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Ideologia e História do Nazismo

O nazismo foi uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista na Alemanha Nazi. Promovia o racismo científico, o antissemitismo e o uso da eugenia, e defendia a superioridade da raça ariana. Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, apenas grupos neonazistas ainda se descrevem como nacional-socialistas.

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Ideologia e História do Nazismo

O nazismo foi uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista na Alemanha Nazi. Promovia o racismo científico, o antissemitismo e o uso da eugenia, e defendia a superioridade da raça ariana. Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, apenas grupos neonazistas ainda se descrevem como nacional-socialistas.

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Nazismo

O nazismo (pronúncia em português: [naˈzizmʊ]), oficialmente nacional-socialismo


(em alemão: Nationalsozialismus; pronúncia em alemão: [nat͡sjoˈnaːlzot͡sjaˌlɪsmʊs]), é
uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista (em alemão:
Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP, ou Partido Nacional-
Socialista dos Trabalhadores Alemães) na Alemanha Nazi. Durante a ascensão de
Hitler ao poder era frequentemente referido como hitlerismo. O termo relacionado
"neonazismo" é aplicado a outros grupos de extrema-direita com ideias semelhantes
que se formaram após o colapso do regime nazista.

O nazismo é uma forma de fascismo[1][2][3] que despreza a democracia liberal e o


sistema parlamentar. Incorpora o racismo científico, o antissemitismo, o
anticomunismo e o uso de eugenia no seu credo. O seu nacionalismo extremo tem
origem no pangermanismo e do movimento do nacionalismo étnico Völkisch que
tem sido um dos principais aspectos do nacionalismo alemão desde o século XIX, e
foi fortemente influenciado por grupos paramilitares chamados Freikorps, que
surgiram durante a República de Weimar após a derrota alemã na Primeira Guerra
Mundial, de onde surge o "culto à violência" do partido. [4] O termo "nacional-
socialismo" surgiu a partir da tentativa de redefinição nacionalista do conceito de
"socialismo", para criar uma alternativa tanto ao socialismo internacionalista
marxista quanto ao capitalismo de livre mercado. A ideologia rejeitava o conceito de
luta de classes, assim como defendia a propriedade privada e as empresas de
alemães.[5]

O nazismo apoiava teorias pseudo-científicas como a hierarquia racial[6] e o


darwinismo social, que atribuíam aos povos germânicos o mais elevado grau de
pureza da raça ariana ou nórdica, que apresentavam como a "raça superior".[7] O
movimento tinha como objetivo superar as divisões sociais para criar uma sociedade
homogênea, ao mesmo tempo que buscava unidade nacional e tradicionalismo. Os
nazistas tentavam conseguir isto através de uma "comunidade do povo"
(Volksgemeinschaft) que iria unir todos os alemães e excluir aqueles considerados
como "povos estrangeiros" (Fremdvölkische). O nazismo também reivindicava com
determinação o que entendia serem territórios historicamente alemães sob a
doutrina pangermânica (ou Heim ins Reich), além de outras áreas para colonização
alemã sob a doutrina de Lebensraum.[8]

O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische


Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) foi fundado em 5 de janeiro de 1919. No início dos
anos 1920, Adolf Hitler assume o controle da organização e rebatiza-a para Partido
Nazista. O Programa Nacional Socialista, aprovado em 1920, apelava por uma
Grande Alemanha unida e que negaria cidadania aos judeus ou aos seus
descendentes, além de apoiar a reforma agrária e a nacionalização de algumas
indústrias. Em Mein Kampf, escrito em 1924, Hitler delineou o antissemitismo e o
anticomunismo no cerne de sua filosofia política, bem como o seu desdém pela
democracia parlamentar e sua crença no direito da Alemanha expandir seu território.
O poder político era concentrado nas mãos do Führer (ou "líder"). Após o
Holocausto e a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, apenas alguns grupos
radicais racistas, geralmente referidos como neonazistas, ainda descrevem-se como
"nacional-socialistas".

Etimologia

O nome completo do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (em


português: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) e oficialmente
usavam a sigla NSDAP. O termo "nazista" já era usado antes do surgimento do
NSDAP como uma palavra coloquial e depreciativa para um fazendeiro ou
camponês retrógrado, caracterizando uma pessoa desajeitada. Nesse sentido, a
palavra nazista era um hipocorístico do nome masculino alemão Igna(t)z (em si uma
variação do nome Inácio). Igna(t)z era um nome comum na época na Baviera, a
área de onde o NSDAP surgiu.[9][10]

Na década de 1920, oponentes políticos do NSDAP no movimento trabalhista


alemão aproveitaram isso. Usando o termo "Sozi" para Sozialist por exemplo[10] eles
abreviaram o nome do NSDAP, Nationalsozialistische, para desdenhoso "Nazi", a
fim de associá-los ao uso depreciativo do termo mencionado acima. [11][12] O primeiro
uso do termo "nazista" pelos nacional-socialistas ocorreu em 1926 em uma
publicação de Joseph Goebbels chamada Der Nazi-Sozi ("O Nazi-Sozi"). No
panfleto de Goebbels, a palavra "nazista" só aparece quando associada à palavra
"Sozi" como uma abreviatura de "nacional-socialismo". [13]

Após a ascensão do NSDAP ao poder na década de 1930, o uso do termo "nazista"


por si só ou em termos como "Alemanha nazista ", "regime nazista" e assim por
diante foram popularizados por exilados alemães fora do país, mas não na
Alemanha. A partir deles, o termo se espalhou para outras línguas e acabou sendo
trazido de volta para a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. [12] O NSDAP
adotou brevemente a designação "nazista" em uma tentativa de reapropriar o termo,
mas logo desistiu desse esforço e geralmente evitou usar o termo enquanto estava
no poder.[14] Em cada caso, os autores se referem a si próprios como "nacional-
socialistas" e seu movimento como "nacional-socialismo", mas nunca como
"nazistas".

Posição no espectro político


A grande maioria dos estudiosos identificam o nazismo, na prática, como uma expressão da
extrema-direita.[15][16] Entre os temas tipicamente defendidos pela extrema-direita incluídos
no nazismo está o argumento de que pessoas "superiores" têm o direito de dominar outros
indivíduos e que a sociedade deve expurgar elementos supostamente "inferiores" (vide
darwinismo social, antissemitismo e racismo científico).[17] Adolf Hitler e outros membros do
partido descreviam oficialmente o movimento nazista como não sendo nem de esquerda e
nem de direita, mas sincrético.[18][19] Em Mein Kampf, Hitler atacava diretamente tanto os
políticos de esquerda quanto os da direita na Alemanha, dizendo:

Hitler, quando questionado sobre se apoiava a "burguesia de direita", afirmou que o


nazismo não era exclusivamente voltado para qualquer classe social e indicou que
não favorecia nem a esquerda nem a direita, mas elementos preservados
considerados "puros" de ambos os "campos", ao dizer: "a partir do campo da
tradição burguesa, é preciso a determinação nacional, e do materialismo do dogma
marxista, o socialismo criativo".[21] Historiadores apontam algumas características
socialistas do regime nazista, que tinham como objetivo obter o apoio da classe
trabalhadora, mas salientam que elas eram apenas um mecanismo para garantir a
adesão para o verdadeiro ideal do nazismo, que era a luta pela supremacia da raça
ariana no mundo.[22] "Hitler nunca foi socialista", apontou o historiador britânico Ian
Kershaw em sua biografia sobre Hitler.[22][23]
Os nazistas foram fortemente influenciados pela extrema-direita alemã pós-Primeira
Guerra Mundial, que tinha crenças comuns, tais como antimarxismo, antiliberalismo
e antissemitismo, além do nacionalismo, do desprezo pelo Tratado de Versalhes e
da condenação da República de Weimar por conta da assinatura do armistício em
novembro de 1918, que mais tarde culminou na assinatura do Tratado de Versalhes.
[24]
A grande inspiração para os nazistas foram os nacionalistas Freikorps,
organizações paramilitares de extrema-direita que praticavam atos de violência
política após a Primeira Guerra Mundial. [24] Inicialmente, a extrema direita alemã
pós-Primeira Guerra Mundial era dominada por monarquistas, mas a geração mais
jovem, que estava associada ao nacionalismo Völkisch, era mais radical e não
manifestava qualquer afetação sobre a restauração da monarquia alemã. [25] Esta
geração mais jovem pretendia desmantelar a República de Weimar e criar um novo
estado radical e forte baseado numa ética marcial dominante que pudesse reviver o
"Espírito de 1914" que estava associado à unidade nacional alemã
(Volksgemeinschaft).[25]

Os nazistas, os monarquistas de extrema direita, o reaccionário Partido Popular


Nacional Alemão (DNVP) e outros, como oficiais monarquistas do Exército Alemão e
vários industriais proeminentes, formaram uma aliança em oposição à República de
Weimar em 11 de outubro de 1931 em Bad Harzburg, oficialmente conhecida como
"Frente Nacional", mas vulgarmente conhecida como Frente Harzburg.[26] Os
nazistas afirmavam que a aliança era puramente tática e continuaram a ter
divergências com o DNVP. Sendo os nazistas um partido antiburguês,
consideravam o DNVP como um partido reacionário (antiburguês). [26] Após as
eleições de julho de 1932, a aliança desfez-se quando o DNVP perdeu muitos dos
seus assentos no Reichstag. Os nazistas acusaram-nos de tratarem-se de "um
amontoado insignificante de reaccionários". [27] O DNVP respondeu denunciando os
nazistas pelo seu socialismo, a sua violência nas ruas e os "experimentos
económicos" que aconteceriam se os nazistas chegassem ao poder. [28]

