AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA
COMPULSÓRIA PARA
CIRURGIA BARIÁTRICA
Facilitadora
PSICÓLOGA - FLÁVIA ARGEMIRO
Esp. Psicologia Jurídica e Avaliação Psicológica
(92) 99213-3916
flaviaalmeida.a@[Link]
HISTÓRIA DA CIRURGIA BARIÁTRICA
Atualmente a obesidade é doença cada vez mais comum e que atinge
proporções endêmicas. Por essa razão, uma grande preocupação médica é o
elevado risco de doenças associadas ao sobrepeso e à obesidade, tais como
diabetes, doenças cardiovasculares (DCV) e alguns tipos de câncer. O
conhecimento das comorbidades mais frequentes nos casos de obesidade
facilita o diagnóstico precoce, a prevenção e o respectivo tratamento. Importa
saber como identificar os pacientes que podem se beneficiar da perda de peso.
Isso permitirá a identificação precoce e a avaliação de risco, de modo que as
intervenções possam ser realizadas adequadamente para reduzir a mortalidade
associada a obesidade.
A cirurgia bariátrica é um procedimento cirúrgico invasivo que provoca
modificações temporárias ou permanentes na anatomia normal com a função de
diminuir o aporte calórico e tratar o excesso de peso.
Há relativo consenso de que a indicação da cirurgia da obesidade é
excepcional, ou seja, só deve ser feita depois que outras técnicas de tratamento
falharam.
O termo bariátrica originou-se no século XX e possui sua derivação na palavra
grega barys ou baras – que quer dizer “pesado” ou “pesadez” e, no vocábulo
latino, iatria, do grego iatrikos, que significa “relativo ao tratamento médico”.
A palavra cirurgia bariátrica foi exposto pelo Dr. Edward Mason, pai da cirurgia
bariátrica em 1977, anos após o nascimento da cirurgia para causar perda de
peso.
A primeira designação de cirurgia metabólica foi realizada por Buchwald e
Varco, em 1978, que a apresentaram como a manipulação cirúrgica de um órgão
ou sistema sem doença com o objetivo de alcançar um resultado biológico que
leve a uma melhora potencial na saúde.
As pesquisas se aprofundam, cada vez mais, descobrindo alterações genéticas,
vias endócrinas e moleculares responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade
(LAVRADOR, 2020).
A obesidade é uma doença crônica definida pelo acúmulo excessivo de gordura
corporal e de etiologia multifatorial. É considerada um grave problema de saúde
pública que atinge proporções epidêmicas em nível global. A OMS qualifica a
obesidade fundamentando-se no Índice de Massa Corporal (IMC) e no risco de
mortalidade associada.
Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
Saúde (CID-10), obesidade pode ser encontrada pelo código: (E66.9) Sobrepeso
ou Obesidade - Esta categoria pode ser usada quando o foco da atenção clínica for
sobrepeso ou obesidade.
A Obesidade é considerada a maior causa de morte prematura por doença
cardiovascular na atualidade, ao mesmo tempo que apresenta prevalência crescente,
um difícil controle.
As pesquisas se aprofundam, cada vez mais, descobrindo alterações genéticas,
vias endócrinas e moleculares responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade
(LAVRADOR, 2020).
Sendo a obesidade uma circunstância médica de difícil abordagem, o seu
tratamento envolve várias vertentes. É necessário a avaliação nutricional, o uso de
medicamentos antiobesidade, prática de exercícios físicos e acompanhamento
psicológico. Todas essas medidas são importantes para tratar e reduzir os riscos de
comorbidades.
Todavia, inúmeros pacientes não reagem a estas manobras terapêuticas e, diante
das complicações que a doença pode causar e do seu difícil controle, carecem de
outras formas de intervenção.
A cirurgia bariátrica é também indicada em casos de doenças desencadeadas ou
agravadas pelo excesso de peso, como diabete, hipertensão arterial, apneia do
sono, entre outras condições que afetam substancialmente a saúde do paciente.
Essa alternativa de tratamento evidencia uma taxa de resolução da doença que
supera 90% dos casos (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
(SBCBM).
A cirurgia bariátrica tem se mostrado uma técnica de grande auxílio na condução
clinica da obesidade e suas morbidades por trazer benefícios na otimização do
tratamento. A indicação desta intervenção vem aumentando nos dias atuais e
respalda-se numa reflexão globalizante de heterogêneos aspectos do paciente.
A obesidade está intimamente relacionada a alterações metabólicas no
organismo. Entre elas, destacam-se os efeitos das incretinas, do GLP-1 e de
hormônios como a grelina, a leptina e o glucagon. Sabe-se que a administração
de glicose por via venosa gera uma resposta insulínica menos intensa do que
quando esta é ingerida.
A obesidade uma doença crônica, multifatorial, complexa e resulta da
interação de genes, ambiente, estilo de vida e fatores emocionais que levam a
um desequilíbrio entre a ingestão de alimentos e o gasto energético (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2000).
As reais contribuições relacionadas a fatores genéticos ou socioambientais
para o desenvolvimento da obesidade ainda são controversas em razão da
grande dificuldade em se estimar a proporção da variação genética total,
explicada pelos genes candidatos e por análises das interações ambientais.
A obesidade é resultado da soma de fatores poligênicos em um ambiente cada
vez mais obesogênico.
