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Gosto Musical e Suas Dinâmicas Sociais

O documento discute: 1) Como o gosto musical é socialmente construído e influencia a posição social de acordo com Pierre Bourdieu; 2) Que as comunidades de apreciação musical podem ser locais, translocais ou virtuais; 3) Que o género é uma construção social que influencia a música através de estereótipos e relações de poder.

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Gosto Musical e Suas Dinâmicas Sociais

O documento discute: 1) Como o gosto musical é socialmente construído e influencia a posição social de acordo com Pierre Bourdieu; 2) Que as comunidades de apreciação musical podem ser locais, translocais ou virtuais; 3) Que o género é uma construção social que influencia a música através de estereótipos e relações de poder.

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Gosto musical; Comunidades de apreciação; Amadores de música

Theodor Adorno e outros autores identificam o que consideram ser um declínio ou regressão do
gosto musical.
• Situação que se associa à expansão das indústrias culturais e da objetificação da música e dos
produtos artísticos e culturais.
Hebert Gans argumenta, em 1974, que não se podem encarar os consumidores de cultura como uma
massa uniforme e enfatiza a sua diversidade: taste cultures (culturas de gosto).
• Comunidade que se reúne em torno de gosto musicais determinados.
Pierre Bourdieu (1930-2002) - “O Que é Relacional?” (Conceitos centrais no seu discurso):
• Poder simbólico; Campo; Habitus; Capital.
1. Bourdieu argumenta que o gosto musical é um dos fatores que ajudam a definir a posição social de
um indivíduo na sociedade.
2. Usa o termo "distinção" para se referir ao modo pelo qual as pessoas tentam distinguir-se
socialmente, por meio do consumo de bens culturais como a música.
3. Argumenta que o valor de uma obra musical não é intrínseco à obra, sendo esta produto das relações
sociais associadas ao seu consumo.
4. Descreve como o gosto musical é constituído socialmente, por meio da exposição a diferentes tipos
de música em diferentes contextos sociais.
5. Argumenta que o gosto musical é fortemente influenciado pela posição social de uma pessoa, e que
indivíduos de diferentes classes tendem a ter gosto musicais distintos.
6. Descreve uma hierarquia dos gotos musicais, na qual os gostos considerados "eruditos" são
valorizados.
7. A distinção entre "gostos populares" e "gostos cultos" não é inerente à música, mas sim a uma
construção social.
8. O gosto musical é um tema político importantes, uma vez que as hierarquias culturais por ele
refletidas têm implicações para a distribuição de poder e recursos na sociedade.
Segundo Pierre Bourdieu:
• A posição do agente define-se na distribuição de poderes que atuam em cada campo.
• Capital económico, social e cultural.
• O capital simbólico determina a posição social dos indivíduos na sociedade. Prestígio, honra,
reconhecimento.
Capital Cultural
"A cultura que une é também a cultura que separa (instrumento de distinção) e que legitima distinções
compelindo todas as culturas a definirem-se pela sua distância em relação à cultura dominante."
(Bourdieu, 2010:11)
A acumulação de conhecimento/informação cultural confere poder e prestígio. Integra e distingue.
"Podemos determinar tão infalivelmente a classe social de pertença ou se se quiser a “classe” (“ele
tem classe”) a partir das músicas preferidas (ou simplesmente, das emissões de rádio ouvidas) como
a partir dos aperitivos consumidos, Pernod, Martini ou whisky." (Bourdieu, A origem e a evolução
das espécies de melómanos)

Richard Peterson
Omnivorosidade cultural: cada vez mais o consumidor vai-se tornar mais eclético ["camaleónico"];
O conceito refere-se a um perfil de gosto que cruza géneros musicais outrora atritos a diferentes
estratos socio-económicos.
|Segundo o autor, o perfil emerge em finais do século XX, na sequência de alterações de larga escala
nas esferas política e socioeconómica.
Antoine Hennion
• Estudo do gosto musical, musicologia do gosto;
• Mediações e intermediários;
• Formação das ligações à música ao longo das épocas;
• Amadores de música, gostar de música - comunidades de fãs.

