UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA
CAMPUS I - CAMPINA GRANDE
CENTRO DE EDUCAÇÃO- CEDUC
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA- DH
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC.
LÍVIA MARIA DE PONTES NASCIMENTO
NÃO PODE COMPRAR O MEU AMOR: BEATLES E A
BEATLEMANIA NOS ANOS 60.
CAMPINA GRANDE – PB
2012
LÍVIA MARIA DE PONTES NASCIMENTO
NÃO PODE COMPRAR O MEU AMOR: BEATLES E A
BEATLEMANIA NOS ANOS 60.
Monografia apresentada ao
Departamento de História da
Universidade Estadual da Paraíba-
UEPB, como exigência para a obtenção
do titulo de licenciatura plena em
História.
Orientador: Profo MSC. Jefferson Nunes Ferreira
CAMPINA GRANDE – PB
2012
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL – UEPB
N244n Nascimento, Lívia Maria de Pontes.
Não pode comprar meu amor [manuscrito]: Beatles e a
Beatlemania nos anos 60 /Lívia Maria de Pontes Nascimento.
– 2012.
54 f.: il.
Digitado.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
História) – Universidade Estadual da Paraíba, Centro de
Educação, 2012.
“Orientação: Prof. Me. Jefferson Nunes Ferreira,
Departamento de História”.
1. Cultura de Massa 2. Contracultura 3. Beatlemania. I.
Título.
21. ed. CDD 306
AGRADECIMENTOS.
A minha mãe Maria do Livramento, por todo o apoio, carinho e cuidados de uma vida
inteira. Aos meus queridos amigos: Evandro, Moisés, Elisângela, Josiane, e Roseni e
Samyra, Marizélia, Rejane, Júlio e Paloma pelo apoio, conversas, conselhos e risadas.
Aos amigos virtuais que me fizeram companhia durante todas as noites de insônia por
causa dos trabalhos, e aos demais colegas de turma que fizeram parte desta longa e linda
caminhada.
Ao querido professor Jefferson Nunes que aceitou com muito carinho me orientar
neste trabalho.
Aos professores do curso de História, em especial os professores Faustino Teatino,
José Júnior e Manuela Aguiar, que me ensinaram mais que o conteúdo das disciplinas,
me deram exemplos e me mostraram o tipo de pessoa e profissional que quero ser.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO......................................................................................................... 07
Capítulo 1- Dance Agora Baby, Gire E Grite: Rock, Beatles E Beatlemania............. 10
1.1 O Rock e a Beatlemania ...................................................................................... 11
1.2 A Beatlemania no Brasil ....................................................................................... 23
Capítulo 2 - Você Quer Saber Um Segredo: Os Beatles E Suas Canções No Auge Da
Beatlemania.................................................................................................................... 26
2.1 Canções de amor.......................................................................................................27
Capítulo3 - Tudo O Que Você Precisa É De Amor: O Que É Ser Beatlemaniaco ? ..... 37
3.1 Ser beatlemaníaco é ... ........................................................................................... 38
3.2 Beatlemaníacos e sua relação com os Beatles. ........................................................ 43
Considerações Finais ..................................................................................................... 47
Fontes e Bibliografia ..................................................................................................... 48
Anexos .......................................................................................................................... 51
“A música expressa o que não pode ser dito
em palavras mas não pode permanecer em
silêncio."
Victor Hugo
RESUMO
O Trabalho a seguir analisa a história da Beatlemania, movimento jovem da década
de 60. Caracterizada por culto exagerado dos músicos da banda The Beatles por parte
das garotas e por imitação deles por parte dos rapazes. A Beatlemania surgiu na
Inglaterra em 1963, com o inicio do sucesso da banda The Beatles, que surgiram em
Liverpool no final da década de 50. A beatlemania chegou à América no inicio de 1964,
com a primeira apresentação dos Beatles em solo americano, milhares de meninas
esperavam o grupo no hotel, e na volta á Inglaterra quatro mil fãs os esperavam. A
beatlemania chegou ao Brasil em meados de 1964 com o lançamento do filme A Hard
Day’s Night (Os reis do Iê Iê Iê, titulo brasileiro), milhares de jovens passaram a se
comportar, vestir e sentir a beatlemania mesmo sem ter vindo ao Brasil durante toda a
formação do grupo. A beatlemania estava ligada ao movimento contracultural nascido
na mesma década nos Estados Unidos, que buscava construir uma nova cultura livre das
normas impostas pela sociedade tradicional da época, é desse movimento contracultural
que vão surgir os movimentos feministas, homossexuais e afrodescendentes. A
beatlemania também está ligada à ascenção da cultura de massas e à construção da
identidade jovem rockeira, unindo grupos diferentes até os dias atuais mesmo após o
seu fim ter sido decretado em 1965 marcando uma nova fase dos Beatles.
PALAVRAS- CHAVE : Contracultura, cultura de massas e Beatlemania.
RESUMEN
El siguiente trabajo ha analizado la historia de la Beatlemanía, el movimiento juvenil
de los años 60. Se caracteriza por el culto exagerado de los músicos de la banda The
Beatles por las niñas y por la imitación de ellos por los chicos. La beatlemanía apareció
en Inglaterra en 1963, con el comienzo del éxito de la banda The Beatles que apareció
en Liverpool a finales de los años 50. La beatlemanía llegó a Estados Unidos a
principios de 1964 con la aparición de los Beatles por primera vez en suelo americano,
miles de niñas esperando al grupo en el hotel, y de vuelta a Inglaterra cuatro mil
aficionados estaban esperando. La beatlemanía llegó a Brasil en 1964 con el estreno de
la película Noche de un día duro (Reyes de IE IE IE, el título de Brasil), miles de
jóvenes comenzó a comportarse, vestirse y sentir la manía, incluso sin haber estado en
Brasil durante formación de todo el grupo. La beatlemanía estaba relacionado con el
movimiento contracultural nacido en la misma década en los Estados Unidos, que
pretendía construir una nueva cultura de estándares abiertos impuestas por la sociedad
tradicional de la época, esto es la lucha contra el movimiento cultural que se levantará
movimientos feministas, homosexuales y afrodescendientes. La manía también está
relacionada con el surgimiento de la cultura de masas y la construcción de la identidad
rockera joven, uniendo los diferentes grupos para el día de hoy, incluso después de que
su pedido ha sido decretado en el año 1965 marca una nueva etapa de los Beatles.
PALABRAS CLAVE: Contracultura, la cultura de masas y de la Beatlemanía.
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Introdução
A música tem acompanhado o homem desde a pré-história, tornando-se um elemento
característico do ser humano. Usada como forma de expressão, seja de tristeza, alegria,
dor ou para denunciar/anunciar algo, a música é uma linguagem local e global. É
impossível pensar no mundo atual sem a música e também sem as bandas musicais que
enlouquecem milhões de fãs em todo o mundo. A combinação diversificada dos
elementos melodia, ritmo e harmonia dão origem ao que chamamos de estilos musicais.
Entre alguns exemplos, podemos citar o rock, pop, rap, funk, tecno, samba, country,
jazz e blues. Contudo, os estilos são tão variados, que novas combinações surgem a todo
tempo. Da derivação do rock, por exemplo, surgiram diversas derivações, como o pop
rock, punk rock, emocore, heavy metal, hard rock, rock alternativo, indie-rock,
entre outras.
No final da década de 50, surge um novo estilo musical revolucionário que vai
modificar o comportamento jovem: o rock, nascido da fusão do country (música
advinda do oeste estadunidense) com o rhythm and blues de raiz negra.
Difundida entre os jovens pelo cinema através do filme “Ao balanço das horas” de
1956, que tem como música tema de abertura ”Rock Around the Clock” de Bill Halley
and His Comets, o rock transformou a geração silenciosa do inicio dos anos 50 na
juventude transviada de jaqueta de couro, calça jeans e motocicletas do inicio da década
de 60.
O rock cativa o público jovem que o torna sua forma de expressar seu
descontentamento e sua revolta. O surgimento de Elvis Presley selou a ruptura entre a
nova juventude e os velhos padrões sociais da época, como diria Carmo:
“Pela primeira vez milhões de jovens no
mundo são seduzidos por um gênero musical
que consegue se tornar o agente de uma
radical transformação no modo de se vestir,
pensar e agir.” (...) (CARMO,2001:32)
Já na década seguinte o rock vai ser consolidado com o surgimento do maior
fenômeno musical do gênero após Elvis Presley, o grupo inglês The Beatles. Formada
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em Liverpool no final dos anos 50, os Beatles vão alcançar o sucesso no inicio dos anos
60, mais precisamente em 1963 quando começa a Beatlemania na Inglaterra.
A Beatlemania foi um movimento que durou de 1963 até 1965, durante a primeira
fase dos Beatles. É uma fase mais romântica, que antecedeu a fase psicodélica da banda.
Caracterizada por ataques histéricos de moças exaltadas e imitações dos quatro
fabulosos (Fab Four) de Liverpool. A beatlemania tomou toda a Inglaterra, a Europa, e
em 1964 chegou à América. Os Beatles se tornaram febre nos EUA, milhares de
adolescentes buscavam todo e qualquer produtos e noticias que tivessem relação com o
grupo.
“Em pouco tempo a palavra Beatles
significariam não apenas música, mas
também todo um estilo de vida que incluía
humor, invenção irreverência, roupas
diferenciadas e até mesmo um inusitado
corte de cabelo”. (CARMO,2001:55)
A bealtemania está ligada aos movimentos contraculturais, iniciados nos anos 60
nos Estados Unidos e difundidos por todo o mundo ocidental. A contracultura foi
marcada por manifestações nas artes e ciências para quebra tabus, disseminando uma
nova cultura diferente da cultura oficial defendida pelo sistema, sendo solidária a
qualquer grupo de “excluídos” diante da opressão da sociedade consumista.
“Criticava-se também o predomínio da
racionalidade cientifica que havia servido
para criar a bomba atômica e a máquina da
guerra. Os intelectuais da Nova Esquerda
davam atenção para fenômenos como a
dominação, a repressão, o consumo e a
alienação”. (CARMO,2001:53)
Este trabalho é divido em três capítulos. O primeiro trata da História da
Beatlemania, fazendo uma contextualização com a história do rock, e como a
beatlemania chegou ao Brasil e os seus efeitos na juventude brasileira. A beatlemania
vai ser aderida não só pelo seu aspecto musical, mas também pela forma que ela quebra
paradigmas sociais.
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No segundo capítulo faz-se uma análise das músicas dos Beatles lançadas no auge da
Beatlemania. Quais os temas tratados durante a beatlemania e como essas músicas
afetam os beatlemaníacos. As mensagens de amor acalentadoras e de fácil afinidade
com o mundo jovem, já que o público dos Beatles era predominantemente composto por
adolescentes. E o terceiro e último capitulo traz um perfil dos beatlemaníacos. Quem
são, o que fazem e qual a importância dos Beatles nas suas vidas? São essas as questões
que tentaremos responder.
