Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Tema: “A PLANIFICAÇÃO DO ENSINO”.
Nome do estudante: Alfândega Ricardo Tendecai.
Código: 708210064
Docente: Paulo Binza
Curso: Licenciatura em Ensino da
Língua Portuguesa
Disciplina: Didáctica do Português II
Ano de Frequência: 3º Ano
Tete, Maio de 2023
1
Folha de Feedback
Categorias Indicadores Padrões Classificação
Pontuação Nota Subtotal
máxima do
tutor
• Capa 0,5
• Índice 0,5
Estrutura Aspectos • Introdução 0,5
organizacionais • Discussão 0,5
• Conclusão 0,5
• Bibliografia 0,5
• Contextualização
(indicação clara dos 1,0
problema
Introdução • Descrição dos 1,0
objectivos
• Metodologia
adequada ao objecto 2,0
do trabalho
• Articulação e
domínio da discurso
académico 2,0
Conteúdo (expressão escrita
cuidada/coesão
textual
Analise e
• Revisão
discursão bibliográfica
nacional e 2,0
internacionais
relevantes na área de
estudo
• Exploração dos 2,0
dados
Aspectos Conclusão • Contributo teóricos
gerais práticos 2,0
Formatação • Paginação, tipo e
tamanho de letra, 1,0
paragrafo
espaçamento entre
linhas
Referências Normas APA • Rigor e coerência
bibliográficas 6ª edição em das citações/ 4,0
citações referências
bibliográficas bibliográficas
2
Folha para recomendações de melhoria
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Índice
1. Introdução ....................................................................................................................... 5
1.1. Objectivos ....................................................................................................................... 5
1.2. Metodologias................................................................................................................... 6
2. Enquadramento teórico ................................................................................................... 7
2.1. Conceito de Planificação................................................................................................. 7
2.2. Planificação do Ensino .................................................................................................... 7
2.3. Elementos condicionantes da planificação de ensino ..................................................... 9
2.4. Fases da Planificação do Ensino ................................................................................... 10
3. Tipologias de Planificação ............................................................................................ 13
4. Conclusão ...................................................................................................................... 17
4.1. Referências Bibliográficas ................................................................................................ 18
4
1. Introdução
Na sociedade actual, é frequente observar o cidadão comum a planificar, ou seja, a pensar com
antecedência no que quer fazer e a realizar preparativos que lhe permitam concretizar esse
pensar. A planificação constitui um desafio para quem a realiza, legitima uma ambição, uma
finalidade, um propósito que se pretende atingir e assegura um articulado de componentes
necessárias para o alcance do propósito inicial.
Sendo assim, existem duas razões importantes que justificam a necessidade do ser humano
planificar com antecedência as suas atividades: existir como um ser racional, tendo a tendência
de reflectir sobre o que faz; coordenar as suas atividades com as dos outros, porque vive em
grupo e tem de se relacionar com outras pessoas. Para além destes aspetos, a planificação
também orienta as pessoas nas suas vidas, auxiliando na resolução de problemas e na reflexão
de todos os seus atos.
A planificação assume grande importância na prática profissional. De referir ainda que a
planificação exige muita dedicação, capacidade de articular e reflectir e também muito estudo,
para que se traduza em resultados positivos. O professor deverá selecionar, organizar e
apresentar o conteúdo ao aluno, recorrendo à imaginação e à criatividade, a fim de garantir o
interesse do aluno e ao mesmo tempo ir ao encontro das suas necessidades.
Ao querer desenvolver competências nos alunos, o professor precisa de antecipar, no campo
da reflexão, a forma como as conseguirá promover. No entanto, não deve ficar-se pelo plano
das ideias, das conjeturas, das estratégias mentais, deve, após esse processo, elaborar a sua
planificação. Através da reflexão são encontrados os pontos fortes e fracos da acção e com a
planificação é possível organizar essa mesma acção, como garantia de êxito. Algumas
qualidades contribuem para um bom plano: “a coerência, a sequência, a adequação, a
flexibilidade, a continuidade, a precisão e a riqueza”.
