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moda, s. f. (fr. mode). 1. Uso corrente. 2. Forma atual do vestuário. 3. Fantasia,
gosto ou maneira como cada um faz as coisas. 4. Cantiga, ária, modinha. 5. Estat.
O valor mais frequente numa série de observações. 6. Sociol. Ações contínuas de
pouca duração que ocorrem na forma de certos elementos culturais (indumentária,
habilitação, fala, recreação etc.). S. f. Pl. Artigos de vestuário para senhoras e
crianças. Antôn.: anti-moda. (SILVA, 1980, p. 1156)
2.2 Moda e Comunicação
Diante do caráter cultural da moda, pode-se dizer que ela também é uma forma de
comunicação, uma vez que “cultura pode ser ela própria entendida como um sistema de
significados, como as formas pelas quais as experiências, os valores e as crenças de uma
sociedade de comunicam através de atividades, artefatos e instituições” (BARNARD, 2003,
p. 49).
Para compreendermos moda como comunicação, precisaremos ir além do
entendimento de comunicação como simples envio de mensagens. Moda é um tipo de
comunicação não-verbal. Portanto, a roupa seria o canal pelo qual uma pessoa envia uma
mensagem para outra: uma pessoa diz alguma coisa a outra através de suas roupas. Mas quem
enviou a mensagem: a pessoa que usa a roupa ou o estilista? Seria o caso de existirem co-
remetentes.
Para decifrar os signos da moda, Roland Barthes, em 1967, publicou o Sistema da
Moda. Vale que ressaltar que a sua vontade de entender a moda linguisticamente já era
abordada anteriormente em artigos e livros que precederam sua tese de doutorado. No livro,
e em toda sua obra, ele queria desvendar o que estava por de trás do senso comum e fazer
uma leitura da vida moderna. Portanto:
O que um vestuário, um automóvel, um prato de comida ou uma imagem
publicitária podem ter em comum é o fato de que são signos. E, em sua existência
de signos, eles se dão a ler ao homem moderno, sob a forma de imagens, gestos,
comportamentos. Estas leituras, no entanto, nunca são inocentes: elas implicam
valores sociais, morais, ideológicos. É preciso, pois, descobrir-lhes o sentido
oculto, submeter uma massa enorme de fatos, em aparência anárquicos, a um
princípio de classificação, estudar essa operação misteriosa pela qual uma
mensagem qualquer se impregna de um segundo sentido, difuso, em geral
ideológico, e que é chamado de “senso comum” (BARTHES apud WERNECK,
2008, p. 108).
Ou seja, para Barthes, a moda “é um fato completo em cujo estudo se recorre ao
mesmo tempo à história, à economia, à etnologia, podendo até ser – como veremos em breve
– uma lingüística” (Barthes, 2005, p. 282).
Portanto, “símbolos são centrais para toda conformação de identidade, quer se trate
de um crucifixo, um piercing ou um traje nacional. Esses símbolos têm de significar e ajudar
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a dizer alguma coisa sobre a pessoa que os usa” (SVENDSEN 2010, p. 70). Até o semiólogo
italiano Umberto Eco afirmava “falar através de suas roupas” (ECO apud BARNARD 2003,
p. 50). “Sendo a moda símbolo na essência, parece certo afirmar que à ela se aplica
perfeitamente transferência de significados, visando a comunicação integrante de sociedades,
onde tudo comunica, sendo assim, o vestuário é comunicação.” (ECO apud MIRANDA &
GARCIA, 2013, p 3)
2.3 Pudor, adorno e proteção
Teóricos como Lurie, Polhemus e Procter, Rouse e Flügel - apenas para ilustrar alguns
- discorrem sobre as funcionalidades da moda e da indumentária. Como vimos nos capítulos
anteriores, moda é um elemento cultural e uma forma de comunicação não-verbal, portantos
essas são algumas das funções do vestuário. Além disso, é expressão individual, status, papel
social, símbolo político, religioso e econômico. Neste subcapítulo iremos nos debruçar sobre
os três motivos primordiais para a humanidade ter adotado o uso de vestimentas: pudor,
proteção e adorno.
Como explica o professor e historiador de moda João Braga1, sob o ponto de vista
teológico, o ser humano colocou algo sobre o corpo pela ótica do pudor, da vergonha, como
nos é dito livro do Gênesis, no Antigo Testamento: “Então foram abertos os olhos de ambos,
e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais” 2.
Adão e Eva sentiram vergonha das partes pudentas, ao cometerem o pecado original, e
decidiram cobrí-las.
O pudor está ligado à tradição judaico-cristã de que algumas partes do corpo são
indecentes e deveriam ser cobertas. “O cristianismo ensina que conceder atenção ao cuidado
e ao luxo com o corpo é “prejudicial à salvação da alma”, e uma das melhores maneiras de
desviar a atenção do corpo é escondê-lo (FLÜGEL apud BARNARD, 2003, p. 83).
A associação da nudez à vergonha muda de acordo com cada cultura. Assim como o
vestir europeu e ocidental tentou encobrir os hábitos de outras culturas, “muitos europeus e
missionários ocidentais julgado novas civilizações e culturas com base no fato de usarem ou
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João Braga é professor e historiador de moda. Atualmente leciona História da Moda na FAAP. É pós-
graduado em História da Indumentária e da Moda pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São
Paulo, mestre em História da Ciência pela PUC-SP, especialista em História da Moda pela ESMOD de
Paris e em História da Arte pela FAAP. Possui 11 livros publicados sobre o assunto, incluindo o sucesso
História da Moda – Uma narrativa (Editora Anhembi Morumbi, 2004). No canal do Youtube da FAAP,
João explica a história dessas funcionalidades. Disponível em:
[Link] Acesso em 09/05/2019
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Disponível em: <[Link] Acesso em 09/05//2019.