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Capítulo 1:
DANCE AGORA BABY, GIRE E GRITE :
ROCK, BEATLES E BEATLEMANIA
11
1.1 O Rock e a Beatlemania
Nos primeiros anos da década de 60, uma manifestação cultural espalhou-se entre os
jovens da Inglaterra e tomou todo o mundo. Esse movimento é denominado de
Beatlemania, ou seja, mania (vicio, adoração, histeria) pela banda The Beatles. Com sua
música conquistaram o mundo e milhões de jovens os imitaram tanto no aspecto
musical como também no aspecto comportamental. Eles formaram uma banda de rock,
formada na cidade de Liverpool (Inglaterra), em 1956. O grupo teve sua formação
definitiva: John Lennon (vocalista, guitarrista e compositor), George Harrison
(guitarrista e vocalista), Paul Mc Cartney (baixista, compositor e vocal) e Ringo Star
(baterista).
Os Beatles foram um fenômeno musical que mexeu com uma geração inteira na
década de 60. Mas para entendermos o que realmente foi a beatlemania devemos tentar
responder três questões principais: primeiro é o que é rock ? De onde veio esse ritmo
tão cultuado na década de 60 e que permanece no auge até hoje; a segunda questão é
quem foram os Beatles? Como surgiram e o que fizeram para que uma legião de fãs
enlouquecidos os seguissem e adorassem por todo o mundo.E a terceira questão : o que
significa ser fã dos Beatles? Como se caracteriza a subjetividade de um beatlemaníaco?
O conceito de rock é difícil de ser definido. Ele é polimorfo e varia de acordo com
as mudanças no tempo e nas diversificações desse estilo. O rock é um estilo musical
formado basicamente por uma melodia dançante, marcada por guitarras elétricas, baixo
e bateria,e letras fáceis de serem cantadas que contam como é ser jovem no mundo
moderno.
O rock teve sua origem nos Estados Unidos entre o fim dos anos 40 e o inicio da
década de 50. Inovador e diferente de tudo o que já tinha ocorrido na música, o rock
unia um ritmo rápido com influências da música negra do Sul dos EUA e o country.
Uma de suas características mais importantes era o acompanhamento de guitarra
elétrica, bateria e baixo elétrico. Com letras simples e um ritmo dançante, caiu
rapidamente no gosto popular. Apareceu pela primeira vez num programa de rádio da
cidade de Cleveland (Ohio) em 1951. Há muitas discussões para saber qual deveria ser
considerada a primeira gravação de rock & roll, a mais cotada é “Rocket 88” de Jackie
Brenston e os Delta Cats (na verdade, Ike Turner e sua banda The Kings of Rhythm),
gravada e lançada pela Sun Records de Sam Philips em 1951.(MUGNAINI JR.2007)
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Em 1954 Bill Haley lança o grande sucesso ”Shake, Rattle and Roll”. No ano
seguinte surge no cenário musical o rei do rock Elvis Presley, unindo vários ritmos
como a country music e o rhythm & blues. O roqueiro de maior sucesso até então, Elvis
Presley lançaria disco Heartbreaker Hotel (1956), atingindo vendas extraordinárias. Na
década de 50 outros roqueiros fizeram sucesso como Chuck Berry e Little Richard.
Na década de 60, que ficou conhecida como os Anos Rebeldes, por causa dos
movimentos pacifistas e manifestações contra a Guerra do Vietnã, aparece no mundo do
rock a banda de maior sucesso dos últimos tempos: The Beatles. “E foi nesta década
que muitos passaram a distinguir ‘rock´n roll’ de ‘rock’, sendo o primeiro mais
dançante e direto e o último mais cerebral e pretencioso.”(MUGNAINI JR, 2007: 41)
O rock está diretamente ligado a atitudes de contestação, rebeldia, liberdade e toda
ideologia da contracultura dos anos 60. É por isso que enquanto uns adoram e se jogam
no ritmo frenético, para outros (os “caretas” ou “quadrados”, como diziam os jovens da
época) ele é insuportável.
O rock ao contrário da música erudita que exige um comportamento mais sério e
contido de seu público, realiza uma troca entre banda e platéia,ou como diz o historiador
Paulo Chacon: “(...) o rock pressupõe a troca, ou melhor, a integração do conjunto ou
vocalista com o público, procurando estimulá-lo a sair de sua convencional passividade
perante os fatos”(1983,p.5). Com isso o autor quer dizer que, o rock é uma maneira de
se expressar corporeamente respondendo aos estímulos da música que, diferentemente
da música erudita em que os ouvintes sem mantêm inertes o rock mexe com os instintos
do público fazendo com estes se movam com liberdade, sem esquemas pré-
estabelecidos de comportamento. Se não houver uma reação corpórea por parte do
ouvinte não há rock. “O rock precisa de liberdade física, o que ficou claro de Elvis a
Fred Mercury, assim como das pinturas dos hippies dos 60 às cores agressivas do punk
dos 70” (CHACON, 1983:5).
Por isso a reação do público que houve rock é fundamental para a sua definição. “Se
não houver reação corpórea ‘quente’, não há rock”. É verdade que na música erudita há
reação corpórea (dança), e é por isso que o autor fala que essa reação no rock deve ser
“quente”, porque para dançar rock não é preciso coreografia marcada, rígida e
sincronizada. O rock é livre, e necessita de liberdade física, e isso vem desde o inicio
com Elvis Presley. (CHACON,1983:5)
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É a partir desse pressuposto que podemos diferenciar o rock da música de protesto.
O rock é antes de tudo, som, ou seja, ele vai priorizar a melodia para que haja a dança
que é um forte elemento que o define; já a música de protesto tem a necessidade de
passar uma mensagem política, uma critica social, e nesse caso a letra é que vai ser a
prioridade desse estilo.
No rock tão importante quanto dançar é cantar. Não importa se você vai cantar a
letra de maneira certa ou errada, no tom certo ou desafinando, se sabe ou não inglês,
porque se não sabe inventa. “Perdido na massa dos que habitam os bares e os estádios
ou mesmo na solidão livre do seu quarto o roqueiro se alia ao vocalista na esperança de
alcançá-lo, de igualá-lo”. (CHACON,1983:6)
Como havia dito antes, o rock é antes de tudo som. Ele nos atinge pelos órgãos mais
sensíveis do corpo: os ouvidos, e quanto a essa ação do rock no nosso organismo Paulo
Chacon diz :
(...)Seu leque de ação no espaço parece ser
muito mais aberto, quase infinito,porque as
notas se espalham em ondas mais amplas do
que os traços presos aos limites concretos
das [Link] sentido , dentro da
música, uma nota distorcida de guitarra
parece atingir não só o ouvido e o cérebro ,
mas cada uma das células do corpo humano,
fazendo do rock um dos ritmos musicais
mais agitados que se conhece nas sociedades
modernas”. (CHACON,1983:6)
As músicas mais lentas e intimistas que retratam relações amorosas idealizadas ou
concretas também fazem parte do universo do rock, são as chamadas baladas, ou rock-
balada. São mais tranquilas, sofridas e menos dançantes, como Yesterday dos Beatles e
Sweethearts together do Rolling Stones, mas que tem o mesmo efeito do rock
tradicional.
Outra vertente do rock é o chamado rock progressivo que tem ligações com a música
erudita barroca e renascentista, que não tem uma relação tão corporal com o público,
mas nem por isso perde a sua identificação com o espírito de contestação rock
tradicional, uma vez que liga-se a experiências psicodélicas. Bandas como Pink Floyd,
Emerson, Lake & Palmer, são os maiores exemplos do rock progressivo sessentista,
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usando de longas viagens psicodélicas por influencia das drogas como base para as suas
músicas de longa duração e utilizando de instrumentos experimentais como
sintatizadores e cítaras indianas que eram uma inovação para a proposta da época.
O público do rock, atualmente é mais abrangente. Jovens, adultos e até o pessoal
acima dos 60 anos que viveu na década de 1960 ouvem rock e seguem o estilo de vida
proposto pelo movimento sessentista e o rock acabou se tornando algo que passou de
geração a geração.
“Majoritariamente, ele é representado pelos
jovens no inicio da adolescência até o
momento crítico da entrada nos tortuosos
caminhos da linha de produção. Isto é, o
nosso público é aquele que vai da primeira
mesada ao primeiro salário.” (CHACON,
1983:7)
Mas o rock não é, apenas um tipo especial de música, compasso ou [Link]-
lo a esse conceito faz com que se ignore a sua penetração significativa nas sociedades
ocidentais. Ele é antes de tudo um estilo de vida, uma visão de mundo, uma filosofia,
uma cultura, uma forma de contestar e impor opinião.
E quanto aos Beatles? De onde vieram?
Em 1955, John Lennon, criou o grupo Quarrymen com amigos da escola onde
estudava, a Quarry Bank School. No começo, a banda tocava skiffle, tipo de música que
usava improvisações como bateria com panelas, baixos com cabos de vassoura. Logo, a
banda abandonaria o skiffle para se dedicar ao rock and roll, ritmo que estava
começando a fazer sucesso entre os jovens ingleses. Em Julho de 1957, Paul
McCartney, foi a um show dos Quarrymen e acabou sendo apresentado a John, o qual o
convidou para integrar-se à banda, depois de Paul ter demonstrado para banda sua
habilidade tocando a música Twenty Flight Rock. Paul e John começaram a compor
músicas para a banda juntos, formando a dupla de compositores Lennon/Mccartney, a
mais famosa da história do rock, muito embora algumas músicas tenham sido feitas
sem ser em dupla, sempre era creditado a música a Lennon/McCartney.
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Enquanto John compunha músicas com jogos de palavras, com letras mais
surrealistas principalmente após o Rubber Soul de 1965,como se pode ver em Please,
Please Me de 1963:
Last night i said these words to my
girl/I know you never even try
girl/Come on, come on, come
on,come on(2x)/ Please, please me oh
yeah, like I please you.
Noite passada eu disse estas palavras
para minha garota/Eu sei que você
nunca tenta garota./Venha, venha,
venha, venha(2x)/Me agrade,me
agrade oh yeah,como eu agrado você
Paul compunha num estilo mais suave e romântico, e era a principal voz nas baladas
como em All My Loving(1963), Yesterday (1965) e P.S I Love You (1963):
As I write this letter/Send my love to
you (you know I want you
to)/Remember that I'll always/Be in
love with you (yeah)
Enquanto escrevo esta carta (oh)/
Mando meu amor pra ti (você sabe
que eu quero que você)/Lembre-se
que eu sempre/ Estarei apaixonado
por você (yeah)
Em 1958, Paul apresentou a John um garoto que era seu conhecido, George
Harrison. George na época tinha apenas 15 anos, e era três anos mais novo que John,
fato este que desagradava um pouco a Lennon. No entanto, uma vez que George sabia
tocar guitarra melhor que John e Paul, isto contribuiu para ele ser aceito na banda.