Mas em meio a uma situação política inconclusiva em que os políticos


conservadores Franz von Papen e Kurt von Schleicher eram incapazes de formar
governos estáveis sem os nazistas, Papen propôs ao presidente Hindenburg
nomear Hitler como Chanceler à frente de um governo formado principalmente por
conservadores, com apenas três ministros nazistas. [29][30] Hindenburg fê-lo e, ao
contrário das expectativas de Papen e do DNVP, Hitler foi logo capaz de
estabelecer uma ditadura de partido único nazista. [31]

O Kaiser Wilhelm II, que foi pressionado a abdicar do trono e fugir para o exílio em
meio a uma tentativa de revolução comunista na Alemanha, inicialmente apoiou o
Partido Nazista. O seus quatro filhos, incluindo o príncipe Eitel Friedrich e o príncipe
Óscar, tornaram-se membros do Partido Nazista na esperança de que, em troca do
seu apoio, os nazistas permitissem a restauração da monarquia. [32]

Havia facções dentro do Partido Nazista, tanto conservadoras quanto radicais. [33] O
conservador nazista Hermann Göring instou Hitler a se reconciliar com os
capitalistas e reaccionários.[33] Outros notáveis nazistas conservadores foram
Heinrich Himmler e Reinhard Heydrich.[34] Enquanto isso, o radical nazista Joseph
Goebbels opunha-se ao capitalismo, considerando que havia judeus no seu núcleo,
e manifestou a necessidade de o partido enfatizar tanto o carácter proletário quanto
o nacional. Essas opiniões foram compartilhadas por Otto Strasser, que mais tarde
deixou o Partido Nazista e formou a Frente Negra na crença de que Hitler teria
supostamente traído os objectivos socialistas do partido ao endossar o capitalismo.
[33]

Quando o Partido Nazista emerge do anonimato para se tornar uma grande força
política após 1929, os financiadores ricos interessaram-se pelos nazistas
considerando-os como um potencial baluarte contra o comunismo, e a facção
conservadora rapidamente ganhou mais influência. [35] O Partido Nazista foi
financiado quase inteiramente com taxas de adesão, mas depois de 1929 a sua
liderança começou por procurar ativamente doações de industriais alemães, e Hitler
deu início a dezenas de reuniões de arrecadação de fundos com líderes
empresariais.[36] Em meio a uma Grande Depressão, diante da possibilidade de
ruína económica de um lado e de um governo comunista ou social-democrata do
outro, as empresas alemãs voltaram-se cada vez mais para o nazismo como uma
forma de sair da situação, prometendo um Estado orientado para a economia que
apoiaria, em vez de atacar, os interesses comerciais existentes. [37] Em janeiro de
1933, o Partido Nazista garantiu o apoio de importantes sectores da indústria alemã,
principalmente entre os produtores de aço e carvão, o setor de seguros e a indústria
química.[38]

Grandes segmentos do Partido Nazista, particularmente entre os membros do


Sturmabteilung (SA), estavam comprometidos com as posições socialistas,
revolucionárias e anticapitalistas oficiais do partido e previam uma revolução social
e económica assim que o partido conquistasse o poder em 1933. [39] No período
imediatamente anterior à tomada do poder pelos nazistas, houve até social-
democratas e comunistas que trocaram de lado e ficaram conhecidos como
"Rindersteak Nazis" ("Nazis Bife"): castanho por fora e vermelho por dentro. [40] O
líder da SA, Ernst Röhm, pressionara por uma "segunda revolução" (a "primeira
revolução" sendo a tomada do poder pelos nazistas) que promulgaria políticas
socialistas. Além disso, Röhm desejava que as SA incorporassem o muito menor
Exército Alemão às suas fileiras sob a sua liderança. [39] Assim que os nazistas
alcançaram o poder, a SA de Röhm foi liderada por Hitler para suprimir
violentamente os partidos da esquerda, mas também para dar início a ataques
contra indivíduos considerados associados à reação conservadora. [41] Hitler
considerou as ações independentes de Röhm como violadoras e possivelmente
ameaçadoras da sua liderança, o que colocariam em risco o regime ao alienar o
presidente conservador Paul von Hindenburg e o Exército Alemão de orientação
conservadora.[42] Isso resultou na purga de Röhm por Hitler e de outros membros
radicais da SA a 30 de junho de 1934, no que veio a ser conhecido como a Noite
das Facas Longas.[42]

Antes de ingressar no Exército da Baviera para lutar na Primeira Guerra Mundial,


Hitler vivia um estilo de vida boémio enquanto pintor de aquarela de rua em Viena e
Munique, tentando alguns dos hábitos desse estilo de vida mais tarde, adormecia e
acordava muito tarde, mesmo depois de se tornar chanceler e, posteriormente,
Führer.[43] Após a guerra, o seu batalhão foi incorporado pela República Soviética da
Baviera de 1918 a 1919, onde foi eleito Representante Adjunto do Batalhão. De
acordo com o historiador Thomas Weber, Hitler compareceu ao funeral do
comunista Kurt Eisner (um judeu alemão), usando uma braçadeira de luto preta num
braço e uma braçadeira comunista vermelha no outro, [44] evidenciando que as
crenças políticas de Hitler não se tinham ainda solidificado. [44] Em Mein Kampf, Hitler
nunca mencionou qualquer serviço com a República Soviética da Baviera e afirmou
que se tornou um antissemita em 1913 durante os seus anos em Viena. Esta
declaração foi contestada pela contenção de que ele não era um antissemita
naquela época,[45] embora seja bem estabelecido que Hitler lia muitos folhetos e
jornais antissemitas durante aquele período e admirava Karl Lueger, o prefeito
antissemita de Viena.[46] Hitler alterou as suas visões políticas em resposta à
assinatura do Tratado de Versalhes em junho de 1919 tendo sido então quando
Hitler se tornou um antissemita nacionalista alemão. [45]

Hitler expressou oposição ao capitalismo, considerando-o de origem judaica e


acusando o capitalismo de manter nações rendidas aos interesses de uma classe
rentista cosmopolita parasita.[47] Também expressou oposição ao comunismo e às
formas igualitárias de socialismo, argumentando que a desigualdade e a hierarquia
são benéficas para a nação. [48] Acreditava que o comunismo foi inventado pelos
judeus para enfraquecer as nações, promovendo a luta de classes. [49] Após a sua
ascensão ao poder, Hitler assumiu uma posição pragmática na economia, aceitando
a propriedade privada e permitindo que empresas privadas capitalistas existissem
desde que aderissem aos objetivos do estado nazista, mas não tolerando empresas
que ele considerava opostas aos interesses nacionais.

Os líderes empresariais alemães não gostavam da ideologia nazista, mas passaram


a apoiar Hitler, porque viam os nazistas como um aliado útil para promover os seus
interesses.[50] Vários grupos empresariais realizaram significativas contribuições
financeiras para o Partido Nazista antes e depois da tomada do poder nazista, na
esperança de que uma ditadura nazista eliminaria o movimento sindical organizado
e os partidos de esquerda.[51] Hitler procurou ativamente obter o apoio dos líderes
empresariais, argumentando que a empresa privada é incompatível com a
democracia.[52]

Embora se opusesse à ideologia comunista, Hitler elogiou publicamente o líder da


União Soviética Joseph Stalin e o stalinismo em várias ocasiões. [53] Hitler elogiou
Stalin por tentar purificar o Partido Comunista da União Soviética das influências
judaicas, dando destaque à purificação por Stalin de comunistas judeus como Leon
Trotsky, Grigory Zinoviev, Lev Kamenev e Karl Radek.[54] Embora Hitler sempre
tivesse pretendido colocar a Alemanha em conflito com a União Soviética para que
pudesse ganhar o Lebensraum ("espaço vital"), apoiou uma aliança estratégica
temporária entre a Alemanha nazista e a União Soviética para formar uma frente
comum antiliberal para que pudessem derrotar as democracias liberais,
particularmente a França.[53]

Hitler admirava o Império Britânico e o seu sistema colonial como prova viva da
superioridade germânica sobre as raças "inferiores" e via o Reino Unido como um
aliado natural da Alemanha.[55][56] No Mein Kampf escreveu: "Por muito tempo,
haverá apenas duas potências na Europa com as quais a Alemanha poderá concluir
uma aliança. Essas potências são a Grã-Bretanha e a Itália".

