Maria Flávia de Monsaraz
O Feminino
Nos “Tempos” da História
Algumas reflexões
‘para a União das Almas
Na Luz da Consciência”
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À Vera Faria, pelo seu entusiasmo
e correcta visão do Feminino,
ao insistir, pela urgência do Tema,
em que eu publicasse estas reflexões.
Para o Francisco Grilo, pela sua amizade,
disponibilidade e cumplicidade
no modo como colaborou comigo
para tornar este livro uma realidade.
Muito obrigada.
índice
o Feminino e o Tempo presente 04
as Sociedades Matriarcais 07
a Alma 12
o trabalho da Alma 15
Sabedoria da grande Mãe 16
novo olhar sobre as Brumas de Avalon 21
o renascimento da Magia Branca - o 7° Raio e as Terapias contemporâneas 23
Por que é o Rei Artur uma tão poderosa figura mítica? 26
a Taça e a Espada 27
Marte e a Espada 30
Vénus e a Taça 31
São Bernardo e o Culto de Maria 40
o 6º raio, o raio da devoção 47
o 7º Raio 49
o Século XX e a "libertação feminina" 51
o "resgate" do Mito perdido - o novo Mundo que se anuncia 55
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o Feminino e o Tempo presente
A necessidade de repensar o Feminino
nasceu da leitura do livro
o Percurso da Heroína
ou a Feminilidade reencontrada
Maurieen Murdock
onde é afirmado:
"Hoje em dia os Homens e as Mulheres
sentem dentro de Si um vazio.
A natureza Feminina desceu aos infernos".
Esse vazio do Feminino só pode ser resolvido
por uma "conjunção interna",
por uma harmonização de polaridades.
Maurieen Murdock diz ainda:
"no plano Cultural, a ordem estabelecida
é uma ordem de valores Patriarcais,
onde o domínio do Masculino é mais forte
e mais poderoso, imprimindo a tónica
da mentalidade colectiva.
A nossa Sociedade é androcêntrica:
vê o Mundo do ponto de vista Masculino"
Tudo isto me levou a escrever
" O Retorno ao Feminino".
Livro em que esta lacuna fundamental
foi denunciada e o tema do feminino
aprofundado:
"... assim, as Mulheres avaliam-se
pelo seu contrário.
Vítimas de uma Cultura definida pelos Homens,
sentem confusamente que lhes faltam
as qualidades que eles protagonizam.
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Ao procurarem ser competentes
como os Homens, as Mulheres afastaram-se
da sua natureza feminina.
Ao desvalorizarem-se como Mulheres,
conhecem-se pela negativa: ou seja, por aquilo
que ainda lhes falta realizar, afirmar, provar
que são capazes.
Em todos os empregos é pedido às Mulheres
provarem estar à altura daquilo que os
Homens fazem.
Este falso conceito de Feminilidade
foi criado pela Cultura Ocidental Masculina.
É, na realidade, um conceito Yang
de masculinidade.
Equivale à supremacia do Homem
como força, sucesso e poder. "
Maria Flávia de Monsaraz
O Percurso da Heroína acrescenta ainda:
"... Na procura da sua identidade, as filhas
identificaram-se com os pais,
rejeitando as mães, que lhes apareceram
como pessoas não inteiramente realizadas,
não autónomas, frustradas.
Condicionadas por uma antiga ordem de
valores, exprimem submissão, passividade,
restrição e inferioridade Feminina".
O que também traduz a demissão
dessas Mulheres.
Mulheres que um dia se sujeitaram
àquilo que os Homens fizeram delas.
Por assim se sujeitarem,
demitiram-se de si próprias,
da fidelidade aos Valores Femininos.
Valores Eternos, Valores de sempre.
Desvalorizaram a sua Feminilidade,
sentindo que algo lhes falta,
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longe da sua mais profunda Identidade,
não livres.
As Mulheres perderam-se de Si-próprias.
Os Homens perderam-nas.
Ao perdê-Ias, perderam-se de Si, igualmente.
Assim nasceu uma Sociedade neurótica
doente, esquizóide, onde não se equilibram
as polaridades.
Onde ninguém tem consciência
do seu potencial de troca, nem da forma
como se pode viver e exprimir
a riqueza da complementaridade.
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as Sociedades Matriarcais
Esta reflexão do Feminino levou-me a encontrar
alguns textos sobre Sociedades Matriarcais.
Devo dizer que antes de os ter lido
pensava confusamente que estas longínquas
Sociedades Matriarcais,
de que tão pouco se sabe,
teriam sido Tempos em que as Mulheres
exerciam o poder da mesma forma
que os Homens.
Julgava eu, que elas governavam o destino
dos Povos com as mesmas regras masculinas,
de tal modo a minha cabeça
também já estava deformada
pelo "Masculino" desta nossa Sociedade...
Num livro lindíssimo sobre Kyron,
Barbara Hand Clow, astróloga americana,
fala das Sociedades Matriarcais.
Ela explica que houve de facto Sociedades
em que as Mulheres
assumiam o Centro do poder.
Poder esse que assentava fundamentalmente
em valores ligados ao respeito pela Vida.
Eram Sociedades pacíficas e tranquilas.
Isto faz-nos ver que o Mundo nem sempre
foi regido pela Violência. Pela Competitividade,
Agressividade e Autoridade, tudo formas
de comportamento Masculino, a que a
História dos últimos séculos nos habituou.
Hoje as pessoas ouvem falar em Guerras
e, num indiferente encolher de ombros,
dizem e acreditam que foi sempre assim!
Na realidade não foi sempre assim
e não vai voltar a ser assim!
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É minha intenção que esta reflexão
sobre o Poder do Feminino possa estabelecer
uma ponte entre estas antigas Sociedades
Matriarcais e o novo Tempo que se anuncia.
continua Barbara Hand Clow:
"Todos descendemos de um Povo antigo
que adorava a Deusa Mãe.
Ainda trazemos desse Tempo
uma memória profunda
sobre como criar e viver neste Planeta
duma forma Pacífica e Saudável"
Segundo ela, a fase da Cultura da
grande Mãe foi de 10.000 a 5.000 anos AC,
mas os seus últimos vestígios só acabaram,
na realidade, por volta de 1.500 ac.
Diz ainda que houve uma perda
de registo Histórico,
o que leva a Humanidade a não possuir
toda a informação do seu Passado.
Momentos da História existem,
totalmente nublados e desconhecidos,
perdidos na noite dos Tempos...
Dane Rudhyar diz que chegará uma altura
em que alguns textos virão-à-Luz,
trazer a informação
do que foi esse hiato de Vida Humana.
Diz Barbara Hand Clow que durante a Cultura
da grande Mãe os Homens desenvolveram
o que se designa hoje como Mente neolítica.
Era um senso do Eu elevado, vibrando
numa percepção Cósmica abrangente,
a partir do Hemisfério direito do cérebro.
O Hemisfério Intuitivo, Psíquico
e Multidimensional.
Foi um longo e extraordinário Período.
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O acto de nascer e tudo o que integra Feminino,
estavam então no Centro dessa Cultura.
As pessoas viviam um tempo de Vida curto
e o processo dos nascimentos
era controlado pelas Mulheres.
Assim, até 1500 ac, o Mundo foi marcado
pelas Culturas Matriarcais:
pela Sabedoria das Mulheres
e pela sua ligação aos ritmos da Vida.
Em 1500 ac, o vulcão da Ilha Grega
de Knossos, entrou em actividade,
teve uma grande erupção.
O que mergulhou, durante largo tempo,
as ilhas Gregas
numa noite de dor e devastação.
Isso originou um grande medo n
os Povos que na altura viviam
nessa parte do Ocidente.
Esse medo criou o descrédito
das leis Naturais, as grandes leis Cósmicas,
em que assentava o equilíbrio e a força
das Sociedades Matriarcais.