O nome da banda mudou por diversas vezes, sendo desde Johnny and the Moondogs
a Long John and the Silver Beatles, numa época em que nomes grandes eram mais
comuns em meios musicais. O nome foi posteriormente simplificado para The Silver
Beatles e, finalmente, para The Beatles. Este nome foi inspirado na banda The Crickets
(os grilos), de Buddy Holly. A propósito, beatles é um trocadilho de beetles (besouros)
com beat (batida). Como John, Paul e George tocavam guitarra, a banda necessitava de
um baixista para dar ritmo às suas músicas. Em 1960, John, com 20 anos de idade,
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estava estudando na Art College, e convenceu um amigo da escola a comprar um baixo
e juntar-se à banda. O amigo era Stuart Sutcliffe, ou simplesmente Stu. Este não sabia
tocar baixo muito bem, sendo que seu maior interesse era por arte (pintura), mas entrou
para a banda por ser amigo de John. Naquela época os Beatles não tinham um baterista
fixo, e, portanto, profissionais desse gênero tocavam para eles apenas em determinadas
ocasiões. Ao tocarem em um pub de Liverpool, chamado Jacaranda, um baterista, Pete
Best, começou acompanhá-los com mais frequência. Pete era filho da dona do pub.
Quando os Beatles receberam um convite para tocar em clubes noturnos de Hamburgo
(Alemanha), eles convidaram Pete Best para acompanhá-los na bateria. Pete acabou
ficando como baterista fixo da banda.(FERRAZ,2008)
Os Beatles foram duas vezes a Hamburgo. Na primeira viagem, em 1960, alguns
fatores acabaram prejudicando o grupo: George acabou sendo deportado por ser menor
de idade; depois, Pete e Paul também foram deportados por provocar um pequeno
incêndio onde encontravam-se hospedados.(FERRAZ,2008)
Na primeira viagem a Hamburgo, os integrantes dos Beatles acabaram se tornando
amigos de alguns estudantes da cidade, entre eles Klaus Voorman e Astrid Kirchherr.
Quando foram a Hamburgo pela segunda vez, em 1961, George já era maior de idade.
Nesta segunda viagem, Stuart Sutcliffe resolveu abandonar os Beatles a fim de dedicar-
se à pintura, e também porque tinha se apaixonado por Astrid com quem resolveu se
casar pouco depois. Foi Astrid que sugeriu que os Beatles adotassem o penteado para
frente e abandonassem o penteado topete (estilo Elvis Presley). (FERRAZ,2008)
Com a saída de Stu, Paul McCartney assumiu o contrabaixo, e os Beatles passaram
então a ser um quarteto. Stuart morreria algum tempo depois de derrame cerebral.
Quando estavam em Hamburgo, eles acabaram gravando algumas músicas em estúdio,
acompanhando o cantor Tony Sheridan, entre elas a música My Bonnie.
(FERRAZ,2008)
Ao retornar a Liverpool, os Beatles já tinham uma certa popularidade na cidade, e
tocavam constantemente em um pub local, chamado Cavern Club. Seus fãs de
Liverpool, ao saberem que os Beatles tinham um compacto no mercado com a música
My Bonnie, cantada por Tony Sheridan, foram procurá-lo em lojas de discos, e essa
procura pode ser considerada a primeira manifestação da beatlemania na Inglaterra.
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Foi a partir desse momento que Brian Epstein, gerente de uma loja de discos, ficou
sabendo da existência dos Beatles. O gerente ficou curioso para saber quem eram os
Beatles, e foi vê-los tocar no Cavern Club.
Brian ficou impressionado com os rapazes, e resolveu tornar-se empresário deles.
Mas aconselhou a banda a mudar a aparência. Saíram os casacos de couro e calças
apertadas,e entraram terninhos que estavam na moda em Paris. O modo de se
apresentarem ao vivo também mudou: nada de brigar, comer, fumar ou beber durante os
shows, o que tornou os Beatles um produto mais apresentável. Como Brian trabalhava
vendendo discos de música, não seria difícil para ele contatar alguma gravadora para
apresentar os Beatles. A primeira que tentou foi a Decca Records, mas os Beatles foram
recusados, pois os executivos da gravadora achavam que o rock logo iria desaparecer.
Posteriormente, Brian conseguiu que George Martin, um produtor de discos da
gravadora Parlophone, subsidiária da EMI, ouvisse os Beatles. Em Londres, no dia 6 de
junho de 1962, George Martin ouviu os Beatles e resolveu contratá-los.
George Martin não gostou muito de Pete Best na primeira gravação dos Bealtes em
estúdio, pois o achou muito limitado em algumas músicas, isso quando não errava
alguma coisa nas outras. Em agosto de 1962, Pete Best foi demitido e foi substituído por
Ringo Starr, que foi o baterista oficial do grupo desde o auge da beatlemania até o fim
do grupo.
O auge da beatlemania estava ligada ao movimento de contracultura que se espalhava
pelo mundo assim como as músicas dos Beatles. A contracultura foi um movimento
jovem iniciado nos anos 60 nos Estados Unidos. O objetivo maior desse movimento era
contestar as regras impostas pela sociedade conservadora da época e que teve uma
participação em massa do jovens contra o Sistema, como explica Carlos Alberto
Pereira:
(...) a contracultura conseguia se afirmar aos
olhos do Sistema e das oposições (ainda que
gerando incansáveis discussões),como um
movimento profundamente catalisador e
questionador, capaz de inaugurar para
setores significativos da população dos
Estados Unidos e da Europa , inicialmente, e
de vários países de fora do mundo
desenvolvido, posteriormente, um estilo, um
modo de vida e uma cultura underground,
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marginal, que no mínimo dava o que falar.
(PEREIRA,1983:9)
Precedidos pela geração “silenciosa” da década de 1950, os jovem contestadores de
60 combatiam a segregação racial, buscavam a libertação sexual, combatiam o
consumismo exagerado, eles queriam quebrar tabus.
“Essa nova geração de
descontentes vai canalizar grande parte
de sua energia para atividades diferentes
das tradicionais formas de luta política.
Na ânsia de transformações
revolucionarias na oposição aos
‘quadrados’, rebeldes julgavam que ser
lúcido significa a opor-se ao velho estilo
de vida americano (American way of
life)revoltar-se contra a situação e os
valores estabelecidos”.
(CARMO,2001:52)
O quarteto inglês chegou na América pela primeira vez em fevereiro de 1963 , com a
introdução da música “Please, please me” na programação da rádio World's Largest
Store (WLS) de Chicago, provavelmente a primeira vez que foi ouvida uma canção dos
Beatles no território americano. Em 3 de janeiro de 1964, Jack Paar mostrou no
programa de TV uma apresentação de “She loves you” gravada ao vivo na Inglaterra,
essa foi a primeira aparição dos Beatles na América , mas não foram muito populares
como eram na Inglaterra.
Em Londres, em meados de 1963, os Beatles já haviam adotado a cidade como lar
oficial do grupo. A fama nacional já batia a porta deles com após a primeira
apresentação na BBC londrina, e a partir disso as fãs passaram a persegui-los por toda
parte. E após o lançamento de “She loves you”, que é o marco inicial da beatlemania, as
moças não os deixavam em paz, como diz Bento Ferraz :
“ A partir daí Jonh , Paul , George e
Ringo não puderam mais caminhar pelas
ruas sem a proteção de seguranças ou
[Link] fanáticas berravam
histericamente pelos ídolos em todo o lugar-
na porta de onde eles moravam , nos palcos
, nas ruas . Em busca de qualquer suvenir, as
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moças ameaçavam até a integridade física
dos Beatles.” (FERRAZ,2008:40)
Chegamos então à ultima questão formulada no inicio e que é a mais importante para
este trabalho: O que é a beatlemania? O que caracteriza este fenômeno da cultura de
massas?
O dia 13 de Outubro de 1963 pode ser considerado o início da Beatlemania, quando
o grupo participou do show "Val Parnell's Sunday Night at the London Palladium,
transmitido ao vivo pele rede de televisão ATV para 15 milhões de telespectadores. Os
telejornais exibiam as manifestações das fãs enlouquecidas, o que recebeu o nome de
"Beatlemania". Os Beatles tocaram apenas duas músicas, "She Loves You" e "Twist and
Shout”.
O show no dia 13 de outubro de 1963 no London Palladium foi transmitido por uma
emissora privada da TV inglesa, no programa de maior audiência de sua grade, o Val
Parnell’s Sunday Night, que apresentava talentos no auge do sucesso. Foram 15 milhões
de espectadores no país todo. O público foi a loucura no momento em que os Beatles
pisaram no palco:
“A histeria coletiva das meninas
foi colossal. A imprensa descreveu as cenas
de desmaio, as tentativas de subir no palco,
os gritos, a perda de voz, o choro
compulsivo, até os orgasmos em meio a
olhares nublados. Os jornais, revistas e
emissoras começaram a levar a sério os
rapazes de Liverpool...” (FERRAZ,
2008:42)
A rua em volta do Palladium foi cercada pelos fãs, que gritavam sem parar.
Os Beatles quase não conseguiram fazer a passagem do som. Outras redes
de televisão apareceram para noticiar os acontecimentos e, na saída do show, o grupo
quase foi esmagado pela multidão.
Todos os jornais da Inglaterra noticiaram nas primeiras páginas a confusão da noite
anterior, ocorrida antes, durante e depois do evento. Nada foi escrito sobre o show em
si; tentava-se explicar somente o comportamento dos fãs. A palavra "Beatlemania"
aparecia pela primeira vez na mídia. A partir daquele momento os Beatles passaram a
ser muito procurados para entrevistas. Aproveitando a fama mundial da banda, foi
20
lançado em Novembro de 1963 o álbum With the Beatles, que prosperou com hits
como All My Loving.
Pensando em conquistar os Estados Unidos, Brian Epstein, no começo de novembro
de 1963, procurou o presidente da gravadora Capitol Records para lançar um single com
a canção "I Want To Hold Your Hand", e conseguiu firmar um contrato com um popular
apresentador de televisão americano, Ed Sullivan, para que os Beatles fossem até lá se
apresentarem em seu programa. Em 7 de fevereiro de 1964, uma multidão de quatro mil
fãs ingleses no Aeroporto Heathrow acenou para os "garotos de Liverpool", que partiam
pela primeira vez aos Estados Unidos como um grupo.
Os Beatles fizeram sua primeira aparição ao vivo na televisão americana no The Ed
Sullivan Show, em 9 de fevereiro de 1964. Aproximadamente 74 milhões de
telespectadores – cerca da metade da população americana – assistiu o grupo tocar no
programa. Esse foi o começo da Beatlemania na América.
Em 1964 é lançado o filme A Hard Day's Night acompanhando com o lançamento do
álbum homônimo (até então os Beatles eram a única banda a ter um longa-metragem), o
álbum prosperou hits como I Should Have Known Better, no Brasil, foi intitulado Os
Reis do Iê, Iê, Iê (PUGIALLI,2008). O filme relata a rotina dos Beatles durante uma
viagem da turnê nacional. É uma espécie de sátira de como o sucesso e a fama inteferem
na vida deles.
