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Causas do Abandono em Alfabetização

Este documento apresenta uma dissertação sobre as causas de abandono de educandos nos Centros de Alfabetização e Educação de Adultos na cidade de Chimoio, Moçambique, entre 2014-2015. A dissertação inclui uma introdução, revisão da literatura, metodologia, análise de dados e conclusões. Entrevistou 196 educandos que abandonaram os centros para identificar as principais causas de abandono, como a necessidade de trabalhar para sustentar a família.
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Causas do Abandono em Alfabetização

Este documento apresenta uma dissertação sobre as causas de abandono de educandos nos Centros de Alfabetização e Educação de Adultos na cidade de Chimoio, Moçambique, entre 2014-2015. A dissertação inclui uma introdução, revisão da literatura, metodologia, análise de dados e conclusões. Entrevistou 196 educandos que abandonaram os centros para identificar as principais causas de abandono, como a necessidade de trabalhar para sustentar a família.
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UNIVERSIDADE CATOLICA DE MOÇAMBIQUE

Faculdade de Engenharia
Curso de Mestrado em Gestão e Administração Educacional

Américo Alberto Mapunga

Causas de Abandono de Educandos aos Centros de Alfabetização Educação de


Adultos na ZIP de Muzingazi na Cidade de Chimoio no período de 2014 a 2015.

Chimoio
Março de 2016
Américo Alberto Mapunga

Causas de Abandono de Educandos aos Centros de Alfabetização Educação de


Adultos na ZIP de Muzingazi na Cidade de Chimoio no período de 2014 a 2015.

Dissertação apresentada a Universidade


Católica de Moçambique a Faculdade de
Engenharia em Chimoio como requisito para
obtenção do grau de Mestre em Gestão e
Administração Educacional da Universidade
Católica de Moçambique.

Supervisora: MSc. Ada Lourdes Bacallao Hernandez

Chimoio

Março 2016
DECLARAÇÃO

O presente trabalho foi por mim elaborado, estudante da Universidade Católica de


Moçambique em 2014-2015. Declaro que este trabalho é fruto do meu esforço
individual excepto para citações que aqui foram referenciadas. Prometo que nunca foi e
nunca será submetida a nenhuma outra Instituição do Ensino Superior.

Estudante

-----------------------------------------
Américo Alberto Mapunga

A supervisora

------------------------------------------
MSc. Ada Lourdes Bacallao Hernandez

I
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais Alberto


João Mapunga falecido, e Maria Massula, a
minha esposa Carlota Alberto Seda, meus
filhos Fernando Américo Mapunga e
Mazula Américo Mapunga, meus irmãos
Júlio Alberto Mapunga e André Alberto
Mapunga, falecidos e Olivia Maria Alberto,
e aos meus Docentes que tanto trabalharam
para a minha formação.

II
AGRADECIMENTO

Um trabalho desta natureza representa um elevado investimento, significa um grande


esforço e acaba sendo um produto de contributos vários. É por isso importante
reconhecer e agradecer a importância que cada pessoa tem neste trabalho. Tenho a
agradecer em primeiro lugar a Deus Pai todo Poderoso por ter me dado Saúde e por me
ter protegido durante os meus estudos, para o alcance do grau de Mestrado. A MSc. Ada
Lourdes Bacallao Hernandez, na sua qualidade de docente e de orientadora: O meu
sincero reconhecimento e gratidão pela qualidade das suas observações, pelo estímulo
constante que me deu e pela atenção que dispensou desde a minha formação à
Universidade Católica de Moçambique e ao longo de todo o trabalho académico,
especialmente durante a elaboração desta dissertação. A todos os meus professores da
Universidade Católica de Moçambique.

III
RESUMO

Este trabalho apresenta as causas de abandono de educandos aos Centros de


Alfabetização e Educação de Adultos da ZIP de Muzingazi na cidade de Chimoio. Por
meio de pesquisa de campo foram entrevistados 196 educandos que abandonaram aos
CAEA. Tomou-se como referência metodológica a abordagem qualitativa auxiliando-se
com a quantitativa, utilizando-se os seguintes recursos: estudo bibliográfico,
observação, análise documental entrevista e questionários com perguntas abertas e
fechadas e estatística. A análise conduziu à constatação que predomina o abandono
escolar pela necessidade de trabalhar para o sustento da família. Por sua vez, as opções
filhos pequenos e afazeres domésticos foram apontadas exclusivamente por mulheres,
que, por vezes, além de exercer uma atividade remunerada precisam cuidar da casa e
filhos.

Palavras-chave: Abandono, Alfabetização e Educação de Adultos.

IV
ABSTRACT

This work presents the factors of dropout in adults at school of the ZIP of Muzingazi at
Chimoio city. They were interviewed 196 students who quitted from a school. The
qualitative approach supported by quantitative approach was taken as a methodological
tool which also included the following techniques: bibliographical research,
observation, data analysis, the questionnaires with open and closed questions and
statistic. The analysis led to the finding that the predominant avoidance of the need to
work for supporting the families. The options small children and household chores were
appointed exclusively by women, sometimes in addition to exerting a paid work must
take care of the house and children.

Keywords: Quit, literacy and Education of adults’ people.

V
INDICE GERAL

DECLARAÇÃO ................................................................................................................ I

DEDICATÓRIA ............................................................................................................... II

AGRADECIMENTO ......................................................................................................III

RESUMO ....................................................................................................................... IV

ABSTRACT ..................................................................................................................... V

INDICE DE GRAFICOS ............................................................................................... IX

LISTA DE ABREVIATURAS ....................................................................................... XI

GLOSSÁRIO ................................................................................................................. XII

CAPITULO I. INTRODUÇÃO.........................................................................................1

INTRODUÇÃO .................................................................................................................1

1.1. JUSTIFICATIVA .......................................................................................................3

1.2. PROBLEMATIZAÇÃO .............................................................................................4

1.3 OBJETIVOS DO TRABALHO ..................................................................................5

1.3.1 Objetivo Geral .......................................................................................................5

1.3.2 Objetivos Específicos ...........................................................................................5

1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO ..................................................................................5

1. 5 LIMITAÇÃO DO ESTUDO .....................................................................................6

1.6 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO ................................................................................6

2.1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................8

2.1. 1 Revisão da Literatura teórica ...............................................................................8

2.1.2 Conceitos Básicos .................................................................................................8

2.1.3 Abandono ..............................................................................................................8

2.1.4 Educando ..............................................................................................................8

2.1.5 Adulto ...................................................................................................................9

2.1.6 Iletrado ..................................................................................................................9

2.1.7 Analfabeto ...........................................................................................................10


VI
2.1.8 Literacia ..............................................................................................................10

2.1. 9 Alfabetização .....................................................................................................10

2.1.10 Alfabetização Funcional ...................................................................................11

2.1.11 Educação de adultos..........................................................................................11

2.1.12 Alfabetização e Educação de Adultos em Moçambique ..................................11

2.1.13 História de Alfabetização e Educação de Adultos ............................................12

2.2 TEORIA DE BASE ...................................................................................................14

2.2.1 Teorias de aprendizagem de adultos ...................................................................14

2.2.2 Andragogia como Modelo para Aprendizagem do Adulto .................................15

2.2.3 Alfabetização e Literacia ....................................................................................16

2.2.4 Legislação e Politica nacional sobre a Alfabetização e Educação de Adultos ...16

2.2.5 Analfabetismo e Alfabetização ...........................................................................17

2.2.6 Condições socioculturais e económicas .............................................................. 19

2.2.7 Condições Institucionais .....................................................................................19

2.2.8 Consequências das causas de abandono .............................................................20

2.3 REVISÃO LITERATURA EMPÍRICA ............................................................... 21

2.4 REVISÃO DA LITERATURA FOCALIZADA ......................................................22

2.4.1 Análise de programas de AEA ............................................................................22

Tabela 1: Desafios da Alfabetização e Educação de Adultos .........................................25

Tabela 2: Análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças .............................. 25

CAPITULO III: METODOLOGIA .................................................................................30

3.1. TIPO DE PESQUISA ............................................................................................... 30

3.2. DESENHO DE PESQUISA .....................................................................................30

3.3. POPULAÇÃO DE ESTUDO ...................................................................................31

3.4. Processo de amostragem ...........................................................................................31

3.4.1 Tamanho da Amostra ..........................................................................................31

3.5. MÉTODOS DE COLECTA DE DADOS ................................................................ 31

VII
3.6 DURAÇÃO DO ESTUDO ........................................................................................32

3.7 VARIÁVEIS DO ESTUDO ......................................................................................32

CAPITULO IV: INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS E DISCUSSÃO .................33

4.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO ...........................................................................33

4.1.1 Número de Desistentes .......................................................................................33

Gráfico 1: Representa a Idade dos educando Desistentes da ZIP de Muzingazi. ............33

Gráfico 2: Distribuição dos educandos por sexo ............................................................34

Gráfico 3: Representa as habilitações de entrevistados ...................................................34

Gráfico 4: Fonte de informação sobre CAEA .................................................................35

Gráfico 5: Razões de frequentar aos CAEA ....................................................................36

Gràfico 6: Tempo de aprendizagem dos educandos de ZIP de Muzingazi .....................38

Gráfico 7: Conduta/comportamento dos alfabetizadores da ZIP de Muzingazi ..............39

Gráfico 8: Representa a religião dos educandos desistentes 2014 a 2015......................40

Gráfico 10: Representa o local de residência dos desistentes de ZIP de Muzingazi .......41

Gráfico 11: Representa Naturalidade dos desistentes da ZIP de Muzingazi ...................42

Gráfico 12: Tipo de habitação educandos .......................................................................42

Gráfico 13: Representa os responsaveis pelo sustento da familia dos educandos...........43

Gráfico 14: Representa as causas de abandono educandos aos centros de Alfabetização


na ZIP da Muzingazi........................................................................................................44

Gráfico 15: Propostas de estratégias ................................................................................45

5. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO. .................................................................................46

5.1. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........................................................................46

CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .............................................48

5.1. CONCLUSÕES ........................................................................................................48

5.2. RECOMENDAÇÕES............................................................................................... 49

BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................51

APÊNDICE 1 ..................................................................................................................54

VIII
INDICE DE GRAFICOS

Gráfico 1: Representa a Idade dos educando Desistentes da ZIP de Muzingazi. ............33

Gráfico 2: Distribuição dos educandos por sexo ...........................................................34

Gráfico 3: Representa as habilitações de entrevistados ...................................................34

Gráfico 4: Fonte de informação sobre CAEA .................................................................35

Gráfico 5: Razões de frequentar aos CAEA ....................................................................36

Gràfico 6: Tempo de aprendizam dos educandos de ZIP de Muzingazi .........................38

Gráfico 7: Conduta/comportamento dos alfabetizadores da ZIP de Muzingazi..............39

Gráfico 8: Representa a religião dos educandos desistentes 2014 a 2015......................40

Gráfico 9: Representa a estado civil dos desistentes da ZIP Muzingazi. ........................40

Gráfico 10: Representa o local de residência dos desistentes de ZIP de Muzingazi .......41

Gráfico 11: Representa Naturalidade dos desistentes da ZIP de Muzingazi ...................42

Gráfico 12: Tipo de habitação educandos .......................................................................42

Gráfico 13: Representa os responsaveis pelo sustento da familia dos educandos...........43

Gráfico 14: representa as causas de abandono educandos aos centros de Alfabetização


na ZIP da Muzingazi........................................................................................................44

Gráfico 15: Propostas de estratégias ................................................................................45

IX
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Desafios da Alfabetização e Educação de Adultos .........................................25

Tabela 2: Análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças .............................. 25

X
LISTA DE ABREVIATURAS

AEA: Alfabetização e Educação de Adultos.


Alfalit: Alfabetização e Literatura.
Alfa-Rádio: Alfabetização pela Rádio.
CAEA: Centro de Alfabetização e Educação de Adultos.
DNAEA: Direcção Nacional de Alfabetização e Educação de Adultos.
FRELIMO: Frente de Libertação de Moçamique.

GDs : Grupos Dinamizadores.


MEC: Ministério de Educação e Cultura.

MINED: Ministério da Educação.


ODM: Desenvolvimento do Milénio.
SDEJT: Serviço Distrital de Educação Juventude e Tecnologia.
SWOT: Sigla formada pelas iniciais dos termos Strengths (forças), Weaknesses
(fraquezas), oportunities (oportunidades) e Threats (ameaças).
ZIP’s: Zonas de Influência Pedagógica.

XI
GLOSSÁRIO

Andragogia: Arte e ciência que orienta o processo de aprendizagem de jovens e


adultos.
Alfabetização Funcional: Aprendizagem através de um conjunto de actividades de
leitura, escrita e cálculo que permitem que as pessoas, individual ou colectivamente,
apliquem os seus conhecimentos de forma efectiva para a melhoria das suas condições
de vida e da comunidade.
Perfil sócio económico e cultural é definido como um conjunto de atributos
económicos, sociais e culturais de uma certa pessoa.