O medo fez perder a Fé na Vida e na Natureza.
Então os Homens desacreditaram
no rigor da Ordem Natural.
O Poder do Feminino baseado nessa Ordem
foi igualmente banido da sua função Social.
Foi o fim de um Viver Colectivo
mais Humano e mais doce...
Diz ainda Barbara Hand Clow:
"A tomada do Mundo civilizado
pela Cultura Patriarcal, no ano de 1500 ac...,
afirmou-se depois de Knossos ser destruída"
O medo fez nascer a ilusão
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do controlo sobre as circunstâncias.
O antigo respeito pela Vida
deu lugar à luta pela sobrevivência.
Luta na qual o Mundo ainda hoje,
infelizmente se encontra.
Viver não é sobreviver.
A Sabedoria do Feminino foi perdida,
deixou de ser respeitada.
A força do Masculino subiu ao Poder.
A violência emergiu. Os Homens assumiram
os "valores" Masculinos.
Valores que ainda hoje
ditam as relações político-económicas
entre as Nações
e todos os comportamentos colectivos.
A História enalteceu os "valores"
considerados Masculinos:
a autoridade sobre os outros,
a competição, a agressão,
a prepotência na afirmação dos Ideais
pela força da espada...
A Espada simboliza a força telúrica
e instintiva que dinamiza
todas as Guerras, a falsa noção de vitória
quando se "arrasa" um suposto inimigo...
Esta Sociedade obscura, falsamente idealista,
a que chamamos "nossa",
nasceu e cresceu a partir do Medo,
isso é óbvio.
Ao ser reprimido o pólo Feminino,
o lado receptivo, sensível e intuitivo
da Vida,
que sempre se manifesta no Presente,
os Homens projectaram
desejos, expectativas e ilusões no Futuro...
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Séculos desta visão masculina
e paternalista do Mundo, deram origem
a uma Sociedade egoísta e extrovertida,
"vazia-de-Vida-interior"
sem ideal nem encantamento !
Sociedade que assenta no eixo horizontal
da Cruz da Encarnação.
Totalmente "amnésica" do sentido
mais profundo da Vida,
esquecida e ausente do eixo vertical,
que nos ensina de onde vimos
e para onde o Céu nos encaminha!
É correcto associar o Feminino ao Presente.
Uma vez que a essência do Feminino
é, em todos nós, a receptividade
ao sentir da nossa Alma.
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a Alma
é" Isso que em nós Sente.
Contém em-Si o que em nós
atravessa o Tempo.
O que sempre Foi, É e Será"
A Alma habita o Eterno Presente.
Para nos sentirmos bem, Unificados,
não podemos "estar",
nem no Passado, nem no Futuro.
Por isso as expectativas
sempre trazem tanta ansiedade!
A ansiedade é a dor-da-Alma.
É a sua forma de nos lembrar,
que não pode acompanhar-nos,
num Futuro inventado.
Quando a mente faz projecções emocionais
e cria expectativas, não nos apercebemos
que esse processo é puramente mental,
dissociado da energia do Coração,
o bem-sentir da Alma.
Os antigos Mestres ensinam
que o Futuro não existe.
Ele é a sequência de um Eterno Presente,
só o Presente existe.
Projectar no Futuro, ter expectativas,
é viver de Ilusão...
O Buda, e todas as demais
Tradições Espirituais, sempre nos ensinaram
a trazer a Mente para o Presente,
para "o aqui e o agora".
Se vivermos inteiros no Presente,
encontramo-nos, como diz o povo,
de Alma e Coração frente à Vida,
Conscientes, em cada momento,
do Ser que somos.
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Se, pelo contrário,
ainda estivermos prisioneiros do Passado
ou projectados no Futuro,
a Alma não está lá.
Aí manifesta-se em nós
uma dualidade psíquica.
Antigos Mestres Chineses diziam:
"para que Tudo mude,
é preciso que algo não mude"
Algo Imutável, que permaneça
no Centro da mutabilidade,
para dar coesão e sentido a todo o movimento.
Esse algo Imutável é a Vida.
A Vida não muda.
Não é a Vida que evolui.
O que evolui é a forma como a recebemos,
como nos situamos entre a Terra e o Céu.
O que evolui é a Consciência de como viver
a Vida. A Consciência que cada um tem
de Si-próprio.
Podemos optar por vivê-la
de uma forma inconsciente e dissociada,
ou vivê-la
como experiência interior e exterior
da grande viagem da Alma na matéria.
O que de facto evolui
é o nosso nível de Consciência.
A Vida é Eterna,
a Vida é Deus.
A Alma vive nessa dimensão.
O núcleo interno que a habita é a Mónada,
a que os Orientais chamaram a "Jóia no Lotus",
o "Coração da Alma".
A Mónada é o nosso Eu Divino,
o Espírito, o Imutável,
a Fonte-da-Vida Eterna,
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Deus-em-nós.
Somos Alma e Espírito
numa personalidade encarnada.
A expansão da Consciência
é a progressiva revelação do Espírito-em-nós,
através do trabalho da Alma.
A Ciência Esotérica identifica este processo
com o 3° raio da Criação,
que se define como Inteligência activa,
ou Amor manifestado.
O 3° raio é sobre a Terra
a manifestação do Espírito Santo.
É o 3° raio da Trindade Divina, a resposta
ao projecto evolutivo da Humanidade.
Assim, podemos dizer
que a Consciência Iluminada
é o Espírito Santo, vibrando em nós
através da experiência na Matéria.
Quando novamente Centrados,
religados à Monada, finalmente Unificados.
O Espírito é Masculino, Expansivo e Criativo.
A Alma é a grande Intermediária
entre a Mónada, o Espírito-em-nós,
e a Personalidade dissociada,
a que vulgarmente se chama Ego ou Eu Inferior
Ensina a Ciência Esotérica que a Mónada,
o nosso Eu Divino, não baixa à matéria,
não vibra no plano da personalidade.
A Mónada é o "Coração da Alma",
A função da Alma é despertar
progressivamente o Coração
da Personalidade.
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o trabalho da Alma
consiste
em levar a Personalidade dissociada, Yang,
que ainda não vibra no fogo do Espírito,
mas no fogo Masculino e instintivo da Terra,
a tornar-se Yin, receptiva ao Amor,
o fogo da Vida Maior,
a Vibração de Deus-em-nós.
O Fogo instintivo da Terra nasce do medo,
da ignorância.
É o "fogo" da sobrevivência.
Podemos identificá-lo com:
Lua/Mercúrio/Marte/Plutão.
Sair do Fogo básico
e tornar a Personalidade Yin,
é o objectivo de qualquer Alquimia.
É a própria essência do Processo Alquímico.
Só assim poderá coabitar no Ser Humano
o Receptivo e o Criativo.
Só assim saímos da divisão-do-Mundo
e atingimos em nós, a Unidade.
Por isso é que a essência do Feminino
tanto habita a Mulher como o Homem.
Quando alguém vive dissociado da sua Alma,
quer seja Homem ou Mulher,
a essência do Feminino
entra em ruptura, desconecta.
Perde-se a Consciência de Origem,
o Sentir profundo.
O Ser entra em amnésia existencial,
sem referências Universais.
Viver passa a ser sobreviver,
suportar um Mundo sem Significado,
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Onde o sentimento de "vazio"
oculta a consciência da Alma,
e a Solidão afirma
a dor da Sua grande ausência...
Multiplicam-se então conceitos mentais
abstractos, áridos de emoção.
Sendo a Alma, a vibração do nosso Coração,
todos os Conceitos que não nasçam
do Coração,
nascem da ignorância e criam:
divisão, separatismo, violência,
desencontro, desarmonia.
Obedecem a mecanismos de sobrevivência,
a desejos egocêntricos de poder,
a esquemas perversos de competição.
