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Microbiota Oral: Ecossistema e Funções

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Aula 2: Ecossistema e Microbiota Oral

Prof. Dr. Andriu Catena


Doutor em Biologia Aplicada à Saúde
Microbiota

As superfícies do nosso organismo são colonizadas por micro-organismos, mesmo


quando em estado de saúde, os quais constituem a MICROBIOTA DA REGIÃO.
Microbiota

Os micro-organismos da cavidade bucal, pele, trato digestivo, trato


geniturinário e demais regiões do corpo

Bastante distintos devido às características biológicas e


propriedades físicas de cada local
Fatores determinam a distribuição e a composição da
microbiota normal

▪Nutrientes (derivados de produtos celulares secretados ou excretados, substâncias em fluidos


corpóreos, células mortas e alimentos no trato gastrintestinal); Os micro-organismos colonizam
apenas os sítios do corpo que podem supri-los com os nutrientes apropriados.

▪Fatores físicos e químicos (pH, a presença de oxigênio e dióxido de carbono, a salinidade e a


luz solar);

▪Defesas do organismo hospedeiro;

▪Fatores mecânicos (ação de mastigação dos dentes e a movimentação da língua, o fluxo de


saliva e secreções digestivas, vários movimentos musculares da garganta, do esôfago, do
estômago e dos intestinos, ação de descarga da urina, o muco e movimento ciliar das células
podem desalojar micro-organismos).
Ecossistema

Ecossistema é o estudo da inter-relação dos seres vivos com o seu ambiente.

Ecologia

A Ecologia estuda a relação entre os membros da


microbiota e a influência do ambiente sobre a
mesma.
Ecossistema Bucal

Ecossistema Bucal é representado pelos micro-organismos e o habitat bucal.

Os ecossistemas são espaços naturais constituídos por dois fatores:

• Fatores ABIÓTICOS

• Fatores BIÓTICOS
Fatores ABIÓTICOS: constituídos pelo
habitat e outros fatores.

• HABITAT é representado por estruturas


anatômicas da região- mucosas de
revestimento, dentes e sulco gengival.

• Outros fatores: temperatura, umidade, pH e


potencial de oxidorredução (Eh)-
requerimento de oxigênio.
• Fatores BIÓTICOS: constituídos pelos micro-organismos que vivem
no habitat.
• Os ecossistemas microbianos são inicialmente colonizados por um
número limitado de espécies (comunidade pioneira), porque o habitat
apresenta determinadas condições que seletivamente as favorece.

• A presença de algumas espécies altera o habitat, propiciando, ou por


vezes impedindo a colonização por outras espécies bacterianas.
• Poucas regiões do organismo não apresentam bactérias, como exemplo
temos laringe, sangue, cérebro e alguns outros órgãos internos.
Microbiota

A microbiota é classificada em três grupos:

◼ Microbiota residente
endógenas
◼ Microbiota transitória
◼ Microbiota suplementar
Microbiota

▪ Microbiota residente: representada por um grupo relativamente


fixo de micro-organismos encontrados numa área em determinada
idade e que, quando alterada, prontamente se recompõe.

▪ É também chamada de microbiota permanente ou normal.


Microbiota

◼ Microbiota transitória ou adventícia: consiste em micro-organismos


não-patogênicos, ou potencialmente patogênicos, que habitam a pele ou
a mucosa durante horas, dias ou semanas.

➢São originários do ambiente, não produzem doenças


habitualmente e não se estabelecem de modo permanente na
superfície do corpo.
Microbiota

Os micro-organismos transitórios são geralmente de pouca


importância, desde que a microbiota residente permaneça íntegra.