A Hard Day´s Night retrata a preparação para os shows, chegada nos hotéis, a
viagem de trem, os Beatles dando entrevistas, a comercialização da imagem dos garotos
e a loucura das fãs ao vê-los. Esse filme é considerado um documentário sobre a
beatlemania.
Vemos então que a beatlemania não é um fenômeno exclusivamente musical, mas
envolve outras linguagens como o cinema, a moda, a linguagem como diz Paulo Sérgio
do Carmo:
“Em pouco tempo a palavra Beatles
significaria não apenas música, mas também
todo um novo estilo de vida que incluía
humor, invenção, irreverência, roupas
diferenciadas e até mesmo um inusitado
corte de cabelo.”(CARMO,2001:55)
21
Em novembro desse mesmo ano a edição da revista Time traz um artigo que falava
da histeria causada pelos Beatles, enquanto a Newsweek trazia estampada a
beatlemania em um artigo ilustrado com fotos da loucura das fãs pela Inglaterra, essas
foram as primeiras aparições do termo na imprensa.
Para entender melhor a beatlemania vejamos o perfil desta banda comparada com
outra que até hoje é uma referencia no rock mundial os Rolling Stones.
Pouco depois do estouro dos Beatles, surge também na Inglaterra um outro grupo
que iria revolucionar o rock mundial: The Rolling Stones. Totalmente diferentes dos
Beatles na maneira de vestir, cantar, tocar, se comportar e até nas origens (os Beatles
são filhos da classe operária de Liverpool, e os Stones são frutos de uma classe social
mais abastada de Londres), os Stones vão ser destacados como rivais dos meninos de
Liverpool.
Encantados pelas raízes negras do blues, os Stones calcavam seu som com os
ouvidos calejados de tanto Jimmy Reed, Muddy Waters, Elmore James, Little Richard e
Chuck Berry enquanto os Beatles se deliciavam pelo “skiffle” de Lonnie Donegan,
pelos rocks de Elvis, Carl Perkins... e Little Richard e Chuck Berry. Berry e Richard
talvez foram o ponto de encontro entre os dois conjuntos, pelo rock mais cru, visceral e
selvagem, em suas guitarras e gritos. Ao serem indagados sobre se sua música era
parecida com a dos Beatles, os Stones responderam de bate-pronto que “NÃO”, em
uníssono, na coletiva de sua primeira visita aos EUA – alguns meses depois da primeira
visita dos Beatles a esse país. Começava assim o diferencial Beatle x Stone, marcado
pelo blues. A gaita de Lennon não era puxada do blues. O primeiro sucesso dos Beatles
em 1962, ainda muito a nível local, foi a canção “Love Me Do”, que tinha uma linha de
gaita. Mas os Beatles só viriam a compor – e lançar – seu primeiro blues no White
Album de 1968, sendo “Yer Blues”, no vocal de John Lennon - "Yes, I'm lonely, wanna
die" (Sim, estou sozinho, quero morrer). Em 1968 os Stones já compunham e lançaram
no mercado britânico diversos deles. Beggar’s Banquet é um álbum recheado de blues,
bem como “Let It Bleed”, seu trabalho posterior. Aliás, raros trabalhos stoneanos não
possuem pelo menos um blues, sempre fiéis às suas raízes. Os Rolling Stones não
conseguiam ser os Rolling Stones quando não tocavam blues. Não podia existir limo
nas pedras que rolavam.
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Provavelmente um diferencial ainda mais explícito, pelo menos na visão da mídia,
eram seus estilos de vida. Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone? era a
frase marqueteira inventada pelo então empresário dos Stones na época, Andrew Loog
Oldham, que oficializaria a imagem irreverente da banda, enquanto cada um dos Beatles
poderia ser o genro que toda mãe queria. Pois enquanto os Beatles cantavam por “I
Wanna Hold Your Hand” (Eu quero segurar sua mão) os Stones “Just Want to Make
Love With You” (Apenas quero fazer amor com você). Urinar no muro de um posto de
gasolina talvez poderia ser algo forçado, mas ir a julgamento por esse motivo e parar
numa corte marcial fez dos Stones os roqueiros pioneiros com problemas com a
polícia. Na verdade os Beatles sempre foram os "queridinhos da mídia", até o dia em
que John Lennon colocava os Beatles numa disputa de popularidade com Jesus Cristo
em 1966, declarando que sua banda era mais famosa do que a Divindade em questão. Só
não chegaria tão longe quanto Mick Jagger chegou ao compor "Sympathy for the
Devil"(Simpatia pelo Diabo), na qual se apresentava como o próprio
capeta.(DEROGATIS, KOT,2011)
Diferenças técnicas sempre foram apontadas. Enquanto Charlie Watts era um
baterista com um som jazzístico clássico tirado de seu kit, Ringo Starr jamais teve
formação desse nível, sendo sempre considerado por “especialistas” o menos técnico
dos Beatles. Mas qual seria o ponto forte dos Beatles? Quando eram meninos e em
início de carreira, tentaram a cidade alemã de Hamburgo como primeiro passo. Lá, John
e Paul desenvolveram uma qualidade vocal superada pelos próprios limites, com o
intuito da banda aprimorar sua técnica e prender o público encharcado de álcool. Nos
primeiros trabalhos já se nota a qualidade indiscutível do vocal dos Beatles dividido
pelos dois líderes. Nos Stones não eram muitas as vezes em que Jagger dividia os vocais
com Richards.
Os Beatles também se destacaram nas letras com um romantismo universal que
nunca param de ser regravadas por outros artistas e bandas. Sobre aspecto falaremos
melhor no capítulo 2.
Apesar das alfinetadas da mídia e de John Lennon, os Stones não precisavam copiar
ninguém para se manterem no topo. Apesar da alfinetada de Lennon, os grupos
mantinham boas relações. Um dos primeiros sucessos que os Stones gravaram foi
exatamente uma canção dos Beatles de 1963 "I Wanna Be Your Man" cedida por John e
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Paul. Um fazia participações especiais nas músicas do outro e até se homenagearam
mutuamente nas capas dos discos. "Os Beatles eram ótimos para abrirem portas"
declarou Keith Richards. Os Beatles foram assistir ao show dos Rolling Stones no
Crawdaddy Club quando eles ainda não eram os Rolling Stones e algum tempo depois
George Harrison indicava o grupo à Decca, gravadora que recusou contratar os
Beatles. Podemos dizer seguramente que essa "rivalidade" entre os grupos, que na
verdade se respeitavam, era mais uma jogada de marketing.(DEROGATIS, KOT, 2011)
Portanto, ao destacarmos a importancia dos Beatles dentro da história do rock,
vimos delinear-se o movimento da beatlemania que consiste basicamente em obter em
primeira mão todo e qualquer produto, lembrança, autografo, foto, sorriso ou qualquer
manifestação por parte dos Beatles, colecionar fotos, reportagens, bilhetes de entradas
de espetáculos ou shows, comprar camiseta ou qualquer buginganga referente aos
ídolos, vestir- se igual aos meninos de Liverpool, com direito ao corte de cabelo do
mesmo estilo, terninhos sem lapela, com gravatas discretas, combinando com as
botinhas de meio salto, e , para isso os fãs promoveram uma verdadeira histeria coletiva:
desmaios, crises de choro, gritarias insanas, perseguições, acampamentos em portas de
lojas, hotéis, casas de shows e aeroportos,
A "Beatlemania" durou mais ou menos até o álbum Rubber Soul, de 1965 o sexto
álbum da banda. As músicas ficavam cada vez mais difíceis de serem tocadas, por conta
da maior sofisticação. A fama intensa acabou "cansando" o quarteto, e ainda mais após
a polêmica entrevista em que John Lennon citou Jesus Cristo, gerando revolta em
alguns lugares por onde a banda passava. Após esse caos, os Beatles desistiram de fazer
qualquer turnê mundial, e para a crítica isso seria o fim da banda. Sem a obrigação de
tocar, isso limitou o repertorio de criação, letras e principalmente os instrumentos,
criando musicas que para Paul McCartney, tinham de ser "algo que as pessoas não
estivessem acostumadas ao ouvir". O quarteto revolucionário surpreendeu em 1966 com
o álbum Revolver, que marcou o fim da Beatlemania, e deu o inicio ao rock psicodélico.
1.2 A Beatlemania no Brasil.
No Brasil, os primeiros indícios da beatlemania só surgiram em 1963. Os jornais
fizeram comparações entre as fãs brasileiras de Cauby Peixoto e Emilinha Borba, que
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segundo os jornalistas eram “menininhas de colégio de freira” comparadas as “loucas”
beatlemaniacas que seguiam os meninos por todos os lugares por onde passavam.
O primeiro sucessos dos Beatles que chegou ao Brasil foi o She Loves You de uma
maneira pirata, trazidos por Newton Duarte, que a tocava nas rádios cariocas e depois se
espalhou por todo o país. Essa canção fez um enorme sucesso, e deu origem ao título de
Reis do Iê Iê Iê aos quatro garotos de Liverpool por causa do refrão da canção de
Lennon/McCartney :
She loves you
Yeah, yeah, yeah
She loves you
Yeah, yeah, yeah
She loves you
Yeah, yeah, yeah
Em meados de 1964 foi lançado no Brasil o filme A Hard Day´s Night , e foi um
sucesso no país. Foi a partir desse momento que os jovens brasileiros começaram a
imitar os Beatles: meninos deixaram os cabelos crescerem para ficar iguais aos ídolos,
as meninas entravam em frenesi toda vez que se ouvia fala no Fab Four (os quatro
fabulosos).
O primeiro disco dos Beatles lançado no Brasil foi o From Me To You/Please
Please Me que obteve pouco êxito por aqui. Mas o que teve maior repercussão chegou
às lojas apenas em março de 1964, quando o quarteto de Liverpool já tinha dois
LPs lançados no mercado inglês. Beatlemania era uma espécie de coletânea exclusiva
do mercado brasileiro e reunia, além da foto da capa, nove faixas do segundo disco
britânico, With the Beatles. Também faziam parte do álbum os singles “She Loves
You”, “I Want to Hold Your Hand” e “I Saw Her Standing There”, que originalmente
fazia parte de Please Please Me (inglês).
Em julho de 1964 alguns jornais publicaram a possibilidade de uma vinda dos
Beatles ao Brasil, para shows em São Paulo e no Rio de Janeiro dando continuidade aos
boatos que se iniciaram meses antes com a vinda de outros artistas internacionais como
Rita Pavone e Ted Reno e Johnny Mathis. Milhares de garotas com certeza mal
conseguiram dormir a espera de noticias sobre esses shows que nunca se confirmaram.
Mas o único Fab Four que os fãs do Brasil viram foi a versão genérica vinda dos
Estados Unidos , conhecidos como The American Beetles.