Abandono acto de dechar uma coisa, ou renúnciar alguma coisa.


Literacia: Comunicação básica através da leitura e escrita no domínio da vida.

Alfabetização - Aquisição e aplicação de habilidades básicas de leitura, escrita e


cálculo.

Educando/Alfabetizando: Sujeito activo no processo de aprendizagem básica da


leitura, escrita e cálculo.

Educação de Jovens e Adultos: Processo de aprendizagem formal, não formal e


informal, em que jovens e adultos desenvolvem habilidades, conhecimentos e atitudes,
aperfeiçoando as suas qualificações técnicas e profissionais, na perspectiva de satisfazer
as suas necessidades, da comunidade e da sociedade em geral.

XII
CAPITULO I. INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como tema “Causas de Abandono de Educandos aos
Centros de Alfabetização e Educação de Adultos na ZIP de Muzingazi na Cidade
de Chimoio, no período de 2014 a 2015”.

O problema do abandono escolar tem sido constantemente discutido por órgãos


governmentais e pelo meio acadêmico, devido à importância do tema da educação,
principalmente aquela fornecida pelo próprio governo. No entanto, políticas públicas
voltadas ao combate do abandono nem sempre tem obtido êxito, o que indica que as
causas para tal fenômeno podem ainda não ter sido analisada de forma adequada. Na
literatura sobre Alfabetização e Educação de Adultos, encontram-se diversas causas
para o abandono escolar, que podem estar relacionadas a aspectos socioeconômicos,
causas relativas ao professor, causas relativas ao aluno, e causas relativas às práticas
pedagógicas e institucionais.

A educação de adultos evidenciou-se e institucionalizou-se como campo de práticas


educativas e como parte integrante na agenda da política educativa, por um lado, através
do surgimento de teorias que a diferenciam de outras modalidades educativas e, por
outro lado, pelas conferências que a UNESCO vem realizando desde 1949 que
contribuíram significativamente para o reconhecimento da existência da educação de
adultos e do seu papel no contexto da educação ao longo da vida. Porém, em África, a
educação de adultos emerge nas décadas de 50 e 60 quando alguns países começaram a
libertar-se do colonialismo. Desde então, a educação de adultos foi vista como
instrumento fundamental no combate ao analfabetismo que assola a maior parte dos
africanos. Por essa razão, quando Moçambique alcançou a independência em 1975, uma
das primeiras estratégias que adotou foi o lançamento de campanhas de alfabetização e
educação de adultos para todas as pessoas. A alfabetização Educação de Adultos (AEA)
é uma modalidade específica da Educação Básica que se propõe a atender a um público
ao qual foi negado o direito à educação durante a infância ou adolescência seja pela
oferta irregular de vagas, seja pelas inadequações do sistema de ensino ou pelas
condições socioeconômicas desfavoráveis. Os índices de analfabetismo que
Moçambique herdou do governo colonial (de 93% à data da independência (Lind, 1985)

1
e a necessidade de formar o “Homem Novo” foram os principais desafios que
conduziram à implementação de campanhas nacionais de Alfabetização e Educação de
Adultos, que tiveram o seu início em 1978.

Este estudo se torna relevante por estar relacionado com o tema em si, pois o abandono
de educandos aos programas de alfabetização traz prejuízo para o educando e para a
sociedade por se privar de pessoas com alto índice de escolaridade além do desperdício
de impostos e contribuições que sustentam a educação pública (GOMES, 1998). Apesar
de outros autores terem efectuado pesquisas sobre Alfabetização e Educação de
Adultos, ainda não foi explorada o abandono de educandos aos centros de AEA na ZIP
de Muzingazi na Cidade de Chimoio. As demandas que se colocam para o Sector de
Educação e seus parceiros, na área de Alfabetização e Educação de Adultos para a
erradicação do analfabetismo exigem trabalho entre todos os intervenientes, havendo a
necessidade de assegurar o acesso e a retenção, a melhoria da qualidade, de forma a
contribuir dessa forma, para o desenvolvimento sócio económico do País.

Dada ainda a sua importância e a preocupação constante dos decisores na República de


Moçambique, a alfabetização e educação básicas constam nas políticas de
desenvolvimento do país, dentre quais se destacam: a Constituição da República de
Moçambique no que refere à Alfabetização e Educação de Adultos, o Artigo 52º,
declara que “A República de Moçambique promove uma estratégia de Educação
visando a Unidade Nacional, a erradicação do analfabetismo, o domínio da ciência e da
técnica, bem como a formação moral e cívica dos cidadãos”. Ainda na mesma
constituição, o Artigo 92º, advoga que na República de Moçambique educação constitui
como um direito e dever de cada cidadão.

Caberão as Zonas de Influência Pedagógicas (ZIPs), aos directores das escolas, lideres
comunitários e religiosos e outros intervenientes fazer a gestão da Educação de Adultos,
através da tutoria dos Centros de Alfabetização em torno das suas escolas. O abandono
de educando aos Centros de Alfabetização e Educação de Adultos é preocupante para o
país, pois, o Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano (MEDH) redobra os
esforços em criar variedades de modelos ou estratégias na perspectiva de atingir a toda
população que por várias razões não teve oportunidade de se ingressar no ensino formal.

2
Constitui o objectivo geral do estudo, analisar os Fatores do abandono de educandos aos
Centros de Alfabetização e Educação de Adultos na ZIP de Muzinganzi. O tema
ajudará-nos a determinar de forma objectiva e concisa até que ponto os educandos
levam a sério aos aspectos ligados a alfabetização. Dê modo a ter uma boa explicação
acerca do abandono aos centros de alfabetização far-se um estudo de caso com uma
abordagem qualitativa e auxiliada pela quantitativa, baseando-se na pesquisa
bibliográfica, análise documental, observação, entrevista e questionário como
instrumentos de recolha de dados e estatísticos para a apresentação e discussão dos
mesmos.

1.1. JUSTIFICATIVA
O interesse de investigar o tema surgiu como resultado de experiências vividas ao longo
do trabalho na ZIP de Muzingazi, onde se verificou o abandono de 382 de Educandos
aos centros de AEA. Nenhum país pode se desenvolver com cifras altas de
analfabetismo; com avanços das tecnologias de informação, requer que as pessoas
possuam habilidades básicas de escrita e leitura. O estudo pode fornecer informação
relevante para reorientar estratégias visando a incentivar a maior participação de
educandos nos programas de alfabetização e educação de adultos (AEA).

O tema permitirá o encorajamento dos educandos a assumirem responsabilidades de


forma consciente e científica nos seus papéis sociais. Essa responsabilidade consciente
se torna possível com uma educação. A alfabetização assume um papel preponderante
nos esforços do Governo de combate ao analfabetismo, por isso, liderou o processo de
elaboração da segunda Estratégia, que visa aumentar as oportunidades de educação
básica dos jovens e adultos, através de um conjunto de acções integradas das
instituições do governo e não governamentais, para a redução da taxa do analfabetismo
dos actuais 48,1% para 30% em 2015, contribuindo desta forma para promoção da
cidadania e redução da pobreza.

Uma politica clara e boa governança são necessárias para assegurar que os adultos, têm
acesso ao ensino, como um dos seus direitos naturais. As demandas que se colocam para
o sector da Educação e seus parceiros, na área de Alfabetização e Educação de Adultos
para o alcance das metas do Milénio, exigem uma plataforma de trabalho entre todos os
intervenientes, (ONGs, lideres comunitários, lideres religiosos, etc.), havendo a

3
necessidade de assegurar o acesso e a retenção, a melhoria da qualidade e o reforço da
capacidade institucional, de forma a responder, aos desafios de erradicação de
analfabetismo e, contribuir para o desenvolvimento sócio-económico do País. Porém,
dados da ZIP de Muzingazi na Cidade de Chimoio mostram que 382 de educandos
abandonam os centros de AEA pelo que interessa pesquisar os factores que levam aos
educandos a abandonarem.

O estudo é direcionado aos Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia da


Cidade de Chimoio, concretamente na ZIP Muzingazi, pelos seguintes motivos:

 O Distrito de Chimoio constitui o berço do investigador e onde esta a trabalhar


actualmente;
 O desejo de querer fazer o estudo que beneficie de forma particular a sua zona
de origem;
 A localidade Urbana número 3 onde se localiza a ZIP de Muzingazi possui
maior númenro de abandono de educandos;
 O fato de ZIP Muzingazi ser um dos que possui maior número de centros de
AEA;
 O trabalh o vai permitir ao investigador o aumento de conhecimento na área de
formação;
 O trabalho vai trazer impacto positivo na sociedade pós irá ajudar para os
fazedores da educação no sentido de melhorar o processo de ensino de adultos
através de AEA;
 Acredita-se que, o estudo irá ainda enriquecer a literatura existente sobre
abordagens de Alfabetização e Educação de Adultos, baseados em estudos
específicos Cidade de Chimoio, concretamente na ZIP de Muzingazi.

1.2. PROBLEMATIZAÇÃO
Nos anos de 2014 a 2015, na ZIP de Muzingadzi foram inscritos 764 educandos de
AEA e até ao final do ano 2015 haviam abandonado 382 educandos, pois hove 50% de
abandono de educandos. Este aspecto preocupa as autoridades competentes na área de
educação de adultos e ao proponente desta dissertação. A ausência de integração entre
as iniciativas e realizações do governo, e Plano Estratégico ainda não se traduz em

4
acções visíveis no campo da Alfabetização e Educação de Adultos. Estes dois factores
concorrem para a persistência de altos índices de analfabetismo no país.

Porém a Educação e Alfabetização de Adultos são visto dentro de um quadro muito


estreito. O campo mais amplo de educação de adultos, que deve ser uma preocupação
do Governo e em toda a sociedade civil, é negligenciado. Por outro lado o sistema
formal de ensino não consegue absorver todas as crianças em idade escolar, deixando de
fora muitas crianças, o que constitui uma fonte permanente de crescimento da
população analfabeta no país.

A ZIP de Muzingazi implementa diferentes estratégias de AEA tais como, Alfa Rádio, e
Alfa regular. Contudo, apesar dos progressos alcançados, verifica-se o abandono de
educandos aos Centros de Alfabetização de EPC de Nhamaonha, EPC de Muzingazi e
EPC de Nhauriri. Diante destas situações, surge a seguinte questão: Quais os factores
que contribuem para o abandono de educandos nos centros de Alfabetização e
Educação de Adultos da ZIP de Muzingadzi?

1.3 OBJETIVOS DO TRABALHO


1.3.1 Objetivo Geral

 Analizar os fatores do abandono de educandos aos Centros de Alfabetização e


Educação de Adultos na ZIP de Muzinganzi.

1.3.2 Objetivos Específicos

 Identificar os fatores que concorrem ao abandono de educandos aos Centros de


AEA;
 Analisar a situação de acesso e retenção de educandos nos Centros de AEA;
 Propor possíveis estratégias que promovam a participação e retenção de
educandos aos Centros de AEA.

1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO


O estudo aborda “O Abandono de Educandos aos Centros de Alfabetização e Educação
de Adultos na ZIP de Muzingazi na Cidade de Chimoio no período de 2014 a 2015”.

5
1. 5 LIMITAÇÃO DO ESTUDO
Neste ponto, iniciamos com a caracterização do espaço geográfico em geral e do local
onde decorreu o estudo em particular.

A Cidade de Chimoio, capital de Província de Manica, localiza se no centro do País.


Administrativamente, a Cidade de Chimoio está dividido em Localidades Urbanas e este
em Bairros que, por sua vez, se encontram dividido em quarteirões. Ao nível da Cidade
de Chimoio existem três localidades Urbanas: Localidade Urbana no 1, 2 e 3. A julgar
pelos números, a Localidade Urbana no 2 é a que maior número possui (12 Bairros),
sendo seguida pelas Localidades Urbanas no 3 (11 bairros), e finalmente, no 1 (10
Bairros), (INE, 1997). Do ponto de vista geográfico, a Cidade de Chimoio fica situada
ao longo do corredor da Beira e se circunscreve no distrito de Chimoio. Ela abrange
uma zona central e bairros residenciais suburbanos e periféricos, com uma superfície
total de 174 km2. A área do estudo faz parte da localidade Urbana no 3. Dentre vários
aspectos que identificam esta área, o complexo industrial da Textàfrica é o mais
importante. Localidade Urbana no 3-econtra se localizada a sudeste da Cidade e é
cortada pelo corredor da Beira no seu extremo Norte. Os seus limites são, a Norte,
Localidade Urbana no 2, a sul e este, o Distrito de Chimoio e a Oeste, Localidade
Urbana no 1. É dentro desta Localidade onde se localiza a Zona de Influência
Pedagógica de Muzingazi (ZIP). A ZIP de Muzingazi é constituída pelas seguintes
escolas: EPC Muzingazi, EPC Nhamaonha e EPC Nhauriri. A EPC Muzingazi, e
Nhaurir encontram se ao longo de corredor da Beira exceptuando a EPC Nhamaonha
que se encontra na zona litoral ao longo da Avenida 25 de Setembro. Para a escolha da
ZIP tomouce como base existência de maior número de centros de AEA. Antes da
escolha da ZIP Muzingazi fez se um diagnóstico de número de centros de AEA ao nível
das outras ZIPs existentes a nível da Cidade de Chimoio e constatou se que a ZIP
Muzingazi possui maior número centros de AEA. Com base no estudo alguns
constrangimentos foram notáveis, como por exemplo, dificuldade na localização de
alguns educandos que abandonaram os programas de AEA.