Relação com o fascismo

O termo "nazismo" é frequentemente usado como sinônimo de "fascismo". Ao passo


que o nazismo incorporou elementos estilísticos do fascismo, as semelhanças
principais entre os dois foram o nacionalismo, o irredentismo territorial e a teoria
econômica. O nazismo pode ser considerado uma forma extrema de fascismo,
muitas vezes chamado de nazifascismo [57] e também pode ser encarado como um
subconjunto do fascismo.[57][58] Ao mesmo tempo que o fascismo é uma ideologia
antiliberal e antissocialista que defende a supremacia do Estado e o interesse da
coletividade em detrimento dos direitos e vontades individuais, o Nazismo acredita
que o povo é a realidade fundamental e que Estado (no caso o alemão) seria
responsável por unificar e expandir a comunidade racial germânica. [59]

Do ponto de vista econômico, o nazismo partilha muitas características com o


fascismo,[60] como o controle governamental da finança [61] e do investimento (através
da atribuição de créditos) da indústria e da agricultura, ao mesmo tempo que o
poder corporativo e os sistemas baseados no mercado para criar os preços se
mantinham.[62][63] Citando Benito Mussolini: "O fascismo devia ser chamado
corporativismo, porque é uma fusão do Estado e do poder corporativo." [nota 1][64] Além
disso, o papel que os sindicatos deviam desempenhar nas relações de trabalho nas
empresas era outro ponto de contato entre fascismo e nazismo. Tanto o partido
nazista alemão como o partido fascista italiano tiveram inícios ligados ao
sindicalismo e encaravam o controle estatal como forma de eliminar o conflito nas
relações laborais.[69]
Porém existem diferenças entre o fascismo e o nazismo. Por exemplo, Benito
Mussolini, líder do fascismo italiano, não adaptou o antissemitismo até se ter aliado
a Hitler, enquanto que o nazismo foi explicitamente antissemita desde o início. [70]

De acordo com Sahid Maluf, em sua obra Teoria Geral do Estado, baseando-se nas
observações de Pedro Calmon, as principais diferenças entre o fascismo e o
nazismo seriam:

Fator Fascismo Nazismo


clássica: "sonhava com romântica: "reaviva as
Moral
o Império Romano" origens germânicas"
comunidade de
Raça laço de sangue
sentimentos
predominância racial:
tendência política: "fim
Império "destino superior dos
dominador do Estado"
arianos"
Conquista/incorporação unitarista da raça
civilizador-colonial
(objetivo/explicação) germânica
Essência do movimento românica consanguínea

História
Origens
Influência do Romantismo

O filólogo Victor Klemperer associou as origens e os valores do nazismo provêm ao


movimento romântico do início do século XIX.[72] Segundo ele, tudo o que caracteriza
o nazismo estava contido no Romantismo: a deposição da razão, a animalização do
homem e a idealização do pensamento de poder. [72] O escritor Max Blechman
acreditava que existiam duas vertentes do romantismo: a revolucionária (inicial) e a
conservadora (que surgiu por último).[73] Também de acordo com Blechman, muitos
pensadores nazistas usaram ideias do romantismo para tentar fortalecer o nazismo
politicamente.[74] Esses pensadores tentaram fazer o romantismo ser compatível
com a doutrina nacional-socialista separando este em duas vertentes, assim como
Blechman.[74] A primeira delas era considerada subjetiva, antiga e decadente; a
outra, associada ao romantismo alemão, era considerada objetiva e chegou a ser
chamada de "Verdadeiro Romantismo".[74]

Carl Schmitt, um dos principais teóricos do nazismo, chegou argumentar no livro


Politische Romantik que o romantismo era um movimento politicamente irrelevante e
que era essencialmente apolítico porque a sua principal orientação seria direcionada
à estética.[75] Entretanto, Schmitt também considerava o romantismo como algo que
atrapalharia o seu objetivo de criar uma hegemonia da filosofia nacional socialista e
também chegou a dizer que declarar que um movimento politizado seja "apolítico" é
a melhor estratégia para fazer com que este seja considerado politicamente
irrelevante.[75]

Nacionalismo (Völkisch)

Uma das influências ideológicas mais significativas sobre os nazistas foi o


nacionalista alemão Johann Gottlieb Fichte, cujas obras serviram de inspiração para
Hitler e outros membros nazistas, incluindo Dietrich Eckart e Arnold Fanck.[76] Em
sua obra Discursos à nação alemã (1808), escrita em meio à ocupação napoleônica
de Berlim pela França, Fichte invocou uma revolução nacional alemã contra os
ocupantes franceses, fazendo discursos públicos, armando seus alunos para a
batalha contra os franceses, e salientando a necessidade da ação para expulsar os
franceses.[76] O nacionalismo de Fichte era populista e em oposição às elites
tradicionais, insistindo na necessidade de uma "Guerra do Povo" (Volkskrieg),
conceito este semelhante ao adotado posteriormente pelos nazistas. [76] Fichte
promoveu o excepcionalismo alemão e salientou a necessidade da nação alemã ser
purificada, incluindo purgar a língua alemã de palavras francesas, uma política que
os nazistas empreenderam ao assumir o poder.[76]

Ele denunciou o materialismo, o individualismo e sociedade industrial urbana


secularizada, ao defender uma sociedade "superior" com base na cultura "popular"
alemã e no "sangue" alemão.[77] Denunciou os estrangeiros, as ideias estrangeiras e
declarou que os judeus, as nacionais minorias, católicos e maçons eram "traidores
da nação" e indignos da inclusão na nação alemã. [78] Ele descreveu o mundo em
termos da lei natural e romantismo, exaltando as virtudes da vida rural, condenando
a negligência da tradição e da decadência da moral, denunciou a destruição do
meio ambiente, e condenou as culturas "cosmopolitas", como as dos judeus e
ciganos.[79]

Durante a era da Alemanha Imperial, o nacionalismo foi ofuscado tanto pelo


patriotismo prussiano e pela tradição federalista dos vários estados que compunham
o império.[80] O evento da Primeira Guerra Mundial, incluindo o fim da monarquia
prussiana na Alemanha, resultou em uma onda de nacionalismo revolucionário (ver:
Revoluções de 1917-23).[80] Os nazistas apoiaram tais políticas nacionalistas
revolucionárias,[80] e alegaram que a sua ideologia era influenciada pela liderança e
políticas do chanceler alemão, Otto von Bismarck, o fundador do império alemão.[81]
Os nazistas declararam que eles se dedicariam a continuar o processo da criação
de um sistema unificado alemão, o Estado-nação, que Bismarck tinha iniciado.[82]
Apesar de Hitler ser favorável à criação do Império Alemão, ele era crítico da política
interna moderada de Bismarck.[83] Sobre a questão do apoio de Bismarck de aceitar
a Pequena Alemanha, excluindo a Áustria, ao contrario da Grande Alemanha dos
nazistas, Hitler declarou que a realização de Bismarck foi o "maior conquista" que
ele poderia ter alcançado "dentro dos limites possíveis da época". [84] Em Mein Kampf
(Minha Luta), Hitler apresentou-se como um "segundo Bismarck". [

Durante sua juventude, na Áustria, Hitler foi politicamente influenciado pelo


austríaco pangermanismo de Georg Ritter von Schonerer, que defendia o radical
nacionalismo alemão, o antissemitismo, o anticatolicismo, o antieslavismo e visões
antiHabsburgo.[85] Copiando Schonerer e seus seguidores, Hitler adotou para o
movimento nazista a saudação do Heil (ver: Saudação nazista e Sieg Heil), o título
de Führer, e o modelo de liderança absoluta do partido. [85] Hitler também ficou
impressionado com o antissemitismo populista e agitação antiliberal burguesa de
Karl Lueger, que como prefeito de Viena na época de Hitler, usou na cidade um
estilo oratório demagógico, apelando para as massas populares. [86] Lueger, ao
contrário de Schonerer, não era um nacionalista alemão mas um defensor pró-
católico dos Habsburgos.[86]
Derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e consequências

Nas palavras de Karl Dietrich Bracher: "o nazismo, como Hitler, foi o produto da
Primeira Guerra Mundial, porém, recebeu sua forma e sua força daqueles
problemas básicos da história alemã moderna que caracterizaram a difícil
caminhada do movimento democrático". [87]

Em 1917, a Alemanha havia derrotado a Rússia, que se retirou da guerra em meio à


Revolução Bolchevique.[88] Em 1918, tem início na Alemanha uma série de rebeliões
populares, de trabalhadores e soldados, que, inspirados na Revolução Russa de
1917, pretendiam derrubar o governo e acabar com a guerra (ver: Revolução Alemã
de 1918-1919).[89][90] Os movimentos mais fortes eram justamente os socialistas,
organizados pelo grupo chamado de Liga Espartaquista, liderados por Rosa
Luxemburgo, que havia convivido com Lenin quando este morou na Alemanha.[90]

Quase simultaneamente, estouravam rebeliões de camponeses famintos no sul da


Alemanha e na região da Baviera. Os comunistas quase tomaram o poder em
janeiro de 1919. Entretanto, durante todo o período 1917-1919, a ameaça da
insurreição era constante e a elite temia que uma revolução popular pudesse
acontecer a qualquer momento. Apesar de a guerra no front ocidental estar
tecnicamente empatada, a entrada dos Estados Unidos em favor da Inglaterra e da
França, em 1917, começava a mudar a guerra contra a Alemanha. A elite alemã
toma uma decisão desesperada: aceita um acordo de paz desfavorável para não
correr o risco de ver uma revolução comunista na Alemanha. [91]

