Universidade de São Paulo
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
O acesso a medicamentos e outras
tecnologias em saúde
Profa. Dra. Sílvia Storpirtis
MSc. Samara Jamile Mendes
O QUE É...
Sistema Único de Saúde
Marco legal da criação do SUS: Art. 196 da Constituição Federal (1988)
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Sistema Único de Saúde
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990.
• Universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis
de assistência;
• Integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e
contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e
coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de
complexidade do sistema;
• Igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de
qualquer espécie;
(BRASIL, 1990a)
Sistema Único de Saúde
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990
Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único
de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de
recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências.
CONTROLE SOCIAL
[Link]
( BRASIL, 1990 b)
SAÚDE SUPLEMENTAR
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Agência reguladora vinculada ao Ministério da
Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no
Brasil.
Criada em 2000 pela Lei nº 9.961.
O subsistema privado é dividido em dois subsetores: o subsetor saúde
suplementar e o subsetor liberal clássico.
A saúde suplementar é composta pelos serviços financiados pelos planos
e seguros de saúde. Este possui um financiamento privado, mas com
subsídios públicos, gestão privada regulada pela Agência Nacional de
Saúde Suplementar.
([Link]; Pietrobon et al., 2008)
Política Nacional de Medicamentos(PNM)
PORTARIA Nº 3.916, DE 30 DE OUTUBRO DE 1998.
• A Política Nacional de Medicamentos, como parte essencial da Política
Nacional de Saúde, constitui um dos elementos fundamentais para a efetiva
implementação de ações capazes de promover a melhoria das condições da
assistência à saúde da população.
• A Lei n.º 8.080/90, em seu artigo 6o, estabelece como campo de atuação do
Sistema Único de Saúde - SUS - a "formulação da política de medicamentos
(...) de interesse para a saúde.
(BRASIL, 1998; Baumgratz de Paula, 2009)
Política Nacional de Medicamentos(PNM)
Justificativas para a PNM
Aumento da expectativa de vida dos brasileiros
Modificação do perfil epidemiológico
(morbidade e mortalidade)
Elevação da demanda de uso dos serviços de saúde Automedicação
públicos
(Baumgratz de Paula, 2009)
Política Nacional de Assistência Farmacêutica
Em 1999, houve a aprovação da Lei nº 9.787, estabelecendo os medicamentos genéricos
e definindo o papel da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
2002, criação do Departamento de Assistência Farmacêutica (DAF)
2003, I Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica
RESOLUÇÃO Nº 338, DE 06 DE MAIO DE 2004
A Política Nacional de Assistência Farmacêutica não se coloca como parte da Política
Nacional de Medicamentos e sim da Política Nacional de Saúde.
(BRASIL, 2004)
Política Nacional de Assistência Farmacêutica
Assistência Farmacêutica
Ações no Plano Individual e Coletivo Medicamento como Insumo Essencial
Acesso e Aumento do Acesso
Uso Racional Medicamentos
de
Medicamentos
• A assistência farmacêutica é firmada como uma política social de grande
impacto, foi preciso repensar a necessidade de integrar a assistência
farmacêutica à atenção à saúde.
• Consolidou-se como prioridade de financiamento.
(BRASIL, 2004; MENDES,2013)
COMPONENTES DE FINANCIAMENTO
Componente Básico da Assistência Farmacêutica;
Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica;
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica;
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Atividades administrativas
essenciais
(MARIN et al., 2003).
SERVIÇOS DE SAÚDE
Serviço farmacêutico é um ou um conjunto de procedimentos executados
pelo farmacêutico em benefício do outro.
Pode utilizar-se de diferentes técnicas e tecnologias para compor um
procedimento que resultará em serviços farmacêuticos.
Serviço farmacêutico integrante dos serviços de saúde
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(CAMPESE et al., 2016).
TECNOLOGIAS DURAS E LEVES
As tecnologias duras estão relacionadas à produção de bens e produtos para
uma determinada finalidade.
Tecnologias leves estão relacionadas com a relação entre os trabalhadores e
os usuários, o vínculo a gestão dos processos de trabalho.
Saúde só se faz com pessoas, profissionais e usuários.
As tecnologias são importantes, mas aliadas a elas devem
estar os profissionais de saúde e com os farmacêuticos não
é diferente.