A obrigatoriedade das Avaliações Psicológicas foi inserida na legislação
referente as cirurgias bariátricas no Brasil somente em 2005. A partir da
entrada em vigor da resolução do Conselho Federal de Medicina a Resolução
CFM Nº 1.942/2010 que altera a Resolução CFM nº 1.766 , de 13 de maio de
2005, que estabelece normas seguras para o tratamento cirúrgico da obesidade
mórbida, definindo indicações, procedimentos e equipe.
COMPOSIÇÃO DE PROFISSIONAIS: cirurgião com formação
específica, endocrinologista, nutrólogo ou nutricionista, psiquiatra ou psicólogo.
A equipe de atendimento hospitalar deve estar familiarizada com as
características da população atendida e os efeitos dos procedimentos cirúrgicos,
sendo composta por anestesiologista, fisioterapeuta e equipe de enfermagem.
(Resolução CFM nº 1.766 de 13/05/2005)
Trânsito
Porte de arma
Cirurgia Bariátrica
Concurso Público
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Reprodução Assistida
COMPULSÓRIAS
Aviação civil
Readequação Genital
Adoção
Guarda de Menores
Forças Armadas
Portaria n° 425, de 19 de março de 2013
do Ministério da Saúde
Conforme descrito na Portaria n° 425, de 19 de março de 2013, do Ministério
da Saúde, que preconiza, como critério de indicação para a cirurgia bariátrica,
tratamento clínico longitudinal por, no mínimo, dois anos. Considerando os
múltiplos aspectos que compõem o ser humano (biológico, psicológico e social),
bem como o caráter multidimensional que possui a obesidade, fica evidente a
importância de um trabalho multiprofissional que visa trabalhar o paciente em sua
integralidade, uma vez que cada aspecto interage e interfere diretamente no outro.
Avaliação Psicológica para cirurgia bariátrica tem caráter compulsória, ou
seja, caráter obrigatório. Exigência legal, em comprimento as normativas.
RESOLUÇÃO CFM Nº 2.172/ 2017
Reconhece a cirurgia metabólica para o tratamento de pacientes
portadores de diabetes mellitus tipo 2, com IMC entre 30 kg/m2
e 34,9 kg/m2, sem resposta ao tratamento clínico convencional,
como técnica não experimental de alto risco e complexidade
Aperfeiçoa alguns critérios inicialmente apontado Agencia Nacional de Saúde
Alimentar (ANS).
A resolução cita apenas o psiquiatra, e aponta para a importância da
contraindicação da cirurgia para pessoas com qualquer doença mental que
possa interferir no tratamento, especificamente:
a) Alcoolemia
b) Dependência química
c) Depressão grave com ou sem indicação suicida
d) Psicoses graves
e) Pessoas com qualquer doença mental que, a critério da avaliação psiquiatra,
contraindique a cirurgia de forma definitiva ou até que a doença tenha sido
controlada por tratamento.
O tratamento cirúrgico da obesidade foi restrito em todo o país com a pandemia.
O número de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS caiu em 69,9% em um ano,
saindo de 12.568 em 2019, para 3.772 em 2020. Em 2021, até o mês de maio,
foram realizadas 484 cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SBCBM, 2020).
A redução impacta diretamente no tempo de espera dos pacientes que precisam
ser operados devido às comorbidades associadas ao excesso de peso, em todas as
faixas etárias.
Na saúde suplementar, por meio de planos de saúde, foram realizadas 52.699
cirurgias em 2019, os números de 2020 ainda não foram divulgados pela Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
COMORBIDADES E PROBLEMAS DE
SAÚDE ASSOCIADOS À OBESIDADE
Infertilidade Câncer
Diabetes
Osteoartrite
Depressã
AVC
o
Hipertensão
arterial
Doenças
cardiovasculares Apneia obstrutiva do
Doença hepática sono
gordurosa não alcoólica
Por se tratar de um procedimento cirúrgico de grande porte em pacientes que
exibem riscos aumentados de complicações, é obrigatório que a indicação do
procedimento e seleção dos pacientes seja rigorosa e embasada em aspectos que
avaliem os riscos e benefícios da intervenção cirúrgica.
O indivíduo deve compreender todos os tópicos do tratamento e assumir o
compromisso com o pós-operatório, que deve ser preservado por tempo a ser
determinado pela equipe. O engajamento consciente do paciente em cooperar de
todas as etapas da programação, com exames e consultas pré-operatórias
(psicológica, nutricional, clínica, cardiológica, endocrinológica, pulmonar,
gastroenterologia, anestésica) e também no pós-operatório será determinante para
melhores resultados a longo prazo.
TECIDO ADIPOSO
TAV TAS
O tecido adiposo se distribui em
diferente depósitos no organismo,
sendo classificados como Tecido
Adiposo Subcutâneo (TAS) e tecido
Adiposo Visceral (TAV).
O TAV é a distribuição central de gordura formato do corpo em maçã, que se
desenvolve próximo ou no interior das vísceras da cavidade abdominal, sendo
bem exemplificado pelas gorduras mesentéricas (dobra dupla da cavidade
abdominal)
O TAS, ou gordura periférica (parte inferior do corpo, quadril, nádegas e
coxas), representa principalmente pelos depósitos abaixo da pele nas regiões
abdominal, glútea e femoral, caracteriza-se pelo formato do corpo em pera.
