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Caracterização Reológica de Fluidos

O documento descreve um estudo reológico de um fluido realizado em laboratório. Foram medidas a viscosidade do fluido usando um viscosímetro, o pH e a massa específica. Os resultados mostraram que o fluido tem comportamento de Herschel-Bulkley, necessitando de tensão inicial para escoar e com viscosidade variando com a taxa de deformação. A equação reológica do fluido foi determinada a partir dos dados experimentais.

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Caracterização Reológica de Fluidos

O documento descreve um estudo reológico de um fluido realizado em laboratório. Foram medidas a viscosidade do fluido usando um viscosímetro, o pH e a massa específica. Os resultados mostraram que o fluido tem comportamento de Herschel-Bulkley, necessitando de tensão inicial para escoar e com viscosidade variando com a taxa de deformação. A equação reológica do fluido foi determinada a partir dos dados experimentais.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

OPERAÇÕES UNITÁRIAS EXPERIMENTAIS

REOLOGIA

Jéssica Beatriz Torres Apolinário

ABRIL DE 2023

João Pessoa – PB
1. OBJETIVO

O estudo teve como objetivo caracterizar reologicamente o fluido através de um


viscosímetro fann, medição do PH do fluído e massa específica.

2. INTRODUÇÃO

A Reologia é a ciência que estuda como o fluido se comportará quando submetido a


uma deformação ou força de cisalhamento. Ela estuda como será o fluxo e a
quantificação da resistência ao escoamento é dado através de uma propriedade física
denominada viscosidade.

O comportamento reológico do fluido é descrito por relações entre a tensão de


cisalhamento (t) aplicada ao fluido e a sua respectiva taxa de deformação (y = du/dy).

A tensão de cisalhamento é um tipo de tensão gerado por forças aplicadas em sentidos


iguais ou opostos, em direções semelhantes, mas com intensidades diferentes no
material analisado. É a tensão gerada pela resistência de um fluído ao escoamento
relativo a um dado gradiente de velocidade.

Por outro lado, a tensão de deformação expressa a variação de velocidades de dois


pontos do fluído dividido pela distância entre eles.

(Eq. 1)

Fórmula geral para o comportamento reológico:

(Eq. 2)

0 - tensão minima de cisalhamento (denominado limite de escoamento)

k – índice de consistência (que indica o grau de resistência do fluido diante do


escoamento)
n - índice de comportamento do fluido (que indica fisicamente o afastamento do fluido
do modelo newtoniano).

Os materiais podem ser divididos em duas características a partir de um conceito que


relaciona taxa de deformação e tensão de cisalhamento, mas eles também podem ser
classificados quanto à deformação. Dessa forma, eles podem ser:

➢ Reversíveis ou elásticos: Obedece à lei de Hooke (uma tensão aplicada a um


corpo sólido causa uma deformação), possuem deformação reversível e não
apresentam escoamento.
➢ Irreversíveis ou viscosos: Obedece à lei de Newton (viscosidade constante),
possuem deformação irreversível e apresentam escoamento.

Figura 1: Classificação dos fluídos segundo comportamento reológico.

Os fluídos não newtonianos se classificam em viscoeláticos e dependentes do tempo


(reopéticos e tixotrópicos), os viscoeláticos são fluidos que retornam à sua forma
original (de forma total ou parcial) depois que a tensão aplicada é removida. Esse tipo
de fluido apresenta uma “memória”: a tensão de cisalhamento não depende só da
deformação local, mas da sua história.

Os fluídos dependentes do tempo podem ser divididos em tixotrópicos onde


apresentam queda da viscosidade com o tempo quando submetido a uma dada
deformação constante e reopéticos onde apresentam aumento da viscosidade com o
tempo quando submetidos à deformação constante.

A figura 2 apresenta o comportamento reológico do fluido newtoniano e dos fluidos


não newtonianos independentes do tempo.

Figura 2: Gráfico do comportamento de fluidos newtonianos e não newtonianos


A maior parte dos fluidos não-newtonianos são classificados como pseudoplásticos, a
qual inclui suspensões poliméricas, graxas, suspensões de amido, maionese, fluidos
biológicos, dentre outros. A forma da curva representada na Figura 1 para os fluidos
pseudoplásticos obedece ao modelo reológico Power Law (ou equação de Ostwald –
de Waele) também conhecido como lei de potência:

(Eq. 3)

Quando n = 1, são classificados como fluídos newtonianos, onde o K (índice de


constância) é identificado como a viscosidade dinâmica

(Eq. 4)

Quando n é diferente de 1 (Eq 4) os fluídos são classificados como pseudoplásticos ou


dilatantes

• n < 1: fluídos pseudoplásticos


• n > 1: fluídos dilatantes

Os plásticos de Bingham apresentam uma tensão inicial para o escoamento ocorrer,


porém, a sua viscosidade é constante após o início do escoamento, pode-se citar como
exemplo os óleos vegetais e minerais, fluidos de perfuração de poços de petróleo,
algumas suspensões de sólidos granulares. Esse comportamento é descrito pela
equação 6.
(Eq. 5)

µP: Viscosidade dinâmica plástica

Por fim, os fluídos de Herschel-Bulkley também chamado de Bingham generalizado.