(MERHY, FRANCO, 2009).
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE
Como o farmacêutico conseguirá sair da sua bolha ou
da caixa de medicamentos para assumir seu papel de
profissional de saúde em prol do indivíduo, família e
comunidade?
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE
Em 1994 lançou o Programa de Saúde da Família (PSF) como política nacional de
atenção básica, com caráter organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo
tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas
focais.
Com a publicação da Politica Nacional de Atenção Básica em 2006, o PSF passou a se
chamar Estratégia de Saúde da Família.
Equipe composta por, no mínimo: médico generalista, ou especialista em Saúde da
Família, ou médico de Família e Comunidade; enfermeiro generalista ou especialista em
Saúde da Família; auxiliar ou técnico de enfermagem; equipe saúde bucal e agentes
comunitários de saúde.
Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4.000 pessoas
(Departamento de Atenção Básica, 2016).
NÚCLEO DE APOIO À SAÚDE DA FAMÍLIA
Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) foram criados com o objetivo de ampliar a
abrangência e o escopo das ações da atenção básica, bem como sua resolubilidade.
Discussão de casos, atendimento conjunto ou não, interconsulta, construção conjunta de
projetos terapêuticos, educação permanente, intervenções no território e na saúde de
grupos populacionais e da coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e
promoção da saúde, discussão do processo de trabalho das equipes.
Médico acupunturista; assistente social; profissional de educação física; farmacêutico;
fisioterapeuta; fonoaudiólogo; médico ginecologista/obstetra; médico homeopata;
nutricionista; médico pediatra; psicólogo; médico psiquiatra; terapeuta ocupacional;
médico geriatra; médico internista (clínica médica); médico do trabalho; médico
veterinário; profissional com formação em arte e educação (arte educador)
(Departamento de Atenção Básica, 2016).
EQUIPE MULTIPROFISSIONAL EM SAÚDE
INDIVÍDUO, FAMÍLIA E COMUNIDADE
(Departamento de Atenção Básica, 2016).
REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE
PORTARIA Nº 4.279, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2010
Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à
Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
(BRASIL, 2010).
REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE
REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE
ACESSO
Acesso aos medicamentos
• Estruturação física das farmácias
• Financiamento e organização do acesso aos medicamentos
O medicamento é insumo essencial, não o foco dos
serviços.
Quatro Eixos:
• Estrutura
• Educação
• Informação
• Cuidado
COMPONENTES DE FINANCIAMENTO
Componente Básico da Assistência Farmacêutica;
Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica;
Componente Especializado da Assistência Farmacêutica;
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FARMÁCIA POPULAR DO BRASIL
Aumentou o acesso ou não?
FARMÁCIA POPULAR DO BRASIL
Foi implantado por meio da Lei nº 10.858, de 13 de abril de 2004;
Em 09 de março de 2006, o Ministério da Saúde expandiu o Programa
Farmácia Popular do Brasil para “Aqui Tem Farmácia Popular” e funciona
mediante o credenciamento da rede privada de farmácias e drogarias
comerciais;
Sistema de copagamento, o usuário paga até 10% do valor de referência
estabelecido pelo Ministério da Saúde;
A partir de 2011, o Programa passou a disponibilizar os medicamentos
indicados para o tratamento da hipertensão e do diabetes sem custos. Esta
campanha foi denominada “Saúde Não Tem Preço”;
FARMÁCIA POPULAR DO BRASIL
Medicamentos gratuitos para hipertensão, diabetes e asma.
Outros 11 itens, entre medicamentos e a fralda geriátrica, com preços até 90%
mais baratos utilizados no tratamento de
• Dislipidemia;
• Rinite;
• Mal de Parkinson;
• Osteoporose;
• Glaucoma;
Contraceptivos
FARMÁCIA POPULAR DO BRASIL
2004
2006
RELAÇÃO NACIONAL DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS
Essencialidade: satisfazem às necessidades prioritárias de cuidados da saúde
da população (WANNMACHER, 2006).
Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), foi adotada como
base para orientar estados e municípios na elaboração do elenco de
medicamentos a ser disponibilizado pelo SUS.
A elaboração de uma lista de medicamentos a ser
ofertada é um dos pilares de qualquer serviço
farmacêutico que atenda a população.
