cano da arma e o
ponto de chegada do projétil. Considera-se ponto de chegada o local em que o projétil encontra o
solo. Esclareça-se que quando entre a boca do cano da arma e o ponto de chegada do projétil não
houver nenhum obstáculo, esta distância se confundirá com o da trajetória do projétil. Observe-
se que várias indústrias fabricantes de cartuchos colocam impresso na sua embalagem, um alerta
ou aviso com relação ao alcance no qual o projétil desses cartuchos ainda apresenta perigo.
(TOCCHETO, 2009)

4.4.3 Alcance com precisão


O poder de alcance de uma arma é a distância em que um atirador experiente tem a possibilidade
de acertar seu alvo, sendo calculado pela medida do diâmetro do cano em milímetros
multiplicada por 60 (sessenta), com a velocidade inicial da bala igual ou inferior a 340 m/s
(trezentos e quarenta metros por segundo), à temperatura de 20°C (vinte graus Celsius).
(CROCE; CROCE JÚNIOR, 1998)

4.5 O cartucho de munição das armas de fogo


O cartucho é a unidade de munição das armas de fogo de retrocarga, podendo-se dividir os
cartuchos em dois grupos: cartuchos de armas raiadas, de percussão central e de percussão radial,
e cartuchos para armas de alma lisa, de percussão central. Os cartuchos para armas com canos
raiados, de percussão central, possuem os seguintes elementos essenciais: o estojo, o
espoletamento ou cápsula da espoleta com sua mistura iniciadora (carga de inflamação), a
pólvora ou carga de projeção e o projétil.

4.6 O estojo O estojo


É o componente externo e de maior dimensão nos cartuchos, sendo sua forma bastante variada,
assim como o material usado na sua confecção.

O estojo constitui o elemento inerte do cartucho e, ao mesmo tempo, possibilita ao mesmo seu
funcionamento eficaz e a sua padronização como unidade de munição. A forma e as dimensões
do estojo determinam as da câmara ou câmaras da arma em que for utilizado e o calibre nominal
da arma. O estojo pode ser cilíndrico, cônico ou com formato de garrafa, para armas raiadas, liso

10
ou estrangulado em sua região anterior, com gargalo. A forma cônica visa facilitar sua extração,
após o tiro, da câmara em que estiver alojado.

5 AS LESÕES PRODUZIDAS POR ARMAS DE FOGO


Nesse instante do trabalho, focalizar-se-ão as lesões produzidas por armas de fogo, a fim de
destacar sua importância na apuração da autoria na ocorrência de um crime, por meio da
realização do exame do corpo de delito. Antes de tudo, é importante observar que os projéteis
das armas de fogo devem ser analisados como agentes traumáticos da classe dos pérfuro-
condundentes, uma vez que o orifício por este produzido se assemelha ao mesmo que é causado
por um instrumento perfurante, mas que sempre apresenta as bordas contundidas. Assim, as
características das lesões causadas por armas de fogo variam de acordo com a distância com que
o disparo da arma de fogo foi efetuado. (CAMARGO JUNIOR, 1987).

5.1 O orifício de entrada


Embora praticamente, seja o caso normal a presença de um orifício de entrada como elemento
diferenciado, seguido de um trajeto, a constância deste não é absoluta, pois em tiros tangenciais,
a lesão pode se objetivar como um sulco superficial com a aparência de um ferimento contuso ou
lacero-contuso. As características normais deste orifício de entrada são explicáveis, tendo em
vista o modo peculiar como a lesão é produzida, conforme a seguir será demonstrado. Seja qual
for a forma do projétil, seu efeito imediato, ao fazer impacto contra um corpo humano, é de
percussão, repelindo, no sentido da sua progressão, o obstáculo oposto ao seu avanço, e
iniciando-se a lesão traumática, portanto, como uma contusão, e, sendo a pele além de bastante
elástica, ela não se rompe e nem é perfurada de imediato, mas distende-se consideravelmente, até
ser vencido o limite da sua elasticidade. No caso de serem moles os tecidos subjacentes o que
ocorre é que a um mesmo tempo a pele é distendida, em torno do ponto de impacto, com uma
área de compressão e perda de substância ao centro, quando revestindo camada pouco espessa de
tecidos moles sobre um plano ósseo, como é o caso normal de tiros no crânio.