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Nesse ano o Brasil se encontrava no inicio do Golpe civil militar, que embora
empregasse uma política de controle e censura, não se opunha à massificação da cultura,
e os Beatles continuaram ditando moda por aqui.
Em 1966 os Beatles afirmaram que não haveriam shows no Brasil. Os motivos foram
as disputas políticas entre exército e opositores à ditadura em razão do regime militar.
Brian Epstein não queria expor os Beatles a nenhum risco, mas também porque nenhum
empresário brasileiro teria condições de realizar esse evento, pois os shows dos garotos
eram caros e também porque teriam que arcar com os prejuízos provocados pelos
beatlemaníacos histéricos.
Quanto ao comportamento dos beatlemaniacos brasileiros algumas notas curiosas de
jornais retratam a inquietação da sociedade conservadora em relação ao visual “Beatle”
adotado pelos jovens. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais (em Juiz de Fora, mais
precisamente) jovens foram proibidos de entrar nas escolas por manterem os cabelos
grandes que faziam “inveja a qualquer menininha” e se recusarem a mudar. No Colégio
Pedro II aconteceu o fato de alguns alunos serem proibidos de assistirem as aulas por
causa do cabelo ! (Correio da Manhã, 27 de setembro de 1964)
Para desespero dos Pais e dos barbeiros de juiz de Fora os adolescentes se defendiam
dizendo que: “cabelo curto não forma caráter”. E eles estavam certos, pois
beatlemaníacos da época se tornaram ótimos profissionais em várias áreas, e muitos
deles se tornaram grandes nomes da musica brasileira, como Rita Lee, Renato e seus
Blue Caps, Os incríveis, Roupa Nova e outros, que se inspiraram nos garotos de
Liverpool e seguiram na carreira musical.
A beatlemania vai interferir nos movimentos musicais e culturais do Brasil, como a
Jovem Guarda e o Tropicalismo. A Jovem Guarda foi um movimento jovem liderado
por Roberto Carlos, Wanderléia e Erasmo Carlos. Sua principal influência era o rock
and roll do final da década de 1950 e início dos 1960. Grande parte de suas letras
tinham temáticas amorosas, adolescentes e açucaradas - algumas das quais, versões de
hits do rock britânico e norte-americanos da época.
Por essa inspiração, a Jovem Guarda tornou-se o primeiro movimento musical no
país que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock da
época, catalisado especialmente pelos Beatles.
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Capítulo 2:
VOCÊ QUER SABER UM SEGREDO ?
OS BEATLES E SUAS CANÇÕES NO AUGE DA
BEATLEMANIA.
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2.1 Canções de amor.
Os Beatles surgiram na década de 60 e revolucionaram a música da época. De 1962
até 1965 (auge da beatlemania) as letras são mais simples e românticas como era
comum na época. As músicas falam de amores platônicos, de reconciliações, da difícil
vida dos jovens, de como conquistar garotas, mas também fazem críticas ao modelo de
vida imposto pela sociedade ao jovens, não tão abertamente , mas usando jogos de
palavras ou com letras de duplo sentido. Mas em sua maioria as canções falavam de
amor como diz Paul McCartney :
Eu fico feliz que a maioria das canções
falava de amor, paz e entendimento. Não há
quase nenhuma que diga: ‘Vamos, garotos,
mandem todos para o inferno. Abandonem
seus pais’. Todas são ‘Só do que você
precisa é amor’, ou como disse John “Dê
uma chance à paz’. Existia um bom espírito
por trás de todas elas; eu fico muito
orgulhoso disso. De qualquer forma... foi
uma coisa formidável, os Beatles.
(BEATLES,2000:357)
As canções Beatles se tornaram verdadeiros hinos da juventude de 60. Garotas
gritavam as letras durante os shows, os garotos cantavam a plenos pulmões em suas
garagens ou reuniões com os amigos beatlemaníacos.
Em agosto de 1963 foi lançada She Loves You (Ela Te ama), considerada o hino da
beatlemania. Essa canção foi a número 1 nas paradas britânicas e estadunidenses, e
permaneceu no top 20 de sucessos até 1964. Foi a primeira música que utilizou a marca
“yeah yeah yeah”.
Pode-se dizer que, Lennon-McCartney é a dupla mais bem sucedida de canções de
música do estilo rock clássico e balada pop desde o século XX até os dias de hoje. "She
Loves You" é considerada a precursora da Beatlemania com o surgimento dos gritos,
"yeah-yeah-yeah", dando aos Beatles, no Brasil, o título de "reis do iê-iê-iê" durante os
anos 60, visto até que, no Brasil, em janeiro de 1965, a gravadora Odeon lançou o
terceiro álbum dos Beatles intitulado em Português: Os Reis do Iê, Iê, Iê que era
também o título em Português do filme dos Beatles A Hard Day's Night, no Brasil. Na
canção chamam a atenção o famoso falsete "uuu" que lembra o dos Isley Brothers.
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"She Loves You" foi lançada no Brasil primeiramente num compacto simples, em
março de 1964, junto a outro sucesso, "I Want to Hold Your Hand," quando a
Beatlemania já estava na moda.
"She Loves You" estourou nas paradas de sucesso no Brasil e o compacto foi re-
lançado em Setembro de 1964, desta vez como um compacto duplo que incluía já quatro
canções. Simultaneamente com o primeiro compacto lançado no Brasil, em março de
1964, She Loves You foi também lançada nesta data no primeiro LP("Long Play") dos
Beatles no Brasil, Beatlemania, um LP assim intitulado com seleções musicais
especialmente voltadas ao mercado brasileiro.
Escrita por Paul McCartney e John Lennon essa música foi muito além de um
single bom de vendagem,ela foi um marco na música popular jovem da década de 60.
Com letra simples She Loves You, é uma canção de amor que toma a forma de um
conselho a uma amigo:
You know it's up to you/I think it's
only fair/Pride can hurt you too/So
apologize to her
Agora você sabe que é com você/
Acho isso apenas justo/ Orgulho pode
machucar também/Então peça
desculpas a ela
Because she loves you/And you know
that can't be bad/She loves you
And you know you should be glad
Por que ela te ama/ E você sabe que
isso não pode ser ruim/ Ela te ama/ E
você sabe que deve ficar feliz.
Outra canção que fez as beatlemaníacas gritarem e enlouquecerem foi P.S I Love
You (P.S Eu Te Amo). A letra é como uma carta de amor que fala amor eterno e
reencontro. Foi escrita por Paul McCartney em 1962, na época ele namorava com
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Dorothy Rhone, que acreditava ser a inspiração de Paul para a música o que foi
desmentido anos mais tarde pelo próprio compositor.
As I write this letter/Send my love to
you/Remember that I'll always/Be in
love with you
Treasure these few words/Till we're
together/Keep all my love forever/P.S.
I love you/you, you, you
Enquanto escrevo esta carta/ Mando
meu amor pra ti/ Lembre-se que eu
sempre/ Estarei apaixonado por você
Guarde estas palavras/ Enquanto
estamos juntos/ Fique com todo o meu
amor para sempre/ P.S. Eu amo você/
Você, você, você
Várias jovens da época poderiam reivindicar o posto de musa inspiradora das
bandas, pois eram comum a presença de garotas que sempre acompanhavam as bandas,
eram as groupies. As groupies devam suporte material e afetivo aos músicos. Esse
termo foi usado pela primeira vez em 1967 para descrever as garotas que perseguiam
integrantes de bandas de pop e rock.
Como a maioria das canções da dupla Lennon/McCartney, I want to hold your hand
(Eu quero segurar sua mão), foi escrita numa das inúmeras vezes que eles se reuniram
pra compor. Um dia no porão da casa de Jane Asher, então namorada de Paul, eles
criaram essa música que falar de um amor inocente, em que o rapaz implora para que a
mocinha o deixe ser “seu homem”:
Oh please, say to me/ You'll let me
be your man /And please, say to me
You'll let me hold your hand/Now let
me hold your hand/I wanna hold your
hand.
Por favor, me diga/ Que você me
deixará ser o seu homem/ E por favor,
me diga/ Que você me deixará segurar
a sua mão/ Agora, deixe-me segurar
sua mão/ Eu quero segurar sua mão.
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Notamos nessa canção uma atitude de irreverência, de independência jovem e ao
mesmo tempo uma suplica do velho romantismo: “deixe- me segurar sua mão”.
Em 1964 os Beatles lançam A Hard Day´s Night (Uma noite de um dia difícil). O
título vem de uma frase dita por Ringo que declarou:
Eu inventei a frase ‘a hard day’s night’.
Simplesmente saiu. Tínhamos um
compromisso, trabalhamos o dia todo e
acabamos trabalhando a noite toda também.
Eu sai achando que era dia e disse ‘it’s been
a hard day’, olhei em volta e acrescentei ‘’s
night’. (TURNER,2009:73)
Composta por Paul, A Hard Day’s Night foi a última canção escrita para fechar o
álbum da trilha sonora do filme homônimo. Essa música é um desabafo de um
trabalhador que passa o dia todo no trabalho para comprar as coisas que a esposa deseja;
You know I work all day/ To get your
money to buy your things/ And it's
worth it just to hear you say/ You're
gonna give me everything
Sabe, eu trabalho o dia todo/ para
ganhar dinheiro pra você para
comprar suas coisas/ comprar suas
coisas/ E vale a pena só de ouvir/ você
dizer você irá me dar de tudo.
Essa canção vai dar uma noção de como é a vida da classe operária de Liverpool, que
Paul conhecia bem por causa de seu pai. Em vário versos serão repetidas a ideia de
cansaço e de que é bom chegar em casa que abriga alguém que o espera
carinhosamente, ou seja a ideia de um lar protetor. O trecho: “But when I get home to
you/I find the things that you do/You make me feel alright” (Mas quando eu chegar em
casa pra você / eu encontro as coisas que você faz / você me faz sentir tão bem), nos dá
a noção de que a esposa do trabalhador é perfeita (de acordo com os parâmetros da
época), pois sempre que ele volta para casa tudo está em ordem , devidamente no lugar.
When I'm home/ Everything seems to
be right/ When I'm home/ Feeling you
holding me tight/ Tight, yeah
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Quando estou em casa/ tudo parece
estar certo/ Quando estou em casa/
sentindo você me abraçar forte/ forte,
yeah.
Can’t buy me Love (Não pode comprar meu amor) de 1964, é o que os músicos
chamam de música de encomenda, que é simplesmente a canção feita para fechar um
trabalho (disco). Com uma mensagem oposta ao que estava acontecendo na época
(ascensão do consumismo), diz que o dinheiro só pode comprar bens mateiais e não um
sentimento verdadeiro como o amor.
I'll buy you a diamond ring my friend/
If it makes you feel all right/I'll get
you anything my friend/If it makes
you feel all right/'Cause I don't care
too much for money/Money can't buy
me love.