O índice de massa corporal (IMC) é a medida utilizada mundialmente para
classificação dos indivíduos em peso baixo, peso normal, excesso de peso,
obesidade graus I, II ou III. O IMC é calculado por meio da fórmula.
De acordo Ministério da Saúde, 2021 as capitais com maiores índices de
sobrepeso eram Porto Velho (64,4%), Manaus (63,4%), Porto Alegre (62%),
Belém (61,2%) e Rio Branco (60,3%).
A obesidade é uma doença crônica, multifatorial, complexa e resulta da
interação de genes, ambiente, estilo de vida e fatores emocionais que levam a
um desequilíbrio entre a ingestão de alimentos e o gasto energético (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2000).
A obesidade é um problema complexo e multifatorial, que envolve aspectos
genéticos, comportamentais, socioeconômicos e ambientais, que causa
aumento no risco de morbidade e mortalidade. Também sofre influência de
fatores de ordem mental- emocional (American Psychiatric Association, 2014;
Finger & Oliveira, 2016).
TÉCNICAS OPERATÓRIAS
Restritivas: Banda gástrica Redução do tamanho do
ajustável, Gastroplastia estômago, saciedade
vertical com bandagem
Encurtamento intestinal
Disabsortivas: (exclusão do duodeno e
Derivação jejuno)
biliopancreática má-absorção
Mistas: Bypass Diminuição da capacidade
gástrica e desvio do
gástrico em Y de Roux intestino
Consiste na colocação de um anel
restritivo em torno da parte inicial do
estômago, criando um pequeno
reservatório e uma estreita passagem para o
restante do estômago.
As vantagens são: método reversível,
pouco agressivo, com mínimas
repercussões nutricionais e que permite
ajustes individualizados no diâmetro da
prótese. Sua retirada possibilita realizar
outros procedimentos bariátricos. Não há
secção e sutura do estômago. Baixa
morbimortalidade operatória e retorno
precoce às atividades habituais
Figura 1– Banda Gástrica
Figura 2 - Gastroplastia vertical
bandada
É um procedimento cirúrgico restritivo no qual grande parte da curvatura
maior do estômago é removida. Pode ser realizado por laparoscopia e se trata de
uma gastrectomia vertical onde ocorre a extração da região fúndica e em torno
de 80% do corpo gástrico onde se cria um reservatório com trânsito vertical e
preservação do piloro.
Funciona com uma restrição gástrica, com
remoção de 70% a 80% do estômago.
As vantagens são: não exclui o duodeno do
trânsito alimentar, portanto não interfere com
o sítio de absorção de ferro, cálcio, zinco e
vitaminas do complexo B.
As desvantagens são: método irreversível,
apesar de menor complexidade técnica.
Figura 3 – Gastrectomia vertical
(gastrectomia em manga,
gastrectomia longitudinal,
gastrectomia sleeve)
Figura 4 – Gastroplastia com Figura 5 – Duodenal
derivação intestinal em Y Switch
Roux
FONTE: SBCBM - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Esse grupo de cirurgias compreende as diversas modalidades de derivação
gástrica com reconstituição do trânsito intestinal em Y de Roux. A cirurgia de
gastroplastia com reconstituição em Y de Roux é uma das técnicas mais
realizadas no mundo. Essa cirurgia, restringe a ingestão alimentar e modifica a
produção de hormônios que modulam a fome e a saciedade. Essas técnicas
também apresentam efeitos independentes da perda de peso. Ocorrem
modificações funcionais e hormonais do tubo digestivo, com efeitos benéficos
adicionais sobre o controle ou reversão das co-morbidades metabólicas, em
especial sobre o diabetes mellitus tipo 2 e a dislipidemia.
Vantagens são: perda de peso adequada e duradoura, com baixo índice de
insucesso, tratam também a doença do refluxo e são potencialmente reversíveis.
Desvantagens: tecnicamente complexas; acesso limitado ao estômago;
passíveis de complicações como deiscência de suturas; maiores chances de
deficiências proteicas e anemia do que as cirurgias puramente restritivas.
Ilustração da banda gástrica ajustável
A banda gástrica ajustável pode ser colocada tanto por cirurgia aberta
convencional quanto por via laparoscópica. A técnica é considerada um
procedimento restritivo, ou seja, de limitação do volume do estômago. É uma das
poucas técnicas consideradas reversíveis.
No pós-operatório imediato, podendo estender até o segundo dia de pós
operatório, o paciente bariátrico recebe uma dieta líquida sem calorias ou
qualquer nutriente, é a chamada dieta de teste ou líquida restrita. Após isso, a
consistência e composição da dieta é evoluída gradativamente,
sendo:
Dieta líquida
Essa é a fase inicial dos primeiros 10-14 dias após cirurgia. É composta por
uma dieta líquida e de pequenos volumes, cerca de 50 ml a cada 30 minutos, num
total de 2 litros por dia, com objetivo de permitir a recuperação gástrica,
adaptação volumétrica e hidratação. Devido à restrição alimentar é fundamental a
Complementação com suplementos vitamínicos e minerais, bem como de
proteínas, para suprir as necessidades diárias
Dieta pastosa
É realizada por 10 a 20 dias, geralmente, em pequenas quantidades, lembrando
o paciente de treinar a mastigação e o tempo de refeição. Ela proporcionará a
mudança da consistência dos alimentos de líquido para cremes e purês, podendo
ser adicionados ovos mexidos, queijos, frutas e verduras macias ou cozidas
preferindo alimentos com alto teor de proteína.