O presente estudo estudo encontra-se estruturado da seguinte maneira: Introdução,
Desenvolvimento, Conclusão e Referências Bibliográficas.
1.1. Objectivos
Geral:
✓ Compreender a influência da Planificação do ensino no PEA.
Específicos:
✓ Mencionar elementos que condicionam a planificação de ensino;
✓ Apontar as fases da planificação de ensino;
✓ Apresentar as modalidades da planificação de ensino.
5
[Link]
Com o intuito de atender aos objectivos propostos neste estudo e com base na
fundamentação teórica, apresentamos a metodologia que tornou viável a investigação do
deste trabalho.
1.2.1. Natureza da pesquisa
Tendo em consideração o estudo e o marco teórico, trata-se de um estudo exploratório que,
segundo Cooper e Schindler (2003), possibilita o desenvolvimento claro de conceitos e
definições.
Aaker, Kumar e Day (2001) defendem que a pesquisa de carácter exploratório é utilizada
quando se busca um entendimento sobre a natureza geral de um problema.
Kinnear e Taylor (1987) comentam que as pesquisas exploratórias são usualmente
utilizadas na investigação preliminar da situação com um mínimo de custo de tempo,
auxiliando o pesquisador a conhecer mais apuradamente o assunto de seu interesse. No
caso da pesquisa, esta foi articulada com a busca de dados para construir uma base teórica
necessária ao desenvolvimento do estudo.
Á semelhança do que acontece na maioria das pesquisas exploratórias, a nossa pesquisa
assume a forma de pesquisa bibliográfica.
Conforme escreve Gil (1996), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material
já elaborado, constituído de livros e artigos científicos”, (p.48).
6
2. Enquadramento teórico
2.1. Conceito de Planificação
O acto de planificar faz parte da história do ser humano: quem é que não deseja transformar os
sonhos em realidade? No nosso dia-a-dia, passamos por situações que precisam de ser
planeadas, mas nem sempre as delineamos em etapas concretas da acção, uma vez que já fazem
parte da nossa rotina. No entanto, quando realizamos actividades que não estão inscritas no
nosso dia-a-dia, utilizamos, por vezes, métodos racionais para obtermos o que desejamos.
Escudero (1982) ressalta que:
a planificação é um modo de planear, de algum modo as nossas
previsões, desejos, aspirações e metas num projecto que seja capaz de
representar, dentro do possível, as nossas ideias acerca das razões pelas
quais desejaríamos conseguir e como poderíamos levar a cabo.
As questões que envolvem a planificação são actualmente muito debatidas, mas o que de facto
torna complexo o exercício de planificar é a compreensão dos conceitos e o uso adequado dos
mesmos. Assim sendo, o objectivo deste enquadramento teórico é explicitar o significado e
origem dos termos planeamento, planificação, plano, e outros, ressaltando o facto de não
pretendermos abordar todos os níveis de planificação.
Presentemente são muitas as organizações que, para o seu normal funcionamento, dependem
de documentos de planificação (projectos, planos, programas) elaborados e aprovados para um
determinado espaço de tempo. A importância da planificação como ferramenta decisiva do
desenvolvimento institucional é actualmente bastante reconhecida, não só ao nível empresarial,
como também entre organizações governamentais e instituições da sociedade civil.
Planificar é identificar o problema para modificá-lo e alcançar melhores resultados num futuro
próximo, avaliar o contexto no qual actua, avaliar os recursos de que dispõe e decidir sobre as
melhores alternativas de como mobilizar e direcionar estes recursos, para que instituições
consigam alcançar os seus objectivos, de forma racional. É um meio para, não é um fim em si
mesmo. A planificação emerge assim como uma prática sistematizada, que confere maior
eficácia às actividades educacionais para que seja possível alcançar as metas propostas, bem
como, repensar sobre os objectivos não atingidos. Reconhecemos a pertinência e a relevância
da planificação na melhoria da qualidade de todo o processo educativo, pelo que julgamos
oportuno que esta temática constituísse o nosso objecto de estudo nesta investigação.