São toda a espécie de jogos Escorpiónicos,
Associam-se vulgarmente aos valores
Masculinos.
Quando os valores Masculinos
existem sem os Valores Femininos,
o Mundo torna-se árido e violento.
É a dolorosa expressão desse desumano
sofrimento Planetário,
que a todos obscurece
e "apaga" a Luz da Consciência.
16
Sabedoria da grande Mãe
A Essência da Sabedoria da grande Mãe,
é fundamentalmente o respeito pela Vida.
Vida que transcende qualquer tipo de poder
do Homem sobre o Homem.
O respeito pela Vida leva ao
reconhecimento das Leis Naturais,
que despertam a Intuição e a Criatividade.
No seu livro, Yôga - Mitos e Verdades,
mestre de DeRôse fala-nos sobre o que se
passou na Índia há mais de 5 mil anos:
"naquela época recuada a Índia
era habitada por um Povo drávida
cuja Sociedade e Cultura eram Matriarcais,
sensoriais e anti-repressivas.
...não centrada na guerra, valorizava a Mulher.
Tratava-se de uma Civilização
não guerreira e naturalista"
Por volta de 1.500 ac,
esta Cultura foi anulada pelos Árias ou
Arianos que na época invadiram a Índia.
Os Arianos eram o seu oposto:
Masculinos, guerreiros, Patriarcais,
anti-sensoriais, repressores!
Durante largos séculos sucederam-se na Índia
invasões de Povos primitivos que arrasaram
e destruíram o valioso património Cultural
das Civilizações que lá se tinham desenvolvido.
O Centro monumental de Mahabalipuram,
grupo de Santuários esculpidos na rocha,
é uma triste e silenciosa testemunha desta destruição:
grande parte das suas esculturas
encontram-se inacabadas...
pelo súbito aparecimento de um Povo bárbaro,
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que fez brutalmente parar
esta poderosa Criatividade!
Assim se perderam, na noite dos Tempos,
as Culturas Matriarcais...
Van Innis afirma igualmente:
"A Mulher foi a primeira religião do Homem.
A sua primeira Divindade foi a Deusa Mãe".
Porquê?
Porque a Mãe e a Mulher
estão associadas à Vida na Terra,
à Vida na matéria.
Matter, Mãe, matéria têm a mesma origem.
Por fecundar a Mulher,
quem traz o Espírito à matéria é o Homem.
Mas quem faz a ligação da Vida à matéria
é a Mulher.
Por ser Mãe, por ser Ela,
durante o período de gestação,
quem traz a Vida-em-Si.
Mais intimamente ligada à matéria, a Mulher
pode levar o Homem a com ela se pacificar.
Sempre que o Homem não respeita a Mulher,
a Mãe, perde a consideração pelos outros
e pela matéria.
Torna-se violento, agressivo, destruidor. Assim
se processou a História ao longo dos Séculos...
O período da Cultura Matriarcal, que acabou
por volta de 1.500 ac,
corresponde aproximadamente à Era de Touro.
Seguiu-se um período obscuro e confuso
de transição até 2.000 ac,
que deu origem à Era de Carneiro.
18
Esta Era (que coincide com a expansão no
Ocidente do povo Ariano)
afirmou a força do Masculino,
que tomou as "rédeas do Poder".
Há 2.000 anos, o nascimento de Cristo
iniciou a Era de Peixes.
Cristo veio redimir os Homens,
anunciar à Humanidade um Novo Tempo,
iluminado pela Lei do Amor:
Fraterno, Venusiano, Universal.
Infelizmente a Humanidade,
salvo algumas brilhantes excepções,
ainda não integrou este Seu Ensinamento.
Esta Era manteve igualmente
a supremacia do Masculino.
Só que a partir de então,
o poder foi usado duma nova forma:
activado por um misticismo exacerbado,
exprimiu-se através de projecções ilusórias,
fanatismo e turbulência emocional,
comportamentos próprios do signo de Peixes.
A sua fase mais negra, e mais equívoca,
foi a Idade Média.
Por reacção ao dogmatismo perverso
da Idade Média, o século XVII afirmou-se
como uma revolução de mentalidade,
em que os Homens procuraram
encontrar-se com maior independência,
pela afirmação da sua própria mente.
Foi a autonomia do Pensamento de Descartes:
"penso logo existo"
Uma vez mais a força autoritária,
radical e implacável da Igreja do Tempo
apagou esta centelha de Luz...
19
A condenação à morte
do Grande Pensador e Humanista
Giordano Bruno,
pôs fim ao Renascimento.
Processou-se no Ocidente
a "morte" das Antigas Tradições.
Iniciou-se então, até fins do século XX,
isso a que se pode chamar
um "plano inclinado" de dessacralização.
Um véu de esquecimento,
uma noite interior
"baixou" sobre esta Humanidade.
A arrogância mental tomou o seu lugar.
O século XX,
com o seu materialismo racional
e tecnológico, ao expressar a energia analítica
e pragmática do Signo de Virgem, inverteu
a polaridade do eixo Peixes-Virgem.
Saiu-se do "Misticismo irrealista" do Passado
para uma forma de "Misticismo materialista".
Duas polaridades inversas, radicais.
A ambas falta igualmente, a Luz da Alma.
Os valores actuais, herança do século XX,
são Virginianos:
áridos, mentais, rigorosos, perfeccionistas,
negando e rejeitando
a dimensão oculta do Mundo.
Espelham a desorientação
de uma Mente Colectiva obscurecida
pela realidade física da Vida,
mantendo-se no desconhecimento
e na ignorância
da sua dimensão oculta, Metafísica.
20
novo olhar sobre as Brumas de Avalon
O Filme as Brumas de Avalon
é uma das muitas versões
da Lenda do Rei Artur.
No entanto, este filme apresenta
uma nova abordagem: conta desta vez
a história do ponto de vista Feminino.
Este filme veio revelar-me
a outra dimensão da Lenda,
lacuna que sempre me criou
um certo desconforto.
O que torna Avalon fascinante,
é o facto de assumir
o lado mágico e "oculto" da Vida.
No entanto, sempre senti
um ligeiro desconforto,
como se a história estivesse mal contada,
inacabada...
Suspeitava que devia existir nela algo
mais profundo,
que não estava a ser "agarrado",
entendido ou bem explicado.
Este novo Filme,
visto "pelo lado da Mulher", trouxe-me Luz.
É uma outra visão: situa as Sacerdotisas
como guardiãs do antigo Conhecimento,
Magas, conscientes das suas capacidades.
Tinham ainda presente a intuição
das Leis ocultas que regem o Mundo,
detentoras das "chaves" que abrem
o "outro lado" da Vida...
Entendi então que a importância Social
das Sacerdotisas de Avalon
(não se sabe se Lenda ou realidade)
foi o facto de representarem
21
o remanescente das Culturas Matriarcais.
Em Avalon, vamos reencontrar
um núcleo de poder Feminino,
que subsistiu dos Tempos esquecidos
da Deusa.
As Sacerdotisas viviam no "Segredo" das Leis
que regem o comportamento das Energias.
Conectadas com o Saber ancestral
que activa a dimensão mágica da Realidade.
Infelizmente através dos Tempos,
essas Leis foram usadas e abusadas
no sentido involutivo.
Utilizadas para destruir, em vez de harmonizar,
separar em vez de Unir,
prender em vez de libertar...
Activadas de forma perversa, serviram
o desejo e a vontade de manipular a Vida,
para alcançar objectivos egocêntricos
e negativos. Por isso, a Magia atravessou
a História, deixando um rasto violento
e Sombrio... Apelidada de Magia Negra,
algo maligno que se opõe à Luz!
A História ignorou a sua antítese,
a Magia Branca, fonte de Sabedoria.
Ao ignorá-Ia, quebrou o encantamento;
apagou a Luz que desvela dimensões!