Dieta branda
Essa etapa tem duração de aproximadamente 15 dias, nela o paciente
aprenderá a selecionar os alimentos básicos para suprir as necessidades
diárias. As refeições ainda são em pequenas quantidades, dando preferências
para verduras cozidas, proteínas, frutas, leite e derivados e ferro. É importante
lembrar que a mastigação repetida várias vezes e deglutição lenta devem
ser orientadas nesse início de reintrodução da alimentação habitual por
serem fatores determinantes de boa digestão.
Dieta geral
Por volta de um mês a seis semanas após a cirurgia tem início a fase final na
qual a dieta evoluirá para os alimentos da dieta habitual do paciente em relação a
preferência Alimentar e qualidade nutricional. A quantidade de alimentos ainda
está reduzida, sendo importante eleger os mais saudáveis para suprir as
necessidades nutricionais destes pacientes, priorizando grãos, fibras alimentares,
frutas, vegetais e proteínas.
A redução da ingestão calórica, decorrente principalmente da diminuição da
bolsa gástrica, se dá para aproximadamente 500Kcal na dieta liquida inicial
chegando a 1200Kcal na dieta geral, por dia.
Nos primeiros 6 meses após cirurgia, fica restrita a ingestão de alimentos com
alto teor de gordura, frituras, refrigerantes, doces e bebidas alcoólicas, e de
preferência continuando a serem evitados.
OBJETIVOS DA PREPARAÇÃO E AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA
Colher dados sobre a história do paciente, da obesidade, antecedentes familiares
e rede de apoio social;
Identificar aspectos psicossociais que possam inferir em potenciais riscos de
desenvolvimento e/ou complicações de transtornos psíquicos frente à cirurgia
bariátrica.
Estimular no paciente o desejo de ser o agente ativo do seu processo de
emagrecimento e da manutenção do seu novo corpo;
Propiciar conhecimento e informação, via psicoeducação, sobre a gama de
aspectos que em volvem o processo de emagrecimento, o procedimento cirúrgico
e suas implicações;
OBJETIVO GERAL DA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
O objetivo da avaliação psicológica é otimizar o funcionamento antes da
cirurgia e esclarecer as expectativas para as mudanças impostas no estilo de
vida.
Estimular o processo de MUDANÇA de hábitos e estilo de vida;
Fomentar a PREPARAÇÃO para o processo cirúrgico como um todo;
Realizar AVALIAÇÃO psicológica pré-operatória;
Propiciar suporte psicológico durante o processo de internação;
Propiciar suporte psicológico para readaptação pós-operatória.
Possibilitar espaço para autoconhecimento e escuta, discussão e reflexão, onde
o paciente possa se expressar e exercitar seu lugar de sujeito da própria história –
espaço de ressignificação do Eu;
Estimular a construção de novos “arranjos emocionais” de forma a prevenir a
substituição da função atual da comida para novos objetos inadequados (outras
compulsões) e/ou o surgimento de episódios depressivos ou crises de ansiedade
frente à falta do recurso defensivo ou substitutivo;
Estimular o gerenciamento da ansiedade, do autocontrole e do poder de
tomadas de decisão/ escolhas;
conforme descrito na Portaria n° 425, de 19 de março de 2013, do Ministério
da Saúde, que preconiza, como critério de indicação para a cirurgia bariátrica,
tratamento clínico longitudinal por, no mínimo, dois anos . Considerando os
múltiplos aspectos que compõem o ser humano (biológico, psicológico e social),
bem como o caráter multidimensional que possui a obesidade, fica evidente a
importância de um trabalho multiprofissional que visa trabalhar o paciente em
sua integralidade, uma vez que cada aspecto interage e interfere diretamente no
outro.
A avaliação psicológica para cirurgia bariátrica tem caráter compulsório.
Por se tratar de um procedimento invasivo, que resulta em grande impacto na
vida da pessoa, da família, parceiros, e grupos aos quais pertence.
O Psicólogo integra a equipe do Serviço de Cirurgia Bariátrica, intervindo com
avaliações e suporte aos aspectos psicológicos que permeiam a obesidade e o
processo de cirurgia bariátrica. Faz-se necessário, contudo, que o trabalho
realizado pelo Psicólogo seja realizado de forma criteriosa e cuidadosa no
que diz respeito aos aspectos avaliados, visto que a legislação atualmente
vigente preconiza critérios de indicação/comorbidades de difícil
documentação através de exames como, por exemplo, a depressão, bem como
não inclui outros que contribuem como risco aumentado para a saúde mental do
paciente submetido à uma cirurgia bariátrica.
Importância da investigação do suporte familiar, pois além de tratar-se de uma
cirurgia que envolve muitas restrições nos primeiros dias após o procedimento, o
controle alimentar frequentemente influencia em episódios de muita ansiedade e
os relatos dos pacientes apontam o suporte familiar como um dos principais
aliados.
PROTOCOLO PARA CIRURGIA BARIÁTRICA:
INDICAÇÕES
Tempo da doença: apresentar IMC e comorbidades há pelo menos dois anos
e ter realizado tratamentos convencionais prévios sem sucesso ou recidiva do
peso.
Idade
- Entre 16 e 18 anos: consenso entre a família e equipe multidisciplinar.
- Entre 18 e 65 anos: sem restrições quanto à idade.