1.6 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO


O presente estudo é composto por cinco capítulos. Onde o primeiro refere-se à
Introdução que engloba os objectivos de estudo, definição do problema, a delimitação
do estudo e por último a limitação do estudo em causa. No segundo capitulo temos a
revisão da literatura, e está dividido em três partes que incluem a literatura teórica,
6
empírica e a literatura focalizada. O terceiro refere-se a metodologia de pesquisa tendo
em conta o tipo de Pesquisa, população em estudo, desenho da pesquisa, processo da
amostragem e tamanho da amostra e métodos de coleta de dados. O quarto capítulo esta
patente a análise e interpretação dos dados, para responder os objectivos do estudo. Por
fim o último que é o quinto capítulo apresenta-se as discussões, sugestões,
recomendações e a conclusão.

7
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 INTRODUÇÃO
Este capítulo apresenta fundamentação teórica do tema em estudo, sobretudo as
percepções de diferentes autores. São apresentados os conceitos básicos que interligados
explicam a essência da pesquisa, destacando se ainda Alfabetização e Educação de
Adultos entre outros aspectos de carácter teórico que possa explicar os factores
tendentes ao abandono de educandos aos programas de AEA, tendo como base
explicativa a aprendizagem de Adulto. A informação que fez parte desta secção resultou
de pesquisas bibliográficas em livros académicos, revistas científicas apresentados na
internet ou arquivo bibliotecário.

2.1. 1 Revisão da Literatura teórica


O estudo baseia se na literatura que fala sobre Alfabetização e Educação de Adultos.

2.1.2 Conceitos Básicos


Neste item, consideramos de conceitos básicos os que foram frequentemente usados na
dissertação.

2.1.3 Abandono
A palavra Abandono segundo o dicionário português refere a acção de deixar uma coisa,
sinônimo de abandono é desistência. Esta palavra pode significar desinteresse. Bárbara
(2002) Entende-se por abandono escolar, a saída prematura do aluno do sistema de
ensino obrigatório, sem que o tenha completado ou atingido a idade legal para fazê-lo,
por razões que não sejam a transferência de escola ou morte. Nesta dissertação usou-se
a palavra abandono para comungar com o significado de desistência por parte de
educandos aos programas de AEA.

2.1.4 Educando
A palavra educando segundo o dicionário português refere se a individuo que recebe
educação, que se encontra em processo de aprendizagem, sinónimo de educando é
aprendiz. Nesta dissertação usa se a palavra educando para aluno que estão nos centros
de AEA.

8
2.1.5 Adulto
Considerando que o nosso tema está relacionado com AEA e o termo adulto afigura-se
neste, e assim, pretende se descrever o conceito de adulto e suas características. Em
Moçambique e na maioria das comunidades africanas, ser considerado “adulto”
ultrapassa em muito a questão da idade cronológica. Há diversas etapas e níveis para
que a pessoa seja considerada adulta pelos membros de sua comunidade. Somente ao
adulto é reservado o direito de participar de algumas cerimônias sociais, como festa dos
iniciados, cuidado dos doentes ou cerimônias fúnebres.

Há “rapazes” que são considerados adultos antes dos 12 anos, quando, por exemplo,
trabalham nas minas da África do Sul. Ao mesmo tempo, há homens de 20 anos que não
são considerados adultos, pois não participaram dos “rituais de passagem”, podendo
inclusive ser considerados crianças por um tempo indefinido, o que “veta ao indivíduo o
acesso a alguns saberes comunitários que constituem segredos locais” MANGRASSE
(2004).

A vida adulta é entendida muitas vezes como uma fase de estabilidade, sendo esta
estabilidade apresentada por características de maturidade. Segundo GOUVEIA (2000).
Moçambique oficialmente, através do Artigo 130º do Código Civil é considerado adulto
aquele que já tenha completado 21 anos de idade.

UNESCO (2010) refere que adultas são “pessoas consideradas pela sociedade a que
pertencem". Esta prudência traduz a ambiguidade associada ao conceito de adulto e, por
isso, também ao de jovem. Há diversas etapas e níveis para que a pessoa seja
considerada adulta pelos membros de sua comunidade (VIEIRA, 2006). Assim adulta é
a pessoa que executa papéis sociais, tipicamente para os adultos. (os papéis referidos
são, por exemplo, o de ser trabalhador, esposa, esposo, pai, mãe, soldado, e outros).

2.1.6 Iletrado
O termo iletrado etimologicamente do latim, tendo como modelo o latim illiteratus.
Segundo o dicionário português o termo iletrado significa pessoa que não sabe ler ou
escrever. Refere se a pessoa que tem pouco ou nenhum conhecimento sobre literatura.
Sinônimo de iletrado é analfabeto.

9
2.1.7 Analfabeto
O analfabeto é o indivíduo que não tem a necessidade da leitura no desenvolvimento das
suas atividades do quotidiano, pois a leitura e a escrita são primordialmente dois
recursos aos quais os indivíduos recorre para a execução de um trabalho que não pode
ser feito sem esse conhecimento.

2.1.8 Literacia
O termo literacia corresponde em inglês literacy. Uma leitura atenta ao dicionário da
língua portuguesa (1999) verifica se que o termo literacia está associado a palavras
como literato ou letrado, que de forma depreciativa apontam para o sentido de
conhecimento literário e/ou aquele que por habito cultiva literatura. No dicionário da
Oxford (2007) a palavra literacy indica ‟ being literate” e literate diz se significar ‟ able
to read” and ‟write”.

Segundo Sim Sim (2010) o conceito de literacia é entendido como a capacidade de usar
todas as formas do material escrito requeridos pela sociedade e usados pelos indivíduos
que integra. Assim, literacia é entendida como um fenómeno multidimensional e
complexo, que compreende o conjunto de práticas quotidianas de utilização da leitura,
da escrita e do cálculo, nos contextos de vida dos indivíduos, e levadas a cabo com
finalidades diversas e visando atingir fins específicos.

2.1. 9 Alfabetização
MEC (2000) Alfabetização é a aquisição de noções básicas de leitura, escrita e cálculo
e, por outro, um processo que estimula a participação nas actividades sociais, políticas e
económicas e permite uma educação contínua e permanente.

UNESCO (2007) admitindo a evolução do conceito define alfabetização, no contexto


actual, como a habilidade de identificar, compreender, interpretar, criar, comunicar, usar
o computador e materiais associados em diversos contextos. A alfabetização refere-se à
acquisição da escrita enquanto aprendizagem de habilidades para leitura, escrita e as
chamadas práticas de linguagem.

10
Segundo DNAEA (2003) A alfabetização é considerada, por um lado, a acquisição de
noções básicas de leitura, escrita e cálculo e, por outro, um processo que estimula a
participação nas actividades sociais, políticas e económicas e permite uma educação
contínua e permanente.

2.1.10 Alfabetização Funcional


Entende-se alfabetização funcional aquela aprendizagem que ocorre através de um
conjunto de actividades de leitura, escrita e cálculo que permitem que as pessoas,
individual ou colectivamente apliquem os seus conhecimentos de forma efectiva para a
melhoria das suas condições de vida e da comunidade (MEC, 2011:7).

Comungando com ideia dos autores sobre Alfabetização, nesta pesquisa deve ser
entendida como um processo de aprendizagem contínuo em prol de actualização de
conhecimentos de modo a que cada indivíduo consiga enfrentar e vencer os desafios da
vida numa comunidade ou sociedade ampla, aberta e com uma constante evolução
tecnológica. O enfoque deste programa é a aquisição de competências ligadas a leitura,
escrita e cálculo, de modo a resolver os problemas do seu quotidiano (negócios,
agricultura, saúde educação parental entre outras). Assim pode se dizer que os conceitos
acima apresentados convergem naquilo que é a essência e no caso particular, no seu
alvo.

2.1.11 Educação de adultos


A educação de adultos é mais importante. A educação de Adulto é um componente
importante na capacitação e emponderamento das comunidades para a busca da
equidade e da justiça social e na resolução de problemas que o adulto enfrenta no seu
dia -a- dia (MEC, 2011). UNESCO (2010) A aprendizagem emancipa os adultos,
dando- lhes conhecimentos e competências para melhorar suas vidas.

2.1.12 Alfabetização e Educação de Adultos em Moçambique


Segundo MEC (2003) Alfabetização e Educação de Adultos referem-se a todos os
programas educativos dirigidos aos adultos, em grupo ou isoladamente, que têm por
objetivos desenvolver nos adultos, em grupo ou isoladamente, conhecimentos assim
como aptidões, capacidades e competências de ordem intelectual, afectiva, física,
artística, profissional e social. Segundo Schwartz (2010) Alfabetizado significa dar
11
conta da leitura de um pequeno texto, seja de um bilhete, seja de um nome de rua, para
outros é fundamental a inserção da cultura na leitura e na escrita. Porém, tanto num
como noutro caso, o quadro conceptual da alfabetização encontra-se sempre associado à
leitura e à escrita. O enfoque deste programa é a aquisição de competências ligadas a
leitura, escrita e calculo, de modo a resolver os problemas do seu quotidiano.

2.1.13 História de Alfabetização e Educação de Adultos


AEA no nosso país “Moçambique”, não é um fenómeno novo. Ela percorre toda a
trajectória histórica. Nesse sentido, iniciamos com as questões explicitadas por
NANDJA (2004), no artigo intitulado “Educação de Adultos em Moçambique: uma
cronologia de factos, de 1964 a 2002”.

Por ser 1964 o ano de início da luta armada de libertação nacional em Moçambique, e
buscamos contribuições de outros autores que abordam a situação no passado e no
período mais recente da história do país.

O primeiro período que marca a história de Alfabetização em Moçambique vai de 1964


a 1975, designado por período da luta de libertação nacional cujo processo de
alfabetização estava ligado à consolidação das zonas de libertadas, às razões da luta
armada e à produção de alimentos para os combatentes (ESPADA, 2009).

Em 10 de setembro de 1964, foi baixado o Decreto-lei nº 45908, que instituiu a reforma


do ensino primário e o funcionamento dos estabelecimentos de ensino, com duração de
duas horas e trinta minutos por dia, nos períodos vespertino e noturno, ou seja, fora do
horário regular das aulas das crianças, para alunos adultos, a partir dos 15 anos de idade
(NANDJA, 2004).

No ano de 1973, após a intensificação da luta armada em Moçambique, realizou-se na


“Escola Secundária da FRELIMO, um Seminário Pedagógico que visava preparar os
estudantes para uma campanha de alfabetização de adultos nas Zonas Libertadas”
(NANDJA, 2004).

Decreto-Lei nº. 5/73, de 25 de Junho de 1974 foi introduzida a AEA em Moçambique,


como ensino destinado aos adultos e as actividades são voltadas à formação profissional
12
dos mesmos na: extensão cultural, formação, aperfeiçoamento, actualização e
especialização (MÁRIO, 2004).

Em 1974, a Associação Acadêmica da FRELIMO e os Grupos Dinamizadores (GDs)


iniciaram uma Campanha de Alfabetização de massas, contando com o trabalho
voluntário de alfabetizadores (MÁRIO, 2004). Em 1975, ficou definido que caberia ao
MEC, organizar e dinamizar todo o programa de AEA do país. Como consequência
dessa decisão, em 1976 foi criada a Direcção Nacional de Alfabetização e Educação de
Adultos (DNAEA), com o objectivo de orientar e controlar o Sistema de Alfabetização
e Educação de Adultos, excluindo a formação profissional (MÁRIO, 2004).

Em 1977, no III Congresso da FRELIMO, a Alfabetização foi considerada tarefa


prioritária, especialmente para a classe operária, para os veteranos da luta de libertação,
para os quadros do Partido, das organizações democráticas de massas e das forças de
defesa e segurança, para os deputados e para os trabalhadores dos sectores socializados
do campo (NANDJA, 2004).