Na década de 1920, os nazistas se levantam como novo bastião contra os


socialistas e se utilizam do discurso anticomunista para conseguir doações dos
banqueiros e industriais alemães para suas campanhas eleitorais. O Partido Nazista
tinha assim dois grandes desafios político-ideológicos: explicar a derrota de um
povo teoricamente superior e, ao mesmo tempo, conseguir encontrar um culpado
que não fossem os banqueiros alemães, que agora financiavam as campanhas
eleitorais do partido Nazista. Hitler construiu a solução na obra "Minha Luta", que
refinou posteriormente em outros escritos do Partido Nazi. A solução era simples:
Hitler argumentou que a Alemanha havia sido derrotada por uma grande
conspiração internacional de judeus (ver: Conspiração judaico-maçônico-comunista
internacional). Ele criou uma maléfica e terrível conspiração de judeus de diferentes
países (banqueiros judeus na Inglaterra e na França, associados com judeus
comunistas na Rússia), que se uniram para derrotar a Alemanha. Hitler conseguiu,
com uma só teoria, explicar a derrota na Primeira Guerra Mundial. [92]

A maior parte dos judeus que tinha condições econômicas suficientes deixou a
Alemanha quando Hitler tomou o poder em 1933-1934. Logo são iniciadas as
primeiras perseguições generalizadas de judeus, mas a maior parte deles se
sentiam mais alemães do que judeus e acreditavam que podiam convencer o
restante da Alemanha disso. E a perseguição começou aos poucos, em 1933-1934,
com a caça aos "judeus comunistas", acusados de provocar o incêndio do
Reichstag. Isso permitiu a Hitler eliminar o principal partido de oposição (o Partido
Comunista Alemão), prender e mandar matar os líderes sindicais e impor sua
ditadura. Na sequência, a "depuração" da sociedade alemã (como os nazistas
denominavam esse processo de limpeza étnica), continuou com a prisão dos judeus
nos campos de trabalho forçado.[93]

Somando-se os judeus residentes na Alemanha, os que residiam nos países que


foram ocupados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (Polônia,
Tchecoslováquia, Áustria), ciganos, homossexuais (ver: Homossexuais na
Alemanha Nazista) e um número incontável de presos políticos, comunistas,
anarquistas e sindicalistas em geral, foram mortos entre 5 e 6 milhões de pessoas,
apenas nos campos de concentração.[93]

O Programa de 25 pontos do NSDAP

O "Programa de 25 Pontos", oficialmente "Programa de 25 Pontos do Partido


Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães" (em alemão: Das 25-Punkte-
Programm der Nationalsozialistischen Deutschen Arbeiterpartei) é o nome dado ao
programa político do Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP), tal como foi
proclamado em 24 de fevereiro de 1920, em Munique, por Adolf Hitler. O programa
foi aprovado por uma audiência de duas mil pessoas (segundo a descrição de Hitler
em Mein Kampf), na Hofbräuhaus, uma das maiores cervejarias da cidade.[94]
Em 8 de agosto do mesmo ano, o DAP passou a se chamar Partido Nacional-
Socialista dos Trabalhadores Alemães, mantendo o mesmo programa. [95]

Holocausto

Holocausto é o nome geralmente utilizado para se referir tanto ao genocídio


praticado pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial quanto ao
somatório de políticas antissemitas praticadas pelo Terceiro Reich entre 1933-1945.
[96][97]
O termo "Holocausto", que originalmente veio da palavra grega romanizada
holokauston (em grego: ὁλόκαυστος), foi histórica e inicialmente usado para
designar uma oferta um sacrifício ao deuses (ou uma oferta de sacrifício dos
judeus), na qual a vítima era queimada em um altar. [96][98] O vocábulo é utilizado
desde a década de 1980 para se referir ao assassinato de mais de dez milhões de
pessoas, que vitimou principalmente os judeus.[96][99][nota 2]

Os Judeus foram as principais vítimas do Holocausto. [96] Antes de iniciar diretamente


a sua política de extermínio, o Estado Nazista criou leis antissemitas para excluir os
judeus da sociedade alemã.[103] As principais foram essas duas, que foram criadas
em 1935 e passaram a ser conhecidas como Leis de Nuremberg: Lei de Proteção
do Sangue e da Honra Alemã e a Lei de Cidadania do Reich, a primeira proibia
relações conjugais e sexuais entre judeus e alemães e a segunda revogou a
cidadania alemã de judeus, reduzindo-os a "sujeitos do Estado". [104][105] As principais
localidades para as quais o Regime Nazista enviou as vítimas do Holocausto foram
os guetos e os campos de concentração.[106][107] Os primeiros eram usados
especificamente para abrigar judeus e funcionavam como áreas transitórias, onde
eles ficavam até serem enviados para os campos de concentração, que abrigavam
todos os grupos perseguidos pelo Terceiro Reich. [108][109] O principal método de
assassinato utilizado nesses campos foi o uso de câmaras de gás.

Além dos Judeus, a Alemanha Nazista também perseguiu com mais intensidade
eslavos,[112] ciganos, homossexuais, testemunhas de jeová, opositores políticos e
deficientes físicos e mentais.[nota 3][99][109][116] O Terceiro Reich também perseguiu, com
menor intensidade, os negros e os maçons. [117][118] A principal medida dos nazistas
contra os negros foi a esterilização forçada e somente cerca de vinte deles foram
levados para campos de concentração; porém, eles foram afetados pelas Leis de
Nuremberg e muitos negros fugiram da Alemanha devido a perseguição. [117][119] Os
maçons foram atacados e tratados como inimigos pelos nazistas, mas não
chegaram a ser considerados por eles como uma ameaça isolada e, por isso, não
sofreram uma perseguição sistemática.[118] O Estado Nazista utilizou um sistema de
triângulos coloridos para identificar os seus prisioneiros.[109]

O uso da palavra Holocausto para designar as vítimas das perseguições do Reich


que não professavam o Judaísmo é algo é contestado por muitos estudiosos. [120] O
principal argumento usado por eles é que o termo foi originalmente concebido para
descrever o extermínio dos judeus e que o Holocausto judeu foi um crime em uma
escala tal, e de tal totalidade e especificidade, como a culminação da longa história
do antissemitismo europeu, que não deve ser incluído em uma categoria geral com
todos os outros crimes cometidos pelos nazistas. [121] Dois termos mais específicos
para os judeus são utilizados para se referir a esse acontecimento: "Shoah" e
"Solução Final da Questão Judaica". [97][122] Enquanto o primeiro significa "destruição"
ou "catástrofe" e é a palavra mais utilizada para se referir ao acontecimento em
Israel, o segundo foi o nome oficial utilizado pelo Terceiro Reich para descrever a
sua política de extermínio dos judeus.[96][122]

Base filosófica
A essência do nazismo: totalitarismo e racismo

A essência do fascismo e do nazismo está no totalitarismo, especificamente na


noção de controle totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado e, em última
instância, o chefe de Estado (no caso da Alemanha, o Führer), deveria controlar
tudo e todos.[123] Para isso, a homogeneização da sociedade é fundamental (ver:
Gleichschaltung). As formas de controle social em regimes totalitários geralmente
envolvem o uso e a exacerbação do medo a um grau extremo.[124] Todos passam a
vigiar a todos e todos se sentem vigiados e intimidados. Cada indivíduo passa a ser
cooperador do Führer no processo de construção de uma sociedade "homogênea".
[125]
Nesse processo de homogeneização totalitária, os inúmeros festivais, atividades
cívicas, como as mobilização das massas nas ruas, foram determinantes. [126]

O nacionalismo étnico do nazismo teve influências de duas teorias raciais alemãs,


Herrenvolk ("raça-mestra") e o Übermensch ("super-homem"). Além disso, a
ideologia nazista possuía uma crença na necessidade de purificar a "raça alemã"
através da eugenia, que culminou na eutanásia não voluntária de pessoas
deficientes (ver: Aktion T4).[127]

Para controlar tudo e todos, o nazismo instigava e exacerbava ao extremo o


nacionalismo, geralmente associado às rivalidades com outros países suposta ou
realmente ameaçadores. A ideia de um inimigo externo extremamente poderoso é
funcional para unir a sociedade contra o "inimigo comum". O medo [128] de um inimigo
externo é funcional para aglutinar socialmente povos que até há pouco tempo não
se identificavam como uma só nação, como foram os casos de países unificados
apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Sigmund Freud havia
demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais
pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes
no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. [129]

Entretanto, era necessário algo mais, além do medo de um inimigo externo, para
conseguir atingir o ultranacionalismo e o totalitarismo. Era funcional criar inimigos
internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. No fascismo, o papel de 'inimigo
sorrateiro' é destinado ao comunismo e aos comunistas como um todo. Já o
nazismo acrescenta ao rol de inimigos — em que já estava incluído o comunismo —
algumas minorias étnico-religiosas: os judeus, em um primeiro momento, e depois
os ciganos e os povos eslavos (já durante a Segunda Guerra Mundial). A partir
disso é que se torna central o segundo pilar do nazismo — a ideologia da
superioridade racial ariana.[93]

Antissemitismo

O preconceito antissemita era muito comum no mundo ocidental, principalmente a


partir do final do século XIX.[130] Por isso, diz-se que a aceitação das massas
dependia do antissemitismo e da exaltação do orgulho alemão, ferido com a derrota
na Primeira Guerra Mundial.[131][132] O historiador Léon Poliakov, através de seu
conjunto de livros de quatro volumes conhecido como a A História do
Antissemitismo, mostra que o antissemitismo não é fruto de doutrinas atuais, mas
sim de tempos remotos, fazendo uma conexão entre o antissemitismo com a história
do judaísmo.[133]
O papel da ideologia da superioridade racial no nazismo
Hitler e a obra Mein Kampf

De acordo com o livro Mein Kampf ("Minha Luta"), Hitler desenvolveu as suas
teorias políticas pela observação cuidadosa das políticas do Império Austro-
Húngaro. Ele nasceu como cidadão do Império e acreditava que a sua diversidade
étnica e linguística o enfraquecera. Também via a democracia como "um canal
através do qual o bolchevismo permite que seus venenos fluam para os diferentes
países e trabalhe lá por tempo suficiente para que essas infecções conduzam a um
enfraquecimento da inteligência e da força de resistência". [134]

O nazismo defende que uma nação é a máxima criação de uma raça.