- Acima de 65 anos: avaliação individual pela equipe multidisciplinar.
• IMC = Índice de Massa Corporal
• IMC ≥ 40 kg/m2 independente de comorbidades.
• IMC ≥ 35 kg/m2 associado a comorbidades.
• IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham
obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na
respectiva área da doença. É também obrigatória a constatação de
“intratabilidade clínica da obesidade” por um endocrinologista.
PROTOCOLO DA CIRURGIA
BARIÁTRICA: CONTRAINDICAÇÕES
Condições adversas à realização da cirurgia bariátrica:
Limitação intelectual significativa em pacientes sem suporte familiar
adequado;
Quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, no entanto, quadros
psiquiátricos graves sob controle não são contraindicativos à cirurgia;
Uso de álcool ou drogas ilícitas;
Doenças genéticas;
Obs.: é obrigatório a constatação da “intratabilidade clínica da
obesidade” por um endocrinologista.
OBJETIVOS DA CIRURGIA BARIÁTRICA
Redução do grau de obesidade;
Melhora das comorbidades;
Qualidade de vida;
PLANO DE TRATAMENTO CIRÚRGICO
⮚ Baseado em quatro pilares:
• Cirurgia;
• Alimentação saudável;
• Atividade física regular;
• Acompanhamento periódico pela equipe de saúde.
RISCOS DA CIRURGIA BARIÁTRICA
A mortalidade varia de 0,2 a 2%
Pós-operatório imediato: embolias e hemorragia
Pós-operatório tardio: deiscência da sutura, fístulas, estenoses, infecções,
hérnia e torção da alça intestinal
A longo prazo: desnutrição, deficiências de vitaminas e minerais,
reganho ponderal
O PAPEL DA
PSICOLOGIA
• Preparação do paciente e sua família;
• Realização da Avaliação Psicológica;
• Trabalho psicoeducacional;
• Acompanhamento psicoterápico no pós operatório para promoção da saúde
mental e prevenção de agravos...
• Estimular o processo de MUDANÇA de hábitos e estilo de vida;
• Fomentar a PREPARAÇÃO para o processo cirúrgico como um todo;
• Realizar AVALIAÇÃO psicológica pré-operatória;
• Propiciar suporte psicológico durante o processo de internação;
• Propiciar suporte psicológico para readaptação pós-operatória
(COESAS)
OBJETIVOS DA PREPARAÇÃO E AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA
Colher dados sobre a história do paciente, da obesidade, antecedentes
familiares e rede de apoio social;
Identificar aspectos psicossociais que possam inferir em potenciais riscos de
desenvolvimento e/ou complicações de transtornos psíquicos frente à cirurgia
bariátrica;
Estimular no paciente o desejo de ser o agente ativo do seu processo de
emagrecimento e da manutenção do seu novo corpo;
Propiciar conhecimento e informação, via psicoeducação, sobre a gama de
aspectos que envolvem o processo de emagrecimento, o procedimento cirúrgico
e suas implicações;
Possibilitar espaço para autoconhecimento e escuta, discussão e reflexão,
onde o paciente possa se expressar e exercitar seu lugar de sujeito da própria
história – espaço de ressignificação do Eu;
Estimular a construção de novos “arranjos emocionais” de forma a prevenir a
substituição da função atual da comida para novos objetos inadequados (outras
compulsões) e/ou o surgimento de episódios depressivos ou crises de ansiedade
frente à falta do recurso defensivo ou substitutivo;
Estimular o gerenciamento da ansiedade, do autocontrole e do poder de
tomadas de decisão/ escolhas;
Estimular o desenvolvimento da tomada de decisão sobre a cirurgia com base
em uma escolha consciente e refletida;
Identificar e estimular os recursos emocionais intrapsíquicos do paciente para
lidar com as questões e vivências relacionadas à obesidade, ao emagrecimento,
à cirurgia bariátrica e às implicações dos mesmos em sua vida;
Identificar e estimular os recursos emocionais intrapsíquicos do paciente de
enfrentamento frente a situações adversas;
Objetivos do Transoperatório Psicológico
Propiciar espaço de escuta e reflexão, onde o paciente possa se expressar
frente os aspectos que envolvem a internação e a realização da cirurgia
bariátrica;
Propiciar suporte psicológico para o gerenciamento de situações e
sentimentos vivenciados em internação;
Minimizar a ansiedade e estresse pré-cirúrgicos;
Facilitar a comunicação entre paciente, familiares e equipe de saúde, quando
necessário.
OBJETIVOS DO PÓS-OPERATÓRIO PSICOLÓGICO
Acompanhar e estimular o manejo dos novos “arranjos emocionais” e
estratégias comportamentais frente ao período de readaptação ao novo estilo de
vida;
Fomentar o desenvolvimento da autoimagem de acordo com a realidade
vivenciada;
Acompanhar e estimular o manejo das experiências vivenciadas, através da
mobilização dos recursos intrapsíquicos de enfrentamento, de forma a
minimizar sentimentos de angústia e prevenir sofrimento psíquico;
Estimular o autocuidado e adesão à continuidade do tratamento junto à
equipe multiprofissional.