Quando o Conhecimento das Leis ocultas
é amorosamente utilizado,
Harmoniza, Cura, pacifica,
repõe a Ordem num Mundo em desordem.
Com a dessacralização dos Tempos
e o domínio da mente racional materialista,
esta rejeição acentuou-se.
22
As Leis Eternas que regem
o comportamento da Vida na matéria
foram definitivamente banidas,
esquecidas, negadas.
Esta negação deixou a Mente dos Homens
obscurecida, confundida,
numa Sociedade sem Cor, sem Alma,
afundada na Ilusão e no medo,
na ignorância de uma Vida Maior.
Sociedade incapaz de Orientar
os Homens na sua Via de Ascensão.
Partiu-se
"o espelho da Alice”,
no País das Maravilhas...
23
o renascimento da Magia Branca
o 7° Raio e as Terapias contemporâneas
o 7° Raio, é o Raio Conhecimento da Ordem
o Raio da "Liberdade".
Porque só conhecendo a Ordem
podemos ser Livres.
É igualmente o Raio do Cerimonial
e da Magia Branca.
Este Raio vem abrir Caminho
a uma nova Visão do Mundo.
A presença da tripla e "brilhante" conjunção,
Júpiter, Quiron e Neptuno em Aquário,
que se manteve nos Céus todo o ano de 2009,
veio reforçar a acção renovadora do 7º Raio,
e chamar a Humanidade para uma nova
Consciência: a Consciência da Magia Branca,
como processo de Cura, reequilíbrio
e Harmonização.
Assim, assistimos hoje
ao súbito ressurgimento de uma infinidade
de antigas técnicas Curativas
que afirmam o retorno
desta Magia de Harmonização:
Reiki, musicoterapia, cristaloterapia,
aromoterapia, e muitas mais...
Embora, quem as utiliza possa não ter
Consciência da importância fundamental
deste ressurgimento, contudo,
essas novas terapias afirmam já
uma mudança irreversível na mentalidade
colectiva: a Esperança de um Mundo melhor!
São a resposta da Humanidade
à sua Evolução.
24
Estas terapias actualizam a vibração
do 7° Raio sobre a Terra.
Vibração que actua subtilmente
no inconsciente colectivo das massas,
para que uma nova Vida possa acontecer.
As Leis Eternas regressam inesperadamente
da poeira dos Tempos,
da obscuridade de um Passado remoto,
onde a amnésia dos Homens
as tinha sepultado.
Surgem como uma dádiva do Céu.
Vêm Curar todos aqueles
que cada vez mais as procuram,
num imperioso, urgente e irreversível
processo de Redenção.
Estas novas Terapias,
pelo seu Poder Mágico e Sagrado,
vêm trazer Luz às Trevas contemporâneas.
25
Por que é o Rei Artur uma tão poderosa figura mítica?
A Lenda do Rei Artur situa-se
num Tempo Cultural sustentado por uma
Igreja Católica assente em valores
Masculinos.
Igreja que então exercia o seu domínio
incondicional sobre os Povos e as Nações.
Em simultâneo com este Mundo Masculino,
existiam, neste Tempo antigo, secretas,
reservadas, silenciosas, as Sacerdotisas.
Mantinham os poderes Femininos,
a compreensão das Leis da Natureza,
as capacidades mágicas,
os dons de Vidência e de premonição...
Assim, no Tempo do Rei Artur,
era mantida e respeitada a essência
do Saber Feminino, as fundações
das antigas Sociedades Matriarcais.
O Rei Artur simboliza o poder do Masculino,
o poder do Homem.
No entanto, ele é um Homem
que procura igualmente conhecer
o poder do Feminino, o poder da Mulher.
Por isso, o Rei Artur
aparece como o Símbolo do Homem Integral.
O que é exactamente o Homem Integral?
O Homem capaz
de unificar em-Si os dois princípios:
o Masculino e Feminino, a totalidade do Ser.
Isso a que Jung chamou,
processo de Individuação.
26
a Taça e a Espada
No texto de Luís Vidal Lopes
a Religião do Graal, ele refere-se
ao Poder da Natureza como Mãe:
"De facto a Natureza é a grande Mãe Universal,
de cujo seio surge o Universo manifestado,
é a esposa do Espírito,
o grande princípio Cósmico Feminino,
cujo ventre Sagrado
representado pelas àguas primordiais
é a fonte de toda a Vida na Terra
e a origem de todas as religiões.
A Mãe, aquela a quem se dedicaram
no Ocidente os Templários,
os Cátaros, os Maçons,
os Cavaleiros Espirituais do Rei Artur,
os trovadores e todos os fiéis
e servidores do verdadeiro Amor,
porque Ela representa afinal o cálice
mais Sagrado, o receptáculo
para as influências emanadas do Pai,
constituindo verdadeiramente
o laboratório do Espírito Santo,
o Santíssimo Graal Planetário".
Diz a Lenda que a dama do Lago
emergiu das águas para entregar a Espada
a Artur, confirmando assim, definitivamente,
a ligação do Rei ao princípio Feminino.
Essa Espada mágica,
que só ele podia usar, conferia-lhe
uma força e um poder Transcendente,
na demanda do Santo Graal.
A que Artur e os cavaleiros da Távola redonda,
se propuseram ser incondicionalmente fiéis.
A demanda de Artur,
a demanda do Santo Graal,
27
é a demanda de todos nós:
a busca da última Verdade,
do sentido da Vida,
do Absoluto.
É a viagem do Herói numa aventura mítica
que o amplia e o transcende.
Na realidade, esta é a Via de ascensão
de todas as Almas!
A Espada ou força do Masculino,
e a Taça, que simboliza
a receptividade Feminina,
surgem como princípios primordiais.
São os dois pólos da divisão do Mundo.
Os princípios Arquetípicos que contêm
na sua União, o projecto da Vida na Matéria.
A Espada, símbolo do Masculino,
surge aqui como a força activa interveniente
com poder de transformação.
Podemos identificá-Ia
com a vibração do 1º Raio,
o Poder e a Vontade do Pai.
Quando a vontade individual expressa
a Vontade do Pai, o Poder acontece.
O Céu deu-nos o 1º Raio,
o Poder e a Vontade,
para cumprirmos o nosso destino
ao dizer Sim à Ordem Cósmica.
Esta é a essência do Masculino:
a capacidade de agir e de intervir no Mundo,
actualizando sobre a Terra
o projecto Divino da Criação.
A essência do Feminino é o poder de Cura.
28
Manifesta-se de forma mais introvertida:
pelo Silêncio, pela receptividade interior,
pela sintonia com as Leis ocultas da Vida,
pela Magia Branca.
Quando Artur e os seus cavaleiros
usam a Espada em demanda do Santo Graal,
em demanda da Taça,
que simboliza o receptivo, o Feminino,
embora sem disso terem total Consciência,
eles afirmam a Vontade-de-unir
o Masculino ao Feminino.
No texto a Religião do Graal
diz ainda Luís Vidal:
“A Matéria Primordial ou a Mãe é fertilizada pela Vida, pelo Pai, tornando-se
Una com a Substância Inteligente, o Espírito Santo. A Lei é respeitada, uma vez
que o Espírito Santo, como manifestação da inteligência de Deus na matéria
se relaciona com a Mãe.
O Espírito Santo representa a substância provida de actividade inteligente, que
é a verdadeira expressão do Amor".
A Ciência Esotérica ensina
que o 3° Raio, a Inteligência activa
ou o amor manifestado,
é a revelação do Espírito Santo sobre a Terra.
A rendição incondicional de Jesus Cristo
ao Pai afirma a expressão máxima
da Inteligência Activa e do Amor Manifestado.
O 3º Raio actualiza e sintetiza
a vibração do 1º Raio, o Poder e a Vontade,
e do 2º Raio, o Amor Sabedoria, na matéria.