2.2. Planificação do Ensino
7
Segundo Mattos (1968), a planificação do ensino “é a previsão inteligente e bem calculada de
todas as etapas do trabalho escolar que envolvem actividades docentes e discentes de modo a
tornar o ensino seguro, económico e eficiente”, (p.140).
A planificação do ensino é o que cada docente elabora e esta refere-se ao currículo de uma
determina matéria em determinado espaço e lugar. É o conjunto de actividades pelas quais cada
docente prevê, seleciona e organiza os elementos para cada situação de aprendizagem, com a
finalidade de criar as melhores condições para alcançar as competências propostas.
Na opinião de Sant'Anna et all (1989), este nível de planificação aborda o "processo de tomada
de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno,
na situação de ensino-aprendizagem", (p.19).
A planificação é uma actividade indispensável para o desenvolvimento do ensino-
aprendizagem, este deve ser como anteriormente dissemos, flexível e prever com antecedência
o uso de materiais que permitam atingir as competências e os indicadores a alcançar.
Na perspectiva de Clark e Yinger, (1987) a planificação “é um processo psicológico básico
pelo qual uma pessoa visualiza o futuro, inventaria meios e fins, e constrói um esquema que
guia sua ação futura” (p. 86).
Muitos foram os autores (Imwold, Rider, Twardy, Olivier, Griffin & Arsenault, 1994), que
investigaram o efeito do processo de planificação na prática do ensino, e concluíram que os
professores que efectuavam a planificação davam mais indicações aos alunos, a turma estava
mais organizada e conseguia uma maior diversidade de actividades.
Planificar possibilita uma reflexão prévia sobre as várias possibilidades para o desenrolar do
ensino.
Neste sentido, Lewy (1979), afirma que “ a planificação tem por objectivo prever, definir e
criar as condições necessárias a uma correta execução do processo”, (p.26).
Conseguimos, então colocar a planificação como uma das decisões pré-interativas do professor
que surge da necessidade dos docentes ajustarem os programas escolares às características do
meio social, da escola e dos alunos, sendo desta forma possível melhorar a qualidade do
processo ensino/aprendizagem e o desempenho do seu agente activo, o professor. Nesta ordem
de ideias o professor é agente estruturante e flexível no processo do ensino/aprendizagem. O
contexto de sala de aula é dotado de imprevisibilidade, complexidade, o que leva o professor a
sentir necessidade de raciocinar, prever, imaginar e a tomar as decisões mais acertadas, para
que sua acção atinja os objectivos esperados.
Para Metzler e Young (1984):
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o trabalho do professor abrange três níveis de tomada de decisão:
decisões pré-interativas que se referem ao processo de planificação da
aula; os pensamentos e decisões interativas, que consideram as
decisões imediatas (pensar e agir) do professor na sua interação em
contexto de sala com os seus alunos; e as decisões pós interactivas que
se baseiam na avaliação, reorganização e reestruturação do processo
de ensino.
Para estes autores, estes três níveis de decisão ocorrem durante o processo de ensino
aprendizagem de forma cíclica, considerando que estas estão dependentes umas das outras. O
acto de planificar evita a rotina, as improvisações e as dúvidas, permitindo ainda agir com
segurança tendo em conta o que se tinha previsto.
Na mesma linha de pensamento, Bento (2003), defende que “a planificação é o elo de ligação
entre as pretensões, imanentes ao sistema de ensino e aos programas das respectivas disciplinas,
e a sua realização prática”, (p.15).
É uma actividade prospectiva, directamente situada e empenhada na realização do ensino que
se consuma na sequência:
“Elaboração do plano → realização do plano → controlo do plano → confirmação ou alteração
do plano, etc.”, (Bento, 2003, pp. 15-16).
O mesmo autor refere que o professor é então considerado um agente de ensino que na sua
multiplicidade de papéis, tem a responsabilidade de desenvolver o currículo ao nível micro,
adequando a sua ação ao Currículo Nacional e aos programas das disciplinas, elaborados a
nível macro, às características do meio social da escola e dos alunos e ao Projecto Curricular
da escola. Seguindo esse raciocínio a planificação serve como linha orientadora para o
professor.