Consequentemente, as grandes nações (literalmente, nações grandes) seriam a
criação de grandes raças. A teoria diz que as grandes nações alcançam tal nível
devido aos seus poderios militar e intelectual e que estes, por sua vez, se originam
em culturas racionais e civilizadas, que, por sua vez ainda, são criadas por raças
com boa saúde natural e traços agressivos, inteligentes e corajosos. [135]

As nações mais fracas seriam então aquelas criadas por raças impuras, isto é, que
não apresentam a totalidade de indivíduos de origem única. De acordo com os
nazistas, um erro óbvio desse tipo é permitir ou encorajar múltiplas línguas dentro
de uma nação. Essa crença é o motivo pelo qual os nazistas alemães estavam tão
preocupados com a unificação dos territórios dos povos de língua alemã.[135]

Nações incapazes de defender as suas fronteiras, diziam, seriam a criação de raças


fracas ou escravas. Defendiam eles que as raças escravas eram menos dignas de
existir do que as raças-mestras. Em particular, se uma raça-mestra necessitasse de
um espaço vital (Lebensraum) para viver, teria ela o direito de tomar o território das
raças fracas para si.[135]

Trata-se de uma teoria originalmente concebida pelo geógrafo alemão Friedrich


Ratzel, que propôs uma "antropogeografia" como um ramo da geografia humana,
como o espaço de vida dos grupamento humanos. Ao sistematizar os
conhecimentos políticos aplicados pela geografia, Ratzel contribuiu decisivamente
para o surgimento da geografia política, que, no início do século XX, foi acrescida do
termo geopolítica.[136]

Friedrich Ratzel visitou a América do Norte no início de 1873 [137] e se impressionou


com a doutrina do Destino Manifesto nos EUA.[138] Ratzel simpatizava com os
resultados do Destino Manifesto, mas ele nunca usou o termo. Em vez disso, ele
contou com a Tese da Fronteira de Frederick Jackson Turner.[139] Ratzel defendeu
colônias ultramarinas para a Alemanha, na Ásia e África (ver: Império colonial
alemão), mas não uma expansão em terras eslavas. [140] Alguns alemães
reinterpretaram Ratzel para defender o direito da raça alemã de se expandir na
Europa e essa noção foi mais tarde incorporada na ideologia nazista. [138] Harriet
Wanklyn argumenta que os políticos distorceram a teoria de Ratzel para objetivos
políticos.[141]

Raças sem pátria eram, portanto, consideradas "raças parasíticas". Quanto mais
ricos fossem os membros da "raça parasítica", mais virulento seria o parasitismo.
Uma raça-mestra podia, portanto, de acordo com a doutrina nazista, endireitar-se
facilmente pela eliminação das "raças parasíticas" da sua pátria. Foi essa a
justificativa teórica para a opressão e eliminação dos judeus, ciganos, eslavos e
homossexuais, um dever que muitos nazis consideravam repugnante, tendo eles
como prioridade a consolidação do estado ariano. [135]

As religiões que reconhecessem e ensinassem essas verdades eram as religiões


"verdadeiras" ou "mestras" porque criavam liderança ao evitarem as "mentiras
reconfortantes".[142] As que pregassem o amor e a tolerância, "em contradição com
os fatos", eram chamadas religiões "escravas" ou "falsas". Os homens que
aceitassem essas "verdades" eram chamados "líderes naturais"; os que as
rejeitassem eram chamados "escravos naturais". Dizia-se dos escravos,
especialmente dos inteligentes, que embaraçavam os mestres pela promoção de
falsas doutrinas religiosas e políticas. Apesar disso, Hitler em seu primeiro discurso
como chanceler disse que o cristianismo ocupava um local central na sociedade
alemã.[142]
Economia

Os nazistas chegaram ao poder em meio à Grande Depressão, quando a taxa de


desemprego alemã da época estava perto de 30%. [143] De um modo geral, os
teóricos e políticos nazistas atribuíram as falhas econômicas anteriores da
Alemanha a causas políticas, como a influência do marxismo na força de trabalho,
as maquinações sinistras e exploradoras do que eles chamaram de judaísmo
internacional e as demandas de reparação de guerra dos líderes políticos
ocidentais. Em vez dos incentivos econômicos tradicionais, os nazistas ofereceram
soluções de natureza política, como a eliminação dos sindicatos organizados, o
rearmamento (em violação do Tratado de Versalhes) e a política biológica. [144] Vários
programas de trabalho destinados a estabelecer o pleno emprego para a população
alemã foram instituídos assim que os nazistas tomaram todo o poder nacional. Hitler
encorajou projetos com apoio nacional, como a construção do sistema de rodovias
Autobahn, a introdução de um carro popular acessível (Fusca) e, mais tarde, os
nazistas fortaleceram a economia por meio dos negócios e empregos gerados pelo
rearmamento militar.[145] Os nazistas se beneficiaram no início da existência do
regime com a primeira recuperação econômica pós-Depressão, e isso combinado
com seus projetos de obras públicas, programa de aquisição de empregos e
programa de conserto de casa subsidiado, reduziu o desemprego em até quarenta
por cento em um ano. Esse desenvolvimento temperou o clima psicológico
desfavorável causado pela crise econômica anterior e encorajou os alemães a
marcharem em sintonia com o regime.[146] As políticas econômicas dos nazistas
foram, em muitos aspectos, uma continuação das políticas do Partido Nacional do
Povo Alemão, um partido nacional-conservador e parceiro de coalizão nazista.
Enquanto outros países capitalistas ocidentais se esforçaram para aumentar a
propriedade estatal da indústria durante o mesmo período, os nazistas transferiram
a propriedade pública e serviços públicos para o setor privado. Foi uma política
intencional com objetivos múltiplos, em vez de ideologicamente orientada, e foi
usada como uma ferramenta para aumentar o apoio das massas ao governo nazista
e ao partido.[147]

O governo nazista deu continuidade às políticas econômicas introduzidas pelo


governo de Kurt von Schleicher em 1932 para combater os efeitos da Depressão. [148]
Ao ser nomeado chanceler em 1933, Hitler nomeou Hjalmar Schacht, um ex-
membro do Partido Democrático Alemão, como presidente do Reichsbank em 1933
e ministro da Economia em 1934. [143] Hitler prometeu medidas para aumentar o
emprego, proteger a moeda alemã e promover a recuperação da Grande
Depressão. Isso incluía um programa de assentamento agrário, serviço de mão-de-
obra e garantia de manutenção da saúde e das pensões. [149] No entanto, essas
políticas e programas, que incluíam grandes programas de obras públicas apoiados
por gastos deficitários, como a construção da rede Autobahn para estimular a
economia e reduzir o desemprego, foram herdados e planejados para serem
realizados pela República de Weimar durante a presidência do conservador Paul
von Hindenburg, porém os nazistas se apropriaram dessas políticas. Acima de tudo,
a prioridade de Hitler era o rearmamento e o aumento do exército alemão em
preparação para uma eventual guerra para conquistar o Lebensraum no Leste.[150]
As políticas de Schacht criaram um esquema de financiamento do déficit, no qual os
projetos de capital eram pagos com a emissão de notas promissórias chamadas
notas Mefo, que podiam ser negociadas entre as empresas. [151] Isso foi
particularmente útil em permitir que a Alemanha se rearmar, porque as notas Mefo
não eram Reichsmarks e não apareceriam no orçamento federal, o que facilitou a
ocultação do rearmamento.[152] No início de seu governo, Hitler disse que "o futuro
da Alemanha depende exclusivamente e apenas da reconstrução da Wehrmacht.
Todas as outras tarefas devem ceder precedência à tarefa de rearmamento." [150]
Essa política foi implementada imediatamente, com os gastos militares crescendo
rapidamente e muito maiores do que os programas de criação de trabalho civil. Já
em junho de 1933, os gastos militares para o ano foram planejados para ser três
vezes maiores do que os gastos com todas as medidas de criação de trabalho civil
em 1932 e 1933 combinados.[153] A Alemanha Nazista aumentou seus gastos
militares mais rapidamente do que qualquer outro estado em tempo de paz, com a
parcela dos gastos militares crescendo de um por cento para dez por cento da
renda nacional apenas nos primeiros dois anos do regime. [154] Eventualmente,
atingiu 75 por cento em 1944.[155]