A pele, como sede de importantes funções vitais diferenciadas, compõe-se, essencialmente, de


duas camadas anatômica e fisiologicamente bem distintas, a exterior ou epiderme, constituída
fundamentalmente de células e desprovida de nervos e vasos sangüíneos; e a camada interna, a
derme, ou córion, fundamentalmente, constituída de fibras de tecidos do conjuntivo, ricamente
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inervada e vascularizada, na qual se situam os órgãos do tato, as glândulas de secreção externa,
sudoríparas e sebáceas, onde, realmente, encontra-se a fronteira viva do organismo com o mundo
exterior, ativada pelos estímulos externos.

5.2 A forma do orifício de entrada


A forma do orifício de entrada depende da maneira pela qual o projétil atingiu o alvo, estando,
também intimamente ligada com a distância do tiro. Entretanto, não se fala em orifício de
entrada quando o projétil disparado a distância, atinge a pele de raspão sem perfurá-la,
produzindo apenas escoriações alongadas. É importante ponderar que o projétil disparado a
distância ao exercer ação perfuro-contusa, produz, em geral um orifício de entrada
aparentemente circular, redondo (tiro perpendicular), redondo (tiro perpendicular) oval, linear ou
em fenda (tiro inclinado ou em região abaulada). Nos tiros à queima-roupa, dependendo da
incidência do disparo, o orifício de entrada assume forma arredondada ou ovalar, circundado por
orlas e zonas.

5.3 A dimensão do orifício de entrada


A dimensão do orifício de entrada depende da distância do tiro, da resistência dos tecidos e do
próprio projétil, podendo ser igual, maior ou menor do que o calibre do projétil. (GOMES, 1987)
O orifício de entrada é, usualmente, menor do que o calibre do projétil que o produziu e com ele
guarda proporção direta. (GOMES, 1987) Nos tiros muito próximos, entretanto, o diâmetro da
ferida é maior que o do projétil. (GRECO, 2009) No que concerne à dimensão do orifício de
entrada nos tiros disparados a distância, produzem orifício menor que o calibre da bala. Isso
porque o projétil, ao perfurar a pele, deprime-a a modo de um dedo de luva, e, ao voltar ela ao
ponto primitivo, apresenta retratação das fibras elásticas, o que redunda em reduzir as dimensões
do orifício. (GOMES, 1987) Nos disparos à queima-roupa e nos encostados, além do projétil
atuam os gases provenientes da queima da pólvora e alguns elementos constitutivos da munição,
os quais ocasionam uma verdadeira explosão dos tecidos, determinado orifício de entrada maior
ou igual ao calibre da bala. Alguns outros fatores também influem na ocorrência de fato idêntico,
tais como : a diminuição da força viva do projétil, a inclinação do alvo e se antes de percuti-lo o
projétil se houver deformado em superfícies resistentes.

12
5.4 As orlas e zonas de contorno
O orifício de entrada, seja qual for à distância do tiro, apresenta uma orla de contusão e uma orla
de enxugo. Existem as zonas de contusão, de enxugo, aréola equimótica, zona de tatuagem, zona
de esfumaçamento, zona de queimadura e zona de compreensão de gases. (FÁVERO, 1994). As
orlas e zonas de contorno são marcas características ou manchas que se encontram em torno do
orifício de entrada de um tiro, variando de acordo com a distância deste. Estas aparecem porque
o projétil ao ser disparado não vem só, mas acompanhado de chama, pólvora incombusta e
combusta, gases, restos de bucha, impurezas ou sujeiras do cano da arma, tudo isso formando um
cone, chamado “cone do tiro”.

5.5 A orla de contusão


A orla de contusão também conhecida como orla desepitelizada, orla erosiva ou anel é uma
pequena faixa medindo alguns milímetros que se encontra nas vizinhanças do orifício de entrada.
Resulta da escoriação e do atrito do projétil, que mortifica os tecidos circundantes, visto ser
agente da classe dos pérfuro-condundentes. É formada porque, antes de atravessar a pele, o
projétil a deprime. Daí a pele exibe, assim, uma pequenina orla escoriada, contundida, de
coloração escura. E esta escoriação é causada pelo atrito do projétil contra os tecidos que estão
sendo contundidos e perfurados. (GRECO, 2009).

5.6 A orla de enxugo


A orla de enxugo também conhecida como orla de limpeza, pois se forma porque o projétil ao
atravessar o cano da arma, cobre-se de resíduos, daí quando o projétil penetra na pele, ele se
“limpa” dessas impurezas, “enxugando-se” nas bordas da ferida. (GRECO, 2009).