Bento acrescenta ainda que “na planificação são determinados e concretizados os objectivos
mais importantes da formação e educação da personalidade, são apresentadas as estruturas
coordenadoras de objectivos e matéria, são prescritas as linhas estratégicas para a organização
do processo pedagógico. Os objectivos constituem o elemento determinante no âmbito da
relação coordenada entre objectivo, conteúdo e método.
Isto devido a uma exigência implícita no processo educativo: “procurar e perseguir sempre
activa, enérgica e pertinazmente o objectivo”, (Bento, 2003, p. 15).
Constatamos que planificar é essencialmente reflectir, debater e tomar decisões fundamentadas
sobre o que se pretende ensinar.
2.3. Elementos condicionantes da planificação de ensino
Os elementos condicionantes da planificação de ensino são:
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✓ Definição do conteúdo;
✓ Escolha dos objectivos/resultados;
✓ Elaboração dos métodos;
✓ Estar bem consciente dos seus aspectos positivos e das suas limitações como pessoa e
como profissional.
2.4. Fases da Planificação do Ensino
Independentemente de diferentes modelos de planificação que possamos utilizar há no entanto,
algo de comum a todos, instrumentos sem os quais não poderíamos construir qualquer processo
de planificação.
Segundo Sant’Anna (1989) existem fases pelas quais o processo de planificação se deveria
reger, uma fase de preparação, uma fase de desenvolvimento, outra de aperfeiçoamento.
Para o traçar de qualquer acção, é sem dúvida importante, que o
Educador pondere “as reais possibilidades do seu grupo de alunos, a
fim de melhor orientar as suas realizações e a sua integração na
comunidade… [bem como] a realidade de cada aluno em particular,
objectivando oferecer condições para o desenvolvimento harmónico
de cada um… [usando] os pontos de referência comuns, envolvendo o
ambiente escolar e o ambiente comunitário… [considerando] as suas
próprias condições, não só como pessoa, mas como profissional
responsável pela orientação adequado do trabalho escolar” (Sant’anna,
1989, p.28).
Depois de recolhidos todos os dados e factos sobre a realidade educativa, à que estudá-los e
retirar deles as devidas conclusões. A partir daqui o Educador pode partir para a elaboração de
uma planificação contextualizada.
2.4.1. Preparação
Na educação, decidir e definir os objectivos de aprendizagem significa estruturar, de forma
consciente, o processo educacional de modo a proporcionar mudanças de pensamentos, acções
e condutas.
Essa estruturação é resultado de um processo de planificação que está directamente relacionado
com a escolha dos conteúdos, dos procedimentos, das actividades, dos recursos disponíveis,
das estratégias, dos instrumentos de avaliação e das metodologias adotadas.
Na fase de preparação, determina-se os objectivos, seleciona-se e organiza-se os conteúdos, as
estratégias, os recursos e definem-se os modos de avaliação. Esta fase entende-se como a
previsão de todos os passos que asseguram a sistematização, o desenvolvimento e a
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concretização dos objectivos previstos. Esta distribui-se em várias subfases e é caraterizada
inicialmente pela determinação dos objectivos, que devem ser claros, importantes, realistas e
alcançáveis. Os objectivos devem ser elaborados na perspectiva do desenvolvimento de
habilidades dos alunos: habilidades cognitivas, sociais, atitudinais, etc.. Existem níveis
diferenciados de objectivos: objectivos gerais, alcançáveis a longo prazo; objectivos
específicos, os quais exprimem uma habilidade específica a ser desenvolvida. Estes devem
explicitar de forma clara a intenção proposta.
De seguida, vem a seleção e organização dos conteúdos e é aqui que cabe ao professor
perguntar o que devo ensinar? E assim, ao responder a esta questão estará a expor os conteúdos
que servirão de instrumentos para atingir os objectivos propostos. Os conteúdos representam
um conjunto rico e variado de conhecimentos que possibilitam ao aluno desenvolver as suas
capacidades, ao mesmo tempo em que esclarece as suas relações com os outros e com o meio
onde vive. Portanto, seja qual for o nível considerado, a planificação implica, por um lado, a
estreita relação entre objectivos e conteúdos, por outro, uma relação adequada entre objectivos,
estratégias e metodologias de avaliação.