➢ Entretanto, se a microbiota residente for alterada, micro-


organismos transitórios podem proliferar e produzir doença.
Microbiota

• Microbiota suplementar: são espécies bacterianas que estão sempre


presentes, porém em baixo número, e que podem aumentar, caso
ocorram alterações no meio ambiente.
• Os lactobacilos que são encontrados em pequeno número no biofilme
dental, em presença de sacarose, aumentam em número, podendo
tornarem-se predominantes.
Participação da
microbiota no organismo
• Animais assépticos (germ-free), mantidos
em laboratórios com alimentação estéril e
em ambiente totalmente esterilizado,
conseguem sobreviver, demonstrando que a
microbiota não é um fator indispensável
para a sobrevivência.
• Embora não seja indispensável, a microbiota colabora com o
organismo nos seguintes aspectos:

➢Nutrição do hospedeiro através da digestão de alimentos e síntese


de vitaminas por bactérias do intestino;

➢Participam do sistema imunológico;

➢Impedem a instalação de micro-organismos exógenos


Contudo, alguns micro-organismos da
microbiota podem:

• Estimular reações de
hipersensibilidade contra seus
constituintes. Ex: (LPS) da parede
celular da parede celular dos
bacilos gram negativos;
• Cárie;
• Doença periodontal;
• Endocardite subaguda.
Microbiota Bucal
▪ Do ponto de vista ecológico, a cavidade bucal é um sistema de
crescimento aberto.

▪ Isto significa que os nutrientes e os micro-


organismos são repetidamente
introduzidos e removidos deste sistema.

21
Viagem a cavidade oral

[Link]
• Somente se estabelecem micro-organismos que
possuem capacidade de aderência às superfícies da
cavidade bucal ou que, de alguma outra maneira,
fiquem retidos.

23
ALGUMAS BACTÉRIAS PODEM
CONSEGUIR REFÚGIO NOS
SULCOS, FISSURAS OU
ESPAÇOS INTERPROXIMAIS.

24
• Outros microrganismos têm que utilizar mecanismos
específicos de aderência para vencer as forças de remoção das
superfícies bucais.

25
AS CARACTERÍSTICAS DESTAS SUPERFÍCIES SÃO ESPECÍFICAS
E SOMENTE ALGUMAS BACTÉRIAS SÃO CAPAZES DE ADERIR.

Boca - possui microbiota própria;

Maioria de seus componentes- não é capaz de colonizar qualquer


outro local do corpo humano. 26
• A microbiota bucal é composta por uma variedade de

ecossistemas distintos, em diferentes locais, apresentando

subsistemas no interior do mesmo local.

27
• A microbiota bucal, para efeito de estudos é dividida em quatro nichos
principais:

1. Biofilme dentário
2. Sulco gengival
3. Dorso da língua
4. Mucosas da boca
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• A microbiota bucal, para efeito de estudos é dividida em quatro nichos
principais:

1. Biofilme dentário
2. Sulco gengival
3. Dorso da língua
4. Mucosas da boca
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• A microbiota bucal, para efeito de estudos é dividida em quatro nichos
principais:

1. Biofilme dentário
2. Sulco gengival
3. Dorso da língua
4. Mucosas da boca
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• A microbiota bucal, para efeito de estudos é dividida em quatro nichos
principais:

1. Biofilme dentário
2. Sulco gengival
3. Dorso da língua
4. Mucosas da boca
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Número de Micro-organismos

• Em quantidade, a microbiota bucal só compete com a


microbiota intestinal.

• Em diversidade a microbiota bucal


é a mais complexa do organismo.

32
Número de Micro-organismos

• Estima-se que a cavidade bucal seja colonizada por


aproximadamente 700 espécies.

➢ A saliva contém 43 milhões a 5,5 bilhões de bactérias por mL


(média de 750 milhões/mL).

➢ No Biofilme dentário- 200 bilhões por grama.


33
Aquisição da Microbiota

• O feto normalmente é asséptico.

• O ambiente bucal, ao nascimento, permite a


implantação de micro-organismos do trato genital da
mãe, como lactobacilos, corinebactérias, micrococos,
estreptococos, coliformes, leveduras e protozoários.
• Poucas horas após o nascimento vários micro-organismos
podem ser encontrados.

• Streptococcus salivarius e S. mitior aparecem em


maior frequência, perfazendo 70% dos cultiváveis;

• No segundo dia de vida, apenas 15% das crianças


ainda apresentam a cavidade bucal estéril.
• Estreptococos representam 98% dos viáveis e estafilococos aparecem
em menor número.