Em 1978 aconteceu o lançamento da 1ª Campanha nacional de Alfabetização. Este foi


considerado o primeiro passo para armar ideológica, científica e tecnicamente o
trabalhador moçambicano, rumo ao desenvolvimento (MÁRIO, 2004).

Em 1980, implementada a 2ª Campanha Nacional de Alfabetização, a qual foi bem-


sucedida em todos os aspectos e foi uma boa tentativa de uma campanha de massas,
dado que houve inclusão de um grande número de pessoas de grupos-alvo dispersos
(por exemplo, Mulheres do campo); descentralizou-se a formação de alfabetizadores;
participou quase meio milhão de pessoas, principalmente das zonas rurais (ALMEIDA,
2011).

1981 foi ano da 3ª campanha, factores externos (crescente desestabilização e seca)


contrariaram esta tendência (ALMEIDA, 2011). A partir de 1983, o Subsistema de
Educação de Adultos (SSEA) passou a integrar o Sistema nacional de Educação (SNE).

13
Em 1991 teve início o “Programa de Alfabetização em Línguas Moçambicanas,
nomeadamente em língua: Sena, ndau, changana, emakua, nyandja, no âmbito do
Projecto de Educação Bilíngue de Mulheres” (MÁRIO, 2004).

2.2 TEORIA DE BASE

2.2.1 Teorias de aprendizagem de adultos


Na óptica GARCIA (1999), os adultos aprendem conhecimentos, competências, atitudes
e disposições em situações formais, a aprendizagem autónoma é a que se torna mais
significativa, devido ao facto da sua aprendizagem centrar-se no aluno. O autor adianta
ainda que os adultos que aprendem necessitam de apoio, mas são eles que possuem
experiências e informação suficiente para decidir o que aprender, mas algumas vezes
falta lhes a motivação e a confiança em si mesmos. Adultos respondem mais
positivamente a oportunidades de aprender aquilo que seja relevante ao seu trabalho e a
si.

É provável que respondam melhor a treinamentos que os auxiliem a acrescentar


conhecimentos, habilidades e atitudes que aplicarão de imediato e que possam assumir
novas tarefas e papéis (GARCIA, 1999).

Adultos estão acostumados a assumir suas próprias decisões e acções, inclusive na


seleção daquilo que querem aprender. Estes aprendem melhor quando são tratados como
participantes activos no processo de aprendizagem e quando os formadores os ajudam a
dirigirem seu próprio aprendizado.

Segundo CAVALCANTI (1999), refere que Adultos não gostam de ficar embaraçados
frente a outras pessoas. Assim, adotarão uma postura reservada nas atividades de grupo
até se sentirem seguras de que não serão ridicularizadas. Pessoas tímidas levarão mais
tempo para se sentirem à vontade e não gostam de falar em discussões de grupo.

OLIVEIRA (1999), Explica que, no processo de ensino dos adultos os métodos de


ensino devem transmitir a segurança, isto é devem ser participativos e ativos, pois estes
podem promover autonomia do adulto, autonomia implica a segurança. Adultos podem

14
se concentrar numa explanação teórica durante 07 minutos. Depois disso, a atenção se
dispersa.

MILLER citado por CAVALCANTI (1999), afirmam que estudantes adultos retêm
apenas 10% do que ouvem, após 72 horas. Entretanto serão capazes de lembrar-se de
85% do que ouvem, vêm e fazem, após o mesmo prazo.

2.2.2 Andragogia como Modelo para Aprendizagem do Adulto

A teoria da aprendizagem de Knowles constitui uma proposta do sistema educacional


baseado na andragógia que tem como um dos princípios fundamentais a aprendizagem
assente em situações concretas das diferentes esferas da vida dos adultos.

Knowles (2010) “a abordagem da educação de adultos deve ser por via de situações,
não por disciplinas. O nosso sistema académico tem funcionado de forma inversa; as
disciplinas e professores constituem o ponto central, os estudantes são secundários. Na
educação convencional, o estudante é exigido ajustar-se ao currículo estabelecido; na
educação de adultos o currículo é construído em torno das necessidades e interesses dos
estudantes”.

O modelo andragógico é baseado nas seguintes premissas:


 Os adultos precisam saber porque é que é necessário aprender um determinado
conteúdo;
 Os adultos entram no processo educativo com um maior volume e diversidade
de experiências do que as crianças, por isso eles próprios é que devem decidir
sobre as suas responsabilidades e necessidades da aprendizagem;
 Os adultos têm necessidade de aprender aquilo que precisam e que cabe
efetivamente nas situações da vida real;
 Os adultos são mais sensíveis a motivações intrínsecas do que das motivações
extrínsecas.

Em Moçambique os alfabetizadores antes de tomarem as turmas de adultos são,


geralmente, submetidos a cursos intensivos de curta duração onde são abordados, entre

15
outros aspectos da educação de adultos, os princípios andragógicos. As pessoas que se
predispõem a trabalhar com adultos são sensibilizados a adotar determinados
comportamentos que se adequam com esse grupo de educandos.

2.2.3 Alfabetização e Literacia


São dois conceitos distintos, que se entrecruzam enquanto processos na medida em que
a leitura do mundo precede a leitura da palavra e aprender a ler e a escrever é também
compreender o mundo no seu contexto, vinculando linguagem e realidade. A
alfabetização constitui-se como o fundamento e instrumento da literacia, entendida
como a capacidade de acção no mundo social, cultural e profissional. A inserção do
indivíduo no mundo da escrita dá-se, simultaneamente, através destes dois processos:
aquisição do sistema convencional e ortográfico da escrita – a alfabetização – e pelo
desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema nas práticas sociais que implicam
a utilização da linguagem verbal. “A alfabetização possibilita o domínio dos usos e das
práticas culturais e sociais da leitura e da escrita, cujo impacto qualitativo representa
para o sujeito a extrapolação da dimensão técnica e instrumental do domínio do sistema
de escrita” (Soares, 1998).

A aprendizagem da leitura e da escrita representa um salto no desenvolvimento da


pessoa. Ao utilizar as habilidades associadas ao conhecimento e uso da língua, como
instrumento mediador do conhecimento entre o homem e a natureza (sociedade), são
acionados processos cognitivos como a memória, o raciocínio, ou a problematização e
solução de situações de aprendizagem.

2.2.4 Legislação e Politica nacional sobre a Alfabetização e Educação de Adultos


Moçambique como país, reconhece que o programa de redução da pobreza a curto e
medio prazo não se pode concretizar sem a participação activa e efectiva da população
em idade de fazê-lo (Jovens e adultos), e muito menos, se realizará com uma população
maioritariamente analfabeto (MEC, 2011).

Dada ainda a sua importância e a preocupação constante dos decisores na República de


Moçambique, a alfabetização e educação básicas constam nas políticas de
desenvolvimento do país, dentre quais se destacam: a Constituição da República de

16
Moçambique no que refere à Alfabetização e Educação de Adultos, o Artigo 52º,
declara que “A República de Moçambique promove uma estratégia de Educação
visando a Unidade Nacional, a erradicação do analfabetismo, o domínio da ciência e da
técnica, bem como a formação moral e cívica dos cidadãos”. Ainda na mesma
constituição, o Artigo 92º, advoga que na República de Moçambique educação constitui
como um direito e dever de cada cidadão. Ligadas ao assunto; Lei nº 6/92 que reajusta o
Sistema Nacional de Educação - SNE em conformidade com o novo modelo económico
e político consagrado na Constituição de 1990; o Programa do Governo para 2000-2004
preconizava o relançamento da alfabetização, dando-lhe uma dimensão global e
realística, e que tinha como objectivo a redução do analfabetismo em 10%; O Plano de
Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA), 2001-2005, que define a
alfabetização e a educação de adultos como um dos objectivos primordiais do programa
educacional; A Estratégia Nacional de Alfabetização e Educação de Adultos e Educação
Não - Formal, cujo objectivo principal é a erradicação do analfabetismo no país; E o
Programa do Governo 2005-2009, que retoma o objectivo de redução do analfabetismo
em 10%. Nos documentos referidos a alfabetização é definida como “aprendizagem da
leitura, escrita e numeração, desenvolvidas de forma a utilizá-las efectivamente para
aprender a aprender e para satisfazer as necessidades básicas. Por outro lado o
documento produzido pela ONU em 8 de Setembro de 2000, Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio (ODM), (Millennium Development Goals, MDG),
preconizam que, a alfabetização representa como elemento essencial para a diminuição
da pobreza no mundo. Como se pode notar, estes documentos Nacionais ou
Internacionais, todos têm como objectivos de: eliminar o analfabetismo literal e
funcional; contribuir para afectiva igualdade educativa daqueles que não frequentaram a
educação formal e assegurar a ocupação dos tempos livres com actividades de natureza
cultural e informal.

2.2.5 Analfabetismo e Alfabetização


De forma sucinta, apresentamos algumas concepções que têm influenciado o processo
de alfabetização, as quais podem contribuir para compreendermos a questão da
alfabetização no contexto educacional.

A palavra analfabeto designa aquele que não aprendeu a ler e a escrever. Soares (2001),
ao definir o termo, afirma que o prefixo “a” indica ausência, neste caso, a falta de alfa e
17
beta, que são as letras iniciais do alfabeto grego; portanto indica o desconhecimento das
letras.

A história da educação moçambicana parece-nos muito familiarizado com o termo


analfabeto, pois sempre nos foi necessária uma palavra para designar o analfabetismo.
Porém, o estado ou a condição de quem sabe ler e escrever, isto é, o estado ou a
condição de quem responde adequadamente às demandas sociais pelo uso amplo e
diferenciado da leitura e da escrita, só recentemente se configurou como uma
necessidade em nosso contexto educacional.

Para abordarmos esta temática, consideramos pertinente explorarmos os significados de


“letramento”, pela influência que este conceito passou a exercer nas práticas educativas
nos últimos anos. Segundo Soares, letramento é a tradução para o português da palavra
inglesa literacy que é o estado ou a condição que assume aquele que aprende a ler e a
escrever.

Ainda, de acordo com Soares (2001), o termo “alfabetizado” nomeia aquele que apenas
aprendeu a ler e a escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de quem se
apropriou da leitura e da escrita, incorporando este aprendizado às práticas sociais que o
demandam.

Tfouni (2002) afirma que há comunidades nas quais a escrita não é utilizada
cotidianamente e, nesses casos, pode-se ter pessoas “analfabetas” e ao mesmo tempo
“letradas”, como por exemplo, uma pessoa que ainda não se alfabetizou, mas participa
de todas as práticas sociais da comunidade em que vive. Essa pessoa seria "analfabeta",
porque não aprendeu a ler e escrever, mas é de certa forma, letrada, pois não sente falta
de nenhum outro instrumento de leitura ou escrita em seu cotidiano.

Dessa forma, para Soares (2002), o termo “alfabetizado” nomeia aquele que apenas
aprendeu a ler e a escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de quem se
apropriou da leitura e da escrita, incorporando este aprendizado às demandas das
práticas sociais. Para exemplificar, Soares afirma que se o aluno sabe ler, mas não é
capaz de ler revistas, jornais, folhetos, livros, e se sabe escrever, mas não produz

18
materiais escritos como listas, cartas e outros tipos de texto, podem ser considerados
alfabetizado, mas não letrado.

É considerada analfabeta a pessoa que declara não saber ler nem escrever um bilhete
simples no idioma que conhece. Aquela que aprendeu a ler e escrever e esqueceu, e a
que apenas assina o próprio nome é, também considerada analfabeta (INEP, 2001).

A alfabetização é o passo inicial e fundamental para que os jovens e adultos prossigam


o processo de escolarização, pois além de ser um fator essencial para a apropriação do
uso social da escrita e da leitura, contribui para a superação do sentimento de
inferioridade dos adultos analfabetos para que possam descortinar outros horizontes.

2.2.6 Condições socioculturais e económicas


Nesta dissertação referem-se condições socioculturais e económicos aqueles
relacionados: a cultura, género, trabalho, diversão, meio ambiente, interação na família
e na comunidade. As formas de organização de um povo, seus costumes e tradições
transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se
apresentam como a identidade desse povo.

CHIAVENATO (2007) reforça a ideia explicando que “aprendizagem afeta


poderosamente a maneira pela qual uma pessoa pensa, sente e age, bem como suas
crenças, valores e objetivos pessoais". Factores sociais por sua vez são considerados
nesta dissertação como os grupos de referência, família, amigos, papéis sociais e status
(valores, representações e estereótipos) que exercem maior influência sobre as pessoas.
Nesta pesquisa, pretende-se perceber, se o horário oferecido para aulas coincide com o
de outras actividades de carácter social, económico e de laser que os educandos
realizam levando-os a abandonar aos programas de AEA.