5.7 A aréola equimótica


É representada por uma zona superficial e relativamente difusa da hemorragia oriunda da ruptura
de pequenos vasos localizados nas vizinhanças do ferimento. (FRANÇA, 1998) A sua formação
se dá devido à ruptura, pelo projétil ao ferir o corpo vivo, de vasos capilares, produzindo, desta
forma, extravasamento de sangue que se exterioriza em uma mancha equimótica ao redor do
orifício de entrada. Tal mancha possui um colorido variável, podendo evoluir do vermelho ao
amarelo. A aréola equimótica não possui características próprias capazes de diagnosticar a

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distância, a direção do tiro e o orifício de entrada, entretanto, serve para concluir se a lesão foi
produzida ainda em vida. (CROCE; CROCE JÚNIOR, 1988)

5.8 A zona de tatuagem


Decorre da incrustação de grânulos e fragmentos de pólvora não combusta pelo disparo na região
atingida, não sendo removível. (GRECO, 2009) A zona de tatuagem é classificada em falsa e
verdadeira; a falsa é a que se remove facilmente, sendo a verdadeira considerada como uma
tatuagem comum. A zona de tatuagem é produzida pelos grânulos de pólvora, queimada ou não
que, partindo com o projétil, percutem o contorno do orifício de entrada e se incrustam mais ou
menos profundamente na região atingida. A zona de tatuagem margeia o orifício de entrada nos
tiros encostados e à queima-roupa, sendo importante para se determinar a distância do disparo, a
incidência do tiro e a natureza da carga. Entretanto, é importante salientar que a mesma não se
verifica em nenhuma hipótese no orifício de saída, sendo sua coloração variável de acordo com a
pólvora empregada na munição; tendo a coloração uniformemente escura no emprego da pólvora
negra e cor variada com pólvora piroxilada, sem fumaça.

5.9 A zona de esfumaçamento


É também chamada de zona de tatuagem falsa, uma vez que é facilmente removível, pois não se
incrusta na pele, sendo apenas superficial. A zona de esfumaçamento é formada pela deposição
da fumaça resultante da combustão da pólvora e terá colorido correspondente à natureza dos
produtos químicos empregados para a composição da pólvora, após sua combustão. Registre-se
que a zona de esfumaçamento também serve para determinar o orifício de entrada, à distância e a
direção do tiro, porém sua importância é menor do que a da zona de tatuagem, por ser removível
e sua forma obedece ao mesmo mecanismo da zona de tatuagem, com apenas uma diferença nos
tiros perpendiculares a sua forma é estrelada e não circular. Convém ressaltar que é possível o
aparecimento da mesma ao redor do orifício de saída nos alvos de pequena espessura, uma vez
que a fumaça penetra pelo trajeto do projétil e sai com este, depositando-se, então, ao redor do
orifício de saída. (CARVALHO et all, 1965).

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6 A INTERLIGAÇÃO ENTRE A ARMA E O CRIME
O problema da identificação do autor do tiro incriminado é sempre da máxima importância, quer
para o investigador, quer para o juiz, em todos os casos de morte, ou lesões corporais decorrentes
de impacto de projéteis de arma de fogo. E isso se justifica na medida em que em que seja
relevante estabelecer e provar de modo categórico, a autoria material do (s) disparo (s) em
consideração, seja para estabelecer com fundamento sólido o diferencial quanto à causa jurídica
do fato delituoso (homicídio, suicídio ou acidente) ou para, no caso de ser o fato penalmente
imputável a um agente, para apontar com segurança o responsável pelo mesmo. (RABELLO,
1995) Os exames micro comparativos são, talvez, os mais importantes, porém são também os
mais demorados e os mais difíceis numa perícia que envolva a balística forense. Tais exames
servirão, na maioria dos casos, como prova suficiente para contribuir para a convicção do juiz e
dos jurados na decisão sobre um determinado caso, sendo por isso que a sua importância será a
seguir analisada e demonstrada. Dessa forma, analisados os requisitos que devem ter os padrões
em balística e a forma como obtê-los, será feita a análise dos meios usados para colher os
projéteispadrão (testemunhas), dos equipamentos empregados nos exames e do método para o
trabalho de confronto (comparação) com o (s) projétil (éis) questionado (s), visando à
identificação indireta e individual das armas de fogo.