• No terceiro mês de vida, a microbiota presente na boca de todas as


crianças é representada principalmente por estreptococos, estafilococos,
pneumococos, lactobacilos e Neisseria;

36
• A erupção dos dentes introduz outros
habitats como as superfícies lisas, fóssulas
e fissuras dos dentes e o sulco gengival;

• Inicialmente, acompanhando a erupção dos


primeiros dentes, fixa-se o S. sanguis e a
seguir o S. mutans.
37
• O desenvolvimento de “nichos anaeróbicos”, como resultado
de condições redutoras criadas pelos habitantes originais ou
por características anatômicas, conduz a uma gradual
mudança na microbiota, de aeróbia para anaeróbia-facultativa;

Micro-organismos, tais como micrococos e Neisseria,


são substituídos por Veillonella e Actinomyces;
• É interessante que crianças sem dentes, que utilizam
aparelhos acrílicos para correção de fendas palatinas, podem
abrigar S. sanguis e [Link] nas placas.

• Durante o primeiro ano de vida os estreptococos


representam 70% dos viáveis, sendo o restante representado
por estafilococos, Veillonella e Neisseria;
39
• Na idade escolar a microbiota é igual à do adulto,
com exceção de espiroquetas e Prevotella
melaninogenica que não são detectadas em todos.

• Alguns autores relatam que o maior número de micro-


organismos é observado durante a puberdade; e que ao
término deste período, observa-se decréscimo nas
contagens totais;
A frequência de isolamento de Actinomyces odontolyticus
e Capnocytophaga spp. aumentam nesta fase

• Na adolescência já pode-se considerar a


microbiota bastante completa e semelhante à da
idade adulta;
• Se eventualmente ocorrer a perda dos dentes,
observa-se diminuição de estreptococos, lactobacilos,
espiroquetas e MO anaeróbios.

41
• Sucessão Microbiana

• Sucessão Microbiana é a troca de um tipo de comunidade por outra,


em resposta a modificações no meio, que afetam o habitat, levando
ao estabelecimento final de uma microbiota madura ou comunidade
clímax.

• Existem dois tipos de sucessão, a alogênica e a autogênica.

42
• SUCESSÃO ALOGÊNICA: é a substituição de um tipo de comunidade
por outro, devido a alterações no habitat provocadas por fatores não
microbianos.

O nascimento é o primeiro dos eventos


ambientais que influenciam a sucessão
microbiana na cavidade bucal;
• Outros fatores como o crescimento; erupção e perda dos dentes;
mudanças nos hábitos alimentares; restaurações dentárias e colocação de
aparelhos ortodônticos;

• Procedimentos de higiene oral, alterações nos


tecidos moles ou duros da cavidade bucal,
mudanças hormonais, doenças sistêmicas, uso
de drogas locais e sistêmicas, etc.
• SUCESSÃO AUTOGÊNICA: ocorre quando a comunidade residente
alterar o meio de tal forma que é substituída por outras espécies mais
adaptadas ao habitat modificado.

• Remoção de nutrientes

• Formação de ácidos

• Produtos inibitórios
45
Mecanismos de Aderência dos Micro-organismos Bucais

• Para que os microrganismos se tornem parte da microbiota indígena


(inata, desde o nascimento), precisam ser retidos em algum local da
cavidade bucal;
• Micro-organismos que não são retidos na cavidade bucal,
rapidamente são eliminados.

O mecanismo de retenção pode ser


dividido em duas categorias:
adesivo e não adesivo
Mecanismos de Retenção Adesiva

• Possibilitam que as bactérias tornem-se


aderidas à superfície dos tecidos bucais.

▪ Glicocálice
▪ Pili e Fímbria
▪ Adesinas
▪ Biofilme
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Mecanismos de Retenção Não Adesiva

• Retenção mecânica nas fossas e fissuras dos


dentes, lesões de cárie, sulco gengival e bolsa
periodontal.

▪ Ex: lactobacilos, espiroquetas, fungo,


Prevotella melaninogenica.

48
Classificação dos Micro-organismos quanto à
atividade funcional

▪ Acidogênicos
▪ Acidúricos
▪ Proteolíticos

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▪ Acidogênicos

➢ MO que elaboram ácidos a partir de carboidratos.