2.2.7 Condições Institucionais


As condições institucionais referem se aos ligados a locais onde decorrem as aulas de
alfabetização, infraestruturas, os programas, o material educativo, o conteúdo
ministrado, a formação e experiência dos professores que orientam o processo e os
horários de aulas. Assim, nas condições institucionais pretende-se perceber até que
ponto a falta de professores qualificados para lidar com alfabetização de adulto
19
influência no abandono de educandos aos programas de AEA. Também se pretende
entender as disposições dos centros de AEA, e outros meios de ensino. A incapacidade
institucional em termos de infraestruturas e recursos quer humanos, materiais e
financeiros, caracterizou o processo da alfabetização desde a sua implantação nas
primeiras campanhas da década de 70 e constitui uma das principais causas do
insucesso dos programas da alfabetização na história de Moçambique, como afirmou o
Ministro da Educação e Cultura (2015): “O sector da alfabetização e educação de
adultos isoladamente não tem capacidades para implementar os programas de
Alfabetização portanto, deve continuar a contar com o apoio dos parceiros de
cooperação que têm envidado esforços na mobilização de recursos para que a educação
tenha uma cobertura cada vez mais alargada, abrangente e de qualidade.”

2.2.8 Consequências das causas de abandono


O abandono aos centros de Alfabetização e Educação de Adultos traz prejuízos
irreparáveis para o educando e para sociedade como um todo, pois, além dos
investimentos materiais e humanos, perde-se também coma falta de pessoas capacitadas
para integrar o mercado de trabalho. Portanto, o abandono escolar deve ser visto como
um problema social e não apenas como caso isolado de alguém que se increveu em um
Centro de Alfabetização.

Estudar este fenômeno é urgente e fundamental, com o objectivo de promover o


crescimento econômico e a inovação, isto para dizer que só combatendo tal fenômeno
estaremos perante a resolução de vários problemas que surgem após o abandono. As
elevadas taxas de Abandono aos programas de AEA, que actualmente se verificam, para
além das consequências imediatas, têm consequências que só serão visíveis no futuro.

O Abandono aos centros de alfabetização e Educação de Adultos prejudica a


produtividade de um país e representa, sobretudo, um desperdício, lamentável,
mostrando não ser só um problema social e educacional, mas simultaneamente um
problema económico. Os educandos que hoje abandonam a formação escolar serão os
agentes de produção de amanhã e deste modo, a produção do nosso país poderá ser
ameaçada se este fenómeno não for controlado.

20
2.3 REVISÃO LITERATURA EMPÍRICA
Cardoso (2007) realizou uma pesquisa a fim de investigar os fatores da desistência dos
alunos de EJA. Executou entrevista com 21 jovens e adultos, dos quais onze eram
alunos desistentes e dez, repetentes das classes de alfabetização da EJA de escolas
públicas estaduais do município de Natal - RN. Após a realização do estudo constatou-
se quatro motivos da evasão: dificuldades na aprendizagem; exposição do não saber:
vergonha, humilhação e constrangimentos; e trabalho/cansaço; e doenças.

Almeida (2008) desenvolveu estudo a fim de identificar as causas da evasão, realizado


no Município de Bonfim - BA no ano de 2007. O autor após a realização de entrevistas
e aplicação de questionários aos alunos e professores, que o fenômeno da evasão está
diretamente ligado à questão de não aprendizagem, remetendo-se assim, a outras
questões tais como: formação do professor, inexistência de uma política educacional
delimitando com clareza o fazer pedagógico nas classes de jovens e adultos.

Motta (2007) apresenta em sua pesquisa os fatores da evasão da EJA do município de


Ribeirão Preto. O estudo foi realizado na Escola Estadual Lacerda Braga e, a partir de
entrevistas com educandos, identificou como motivos da evasão questões relacionadas
ao contexto extra-escola como, falta de incentivo da família, trabalho e gravidez
precoce.

Em Brasília, Santos (2007) efetuou pesquisa sobre a permanência de jovens e adultos no


ambiente escolar. A autora afirma que os fatores que causam evasão no Distrito Federal
são: a distância da escola; o cansaço do alfabetizando que trabalha o dia inteiro; a
inadequação da sala de aula para jovens e adultos que muitas vezes não tem iluminação
adequada; a ausência de um lanche a ser distribuído ao aluno que vem direto do trabalho
para a escola; e o despreparo do corpo docente para trabalhar com a especificidade da
EJA, pois, muitas vezes o professor não valoriza a experiência de vida que este aluno já
traz consigo, como trabalhador, como adulto inserido num processo de produção.

No Estado do Paraná são apresentados os dados do Censo Escolar 2008, no qual


apresenta uma evasão de 27% na EJA, ou seja, dos 114 mil alunos matriculados nesta
modalidade de ensino cerca de 40 mil abandonaram a escola.

21
2.4 REVISÃO DA LITERATURA FOCALIZADA
Desde a implantação do sistema de Educação de Adultos em Manica, o que o autor
saiba este e primeiro trabalho a ser realizado ligado a abandono de educandos aos
centros AEA na ZIP de Muzingazi, entretanto, existem outros trabalhos feitos em
Maputo e Inhambane ligados a Alfabetização e Educação de Adultos.

2.4.1 Análise de programas de AEA


Neste pretende-se analisar cada programa o que oferece e para melhor enquadrar os
factores do Abandono de educandos aos CAEA. Ao nível do país, segundo UNESCO e
MEC (2008), são implementados vários programas de alfabetização com vista a
erradicação do analfabetismo, nomeadamente, Família Sem Analfabetismo
(PROFASA), Alfa-regular, ALFALIT, Alfa-rádio, Funcional, REFLECT, Alfa línguas
locais e ENF.

Para responder a política do MEC em Chimoio estão em curso estratégias para o


programa de Alfabetização e Educação de Adultos as seguintes: Alfa- Regular e Alfa
Rádio. Características do Programa Alfa- Rádio: este programa está concebido para ser
desenvolvido em apenas três meses, as aulas são transmitidas via radiofónica com a
duração de trinta minutos, de segunda a sexta-feira, pela Rádio Nacional, Provincial, e
futuramente pela Televisão. Destas aulas, duas são de sensibilização, trinta e duas de
novo conteúdo e onze de exercitação (MEC, 2009). Educação de Adultos no regime
regular tem características de aulas clássicas na sala de aulas.

Segundo MINED (2011), “O programa Alfa-regular obedece a uma abordagem formal,


tem três níveis de alfabetização, cada nível é feito em nove meses, findo o 3º e com o
resultado positivo, o alfabetizando tem a equivalência de 5ª classe do ensino formal,
com possibilidades de prosseguir com os estudos a partir da 6ª classe. O português é a
língua de ensino. O 1º e 2º ano têm como disciplinas, Português e Matemática e o 3º ano
também tem a de Ciências Naturais. Por semana, os alfabetizandos têm três dias de
aulas, sendo que a afixação dos dias de semana é negociado com os respectivos
alfabetizadores, com excepção do 3º ano que tem quatro dias de aulas por semana.”

O programa Alfa-rádio obedece a uma abordagem não-formal, tem três meses de


duração, os alfabetizandos não adquirem nenhuma equivalência para o ensino formal,
22
mas têm a possibilidade de passarem para o 2º ano do programa Alfa-regular, ou seja, se
o programa Alfa-rádio tiver início durante o primeiro trimestre do ano, os
alfabetizandos, tem habilidades de leitura e escrita (MINED, 2011).

Portanto, os alfabetizandos quando vão para o 2º ano do programa Alfa-regulares ainda


não têm noções de Matemática, dos aprovados podem ingressar no 2º ano do programa
Alfa regular, no mesmo ano. O português é a língua de ensino. O programa Alfa-rádio
só tem a disciplina de Português leccionada em 82.5 horas (MEC & DNAEA, 2007).

Segundo MEC (2007), adianta ainda que professor-alfabetizador transmite as lições a


partir da estação da rádio e o alfabetizador, na sala de aulas, controla todas as
actividades e ajuda os alfabetizandos a compreender as lições transmitidas e as que
constam na cartilha.

2.4.2 Analise da Estratégia de Alfabetização de Adultos em Moçambique (2010-2015)


Uma das metodologias de recolha de dados que adotámos e implementámos durante a
pesquisa foi a análise de dados documentais. Esta metodologia constitui a parte
complementar da entrevista e da observação direta não participante que usámos para a
recolha de informações ao longo do nosso trabalho de campo. Assim, nesta abordagem
analisamos a Estratégia de Alfabetização e Educação de Adultos em Moçambique
(2010-2015).

A razão da escolha deste material prende-se simplesmente com o facto de, por um lado,
ser um documento oficial, aprovado pelo Conselho de Ministros de Moçambique e, por
outro, por constituir a principal plataforma de ação para todos os que querem ou que
estão a intervir com quaisquer tipos, formas e ações relacionadas com a alfabetização e
educação de jovens e adultos em Moçambique.

Portanto, nesse sentido, a problemática do nosso estudo enquadra-se dentro da


amplitude e vigência desta estratégia, enquanto parte integrante da operacionalização da
Política Nacional da Educação, particularmente de adultos em Moçambique.

Estratégia de Alfabetização e Educação de Adultos em Moçambique (2010-2015) em


análise é uma fonte primária inadvertida por ser um documento oficial emitido pela
23
autoridade governamental para corroborar a orientações da política geral da educação e
por não ser resultado de um trabalho de investigação ou de um relatório de pesquisa
académica.

No âmbito da sua política educativa, o governo moçambicano concebeu um plano de


médio prazo para reduzir o analfabetismo que atinge quase a metade da população e
designou tal plano de Estratégia de Alfabetização e Educação de Adultos em
Moçambique (EAEA), 2010-2015): Por um Moçambique Alfabetizado e em
Desenvolvimento Sustentável. A Estratégia, como referimos, é um documento oficial
elaborado sob forma de um projeto de intervenção social. Este comporta a
contextualização, os desafios e objetivos, os pilares da estratégia, as diretrizes para a
implementação, as estratégias de financiamento e monitoria e a avaliação.

Com esta estratégia, o Governo mostra, mais uma vez, o seu comprometimento e
envolvimento direto na problemática da alfabetização e educação de adultos em
Moçambique tal como está previsto na Constituição da República. Portanto, não é pela
primeira vez que a autoridade moçambicana, ao mais alto nível, se envolve de forma
direta e objetiva no desafio ao analfabetismo.

No entanto, depois da independência, a 25 de junho de 1975, esta estratégia é a segunda


a ser lançada pelo governo. A primeira foi concebida em 2001 e teve a duração de cinco
anos, mas a sua vigência alargou-se até 2010. Os resultados dessa primeira estratégia
resumem-se à redução da taxa de analfabetismo em 12,4%, portanto de 60,5% (em
2001) para 48,1% (em 2010).

Nesse contexto, a segunda estratégia constitui a continuação da intervenção


governamental direta na área da alfabetização da população começada há mais de dez
anos, portanto, em 2001. Porém, apesar de ser uma continuação da estratégia anterior,
ela mostra uma pausa intercalar com a primeira. O ponto de partida para a elaboração e
implementação desta estratégia foi um diagnóstico da situação e avaliações feitas em
2007 e 2008 em que foram constatados os aspetos que se resumem no quadro abaixo,
de natureza social, pedagógica e administrativa, que afetam o quadro geral da
alfabetização e educação de adultos no país:

24
Tabela 1: Desafios da Alfabetização e Educação de Adultos

Desafios da Alfabetização e Educação de Adultos


Sociais (procedentes de factores Pedagógicos (Derivados da Política Administrativos
socioeconómicos e culturais) Educacional) (Decorrentes da Administração e
Gestão Educacional)
Dificuldades de retenção dos Limitação dos alfabetizadores por Irregularidade no pagamento de
alfabetizandos e alfabetizadores nos insuficiência de formação; subsídios aos alfabetizadores;
programas de AEA;
Desenvolvimentos de programas de AEA, Escassez de recursos humanos,
Fraca adesão dos jovens e com materiais em línguas moçambicanas materiais e financeiros.
adultos do sexo masculino enquanto os alfabetizadores e educadores
em programas de AEA. de adultos não possuem formação nessas
línguas;

Intervenção limitada das universidades e


outras instituições de formação no
desenvolvimento curricular, formação de
formadores e alfabetizadores;

Inobservância da implementação do
Manual de Procedimentos que regula as
atividades dos diferentes
intervenientes na área de AEA.