Apesar de sua retórica condenando as grandes empresas, os nazistas rapidamente


firmaram uma parceria com empresas alemãs em fevereiro de 1933. Naquele mês,
depois de ser nomeado chanceler, mas antes de ganhar poderes ditatoriais, Hitler
fez um apelo pessoal aos líderes empresariais alemães para ajudarem a financiar o
Partido Nazista nos meses cruciais que se seguiriam. Ele argumentou que deveriam
apoiá-lo no estabelecimento de uma ditadura porque "a empresa privada não pode
ser mantida na era da democracia" e porque a democracia levaria ao comunismo. [52]
Ele prometeu destruir a esquerda alemã e os sindicatos, sem qualquer menção de
políticas antijudaicas ou conquistas estrangeiras. [156] Nas semanas seguintes, o
Partido Nazista recebeu contribuições de dezessete grupos empresariais diferentes,
sendo a maior parte do IG Farben e do Deutsche Bank.[156] historiador Adam Tooze
escreve que os líderes empresariais alemães eram, portanto, "parceiros voluntários
na destruição do pluralismo político na Alemanha". [50] Em troca, proprietários e
gerentes de empresas alemãs receberam poderes sem precedentes para controlar
sua força de trabalho, a negociação coletiva foi abolida e os salários congelados em
um nível relativamente baixo. [157] Os lucros das empresas também aumentaram
muito rapidamente, assim como o investimento corporativo. [158] Além disso, os
nazistas privatizaram propriedades e serviços públicos, apenas aumentando o
controle econômico do Estado por meio de regulamentações. Hitler acreditava que a
propriedade privada era útil porque encorajava a competição criativa e a inovação
técnica, mas insistia que deveria se conformar aos interesses nacionais e ser
"produtiva" ao invés de "parasitária". Os direitos de propriedade privada estavam
condicionados ao cumprimento das prioridades econômicas estabelecidas pela
liderança nazista, com altos lucros como recompensa para as empresas que os
seguiram e a ameaça de nacionalização sendo usada contra aqueles que não o
seguiram. Sob a economia nazista, a livre competição e os mercados
autorregulados diminuíram, mas as crenças darwinistas sociais de Hitler o fizeram
manter a competição empresarial e a propriedade privada como motores
econômicos.[158]

Os nazistas eram hostis à ideia de bem-estar social em princípio, defendendo, em


vez disso, apoiavam o conceito social darwinista de que os fracos e fracos deveriam
perecer.[159] Eles condenaram o sistema de bem-estar da República de Weimar, bem
como a caridade privada, acusando-os de apoiar pessoas consideradas racialmente
inferiores e fracas, que deveriam ter sido eliminadas no processo de seleção
natural.[160] No entanto, diante do desemprego em massa e da pobreza da Grande
Depressão, os nazistas acharam necessário estabelecer instituições de caridade
para ajudar os alemães racialmente puros a fim de manter o apoio popular,
enquanto argumentavam que isso representava "auto-ajuda racial "e não a caridade
indiscriminada ou o bem-estar social universal. [161] Programas nazistas como o
Winter Relief of the German People e o mais amplo National Socialist People's
Welfare (NSV) foram organizados como instituições quase privadas, oficialmente
contando com doações privadas de alemães para ajudar outros de sua raça,
embora na prática aqueles que se recusaram a doar enfrentaram graves
consequências.[162] Ao contrário das instituições de bem-estar social da República de
Weimar e das instituições de caridade cristãs, o NSV distribuiu assistência
explicitamente por motivos raciais. Fornecia apoio apenas para aqueles que eram
"racialmente sólidos, capazes e dispostos a trabalhar, politicamente confiáveis e
dispostos e capazes de se reproduzir". Os não-arianos foram excluídos, bem como
os "tímidos para o trabalho", "a-sociais" e os "doentes hereditários". [163] Esforços
bem-sucedidos foram feitos para envolver as mulheres de classe média no trabalho
social, auxiliando famílias numerosas,[164] e as campanhas de Ajuda no Inverno
atuaram como um ritual para gerar simpatia pública. [165]

As políticas agrárias também foram importantes para os nazistas, pois


correspondiam não apenas à economia, mas também à sua concepção geopolítica
do Lebensraum. Para Hitler, a aquisição de terras e solo era um requisito para
moldar a economia alemã.[166] Para amarrar os agricultores às suas terras, a venda
de terras agrícolas era proibida.[167] A propriedade das fazendas permaneceu
privada, mas os direitos de monopólio comercial foram concedidos às juntas de
comercialização para controlar a produção e os preços com um sistema de cotas. [168]
A Lei Hereditária da Fazenda de 1933 estabeleceu uma estrutura de cartel sob um
órgão governamental conhecido como Reichsnährstand (RNST), que determinava
"tudo, desde sementes e fertilizantes usados até como a terra era herdada". [168]
Hitler via, principalmente, a economia alemã como um instrumento de poder e
acreditava que a economia não se tratava de criar riqueza e progresso técnico para
melhorar a qualidade de vida dos cidadãos de uma nação, mas sim que o sucesso
econômico era fundamental para fornecer os meios e as bases materiais
necessários para a conquista militar.[169] Enquanto o progresso econômico gerado
pelos programas nacional-socialistas tinha o seu papel de apaziguar o povo alemão,
os nazistas e Hitler em particular não acreditavam que as soluções econômicas por
si só fossem suficientes para lançar a Alemanha no palco como potência mundial.
Os nazistas, portanto, buscaram assegurar um renascimento econômico geral
acompanhado por gastos militares maciços para o rearmamento, especialmente
mais tarde por meio da implementação do Plano de Quatro Anos, que consolidou
seu governo e garantiu firmemente uma relação de comando entre a indústria de
armas alemã e o governo nacional-socialista. [170] Entre 1933 e 1939, os gastos
militares ultrapassaram 82 bilhões de marcos do Reich e representaram 23% do
produto nacional bruto da Alemanha, à medida que os nazistas mobilizaram seu
povo e economia para a guerra.[171]

O anticapitalismo nazista

Os nazistas acreditavam que o capitalismo causava danos às nações pelo controle


das finanças internacionais, pelo domínio econômico das grandes empresas e pela
influência dos judeus.[172] Cartazes de propaganda nazista, nos bairros de classe
trabalhadora, possuíam elementos que associavam a ideologia ao anticapitalismo.
[173]
Em um deles, estava escrito: "Manter um sistema industrial podre não tem nada
a ver com nacionalismo. Eu posso amar a Alemanha e odiar o capitalismo". [173]

Hitler expressava, tanto em público como em privado, um profundo desprezo pelo


capitalismo, acusando-o de tomar como reféns as nações para beneficiar os
interesses de uma classe rentista de "parasitas cosmopolitas". [174] Ele era contra a
economia de mercado e a busca desenfreada do lucro e queria uma economia que
respeitasse o interesse público.[175] Não confiava no capitalismo e preferiu uma
economia planificada.[174] Hitler declarou em 1934, em um quadro do partido, que "o
sistema econômico contemporâneo fora criação dos judeus". [174]

Hitler confidenciou um dia para Benito Mussolini que "o capitalismo tinha passado o
seu tempo".[174] Hitler também acreditava que a classe empresarial "não queria outra
coisa que não fossem lucros e a Pátria não significava nada para eles". [176] Hitler
considerava Napoleão como um modelo para o seu comportamento
anticonservador, anticapitalista e antiburguês.[177]

Em seu Mein Kampf, Hitler mostrou o seu compromisso com o mercantilismo. Ele
acreditava que os recursos econômicos ligados a um território tinham que ser
requisitados pela força. Ele acreditava na aplicação do conceito de espaço vital para
trazer esses territórios valiosos para a economia alemã. [178] Ele pensava que a única
maneira de manter a segurança econômica era ter controle direto sobre recursos,
em vez de depender de comércio internacional. [178] Ele afirmou que a guerra era a
única maneira para ganhar esses recursos e o única modo de derrotar o sistema
econômico capitalista em declínio.[178]

Um número de nazistas tinha profundas convicções socialistas e anticapitalistas, em


particular, Ernst Röhm, o líder da Sturmabteilung (SA).[179] Röhm alegou que os
nazistas chegaram ao poder constituindo uma revolução nacional, mas ele declarou
enfaticamente que uma "segunda revolução socialista" era necessária para que a
ideologia nazista fosse completada. [180] Outro nazista de alta patente, o ministro da
Propaganda Joseph Goebbels, afirmou categoricamente o caráter socialista do
nazismo ao escrever em seu diário que, se ele tivesse que escolher entre o
bolchevismo e o capitalismo, "seria melhor para nós ir para baixo com o
bolchevismo do que viver na escravidão eterna do capitalismo". [181]

O anticomunismo nazista

Os nazistas alegavam que o comunismo era perigoso para o bem-estar das nações
por causa de sua intenção de dissolver a propriedade privada, por apoiar a luta de
classes, sua agressão contra a classe média, sua hostilidade para com os pequenos
empresários, e seu ateísmo.[172] O nazismo rejeitava o conceito de luta de classes e
também o igualitarismo, favorecendo uma economia estratificada, com as classes
sociais definidas tendo por base o mérito e o talento, mantendo propriedade privada,
bem como criando uma espécie de solidariedade nacional que transcenderia a
distinção de classe.[182]
Ao longo da década de 1920, Hitler apelou às diferentes facções nazistas para que
se unissem em oposição ao "bolchevismo judeu". [183] Hitler afirmava que os "três
vícios" do "judeu marxista" foram a democracia, o pacifismo e internacionalismo.[184]
Em 1930, Adolf Hitler disse: "… Nosso termo adotado "socialista" não tem nada a
ver com o socialismo marxista, Marxismo é antipropriedade; enquanto o verdadeiro
socialismo não é!".[185] Em conversas particulares datadas de 1942, Hitler afirmou:
"Eu absolutamente insisto em proteger a propriedade privada; … nós devemos
incentivar a iniciativa privada".[186] Nos últimos anos da década de 30 e início dos
anos 40, os grupos e regimes anticomunistas que apoiaram o nazismo incluíam a
Falange Espanhola; o Regime Vichy na França e; na Grã-Bretanha foram apoiados
por Lord Halifax, Cliveden Set, pela União Britânica de Fascistas de Sir Oswald
Mosley, e por associados de Neville Chamberlain.[187]