29
Marte e a Espada
A Astrologia identifica Marte com a Espada,
por ser activo, acutilante e incisivo.
Marte também simboliza a energia viril,
o poder de agir sobre a matéria
para a transformar.
Numa primeira fase, Marte serve a Lua.
A Lua é o vazio existencial,
essa "ausência de Vida" que ainda nos habita,
algo que nos falta.
Marte compensa a Lua quando o desejo
é, ainda e apenas, um modo de sobreviver.
Quando afirma o instinto
e as forças irracionais vindas da Terra.
Toda a acção é Marciana.
Se Marte não for mentalmente orientado,
ou seja, se a sua força não for direccionada
para um desejo mais inclusivo,
fraterno e abrangente,
ele irá ser o agressivo servidor do ego
e dos seus medos.
Medos que activam todas as Guerras
e todas as formas de destruição!
Na Lenda do Rei Artur,
a Espada que Marte simboliza
já tem uma dimensão Transcendente.
Já serve o "Mito", numa dinâmica de Ascensão.
Aqui Marte já é a força que abre Caminho para um destino maior.
A Espada materializa
a jornada do Peregrino até à Taça,
ao Cálice, ao Santo Graal.
30
Vénus e a Taça
Vénus, segundo Alice Bailey,
é a primeira emoção de Unidade
que é dada ao Homem atingir.
Esse gérmen de Unidade,
é definido pela ciência Esotérica
como a Lei da atracção Magnética:
é o Poder do Amor.
O Santo Graal, no seu sentido mais profundo,
simboliza a rendição amorosa
e incondicional do Masculino
a uma Vontade Maior,
a Vontade do Pai.
Quando Cristo diz,
faça-se a tua Vontade e não a minha,
Ele identifica-se com a pura receptividade
do Homem face ao Criador.
Ao aceitar a Vontade do Pai,
Ele, Ser Masculino, expressa
a essência receptiva do Feminino
em-Si.
Esta é a pura vibração do amor.
Ao abdicar da sua Vontade,
ao entregar ao Pai a energia masculina
do 1° Raio,
até aí vivida pelos Homens como forma
de sobrevivência e poder do Ego.
Na História da Humanidade,
algo Imenso, Sublime e Transcendente,
aconteceu: um Homem, sobre a Terra,
harmoniza e unifica em-Si
os dois Pólos do Ser.
Surge o Homem Integral:
31
Arquetípico, Inteiro e Individualizado.
A dádiva Sagrada de Jesus Cristo
veio "abrir o futuro",
ao processo de Individuação
de todos os Homens.
Quando Cristo morreu,
"rasgou-se o véu do Templo"...
contam os Evangelhos.
É esta e verdadeira essência
da sua grandiosa Herança, o seu legado.
Legado que todos deveríamos reverenciar
com Eterna gratidão.
O Caminho foi aberto.
Pela primeira vez, a Terra
e os Homens sobre a Terra
podem unir-se ao Céu.
Vénus "ancorou" na matéria!
Ao aceitar o Sacrifício da sua própria morte,
ao encontrar-se totalmente receptivo,
Jesus Cristo assume vibratoriamente
e simbolicamente,
o "magnetismo amoroso" da Taça.
O Fogo do Espírito,
pura energia eléctrica Criativa,
atraído pelo magnetismo Feminino
da Taça, baixa sobre ela.
Ao baixar, e electriza o Sangue
de Jesus Cristo,
que a Taça simbolicamente contém.
Esta é a manifestação da Unidade,
entre a Terra e o Céu.
Entre o Divino
32
e o Homem sobre a Terra.
Palavras de Cristo na última Ceia:
"Deixo-vos este Cálice,
o Cálice do meu Sangue,
que será derramado por vós.
É o Cálice de nova e Eterna Aliança,
bebei-o em memória de mim"
Este Cálice "electromagnético"
é o Santo Graal.
Ao ser magicamente electrizado
pelo Sangue de Cristo,
viabiliza e materializa
o "milagre" da Salvação.
A Taça pode também simbolizar a Terra,
"aberta" à energia do Céu.
A nova e Eterna Aliança
é a Aliança "selada" na vibração do Amor.
A Aliança dos Homens
com "Esse de quem nada pode ser dito"...
Ao aceitar a dádiva da sua Vida,
Jesus Cristo realizou em-Si
a União da matéria e do Espírito,
do Feminino e do Masculino,
da Terra e do Céu,
da Mãe e do Pai.
Pelo imenso Sacrifício da Redenção,
O Santo Graal surge como o testemunho
de uma Eterna União.
Na Taça cumpre-se a fusão.
O Santo Graal é a Obra acabada...
Porque houve da parte de um Ser Humano
uma entrega incondicional,
o Espírito pode baixar e vibrar
nas suas células inteiramente dóceis,
33
capazes de suportar a "alta frequência"
do Divino.
Complementam-se assim
os dois pólos do Mundo,
com a Vontade do Homem
"nas mãos" de Deus...
Cessou, para uma Humanidade dissociada,
a divisão e a dualidade.
O Céu pode finalmente baixar à Terra,
no Coração de cada um.
Ao identificarmo-nos com Cristo,
activamos igualmente em nós
a Sua "alta" vibração.
O Coração Humano pode irradiar,
em consciência, a "onda" do Amor.
Na Lenda de Avalon,
Artur e os seus cavaleiros
ao usarem a Espada para encontrar a Taça,
procuravam, ainda sem o saber,
fazer emergir no Masculino algo próprio
do Feminino:
a entrega profunda à Vida.
Ao receber a Espada da mão da Sacerdotisa,
Artur não só quis religar o Masculino
ao Feminino, como quis também
unir no seu reino a "autoridade" da Igreja,
que na altura representava o poder Masculino
em ascenção, a religião do Pai,
à Sabedoria ancestral da Deusa,
os poderes da Mãe.
Embora a Lenda do Rei Artur,
traduza a demanda do Santo Graal,
Artur não tinha ainda consciência
da dimensão última daquilo que procurava:
Ao usar a Espada para fazer a guerra,
ele ainda não vibrava no Caminho da Luz.
34
Cristo veio dar ao Mundo o testemunho
de uma Verdade Eterna,
que o Mundo ainda hoje não entendeu:
"O Guerreiro da Luz
não pode jamais entrar em Guerra"
Ao dar a sua "outra face",
passagem do Evangelho tão mal entendida,
Cristo veio testemunhar
que responder com não-violência,
à violência
é ser-se verdadeiramente Cristão.
Ao contrário, responder com violência
à violência é ser prisioneiro do medo,
é viver a Lei da selva,
é reagir de uma forma compulsiva
e irracional, é estar condicionado
pelo instinto básico de sobrevivência.
É agir motivado pela Ignorância,
é ser-se possuído pelas Trevas...
É ainda não ter entendido a mensagem
do Cristo. É ainda não trilhar o caminho da Luz.
Artur procurou o Graal
pela força da Espada, pela violência.
Era o Tempo das Guerras Santas,
em que lamentavelmente
se procurava a Paz fazendo a Guerra.
Este Mundo de sobrevivência,
de desrespeito pela Vida e pelas Leis
que regem o Universo, continua bem presente
no século XXI.
O Mundo onde nos encontramos
é ainda anti-Cristão.
Mundo de Homens
sem consciência do Divino,
35
dissociados da sua Alma,
impulsionados pelo medo.
Condicionados pela "baixa" frequência
da sua inconsciência.
Inconsciência que os impede
de intuir as Leis da Vida,
de vibrar na receptividade
e no poder do Feminino.
Artur não tinha iniciado
a "Viagem Interna", capaz de o pacificar.
Essa íntima Viagem,
em que o Masculino se rende
ao Feminino em-Si, à Vida da sua Alma.