➢ São frequentemente associadas com a etiologia da cárie


dentária- a lesão da cárie consiste na desmineralização dos
tecidos duros dentários por ácidos orgânicos.

➢ Exemplos: Lactobacilos e alguns estreptococos

50
▪ Acidúricos

➢ MO que sobrevivem em pH ácido.

➢ Também são frequentemente relacionados com a cárie


dentária.

➢ Toleram pH inferior a 5,5 (próprio do ecossistema bucal)

➢ Exemplos: Lactobacilos, certos estreptococos e leveduras.


51
▪ Proteolíticos

➢ MO que utilizam proteínas para o seu metabolismo.

➢ Degradam proteínas, podendo levar à destruição tecidual.

➢ Geralmente associados com doença periodontal.

➢ Exemplos: Prevotella melaninogenica

52
Potencial patogênico dos MO bucais
▪ O potencial patogênico da microbiota bucal pode se desenvolver de
3 maneiras:

➢ MO que podem proliferar em áreas restritas e causar dano confinado


ao local da infecção.

Ex. cárie
Potencial patogênico dos MO bucais

➢ Os MO podem disseminar a infecção aos tecidos vizinhos.

Ex: gengivite ulcerativa necrotizante


(GUN)
Potencial patogênico dos MO bucais

➢ Os MO podem causar lesões a distância por bacteremia ou por


produtos lançados à circulação linfática ou sanguínea.

Ex: endocardite bacteriana subaguda.


Regulação e Controle da Microbiota Bucal
➢ Vários fatores influenciam a composição, atividade e estabilidade da
microbiota bucal residente.

➢ Os agentes responsáveis pelo equilíbrio da microbiota bucal podem


ser divididos em:

➢ Fatores relacionados com o hospedeiro


endógenos e exógenos

➢ Fatores relacionados com a microbiota


Regulação e Controle da Microbiota Bucal

➢ Fatores ENDÓGENOS relacionados com o hospedeiro

1. Presença dos dentes (microbiota mista) ou não (microbiota aeróbia)


2. Alterações nos dentes e mucosas
3. Descamação epitelial (estudos demonstraram que pessoas livres de
cárie apresentam maior descamação- células carreiam os MO)
4. Fluido gengival (remove bactérias não aderidas e partículas, bem como
apresentam Ig, sistema complemento e leucócitos)
5. Leucócitos salivares, Anticorpos (IgA-neutralização de vírus, inibição
da aderência bacteriana e inativação de toxinas e enzimas bacterianas)
Regulação e Controle da Microbiota Bucal

➢ Fatores ENDÓGENOS relacionados com o hospedeiro

6. Saliva (proteção da mucosa, remoção mecânica de MO,


regulação do pH bucal , formação de biofilme (película adquirida) e
ação antimicrobiana).

Há redução noturna da salivação- motivo para escovação noturna


Regulação e Controle da Microbiota Bucal
➢ Fatores EXÓGENOS relacionados com o hospedeiro

1. Dieta
▪ Crianças que se alimentam de leite: MO acidogênicos (estreptococos e
lactobacilos)
▪ Indivíduos que consomem carne: MO proteolíticos
▪ Dieta rica em Sacarose: S. mutans e lactobacilos
▪ Consistência dos alimentos

2. Fatores Mecânicos- escovação e fio dental

3. Fatores Químicos- antibióticos, enzimas antissépticas, fluoretos, etc


Regulação e Controle da Microbiota Bucal
➢ Fatores relacionados com a MICROBIOTA

1. Comensalismo (Uma espécie é beneficiada e as outras não são afetadas.


Ex. S. aureus produz vitamina K consumida pela Prevotella melaninogenica)
2. Protocooperação (Benefício mútuo: Estreptococos produz ác. lático-
consumido pela Veillonella que mantém o pH que auxilia os estreptococos no
crescimento)
3. Mutualismo (associação obrigatória)
4. Sinergismo (produzem uma reação em conjunto que não ocorre
isoladamente- Gengivite ulcerativa necrotizante: associação de Treponema e
Fusobacterium)

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