Forças (conjunto de fatores que pudessem facilitar a implementação da estratégia),


Fraquezas (conjunto de elementos que constituíssem obstáculos na implementação da
estratégia), Oportunidades (conjunto de faculdades e capacidades para a implementação
da estratégia) e Ameaças (todos os riscos que se podiam incorrer ao implementar a
estratégia), o quadro abaixo apresenta as constatações resultantes dessa análise:

Tabela 2: Análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças


Forças Fraquezas
Vontade política; Deficiente articulação, coordenação e
comunicação multissetorial;
Experiência na implementação da Estratégia I;

25
Existência de instituições ativas na Reduzido número de instituições públicas e
alfabetização; privadas (através da responsabilidade social),
envolvidas na AEA;
Ampliação do sistema de coleta de dados de
alfabetização com a integração da educação Não implementação do Manual de procedimentos
nãoformal; para o estabelecimento de parcerias;

Cerca de 2% do orçamento do MINED aplicado Deficiente coleta de dados estatísticos em termos


nos Programas de AEA; quantitativos e qualitativos a todos os níveis na
Interesse na articulação inter e intrainstitucional ENF;
na implementação de ENF;
Inexistência de um mecanismo que garanta um
Experiência na capacitação de alfabetizadores financiamento da AEA de forma partilhada;
em cursos de curta duração. Insuficientes recursos (humanos, financeiros e
materiais);

Fragilidade na articulação e coordenação dos


fóruns de AEA.
Oportunidades Ameaças
Existência de políticas (Serviços Cívicos, Ação Insucesso na articulação com os Setores e outros
Social, Trabalho Voluntário, Lei do Mecenato); intervenientes na AEA;
Existência de grupos de fóruns de diálogo entre
o Governo e Parceiros; Baixo impacto dos programas;

Processos de reformas em curso no País e, em Desistência em massa dos alfabetizandos;


particular, no setor da Educação; Necessidades de subsistência dos
beneficiários;
Intenção de implementação da plataforma Fraca adesão de jovens e adultos, em particular,
comum de coleta de informação e disseminação; dos homens nos programas de AEA;

Implementação de programas diversificados de Não inclusão do orçamento da AEA no Fast


AEA; Track Initiative.
Existência de mecanismo de responsabilidade
social das empresas públicas e privadas.
Fonte: EAEA, 2010-2015

Através desta análise foi concedida a visão geral da estratégia que se resume em
alfabetizar jovens e adultos não escolarizados ou que não tenham concluído o ensino
primário, com o objetivo geral de aumentar oportunidades para que jovens e adultos

26
sejam alfabetizados, no sentido de se combater ao analfabetismo, considerado o
primeiro fator que ofusca os esforços do desenvolvimento da população.

A perspectiva dessa visão, que constitui o sonho, a ideologia central da estratégia, é


subjacente aos três pilares que constituem os principais eixos da estratégia
nomeadamente:

Acesso e retenção do público-alvo, que compreende um conjunto de ações estratégicas


para a mobilização e sensibilização de pessoas e instituições intervenientes nos
processos da alfabetização;

Melhoria da qualidade e relevância do processo da alfabetização, que compreende as


ações estratégicas para a revisão e desenvolvimento curricular da educação de adultos,
as ações estratégicas para a concepção e desenvolvimento de materiais de ensino e de
aprendizagem.

Reforço da capacidade institucional, também este pilar é constituído por um conjunto de


ações estratégicas, nomeadamente as que visam o desenvolvimento do quadro
institucional e capital humano em todos os níveis da estrutura da educação de adultos
dentro do Ministério da Educação, ações para o desenvolvimento e estabelecimento de
parcerias entre o subsetor da educação e outros intervenientes, ações para o incremento
e garantia do financiamento do subsetor da alfabetização e educação de adultos e ações
para articulação entre a educação de adultos.

Quanto à alocação de recursos financeiros, a estratégia tem em vista a criação de um


fundo de alfabetização e educação não formal com objetivo de gerir recursos destinados
ao financiamento de programas de alfabetização provenientes do Estado, parceiros de
cooperação, empresas públicas e privadas, sociedade civil e outras formas de
comparticipação.

Posto isto, consideramos que reunimos suficientemente os elementos que nos permitem
visualizar, de forma geral, a filosofia que orienta a conceção e a implementação da
estratégia da alfabetização em Moçambique. Ao mesmo tempo, esta apresentação

27
permite-nos também a constatação de alguns aspetos que, merecem o nossa observação
como forma de incluirmos os nossos pontos de vista acerca da intencionalidade de quem
desenhou a estratégia e das possíveis omissões que a estratégia devia elucidar para
garantir o cumprimento da sua missão e o alcance dos seus objetivos. Nesse sentido, a
análise do documento permitiu-nos constatar alguns aspetos que merecem uma breve
referência.

Um primeiro aspeto é referente ao enfoque da estratégia - partindo dos objetivos e dos


desafios da estratégia, constatamos que ela centra a sua atenção em duas perspectivas,
designadamente, compensatória e emancipatória. Acreditamos, por um lado, que a
estratégia foi concebida numa perspectiva compensatória pelo facto de ela pretender
proporcionar educação a adultos não escolarizados, tal como está concebida a sua visão
geral: “alfabetizar pessoas jovens e adultos de ambos os sexos, não alfabetizados ou que
não tenham concluído o primeiro ciclo do primeiro grau, do nível primário, com idade
igual ou superior a 15 anos” (EAEA, 2011).

Orientando-se através desta visão a estratégia apresenta-se como uma grande aposta
para a redução do hiato educacional entre a população no sentido de “aumentar as
oportunidades para que mais jovens e adultos, com especial atenção para mulher e
rapariga, sejam alfabetizados, com vista à redução do analfabetismo, através de um
conjunto de ações integradas das instituições governamentais e não-governamentais ” –
a preocupação que constitui o seu objetivo geral.

Por outro lado, constatámos que a estratégia se guia na perspectiva da educação


emancipatória uma vez que, ao aumentar as oportunidades educacionais para jovens de
ambos os sexos, promoverá a igualdade em termos educacionais entre grupos sociais e
do género na perspectiva de uma sociedade melhor, mais justa, mais livre e mais
democrática. No horizonte deste pressuposto, a estratégia pondera a igualdade de género
e a não discriminação como princípios importantes que devem ser considerados ao
longo da implementação dos programas de alfabetização e educação de adultos e
educação não-formal.

28
As duas perspectivas adotadas pela estratégia não são antagónicas, por um lado, elas
visam o cumprimento da missão da estratégia que é de promover a educação básica
equitativa e a aprendizagem ao longo da vida para jovens e adultos reconhecendo à
educação atributo essencial para o desenvolvimento humano, económico, cultural e
social.

Outro aspeto de constatámos está relacionado com as formas de alfabetização


privilegiadas pela estratégia. Ela defende a promoção de uma diversidade de formas de
alfabetização no país designadamente Alfa Regular Funcional (que é praticada em
centros de alfabetização de adultos espalhados pelo país), Alfa Rádio (que são
programas de alfabetização administrados através da rádio), família sem analfabetismo
(alfabetização feita no meio familiar em que frequentemente são pessoas do núcleo
familiar ou da comunidade que instruem as famílias), Alfalit (que são programas de
alfabetização e educação de adultos no geral promovidos por organizações
internacionais com vista a acabar o sofrimento resultante do analfabetismo), Reflect
(que são programas de alfabetização com abordagem baseada em Paulo Freire) e Alfa
em Línguas Locais (alfabetização através das línguas maternas das comunidades).

Neste sentido, a estratégia, ao privilegiar uma multiplicidade de programas de


alfabetização, leva-nos a entender que fê-lo na perspectiva de evitar um conceito
obsoleto da alfabetização, que a define como processo que visa apenas a aquisição de
habilidades de leitura, escrita e cálculo, adotando um conceito mais abrangente que
inclui habilidades para a vida.

Neste contexto, a estratégia, encarando o analfabetismo como uma das principais causas
da pobreza, foi desenhada no sentido de reduzir a atual taxa de analfabetismo de 48,1%
para 30% em 2015 contribuindo assim para reduzir também a pobreza em Moçambique.

Contudo, apesar da existência de um ou outro assunto que parece não ser


suficientemente esclarecido, à estratégia nacional da alfabetização não se despe a sua
importância tanto para a sociedade moçambicana como para o sucesso do regime
democrático, consolidação da paz e da unidade nacional num Moçambique alfabetizado
em desenvolvimento sustentável.

29
CAPITULO III: METODOLOGIA

O objecto deste estudo é analisar principais factores do abandono dos Educandos aos
centros de AEA da ZIP de Muzingazi na cidade de Chimoio. Com este capitulo
pretende-se aqui descrever com detalhes as técnicas e os métodos usados para a
obtenção dos objectivos da pesquisa. O capitulo esta dividido em 7 partes, onde a
primeira é constituída por desenho de pesquisa que ilustra como os objectivos do estudo
foram alcançados a partir do inquérito. A segunda ilustra a população em estudo. A
terceira é constituída pelo processo de amostragem e a quarta pelo tamanho da amostra,
a quinta métodos e colecta de dados. A sexta e a sétima são constituídas por colecta de
dados primários e secundários.

3.1. TIPO DE PESQUISA


Por forma a ter uma boa explicação e compreensão sobre o tema de pesquisa, foi feita
uma abordagem qualitativa auxiliada pela quantitativa. Nesta dissertação optou-se por
este tipo de pesquisa predominantemente qualitativa explicativa porque tem como
objectivo de explicar as causas de abandono de educandos aos centros de alfabetização
e educação de adultos na ZIP de Muzingazi no Distrito de Chimoio.
Guerra (2006) A investigação qualitativa, ainda que inclua uma gama diversificada de
abordagens metodológicas específicas concentra-se, em relação à recolha e análise de
dados, na descrição e análise de elementos específicos de informação, considerados
individualmente, para compreender o seu significado e produzir uma visão da situação
ou contexto em que foram gerados.

3.2. DESENHO DE PESQUISA

Para a obtenção das metas desta pesquisa recorreu-se a um questionário que visava colher a
sensibilidade dos educandos que abandonaram aos centros de AEA na ZIP de Muzingazi na
Província de Manica, Cidade de Chimoio. A colecta foi feita com base num inquérito em
anexo, que foi usado como guião da pesquisa. O questionário possuía 19 questões, sendo
duas abertas dando espaço ao estudante dar suas sugestões. Após a sua colecta os dados
foram trabalhados usando o Excell (Analysys Toolpack).

30
3.3. POPULAÇÃO DE ESTUDO
A população desta pesquisa são todos Educandos que abandonaram aos CAEA na ZIP
de Muzingazi no período de 2014-2015 e que correspondem a 382, deste número foram
inqueridos 100 Educandos que abandonaram o ensino Alfabetização e Educação de
Adultos, concretamente na ZIP de Muzingazi.

3.4. Processo de amostragem


Para o presente estudo, para aproximar a realidade dos objectivos preconizados ou
desejados, a pesquisa usou a técnica da amostra aleatória simples. Este tipo de técnica que
se usa quando o número da população é homogêneo.

3.4.1 Tamanho da Amostra


Na presente pesquisa para se garantir uma amostra representativa, foi feita amostragem
probabilística aleatória simples com margem de erro de 5 %. A fórmula de Yamane
(Gujarat, 1996), foi usada para o cálculo da amostra por esta ser simples e é a seguinte:

N
n 
1  N (e)
2

Onde:
n = Tamanho da amostra,
N = O número da população ou ˝universo˝
e = é o numero da depreciação e também a amostra da prevenção do erro.

382
n 
1  382 ( 0 . 05 )
2

n=196

3.5. MÉTODOS DE COLECTA DE DADOS


Para o estudo a informação foi obtida dos dados primários e secundários. Os dados
primários foram colhidos da população em estudo e da amostra que foi feita através de
um questionário com fim a responder ao problema da pesquisa e os seus objectivos. E
os dados secundários foram obtidos de Internet e bibliografia.

31
3.6 DURAÇÃO DO ESTUDO
O levantamento dos dados teve o seu início em finais de 2014 tendo o trabalho
terminado em finais de 2015.

3.7 VARIÁVEIS DO ESTUDO


Para o presente estudo usaram variável abandono de educandos e perfil sócio
econômico de educandos. Abandono de educandos é variável independente e perfil
sócio econômico de educandos é variável dependente.

32
CAPITULO IV: INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para este capítulo o objectivo principal é fazer a análise de resultados dos dados
colhidos do grupo alvo que são os Educandos que abandonaram aos programas de AEA,
e efectuar a devida interpretação cientifica. Forão usados dados primários, tanto como
os secundários apartir das informações colhidas nos questionários. Como forma de
colher a sencibilidade dos inquéridos sobre as causas que o motivaram a abandonarem
aos programas de AEA, na ZIP de Muzingazi.

4.1 RESULTADOS E DISCUSSÃO


4.1.1 Número de Desistentes
Dos 764 Educandos inscritos nos programas de AEA na ZIP de Muzingazi 382
Educandos abandonaram aos Centros de AEA no período entre 2014 a 2015 o que
corresponde a 50 % dos educandos.