A única Viagem que torna o Ser Humano
"alinhado" com a Vontade do Pai,
como Cristo testemunhou.
Acerca desta Viagem, diz Luc Bigé:
"Assemelha-se a um Tempo Suspenso.
Registra um espaço íntimo
que se expande calorosamente
a partir do Coração do Ser.
Quando o Tempo objectivo parece ter parado,
o espaço interior começa a desdobrar-se,
...permite que a pessoa se religue
ao seu Eu maior, Espiritual,
...focaliza a nossa Consciência
nas Terras inexploradas
da nossa realidade Mágica,
...abre, em-nós, as portas do Céu".
Conta ainda a Lenda que, por sua vez,
as Sacerdotisas não souberam usar
a verdadeira essência amorosa
e receptiva do Feminino.
Abusaram dos poderes mágicos
36
para afirmar a sua vontade,
manipular os acontecimentos,
intervir na História de uma forma subjectiva
e controladora.
Traíram a Sabedoria do Feminino,
a pura receptividade à Vida e ao Divino.
Por isso, a história acabou mal...
O Graal permanece oculto
na noite dos Tempos.
Ainda se encontra por revelar...
A intenção unificadora do Rei Artur,
ligar no plano Social
o Feminino ao Masculino,
não foi conseguida.
A influência da Sabedoria feminina
na Mente Colectiva não se realizou.
A História testemunha a supremacia
e a consolidação no Tempo
de uma Igreja masculina, rígida, dogmática,
"confusa" quanto à mensagem de Cristo...
Igreja que ascendeu no Ocidente
a um poder absoluto.
Reza a História que a sua autoridade
e domínio se mantiveram sobre as Nações,
através de pactos, jogos e alianças
obscuras, mais ou menos manipuladoras,
com as sucessivas Casas Reais,
que visavam interesses materiais,
que nada tinham de fraterno...
E assim foi surgindo no Ocidente
uma Cultura de valores Masculinos,
não amorosa e não Cristã,
redutora da dimensão doce, sensível,
inteligente e intimista das Almas...
Cultura paternalista,
37
que ainda hoje se mantém actual,
e que sempre "modelou"
os valores Colectivos desta "velha" Europa.
Cultura de que todos somos "vítimas",
pela qual nos sentimos de algum modo
formados e "deformados"...
Temos, como um bom exemplo
desses valores, a noção de Culpa,
nascida de uma ortodoxia monolítica
que nada tem de Feminino e compassivo.
Culpa que atravessou os Séculos,
pesando, obscurecendo e densificando
o inconsciente Colectivo das massas,
e o inconsciente pessoal de cada um.
Deste modo os Seres Humanos,
presos numa teia incómoda de sentimentos
negativos, "velhos" sentimentos, nascidos
de memórias sombrias,
muitas vezes antigas e confusas memórias
de Culpa e julgamento, "enfraqueceram".
Perderam auto-estima, tornaram-se incapazes
de se por em causa, de atrair as experiências
e a informação que os poderia amadurecer
e emocionalmente guiar,
numa Via de auto-Conhecimento.
Foi-lhes assim retirada a liberdade
de se encontrarem a Si-próprios.
Ensinam os antigos Mestres Chineses
que num Universo bi-polar
quando dois pólos de um movimento
se encontram frente-a-frente,
quando um Ciclo chega à fase de Oposição,
chega à sua tensão limite:
então, vira no seu contrário.
Assim o século XX, século de rebeldia,
individualismo e contestação,
inverteu este processo.
38
Ao rejeitarem a autoridade culpabilizadora
das Instituições Religiosas,
as massas caíram numa permissividade
desculpabilizada, caótica,
igualmente perversa.
Surgiu o Mundo que hoje conhecemos.
Onde os valores Femininos de aceitação,
acolhimento e receptividade emocional,
expressão da memória arquetípica da Alma,
estão igualmente esquecidos.
“A ausência do Feminino na realidade social
dos nossos dias é uma lacuna, um vazio
psíquico, um drama colectivo inconsciente"
do livro: O retorno ao Feminino
39
São Bernardo e o Culto de Maria
Bernardo de Claraval
"Nascido no Sul da França em 1090, de família
nobre, fez-se monge da Ordem de Cister.
Ordem de extrema pobreza e abandono
prestes a soçobrar como Instituição...
devido à acção de São Bernardo, tornou-se
subitamente conhecida, apoiada e respeitada,
para se expandir por toda a Cristandade...
A opção Espiritual de Bernardo não o afastou
da Vida Secular, na qual interveio com lucidez
e brilhantismo.
De facto, o prestígio e a Sabedoria do Abade
de ClaravaI, "era considerado pelos seus
contemporâneos como um Ser cheio de graça
e de Verdade...", levaram os poderosos do seu
Tempo - Papas, Reis, Senhores Feudais...
- a consultá-lo, a ponto de fazerem dele o
maior árbitro político e eclesiástico...
mas nada perturbou o silêncio no coração
de Bernardo, Verdadeiro Homem de Deus
e Nossa Senhora, a quem adjudicou as
duas Ordens a si ligadas, Cistercienses e
Templários, de cujas regras era autor...
A contribuição mais relevante de São Bernardo
para o Mundo Cristão foi o impulso decisivo
que conferiu ao culto de Nossa Senhora, julgo
que com uma intencionalidade e um sentido
muito particular.
Que fogo interior alimentaria o ânimo desse
personagem excepcional e misterioso que foi
São Bernardo?
Fogo esse que para além da erupção no seio
da Igreja, levando a Ordem de Cister do
anonimato ao topo da Cristandade, também
alimentou a erupção externa que impôs
40
Nossa Senhora a uma Igreja não muito
interessada em Cultos no Feminino.
A devoção pagã à Deusa-Mãe ou à Deusa-
Terra havia atravessado toda a Antiguidade,
marcando fortemente todas as grandes
Religiões e Mitologias.
Esse Culto mantinha ainda raízes profundas
entre os Povos Europeus do século XII,
desejosos de recuperar a sua ancestral devoção
à Mãe-Terra, que o Cristianismo lhes negava.
De facto, a Igreja opunha-se a qualquer Culto
Feminino pelas razões anteriormente expostas
e também pela sua perigosa identificação
com o Culto das Deusas-Mãe anteriores
- Cibeles, Artemisa, Ceres, Deméter, Ísis...
(como dizia Euripdes: é a Terra, ...chamem-lhe como
quiserem !)
Mas, de súbito e sob a forte influência de São
Bernardo, tudo mudou e o Culto de Nossa
Senhora irrompeu triunfante dos Corações
para os altares...
São Bernardo foi o grande zelador do Culto
Mariano na Europa.
As duas Ordens a ele ligadas, Cister e Ordem
do Templo, estavam sobre advocação da Virgem
e nos rituais Templários as preces a Nossa
Senhora ocupavam um lugar preponderante:
rogava-se mais à Virgem
que ao próprio Deus..."
Texto a Religião do Graal - Luis Vidal Lopes
Talvez São Bernardo tivesse sentido
que a Igreja era excessivamente masculina,
desconectada de tudo o que era Feminino.
Por isso, o culto de Maria,
em que se exaltavam os valores Femininos,
alastrou muito rapidamente pela Europa
41
do Tempo.
Este Culto veio lembrar à Cristandade
uma dimensão ausente,
esquecida e negligenciada:
a Essência Feminina do Ser.
Este "esquecimento" do Feminino
na Igreja Católica da Idade Média,
pode ter surgido na sequência
da própria noção de "Pecado Original":
em que Eva cedeu ao "convite" da Serpente,
comendo a "maçã" da árvore-da-Vida...
A Mulher, a partir desse momento,
iria representar o Mal, a tentação,
a Queda, esse Ser perigoso,
de quem os Homens
sempre deviam desconfiar...