6.5 A distância do tiro


As características das lesões produzidas por armas de fogo dependem sempre de dois fatores: a
arma e a munição (cartucho). Dentro da Balística dos Efeitos, o estudo da distância do tiro e dos
seus efeitos tem um destaque especial, pois através do estudo dos efeitos do tiro, pesquisáveis
juntos às lesões, pode-se estabelecer, em muitos casos, a que distância foi disparado um
determinado tiro. (TOCCHETTO, 2009) Os tiros classificam em encostados, a curta distância e a
distância, cada um com suas particularidades. Nos tiros encostados as lesões se apresentam com
bordas irregulares, estreladas. Pode estar presente um desenho na pele produzido pela
queimadura da boca do cano e da alça da mira da arma

6.6 A direção do tiro


A direção do tiro em relação ao corpo da vítima será indicada por duas ordens de elementos; as
características do orifício de entrada e a direção do trajeto da lesão. (BARROS, 2002) Na perícia
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para determinação da direção do tiro também é necessária a experimentação com a mesma arma
e munição, tomando-se as mesmas precauções ditas com relação à distância do tiro. Deve-se
lembrar que a inclinação do corpo mantida a mesma linha de visão da arma faz variar o trajeto do
projétil. (FÁVERO, 1991).

5.10 A zona de chamuscamento ou queimadura


A zona de chama, também denominada zona de chamuscamento ou zona de queimadura é
produzida pelos gases superaquecidos e inflamados que se desprendem por ocasião dos tiros
encostados e atingem o alvo, produzindo queimadura da pele da região, dos pelos e das vestes.
Esta zona circunda o orifício de entrada nos tiros perpendiculares e está presente nos tiros
encostados ou muito próximos.

6.7 O incidente e o acidente de tiro e o tiro acidental


Quando ocorre uma morte em por causa de um tiro, é muito comum que os órgãos de imprensa,
antes da realização da perícia, informem que a morte ocorreu em conseqüência de um acidente
de tiro ou de um tiro acidental. A conceituação e caracterização de incidente de tiro, acidente de
tiro e tiro acidental se reveste de importância especial em casos de morte ou lesão corporal.
Assim, os conceitos a seguir apresentados se restringirão aos aspectos técnicos, não levando em
consideração a intencionalidade, ou não, de produzir determinados efeitos, por parte de quem
está portando ou usando uma arma de fogo. (TOCCHETO, 2009) O incidente de tiro ocorre
quando se produz uma interrupção dos tiros sem danos materiais e/ou pessoais, por motivo
independente da vontade do atirador.

6.8 Diferenciação entre suicídio, homicídio e acidente.


Designa-se como maneira da morte o modo ou a forma através da qual agiu o agente responsável
pela causa da morte, sendo que a importância do seu estudo é indiscutível, justamente porquanto
implique na interpretação jurídica da causa da morte. Com efeito, distingue-se assim entre a
morte natural, quando esta é determinada, por uma doença, e a morte violenta ou não natural,
toda vez que a sua causa seja um traumatismo ou uma lesão, de origem homicida, suicida ou,
mesmo, acidental. Esta diferenciação é de extrema importância uma vez que se a morte for
natural não haverá responsabilidades criminais ou civis a apurar, mas acaso a morte seja violenta,
incluindo-se até os óbitos decorrentes de eventos infortunísticos, tais como, por exemplo, os
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acidentes do trabalho, resulta clara a necessidade de esclarecer as circunstâncias em que a mesma
aconteceu, principalmente, pelas implicações jurídicas, tanto no campo cível, quanto no âmbito
da legislação acidentária própria. Contudo, os casos que mais conclamam a atenção do médico
legista são aqueles em que a morte pode ter sido ocasionada pela própria vítima, em função de
suicídio, suicídios a dois e homicídios-suicídios, ou aqueles outros em que a morte é o resultado
da ação de uma outra pessoa sobre a vítima, ou seja, os homicídios, nas suas diversas
modalidades.

6.9 A balística interna, externa e a dos efeitos


A balística forense se divide em balística interna, externa e balística dos efeitos. A balística
interna trata do funcionamento das armas, da sua estrutura e mecanismo, e da técnica do tiro.

A balística externa estuda o trajeto e a trajetória, desde sua saída da arma até seu Revista de
Criminologia e Ciências Penitenciárias Conselho Penitenciário do Estado.