Este tipo de fluído também necessita de uma tensão inicial para começar a escoar.
Entretanto, a relação entre tensão de cisalhamento e a taxa de deformação não é
linear. Esta relação depende do expoente adimensional n, característico para cada
fluído:

(Eq. 6)

3. MATERIAIS

- 01 viscosímetro rotativo Fann

- 01 becker

- 01 phmetro

- 01 Balança de lama 140 Fann

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Inicialmente foi realizado a homogeneização do fluido por 5 minutos e em seguida


feita a leitura do seu PH. Após isso, foi lida sua massa específica na balança de lama
(figura 2) que consiste principalmente de uma base sobre a qual descansa um braço
graduado com copo, tampa, gume, tubo nivelador, cursor e contrapeso. O copo de
volume constante é afixado numa das extremidades do braço graduado, que tem um
contrapeso na outra extremidade. O copo e o braço oscilam num plano perpendicular
ao gume horizontal, que se apoia no suporte e são equilibrados quando se desliza o
cursor ao longo do braço.
O ensaio consistiu em determinar a viscosidade dos fluidos no viscosímetro Fann
(figura 3) em diferentes frequências de rotação. A resistência viscosa exercida pelo
fluído dentro do cilindro cria um torque no cilindro interno (Bob). Este torque é
transmitido a uma mola de precisão, onde sua deflexão é medida e relacionada com as
condições de teste e constantes do instrumento. A frequência de rotação é ajustada
no painel do viscosímetro e seu grau de deflexão anotado para cada valor de rotação.

Figura 3: Fann Balança de Lama 140

Figura 4: Fann Viscosímetro 35 A


5. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A tabela 1 apresenta os dados obtidos no ensaio para o fluido em estudo e a tabela 2


os resultados da taxa de cisalhamento e tensão de cisalhamento calculados.

Tabela 1: Dados do ensaio


Tabela 3: Dados obtidos tensão e taxa de cisalhamento calculados.

Com isso foi possível obter o gráfico taxa de cisalhamento versus tensão de
cisalhamento.

Gráfico 1: Taxa de cisalhamento x Tensão de cisalhamento.

70
Tensão de Cisalhamento (N/m²)

60
50
40
30
20
10
0
0 200 400 600 800 1000 1200
Taxa de cisalhamento (1/s)

De acordo com o gráfico podemos classificar o fluído como sendo fluído de Herschel-
Bulkley, ou seja, necessita de uma tensão inicial para começar a escoar. A equação 6 é
utilizada por esse tipo de fluído.

Aproximando o gráfico conseguimos obter por extrapolação o valor da tensão mínima


de cisalhamento (denominando limite de escoamento real) = 15 N/m2 (t0)
30

Tensão de Cisalhamento (N/m²)


25

20

15

10

0
0 200
Taxa de cisalhamento (1/s)

Reorganizando a equação 6 e aplicando o log temos:

(t - t0) = k (y)n

log (t - t0) = log [k (y)n]

log (t - t0) = log k + log (y)n

log (t - t0) = log k + n log (y)

Com isso, podemos calcular os valores e obter os dados conforme a tabela 3:

Tabela 4: Dados calculados

Plotando um gráfico log (t - t0) versus log (y) e obtendo a equação da reta
conseguimos os valores de n e de k
Gráfico 2: log (t - t0) versus log (y)

2,0
1,8
1,6 y = 0,543x + 0,0711
1,4 R² = 0,984
log ( - 0)

1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0,0 1,0 2,0 3,0 4,0
log (g)

Logo,

n = 0,543

log k = 0,0711

k = 1,18

Por fim, pode-se obter a equação do modelo de Herschell – Buckley :

t = 15 + 1,18 (y)0,543

Calculando os valores de t para cada taxa de cisalhamento (y) mostrado na primeira


coluna da tabela 5 juntamente com os dados de t experimental e taxa de cisalhamento
obtidos anteriormente foi possível obter um gráfico de comparação com os valores do
modelo e os experimentais:
Gráfico 3: Taxa de cisalhamento x Tensão de cisalhamento do modelo e experimental

70
Tensão de cisalhamento (N/m2)
60

50

40

30

20 Modelo
Experimental
10

0
0 200 400 600 800 1000 1200

Taxa de cisalhamento (s-1)

6. REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

1. Çengel, A.Y., Cimbala, J.M.; Mecânica dos Fluidos – Fundamentos e Aplicações; McGraw-Hill,
2007; p. 371 a 372.

2. Fox, R. W; Pritchard, P. J.; McDonald A. T. Introdução a Mecânica dos Fluidos. Editora: LTC,
7ª edição. Rio de Janeiro, 2012.

3. Machado, J.C.V; Reologia e escoamento de fluidos. Editora: Interciência, 1ªedição, Rio de


Janeiro, 2002.

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