Eu lhe comprarei um anel de
diamantes, Minha amiga/Se isso fizer
você se sentir bem/Eu lhe darei tudo,
minha amiga/Se isso fizer você se
sentir bem/Pois eu não me importo
muito com dinheiro/Porque dinheiro
não pode comprar meu amor.
Num certo momento da canção Paul pede que a moça por quem está apaixonado
diga-lhe que o dinheiro não lhe interessa e sim o sentimento, carinho, amizade, amor,
que são coisas que o dinheiro não pode comprar, e esse desapego material e valorização
dos sentimentos pode ser vista nas musicas da jovem guarda na década de 60 e nas
músicas do cantor Tim Maia nas décadas de 70/80.
Tell me that you want those kind of
things/that money just can't buy/I
don't care too much for money/Money
can't buy me love.
Me diga que você quer aquelas coisas
que o dinheiro não pode comprar/Pois
eu não me importo muito com
dinheiro/Porque dinheiro não pode
comprar meu amor.
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Há uma história no mínimo engraçada envolvendo Tim Maia e o então ex-Beatle
John Lennon. Em 1975 imerso na doutrina da Cultura Racional , Tim Maia perguntado
por jornalistas (ou “magnéticos”, nomenclatura dada pelo próprio Tim) se a sua nova
doutrina era algo parecido com a sociedade alternativa adotada por Raul Seixas eles
respondeu :
“Você está maluco, seu magnético? John
Lennon é uma besta e Raul Seixas uma
cópia xerox da burrice. Eles são dois
quadrúpedes que só querem justificativa
para curtir suas loucuras. É vigarice das
brabas! E se alguém voltar a falar nisso, a
gente encerra o papo já!”.
(BEATLELADO,2011)
Acreditando que sua nova doutrina era superior, Tim resolveu divulgar o livro e o
disco que fez baseados na Cultura Racional, e disse que os enviaria para James Brown
(Rei do Soul estadunidense) e Curtis Mayfield, em português mesmo porque o Racional
superior faria com que eles entendessem a sua proposta. Tim também enviou esses
trabalhos para John Lennon , que já estava decepcionado com qualquer doutrina desde o
fiasco com o guru indiano Maharishi Maheshi Yogi. John respondeu ironicamente
enviando –lhe uma foto sua nu e um bilhete que dizia: “ Dear freak, I don´t understand
Portuguese. What about Listen to this photo? John Lennon.”( [Link]: “Caro maluco,
eu não entendo português. Que tal você escutar essa foto?”). Tim enfurecido disse aos
jornais que o Racional Superior tinha dado só mais nove anos de vida a Lennon, que
estaria marcado para morrer em 1984, esquecendo-se apenas de avisar ao assino de
Lennon que o matou em 1980. Tempos depois desiludido com a doutrina, Tim recolheu
e tirou de circulação os trabalhos que tinham alusão ao Racional superior e sua doutrina.
Help! (Socorro) foi um grande sucesso de 1965. Lançada como parte da trilha
sonora do filme homônimo (cheio de estereótipos, mas muito bem humorado), ela é
mais uma composição da dupla Lennon/McCartney, mas é peculiar. Essa canção era
uma das favoritas de John Lennon, pois ele dizia que ela era real.
Help conta a angústia da insegurança de envelhecer, o narrador já não é mais um
jovem e está precisando da ajuda de alguém que o faça pôr os pés no chão, que lhe dê
segurança. Esse narrador é ninguém menos que o próprio John que se vê inseguro e
ansioso por causa da fama que ao invés de libertá-lo, o prende.
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Help me if you can, I'm feeling down/
And I do appreciate you being round/
Help me, get my feet back on the
ground/Won't you please, please, help
me.
Ajude-me, se você puder, eu me sinto
pra baixo/E eu aprecio você estar por
perto/Ajude-me, coloque meus pés de
volta no chão./Você não vai, por
favor, ajudar-me?
As canções dos Beatles no auge da Beatlemania (1963-1965) falavam de amor, e
era isso o que vendia. Elas mexiam com o imaginário das garotas que viam nos seus
ídolos os seus príncipes encantados sob a rebeldia do rock. Canções como Love me do
(Me ame), All My Loving (Todo meu amor), Please, Please Me (Por favor, Me agrade),
Eight Days a Week (Oito dias Por Semana), Do you want to know a secret? (Você
quer saber um segredo?) e Ask Me Why (Me pergunte por que) falam sobre amor.
Promessas incansáveis de amor eterno, de entrega, de amores românticos, platônicos e
puros.
Closer/Let me whisper in your ear/
Say the words you long to hear/I'm in
love with you. (Do you want to know
a secret?)
Aproxime-se.../Deixe-me sussurrar no
seu ouvido/Dizer as palavras que você
há muito espera/Estou apaixonado por
você.
Now you're mine/My happiness dear
makes me cry/And in time/You'll
understand the reason why/If I cry it's
not because I'm sad/But you're the
only love that I've ever had. (Ask me
why)
Agora você é minha/Minha felicidade
ainda me faz chorar./E com o tempo
Você vai entende o motivo/Se eu
choro não é porque estou mal/Mas
você é o único amor que eu já tive.
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A balada mais famosa e regravada dos Beatles é Yesterday (Ontem). A música é
triste, fala sobre um amor perdido. A insegurança que o abandono traz. O narrador sente
falta da estabilidade que o amor dá, e ao magoar a sua amada ele percebe que o amor é
difícil, que é um jogo difícil de ser jogado.
Essa música tem uma história peculiar. Paul acordou com a melodia dessa música na
cabeça e sua maior preocupação era se a música não era inconscientemente plagiada,
mesmo sem ter letra definida:
(...) e o que parecia um arroubo de
inspiração pudesse ser apenas a memória
de uma melodia. ‘Por cerca de um mês fui
atrás das pessoas no mercado musical e
perguntei se já tinham ouvido a música
antes’, ele conta. ‘Acabou sendo como
entregar algo à policia. Achei que se
ninguém desse falta em algumas semanas
eu poderia ficar com
ela’.(TURNER,2009;127)
Yesterday não foi lançada como lado A ou lado B em nenhum disco da carreira dos
Beatles na Inglaterra, foi lançada como lado A num copacto duplo juntamente com Act
naturally, e compondo a lado B tinha You like me too much e It´s only Love em 1966.
Foi lançada como single nos EUA e chegou ao número 1 das paradas americanas.
Rapidamente se tornou um clássico da banda, e ainda hoje é a música mais executada
nas rádios americanas.
Suddenly/I'm not half the man I used
to be/There's a shadow hanging over
me/Oh, yesterday came suddenly/
Why she had to go I don't know
She wouldn't say/I said something
wrong now I long/For yesterday
De repente/Não sou metade do
homem que costumava ser/Existe uma
sombra pirando sobre mim/Oh,ontem
veio de repente/Porque ela teve que ir
eu não sei/Ela não me disse/Eu disse
algo errado e agora eu sinto falta/Do
ontem.
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You´re Going To Lose That Girl (Você vai perder aquela garota) foi iniciada por John
e terminada por Paul. Ela é uma canção que fala sobre um homem que poder perder a
mulher que ama por não cuidar dela, que vai perdê-la para o John. Essa música é como
uma resposta a She Loves You.
If you don't treat her right, my friend,
You're gonna find her gone/(You're
gonna find her gone)/'Cause I will
treat her right, and then/You'll be the
lonely one./(You're not the only one)
Se você não leva-la para sair esta
noite/Ela irá mudar de ideia/(Ela irá
mudar de idéia)/E eu a levarei para
sair esta noite/E a tratarei bem/(E a
tratarei bem).
A maioria das canções acompanham o conceito de amor dos Beatles, e esses
conceitos são modificados a medida em que eles amadurecem quanto homens. Na fase
inicial da banda que vai de 1963 a 1965 que é o período que dura a beatlemania as
músicas tem uma conotação mais inocente, amores adolescentes, juvenis, com um certo
frescor. As dificuldades existem, mas vão ser superadas, os casal vai se apaixonar, os
pássaros cantam e o amor está no ar. Com uso mais contínuo das drogas, as novas
experiências amorosas e os casamentos os meninos se transformam em homens
modificam a visão do amor que eles tinham.
A partir do albúm Rubber Soul, as letras são mais maduras, realistas, profundas,
singulares e algumas com conotação sexual. Day tripper é uma canção de encomenda,
feita para fechar esse disco. Ela tem duplo sentido, pois ela se refere a uma viagem,
tanto no sentido próprio da palavra, como no sentido psicodélico da palavra. Foi escrita
após a primeira “viagem” com LSD dos Beatles.
She's a big teaser/She took me half the
way there/She's a big teaser/She took
me half the way there now.
She was a day tripper/One way ticket
yeah/It took me so long to find
out/And I found out
36
Ela é uma grande provocadora/Ela me
levou metade do caminho/Ela é uma
grande provocadora/Ela me levou
metade do caminho, agora.
Ela era uma viajante diária./Bilhete só
de ida, yeah!/Custou tanto para eu
descobrir/E eu descobri.
Quando usa o termo “big teaser” é uma alusão ao termo “prick teaser”, expressão
inglesa que se refere as mulheres que se provocam os homens sem intenções sexuais.
Milhares de jovens ouviram essas músicas e enlouqueciam em seus quartos ao som
dos Beatles. No próximo capítulo estudaremos melhor quem são esses jovens e como os
Beatles agiram nas suas vidas. Entretanto o período que estamos considerando a
beatlemania no sentido mais estrito do termo dura apenas de 1963 a 1965 e se
caracteriza justamente por temas de amor e amizade: como conquistar a garota perfeita,
conselhos aos amigos, angústias amorosas, o beijo sonhado a mão que se quer segurar.
37
Capítulo 3
TUDO O QUE VOCÊ PRECISA É DE AMOR:
O QUE É SER BEATLEMANIACO ?
38
3.1 Ser beatlemaníaco é ...
O que significa ser um Beatlemaníaco? Como se constitui a subjetividade de uma
pessoa que viveu e ainda vive esse movimento? Essas são as questões norteadoras da
discussão deste capitulo.
Os Beatles conseguiram conquistar milhares de seguidores em todo o mundo com sua
música e sua forma de se portar.Vários garotos e garotas enfrentaram a sociedade
conservadora em busca da liberdade proporcionada pelo rock. Jovens cabeludos e
garotas histéricas estudavam cada detalhe sobre a vida dos seus ídolos. Botons, fotos
autografadas, pôsters, panfletos de divulgação de shows, discos, revistas e quaisquer
objetos relacionados aos garotos de Liverpool eram disputados à tapas e guardados à
sete chaves pelos beatlemaíacos.
No início,quando a banda estava no auge, e que o termo "beatlemania" já era lançada
aos quatro ventos, a mídia brasileira os intitulou de "Reis do Iê iê iê", por causa da letra
da canção "She Loves You" ( “she loves you , yeah , yeah , yeah” ). A primeira aparição
do grupo em território brasileiro foi pelo cinema, com A Hard Day's Night (1964).