E a balística dos efeitos ou balística do ferimento, manifesta-se sobre os efeitos produzidos pelo
projétil disparado, incluindo, entre outros, os ricochetes, os impactos e as lesões e danos sofridos
pelos corpos atingidos, sejam eles animados ou inanimados. No que tange à identificação das
armas de fogo, esta pode ser direta ou indireta. É direta quando a identificação é feita na própria
arma. E indireta quando feita através de estudo comparativo de características deixadas pela
arma nos elementos de sua munição.

Na identificação direta, levam-se em conta os chamados de qualificação, representados pelo


conjunto de caracteres físicos constantes de seus registros e documentos, como tipo da arma,
calibre, número de série, fabricante, escudos e brasões etc.

Na identificação indireta, usam-se métodos comparativos macro e microscópicos nas


deformações verificadas nos elementos da munição da arma questionada ou suspeita. Dentre
eles, o mais importante é o projétil, quando se trata de arma de fogo raiada. Já nas armas de alma
lisa, a identificação indireta é feita nas deformações impressas no estojo e suas espoletas ou
cápsulas de espoletamento. (FRANÇA, 2005) Portanto, restou evidente que é possível
estabelecer-se uma interligação entre a arma de um crime e o mesmo através de elementos sutis
que possam ser encontrados na cena do crime e bem analisados por um profissional competente.

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7 A PERÍCIA COMO MEIO DE PROVA
A perícia é o exame realizado por pessoa com conhecimentos específicos sobre matéria técnica e
útil para o deslinde de casos de difícil solução, destinada a instruir os julgadores.

A perícia é em regra determinada pela autoridade policial, na fase de inquérito, pois quando a
infração deixar vestígios será indispensável o exame de corpo delito, direto ou indireto, não
podendo supri-lo a confissão do acusado de acordo com o artigo 158 do Código de Processo
Penal.

A perícia deve ser realizada com urgência, com base no princípio da imediatidade, sob pena de
desaparecerem os vestígios e ser prejudicada a apuração dos fatos, mas podem ocorrer casos de
sua realização no decorrer do processo. A perícia é feita por peritos oficiais, onde houver, ou por
pessoas capacitadas (peritos particulares) nomeados pelo juiz, onde não houver os peritos
oficiais.

A perícia é retratada através do laudo pericial que é a exposição minuciosa do observado pelos
peritos e de suas conclusões. Ressalte-se que o laudo pericial tem valor inegável, visto que, trata-
se de peça técnica, indispensável à livre convicção do juiz, já que lhe fornece elementos
preciosos.

De posse do laudo o juiz tem inteira liberdade de apreciação em aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo
ou em parte. O exame de corpo de delito é uma modalidade de perícia, sendo a atividade voltada
para a captação dos vestígios deixados pelo crime. Tal exame pode ser direto ou indireto, sendo
direto se depender de inspeção ocular sobre elementos sensíveis que permaneceram atestando a
prática delituosa, ou indireto, quando se forma por depoimentos testemunhais acerca da
materialidade do fato e de suas circunstâncias.

A perícia como meio de prova tem valor relativo, já que no processo penal todas as provas têm
esse valor, devendo ser examinada pelo juiz em conjunto com outras provas e não
separadamente. (NOGUEIRA, 2000)

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7.1 A Justiça e a Balística Forense
A Balística Forense é uma disciplina integrante da Criminalística que estuda as armas de fogo,
sua munição e os efeitos dos tiros por elas produzidos, sempre que tiverem uma relação direta ou
indireta com infrações penais, visando a esclarecer e provar sua ocorrência. A Balística Forense,
por meio dos exames, das perícias, objetiva provar a ocorrência de infrações penal, mas, também
e, principalmente, esclarecer o modo, a maneira como ocorreram tais infrações. Seu conteúdo é,
por natureza, eminentemente técnico, mas sua finalidade específica é jurídica e penal, motivo
pelo qual recebe a denominação de Balística Forense. A perícia de Balística Forense, além de
servir como meio de prova, tem um valor todo especial, pois dela depende, em muitos casos, a
condenação ou absolvição de um acusado que cometeu uma infração penal com arma de fogo.
(TOCCHETO, 2009) Nota-se, assim, que a Justiça marcha lado a lado com a Balística, na
dissolução dos delitos em que o emprego da arma de fogo foi usado, pois a Balística com suas
técnicas dão assistência à Justiça para atribuir a prática das violações das leis aos seus
verdadeiros autores. Dessa forma a Balística Forense é aquela parte do conhecimento
criminalístico e médico legal que tem por objeto, especial, o estudo das armas de fogo, da
munição e dos fenômenos e efeitos próprios dos tiros destas armas, no que tiverem de útil ao
esclarecimento e à prova de questões de fato, no interesse da justiça penal como civil.
(RABELLO, 1995) Ademais, tem-se como certo que sem a apreensão e perícia de uma arma, não
há como se apurar a sua lesividade e, portanto, o grau de risco para o bem jurídico que envolva a
integridade física alheia.