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS X URM
Comissão de Farmácia e Terapêutica
RELAÇÃO MUNICIPAL DE MEDICAMENTOS (REMUME)
Formulário Terapêutico Nacional
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas
Comitê de Incorporação de Tecnologias em Saúde ( CONITEC)
USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS
É preciso que se receite o medicamento apropriado, que este esteja disponível
e a um preço exequível, que se dispense nas condições adequadas e que se
tome na dose indicada, nos intervalos e durante o tempo prescritos (WHO,
1986).
Política Nacional de
Assistência
Farmacêutica Acesso e
Uso Racional
de
Medicamentos
(LEITE e MANZINI, 2015)
E AGORA?
Farmácia Estabelecimento de Saúde
LEI Nº 13.021, DE 8 DE AGOSTO DE 2014
Art. 3o Farmácia é uma unidade de prestação de serviços destinada a prestar assistência farmacêutica, assistência à
saúde e orientação sanitária individual e coletiva, na qual se processe a manipulação e/ou dispensação de
medicamentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou industrializados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos
farmacêuticos e correlatos.
Baumgratz de Paula, P.A.; Alves, T.N.P.; Vieira, R.C.P.A.; Souza, A.I.S. Política de medicamentos: da universalidade de
direitos aos limites da operacionalidade. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 19 [ 4 ]: 1111-1125, 2009
BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n◦. 8080, de 19 de setembro de 1990a. Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 de setembro de 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n◦. 8142, de 28 de Dezembro de 1990b. Dispõe sobre a participação da comunidade na
gestão do Sistema Único de Saúde e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde
e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 31 de dezembro de 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3916 de 30 de outubro de 1998. Aprova a Política Nacional de
Medicamentos. Brasília, DF. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 10 de novembro de 1998.
BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução nº 338 de 6 de maio de 2004. Aprova a Política Nacional de
Assistência Farmacêutica. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 20 de maio de 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 4.279, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2010 Estabelece diretrizes para a organização
da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 2010.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº. 585, de 29 de agosto de 2013, que regulamenta as atribuições
clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 25 set. 2013 a.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº. 586, de 29 de agosto de 2013, que regulamenta as atribuições
clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 25 set. 2013 b.
BRASIL. Lei nº 13.021, de 08 de agosto de 2014. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos,
insumos farmacêuticos e correlatos. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 11 ago. 2014a. Seção 1, p. 1,
Edição Extra.
BRASIL. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
CAMPESE, M.; SOARES, L.; LEITE, S.N.; FARIAS, M.R. O devir da profissão farmacêutica e a clínica farmacêutica. In:
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MARIN, Nelly; LUIZA, Vera Lucia; SORIO-DE-CASTRO, Cláudia Garcia Serpa; MACHADO-DOS-SANTOS, Silvio (org.).
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MENDES, S. J. Capacidade de gestão municipal da assistência farmacêutica: avaliação no contexto
catarinense. 2013. 239 p. Dissertação (Mestrado em Farmácia) - Programa de Pós-Graduação
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na regulação do setor. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 18 [ 4 ]: 767-783, 2008.
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WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Uso racional de los medicamentos: informe de la Conferencia de Expertos,
Nairobi, 25-29 de noviembre de 1985. Ginebra: OMS, 1986. 304 p.
SEMINÁRIO
Temas para os grupos de estudo:
Hipertensão
Dislipidemias
Diabetes
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
Asma em pacientes pediátricos
Tuberculose
AIDS
Dengue
Hipotireoidismo
Osteoporose
PERGUNTAS NORTEADORAS
Qual a origem do termo “paciente”?
Quais os principais sinais e sintomas desse agravo?
Este é um agravo de alta incidência no mundo e no Brasil?
Quais são os fatores de risco para esse agravo?
Quais serviços de saúde poderá atende-lo? Quais os profissionais de saúde poderão assisti-lo?
As diretrizes/consensos nacional e internacional sugerem quais terapias não farmacológicas e
farmacológicas?
Esse agravo necessitará de outra tecnologia em saúde além dos medicamentos?
Onde os medicamentos para esse agravo são disponibilizados? Quais os fatores que
determinam a escolha do local de acesso?
Os medicamentos indicados ao indivíduo são disponibilizados pela rede pública? Se sim, por
quais componentes de financiamento (programas)? Se não, como obtê-los?