Nazismo e religião
Relação com o Cristianismo

O historiador Laurence Rees, procurou analisar a relação entre o Cristianismo e o


pensamento de Hitler no livro O Carisma de Adolf Hitler.[189] Rees chegou a
conclusão de que este procurou fortalecer o seu movimento associando-o, de forma
oportunista, com a doutrina cristã.[190]

Ele diz que Hitler, com o passar dos anos, mudou a ênfase que dava para os
preceitos tradicionais cristãos para uma ideia pouco precisa de "Providência" que,
mesmo não se sabendo quem ou o que esta seria, muitos cristãos alemães
associavam ao Cristianismo.[191] Hitler também chegou a dar diversas declarações
abertamente anticristãs em conversas privadas; em uma delas, ele chegou a dizer
que o cristianismo teria sido a "religião errada" para a Alemanha, e em outra que ele
era "uma invenção de cérebros doentes".[192] Porém, mesmo que a visão de que
Hitler era anticristão seja forte, o movimento nazista era bastante heterogêneo
quanto ao cristianismo.[189] Ao mesmo tempo que houve diversos líderes nazistas
abertamente contrários a ele, tais como: Joseph Goebbels, Martin Bormann, Alfred
Rosenberg e Heinrich Himmler; também existiram outros que eram favoráveis, como
Erich Koch por exemplo.[193]

A principal iniciativa do nazismo para conseguir um apoio maior do povo alemão


através da doutrina cristã foi a tentativa de criar um modelo de cristianismo que
fosse compatível com a suas ideias, este ficou conhecido como "Cristianismo
positivo" (Positives Christentum).[190][194] De acordo com Richard Steigmann-Gall, o
Cristianismo positivo teria surgido no século XIX através do Protestantismo liberal
(Kulturprotestantismus), movimento que teve como principal proposta a
reinterpretação do cristianismo através da rejeição ao Antigo Testamento e, de
acordo com Franklin Ferreira, teve como pano de fundo o Antissemitismo. [195][194] O
termo "Cristianismo positivo" foi usado no 24.° ponto do Programa do Partido
Nazista de 1920, com a seguinte frase: "O Partido, como tal, defende o ponto de
vista de um cristianismo positivo, sem se ligar confessionalmente a qualquer
denominação."[196][197]

Nas igrejas protestantes, a ascensão nazista ao poder na Alemanha foi no início


acolhida com "benévola simpatia". [198] Tendo o nazismo procurado identificar-se com
o patriotismo alemão, algumas personalidades protestantes, como o Dr. Martin
Niemöller, votaram inicialmente em favor dos nacional-socialistas. [199] Em julho de
1933, os representantes das igrejas protestantes alemãs escreveram uma
constituição para a criação de uma Reichskirche (Igreja do Reich), que foi criada a
partir da fusão das 28 igrejas luteranas e reformistas alemães, e que era
considerada a "igreja oficial" do regime.[200]

Desde o início, foi diferente a atitude dos católicos, alarmados pelo conteúdo racista
dos livros "Minha Luta", de Adolf Hitler, e "O Mito do século XX", de Alfred
Rosenberg.[199] Nesses livros, os arianos surgem como os elementos superiores da
humanidade, defendendo-se a pureza racial ariana como a primeira necessidade
dos alemães.[201][202][203] Contrapunham os católicos que a destruição de barreiras
entre judeus e gentílicos pertence à própria essência do Evangelho e que o racismo
não tem cabimento na igreja cristã.[204][205]

Quando Hitler aceitou uma Concordata com o Vaticano (Reichskonkordat),[206] houve


alguns católicos que ainda hesitaram. Os dois inimigos mortais da Alemanha, tal
como os nazistas afirmavam na sua propaganda interna, eram, porém, claramente
identificados: marxismo e judaísmo.[207][208] A "incompatibilidade fundamental do
nacional-socialismo com a religião cristã era manifesta", [198] passando todos os
cristãos, tanto protestantes como católicos, ao ataque sistemático ao nazismo. [209]

Apesar disso, as relações do Partido Nazista com a Igreja Católica têm sido
apresentadas por alguns autores como controversa. Argumentam não saber se
Hitler se considerava, ou não, cristão, e que a hierarquia da Igreja, representada
pelo Papa Pio XI, se teria mantido basicamente silenciosa (ver: Vaticano durante a
Segunda Guerra Mundial). A existência de um Ministério de Assuntos da Igreja,
instituído em 1935 e liderado por Hanns Kerrl, teria sido quase ignorada por
ideólogos como Alfred Rosenberg e por outros decisores políticos.[210]

Hitler e os outros líderes nazistas procuraram utilizar o simbolismo e a emoção


cristã para propaganda junto ao público alemão, esmagadoramente cristão. [142]
Enquanto que autores não cristãos puseram ênfase na utilização externa da
doutrina cristã, sem dar importância ao que poderia ter sido a mitologia interna do
partido, os cristãos, baseando-se nos livros dos chefes nazis, nos folhetos de
propaganda nazista que estes lançavam contra o cristianismo, e na perseguição
constante decidiram se opor a Hitler.[211]

Declarações públicas e oficiais produzidas por autoridades católicas sobre o


nazismo existem pelo menos desde o ano de 1930, bem antes da chegada de Hitler
ao poder, quando o Ordinário de Mogúncia, em nome do seu bispo, declarou: "O
que acabamos de dizer (sobre o nazismo), responde às três perguntas que nos
foram postas: a) pode um católico ser membro do partido hitleriano?; b) está um
sacerdote católico autorizado a consentir que os adeptos desse partido tomem parte
em cerimônias eclesiásticas, incluindo funerais?; c) pode um católico fiel aos
princípios do partido ser abrangido pelos sacramentos? Devemos responder 'não' a
tais perguntas".[212]

O Papa Pio XI sabia do que se passava na Alemanha e escreveu vários


documentos condenando o nazismo, com destaque para a encíclica de condenação
do nazismo — Mit brennender sorge ("Com viva preocupação"). [213] Muitos padres e
líderes católicos opuseram-se com todo o vigor ao nazismo, dizendo que ele era
incompatível com a moral e a fé cristã. [209] Tal como aconteceu com muitos
opositores políticos, muitos desses padres foram condenados aos campos de
concentração pela sua oposição. O próprio Dr. Martin Niemöller, que a princípio lhes
dera apoio, foi enviado para Dachau.[214][209]

Nazismo e paganismo

Foi por intermédio do nazismo que se deu no século XX a mais importante


manifestação do paganismo.[215] Uma denuncia da componente pagã do nazismo
surgiu nos Estados Unidos, em 1934, logo após a vitória eleitoral e a subida ao
poder de Adolf Hitler, como o livro "Nazismo: um assalto à civilização". [216] Nesse
livro, chamava-se a atenção para algo que se considerava inquietante: no dia 30 de
julho de 1933, mais de cem mil nazistas tinham-se reunido em Eisenach para
declarar querer tornar "a origem germânica a realidade divina", restaurando Odin,
Baldur, Freia e os outros deuses teutônicos nos altares da Alemanha — Wotan[217]
[218]
deveria estar no lugar de Deus, Siegfried no lugar de Cristo.[219]

Durante o ano de 1936, os líderes nazis começam a abandonar a "cristandade


alemã" ou o que também se designava por "cristianismo positivo". É então que
Goebbels apresenta o nazismo como se fosse uma religião a ser respeitada —
havia uma nova fé alemã a defender. Enquanto von Schirach tentava imbuir na
Juventude Hitleriana a admiração pelas antigas tribos pagãs, o Movimento da Fé
Germânica (Deutsche Glaubensbewegung, DGB) fazia o grosso da propaganda.[220]
O DGB tinha como profeta Jakob Wilhelm Hauer (1881-1962),[221] professor de
Teologia em Tübingen, que pregava a ideia de uma fé ariana dos alemães. No livro
Deutsche Gottschau, Hauer defendia que a história da Alemanha era mais do que
mera sequência de fatos, havendo na sua base uma divindade que encarnava o
espírito da raça ariana.[222]

Uma grande manifestação foi organizada em Burg Hunxe, na Renânia.[223] Em 1937,


o Papa Pio XI publica uma Carta Encíclica de condenação do nazismo — Mit
brennender sorge ("Com viva preocupação"), onde diz: "Damos graças, veneráveis
irmãos, a vós, aos vossos sacerdotes e a todos os fieis que, defendendo os direitos
da Divina Majestade contra um provocador neopaganismo, apoiado,
desgraçadamente com frequência, por personalidades influentes, haveis cumprido e
cumpris o vosso dever de cristãos".[213]

No Comício de Nuremberg, em 1937, revivia entre os nazistas o paganismo


ancestral do povo ariano, surgindo um místico laicismo como um dos tópicos
centrais em discussão: para que a Alemanha voltasse à sua antiga fé, não bastava
a separação Igreja-Estado; as Igrejas cristãs teriam que ser destruídas e o Estado
transformado numa nova Igreja; impunha-se uma nova religião nacional. [224]