19
8 CONCLUSÃO
Ao longo do desenvolvimento deste trabalho, percebeu-se como que a Balística Forense é um
dos ramos mais ricos da Medicina Legal. Tal constatação foi alcançada, tendo em vista a análise
de sua evolução histórica, pois a figura da arma acompanhou a evolução do homem desde os
primórdios, já que naquela época o que se buscava era o uso da arma como meio de
sobrevivência, pois o que se visava até então era a caça para a alimentação e a defesa dos grupos.

Observou-se que as distinções no que tange as classificações das armas de fogo são relevantes
por permitirem concluir que uma arma pode ser diferenciada de outra, já que cada uma tem um
cano diferente, um tipo de munição específica, gera um tipo de lesão etc. Percebeu-se também
que as características inerentes às armas de uso mais comum permite se ter ciência sobre o tipo
de arma específica que pode ter sido utilizado em um crime de homicídio, indicando dessa forma
a autoria do disparo. Diante disso, notou-se ser possível estabelecer-se uma interligação entre a
arma de um delito e a mesmo através de elementos sutis que possam ser encontrados na cena do
crime e bem analisados por um profissional competente. Além disso, tornou-se claro que sem a
apreensão da arma e a realização de um bom trabalho pericial sobre a mesma, não há como se
apurar a sua lesividade e, portanto, o grau de risco para o bem jurídico que envolva a integridade
física alheia. Tal constatação evidenciou que o exame pericial da arma de fogo é indispensável,
em algumas situações, sendo da competência da autoridade policial informar acerca das
características da arma, sua potencialidade lesiva e recenticidade de disparos.

Outro ponto de destaque que confere excelência à Balística Forense fica por conta da análise das
características de uma arma, para que se saiba se ela é de uso proibido ou permitido, pois é por
meio da aferição de sua potencialidade lesiva que se terá ciência se ela está em funcionamento ou
se é obsoleta. Portanto, diante das colocações expostas ao longo do trabalho em tela é que se tem
como certo que a Balística Forense é essencial como instrumento jurídico na elucidação da
autoria de crimes efetuados com disparos de armas de fogo, por revelar, tecnicamente, o modo, a
maneira, o tipo de munição e os efeitos dos tiros que posam envolver um homicídio de autoria
ainda duvidosa, contribuindo para a realização da Justiça, por permitir a punição daqueles que
violaram as leis penais, notadamente, no que tange aos crimes contra a vida.

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9 REFERÊNCIAS

ALMEIDA JÚNIOR, A.; COSTA JÚNIOR, J. B. de O. Instrumentos Pérfurocontundentes:


Lesões por arma de Fogo. Lições de Medicina Legal. 22 ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 1998.

CAMARGO JÚNIOR, Benedito Soares de. Aulas de Medicina Legal. 5 ed., Goiânia: Editora da
Universidade Federal de Goiás, 1987.

CARVALHO, João Luiz de. Investigação Pericial Criminal. 1 ed., Campinas: Bookseller, 2006.
CARVALHO, Hilário Veiga de;

BRUNO, Antônio Miguel Leão; SEGRE, Marco. Traumatologia: Lições de Medicina Legal. 3
ed., São Paulo: Saraiva, 1965.

CROCE, Delton; CROCE JÚNIOR, Delton. Medicina legal para provas e concursos. [Link]. São
Paulo : Saraiva, 1998.

FÁVERO, Flamínio. Medicina Legal. 3 ed. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 1994.

FERREIRA, Arnaldo Amado. A Perícia Técnica em Criminologia e Medicina Legal. São Paulo:
Millennium, 1948.

FRANÇA, Genival Veloso. Traumatologia médico-legal. Medicina Legal. 5. ed., Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1998.

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