Ao falarmos em conteúdos, deveremos ter em consideração que os mesmos estão definidos nos
documentos macro-curriculares. A sua selecção possui um carácter flexível, permitindo ao
professor adaptá-los à turma e ao contexto onde se insere. Essa estruturação é resultado de um
processo de planificação que está diretamente relacionado com a escolha do conteúdo, dos
procedimentos, das actividades, dos recursos disponíveis, das estratégias, dos instrumentos de
avaliação e da metodologia a ser adotada para um determinado período de tempo.
Outra etapa desta fase é a seleção e organização dos procedimentos de ensino, estes são nada
mais nada menos que acções e processos planificados pelo professor para situar o aluno no
processo de ensino aprendizagem. No que diz respeito às metodologias a adotar, não há uma
“fórmula mágica” para a escolha ideal dos métodos a utilizar com vista ao sucesso educativo.
O professor deverá conhecer as várias metodologias a aplicar e tomar a decisão da pertinência
de uma em relação a outras num determinado momento e numa determinada situação de
aprendizagem. Não pode haver portanto um modelo de bom professor cuja forma de proceder
se deva imitar, cada qual deve tornar-se à sua maneira um bom professor. São várias as leituras
possíveis que os manuais nos oferecem, com os mesmos programas e com os mesmos
objectivos. Elaborar um plano é para cada professor uma situação específica, intransmissível e
única, não há caminhos iguais de preparação/planificação de aulas e cada qual tem de criar os
seus próprios modelos, com a consciência de que todos os caminhos são possíveis, mas nem
todos são igualmente bons.
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Existe ainda a seleção dos recursos, quer humanos, quer materiais e que podem auxiliar o
professor no desenvolvimento da sua acção pedagógica. A seleção de procedimentos de
avaliação também integra esta fase, bem como a estruturação do plano de ensino. Para além
dos elementos anteriormente referenciados das planificações, os professores devem atender às
características que os tornam funcionais.
Cortesão (1994), frisa que “não há receitas” para a elaboração de um bom plano, mas, este
“revelará coerência, adequação, flexibilidade, continuidade, precisão, clareza e riqueza”, (p.
94).
Coerência: se está integrado no plano curricular geral, de molde a que a sua concretização
contribua para a consecução das metas propostas nesse currículo. A coerência de um plano
existe se nele se revela uma adequada relação entre objectivos, conteúdos e estratégias
propostas;
Sequência: deve existir uma linha contínua que integre gradualmente as distintas actividades
desde a primeira até a última de modo que nada fique jogado ao acaso.
Adequação: se esta alicerçado no conhecimento da realidade cognitiva, afectiva e sociocultural
dos alunos, no contexto escola/ comunidade, tendo em conta os recursos limitações existentes,
e ainda no conhecimento das características do próprio professor como seu executante;
Flexibilidade: se permite, de acordo com as necessidades e interesses do momento, fazer
reajustamentos e mesmo alterações de fundo nos elementos previstos;
Continuidade: se estabelece uma sequência que” amarra”as várias propostas de modo a seguir
um percurso lógico;
Precisão e clareza: se contém indicações claras de modo a não apresentar propostas ambíguas;
Riqueza: se oferece uma gama variada e fecunda de propostas. (p. 94).
Esta subfase é muito importante pois o plano de ensino é um instrumento de trabalho que
disciplina os esforços de professores e alunos, no sentido de racionalizar as actividades de
ensino e aprendizagem, sendo que este plano é apenas um roteiro, um instrumento de
referência.
2.4.2. Desenvolvimento
Na fase de desenvolvimento o destaque recai na acção do aluno e do professor, pelo que no
desenrolar da sua acção, o professor desenvolve e aprimora os seus níveis de desempenho. A
fase de desenvolvimento implica colocar o plano em acção, o que implicará reajustamentos,
adaptações, tendo como sujeitos activos o Educador e as crianças. Este carácter flexível revela
uma interligação entre os diferentes processos, formando um sistema dinâmico.