CONDIÇÕES PARA AVALIAÇÃO: ITENS DE
OBSERVAÇÃO NA ENTREVISTA
Grau de conhecimento sobre o processo pré e pós-cirúrgico, a fim de detectar
as informações a serem esclarecidas, trabalhadas futuramente e/ou reforçadas;
Tipo de demanda do paciente (espontânea ou encaminhada), grau de
urgência emocional e/ou clínica, existência (ou não) e nível de desejo pelo
procedimento;
Grau de motivação para mudança, nível de conhecimento quanto aos reais
ganhos com a cirurgia e identificação de crenças fantasiosas ou equivocadas e
nível de ansiedade;
Identificação da função psicológica da comida para o funcionamento psíquico
do paciente, a fim de identificar a espécie de mudança a ser trabalhada;
Investigação da vida familiar e história de vida, a fim de identificar os aspectos
do contexto social e familiar que interferem no processo de ganho ou perda de
peso;
Identificação do grau de sentimento de amparo ou desamparo vivenciado pelo
paciente, fator que interfere na motivação, persistência e sucesso do trabalho a ser
realizado, bem como dos fatores de proteção ou risco familiar a serem trabalhados
que podem ser reforçadores ou impeditivos;
Investigação da existência ou possibilidade de desenvolvimento de transtornos
psiquiátricos primários ou secundários ao processo pré e pós-cirúrgico;
Investigação da existência de impulsividade e mecanismos utilizados para
lidar com frustrações, do nível de tolerância a estas e da existência (ou não) da
possibilidade de troca de compulsão durante o processo de mudança.
QUAIS AS COMPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS O
PACIENTE PODE ENFRENTAR APÓS A CIRURGIA?
Nos primeiros 15 dias espera-se sinais de ansiedade
devido:
▪ Emagrecimento almejado ainda não ocorreu;
▪ Privação alimentar, em especial, açúcares (alteração no humor)
Nos próximos 15 dias:
▪ Permanece a privação da mastigação (agressividade e irritabilidade);
▪ Em alguns, propensão a explosão e oscilações do humor, bem como
isolamento social.
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
A compulsão alimentar é o vício em comer é uma situação onde o indivíduo
exibe padrões de dependência para certos tipos de alimento, geralmente ricos em
gordura ou açucares. Semelhante a um usuário de drogas, o paciente pode
experimentar abstinência e dificuldade de controle. O vício em comer é avaliado
através de sinais e sintomas.
RESOLUÇÕES DO CONSELHO FEDERAL DE
PSICOLOGIA
RESOLUÇÃO Nº 31, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2022
Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no
exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, regulamenta o
Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos - SATEPSI e revoga a
Resolução CFP nº 09/2018.
Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação psicológica no
exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, regulamenta o Sistema de
Avaliação de Testes Psicológicos – SATEPSI.
O atestado é oriundo de um processo de avaliação psicológica, realizado
para verificar determinada situação ou condição do estado psicológico
(diagnóstico psicológico). Ressalta-se que o diagnóstico psicológico a que se
refere o Art. 10 não corresponde a diagnóstico nosológico, mas sim a descrição
de estado psicológico relativo aos construtos avaliados. Desta forma, o atestado
psicológico serve para informar sobre a saúde mental do avaliando a partir de
evidências científicas encontradas no âmbito da ciência psicológica.
PROTOCOLO BARIÁTRICA
FASES PRINCIPAIS OBJETIVOS METODOLOGIAS E INTERVENÇÕES
Fornecer acolhimento e escuta, identificar a Avaliação psicológica individual,
historia do paciente, da obesidade e psicoeducação, atuação em equipe
AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA E antecedentes familiares. Levantar fatores multidisciplinar, entrevista com
PREPARO PSICOEDUCACIONAL psicossociais. Promover autoconhecimento, familiares, elaboração de relatório,
investigar a rede de apoio social, oferecer entrevista devolutiva e entrega de
informações e orientações para paciente e relatório
família,
favorecer a expressão de emoções e Acompanhamento hospitalar –centro
TRANSOPERATÓRIO – FASE sentimentos, minimizar a ansiedade e o cirúrgico e internação , orientação
FACULTATIVA OU OPCIONAL estresse, auxiliar na compreensão do ato familiar, orientação à equipe de saúde
cirúrgico, proporcionar segurança, facilitar a
comunicação entre paciente, familiares e
equipe de saúde.
Facilitar a compreensão e adaptação do Acompanhamento psicológico,
paciente e familiares antes da mudança individual ou em grupo, psicoeducação
provocada e exigida pela cirurgia – hábitos, - orientações e informações gerais
imagem corporal. Estimular autocuidado, sobre o pós operatório. Orientação
PÓS-OPERATÓRIO E FOLLOW-UP motivação e adesão ao tratamento e às familiar e psicoterapia.
orientações da equipe. Avaliar a evolução
da adaptação ao novo estilo de vida –
promoção da saúde e prevenção de
agravos. Auxiliar o paciente na retomada
de vida. Facilitar no manejo de estressores
cotidianos e na busca de qualidade de vida.
Plano de Avaliação
(uma possibilidade)
Pfister +
Entrevista(s) Escala de
(pode ser mais que BFP Compulsão
uma sessão)
Alimentar
Intervenção TIG –NV
(Atividade Entrevista Estruturada
(escala de
Experimental / (ex.: SCID-5) rastreio intelectual)
Colaborativa)
Discussão
Sumária dos
Resultados
A avaliação psicológica é um processo amplo
A testagem psicológica, por sua vez, diz
que envolve a integração de informações
respeito à aplicação dos testes psicológicos e
provenientes de diversas fontes de informação,
obtenção de informações a partir dessa
dentre elas: testes psicológicos, entrevistas,
testagem. Assim, a testagem psicológica é
observações sistemáticas e análises de
uma etapa da avaliação psicológica.
documentos.