Passando pelos terríveis momentos da política a partir da implantação da ditadura
militar, o Brasil via surgir, pouco a pouco, os Beatles em suas maiores cidades. Na
mesma década, o carioca Newton Duarte, entusiasmado em músicas estrangeiras,
passava por rádios do Rio de Janeiro levando discos piratas do quarteto.
A revista nacional Fatos e Fotos tinha empregado o jornalista Janos Lengyel que,
em 1966, realizou a primeira entrevista dos Beatles para a imprensa brasileira. Big Boy,
como agora Newton Duarte era conhecido, começou a introduzir os Beatles nas rádios e
a transmitir ao Jornal Hoje, da Rede Globo, informações sobre o quarteto: com a banda
um tanto mais popularizada, a recepção brasileira assistiu seus ritmos tropicais sendo
misturados com os ritmos que começavam a serem introduzidos do exterior.
O Brasil passava pelo Golpe militar de 1964, que mudou a concepção do país.
Embora tenha sido empregado no país uma política controlada e censurada, o Brasil não
estancou culturalmente, pois enfrentando tempos sombrios, foi nessa época que a
musica brasileira desenvolveu-se com intensidade. Em 1967, nasce um movimento no
país, tendo como precursores Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tropicália, que renovava
o projeto antropofágico cultural do modernismo, ou seja, deglutir a cultura estrangeira
39
para ficar mais forte culturalmente. A Tropicália começou a popularizar a guitarra e o
rock and roll no Brasil, sob forte influência dos Beatles.
Mesmo sem nunca terem vindo ao Brasil, os Beatles conquistaram muitos seguidores
por aqui. Em 1963 com a divulgação das noticias sobre a beatlemania que já acontecia
com muita força na Inglaterra e que já estava assolando os demais países da Europa e os
Estados Unidos. Depois da execução nas rádios dos primeiros sucessos dos garotos de
Liverpool, jovens de toda parte do país começaram a imitá-los.
Jornais brasileiros noticiavam a febre da beatlemania na Inglaterra e contagiavam a
juventude do Brasil. Era comum sair as ruas e dar de cara com rapazes cabeludos a “la
Beatles”. E essa nova moda não agradava muito aos pais e professores desses jovens
não. Em Juiz de Fora (MG) e no Rio de Janeiro(RJ) , alguns jovens foram proibidos de
assistir as aulas por causa dos cabelos grandes, como noticiou o Correio Da Manhã do
dia 27 de setembro de 1964, na coluna “De Homem para Homem” de Mauricio Rabello.
O colunista trata de forma irônica a escolha dos jovens em manter os cabelos longos
dizendo que as vastas cabeleiras dos rapazes são de causar inveja a muita menina e que
infringe os princípios básicos de higiene. Outro jornalista, Sérgio Augusto, critica a
importância dada aos cabelos a lá Beatles que se tornaram febre em todo o mundo.
Apesar das criticas, os jovens brasileiros sentiam cada vez mais a necessidade de estar
em sintonia com o mundo.
“Na época, quando os lançamentos
demoravam a chegar ao Brasil, uma das
alternativas era conhecer as canções novas
por meio do grupo Renato e Seus Blue Caps,
que faziam versões em português, e fazer
‘gambiarras’ com antenas para sintonizar na
rádio BBC, de Londres”. (ZILAH,2012)
Como era difícil ouvir músicas dos Beatles nas rádios, e os discos demoravam a
chegar em algumas regiões do pais, os fãs tinham que se virar para conseguir
acompanhar os sucessos dos Beatles , e uma dessas maneiras era as versões das músicas
da banda feitas pelas bandas brasileiras , como Renato e Seus Blue Caps.
O grupo foi formado no final dos anos 50 pelos irmãos Renato, Edson e Paulo
César, jovens moradores do bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, com o nome
40
Bacaninhas do Rock da Piedade. O primeiro nome foi censurado e o radialista Jair de
Taumaturgo sugeriu o nome definitivo, inspirado no conjunto norte-americano Gene
Vincent And His Blue Caps. Gravaram o primeiro compacto em 1962 e se
notabilizaram principalmente pelas versões que faziam de músicas de língua inglesa (a
maioria britânicas), como "Menina Linda", versão de "I Should Have Known Better",
"Até o Fim", versão de You Won't See Me" (ambas de Lennon/McCartney).
A influencia da música dos Beatles e a sua imagem de músicos jovens bem
sucedidos, fazem com que muito jovens se interessem pela carreira musical e é a partir
disso que vão surgir grandes bandas e cantores da música popular no Brasil, Renato e
seus Blue Caps, Os incríveis, Roupa Nova (que se inspiraram nos Beatles, entrando no
ramo musical, e também no sentido de técnicas vocais).
Com o sucesso dos Beatles também surgiram as imitações ou covers. Os covers se
transformavam em Beatles nos palcos de todo o mundo. No Brasil em 1964 surgiram
boatos de que o Fab Four viriam fazer uma série de shows no Rio de Janeiro e em São
Paulo, mas o que aconteceu foi um mal entendido na divulgação das informações. O
grupo que tocou no Brasil foi o The American Beetles, grupo estadunidense cover dos
Beatles e não os garotos ingleses (originais) como pensavam os jovens brasileiros.
Na Cidade Maravilhosa, foram vistos por Eliseu da Silva Barra, o Ely, que ficou
motivado pela idéia da banda cover americana quando foi chamado pelo baterista Luiz
Toth para cantar, tocar piano e órgão no grupo que estava montando com o baixista
Fábio Block. Luiz Toth também convidou Victor Trucco e Jorge Eduardo, dos Dangers,
para tocar na nova banda, que usaria o cabelo comprido e roupas estilo Beatles e todos
aceitaram a idéia. O nome, Luiz aproveitou dos americanos e lançou The Brazilian
Bitles, formada por Luiz Toth (bateria), Fábio Block (baixo e, depois, guitarra), Eliseu
da Silva Barra (cantor e teclados), Vitor Trucco (guitarra solo e, depois, baixo) e Jorge
Eduardo de Almeida (voz e guitarra-base). Em 1968, Luiz Toth, Fábio Block e Ely
Barra deixaram a banda, entrando Ricardo, ex-baterista dos The Bubbles, e Rubens, ex-
integrante do grupo uruguaio The Innocents ,na guitarra solo e novos [Link] estreia
aconteceu quatro dias depois, na boate La Candelabre, com grande estardalhaço de
mídia, por conta do empresário Glauco Pereira. O sucesso foi imediato, devido à música
- o repertório refinado trazia Beatles, Rolling Stones, rock clássico (Chuck Berry, Little
Richard) e ao visual da banda, que já usava cabelos compridos. No dia seguinte, a banda
41
estava nas páginas dos jornais como grande novidade da cena carioca, e daí para a
televisão onde apresentaram BBC - Brazilian Bitles Club, na TV Excelsior, do Rio de
Janeiro.
Atualmente outra banda cover dos Beatles que faz sucesso é o quarteto paulista All
You Need Is Love (nome da canção de 1969, quando os Beatles estão de cabeça na
onda psicodélica). Formado por Sandro Peretto (John Lennon), César Kiles (Paul
McCartney), Thomas Arques (George Harrison), Renato Almeida (Ringo Starr). O All
You Need Is Love coleciona coincidências entre seus integrantes e os verdadeiros
Beatles. Além de cada um ter a mesma estatura do beatle que representa no espetáculo,
os músicos do grupo trazem até características de personalidade semelhantes às de seus
personagens, que dão ainda mais veracidade ao show.
Cada banda seja ela profissional ou de garagem traz uma característica em comum,
todos querem parecer ao máximo com os Beatles originais, e essa busca vai desde
deixar o cabelo crescer e usar os terninhos com botas de meio salto, até aprender a tocar
os instrumentos com os mesmos trejeitos dos ídolos, que vão desde as “dancinhas”, o
jeito como os Beatles balançavam as cabeças durantes as músicas, o agradecimento
sincronizado criado por Brian Epstein, e vão até aprender a tocar baixo com a mão
esquerda para ser igual ao Paul McCartney.
Outros nomes de bandas compostas por beatlemaníacos são: Oasis (banda inglesa,
uma das bandas mais influentes da década de 1990, teve fim em 2009), Green Day
(banda de punk rock estadunidense formada em 1987 caracterizada por letras que
criticam a política estadunidense e todo o discurso “politicamente correto”), U2 (Banda
irlandesa formada em 1976, conhecida não só pela sua música mas também pelos
trabalhos sociais encabeçados pelo vocalista Bono) no cenário [Link] Brasil,
Rita Lee ,roqueira brasileira, conhecida como a “Rainha do Rock no Brasil” começou a
carreira em 1963, fez parte do grupo “Mutantes” que surgiu no movimento conhecido
como Tropicalismo nos anos 60, é outra beatlemaniaca assumida.
Mas a beatlemania vai além da música, ela se tornou um estilo de vida e até cursos
de extensão acadêmica e até um mestrado (na Hope University em Liverpool). A
Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro abriu um curso de especialização
com a temática: Beatles: História, arte e legado, criado pelo departamento de letras,
coordenado e idealizados por professores beatlemaniacos (2 engenheiros e um doutor
42
em literatura), com carga horário de 36 horas/aula , abrange o período pré-Beatles e
discorre até a dissolução da banda e os trabalhos individuais dos quatro rapazes até os
dias atuais. Esse curso tem como objetivo:
“relatar a história e os fatos principais que
marcaram a vida dos Beatles. Apresentar e
analisar a evolução da obra artística da
banda e de seus componentes e a
consequente influência na música
contemporânea nacional e internacional.
Apresentar e discutir as diversas formas de
interferência dos Beatles na sociedade
contemporânea que vai desde novas
expressões artísticas até a percepção da
força dos negócios e marketing deste
segmento cultural,passando,
inevitavelmente, pelo comportamento e
forma de viver das pessoas.”
(PAULA,2012)
A ideia de discutir e aprofundar, em sala de aula, conhecimentos sobre John, Paul,
Ringo e George foi inspirada em um curso oferecido pela Liverpool Hope University.
Desde 2009, a faculdade inglesa dispõe de uma pós-graduação sobre o tema. Com
duração de dois anos, formou mais de vinte alunos. Reduzida a doze aulas, a versão
carioca foi criada por dois engenheiros metalúrgicos beatlemaníacos,. Formado em
piano clássico, Luiz Otávio Pinheiro tem como hobby uma pesquisa sobre a harmonia
das canções dos Beatles. Foi ele quem convidou Eduardo Brocchi, dono de uma coleção
com mais de 1 000 itens do grupo, entre discos, livros e revistas, para estruturar o
curso.