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2.4.3. Aperfeiçoamento
A avaliação é uma importante forma de aperfeiçoar os planos, permite-nos voltar a planificar,
tendo em conta a análise dos resultados das situações de aprendizagem, dos objectivos traçados,
das estratégias e recursos usados. O processo de feedback é uma mais valia para o
aperfeiçoamento das práticas planificativas.
“A avaliação consiste na obtenção de informação sobre as capacidades e potencialidades do
indivíduo com o duplo propósito de dar feedback aos próprios indivíduos e dados úteis à
comunidade” (Gardner, 1994).
O professor ao reflectir sobre a sua planificação está a dar “o primeiro passo para quebrar o ato
de rotina, possibilitar a análise de opções múltiplas para cada situação e reforçar a sua
autonomia face ao pensamento dominante de uma dada realidade” (Cardoso, Peixoto, Serrano
& Moreira, 1996, p. 83).
Falando em avaliação, não poderemos deixar de referir que se trata de uma das fases
fundamentais do desenvolvimento curricular, servirá para o professor avaliar os conhecimentos
adquiridos pelos alunos e se autoavaliar pelos conhecimentos que os alunos não conseguiram
adquirir, tendo assim que reformular as suas metodologias.
Não é só quando o professor planifica e quando desenrola a sua ação em contexto interactivo
que professor decide e reflecte, mas também durante e após a interação, o que conduz o
professor a replanificar o processo de ensino e consequentemente aperfeiçoá-lo. Para esse
aperfeiçoamento, consideramos importante a replanificação do que foi anteriormente
determinado na planificação pré-activa.
Face às recentes mudanças nas práticas de gestão e administração das nossas organizações
escolares, o desafio centra-se na identificação de conteúdos, estratégias e condicionantes da
planificação. A construção da identidade da escola através do projeto educativo e a sua
crescente autonomia e territorialização constituem desafios a todos os que fazem parte da
comunidade educativa, assim, o processo de planificação pressupõe um assumir e uma partilha
de responsabilidades, surgindo como um exercício de programação flexível.
3. Tipologias de Planificação
Considerando o anteriormente exposto, o trabalho de planificação é organizado segundo um
critério temporal, pelo que se produzem planificações a longo prazo, planificações a médio
prazo e planificações a curto prazo.
13
3.1. Planificação a longo prazo
Na planificação a longo prazo plano pretende-se definir, logo no início do ano lectivo, todos
os aspectos que se relacionam com o ensino aprendizagem nomeadamente selecionar e
distribuir os conteúdos, tendo em conta os princípios definidos no Projecto Educativo e no
Projecto Curricular de Escola, para que o professor possa ter uma visão de conjunto sobre tudo
o que se vai passar ao longo do ano lectivo. Evidentemente que as opções que se fazem a este
nível vão ser passíveis de ajustamentos ao longo do ano, visto que é necessário e importante
conhecer cada turma e cada aluno para que se possam avaliar as suas necessidades para que
possa intervir sobre as mesmas.
Arends (1999), sugere que “a eficácia dos planos anuais gira geralmente à volta da capacidade
de incluir três facetas”, (p.60):
- Temas e atitudes gerais: quase todos os professores gostariam de passar para os s seus alunos
uma serie de atitudes, metas e temas gerais, elementos esses que não se podem tratar numa só
aula, mas só através de determinadas vivências ao longo do ano, que devem ser previstas pelos
professores.
- Matéria a dar: como se sabe, são inúmeros os temas a tratar e várias actividades a realizar,
por outro lado, o tempo não chega para tudo, cabe ao professor ter a capacidade de saber
selecionar o mais essencial.
- Ciclos do ano lectivo: toda comunidade educativa deve saber que a escola funciona em torno
de uma abertura e de um enceramento lectivo que se compreende nomeadamente, os períodos
de aulas, dias da semana, feriados, períodos de férias, entre outros acontecimentos escolares
importantes. Assim, é importante planificar, tanto quanto possível, os ciclos escolares.