Pergunta 1 Sobre Idade:

Gráfico 1: Representa a Idade dos educando Desistentes da ZIP de Muzingazi.

Fonte: Dados Primarios

Este gráfico reporta-nos que maior parte dos educandos desistentes que abandonaram
aos centros de AEA na ZIP de Muzingazi fazem parte do intervalo de 20-67 anos de
idade. Observa-se ainda que o intervalo de maior freqüência concentra-se entre 20 a 25 e 38
a 43 e anos, o que compreende 18% dos respondentes. Os demais, 25%, variam de 44 a 49.

33
Pergunta 2 Sobre Sexo

Gráfico 2: Distribuição dos educandos por sexo

Fonte: Dados primario, 2015

Segundo o gráfico dos sexos, mostra-nos aqui que grande parte dos educandos
desistentes fazem parte do sexo Masculino com 88% e 12% pertecem ao sexo
Femenino.

Pergunta 3
Ainda nos dados pessoais, procurou-se saber as habilitações literárias dos inquiridos que
Obteve seguintes respostas:

Gráfico 3: Representa as habilitações de entrevistados

Gráfico 3 habilitações dos desistentes da ZIP


Muzingazi
2014 a 2015
4a classe
5a classe 8% 1ºano
8% 15%
2º ano
15%

3º ano
54%

Fonte: Dados Primrios

Cinquenta e quatro por cento dos educandos desistentes que abandonaram os centros de
AEA são do 3º ano, 15% são de 1º ano e 2ºano de AEA. 8% de educandos desistentes

34
possuem a 4ª Classe e 5ª Classe. Segundo os dados, pode se dizer que, os educandos
desistentes estudam até certo nível que lhe permite ler e efetuar contas simples, após o
qual abandonam para se ocuparem em atividades de carácter económico para o sustento
da sua família.

.
Pergunta 4.
Nesta questão, a preocupação foi de entender como as pessoas tem a informação de
existência os centros de AEA e foi feita a seguinte a questão:

“Como soube que neste local estão a leccionar aulas de alfabetização e Educação
de adultos?”
As respostas pronunciadas pelos entrevistados foram:

Gráfico 4: Fonte de informação sobre CAEA

Gráfico 4 fonte de informação sobre CAEA

Através de líder
comunitário Através
40% professores
48%

Através de
amigos
12%

Fonte: Dados Primários, 2015

Os dados mostram que os educandos tiveram a informação do decurso de aulas de AEA


através de professores que são alfabetizadores e educadores profissionais em 48% e
40% tiveram informação através de líderes comunitários os restantes 12% dos
entrevistados tiveram a informação através de amigos. Com base nestes dados pode – se
afirmar que a mobilização de adultos para a aderência na AEA chega através de várias
fontes.

Pergunta 5

35
Sobre o ingresso, “O que é necessário para se inscrever no programa de AEA”.

Para esta questão, os inqueridos apontam que basta a pessoa querer e é gratuito. O
candidato é que escolhe o turno e o programa que melhor lhe convém. Esses dados,
pode se perceber que existe oportunidade de escolha para AEA. A inscrição para este
Subsistema de Educação é gratuita e cada indivíduo tem a possibilidade de escolher da
sua livre vontade o horário que lhe convém e a modalidade que quer seguir, como por
exemplo, Alfa Rádio entre outras modalidades.

Pergunta 6

“Quais são as razões que o levaram a entrar na alfabetização?”

Gráfico 5: Razões de frequentar aos CAEA

Gráfico 5 razões de frequentar ao CAEA


vontade de aprender Progressão académica Evita a ociosidade,

10%

42%

48%

Fonte:Dados Primários, 2015

Das diversas razões que levaram os entrevistados a inscreverem-se nos programas de


alfabetização, o maior desejo deles é, através deste processo, obter uma progressão
académica correspondendo 48%. Estes educandos referem que estão na alfabetização
com o propósito de obter uma progressão académica, para alcançar outros níveis de

36
escolarização relativamente elevados que lhes possam conferir habilidades ou
competências para o mercado de trabalho.
Acreditamos que a razão dessa tendência prende-se com a necessidade de acesso às
tecnologias e exigindo, dessa forma, maiores habilidades de leitura e escrita. Como
coloca Ferrari (2011), o jovem que pertence ao mundo do trabalho, ou do desemprego,
como é mais comum, incorpora-se aos programas de AEA objetivando concluir etapas
de sua escolaridade para buscar melhores ofertas do mercado de trabalho por sua
inserção no mundo letrado. 42% educandos tem vontade de aprender. Este grupo de
educandos aponta essencialmente a necessidade de aquisição e aprimoramento da leitura
e da escrita como principal razão que levou os educandos que levou os educandos a
entrarem para os programas de alfabetização de adultos e 10% de educandos
ingressarem nos centros de Alfabetização Educação de Adultos para evitar ociosidade.
Normalmente, estes educandos são aquelas pessoas que se consideram “conformadas”
com o nível de instrução que têm. Elas consideram o facto de não ter estudado na
infância como um fracasso, vão centros de Alfabetização Educação de Adultos não para
mudar efetivamente o seu quadro ou nível escolar, mas sim para passar o tempo.

Pergunta 7

Percebendo que poderia haver limitações de ingresso na AEA devido os horários que
decorrem as aulas, foi colocada a seguinte pergunta:

“Em relação ao horário das aulas como pode ser classificado?”

Sendo assim, 50 educandos entrevistados que corresponde a 50% dizem que o horário
das aulas de alfabetização ocupa o tempo de outras actividades. 30% referem que o
horário das aulas é longo enquanto 20% disseram que o horário era adequado.
Com base nestes dados pode se dizer que o horário condiciona a desistência no
programa de AEA porque os adultos precisam de mais tempo para se dedicarem em
actividades de rendimento para o sustento familiar.

Pergunta 8
Sobre “O processo da alfabetização foi concebido para 3 anos, acha que esse tempo
é suficiente?”

37
Gràfico 6: Tempo de aprendizagem dos educandos de ZIP de Muzingazi

Fonte: Dados Primários, 2015

Olhando nos dados apresentados, 80% de educandos desistentes disseram que o tempo é
suficinte para aprender a ler e escrever. 20% de educandos desistentes responderam que
o tempo para apreder a ler e escrver não é suficiente. Conforme as respostas
apresentadas percebe-se que o tempo de implementaçã deveria ser alargado.

Pergunta 9

“Acha que o que aprende é útil e necessário para a vida?”

Para os educandos, a alfabetização tem uma grande utilidade na vida deles, porém
podemos realçar que é possível dois grupos distintos em termos da tónica de
importância da alfabetização dada pelos educandos nomeadamente: Grupo 1 - dão
importância no plano pessoal e o Grupo 2 - dão importância para o indivíduo e para a
sociedade.

Pergunta 10
Uma das questões que contemplava o nosso guião de entrevista tinha como objetivo
apreender a percepção dos educandos sobre o trabalho docente, concretamente a

38
conduta que os educadores manifestam no processo de ensino-aprendizagem. Nesse
sentido, colocámos a questão nos seguintes termos:

‟Como é que avalia a conduta/comportamento dos alfabetizadores? Porquê?”

Gráfico 7: Conduta/comportamento dos alfabetizadores da ZIP de Muzingazi

Fonte: Dados Primários, 2015

Mediante o gráfico nota-se que 72% de educandos desistentes disseram que os


alfabetizadores possuem um comportamento satisfatório. 18% disseram que os
alfabetizadores são excelentes e 10% disseram que a conduta/comportamento é
insatisfatória.
Analisando esta situação, podemos encontrar vários factores que concorrem para um
comportamento satisfatório e sucesso da atividade dos Alfabetizadores em que podemos
destacar um esforço, designadamente político e didático-pedagógico que se regista
ultimamente no campo da educação de adultos.

Pergunta 11

Nesta questão, a preocupação foi de entender qual a religião que os desistentes


professam e foi feita a seguinte a questão: “Qual é a sua religião?”

39
Gráfico 8: Representa a religião dos educandos desistentes 2014 a 2015.

Gràfico 8 Religião dos desistentes 2014 a 2015.

Envagelica
36%
Catolica
54%
Islamismo
10%

Fonte: Dados Primários, 2015

A maior parte de educandos desistentes 54% são católicos, 36 % são Evangélicos e


somente 10 % professam o Islamismo. Os dados indicam que a chance de um Islâmico
desistir é muito pouca em relação aos crentes das outras religiões.

Pergunta 12
Procurou-se saber no seio de inquerido qual era o seu estado civil com a seguinte
questão:
“Estado civil?”

O Gráfico 9: Representa a estado civil dos desistentes da ZIP Muzingazi.

Fonte: Dados Primários, 2015

40
Quarenta por cento de educandos desistentes da ZIP de Muzingazi são solteiros e 20 %
são viúvos, 16 % casados, 12 % de educandos desistentes são separados. 12 % de
educandos vivem em união de facto.

Pergunta 13
Para perceber o grau de responsabilidade em relação aos filhos.
“Você tem filhos?”

Quanto ao numéro de filhos dos educandos desistentes ou que abandonaram aos programas
de o ensino no periodo de 2014-2015, 90% destes declararam ter filhos, e 10% dos 100
inquiridos declararam não ter filhos.

Pergunta 14
Sobre “Onde você mora?”

Gráfico 10: Representa o local de residência dos desistentes de ZIP de Muzingazi

Fonte: Dados Primários, 2015

64% dos educandos desistentes vivem na zona peri urbana e 36% dos educandos
desistentes vivem na zona urbana.

Pergunta 15

Sobre a naturalidade dos desistentes colocando a seguinte pergunta:

41
‟Qual é a sua naturalidade?”

Gráfico 11: Representa Naturalidade dos desistentes da ZIP de Muzingazi

Fonte: Dados Primários, 2015

No gráfico de naturalidade dos educandos desistentes na ZIP de Muzingazi na cidade de


Chimoio, maior parte dos educandos desistentes que abandonaram aos centros de AEA
são naturais da Província de Manica que corresponde a 40%, a seguir a Província de
Sofala com 32% e por fima provincia de Tete com 13%.

Pergunta 16
Qual é o tipo de residência de educandos?

Gráfico 12: Tipo de habitação educandos

Fonte: Dados primàrios, 2015

42
Dos 196 educandos inqueridos 20% possuem habitação convencional, 0.00% habitação
do tipo flat/apartamento, 58.% habitação do tipo Palhota, 21% casa mista e 1% vivem
em casa de seus familiares.

Pergunta 17
Para perceber quem era responsável no sustento da família fez a seguinte pergunta:
‟ Quem é o principal responsável pelo sustento da família?”

Gráfico 13: Representa os responsaveis pelo sustento da família dos educandos

Fonte: Dados Primários, 2015

Os dados apresentados apontam que 42% de educandos desistentes são sustentado pelos
pais, 24% dos educandos desistentes são sustentados pelas mães, 18% dos educandos
desistentes são sustentados pelos filhos, 12% pelos irmãos e 4% educandos desistentes
são sustentados pelos outros como tio sobrinhos, netos, etc.

Pergunta 18
Sobre: “As causas de abandono educandos aos centros de Alfabetização na ZIP da
Muzingazi”.

43
Gráfico 14: Representa as causas de abandono educandos aos centros de
Alfabetização na ZIP da Muzingazi.

Fonte: Dados Primários, 2015

Segundo o gráfico, os dados mostram que 30% de entrevistados disseram que o trabalho
faz com que não vão aos CAEA. 25% Afirmaram que não frequentam as aulas por
gravidez/filhos pequenos. Enquanto que 20% de entrevistados disseram que tem
afazeres domésticos. 15% referiram a falta de motivação e 10% outros motivos.

O resultado exposto pela pesquisa sobre “motivo de abandono escolar” vem a concordar
com e corroborar os estudos de Vogel e Mello (1991) citado por Souza e Alberto (2008)
onde estes autores evidenciaram que a necessidade de trabalhar fora de casa foi o
principal motivo de abandono da rede escolar de ensino.

A segunda causa foi “gravidez e/ou filhos pequenos”, exclusivamente dito por mulheres
e teve por características um alto índice de desistencia. De facto, este factor torna a
mulher incapacitada de frequentar as aulas por estar grávida ou não ter com quem deixar
seus filhos. Outra causa destacada pela pesquisa, “afazeres domésticos” foi um
apontamento exclusivo do sexo feminino. Relacionado a esta afirmação está o fator
trabalho, pois além de exercerem uma atividade remunerada fora de casa, as
entrevistadas ainda tem a residência para cuidar. A alternativa “falta de motivação”
apontada pelos desistentes aponta como fator da desitência aos programas, a falta de
incentivo da família culminando na desmotivação dos educandos.

44
Pergunta 19
Na procura de encontrar estratégias a partir de próprios beneficiários do programa,
colocou-se a questão seguinte:

“O que se pode fazer para que haja mais educandos no programa de alfabetização
e educação de adultos?”