A àrvore-da-Vida simbolizava a Sabedoria,
cujo acesso era vedado aos Homens.
Eva transgrediu a Vontade de Deus.
Mais grave ainda: comeu a "maçã"
e tentou Adão, para que a comesse também.
Adão comeu a "maçã".
Perdeu-se deste modo a Inocência do Paraíso.
Convém saber que esta forma negativa
de abordar as Origens da Humanidade,
não era partilhada pela Gnose Cristã
dos primeiros séculos do Cristianismo.
Para os Gnósticos, a energia feminina
era um princípio Luminoso,
positivo e Iniciático.
Os Gnósticos consideravam que Eva
ao comer a "maçã" se tinha tornado
uma manifestação d
e Sophia,
"a Sabedoria".
42
Davam a Eva o nome de Zoé,
que significa Vida.
No Gnosticismo, é Eva quem relembra a Adão
a sua verdadeira Origem.
Ao convidá-lo a comer da árvore da Sabedoria,
Eva desperta Adão do seu "Sono"
e Inicia-o na Gnose.
Segundo um texto Gnóstico, disse-lhe Adão:
"Tu serás chamada a Mãe-das-Viventes,
porque tu me deste Vida"
A "maçã" simboliza a 3a visão,
o "abrir" da Consciência Espiritual.
A Serpente também se identifica com Sophia,
que tomou a forma de uma Serpente:
representa o chamado ao despertar Espiritual,
devolvendo a Adão a sua Natureza.
São Bernardo intuiu a Sacralidade
da Essência Feminina,
ao introduzir e divulgar nas suas Ordens
o Culto-de-Maria.
A devoção a "Nossa Senhora"
vem responder ao "vazio Feminino"
criado por uma Instituição religiosa
controlada por mentes masculinas.
Onde a postura atenta,
receptiva e compreensiva,
não tinha lugar.
Isso a que podemos chamar
a "Sabedoria do Feminino",
presente nas antigas Sociedades Matriarcais,
quando os Homens viviam em Harmonia
com as Leis da Natureza.
O Culto de Maria veio criar uma "ponte"
com a Essência materna da Vida,
43
ao induzir a uma projecção emocional
sobre a Grande Mãe Universal.
Mãe capaz de receber e aceitar
o íntimo sentir desses seus filhos,
os Seres Humanos sobre a Terra:
frágeis, condicionados, desprotegidos,
perdidos na densidade do Mundo,
fechados na Solidão das suas Almas...
Maria, Matter, Matéria, a Mãe Universal,
vem responder à ausência criada
pelo esquecimento da Deusa
e pelo desaparecimento das suas Sacerdotisas.
Lacuna responsável pelo obscurantismo
instintivo, fanático e agressivo
da Idade Média.
Lacuna que se afirmava
como carência emocional colectiva.
Lacuna que se exprimia, pela forma árida,
masculina, dura, não-compreensiva
e pouco sensível, como a Igreja se comportava
ao julgar os "pecados" dos seus fiéis!
Sem a Luz do Feminino,
há uma "grande ausência" sobre a Terra.
O "Mundo fica às escuras"...
Foi essa "escuridão", que São Bernardo
tentou compensar, promovendo
nas suas Ordens o Culto de Maria.
A "devoção" a Maria apareceu
como um "escape emocional",
como uma "terapia colectiva"...
No entanto, não conseguiu realizar
o processo alquímico desejado,
não teve o poder de transformar
44
as Mentes e os Corações!
Não atingiu o "núcleo" interno
que pedia "mutação",
crescimento-em-Consciência.
Os Homens, como crianças imaturas,
contentaram-se em pedir e chorar
nos braços da Mãe...
Sem perceberem que essa Mãe
em quem se projectam,
habita algures, na profundeza
das suas Almas...
É em-Si que a devem encontrar.
Neste sentido, o Culto de Maria
não deveria ser uma projecção devocional,
mas sim uma Identificação interior.
Identificação com o poder mágico
e redentor do Sofrimento,
capaz, quando amorosamente aceite,
de nos transformar em Seres de Luz!
Maria devia ter sido a grande referência
feminina,
o "espelho reflector" da nossa própria
feminilidade:
a receptividade ao Espírito,
em-nós.
Receptividade conquistada
pela humilde rendição do nosso Ego
ao Sofrimento,
que a Vida sempre nos impõe.
A Mãe de Jesus surgiu na Igreja
como a única presença materna.
A Mãe dos pobres mortais,
que ouve as suas súplicas.
A Mãe que os faz sentir menos perdidos...
45
"Senhora de Olhos clementes,
Mãe dos tristes, Mãe dos crentes
ergue os teus Olhos ao Céu.
Ai! Volve-os repletos de Astros
Aos que te cantam de rastos
as penas que Deus lhes deu..."
(excerto de um poema a Nossa Senhora,
do Conde de Monsaraz)
No entanto, tudo isto se tem passado
sem infelizmente contribuir
para que as pessoas se ponham-em-causa
e possam crescer em maturidade emocional.
Mais uma vez os Homens se iludem
com as suas projecções e expectativas!
Um dos "espelhos Sagrados"
que Maria vem "reflectir"
para a Humanidade,
é ensinar, pela sua Vida,
pela sua postura e atitude,
que em última análise,
"Ser Mãe, é aceitar perder um Filho..."
Esta frase, que para a maioria das pessoas
pode parecer cruel e implacável,
tem múltiplas implicações Espirituais.
Remete-nos para a Consciência
da Vida e da morte,
pela aceitação dos desígnios da Vida
em todas as circunstâncias.
O que implica uma entrega incondicional
ao Divino em-nós.
Uma Alquimia interior profunda.
Esta é a verdadeira dimensão de Maria,
a Mãe de Jesus,
que nunca foi integrada
e compreendida.
46
o 6° raio, o raio da devoção
foi a vibração que animou
os 2000 anos da Era de Peixes.
Salvo raras excepções,
podemos considerar estes 2000 anos
o Tempo do advento
de uma nova e Luminosa Espiritualidade,
mas porque não entendida
a sua mensagem,
foi também um Tempo
de imaturidade Espiritual.
O Raio da devoção activou
uma projecção emocional extrovertida,
sobre um Deus Transcendente,
com o poder de nos "resolver" a Vida...
Não integrando ainda em cada Ser Humano,
a dimensão Imanente do Divino.
O culto Mariano,
veio preencher este Tempo-devocional,
ao ser assumido como energia de 6° Raio.
Não era ainda a altura
de se poder identificar Maria,
como um "espelho de Consciência".
Como o reflector
da nossa mais subtil Identidade.
Maria ainda não podia surgir
como o Arquétipo Feminino
encarnado na Humanidade.
O arquétipo feminino
é a Memória Primordial
que todas as Mulheres e todos os Homens
são chamados a acordar em-Si,
como íntima realidade
a ser assimilada pela Consciência:
47
é a vibração receptiva dos seus Corações,
o Templo interior e Intemporal das suas Almas
A presença de Maria, Mãe de Jesus,
compensou a rigidez masculina da Igreja,
mas não conseguiu ainda harmonizar
o Feminino e o Masculino em cada um.
48
o 7° Raio,
vem "revolucionar'
a Espiritualidade do Passado,
ao lembrar que Esse Alguém
de quem tanto se espera,
está-em-nós por sermos
Unidades autónomas de Vida.
Esse Alguém é o Poder da Vida-Eterna,
que se manifesta como Paz interior.
Ganhamos esta Consciência sempre
que a personalidade abdica do seu Ego
e se rende à Vida Maior, em-Si.
Esta Consciência é já expressão
do Homem Espiritualmente adulto.
A Vida é fluida, não há como dogmatizá-Ia.
A Vida na matéria é um contínuo movimento.
Movimento que não podemos parar
ou impedir que se manifeste,
pelo estaticismo não amoroso dos dogmas...