“Levamos um ano para selecionar o material
que iríamos apresentar”, diz Pinheiro, que
analisa vídeos de shows e entrevistas, além
de comentar músicas depois de tocá-las ao
vivo no violão. O quadro docente conta
ainda com mais cinco especialistas. Entre
eles, o diretor do Departamento de Letras,
Júlio Diniz”. (PAULA,2012)
Esse sentimento de reconhecimento com os Beatles, fez com que pessoas de todo o
pais se inscrevessem no curso ou tivessem vontade de fazê-lo. Com turmas lotadas e
direito a fila de espera para turmas futuras. Alunos se deslocam por 2 horas ou mais só
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para assistirem as aulas do curso como é o caso de uma contadora carioca que mora em
Volta Redonda e vai até o Rio de Janeiro uma vez por semana para o curso. Uma outra
aluna do curso, fez um empréstimo para pagar a mensalidades do curso e disse: “Fiz um
empréstimo correndo e, mesmo que leve a vida inteira para pagar, vai valer a pena”.
(PAULA,2012)
3.2 Beatlemaníacos e sua relação com os Beatles.
Podemos perceber que a vida de um beatlemaníaco é cheia de sacrifícios. Por quê?
Vale mesmo a pena se endividar, viajar 2 horas de carro (ou mais), ficar horas na fila de
um estádio no sol ou na chuva, com fome, com frio ao relento e no sereno só para ver o
ídolo? A resposta para essas perguntas é pequena e simples: sim! Pois um simples aceno
ou um sorriso já recompensa suficientemente os sacrifícios dos beatlemaníacos.
Estamos falando, portanto, dessa figura que entra em cena no mundo da cultura de
massas: o fã. Quem é ou já foi fã de algo ou de alguém conhece bem essa relação de
sacrifício e prazer. As longas esperas (pelos shows, pelos discos) são recompensados
pelos momentos que ficam na memória. O fã não quer necessariamente parecer com o
ídolo, mas quer saber sobre ele ao mesmo tempo em que aprende com ele a cada novo
trabalho. Criam-se relações de saber e poder entre ídolos e fãs.
Quando questionamos o que é ser beatlemaníaco, as respostas vêm de diferentes
gerações, já que a beatlemania perdura até os dias atuais (só que em menor escala e
menos empolgação principalmente por causa da dissolução da banda em 1970). Uma
série de relatos sobre o que é ser beatlemaníaco, faz com que se perceba o quanto esses
fãs se veem compartilhando os mesmos gostosas mesmas angustias e sonhos. Podemos
dizer que todo o movimento que os Beatles causaram foi essencial para a constituição
da identidade do individuo moderno, principalmente do roqueiro.
Em uma enquete no site no jornal Zero Hora do Rio Grande do Sul, feita na ocasião
da vinda de Paul McCartney ao Brasil em 2010, os leitores foram questionados sobre o
que é ser beatlemaníaco.
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“Ser Beatlemaniaco é ter a musica no
sangue, na mente, no coração. É todos os
dias ouvir as obras primas do quarteto de
Liverpool. Ser Beatlemaniaco é acima de
tudo ter Os Beatles como os grandes
revolucionários de nosso mundo. Ser
Beatlemaniaco é orar para John Lennon e
pedir para poder ir ao show do Paul
McCartney. Ser Beatlemaniaco é nunca
esquecer dos Beatles..”(MORSCH,2010)
Pode-se perceber que há um sentimento apaixonado em relação aos Beatles, uma
adoração. Em todos os relatos há uma referencia a boas lembranças, referentes à
juventude da geração sessentista ou de gerações mais novas que receberam como
herança o espírito da beatlemania.
“Ser beatlemaníaco significa antes de tudo
ser inteligente. Mas também saber apreciar a
irreverência, o romantismo, a genialidade
exposta em forma de partitura. Para o
beatlemaníaco, só o melhor é o suficiente.
Ser um beatlemaníaco é ser grato aos pais
por ter sido concebido na época certa. Ser
um beatlemaníaco é atravessar a madrugada
por um ingresso, encolhido de frio, tomando
chuva na cabeça e vento gelado no rosto, e
ainda assim cantando doces melodias de
Lennon McCartney. Tudo isso aos 58 anos
de idade. E ter certeza de que, amanhã ou
depois, faria tudo isso de novo!”
(CARPES,2010)
A beatlemanía não se limitam só as músicas, ela alcançou também a literatura. Vários
livros sobre a vida dos Beatles escritos por beatlemaniacos chegam ao mercado todos os
anos. Biografias ou livros de ficção baseados na vida dos quatro garotos de Liverpool
instigam os adultos beatlemaniacos a se afirmarem enquanto fãs apaixonados do rapazes
ingleses e inspiram os jovens a se identificarem com a beatlemania.
Por exemplo no livro ”Lonely Hearts Club” (Clube dos corações solitários) de
Elizabeth Eulberg, os Beatles ajudam uma garota que nasceu num lar beatlemaníaco e
se chama Penny Lane, após uma desilusão amorosa decide criar uma associação de
garotas que tinham também um coração solitário com as suas amigas e que depois
tomam proprorções maiores do que a esperadas. A partir daí o famoso disco do Sgt.
45
Peppers vai ser fonte de inspiração das moças para seguir adiante e melhorar suas vidas
sem os garotos que as machucaram.
Podemos dizer que diante de uma diversidade tão grande de beatlemaniacos, um
elemento que os une é a linguagem do romantismo, dos sentimentos provocados pelas
canções como percebemos no depoimento deste beatlemaniaco:
“O que é ser um Beatlemaníaco? Que amor é
este? Podia responder que é ficar frenético
quando escuto Twist and shout, que choro
escutando Yesterday, que me emociono ao
som de Let it Be, mas percebi que é bem
mais do que as palavras podem significar, do
que o rádio pode tocar e ainda maior que
minha coleção de Beatles. Respondo
dizendo que NÃO SEI! pois no momento
que tentamos enquadrar um sentimento que
te faz seguir adiante,que completa tua vida,
estamos perdendo parte daquilo que somos,
minimizando nossa própria essência e
enquadrando aquela verdade que deve ficar
escondida no coração, tão bem guardada que
nem eu mesmo tenho direito de saber. Então
digo com todas as letras e ingresso na mão,
que não preciso saber o que é ser um
Beatlemaníaco, apenas SENTIR.”
(ARAUJO, 2010).
Milhares de crianças nascidas no período pós-Beatles, receberam os nomes dos
meninos de Liverpool ou de suas canções. É fácil encontra um “John Lennon da Silva”,
ou um “Paul McCartney qualquer coisa”, Penny Lane, Lucy, ou Eleanor (baseadas nas
músicas dos Beatles, principalmente as do período psicodélico) ). Beatlemaníacos de
várias partes do mundo já marcaram a sua pele com uma imagem, uma frase ou a
logomarca dos Beatles. Para ser beatlemaníaco vale até compara discos dos Beatles até
para o cachorro. Sim, o cachorro de paranaense é fã dos Beatles (o dono obviamente é
beatlemaniaco) e adora um dos maiores sucessos dos garotos de Liverpool: I Wanna
Hold Your Hand. Como mostrou o portal Terra em 2011:
“Ao falar da família, o paraense lembrou-se
do cachorro da raça yorkshire, Dandy, e
disse que até ele gosta muito da banda
inglesa. "Eu tenho até um CD que é de
Beatles, mas é cantado com latido. É mais
ou menos assim, quando toca I Wanna Hold
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Your Hand, ele toca 'auauauauau'",
cantarolou, latindo, entre
risos.(CARVALHO,2011)
Pode– se concluir então que para os beatlemaníacos o importante é manter vivo o
espírito da banda. Não há ocasiões especiais para se ouvir Beatles. A música do quarteto
inglês rege a vida deles como um maestro rege uma orquestra. É um amor
incondicional. E com o mercado beatlemaníaco se expandindo (atualmente os produtos
relacionados aos Beatles estão em alta, principalmente pelos lançamentos de discos dos
integrantes remanescentes- Paul e Ringo - e também pelo aniversário de alguns discos
como o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band). Há procura por artigos, reportagens,
fotos raras , livros ou qualquer outro produto relacionado aos Beatles. A beatlemania se
mantêm, e a história dos Beatles será ainda transmitida de geração a geração
principalmente por sua importância na história da juventude e do rock´n roll.
47
Considerações Finais.
Neste Trabalho tratamos da História da Beatlemania contextualizando-a com a
história do rock, e como ela chegou ao Brasil e quais os seus efeitos na juventude
brasileira, visto que, os adolescentes da época mudaram o seu comportamento baseados
na forma que os Beatles se portavam (vestiam e pensavam), contrariando assim os
ideiais estabelecidos pela sociedade e pelo Estado, já que durante boa parte da
beatlemania, que teve seu fim em 1965, o Brasil se encontrava num sistema político
ditatorial. Ao mesmo tempo, mostramos como a beatlemania é um fenômeno de massas
e está ligada ao crescimento da indústria cultural.
Ao analisar- mos as letras das canções produzidas pelos Beatles e suas mensagens
para a juventude sessentista no segundo capítulo, vimos como mensagens de amor, e
amizade predominavam na primeira fase da banda, que tinham como base o
romantismo, muito comum nas letras de rock daquela época, e eram os temas mais
populares para vendagem de discos seguindo o fluxo musical da industria cultural dos
anos 60.
Por fim, traçamos um perfil do beatlemaníaco, fazendo um paralelo com a música do
Brasil na década de 60, mas construindo em primeiro plano a ligação entre Beatles e
Beatlemaniacos, procurando mostrar que a beatlemania não acabou definitivamente em
1965, mas que ela perdura até os dias atuais e é passada de geração a geração, não só
pela sua importância musical, mas também por sua significância contestadora, que
quebra tabus sociais contribuindo para o fortalecimento dos ideais contraculturais.
48
FONTES E BIBLIOGRAFIA
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responda a pergunta: o que significa ser beatlemaníaco para você? Mande
seu depoimento. ZeroHora,11out.2010. Disponível em:
[Link]
[Link] . Acesso em: 17 mai. 2012.
49
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College, 29 ago. 2011. Disponível em:
[Link]
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CARVALHO, Bruna Carolina. Beatlemaníaco à espera de Paul tem disco da
banda até para o cão. Terra, 21 mai. 2011. Disponível em:
[Link] . Acesso em: 30 mai.
2012.
PAULA , Aline di. Lições de iê-iê-iê – PUC-RIO. Beatles College, 30 mai.
2012. Disponível em: [Link]
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ZILAH, Karoline. Fãs paraibanos se preparam para show de Paul McCartney no
Recife. Portal G1 – PB,20 abr. 2012. Disponível em:
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2000.
51
Anexos
52
Foto 1. Beatlemaníacos em frente ao hotel em que os Beatles estavam hospedados.
Foto 2. Fãs em uma das apresentações dos Beatles. Disponível em:
53
Foto 3. The Beatles.
Foto 4. Fãs no primeiro show dos Beatles nos Estados Unidos.
54
Foto 5. Rua em volta do Palladium,
Palladium Londres 1963.
Foto 6. Cena do inicio do filme “A Hard Day’s Night” de 1964, onde os Beatles fogem
de fãs enlouquecidas.
Disponíveis em: [Link]