MÍSTICA NO BUDISMO TIBETANO
Depois de compreendermos o que é mística, agora é hora de conhecermos
algumas experiências místicas presentes nas tradições religiosas. No Budismo
tibetano, a arte das mandalas é um instrumento para o crescimento espiritual e,
ao mesmo tempo, uma experiência mística.
Mandala
Mandala é um termo
sânscrito, uma língua morta de
raízes indianas, e significa
círculo. Ela pode ser encontrada
em diversas culturas por todo o
mundo.
Apesar de possuir a forma
geométrica do círculo, as
mandalas podem ser de outro
formato, como triangular ou
quadrada, desde que mantidas
dentro do círculo.
Ela é considerada como um
símbolo de integração e harmonia, proporcionando avanços na busca pelo
autoconhecimento, além de causar um equilíbrio emocional e a paz interior.
No budismo, esse tipo de pintura serve como instrumento de meditação, já
que são usadas pelos monges para aguçar a sua concentração. Também servem
para mostrar como a vida passa rápido e transitoriamente.
Como as mandalas são feitas:
O símbolo pode ser feito a partir de diversos materiais. São vistas
mandalas de madeira, de tinta, areia, e até feitas com materiais recicláveis.
Porém, para as religiões, cada material tem o seu significado. Veja alguns:
Areia
A mandala feita com areia é uma tradição dos monges tibetanos. Elas
podem demorar semanas para ficarem prontas. São feitas com areia colorida e
fazem parte do aprendizado dos monges no budismo, onde são muito comuns. Os
monges memorizam o que será reproduzido no desenho e executam, no chão.
Mandala de areia feita por monges budistas. (Foto: Wikimedia Commons)
Quase sempre essas mandalas de areia são construídas quando acontecem
cerimônias de iniciação no local. No centro delas está representada a essência do
ser humano, a sua iluminação.
Um fato curioso é que quando os desenhos ficam prontos, eles são
desmanchados. A areia utilizada para a sua confecção é jogada em algum rio ou
qualquer água corrente. O ritual tem como objetivo mostrar a brevidade da vida
em todos os seus aspectos, além de ressaltar a importância de recomeçar sempre
que alguma coisa fugir dos seus planos.
Madeira
As mandalas de madeira também são uma tradição do budismo. De acordo
com a crença, quando confeccionadas em madeira, elas representam a morada de
alguma divindade sagrada. Por conta disso, são muito utilizadas para presentear
as pessoas.
Enquanto esses desenhos são feitos, acontecem rituais e tradições que
demonstram boa vontade. Explica-se assim o motivo de serem considerados bons
presentes.
Tinta
Muito comuns na cultura hindu, onde os templos e locais sagrados são
pintados com as mandalas. Os hinduístas utilizam sempre as cores vivas, pois elas
representam os chakras do corpo humano, e essas cores ajudam no realinhamento
desses chakras, causando a melhora da energia do local.
O colorido das mandalas
Além do seu formato, que modifica o ambiente, as cores da mandala
também possuem grande influência nesse sentido. De acordo com estudos, a cor
pode influenciar na energia do ambiente, o que pode mudar a percepção da
emoção dos indivíduos que frequentam o local.
Veja o que cada cor significa nos desenhos:
Rosa: protege o trabalho e favorece o amor, fortalecendo os relacionamentos
pessoais.
Laranja: é a cor responsável por melhorar o ânimo. Representa a coragem e o
recomeço.
Vermelho: representa a coragem e energia. Afasta sentimentos de depressão.
Preto: remete ao autoconhecimento e deixa o ambiente mais formal.
Violeta: representa espiritualidade e reflexão. Deixa o ambiente limpo de
coisas negativas.
Azul: remete à fidelidade, além de trazer calma e equilíbrio interior. Uma boa
cor para quem sofre com insônia.
Dourado: traz a energia solar que ilumina os caminhos. Atrai dinheiro e
sucesso profissional.
Marrom: desperta para a caridade e humildade.
Amarelo: estimula a concentração. Também representa o intelecto e a razão.
Prata: traz a energia lunar, que faz a ligação com o mundo espiritual e o
inconsciente.
Branco: paz e equilíbrio interior. Simboliza a pureza e a inocência.
Verde: esperança, crescimento pessoal e neutralização do ciúme. Está ligado à
cura e acalma o ambiente.
A experiência mística Budista se revela também pela prática dos ensinamentos de
Buda. Ainda hoje, o Zen-budismo utiliza os Koans, que são pequenas parábolas, como
instrumento para expandir o conhecimento dos conceitos budistas e provocar o encontro do
ser humano com a própria natureza.