→ A avaliação psicológica deve considerar o contexto em que o avaliando está
inserido, atentando para seus determinantes biopsicossociais.
COMO PLANEJAR E
CONDUZIR O LAUDO?
(Finn, 2017)
Contato Entrevista(s) Aplicação dos
inicial inicial(is) instrumentos
Sessão Integração dos
Entrevista devolutiva dados
interventiva
(entrega do docto) (hipóteses
interpretativas)
TESTES TESTES
PSICOMÉTRICOS PROJETIVOS
AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO
QUANTITATIVA QUALITATIVA
Métodos Quantitativos
Ψ São aqueles que se utilizam de cálculos matemáticos e estatísticos para a
investigação de uma realidade natural ou social.
Métodos Qualitativos
Ψ Compartilha as pressuposições teóricas do paradigma interpretativista, o qual se
baseia na noção de uma realidade social que é construída e sustentada por meio
da experiência subjetiva das pessoas.
Sendo a avaliação psicológica para CB um procedimento compulsório, é
compreensível e esperado que, de forma consciente ou inconsciente, o candidato
manipule suas respostas com objetivo de receber um parecer de aptidão. Logo, a
utilização de testes projetivos e expressivos torna-se uma escolha oportuna, pois
reduzem a manipulação por parte dos candidatos e, portanto, conferem maior
confiabilidade aos resultados da avaliação.
Ψ Os princípios éticos básicos que regem a prática da avaliação psicológica são
os mesmos que regem todas as práticas da psicologia e das condutas das(os)
psicólogas(os): os princípios norteadores do Código de Ética da Profissional
da Psicologia - RESOLUÇÃO 010/2005.
Art. 1º São deveres fundamentais do psicólogo:
b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja
capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;
c) Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psicológicos, informações
concernentes ao trabalho a ser realizado;
d) Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de serviços
psicológicos, transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o
usuário ou beneficiário;
Art. 2º Ao psicólogo é vedado:
g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico científica;
COMPETÊNCIAS DO PSICÓLOGO
PARA REALIZAR AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
1. Conhecer o processo da avaliação psicológica;
2. Conhecer a legislação referente à avaliação psicológica;
3. Conhecimentos dos fundamentos básicos da Psicologia, entre os quais podemos
destacar:
• desenvolvimento;
• inteligência;
• memória;
• atenção;
• emoção; dentre outros.
4. Conhecimentos de psicometria, mais especificamente sobre as questões de
validade, propriedades, precisão e normas dos testes.
5. Domínio do campo da psicopatologia, para poder identificar problemas
graves de saúde mental ao realizar diagnósticos;
6. Interpretar e fundamentar teoricamente os resultados oriundos da Avaliação
Psicológica;
7. Ser crítico e reflexivo, sabendo pensar de forma sistêmica em um caso
individual ou grupal, bem como junto a equipes multidisciplinares;
8. Elaborar documentos psicológicos decorrentes da Avaliação Psicológica; e
saber comunicar os resultados advindos da avaliação por meio de entrevista
devolutiva.
SCID-5
DIVIDIDA EM 10 MÓDULOS DIAGNÓSTICOS
1. Episódios de humor;
2. Sintomas psicóticos e associados;
3. Diagnóstico diferencial de transtornos psicóticos;
4. Diagnóstico diferencial de transtornos de humor;
5. Transtornos por uso de substâncias;
6. Transtornos de ansiedade (pânico, agorafobia,
ansiedade social, TAG);
7. Transtorno obsessiva-compulsivo e transtorno de
estresse pós-traumático;
8. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade;
9. Outros transtornos (dimórfico corporal,
compulsão alimentar, anorexia, bulimia, etc);
10. Transtorno de adaptação.
Entrevista Psicológica
Aspectos Psicossociais
• Compreensão do paciente quanto a operação e as mudanças no estilo de vida;
• Expectativas quanto aos resultados;
• Habilidade de aderir às recomendações no pós-operatório;
• Comportamento alimentar (histórico de sobrepeso, dietas,
atividades físicas, tentativas anteriores de perda de peso);
• Comorbidades psiquiátricas (atuais e prévias);
• Histórico de abuso de substâncias;
• Motivos para realizar o procedimento cirúrgico;
• Suporte familiar e social;
• Satisfação conjugal;
• Autoestima;
• Automutilação e ideação suicida (ou tentativa efetivada). (Flores, 2014)
ITENS DE OBSERVAÇÃO NO
PROCESSO DE AVALIAÇÃO
1. Traços de Personalidade/recursos intrapsíquicos
• Capacidade de enfrentamento (incluindo sobre perdas e mudanças)
• Tolerância à frustração
• Tomadas de decisão e resolutividade
• Passivo / Agressivo / Assertivo
• Inteligência emocional (refere-se à percepção)
• Capacidade de comunicação/expressão dos sentimentos e pensamentos
(refere-se à expressão)
• Impulsividade / Agressividade (refere-se à atitude)
• Nível da autoestima e autocuidado
• Grau de resistência intrapsíquica / desejo real (abertura ou resistência do ego
à reflexão e/ou à mudança)
2. Cognição:
• Capacidade de compreensão
• Capacidade de simbolização
• Autoimagem
• Consonância/Dissonância cognitiva
• Concentração
• Atenção
• Memória
• Raciocínio Lógico
• Nível intelectual
3. Relacionamento Interpessoal:
• Capacidade de socialização
• Introspecção/extroversão
• Nível de suscetibilidade e influenciabilidade / autonomia e empoderamento
• Tipologia familiar (superprotetora; passiva; boicotadora; opositora;
autoritária; apoiadora/ adaptativa/acolhedora; etc);
4. Comorbidades Psiquiátricas:
• Transtornos alimentares (compulsão Alimentar Periódica -TCAP;
Transtorno do Comer Noturno; Bulimina; Anorexia);
• Transtornos de imagem corporal;
• Transtornos psiquiátricos graves fora de controle (transtornos do impulso;
esquizofrenia; paranoia; depressão; bipolaridade; de personalidade; etc);
• Dependência química (álcool e outras drogas);
• Ideação suicida;
5. Obesidade
Causa (s);
Formas de interação com a comida;
Grau de autorresponsabilização / implicação no tratamento;
Nível de expectativa diante da cirurgia bariátrica.