Gráfico 15: Propostas de estratégias

Fonte: Dados Primários, 2015

Olhando nos dados apresentados, 66% de educandos desistentes apontam como


estratégia a criação de turmas de adultos. 18% propõe como estratégia a valorização de
graduados no subsistema de Alfabetização e Educação de adultos. 16% responderam
que os líderes devem realizar encontros com educandos para sua sensibilização.
Conforme as respostas apresentadas percebe-se que a mobilização e sensibilização
comunitária para que os indivíduos afluam em massa ainda está com lacunas.

45
5. DISCUSSÃO E CONCLUSÃO.

5.1. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


Os resultados revelam que dos 196 estudantes que abandonaram o ensino,
concretamente na ZIP de Muzingazi na cidade de chimoio, no período de 2014-2015,
que foram identificados nos centros de AEA, colaboraram em participar da pesquisa, e
do total desses, 88% representam o sexo masculino e 12% de sexo femenino.

A maior parte dos educandos desistentes que abandonaram aos centros de AEA na ZIP
de Muzingazi fazem parte do intervalo de 20-67 anos de idade. Observa-se a partir do
gráfico que o intervalo de maior freqüência concentra-se entre 20 a 25 e 38 a 43 e anos,
pelo grau de responsabilidade que este tem em procur. Ar condições para o sustento das
suas familias. Em relação a habilitações literarias os inquiridos 54% dos educandos
desistentes são do 3º ano, 15% são de 1º ano e 2ºano de AEA. 8% dos inquiridos
possuem a 4ª Classe e 5ª Classe.
Questionado sobre fonte de informação sobre CAEA 48% de educandos de desistentes
que abandonaram aos centros de AEA declararam ter informação de decurso das aulas
através de alfabetizadores e 40% tiveram informações através dos lideres comunitários e
12% tiveram informação através de amigos.

Em relação ao ingresso aos centros de AEA apesar de ser gratuito não é aproveitado
pelo educandos devido a fraca mobilização e sensibilização. Sobre razões que levaram
os educandos a se inscreverem nos programas de AEA 48% de educandos desistentes
que abandonaram aos centros de AEA é obter uma progressão acadêmico e 42%
vontade de aprender e 10% para evitar ociosidade.
No que se refere ao horàrio das aulas 50% de educandos desistentes que abandonaram
aos centros AEA declaram que o horário ocupa o tempo de outras atividades apesar de
terem possiblidade de escolher e 30% de educandos disseram que o horário das aulas é
longo e 20% educandos disseram que o horário era adequado. Questionado sobre o
tempo de três anos concebido para o programa de AEA 80% de educandos desistentes
que abandonaram os centros de AEA declararam que o tempo era suficiente para
aprender a ler e escrever e 20% declararam que o tempo não era suficiente. Na nossa
analise podemos dizer que o tempo para que os educandos aprendam a ler e escrever é
suficiente mais deve se evitar as desistencias.

46
Questiondo sobre a utilidade do que aprende se tinha importancia ou não para suas vidas
todos os educandos desistentes que abandonaram os centros de AEA foram unanimes
em afirmar que o que aprende é de importancia no plano pessoal e para a vida indivìdual
e para com relação a sociedade.

Quanto a conduta/comportamento dos alfabetizadores com relação aos educandos até a


altura que abandonaram os centros de AEA, concretamente na ZIP de Muzingazi, 72%
declaram que o comportamento era satifatorio, 18% insatisfatorio, e 10% excelente.

Em relação a religião, os educandos desistentes que abandonaram aos centros de AEA


na ZIP de Muzingazi são cotólicos com 54%, 36% são envagelicosa e 10% são
Islamicos. De acordo com os resultados obtidos podemos notar que os educandos que
professao a religiao catolica desistem tanto e os Islamicos dedistem menos. Quanto ao
estado civil dos educandos desistentes que abandonaram os centroa de AEA,
concretamente na ZIP de Muzingazi 40%, são solteiros, 20%, são viúvos, 16% casado e
12% seprados e 12% residem com os companheiros por união de factos.

Questionado se tinham filhos até a altura que abandonaram o ensino, 90% de educandos
declararam que sim tinham filhos e 10% não tinham filhos. Com relação ao local de
residencia dos educandos que abandonaram o ensino, 64% residem no Bairro
periurbano, e 36% no Bairro Urbano.

Em relação à naturalidade dos educandos desistentes que abandonaram aos centros de


AEA na ZIP de Muzingazi são de Manica, Sofala, Zambezia e Tete. Quanto ao tipo de
habitação dos educandos desistentes que abandonaram aos centros de AEA de
Muzingazi 20% de sducandos que abandonaram aos centros de AEA declararam
possuirem habitação convencional, 58% habitação do tipo palhota, 21% casa mista e
1.0% mista.

Em relação ao grau de responsabilidade do educandos perante suas familias 42% de


educandos são pais responsaveis pela familia, 24% são maes responsaveis pela familia,
18% são filhos responsaveis pela familia e 12% são irmãos e 4% outros.

47
CAPÍTULO V: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1. CONCLUSÕES
A partir do estudo feito no presente trabalho, podemos concluir que há abandono de
educandos aos CAEA na ZIP de Muzingazi na cidade de Chimoio motivado pelos
seguintes causas:

 Causas ligadas a questões culturais, aquelas relacionadas com: a cultura, género,


interação na família e na comunidade. Complexo de inferioridade aliado à
vergonha, por receberem aulas ao ar lento.

 Causas ligadas as ocupações em actividades do rendimento para o sustento


familiar, considerando que os papeis produtivos na sociedade são recaída a
população masculina, o qual para cumprir e ter o valor perante os familiares e
seus dependentes, redobra esforços para actividades de rendimento e deixando
de lado a Alfabetização e Educação.

Pois, os indivíduos de sexo masculino, a sua masculinidade e autoridade reside na


ocupação em actividades de rendimento para que os seus dependentes lhe deem o valor
e credibilidade necessária.

Assim foi percebido que os indivíduos de sexo masculino estudam até certo nível que
lhe permite ler e efectuar contas simples, após o qual deixam para se ocuparem em
actividades de carácter económico para o sustento da sua família. Estes indivíduos para
aprenderem relacionam com a evolução das tarefas que representam o seu papel social.
Por isso os educandos, não vem a vantagem de continuarem a estudarem mais porque as
classes que possuem lhes dão habilidades suficientes para exercer o seu papel social,
ainda que não sejam suficientes para desempenharem papéis mais complexos.

Por sua vez, as opções filhos pequenos e afazeres domésticos foram apontadas
exclusivamente por mulheres, que, por vezes, além de exercer uma actividade
remunerada precisam cuidar da casa e filhos.

48
5.2. RECOMENDAÇÕES

Após a realização da pesquisa, é o momento de deixar algumas recomendações que


podem contribuir na melhoria do programa de alfabetização e educação de adultos:

 Ao conceber os programas da alfabetização, para garantir o máximo possível a


satisfação das necessidades educacionais dos educandos achamos que a política
educativa devia concentrar a auscultação nos próprios educandos e não nos
profissionais da educação de adultos.

 Dada a escassez de recursos, acha-se que a política educativa devia distribuir os


existentes de maneira que a educação de adultos possa ter, pelo menos, o
essencial para o seu funcionamento nomeadamente: salas de aulas com
condições básicas para o decurso do processo de ensino aprendizagem.

 A mobilização e sensibilização comunitária para programa de AEA não deve


estar apenas centralizado nas mãos de líderes para permitir que haja aderência de
todos, uma vez sabido que os líderes comunitários são vistos como mandatados
do Governo.

 Para o Governo do Distrito de Chimoio em relação aos factores institucionais:


Mobilização de fundos junto aos parceiros, agentes económicos do Distrito de
Chimoio de modo a construir uma infraestrutura “modelo” minimamente
apetrechado que poderá decorrer em simultâneo todas as estratégias de
alfabetização e Educação de adultos, demodo a atrair mais educandos.

 A mobilização e sensibilização da população, a duração dos cursos, devendo ser


menos longos, a harmonização entre o calendário sazonal e o calendário escolar,
adoptando calendários ajustados às responsabilidades sociais dos adultos.

49
 Revitalização dos Núcleos Pedagógicos de Base em todo o distrito atravée de
formação dos coordenadores em gestão pedagógica, monitoria e avaliação,
supervisão e metodologias de educaçã de Adultose fornecimento de material
didático

50
BIBLIOGRAFIA

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investigação para dissertações e teses. 2. Ed. Lisboa: Escolar Editora, 2009.

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53
APÊNDICE 1
Guião de recolha de dados de pesquisa académica dirigida aos educandos
(Desistentes) da ZIP de Muzingazi na cidade de Chimoio. O trabalho inscreve-se na
pesquisa académica para a obtenção do grau de Mestrado em Administração e Gestão
da Educação, Ministrado pela Universidade católica de Moçambique, em chimoio. As
respostas a serem dadas pelos inqueridos serão usadas exclusivamente para elaboração
da dissertação pelo que conta-se com a vossa colaboração.
Data____/_____/ 2015
Lugar de entrevista__________________________
1. Idade: 15-19 [ ] 20-24 [ ] 25-29 [ ] 30-34 [ ] +de 35 [ ]

2. Sexo: Feminino [ ] Masculino [ ]

3. Habilatções literarias?
...........................................................................................................................................

4. Como soube que neste local estão a leccionar aulas de alfabetização e Educação
de adultos?
[Link]és da radio/televisão [ ]
b. Através de amigos [ ]
[Link]és do lider comunitario/ religioso [ ]

5.“ O que é necessário para se inscrever no programa de AEA”.


.............................................................................................................................................
.............................................................................................................................................
.............................................................................................................................................

6. “Quais são as razões que o levaram a entrar na alfabetização? ”

a. vontade de aprender [ ]
b. Progressão academica [ ]
c. Evitar ocisidadae [ ]

7. Em relação ao horário das aulas pode ser classificado como:

54
a. Adequado[ ]
b. Muito apertado [ ]
c. Muito longo [ ]
d. Não adequado [ ]
e. Curto demais [ ]
f. Ocupa o tempo de outras actividades [ ]

8.O processo da alfabetização foi concebido para 3 anos, acha que esse tempo é
suficiente?
A Sim é suficiente [ ]
b. Não é suficiente [ ]

9. Acha que o que aprende é útil e necessário para a vida?


a. Sim [ ]
b. Não [ ]

10. Como é que avalia a conduta/comportamento dos alfabetizadores? Porquê?


a. Excelente [ ]
[Link] [ ]
[Link] [ ]

11. Qual é sua religião?


a. Universal de Reino de Deus [ ]
b. Metodista Unida [ ]
c. Anglicana [ ]
d. Muçulmano [ ]
e. Velhos Apóstolos[ ]
f. Testemunha de Jeová [ ]
g. Católica [ ]
h. Assembleia de Deus [ ]
i. Adventista do 7° dia [ ]
j. Não tem Religião [ ]
h. Ou outra? Especifique_________________________

55
12. Estado civil?
a. Solteiro(a). []
b. Casado(a) [] Viúvo(a) [ ]
c. Separado(a) []
d. Divorciado(a) [ ]
e. União de Fato[ ]
f. Outro? Especifique:_______________.

13. Você tem filhos?:


[Link] [ ]
b.Não [ ]
Caso responda sim, quantos filhos você tem?:
1 2 3 4 5 6 7 outro __________

14. “ Onde você mora?”


[Link] rural [ ]
b. zona urbana [ ]

15. ‟Qual é a sua naturalidade?”


a. Sofala [ ]
b. Manica [ ]
c. Tete []
d. Zambezia [ ]
[Link] [ ]
f. Nampula [ ]
[Link] [ ]
[Link] [ ]
i,Cabo Delgado [ ]
j. Inhambane [ ]

[Link] é o tipo de residência de sua família?


[Link] convencional [ ]
[Link]/apartamento [ ]
[Link] [ ]
d. Casa mista [ ]

56
17.‟ Quem é o principal responsável pelo sustento da família?”
a. O (a) próprio(a) entrevistado (a) [ ]
b. Esposo(a) [ ]
c. Pai [ ]
d. Mãe [ ]
e. Filho(a) [ ]
f. Irmão(a) [ ]
g. Outro(s) ___________________________________

18. “Quais as principais causas de abandono educandos aos centros de


Alfabetização?”.
.............................................................................................................................................
.............................................................................................................................................
.............................................................................................................................................
............................................................................................................................................

19. “O que se pode fazer para que haja mais educandos no programa de
alfabetização e educação de adultos?”
a. Organizar salas para adultos [ ]
b. Valorizar os graduados de AEA [ ]
c. Reunião de sensibilização de educandos [ ]

Muito obrigado pela colaboração

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