No festival nórdico, do Solstício de Verão, Julius Streicher, diretor do Strümer e


amigo pessoal de Hitler, perante uma enorme multidão de alemães reunidos em
Hesselberg (montanha a qual o Führer declarou sagrada), ao lado de uma grande
fogueira simbólica, disse: "Se olharmos para as chamas deste fogo sagrado e nelas
lançarmos os nossos pecados, poderemos baixar desta montanha com as nossas
almas limpas. Não precisamos nem de padres nem de pastores".[225]

Esse neopaganismo romântico, gerado pela ação dos responsáveis e órgãos


nazistas, com destaque para, além de Goebbels, Heinrich Himmler e Reinhard
Heydrich,[226] entrava então já em clara ruptura com as igrejas cristãs, protestantes e
católica.[227] Em 1938, depois das perseguições aos judeus que vinham desde a
subida ao poder de Hitler, a perseguição aos cristãos passava então também a ser
sistemática.[209]

Mais tarde, ao estudar o fenômeno totalitário, o filósofo Herbert Marcuse identifica


na ideologia do nazismo várias camadas sobrepostas, considerando precisamente o
paganismo, a par do misticismo, racismo e biologismo, uma das componentes
essenciais da sua "camada mitológica". [228] Segundo Paul Tillich, no paganismo do
nazismo estava o elemento essencial que explicava o seu antissemitismo, no
enfoque colocado nos "laços de sangue arianos". [229] Para Emmanuel Levinas, o
nazismo apresentava uma forma de religiosidade pagã que se opunha a toda uma
civilização monoteísta.[230]

Neonazismo
Definição

O Neonazismo é a ideologia que faz o resgate de elementos do nazismo e surgiu


após a Segunda Guerra Mundial. O neonazismo surgiu na Europa dentro das alas
radicais de organizações de direita e foi formado por antigos nazistas que
sobreviveram à derrota do nazismo em 1945. Essa ideologia proliferou-se com o
tempo em muitos grupos e associações, que atuavam na clandestinidade, mas
também adentrou na política profissional com a formação de partidos que
aglomeravam os neonazistas. Após a reunificação alemã em 1990, ganharam ainda
mais seguidores. Esses partidos utilizavam uma linguagem mais branda para
mascarar a influência nazista. Esse movimento, adere ao negacionismo do
holocausto dizendo que é "exagerado dizer que morreram mais de seis milhões de
judeus em câmaras de gás". Alguns não negam o holocausto mas tentam justificá-lo
falando de "sabotagens e terrorismos por parte dos judeus". Os principais
revivalistas desse movimento são: George Lincoln Rockwell, Savitri Devi, Francis
Parker Yockey, William Pierce, Eddy Morrison e David Myatt.[231][232]

Alguns movimentos neonazistas

No final do século XX, surgiram movimentos neonazistas em vários países,


incluindo os Estados Unidos e várias nações europeias. Alguns grupos que podem
ser considerados neonazistas, porque não negam a sua associação com essa
ideologia, são: Partido Nazi Americano e Aliança Nacional.[231][233]

Negacionismo do Holocausto

O Negacionismo do Holocausto consiste em uma prática de revisionismo histórico


(isso é admitido inclusive pelos defensores dessa ideia e por isso eles preferem
chamar o movimento de Revisionismo do Holocausto) que consiste basicamente em
negar a existência da perseguição e do extermínio de judeus que ocorreu durante o
Terceiro Reich.[234][235] O fenômeno do negacionismo do holocausto existe desde o
final da Segunda Guerra Mundial, porém ele passou a ser mais conhecido durante a
reunificação alemã em 1990.[234][236] O ativista político e escritor francês Paul
Rassinier, considerado o "pai" do Negacionismo do Holocausto, [237][238] escreveu em
seu segundo livro, "A Mentira de Ulisses" (1950), que a Segunda Guerra Mundial
havia sido um complô judeu internacional e que outros sobreviventes dos campos
de concentração, já que ele mesmo havia sido um, exageravam nos relatos de suas
vivências.[239]

Entre as alegações dos negacionistas podem ser citadas as seguintes: Os nazistas


não possuíam uma política oficial ou intenção de exterminar os judeus (a política
teria sido de deportação e não de extermínio); Os nazistas não utilizaram câmaras
de gás para o assassinato em massa de judeus (eles dizem que existem evidências
científicas que comprovam que câmaras de gás não poderiam ser usadas para
matar grandes grupos de pessoas); A soma total de 5 a 6 milhões de mortes de
judeus foi um exagero grosseiro, sendo o número verdadeiro, em ordem de
magnitude, muito menor (o "verdadeiro" número de judeus mortos teria sido algo
entre trezentos mil e 1,5 milhão de pessoas). [236][240] Além disso, eles contestam a
veracidade de evidências materiais que refutam os seus argumentos e de
testemunhos dos sobreviventes do Holocausto. [234][235] Os defensores da negação do
Holocausto são muitas vezes acusados de manipular e falsificar evidências para
tentar mostrar credibilidade para os seus argumentos

De acordo com os pesquisadores Michael Shermer e Alex Grobman, há uma


"convergência de evidências" que prova que o Holocausto aconteceu. [244] Entre as
evidências estão:[90]

1. Documentos escritos — centenas de milhares de cartas, memorandos, diagramas,


ordens, contas, discursos, artigos, memórias e confissões.
2. Testemunho ocular — declarações de sobreviventes, de Sonderkommandos (que
ajudavam a carregar os corpos das câmaras de gás aos crematórios em troca da
promessa de sobrevivência), de guardas da SS, de comandantes, de moradores
locais, e até mesmo de nazistas do alto comando que falavam abertamente sobre o
assassínio em massa de judeus.
3. Fotografias — incluindo fotografias militares oficiais e da imprensa, civis, tiradas
secretamente por sobreviventes, aéreas, filmes Aliados e alemães, e imagens não-
oficiais registradas pelo exército alemão.
4. Os próprios campos — campos de concentração, de trabalho e extermínio ainda
existem em graus variados de originalidade e reconstrução.
5. Evidência conclusiva — demografia populacional, reconstituída a partir da época
anterior à Segunda Guerra; se seis milhões de judeus não foram mortos, o que
aconteceu com eles?

O Negacionismo do Holocausto é visto como uma forma de antissemitismo. [235][240][245]


A American Historical Association, afirma que ele é "na melhor das hipóteses, fraude
acadêmica".[246] O doutor William Shulman, diretor do Holocaust Research Center,
descreveu a negação "… como se aquelas pessoas [vítimas do Holocausto] fossem
assassinadas duas vezes".[247] Em 2006, Kofi Annan, Secretário Geral da ONU,
declarou: "Relembrar é uma repreensão necessária àqueles que dizem que o
Holocausto nunca aconteceu ou que foi exagerado. Negacionismo do Holocausto é
obra de fanáticos; devemos rejeitar suas falsas alegações sempre que necessário".
[248]
Em janeiro de 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas condenou "sem
reservas qualquer negação do Holocausto", embora o Irã tenha se desassociado da
resolução.[249] O Negacionismo do Holocausto é considerado um crime em dezesseis
países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Eslováquia, França, Grécia,[250] Hungria, Israel,
Liechtenstein, Lituânia, Polônia, Portugal, República Checa, Romênia, Suíça.[251][252]

O uso do termo "nazista" na cultura popular

O termo "nazista" (no português do Brasil), ou "nazi" (no português europeu), é


frequentemente utilizado para criticar grupos de pessoas que, de acordo com quem
faz a crítica, tentam impor soluções impopulares ou extremistas à população em
geral ou poderiam cometer crimes e outros tipos de violações sobre terceiros sem
mostrar remorso.[253]

Esse tipo de crítica fez com que o filósofo Leo Strauss formasse, em 1951, a
expressão Reductio ad Hitlerum.[nota 4][256][257]
Ela é usada para designar uma
estratégia argumentativa falaciosa que funciona da seguinte forma: quando ocorre
uma discussão ou debate, um dos grupos envolvidos tenta desqualificar os
argumentos do grupo oponente associando qualquer um dos dois alvos da
estratégia (argumento ou grupo que o faz) ao nazismo, criando uma ideia de que
uma opinião seria errada somente porque o nazismo ou Adolf Hitler consideravam
essa opinião correta e vice-versa.[254][258] Um exemplo do uso de Reductio ad
Hitlerum é a seguinte sentença: "Os nazistas eram conservadores, então o
conservadorismo é errado".[258] Essa tática, muitas vezes, não é vista com bom
olhos, pois acredita-se que o seu uso frequente tem como consequência a
relativização e a banalização do Holocausto.[259]

Durante o início da popularização da internet, na década de 1990, o uso de


analogias ao nazismo com o objetivo de tentar vencer uma discussão on-line ocorria
com bastante frequência.[259] Percebendo essa situação, o advogado americano
Mike Godwin criou a Lei de Godwin, que se tornou uma das "regras da internet".[259]
Essa regra define que "com o prolongamento de uma discussão on-line, a
probabilidade de surgir uma comparação envolvendo os nazistas ou Hitler aproxima-
se de um (100%)".[260] Para muitas pessoas, a aplicação da Lei de Godwin — ou
seja, quando alguém recorre ao nazismo em um debate na internet —, é um sinal de
que determinada discussão está encerrada e de que quem usou a expressão
perdeu a disputa.

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