Estes aspectos podem comprometer os resultados da cirurgia
ou inferir em riscos de agravos psicológicos
Compreensão e corresponsabilidade do paciente no processo de
emagrecimento e cirúrgico;
Adesão às orientações profissionais;
Expectativas incoerentes com a realidade dos resultados a serem
obtidos;
Comportamento alimentar irregular e estilo de vida não saudável.
O que as pesquisas atualmente mostram são pontos de atenção, ou seja,
características que devemos avaliar nos pacientes, pois podem causar o
adoecimento psíquico no pós cirúrgico.
Dentre elas destacam se a percepção da cirurgia como procedimento
estético, reflexo do alto índice de insatisfação corporal, e a ansiedade por
estarem diretamente relacionadas à frustração; e o desenvolvimento de
patologias após a cirurgia, dentre elas ansiedade, depressão, vigorexia,
bigorexia ou transtornos dimórficos corporais.
PRAZO DE VALIDADE DA AVALIAÇÃO
PSICOLÓGICA PARA CIRURGIA
BARIÁTRICA
A partir de literatura existente e considerando o caráter dinâmico do
psiquismo humano, bem como dos fatores ambientais, recomenda-se que a
Avaliação Psicológica tenha validade de até seis meses, bem como seja
realizado acompanhamento com as finalidades de monitoramento e
manutenção para os casos que obtiverem parecer final favorável à Cirurgia
Bariátrica.
(Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM))
REGISTRO DOCUMENTAL
RESOLUÇÃO CFP Nº 001/2009
Dispõe sobre a obrigatoriedade do registro documental
decorrente da prestação de serviços psicológicos.
⮚ Registro documental
⮚ Prontuário
-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA.
Diretrizes brasileiras de obesidade 2016 / ABESO - Associação Brasileira para o
Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. São Paulo-SP, 2016. 4° edição.
- CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. RESOLUÇÃO CFM Nº 2.131/2015. Altera o anexo da
Resolução CFM nº 1.942/10, publicada no D.O.U. de 12 de fevereiro de 2010, Seção I, p. 72.
Brasília-DF, 12 de novembro de 2015.
- CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Cartilha Avaliação Psicológica – 2013. Brasília-
DF, novembro de 2013. 1°edição.
- FLORES, Carolina Aita. Avaliação Psicológica para Cirurgia Bariátrica: Práticas Atuais. Artigo
de Revisão. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, vol. 27 (Suplemento 1): p. 59-62.
São Paulo, 2014.
- MACHADO, Adriane Picchetto; MORONA, Valéria Cristina. Manual de Avaliação Psicológica.
110 p. Curitiba : Unificado, 2007.
- MINISTÉRIO DE ESTADO DA SAÚDE. PORTARIA No-425, DE 19 DE MARÇO DE 2013. Estabelece
regulamento técnico, normas e critérios para o Serviço de Assistência de Alta Complexidade
ao Indivíduo com Obesidade.
- OLIVEIRA, Léa P. M. de Arruda; XIMENES, Eliane G. “Preparo Psicológico Pré-Operatório e
o Termo de Consentimento Informado”. In: coord. Franques, Aída R. M; Segal, Adriano.
“Atuação Multidisciplinar na Cirurgia Bariátrica – A visão da COESAS – SBCBM”. Ed:
Miró Editorial. p. 139-148.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA. Especialistas
da SBCBM lançam Consenso Clínico inédito na área de Psicologia – 08 de julho de 2015.
[Link]
Acesso em 08/01/2019.
- COESAS – Comissão das Especialidades Associadas. Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e
Metabólica.
- Conselho Federal de Medicina (2017). Resolução 2.172 de 27 de Dezembro.
- FINN, S. (2017). Pela perspectiva do cliente: Teoria e técnica da Avaliação Terapêutica. Hogrefe: São Paulo.
- FLORES, C. (2014). Avaliação Psicológica para cirurgia bariátrica: prática atuais. Arq. Bras. Cir. Dig. 27(1):
59-62.
- FREITAS, S.; LOPES, C.; COUTINHO, W.; & APPOLINARIO, J. (2001). Tradução e adaptação para o
português da Escala de Compulsão Alimentar Periódica. Rev. Bras. Psiq. 23(4): 215-220.