Temos que nos "orientar" por Leis Eternas
que exprimem Verdades Eternas.
Leis presentes
em todas as Tradições Espirituais.
Leis que atravessam o Espaço e o Tempo
e se manifestam na interação das energias.
As Leis são Eternas,
mas a forma como elas se manifestam
flui através dos acontecimentos.
Essa maleabilidade é a Sábia adaptação
da Lei e da Verdade à matéria,
num dado Tempo Histórico.
49
"Habilidade"
que sempre foi mais própria das Mulheres...
por serem mais intuitivas,
por serem mais dóceis à matéria,
por lidarem melhor com a complexidade
das circunstâncias,
sem a rigidez da mente inferior,
que sempre procura controlar
a Vida sobre a Terra,
postura normalmente masculina.
Isto não significa que não hajam
Homens intuitivos, mas essa não tem sido,
através da História, a postura dos Homens.
50
o Século XX e a "libertação feminina"
A Sociedade laica e materialista do século XX,
agora por razões não Espirituais
nem Religiosas,
criou igualmente a nível colectivo,
uma grande lacuna do Feminino.
A conquista da liberdade conseguida
pela Mulher deste século,
levou-a, ao competir com os Homens
no plano Social,
a uma "masculinização" da sua atitude
e dos seus valores:
a Mulher perdeu-se dos seus Dons,
da sua capacidade de sentir e receber a Vida.
Como disse ainda Maurieen Murdock:
"As filhas não viram nas mães
a força do Feminino.
Daí as terem rejeitado.
Ao rejeitarem as mães,
ao aderirem a conceitos
e padrões Masculinos de afirmação,
as filhas perderam-se
da sua própria feminilidade.
Criou-se uma cisão interior.
A ruptura com as mães,
abriu nas Mulheres uma ferida interna,
a negação do seu pólo Feminino."
Ferida que vão ter de denunciar,
para a poderem curar...
Continua Maurieen Murdock:
"...assim, pela pressão do colectivo,
as Mulheres esqueceram a riqueza
do seu Mundo interior, o seu sentir profundo"
51
A riqueza do seu Mundo interior,
o seu "Sentir profundo",
é o Saber Nocturno das Origens,
que as torna
Papizas, Magas, Mães...
A Papiza é o símbolo da Mulher,
nocturna e Sábia por instinto:
porque ligada às forças da Terra,
porque ligada à fonte da Vida.
do livro: o Retorno ao Feminino
São tudo qualidades Marianas
o Culto Mariano, na sua essência,
significa atravessar o "espelho-de-Maria"
para ouvir e responder à voz da própria Alma.
Responder à Voz-da-Alma
é antes de mais, renunciar
ao desejo egocêntrico que cria separação.
Implica saber perder. Anular os medos
da personalidade, trabalhar a humildade
e a disponibilidade que nos torna receptivos.
Em última análise,
a Alma é quem em nós aceita morrer.
Ela sabe, pela sua memória arquetípica,
que a morte é o reverso da Vida.
Um novo nascimento.
A passagem de uma para outra dimensão.
O Culto Mariano
pode levar-nos a viver este processo
de encontro à nossa Alma.
Vivemos hoje a complexa e confusa passagem
do 6° para o 7° Raio.
Talvez agora, a presença do 7° Raio
52
sobre o Planeta permita
que o verdadeiro Ensinamento de Maria
possa ser correctamente assimilado,
expresso e afirmado.
Sem esta Sabedoria, não é possível realizar
a fusão do Masculino e do Feminino
como expressão da nossa Unidade Interior.
Consciência que nos faz ascender à Redenção,
à Vibração da dádiva de Cristo.
Há que intuir a dimensão Inteligente,
Oculta e Poderosa da Existência.
Só então iremos cumprir
"a Nova e Eterna Aliança".
Só então poderemos Ser
o Santo Graal.
O Processo de Ascensão
a que o Santo Graal nos inicia,
pode tornar-se, a partir de agora,
uma realidade em-nós.
Realidade a ser interiormente reverenciada.
A história do rei Artur suporta simbolicamente
o início deste processo.
No entanto, hoje já não é o Tempo
de se falar de Lendas.
O Santo Graal não é uma Lenda.
É a expressão última
da dádiva de Jesus Cristo à Humanidade.
O Santo Graal
simboliza a entrega interior de um Ser
que aceitou sem condições
a energia do 1º Raio,
como força Divina em-Si.
53
Ao identificarmos a nossa Vida
com o processo redentor de Cristo,
ao fundirmos em nós o princípio activo
e o princípio passivo,
o Masculino e o Feminino,
ao religarmos a personalidade
à Vida da nossa Alma,
saímos da aparente dualidade do Mundo.
Unificados,
vibrando entre o Céu e a Terra
na Eternidade que nos habita.
"Quando fizerdes do dois, Um,
e o interior como o exterior,
e o exterior como o interior,
e a parte superior como a inferior,
de modo a fazer com que Homem seja Um só...”
evangelho segundo Tomé
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o "resgate" do Mito perdido
O novo Mundo que se anuncia
Estamos numa "Viragem" dos Tempos.
Momento difícil, mas privilegiado
da História da Humanidade.
Caminhamos para uma nova Cultura,
baseada na Consciência da receptividade
à Vida.
Porque já conhecemos
as Sociedades Matriarcais
dissociadas da força do Masculino
e séculos de uma Sociedade Masculina
dissociada da postura de aceitação
própria do Feminino,
encontramo-nos num momento da História,
que antecede um Tempo de Síntese:
a Era de Aquário.
Tempo em que Homens e Mulheres
de boa Vontade
irão finalmente realizar,
de um modo Consciente,
a união psíquica, emocional e Cultural
do Masculino e do Feminino.
Síntese, que irá materializar no plano Social
o Projecto Cósmico de Cristo:
a Fraternidade sobre a Terra.
Era de Liberdade,
porque de acordo com as Grandes Leis
que regem o Universo.
Serão novamente os valores Femininos,
expressão da realidade da Alma,
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ancorados na Consciência
da Vida Una, Eterna e Imutável,
que irão requalificar
todo o comportamento mental e emocional
da Humanidade futura.
É o Poder do Yin,
definido pelos Mestres Taoistas,
como a "capacidade de realizar
através da não resistência".
É o Poder contrário à violência
e à auto-afirmação do ego,
pela primeira vez em Harmonia
com a força do Masculino,
o Poder Yang de realização.
A "não-resistência" de que falam os Taoistas,
não é algo frágil e inconsistente
como pode parecer, é uma força poderosíssima.
Revela Sabedoria, que é fidelidade
ao princípio Divino do Amor,
única Via possível de Unidade
entre os Homens.
A não-resistência não é inacção, passividade.
A não-resistência pede Centragem,
"convergência interna", Paz interior.
Pela primeira vez na História,
a Humanidade vai poder denunciar
os erros do Passado,
abrir a Mente a uma Visão Universal,
desenvolver o Hemisfério direito, a Intuição.
Por ser o Cristal a matéria perfeita,
capaz de suportar a vibração da Luz,
"a matéria em estado de graça",
houve quem chamasse a este novo Tempo,
"o Tempo da Cristalização do Cristo".
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Tempo em que não haverá mais divisão,
turbulência emocional, falsas projecções.
O medo será anulado,
a morte transcendida.
Serenos, estáveis, centrados e concentrados,
os Homens irão vibrar na Unidade recuperada.
Fiéis ao projecto Divino que os fez nascer,
serão um foco irradiante de energia...
Ao assim Ser e estar,
cada Ser Humano irá renovar a "Terra",
iluminar as forças do colectivo,
equilibrar a Vida de todos os dias...
Tal como Artur,
cabe-nos também a nós responder
à "demanda" sempre presente,
a nossa busca do Graal ...
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