Cortesão (1994), refere que,
para a realização de uma planificação a longo prazo deve- se reunir
documentos, tais como, programa planificações de anos anteriores,
livros, e outras matérias didáticos, mas também os professores devem
procurar:
✓ Identificar as finalidades que através dele se pretendem atingir e
analisar o seu grau de coerência com as finalidades do currículo;
✓ Identificar os temas organizadores que fazem dos conteúdos um todo
coerente;
✓ Analisar as características gerais da população escolar;
✓ Organizar e ordenar os conteúdos em - as unidades de ensino;
✓ Identificar os recursos e limitações mais importantes apresentados pela
escola e pela comunidade próxima;
✓ Imaginar, em linhas muito gerais, o tipo de estratégias a estabelecer;
✓ Identificar os aspectos que, a partida, podem ser tratados
interdisciplinarmente;
✓ Com o auxílio de um calendário, descontando férias, feriados e o
tempo para actividades de avaliação formativa e sumativa, calcular o
número de aulas que possivelmente irão ser dadas, (p.71).
14
Neste tipo de planificação seria desejável que os vários professores se reunissem, incluindo
também pais e outros representantes da comunidade, contudo apesar de ainda existirem
resistências às práticas colaborativas a pouco e pouco estas práticas têm vindo a enraizar-se.
Há no entanto, muitos professores que encaram esta tarefa como um “requisito burocrático que
pouco afectará aquilo que, posteriormente, fará nas suas aulas” (Zabalza, 1992, p.56).
Para Vilar, (1998) a planificação curricular de escola é “o palco de decisões sobre relações
[sistémicas] de conflitualidade” e que “pressupõe um espirito colaborativo e participativo, no
sentido de garantir a coerência e a justeza das propostas educativas concretas”, (p.33).
É necessário então que se promova uma cultura de participação para que a planificação seja o
produto de toda a comunidade escolar.
3.2. Planificação a médio prazo
De seguida, em termos temporais destacam-se as planificações a médio prazo. A elaboração de
um plano a médio prazo, na perspectiva de Cortesão (1994),corresponde à planificação de uma
unidade de ensino.
Arends (1999), refere que “ uma unidade corresponde a um grupo de conteúdos e de
competências associadas que são percebidas como um conjunto lógico”, (pp. 59-60).
O mesmo salienta que para planificar uma unidade é necessário interligar conteúdos,
objectivos, estratégias/actividades, materiais, métodos, avaliação, durante dias, semanas, ou
meses (ibidem).
Segundo Cortesão (1994) ao planificar uma unidade de ensino, é importante que se considerem
as seguintes etapas:
1- Identificação das ideias base e conteúdos tendo em conta os
esquemas conceptuais e os temas organizador/es;
2- Clarificação dos objectivos gerais que constam do plano a longo
prazo e que são relativos àquela unidade de ensino;
3- Identificação dos “pré- requisitos” necessários para conseguir
realizar as aprendizagens a que o plano é relativo;
4- Ordenação e distribuição de conteúdos por lições;
5- Estabelecimento de estratégias mais pormenorizadas e mais
adequadas ao contexto;
6- Identificação e listagem de materiais a utilizar;
7- Elaboração de materiais de avaliação formativa e sumativa;
8- Estabelecimento de actividades de remediação e enriquecimento;
9- Indicação da bibliografia;
10- Levantamento das medidas prévias necessárias para levar a cabo
as actividades previstas na unidade (p.120).
15
3.3. Planificação a curto prazo
Cortesão (1994), salienta que ” durante o ano lectivo é focalizada a acção que se desenrola num
contexto muito particular, é necessário elaborar planos correspondentes às acções que no dia-
a-dia vão concretizar as diferentes parcelas do anterior”, (p.71).
As planificações a curto prazo/ planos de aula, segundo Arends, (1999), são aquelas a que o
professor disponibiliza mais atenção.
É também aqui, que melhor se percebe a forma como o professor encara a relação do
ensino/aprendizagem.