Mediação Musical
Processos de relacionamento entre os diversos atores envolvidos no processos, incluindo os próprios
equipamentos e meios.
• Antoine Hennion defende que gosto é uma atividade, um circunstância 'performativa', mutável
ao longo da vida.
• "Um ato que que envolve, transforma e é sentido" (Hennion 2005, 133) e não algo que pode
corresponder identidade social fixa.
• Argumenta também que o gosto é uma produção coletiva, que influencia na nossas
comunicações e que depende das relações entre vários atores do próprio objeto em apreciação
e de saberes prévios.

Mediação
"Entendo a obra de arte [a obra musical] como uma mediação, o que significa ter em conta a obra em
todos os detalhes dos gestos, corpos, hábitos, materiais, espaços, linguagens e instituições que a
habitam. Sem esta acumulação de mediações - estilos, gramáticas, sistemas de gosto, programas, salas
de concertos, escolas, empresários, etc - não se manifesta a obra de arte." (Antoine Hennion 2012)
A abordagem à mediação musical implica, segundo Hennion:
• A identificação e descrição dos dispositivos de escuta;
• A análise dos meios;
• A observação da prática dos amadores/ouvintes/espectadores;
• O estudo das narrativas realizadas sobre estas prática.

Cenas Musicais
Para Bennet e Peterson, há 3 tipos de cenas musicais (Music Scenes: Local, Translocal, and Virtual
by Andy Bennett, Richard A. Peterson, 2004]
Cena Musical Local
• Agregados de músicos, espectadores/fãs e outros produtores partilham comportamentos e
gostos musicais, formando uma comunidade que se diferencia de outras. O estilo e
comportamentos sociais contribuem para a definição destas comunidades. Associam-se a uma
localização geográfica específica.
Cena Musical Translocal
• Uma cultura musical dispersa por vários pontos geográficos. Partilha de valores, traços de
identidade e estética sonora e por vezes visual, nomeadamente através dos media, que permite
que sejam replicados em todo o mundo.
• Estes grupos, deslocados geograficamente, podem eventualmente manter contacto entre si e
até criar eventos onde se juntam e reforçam os seus valores e traços de identidade.
• Bennet e Peterson referem como exemplo as comunidades de fãs dos Beatles.
Cena Musical Virtual

Género (Importante teórico: Simone de Beauvoir)


Modelos de pensar e agir e sentir todos por 'masculinos' ou 'femininos' como naturalização de
comportamentos, convenções, modelos ideológicos:
• Categoria socioculturalmente construída de 'género'.
• O conceito de género, como construção social e cultural, envolve uma série de fatores -
comportamentos, vestuário, postura, escolha de profissão, relacionamento social.
Fazer género:
• Produção da ideia de género com indicadores reconhecíveis por outrem.
• Homem/Mulher: binarismo de género; heteronormatividade.
• Problematização da heteronormatividade como discurso naturalizado e estruturador de modos
de comportamento, relacionamento, organização institucional.
Judith Butler refere que o género é 'performativo'. (Como alternativa à teoria do binarismo de género)
• 1990 | Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity (Subversive bodily acts, IV
Bodily Inscriptions, Performative Subversions), New York. Routledge;
• 2004 | Undoing gender, Routledge.
• De acordo com Judith Butler: "O corpo torna-se género através de uma série de atos que se
renovam, reveem e consolidam através do tempo. Essa repetição é, inevitavelmente, uma
reencarnação e uma reexperienciação de significados socialmente estabelecidos."
• O género atua, entre outros indicadores, como performance da identidade, mutável e sistema
de poder.
Na música
As manifestações musicais como objetos de estudo de género.
As relações de poder baseadas no género e a sua influência na prática, compreensão e organização da
música nas sociedades ocidentais.
A música como discurso genderizado.
Estereótipos produzidos ao longo dos séculos.
• Genderização dos instrumentos musicais;
• Géneros musicais e identidade de género.

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