“Normalmente, os planos diários esquematizam o conteúdo a ser ensinado, as técnicas
motivacionais a serem exploradas, os passos e atividades específicas preconizadas para os
alunos, os materiais necessários e os processos de avaliação” (Arends, 1999, p.59).
Altet (2000) salienta que “ os professores geralmente planificam as suas aulas em função do
programa e de uma progressão”, (p.113).
Antecipadamente “reúnem a documentação, definem objectivos, escolhem um método, optam
por determinadas estratégias e determinado material e, antecipadamente, constroem um cenário
que determina as interações que irão desenrolar na aula”, (p.113).
Tal como refere Piletti (2001), o plano de aula “é a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido
em um dia lectivo. (...) É a sistematização de todas as actividades que se desenvolvem no
período de tempo em que o professor e o aluno interagem, numa dinâmica de ensino-
aprendizagem”, (p. 73).
Em conformidade com o autor, considerando a aula em si, é aqui que o professor exercita e
define todos os elementos fundamentais para a elaboração de um plano, nomeadamente, o
sumário, os novos conceitos a lecionar, os objectivos a atingir e competências a adquirir pelos
alunos, as estratégias, actividades específicas, o tipo de exercícios, materiais, a linguagem
específica a utilizar, observações pertinentes. É também importante que existam momentos de
avaliação sobre o que cada professor planifica, porque no decorrer de qualquer processo deve-
se reflectir e avaliar.
Em conformidade (Gandin, 2005) refere que o processo de planificação é um processo de acção
reflexão, o que possibilita ao professor autorregular-se, analisar o que está a correr bem ou mal
e, a partir daí introduzir melhorias no próprio processo de ensino/aprendizagem .
Independentemente das planificações serem a longo, médio ou a curto prazo, antes de mais
temos de considerar quem e para quem se planifica. Há tarefas que se repetem ao longo do
tempo, mas como é compreensível, em cada tempo são desenvolvidas em diferentes graus de
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profundidade. Os planos a longo prazo constituem o suporte organizador dos planos a médio
prazo.
E estes constituem o suporte dos programas a curto prazo, no entanto torna-se imprescindível
“um corpo docente capaz de corporizar a planificação estratégica da própria escola … [para
que haja] coerência pedagógica das acções concretas que, dentro e fora da aula, o professor
propõe aos seus alunos” (Vilar, 1998, pp. 74-75).
4. Conclusão
Ao longo da pesquisa vimos que a planificação é um fenómeno de planear, de algum modo as
nossas previsões, desejos, aspirações e metas num projeto que seja capaz de representar, dentro
do possível, as nossas ideias.
Na verdade, a planificação assume-se assim como o modo mais eficaz que cada docente tem
de preparar o seu trabalho, organizar o tempo das suas aulas e garantir uma melhor
aprendizagem por parte dos seus alunos.
Nenhum projecto será bem sucedido se não for devidamente planificado e delineado,
assumindo-se assim a planificação como o “embrião” ou “semente” do projeto, o ponto de
partida para o mesmo.
Julgo que as planificações que apresento têm como preocupação base motivar os alunos,
através da selecção de temas do seu agrado e através da selecção de actividades que
possibilitarão a sua participação activa e a emissão de opiniões e sugestões, que em algum
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momento, considera-se que “a planificação passa pela criação de ambientes estimulantes que
propiciem actividades que não são à partida previsíveis e atendam à diversidade das situações
e aos diferentes pontos de partida dos alunos.
É do nosso conhecimento porém, perspectivar que a planificação “deve contribuir para a
optimização, maximização e melhoria da qualidade do processo educativo. É um guião de
acção que ajuda o professor no seu desempenho” e nesta óptica, considero que a realização
deste trabalho assumiu-se como uma mais-valia para mim, pois apesar de já ter uma ideia do
que iria fazer em cada aula, este trabalho permitiu a organização dessas mesmas ideias e a
selecção de estratégias para abordagem de cada conteúdo.
Obviamente que o sucesso de um projecto só se avalia após a sua implementação, mas esse
sucesso apenas se efectivará se dermos a devida importância a cada passo. A caminhada está
iniciada.
4.1. Referências Bibliográficas
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